{"id":123,"date":"2009-01-03T17:48:52","date_gmt":"2009-01-03T17:48:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/123"},"modified":"2018-04-20T12:07:23","modified_gmt":"2018-04-20T15:07:23","slug":"aquecimento-global-culpa-do-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/aquecimento-global-culpa-do-homem\/","title":{"rendered":"Aquecimento global, culpa do homem?"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">No rastro da confer\u00eancia da ONU sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, nos \u00faltimos dias a m\u00eddia em suas diversas vers\u00f5es (a Rede Globo, por exemplo, apresentou no JN reportagem de uma semana) tem insistentemente falado do aquecimento global, <span class=\"GramE\">desequil\u00edbrio ambiental, queimadas<\/span>,\u00a0 efeito estufa, etc. Nada de novo porque a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel a todos. O novo nessas imagens chocantes \u00e9 o diagn\u00f3stico proferido pelos \u201c<span class=\"SpellE\">acr\u00edticos<\/span>\u201d rep\u00f3rteres e pela declara\u00e7\u00e3o da ONU de que a culpa por tamanha destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3prio homem e de que tal capacidade destrutiva \u00e9 inerente ao pr\u00f3prio homem. Mas de que <span class=\"GramE\">homem est\u00e3o falando<\/span>? Do Jos\u00e9? Da Maria? Daqueles que todos os dias saem para vender a \u00fanica mercadoria (for\u00e7a de trabalho) que t\u00eam? Ou daqueles que controlam os meios de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, determinam o que e como produzir sem levar em considera\u00e7\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais, pois a \u00fanica coisa que lhes interessa \u00e9 o lucro?<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A afirma\u00e7\u00e3o desses rep\u00f3rteres na apar\u00eancia \u00e9 verdadeira, mas na realidade ela \u00e9 completamente insuficiente para explicar a realidade e a causa de tamanha destrui\u00e7\u00e3o do planeta e de seus recursos naturais. N\u00e3o se trata de apresentar um relat\u00f3rio do que ocorre no planeta (tanto porque \u00e9 vis\u00edvel como a m\u00eddia tem se encarregado disso), mas compreender por que, sob o dom\u00ednio do capital, a destrui\u00e7\u00e3o da natureza n\u00e3o s\u00f3 recuar\u00e1 como ser\u00e1 cada vez mais intensa. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">O foco da m\u00eddia burguesa tem objetivos claros, um dos quais \u00e9 retirar da produ\u00e7\u00e3o capitalista a responsabilidade por tais danos. Logo, nessa discuss\u00e3o torna-se urgente abrir uma batalha ideol\u00f3gica contra esse enfoque, porque se n\u00e3o identificamos as reais causas tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiremos apresentar sa\u00eddas que solucionem de fato o <span class=\"GramE\">problema<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Partimos do pressuposto de que analisamos os homens e suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o como indiv\u00edduos isolados, mas como seres sociais que cumprem determinado papel na produ\u00e7\u00e3o material da vida e com a consci\u00eancia determinada pelas rela\u00e7\u00f5es sociais que cercam essa produ\u00e7\u00e3o, ou seja, o homem \u00e9 um ser social que em rela\u00e7\u00e3o com a natureza produz tudo aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para sua exist\u00eancia. \u00c9 importante compreender essa qualidade eminentemente humana, pois \u00e9 ela a respons\u00e1vel, pelo seu trabalho, na transforma\u00e7\u00e3o do mundo (ou da natureza). <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim \u00e9 perfeitamente claro que a natureza \u00e9 fundamental, na verdade uma condi\u00e7\u00e3o, para a produ\u00e7\u00e3o das necessidades materiais dos humanos. O homem para produzir precisa relacionar-se com ela. Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 determinada pelo n\u00edvel do desenvolvimento das t\u00e9cnicas e instrumentos de produ\u00e7\u00e3o acumulados pela humanidade. O determinante passa a ser, portanto, as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que foram constru\u00eddas nesse processo produtivo e que ser\u00e1 a base real ou material das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, <span class=\"GramE\">etc. <\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas nem toda produ\u00e7\u00e3o ou rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza \u00e9 destrutiva. A apropria\u00e7\u00e3o privada daquilo que \u00e9 produzido coletivamente (socialmente) obriga que o homem estabele\u00e7a rela\u00e7\u00f5es estranhas \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de produtor, alienando-se (para alguns, estranhamento) do produto do trabalho, do pr\u00f3prio homem e da natureza. A aliena\u00e7\u00e3o faz com que o homem n\u00e3o exer\u00e7a um dom\u00ednio consciente, mas sim destrutivo sobre a natureza. Dessa forma, a aliena\u00e7\u00e3o op\u00f5e os indiv\u00edduos e a coletividade de maneira que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o correspondem \u00e0s necessidades da humanidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda resta uma quest\u00e3o a esclarecer que \u00e9 o fato de que \u00e9 pelo trabalho humano que a natureza \u00e9 destru\u00edda. \u00c8 uma contradi\u00e7\u00e3o, mas tem explica\u00e7\u00e3o. Na sociedade burguesa, portanto, numa sociedade em que as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o se desenvolvem sob hegemonia do capital, o trabalho aparece para todos os homens de forma <span class=\"SpellE\">negativada<\/span>, ou seja, alienada, processo pelo qual o trabalhador se afasta das esferas da decis\u00e3o dos atos relacionados a sua atividade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 que vai determinar a sua consci\u00eancia. Assim a \u201cvis\u00e3o\u201d de mundo e a a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos ser\u00e3o formadas conforme a posi\u00e7\u00e3o que ocupa na rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o. Se o indiv\u00edduo \u2013 social \u2013 \u00e9 dono dos meios de produ\u00e7\u00e3o, sua vis\u00e3o de mundo e sua pr\u00e1tica v\u00e3o estar marcadas pelas necessidades que essa condi\u00e7\u00e3o imp\u00f5e; se, do lado oposto, for um trabalhador, a sua \u201cvis\u00e3o mundana\u201d vai corresponder a essa situa\u00e7\u00e3o, bem como sua a\u00e7\u00e3o. Ocorre que essa vis\u00e3o de mundo dos indiv\u00edduos est\u00e1, dialeticamente, relacionada com uma \u201cconsci\u00eancia coletiva\u201d moldada pelo dom\u00ednio da classe que se apropria da riqueza produzida socialmente, como forma de justificar o seu poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como as id\u00e9ias da sociedade s\u00e3o as mesmas da classe dominante, a burguesia se aproveita para apresentar, nesse caso, a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, o particular como universal. Quando se fala de homem, ser humano, etc. e de sua pr\u00e1tica destrutiva, fala-se de um homem hist\u00f3rico, social, forjado conforme as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. Mas a burguesia e seus ide\u00f3logos apresentam esse \u201ctipo humano\u201d como express\u00e3o universal humana. O fato de que o homem no capitalismo destrua a natureza n\u00e3o significa que em qualquer \u00e9poca hist\u00f3rica ocorrer\u00e1 essa destrui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A partir dessas conclus\u00f5es eu pergunto \u00e0queles (e ao rep\u00f3rter) que dizem que o mundo est\u00e1 acabando por culpa do homem: de qual homem est\u00e1 falando? O trabalhador, que \u00e9 obrigado a vender a sua for\u00e7a de trabalho e <span class=\"SpellE\">disponibiliz\u00e1-la<\/span> aos patr\u00f5es para qualquer coisa, ou o burgu\u00eas, que vai direcionar a produ\u00e7\u00e3o para aquilo que d\u00e1 mais lucro (mesmo que destrua rios, mares, florestas, etc.)? <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A luta ideol\u00f3gica contra o capital exige que rechacemos tanto a id\u00e9ia da destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais pela \u201cmaldade natural\u201d dos indiv\u00edduos como a responsabiliza\u00e7\u00e3o generalizada dos homens. \u00c8 o capitalismo e sua forma destrutiva de produzir que s\u00e3o os respons\u00e1veis pelos problemas ambientais do mundo. Essa quest\u00e3o \u00e9 importante ser destacada porque, se \u00e9 o trabalhador, com as <span class=\"SpellE\">motos-serras<\/span> e outros instrumentos, que realiza o ato, ele o faz unicamente por conta de que ao dispor sua for\u00e7a de trabalho ao capitalista \u00e9 este quem vai determinar onde e como aplicar aquela for\u00e7a. A atividade humana n\u00e3o se coloca de maneira independente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade e, fundamentalmente, \u00e9 uma atividade que deve ser localizada historicamente, a partir de homens com \u201cvis\u00e3o de mundo\u201d burguesa, determinada, repito, pelo papel que ocupa nas rela\u00e7\u00f5es do modo de produ\u00e7\u00e3o. Eis Marx: \u201c\u00e9 necess\u00e1rio explicar esta consci\u00eancia pelas contradi\u00e7\u00f5es da vida material, pelo conflito existente entre as for\u00e7as produtivas sociais e as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">Para colocar as coisas no seu devido lugar: A produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 a respons\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o a que o planeta est\u00e1 submetido. O capital controla todos os processos produtivos \u2013 destrutivos ou n\u00e3o \u2013 e os homens s\u00e3o apenas instrumentos.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">CONSUMISMO E NECESSIDADES ARTIFICIAIS: IDEOLOGIA \u00c0 SERVI\u00c7O DA PRODU\u00c7\u00c3O DESTRUTIVA<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A crise estrutural pela qual passa o capital o obriga a desenvolver mecanismos que empurrem as contradi\u00e7\u00f5es provocadas pela crise para o futuro. Entre esses mecanismos \u2013econ\u00f4micos e ideol\u00f3gicos \u2013, para citar alguns, est\u00e1 a taxa de uso decrescente das mercadorias, que \u00e9 a fabrica\u00e7\u00e3o de produtos com uma vida \u00fatil menor (<span class=\"SpellE\">Mesz\u00e1ros<\/span>), a cultura do consumismo e a cria\u00e7\u00e3o de necessidades artificiais para as pessoas. Principalmente essas duas \u00faltimas medidas s\u00e3o acompanhadas de uma forte campanha publicit\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para que haja produ\u00e7\u00e3o \u2013 espa\u00e7o privilegiado para a realiza\u00e7\u00e3o da mais-valia \u2013 \u00e9 necess\u00e1rio haver o consumo. Ocorre que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico possibilitou salto na produtividade, ou seja, produz-se muito e, se h\u00e1 constantemente uma alta produ\u00e7\u00e3o, logo chegar\u00e1 a um limite porque n\u00e3o haver\u00e1 mais ningu\u00e9m para consumir. Como o capital resolve essa contradi\u00e7\u00e3o? Um: <span class=\"GramE\">produz<\/span>-se bens com dura\u00e7\u00e3o mais curta (voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar que hoje as coisas duram menos) para que haja troca desses bens; dois: quando s\u00f3 essa medida n\u00e3o \u00e9 suficiente passa a criar necessidades artificiais. <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O celular \u00e9 um bom exemplo. Estima-se que j\u00e1 existem mais de 90 milh\u00f5es de aparelhos no pa\u00eds. Massificado h\u00e1 10 anos aproximadamente, foi a cada ano ou menos ganhando \u201cnovas\u201d fun\u00e7\u00f5es, como filmar, tirar foto, mapa para controlar filhos e tantas outras fun\u00e7\u00f5es, ou seja, para que as pessoas troquem de aparelho (consumam) os fabricantes \u201cinventam\u201d todas essas coisas. Para tudo isso se realizar vem a propaganda relacionando esses produtos \u00e0 alegria, <span class=\"GramE\">\u00e0<\/span> jovialidade, \u00e0 eleg\u00e2ncia, como se ao adquirir aquele produto voc\u00ea se transformasse. <span class=\"GramE\">Pode<\/span>-se citar outras mercadorias, como o carro, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quanta mat\u00e9ria-prima (recursos naturais) <span class=\"GramE\">gasta-se<\/span> para produzir esses produtos que, sob uma administra\u00e7\u00e3o consciente, n\u00e3o seriam necess\u00e1rios? E o que fazer com o lixo que \u00e9 altamente danoso para a natureza? Pense em quantos produtos desnecess\u00e1rios h\u00e1 \u00e0 nossa volta e quanto dano eles causam \u00e0 natureza. Ent\u00e3o a causa de tanta polui\u00e7\u00e3o e desequil\u00edbrio ambiental \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o massiva voltada para o lucro. Para o capital n\u00e3o interessa se destr\u00f3i ou n\u00e3o, interessa se h\u00e1 lucro. A vida n\u00e3o tem import\u00e2ncia para o capital, a menos que seja fonte de lucro (como tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os humanos).<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esses exemplos s\u00e3o provas de que o capital em cada ato traz consigo mais destrui\u00e7\u00e3o. Imagine se metade da popula\u00e7\u00e3o da China e outra metade da \u00cdndia tivessem um carro, o que seria do planeta? Eis uma contradi\u00e7\u00e3o fundamental para o capital e para a humanidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">MUITO BL\u00c1, BL\u00c1 E NADA DE <span class=\"GramE\">PR\u00c1TICO<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para a burguesia estar se preocupando \u00e9 porque a destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um n\u00edvel acima do cr\u00edtico. O problema \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o temos acesso a todas as informa\u00e7\u00f5es, uma vez que a burguesia nunca exp\u00f5e os problemas na sua totalidade, liberando apenas aquilo que n\u00e3o tem mais como esconder. Mesmo do ponto de vista deles \u00e9 necess\u00e1rio que se fa\u00e7a algo porque o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a nossa exist\u00eancia, mas tamb\u00e9m a deles.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No fim de janeiro e in\u00edcio de fevereiro realizou-se a confer\u00eancia da ONU que discutiu as mudan\u00e7as do clima no planeta. Os relat\u00f3rios falam de subida dos oceanos, buraco de oz\u00f4nio, culpa o homem por esses problemas, etc. N\u00e3o vimos responsabiliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o capitalista (nem temos essa ilus\u00e3o) e muito menos propostas concretas de solu\u00e7\u00e3o. O motivo \u00e9 \u00f3bvio: por ser uma organiza\u00e7\u00e3o <span class=\"GramE\">\u00e0<\/span> servi\u00e7o do capital imperialista ela jamais atacar\u00e1 seu amo.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As t\u00edmidas e ineficientes medidas \u2013 como o protocolo de <span class=\"SpellE\">Kyoto<\/span>, que restringe a emiss\u00e3o de <span class=\"SpellE\">CO<sub>2<\/sub><\/span> em 5%, quando seria necess\u00e1rio pelo menos 60% \u2013 n\u00e3o saem do papel tamb\u00e9m por conta da competi\u00e7\u00e3o e dos interesses <span class=\"SpellE\">interimperialistas<\/span>. Substituir a produ\u00e7\u00e3o de energia baseada em combust\u00edveis f\u00f3sseis por outros tipos de energia significaria a fal\u00eancia de grandes monop\u00f3lios e Estados que dependem desse tipo de neg\u00f3cio. Esse \u00e9 s\u00f3 um de v\u00e1rios exemplos, mas poder\u00edamos citar o caso das ind\u00fastrias de papel que destroem os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos e as florestas com as imensas planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos, ou ainda a monocultura na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que devasta o ecossistema.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"GramE\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">S\u00d3 OS TRABALHADORES E A PRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\"> SOCIALISTA PODEM SALVAR O MUNDO<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Para se contrapor e resistir ao processo destrutivo para o qual seu trabalho foi disponibilizado, \u00e9 <span class=\"GramE\">necess\u00e1rio o desenvolvimento de uma consci\u00eancia <span class=\"SpellE\">anticapitalista<\/span> e socialista que seja capaz de reorganizar a forma com que os homens produzem suas necessidades, com um dom\u00ednio consciente sobre as for\u00e7as da natureza<\/span>, superando a oposi\u00e7\u00e3o do homem \u00e0 natureza que o capitalismo imp\u00f4s.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma produ\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores vai decidir o que, como e para que produzir com base nas necessidades da coletividade. Se for mais importante produzir ve\u00edculos com energias alternativas, menos poluente, e voltados para o transporte coletivo, \u00e9 isso que se vai produzir. Se a produ\u00e7\u00e3o de celulares significa uma amea\u00e7a para o meio ambiente, ele ser\u00e1 substitu\u00eddo por outro sistema de comunica\u00e7\u00e3o. A apropria\u00e7\u00e3o e dom\u00ednio da natureza de maneira consciente <span style=\"color: red;\">v\u00e3o<\/span> direcionar a produ\u00e7\u00e3o para as necessidades vitais da sociedade. Enquanto houver risco de fome, produzir bens de primeira necessidade ser\u00e1 a prioridade. Qualquer produ\u00e7\u00e3o ser\u00e1 considerada como uma totalidade de benef\u00edcios e males que pode provocar para o conjunto da sociedade: <span class=\"GramE\">se pode<\/span> poluir um rio ou n\u00e3o, se pode provocar um descontrole ambiental ou n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas uma sociedade como essa \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do capital e de sua produ\u00e7\u00e3o destrutiva. \u00c9 uma sociedade de m\u00e1xima realiza\u00e7\u00e3o humana, de perfeita sintonia entre homem e natureza e de organiza\u00e7\u00e3o consciente de todo o processo de produ\u00e7\u00e3o. Esse conjunto de rela\u00e7\u00f5es sociais vai criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para uma nova consci\u00eancia humana, pois n\u00e3o haver\u00e1 mais conflito entre as for\u00e7as de produ\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O desenvolvimento dessa nova consci\u00eancia torna-se mais urgente do que nunca, pois o mundo sob a hegemonia do capital est\u00e1 em perigo e em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de todas as formas de vida. Por isso reafirmamos que <span class=\"GramE\">a disjuntiva \u201csocialismo ou barb\u00e1rie<\/span>\u201d \u00e9 mais atual do que nunca: ou o socialismo ou o fim do g\u00eanero humano. Venha lutar pelo socialismo e por uma nova sociedade, que podem se realizar somente por um processo revolucion\u00e1rio em que os trabalhadores construam seus organismos de <span class=\"GramE\">poder<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esperar o socialismo, pois h\u00e1 o risco de n\u00e3o dar mais tempo de salvar a natureza. \u00c9 necess\u00e1rio um processo mundial de mobiliza\u00e7\u00e3o para exigir dos governos medidas concretas para conter a destrui\u00e7\u00e3o do planeta (como a redu\u00e7\u00e3o de 60% nas emiss\u00f5es de CO). Como medida educativa para os trabalhadores, os sindicatos (e principalmente a CONLUTAS) devem come\u00e7ar a incluir nas pautas de reivindica\u00e7\u00f5es propostas de controle do que produzir e como produzir, como a proibi\u00e7\u00e3o de despejar res\u00edduos nos rios, exig\u00eancia de severas puni\u00e7\u00f5es \u00e0s empresas que poluem e responsabilidades de recolher as embalagens e produtos que prejudiquem o meio ambiente. E caso n\u00e3o cumpram, as empresas devem ser <span class=\"SpellE\">estatizadas<\/span> e colocadas sob controle dos trabalhadores.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Arial;\">No rastro da confer&ecirc;ncia da ONU sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, nos &uacute;ltimos dias a m&iacute;dia em suas diversas vers&otilde;es (a Rede Globo, por exemplo, apresentou no JN reportagem de uma semana) tem insistentemente falado do aquecimento global, <span class=\"GramE\">desequil&iacute;brio ambiental, queimadas<\/span>,<span style=\"\">&nbsp; <\/span>efeito estufa, etc. Nada de novo porque a destrui&ccedil;&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel a todos.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=123"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5898,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/123\/revisions\/5898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}