{"id":107,"date":"2009-01-03T17:03:29","date_gmt":"2009-01-03T19:03:29","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/107"},"modified":"2018-05-05T18:04:51","modified_gmt":"2018-05-05T21:04:51","slug":"a-violencia-no-estado-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/a-violencia-no-estado-capitalista\/","title":{"rendered":"A Viol\u00eancia no Estado Capitalista"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"PT\" style=\"font-family: Garamond;\">Neuza A. Peres &ndash; Professores &#8211; SP<\/span><o:p><\/o:p><\/p>\n<p style=\"margin-left: 3cm; text-align: justify;\" class=\"MsoBlockText\"><i><span style=\"font-size: 10pt; font-family: Garamond;\">&ldquo;Nosso planeta est&aacute; cheio. N&atilde;o somente do ponto de vista f&iacute;sico, como tamb&eacute;m social e pol&iacute;tico. Hoje s&atilde;o postos em movimento enormes contingentes de seres humanos destitu&iacute;dos de meios de sobreviv&ecirc;ncia em seus locais de origem. J&aacute; n&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o social para os parias da modernidade, os <span class=\"SpellE\">inadaptados<\/span>, expulsos, marginalizados, o lixo humano produzido pela sociedade de consumo&rdquo;<\/span><\/i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">.<i> (<span class=\"SpellE\">Zygmunt<\/span> <span class=\"SpellE\">Bauman<\/span> &#8211; <\/i>Vidas Desperdi&ccedil;adas<i>)<o:p><\/o:p><\/i><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoBodyTextIndent\">A situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia que se manifesta nas sociedades, particularmente <span class=\"GramE\">a<\/span> brasileira, &eacute; o objeto de reflex&atilde;o deste artigo. N&atilde;o a viol&ecirc;ncia urbana que aparece diariamente em manchetes nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, mas a verdadeira viol&ecirc;ncia que &eacute; o resultado da divis&atilde;o de classes do sistema econ&ocirc;mico capitalista.<span style=\"\">&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">No recorte acima, o autor classifica as pessoas fora do setor produtivo (formal e informal) como refugos do processo econ&ocirc;mico. Essa massa de exclu&iacute;dos &eacute; constitu&iacute;da por trabalhadores que n&atilde;o possuem uma forma&ccedil;&atilde;o profissional e por isso n&atilde;o se caracterizam como m&atilde;o-de-obra qualificada. N&atilde;o acompanharam o desenvolvimento tecnol&oacute;gico dentro do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o da economia e mais, s&atilde;o o reflexo do fortalecimento das pol&iacute;ticas de &ldquo;Estado m&iacute;nimo&rdquo; dos governos neoliberais.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">At&eacute; os anos setenta, o desemprego era um fen&ocirc;meno que ocorria apenas em alguns setores da economia, ou em conjunturas espec&iacute;ficas. Com as transforma&ccedil;&otilde;es do capitalismo, em decorr&ecirc;ncia de sucessivas crises e os desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos que originaram a globaliza&ccedil;&atilde;o da economia (e da pobreza), o desemprego deixou de ser circunstancial para ser permanente.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoBodyTextIndent\">Dentro deste contexto, est&atilde;o fora do setor produtivo: os oper&aacute;rios de f&aacute;bricas, descartados pela robotiza&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra; os trabalhadores do setor de servi&ccedil;os substitu&iacute;dos pelas m&aacute;quinas; os que n&atilde;o se enquadram aos padr&otilde;es f&iacute;sicos, diante da redu&ccedil;&atilde;o do limite de idade, considerado pelo sistema capitalista como tempo de vida ativa; os que n&atilde;o tiveram acesso a um ensino p&uacute;blico de &ldquo;qualidade&rdquo;, resultado das pol&iacute;ticas educacionais adotadas pelo Estado, em obedi&ecirc;ncia aos desmandos do capitalismo imperialista.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">As novas tecnologias n&atilde;o afetaram somente os oper&aacute;rios dos grandes centros urbanos, mas tamb&eacute;m <span class=\"GramE\">os trabalhadores no campo, provocando um &ecirc;xodo rural em grande escala<\/span>. O crescimento r&aacute;pido das cidades resultou numa urbaniza&ccedil;&atilde;o desordenada e ac&uacute;mulo populacional em zonas de periferia. <span class=\"GramE\">O dif&iacute;cil acesso aos morros e favelas transformaram<\/span> esses locais em quart&eacute;is-generais de comandos do crime organizado. &Eacute; neste cen&aacute;rio que se estabelece o &iacute;ndice maior de viol&ecirc;ncia e criminalidade resultante da falta de perspectiva, emprego, qualidade de vida e ainda a <span class=\"SpellE\">pauperiza&ccedil;&atilde;o<\/span> crescente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">&ldquo;Essa popula&ccedil;&atilde;o fora da lei jamais ser&aacute; incorporada ao sistema produtivo nem manter&aacute; qualquer tipo de rela&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel. Tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; mais espa&ccedil;o para onde fugir, nem para pensar no futuro. Essas pessoas n&atilde;o t&ecirc;m futuro&rdquo;. <\/span><span lang=\"PT\" style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Diante de uma realidade de fome e mis&eacute;ria, a vida deixa de ter valor. Assim, cada vez mais, a luta pela sobreviv&ecirc;ncia di&aacute;ria &eacute; o objetivo &uacute;nico no cotidiano das pessoas. Reflexo da crueldade que se estabelece na divis&atilde;o de classes. <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">Nunca antes foram as m&aacute;fias t&atilde;o numerosas, influentes e bem armadas. O dinheiro que todo dia muda de m&atilde;os e que prov&eacute;m de fontes criminosas e ao mesmo tempo se destinam a fontes criminosas, nada mais &eacute; do que lavagem de dinheiro do crime organizado ou produto da corrup&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica. S&atilde;o esses esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o envolvendo pol&iacute;ticos e o dinheiro p&uacute;blico que demonstram a import&acirc;ncia da viol&ecirc;ncia para o Estado capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoBlockText\"><i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">&ldquo;O grande problema dos Estados &eacute; que destino dar a esse &lsquo;lixo&rsquo;<span class=\"GramE\"><span style=\"\">&nbsp; <\/span><\/span>&ndash; que n&atilde;o pode mais ser enviado para as antigas fronteiras m&oacute;veis do capitalismo colonial. &Eacute; ele que constitui o objeto das pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a, o aspecto n&uacute;mero um da aten&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de todo o planeta&rdquo;<\/span><\/i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">A posi&ccedil;&atilde;o do Estado de contens&atilde;o da viol&ecirc;ncia, investimento massivo em armamentos e na forma&ccedil;&atilde;o de um contingente humano reprodutor das normas &ldquo;disciplinares&rdquo; serve apenas para colocar trabalhador contra trabalhador. O controle da natalidade disfar&ccedil;ada em medida de preven&ccedil;&atilde;o contra doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis, nada mais &eacute; do que medida para evitar a superpopula&ccedil;&atilde;o. Colocar o Ex&eacute;rcito nas ruas, reduzir a idade penal ou evitar o crescimento populacional n&atilde;o vai resolver um problema que &eacute; estrutural.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">Este processo n&atilde;o &eacute; novo. Ao longo de toda a hist&oacute;ria da humanidade, qualquer que tenha sido o sistema econ&ocirc;mico seja ele o escravista, feudal ou capitalista sempre que os trabalhadores tiveram consci&ecirc;ncia da explora&ccedil;&atilde;o a que estavam submetidos, buscaram unidade entre si e mudaram a hist&oacute;ria, promovendo revolu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoBodyTextIndent\">Desta forma, somente a luta dos explorados por sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicas de qualidade, moradia,<span class=\"GramE\"><span style=\"\">&nbsp; <\/span><\/span>e emprego pode levar a ado&ccedil;&atilde;o de um novo modelo de Estado que n&atilde;o se utiliza da viol&ecirc;ncia para marginalizar a classe que vende a for&ccedil;a de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"PT\" style=\"font-family: Garamond;\">Neuza A. 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