{"id":132,"date":"2009-02-25T12:56:44","date_gmt":"2009-02-25T15:56:44","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/132"},"modified":"2018-05-01T00:56:17","modified_gmt":"2018-05-01T03:56:17","slug":"boletim-19-declaracao-do-espaco-socialista-contra-os-ataques-a-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/02\/boletim-19-declaracao-do-espaco-socialista-contra-os-ataques-a-gaza\/","title":{"rendered":"Boletim 19 &#8211; Declara\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Socialista contra os ataques a Gaza"},"content":{"rendered":"<p>No dia 27 de Dezembro de 2008 as For\u00e7as Armadas de Israel (cinicamente denominadas <em>For\u00e7a de Defesa<\/em>) lan\u00e7aram um ataque contra a popula\u00e7\u00e3o palestina de Gaza, primeiro por meio de bombardeios a\u00e9reos, seguidos logo depois por uma invas\u00e3o por for\u00e7as de infantaria. Os ataques provocaram at\u00e9 agora, segundo a imprensa burguesa, mais de mil mortes e milhares de feridos. Mas, pelo poderio b\u00e9lico do ex\u00e9rcito israelense e pelo seu desejo de sangue, o n\u00famero de mortos na realidade o n\u00famero deve ser bem maior. Os ataques atingem pesadamente a popula\u00e7\u00e3o civil, destruindo resid\u00eancias, escolas e hospitais (inclusive da ONU), matando indistintamente homens, mulheres, crian\u00e7as e idosos. O pretexto alegado para o ataque seria a repress\u00e3o aos combatentes do Hamas, cujos ataques ao sul de Israel com m\u00edsseis caseiros provocaram a morte de 5 civis. Na realidade, foi o ex\u00e9rcito de Israel quem rompeu o cessar-fogo de seis meses, recusando-se a levantar o bloqueio contra Gaza e atacando integrantes do Hamas no dia 4 de Novembro, data das elei\u00e7\u00f5es estadunidenses.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Gaza, cerca de 1,5 milh\u00e3o de habitantes, se comprime num ex\u00edguo territ\u00f3rio de 360 km\u00b2, e ao longo dos \u00faltimos anos tem sido v\u00edtima de constantes incurs\u00f5es armadas do ex\u00e9rcito israelense, que tem feito das chacinas uma rotina di\u00e1ria. Como se n\u00e3o bastasse isso, a economia da regi\u00e3o tem sido asfixiada pelo bloqueio israelense. Os palestinos sobrevivem praticamente \u00e0s custas da ajuda humanit\u00e1ria internacional. As instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas e de tratamento de \u00e1gua tem sido sistematicamente destru\u00eddas por Israel. Faltam comida, rem\u00e9dios e \u00e1gua pot\u00e1vel. Hospitais, escolas e pr\u00e9dios p\u00fablicos tamb\u00e9m tem sido atacados e as institui\u00e7\u00f5es da sociedade palestina est\u00e3o em colapso.<\/p>\n<p>O governo do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert est\u00e1 paralisado por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e enfrentar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es em fevereiro. Nada melhor para desviar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico do que mais uma guerra contra os povos \u00e1rabes.\u00a0 Desde sua cria\u00e7\u00e3o Israel desobedeceu dezenas de resolu\u00e7\u00f5es da ONU e zombou do direito internacional e das regras democr\u00e1ticas mais elementares, apoiado no seu poderio militar e no respaldo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A guerra atual tamb\u00e9m satisfaz a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas, humilhadas pela derrota frente ao Hizbol\u00e1 na guerra que devastou o sul do L\u00edbano em 2006. A pol\u00edtica israelense \u00e9 controlada por uma camarilha militar. Os setores da popula\u00e7\u00e3o israelense que s\u00e3o contra a ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinos s\u00e3o socialmente marginalizados e politicamente impotentes. Ex-generais ocupam quase todos os postos importantes na administra\u00e7\u00e3o civil e est\u00e3o em todos os partidos. O servi\u00e7o militar por dois anos \u00e9 obrigat\u00f3rio para ambos os sexos.\u00a0 Com uma popula\u00e7\u00e3o de menos de 7 milh\u00f5es de habitantes, Israel possui um dos maiores e mais bem armados ex\u00e9rcitos do mundo, gra\u00e7as tamb\u00e9m ao apoio incondicional dos Estados Unidos. O rec\u00e9m-eleito presidente estadunidense Barack Obama j\u00e1 sinalizou em sua campanha que manter\u00e1 esse apoio incondicional.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de Israel como um Estado teocr\u00e1tico, em que a cidadania \u00e9 garantida por filia\u00e7\u00e3o religiosa e o expansionismo ilimitado \u00e9 interpretado como um dever religioso fundado na B\u00edblia, obedeceu aos interesses dos Estados Unidos de criar um enclave no Oriente M\u00e9dio, regi\u00e3o rica em petr\u00f3leo. A forma\u00e7\u00e3o de um tal Estado n\u00e3o teve nada a ver com a luta dos judeus contra o anti-semitismo que os perseguiu durante s\u00e9culos e que teve sua culmina\u00e7\u00e3o no Holocausto perpetrado pelos nazistas. Hoje Israel conduz seu pr\u00f3prio Holocausto contra a popula\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>Os 1,5 milh\u00e3o de palestinos que vivem em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e degrada\u00e7\u00e3o em Gaza s\u00e3o parte dos mais de 4 milh\u00f5es de palestinos expulsos de suas terras desde a forma\u00e7\u00e3o de Israel em 1948 e obrigados a viver como p\u00e1rias e mendigos em campos de refugiados no L\u00edbano e na Jord\u00e2nia. Nesses mais de 60 anos os palestinos tem sido expulsos de suas terras, privados do acesso \u00e0 \u00e1gua e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es elementares de vida. Seus l\u00edderes tem sido encarcerados, torturados e mortos. Os palestinos tem sido sistematicamente descritos pela m\u00eddia como fan\u00e1ticos e terroristas, enquanto Israel, uma ditadura militar governada por religiosos de extrema-direita, \u00e9 apresentado como <em>farol da democracia<\/em> no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Israel e seu mandante, os Estados Unidos, posam de defensores da democracia, mas se recusam a reconhecer o Hamas, que foi democraticamente eleito para administrar os territ\u00f3rios palestinos. Ao inv\u00e9s disso, reconhecem como dirigente dos palestinos o empres\u00e1rio Mahmoud Abbas (que fornece cimento para a constru\u00e7\u00e3o dos muros israelenses na Cisjord\u00e2nia), do corrupto partido Fatah. O imperialismo e a m\u00eddia querem fazer do Hamas o culpado pelas mortes. Para isso contam com a colabora\u00e7\u00e3o dos governos burgueses dos pa\u00edses \u00e1rabes, em especial do Egito e da Ar\u00e1bia Saudita, marionetes servis do imperialismo, opressores ferozes de seus povos e temerosos da ascens\u00e3o de grupos radicais isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>N\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista discordamos da linha pol\u00edtica do Hamas e de outros grupos e governos fundamentalistas isl\u00e2micos, bem como discordamos do terrorismo como m\u00e9todo de luta. Como socialistas, consideramos que apenas a mobiliza\u00e7\u00e3o e a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pode trazer uma solu\u00e7\u00e3o para o povo palestino. Entretanto, reconhecemos o direito dos palestinos \u00e0 resist\u00eancia armada e repudiamos a agress\u00e3o israelense. O governo de Israel repete os nazistas e a luta dos palestinos em Gaza repete a luta dos judeus no gueto de Vars\u00f3via.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o dos problemas do povo judeu n\u00e3o est\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o de um Estado Nacional baseado na expuls\u00e3o e massacre de outro povo. Essa falsa solu\u00e7\u00e3o transformou o povo judeu, antes elemento de progresso e cultura, em instrumento da barb\u00e1rie. O povo judeu, que produzia g\u00eanios humanistas e cosmopolitas como Marx, Einstein e Freud, depois da cria\u00e7\u00e3o de Israel passou a produzir monstros como Ariel Sharon, que n\u00e3o deve nada em crueldade aos carrascos nazistas. O nacionalismo e as guerras apenas beneficiam as classes dominantes. S\u00e3o sempre os trabalhadores e o restante do povo que morrem e sofrem, seja nas trincheiras, seja como v\u00edtimas dos <em>danos colaterais<\/em>.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 o povo judeu no mundo inteiro, os trabalhadores judeus, seu passado, sua cultura, sua luta, a trag\u00e9dia do Holocausto; outra coisa \u00e9 a burguesia judia e seu Estado de Israel, uma entidade pol\u00edtica que n\u00e3o foi criada no vazio, mas constru\u00edda sobre a base da expuls\u00e3o, massacre, tortura e degrada\u00e7\u00e3o de outro povo, que n\u00e3o tem o objetivo de proteger os judeus que para l\u00e1 foram atra\u00eddos, mas de cravar uma adaga no cora\u00e7\u00e3o do Oriente M\u00e9dio a servi\u00e7o da burguesia internacional, em especial estadunidense, judia e n\u00e3o-judia, ligada ao complexo industrial-militar e ao setor petrol\u00edfero.<\/p>\n<p>A burguesia judaica estadunidense, que controla parte das finan\u00e7as e da m\u00eddia do principal pa\u00eds imperialista, continuar\u00e1 tranquilamente instalada em Wall Street e em Hollywood, beneficiando-se da pilhagem capitalista do restante do mundo, promovendo uma guerra na qual os outros ir\u00e3o morrer e sofrer, explorando sentimentos religiosos e promessas b\u00edblicas em pleno s\u00e9culo XXI. A solu\u00e7\u00e3o dos problemas dos trabalhadores do mundo inteiro n\u00e3o est\u00e1 nas guerras entre povos por falsos pretextos como religi\u00e3o e territ\u00f3rios, mas na guerra de classes contra a burguesia, pela destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e pela emancipa\u00e7\u00e3o humana de todas as formas de aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos contra o povo judeu, somos contra a burguesia e o capitalismo mundial. Somos a favor dos trabalhadores, sejam eles judeus, mu\u00e7ulmanos ou crist\u00e3os, na Palestina e no restante do mundo. O Estado de Israel \u00e9 uma armadilha para os pr\u00f3prios trabalhadores judeus, obrigados a viver em guerra constante contra seus vizinhos palestinos e \u00e1rabes. S\u00f3 pode haver paz na regi\u00e3o para os trabalhadores judeus e palestinos por meio da derrubada desse Estado e de sua ditadura militar-religiosa e pr\u00f3-imperialista. Isso s\u00f3 pode acontecer por meio de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista conduzida pelos trabalhadores judeus e palestinos. Defendemos portanto o fim do Estado de Israel e a forma\u00e7\u00e3o de um Estado palestino laico e multi-\u00e9tnico, governado por organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores judeus e palestinos.<\/p>\n<p>Exigimos o fim dos ataques israelenses a Gaza, o fim do bloqueio econ\u00f4mico aos territ\u00f3rios palestinos. Defendemos o direito dos palestinos de se auto-organizarem e se defenderem da agress\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>O governo Lula, coerente com seu car\u00e1ter burgu\u00eas e pr\u00f3-imperialista, mant\u00e9m uma ocupa\u00e7\u00e3o no Haiti por tropas brasileiras t\u00e3o criminosa quanto a de Gaza por Israel. O governo brasileiro criou um incidente com o Equador para proteger as transnacionais brasileiras associadas ao capital imperialista naquele pa\u00eds. Entretanto, esse mesmo governo se recusa a romper com o Estado terrorista de Israel, que promove crimes contra a humanidade em Gaza. Os trabalhadores brasileiros precisam ser solid\u00e1rios aos seus irm\u00e3os no mundo inteiro e isso significa se colocar contra o governo Lula. Os trabalhadores precisam se mobilizar para exigir a retirada das tropas brasileiras do Haiti, a ruptura das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Israel, o fim dos acordos comerciais do Mercosul com aquele pa\u00eds, e tamb\u00e9m construir a mais ampla defesa e solidariedade internacional para com o povo palestino.<\/p>\n<p>Fora as tropas isralelenses da Palestina!<\/p>\n<p>Fora as tropas estadunidenses do Iraque e do Afeganist\u00e3o!<\/p>\n<p>Por uma Palestina laica, multi-\u00e9tnica e socialista!<\/p>\n<p>Por uma Federa\u00e7\u00e3o Socialista dos Povos do Oriente M\u00e9dio!<\/p>\n<p>Espa\u00e7o Socialista, Janeiro de 2009<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;No dia 27 de Dezembro de 2008 as For&ccedil;as Armadas de Israel (cinicamente denominadas <em>For&ccedil;a de Defesa<\/em>) lan&ccedil;aram um ataque contra a popula&ccedil;&atilde;o palestina de Gaza, primeiro por meio de bombardeios a&eacute;reos, seguidos logo depois por uma invas&atilde;o por for&ccedil;as de infantaria. Os ataques provocaram at&eacute; agora, segundo a imprensa burguesa, mais de mil mortes e milhares de feridos. Mas, pelo poderio b&eacute;lico do ex&eacute;rcito israelense e pelo seu desejo de sangue, o n&uacute;mero de mortos na realidade o n&uacute;mero deve ser bem maior. Os ataques atingem pesadamente a popula&ccedil;&atilde;o civil, destruindo resid&ecirc;ncias, escolas e hospitais (inclusive da ONU), matando indistintamente homens, mulheres, crian&ccedil;as e idosos. O pretexto alegado para o ataque seria a repress&atilde;o aos combatentes do Hamas, cujos ataques ao sul de Israel com m&iacute;sseis caseiros provocaram a morte de 5 civis. Na realidade, foi o ex&eacute;rcito de Israel quem rompeu o cessar-fogo de seis meses, recusando-se a levantar o bloqueio contra Gaza e atacando integrantes do Hamas no dia 4 de Novembro, data das elei&ccedil;&otilde;es estadunidenses.<\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o de Gaza, cerca de 1,5 milh&atilde;o de habitantes, se comprime num ex&iacute;guo territ&oacute;rio de 360 km&sup2;, e ao longo dos &uacute;ltimos anos tem sido v&iacute;tima de constantes incurs&otilde;es armadas do ex&eacute;rcito israelense, que tem feito das chacinas uma rotina di&aacute;ria. Como se n&atilde;o bastasse isso, a economia da regi&atilde;o tem sido asfixiada pelo bloqueio israelense. Os palestinos sobrevivem praticamente &agrave;s custas da ajuda humanit&aacute;ria internacional. As instala&ccedil;&otilde;es el&eacute;tricas e de tratamento de &aacute;gua tem sido sistematicamente destru&iacute;das por Israel. Faltam comida, rem&eacute;dios e &aacute;gua pot&aacute;vel. Hospitais, escolas e pr&eacute;dios p&uacute;blicos tamb&eacute;m tem sido atacados e as institui&ccedil;&otilde;es da sociedade palestina est&atilde;o em colapso.<\/p>\n<p>O governo do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert est&aacute; paralisado por den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o e enfrentar&aacute; elei&ccedil;&otilde;es em fevereiro. Nada melhor para desviar a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico do que mais uma guerra contra os povos &aacute;rabes.&nbsp; Desde sua cria&ccedil;&atilde;o Israel desobedeceu dezenas de resolu&ccedil;&otilde;es da ONU e zombou do direito internacional e das regras democr&aacute;ticas mais elementares, apoiado no seu poderio militar e no respaldo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A guerra atual tamb&eacute;m satisfaz a c&uacute;pula das For&ccedil;as Armadas, humilhadas pela derrota frente ao Hizbol&aacute; na guerra que devastou o sul do L&iacute;bano em 2006. A pol&iacute;tica israelense &eacute; controlada por uma camarilha militar. 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O rec&eacute;m-eleito presidente estadunidense Barack Obama j&aacute; sinalizou em sua campanha que manter&aacute; esse apoio incondicional.<\/p>\n<p>A constitui&ccedil;&atilde;o de Israel como um Estado teocr&aacute;tico, em que a cidadania &eacute; garantida por filia&ccedil;&atilde;o religiosa e o expansionismo ilimitado &eacute; interpretado como um dever religioso fundado na B&iacute;blia, obedeceu aos interesses dos Estados Unidos de criar um enclave no Oriente M&eacute;dio, regi&atilde;o rica em petr&oacute;leo. A forma&ccedil;&atilde;o de um tal Estado n&atilde;o teve nada a ver com a luta dos judeus contra o anti-semitismo que os perseguiu durante s&eacute;culos e que teve sua culmina&ccedil;&atilde;o no Holocausto perpetrado pelos nazistas. Hoje Israel conduz seu pr&oacute;prio Holocausto contra a popula&ccedil;&atilde;o palestina.<\/p>\n<p>Os 1,5 milh&atilde;o de palestinos que vivem em situa&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria e degrada&ccedil;&atilde;o em Gaza s&atilde;o parte dos mais de 4 milh&otilde;es de palestinos expulsos de suas terras desde a forma&ccedil;&atilde;o de Israel em 1948 e obrigados a viver como p&aacute;rias e mendigos em campos de refugiados no L&iacute;bano e na Jord&acirc;nia. Nesses mais de 60 anos os palestinos tem sido expulsos de suas terras, privados do acesso &agrave; &aacute;gua e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es elementares de vida. Seus l&iacute;deres tem sido encarcerados, torturados e mortos. Os palestinos tem sido sistematicamente descritos pela m&iacute;dia como fan&aacute;ticos e terroristas, enquanto Israel, uma ditadura militar governada por religiosos de extrema-direita, &eacute; apresentado como <em>farol da democracia<\/em> no Oriente M&eacute;dio.<\/p>\n<p>Israel e seu mandante, os Estados Unidos, posam de defensores da democracia, mas se recusam a reconhecer o Hamas, que foi democraticamente eleito para administrar os territ&oacute;rios palestinos. Ao inv&eacute;s disso, reconhecem como dirigente dos palestinos o empres&aacute;rio Mahmoud Abbas (que fornece cimento para a constru&ccedil;&atilde;o dos muros israelenses na Cisjord&acirc;nia), do corrupto partido Fatah. O imperialismo e a m&iacute;dia querem fazer do Hamas o culpado pelas mortes. Para isso contam com a colabora&ccedil;&atilde;o dos governos burgueses dos pa&iacute;ses &aacute;rabes, em especial do Egito e da Ar&aacute;bia Saudita, marionetes servis do imperialismo, opressores ferozes de seus povos e temerosos da ascens&atilde;o de grupos radicais isl&acirc;micos.<\/p>\n<p>N&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista discordamos da linha pol&iacute;tica do Hamas e de outros grupos e governos fundamentalistas isl&acirc;micos, bem como discordamos do terrorismo como m&eacute;todo de luta. Como socialistas, consideramos que apenas a mobiliza&ccedil;&atilde;o e a auto-organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores pode trazer uma solu&ccedil;&atilde;o para o povo palestino. Entretanto, reconhecemos o direito dos palestinos &agrave; resist&ecirc;ncia armada e repudiamos a agress&atilde;o israelense. O governo de Israel repete os nazistas e a luta dos palestinos em Gaza repete a luta dos judeus no gueto de Vars&oacute;via.<\/p>\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o dos problemas do povo judeu n&atilde;o est&aacute; na forma&ccedil;&atilde;o de um Estado Nacional baseado na expuls&atilde;o e massacre de outro povo. Essa falsa solu&ccedil;&atilde;o transformou o povo judeu, antes elemento de progresso e cultura, em instrumento da barb&aacute;rie. O povo judeu, que produzia g&ecirc;nios humanistas e cosmopolitas como Marx, Einstein e Freud, depois da cria&ccedil;&atilde;o de Israel passou a produzir monstros como Ariel Sharon, que n&atilde;o deve nada em crueldade aos carrascos nazistas. O nacionalismo e as guerras apenas beneficiam as classes dominantes. 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A solu&ccedil;&atilde;o dos problemas dos trabalhadores do mundo inteiro n&atilde;o est&aacute; nas guerras entre povos por falsos pretextos como religi&atilde;o e territ&oacute;rios, mas na guerra de classes contra a burguesia, pela destrui&ccedil;&atilde;o do capitalismo e pela emancipa&ccedil;&atilde;o humana de todas as formas de aliena&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o somos contra o povo judeu, somos contra a burguesia e o capitalismo mundial. Somos a favor dos trabalhadores, sejam eles judeus, mu&ccedil;ulmanos ou crist&atilde;os, na Palestina e no restante do mundo. O Estado de Israel &eacute; uma armadilha para os pr&oacute;prios trabalhadores judeus, obrigados a viver em guerra constante contra seus vizinhos palestinos e &aacute;rabes. S&oacute; pode haver paz na regi&atilde;o para os trabalhadores judeus e palestinos por meio da derrubada desse Estado e de sua ditadura militar-religiosa e pr&oacute;-imperialista. Isso s&oacute; pode acontecer por meio de uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista conduzida pelos trabalhadores judeus e palestinos. Defendemos portanto o fim do Estado de Israel e a forma&ccedil;&atilde;o de um Estado palestino laico e multi-&eacute;tnico, governado por organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores judeus e palestinos.<\/p>\n<p>Exigimos o fim dos ataques israelenses a Gaza, o fim do bloqueio econ&ocirc;mico aos territ&oacute;rios palestinos. Defendemos o direito dos palestinos de se auto-organizarem e se defenderem da agress&atilde;o israelense.<\/p>\n<p>O governo Lula, coerente com seu car&aacute;ter burgu&ecirc;s e pr&oacute;-imperialista, mant&eacute;m uma ocupa&ccedil;&atilde;o no Haiti por tropas brasileiras t&atilde;o criminosa quanto a de Gaza por Israel. O governo brasileiro criou um incidente com o Equador para proteger as transnacionais brasileiras associadas ao capital imperialista naquele pa&iacute;s. Entretanto, esse mesmo governo se recusa a romper com o Estado terrorista de Israel, que promove crimes contra a humanidade em Gaza. Os trabalhadores brasileiros precisam ser solid&aacute;rios aos seus irm&atilde;os no mundo inteiro e isso significa se colocar contra o governo Lula. Os trabalhadores precisam se mobilizar para exigir a retirada das tropas brasileiras do Haiti, a ruptura das rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com Israel, o fim dos acordos comerciais do Mercosul com aquele pa&iacute;s, e tamb&eacute;m construir a mais ampla defesa e solidariedade internacional para com o povo palestino.<\/p>\n<p>Fora as tropas isralelenses da Palestina!<\/p>\n<p>Fora as tropas estadunidenses do Iraque e do Afeganist&atilde;o!<\/p>\n<p>Por uma Palestina laica, multi-&eacute;tnica e socialista!<\/p>\n<p>Por uma Federa&ccedil;&atilde;o Socialista dos Povos do Oriente M&eacute;dio!<\/p>\n<p>Espa&ccedil;o Socialista, Janeiro de 2009<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6051,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132\/revisions\/6051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}