{"id":115,"date":"2009-01-03T17:20:50","date_gmt":"2009-01-03T19:20:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/115"},"modified":"2018-05-05T17:47:45","modified_gmt":"2018-05-05T20:47:45","slug":"a-comunicacao-na-luta-de-classes-o-caso-chavez-e-a-rctv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/a-comunicacao-na-luta-de-classes-o-caso-chavez-e-a-rctv\/","title":{"rendered":"A Comunica\u00e7\u00e3o na luta de Classes: O caso Ch\u00e1vez e a RCTV"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">Daniel &ndash; Banc&aacute;rios SP<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Tivemos oportunidade de discutir recentemente o projeto pol&iacute;tico do Presidente venezuelano Hugo <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> no que diz respeito &agrave; sua alegada pretens&atilde;o de apresentar o &ldquo;socialismo do s&eacute;culo XXI&rdquo;, em artigo publicado na edi&ccedil;&atilde;o n&ordm; 19 de nosso jornal. Indicamos ent&atilde;o que o socialismo somente pode ser constru&iacute;do por obra dos pr&oacute;prios trabalhadores, a partir de suas pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es de luta, convertidas em instrumentos pol&iacute;ticos independentes e armadas de seu pr&oacute;prio programa e ideologia; em completa ruptura com a <span class=\"SpellE\">institucionalidade<\/span> burguesa e <span class=\"GramE\">a forma Estado<\/span>. O socialismo n&atilde;o ser&aacute; jamais uma d&aacute;diva benevolente concedida por um governante burgu&ecirc;s como <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> e suas limitad&iacute;ssimas medidas &ldquo;socialistas&rdquo;, por mais que tais a&ccedil;&otilde;es representem de fato algum avan&ccedil;o material e <span class=\"GramE\">despertem o &oacute;dio da burguesia venezuelana e mundial<\/span>.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A &uacute;ltima das novidades &ldquo;revolucion&aacute;rias&rdquo; de <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> a provocar estardalha&ccedil;o foi a n&atilde;o renova&ccedil;&atilde;o da concess&atilde;o da emissora RCTV, uma das redes de TV privadas que se op&otilde;em ferozmente &agrave; sua pol&iacute;tica. A concess&atilde;o da RCTV, renovada pela &uacute;ltima vez em 27 de maio de 1987, acabara de completar 20 anos, de modo que cabia ao Estado verificar a conveni&ecirc;ncia de renov&aacute;-la ou n&atilde;o, conforme a legisla&ccedil;&atilde;o em vigor no pa&iacute;s, a qual &eacute; anterior ao pr&oacute;prio <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> e permaneceu intocada mesmo depois da nova Constitui&ccedil;&atilde;o <span class=\"SpellE\">bolivariana<\/span> de 1999.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Imediatamente, por&eacute;m, a m&iacute;dia burguesa em todo o mundo passou a esbravejar furiosamente contra o &ldquo;ditador&rdquo; venezuelano, acusando-o de atacar a &ldquo;liberdade de express&atilde;o&rdquo;. TVs, jornais e revistas entoaram em un&iacute;ssono o mesmo coro. Esse impressionante exemplo de solidariedade de classe manifestado pelas empresas de m&iacute;dia (inclusive as do Brasil) diante do &ldquo;perigoso&rdquo; precedente aberto por <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> demonstra o quanto o alegado compromisso desses &ldquo;ve&iacute;culos de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo; com a verdade dos fatos n&atilde;o passa de uma grotesca farsa a servir de pretexto para encobrir a mais escancarada parcialidade pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O discurso montado para atacar a decis&atilde;o de <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> n&atilde;o resiste &agrave; cr&iacute;tica mais elementar. O fato de que <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> tenha sido democraticamente eleito, reeleito, submetido a referendo e plebiscito &eacute; completamente ignorado quando o acusam de &ldquo;ditador&rdquo;. O fato de que todas as redes de TV privadas tenham trabalhado ativamente em favor do golpe de 2002 contra o presidente eleito n&atilde;o impede que continuem sendo tratadas como &ldquo;democr&aacute;ticos&rdquo; baluartes da &ldquo;liberdade&rdquo;. O fato de que <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> tenha agido na estrita obedi&ecirc;ncia &agrave; lei de seu pa&iacute;s (ali&aacute;s, muito semelhante &agrave; do Brasil, como veremos), que faculta ao governante a condi&ccedil;&atilde;o de negar a renova&ccedil;&atilde;o de uma concess&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o de um bem p&uacute;blico, tamb&eacute;m &eacute; cinicamente desconsiderado.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Todos os fatos s&atilde;o distorcidos para que se possa apresentar a vers&atilde;o fantasiosa de que um &ldquo;ditador&rdquo; intransigente restringiu arbitrariamente a &ldquo;liberdade&rdquo; dos cidad&atilde;os de seu pa&iacute;s ao impor repentinamente uma &ldquo;censura&rdquo; brutal e maci&ccedil;a sobre os meios de comunica&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o a garantia da &ldquo;democracia&rdquo;. Ora, apesar de ser a mais antiga emissora do pa&iacute;s, com 53 anos de atividade, a RCTV n&atilde;o era a &uacute;nica nem a maior, pois perdia para a <span class=\"SpellE\">Venevisi&oacute;n<\/span> e a <span class=\"SpellE\">Globovisi&oacute;n<\/span>, as quais continuaram funcionando normalmente e fazendo oposi&ccedil;&atilde;o ao presidente. Assim como continuam funcionando normalmente os jornais e demais ve&iacute;culos <span class=\"SpellE\">anti-chavistas<\/span>. Ou seja, a medida de <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> nem sequer alterou qualitativamente o sistema de comunica&ccedil;&atilde;o de massas do pa&iacute;s, que continua nas m&atilde;os de empresas privadas (que det&eacute;m 90% da audi&ecirc;ncia) e continua a propagar a ideologia burguesa e a pol&iacute;tica das classes dominantes. Apenas alterou-se quantitativamente o quadro ao tirar de cena a mais irrespons&aacute;vel das redes privadas.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O n&iacute;vel criminoso de desonestidade desta emissora pode ser aferido a partir do exemplo do tratamento dado aos conflitos que precederam o golpe contra <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> em 2002. A RCTV editou as imagens dos confrontos entre manifestantes nas ruas de Caracas de modo a dar a entender que os partid&aacute;rios do presidente eram os respons&aacute;veis por tiros disparados aleatoriamente contra uma multid&atilde;o de seus opositores, quando se tratava exatamente do contr&aacute;rio. A mentira foi exposta no document&aacute;rio &ldquo;A revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; televisionada&rdquo; (Kim <span class=\"SpellE\">Bartley<\/span> e <span class=\"SpellE\">Donnacha<\/span> <span class=\"SpellE\">O&#8217;Briain<\/span>, 2003), obra de dois jovens irlandeses que filmavam uma reportagem sobre <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> e tiveram a oportunidade extraordin&aacute;ria de registrar o golpe e a subseq&uuml;ente rea&ccedil;&atilde;o popular massiva que o derrotou.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O document&aacute;rio exibe ainda os militares, pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios, donos de TVs e jornalistas congratulando-se pelo sucesso aparente de seu golpe, em di&aacute;logos escandalosos que mostram o qu&atilde;o longe vai o ardor &ldquo;democr&aacute;tico&rdquo; dessa burguesia venezuelana com a qual a m&iacute;dia mundial t&atilde;o prontamente se solidariza. O fato de que <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span>, por sua vez, n&atilde;o tenha tomado nenhuma atitude pol&iacute;tica contra os golpistas, mas somente agora, cinco anos depois, tenha agido por um ato puramente administrativo, revela a infinita disposi&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der <span class=\"SpellE\">bolivariano<\/span> para a concilia&ccedil;&atilde;o de classes, numa via que pode at&eacute; trazer melhorias limitadas para o povo venezuelano, mas jamais o levar&aacute; para o socialismo, pois n&atilde;o rompe com a domina&ccedil;&atilde;o burguesa.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Os pilares do capitalismo na Venezuela n&atilde;o foram alterados por essa decis&atilde;o administrativa, pois os demais meios de comunica&ccedil;&atilde;o continuam funcionando normalmente, ou seja, a servi&ccedil;o do capital. Todo o barulho que se fez em torno da decis&atilde;o <span class=\"SpellE\">chavista<\/span> visa apenas refor&ccedil;ar aos olhos do p&uacute;blico o quanto os meios de comunica&ccedil;&atilde;o querem ser considerados intoc&aacute;veis e mostra o quanto zelam pela manuten&ccedil;&atilde;o de seu poder quase absoluto sobre o imagin&aacute;rio coletivo contempor&acirc;neo. O t&iacute;tulo do document&aacute;rio citado &eacute; bastante feliz neste aspecto, pois demonstra o fato elementar de que, na atual sociedade do espet&aacute;culo, qualquer revolu&ccedil;&atilde;o necessariamente se far&aacute; contra a televis&atilde;o, que por sua vez se recusar&aacute; a mostr&aacute;-la.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o apenas a televis&atilde;o, mas tamb&eacute;m r&aacute;dio, cinema, jornais, <span class=\"SpellE\">internet<\/span>, etc.) n&atilde;o s&atilde;o ferramentas tecnol&oacute;gicas politicamente neutras. No contexto das rela&ccedil;&otilde;es sociais capitalistas, <span class=\"GramE\">as t&eacute;cnicas de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o meios de informa&ccedil;&atilde;o<\/span>, mas de oculta&ccedil;&atilde;o da realidade. Seu papel &eacute; exibir o nada, o vazio, a nulidade, a vulgaridade e a venalidade das rela&ccedil;&otilde;es <span class=\"SpellE\">fetichizadas<\/span> da sociedade burguesa. Ao mesmo tempo em que exibe <span class=\"GramE\">o nada, a m&iacute;dia<\/span> oculta o real: a mis&eacute;ria em que vive a imensa maioria da humanidade, prisioneira da viol&ecirc;ncia, da explora&ccedil;&atilde;o, da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, da doen&ccedil;a, da ignor&acirc;ncia, da neurose, etc., que necessariamente acompanham o capitalismo.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A m&iacute;dia produz incessantemente o esquecimento do passado e a nega&ccedil;&atilde;o do futuro em nome de um presente b&aacute;rbaro perpetuado. Al&eacute;m de negar o real, negando-se a mostr&aacute;-lo, a m&iacute;dia precisa substitu&iacute;-lo pelo irreal, criando o seu pr&oacute;prio mundo imagin&aacute;rio, atrav&eacute;s do bombardeio maci&ccedil;o e ininterrupto dos valores burgueses. Os espectadores s&atilde;o expostos ao massacre ideol&oacute;gico 24 horas por dia, 365 dias por ano, em todos os canais. Nos empurram goela abaixo o individualismo, a competitividade, o utilitarismo, o pragmatismo, o imediatismo, a fragmenta&ccedil;&atilde;o, a uniformidade, a fugacidade, a incultura, o <span class=\"GramE\">anti-intelectualismo<\/span>, o misticismo, o medo, a rejei&ccedil;&atilde;o ao diferente, o chauvinismo, o otimismo <span class=\"SpellE\">panglossiano<\/span>, o escapismo <span class=\"SpellE\">infantilizante<\/span>, o consumismo, o luxo imoral e irrespons&aacute;vel, o culto &agrave;s celebridades, o padr&atilde;o de beleza <span class=\"SpellE\">euroc&ecirc;ntrico<\/span>, etc.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O resultado desse processo industrial de <span class=\"SpellE\">imbeciliza&ccedil;&atilde;o<\/span> coletiva &eacute; o aviltamento das consci&ecirc;ncias, a anestesia da sensibilidade, a mutila&ccedil;&atilde;o da subjetividade e o rebaixamento do ser humano a uma condi&ccedil;&atilde;o de passividade bovina. Seja nos programas de &ldquo;entretenimento&rdquo;, seja nos &ldquo;notici&aacute;rios&rdquo; e &ldquo;informativos&rdquo;, o conte&uacute;do ideol&oacute;gico &eacute; sempre <span class=\"GramE\">o mesmo, a defesa<\/span> intransigente da ordem estabelecida, da <span class=\"SpellE\">mercantiliza&ccedil;&atilde;o<\/span> do mundo e da vida, da adora&ccedil;&atilde;o ao dinheiro, da obedi&ecirc;ncia ao Estado e &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es. &Eacute; esse o papel que cumprem os meios de comunica&ccedil;&atilde;o privados a servi&ccedil;o do capital, seja nas na&ccedil;&otilde;es imperialistas, seja nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos como a Venezuela e nosso pr&oacute;prio pa&iacute;s.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span class=\"GramE\">A m&iacute;dia brasileira, ciosa de seus interesses<\/span>, prontamente condenou <span class=\"SpellE\">Ch&aacute;vez<\/span> e antecipadamente p&ocirc;s na al&ccedil;a de mira qualquer opini&atilde;o que ouse considerar a sacr&iacute;lega possibilidade de n&atilde;o renovar alguma concess&atilde;o de telecomunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. Ai de quem ousar questionar os pilares da ordem&#8230; Nosso espectro eletromagn&eacute;tico est&aacute; repartido em faixas de freq&uuml;&ecirc;ncia cuja utiliza&ccedil;&atilde;o para transmiss&otilde;es <span class=\"SpellE\">radiotelevisivas<\/span> tamb&eacute;m depende de concess&atilde;o do poder p&uacute;blico. O C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&atilde;o de 1962 estabelece um prazo de 15 anos para renova&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de TV e 10 anos para r&aacute;dio. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 tirou do Executivo e atribuiu ao Congresso a faculdade de outorgar e renovar concess&otilde;es. Entretanto, entre 1985 e 88, o coronel baiano ACM, sup&eacute;rstite da ditadura e ministro das comunica&ccedil;&otilde;es de Sarney, havia distribu&iacute;do centenas de concess&otilde;es a seus aliados pol&iacute;ticos.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Criou-se ent&atilde;o o fen&ocirc;meno do &ldquo;<span class=\"SpellE\">telecoronelismo<\/span>&rdquo;, por meio do qual os representantes das oligarquias mais reacion&aacute;rias passaram a <span class=\"GramE\">estar equipados<\/span> dos mais poderosos recursos tecnol&oacute;gicos, refor&ccedil;ando sua supremacia pol&iacute;tica por meio do controle f&eacute;rreo sobre currais eleitorais eletronicamente domesticados, blindados contra a interfer&ecirc;ncia de pensamentos divergentes. O fen&ocirc;meno do <span class=\"SpellE\">telecoronelismo<\/span> e a &ldquo;bancada da m&iacute;dia&rdquo; prosseguiram nos governos de FHC e Lula, compondo um dos esteios pol&iacute;ticos dos ataques imperialistas ao pa&iacute;s na era neoliberal.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Na recente discuss&atilde;o sobre a escolha de um padr&atilde;o tecnol&oacute;gico para as transmiss&otilde;es de TV digital, esteve em pauta a possibilidade da abertura de um n&uacute;mero virtualmente ilimitado de faixas de transmiss&atilde;o a serem tamb&eacute;m disponibilizadas para emissoras comunit&aacute;rias e movimentos populares. Essa possibilidade foi descartada quando Lula optou pelo padr&atilde;o desejado pela Rede Globo, mantendo basicamente inalterado o esquema de explora&ccedil;&atilde;o comercial do espectro eletromagn&eacute;tico. Manteve-se o monop&oacute;lio dos grandes grupos de m&iacute;dia sobre o espa&ccedil;o, que o utilizam para a transmiss&atilde;o de um conte&uacute;do extremamente rebaixado, sem qualquer valor humano e cultural e cuidadosamente adequado aos interesses ideol&oacute;gicos e pol&iacute;ticos da burguesia brasileira e imperialista.<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Coloca-se ent&atilde;o como uma tarefa crucial das for&ccedil;as populares lutar contra esse modelo de comunica&ccedil;&atilde;o e encontrar as formas para que as vozes dos oprimidos sejam ouvidas e seus interesses hist&oacute;ricos sejam colocados em pauta. <\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Abaixo o Grande Irm&atilde;o!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">Daniel &ndash; Banc&aacute;rios SP<\/span><span style=\"\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6228,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions\/6228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}