{"id":114,"date":"2009-01-03T17:20:02","date_gmt":"2009-01-03T19:20:02","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/114"},"modified":"2018-05-05T18:06:10","modified_gmt":"2018-05-05T21:06:10","slug":"ciencia-a-servico-do-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/ciencia-a-servico-do-racismo\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia a Servi\u00e7o do Racismo"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right; text-indent: 0cm;\" class=\"MsoBodyTextIndent\">Eduardo Rosa &ndash; Coletivo de Resgate Afro Rosas Negra<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Depois de seq&uuml;estrar mais de seis milh&otilde;es de homens e mulheres de seus pa&iacute;ses de origem, em &Aacute;frica, para escraviz&aacute;-los a sociedade mundial, em espec&iacute;fico a brasileira tenta se livrar da possibilidade de um eventual acerto de contas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Durante 350 anos, no Brasil, africanos e seus descendentes foram escravizados e obrigados a construir a riqueza desse imenso pa&iacute;s, de caracter&iacute;sticas continentais. S&atilde;o mais de tr&ecirc;s s&eacute;culos de torturas, estupros e os mais variados tipos de humilha&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Teorias &ldquo;cientificas&rdquo; foram desenvolvidas ao redor do mundo para provar a superioridade do &ldquo;homem branco&rdquo; europeu em rela&ccedil;&atilde;o aos homens n&atilde;o &ldquo;brancos&rdquo;, principalmente africanos e seus descendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Em Maio de 1888, quando assinada a &ldquo;Lei &Aacute;urea&rdquo;, que p&ocirc;s fim &agrave; escravid&atilde;o legal, n&atilde;o foi garantida a indeniza&ccedil;&atilde;o financeira pelos 350 anos de trabalho. <span class=\"GramE\">O trabalho assalariado, distribu&iacute;do entre imigrantes europeus,<\/span> foi negado aos negros e negras livres, que passaram a ser os primeiros desempregados, sem tetos, sem terras e sem identidades. Fomos finalmente libertados, mas para morrer de fome, frio ou exterminados pelos poderes repressivos constitu&iacute;dos &agrave; &eacute;poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Como o n&uacute;mero de negros nos centros urbanos era muito alto foi necess&aacute;rio encontrar meios n&atilde;o apenas de nos retirar dos grandes centros, mas de acabar com qualquer possibilidade de luta por repara&ccedil;&otilde;es ou por um simples emprego assalariado. No entanto, a repress&atilde;o n&atilde;o foi suficiente. O chicote e a tortura n&atilde;o tiraram do nosso povo o sonho de liberdade. Foi necess&aacute;ria uma pol&iacute;tica sistem&aacute;tica de desqualifica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o negra. No in&iacute;cio, foi trabalhoso convencer os negros, da &eacute;poca, de que tendo constru&iacute;do as riquezas do pa&iacute;s e impulsionado a economia europ&eacute;ia, n&atilde;o poderiam ser pregui&ccedil;osos e desqualificados para o trabalho assalariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Dessa situa&ccedil;&atilde;o nasceram os diversos mitos: O de que o negro &eacute; pregui&ccedil;oso, de que no Brasil n&atilde;o existe racismo, de que somos todos iguais, o de que discrimina&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; contra o pobre e n&atilde;o contra o preto, etc. E para dar seq&uuml;&ecirc;ncia &agrave; pol&iacute;tica de exclus&atilde;o do povo negro e minar sistematicamente nossa resist&ecirc;ncia, se construiu mais um: o de democracia racial, que afirma sermos todos iguais com oportunidades iguais, ou seja, &ldquo;ningu&eacute;m &eacute; deixado de lado pelo fato de ser preto, s&atilde;o os pretos que n&atilde;o s&atilde;o suficientemente esfor&ccedil;ados&rdquo;. Concomitante a isso se construiu a &ldquo;teoria do <span class=\"SpellE\">embranquecimento<\/span>&rdquo;, que afirma sermos todos iguais, entretanto, &ldquo;quanto mais claro melhor&rdquo;. Essas duas pol&iacute;ticas s&atilde;o demasiadas cru&eacute;is e puderam criar as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que a burguesia nos mantivesse fora dos mais variados seguimentos da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Num breve giro podemos observar que a sociedade mundial &eacute; <b style=\"\">&ldquo;s&oacute;cia majorit&aacute;ria&rdquo; <\/b><span style=\"\">do Brasil<\/span><b style=\"\"> <\/b>tanto no processo de escravid&atilde;o de homens e mulheres africanos, quanto na segrega&ccedil;&atilde;o em escala mundial.<span style=\"\">&nbsp; <\/span>Os Estados Unidos exterminou milhares de negros para n&atilde;o lhes &ldquo;conceder&rdquo; direitos civis m&iacute;nimos, al&eacute;m de fornecer-lhes, direta ou indiretamente, armas para o auto-exterm&iacute;nio. A Inglaterra enquanto &ldquo;pressionava&rdquo; o Brasil, &uacute;ltimo pa&iacute;s a p&ocirc;r fim a escravid&atilde;o legal, promovia guerras fratricidas e a partilha da &Aacute;frica, al&eacute;m de manter Mandela na pris&atilde;o por quase 30 anos. A B&eacute;lgica promoveu a destrui&ccedil;&atilde;o em Ruanda com a guerra entre <span class=\"SpellE\">Hutus<\/span> e <span class=\"SpellE\">Tutsi<\/span>, etc. No entanto, esses fatos n&atilde;o podem servir para retirar da burguesia brasileira a sua responsabilidade.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Agora a inova&ccedil;&atilde;o ao ataque, contra os negros brasileiros, conta novamente com o apoio da Biologia. Utilizada anteriormente para tentar provar a &ldquo;superioridade branca&rdquo; e para tentar afirmar que a &uacute;nica ra&ccedil;a existente &eacute; a &ldquo;ra&ccedil;a humana&rdquo;, <span class=\"GramE\">tenta<\/span> utilizar, neste momento, os estudos do genoma humano para tentar mostrar que os negros brasileiros t&ecirc;m mais genes europeus do que africanos. O que est&aacute; por tr&aacute;s dessa discuss&atilde;o &eacute; a tentativa de livrar a sociedade brasileira de poss&iacute;veis repara&ccedil;&otilde;es, a&ccedil;&otilde;es afirmativas,<span class=\"GramE\"><span style=\"\">&nbsp; <\/span><\/span>e da ado&ccedil;&atilde;o de cotas proporcionais de inclus&atilde;o para negros, em todos os seguimentos sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Num estudo realizado pelo&nbsp;geneticista S&eacute;rgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, a pedido da<span class=\"GramE\"><span style=\"\">&nbsp; <\/span><\/span>BBC-Brasil (Inglesa!!), foi tra&ccedil;ado o perfil gen&eacute;tico de nove famosos negros brasileiros atrav&eacute;s da an&aacute;lise de seu DNA, como parte do projeto Ra&iacute;zes Afro-brasileiras. A pesquisa mostrou, por exemplo, que o Neguinho <span class=\"GramE\">da Beija-Flor<\/span>, sambista carioca, &eacute; geneticamente mais europeu do que africano. De acordo com essa an&aacute;lise, 67,1% dos genes de Luiz Ant&ocirc;nio Feliciano Marcondes, o Neguinho, t&ecirc;m origem na Europa e apenas 31,5%, na &Aacute;frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Outro exemplo &eacute; o da ginasta <span class=\"SpellE\">Daiane<\/span> dos Santos. Segundo o estudo a atleta ga&uacute;cha tem 39,7% de ancestralidade africana, <span class=\"GramE\">40,8% europ&eacute;ia<\/span> e 19,6% amer&iacute;ndia. Dos nove indiv&iacute;duos analisados, foi <span class=\"SpellE\">Daiane<\/span> quem apresentou as propor&ccedil;&otilde;es mais equilibradas entre os tr&ecirc;s principais grupos que deram origem &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">O estudo afirma que o brasileiro &eacute; um dos povos mais miscigenados do&nbsp;mundo. Mas, o que &eacute; indiscutivelmente &ldquo;puro&rdquo;, no Brasil, &eacute; o racismo que exclui social, pol&iacute;tica e economicamente metade da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, a metade negra. Isso sim desmascara o &ldquo;modelo democracia racial&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Diversas conclus&otilde;es podem ser tiradas desta iniciativa da BBC, com amplo apoio da rede Globo &ldquo;fiel <span class=\"SpellE\">escudeira<\/span>&rdquo; na luta contra as pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas. Mas uma conclus&atilde;o n&atilde;o pode deixar de ser feita: a Ci&ecirc;ncia s&oacute; poder&aacute; cumprir totalmente o seu papel quando estiver a servi&ccedil;o da vida e for controlada por quem realmente trabalha e produz riqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 17pt;\" class=\"MsoNormal\">Infelizmente n&atilde;o nos surpreendemos com determinadas pesquisas, pois <span class=\"GramE\">esta miscigena&ccedil;&atilde;o defendida de forma t&atilde;o &ldquo;romantizada&rdquo; pela burguesia racista brasileira &eacute; a mesma que teve seu in&iacute;cio, nada rom&acirc;ntico<\/span>, com o estupro de mulheres negras, escravizadas e indefesas. O objetivo desse tipo de pesquisa, al&eacute;m de &ldquo;romantizar&rdquo; a miscigena&ccedil;&atilde;o &eacute; o de tentar adiar o &ldquo;acerto de contas&rdquo;. Temos a convic&ccedil;&atilde;o de que retardar&atilde;o, mas n&atilde;o evitar&atilde;o, &eacute; uma quest&atilde;o de tempo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right; text-indent: 0cm;\" class=\"MsoBodyTextIndent\">Eduardo Rosa &ndash; Coletivo de Resgate Afro Rosas Negra<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\">Depois de seq&uuml;estrar mais de seis milh&otilde;es de homens e mulheres de seus pa&iacute;ses de origem, em &Aacute;frica, para escraviz&aacute;-los a sociedade mundial, em espec&iacute;fico a brasileira tenta se livrar da possibilidade de um eventual acerto de contas.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[69,13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=114"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6260,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/114\/revisions\/6260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}