{"id":134,"date":"2009-02-08T20:38:46","date_gmt":"2009-02-08T22:38:46","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/134"},"modified":"2018-06-01T15:33:50","modified_gmt":"2018-06-01T18:33:50","slug":"jornal-29-janeirofevereiro-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/02\/jornal-29-janeirofevereiro-2009\/","title":{"rendered":"Jornal 29: Janeiro\/Fevereiro de 2009"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1161\" aria-describedby=\"caption-attachment-1161\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_29_janeiro.fevereiro_2009.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1161 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_29_janeiro.fevereiro_2009-233x300.jpg\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_29_janeiro.fevereiro_2009-233x300.jpg 233w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_29_janeiro.fevereiro_2009.jpg 552w\" sizes=\"(max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1161\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 29 em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os textos deste jornal se concentram nos principais acontecimentos da luta de classes como a \u00a0 \u00a0 \u00a0 posse de Barack Obama nos Estados Unidos, o aprofundamento da crise econ\u00f4mica e as consequ\u00eancias para os trabalhadores.\u00a0 Outro acontecimento no plano internacional foi o genoc\u00eddio contra o povo palestino na faixa de Gaza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Achamos importante destacar as recentes mobiliza\u00e7\u00f5es ocorridas na Europa e que abrem a possibilidade do questionamento da pol\u00edtica de ataque aos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentimos a necessidade de ser convocado um encontro nacional de base que re\u00fana trabalhadores e trabalhadoras para discutir formas de combater o desemprego e defender os direitos que est\u00e3o sob amea\u00e7a do governo e da burguesia.<a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>\u00a0Ou leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo1\">A crise econ\u00f4mica segue se aprofundando<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo2\">Desemprego amea\u00e7a trabalhadores. For\u00e7a Sindical e CUT se aliam aos patr\u00f5es para defender o Capital<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo3\">Fus\u00f5es de bancos provocar\u00e3o mais desemprego<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo4\">Governo Lula quer privatizar os Correios<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo6\">Unidade com CUT e For\u00e7a Sindical?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo7\">Um chamado \u00e0 esquerda: unidade para construir uma sa\u00edda dos trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo8\">O proletariado europeu mostra o caminho<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo9\">Estados Unidos: muda o chefe, mas o inimigo \u00e9 o mesmo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#titulo10\">Palestina: a her\u00f3ica resist\u00eancia de um povo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">A crise econ\u00f4mica segue se aprofundando<\/h1>\n<div id=\"node-135\">\n<h3><b>o est\u00e1gio atual da crise<\/b><\/h3>\n<p>Ao final do ano de 2008 o mundo estava entrando numa forte crise econ\u00f4mica. A imprensa burguesa em peso passou a falar em crise. O mito da invulnerabilidade do capitalismo caiu por terra com impressionante velocidade. Governantes do mundo inteiro fizeram reuni\u00f5es, emitiram declara\u00e7\u00f5es com ar preocupado, anunciaram medidas de emerg\u00eancia, lan\u00e7aram \u201cpacotes de ajuda\u201d de centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar os bancos e o sistema financeiro da bancarrota. Subitamente, descobriu-se que o \u201clivre mercado\u201d n\u00e3o \u00e9 capaz de regular a si mesmo e o Estado precisa intervir. Analistas passaram a falar na pior crise desde 1929, quando teve in\u00edcio a Grande Depress\u00e3o. Surgiu a ladainha da \u201cfalta de confian\u00e7a\u201d, da \u201cfalta de regula\u00e7\u00e3o\u201d, da \u201cgan\u00e2ncia excessiva\u201d, etc. A crise chegou tamb\u00e9m ao senso comum. De agora em diante, na boca do povo, tudo \u201c\u00e9 culpa da crise\u201d.<\/p>\n<p>Na realidade, a crise \u00e9 um produto inevit\u00e1vel do pr\u00f3prio funcionamento da economia capitalista. N\u00e3o se trata de \u201cfalta de confian\u00e7a\u201d, \u201cfalta de regula\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cgan\u00e2ncia excessiva\u201d, etc. O problema n\u00e3o est\u00e1 no \u201cmodelo de desenvolvimento\u201d, que pode ser neoliberal ou desenvolvimentista-keynesiano, est\u00e1 na pr\u00f3pria ess\u00eancia do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. A crise \u00e9 uma express\u00e3o dos limites internos do sistema, de sua incapacidade de realizar a mais-valia gerada na produ\u00e7\u00e3o e de sua necessidade de destruir for\u00e7as produtivas (fechar f\u00e1bricas, demitir trabalhadores ou mesmo destruir popula\u00e7\u00f5es inteiras e recursos materiais por meio da guerra) para reiniciar o ciclo de acumula\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio do que diz o pensamento vulgar da imprensa burguesa, a crise \u00e9 parte essencial do mecanismo interno da economia capitalista e portanto a sua apari\u00e7\u00e3o de tempos em tempos \u00e9 um fen\u00f4meno inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por enquanto, ainda n\u00e3o se produziu o deslizamento para a depress\u00e3o, nem muito menos qualquer sinal da recupera\u00e7\u00e3o sonhada pelos capitalistas, que na verdade pode estar bastante distante, de modo que a crise pode se estender sob a forma de uma recess\u00e3o prolongada. Nesse meio tempo a burguesia procura manter suas taxas de lucro promovendo demiss\u00f5es, rebaixamento de sal\u00e1rios, retirada de direitos e benef\u00edcios, corte de servi\u00e7os p\u00fablicos. A luta de classes ainda n\u00e3o se manifestou com toda sua agudeza. A rea\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora mundial tem sido desigual. Na sua maior parte, os principais instrumentos de luta da classe, partidos e sindicatos, permanecem controlados por dire\u00e7\u00f5es abertamente dispostas a colaborar com a burguesia e jogar o custo da crise nas costas do proletariado.<\/p>\n<p>Na Europa, j\u00e1 acontecem fortes greves e mobiliza\u00e7\u00f5es contra os ataques do capital. No Brasil, a crise chegou ao senso comum e j\u00e1 est\u00e1 na boca do povo, mas a classe trabalhadora n\u00e3o compreende a crise. Para os trabalhadores, ela se parece com uma peste, uma epidemia, cujo cont\u00e1gio amea\u00e7ador \u00e9 totalmente aleat\u00f3rio e s\u00f3 se pode combater rezando para que permane\u00e7a distante. A burguesia tenta ganhar ideologicamente os trabalhadores com seu discurso de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d e tudo que se pode fazer \u00e9 apertar os cintos e esperar a crise passar. Naturalmente, s\u00e3o os trabalhadores que v\u00e3o apertar os cintos. E n\u00e3o v\u00e3o poder contar com o apoio do Estado, que vai precisar tirar cada vez mais dinheiro da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e dos servi\u00e7os p\u00fablicos para financiar os \u201cpacotes de ajuda\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>As sa\u00eddas da burguesia<\/b><\/h3>\n<p>A crise atual est\u00e1 no est\u00e1gio de uma recess\u00e3o mundial em aprofundamento. A burguesia procura neste momento evitar que a recess\u00e3o se transforme em depress\u00e3o. Para isso, a classe dominante recorre ao socorro do Estado, que tanto nos centros imperialistas como na periferia est\u00e1 injetando \u201cpacotes de ajuda\u201d que totalizam trilh\u00f5es de d\u00f3lares na economia capitalista.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica do Estado burgu\u00eas de injetar dinheiro na economia est\u00e1 longe de poder trazer uma solu\u00e7\u00e3o definitiva para o problema. Assemelha-se a uma tentativa de apagar um inc\u00eandio jogando mais gasolina no fogo. N\u00e3o \u00e9 preciso ser expert em economia para perceber que h\u00e1 algo muito errado com os tais pacotes de ajuda, como o plano recentemente anunciado por Obama de injetar mais US$ 819 bilh\u00f5es na economia estadunidense. A simples intui\u00e7\u00e3o basta para demonstrar que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser assim t\u00e3o f\u00e1cil. Se est\u00e1 ao alcance do Estado produzir t\u00e3o facilmente dinheiro \u00e0 vontade e em quantias t\u00e3o mastod\u00f4nticas, porque isso n\u00e3o \u00e9 feito de modo corriqueiro?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 que na verdade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim produzir dinheiro, pois isso tem conseq\u00fc\u00eancias. O poder conferido ao Estado para emitir moeda n\u00e3o pode ser usado indiscriminadamente, pois isso amea\u00e7a a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o da moeda como medida de valor. A burguesia n\u00e3o o ignora, por isso s\u00f3 recorre a tal medida apenas em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia extrema. O fato de que todos os Bancos Centrais do mundo estejam fazendo a mesma coisa neste momento \u00e9 mais um ind\u00edcio da seriedade da crise em andamento.<\/p>\n<p>A moeda precisa estar lastreada em alguma riqueza real, sem o qu\u00ea se converte em simples papel sem valor. Os BCs do mundo inteiro est\u00e3o emitindo trilh\u00f5es de d\u00f3lares que correspondem a papel sem valor, na expectativa de que alguma riqueza real possa vir a ser gerada, ou na linguagem da economia burguesa, de que haja uma \u201cretomada do crescimento\u201d. Nesse meio tempo, o dinheiro que sai dos BCs \u00e9 contabilizado como d\u00edvida p\u00fablica, ou seja, d\u00edvida que o Estado ter\u00e1 que cobrir de alguma maneira, seja cobrando impostos, seja cortando dos servi\u00e7os p\u00fablicos; em ambos os casos, tomando dos trabalhadores. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, como toda riqueza real em qualquer sociedade \u00e9 produzida pelo trabalho humano, a classe capitalista e seu Estado ter\u00e3o que intensificar brutalmente a explora\u00e7\u00e3o para recuperar o valor nominal emitido sob a forma de moeda sem valor. Caso isso n\u00e3o seja feito num intervalo de tempo suficientemente curto, a crise pode se desdobrar numa desvaloriza\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da moeda, ou seja, numa infla\u00e7\u00e3o desenfreada.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, os detentores de capital no mundo inteiro est\u00e3o neste momento buscando \u201cref\u00fagio\u201d na \u201cseguran\u00e7a\u201d dos t\u00edtulos do tesouro estadunidense. O dinheiro que sai das bolsas de valores do mundo inteiro, provocando sua queda, est\u00e1 sendo investido em d\u00f3lares, o que produz a valoriza\u00e7\u00e3o artificial dessa moeda. O d\u00f3lar est\u00e1 sendo mantido artificialmente valorizado, justamente no momento em que o endividamento suicida dos Estados Unidos, com os trilion\u00e1rios\u00a0\u00a0pacotes de ajuda do governo, amplia o risco de corros\u00e3o estrutural do valor da principal moeda mundial. Em outras palavras, o capitalismo est\u00e1 se tornando ref\u00e9m da capacidade do imperialismo estadunidense de cobrir sua d\u00edvida por meio do saque sobre a classe trabalhadora mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Os limites do capital<\/b><\/h3>\n<p>A crise atual n\u00e3o \u00e9 produto apenas do esgotamento de mais um ciclo peri\u00f3dico (como o ciclo anterior que se encerrou em 2000 com a quebra da NASDAQ), mas da crise estrutural do sistema que emperra a acumula\u00e7\u00e3o capitalista pelo menos desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de\u00a01970. A\u00a0crise estrutural tem sido contornada pelo deslocamento da produ\u00e7\u00e3o material para pa\u00edses perif\u00e9ricos de m\u00e3o-de-obra barata (tigres asi\u00e1ticos, e mais recentemente, China e \u00cdndia), combinado com movimentos de expans\u00e3o do cr\u00e9dito, endividamento do Estado, das empresas e dos consumidores e desregulamenta\u00e7\u00e3o dos instrumentos financeiros.<\/p>\n<p>Esse duplo movimento de superexplora\u00e7\u00e3o\/financeiriza\u00e7\u00e3o expressa uma dificuldade crescente do capital para continuar se reproduzindo. H\u00e1 um estreitamente crescente das margens internas intranspon\u00edveis do pr\u00f3prio sistema capitalista. O impulso da concorr\u00eancia obriga as empresas a incorporarem tecnologia e aumentarem a produtividade, produzindo mais em menos tempo de trabalho. Ao produzir mais em menos tempo, as empresas podem dispensar a for\u00e7a de trabalho humana. O desemprego tecnol\u00f3gico estrutural de massa se tornou rotina em todos os pa\u00edses. Ao demitir trabalhadores, as empresas diminuem a quantidade de consumidores aptos a comprar aquilo que produziram. Sem compradores para as mercadorias, n\u00e3o se fecha o ciclo de realiza\u00e7\u00e3o do valor gerado na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o h\u00e1 meios de realizar o capital, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 simplesmente destru\u00ed-lo, ou seja, fechar as empresas, imobilizar as m\u00e1quinas, demitir mais trabalhadores, obrig\u00e1-los a trabalhar por sal\u00e1rios mais baixos. Isso s\u00f3 faz aumentar o problema da falta de consumidores, agravando a crise e precipitando um c\u00edrculo vicioso. Essa contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na raiz de todas as crises econ\u00f4micas. Para cada ciclo que se encerra o capitalismo tenta encontrar uma sa\u00edda. A \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel\u201d, o consumismo do estilo de vida estadunidense, a ind\u00fastria da inform\u00e1tica foram sa\u00eddas desse tipo, bem como recentemente a especula\u00e7\u00e3o com empresas de internet ou com im\u00f3veis.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o despontou no horizonte a pr\u00f3xima aposta do capital para tentar contornar a crise. As alternativas est\u00e3o cada vez mais escassas. Sem a novidade de um novo ramo da produ\u00e7\u00e3o, a sa\u00edda pode estar na pura e simples destrui\u00e7\u00e3o. No limite, uma das formas de encontrar um consumidor capaz de realizar o capital \u00e9 obrigando os Estados capitalistas a entrarem em guerra, mobilizando os meios de produ\u00e7\u00e3o para a destrui\u00e7\u00e3o e gerando a necessidade da reconstru\u00e7\u00e3o. \u00c9 deste limite que estamos nos aproximando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>As amea\u00e7as no horizonte<\/b><\/h3>\n<p>O sistema capitalista carece de coordena\u00e7\u00e3o racional e centraliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 um \u201cEstado mundial\u201d do sistema do capital capaz de planejar seus passos. Por mais que a superpot\u00eancia estadunidense se candidate a exercer esse papel, prevalece a exist\u00eancia de uma articula\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquico-conflitiva entre as diversas se\u00e7\u00f5es nacionais do capital global. As diversas burguesias nacionais (ou burocracias como a da China) perseguem seus pr\u00f3prios interesses particulares em aberta rivalidade entre si e com os Estados Unidos. O imperialismo europeu penetra na Am\u00e9rica Latina, a R\u00fassia se volta para uma pol\u00edtica nacionalista de grande pot\u00eancia, a China desponta com for\u00e7a no cen\u00e1rio geopol\u00edtico; tudo isso expressa a contradi\u00e7\u00e3o entre um \u00fanico sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico mundial e a exist\u00eancia de diversos Estados nacionais enquanto estruturas de controle pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Na \u00faltima oportunidade em que o sistema se defrontou com dificuldades t\u00e3o dram\u00e1ticas, por ocasi\u00e3o da Grande Depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930, n\u00e3o houve pol\u00edtica do Estado capaz de produzir uma recupera\u00e7\u00e3o por meios puramente econ\u00f4micos. Ao contr\u00e1rio do que dizem os apologistas burgueses e repetem os desinformados (e os mal-intencionados) papagaios da esquerda reformista, n\u00e3o foram o \u201cNew Deal\u201d rooseveltiano ou os sortil\u00e9gios keynesianos que salvaram a economia capitalista naquela conjuntura. Depois do crash da bolsa de\u00a01929, a\u00a0economia dos Estados Unidos havia desabado novamente em 1938. O sistema s\u00f3 p\u00f4de sobreviver gra\u00e7as \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o provocada pela II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a economia capitalista. A tend\u00eancia irrefre\u00e1vel de centraliza\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de grades monop\u00f3lios e grandes imp\u00e9rios econ\u00f4micos necessariamente aponta para a destrui\u00e7\u00e3o dos concorrentes menores e mais fracos. \u00c9 preciso destruir periodicamente grandes quantidades de vidas humanas, de recursos materiais, de f\u00e1bricas, edif\u00edcios, infra-estrutura, for\u00e7as produtivas, enfim, para que a acumula\u00e7\u00e3o de capital possa se reiniciar. A barb\u00e1rie de Auschwitz e Hiroshima constitui exemplo indel\u00e9vel da loucura destrutiva a que o capitalismo pode precipitar a humanidade em nome da reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do valor.<\/p>\n<p>Dentro da atual correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as pot\u00eancias imperialistas, a resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos em curso por meio de uma III Guerra Mundial \u00e9 improv\u00e1vel devido \u00e0 amea\u00e7a concreta de destrui\u00e7\u00e3o m\u00fatua assegurada por arsenais nucleares e outras armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa largamente disseminadas. Entretanto, mesmo conflitos localizados, como uma invas\u00e3o estadunidense ao Ir\u00e3, trazem consigo o espectro de uma barb\u00e1rie intoler\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de uma Guerra Mundial cl\u00e1ssica entre grandes Estados imperialistas, est\u00e1 em gesta\u00e7\u00e3o uma guerra mundial do capital contra os trabalhadores por meio de diversas formas como a \u201cguerra ao terror\u201d, a \u201cguerra \u00e0s drogas\u201d, a sataniza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses do \u201ceixo do mal\u201d e de todo e qualquer movimento de resist\u00eancia (doravante alcunhado de \u201cterrorista\u201d); e no plano interno, o renascimento da xenofobia e do neonazismo, a fascistiza\u00e7\u00e3o social, a repress\u00e3o policial, a criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos e da luta social, as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, a destrui\u00e7\u00e3o dos instrumentos sindicais e pol\u00edticos da classe trabalhadora, a persegui\u00e7\u00e3o aos ativistas, a censura \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e o bloqueio ideol\u00f3gico contra o pensamento divergente.<\/p>\n<p>A guerra \u00e9 a alternativa para salvar o imperialismo estadunidense e o capitalismo como um todo. Cabe por sua vez aos trabalhadores lutar para construir uma outra forma de sociedade, livre das crises, das guerras, da mis\u00e9ria, das cat\u00e1strofes ambientais, da degrada\u00e7\u00e3o cultural e humana, que s\u00f3 pode ser uma sociedade socialista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Desemprego amea\u00e7a trabalhadores. For\u00e7a sindical e CUT se aliam aos patr\u00f5es para defender o capital<\/h1>\n<p>Depois de negar que a crise fosse atingir o Brasil, os empres\u00e1rios, os governos federal (PT) e estaduais (PSDB, PT, PMDB, etc), e a m\u00eddia, passaram rapidamente ao discurso oposto. Agora, sobre o que mais falam \u00e9 da crise.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o fazem isso para elucidar as verdadeiras causas, pois n\u00e3o podem admitir que se trata de uma crise do capitalismo \u2013 sistema no qual eles s\u00e3o a classe dominante e, portanto, os maiores culpados. O objetivo dessa campanha ideol\u00f3gica \u00e9 justificar as ajudas bilion\u00e1rias do Estado aos empres\u00e1rios, e o enorme desemprego como conseq\u00fc\u00eancias autom\u00e1ticas da crise.<\/p>\n<p>O governo Lula j\u00e1 concedeu mais de R$ 350 bilh\u00f5es aos bancos e empres\u00e1rios atrav\u00e9s da diminui\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios. Tamb\u00e9m ordenou aquisi\u00e7\u00f5es \u2013 via Caixa Econ\u00f4mica e Banco do Brasil \u2013 das fatias podres de m\u00e9dios bancos e deu isen\u00e7\u00f5es de impostos a setores como montadoras, agro-neg\u00f3cio e outros. Al\u00e9m disso, criou o maior programa de empr\u00e9stimos \u00e0s empresas da hist\u00f3ria do Brasil. Atrav\u00e9s do BNDES, as empresas e bancos poder\u00e3o pegar dinheiro com a metade da taxa de juros cobrada pelo mercado, bem como usufruir de prazos prorrog\u00e1veis por quantas vezes quiserem. S\u00e3o mais R$ 130 bilh\u00f5es dispon\u00edveis para as empresas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma ironia que seja justamente o PT a fazer de tudo para tentar salvar o capitalismo no Brasil, partido este que criticava duramente (e com raz\u00e3o) o governo FHC por ter doado, anos atr\u00e1s, R$ 10 bilh\u00f5es para os bancos atrav\u00e9s do PROER.<\/p>\n<p>No mesmo sentido segue o Pacote da Habita\u00e7\u00e3o no qual, al\u00e9m de conceder isen\u00e7\u00f5es de impostos para as construtoras, o governo pretende comprar casas que as construtoras n\u00e3o conseguem vender e financi\u00e1-las aos trabalhadores, fazendo com que se crie uma nova bolha imobili\u00e1ria \u2013 desta vez bancada pelo Estado \u2013, o que pode ter conseq\u00fc\u00eancias graves em um curto espa\u00e7o de tempo, como nos EUA.<\/p>\n<p>Todo esse montante \u2013 e com certeza o governo disponibilizar\u00e1 ainda mais \u2013 est\u00e1 sendo retirado do Estado, e certamente ser\u00e1 cortado do or\u00e7amento das \u00e1reas sociais como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, funcionalismo p\u00fablico, al\u00e9m do aumento das D\u00edvidas Interna e Externa.<\/p>\n<p>Mas, que ningu\u00e9m se engane, todas essas medidas, apesar de custarem muito ao Estado, s\u00e3o apenas paliativos muito fr\u00e1geis que podem diminuir a intensidade da hemorragia momentaneamente, mas n\u00e3o por muito tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode prever quanto tempo a crise ainda vai durar, nem sua profundidade, mesmo porque est\u00e1 apenas em seu in\u00edcio. Mas os dados apontam claramente uma recess\u00e3o no horizonte, com possibilidade at\u00e9 mesmo de uma depress\u00e3o, dependendo do que aconte\u00e7a nos pa\u00edses centrais.<\/p>\n<p>Por isso, a outra ponta da tesoura que atinge duramente os trabalhadores \u00e9 o desemprego em massa. Os dados de dezembro espantaram bastante \u2013 pr\u00f3ximo de 1 milh\u00e3o de demiss\u00f5es \u2013, mas os deste primeiro trimestre tendem as ser iguais ou piores.<\/p>\n<p>Podemos afirmar que o centro da conjuntura s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es dos empres\u00e1rios e do governo para jogar as conseq\u00fc\u00eancias da crise para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, assistimos a uma grande onda de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, bem como a diversifica\u00e7\u00e3o de investimentos feitos pelas empresas, buscando \u00e1reas menos afetadas ou mais promissoras para o futuro. Assim, a Vale do Rio Doce, ao mesmo tempo que demite, aumenta sua participa\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, de olho na reserva do pr\u00e9-sal. Esse \u00e9 um sinal de que estas empresas n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o \u201cmal das pernas\u201d, mas sim querem manter ou aumentar seus lucros exorbitantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>As sa\u00eddas do capital e sua l\u00f3gica<\/h2>\n<p>Os argumentos da patronal para jogar os custos da crise sobre os trabalhadores \u2013 com demiss\u00f5es, redu\u00e7\u00e3o de direitos e cortes no or\u00e7amento social do Estado \u2013 s\u00e3o os de que a queda da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 uma decorr\u00eancia natural da queda da demanda, e o desemprego \u00e9 uma conseq\u00fc\u00eancia da queda da produ\u00e7\u00e3o. Portanto, o desemprego \u00e9 inevit\u00e1vel, a n\u00e3o ser que o mercado se reaque\u00e7a. Tudo muito simples. Quem em s\u00e3 consci\u00eancia questionaria t\u00e3o realista argumento?<\/p>\n<p>No entanto, escondem que o verdadeiro problema para um reaquecimento da economia \u00e9 que os rendimentos dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia v\u00eam decaindo ao longo do tempo, fruto da concorr\u00eancia agora globalizada e do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. O consumo de massas s\u00f3 se sustentou nos \u00faltimos anos devido \u00e0 hipertrofia do cr\u00e9dito. Mas esse recurso revelou seu esgotamento pelo simples fato de que ningu\u00e9m pode se endividar pela vida inteira, sem ter a real capacidade de pagar.<\/p>\n<p>Uma vez que desmoronou a pir\u00e2mide de cr\u00e9dito f\u00e1cil e irreal, as empresas est\u00e3o fazendo de tudo para manter seus lucros, adequando sua produ\u00e7\u00e3o ao consumo real observado.<\/p>\n<p>Os economistas burgueses apresentam as coisas como se os interesses de lucro do capital fossem algo natural, existentes desde sempre, e n\u00e3o pudessem ser questionados.<\/p>\n<p>Mas esse mesmo racioc\u00ednio tamb\u00e9m pode ser interpretado de outra maneira. E se as empresas baixassem os pre\u00e7os das mercadorias mais necess\u00e1rias? E se aumentassem os sal\u00e1rios e os direitos ? Ou uma sa\u00edda ainda mais \u201ccriativa\u201d: e se fizessem as duas coisas ao mesmo tempo? Dessa forma, haveria automaticamente um aumento da procura, principalmente dos bens de primeira necessidade. E n\u00e3o seria necess\u00e1rio demitir ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Mas os empres\u00e1rios logo rebatem que se as empresas baixassem os pre\u00e7os, ou aumentassem os sal\u00e1rios, seu lucro cairia, o que as tornaria invi\u00e1vel. Mas invi\u00e1vel para quem? Para os capitalistas, \u00e9 claro, pois partindo das necessidades dos trabalhadores \u2013 que s\u00e3o ao mesmo tempo os que de fato produzem \u2013, \u00e9 claro que elas n\u00e3o se tornariam invi\u00e1veis.<\/p>\n<p>O problema ent\u00e3o que n\u00e3o deve ser questionado \u00e9 o direito das empresas ao maior lucro poss\u00edvel! Nesta l\u00f3gica tudo, at\u00e9 mesmo a produ\u00e7\u00e3o dos bens de consumo mais necess\u00e1rios, os empregos e a pr\u00f3pria sociedade, s\u00f3 podem existir se derem lucro!<\/p>\n<p>Ora, o n\u00edvel de profundidade da crise e o avan\u00e7o da tecnologia exigem que se rompa justamente com a l\u00f3gica limitada e ego\u00edsta do funcionamento da sociedade baseada no lucro, para podermos discutir sa\u00eddas de outro tipo, que interessem aos trabalhadores.<\/p>\n<p>Esse debate \u00e9 central, porque significa que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda de fato para a crise, se os trabalhadores aceitarem que o lucro do capital \u00e9 sagrado e intoc\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>CUT e For\u00e7a Sindical: por dentro e a servi\u00e7o da l\u00f3gica do capital<\/h2>\n<p>\u00c9 justamente isso que est\u00e3o fazendo as centrais sindicais como a For\u00e7a Sindical, a CUT e a CTB. Todas elas partem do princ\u00edpio de que a lucratividade das empresas \u00e9 condi\u00e7\u00e3o sine-qua-non para que as mesmas mantenham os postos de trabalho e os sal\u00e1rios. A partir da\u00ed, a busca por \u201csolu\u00e7\u00f5es criativas\u201d est\u00e1 condenada a resultar sempre em decis\u00f5es prejudiciais aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que a For\u00e7a Sindical tem defendido de forma p\u00fablica um acordo geral com a FIESP, pautado na suspens\u00e3o dos contratos de trabalho, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e direitos, com o argumento de que \u00e9 o \u00fanico meio de diminuir os gastos das empresas e assim, \u201cevitar demiss\u00f5es em grande escala\u201d. Na verdade, esses acordos nem sequer garantem o m\u00ednimo de estabilidade no emprego. A CUT e a CTB, por sua vez, fazem um discurso um pouco diferente, mas na pr\u00e1tica implementam os mesmos acordos \u2013 n\u00e3o ainda pela central\u2013, mas por meio dos sindicatos a elas filiados.<\/p>\n<p>No entanto, apesar de toda a \u201cboa vontade\u201d das centrais oficiais em defender a lucratividade das empresas, estas n\u00e3o t\u00eam demonstrado disposi\u00e7\u00e3o em negociar \u2013 nem sob essas condi\u00e7\u00f5es rebaixadas.<\/p>\n<p>A conseq\u00fc\u00eancia maior dessas \u201cnegocia\u00e7\u00f5es\u201d entre as centrais pelegas e os empres\u00e1rios tem sido a cria\u00e7\u00e3o de uma cortina de fuma\u00e7a atr\u00e1s da qual os patr\u00f5es est\u00e3o demitindo aos milhares todos os dias.<\/p>\n<p>Em vez de se colocar junto aos trabalhadores e chamar \u00e0 luta \u2013 o que a CUT teria feito em outros tempos \u2013, essas centrais cumprem o papel mesquinho de criar ilus\u00f5es nos trabalhadores da possibilidade de uma sa\u00edda consensual para a crise. E enquanto tentam manter as apar\u00eancias, fazem de tudo para impedir qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o que possa de fato apontar uma sa\u00edda dos trabalhadores para a crise, como greves e ocupa\u00e7\u00f5es das empresas que demitirem.<\/p>\n<p>Apesar de tudo isso, o desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o dos direitos v\u00e3o fazer com que se desperte o proletariado brasileiro. Ap\u00f3s alguns anos de crescimento econ\u00f4mico e ilus\u00f5es de que o pa\u00eds pudesse crescer ininterruptamente, o impacto da crise j\u00e1 come\u00e7a a desfazer na consci\u00eancia dos trabalhadores aquela vis\u00e3o de que o Brasil \u00e9 diferente do resto do mundo. A depender dos ritmos do agravamento da situa\u00e7\u00e3o internacional, os novos cap\u00edtulos da crise poder\u00e3o ser mais quentes na luta de classes brasileira, assim como j\u00e1 est\u00e1 sendo na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PROPOSTAS PARA UM PROGRAMA DOS TRABALHADORES CONTRA A CRISE<\/strong><\/p>\n<p>1) N\u00e3o \u00e0s demiss\u00f5es! Lutar para impor uma lei que pro\u00edba as demiss\u00f5es e readmita os demitidos!<\/p>\n<p>2) Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/p>\n<p>3) Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o das empresas que demitirem, amea\u00e7arem fechar ou se transferirem!<\/p>\n<p>4) Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale e demais empresas privatizadas sob controle dos trabalhadores, sem indeniza\u00e7\u00e3o e com readmiss\u00e3o dos demitidos!<\/p>\n<p>5) N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer. Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p>6) Estatiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro sob controle dos trabalhadores!<\/p>\n<p>7) Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores. Fim do latif\u00fandio e do agro-neg\u00f3cio. Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>8) Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/p>\n<p>9) Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<div id=\"node-136\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Fus\u00f5es de bancos provocar\u00e3o mais desemprego<\/h1>\n<div id=\"node-137\">\n<div>\n<p>Ao longo do ano de 2008, quando a crise econ\u00f4mica come\u00e7ou a despontar nos notici\u00e1rios com o nome de \u201ccrise financeira\u201d, foram anunciados v\u00e1rios processos de fus\u00e3o entre grandes bancos brasileiros. Uma dessas fus\u00f5es, a compra do ABN\/Real pelo Santander, resulta de um processo que re\u00fane dois bancos internacionais que operam no mercado brasileiro, afetando cerca de 50 mil funcion\u00e1rios brasileiros que trabalham nessas institui\u00e7\u00f5es. O evento mais bomb\u00e1stico foi a fus\u00e3o entre Ita\u00fa e Unibanco, 2\u00ba e 5\u00ba maiores bancos do Brasil, respectivamente, que formariam o maior conglomerado banc\u00e1rio brasileiro, com mais de 4.100 ag\u00eancias e 100 mil funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Para responder a esse novo gigante, ocorreu a estranha compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, um processo em que uma empresa controlada pelo governo federal compra uma empresa do governo do Estado. O BB passaria a ter mais de 100 mil funcion\u00e1rios no seu quadro e ficaria perto de voltar a ser o maior em ativos. A estranheza s\u00f3 se dissipa quando se observa mais de perto o funcionamento do Banco do Brasil, que deixou de ser um banco p\u00fablico para disputar mercado com os bancos privados, adotando as mesmas pr\u00e1ticas de superexplora\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios, p\u00e9ssimos servi\u00e7os e altas tarifas.<\/p>\n<p>Com as fus\u00f5es, passaria a haver sobreposi\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es entre funcion\u00e1rios de uma mesma empresa, em especial nos departamentos administrativos e de suporte. Em outras palavras, passaria a haver um excesso de funcion\u00e1rios, os quais seriam demitidos. Essa \u00e9 a amea\u00e7a concreta representada pelas fus\u00f5es. Num primeiro momento, os banqueiros negam as demiss\u00f5es, para ficar de bem com a opini\u00e3o p\u00fablica. Mas no m\u00e9dio e longo prazo, a hist\u00f3ria de concentra\u00e7\u00e3o no mercado banc\u00e1rio brasileiro mostra que o destino do \u201cexcesso\u201d de funcion\u00e1rios \u00e9 de fato a demiss\u00e3o, ao inv\u00e9s de ser, por exemplo, o aproveitamento nas ag\u00eancias para melhorar o atendimento ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>O movimento sindical nacional da categoria banc\u00e1ria, hegemonizado pela Contraf\/CUT (PT), n\u00e3o est\u00e1 organizando a luta dos trabalhadores contra as fus\u00f5es. Para n\u00e3o se chocar com o governo do PT, a Contraf\/CUT n\u00e3o contesta a l\u00f3gica de banco privado com que funciona o BB e muito menos a concentra\u00e7\u00e3o monopolista do setor banc\u00e1rio brasileiro. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o, tanto para os banc\u00e1rios como para a sociedade, \u00e9 a luta pela estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Governo Lula quer privatizar os Correios<\/h1>\n<div id=\"node-138\">\n<div>\n<p>O governo Lula preparou um presente nada agrad\u00e1vel para os trabalhadores dos Correios, instaurando o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) sob a desculpa de \u201cmodernizar\u201d a empresa, mas com objetivo de dar continuidade a privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o primeiro projeto que aponta no sentido de privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios. Isso vem ocorrendo desde o fim dos anos 80, quando a dire\u00e7\u00e3o dos Correios contratou uma empresa de terceiriza\u00e7\u00e3o dos carteiros. Depois foi a concess\u00e3o das franquias, e por \u00faltimo a terceiriza\u00e7\u00e3o da frota de ve\u00edculos. Em todos os casos, as medidas consistiram em passar para a iniciativa privada servi\u00e7os prestados pelos Correios, quebrando, com isso, o Monop\u00f3lio Postal.<\/p>\n<p>Her\u00f3icas lutas da categoria conseguiram impedir a continuidade da transfer\u00eancia de servi\u00e7os para o setor privado. A terceiriza\u00e7\u00e3o do setor de transportes ainda n\u00e3o foi revertida, porque a empresa iniciou o processo em um momento de refluxo da categoria e hoje a maior parte da frota \u00e9 terceirizada.<\/p>\n<p>O grave de tudo isso \u00e9 que esse processo conta com a coniv\u00eancia da governista FENTECT (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Correios) e dos sindicatos dirigidos pela CUT ou pela CTB. As \u00faltimas lutas da categoria j\u00e1 tinham se deparado com a necessidade de, al\u00e9m de enfrentar a dire\u00e7\u00e3o da empresa e o governo, tamb\u00e9m lutar contra a dire\u00e7\u00e3o do sindicato e da Federa\u00e7\u00e3o, que vivem\u00a0 para sabotar a luta dos ecetistas.<\/p>\n<p>Para o pr\u00f3ximo per\u00edodo, est\u00e1 colocado o desafio de sairmos \u00e0 luta contra a privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios, e isso significa que nossa luta vai ter que ter quantidade e tamb\u00e9m qualidade.<br \/>\n\u00c9 preciso, desde j\u00e1, organizar uma ampla campanha de defesa do car\u00e1ter p\u00fablico e estatal dos correios. Para n\u00f3s, \u00e9 fundamental que essa luta coloque no horizonte a necessidade de que os Correios fiquem sob controle dos trabalhadores, \u00fanica forma de garantir o car\u00e1ter p\u00fablico da empresa e estar \u00e0 servi\u00e7o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A CONLUTAS realizou um semin\u00e1rio dia 17 e 18 de Janeiro \u00faltimo, onde reuniu lutadores de v\u00e1rios setores da grande S\u00e3o Paulo, do estado e tamb\u00e9m de outros estados. Para n\u00e3o decidir de cima pra baixo, ficou acertado que ser\u00e3o feitas reuni\u00f5es com a base nos setores para discutirmos formas de lutas para barrarmos esse processo.<\/p>\n<p>Para avan\u00e7ar nessa campanha propomos as seguintes medidas: Promover reuni\u00f5es com a base nos setores, convocar encontros regionais e estaduais de base preparando para um grande encontro nacional de base para que possamos reorganizar a categoria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Unidade com CUT e For\u00e7a Sindical?<\/h1>\n<div id=\"node-139\">\n<div>\n<h3>Chamado \u00e0 unidade com a CUT e For\u00e7a Sindical, ajuda ou atrapalha o desenvolvimento da consci\u00eancia dos trabalhadores<\/h3>\n<p>H\u00e1 alguns dias, a Conlutas enviou uma Carta \u00e0s centrais sindicais que diz: \u201cConstruamos a unidade na luta em defesa do emprego, contra a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e dos direitos dos trabalhadores\u201d&#8230;<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos ser necess\u00e1rio, e poss\u00edvel, a unidade concreta na luta contra as demiss\u00f5es e \u00e0 resist\u00eancia dos trabalhadores que est\u00e3o em curso&#8230; E que realizemos um Dia Nacional de Protesto, com paralisa\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds, e que possa apontar para a prepara\u00e7\u00e3o de formas de luta mais radicalizadas, como a Greve Geral.\u201d<br \/>\nOra, em princ\u00edpio, ningu\u00e9m seria contra a unidade, mesmo limitada a apenas um ponto \u2013 a luta contra as demiss\u00f5es \u2013\u00a0 desde que essas centrais estivessem demonstrando uma disposi\u00e7\u00e3o m\u00ednima de lutar contra as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que elas est\u00e3o fazendo o oposto: n\u00e3o apenas barram as mobiliza\u00e7\u00f5es, como defendem um programa de apoio \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es dos patr\u00f5es de pedir dinheiro ao estado, redu\u00e7\u00e3o de jornada com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, PDV\u2019s (Plano de Demiss\u00f5es Volunt\u00e1rias), suspens\u00e3o tempor\u00e1ria de contratos de trabalho, antecipa\u00e7\u00e3o do seguro desemprego, flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos em troca de alguns meses a mais de emprego e depois &#8230;demiss\u00e3o do mesmo jeito.<\/p>\n<p>E essas centrais fazem sua propaganda aos quatro ventos. N\u00e3o h\u00e1 confus\u00e3o quanto ao que elas defendem. A confus\u00e3o na cabe\u00e7a dos trabalhadores \u00e9 sobre a exist\u00eancia ou n\u00e3o de outra sa\u00edda&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que a CONLUTAS deveria estar intervindo com toda a for\u00e7a, desmascarando a trai\u00e7\u00e3o dessas centrais e apresentando um outro rumo aos trabalhadores.<br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 justamente a necessidade de disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores contra essas sa\u00eddas propostas pelas centrais pelegas, e n\u00e3o cham\u00e1-las para uma luta conjunta que n\u00e3o tem a menor possibilidade de se realizar, j\u00e1 que o programa dessas entidades \u00e9 patronal e governista \u2013 a n\u00e3o ser que a CONLUTAS ceda ao programa dessas centrais, o que n\u00e3o est\u00e1 colocado.<\/p>\n<p>Ao fazer esse chamado insistente e descolado da realidade, \u00e0s centrais pelegas, O PSTU faz com que a CONLUTAS perca uma\u00a0 grande oportunidade de se diferenciar e apresentar um perfil claro e completamente oposto ao das centrais servis. Isso em nada contribui para que a classe trabalhadora possa romper definitivamente com esses entraves ao movimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Outra defasagem: a aus\u00eancia de uma discuss\u00e3o mais qualificada junto aos trabalhadores<\/h3>\n<p>Por sinal, a aus\u00eancia de uma interven\u00e7\u00e3o mais qualificada junto aos trabalhadores, a fim de contribuir para elevar seu n\u00edvel de consci\u00eancia, tem sido uma marca constante da atua\u00e7\u00e3o que o PSTU vem imprimindo \u00e0 CONLUTAS.<\/p>\n<p>Para ficar apenas em uma defasagem elementar, at\u00e9 agora n\u00e3o tivemos nenhum material nacional em quantidade massiva que possa ser distribu\u00eddo aos milh\u00f5es entre os trabalhadores e estudantes, colocando a posi\u00e7\u00e3o de nossa entidade e fazendo o contraponto com as centrais pelegas. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve o chamado \u00e0s reuni\u00f5es das inst\u00e2ncias de base como as estaduais e regionais da CONLUTAS.<\/p>\n<p>Essa defasagem de trabalho ideol\u00f3gico pr\u00e1tico junto aos trabalhadores \u00e9 muito grave, porque n\u00e3o combate a fundo as falsas id\u00e9ias apresentadas pelo sistema.<\/p>\n<p>Um exemplo disso s\u00e3o as 802 demiss\u00f5es na GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, onde o\u00a0 sindicato \u00e9 dirigido pela CONLUTAS. N\u00e3o puderam ser evitadas, pois os pr\u00f3prios trabalhadores da f\u00e1brica e da regi\u00e3o n\u00e3o se dispuseram a ir \u00e0 greve. Pode-se apontar outros motivos, mas isso tamb\u00e9m demonstra a falta de um trabalho ideol\u00f3gico mais qualificado, mesmo em um sindicato dirigido h\u00e1 muitos anos pelo setor majorit\u00e1rio na CONLUTAS. O lema \u201cdemitiu, parou\u201d demonstrou-se imediatista demais perante a campanha ideol\u00f3gica dos patr\u00f5es e da m\u00eddia, pois chamava a uma a\u00e7\u00e3o s\u00f3 depois do ataque.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave, pois na Schrader Bridgeport Brasil, outra f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9, a patronal est\u00e1 pressionando o sindicato a aceitar a redu\u00e7\u00e3o de jornada com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios em 20%, utilizando-se de um documento assinado pelos empregados.<br \/>\nPode-se alegar as dificuldades do isolamento, mas esses dois exemplos mostram claramente a dificuldade de os trabalhadores enfrentarem a crise desprovidos de uma sa\u00edda mais de fundo, sem uma consci\u00eancia anticapitalista e socialista. E, lamentavelmente, a esquerda em geral e o PSTU em particular n\u00e3o tem respondido \u00e0 altura essa necessidade.<\/p>\n<p>Por isso, alertamos para a import\u00e2ncia de uma ampla campanha de agita\u00e7\u00e3o e propaganda junto \u00e0 classe trabalhadora, n\u00e3o para chamar uma unidade artificial com as centrais pelegas, mas para chamar a unidade na luta por uma alternativa dos trabalhadores contra a crise e o capitalismo.<\/p>\n<p>Juntamente ao chamado e a solidariedade \u00e0s lutas em curso, \u00e9 preciso apresentar um programa que parta das reivindica\u00e7\u00f5es imediatas \u2013 a primeira delas: o emprego \u2013 e v\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de que os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es de luta assumam o controle da riqueza social, pois s\u00e3o os \u00fanicos que podem apresentar uma solu\u00e7\u00e3o real para a crise econ\u00f4mica, social e ambiental.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Um chamado \u00e0 Esquerda: unidade para construir uma sa\u00edda dos trabalhadores<\/h1>\n<div id=\"node-141\">\n<h3>POR UM ENCONTRO NACIONAL ANTI-PATRONAL E ANTI-GOVERNISTA PARA ORGANIZAR A RESIST\u00caNCIA E APRESENTAR UMA SA\u00cdDA DOS TRABALHADORES!<\/h3>\n<p>Para se colocar \u00e0 altura dos acontecimentos, os p\u00f3los de aglutina\u00e7\u00e3o da esquerda combativa \u2013 como a CONLUTAS e a INTERSINDICAL, que n\u00e3o capitularam aos empres\u00e1rios e governos \u2013 devem somar for\u00e7a e fazer um amplo chamado a um Encontro Nacional dos Trabalhadores, anti-governista e de luta em defesa do emprego, do sal\u00e1rio e da moradia, contra as investidas empresariais e governamentais. Esse Encontro pode se constituir um grande fato pol\u00edtico para a classe trabalhadora e se tornar uma refer\u00eancia centralizada para as lutas deste pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Propomos que esse Encontro seja precedido de Encontros Regionais, como forma de prepara\u00e7\u00e3o e aglutina\u00e7\u00e3o para dar respostas aos problemas locais.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos nos esquecer que a realiza\u00e7\u00e3o do Encontro de mar\u00e7o de 2007 \u2013 que aprovou um calend\u00e1rio de luta, com a participa\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria da esquerda em v\u00e1rios momentos daquele ano \u2013, foi fundamental para que as demais centrais se sentissem pressionadas e exigissem do governo Lula o adiamento da Reforma da Previd\u00eancia, tal como estava prevista.<br \/>\nNo entanto, e j\u00e1 naquele momento, foi somente a partir de uma grande press\u00e3o dos trabalhadores e ativistas de base que as dire\u00e7\u00f5es da CONLUTAS e da INTERSINDICAL concordaram em convocar esse Encontro Nacional, que se demonstrou vitorioso.<\/p>\n<p>Hoje, estamos numa situa\u00e7\u00e3o em que se faz mais necess\u00e1ria ainda a unidade dos trabalhadores para enfrentar os ataques que os governos e a patronal est\u00e3o deferindo sobre n\u00f3s. \u00c9 urgente a constru\u00e7\u00e3o de um p\u00f3lo unit\u00e1rio de refer\u00eancia para os trabalhadores \u2013 n\u00e3o apenas nas lutas imediatas, mas tamb\u00e9m para discutir e aprovar um Programa M\u00ednimo contra a crise \u2013,\u00a0 que represente uma sa\u00edda dos trabalhadores contra os recursos tramados pela patronal, juntamente \u00e0s centrais pelegas.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o Semin\u00e1rio de meio per\u00edodo realizado em Bel\u00e9m por ocasi\u00e3o do F\u00f3rum Social Mundial, e que contou com a participa\u00e7\u00e3o de 800 pessoas, \u00e9 um passo adiante na retomada da unidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esse Semin\u00e1rio n\u00e3o substitui a necessidade de um Encontro Nacional muito mais amplo, pois diante do agravamento da crise e dos ataques contra os trabalhadores \u00e9 preciso organizar algo muito maior e constru\u00eddo pela base.<\/p>\n<p>Esse Encontro deve ser realizado em S\u00e3o Paulo ou outro estado do sudeste \u2013 principal foco das demiss\u00f5es e p\u00f3lo de concentra\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u2013, e assim reunir um conjunto mais abrangente e representativo de entidades e ativistas que n\u00e3o puderam estar em Bel\u00e9m.<br \/>\nSomente um Encontro preparado a partir da base pode expressar a diversidade dos movimentos e entidades existentes, bem como o envolvimento real nas discuss\u00f5es e decis\u00f5es, coisa que muitas vezes n\u00e3o acontece na esquerda e que \u00e9 extremamente importante no momento atual.<br \/>\nH\u00e1 uma necessidade de os trabalhadores e ativistas serem sujeitos decisivos de suas lutas, e n\u00e3o apenas cumpridores de decis\u00f5es vindas de cima. At\u00e9 porque, na maioria das vezes, essas decis\u00f5es n\u00e3o refletem as necessidades reais do proletariado.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Nacional n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o imediata de um Dia Nacional de Luta. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 poss\u00edvel encaminhar as lutas e simultaneamente preparar os Encontros Regionais e Nacional.<\/p>\n<p>Da mesma forma, um Encontro Nacional n\u00e3o se op\u00f5e aos passos necess\u00e1rios para a unifica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 amplamente defendida nestas p\u00e1ginas, entre CONLUTAS e INTERSINDICAL. No entanto, dadas as diverg\u00eancias entre as duas entidades e os debates de concep\u00e7\u00e3o colocados, a unifica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necessariamente mais demorada, enquanto a luta contra os ataques do capital \u00e9 de m\u00e1xima urg\u00eancia e deve ser travada agora e com a participa\u00e7\u00e3o de todos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 setores de base de outras centrais que podem estar insatisfeitos e queiram se somar nesse processo de luta.<\/p>\n<p>Assim, por todos os \u00e2ngulos com que se reflita, a realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Nacional aparece como necessidade pr\u00e1tica imposterg\u00e1vel da luta dos trabalhadores.<br \/>\nCuriosamente por\u00e9m, at\u00e9 agora nem a dire\u00e7\u00e3o da CONLUTAS \u2013 formada majoritariamente pelo PSTU \u2013 nem a da INTERSINDICAL \u2013 hegemonizada por correntes do PSOL \u2013 apresentaram essa proposta. Isso \u00e9 estranho, uma vez que todos afirmam defender a unidade e a democracia de base. Este \u00e9 um grave erro das grandes correntes e devemos lutar de todas as formas para que seja revertido.<\/p>\n<p>Para tanto, o Espa\u00e7o Socialista chama todos os ativistas, tanto organizados como independentes, a se somarem a n\u00f3s no esfor\u00e7o\u00a0 pela realiza\u00e7\u00e3o desse Encontro Nacional, precedido de Encontros Regionais.<\/p>\n<p>No ABC, local duramente castigado pelas demiss\u00f5es e onde o Espa\u00e7o Socialista tem maior inser\u00e7\u00e3o, j\u00e1 est\u00e3o sendo dados os passos para a realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Regional\u00a0 de lutadores, a partir do envolvimento da subsede da APEOESP &#8211; Santo Andr\u00e9 e outras entidades e correntes da regi\u00e3o.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<h1>O proletariado europeu mostra o caminho<\/h1>\n<div>\n<div>\n<p>Os dados oficiais dos pa\u00edses europeus\u00a0confirmam\u00a0o que os trabalhadores j\u00e1 detectaram na pr\u00e1tica h\u00e1 muito tempo: h\u00e1 uma grave crise econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p>Um recente documento da Comiss\u00e3o da Comunidade Europ\u00e9ia (composta por 27 pa\u00edses) \u00e9 enf\u00e1tico:\u00a0<i>\u201c<\/i><i>a crise financeira ainda n\u00e3o cessou e j\u00e1 est\u00e1 a degenerar numa grave desacelera\u00e7\u00e3o da economia no seu conjunto, afectando as fam\u00edlias, as empresas e o emprego\u201d\u00a0<\/i>e ainda<i>\u00a0\u201cA desacelera\u00e7\u00e3o da actividade econ\u00f3mica afectar\u00e1 as fam\u00edlias e as camadas mais vulner\u00e1veis das nossas sociedades, fazendo j\u00e1 sentir os seus efeitos em termos de desemprego\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Sob o ponto de vista dos trabalhadores, o texto \u00e9 explicito: os efeitos da crise\u00a0afetam diretamente\u00a0a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante do documento \u00e9 o reconhecimento, j\u00e1 em outubro de 2008, de que a crise n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 financeira e muito menos isolada,\u00a0pois atinge a\u00a0economia capitalista de conjunto:\u00a0<i>\u201cA crise financeira suscitou quest\u00f5es de governa\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mundial, que ultrapassam o sector financeiro\u201d.<\/i><\/p>\n<p>A novidade dessa nova crise capitalista \u00e9 o fato de estar no cora\u00e7\u00e3o do sistema, com pa\u00edses centrais enfrentando grandes dificuldades e adotando medidas que,\u00a0sob o pretexto de ajudar o povo,\u00a0utilizam\u00a0bilh\u00f5es de dinheiro p\u00fablico para salvar as empresas e bancos.<\/p>\n<p>O sistema financeiro de v\u00e1rios pa\u00edses do continente recebeu socorro dos governos com a inje\u00e7\u00e3o de bilh\u00f5es de euros. O endividamento do Estado tem se tornado um grave problema nas principais economias.<\/p>\n<p>Nenhum analista burgu\u00eas e nem os governos negam mais: A Europa, que ocupa papel fundamental na economia capitalista, est\u00e1 em recess\u00e3o. Dados oficiais, divulgados no in\u00edcio desse ano, apontam\u00a0para um aprofundamento da crise,pois Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Inglaterra, Alemanha, Espanha,etc apresentaram retra\u00e7\u00e3o na economia.<\/p>\n<p>E a crise tem uma outra conseq\u00fc\u00eancia: o aumento da competitividade no mercado mundial. Com isso o imperialismo europeu aprofunda os ataques sobre as conquistas dos trabalhadores para reduzir custos com a produ\u00e7\u00e3o, o que lhe permite melhores condi\u00e7\u00f5es na competi\u00e7\u00e3o por novos mercados.<\/p>\n<p>Destacamos tamb\u00e9m que esse processo ocorre no conjunto dos pa\u00edses da Europa, sejam centrais ou perif\u00e9ricos com desigualdades ou ritmos distintos, mas n\u00e3o significa que estejam \u201cdescolados\u201d desse processo mais geral. Essas desigualdades n\u00e3o anulam a caracteriza\u00e7\u00e3o fundamental de que todos, em maior ou menor grau, s\u00e3o parte dessa crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>tanto l\u00e1 quanto c\u00e1, os<\/b><b>\u00a0trabalhadores s\u00e3o as v\u00edtimas<\/b><\/h3>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o capitalista para a crise passa por adotar medidas que garantam a manuten\u00e7\u00e3o do lucro. Dois mecanismos principais t\u00eam\u00a0sido adotados para a preserva\u00e7\u00e3o das\u00a0empresas: 1)a interven\u00e7\u00e3o do Estado (desmascarando de vez o neoliberalismo de que o Estado n\u00e3o deve intervir na economia) com libera\u00e7\u00e3o de verbas p\u00fablicas para bancos e empresas, ou na forma de incentivo fiscal ou mesmo de aplica\u00e7\u00e3o direta como a compra de a\u00e7\u00f5es e pap\u00e9is podres. 2) A aplica\u00e7\u00e3o direta, por parte de empresas e governos, de a\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0que atinjam os direitos trabalhistas (como redu\u00e7\u00e3o\u00a0de jornada\u00a0com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, por exemplo) e aumente as demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Destacamos duas quest\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao desemprego nesse per\u00edodo: 1)grande parte das demiss\u00f5es \u00e9 promovida por empresas\/bancos que recebem ajuda do Estado; 2) Essa elimina\u00e7\u00e3o de postos de trabalho \u00e9 uma das caracter\u00edsticas centrais e atuais do capital, pois o aumento do desemprego estrutural est\u00e1 aliado ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico e as novas formas de gerenciamento aplicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e fazem com que se reduza drasticamente o trabalho humano.<\/p>\n<p>Podemos observar melhor esta din\u00e2mica atrav\u00e9s dos n\u00fameros apresentados no relat\u00f3rio\u00a0<i>Tend\u00eancias mundiais de emprego em 2009<\/i>\u00a0da \u201csuspeita\u201d OIT que aponta para o fechamento de 50 milh\u00f5es de postos de trabalho nesse ano, o que elevaria para 230 milh\u00f5es de pessoas desempregadas no mundo. Al\u00e9m dos n\u00fameros que evidenciam a situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria no planeta, pois de 3 bilh\u00f5es de pessoas empregadas: 1,3 bilh\u00e3o ganha at\u00e9 2 d\u00f3lares di\u00e1rios e 489,7 milh\u00f5es ganham menos de 1 d\u00f3lar por dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>o velho continente presencia uma nova onda de lutas<\/b><\/h3>\n<p>Na Europa o desemprego n\u00e3o p\u00e1ra de crescer.Dados das ag\u00eancias oficiais apresentam: Na Alemanha s\u00e3o mais de 3,2 milh\u00f5es de desempregados podendo chegar a 4 milh\u00f5es em menos de 1 ano; na Espanha os desempregados tamb\u00e9m j\u00e1 passaram dos 3 milh\u00f5es; Na Inglaterra a expectativa \u00e9 de que em 2010 ser\u00e3o mais de 3 milh\u00f5es,50% maior que o n\u00famero de 2008. Na Fran\u00e7a existem mais de 2 milh\u00f5es de desempregados. Nos pa\u00edses do antigo \u201cbloco sovi\u00e9tico\u201d o desemprego m\u00e9dio \u00e9 de 10%. Apesar dos governos negarem,\u00a0a tend\u00eancia geral \u00e9 que o desemprego continue aumentando, pois todos os dias os grandes monop\u00f3lios\/oligop\u00f3lios imperialistas continuam informando milhares de cortes de postos de trabalho.<\/p>\n<p>A crise, a amea\u00e7a de desemprego e os ataques que a burguesia\u00a0\u00a0est\u00e1 desferindo contra os trabalhadores\u00a0est\u00e3ocolocando em cena atores importantes da luta de classes mundial: os trabalhadores e jovens do velho continente. As lutas que a juventude europ\u00e9ia protagoniza e as recentes manifesta\u00e7\u00f5es do proletariado europeu\u00a0s\u00e3o\u00a0apenas demonstra\u00e7\u00f5es da cria\u00e7\u00e3o de novas possibilidades para luta de nossa classe.<\/p>\n<p>Essas lutas representam a continuidade de um processo anterior que vinha se desenvolvendo j\u00e1 h\u00e1 algum tempo:<\/p>\n<p><b>B\u00e9lgica<\/b>: no m\u00eas de outubro os trabalhadores \u2013 p\u00fablicos e privados \u2013\u00a0\u00a0desencadearam a mais importante luta dos \u00faltimos\u00a0tempos. A paralisa\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou trabalhadores metal\u00fargicos, dos Correios, do transporte p\u00fablico, da ind\u00fastria automobil\u00edstica Audi e dos supermercados Carrefour. O destaque \u00e9 que essa luta ocorreu\u00a0mesmo com as\u00a0dire\u00e7\u00f5es sindicais\u00a0defendendo apenas mobiliza\u00e7\u00f5es para \u201cpressionar\u201d o governo.<\/p>\n<p><b>Na Fran\u00e7a<\/b>, tamb\u00e9m no m\u00eas de outubro, trabalhadores da Renault da regi\u00e3o de\u00a0Sandouville realizaram uma importante greve contra a demiss\u00e3o de 1000 trabalhadores. Um fato interessante foi essa greve obrigar Sarkozi a cancelar uma viagem programada para essa f\u00e1brica, sob a alega\u00e7\u00e3o de \u201cque n\u00e3o \u00e9 conveniente ir a uma f\u00e1brica em luta\u201d. O processo de mobiliza\u00e7\u00e3o se estendeu para dezembro com a luta de estudantes e professores contra uma proposta francesa de reforma no ensino secund\u00e1rio que,\u00a0entre outras coisas,\u00a0geraria o saldo de mais de\u00a013 mil demiss\u00f5es de professores.<\/p>\n<p>Essas mobiliza\u00e7\u00f5es, na mesma \u00e9poca em que ocorriam na Gr\u00e9cia, obrigaram o governo franc\u00eas a recuar nessa reforma e nas discuss\u00f5es sobre flexibiliza\u00e7\u00e3o de leis trabalhistas.<\/p>\n<p>O ano de 2009 come\u00e7a com v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es de sem-teto, metal\u00fargicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Nesse contexto de surgimento de movimentos sociais destacam-se grupos de desempregados e trabalhadores denominados de &#8220;Robin Wood dos supermercados&#8221; que se re\u00fanem para saquear supermercados em Paris e outras cidades, como Rennes e Grenoble e depois distribuir para os pobres.<\/p>\n<p>Esse processo de lutas culminou em 29\/02 em uma greve geral de trabalhadores do setor p\u00fablico e privado e do movimento estudantil. Paralisou diversas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e teve a ades\u00e3o do setor de transportes. A greve foi motivada, al\u00e9m do ac\u00famulo das tens\u00f5es anteriores, pela tentativa do Governo Franc\u00eas de impor aos trabalhadores uma reforma previdenci\u00e1ria que tem em sua pauta, inclusive, a eleva\u00e7\u00e3o do tempo de contribui\u00e7\u00e3o, e busca retirar dos trabalhadores vit\u00f3rias h\u00e1 muito conquistadas.<\/p>\n<p>Com a participa\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o e meio de trabalhadores esta\u00a0\u00a0manifesta\u00e7\u00e3o transformou-se em uma das maiores dos \u00faltimos anos. Condena-se n\u00e3o s\u00f3 a gest\u00e3o da crise por Nicolas Sarkozy, mas tamb\u00e9m os pr\u00f3prios fundamentos da solu\u00e7\u00e3o capitalista para as crises, que reserva ao trabalhador a mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter massivo e unit\u00e1rio da greve \u2013 que contou com trabalhadores das empresas automobil\u00edsticas, da constru\u00e7\u00e3o civil, banc\u00e1rios, qu\u00edmicos, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, trabalhadores dos Correios, de hospitais e estudantes &#8211; \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o importante de que o proletariado est\u00e1 percebendo a necessidade de lutas unificadas pela defesa da classe e serve de indicativo para os demais trabalhadores do mundo de como devemos enfrentar a crise.<\/p>\n<p>No m\u00eas de dezembro a\u00a0<b>Espanha<\/b>\u00a0tamb\u00e9m foi sacudida por mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis contra o \u201cplano Bolonha\u201d, uma reforma universit\u00e1ria que abre a possibilidade de privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. Antes, em novembro, os trabalhadores da Nissam j\u00e1 haviam realizado uma importante mobiliza\u00e7\u00e3o contra a demiss\u00e3o de mais de 1600 trabalhadores e com a invas\u00e3o da sede da empresa.<\/p>\n<p>Outro importante processo de mobiliza\u00e7\u00e3o foi o protagonizado pelos estudantes, professores e pais de alunos na\u00a0<b>It\u00e1lia<\/b>contra a lei Gelmini (ministra da Educa\u00e7\u00e3o) que corta quase 8 bilh\u00f5es de euros das verbas para a Educa\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a de desemprego 130 mil professores nos pr\u00f3ximos anos com a redu\u00e7\u00e3o para 1 professor por sala (desde a d\u00e9cada de 70 s\u00e3o tr\u00eas professores por sala de aula no ensino prim\u00e1rio), separa em classes distintas imigrantes e italianos e inicia um processo de privatiza\u00e7\u00e3o das universidades. Somente em Roma as mobiliza\u00e7\u00f5es reuniram mais de 1 milh\u00e3o de pessoas, al\u00e9m de manifesta\u00e7\u00f5es em cidades importantes como Mil\u00e3o, Sic\u00edlia, Turin e outras. Mas infelizmente o governo de Berlusconi conseguiu impor essa reforma e o movimento retrocedeu.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, a mais importante mobiliza\u00e7\u00e3o do velho continente ocorreu na\u00a0<b>Gr\u00e9cia<\/b>\u00a0no m\u00eas de dezembro. Iniciada contra o assassinato pela pol\u00edcia do jovem Alexis Grigoropoulos logo se espalhou por v\u00e1rias cidades. Atenas era o centro e a \u201cgota d\u2019\u00e1gua\u201d para os protestos foi a\u00e7\u00e3o covarde da pol\u00edcia. A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica \u2013 com milhares de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza e um alto n\u00edvel de desemprego que, oficialmente, alcan\u00e7ou 23% &#8211; colocou a juventude como principal v\u00edtima. A maioria dos jovens quando terminam seus estudos n\u00e3o conseguem emprego e quando conseguem os sal\u00e1rios n\u00e3o passam dos 600 euros, constituindo o que os gregos chamam de \u201cgera\u00e7\u00e3o dos 600 euros\u201d.<\/p>\n<p>Expressando um processo muito mais profundo de descontentamento social as mobiliza\u00e7\u00f5es logo se espalharam e v\u00e1rias categorias se incorporaram \u00e0 luta com a realiza\u00e7\u00e3o de greves e manifesta\u00e7\u00f5es em conjunto com os estudantes, o que constituiu uma importante alian\u00e7a para a luta e permitiu car\u00e1ter\u00a0de classe mais definido.\u00a0O \u00e1pice desse processo foi a greve geral de\u00a0\u00a010 de dezembro, que paralisou os principais centros econ\u00f4micos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>uma vit\u00f3ria dos trabalhadores da europa pode ser decisiva<\/b><\/h3>\n<p>A vit\u00f3ria dos trabalhadores europeus, pela sua for\u00e7a pol\u00edtica e social, \u00e9 decisiva para a luta de classes em n\u00edvel mundial. Uma burguesia poderosa, como a da Europa, merece um proletariado poderoso que em movimento coloca uma nova perspectiva para a luta dos trabalhadores no mundo. Est\u00e1 nos pa\u00edses imperialistas\u00a0a principal frente de batalha do proletariado mundial. Na luta de classes podemos dizer que os ventos do norte movem moinhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o acreditamos que se tenha apagado da mem\u00f3ria dos trabalhadores europeus os feitos her\u00f3icos e hist\u00f3ricos que seus antepassados protagonizaram. As revolu\u00e7\u00f5es do in\u00edcio do s\u00e9culo XX\u00a0foram\u00a0vit\u00f3rias espetaculares sobre a burguesia e o imperialismo.<\/p>\n<p>Assim, acreditamos que no pr\u00f3ximo per\u00edodo o proletariado europeu continuar\u00e1 no caminho das lutas. Ser\u00e3o\u00a0lutas de vida ou morte, pois ou avan\u00e7aremos nas nossas lutas ou deixaremos o caminho para a burguesia jogar sobre as nossas costas os custos da crise por ela\u00a0provocada. Como em todas as crises a sa\u00edda para o capitalismo tem sido o aumento da barb\u00e1rie e da mis\u00e9ria de popula\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n<p>A crise, por ser global, envolve todos os pa\u00edses,\u00a0tanto\u00a0de economia imperialista\u00a0quanto os\u00a0de economia dependente. O capital \u00e9 \u00fanico. A crise \u00e9 \u00fanica em todo o mundo e nos possibilita afirmar que o respons\u00e1vel por seus efeitos devastadores \u00e9 o sistema capitalista.<\/p>\n<p>Sendo assim, cada luta de trabalhadores que acontece no mundo \u00e9 a nossa luta. Somemo-nos em cada uma delas com solidariedade e apoio. Fortalecemos cada uma delas colocando-nos em movimento. Unimo-nos em cada luta para destruirmos o que n\u00e3o serve mais e para construirmos uma sociedade socialista.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo9\"><\/a><\/p>\n<h1>Estados Unidos: muda o chefe, mas o inimigo \u00e9 o mesmo<\/h1>\n<div>\n<p><strong>Obama e a crise<\/strong><\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Obama responde a uma necessidade do imperialismo estadunidense de recuperar sua legitimidade pol\u00edtica e reconstruir a coes\u00e3o ideol\u00f3gica em torno da id\u00e9ia da viabilidade do capitalismo, no momento mesmo em que o sistema \u00e9 desafiado por uma de suas mais s\u00e9rias crises. A fun\u00e7\u00e3o da \u201cObamamania\u201d que tomou conta do mundo \u00e9 prover um substituto ideol\u00f3gico para o neoliberalismo, cuja hegemonia nas \u00faltimas d\u00e9cadas produziu uma crise t\u00e3o catastr\u00f3fica, que n\u00e3o h\u00e1 mistifica\u00e7\u00e3o capaz de ocultar.<\/p>\n<p>A eclos\u00e3o inevit\u00e1vel das crises peri\u00f3dicas faz com que, nos momentos em que elas apare\u00e7am \u2013 como agora \u2013, a burguesia seja obrigada a admitir a crise. N\u00e3o s\u00f3 isso, a burguesia precisa faz\u00ea-lo com grande estardalha\u00e7o, pois essa \u00e9 a \u00fanica maneira de fazer a classe trabalhadora aceitar o encargo de pagar a conta da crise. A classe trabalhadora precisa ser obrigada a aceitar passivamente as demiss\u00f5es, o rebaixamento de sal\u00e1rios, a perda de direitos, o corte de servi\u00e7os p\u00fablicos, a proibi\u00e7\u00e3o de todo protesto ou luta e at\u00e9 mesmo as guerras de exterm\u00ednio. Todas essas medidas precisam ser apresentadas como inevit\u00e1veis, pois \u201cn\u00e3o h\u00e1 outra alternativa\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, ao admitir abertamente a exist\u00eancia da crise, a burguesia corre um s\u00e9rio risco de ver questionada a pr\u00f3pria legitimidade do sistema capitalista. O discurso de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 outra alternativa\u201d pode ser contestado. Nos momentos de crise, a classe trabalhadora tem a possibilidade de perceber que o sistema capitalista n\u00e3o funciona, que tudo o que os patr\u00f5es, pol\u00edticos e intelectuais burgueses dizem \u00e9 mentira, que tudo n\u00e3o passa de uma armadilha para fazer os trabalhadores aceitarem a explora\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria. Em outras palavras, a crise abre a oportunidade para que os socialistas mostrem aos trabalhadores a necessidade de superar o capitalismo e construir um modo de produ\u00e7\u00e3o socialista e racional, voltado para o atendimento das necessidades humanas.<\/p>\n<p>Abre-se ent\u00e3o uma disputa ideol\u00f3gica, um confronto de alternativas para a humanidade. Os socialistas tem a seu favor a pr\u00f3pria realidade dos fatos, que aponta para a necessidade de superar o capitalismo e evitar o aprofundamento da mis\u00e9ria, da barb\u00e1rie e a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o da humanidade. Por seu lado, a \u00fanica arma da burguesia \u00e9 a mistifica\u00e7\u00e3o. A classe dominante precisa encontrar uma maneira de reciclar a cren\u00e7a na possibilidade do capitalismo continuar funcionando. Precisa encontrar uma maneira de dizer aos trabalhadores que n\u00e3o \u00e9 preciso lutar, que n\u00e3o \u00e9 preciso revolucionar a sociedade, que tudo pode se resolver por si mesmo. A principal maneira de dizer isso \u00e9 atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es para o Estado burgu\u00eas. Por meio da elei\u00e7\u00e3o de um novo governante, diz a burguesia, todos os problemas ser\u00e3o resolvidos.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que acontece a elei\u00e7\u00e3o de Barack Hussein Obama para a presid\u00eancia dos Estados Unidos, principal pot\u00eancia imperialista e epicentro da atual crise econ\u00f4mica. Obama \u00e9 a alternativa interna do sistema. \u00c9 o conto de fadas que ser\u00e1 impingido aos trabalhadores para que todos acreditem que, se at\u00e9 mesmo um negro pode \u201cchegar l\u00e1\u201d, ent\u00e3o ainda h\u00e1 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Obama e os negros<\/strong><\/p>\n<p>A escolha de um negro n\u00e3o \u00e9 nada casual. Os negros sempre foram o setor mais explorado e marginalizado do proletariado. Sempre foram alvo de viol\u00eancia, preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o. A divis\u00e3o dos trabalhadores em fra\u00e7\u00f5es diferenciadas a partir do elemento da cor da pele sempre foi \u00fatil para que a burguesia impedisse a uni\u00e3o da classe. A disputa entre um setor \u201cprivilegiado\u201d e um setor \u201cexclu\u00eddo\u201d pelas vagas cada vez mais escassas no mercado de trabalho faz com que a burguesia possa reduzir o pre\u00e7o geral que paga pela for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, essa dupla condi\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da classe, e opress\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da cor da pele, gera na popula\u00e7\u00e3o negra a demanda da aceita\u00e7\u00e3o e da igualdade. Essa demanda pode ser administrada pela burguesia sem que os fundamentos da divis\u00e3o de classe sejam questionados. A burguesia pode conceder uma igualdade abstrata e formal aos negros para que estes se sintam representados. Pode at\u00e9 mesmo admitir um negro como presidente do principal pa\u00eds imperialista.<\/p>\n<p>O negro Obama se tornou a esperan\u00e7a de milh\u00f5es de negros no seu pa\u00eds e no mundo inteiro. Entrou em a\u00e7\u00e3o a todo vapor o mecanismo da mistifica\u00e7\u00e3o pelo qual a classe trabalhadora do mundo inteiro, negra ou n\u00e3o, pode ser levada a acreditar nas virtudes do capitalismo e de seu regime pol\u00edtico de democracia representativa. Ao inv\u00e9s de lutar contra a divis\u00e3o da sociedade em classes, os trabalhadores passam a festejar a aceita\u00e7\u00e3o de \u201cum dos seus\u201d no lugar principal do palco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Obama e o espet\u00e1culo<\/strong><\/p>\n<p>A democracia burguesa consegue assim fazer com que a pol\u00edtica deixe de ser uma disputa substantiva entre alternativas societ\u00e1rias e passe a ser uma disputa vazia de imagens. Em vez de lutar por um outro projeto de sociedade, os trabalhadores s\u00e3o induzidos a festejar uma outra imagem de governante. Ao inv\u00e9s de se discutir o conte\u00fado de classe da pol\u00edtica (os interesses de qual classe social ela atende), passa-se a discutir a identidade do aplicador dessa pol\u00edtica. O conte\u00fado da pol\u00edtica permanece sempre o mesmo, mas a pol\u00edtica n\u00e3o discute o conte\u00fado, apenas a apar\u00eancia, reduzindo-se assim a um mero espet\u00e1culo, um jogo de cena. Obama virou um superstar, um \u201castro do rock\u201d. Sua cerim\u00f4nia de posse em 20\/01\/09 se transformou num circo para celebridades da ind\u00fastria cultural glamourizarem o novo presidente com um verniz pop. Imagens da cerim\u00f4nia circularam pelo mundo numa esp\u00e9cie de apoteose, como se o pr\u00f3prio Messias tivesse descido \u00e0 Terra.<\/p>\n<p>Espet\u00e1culos semelhantes t\u00eam se repetido tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Sul. O Chile elegeu uma mulher, a Bol\u00edvia elegeu um \u00edndio, o Paraguai elegeu um bispo e o Brasil elegeu um oper\u00e1rio. Nada disso trouxe mudan\u00e7as positivas substanciais para a vida da classe trabalhadora desses pa\u00edses, pois o sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico capitalista, baseado na apropria\u00e7\u00e3o privada do trabalho coletivo, continuou em vigor. Nenhuma dessas figuras tinha o prop\u00f3sito de abolir o capitalismo; ao contr\u00e1rio, funcionaram como instrumentos para preservar o sistema, manipulando as esperan\u00e7as dos trabalhadores e impedindo a eclos\u00e3o de lutas.<\/p>\n<p>Obama ter\u00e1 o mesmo papel dessas figuras da pol\u00edtica do espet\u00e1culo. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o fato dele ter usado em seu discurso de posse o mesmo bord\u00e3o da campanha de Lula em 2002: \u201ca esperan\u00e7a venceu o medo\u201d. Obama ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de Lula global, o gestor do ataque aos trabalhadores revestido de imagem amig\u00e1vel. O Estado \u00e9 o \u201ccomit\u00ea gestor dos neg\u00f3cios da burguesia\u201d (na defini\u00e7\u00e3o de Marx), e Obama, na qualidade de dirigente do principal Estado burgu\u00eas do planeta, foi eleito para defender os interesses do imperialismo estadunidense.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Obama e a burguesia<\/strong><\/p>\n<p>O desgaste da imagem dos Estados Unidos ao longo da administra\u00e7\u00e3o Bush e o crescimento de um sentimento \u201canti-Estados Unidos\u201d no mundo inteiro, obrigaram a burguesia a modificar sua t\u00e1tica. Um outro perfil de governante seria necess\u00e1rio para aplicar a mesma pol\u00edtica. Para produzir essa ilus\u00e3o de mudan\u00e7a sem mudar nada de fato, a burguesia tirou da cartola um pol\u00edtico do Partido Democrata. Desde o in\u00edcio da corrida eleitoral, tornou-se evidente que o pr\u00f3ximo presidente estadunidense sairia da disputa interna entre Obama e Hillary Clinton pela indica\u00e7\u00e3o do Partido Democrata. N\u00e3o por acaso, essa disputa foi uma das mais acirradas em todos os tempos e foi acompanhada com grande interesse no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Uma vez eleito, Obama buscou construir um governo de unidade da burguesia. Para o cargo de Secret\u00e1ria de Estado (equivalente ao de ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores), ele convocou nada menos do que sua rival na disputa \u00e9pica de meses atr\u00e1s, a pr\u00f3pria Hillary Clinton. Conv\u00e9m lembrar que a pol\u00edtica exterior da era Clinton foi marcada pela afirma\u00e7\u00e3o da supremacia imperial dos Estados Unidos, pelo \u201cconsenso de Washington\u201d, pela imposi\u00e7\u00e3o do neoliberalismo, pelos ataques aos direitos dos trabalhadores no mundo inteiro, pelas privatiza\u00e7\u00f5es, pelos tratados de \u201clivre com\u00e9rcio\u201d que violaram a soberania de dezenas de pa\u00edses, pela escalada do poder das transnacionais, pela desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira internacional; e tamb\u00e9m pelas interven\u00e7\u00f5es militares contra a S\u00e9rvia (ent\u00e3o Iugosl\u00e1via), a Som\u00e1lia e os bombardeios e san\u00e7\u00f5es que sangraram o Iraque \u00e0 exaust\u00e3o \u2013 tornando o pa\u00eds presa f\u00e1cil para Bush poucos anos depois. Por \u00faltimo, conv\u00e9m lembrar que foi a administra\u00e7\u00e3o Clinton que patrocinou os acordos de Oslo, pelos quais a OLP reconheceu o Estado de Israel e colocou o movimento de resist\u00eancia nacional palestino no beco sem sa\u00edda em que se encontra hoje.<\/p>\n<p>As primeiras declara\u00e7\u00f5es de Obama e Hillary sobre pol\u00edtica externa sinalizam a mudan\u00e7a do eixo da agress\u00e3o imperialista em dire\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3. Diferentemente do Afeganist\u00e3o, devastado por tr\u00eas d\u00e9cadas de conflito, e do Iraque, sucateado por mais de uma d\u00e9cada de bombardeios e bloqueio econ\u00f4mico, o Ir\u00e3 \u00e9 uma pot\u00eancia de m\u00e9dio porte, um pa\u00eds populoso, coeso, fortemente centralizado por sua dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, disposto a resistir e capaz de mobilizar amplos contingentes internacionais de combatentes para a guerra assim\u00e9trica contra o imp\u00e9rio. Na \u00faltima oportunidade em que Bush amea\u00e7ou mais diretamente o Ir\u00e3, cerca de 40 mil volunt\u00e1rios se alistaram para ser homens-bomba e explodir alvos de interesse do imperialismo pelo mundo. N\u00e3o contente com o atual atoleiro que se encontra no Iraque e no Afeganist\u00e3o \u2013 dos quais ali\u00e1s n\u00e3o vai haver t\u00e3o cedo uma retirada, apesar dessa ter sido a principal promessa de campanha de Obama \u2013, o imperialismo prepara uma cat\u00e1strofe ainda maior.<\/p>\n<p>Para o cargo de Secret\u00e1rio do Tesouro, Obama convocou Timothy Geithner, que foi dirigente da seccional de Nova York do FED (Banco Central) na era Clinton, quando a desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira produziu a bolha especulativa das empresas \u201cponto-com\u201d. Um dos principais assessores econ\u00f4micos de Obama ser\u00e1 Paul Volcker, veterano presidente do FED na era Reagan e respons\u00e1vel por uma violenta alta dos juros no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, a qual precipitou a crise da d\u00edvida externa na Am\u00e9rica Latina, arrastando v\u00e1rios pa\u00edses para a recess\u00e3o e trazendo a mis\u00e9ria para dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores.<\/p>\n<p>Como Secret\u00e1rio de Defesa, Obama manteve Robert Gates, comandante do maior aparato militar da hist\u00f3ria, nomeado por Bush em 2006 e entusiasta das invas\u00f5es do Iraque e do Afeganist\u00e3o. A manuten\u00e7\u00e3o de um Secret\u00e1rio de Defesa quando h\u00e1 mudan\u00e7a de partido na Casa Branca \u00e9 um fato in\u00e9dito na hist\u00f3ria pol\u00edtica estadunidense.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, foi criado um cargo de \u201cChief Performance Officer\u201d, para o qual foi indicada Nancy Killefer, ex-executiva da firma de consultoria McKinsey &amp; Co. A fun\u00e7\u00e3o desta representante de Wall Street no governo ser\u00e1 realizar os cortes no or\u00e7amento com os quais a nova administra\u00e7\u00e3o tentar\u00e1 combater o d\u00e9ficit p\u00fablico total que j\u00e1 chega a US$ 10,7 trilh\u00f5es. Os cortes n\u00e3o ser\u00e3o feitos no or\u00e7amento do Pent\u00e1gono de Robert Gates, naturalmente, mas nos programas de sa\u00fade p\u00fablica e bem-estar social, j\u00e1 bastante prec\u00e1rios, que atendem as fam\u00edlias pobres nos Estados Unidos \u2013 a maioria negros e latinos, justamente o grosso dos eleitores de Obama.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que Obama n\u00e3o est\u00e1 fazendo todas essas concess\u00f5es por conta da for\u00e7a pol\u00edtica do Partido Republicano. Ao contr\u00e1rio, al\u00e9m de ganhar a Casa Branca, o Partido Democrata tem folgada maioria no Senado e na C\u00e2mara dos Deputados, de modo que Obama teria condi\u00e7\u00f5es de aprovar facilmente quaisquer mudan\u00e7as que quisesse. Acontece que Obama n\u00e3o foi eleito para trazer \u201ca mudan\u00e7a que precisamos\u201d, como dizia seu slogan de campanha, mas para garantir a continuidade que o imperialismo precisa.<\/p>\n<p>Como diz a c\u00e9lebre frase do personagem de Lampedusa, a burguesia optou por \u201cmudar algo para que tudo permane\u00e7a o mesmo\u201d.<\/p>\n<p><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo10\"><\/a><\/p>\n<h1>Palestina: a her\u00f3ica resist\u00eancia de um povo<\/h1>\n<div>\n<h3>O sionismo e as origens de Israel<\/h3>\n<p>Os 22 dias de ataques a\u00e9reos e terrestres de Israel contra Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009 produziram 1.300 mortos, 5.300 feridos, 5.000 casas destru\u00eddas, 41 Mesquitas explodidas, 5 cemit\u00e9rios bombardeados, 16 pr\u00e9dios p\u00fablicos, escolas da ONU e hospitais totalmente destru\u00eddos e 80 mil desabrigados (dados dos sites<a href=\"http:\/\/www.vivapalestina.com.br\/\">www.vivapalestina.com.br<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.palestina.org\/\">www.palestinalivre.org<\/a>).<\/p>\n<p>Esse crime \u00e9 mais um cap\u00edtulo de uma longa hist\u00f3ria de invas\u00e3o territorial, roubo de terras, viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos, opress\u00e3o, tortura, morte, limpeza \u00e9tnica e genoc\u00eddio de que os palestinos t\u00eam sido v\u00edtimas. Antes mesmo da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948, havia um movimento de coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina por judeus europeus organizados em torno da ideologia sionista. Nas d\u00e9cadas de 1920 e 30, invasores sionistas j\u00e1 perpetravam ataques contra os palestinos, destruindo aldeias inteiras, matando indiscriminadamente popula\u00e7\u00f5es indefesas, roubando suas terras e fontes de \u00e1gua, com a coniv\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o colonial brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>O sionismo (que tira seu nome da fortaleza de Si\u00e3o, cidadela dos judeus na Jerusal\u00e9m dos tempos b\u00edblicos), arregimentava colonos na Europa com a proposta de um \u201clar nacional\u201d para os judeus. A linguagem do sionismo era semelhante \u00e0 dos movimentos do nacionalismo burgu\u00eas do s\u00e9culo XIX. Sua pr\u00e1tica era id\u00eantica \u00e0 do processo de forma\u00e7\u00e3o das \u201ccol\u00f4nias brancas\u201d que caracterizou a expans\u00e3o do imperialismo para regi\u00f5es como a \u00c1frica do Sul, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, baseada no massacre dos povos origin\u00e1rios. O sionismo escolheu a Palestina para abrigar esse lar nacional e ignorou a exist\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o nativa, a maioria de origem \u00e1rabe e religi\u00e3o mu\u00e7ulmana, que j\u00e1 habitava a regi\u00e3o por praticamente dois mil\u00eanios. Criou-se o mito da \u201cterra sem povo para um povo sem terra\u201d, fundamentado no rebaixamento dos palestinos para a condi\u00e7\u00e3o de algo abaixo do humano.<\/p>\n<p>Realizou-se uma opera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica semelhante \u00e0quela que narra a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica como um \u201cdescobrimento\u201d, ignorando a exist\u00eancia nesse continente de cerca de 70 milh\u00f5es de nativos, que puderam assim ser exterminados pela conquista europ\u00e9ia. A constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que atribui a condi\u00e7\u00e3o de sujeito exclusivamente aos povos dos pa\u00edses imperialistas e nega aos povos dos pa\u00edses perif\u00e9ricos o estatuto de seres humanos repetiu-se na Palestina com a invas\u00e3o sionista.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de limpeza \u00e9tnica permaneceu a mesma ao longo dos \u00faltimos 60 anos que se passaram desde a cria\u00e7\u00e3o de Israel. Para dar legitimidade a tal pol\u00edtica, os sionistas contaram com o favor da opini\u00e3o p\u00fablica dos pa\u00edses imperialistas, chocados com a revela\u00e7\u00e3o do exterm\u00ednio de milh\u00f5es de judeus europeus no curso da II Guerra. O Holocausto forneceu um \u00e1libi para as a\u00e7\u00f5es do sionismo. Como se j\u00e1 n\u00e3o bastasse a crueldade dos crimes cometidos contra os palestinos, o sionismo adicionou a tais crimes uma p\u00e9rfida mentira ao vincular a expans\u00e3o imperialista de Israel sobre a Palestina com a necessidade da \u201cdefesa do povo judeu\u201d, convertido em v\u00edtima perp\u00e9tua. O fato dos judeus terem sido v\u00edtimas da \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d nazista foi usurpado pelo sionismo como salvo-conduto para cometer seu pr\u00f3prio exterm\u00ednio sobre os palestinos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>A fal\u00eancia da ONU\u00a0\u00a0e a trag\u00e9dia palestina<\/b><\/h3>\n<p>Logo em seu in\u00edcio, o sionismo n\u00e3o era majorit\u00e1rio entre os judeus europeus e estadunidenses. Muitos judeus (entre os quais nomes como Albert Einstein e Hannah Arendt) protestaram contra os m\u00e9todos do rec\u00e9m-criado Estado de Israel, que oficializavam as pr\u00e1ticas de invas\u00e3o colonial das d\u00e9cadas anteriores. Inclusive no interior de Israel sempre houve oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de limpeza \u00e9tnica contra os palestinos. Gradativamente, por\u00e9m, a oposi\u00e7\u00e3o ao sionismo se tornou cada vez mais minorit\u00e1ria entre os judeus, dentro e fora de Israel, a ponto de tornar-se politicamente impotente para impedir a escalada expansionista. Criticar o sionismo passou a ser sin\u00f4nimo de concordar com o nazismo, inf\u00e2mia que ningu\u00e9m na Europa e Estados Unidos, judeu ou n\u00e3o judeu, queria atrair sobre si. Ao inv\u00e9s de contestar essa usurpa\u00e7\u00e3o moral, preferiu-se fazer vista grossa aos crimes de Israel, afinal as v\u00edtimas eram \u201capenas palestinos\u201d.<\/p>\n<p>Tentando satisfazer esse estado de esp\u00edrito da opini\u00e3o p\u00fablica, a ONU baixou uma salom\u00f4nica resolu\u00e7\u00e3o em 1947 que retirou a regi\u00e3o do controle imperial brit\u00e2nico e dividiu o territ\u00f3rio em dois novos pa\u00edses independentes, Israel e Palestina. A resolu\u00e7\u00e3o foi parcialmente implantada em 1948 com a cria\u00e7\u00e3o apenas do Estado de Israel. A divis\u00e3o do territ\u00f3rio em 56% para Israel e 43% para a Palestina (o 1% restante seria a cidade internacional de Jerusal\u00e9m) j\u00e1 representava um avan\u00e7o muito grande em rela\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio at\u00e9 ent\u00e3o colonizado (invadido) pelo sionismo. N\u00e3o contente com isso, Israel invadiu nesse mesmo ano grande parte do territ\u00f3rio destinado \u00e0 Palestina, mantendo-se fora apenas da faixa de Gaza e da Cisjord\u00e2nia. Nas d\u00e9cadas seguintes prosseguiram a invas\u00e3o e a ocupa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1ticas do territ\u00f3rio palestino. O Estado palestino jamais foi criado e todas as resolu\u00e7\u00f5es da ONU a respeito foram impunemente desobedecidas por Israel. Chegamos hoje \u00e0 situa\u00e7\u00e3o absurda em que 100% do territ\u00f3rio originalmente destinado a ser parte do Estado palestino foi ocupado por Israel.<\/p>\n<p>O povo palestino se divide hoje em 1,2 milh\u00f5es que residem em Israel (nos territ\u00f3rios tomados em 1948), 1,5 milh\u00f5es na faixa de Gaza e 2,5 milh\u00f5es na Cisjord\u00e2nia (ocupados em 1967), al\u00e9m de outros 6 milh\u00f5es expulsos de suas terras que constitu\u00edram uma di\u00e1spora espalhada por campos de refugiados na Jord\u00e2nia e no L\u00edbano. Os palestinos dos territ\u00f3rios ocupados vivem sob constante cerco policial do Estado israelense, separados por muros e postos de controle do ex\u00e9rcito nas estradas, impedidos de ir e vir, de se comunicar entre si, de buscar trabalho. Para completar, Israel ocupou as terras f\u00e9rteis da Cisjord\u00e2nia, assentou colonos nessas terras e tomou o controle das fontes de \u00e1gua, relegando os palestinos \u00e0 mis\u00e9ria perp\u00e9tua.<\/p>\n<p>O caso Israel-Palestina foi desde o in\u00edcio uma das mais eloq\u00fcentes demonstra\u00e7\u00f5es\u00a0<b>da impot\u00eancia<\/b>\u00a0da ONU para servir como instrumento efetivo para a paz no mundo. A ONU jamais teve for\u00e7a para impor qualquer resolu\u00e7\u00e3o sobre Israel, que sempre contou com a cobertura dos Estados Unidos. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a ONU funcionou como um mero instrumento diplom\u00e1tico do imperialismo estadunidense, servil a seus interesses, conivente com seus crimes, mas dura com seus advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Os pa\u00edses \u00e1rabes e Israel<\/b><\/h3>\n<p>A primeira rea\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u00e1rabes, j\u00e1 em 1948, foi de sair em guerra contra Israel (Egito, S\u00edria, Jord\u00e2nia e L\u00edbano atacaram Israel e foram derrotados). Seguiram-se as guerras de 1956, 1967 (quando foram ocupadas a faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia), 1970, 1973 e 1982, com a vit\u00f3ria sempre pendendo para o lado do sionismo. A resist\u00eancia palestina se organizou na Organiza\u00e7\u00e3o para Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), que inicialmente agrupava diversas correntes pol\u00edticas e se recusava a reconhecer Israel. Em 1982 Israel invadiu o sul do L\u00edbano, intervindo na guerra civil que sangrava o pa\u00eds para expulsar de l\u00e1 a OLP. De passagem, o comandante da opera\u00e7\u00e3o e depois primeiro-ministro israelense Ariel Sharon permitiu que mil\u00edcias libanesas crist\u00e3s de extrema-direita atacassem os campos de refugiados palestinos de Chabra e Shatila, matando mais de 3 mil pessoas, a grande maioria n\u00e3o-combatente, inclusive mulheres e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O agravamento da opress\u00e3o nos territ\u00f3rios ocupados deu origem a duas \u201cIntifadas\u201d, a revolta dos palestinos nos territ\u00f3rios ocupados, em 1987-1993 e em 2000-2005, quando jovens palestinos combateram com pedras os tanques de guerra israelenses. Em 2006 Israel invadiu o novamente o L\u00edbano para destruir o Hizbol\u00e1 (organiza\u00e7\u00e3o enraizada entre os refugiados palestinos naquele pa\u00eds), mas depois de provocar grande devasta\u00e7\u00e3o, foi obrigado a se retirar sem conseguir seu objetivo. Desmoralizado, o ex\u00e9rcito israelense buscou vingan\u00e7a com o recente ataque a Gaza, castigando uma popula\u00e7\u00e3o muito mais pauperizada para pun\u00ed-la por seu apoio ao Hamas.<\/p>\n<p>Ao longo dessas 6 d\u00e9cadas, importantes muta\u00e7\u00f5es se produziram no movimento de resist\u00eancia palestino. Inicialmente, os palestinos chegaram a contar com o apoio de pa\u00edses \u00e1rabes, que sa\u00edram em guerra contra Israel. No contexto da Guerra Fria, nos anos 1950 e 60, despontou o movimento dos \u201cpa\u00edses n\u00e3o-alinhados\u201d, que tentavam de alguma forma se manter equidistantes dos blocos liderados pelo imperialismo estadunidense e pela burocracia sovi\u00e9tica. Dentro do movimento dos n\u00e3o-alinhados se localizava o chamado \u201cnacionalismo \u00e1rabe\u201d, liderado por figuras como o l\u00edder eg\u00edpcio Gamal Abdel Nasser. O Egito de Nasser chegou a realizar uma reforma agr\u00e1ria, distribuindo terras aos camponeses, algo in\u00e9dito desde o tempo dos fara\u00f3s (a reforma est\u00e1 sendo revogada pelo atual governante do Egito, Hosni Mubarak).<\/p>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es do nacionalismo \u00e1rabe (como do restante do movimento dos n\u00e3o-alinhados), sua dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e pequeno-burguesa, a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo, impediram a auto-organiza\u00e7\u00e3o das massas \u00e1rabes e sua mobiliza\u00e7\u00e3o por seus pr\u00f3prios interesses de classe. Com isso, os l\u00edderes nacionalistas foram derrotados pela direita e pelo imperialismo. O l\u00edder nacionalista do Ir\u00e3, Mossadegh, foi derrubado por um golpe de Estado organizado pela CIA em 1953. Nasser foi sucedido por Anuar Sadat, que assinou um tratado de paz com Israel, em 1978, traindo a causa palestina. A capitula\u00e7\u00e3o do Egito a Israel foi a primeira no mundo \u00e1rabe. A maior parte dos governos \u00e1rabes cedeu aos poucos \u00e0s press\u00f5es dos Estados Unidos e deixou de apoiar a causa palestina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>A capitula\u00e7\u00e3o da OLP<\/b><\/h3>\n<p>A OLP se viu gradativamente isolada e enfraquecida. Para completar sua derrota, Israel estimulou secretamente a forma\u00e7\u00e3o de grupos fundamentalistas isl\u00e2micos, como o Hamas, para polarizar com as correntes laicas no interior da OLP, na d\u00e9cada de 1980. Essas correntes laicas se tornaram progressivamente menos radicais e perderam apoio de massa. Para continuar liderando a OLP, organiza\u00e7\u00f5es como o Fatah, de Yasser Arafat, terminaram por ceder \u00e0 press\u00e3o de Israel e dos Estados Unidos, assinando os acordos de Oslo, em 1993, reconhecendo a exist\u00eancia de Israel, ou seja, legalizando as ocupa\u00e7\u00f5es criminosas de 1948, em troca da promessa vaga de retirada dos territ\u00f3rios ocupados em 1967 e de estabelecimento de um Estado palestino.<\/p>\n<p>Quando Israel esbo\u00e7ou a possibilidade de se retirar dos territ\u00f3rios ocupados e consolidar a paz com a OLP, o primeiro-ministro Ytzak Rabin foi assassinado pela extrema direita fundamentalista israelense, em\u00a01995. A\u00a0cria\u00e7\u00e3o do Estado palestino, promessa do acordo de Oslo, permaneceu no papel. Em seu lugar foi criada a Autoridade Nacional Palestina (ANP), com jurisdi\u00e7\u00e3o sobre Gaza e Cisjord\u00e2nia, uma caricatura de Estado, sem qualquer viabilidade econ\u00f4mica e sem autonomia pol\u00edtica e financeira. A ANP depende do envio de verbas dos Estados Unidos e da Europa, condicionada ao controle policial da popula\u00e7\u00e3o palestina, ou seja, \u00e0 repress\u00e3o de seu pr\u00f3prio povo. O Fatah, cada vez mais corrupto, aceitou se prestar a esse papel de manter a ordem nos territ\u00f3rios ocupados. A incapacidade do Fatah de melhorar a vida dos palestinos, o que \u00e9 imposs\u00edvel sem combater o controle israelense dos territ\u00f3rios ocupados, fez com que o partido perdesse popularidade e fosse derrotado pelo Hamas nas elei\u00e7\u00f5es da ANP em 2006.<\/p>\n<p>O imperialismo desconheceu a express\u00e3o da vontade soberana do povo palestino nas elei\u00e7\u00f5es e negou-se a aceitar um governo do Hamas. O envio das verbas que mant\u00e9m a ANP foi cortado e a mis\u00e9ria se aprofundou. O Fatah tentou um golpe de Estado contra o Hamas em 2007 e foi expulso da faixa de Gaza. Desde ent\u00e3o Israel recrudesceu a repress\u00e3o sobre os territ\u00f3rios ocupados, passando a executar incurs\u00f5es militares peri\u00f3dicas e chacinas, al\u00e9m de impor um bloqueio econ\u00f4mico sobre Gaza que reduziu o territ\u00f3rio a um campo de concentra\u00e7\u00e3o, culminando nos ataques de 2008\/09.<\/p>\n<p>Tra\u00eddos por suas lideran\u00e7as tradicionais, os palestinos passaram a lutar contra um inimigo muito mais poderoso por meio de ataques de homens-bomba contra a popula\u00e7\u00e3o civil em Israel. Isso contribuiu para atrair a antipatia mundial contra a causa palestina. Os israelenses passaram a ser apresentados como v\u00edtimas e os palestinos como algozes impiedosos de uma popula\u00e7\u00e3o indefesa, quando a verdade est\u00e1 muito mais pr\u00f3xima do oposto. Israel \u00e9 apresentado como representante da democracia no Oriente, mas na verdade \u00e9 um Estado militarizado, controlado por uma burocracia militar espalhada por todos os setores da administra\u00e7\u00e3o civil. O servi\u00e7o militar \u00e9 obrigat\u00f3rio para as mulheres por dois anos e para os homens por tr\u00eas. Reservistas podem ser convocados a qualquer momento para compor um dos ex\u00e9rcitos mais fortes e bem equipados do mundo, uma aberra\u00e7\u00e3o desproporcional num pa\u00eds de 6,9 milh\u00f5es de habitantes (dos quais 24% n\u00e3o s\u00e3o judeus).<\/p>\n<p>Movimentos internos contra a guerra e a ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o fortemente perseguidos e encarados pela maioria da popula\u00e7\u00e3o como trai\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria e coniv\u00eancia com o terrorismo. Todos os partidos com representa\u00e7\u00e3o parlamentar (inclusive a \u201cesquerda\u201d trabalhista) ap\u00f3iam a ocupa\u00e7\u00e3o. Para os militares e religiosos de extrema-direita, a guerra \u00e9 uma necessidade constante. Israel precisa ser mantido em estado de alerta, por meio da amea\u00e7a permanente do terrorismo isl\u00e2mico, real ou imagin\u00e1ria, para que se possa legitimar a manuten\u00e7\u00e3o do aparato militar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>O fundamentalismo<\/b><\/h3>\n<p>Numa suprema ironia, o Hamas, que foi secretamente financiado por Israel em sua origem (assim como a Al Qaeda foi organizada pelos Estados Unidos), se tornou d\u00e9cadas depois a \u00fanica esperan\u00e7a de resist\u00eancia dos palestinos, por herdar a bandeira hist\u00f3rica do movimento e se recusar a reconhecer Israel. Apesar de suas origens esp\u00farias, o Hamas se credenciou como representa\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia palestina devido ao seu trabalho assistencial e \u00e0 firmeza de sua for\u00e7a militar na luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Hamas, assim como o Hizbol\u00e1, que organiza a resist\u00eancia dos refugiados no L\u00edbano, s\u00e3o subprodutos do fen\u00f4meno global do crescimento do fundamentalismo isl\u00e2mico, uma resposta dos povos \u00e1rabes \u00e0 desarticula\u00e7\u00e3o do velho nacionalismo. As dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e1rabes, burguesas e autorit\u00e1rias, dobraram-se todas aos Estados Unidos, gerando \u00f3dio de suas popula\u00e7\u00f5es. Sadat, que assinou o acordo de paz com Israel, foi assassinado por fundamentalistas eg\u00edpcios em 1981, sendo sucedido por Mubarak, no poder at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>A revolta popular que derrubou o governo t\u00edtere dos Estados Unidos no Ir\u00e3, em 1979, terminou hegemonizada pelo setor fundamentalista, liderado pelo clero dos aiatol\u00e1s, no que foi chamado de \u201crevolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica\u201d. Desde ent\u00e3o o Ir\u00e3 tem se tornado o modelo pol\u00edtico e o sustent\u00e1culo material de diversos movimentos fundamentalistas espalhados pelo mundo \u00e1rabe e al\u00e9m. A linguagem apocal\u00edptica do fundamentalismo, seu chamamento \u00e0 \u201cguerra santa\u201d contra o \u201cgrande sat\u00e3\u201d (Estados Unidos e sua marionete, Israel), sua promessa de para\u00edso para os m\u00e1rtires que se imolarem pela causa; substitu\u00edram a linguagem racional das reivindica\u00e7\u00f5es historicamente fundamentadas da causa nacional palestina e \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Para completar, a m\u00eddia burguesa ocidental convenientemente transforma o conflito \u00e1rabe-israelense numa luta entre o \u201cpovo escolhido\u201d da B\u00edblia judaico-crist\u00e3 e os b\u00e1rbaros malignos do islamismo sat\u00e2nico. A ind\u00fastria cultural hollywoodiana colabora com a campanha anti\u00e1rabe por meio da constru\u00e7\u00e3o do estere\u00f3tipo do \u00e1rabe como terrorista. O cinema hollywoodiano periodicamente reaviva com brilhantismo a mem\u00f3ria do Holocausto, o que est\u00e1 correto, mas se omite criminosamente quanto \u00e0 trag\u00e9dia palestina em curso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>A geopol\u00edtica do petr\u00f3leo<\/b><\/h3>\n<p>A origem do conflito n\u00e3o tem nada a ver com a intoler\u00e2ncia religiosa ou o fanatismo de judeus ou mu\u00e7ulmanos. As religi\u00f5es s\u00e3o instrumento da manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas ao sabor dos interesses das classes dominantes em cada momento. A religi\u00e3o nunca impediu no passado que mu\u00e7ulmanos, judeus remanescentes da di\u00e1spora e crist\u00e3os das igrejas orientais convivessem na mesma Palestina durante s\u00e9culos, na Idade M\u00e9dia. Esse conv\u00edvio s\u00f3 foi interrompido pela chegada dos cruzados crist\u00e3os, que foram a Terra Santa n\u00e3o para levar a \u201cpalavra de Deus\u201d, mas a espada, em busca de riqueza e gl\u00f3ria (matando n\u00e3o apenas mu\u00e7ulmanos, mas tamb\u00e9m judeus e crist\u00e3os orientais). Da mesma forma, mu\u00e7ulmanos, judeus e crist\u00e3os conviveram harmoniosamente durante s\u00e9culos no reino \u00e1rabe de C\u00f3rdoba, na Espanha, o mais culto e civilizado Estado da Europa medieval, reposit\u00f3rio de tesouros universais da arte, da filosofia, da arquitetura, da medicina, etc. Foi a Reconquista espanhola, liderada pelos reis cat\u00f3licos, que trouxe sobre a barb\u00e1rie da Inquisi\u00e7\u00e3o e o fim dessa brilhante cultura.<\/p>\n<p>Assim como o objetivo das cruzadas n\u00e3o era a defesa da f\u00e9, o que est\u00e1 por tr\u00e1s de um movimento como o sionismo n\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o judaica, mas os interesses do imperialismo. De passagem, \u00e9 importante ressaltar que o juda\u00edsmo \u00e9 ele pr\u00f3prio heterog\u00eaneo. N\u00e3o existe sequer uma identidade judaica \u00fanica capaz de por de acordo os rabinos das diversas correntes, dos moderados aos ortodoxos e ultra-ortodoxos. Etnicamente, os judeus se dividem em dois ramos principais, os asquenazi (ocidentais ou \u201ceuropeizados\u201d) e os sefarditas (orientais), sem contar o caso peculiar dos judeus et\u00edopes e iemenitas.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de judeus \u00e9 inclusive maior fora de Israel. Apenas nos Estados Unidos s\u00e3o cerca de 10 milh\u00f5es. Nem todos os judeus necessariamente ap\u00f3iam Israel, mas apenas uma minoria dos que n\u00e3o ap\u00f3iam o sionismo se manifesta a respeito. Existe por\u00e9m um setor bastante peculiar da popula\u00e7\u00e3o judia estadunidense cujo apoio incondicional a Israel constitui um dos pilares da pol\u00edtica do imperialismo para o Oriente M\u00e9dio. Existe uma burguesia judia e pr\u00f3-sionista que controla parte das finan\u00e7as e da m\u00eddia dos Estados Unidos. N\u00e3o se trata aqui do mito nazista da \u201cconspira\u00e7\u00e3o judaica para dominar o mundo\u201d, mas de um setor espec\u00edfico, muito organizado e influente, que atua em unidade com outros dois setores espec\u00edficos da burguesia estadunidense, o complexo industrial-militar e a ind\u00fastria petrol\u00edfera, na determina\u00e7\u00e3o dos objetivos da pol\u00edtica externa do imperialismo.<\/p>\n<p>O apoio dos Estados Unidos a Israel ao longo de todas essas d\u00e9cadas n\u00e3o tem a ver com qualquer simpatia extrema pelos judeus. Tem a ver com a necessidade de derrotar o antigo nacionalismo \u00e1rabe, instalar em seu lugar governantes servis e assegurar o controle das fontes de petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio. \u00c9 em fun\u00e7\u00e3o dessa tarefa priorit\u00e1ria para o imperialismo que Israel recebe verbas e equipamentos estadunidenses para seu formid\u00e1vel ex\u00e9rcito. A ajuda militar estadunidense a Israel chega a aproximadamente US$ 3 bilh\u00f5es por ano. A presen\u00e7a de um quartel-general do imperialismo em pleno Oriente M\u00e9dio colabora para manter os governos burgueses do mundo \u00e1rabe prostrados.<\/p>\n<p>Por outro lado, o descontentamento das massas \u00e1rabes s\u00f3 tem aumentado ao longo de todas essas d\u00e9cadas. Os trabalhadores n\u00e3o se beneficiam dos petrod\u00f3lares que sustentam a opul\u00eancia dos xeques \u00e1rabes, corruptos e tir\u00e2nicos. Na falta de uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica conseq\u00fcente que organize os trabalhadores contra o regime burgu\u00eas servil desses pa\u00edses, cresce a influ\u00eancia das correntes fundamentalistas isl\u00e2micas. Neste momento, correntes fundamentalistas como Hamas e Hizbol\u00e1 s\u00e3o as \u00fanicas que pegam em armas em defesa do povo palestino. Em que pesem os problemas pol\u00edticos das correntes fundamentalistas, \u00e9 preciso defender sua luta e expor corretamente a hist\u00f3ria do enfrentamento do povo palestino contra Israel.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o drama dos palestinos n\u00e3o est\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o de um novo governante estadunidense, ou nos foguetes do Hamas, mas na auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabahadores, em torno de um programa socialista. Trata-se de um programa que precisa ser levantado pelo conjunto dos povos do Oriente M\u00e9dio, contra seus dirigentes burgueses e pr\u00f3-imperialistas e em defesa dos interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=134#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos o jornal n&uacute;mero 29, dos meses de janeiro e fevereiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"left\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/grevecapa-jornal29_1.jpg\" \/><\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p>Os textos deste jornal se concentram nos principais acontecimentos da luta de classes como a posse de Barack Obama nos Estados Unidos, o aprofundamento da crise econ&ocirc;mica e as consequ&ecirc;ncias para os trabalhadores.&nbsp; Outro acontecimento no plano internacional foi o genoc&iacute;dio contra o povo palestino na faixa de Gaza.<\/p>\n<p>Achamos importante destacar as recentes mobiliza&ccedil;&otilde;es ocorridas na Europa e que abrem a possibilidade do questionamento da pol&iacute;tica de ataque aos direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Sentimos a necessidade de ser convocado um encontro nacional de base que re&uacute;na trabalhadores e trabalhadoras para discutir formas de combater o desemprego e defender os direitos que est&atilde;o sob amea&ccedil;a do governo e da burguesia.<\/p>\n<p>A novidade deste n&uacute;mero &eacute; que tamb&eacute;m o disponibilizamos em PDF (<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/jornal29.pdf\">clique aqui<\/a> para baixar o arquivo de 1.33 MB).<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=134"}],"version-history":[{"count":26,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6433,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions\/6433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}