{"id":1330,"date":"2013-01-27T12:44:25","date_gmt":"2013-01-27T14:44:25","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1330"},"modified":"2018-06-01T16:02:23","modified_gmt":"2018-06-01T19:02:23","slug":"jornal-03-marco-de-2001","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/01\/jornal-03-marco-de-2001\/","title":{"rendered":"Jornal 03: Mar\u00e7o de 2001"},"content":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#materia_1\">Por um 1\u00ba de Maio anticapitalista, Internacionalista e Independente dos aparatos sindicais!<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_2\">A20: Dia de Luta Continental Contra o ALCA<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_3\">Eva, a Primeira Trabalhadora<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_4\">Um Exerc\u00edcio De Resist\u00eancia Cultural<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_5\">A Reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado Brasileiro e o PT<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_6\">Proletariado e Movimentos Sociais no Brasil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_7\">Pol\u00eamica &#8211; FSM: Que outro Mundo \u00e9 poss\u00edvel?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#materia_8\">Espanha: Abaixo a lei de Estrangeiros!<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2><a id=\"materia_1\"><\/a>Por um 1\u00ba de Maio anticapitalista, internacionalista e independente dos aparatos sindicais!<\/h2>\n<p>Desde o s\u00e9culo XIX, quando o governo e a justi\u00e7a burguesa assassinaram trabalhadores que lutavam pela jornada de oito horas, o 1\u00ba de Maio foi um dia internacional de luta da classe trabalhadora contra a explora\u00e7\u00e3o, a lembran\u00e7a dos que tombaram e a continuidade das lutas.<\/p>\n<p>Diante do aumento da for\u00e7a das manifesta\u00e7\u00f5es e do movimento oper\u00e1rio, a burguesia procurou retirar-lhe o conte\u00fado, domestic\u00e1-lo nos marcos da \u201cdemocracia\u201d, transformando o 1\u00ba de Maio em um feriado de festa, um dia do Trabalho enquanto os outros 364 dias continuavam sendo do Capital.<\/p>\n<p>Os 70 anos de estalinismo, que levaram \u00e0 derrota os principais processos revolucion\u00e1rios, que culminou com a queda do muro de Berlim e a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, permitiu que nos \u00faltimos 10 anos o capitalismo imperialista golpeasse a cabe\u00e7a das pessoas tentando colocar o pensamento \u00fanico, o fim das ideologias e a id\u00e9ia de que n\u00e3o h\u00e1 alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>A reconvers\u00e3o do capitalismo em sua etapa globalizada, colocou novos problemas para a classe oper\u00e1ria: sua fragmenta\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o de seus organismos tradicionais em agentes diretos do imperialismo e da burguesia.<\/p>\n<p>Ano ap\u00f3s ano, as manifesta\u00e7\u00f5es de 1\u00ba de Maio foram perdendo sua ess\u00eancia, transformando-se em festas. E isso n\u00e3o s\u00f3 as da For\u00e7a Sindical, onde se distribuem pr\u00eamios para reunir os trabalhadores. Mesmo os atos promovidos pela CUT, tornaram-se cada vez mais shows do que manifesta\u00e7\u00f5es de luta, refletindo a passagem \u00e0 ordem burguesa das burocracias sindicais e dos partidos que se dizem defender os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O 1\u00ba de Maio no ABC do ano passado foi uma caricatura daquele de 1980 em que a classe oper\u00e1ria com os metal\u00fargicos em greve realizou um 1\u00ba de Maio hist\u00f3rico que marcou o enfrentamento contra a ditadura militar. Perdeu seu car\u00e1ter de luta, transformando-se em um palanque eleitoral no marco do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas e da ordem capitalista.<\/p>\n<p>Mas um fato novo come\u00e7a a acontecer. A realidade demonstra a qualquer trabalhador que n\u00e3o est\u00e1 melhor e sabe que n\u00e3o estar\u00e1 no futuro. As lutas resist\u00eancia, apesar de atomizadas, e manifesta\u00e7\u00f5es internacionais contra a explora\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a dar-se. Seattle, Washington e Praga, assinalaram a perspectiva de um internacionalismo distinto, que tem que ver com a nova etapa do capitalismo globalizado.Estas lutas n\u00e3o s\u00e3o controladas por nenhum aparato contra-revolucion\u00e1rio. Organismos novos que come\u00e7am a surgir, onde os trabalhadores lutam para que ningu\u00e9m os traia, lutam para que ningu\u00e9m os controle, lutam para que ningu\u00e9m os separe da base.<\/p>\n<p>Uma nova gera\u00e7\u00e3o de revolucion\u00e1rios est\u00e1 surgindo nos combates contra o capitalismo imperialista globalizado. Ao come\u00e7ar o novo mil\u00eanio, junto com as lutas que retornam, \u00e9 necess\u00e1rio retomar a tradi\u00e7\u00e3o de luta internacionalista do 1\u00ba de Maio, como parte das lutas anticapitalistas. O combate contra a implementa\u00e7\u00e3o do ALCA (Acordo de Livre [explora\u00e7\u00e3o] Com\u00e9rcio Americano no dia 20 de abril deve ter continuidade em manifesta\u00e7\u00f5es classistas, internacionalistas e anticapitalistas, contrapondo-se aos atos festivos da burguesia e dos aparatos sindicais burocratizados.<\/p>\n<p>Desde j\u00e1 \u00e9 importante o trabalho em comum no sentido de aglutinar, n\u00e3o s\u00f3 as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, mas principalmente os setores mais avan\u00e7ados da classe trabalhadora e da juventude.<\/p>\n<p>Sejamos portadores do sonho, porque \u00e9 poss\u00edvel transformar sonhos em realidade. E voltando a Marx, digamos que liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores deve serr obra dos pr\u00f3prios trabalhadores.<\/p>\n<p>O 1\u00ba DE MAIO MORREU! VIVA O 1\u00ba DE MAIO!<\/p>\n<h2><a id=\"materia_2\"><\/a>20 DE ABRIL (A20): DIA DE LUTA CONTINENTAL CONTRA O ALCA<\/h2>\n<p>Durante todo o m\u00eas de fevereiro, muito se ouviu falar do boicote do Canad\u00e1 \u00e0 carne brasileira, da doen\u00e7a da vaca louca, de uma disputa comercial entre Brasil-Canad\u00e1, da competi\u00e7\u00e3o entre a Embraer e a Bombardier e outras coisas mais que n\u00e3o explicavam exatamente o que era. Certamente, por puro interesse do governo e dos capitalistas, est\u00e3o escondendo coisas que muito nos interessa e uma delas \u00e9 o ALCA.<\/p>\n<p>ALCA \u00e9 a inicial de Acordo de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (sul, central e do norte). E \u00e9 exatamente o ALCA que est\u00e1 por traz toda essa briga e envolve uma feroz disputa pelo mercado do continente americano, ou seja, est\u00e3o brigando para ver quem vai enfiar goela abaixo produtos que voc\u00ea nem sabe de onde vem (transg\u00eanicos, por exemplo) e qual ser\u00e1 o grupo monopolista que reinar\u00e1 nas terras americanas. Para se ter uma id\u00e9ia todas as negocia\u00e7\u00f5es acontecem secretamente (sinal de boa coisa n\u00e3o deve ser&#8230;).<\/p>\n<p>Diante de tudo isso temos uma pergunta: Voc\u00ea vai deixar que os grandes grupos capitalistas e os meios de comunica\u00e7\u00e3o (que inclui o governo, os empres\u00e1rios industriais, os banqueiros, etc.) continuem com todas as informa\u00e7\u00f5es e decidindo cada minuto de sua vida, sem voc\u00ea nada fazer?<\/p>\n<p>N\u00f3s, assim como milhares de anti-capitalistas, n\u00e3o aceitamos que decidam a nossa vida e vamos participar com todas as nossas for\u00e7as das manifesta\u00e7\u00f5es contra a reuni\u00e3o de c\u00fapula, que ser\u00e1 realizada em 20 de Abril, em Quebec, Canad\u00e1. Essas manifesta\u00e7\u00f5es ser\u00e3o independentes, aut\u00f4nomas, criativas, organizadas e livre de qualquer controle.<\/p>\n<p>Em Quebec estar\u00e1 acontecendo um grande carnaval anti-capitalista com a participa\u00e7\u00e3o de milhares de pessoas que estar\u00e3o sendo apoiados em diversas outras cidades do continente americano. Vamos repetir o 26 de setembro!<\/p>\n<p>Se voc\u00ea quer organizar protestos contra a ALCA basta fazer reuni\u00f5es no bairro, escola ou local de trabalho e discutir que atividades podem fazer.<\/p>\n<h2><a id=\"materia_3\"><\/a>EVA, A PRIMEIRA TRABALHADORA<\/h2>\n<p>Por Luc\u00eda Sucre e Clarisa Palapot (Argentina)<\/p>\n<p>Parece que no princ\u00edpio de tudo, as coisas j\u00e1 se desenharam assim. E come\u00e7ou com Eva. Ela se aproximou de Ad\u00e3o, sempre t\u00e3o dependente e submissa a garota, e desde seu t\u00e9dio eterno lhe ofereceu uma ma\u00e7\u00e3. Ad\u00e3o, bom e trabalhador como era, aceitou. E todos j\u00e1 conhecemos o resto da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para fazer a vers\u00e3o oficial do que acontece no mundo sempre se usaram as mesmas lentes. E essas lentes respondem \u00e0 cultura imposta pelo patriarcado: tudo foi criado e medido \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do macho. Assim, no Ocidente as mulheres recebem o qualificativo de fr\u00e1geis e sens\u00edveis, s\u00f3 aptas para o amor e a maternidade. Assim tamb\u00e9m resulta que, para os livros, os homens sempre se encarregaram de nossa subsist\u00eancia, tanto no material como no intelectual.<\/p>\n<p>Hoje come\u00e7amos a entender que nossa luta se inscreve em outras lutas nas quais as mulheres participaram ativamente. Mas pouco se sabe de feministas como Chin Jaen, que em 1905 liderou na China um movimento reivindicando igualdade com os homens, libera\u00e7\u00e3o dos p\u00e9s das meninas1 e liberdade das mulheres escolherem seus maridos. N\u00e3o se fala tampouco do Batalh\u00e3o Mariana Grajales, que lutou em Sierra Maestra durante a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, composto exclusivamente por mulheres. E ningu\u00e9m menciona \u00e0 revolucion\u00e1ria Vera Zasulich, que em 1878 executou o chefe da policia czarista na R\u00fassia.<\/p>\n<p>No rol dos esquecimentos, um pouco mais pr\u00f3ximo de nossas vidas, outra vez aparece o trabalho, e aqui nos toca a todas ser parte do que n\u00e3o se v\u00ea. At\u00e9 h\u00e1 alguns anos, a OIT, a partir de uma defini\u00e7\u00e3o do trabalho em fun\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, afirmava que na Am\u00e9rica Latina a mulher era s\u00f3 12% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n<p>Por\u00e9m acontece que o continente se caracteriza por sua economia pouco desenvolvida. E acontece que milhares de mulheres caminham pelos campos no M\u00e9xico, Brasil, Peru e tantos outros pa\u00edses. Com seus filhos \u00e0s costas, estas mulheres carregam lenha, plantam e vendem frutos e verduras nos povoados pr\u00f3ximos. Na Bol\u00edvia, as catadoras buscam fora das minas os restos utiliz\u00e1veis de prata. E nas zonas urbanas, outras tarefas foram sistematicamente ignoradas. Lavar ou passar roupa da vizinha ou da senhora do quarteir\u00e3o, cozinhar e preparar comida, costurar para fora entre tantas outras atividades que se realizam na esfera dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Se abrimos os olhos, o trabalho invis\u00edvel se faz ver.<\/p>\n<h3>NADA DE NOVO SOB O SOL<\/h3>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 alguns anos, as mulheres argentinas que se encontravam no emprego formal eram em sua maioria solteiras e viuvas. Entre elas existia um ciclo de entrada e sa\u00edda do mercado de trabalho determinado pelos casamentos, gravidez e a viuvez.<\/p>\n<p>A partir dos anos 80, muitas coisas mudaram. O desemprego e a queda dos sal\u00e1rios obrigaram as mulheres a integrarem-se massivamente ao mercado, ou a permanecer em seus empregos, sem importar na gravidez nem nas licen\u00e7as. Para a \u00e1rea de Buenos Aires, por exemplo, enquanto em 1980 a taxa de atividade feminina era de 38% e o n\u00edvel de desocupa\u00e7\u00e3o era de 3%, em 1997 estas cifras subiram para 53% para o n\u00edvel de atividade das mulheres e para 17% de desemprego feminino.<\/p>\n<p>Homens e mulheres compartilham cada vez mais os gastos da casa, e pouco a pouco cresce a quantidade de lares sustentados por mulheres, esposas ou companheiras de desempregados.<\/p>\n<p>Nossos problemas n\u00e3o s\u00e3o novos. Na Buenos Aires do final do s\u00e9culo XVIII, muitas mulheres trabalhavam juntamente com os homens. Modistas e costureiras, camiseiras e reparadoras de cal\u00e7ados, bordadeiras, luveiras e cigarreiras se inclu\u00edam na lista dos piores remunerados do mercado. E em compara\u00e7\u00e3o com o homens, pelo mesmo trabalho recebia a metade do sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Hoje, na Argentina, uma profissional recebe quase a metade (47%) do que ganham seus colegas homens, e a diferen\u00e7a estende-se a todas as \u00e1reas de trabalho.<\/p>\n<p>Faz pouco mais de cem anos, as formas de escravid\u00e3o seguiam presentes no pa\u00eds, apesar de sua aboli\u00e7\u00e3o formal em 1813. O peri\u00f3dico Los Negros afirmava, no final do s\u00e9culo XIX, que todavia \u201calgumas fam\u00edlias de classes altas encarregavam \u00e0s pessoas que viajavam ao interior que lhes trouxessem de presente uma mulatinha\u201d.<\/p>\n<p>As coisas n\u00e3o parecem t\u00e3o diferentes no ano 2000, s\u00f3 que agora se soma o temor provocado pela persegui\u00e7\u00e3o aos imigrantes. Quando chegam ao pa\u00eds, as mulheres caem em uma rede que se come\u00e7a a tecer quando ret\u00e9m seus documentos e lhes prometem acelerar os tr\u00e2mites de resid\u00eancia. Essas s\u00e3o as novas m\u00e1scaras da explora\u00e7\u00e3o sexual. E o trabalho dom\u00e9stico para dormir no emprego \u00e9 um dos nomes que adquire a escravid\u00e3o do terceiro mil\u00eanio.<\/p>\n<h3>EVA N\u00c3O INVENTA<\/h3>\n<p>No livro de recorda\u00e7\u00f5es, coberto de p\u00f3 mas recuperadas do abandono, encontramos as marcas de antigas lutas.<br \/>\nCom a mecaniza\u00e7\u00e3o do trabalho, os artes\u00e3os transformaram-se em parafusos e porcas da engrenagem. Come\u00e7ou a preocupa\u00e7\u00e3o para manter a disciplina interna, o controle do tempo e a racionaliza\u00e7\u00e3o organizativa nas f\u00e1bricas. A vida da mulher n\u00e3o ia em sintonia com esta moderniza\u00e7\u00e3o do trabalho. A gravidez ou a quase exclusiva responsabilidade sobre seus filhos as alijavam muitas vezes de seu lugar de atividade.<br \/>\nA discrimina\u00e7\u00e3o de fato, depois de anos de relativa prote\u00e7\u00e3o sob o Estado de Bem Estar, transforma-se agora em discrimina\u00e7\u00e3o de direito. A reforma trabalhista destroi os \u00faltimos vest\u00edgios da seguridade social, e volta a deixar-nos sujeitas aos caprichos dos patr\u00f5es.<br \/>\nEm 1900, em uma das tantas lutas oper\u00e1rias, os alfaiates exigiam a redu\u00e7\u00e3o de suas jornadas de trabalho, que se estendiam at\u00e9 a 16 horas. As tecel\u00e3s, aderindo a aquela primeira exig\u00eancia, somavam o pedido de \u201cser respeitadas em sua moral pelos capatazes de f\u00e1brica\u201d. O ass\u00e9dio sexual tamb\u00e9m \u00e9 uma velho hist\u00f3ria que continua. Se queres trabalhar em um bar ou em um posto de servi\u00e7o, em um com\u00e9rcio ou num escrit\u00f3rio, se buscam preferencialmente jovens, lindas, com a sainha curta e bem dispostas. N\u00f3s mulheres queremos dizer BASTA.<\/p>\n<h3>A SAGRADA FAM\u00cdLIA<\/h3>\n<p>\u201cA operariazinha que rec\u00e9m entra na puberdade, que deforma seu organismo, que altera as mais s\u00e9rias fun\u00e7\u00f5es de sua vida, n\u00e3o poder\u00e1 encontrar-se em condi\u00e7\u00f5es para exercer a mais nobre, a mais elevada fun\u00e7\u00e3o da mulher: a maternidade\u201d, dizia Alfredo L. Palacios em um antigo debate parlamentar, diante de um Congresso repleto de senhores preocupados conosco.<\/p>\n<p>Eram conscientes de que \u201cum corpo legislativo formado por homens deve considerar que a mulher, a parte despojada pela lei dos direitos mais fundamentais, e que tem menos capacidade de defender suas condi\u00e7\u00f5es de vida, deve ser protegida pelos homens que adquiriram uma consci\u00eancia social do papel que ela desempenha na vida civilizada\u201d. Eva pede que fale claro: \u00e9 que naqueles dias, os homens da pol\u00edtica nacional encontravam na fam\u00edlia o espa\u00e7o da reprodu\u00e7\u00e3o, o controle e a vigil\u00e2ncia das normas sociais. A mulher era encarregada de cuidar e oferecer educa\u00e7\u00e3o a seus filhos. Bem o recordou a ditadura de 1976-83, quando em suas propagandas se dirigia \u00e0s m\u00e3es, responsabilizando-as pelo que fizeram seus filhos. Boas m\u00e3es para a pol\u00edtica, e m\u00e1s trabalhadoras para a lei.<\/p>\n<h3>EVA, SE LIBERTA?<\/h3>\n<p>O atual ingresso ao mercado de trabalho \u00e9 uma das bandeiras que levantam os pol\u00edticos e alguns organismos internacionais quando querem demonstrar-nos que estamos alcan\u00e7ando a igualdade. Por\u00e9m um simples olhar no cotidiano nos faz ver um detalhe sobre os governantes, os chefes da empresa, os titulares de c\u00e1tedra na faculdade: quase todos s\u00e3o homens. E, de todo modo, essa \u00e9 a igualdade que queremos? A igualdade em um mundo destru\u00eddo? Queremos que se repartam as sobras?<\/p>\n<p>As mulheres, segundo os dados do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), s\u00e3o 70% dos mais pobres do mundo e trabalham 14% mais que os homens. Um estudo da Secretaria da Mulher afirma que na Argentina as mulheres trabalham em total em m\u00e9dia de 80 horas semanais, e isto acontece com 60% das que est\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Com um humor bastante \u00e1cido, a escritora estadounidense Susan Sontag afirmava que para a verdadeira liberta\u00e7\u00e3o \u201ctoda mulher necessita um boa esposa\u201d. Mas se n\u00e3o queremos mais oprimidos, depender\u00e1 de todas e de cada uma das que aspiramos a viver um mundo diferente lutar contra a explora\u00e7\u00e3o do capital e tamb\u00e9m contra as naturalizadas estruturas da explora\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o feminina, racial e sexual.<\/p>\n<p>Desde 1878, no Primeiro Congresso Feminista de Paris, as mulheres v\u00eam exigindo que se reconhe\u00e7a o trabalho dom\u00e9stico. Em nosso pa\u00eds, em 1987, advogados comprometidos consideraram que eram um grande avan\u00e7o uma senten\u00e7a judicial definitiva que reconhecia o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado. Por\u00e9m n\u00e3o se emocionem, n\u00e3o se tratou de uma onda revolucion\u00e1ria. A hist\u00f3ria foi bem diferente: um caminh\u00e3o bateu o autom\u00f3vel no qual viajava uma fam\u00edlia. A esposa do motorista faleceu no ato, e este senhor incluiu no processo uma demanda por gastos que lhe ia ocasionar a manuten\u00e7\u00e3o da casa, agora que sua mulher n\u00e3o mais a faria. Sim, a lei argentina estipulou um custo das atividades da falecida mulher e a empresa teve que pagar por esse trabalho. Mortas sim somos reconhecidas.<\/p>\n<h3>LINDA E APOSENTADA<\/h3>\n<p>Alguns grupos de esquerda e representantes dos partidos burgueses prop\u00f5em outorgar uma aposentadoria \u00e0s donas de casa. E outra pol\u00eamica se abre. Umas afirmam que \u00e9 uma necessidade para as mulheres que exista uma remunera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que as ajude a subsistir no final de seus dias. Outras se perguntam se n\u00e3o ser\u00e1 perigoso prender a mulher \u00e0s tarefas destinadas historicamente ao g\u00eanero feminino. N\u00e3o ser\u00e1 que com isto s\u00f3 avan\u00e7amos em um econ\u00f4mico lavar de consci\u00eancia que nos enterra um pouco mais, longe da possibilidade de abrir horizontes para nossas vidas?<\/p>\n<p>Para completar, desde h\u00e1 um par de d\u00e9cadas as mulheres se deram conta de que a hist\u00f3ria come\u00e7a cedo pela manh\u00e3, correndo a levar as crian\u00e7as \u00e0 escola antes de ir ao trabalho, mas n\u00e3o termina \u00e0 noite, depois de lavar os pratos do jantar. Ao cuidado da roupa e do supermercado somou-se tamb\u00e9m a necessidade de passar no cabeleireiro, controlar o peso e sofrer quando o corpo come\u00e7a a mostrar o passar do tempo. As primeiras a not\u00e1-lo a batizaram: tripla jornada. Agora tamb\u00e9m devemos estar sempre radiantes. E tudo pelo mesmo pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas Eva n\u00e3o quer ser costela, nem do homem nem da Revolu\u00e7\u00e3o. Queremos incluir aos homens em um projeto de liberta\u00e7\u00e3o coletiva. Queremos entender, e que entendam todos, que n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a se n\u00e3o \u00e9 completa, estrutural e at\u00e9 o mais profundo.<\/p>\n<h2>AS \u201cNOVAS\u201d FORMAS DE MANUTEN\u00c7\u00c3O DO CAPITAL<\/h2>\n<p>As mudan\u00e7as ocorridas nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX provocadas pelos capitalistas para manterem ou aumentarem seus lucros n\u00e3o poderiam deixar de ter influ\u00eancias diretas em nossas vidas, sobretudo alterando o nosso modo de agir e pensar. E essas altera\u00e7\u00f5es, logicamente, n\u00e3o poderiam ser positivas, visto que se tem dado da forma mais dolorosa poss\u00edvel, ocasionando conseq\u00fc\u00eancias ou seq\u00fcelas que nos marcam profundamente, atingindo diretamente o homem e questionando a sua pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o a ponto de indagarmos: a humanidade hoje, nesse estado de calamidades de todos os n\u00edveis e sentidos, realmente, est\u00e1 evoluindo ou na verdade caminhando para o caos?<\/p>\n<p>Esse ponto que chegamos se fundamenta e se explica nas condi\u00e7\u00f5es de vida a que somos submetidos que \u00e9 a sociedade da forma tal como ela \u00e9 organizada e estruturada: a sociedade capitalista ou de mercado. Sociedade na qual as pessoas chegam a vender a sua pr\u00f3pria dignidade ou vivem na busca incessante do lucro de forma individualista e ego\u00edsta, ou seja, a sociedade de classes onde os privilegiados detentores do poder controlam e determinam a vida da maioria a partir dos seus interesses de abastados.<\/p>\n<p>O significado do neoliberalismo e da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva com as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas \u00e9 uma maneira adaptada aos dias atuais dos capitalistas explorarem ainda mais os trabalhadores. Essa \u00e9 a raz\u00e3o de ser da terceiriza\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 objetivamente a respons\u00e1vel pela perda dos poucos direitos que conquistamos com muita luta. \u00c9 devido a isso, tamb\u00e9m, que os sal\u00e1rios est\u00e3o sendo rebaixados a um n\u00edvel tal que o objetivo n\u00e3o \u00e9 mais (se \u00e9 que j\u00e1 foi algum dia) proporcionar uma vida digna ao indiv\u00edduo, mas garantir a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias para que o capital se reproduza e o lucro continue sendo positivo no saldo das vultuosas contas banc\u00e1rias dos poderosos.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o desemprego, mais que um reflexo da crise estrutural desse sistema, tornou-se uma institui\u00e7\u00e3o em si capaz de manter a ordem estabelecida como se fosse um \u00f3rg\u00e3o repressor, funcionando da seguinte forma: quem n\u00e3o se submete as regras do jogo e n\u00e3o aceita a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o passa a ser um n\u00famero a mais no \u00edndice de desemprego e quem est\u00e1 desempregado passa a pressionar os que ainda est\u00e3o empregados a aceitar qualquer condi\u00e7\u00e3o de trabalho, pois quem esta no ex\u00e9rcito de reserva chega at\u00e9 a propor ser mais explorado dos que est\u00e3o trabalhando para conseguir algum trocado.<\/p>\n<p>Assim, o desemprego passa a ser tamb\u00e9m um fator psicol\u00f3gico capaz de mudar as atitudes dos trabalhadores e seu comportamento. A solidariedade, por exemplo, como parte das rela\u00e7\u00f5es existentes no seio da classe trabalhadora, est\u00e1 cada vez menos presente de forma concreta nas nossas a\u00e7\u00f5es. Cada vez mais \u00e9 cada um por si. E o que os trabalhadores aprendem, empiricamente, vivendo a sua pr\u00f3pria realidade, n\u00e3o \u00e9 mais que \u201cas greves aumentam nosso sal\u00e1rio; melhoram nossas condi\u00e7\u00f5es de trabalho; diminuem nossa carga hor\u00e1ria; readmite companheiros perseguidos pelos patr\u00f5es\u201d. Isso ocorre porque as vit\u00f3rias n\u00e3o s\u00e3o mais sucessivas s\u00e3o espor\u00e1dicas e no m\u00e1ximo parciais isso quando n\u00e3o se tornam derrotas. As li\u00e7\u00f5es que eles tem de todas essas lutas sindicais e economicistas, de uma forma geral, s\u00e3o: \u201cnosso sal\u00e1rio n\u00e3o aumentou com a greve e o pior \u00e9 que os dias parados foram descontados; se para alguns as condi\u00e7\u00f5es de trabalho melhoraram com as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas \u00e9 por que a maioria \u00e9 demitida com as novas tecnologias; se solidarizar com companheiros demitidos significa ser demitido tamb\u00e9m; quem faz greve est\u00e1 na rua passando fome; com a greve os patr\u00f5es fecham a empresa, pedem concordata, dizem que quebrou e demitem todo mundo; quem greva \u00e9 demitido, j\u00e1 quem \u00e9 esperto e fica do lado do patr\u00e3o na hora certa se d\u00e1 bem\u201d.<\/p>\n<p>A realidade reacion\u00e1ria objetiva aos poucos vai construindo uma consci\u00eancia tamb\u00e9m reacion\u00e1ria. Mas talvez o refluxo n\u00e3o seja geral e absoluto. Seja apenas em rela\u00e7\u00e3o aos tipos de lutas que tem ocorrido nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado: as economicistas e sindicais.<\/p>\n<p>Pois o que temos visto atualmente \u00e9 que as lutas pol\u00edticas e mais gerais t\u00eam se sobressa\u00eddo e dado a t\u00f4nica da luta de classes. Foi assim em Seattle (EUA), em Quito (Equador), na Palestina, na Alb\u00e2nia, na Iugosl\u00e1via e em alguns pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos, tudo isso, \u00e9 claro, no marco de uma situa\u00e7\u00e3o ainda defensiva, mas j\u00e1 apontando novas perspectivas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio reorientarmos as lutas acompanhando a \u201cpolitiza\u00e7\u00e3o\u201d da classe e a dinamizando.<\/p>\n<p>Valdi e Karina<\/p>\n<h2><a id=\"materia_4\"><\/a>Um Exerc\u00edcio De Resist\u00eancia Cultural -Andr\u00e9 e F\u00e1bio \u2013 Bel\u00e9m (PA)<\/h2>\n<p>Os movimentos de resist\u00eancia cultural dentro das universidades brasileiras a partir do in\u00edcio da d\u00e9cada de 60 sempre foram um foco de aglutina\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o pol\u00edtica de estudantes, intelectuais e artistas das mais variadas tend\u00eancias, tanto no \u00e2mbito das concep\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas como na forma de atua\u00e7\u00e3o, possibilitando a troca de experi\u00eancias entre os grupos e a unidade de a\u00e7\u00e3o a partir de estrat\u00e9gias comuns, utilizando uma nova linguagem de express\u00e3o pol\u00edtica. Linguagem essa que discute os problemas da sociedade atrav\u00e9s da arte (poesia, teatro, m\u00fasica, cinema e outras formas),<\/p>\n<p>Os movimentos de resist\u00eancia cultural alcan\u00e7aram em pouco tempo uma receptividade maior entre as camadas populares aproximando-se cada vez mais da cultura popular.<\/p>\n<p>Enquanto a cultura de massa, implementada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o da burguesia, avan\u00e7ava e continua avan\u00e7ando nas mentes dos trabalhadores, tendo como seu principal estandarte o slogan do progresso, e desencadeando um verdadeiro bombardeio de desinforma\u00e7\u00f5es, preparando a sociedade para a aliena\u00e7\u00e3o do consumo capitalista, os movimentos de resist\u00eancia cultural criaram v\u00ednculo forte com as popula\u00e7\u00f5es carentes, revitalizando seu discurso atrav\u00e9s da cultura popular e recuperando nas comunidades seu verdadeiro significado de identidade e resist\u00eancia prestes a se perder.<\/p>\n<p>A volta do teatro para as ruas com seus personagens populares, da literatura de cordel com seus versos cantados, da m\u00fasica e do cinema abordando os problemas sociais vividos pelo povo de forma cr\u00edtica foi fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de uma contra hegemonia aos valores capitalistas. A contra-cultura desenvolvida pelos movimentos de resist\u00eancia cultural influenciaram em todos os campos a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e intelectual abrindo espa\u00e7o para uma cultura regional e popular dentro das universidades, sendo amplamente apropriado pelos estudantes, intelectuais e artistas das universidades.<\/p>\n<p>A arte nordestina de Luiz Gonzaga e Jacson do Pandeiro tomou conta das festas universit\u00e1rias na d\u00e9cada de 80 devido a esses movimentos culturais que tamb\u00e9m influenciou nas produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, voltando seus estudos para temas mais regionais, abordando a vida dos sertanejos nos campos e dos oper\u00e1rios nas cidades, por exemplo.<\/p>\n<p>Atualmente outros movimentos de resist\u00eancia culturais t\u00eam surgido tendo como refer\u00eancia essa forma de atua\u00e7\u00e3o. Em v\u00e1rias universidades, tem-se feito experi\u00eancias e chegado a resultados interessantes no \u00e2mbito da pol\u00edtica estudantil, como \u00e9, por exemplo, o caso da UFPA, onde se tem constru\u00eddo espa\u00e7os alternativos de discuss\u00e3o pol\u00edtica e de apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais que impulsionam o desenvolvimento da criatividade entre os estudantes.<\/p>\n<p>Esse movimento tenta construir uma nova forma de atua\u00e7\u00e3o que supere as antigas formas de se fazer pol\u00edtica estudantil, tendo como metodologia reuni\u00f5es abertas aos estudantes, forma democr\u00e1tica de discuss\u00e3o (com respeito \u00e0s diferen\u00e7as existentes, sem imposi\u00e7\u00f5es de um setor majorit\u00e1rio sobre os demais) e participa\u00e7\u00e3o diretas nas atividades, Como exemplos pr\u00e1ticos dessa experi\u00eancia podemos relatar as atividades que eram realizadas \u00e0s quintas-feiras na Galeria C\u00e9sar Moraes Leite (homenagem ao estudante assassinado na UFPA por agentes da Ditadura), denominadas de &#8220;Resist\u00eancia Cultural contra o Capital&#8221;, onde aconteciam apresenta\u00e7\u00f5es musicais, declama\u00e7\u00f5es de poesias, performances de teatro e exposi\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is tem\u00e1ticos, entre outras iniciativas, todas com o intuito de se resgatar nossas ra\u00edzes culturais e resistir contra a hegemonia da cultura de massa imposta pelo capitalismo.<\/p>\n<p>De nossa parte fica a vontade e o incentivo para que essa pequena experi\u00eancia seja reproduzida pelos demais movimentos sociais com o intuito de utiliz\u00e1-la como forma de resist\u00eancia contra a cultura de massa hegem\u00f4nica que nos \u00e9 imposta pelo capitalismo.<\/p>\n<h2><a id=\"materia_5\"><\/a>A REESTRUTURA\u00c7\u00c3O DO ESTADO BRASILEIRO E O PT<\/h2>\n<p>Na atualidade, o capital conseguiu estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com o trabalho seja por meio das derrotas que infligiu \u00e0 classe trabalhadora, seja, em decorr\u00eancia disto, da imposi\u00e7\u00e3o um novo padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o alicer\u00e7ado na tecnologia que lhe permite movimentar-se sem travas e rapidamente na busca de novas na oportunidades de lucro e especula\u00e7\u00e3o e, como nunca antes ocorrido, tem lhe garantido altas taxas de lucro. Essa nova rela\u00e7\u00e3o exige um determinado tipo de Estado, que facilite e implemente condi\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas e jur\u00eddicas para o processo de acumula\u00e7\u00e3o. A reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro vem neste sentido, ou seja, de se incorporar no processo de mundializa\u00e7\u00e3o do capital, em que todos os aparatos estatais tem como raz\u00e3o de sua exist\u00eancia servir ao capital. Este processo vem ocorrendo a mais de uma d\u00e9cada desde o governo Collor e consolida-se com o governo FHC.<\/p>\n<p>O apoio ao ent\u00e3o candidato FHC pela totalidade dos setores burgueses j\u00e1 indicava essa decis\u00e3o, pois os tucanos, na pessoa de FHC, s\u00e3o os representantes diretos da burguesia com liga\u00e7\u00f5es diretas com o capital externo. A volta ao governo central de um personagem pr\u00f3ximo aos grupos econ\u00f4micos, principalmente da regi\u00e3o sudeste, \u00e9 o indicativo mais claro dessa disposi\u00e7\u00e3o desse setor da burguesia em tomar em suas m\u00e3os os controle da economia brasileira<\/p>\n<p>O Estado Brasileiro sempre esteve a servi\u00e7o da burguesia nacional e do imperialismo. desde a ditadura militar, setores da burguesia nacional sonhavam com a possibilidade de exercer na Am\u00e9rica Latina o imperialismo brasileiro. No entanto, como estando submetidos a uma realidade mundial e a crise do modelo de Estado keynisiano-fordista, onde o estado cumpria um papel central na regula\u00e7\u00e3o do mercado interno e no desenvolvimento dos setores econ\u00f4micos de ponta, jogou este sonho da burguesia nacional por \u00e1gua abaixo que, ao encarar a nova realidade, preferiu se submeter ao imperialismo americano e ao capital financeiro e entregar o pa\u00eds, contando que ela seja s\u00f3cia menor.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode afirmar que o Estado Brasileiro era um estado de bem estar social, aos moldes dos estados europeus e americano. Os direitos sociais que a burguesia tenta a todo custo nos tirar, foi resultados das lutas que os trabalhadores travaram. E, se nem naquela \u00e9poca poder\u00edamos classificar o estado Brasileiro de &#8220;bem estar social&#8221;, agora, mais do que nunca, tal possibilidade \u00e9 muit\u00edssimo remota. A l\u00f3gica que preside a pol\u00edtica da burguesia em rela\u00e7\u00e3o ao Estado \u00e9 garantir os lucros do capital financeiro atrav\u00e9s da pol\u00edtica de pagamento da d\u00edvida externa e interna, dos aumento de impostos para o povo e de isen\u00e7\u00f5es para a elite<\/p>\n<p>Por isso o desespero do governo em economizar com o corte de despesas sociais (diminuiu a oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, etc), redu\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, com praticamente o fim da aposentadoria e a redu\u00e7\u00e3o do seguro desemprego, as privatiza\u00e7\u00f5es, enfim toda essa reestrutura\u00e7\u00e3o tem como \u00fanica finalidade preparar o Estado para subsidiar o capital privado<\/p>\n<h3>UM JUDICI\u00c1RIO PARA GARANTIR A LEI E &#8230;AS INJUSTI\u00c7AS<\/h3>\n<p>Outro componente estatal que passa por uma reforma \u00e9 o judici\u00e1rio. E n\u00e3o estamos falando s\u00f3 nas quest\u00f5es legais que por si s\u00f3 s\u00e3o um duro golpe aos explorados na defesa de seus \u201cdireitos m\u00ednimos\u201d, mas principalmente de uma reforma processual, que determina como um processo percorre os gabinetes dos magistrados. Para se ter uma id\u00e9ia do que pode acontecer \u00e9 verificar a legisla\u00e7\u00e3o processual trabalhista que permite que os tribunais julguem uma greve ilegal ou abusiva em at\u00e9 um dia, mas uma a\u00e7\u00e3o movida por um trabalhador contra uma arbitrariedade pode demorar 10, 15 anos para ter um desfecho.<\/p>\n<p>Esta reforma, sob o lema da agiliza\u00e7\u00e3o do aparato judici\u00e1rio (at\u00e9 concordamos que ele \u00e9 muito lento, mas para garantir direitos dos trabalhadores), obedece ordens diretas do BIRD (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que por um documento de orienta\u00e7\u00e3o aos governos da Am\u00e9rica Latina ordenou as reformas \u201ccom o intuito de promover o desenvolvimento econ\u00f4mico\u201d. L\u00f3gico que logo encontrou respaldo e apoio dos advogados ligados ao capital. Em um artigo no jornal valor econ\u00f4mico um advogado \u201cconceituado na defesa dos interesses dos capitalistas\u201d (Sr. Arnoldo Wald) defendeu a reforma como urgente pois \u201c&#8230;o nosso pa\u00eds&#8230;precisa agora tamb\u00e9m da seguran\u00e7a jur\u00eddica para que as empresas possam planejar o futuro e fazer os investimentos necess\u00e1rios..\u201d.<\/p>\n<h3>AS INSTITUI\u00c7\u00d5ES PARLAMENTARES E O PT.<\/h3>\n<p>O legislativo tamb\u00e9m acompanha as mudan\u00e7as estruturais e vai desempenhando um novo papel. As CPI\u2019s, por exemplo, mesmo que nunca decida nada contra os capitalistas, v\u00eam demarcando as novas rela\u00e7\u00f5es entre os capitalistas. O fato de estar atuando em \u00e1reas que normalmente caberia ao judici\u00e1rio \u00e9 o melhor indicador desse novo papel. No seio da burguesia h\u00e1 uma intensa luta entre as v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es entre os representantes das velha e nova oligarquias pelo controle do aparelho do estado, o que tem gerado crises (ACM x Jader, Cassa\u00e7\u00e3o do Luis Estev\u00e3o). Neste espa\u00e7o o PT tem procurado se inserir para se credenciar como gerente honesto do Estado da burguesia.<\/p>\n<p>O PT, principalmente pelo seu desempenho nas elei\u00e7\u00f5es municipais ainda gera muitas ilus\u00f5es nos trabalhadores (assim como o PMDB, O PSDB, etc) e pela sua hist\u00f3ria e seu discurso \u201cde esquerda\u201d merece um destaque na avalia\u00e7\u00e3o da realidade nacional para compreendermos sua pol\u00edtica e aprimorar formas de denunci\u00e1-los como integrantes e defensores da l\u00f3gica do capital.<\/p>\n<p>O primeiro elemento que deve ser destacado e reafirmado \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis do partido a defesa do capitalismo e da reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro. Todos os governos\/prefeituras em que o PT \u00e9 majorit\u00e1rio s\u00e3o campe\u00f5es (causando inveja ao PSDB) nas reformas administrativas com redu\u00e7\u00e3o de investimentos em \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e milhares de demiss\u00f5es. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o do PT enquanto partido da ordem burguesa \u00e9 fundamental para o nosso dia-a-dia, pois significa, definitivamente, coloc\u00e1-lo no mesmo caldeir\u00e3o dos partidos burgueses, ou seja, se transformou em um partido que defende a burguesia e suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00e3o os pr\u00f3prios \u201ccaciques\u201d (\u00e9 assim que s\u00e3o denominados os dirigentes do partidos burgueses) j\u00e1 o dizem abertamente de suas semelhan\u00e7as com os membros do governo. Cristovam Buarque declarou \u00e0 FSP no dia 08\/02 que: \u201cn\u00e3o diferimos muito da direita na economia, mas sim nas quest\u00f5es sociais\u201d, ou seja, \u00e9 a velha conversa fiada de que \u00e9 poss\u00edvel melhorar alguma coisa no capitalismo com alguns projetos sociais. Seu desempenho a frente do governo do DF comprovou essa impossibilidade.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o do PT e o bloco de esquerda no parlamento tem como grande preocupa\u00e7\u00e3o a defesa dessa institui\u00e7\u00e3o (a mesma que legaliza o assalto capitalista) e numa justificativa do porque votou em uma proposta do governo declarou: \u201cn\u00e3o votamos contra porque as conseq\u00fc\u00eancias seriam graves\u201d . Graves para quem?<\/p>\n<p>O discurso da \u00e9tica na administra\u00e7\u00e3o e na atua\u00e7\u00e3o parlamentar busca apresentar o partido como aquele que \u00e9 o \u00fanico que pode gerenciar o capital e dar uma fei\u00e7\u00e3o humanista \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista. Ledo engano. Al\u00e9m da impossibilidade de humanizar esse bicho, n\u00e3o se pode sequer falar em \u00e9tica em uma administra\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica do PT demonstra claramente que o grande objetivo desse partido \u00e9 se constituir enquanto uma sa\u00edda burguesa para o Estado reestruturado, colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da burguesia um gerente \u201chonesto\u201d. Se esse projeto for vitorioso, os trabalhadores ter\u00e3o grandes lutas pela frente. Os professores ga\u00fachos, os servidores do MS, do Acre, da prefeitura de SP, de santo Andr\u00e9, Diadema, etc que o digam.<\/p>\n<h2><a id=\"materia_6\"><\/a>PROLETARIADO E MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL<\/h2>\n<p>&#8221; Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o social e empregadores de trabalho assalariado. Por proletariado, a classe dos trabalhadores assalariados modernos, os quais, n\u00e3o tendo meios pr\u00f3prios de produ\u00e7\u00e3o, est\u00e3o reduzidos a vender a sua for\u00e7a de trabalho para poderem viver.&#8221; ( Nota de Engels \u00e0 edi\u00e7\u00e3o inglesa de 1888 do Manifesto do Partido Comunista.)<\/p>\n<p>Para muitos intelectuais que nunca fizeram qualquer esfor\u00e7o para entender ou se aproximar dos prolet\u00e1rios, nem de estudar a hist\u00f3ria de suas lutas e revolu\u00e7\u00f5es, torna-se f\u00e1cil simplesmente decretar, de uma vez, a sua fal\u00eancia. Afirmam que o proletariado est\u00e1 desaparecendo ou se acomodando \u00e0 sociabilidade capitalista. Em outras palavras: o proletariado teria se tornado uma classe conservadora.<\/p>\n<p>Pois bem. Se repararmos por detr\u00e1s dos v\u00e9us ideol\u00f3gicos que os grandes empres\u00e1rios e seus ide\u00f3logos querem nos impor, veremos que a classe dos que se inserem na produ\u00e7\u00e3o da vida social atrav\u00e9s da venda de sua for\u00e7a de trabalho ( ou que possuem esta perspectiva, mesmo que n\u00e3o o consigam ) aumentou em n\u00fameros absolutos como resultado do pr\u00f3prio desenvolvimento capitalista, que submeteu todas as esferas da produ\u00e7\u00e3o social \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de mais-valia e lucro, transformando-as em atividades assalariadas.<\/p>\n<p>No entanto, esse proletariado est\u00e1 hoje ref\u00e9m de v\u00e1rias barreiras objetivas e, principalmente, subjetivas, que o dificultam reconhecer-se a si pr\u00f3prio, quanto mais tornar-se classe para si, classe em movimento, classe revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Basta citarmos algumas das situa\u00e7\u00f5es ou regimes de trabalho existentes para nos darmos conta disso: contratados, terceirizados, tempor\u00e1rios, trabalhadores &#8220;aut\u00f4nomos&#8221;, por comiss\u00e3o, por pe\u00e7a, desempregados etc. Todos esses &#8220;disfarces&#8221; escondem uma mesma realidade, a extra\u00e7\u00e3o de uma enorme massa de mais-valia, mas tamb\u00e9m concretizam n\u00edveis diferentes de explora\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores ( divis\u00e3o ) que o capital criou e se utiliza para intensificar a sua domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o capital se concentra e imp\u00f5e sua inteira liberdade de movimento e de explora\u00e7\u00e3o sobre o globo.<\/p>\n<p>Com isso, entraram em crise os sindicatos, tradicionais organismos de luta e representantes da classe trabalhadora nas negocia\u00e7\u00f5es com a patronal. Os setores burocr\u00e1ticos dirigentes dessas entidades passaram a se sustentar muito mais das receitas do estado burgu\u00eas ou dos enormes fundos acumulados \u00e0s custas dos trabalhadores, do que das contribui\u00e7\u00f5es ligadas ao movimento ou suas conquistas, transformando os sindicatos em clubes de conv\u00eanios e parceiros dos empres\u00e1rios, submetendo as necessidades dos trabalhadores ao imperativo da lucratividade das empresas.<\/p>\n<p>Outros fatores que exerceram influ\u00eancia decisiva na consci\u00eancia dos trabalhadores foram as derrotas em lutas importantes das d\u00e9cadas de 70 e 80 e, principalmente, o fracasso das experi\u00eancias do Leste Europeu, que foram interpretadas por amplos setores da classe como a impossibilidade de lutarmos por uma sociedade alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mergulhada, ent\u00e3o, numa profunda crise de alternativas tanto pr\u00e1ticas, como ideol\u00f3gicas, a nossa classe come\u00e7a a se levantar para resistir e buscar novos caminhos, mas o faz ainda com uma enorme confus\u00e3o. Prevalece o imediatismo o que leva a que a resist\u00eancia muitas vezes se perca, sendo derrotada ou cooptada pelo sistema.<\/p>\n<p>Isso tudo t\u00eam impedido que a classe se coloque de conjunto em luta e aponte uma alternativa de ruptura com esse sistema para os outros setores sociais.<\/p>\n<h3>MOVIMENTOS ANTI-GLOBALIZA\u00c7\u00c3O , ANTI-CAPITALISTAS E O PROLETARIADO<\/h3>\n<p>Os movimentos anti-globaliza\u00e7\u00e3o ou anti-capitalistas surgem criticando, com raz\u00e3o, o descaso com que foram tratadas pelos sindicalismo tradicional quest\u00f5es como: o machismo, a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, as armas nucleares, a imposi\u00e7\u00e3o do consumismo.<\/p>\n<p>Os conceitos de a\u00e7\u00e3o direta, auto-organiza\u00e7\u00e3o e democracia interna, na busca de uma estrutura horizontal, sem &#8220;chefes&#8221; nem privil\u00e9gios, aliados \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de luta transnacional e global ( em todas as esferas da domina\u00e7\u00e3o capitalista ), s\u00e3o, sem d\u00favida, pontos fundamentais e inovadores que ter\u00e3o de ser apreendidos por qualquer proposta de refunda\u00e7\u00e3o do movimento prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas muitos deles, ao inv\u00e9s de identificarem a fal\u00eancia de um modo espec\u00edfico de luta e organiza\u00e7\u00e3o do proletariado ( o chamado modelo social-democrata ou sindicato fordista) confundem essa situa\u00e7\u00e3o com a fal\u00eancia direta do proletariado enquanto sujeito principal da luta revolucion\u00e1ria emancipat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como decorr\u00eancia da perda de refer\u00eancia no proletariado como principal for\u00e7a motriz da revolu\u00e7\u00e3o, surgem muitos ativistas que buscam, n\u00e3o tanto o di\u00e1logo ( te\u00f3rico e pr\u00e1tico ) com o proletariado mas, substitu\u00ed-lo, dando origem a uma nova forma de ativismo ou guerrilheirismo ativista.<\/p>\n<p>Consideramos isso um problema que precisa ser discutido, pois identificamos no proletariado n\u00e3o uma classe a mais. Por ser a classe que n\u00e3o vive da explora\u00e7\u00e3o de nenhuma outra, e sim aquela que sustenta, com seu trabalho, o peso de toda a sociedade, e por ser a classe que opera coletivamente os modernos meios de produ\u00e7\u00e3o social em todo o planeta, o proletariado traz em si a possibilidade ( que n\u00e3o quer dizer realidade, nem fatalidade ) de ser o principal agente da destrui\u00e7\u00e3o do capital e mais do que isso, de iniciar a constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade fundada em rela\u00e7\u00f5es de sociabilidade coletivas e livres.<\/p>\n<h3>MOVIMENTO DOS SEM TERRA<\/h3>\n<p>O que mais salta aos olhos numa an\u00e1lise do MST \u00e9 sua base social, uma enorme massa de camponeses que perderam suas terras, trabalhadores assalariados do campo, que foram substitu\u00eddos por m\u00e1quinas e, uma inova\u00e7\u00e3o, trabalhadores urbanos desempregados. Todos eles encontraram no MST sua \u00faltima perspectiva de levar uma vida digna, com seu pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n<p>Ao concentrar ( pelo menos em seu in\u00edcio ) seus esfor\u00e7os na a\u00e7\u00e3o direta, ocupando terras improdutivas, o MST se constituiu numa alternativa concreta para milh\u00f5es de explorados que j\u00e1 se cansaram de ficar esperando as promessas dos pol\u00edticos e do governo. Enquanto todos falam em Reforma Agr\u00e1ria, eles come\u00e7aram a realiz\u00e1-la.<\/p>\n<p>Por isso, atra\u00edram de imediato o \u00f3dio e a repress\u00e3o tanto por parte dos latifundi\u00e1rios como do governo FHC ( seu agente pol\u00edtico ). Tamb\u00e9m despertaram a preocupa\u00e7\u00e3o dos EUA pois, somados \u00e0 guerrilha na Col\u00f4mbia e aos Zapatistas no M\u00e9xico, constituem hoje os tr\u00eas mais fortes movimentos de contesta\u00e7\u00e3o e de resist\u00eancia na Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Este movimento, apesar de ser a vanguarda das lutas no Brasil, apresenta alguns limites do ponto de vista estrat\u00e9gico, principalmente pela estrutura hierarquizada do movimento, pela centraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es nas m\u00e3os da dire\u00e7\u00e3o, o que t\u00eam levado a problemas como as den\u00fancias de desvio de verba e corrup\u00e7\u00e3o, o que tem enfraquecido a influ\u00eancia do movimento na cidade.<\/p>\n<h3>MOVIMENTOS DOS SEM TETO, DAS COMUNIDADES DE FAVELAS E OCUPA\u00c7\u00d5ES<\/h3>\n<p>Ultimamente temos presenciado uma grande efervesc\u00eancia nas lutas dessas comunidades que englobam diversos aspectos e se dirigem direta ou indiretamente contra o mercado e o estado, ainda que com uma consci\u00eancia difusa. Em lutas pelo direito \u00e0 moradia, \u00e1gua, luz, saneamento, os protestos nos shoppings, revoltas contra a interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e suas arbitrariedades, lutas contra o preconceito racial, etc, se forma uma cultura de resist\u00eancia que alimenta movimentos muito importantes, como setores do HIP-HOP, ressurgimento da capoeira, bandas de punk-rock, ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e sua transforma\u00e7\u00e3o em &#8220;posses&#8221;, centros de cultura e v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p>Nessa luta, enfrentam desafios enormes e eles est\u00e3o ligados ao desemprego crescente, o aumento da repress\u00e3o policial e ao controle do narcotr\u00e1fico, pois sabemos das liga\u00e7\u00f5es obscuras mas nem por isso menos reais entre o tr\u00e1fico, os militares e as grandes empresas, principalmente as localizadas mais pr\u00f3ximas das favelas.<\/p>\n<p>Muitos dos que tomam parte nesses movimentos s\u00e3o prolet\u00e1rios ou diretamente influenciados. No entanto, esses setores lutam e se organizam como &#8220;moradores da comunidade&#8221;, sem uma consci\u00eancia e uma pr\u00e1tica como classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Por isso, para esses movimentos, n\u00e3o \u00e9 secund\u00e1ria uma s\u00f3lida liga\u00e7\u00e3o com o proletariado e seu envolvimento nas quest\u00f5es ligadas ao trabalho (emprego, direitos trabalhistas, para quem, o qu\u00ea e como produzir, etc).<\/p>\n<h3>POR UM NOVO MOVIMENTO PROLET\u00c1RIO ANTI-CAPITALISTA E REVOLUCION\u00c1RIO E AUT\u00d4NOMO<\/h3>\n<p>Para n\u00f3s, o maior desafio colocado \u00e9 o desenvolvimento de uma a\u00e7\u00e3o conjunta de todos os movimentos anti-capitalistas, no sentido de sua intera\u00e7\u00e3o com a classe que vive da venda de sua for\u00e7a de trabalho ( prolet\u00e1rios ), por dentro e por fora da esfera do trabalho ( por exemplo atrav\u00e9s dos trabalhos ligados \u00e0s comunidades ), impulsionando a sua organiza\u00e7\u00e3o e inter-rela\u00e7\u00e3o, com preocupa\u00e7\u00e3o permanente de ser parte e estabelecer o di\u00e1logo, interferindo nas experi\u00eancias, incentivando as tend\u00eancias pr\u00f3prias de rebeldia contra o sistema e combatendo as influ\u00eancias que visam nos domesticar.<\/p>\n<p>Enfim, trata-se de uma luta permanente no sentido de que a classe trabalhadora se reconstitua como classe para si na rela\u00e7\u00e3o com as outras classes ou setores que queiram compartilhar na tarefa hist\u00f3rica de sermos os coveiros do capitalismo e de toda forma de explora\u00e7\u00e3o\/opress\u00e3o.<\/p>\n<h2><a id=\"materia_7\"><\/a>POL\u00caMICA FSM: COMO COMBAT\u00ca-LO?<\/h2>\n<p>Com um car\u00e1ter reformista e reacion\u00e1rio que visa humanizar o inumaniz\u00e1vel (o sistema capitalista), o F\u00f3rum Social Mundial (FSM) n\u00e3o poderia ser diferente. O FSM contou com v\u00e1rios protestos contra ele, as come\u00e7ar por jovens que estavam reunidos no acampamento intercontinental da juventude que n\u00e3o se submeteram \u00e0 pol\u00edtica do p\u00e3o e circo que foi armada para manter os jovens isolados das discuss\u00f5es (?) . Do acampamento saiu um manifesto com a assinatura de v\u00e1rios grupos. E continuando com um encontro paralelo de revolucion\u00e1rios que se deu no dia de abertura do F\u00f3rum. E por fim, um manifesto de m grupo de companheiros de Santa Maria &#8211; Rs que n\u00e3o se deram ao trabalho de ir pro F\u00f3rum dos reformistas. Vale aqui ressaltar um outro protesto que houve contra o FSM por parte das organiza\u00e7\u00f5es negras que n\u00e3o tiveram aten\u00e7\u00e3o por parte dos organizadores do F\u00f3rum e a aus\u00eancia da corrente do PT OT (O Trabalho) que diferente das nossas posi\u00e7\u00f5es, entende ser o PT (reformista) uma ferramenta para a Revolu\u00e7\u00e3o (ser\u00e1?)<\/p>\n<p>(Os textos, o manifesto feito no acampamento da juventude, a avalia\u00e7\u00e3o do encontro paralelo e o dos companheiros de Santa Maria que n\u00e3o foram ao F\u00f3rum vem a seguir)<\/p>\n<h2>QUE OUTRO MUNDO \u00c9 POSS\u00cdVEL?<\/h2>\n<p>Comunidade Piracema<\/p>\n<p>Santa Maria, RS<\/p>\n<p>comunidadepiracema@hotmail.com<\/p>\n<p>\u201cSeattle no fue un accidente, sino un punto culminante<\/p>\n<p>de todas estas luchas. Lo que pas\u00f3 despu\u00e9s de Seattle,<\/p>\n<p>durante todo el 2000, es formidable.<\/p>\n<p>All\u00ed donde est\u00e1 el enemigo, estamos nosotros.<\/p>\n<p>No lo dejamos en paz.\u201d<\/p>\n<p>Susan George, ativista de Seattle radicada en Par\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cPara empezar, las estructuras de trabajo<\/p>\n<p>son locales, difusas y asemblearias.<\/p>\n<p>No existe una entidad o sujeto centralizador<\/p>\n<p>que fabrique pol\u00edtica de lucha, la conciencia pol\u00edtica<\/p>\n<p>globaL se forma a trav\u00e9s de la circulaci\u00f3n<\/p>\n<p>internacional de propuestas e informaci\u00f3n\u201d<\/p>\n<p>Pablo Iglesias Turri\u00f3n, \u201cLa Lecci\u00f3n de Praga\u201d.<\/p>\n<p>\u201c&#8230;las fuerzas contestatorias del Imperio,<\/p>\n<p>que efectivamente prefiguran una sociedad global alternativa,<\/p>\n<p>no est\u00e1n ellas mismas limitadas a ninguna regi\u00f3n geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>La geograf\u00eda de estos poderes alternativos, la nueva cartograf\u00eda,<\/p>\n<p>est\u00e1 a\u00fan aguardando a ser escrita \u2013 o, realmente, est\u00e1 siendo escrita hoy<\/p>\n<p>con las luchas, resistencias y deseos de la multitud.\u201d<\/p>\n<p>Michael Hardt e Antonio Negri, Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum Social Mundial apresentou-se como um passo al\u00e9m da contesta\u00e7\u00e3o e do protesto. Enquanto evento comemorativo e simb\u00f3lico, o FSM foi acolhido e festejado pela direita do capital e por sua for\u00e7a suplementar: a esquerda do capital.<\/p>\n<p>Para a imprensa do capital, o FSM tratou-se da \u201cvers\u00e3o politicamente correta dos movimentos de protesto\u201d. Para o ministro franc\u00eas Guy Hasc\u00f6et, participante do f\u00f3rum, tratava-se do espa\u00e7o onde \u201ca l\u00f3gica da proposi\u00e7\u00e3o prevalecer\u00e1 sobre a l\u00f3gica da contesta\u00e7\u00e3o\u201d. Em s\u00edntese, o consenso homog\u00eaneo afirmava que \u201co FSM era a mais importante reuni\u00e3o internacional j\u00e1 realizada pelos cr\u00edticos da globaliza\u00e7\u00e3o e do liberalismo\u201d.<\/p>\n<p>O \u201canti-Davos\u201d propositivo afirmava-se assim, tamb\u00e9m, como antag\u00f4nico ao anti-Davos contestat\u00f3rio, que em Zurique e Bilten afrontava o poder do Imp\u00e9rio: mais de 300 ativistas impedidos de entrar na Su\u00ed\u00e7a; no primeiro dia, 15 manifestantes presos em Bilten e 100 detidos em Zurique. Em s\u00edntese, o anti-Davos propositivo efetivou-se como a pr\u00e1tica de despotencializa\u00e7\u00e3o do anti-Davos contestat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Da perspectiva dos participantes do FSM, os protestos como os de Zurique (Seattle, Washington, 1\u00ba de Maio, Praga) n\u00e3o passaram de \u201catos simb\u00f3licos\u201d cuja fun\u00e7\u00e3o maior foi o \u201cquestionamento da legitimidade\u201d da c\u00fapula de direita, enquanto \u201crepresentantes leg\u00edtimos\u201d e, por outro lado, \u201clegitima\u00e7\u00e3o\u201d de \u201cnovos interlocutores\u201d. A partir do FSM as lutas que j\u00e1 come\u00e7aram a emergir teriam sido re-significadas e rebaixadas a mero pren\u00fancio e o car\u00e1ter propositivo centrou-se no diagn\u00f3stico da fal\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es e na promo\u00e7\u00e3o de alternativas institucionais,<\/p>\n<p>Contudo, queremos afirmar que da perspectiva das experi\u00eancias antagonistas, o f\u00f3rum foi um aqu\u00e9m e um desencontro que, ao despotencializar os protestos evidenciou a disjun\u00e7\u00e3o radical entre as experi\u00eancias concretas das lutas e a ilus\u00e3o do imperativo objetivista (o evento comemorativo visto como a encarna\u00e7\u00e3o objetivada de uma s\u00edntese, de um programa, de uma unidade, que para muitos encontrou sua satisfa\u00e7\u00e3o nas declara\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas de compromisso, na realiza\u00e7\u00e3o mesma do f\u00f3rum e em seu respectivo car\u00e1ter propositivo).<\/p>\n<p>Que os pronunciamentos de Hebe de Bonafini estavam em tens\u00e3o e contradi\u00e7\u00e3o mesma com as id\u00e9ias de \u201cpropositivo\u201d e \u201cinterlucu\u00e7\u00e3o\u201d, bem como com aquilo que o f\u00f3rum materializava como s\u00edntese, programa e proposta, nem de longe fora percebido, ou seja, a luta de classes, nem gritando, foi ouvida.<\/p>\n<p>Que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel se aqueles que est\u00e3o lutando juntos despotencializam o antagonismo ao estado de coisas existentes, se tudo o que fizeram foi revitalizar a ordem da domina\u00e7\u00e3o e conferir-lhe aceitabilidade?<\/p>\n<p>A soberania do Imp\u00e9rio nutre-se da promo\u00e7\u00e3o da interdepend\u00eancia, da inclus\u00e3o pelo \u201cconsenso\u201d homog\u00eaneo, da \u201cagenda m\u00ednima\u201d e da \u201cpauta realiz\u00e1vel\u201d, do pacto entre os \u201ctolerantes\u201d e da institucionaliza\u00e7\u00e3o. Realiza a interdi\u00e7\u00e3o das autonomias e do antagonismo pela mobiliza\u00e7\u00e3o do estigma, pela diferencia\u00e7\u00e3o que identifica, localiza, denuncia e demoniza @s que \u201cn\u00e3o querem colaborar\u201d, @s \u201cintolerantes\u201d, @s que est\u00e3o em ruptura com a interdepend\u00eancia, na mesma articula\u00e7\u00e3o onde gest\u00e3o \u00e9 o nome do controle, do disciplinamento e da subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel sob os escombros de um mundo que @s tolerantes teimam em reconstruir conferindo-lhe sobre-vida e, ao se co-responsabilizarem com a promo\u00e7\u00e3o de sua respeitabilidade, al\u00e7ando-o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de referencial de um natimorto \u201cmundo novo\u201d?<\/p>\n<p>A forma bi-polarizada da subordina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria das atividades humanas criativas, no per\u00edodo da concorr\u00eancia imperialista, denominava-se \u201cco-exist\u00eancia pac\u00edfica\u201d, \u201cequil\u00edbrio de terror\u201d ou \u201cguerra fria\u201d. A transi\u00e7\u00e3o de tal est\u00e1gio para o qual vivemos e contra o qual lutamos deu-se como promo\u00e7\u00e3o continuada da interdepend\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o da concep\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de mundo.<\/p>\n<p>Que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel se para constru\u00ed-lo praticarmos a desvaloriza\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias singulares e inviabilizarmos a converg\u00eancia das autonomias ao borrar a distin\u00e7\u00e3o entre fazer e fazer de conta, atrelando o aprendizado das lutas ao programa hegemonista de um estado e de um partido-estado e sua ret\u00f3rica de legitima\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O comum e a co-produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o justamente nas experi\u00eancias singulares como composi\u00e7\u00e3o complexa da classe, no que o comum do antagonismo acolhe do difuso irredut\u00edvel das experi\u00eancias singulares que n\u00e3o podem ser nominadas com um \u00fanico termo ou express\u00e3o simples, tais como \u201csocialismo\u201d, \u201cparticipa\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201ccidadania\u201d.<\/p>\n<p>Que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel sobre as mesmas pr\u00e1ticas e os mesmos princ\u00edpios do mundo ao qual somos antag\u00f4nicos? Que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel sem ruptura com a ordem da subordina\u00e7\u00e3o e sua concep\u00e7\u00e3o institucional e jur\u00eddica de mundo? Que outro mundo \u00e9 poss\u00edvel sem a ruptura com o Imp\u00e9rio, com a interdepend\u00eancia e a articula\u00e7\u00e3o do contra-Imp\u00e9rio, da converg\u00eancia das autonomias?<\/p>\n<p>N\u00f3s, que n\u00e3o fomos ao F\u00f3rum Social Mundial e que em solo brasileiro enfrentaremos a hostilidade arrogante de uma burocracia revitalizada, estamos acolhendo as resson\u00e2ncias para o nosso impasse. A esquerda do capital recolheu legitima\u00e7\u00e3o para suas pr\u00e1ticas e seu discurso. Se um outro mundo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do PT brasileiro, passamos a ter dois mundos a derrubar para, a\u00ed sim, construirmos um mundo sem hegemonismos, um mundo onde caibam muitos mundos.<\/p>\n<h3>UM OUTRO MUNDO \u00c9 POSS\u00cdVEL&#8230;.S\u00d3 DESTRUINDO O CAPITALISMO<\/h3>\n<p>Desde Seattle, passando por Washington, Londres, Mil\u00e3o, Melbourne, Seul, Praga at\u00e9 Nice, uma e outra vez dezenas de milhares de jovens anticapitalistas v\u00eam denunciando, com a\u00e7\u00e3o direta, os grandes monop\u00f3lios e os organismos internacionais como o FMI, Banco Mundial, OMC e uni\u00e3o Europ\u00e9ia. Essas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o as respons\u00e1veis pela explora\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de trabalhadores, pela destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e por colocar milh\u00f5es de pessoas nas baixas condi\u00e7\u00f5es de pobreza. A den\u00fancia desses jovens anticapitalistas \u00e9 muito clara quando gritam pelas ruas do mundo que \u201co capitalismo mata, matemos o capitalismo\u201d e \u201cabaixo o FMI\u201d.<\/p>\n<p>Agora, aqui, em Porto Alegre, no F\u00f3rum Social Mundial, as ONG\u2019S, as burocracias sindicais e as dire\u00e7\u00f5es de partidos institucionalizados, trocam o conte\u00fado do conte\u00fado da luta dos jovens anticapitalistas pela reacion\u00e1ria pol\u00edtica de \u201chumaniza\u00e7\u00e3o do capital\u201d. Humanizar o capitalismo com os ministros franceses que perseguem imigrantes, que s\u00e3o parte do governo que, junto com a OTAN bombardeou a Iugosl\u00e1via, matando milhares de pessoas e que reprimiu os anticapitalistas em Nice; Humanizar o capitalismo junto com banqueiros e multinacionais; Humanizar o capitalismo junto com governos que, como o PT, seguem pagando a d\u00edvida interna, reprimem as greves de professores, no Rio Grande do Sul, e a ocupa\u00e7\u00e3o do MST a um pr\u00e9dio p\u00fablico federal em Porto Alegre; Reprimem, diariamente, os camel\u00f4s e os sem-teto em ocupa\u00e7\u00f5es urbanas porto alegrenses e seguem dando dinheiro \u00e0s multinacionais.<\/p>\n<p>Na verdade a estrela que dirige essa prefeitura e governo, que se dizem democr\u00e1ticos e populares, interessados na elei\u00e7\u00e3o de 2002, resolveram servir de tubo de ensaio para uma nova forma de gest\u00e3o do capitalismo sustentada numa social democracia que permite a explora\u00e7\u00e3o da burguesia, agrada a classe m\u00e9dia com encena\u00e7\u00f5es de democracia como o Or\u00e7amento Participativo que visa impedir o protesto pela coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos populares. Completa esse quadro os demais partidos de &#8220;esquerda&#8221;, que mesmo criticando essa pol\u00edtica, capitulam diante de um questionamento mais contundente.<\/p>\n<p>Humanizar o capitalismo \u00e9 ut\u00f3pico e reacion\u00e1rio. Por isso, n\u00f3s, jovens anticapitalistas do acampamento da juventude, nos sentimos parte do movimento anticapitalista e solid\u00e1rios com os jovens que, em Davos, denunciam o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. E dizemos que: O F\u00f3rum social Mundial \u00e9 um engano dos que querem desviar a luta anticapitalista para a pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classes e elei\u00e7\u00f5es, continuando a aplicar a mis\u00e9ria do capitalismo. Por isso, n\u00f3s realizamos nossas pr\u00f3prias oficinas encaminhando a constru\u00e7\u00e3o de uma rede nacional anticapitalista sob o grito de : &#8220;Abaixo o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, FMI, Banco Mundial e OMC!; ais quais o F\u00f3rum Social Mundial n\u00e3o \u00e9 uma alternativa, &#8220;Abaixo o Plano Col\u00f4mbia!&#8221;,&#8221; Viva a intifada palestina!, &#8220;N\u00e3o ao pagamento da d\u00edvida externa e interna!&#8221;, &#8220;N\u00e3o \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es!&#8221;.<\/p>\n<p>O capitalismo mata, matemos o capitalismo. Cabe \u00e0 juventude, aos trabalhadores e povo pobre anticapitalista, fi\u00e9is ao esp\u00edrito de Seattle, Nice, Praga e Davos, impedir que a interven\u00e7\u00e3o anticapitalista seja distorcida e utilizada por seus inimigos.<\/p>\n<p>Assinam: Juventude e Luta Revolucion\u00e1ria, Jornal Espa\u00e7o Socialista, Comit\u00ea Marxista Revolucion\u00e1rio, Anarco-Punks, Movimento Che Vive (RJ), Coletivo pela Universidade Popular (Porto Alegre), Secretaria Estadual de Casas de Estudantes de Goi\u00e1s, Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ga\u00facha, Grupo Cultural Semente de Esperan\u00e7a, A\u00e7\u00e3o Local por Justi\u00e7a Global, Resist\u00eancia Popular RJ\/PA, N\u00facleo Zumbi Zapatista \u2013ABC Paulista, Estrat\u00e9gia Revolucion\u00e1ria, Socialismo Libert\u00e1rio Bras\u00edlia, Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Uruguaia, A\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Marxista (RJ), Frente de Luta Popular, Juventude Avan\u00e7ar na Luta, Liga Bolchevique Internacionalista, Espa\u00e7o Cultural Quilombola \u2013Ara\u00e7atuba\/SP, Em Clave Roja (Argentina), Coletivo Marcha de Panam\u00e1, Movimento Contra o Neoliberalismo (Panam\u00e1), Rede Periferia de S\u00e3o Paulo, CAVE -Coletivo Alternativa Verde e demais ativistas anticapitalistas.<\/p>\n<h2>Nota Pol\u00edtica N\u00ba 6 Do Centro De Estudos E Debates Socialistas \u2013 CEDS Fevereiro De 2001<\/h2>\n<h3>AVALIA\u00c7\u00c3O DO ENCONTRO PARALELO<\/h3>\n<p>o presente texto cont\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o elaborada pela coordena\u00e7\u00e3o do ceds sobre o encontro da esquerda revolucion\u00e1ria pelo combate ao neoliberalismo e pelo socialismo (\u201cencontro paralelo\u201d) e as perspectivas para a continuidade desta iniciativa.<\/p>\n<p>1. O \u201cEncontro Paralelo\u201d<\/p>\n<p>No dia 25\/1\/2001, na sede do Sinttel em Porto Alegre, das 19h \u00e0s 22h, realizou-se por iniciativa do CEDS e do Movimento de Luta Socialista (MLS), o Encontro da Esquerda Revolucion\u00e1ria pelo Combate ao Neoliberalismo e pelo Socialismo, uma atividade independente e paralela ao Forum Social Mundial. Estiveram reunidos 37 militantes destes dois grupos, da LBI, Espa\u00e7o Socialista, Comit\u00ea Marxista, POR(Argentina), Novo Curso e independentes. O n\u00famero de participantes foi al\u00e9m da nossa expectativa, demonstrando o potencial que existe na organiza\u00e7\u00e3o de encontros que se proponham a reunir socialistas revolucion\u00e1rios com o objetivo de discutir a\u00e7\u00f5es de frente \u00fanica.<\/p>\n<p>2. Avan\u00e7a a id\u00e9ia do forum de Frente \u00danica<\/p>\n<p>Hoje, v\u00e1rios s\u00e3o os grupos ou militantes que, preocupados com a fragmenta\u00e7\u00e3o e a dispers\u00e3o de for\u00e7as existente na esquerda revolucion\u00e1ria, est\u00e3o vendo como sa\u00edda para super\u00e1-la, a rejei\u00e7\u00e3o do sectarismo e a constru\u00e7\u00e3o da unidade dos revolucion\u00e1rios em foruns constru\u00eddos em torno de propostas comuns de luta. Mais importante do que discutir as diverg\u00eancias, conduta que apenas tem agravado a fragmenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 o encaminhamento das lutas em torno de pontos comuns.<\/p>\n<p>Como muitos outros, n\u00e3o acreditamos que exista uma corrente da esquerda revolucion\u00e1ria com autoridade pol\u00edtica capaz de centralizar os esfor\u00e7os de todos os grupos e militantes que atuam de forma dispersa na luta de classes, tamanha \u00e9 a crise pol\u00edtica existente. N\u00e3o raro, pretens\u00f5es desta ordem acabam dando origem a processos autorit\u00e1rios e burocr\u00e1ticos, que deixam como saldo negativo a desmoraliza\u00e7\u00e3o de amplos setores da milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Da mesma forma, as tentativas de unifica\u00e7\u00e3o de grupos balizadas por extensas e rigorosas discuss\u00f5es program\u00e1ticas ou de estrat\u00e9gia, freq\u00fcentemente fracassam, conduzindo a uma dispers\u00e3o maior ainda do que aquela a que se propunham resolver.<\/p>\n<p>Como superar estas dificuldades?<\/p>\n<p>A sa\u00edda para a dispers\u00e3o organizativa dos socialistas revolucion\u00e1rios, depende principalmente de uma mudan\u00e7a de qualidade na consci\u00eancia das massas dada a partir de uma jornada de lutas combativa e generalizada do movimento dos trabalhadores, que lhe permita retomar a ofensiva na luta de classes. N\u00e3o vamos aguardar sentados a chegada deste momento. Temos que ajudar a constru\u00ed-lo. A quest\u00e3o \u00e9 qual o m\u00e9todo a utilizar.<\/p>\n<p>O \u201cEncontro Paralelo\u201d aponta um caminho distinto das solu\u00e7\u00f5es aparelhistas freq\u00fcentemente encontradas nas \u201cunifica\u00e7\u00f5es\u201d. Ele fortalece a id\u00e9ia de que \u00e9 necess\u00e1rio construir um forum de frente \u00fanica para a a\u00e7\u00e3o. Acreditamos que a experi\u00eancia pol\u00edtica concreta resultante da interven\u00e7\u00e3o organizada na luta de classes, aliada \u00e9 claro a discuss\u00e3o pol\u00edtica inspirada e estimulada por esta a\u00e7\u00e3o e pelos seus resultados, poder\u00e1 contribuir para uma aproxima\u00e7\u00e3o maior entre as correntes revolucion\u00e1rias e para projetos pol\u00edtico-program\u00e1ticos mais ambiciosos.<\/p>\n<p>O reformismo logrou discutir unitariamente as suas propostas no FSM, atraindo desde liberais burgueses at\u00e9 correntes que se reivindicam do trotsquismo. Ao inv\u00e9s de confrontar-se, os socialistas revolucion\u00e1rios podem pelo menos tentar construir o seu pr\u00f3prio forum de frente \u00fanica.<\/p>\n<p>3. As propostas aprovadas no \u201cEncontro Paralelo\u201d<\/p>\n<p>O Encontro aprovou consensualmente algumas propostas concretas de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Uma delas reflete a preocupa\u00e7\u00e3o com o internacionalismo prolet\u00e1rio. Consiste na participa\u00e7\u00e3o organizada em comit\u00eas unit\u00e1rios de solidariedade aos povos em luta ou, quando n\u00e3o existirem, a constitui\u00e7\u00e3o de organismos com estes objetivos. O Forum precisar\u00e1 discutir em uma pr\u00f3xima reuni\u00e3o os pontos centrais que dever\u00e3o nortear esta participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra outra proposta aprovada diz respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es comuns dos participantes do Forum no movimento sindical e popular, \u00e0 n\u00edvel das diversas frentes de luta. Por\u00e9m, a concord\u00e2ncia mais importante, por ensejar um eixo pol\u00edtico mais abrangente para todas as correntes aderentes, \u00e9 relativo \u00e0 luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o da CUT e em defesa dos princ\u00edpios classistas de organiza\u00e7\u00e3o como a independ\u00eancia de classe dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assistimos nos \u00faltimos anos, a completa descaracteriza\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de maio como dia de luta dos trabalhadores, uma evid\u00eancia da pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classes praticada pela burocracia sindical. A dire\u00e7\u00e3o da CUT e grande parte das dire\u00e7\u00f5es sindicais implantaram uma pol\u00edtica que desfigurou completamente a comemora\u00e7\u00e3o do 1\u00ba de maio na maior parte dos estados, ora permitindo que a Igreja se aposse dos atos, retirando deles o seu car\u00e1ter laico, ora atrelando-os \u00e0 Prefeituras e Governos de Estado do tipo frente popular em busca de patroc\u00ednio financeiro, ou ainda transformando-os em shows musicais despolitizados.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos tamb\u00e9m a proposta de organiza\u00e7\u00e3o de um forum de discuss\u00e3o dos socialistas revolucion\u00e1rios para evitar a dispers\u00e3o do voto que se verifica a cada dois anos e construir uma pol\u00edtica comum para as elei\u00e7\u00f5es de 2002. N\u00e3o houve consenso, o que n\u00e3o quer dizer que esta proposta n\u00e3o possa continuar sendo discutida. Sabemos que esta nossa proposta, mesmo que aceita, dificilmente conduziria a um encaminhamento unit\u00e1rio. No entanto, achamos mesmo assim que se justificaria como um excelente exerc\u00edcio pol\u00edtico, que aprofunda a discuss\u00e3o da conjuntura nacional.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram muitas as propostas de luta aprovadas. No entanto, o encaminhamento daquelas que foram consenso, e uma experi\u00eancia bem sucedida em torno delas, poder\u00e1 ser o suficiente para fortalecer o forum unit\u00e1rio e embasar outras iniciativas de frente \u00fanica.<\/p>\n<p>4. Perspectivas:<\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos meses, v\u00e1rias foram as reuni\u00f5es ocorridas no Brasil, com caracter\u00edsticas de forum pol\u00edtico de correntes e militantes revolucion\u00e1rios. Sabemos que no final de 2000, no Rio de Janeiro, reuniu um Forum com estas caracter\u00edsticas. Em 11 e 12\/11\/2000, em S\u00e3o Bernardo do Campo, ocorreu uma reuni\u00e3o chamada pelo Espa\u00e7o Socialista, que contou com a presen\u00e7a de sete correntes de esquerda e independentes. Em Porto Alegre, ocorreu o \u201cEncontro Paralelo\u201d de 25\/1\/2001, onde participaram 7 correntes pol\u00edticas e independentes. Ainda em Porto Alegre, ocorreu um outro encontro em 28\/1\/2001 no acampamento da juventude do Forum Social Mundial, sobre o qual n\u00e3o temos maiores informa\u00e7\u00f5es, porque desconhec\u00edamos a sua realiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que outras atividades semelhantes tenham ocorrido pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esta sequ\u00eancia importante de reuni\u00f5es ocorridas nos \u00faltimos meses, todas com a mesma natureza, sustenta a conclus\u00e3o de que existe uma aspira\u00e7\u00e3o por unidade de a\u00e7\u00e3o presente em um n\u00famero significativo de correntes e militantes revolucion\u00e1rios, \u00e9 claro, estimulada a partir da entrada em cena de novas perspectivas para a luta de classes. Esta busca pela frente \u00fanica precisa ser reconhecida como importante e fortalecida, atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de foruns adequados para organiz\u00e1-la a n\u00edvel regional e nacional.<\/p>\n<p>\u00c9 para dar continuidade a esta tend\u00eancia, que propomos a realiza\u00e7\u00e3o de um novo Encontro da Esquerda Revolucion\u00e1ria, para mar\u00e7o ou in\u00edcio de abril de 2001, na cidade de S\u00e3o Paulo, para aprofundar a discuss\u00e3o do forum que constitu\u00edmos em Porto Alegre e encaminhar as propostas de a\u00e7\u00e3o ali aprovadas, assim como outras que vierem a ser consensuais. Estamos abertos \u00e0 discuss\u00e3o de convites para novos participantes neste pr\u00f3ximo Encontro da Esquerda Revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o deste encontro com alguma anteced\u00eancia e com pr\u00e9vio conhecimento das propostas poder\u00e1 propiciar a realiza\u00e7\u00e3o de uma atividade importante, capaz de alcan\u00e7ar uma grande repercuss\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<h2><a id=\"materia_8\"><\/a>ESPANHA: TRABALHO E LIBERDADE PARA TODOS OS IMIGRANTES QUE VIVEM NA ESPANHA! ABAIXO A LEI DE ESTRANGEIROS!<\/h2>\n<p>&#8220;Eu sei que &#8220;encierro&#8221;* n\u00e3o \u00e9 uma linda palavra.<\/p>\n<p>Mais ou menos cento e cinquenta pessoas se juntaram, todas as noites, \u00e0s 8:00 horas no teatro de uma igreja do bairro mais popular de Madrid, Vallecas. Para falar. A princ\u00edpioo falavam de coisas mais gerais: liberdade pessoal, direitos humanos, o passado, a hist\u00f3ria, o futuro, as possibilidades de ficarem, que n\u00e3o nos expulsassem do pa\u00eds, o que fazer no caso de deten\u00e7\u00e3o, como cuidamos, agora que somos verdadeiramente ilegais, criminosos, para que ao sair dessa igreja n\u00e3o sejamos detidos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vieram as primeiras propostas de a\u00e7\u00e3o: uma marcha, pixa\u00e7\u00e3o, uma mobiliza\u00e7\u00e3o, chamar a imprensa&#8221; (fragmentos de uma carta enviada por Nikobe, imigrante na espanha ao seu pai).<\/p>\n<p>* (m\u00e9todo de luta ocupando igrejas e escolas)<\/p>\n<h3>UM DOMINGO DIFERENTE<\/h3>\n<p>&#8221; Queremos enviar, em nome das assembl\u00e9ias de Madrid, uma sauda\u00e7\u00e3o fraternal a todas as pessoas que est\u00e3o apoiando nossa luta e t\u00eam vindo a esta manifesta\u00e7\u00e3o contra a lei de estrangeiros, que condena \u00e0 exclus\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o centenas de milhares de pessoas e que representa uma grave viola\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos&#8221;. Assim abriu o ato dos imigrantes a principal oradora, Magdalena Guti\u00e9rrez, uma professora argentina que vive na espanha e que foi militante do MAS &#8211; Argentina (Movimento ao Socialismo) e que hoje participa da corrente Novo Curso.<\/p>\n<p>Em 11 de fevereiro o descanso dominical Madrilhenho foi quebrado pela erup\u00e7\u00e3o de 40.000 pessoas que se mobilizaram at\u00e9 a Porta do Sol, reclamando a regulariza\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o dos estrangeiros que n\u00e3o possuem documentos e a revoga\u00e7\u00e3o da lei de estrangeiros, que entrou em vigor na Espanha em 23\/01\/2001. Durante o ato fizeram o uso da palvra representantes de v\u00e1rios pa\u00edses. Cada um, em seu idioma, foi contando as raz\u00f5es que os levaram a imigrar para a Espanha.<\/p>\n<p>De acordo com esta nova lei, os imigrantes ilegais ser\u00e3o castigados com pesadas multas e at\u00e9 a explus\u00e3o, se os encontrarem sem seus documentos em ordem. Tamb\u00e9m lhes pro\u00edbem participar em associa\u00e7\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es, reuni\u00f5es, sindicaliza\u00e7\u00e3o e movimentos grevistas. Assim, uma das mais &#8220;badaladas&#8221; democracias da Europa tirou sua m\u00e1scara, mostrando seu verdadeiro rosto reacion\u00e1rio e discriminat\u00f3rio com milhares de trabalhadores que chegam de outros pa\u00edses castigados pelo desemprego e mis\u00e9ria capitalistas.<\/p>\n<p>Assim expressou Magdalena Guti\u00e9rrez, desde a TARIMA levantada pelos imigrantes: &#8220;Aqui, hoje, neste Estado pretensamente democr\u00e1tico, pessoas de todas as idades vivem mal, sentem-se perseguidas e escondem-se por medo da explus\u00e3o ou da pris\u00e3o; fecha-se, inclusive, as portas ao direito fundamental de asilo&#8221;.<\/p>\n<p>A Espanha conheceu, nos \u00faltimos anos, um importante fluxo migrat\u00f3rio que chega de distintas regi\u00f5es fundamentalmente da Costa Africana. Marroquinos, argelinos e imigrantes de outros pa\u00edses do Continente Africano se amontoam em prec\u00e1rias embarca\u00e7\u00f5es, deixando sua terra, seu c\u00e9u, suas fam\u00edlias em busca de um peda\u00e7o de ch\u00e3o para trabalhar e poder sobreviver. Exp\u00f5em-se a riscos de perder a vida, como ocoreu nos primeiros dias de fevereiro, quando 20 imigrantes clandestinos morreram quando a embarca\u00e7\u00e3o que os levava se chocou contra as rochas na costa espanhola.<\/p>\n<p>&#8220;Temos de recordar que ningu\u00e9m imigra por capricho. Milh\u00f5es de seres humanos v\u00eam-se obrigados a deixar suas terras e fam\u00edlias por causa do saque perpetrado pelas multinacionais , entre elas as de capital espanhol, que levam \u00e0 mis\u00e9ria a maioria da popula\u00e7\u00e3o do planeta&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vivendo um processo de perdas dos direitos trabalhistas que afetam o conjunto da classe trabalhadora. Na espanha, em fun\u00e7\u00e3o dos interesses daqueles que det\u00eam o poder, atrav\u00e9s das institui\u00e7\u00f5es do Estado, incentiva-se o recha\u00e7o social para com os imigrantes, cuja maior express\u00e3o \u00e9 a Lei de Estrangeiros. Perpetua-se assim uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade e semi-escravid\u00e3o no que diz respeito \u00e0s leis trabalhistas.Pretende-se ocultar, interessadamente, que os imigrantes vivem e trabalham aqui em setores com as piores condi\u00e7\u00f5es, menor assist\u00eancia social e maior \u00edndice de acidentes de trabalho&#8221;<\/p>\n<p>Com estas palavras, a companheira Guti\u00e9rrez denunciou as condi\u00e7\u00f5es em que se encontram os imigrantes como parte dos explorados da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>A nova lei prev\u00ea a expuls\u00e3o da Espanha, em 48 horas, daqueles que forem encontrados sem seus documentos de legaliza\u00e7\u00e3o. Muitos imigrantes foram despedidos de seu trabalho assim que esta lei foi votada.<\/p>\n<p>Ela traz, entre outras, as seguintes consequ\u00eancias imediatas:<\/p>\n<p>Limita o direito \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas aos imigrantes.<\/p>\n<p>Mant\u00e9m os centros de interna\u00e7\u00e3o, verdadeiros pres\u00eddios, para pessoas que simplesmente carecem de documentos que permitem sua perman\u00eancia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o garante o direito de viver em fam\u00edlia e j\u00e1 est\u00e3o ocorrendo casos de expuls\u00e3o de menores.<\/p>\n<p>Negam massivamente as licita\u00e7\u00f5es de permiss\u00e3o de trabalho \u00e0s pessoas que t\u00eam uma oferta v\u00e1lida de emprego, condenando-as, assim, \u00e0 marginalidade e ao sub-emprego.<\/p>\n<p>A isto agregamos que os imigrantes s\u00e3o obrigados a se submeter \u00e0s m\u00e1fias internacionais que controlam o tr\u00e1fico ilegal de imigrantes, cobrando altos pre\u00e7os para transport\u00e1-los em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas. Esse \u00e9 mais um ramo que o capitalismo usa para ter lucro \u00e0s custas do imigrantes ilegais.<\/p>\n<h3>UM MOVIMENTO QUE GANHA FOR\u00c7A<\/h3>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o de 11\/02 foi precedida de outras manifesta\u00e7\u00f5es em Barcelona e Val\u00eancia. Alguns dias antes da lei entrar em vigor, milhares de imigrantes paquistaneses, indianos, bengaleses, russos, romenos e sul-americanos se refugiaram em escolas, igrejas e outros lugares do territ\u00f3rio espanhol, lutando pelos mesmos objetivos: permiss\u00e3o de trabalho e resid\u00eancia para viver dignamente.<\/p>\n<p>Em Barcelona, por exemplo, 360 pessoas ocuparam as igrejas de Santa Maria del Pi y San Agust\u00edn.<\/p>\n<p>Este processo n\u00e3o teve apoio dos partidos pol\u00edticos nem dos sindicatos. O movimento foi se organizando atrav\u00e9s das assembl\u00e9ias daqueles que estavam refugiados nas escolas e igrejas e contou com o apoio efetivo de imigrantes legais e trabalhadores espanh\u00f3is.<\/p>\n<p>O &#8220;encierro&#8221; (m\u00e9todo de luta ocupando igrejas e escolas) \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que vem desde a ditadura franquista. Os ocupantes vivem, comem, dormem e se organizam na igreja. Durante o dia chegam mais pessoas que v\u00eam acompanhar os ocupantes trazendo solidariedade.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3po de 11\/02 foi um passo adiante que fortaleceu a luta dos imigrantes e que deve ser tomada como exemplo pelos setores marginalizados e oprimidos em todo o mundo<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m tem entendido os imigrantes mobilizados quando, nas palavras de Magdalena Guti\u00e9rrez, expressaram: &#8220;A exclus\u00e3o das pessoas desempregadas, exploradas, a exclus\u00e3o das mulheres, dos homosexuais, dos povos colonizados, \u00e9 hoje a exclus\u00e3o das pessoas imigrantes.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o fazemos um chamado \u00e0 solidariedade caridosa, mas a um desafio ativo a esta lei. Este desafio, que foi expresso em Barcelona por 40.000 pessoas e que seguimos expressando hoje em Madrid, deve estender-se como um s\u00f3 grito&#8221;<\/p>\n<p>N\u00f3s, socialistas, apoiamos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que lutam na Espanha exigindo:<\/p>\n<p>Imediata regulariza\u00e7\u00e3o de todas as pessoas que se encontram na clandestinidade na Espanha<\/p>\n<p>Revoga\u00e7\u00e3o da lei de estrangeiros<\/p>\n<p>Reconhecimento de todos os direitos sociais e civis em igualdade para todos os seres humanos<\/p>\n<p>Livre circula\u00e7\u00e3o das pessoas e n\u00e3o s\u00f3 de mercadoria e capitais<\/p>\n<p>NENHUM SER HUMANO \u00c9 ILEGAL<\/p>\n<p>Chamamos todas as organiza\u00e7\u00f5es que se proclamam democr\u00e1ticas a se solidarizar com os imigrantes enviando mensagens de solidariedade para:<\/p>\n<p>encierroenvallecas@yahoo.es<\/p>\n<p>encierro-madrid@sindominio.net<\/p>\n<p>Para maiores, e mais atualizadas, informa\u00e7\u00f5es consultar:<\/p>\n<p>www.sindominio.net\/encierro-madrid<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: Por um 1\u00ba de Maio anticapitalista, Internacionalista e Independente dos aparatos sindicais! 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