{"id":142,"date":"2009-02-08T19:15:43","date_gmt":"2009-02-08T21:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/142"},"modified":"2018-05-05T17:44:45","modified_gmt":"2018-05-05T20:44:45","slug":"o-proletariado-europeu-mostra-o-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/02\/o-proletariado-europeu-mostra-o-caminho\/","title":{"rendered":"O proletariado europeu mostra o caminho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">Os dados oficiais dos pa&iacute;ses europeus <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">confirmam<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\"> o que os trabalhadores j&aacute; detectaram na pr&aacute;tica h&aacute; muito tempo: h&aacute; uma grave crise econ&ocirc;mica mundial. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">Um recente documento da Comiss&atilde;o da Comunidade Europ&eacute;ia (composta por 27 pa&iacute;ses) &eacute; enf&aacute;tico: <i>&ldquo;<\/i><\/span><i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">a crise financeira ainda n&atilde;o cessou e j&aacute; est&aacute; a degenerar numa grave desacelera&ccedil;&atilde;o da economia no seu conjunto, afectando as fam&iacute;lias, as empresas e o emprego&rdquo; <\/span><\/i><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">e ainda<i> &ldquo;A desacelera&ccedil;&atilde;o da actividade econ&oacute;mica afectar&aacute; as fam&iacute;lias e as camadas mais vulner&aacute;veis das nossas sociedades, fazendo j&aacute; sentir os seus efeitos em termos de desemprego&rdquo;.<\/i> <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Sob o ponto de vista dos trabalhadores, o texto &eacute; explicito: os efeitos da crise<span style=\"color: red;\"> <\/span><span style=\"color: black;\">afetam diretamente<\/span> a classe trabalhadora. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Outro aspecto importante do documento &eacute; o reconhecimento, j&aacute; em outubro de 2008, de que a crise n&atilde;o &eacute; s&oacute; financeira e muito menos isolada, <span style=\"color: black;\">pois atinge a<\/span> economia capitalista de conjunto: <i>&ldquo;A crise financeira suscitou quest&otilde;es de governa&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel mundial, que ultrapassam o sector financeiro&rdquo;.<\/i><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">A novidade dessa nova crise capitalista &eacute; o fato de estar no cora&ccedil;&atilde;o do sistema, com pa&iacute;ses centrais enfrentando grandes dificuldades e adotando medidas que, <span style=\"color: black;\">sob o pretexto de ajudar o povo,<\/span><span style=\"color: rgb(255, 102, 0);\"> <\/span><span style=\"color: black;\">utilizam <\/span>bilh&otilde;es de dinheiro p&uacute;blico para salvar as empresas e bancos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">O sistema financeiro de v&aacute;rios pa&iacute;ses do continente recebeu socorro dos governos com a inje&ccedil;&atilde;o de bilh&otilde;es de euros. O endividamento do Estado tem se tornado um grave problema nas principais economias.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Nenhum analista burgu&ecirc;s e nem os governos negam mais: A Europa, que ocupa papel fundamental na economia capitalista, est&aacute; em recess&atilde;o. Dados oficiais, divulgados no in&iacute;cio desse ano, aponta<span style=\"color: black;\">m<\/span> para um aprofundamento da crise,pois Fran&ccedil;a, It&aacute;lia, Inglaterra, Alemanha, Espanha,etc apresentaram retra&ccedil;&atilde;o na economia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">E a crise tem uma outra conseq&uuml;&ecirc;ncia: o aumento da competitividade no mercado mundial. Com isso o imperialismo europeu aprofunda os ataques sobre as conquistas dos trabalhadores para reduzir custos com a produ&ccedil;&atilde;o, o que lhe permite melhores condi&ccedil;&otilde;es na competi&ccedil;&atilde;o por novos mercados.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Destacamos tamb&eacute;m que esse processo ocorre no conjunto dos pa&iacute;ses da Europa, sejam centrais ou perif&eacute;ricos com desigualdades ou ritmos distintos, mas n&atilde;o significa que estejam &ldquo;descolados&rdquo; desse processo mais geral. Essas desigualdades n&atilde;o anulam a caracteriza&ccedil;&atilde;o fundamental de que todos, em maior ou menor grau, s&atilde;o parte dessa crise.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h3><b><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps; color: black;\">tanto l&aacute; quanto c&aacute;, os<\/span><\/b><b><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\"> trabalhadores s&atilde;o as v&iacute;timas<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">A solu&ccedil;&atilde;o capitalista para a crise passa por adotar medidas que garantam a manuten&ccedil;&atilde;o do lucro. Dois mecanismos principais t<span style=\"color: black;\">&ecirc;m<\/span> sido adotados para a preserva&ccedil;&atilde;o das <span style=\"color: black;\">empresas: 1)<\/span>a interven&ccedil;&atilde;o do Estado (desmascarando de vez o neoliberalismo de que o Estado n&atilde;o deve intervir na economia) com libera&ccedil;&atilde;o de verbas p&uacute;blicas para bancos e empresas, ou na forma de incentivo fiscal ou mesmo de aplica&ccedil;&atilde;o direta como a compra de a&ccedil;&otilde;es e pap&eacute;is podres. 2) A aplica&ccedil;&atilde;o direta, por parte de empresas e governos, de a&ccedil;&otilde;es<span style=\"\">&nbsp; <\/span>que atinjam os direitos trabalhistas (como redu&ccedil;&atilde;o <span style=\"color: black;\">de jornada<\/span><span style=\"color: red;\"> <\/span>com redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rio, por exemplo) e aumente as demiss&otilde;es. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Destacamos duas quest&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao desemprego nesse per&iacute;odo: 1)grande parte das demiss&otilde;es &eacute; promovida por empresas\/bancos que recebem ajuda do Estado; 2) Essa elimina&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho &eacute; uma das caracter&iacute;sticas centrais e atuais do capital, pois o aumento do desemprego estrutural est&aacute; aliado ao desenvolvimento tecnol&oacute;gico e as novas formas de gerenciamento aplicados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e fazem com que se reduza drasticamente o trabalho humano.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Podemos observar melhor esta din&acirc;mica atrav&eacute;s dos n&uacute;meros apresentados no relat&oacute;rio <i>Tend&ecirc;ncias mundiais de emprego em 2009<\/i> da &ldquo;suspeita&rdquo; OIT que aponta para o fechamento de 50 milh&otilde;es de postos de trabalho nesse ano, o que elevaria para 230 milh&otilde;es de pessoas desempregadas no mundo. Al&eacute;m dos n&uacute;meros que evidenciam a situa&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria no planeta, pois de 3 bilh&otilde;es de pessoas empregadas: 1,3 bilh&atilde;o ganha at&eacute; 2 d&oacute;lares di&aacute;rios e 489,7 milh&otilde;es ganham menos de 1 d&oacute;lar por dia. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h3><b><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\">o velho continente presencia uma nova onda de lutas<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Na Europa o desemprego n&atilde;o p&aacute;ra de crescer.Dados das ag&ecirc;ncias oficiais apresentam: Na Alemanha s&atilde;o mais de 3,2 milh&otilde;es de desempregados podendo chegar a 4 milh&otilde;es em menos de 1 ano; na Espanha os desempregados tamb&eacute;m j&aacute; passaram dos 3 milh&otilde;es; Na Inglaterra a expectativa &eacute; de que em 2010 ser&atilde;o mais de 3 milh&otilde;es,50% maior que o n&uacute;mero de 2008. Na Fran&ccedil;a existem mais de 2 milh&otilde;es de desempregados. Nos pa&iacute;ses do antigo &ldquo;bloco sovi&eacute;tico&rdquo; o desemprego m&eacute;dio &eacute; de 10%. Apesar dos governos negarem<span style=\"color: black;\">, <\/span>a tend&ecirc;ncia geral &eacute; que o desemprego continue aumentando, pois todos os dias os grandes monop&oacute;lios\/oligop&oacute;lios imperialistas continuam informando milhares de cortes de postos de trabalho. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">A crise, a amea&ccedil;a de desemprego e o<span style=\"color: rgb(51, 51, 51);\">s ataques que a burguesia<span style=\"\">&nbsp; <\/span>est&aacute; desferindo contra os trabalhadores <\/span><span style=\"color: black;\">est&atilde;o <\/span><span style=\"color: rgb(51, 51, 51);\">colocando em cena atores importantes da luta de classes mundial: os trabalhadores e jovens do velho continente. As lutas que a juventude europ&eacute;ia protagoniza e as recentes manifesta&ccedil;&otilde;es do proletariado europeu <\/span><span style=\"color: black;\">s&atilde;o<\/span><span style=\"color: red;\"> <\/span><span style=\"color: rgb(51, 51, 51);\">apenas demonstra&ccedil;&otilde;es da cria&ccedil;&atilde;o de novas possibilidades para luta de nossa classe.<\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Essas lutas representam a continuidade de um processo anterior que vinha se desenvolvendo j&aacute; h&aacute; algum tempo:<b><span style=\"color: rgb(51, 51, 51);\"><o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">B&eacute;lgica<\/span><\/b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">: no m&ecirc;s de outubro os trabalhadores &ndash; p&uacute;blicos e privados &ndash;<span style=\"\">&nbsp; <\/span>desencadearam a mais importante luta dos &uacute;ltimos <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">tempos<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">. A paralisa&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ou trabalhadores metal&uacute;rgicos, dos Correios, do transporte p&uacute;blico, da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica Audi e dos supermercados Carrefour. O destaque &eacute; que essa luta ocorreu <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">mesmo com as<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\"> dire&ccedil;&otilde;es sindicais <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">defendendo apenas mobiliza&ccedil;&otilde;es para &ldquo;pressionar&rdquo; o governo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">Na Fran&ccedil;a<\/span><\/b><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">, tamb&eacute;m no m&ecirc;s de outubro, trabalhadores da Renault da regi&atilde;o de <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Sandouville realizaram uma importante greve contra a demiss&atilde;o de 1000 trabalhadores. Um fato interessante foi essa greve obrigar Sarkozi a cancelar uma viagem programada para essa f&aacute;brica, sob a alega&ccedil;&atilde;o de &ldquo;que n&atilde;o &eacute; conveniente ir a uma f&aacute;brica em luta&rdquo;. O processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o se estendeu para dezembro com a luta de estudantes e professores contra uma proposta francesa de reforma no ensino secund&aacute;rio que<span style=\"color: black;\">, <\/span>entre outras coisas, <span style=\"color: black;\">geraria o saldo de mais de<\/span> 13 mil demiss&otilde;es de professores. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Essas mobiliza&ccedil;&otilde;es, na mesma &eacute;poca em que ocorriam na Gr&eacute;cia, obrigaram o governo franc&ecirc;s a recuar nessa reforma e nas discuss&otilde;es sobre flexibiliza&ccedil;&atilde;o de leis trabalhistas.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;\" class=\"storytext\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">O ano de 2009 come&ccedil;a com v&aacute;rias mobiliza&ccedil;&otilde;es de sem-teto, metal&uacute;rgicos e funcion&aacute;rios p&uacute;blicos. Nesse contexto de surgimento de movimentos sociais destacam-se grupos de desempregados e trabalhadores denominados de &quot;Robin Wood dos supermercados&quot; que se re&uacute;nem para saquear supermercados em Paris e outras cidades, como Rennes e Grenoble e depois distribuir para os pobres.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Esse processo de lutas culminou em 29\/02 em uma greve geral de trabalhadores do setor p&uacute;blico e privado e do movimento estudantil. Paralisou diversas reparti&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e teve a ades&atilde;o do setor de transportes. A greve foi motivada, al&eacute;m do ac&uacute;mulo das tens&otilde;es anteriores, pela tentativa do Governo Franc&ecirc;s de impor aos trabalhadores uma reforma previdenci&aacute;ria que tem em sua pauta, inclusive, a eleva&ccedil;&atilde;o do tempo de contribui&ccedil;&atilde;o, e busca retirar dos trabalhadores vit&oacute;rias h&aacute; muito conquistadas. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Com a participa&ccedil;&atilde;o de um milh&atilde;o e meio de trabalhadores esta<span style=\"\">&nbsp; <\/span>manifesta&ccedil;&atilde;o transformou-se em uma das maiores dos &uacute;ltimos anos. Condena-se n&atilde;o s&oacute; a gest&atilde;o da crise por Nicolas Sarkozy, mas tamb&eacute;m os pr&oacute;prios fundamentos da solu&ccedil;&atilde;o capitalista para as crises, que reserva ao trabalhador a mis&eacute;ria. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm 0cm 0.0001pt; line-height: normal;\" class=\"MsoBodyTextIndent2\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">O car&aacute;ter massivo e unit&aacute;rio da greve &ndash; que contou com trabalhadores das empresas automobil&iacute;sticas, da constru&ccedil;&atilde;o civil, banc&aacute;rios, qu&iacute;micos, funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, trabalhadores dos Correios, de hospitais e estudantes &#8211; &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o importante de que o proletariado est&aacute; percebendo a necessidade de lutas unificadas pela defesa da classe e serve de indicativo para os demais trabalhadores do mundo de como devemos enfrentar a crise.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">No m&ecirc;s de dezembro a <b>Espanha<\/b> tamb&eacute;m foi sacudida por mobiliza&ccedil;&otilde;es estudantis contra o &ldquo;plano Bolonha&rdquo;, uma reforma universit&aacute;ria que abre a possibilidade de privatiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o. Antes, em novembro, os trabalhadores da Nissam j&aacute; haviam realizado uma importante mobiliza&ccedil;&atilde;o contra a demiss&atilde;o de mais de 1600 trabalhadores e com a invas&atilde;o da sede da empresa. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Outro importante processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o foi o protagonizado pelos estudantes, professores e pais de alunos na <b>It&aacute;lia<\/b> contra a lei Gelmini (ministra da Educa&ccedil;&atilde;o) que corta quase 8 bilh&otilde;es de euros das verbas para a Educa&ccedil;&atilde;o, amea&ccedil;a de desemprego 130 mil professores nos pr&oacute;ximos anos com a redu&ccedil;&atilde;o para 1 professor por sala (desde a d&eacute;cada de 70 s&atilde;o tr&ecirc;s professores por sala de aula no ensino prim&aacute;rio), separa em classes distintas imigrantes e italianos e inicia um processo de privatiza&ccedil;&atilde;o das universidades. Somente em Roma as mobiliza&ccedil;&otilde;es reuniram mais de 1 milh&atilde;o de pessoas, al&eacute;m de manifesta&ccedil;&otilde;es em cidades importantes como Mil&atilde;o, Sic&iacute;lia, Turin e outras. Mas infelizmente o governo de Berlusconi conseguiu impor essa reforma e o movimento retrocedeu.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Sem d&uacute;vida, a mais importante mobiliza&ccedil;&atilde;o do velho continente ocorreu na <b>Gr&eacute;cia<\/b> no m&ecirc;s de dezembro. Iniciada contra o assassinato pela pol&iacute;cia do jovem Alexis Grigoropoulos logo se espalhou por v&aacute;rias cidades. Atenas era o centro e a &ldquo;gota d&rsquo;&aacute;gua&rdquo; para os protestos foi a&ccedil;&atilde;o covarde da pol&iacute;cia. A situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica &ndash; com milhares de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza e um alto n&iacute;vel de desemprego que, oficialmente, alcan&ccedil;ou 23% &#8211; colocou a juventude como principal v&iacute;tima. A maioria dos jovens quando terminam seus estudos n&atilde;o conseguem emprego e quando conseguem os sal&aacute;rios n&atilde;o passam dos 600 euros, constituindo o que os gregos chamam de &ldquo;gera&ccedil;&atilde;o dos 600 euros&rdquo;. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Expressando um processo muito mais profundo de descontentamento social as mobiliza&ccedil;&otilde;es logo se espalharam e v&aacute;rias categorias se incorporaram &agrave; luta com a realiza&ccedil;&atilde;o de greves e manifesta&ccedil;&otilde;es em conjunto com os estudantes, o que constituiu uma importante alian&ccedil;a para a luta e permitiu car&aacute;ter <span style=\"color: black;\">de classe mais definido.<\/span> O &aacute;pice desse processo foi a greve geral de<span style=\"\">&nbsp; <\/span>10 de dezembro, que paralisou os principais centros econ&ocirc;micos do pa&iacute;s. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<h3><b style=\"\"><span style=\"font-family: Arial; font-variant: small-caps;\">uma vit&oacute;ria dos trabalhadores da europa pode ser decisiva<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">A vit&oacute;ria dos trabalhadores europeus, pela sua for&ccedil;a pol&iacute;tica e social, &eacute; decisiva para a luta de classes em n&iacute;vel mundial. Uma burguesia poderosa, como a da Europa, merece um proletariado poderoso que em movimento coloca uma nova perspectiva para a luta dos trabalhadores no mundo. Est&aacute; nos pa&iacute;ses imperialista<span style=\"color: black;\">s<\/span> a principal frente de batalha do proletariado mundial. Na luta de classes podemos dizer que os ventos do norte movem moinhos.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">N&atilde;o acreditamos que se tenha apagado da mem&oacute;ria dos trabalhadores europeus os feitos her&oacute;icos e hist&oacute;ricos que seus antepassados protagonizaram. As revolu&ccedil;&otilde;es do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\"> foram <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">vit&oacute;rias espetaculares sobre a burguesia e o imperialismo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond;\">Assim, acreditamos que no pr&oacute;ximo per&iacute;odo o proletariado europeu continuar&aacute; no caminho das lutas. Ser&atilde;o<span style=\"color: rgb(51, 51, 51);\"> lutas de vida ou morte, pois ou avan&ccedil;aremos nas nossas lutas ou deixaremos o caminho para a burguesia jogar sobre as nossas costas os custos da crise por ela<\/span><span style=\"color: red;\"> <\/span><span style=\"color: rgb(51, 51, 51);\">provocada. Como em todas as crises a sa&iacute;da para o capitalismo tem sido o aumento da barb&aacute;rie e da mis&eacute;ria de popula&ccedil;&otilde;es inteiras.<o:p><\/o:p><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">A crise, por ser global, envolve todos os pa&iacute;ses, <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">tanto<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: red;\"> <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">de economia imperialista <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">quanto os<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\"> de economia dependente. O capital &eacute; &uacute;nico. A crise &eacute; &uacute;nica em todo o mundo e nos possibilita afirmar que o respons&aacute;vel por seus efeitos devastadores &eacute; o sistema capitalista. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">Sendo assim, cada luta de trabalhadores que acontece no mundo &eacute; a nossa luta. Somemo-nos em cada uma delas com solidariedade e apoio. Fortalecemos cada uma delas colocando-nos em movimento. Unimo-nos em cada luta para destruirmos o que n&atilde;o serve mais e para construirmos uma sociedade socialista. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\">Os dados oficiais dos pa&iacute;ses europeus <\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: black;\">confirmam<\/span><span style=\"font-size: 11pt; font-family: Garamond; color: rgb(51, 51, 51);\"> o que os trabalhadores j&aacute; detectaram na pr&aacute;tica h&aacute; muito tempo: h&aacute; uma grave crise econ&ocirc;mica mundial. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=142"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6219,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/142\/revisions\/6219"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}