{"id":121,"date":"2009-01-03T17:41:23","date_gmt":"2009-01-03T19:41:23","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/121"},"modified":"2018-05-05T17:47:15","modified_gmt":"2018-05-05T20:47:15","slug":"por-um-movimento-negro-anticapitalista-independente-dos-partidos-e-antigovernista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/por-um-movimento-negro-anticapitalista-independente-dos-partidos-e-antigovernista\/","title":{"rendered":"Por um movimento negro anticapitalista, independente dos partidos e antigovernista"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">O Brasil tem uma d&iacute;vida hist&oacute;rica com os descendentes de africanos escravizados e que ainda n&atilde;o foi saldada. De uma hora para outra seis milh&otilde;es de seres humanos, seq&uuml;estrados de sua terra de forma cruel e selvagem, passaram de <b>mercadoria valiosa<\/b> &agrave; terr&iacute;vel fardo. Foram jogados na rua da amargura por uma lei que p&ocirc;s fim &agrave; escravid&atilde;o legal, mas, n&atilde;o indenizou as v&iacute;timas da escravid&atilde;o, e negou a esse povo o direito ao trabalho remunerado, <span class=\"GramE\">&agrave;<\/span> terra e &agrave; inclus&atilde;o social. Desde que o primeiro africano escravizado aqui pisou, deu-se in&iacute;cio a um processo de luta por sua liberdade, atrav&eacute;s dos quilombos, do suic&iacute;dio coletivo e do aborto. Essa luta se estende at&eacute; os dias de hoje, mesmo que tenha mudado de forma. Zumbi, grande l&iacute;der revolucion&aacute;rio, n&atilde;o questionou apenas a escravid&atilde;o, mas tamb&eacute;m o <span style=\"\">sistema de governo e da produ&ccedil;&atilde;o social da vida<b>, <\/b><\/span>pois a forma de conv&iacute;vio no quilombo era muito diferente da vida na col&ocirc;nia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-right: 25.95pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Hoje as ONG&rsquo;s, mantidas e reguladas pelo governo, servem para levar a pol&iacute;tica oficial para dentro do movimento negro, pulverizando e interferindo no mesmo. Dando verbas e subven&ccedil;&otilde;es para projetos isolados, transformam o movimento em dois blocos: os <span class=\"SpellE\">antigovernistas<\/span> e os governistas. Dentro destes ainda temos os de direita e os que pertencem &agrave; esquerda reformista que se mostram incapazes de solucionar os problemas da popula&ccedil;&atilde;o, e com nenhum interesse em resolver os problemas dos negros, defendendo a causa negra em seus discursos nos dias de festa apenas com o objetivo de manter a divis&atilde;o do movimento. Esta pulveriza&ccedil;&atilde;o foi estrategicamente planejada para facilitar a a&ccedil;&atilde;o da classe dominante e do governo que a representa, seja de direita ou da esquerda reformista. Ao conceder algumas migalhas &agrave;s nossas organiza&ccedil;&otilde;es, governo e empres&aacute;rios encontram defensores para refor&ccedil;ar o mito da democracia racial.<b> <\/b><span style=\"\">A<\/span>firmam que o governo n&atilde;o pode resolver em oito anos o que n&atilde;o foi resolvido em quinhentos, e que a Ford n&atilde;o &eacute; racista porque a Funda&ccedil;&atilde;o Ford d&aacute; verbas para projetos de combate ao racismo. Entretanto, nesse governo h&aacute; grandes dificuldades na <span class=\"SpellE\">titulariza&ccedil;&atilde;o<\/span> das terras de quilombo, n&atilde;o se avan&ccedil;a nas cotas proporcionais no mercado de trabalho, avan&ccedil;a-se pouco nas cotas universit&aacute;rias, e ainda diz <b>&ldquo;o principal empecilho para o desenvolvimento do pa&iacute;s s&atilde;o os ambientalistas e os quilombolas&rdquo;.<\/b><b style=\"\"><o:p><\/o:p><\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-right: 25.95pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Estamos num momento dif&iacute;cil para o conjunto da classe explorada, pois est&aacute; sob novo ataque do governo petista de Lula, atrav&eacute;s do PAC, com o aval da direita e das centrais sindicais. Lula vai&nbsp; investir parte consider&aacute;vel do FGTS em&nbsp; obras que beneficiar&atilde;o apenas a <span style=\"\">classe exploradora, sem garantia aos trabalhadores. <\/span>A burguesia ser&aacute; beneficiada com portos, aeroportos e estradas para exportar a produ&ccedil;&atilde;o, sem obriga&ccedil;&otilde;es de contrapartida financeira ou de cria&ccedil;&atilde;o de empregos por parte da burguesia. N&atilde;o est&aacute; <span class=\"GramE\">previsto no PAC a constru&ccedil;&atilde;o de escolas, universidades,<\/span> hospitais, verbas para a reforma agr&aacute;ria ou para a&ccedil;&otilde;es afirmativas.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-right: 25.95pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Zumbi, questionando escravid&atilde;o, sistema de governo <span style=\"\">e produ&ccedil;&atilde;o social da vida<\/span>, nos deu um exemplo a ser seguido. Isso mostra que o movimento negro deve abster-se de acordos com as elites e o governo que as representa, pois utilizaram o escravismo para impulsionar o capitalismo. Sendo assim, &eacute; o capitalismo e toda sua base de sustenta&ccedil;&atilde;o nosso principal inimigo. Se n&atilde;o formos capazes de compreender isso, n&atilde;o seremos capazes de derrotar nosso principal inimigo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-right: 25.95pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>&Eacute; neste contexto que diversas organiza&ccedil;&otilde;es negras a n&iacute;vel nacional est&atilde;o instalando <span class=\"GramE\">o Congresso Nacional de Negros e Negras, com objetivo de construir um Projeto Pol&iacute;tico de na&ccedil;&atilde;o do Povo Negro para o Brasil,<\/span> a ser instalado em Belo Horizonte, MG, e que ter&aacute; a dura&ccedil;&atilde;o de um ano. Esse Congresso ser&aacute; vitorioso e dar&aacute; um grande salto de qualidade se for capaz de lan&ccedil;ar as bases necess&aacute;rias para a constru&ccedil;&atilde;o de uma Organiza&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica Revolucion&aacute;ria, centralizada pela base em organismos de discuss&atilde;o, e que seja independente do governo e dos patr&otilde;es, tendo como objetivo central <span class=\"GramE\">a<\/span> destrui&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista. Sabemos que n&atilde;o ser&aacute; uma tarefa f&aacute;cil, mas n&atilde;o existe um meio termo. Isso n&atilde;o se constr&oacute;i da noite para o dia, como a liberdade n&atilde;o veio sem uma luta sem tr&eacute;guas.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-right: 25.95pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Devemos construir a unidade em torno de um programa que prepare a milit&acirc;ncia negra para o combate, atrav&eacute;s da forma&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;rias. Sendo assim, o Congresso ter&aacute;, se respeitada a democracia, legitimidade para coordenar campanhas nacionais que possam mobilizar nosso povo. Al&eacute;m das campanhas <b>&ldquo;Reaja ou ser&aacute; Morto, Reaja ou ser&aacute; Morta&rdquo; <\/b>e <b>&ldquo;n&atilde;o gaste seu dinheiro em lojas que n&atilde;o contratam negros&rdquo;,<\/b><span style=\"\"> podemos propor a &ldquo;Lei de Responsabilidade Racial&rdquo;, e<\/span>m contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave; lei de responsabilidade fiscal cujo principal objetivo era barrar investimentos sociais nas &aacute;reas pobres para garantir o lucro dos empres&aacute;rios com o pagamento da d&iacute;vida p&uacute;blica. Essa nossa lei colocar&aacute; atr&aacute;s das grades o governante que n&atilde;o cumprir a lei de proporcionalidade. Em troca da ades&atilde;o da parte branca da classe explorada, seria lan&ccedil;ado junto o movimento por uma <b>&ldquo;Lei de Responsabilidade<\/b><b style=\"\"> Social<\/b>&rdquo;, para prender e tornar ineleg&iacute;vel o governante que priorizar o pagamento da d&iacute;vida &agrave;s custas do desemprego, da fome e da mis&eacute;ria de nosso povo, preto ou branco.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Se investirmos nosso precioso tempo num congresso para construir um projeto pol&iacute;tico que priorize acordos a portas fechadas em detrimento da luta organizada de nosso povo, perderemos tempo e desperdi&ccedil;aremos uma oportunidade &iacute;mpar que talvez n&atilde;o tenhamos t&atilde;o cedo, visto que o &uacute;ltimo Congresso Nacional de Negros se deu h&aacute; mais de 50 anos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">CHAMADO &Agrave;S ORGANIZA&Ccedil;&Otilde;ES REVOLUCION&Aacute;RIAS<o:p><\/o:p><\/span><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Diversas organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias se colocam solid&aacute;rias a luta negra, e est&aacute; dada a oportunidade de mostrar essa solidariedade. O movimento negro n&atilde;o disp&otilde;e de recursos para produzir todos os materiais necess&aacute;rios para a convoca&ccedil;&atilde;o do Congresso. Para construirmos a independ&ecirc;ncia que necessitamos, precisamos de recursos pr&oacute;prios que ainda n&atilde;o temos. Por isso, &eacute; interessante que as organiza&ccedil;&otilde;es solid&aacute;rias nos ajudem a construir um congresso que garanta a participa&ccedil;&atilde;o do povo &ldquo;p&eacute; de barro&rdquo; no congresso. Sua doa&ccedil;&atilde;o necessariamente n&atilde;o precisa ser em dinheiro, que &eacute; muito bem vindo. Mas, na confec&ccedil;&atilde;o de materiais, principalmente das teses para discuss&atilde;o. Acreditamos que para muitos de nossos irm&atilde;os negros a maior parte do conte&uacute;do das teses ser&aacute; novidade. Al&eacute;m disso, as organiza&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o disponibilizar espa&ccedil;o f&iacute;sico para a realiza&ccedil;&atilde;o das plen&aacute;rias e tamb&eacute;m realizar a discuss&atilde;o em suas respectivas bases, seja sindicato, movimento social ou coletivos de discuss&otilde;es.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">O Brasil tem uma d&iacute;vida hist&oacute;rica com os descendentes de africanos escravizados e que ainda n&atilde;o foi saldada. De uma hora para outra seis milh&otilde;es de seres humanos, seq&uuml;estrados de sua terra de forma cruel e selvagem, passaram de <b>mercadoria valiosa<\/b> &agrave; terr&iacute;vel fardo.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=121"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6226,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/121\/revisions\/6226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}