{"id":135,"date":"2009-02-08T18:11:27","date_gmt":"2009-02-08T20:11:27","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/135"},"modified":"2018-05-05T17:57:14","modified_gmt":"2018-05-05T20:57:14","slug":"a-crise-economica-segue-se-aprofundando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/02\/a-crise-economica-segue-se-aprofundando\/","title":{"rendered":"A crise econ\u00f4mica segue se aprofundando"},"content":{"rendered":"<h3><b style=\"\"><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\">o est&aacute;gio atual da crise<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Ao final do ano de 2008 o mundo estava entrando numa forte crise econ&ocirc;mica. A imprensa burguesa em peso passou a falar em crise. O mito da invulnerabilidade do capitalismo caiu por terra com impressionante velocidade. Governantes do mundo inteiro fizeram reuni&otilde;es, emitiram declara&ccedil;&otilde;es com ar preocupado, anunciaram medidas de emerg&ecirc;ncia, lan&ccedil;aram &ldquo;pacotes de ajuda&rdquo; de centenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares para salvar os bancos e o sistema financeiro da bancarrota. Subitamente, descobriu-se que o &ldquo;livre mercado&rdquo; n&atilde;o &eacute; capaz de regular a si mesmo e o Estado precisa intervir. Analistas passaram a falar na pior crise desde 1929, quando teve in&iacute;cio a Grande Depress&atilde;o. Surgiu a ladainha da &ldquo;falta de confian&ccedil;a&rdquo;, da &ldquo;falta de regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, da &ldquo;gan&acirc;ncia excessiva&rdquo;, etc. A crise chegou tamb&eacute;m ao senso comum. De agora em diante, na boca do povo, tudo &ldquo;&eacute; culpa da crise&rdquo;.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Na realidade, a crise &eacute; um produto inevit&aacute;vel do pr&oacute;prio funcionamento da economia capitalista. N&atilde;o se trata de &ldquo;falta de confian&ccedil;a&rdquo;, &ldquo;falta de regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;gan&acirc;ncia excessiva&rdquo;, etc. O problema n&atilde;o est&aacute; no &ldquo;modelo de desenvolvimento&rdquo;, que pode ser neoliberal ou desenvolvimentista-keynesiano, est&aacute; na pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista. A crise &eacute; uma express&atilde;o dos limites internos do sistema, de sua incapacidade de realizar a mais-valia gerada na produ&ccedil;&atilde;o e de sua necessidade de destruir for&ccedil;as produtivas (fechar f&aacute;bricas, demitir trabalhadores ou mesmo destruir popula&ccedil;&otilde;es inteiras e recursos materiais por meio da guerra) para reiniciar o ciclo de acumula&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio do que diz o pensamento vulgar da imprensa burguesa, a crise &eacute; parte essencial do mecanismo interno da economia capitalista e portanto a sua apari&ccedil;&atilde;o de tempos em tempos &eacute; um fen&ocirc;meno inevit&aacute;vel.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Por enquanto, ainda n&atilde;o se produziu o deslizamento para a depress&atilde;o, nem muito menos qualquer sinal da recupera&ccedil;&atilde;o sonhada pelos capitalistas, que na verdade pode estar bastante distante, de modo que a crise pode se estender sob a forma de uma recess&atilde;o prolongada. Nesse meio tempo a burguesia procura manter suas taxas de lucro promovendo demiss&otilde;es, rebaixamento de sal&aacute;rios, retirada de direitos e benef&iacute;cios, corte de servi&ccedil;os p&uacute;blicos. A luta de classes ainda n&atilde;o se manifestou com toda sua agudeza. A rea&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora mundial tem sido desigual. Na sua maior parte, os principais instrumentos de luta da classe, partidos e sindicatos, permanecem controlados por dire&ccedil;&otilde;es abertamente dispostas a colaborar com a burguesia e jogar o custo da crise nas costas do proletariado.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Na Europa, j&aacute; acontecem fortes greves e mobiliza&ccedil;&otilde;es contra os ataques do capital. No Brasil, a crise chegou ao senso comum e j&aacute; est&aacute; na boca do povo, mas a classe trabalhadora n&atilde;o compreende a crise. Para os trabalhadores, ela se parece com uma peste, uma epidemia, cujo cont&aacute;gio amea&ccedil;ador &eacute; totalmente aleat&oacute;rio e s&oacute; se pode combater rezando para que permane&ccedil;a distante. A burguesia tenta ganhar ideologicamente os trabalhadores com seu discurso de que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; alternativa&rdquo; e tudo que se pode fazer &eacute; apertar os cintos e esperar a crise passar. Naturalmente, s&atilde;o os trabalhadores que v&atilde;o apertar os cintos. E n&atilde;o v&atilde;o poder contar com o apoio do Estado, que vai precisar tirar cada vez mais dinheiro da educa&ccedil;&atilde;o, da sa&uacute;de e dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos para financiar os &ldquo;pacotes de ajuda&rdquo;.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h3><b style=\"\"><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\">As sa&iacute;das da burguesia<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">A crise atual est&aacute; no est&aacute;gio de uma recess&atilde;o mundial em aprofundamento. A burguesia procura neste momento evitar que a recess&atilde;o se transforme em depress&atilde;o. Para isso, a classe dominante recorre ao socorro do Estado, que tanto nos centros imperialistas como na periferia est&aacute; injetando &ldquo;pacotes de ajuda&rdquo; que totalizam trilh&otilde;es de d&oacute;lares na economia capitalista.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A pol&iacute;tica do Estado burgu&ecirc;s de injetar dinheiro na economia est&aacute; longe de poder trazer uma solu&ccedil;&atilde;o definitiva para o problema. Assemelha-se a uma tentativa de apagar um inc&ecirc;ndio jogando mais gasolina no fogo. N&atilde;o &eacute; preciso ser expert em economia para perceber que h&aacute; algo muito errado com os tais pacotes de ajuda, como o plano recentemente anunciado por Obama de injetar mais US$ 819 bilh&otilde;es na economia estadunidense. A simples intui&ccedil;&atilde;o basta para demonstrar que a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser assim t&atilde;o f&aacute;cil. Se est&aacute; ao alcance do Estado produzir t&atilde;o facilmente dinheiro &agrave; vontade e em quantias t&atilde;o mastod&ocirc;nticas, porque isso n&atilde;o &eacute; feito de modo corriqueiro?<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A resposta &eacute; que na verdade n&atilde;o &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil assim produzir dinheiro, pois isso tem conseq&uuml;&ecirc;ncias. O poder conferido ao Estado para emitir moeda n&atilde;o pode ser usado indiscriminadamente, pois isso amea&ccedil;a a pr&oacute;pria fun&ccedil;&atilde;o da moeda como medida de valor. A burguesia n&atilde;o o ignora, por isso s&oacute; recorre a tal medida apenas em situa&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia extrema. O fato de que todos os Bancos Centrais do mundo estejam fazendo a mesma coisa neste momento &eacute; mais um ind&iacute;cio da seriedade da crise em andamento.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A moeda precisa estar lastreada em alguma riqueza real, sem o qu&ecirc; se converte em simples papel sem valor. Os BCs do mundo inteiro est&atilde;o emitindo trilh&otilde;es de d&oacute;lares que correspondem a papel sem valor, na expectativa de que alguma riqueza real possa vir a ser gerada, ou na linguagem da economia burguesa, de que haja uma &ldquo;retomada do crescimento&rdquo;. Nesse meio tempo, o dinheiro que sai dos BCs &eacute; contabilizado como d&iacute;vida p&uacute;blica, ou seja, d&iacute;vida que o Estado ter&aacute; que cobrir de alguma maneira, seja cobrando impostos, seja cortando dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos; em ambos os casos, tomando dos trabalhadores. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, como toda riqueza real em qualquer sociedade &eacute; produzida pelo trabalho humano, a classe capitalista e seu Estado ter&atilde;o que intensificar brutalmente a explora&ccedil;&atilde;o para recuperar o valor nominal emitido sob a forma de moeda sem valor. Caso isso n&atilde;o seja feito num intervalo de tempo suficientemente curto, a crise pode se desdobrar numa desvaloriza&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica da moeda, ou seja, numa infla&ccedil;&atilde;o desenfreada.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Paradoxalmente, os detentores de capital no mundo inteiro est&atilde;o neste momento buscando &ldquo;ref&uacute;gio&rdquo; na &ldquo;seguran&ccedil;a&rdquo; dos t&iacute;tulos do tesouro estadunidense. O dinheiro que sai das bolsas de valores do mundo inteiro, provocando sua queda, est&aacute; sendo investido em d&oacute;lares, o que produz a valoriza&ccedil;&atilde;o artificial dessa moeda. O d&oacute;lar est&aacute; sendo mantido artificialmente valorizado, justamente no momento em que o endividamento suicida dos Estados Unidos, com os trilion&aacute;rios<span style=\"\">&nbsp; <\/span>pacotes de ajuda do governo, amplia o risco de corros&atilde;o estrutural do valor da principal moeda mundial. Em outras palavras, o capitalismo est&aacute; se tornando ref&eacute;m da capacidade do imperialismo estadunidense de cobrir sua d&iacute;vida por meio do saque sobre a classe trabalhadora mundial.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h3><b style=\"\"><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\">Os limites do capital<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">A crise atual n&atilde;o &eacute; produto apenas do esgotamento de mais um ciclo peri&oacute;dico (como o ciclo anterior que se encerrou em 2000 com a quebra da NASDAQ), mas da crise estrutural do sistema que emperra a acumula&ccedil;&atilde;o capitalista pelo menos desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"1970. A\">1970. A<\/st1:metricconverter> crise estrutural tem sido contornada pelo deslocamento da produ&ccedil;&atilde;o material para pa&iacute;ses perif&eacute;ricos de m&atilde;o-de-obra barata (tigres asi&aacute;ticos, e mais recentemente, China e &Iacute;ndia), combinado com movimentos de expans&atilde;o do cr&eacute;dito, endividamento do Estado, das empresas e dos consumidores e desregulamenta&ccedil;&atilde;o dos instrumentos financeiros.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Esse duplo movimento de superexplora&ccedil;&atilde;o\/financeiriza&ccedil;&atilde;o expressa uma dificuldade crescente do capital para continuar se reproduzindo. H&aacute; um estreitamente crescente das margens internas intranspon&iacute;veis do pr&oacute;prio sistema capitalista. O impulso da concorr&ecirc;ncia obriga as empresas a incorporarem tecnologia e aumentarem a produtividade, produzindo mais em menos tempo de trabalho. Ao produzir mais em menos tempo, as empresas podem dispensar a for&ccedil;a de trabalho humana. O desemprego tecnol&oacute;gico estrutural de massa se tornou rotina em todos os pa&iacute;ses. Ao demitir trabalhadores, as empresas diminuem a quantidade de consumidores aptos a comprar aquilo que produziram. Sem compradores para as mercadorias, n&atilde;o se fecha o ciclo de realiza&ccedil;&atilde;o do valor gerado na produ&ccedil;&atilde;o.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Quando n&atilde;o h&aacute; meios de realizar o capital, a solu&ccedil;&atilde;o &eacute; simplesmente destru&iacute;-lo, ou seja, fechar as empresas, imobilizar as m&aacute;quinas, demitir mais trabalhadores, obrig&aacute;-los a trabalhar por sal&aacute;rios mais baixos. Isso s&oacute; faz aumentar o problema da falta de consumidores, agravando a crise e precipitando um c&iacute;rculo vicioso. Essa contradi&ccedil;&atilde;o est&aacute; na raiz de todas as crises econ&ocirc;micas. Para cada ciclo que se encerra o capitalismo tenta encontrar uma sa&iacute;da. A &ldquo;civiliza&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel&rdquo;, o consumismo do estilo de vida estadunidense, a ind&uacute;stria da inform&aacute;tica foram sa&iacute;das desse tipo, bem como recentemente a especula&ccedil;&atilde;o com empresas de internet ou com im&oacute;veis.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Ainda n&atilde;o despontou no horizonte a pr&oacute;xima aposta do capital para tentar contornar a crise. As alternativas est&atilde;o cada vez mais escassas. Sem a novidade de um novo ramo da produ&ccedil;&atilde;o, a sa&iacute;da pode estar na pura e simples destrui&ccedil;&atilde;o. No limite, uma das formas de encontrar um consumidor capaz de realizar o capital &eacute; obrigando os Estados capitalistas a entrarem em guerra, mobilizando os meios de produ&ccedil;&atilde;o para a destrui&ccedil;&atilde;o e gerando a necessidade da reconstru&ccedil;&atilde;o. &Eacute; deste limite que estamos nos aproximando.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h3><span style=\"font-family: Arial;\"><b style=\"\"><span style=\"font-variant: small-caps;\">As amea&ccedil;as no horizonte<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O sistema capitalista carece de coordena&ccedil;&atilde;o racional e centraliza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; um &ldquo;Estado mundial&rdquo; do sistema do capital capaz de planejar seus passos. Por mais que a superpot&ecirc;ncia estadunidense se candidate a exercer esse papel, prevalece a exist&ecirc;ncia de uma articula&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquico-conflitiva entre as diversas se&ccedil;&otilde;es nacionais do capital global. As diversas burguesias nacionais (ou burocracias como a da China) perseguem seus pr&oacute;prios interesses particulares em aberta rivalidade entre si e com os Estados Unidos. O imperialismo europeu penetra na Am&eacute;rica Latina, a R&uacute;ssia se volta para uma pol&iacute;tica nacionalista de grande pot&ecirc;ncia, a China desponta com for&ccedil;a no cen&aacute;rio geopol&iacute;tico; tudo isso expressa a contradi&ccedil;&atilde;o entre um &uacute;nico sistema s&oacute;cio-econ&ocirc;mico mundial e a exist&ecirc;ncia de diversos Estados nacionais enquanto estruturas de controle pol&iacute;tico.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Na &uacute;ltima oportunidade em que o sistema se defrontou com dificuldades t&atilde;o dram&aacute;ticas, por ocasi&atilde;o da Grande Depress&atilde;o da d&eacute;cada de 1930, n&atilde;o houve pol&iacute;tica do Estado capaz de produzir uma recupera&ccedil;&atilde;o por meios puramente econ&ocirc;micos. Ao contr&aacute;rio do que dizem os apologistas burgueses e repetem os desinformados (e os mal-intencionados) papagaios da esquerda reformista, n&atilde;o foram o &ldquo;New Deal&rdquo; rooseveltiano ou os sortil&eacute;gios keynesianos que salvaram a economia capitalista naquela conjuntura. Depois do crash da bolsa de <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"1929, a\">1929, a<\/st1:metricconverter> economia dos Estados Unidos havia desabado novamente em 1938. O sistema s&oacute; p&ocirc;de sobreviver gra&ccedil;as &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o provocada pela II Guerra Mundial.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A destrui&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial para a economia capitalista. A tend&ecirc;ncia irrefre&aacute;vel de centraliza&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de grades monop&oacute;lios e grandes imp&eacute;rios econ&ocirc;micos necessariamente aponta para a destrui&ccedil;&atilde;o dos concorrentes menores e mais fracos. &Eacute; preciso destruir periodicamente grandes quantidades de vidas humanas, de recursos materiais, de f&aacute;bricas, edif&iacute;cios, infra-estrutura, for&ccedil;as produtivas, enfim, para que a acumula&ccedil;&atilde;o de capital possa se reiniciar. A barb&aacute;rie de Auschwitz e Hiroshima constitui exemplo indel&eacute;vel da loucura destrutiva a que o capitalismo pode precipitar a humanidade em nome da reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada do valor.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Dentro da atual correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as entre as pot&ecirc;ncias imperialistas, a resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos em curso por meio de uma III Guerra Mundial &eacute; improv&aacute;vel devido &agrave; amea&ccedil;a concreta de destrui&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua assegurada por arsenais nucleares e outras armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa largamente disseminadas. Entretanto, mesmo conflitos localizados, como uma invas&atilde;o estadunidense ao Ir&atilde;, trazem consigo o espectro de uma barb&aacute;rie intoler&aacute;vel.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Ao inv&eacute;s de uma Guerra Mundial cl&aacute;ssica entre grandes Estados imperialistas, est&aacute; em gesta&ccedil;&atilde;o uma guerra mundial do capital contra os trabalhadores por meio de diversas formas como a &ldquo;guerra ao terror&rdquo;, a &ldquo;guerra &agrave;s drogas&rdquo;, a sataniza&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses do &ldquo;eixo do mal&rdquo; e de todo e qualquer movimento de resist&ecirc;ncia (doravante alcunhado de &ldquo;terrorista&rdquo;); e no plano interno, o renascimento da xenofobia e do neonazismo, a fascistiza&ccedil;&atilde;o social, a repress&atilde;o policial, a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos protestos e da luta social, as restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s liberdades democr&aacute;ticas, a destrui&ccedil;&atilde;o dos instrumentos sindicais e pol&iacute;ticos da classe trabalhadora, a persegui&ccedil;&atilde;o aos ativistas, a censura &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e o bloqueio ideol&oacute;gico contra o pensamento divergente.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A guerra &eacute; a alternativa para salvar o imperialismo estadunidense e o capitalismo como um todo. Cabe por sua vez aos trabalhadores lutar para construir uma outra forma de sociedade, livre das crises, das guerras, da mis&eacute;ria, das cat&aacute;strofes ambientais, da degrada&ccedil;&atilde;o cultural e humana, que s&oacute; pode ser uma sociedade socialista.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h3><b style=\"\"><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\">o est&aacute;gio atual da crise<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Ao final do ano de 2008 o mundo estava entrando numa forte crise econ&ocirc;mica. A imprensa burguesa em peso passou a falar em crise. O mito da invulnerabilidade do capitalismo caiu por terra com impressionante velocidade. Governantes do mundo inteiro fizeram reuni&otilde;es, emitiram declara&ccedil;&otilde;es com ar preocupado, anunciaram medidas de emerg&ecirc;ncia, lan&ccedil;aram &ldquo;pacotes de ajuda&rdquo; de centenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares para salvar os bancos e o sistema financeiro da bancarrota. Subitamente, descobriu-se que o &ldquo;livre mercado&rdquo; n&atilde;o &eacute; capaz de regular a si mesmo e o Estado precisa intervir. Analistas passaram a falar na pior crise desde 1929, quando teve in&iacute;cio a Grande Depress&atilde;o. Surgiu a ladainha da &ldquo;falta de confian&ccedil;a&rdquo;, da &ldquo;falta de regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, da &ldquo;gan&acirc;ncia excessiva&rdquo;, etc. A crise chegou tamb&eacute;m ao senso comum. De agora em diante, na boca do povo, tudo &ldquo;&eacute; culpa da crise&rdquo;.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6242,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/135\/revisions\/6242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}