{"id":1419,"date":"2013-02-01T19:46:38","date_gmt":"2013-02-01T21:46:38","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1419"},"modified":"2013-02-01T19:46:50","modified_gmt":"2013-02-01T21:46:50","slug":"resolucoes-sobre-os-governos-chaves-evo-morales-e-rafael-correa-da-conferencia-de-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/02\/resolucoes-sobre-os-governos-chaves-evo-morales-e-rafael-correa-da-conferencia-de-2008\/","title":{"rendered":"Resolu\u00e7\u00f5es sobre os Governos Chaves, Evo Morales e Rafael Corr\u00eaa da Confer\u00eancia de 2008"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Nos \u00faltimos anos, fruto do aumento da resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o imperialista e como express\u00e3o deformada da luta de classes, surgiu na Am\u00e9rica Latina regimes e governos que ganharam a confian\u00e7a dos trabalhadores, como se estes governos fossem portadores de alguma transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade. Se ap\u00f3iam nessas ilus\u00f5es, mas a dire\u00e7\u00e3o desse processo e c\u00fapula dirigente ou s\u00e3o burgueses ou a pequena burguesia, representada\u00a0 pelos setores de uma classe m\u00e9dia empobrecida, camponeses, setores m\u00e9dios do ex\u00e9rcito, burocracia do Estado, e setores menores da burguesia nativa. Disso decorre a caracteriza\u00e7\u00e3o de que esses <b>governos n\u00e3o s\u00e3o socialistas e muito menos adotam qualquer medida que conteste a propriedade privada e o capital nesses pa\u00edses.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao governo estadunidense, Ch\u00e1vez tem, por um lado denunciado a pol\u00edtica do governo Bush, mas por outro mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es comerciais robustas com a burguesia imperialista.\u00a0 Esses governos, embora tenham apresentado contradi\u00e7\u00f5es e enfrentamentos com o imperialismo, n\u00e3o se prop\u00f5em a avan\u00e7ar para a ruptura com o imperialismo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) O aumento dos pre\u00e7os desses recursos naturais tem dado a base econ\u00f4mica capaz de permitir a realiza\u00e7\u00e3o de algumas reformas sem romper de fato com o imperialismo e muito menos com o capitalismo. Os pre\u00e7os no mercado mundial das fontes de energia batem recorde atr\u00e1s de recorde e a pr\u00f3pria depend\u00eancia que v\u00e1rios pa\u00edses t\u00eam desse recurso d\u00e1 uma certa estabilidade econ\u00f4mica e pol\u00edtica para esses pa\u00edses.\u00a0 Assim, todos os tr\u00eas pa\u00edses, com Chaves \u00e0 frente seguem pagando os juros de suas d\u00edvidas p\u00fablicas, exportando petr\u00f3leo e g\u00e1s para os EUA e pactuando com suas burguesias internas, sem enfrent\u00e1-las para as derrotar pois temem na outra ponta a a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores que pode questionar os limites da estabilidade necess\u00e1ria ao capital.\u00a0 Ao mesmo tempo modificaram as Constitui\u00e7\u00f5es, retomaram o controle sobre os recursos naturais estrat\u00e9gicos, impulsionaram reformas agr\u00e1rias, embora limitadas, aplicaram mais verbas em servi\u00e7os sociais como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) A teoria marxista de Estado define que a sua natureza \u00e9 definida pelos interesses sociais que defendem aqueles que tem o seu controle, ou seja, a partir de quem exerce o poder pol\u00edtico no Estado. Come\u00e7amos pela exclus\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 nesses Estados nenhum vest\u00edgio de que a classe trabalhadora exer\u00e7a qualquer poder, assim de imediato descartamos que sejam socialistas ou prolet\u00e1rios. Em um Estado socialista n\u00e3o ter\u00edamos a propriedade privada, o controle das institui\u00e7\u00f5es estaria nas m\u00e3os dos trabalhadores, o que e como produzir seria decidido pelos organismos de poder dos trabalhadores. Morales, Chaves e Correa s\u00e3o dirigentes de Estados que n\u00e3o tem nenhum desses elementos. <b>Mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o s\u00e3o Estados socialistas<\/b>. Mesmo de baixo de tanto falat\u00f3rio o Estado nesses pa\u00edses n\u00e3o sofreu qualquer altera\u00e7\u00e3o, as for\u00e7as armadas, as institui\u00e7\u00f5es, o reconhecimento da propriedade privada pela constitui\u00e7\u00e3o, o controle das riquezas ou pela burocracia estatal ou por setores burgueses s\u00f3 podem aponta para uma caracteriza\u00e7\u00e3o de que esses <b>Estados s\u00e3o burgueses;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Entendemos por socialismo o controle social dos meios de produ\u00e7\u00e3o pelos trabalhadores. N\u00e3o h\u00e1 media\u00e7\u00e3o poss\u00edvel com a propriedade privada que enquanto existir vai alimentar todas as desigualdades na sociedade. O dito socialismo do s\u00e9culo XXI nada mais \u00e9 do que uma engana\u00e7\u00e3o aos trabalhadores, com medidas assistencialistas e que n\u00e3o atacam o problema os problemas estruturais da pobreza e da mis\u00e9ria. Seguimos reivindicando o socialismo revolucion\u00e1rio que luta para expropriar a burguesia, defende o poder pol\u00edtico exercido diretamente pelos trabalhadores. Assim, seu projeto erroneamente chamado por Chavez de SOCIALISMO DO S\u00c9CULO XXI, nada mais \u00e9 do que a reedi\u00e7\u00e3o em outro contexto das correntes nacionalistas e reformistas do passado, tentando conduzir a luta e a resist\u00eancia dos trabalhadores dentro dos marcos da institucionalidade criada pela\u00a0 burguesia e do respeito \u00e0 propriedade privada que in\u00fameras trag\u00e9dias f\u00edsicas e pol\u00edticas trouxe ao movimento prolet\u00e1rio internacional. N\u00e3o faz parte do programa do \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, condi\u00e7\u00e3o primeira de uma transforma\u00e7\u00e3o socialista;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) S\u00e3o governos que cedem e muitas vezes se colocam ao lado da burguesia de seus pa\u00edses. A\u00a0 recente nacionaliza\u00e7\u00e3o da sider\u00fargica SIDOR e um exemplo do papel que o governo Ch\u00e1vez cumpre. Os trabalhadores em luta contra a brutal explora\u00e7\u00e3o de que eram v\u00edtimas (a maioria dos trabalhadores n\u00e3o tinham direitos trabalhistas) o governo, atrav\u00e9s do ministro do trabalho, primeiro tentou empurrar aos trabalhadores um acordo que favorecia s\u00f3 a patronal e depois a repress\u00e3o promovida pela guarda nacional contra os trabalhadores com v\u00e1rios feridos e presos. Processo de luta que obrigou o governo Ch\u00e1vez nacionalizou a SIDOR que permanecia irredut\u00edvel contra os trabalhadores, ou seja, a <b>atitude de Ch\u00e1vez s\u00f3 ocorreu depois de muita luta e press\u00e3o por parte dos trabalhadores. O decisivo foi a luta dos trabalhadores organizados, pois Ch\u00e1vez at\u00e9 o \u00faltimo momento manteve uma posi\u00e7\u00e3o de neutralidade frente ao conflito. <\/b>Morales \u00e9 outro governo que tamb\u00e9m se submete \u00e0 press\u00e3o que a burguesia de Santa Cruz de la Sierra. No momento em que \u00e9 preciso organizar os trabalhadores em comit\u00eas de auto defesa para luta contra a separa\u00e7\u00e3o, Morales segue buscando uma sa\u00edda negociada e mantendo os trabalhadores \u00e0 distancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) Mesmo com essa caracteriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o podemos cair no erro de igualar Chavez, Morales e Correa \u00e0 Lula e outros governos subservientes da Am\u00e9rica Latina. Primeiro porque realmente adotam medidas -que inclusive se chocam com os interesses imediatos da burguesia e do imperialismo- que os diferenciam desses governos, ainda que muitas vezes obrigados pela mobiliza\u00e7\u00e3o popular, segundo porque s\u00e3o governos que surgiram como resposta ao processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e serviram como diques de contens\u00e3o \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o. Podemos citar como exemplo a nacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas de cimento na Venezuela, o endurecimento do governo do Equador sobre o controle de lucros das empresas que exploram petr\u00f3leo na regi\u00e3o de Oruco e a proposta de reforma agr\u00e1ria de Morales. S\u00e3o medidas de enfrentamento, mas no marco de que s\u00e3o essenciais para garantir \u2013pol\u00edtica ou economicamente- os seus projetos e que n\u00e3o atinge a propriedade (apenas o seu conceito).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) <b>N\u00e3o somos contra qualquer medida reformista<\/b>, por m\u00ednima que seja, que ajude a combater a mis\u00e9ria e melhore as condi\u00e7\u00f5es de vida do povo e dos trabalhadores. Assim como L\u00eanin, n\u00e3o somos contra, <b>mas tamb\u00e9m n\u00e3o nos contentamos com tais medidas reformistas<\/b>. Por isso, ao mesmo tempo em que esses governos apresentam tais medidas fazemos exig\u00eancias para que as aprofunde. Por exemplo: diante da nacionaliza\u00e7\u00e3o da SIDOR defendemos que n\u00e3o haja nenhuma indeniza\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o os trabalhadores que devem gerir, ou seja, sob controle dos trabalhadores; diante da amea\u00e7a de golpe ou separa\u00e7\u00e3o da burguesia defendemos a pris\u00e3o e julgamento de todos golpistas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8) S\u00e3o governos e regimes que podem ser explicados a partir de v\u00e1rios elementos, mas no entanto os principais s\u00e3o a resist\u00eancia das massas que foi capaz de promover rebeli\u00f5es sociais que derrubaram\u00a0 governos diretamente comprometidos com os planos neoliberais, e de outro a aus\u00eancia da classe trabalhadora com seus m\u00e9todos de luta, um programa e uma dire\u00e7\u00e3o socialistas que tivessem condi\u00e7\u00e3o de colocar no poder governos comprometidos com a ruptura com o capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o do socialismo. A enorme crise de alternativas socialistas (que inclui a crise de dire\u00e7\u00e3o, mas soma a essa a enorme crise ideol\u00f3gica dos trabalhadores) fez com que n\u00e3o conseguissem assumir o poder ficando este nas m\u00e3os dos setores reformistas da sociedade e do estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9) S\u00e3o governos que se ap\u00f3iam sobre setores da classe m\u00e9dia (desde setores m\u00e9dios do ex\u00e9rcito, do demais \u00f3rg\u00e3os de estado , pequenos camponeses, pequenos comerciantes) at\u00e9 setores burgueses menores e voltados para o mercado interno. Boa parte das medidas visam essencialmente fortalecer economicamente esses setores internos da economia, sob os quais se ap\u00f3iam politicamente. Mesmo considerando-os como um \u201cbloco pol\u00edtico\u201d no continente, Ch\u00e1vez \u00e9, pelo peso do Estado venezuelano, a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desse processo. A convocat\u00f3ria feita por um setor do Chavismo para a constitui\u00e7\u00e3o da <i>Assembl\u00e9ia patri\u00f3tica revolucion\u00e1ria<\/i> define bem a base social e pol\u00edtica sob a qual se ampara Chavez: <i>\u201c \u201cespacio o Plataforma para la articulaci\u00f3n, la reflexi\u00f3n y la construcci\u00f3n de una gran alianza patri\u00f3tica nacional con los diferentes sectores sociales del pa\u00eds; <b>comunales, campesinos estudiantes intelectuales, artesanos, obreros, sectores patri\u00f3ticos de la Fuerza Armada Nacional y muy especialmente con sectores productivos nacionalistas<\/b> identificados con el proceso de liberaci\u00f3n nacional y la unidad entorno al presidente Ch\u00e1vez y al proyecto Nacional Sim\u00f3n Bol\u00edvar,\u201d- <\/i>grifamos (www.aporrea.org)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10) O peso ideol\u00f3gico que esses governos tem conseguido junto \u00e0 vanguarda e setores de massas de esquerda na Am\u00e9rica Latina se deve muito mais \u00e0 aus\u00eancia de dire\u00e7\u00f5es e alternativas realmente conseq\u00fcentes do que \u00e0 profundidade das medidas adotadas por eles.\u00a0 Isso porque todos as demais refer\u00eancias tidas como de esquerda desde Lula, at\u00e9 Daniel Ortega passaram de abra\u00e7os abertos para a aplica\u00e7\u00e3o, de forma totalmente subserviente, das pol\u00edticas imperialistas.\u00a0 Soma-se a isso a exist\u00eancia de uma burguesia fraca e a crise de alternativas socialistas da classe trabalhadora e uma base econ\u00f4mica assentada quase que totalmente nos recursos naturais (petr\u00f3leo, g\u00e1s e outros min\u00e9rios).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11) Assim, todos esses governos fazem de tudo para n\u00e3o permitir que os trabalhadores desenvolvam suas formas pr\u00f3prias de organiza\u00e7\u00e3o e com isto preserve a estrutura hier\u00e1rquico-burocr\u00e1tica do estado. A cria\u00e7\u00e3o do PSUV por Chavez, assim como sua tentativa de perpetuar-se no poder tem o objetivo ao colocar-se por cima da sociedade como o \u201ccaudilho\u201d que busca se dirigir diretamente \u00e0s massas mais empobrecidas com pol\u00edticas assistenciais ao mesmo tempo que n\u00e3o hesita em reprimir manifesta\u00e7\u00f5es de trabalhadores que dificultem a manuten\u00e7\u00e3o da ordem. O Projeto de Chaves, Evo e Correa \u00e9 de subordinar de forma direta o movimento dos trabalhadores \u00e0 estrutura do estado. Os setores que resistem s\u00e3o perseguidos ou demitidos como no caso de Orlando Chirino, hist\u00f3rico militante demitido da PDVSA recentemente. Tamb\u00e9m a pol\u00edtica de coopta\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o do movimento sindical ao parelho de Estado \u00e9 o outro lado dessa mesma moeda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12) As mudan\u00e7as nas constitui\u00e7\u00f5es, normalmente precedidas por um plebiscito, expressam o caminho\u00a0 escolhido por esses governos que introduzem modifica\u00e7\u00f5es \u201cque nada mudam\u201d, visando construir mecanismos de conten\u00e7\u00e3o do movimento de massas e iludindo os trabalhadores de que basta mudar as leis para que o socialismo triunfe. Nesse momento reafirmamos a a\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores e explorados como m\u00e9todo privilegiado para as transforma\u00e7\u00f5es rumo ao socialismo. As vias pac\u00edficas todas elas sucumbiram e levaram com elas a esperan\u00e7a de milhares de lutadores pelo mundo afora. O caminho do socialismo e das transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3 pode ocorrer pela mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">13) O armamento da mil\u00edcias por Chavez se d\u00e1 sob seu controle e n\u00e3o a partir de uma democratiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa do treinamento e uso das armas. Isso exp\u00f5e o objetivo de ter uma Fora Armada fiel ao governo e que pode ser usada inclusive contra manifesta\u00e7\u00f5es golpistas da burguesia mas tamb\u00e9m contra os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">14) Por todos esses elementos encaramos esses governos como um projeto burgu\u00eas pelos seus objetivos mais gerais, embora possua elementos de contradi\u00e7\u00e3o com o imperialismo. Isso significa que no caso de mobiliza\u00e7\u00f5es de massas que se coloquem efetivamente contra a ordem burguesa encontrar\u00e3o esses governos como seu inimigo e disposto a conter, desviar e caso n\u00e3o consiga, reprimir duramente esses movimentos. Porem, n\u00e3o descartamos, que no limite e pressionados pela mobiliza\u00e7\u00e3o, adotem medidas de enfrentamento com o imperialismo e com setores das burguesias nacionais com maior liga\u00e7\u00e3o com o imperialismo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">15) No entanto vemos o surgimento de p\u00f3los de desconfian\u00e7a e de oposi\u00e7\u00e3o pela esquerda a esses governos que se expressaram recentemente no alto \u00edndice de absten\u00e7\u00e3o no Referendo na Venezuela, na rebeli\u00e3o Bol\u00edvia que destituiu o governo provincial e instalou no seu lugar um governo baseado nas organiza\u00e7\u00f5es de base do movimento, embora n\u00e3o tenha tido dura\u00e7\u00e3o e nos movimentos pela COB no sentido de impulsionar a luta pela estatiza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s sob controle dos trabalhadores, com a ocupa\u00e7\u00e3o de refinarias, as recentes greves de trabalhadores venezuelanos e que conquistou a nacionaliza\u00e7\u00e3o da SIDOR, a conquista na constituinte equatoriana de inocentar ativistas e militantes perseguidos, podem ser demonstra\u00e7\u00f5es de um processo mais amplo de mobiliza\u00e7\u00e3o e guinada \u00e0 esquerda de um setor do movimento oper\u00e1rio-popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16) A maioria da burguesia por seu lado tenta preparar o terreno para o seu retorno ao poder de forma direta num futuro mais ou menos pr\u00f3ximo a partir de que se esgote o modelo nacionalista-burgu\u00eas e se criem as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para seus movimentos golpistas. Na Bol\u00edvia \u00e9 onde a burguesia tem maior raio de a\u00e7\u00e3o a partir de sua hegemonia sobre Santa Cruz de La Sierra e \u201cregi\u00e3o da lua\u201d de onde comanda um movimento separatista que tem claro conte\u00fado golpista, pois pretende se apossar diretamente dos recursos naturais a\u00ed existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">17) Entretanto deve-se sulinhar que os meios para conter e derrotar essas iniciativas golpistas das burguesias locais encontram-se sobretudo nas m\u00e3os dos pr\u00f3prios governos Chavez, Morales e\u00a0 Rafael Correa que no entanto recusam-se a desarm\u00e1-los e retir\u00e1-los de uma vez do poder, o que poderiam caso se appoiassem na mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas empobrecidas. Por isso a maior responsabilidade, caso a burguesia consiga retornar ao poder de forma direta ser\u00e1 desses pr\u00f3prios governos que deixaram na de m\u00e3os livres para agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">18) Como marxistas n\u00e3o nos resta alternativa que n\u00e3o seja a cr\u00edtica e independ\u00eancia pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos governos nacionalistas burgueses quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia desses pa\u00edses. Uma oposi\u00e7\u00e3o de esquerda, contra a burguesia e o imperialismo. N\u00e3o classificamos esses governos e regimes como aliados dos trabalhadores e de suas lutas contra o capital.\u00a0\u00a0 Uma posi\u00e7\u00e3o socialista e revolucion\u00e1ria deve se colocar de forma independente, cr\u00edtica e alternativa aos governos nacionalistas-burgueses. Temos que partir das necessidades e tarefas gerais colocadas para esses pa\u00edses e para a Am\u00e9rica Latina e, a partir da\u00ed, mesmo reconhecendo medidas progressivas desses governos, nossa tarefa \u00e9 sobretudo, denunciar os limites dessas medidas e demonstrar que na verdade s\u00e3o os limites de um projeto que n\u00e3o se prop\u00f5e a enfrentar de forma conseq\u00fcente o imperialismo e derrotar a burguesia interna e o capitalismo, muito menos construir o socialismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">19) Diante das\u00a0 vacila\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios setores de esquerda quanto a viabilidade e atualidade da revolu\u00e7\u00e3o como ato de for\u00e7a do proletariado, levantamos em alto e bom som que n\u00e3o resta outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja a tomada do poder pelo proletariado. As falsas solu\u00e7\u00f5es reformistas que pretendiam realizar o socialismo ou avan\u00e7ar por essa via atrav\u00e9s de rupturas graduais provaram sua inutilidade no momento de enfrentamento com a burguesia imperialista, produzindo experi\u00eancias traum\u00e1ticas como a chilena. Procurando uma \u2013imposs\u00edvel- gest\u00e3o \u201chumanizadora\u201d do capitalismo, se colocam em caminho diferente daquele que defendemos, qual seja a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade pela via revolucion\u00e1ria;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">20) Os trabalhadores precisam lutar por um projeto pr\u00f3prio, independente, classista, socialista, baseado em organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas e combativas, que avance para medidas de ruptura da ordem capitalista e supere a mis\u00e9ria das massas, cujos rem\u00e9dios assistencialistas do nacionalismo burgu\u00eas s\u00f3 puderam servir como paliativo moment\u00e2neo ou para maquiar. Na situa\u00e7\u00e3o venezuelana e principalmente a boliviana \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio um programa radical e socialista contra a burguesia e a propriedade privada, que deve conter entre outras quest\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores de todas as reservas, empresas e atividades envolvidas no processamento do petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e de todos os ramos necess\u00e1rios ao funcionamento da sociedade, como ind\u00fastrias, bancos, meios de comunica\u00e7\u00e3o, etc;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o da Bol\u00edvia orquestrada pela burguesia de Santa Cruz de La Sierra em conjunto com o imperialismo para se apossar do g\u00e1s do pa\u00eds. Pris\u00e3o e julgamento dos golpistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Assembl\u00e9ia Constituinte livre e soberana, sem patr\u00f5es nem altos funcion\u00e1rios, que escreva uma nova Constitui\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds e tome as medidas gerais necess\u00e1rias \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o da sociedade em bases democr\u00e1ticas e socialistas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">21) Para que as tarefas apontadas sejam levadas a cabo, ser\u00e3o necess\u00e1rios novos ciclos de mobiliza\u00e7\u00e3o apoiados na independ\u00eancia dos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es frente a esses governos. Por \u00faltimo, as cr\u00edticas que fazemos \u00e0s dire\u00e7\u00f5es desse processo n\u00e3o nos levam a compactuar com qualquer agress\u00e3o do imperialismo e diante de qualquer tentativa de interven\u00e7\u00e3o imperialista nos colocamos imediatamente na defesa do povo venezuelano, boliviano ou qualquer outro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1) Nos \u00faltimos anos, fruto do aumento da resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o imperialista e como express\u00e3o deformada da luta de classes,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1419"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1419"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1422,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1419\/revisions\/1422"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}