{"id":145,"date":"2009-02-08T21:14:50","date_gmt":"2009-02-08T23:14:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/145"},"modified":"2018-05-04T21:46:05","modified_gmt":"2018-05-05T00:46:05","slug":"benjamin-button-uma-vida-ao-contrario-e-na-direcao-errada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/02\/benjamin-button-uma-vida-ao-contrario-e-na-direcao-errada\/","title":{"rendered":"Benjamin Button, uma vida ao contr\u00e1rio, e na dire\u00e7\u00e3o errada"},"content":{"rendered":"<p><!-- [if gte mso 9]><xml>\n<\/xml><![endif]--><\/p>\n<style type=\"text\/css\">\n<!-- \/* Font Definitions *\/ @font-face {font-family:Tahoma; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;} @font-face {font-family:\"Thorndale AMT\"; mso-font-alt:\"Times New Roman\"; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face {font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:auto; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face {font-family:\"Albany AMT\"; mso-font-alt:Arial; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} \/* Style Definitions *\/ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:\"\"; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:none; mso-hyphenate:none; font-size:12.0pt; font-family:\"Thorndale AMT\"; mso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-bidi-font-family:Tahoma;} p.MsoCaption, li.MsoCaption, div.MsoCaption {margin-top:6.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:6.0pt; margin-left:0cm; mso-pagination:no-line-numbers; mso-hyphenate:none; font-size:12.0pt; font-family:\"Thorndale AMT\"; mso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-bidi-font-family:Tahoma; font-style:italic;} p.MsoList, li.MsoList, div.MsoList {mso-style-parent:\"Corpo de texto\"; margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:6.0pt; margin-left:0cm; mso-pagination:none; mso-hyphenate:none; font-size:12.0pt; font-family:\"Thorndale AMT\"; mso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-bidi-font-family:Tahoma;} p.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText {margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:6.0pt; margin-left:0cm; mso-pagination:none; mso-hyphenate:none; font-size:12.0pt; font-family:\"Thorndale AMT\"; mso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-bidi-font-family:Tahoma;} a:link, span.MsoHyperlink {mso-style-parent:\"Fonte par\u00e1g. padr\u00e3o\"; color:blue; text-decoration:underline; text-underline:single;} a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed {color:purple; text-decoration:underline; text-underline:single;} p.Captulo, li.Captulo, div.Captulo {mso-style-name:Cap\u00edtulo; mso-style-next:\"Corpo de texto\"; margin-top:12.0pt; margin-right:0cm; margin-bottom:6.0pt; margin-left:0cm; mso-pagination:none; page-break-after:avoid; mso-hyphenate:none; font-size:14.0pt; font-family:\"Albany AMT\"; mso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-bidi-font-family:Tahoma;} p.ndice, li.ndice, div.ndice {mso-style-name:\u00cdndice; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:no-line-numbers; mso-hyphenate:none; font-size:12.0pt; font-family:\"Thorndale AMT\"; mso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\"; mso-bidi-font-family:Tahoma;} @page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} --><br \/>\n<\/style>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!-- [if !supportEmptyParas]--><!--[endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O diretor David Fincher e o astro Brad Pitt j\u00e1 trabalharam juntos no eficiente thriller \u201cSeven\u201d e em \u201cClube da Luta\u201d, um dos melhores filmes da d\u00e9cada passada. Nesses dois trabalhos anteriores, se exp\u00f5e uma vis\u00e3o bastante cr\u00edtica da experi\u00eancia humana, para n\u00e3o dizer radicalmente negativa. Essa vis\u00e3o \u00e9 de certo modo caracter\u00edstica do restante da brilhante filmografia do diretor, que se coloca bastante acima da m\u00e9dia dos realizadores comuns. Os dois repetem agora a parceria em \u201cO curioso caso de Benjamin Button\u201d, que narra a hist\u00f3ria de um homem que envelhece ao contr\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tendo nascido com o aspecto de um anci\u00e3o, encarquilhado, quase cego, surdo, com artrite e toda sorte de debilidades f\u00edsicas que acometem os idosos, Benjamin rejuvenesce conforme cresce, tornando-se um homem velho, depois maduro, adulto, jovem, adolescente, crian\u00e7a, terminando seus dias como um beb\u00ea. Tendo sua m\u00e3e morrido no parto, ele \u00e9 repudiado pelo pai, o rico dono de uma f\u00e1brica de bot\u00f5es, que o deixa nas portas de um asilo de idosos. L\u00e1 ele \u00e9 adotado pela negra Queenie, que cuida dos idosos no asilo, e que n\u00e3o podia ter filhos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nenhuma explica\u00e7\u00e3o direta \u00e9 fornecida para o envelhecimento invertido de Benjamin, e de resto o bizarro fen\u00f4meno tamb\u00e9m n\u00e3o surpreende muito as pessoas que convivem com ele, nem provoca esc\u00e2ndalo ou o transforma numa celebridade mundial, o que muito provavelmente teria acontecido em nosso mundo se seu caso fosse real. \u00c0 guisa de explica\u00e7\u00e3o, faz-se alus\u00e3o a um relojoeiro cego que projetou um rel\u00f3gio que corre ao contr\u00e1rio para ser instalado na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria central da cidade. Com isso, o relojoeiro queria fazer retroceder o tempo e reverter a perda de seu filho, que tinha acabado de morrer na I Guerra Mundial. N\u00e3o \u00e9 apresentada uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os dois casos, apenas exposta a coincid\u00eancia de que Benjamin nasceu nesse mesmo ano, 1918, e na mesma cidade, New Orleans.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A capital do jazz foi assolada pelo furac\u00e3o Katrina em 2005. \u00c9 nesse exato momento que come\u00e7a a narrativa. \u00c0s v\u00e9speras da chegada do furac\u00e3o, uma idosa que est\u00e1 hospitalizada em estado grave pede a sua filha que leia o di\u00e1rio de Benjamin Button. \u00c9 por meio da leitura do di\u00e1rio que a hist\u00f3ria \u00e9 contada e que se conhece a rela\u00e7\u00e3o das duas mulheres com Benjamin. O filme transcorre ent\u00e3o como uma longa exposi\u00e7\u00e3o do percurso de toda uma vida, do nascimento \u00e0 morte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O percurso de uma vida bastante original fazem deste \u201cCurioso caso\u201d um filme extraordin\u00e1rio para os padr\u00f5es da ind\u00fastria. Isto, somado aos seus ineg\u00e1veis m\u00e9ritos t\u00e9cnicos, a compet\u00eancia da dire\u00e7\u00e3o, o bom trabalho do elenco, da maquiagem, etc., levaram a 13 indica\u00e7\u00f5es para o Oscar, pr\u00eamio m\u00e1ximo da ind\u00fastria. Dadas as caracter\u00edsticas do pr\u00eamio (o filme com o maior n\u00famero de indica\u00e7\u00f5es \u00e9 quase sempre o maior vencedor), \u201cBenjamin Button\u201d deve sair consagrado pela Academia. No deserto de criatividade em que se tornou o cinema comercial estadunidense, o filme de David Fincher \u00e9 de fato excepcional. Tem a rara qualidade de provocar algum tipo de reflex\u00e3o, de empatia e identifica\u00e7\u00e3o do espectador com o destino dos personagens. Entretanto, isso n\u00e3o significa que o filme consiga dar conta de seu objeto satisfatoriamente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As fragilidades come\u00e7am no esquematismo do roteiro. Assim como a pseudo-explica\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica para o envelhecimento invertido por causa do rel\u00f3gio, todo o restante da narrativa \u00e9 constru\u00eddo por coincid\u00eancias e paralelismos. Uma s\u00e9rie de fatos convenientemente convergentes se articulam para direcionar o percurso da vida do personagem e sua forma\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios fatos e contextos se combinam tamb\u00e9m para influenciar na interpreta\u00e7\u00e3o que se pode tirar da moral da hist\u00f3ria. O fato de termos a presen\u00e7a de uma idosa intercalando a narrativa anuncia uma reflex\u00e3o sobre a inevitabilidade da morte, que cedo ou tarde atinge a todos. Tal inevitabilidade \u00e9 sublinhada pela presen\u00e7a do furac\u00e3o Katrina, que n\u00f3s espectadores j\u00e1 sabemos qu\u00e3o mort\u00edfero acabaria sendo, mas que as personagens ainda ignoravam. O furac\u00e3o adiciona a devida dose de arb\u00edtrio ao lembrar como a vida humana \u00e9 fr\u00e1gil e que n\u00e3o apenas os idosos morrem. Outro fato bastante conveniente \u00e9 o de Benjamin ter sido criado num asilo, o que permitiu a ele n\u00e3o apenas receber os cuidados geri\u00e1tricos adequados a sua \u201cinf\u00e2ncia senil\u201d, mas tamb\u00e9m partilhar do conv\u00edvio com os idosos e sua sabedoria, e testemunhar a presen\u00e7a constante da morte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diz-se que a inf\u00e2ncia de uma pessoa termina quando ela compreende que vai morrer. Benjamin testemunha desde cedo a desapari\u00e7\u00e3o dos demais h\u00f3spedes do asilo e experimenta o sentimento de perda que a morte traz aos que ficaram. Esse ambiente, somado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o peculiar de algu\u00e9m que nasceu idoso, teriam contribu\u00eddo para que ele desenvolvesse algum tipo de percep\u00e7\u00e3o especial do percurso da vida. Logo que \u00e9 acolhido no asilo e examinado por um m\u00e9dico, e antes que se pudesse perceber que ele estava na verdade envelhecendo ao contr\u00e1rio (rejuvenescendo), Benjamin era de fato tratado como algu\u00e9m que tinha muito pouco tempo de vida, como os demais h\u00f3spedes do asilo. Ele teria nascido para morrer em pouco tempo, realizando em forma de piada a frase de Heidegger de que \u201co homem \u00e9 um ser para a morte\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O fato de ter passado os primeiros anos de sua inf\u00e2ncia acreditando que iria morrer a qualquer momento, sem saber quanto tempo lhe restaria, deveria ter lhe inculcado muito precocemente o sentimento da precariedade da vida, acompanhado da percep\u00e7\u00e3o do quanto a vida \u00e9 preciosa, que por fim se completaria com a li\u00e7\u00e3o de que todos os momentos deveriam ser muito bem aproveitados. Isso parece estar acontecendo ao longo da primeira parte do filme, quando Benjamin \u00e9 uma crian\u00e7a e adolescente com aspecto de um velho, e desfruta todos os momentos e descobertas da vida como d\u00e1divas. Ao inv\u00e9s de crescer com a paran\u00f3ia dos jovens, que querem apressadamente \u201cconquistar o mundo\u201d, ele cresce com a serenidade dos idosos, que apreciam os pequenos prazeres da vida, o sopro de uma brisa, o canto de um p\u00e1ssaro, o colorido de um por do sol. A essa primeira parte pertencem os melhores momentos do filme, como as divertidas reminisc\u00eancias do homem que foi atingido sete vezes por rel\u00e2mpagos. Ali\u00e1s, em sua velhice, a \u00fanica coisa que restou a este homem \u00e9 a lembran\u00e7a dos rel\u00e2mpagos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">Entretanto, a profundidade da tem\u00e1tica se desvanece conforme a narrativa avan\u00e7a e a vida de Benjamin se torna comum. H\u00e1 uma grande dificuldade em mostrar o que ele aprende e o que tem a ensinar quando se torna ele pr\u00f3prio um idoso de verdade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">A tem\u00e1tica do envelhecimento \u00e9 estranha ao cinema hollywoodiano tradicional. A ind\u00fastria cultural n\u00e3o contempla o fen\u00f4meno do envelhecimento e da morte natural nas suas narrativas. A morte, quando aparece, \u00e9 quase sempre \u201cher\u00f3ica\u201d, em nome de alguma causa, ou acidental, tr\u00e1gica. A morte pura e simples, como resultado natural do esgotamento da vida, \u00e9 mantida ausente do imagin\u00e1rio coletivo. H\u00e1 uma nega\u00e7\u00e3o da morte natural na ind\u00fastria cultural.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A nega\u00e7\u00e3o anti-natural da morte resulta em uma falsa afirma\u00e7\u00e3o da vida. O cinema esconde o percurso natural da vida no mesmo movimento em que comercializa a vitalidade exuberante de suas estrelas, a juventude, a beleza, o carisma, a sensualidade. Tudo isso \u00e9 embalado nas narrativas fant\u00e1sticas do amor rom\u00e2ntico idealizado e devidamente arrematado pelos artif\u00edcios do final feliz e pelo mito do \u201cviveram felizes para sempre\u201d. As vidas de contos de fadas do cinema s\u00e3o concebidas para funcionar como um prec\u00e1rio substituto e ant\u00eddoto para a vida miser\u00e1vel da maioria dos seres humanos neste mundo b\u00e1rbaro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pensar na morte implica em questionar a vida. A filosofia nasceu com esse prop\u00f3sito, amparar o homem no confronto com sua inescap\u00e1vel finitude. Questionar filosoficamente a vida \u00e9 uma atitude n\u00e3o muito bem vinda na nossa realidade atual. As narrativas adocicadas da ind\u00fastria cultural induzem justamente \u00e0 atitude oposta. O indiv\u00edduo compara sua pr\u00f3pria vida com a vida idealizada do cinema, das telenovelas, dos romances, e percebe que h\u00e1 uma abissal diferen\u00e7a, mas considera que a causa da inadequa\u00e7\u00e3o est\u00e1 na sua pr\u00f3pria pessoa e n\u00e3o no mundo, e tenta se ajustar como pode.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aparentemente, Benjamin Button se coloca na dire\u00e7\u00e3o oposta do cinema comercial, ao trazer uma narrativa que aborda o in\u00edcio e o fim da vida de um homem. Entretanto, o filme n\u00e3o escapa da armadilha de sua pr\u00f3pria premissa. O homem que envelhece ao contr\u00e1rio acaba, na verdade, n\u00e3o envelhecendo. O Benjamin maduro, na imagem de um Brad Pitt adolescente, n\u00e3o \u00e9 um homem maduro, mas um adolescente. Suas decis\u00f5es e escolhas, sua psicologia e atitudes, sua moralidade n\u00e3o revelam nenhum conflito real, nenhum dilema, nenhuma cicatriz emocional, nenhum tesouro de sabedoria adquirido ao custo de doloroso aprendizado. A imagem prevalece sobre o conte\u00fado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O conto de Benjamin Button na verdade realiza a fantasia coletiva do rejuvenescimento. Ele \u00e9 uma express\u00e3o radical do processo de rejuvenescimento dos protagonistas protot\u00edpicos do romance na narrativa cinematogr\u00e1fica. Os protagonistas dos grandes romances cl\u00e1ssicos do cinema, como os de \u201cE o vento levou\u201d e \u201cCasablanca\u201d eram casais maduros. Os protagonistas dos romances do cinema atual s\u00e3o adolescentes, como os de \u201cTitanic\u201d. A ind\u00fastria cultural rejeita a idade madura e busca ref\u00fagio na juventude.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">Ao inv\u00e9s de ilustrar o envelhecimento como ganho de conhecimento, Benjamin Button retrata o desejo de juventude como fuga da realidade. Mesmo que essa n\u00e3o tenha sido a inten\u00e7\u00e3o consciente de seus autores, como muitas vezes n\u00e3o \u00e9 no mundo da arte, o filme termina por expressar justamente a compuls\u00e3o patol\u00f3gica pela juventude, a falsa afirma\u00e7\u00e3o da vida e a nega\u00e7\u00e3o do pensamento e da morte que constituem o grosso da ind\u00fastria cultural. A contradi\u00e7\u00e3o do filme com a ideologia predominante na ind\u00fastria \u00e9 apenas aparente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A vida de Benjamin Button transcorre ao longo de todo o \u201cbreve s\u00e9culo XX\u201d (Hobsbawm), um dos per\u00edodos mais conturbados da hist\u00f3ria, atravessado por revolu\u00e7\u00f5es, contra-revolu\u00e7\u00f5es, guerras mundiais, guerras de liberta\u00e7\u00e3o, movimentos, id\u00e9ias e ideologias que empolgaram milh\u00f5es de pessoas, transforma\u00e7\u00f5es sociais, culturais, comportamentais. Nenhum desses acontecimentos o afeta realmente. Ele participa da II Guerra, mas o faz sem opini\u00e3o pr\u00f3pria, apenas porque o capit\u00e3o do navio em que trabalhava decidiu se engajar na marinha. Ele experimenta as perdas e o drama da guerra, mas permanece quase indiferente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Hist\u00f3ria passa por Benjamin sem que ele se deixe afetar, sem que tome posi\u00e7\u00e3o, sem que se comprometa com qualquer causa ou ideal, sem passar por uma sensa\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria ou derrota. Benjamin \u00e9 um ser a-hist\u00f3rico. Ele est\u00e1 t\u00e3o deslocado do drama hist\u00f3rico da humanidade que resolve de modo tamb\u00e9m indiferente a quest\u00e3o mais b\u00e1sica para qualquer ser humano, a sobreviv\u00eancia material. O adolescente\/velhinho come\u00e7a a trabalhar num barco apenas pelo prazer de realizar algo, mesmo que seja uma tarefa considerada degradante e rejeitada por todos os demais, como limpar o conv\u00e9s. O trabalho \u00e9 uma atividade em si mesma gratificante, quando n\u00e3o realizado sob a compuls\u00e3o da necessidade. Acontece que, nas atuais circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, comprometidas pela divis\u00e3o social do trabalho, ou seja, pela divis\u00e3o de classes, o trabalho se concretiza como aliena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como realiza\u00e7\u00e3o, para a quase totalidade dos seres humanos. Benjamin s\u00f3 pode se comportar assim em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho porque teve sua sobreviv\u00eancia material convenientemente garantida no roteiro, seja pela Funda\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica que mant\u00e9m o asilo, seja pela heran\u00e7a da f\u00e1brica de bot\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entretanto, Benjamin se relaciona de modo at\u00edpico n\u00e3o apenas com as condi\u00e7\u00f5es sociais e hist\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m com a vida pessoal. Nunca fica claro o que o atraiu para a rela\u00e7\u00e3o com a mulher do espi\u00e3o na R\u00fassia, e por sua vez, o que o tornou atraente para ela. Sua rela\u00e7\u00e3o com Daisy tamb\u00e9m transcorre como um casamento convencional. A n\u00e3o ser pelo fato de que tamb\u00e9m n\u00e3o fica suficientemente claro o motivo que o levou a se afastar da fam\u00edlia que havia constitu\u00eddo com a mulher que fora o amor de sua vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No final das contas, a mensagem que se transmite n\u00e3o vai muito al\u00e9m daquela que se ouve em comerciais de TV ou livros de auto-ajuda: \u201cnada dura pra sempre\u201d, \u201cviver um dia de cada vez\u201d, \u201caproveitar cada minuto\u201d. O filme fica nos devendo um personagem que tenha de fato aproveitado sua vida e que tenha algo a nos ensinar ao final de tr\u00eas preciosas horas do nosso tempo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!-- [if !supportEmptyParas]-->\u00a0<!--[endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!-- [if !supportEmptyParas]-->\u00a0<!--[endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">08\/02\/2009<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!-- [if !supportEmptyParas]-->\u00a0<!--[endif]--><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Ficha t\u00e9cnica:<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Nome original:\u00a0 The Curious Case of Benjamin Button<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2008<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: David Fincher<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Eric Roth<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Jason Flemyng, Taraji P. Henson, Mahershalalhashbaz Ali, Elias Koteas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: drama, fantasia, mist\u00e9rio, romance<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\"><!-- [if !supportEmptyParas]-->\u00a0<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\"><!-- [if !supportEmptyParas]-->\u00a0<!--[endif]--><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n<meta http-equiv=\"Content-Type\" content=\"text\/html; charset=utf-8\"><br \/>\n<meta name=\"ProgId\" content=\"Word.Document\"><br \/>\n<meta name=\"Generator\" content=\"Microsoft Word 9\"><br \/>\n<meta name=\"Originator\" content=\"Microsoft Word 9\">\n<link rel=\"File-List\" href=\"file:\/\/\/C:\/DOCUME%7E1\/CAROL\/CONFIG%7E1\/Temp\/msoclip1\/01\/clip_filelist.xml\" \/><!--[if gte mso 9]><xml>\n<\/xml><![endif]--><\/p>\n<style type=\"text\/css\">\n<!--\n \/* Font Definitions *\/\n@font-face\n\t{font-family:Tahoma;\n\tpanose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4;\n\tmso-font-charset:0;\n\tmso-generic-font-family:swiss;\n\tmso-font-pitch:variable;\n\tmso-font-signature:1627421319 -2147483648 8 0 66047 0;}\n@font-face\n\t{font-family:\"Thorndale AMT\";\n\tmso-font-alt:\"Times New Roman\";\n\tmso-font-charset:0;\n\tmso-generic-font-family:roman;\n\tmso-font-pitch:variable;\n\tmso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}\n@font-face\n\t{font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-font-charset:0;\n\tmso-generic-font-family:auto;\n\tmso-font-pitch:variable;\n\tmso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}\n@font-face\n\t{font-family:\"Albany AMT\";\n\tmso-font-alt:Arial;\n\tmso-font-charset:0;\n\tmso-generic-font-family:swiss;\n\tmso-font-pitch:variable;\n\tmso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}\n \/* Style Definitions *\/\np.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal\n\t{mso-style-parent:\"\";\n\tmargin:0cm;\n\tmargin-bottom:.0001pt;\n\tmso-pagination:none;\n\tmso-hyphenate:none;\n\tfont-size:12.0pt;\n\tfont-family:\"Thorndale AMT\";\n\tmso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-bidi-font-family:Tahoma;}\np.MsoCaption, li.MsoCaption, div.MsoCaption\n\t{margin-top:6.0pt;\n\tmargin-right:0cm;\n\tmargin-bottom:6.0pt;\n\tmargin-left:0cm;\n\tmso-pagination:no-line-numbers;\n\tmso-hyphenate:none;\n\tfont-size:12.0pt;\n\tfont-family:\"Thorndale AMT\";\n\tmso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-bidi-font-family:Tahoma;\n\tfont-style:italic;}\np.MsoList, li.MsoList, div.MsoList\n\t{mso-style-parent:\"Corpo de texto\";\n\tmargin-top:0cm;\n\tmargin-right:0cm;\n\tmargin-bottom:6.0pt;\n\tmargin-left:0cm;\n\tmso-pagination:none;\n\tmso-hyphenate:none;\n\tfont-size:12.0pt;\n\tfont-family:\"Thorndale AMT\";\n\tmso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-bidi-font-family:Tahoma;}\np.MsoBodyText, li.MsoBodyText, div.MsoBodyText\n\t{margin-top:0cm;\n\tmargin-right:0cm;\n\tmargin-bottom:6.0pt;\n\tmargin-left:0cm;\n\tmso-pagination:none;\n\tmso-hyphenate:none;\n\tfont-size:12.0pt;\n\tfont-family:\"Thorndale AMT\";\n\tmso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-bidi-font-family:Tahoma;}\na:link, span.MsoHyperlink\n\t{mso-style-parent:\"Fonte par\u00e1g. padr\u00e3o\";\n\tcolor:blue;\n\ttext-decoration:underline;\n\ttext-underline:single;}\na:visited, span.MsoHyperlinkFollowed\n\t{color:purple;\n\ttext-decoration:underline;\n\ttext-underline:single;}\np.Captulo, li.Captulo, div.Captulo\n\t{mso-style-name:Cap\u00edtulo;\n\tmso-style-next:\"Corpo de texto\";\n\tmargin-top:12.0pt;\n\tmargin-right:0cm;\n\tmargin-bottom:6.0pt;\n\tmargin-left:0cm;\n\tmso-pagination:none;\n\tpage-break-after:avoid;\n\tmso-hyphenate:none;\n\tfont-size:14.0pt;\n\tfont-family:\"Albany AMT\";\n\tmso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-bidi-font-family:Tahoma;}\np.ndice, li.ndice, div.ndice\n\t{mso-style-name:\u00cdndice;\n\tmargin:0cm;\n\tmargin-bottom:.0001pt;\n\tmso-pagination:no-line-numbers;\n\tmso-hyphenate:none;\n\tfont-size:12.0pt;\n\tfont-family:\"Thorndale AMT\";\n\tmso-fareast-font-family:\"Arial Unicode MS\";\n\tmso-bidi-font-family:Tahoma;}\n@page Section1\n\t{size:612.0pt 792.0pt;\n\tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;\n\tmso-header-margin:36.0pt;\n\tmso-footer-margin:36.0pt;\n\tmso-paper-source:0;}\ndiv.Section1\n\t{page:Section1;}\n-->\n<\/style>\n<p>         <\/meta><br \/>\n<\/meta><br \/>\n<\/meta><br \/>\n<\/meta>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!--[if !supportEmptyParas]--><!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O diretor David Fincher e o astro Brad Pitt j&aacute; trabalharam juntos no eficiente thriller &ldquo;Seven&rdquo; e em &ldquo;Clube da Luta&rdquo;, um dos melhores filmes da d&eacute;cada passada. Nesses dois trabalhos anteriores, se exp&otilde;e uma vis&atilde;o bastante cr&iacute;tica da experi&ecirc;ncia humana, para n&atilde;o dizer radicalmente negativa. Essa vis&atilde;o &eacute; de certo modo caracter&iacute;stica do restante da brilhante filmografia do diretor, que se coloca bastante acima da m&eacute;dia dos realizadores comuns. Os dois repetem agora a parceria em &ldquo;O curioso caso de Benjamin Button&rdquo;, que narra a hist&oacute;ria de um homem que envelhece ao contr&aacute;rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Tendo nascido com o aspecto de um anci&atilde;o, encarquilhado, quase cego, surdo, com artrite e toda sorte de debilidades f&iacute;sicas que acometem os idosos, Benjamin rejuvenesce conforme cresce, tornando-se um homem velho, depois maduro, adulto, jovem, adolescente, crian&ccedil;a, terminando seus dias como um beb&ecirc;. Tendo sua m&atilde;e morrido no parto, ele &eacute; repudiado pelo pai, o rico dono de uma f&aacute;brica de bot&otilde;es, que o deixa nas portas de um asilo de idosos. L&aacute; ele &eacute; adotado pela negra Queenie, que cuida dos idosos no asilo, e que n&atilde;o podia ter filhos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Nenhuma explica&ccedil;&atilde;o direta &eacute; fornecida para o envelhecimento invertido de Benjamin, e de resto o bizarro fen&ocirc;meno tamb&eacute;m n&atilde;o surpreende muito as pessoas que convivem com ele, nem provoca esc&acirc;ndalo ou o transforma numa celebridade mundial, o que muito provavelmente teria acontecido em nosso mundo se seu caso fosse real. &Agrave; guisa de explica&ccedil;&atilde;o, faz-se alus&atilde;o a um relojoeiro cego que projetou um rel&oacute;gio que corre ao contr&aacute;rio para ser instalado na esta&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria central da cidade. Com isso, o relojoeiro queria fazer retroceder o tempo e reverter a perda de seu filho, que tinha acabado de morrer na I Guerra Mundial. N&atilde;o &eacute; apresentada uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre os dois casos, apenas exposta a coincid&ecirc;ncia de que Benjamin nasceu nesse mesmo ano, 1918, e na mesma cidade, New Orleans.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A capital do jazz foi assolada pelo furac&atilde;o Katrina em 2005. &Eacute; nesse exato momento que come&ccedil;a a narrativa. &Agrave;s v&eacute;speras da chegada do furac&atilde;o, uma idosa que est&aacute; hospitalizada em estado grave pede a sua filha que leia o di&aacute;rio de Benjamin Button. &Eacute; por meio da leitura do di&aacute;rio que a hist&oacute;ria &eacute; contada e que se conhece a rela&ccedil;&atilde;o das duas mulheres com Benjamin. O filme transcorre ent&atilde;o como uma longa exposi&ccedil;&atilde;o do percurso de toda uma vida, do nascimento &agrave; morte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O percurso de uma vida bastante original fazem deste &ldquo;Curioso caso&rdquo; um filme extraordin&aacute;rio para os padr&otilde;es da ind&uacute;stria. Isto, somado aos seus ineg&aacute;veis m&eacute;ritos t&eacute;cnicos, a compet&ecirc;ncia da dire&ccedil;&atilde;o, o bom trabalho do elenco, da maquiagem, etc., levaram a 13 indica&ccedil;&otilde;es para o Oscar, pr&ecirc;mio m&aacute;ximo da ind&uacute;stria. Dadas as caracter&iacute;sticas do pr&ecirc;mio (o filme com o maior n&uacute;mero de indica&ccedil;&otilde;es &eacute; quase sempre o maior vencedor), &ldquo;Benjamin Button&rdquo; deve sair consagrado pela Academia. No deserto de criatividade em que se tornou o cinema comercial estadunidense, o filme de David Fincher &eacute; de fato excepcional. Tem a rara qualidade de provocar algum tipo de reflex&atilde;o, de empatia e identifica&ccedil;&atilde;o do espectador com o destino dos personagens. Entretanto, isso n&atilde;o significa que o filme consiga dar conta de seu objeto satisfatoriamente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>As fragilidades come&ccedil;am no esquematismo do roteiro. Assim como a pseudo-explica&ccedil;&atilde;o fant&aacute;stica para o envelhecimento invertido por causa do rel&oacute;gio, todo o restante da narrativa &eacute; constru&iacute;do por coincid&ecirc;ncias e paralelismos. Uma s&eacute;rie de fatos convenientemente convergentes se articulam para direcionar o percurso da vida do personagem e sua forma&ccedil;&atilde;o. V&aacute;rios fatos e contextos se combinam tamb&eacute;m para influenciar na interpreta&ccedil;&atilde;o que se pode tirar da moral da hist&oacute;ria. O fato de termos a presen&ccedil;a de uma idosa intercalando a narrativa anuncia uma reflex&atilde;o sobre a inevitabilidade da morte, que cedo ou tarde atinge a todos. Tal inevitabilidade &eacute; sublinhada pela presen&ccedil;a do furac&atilde;o Katrina, que n&oacute;s espectadores j&aacute; sabemos qu&atilde;o mort&iacute;fero acabaria sendo, mas que as personagens ainda ignoravam. O furac&atilde;o adiciona a devida dose de arb&iacute;trio ao lembrar como a vida humana &eacute; fr&aacute;gil e que n&atilde;o apenas os idosos morrem. Outro fato bastante conveniente &eacute; o de Benjamin ter sido criado num asilo, o que permitiu a ele n&atilde;o apenas receber os cuidados geri&aacute;tricos adequados a sua &ldquo;inf&acirc;ncia senil&rdquo;, mas tamb&eacute;m partilhar do conv&iacute;vio com os idosos e sua sabedoria, e testemunhar a presen&ccedil;a constante da morte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Diz-se que a inf&acirc;ncia de uma pessoa termina quando ela compreende que vai morrer. Benjamin testemunha desde cedo a desapari&ccedil;&atilde;o dos demais h&oacute;spedes do asilo e experimenta o sentimento de perda que a morte traz aos que ficaram. Esse ambiente, somado &agrave; condi&ccedil;&atilde;o peculiar de algu&eacute;m que nasceu idoso, teriam contribu&iacute;do para que ele desenvolvesse algum tipo de percep&ccedil;&atilde;o especial do percurso da vida. Logo que &eacute; acolhido no asilo e examinado por um m&eacute;dico, e antes que se pudesse perceber que ele estava na verdade envelhecendo ao contr&aacute;rio (rejuvenescendo), Benjamin era de fato tratado como algu&eacute;m que tinha muito pouco tempo de vida, como os demais h&oacute;spedes do asilo. Ele teria nascido para morrer em pouco tempo, realizando em forma de piada a frase de Heidegger de que &ldquo;o homem &eacute; um ser para a morte&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O fato de ter passado os primeiros anos de sua inf&acirc;ncia acreditando que iria morrer a qualquer momento, sem saber quanto tempo lhe restaria, deveria ter lhe inculcado muito precocemente o sentimento da precariedade da vida, acompanhado da percep&ccedil;&atilde;o do quanto a vida &eacute; preciosa, que por fim se completaria com a li&ccedil;&atilde;o de que todos os momentos deveriam ser muito bem aproveitados. Isso parece estar acontecendo ao longo da primeira parte do filme, quando Benjamin &eacute; uma crian&ccedil;a e adolescente com aspecto de um velho, e desfruta todos os momentos e descobertas da vida como d&aacute;divas. Ao inv&eacute;s de crescer com a paran&oacute;ia dos jovens, que querem apressadamente &ldquo;conquistar o mundo&rdquo;, ele cresce com a serenidade dos idosos, que apreciam os pequenos prazeres da vida, o sopro de uma brisa, o canto de um p&aacute;ssaro, o colorido de um por do sol. A essa primeira parte pertencem os melhores momentos do filme, como as divertidas reminisc&ecirc;ncias do homem que foi atingido sete vezes por rel&acirc;mpagos. Ali&aacute;s, em sua velhice, a &uacute;nica coisa que restou a este homem &eacute; a lembran&ccedil;a dos rel&acirc;mpagos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">Entretanto, a profundidade da tem&aacute;tica se desvanece conforme a narrativa avan&ccedil;a e a vida de Benjamin se torna comum. H&aacute; uma grande dificuldade em mostrar o que ele aprende e o que tem a ensinar quando se torna ele pr&oacute;prio um idoso de verdade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">A tem&aacute;tica do envelhecimento &eacute; estranha ao cinema hollywoodiano tradicional. A ind&uacute;stria cultural n&atilde;o contempla o fen&ocirc;meno do envelhecimento e da morte natural nas suas narrativas. A morte, quando aparece, &eacute; quase sempre &ldquo;her&oacute;ica&rdquo;, em nome de alguma causa, ou acidental, tr&aacute;gica. A morte pura e simples, como resultado natural do esgotamento da vida, &eacute; mantida ausente do imagin&aacute;rio coletivo. H&aacute; uma nega&ccedil;&atilde;o da morte natural na ind&uacute;stria cultural.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A nega&ccedil;&atilde;o anti-natural da morte resulta em uma falsa afirma&ccedil;&atilde;o da vida. O cinema esconde o percurso natural da vida no mesmo movimento em que comercializa a vitalidade exuberante de suas estrelas, a juventude, a beleza, o carisma, a sensualidade. Tudo isso &eacute; embalado nas narrativas fant&aacute;sticas do amor rom&acirc;ntico idealizado e devidamente arrematado pelos artif&iacute;cios do final feliz e pelo mito do &ldquo;viveram felizes para sempre&rdquo;. As vidas de contos de fadas do cinema s&atilde;o concebidas para funcionar como um prec&aacute;rio substituto e ant&iacute;doto para a vida miser&aacute;vel da maioria dos seres humanos neste mundo b&aacute;rbaro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Pensar na morte implica em questionar a vida. A filosofia nasceu com esse prop&oacute;sito, amparar o homem no confronto com sua inescap&aacute;vel finitude. Questionar filosoficamente a vida &eacute; uma atitude n&atilde;o muito bem vinda na nossa realidade atual. As narrativas adocicadas da ind&uacute;stria cultural induzem justamente &agrave; atitude oposta. O indiv&iacute;duo compara sua pr&oacute;pria vida com a vida idealizada do cinema, das telenovelas, dos romances, e percebe que h&aacute; uma abissal diferen&ccedil;a, mas considera que a causa da inadequa&ccedil;&atilde;o est&aacute; na sua pr&oacute;pria pessoa e n&atilde;o no mundo, e tenta se ajustar como pode.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Aparentemente, Benjamin Button se coloca na dire&ccedil;&atilde;o oposta do cinema comercial, ao trazer uma narrativa que aborda o in&iacute;cio e o fim da vida de um homem. Entretanto, o filme n&atilde;o escapa da armadilha de sua pr&oacute;pria premissa. O homem que envelhece ao contr&aacute;rio acaba, na verdade, n&atilde;o envelhecendo. O Benjamin maduro, na imagem de um Brad Pitt adolescente, n&atilde;o &eacute; um homem maduro, mas um adolescente. Suas decis&otilde;es e escolhas, sua psicologia e atitudes, sua moralidade n&atilde;o revelam nenhum conflito real, nenhum dilema, nenhuma cicatriz emocional, nenhum tesouro de sabedoria adquirido ao custo de doloroso aprendizado. A imagem prevalece sobre o conte&uacute;do.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O conto de Benjamin Button na verdade realiza a fantasia coletiva do rejuvenescimento. Ele &eacute; uma express&atilde;o radical do processo de rejuvenescimento dos protagonistas protot&iacute;picos do romance na narrativa cinematogr&aacute;fica. Os protagonistas dos grandes romances cl&aacute;ssicos do cinema, como os de &ldquo;E o vento levou&rdquo; e &ldquo;Casablanca&rdquo; eram casais maduros. Os protagonistas dos romances do cinema atual s&atilde;o adolescentes, como os de &ldquo;Titanic&rdquo;. A ind&uacute;stria cultural rejeita a idade madura e busca ref&uacute;gio na juventude.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">Ao inv&eacute;s de ilustrar o envelhecimento como ganho de conhecimento, Benjamin Button retrata o desejo de juventude como fuga da realidade. Mesmo que essa n&atilde;o tenha sido a inten&ccedil;&atilde;o consciente de seus autores, como muitas vezes n&atilde;o &eacute; no mundo da arte, o filme termina por expressar justamente a compuls&atilde;o patol&oacute;gica pela juventude, a falsa afirma&ccedil;&atilde;o da vida e a nega&ccedil;&atilde;o do pensamento e da morte que constituem o grosso da ind&uacute;stria cultural. A contradi&ccedil;&atilde;o do filme com a ideologia predominante na ind&uacute;stria &eacute; apenas aparente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.45pt;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A vida de Benjamin Button transcorre ao longo de todo o &ldquo;breve s&eacute;culo XX&rdquo; (Hobsbawm), um dos per&iacute;odos mais conturbados da hist&oacute;ria, atravessado por revolu&ccedil;&otilde;es, contra-revolu&ccedil;&otilde;es, guerras mundiais, guerras de liberta&ccedil;&atilde;o, movimentos, id&eacute;ias e ideologias que empolgaram milh&otilde;es de pessoas, transforma&ccedil;&otilde;es sociais, culturais, comportamentais. Nenhum desses acontecimentos o afeta realmente. Ele participa da II Guerra, mas o faz sem opini&atilde;o pr&oacute;pria, apenas porque o capit&atilde;o do navio em que trabalhava decidiu se engajar na marinha. Ele experimenta as perdas e o drama da guerra, mas permanece quase indiferente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A Hist&oacute;ria passa por Benjamin sem que ele se deixe afetar, sem que tome posi&ccedil;&atilde;o, sem que se comprometa com qualquer causa ou ideal, sem passar por uma sensa&ccedil;&atilde;o de vit&oacute;ria ou derrota. Benjamin &eacute; um ser a-hist&oacute;rico. Ele est&aacute; t&atilde;o deslocado do drama hist&oacute;rico da humanidade que resolve de modo tamb&eacute;m indiferente a quest&atilde;o mais b&aacute;sica para qualquer ser humano, a sobreviv&ecirc;ncia material. O adolescente\/velhinho come&ccedil;a a trabalhar num barco apenas pelo prazer de realizar algo, mesmo que seja uma tarefa considerada degradante e rejeitada por todos os demais, como limpar o conv&eacute;s. O trabalho &eacute; uma atividade em si mesma gratificante, quando n&atilde;o realizado sob a compuls&atilde;o da necessidade. Acontece que, nas atuais circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas, comprometidas pela divis&atilde;o social do trabalho, ou seja, pela divis&atilde;o de classes, o trabalho se concretiza como aliena&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o como realiza&ccedil;&atilde;o, para a quase totalidade dos seres humanos. Benjamin s&oacute; pode se comportar assim em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho porque teve sua sobreviv&ecirc;ncia material convenientemente garantida no roteiro, seja pela Funda&ccedil;&atilde;o filantr&oacute;pica que mant&eacute;m o asilo, seja pela heran&ccedil;a da f&aacute;brica de bot&otilde;es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Entretanto, Benjamin se relaciona de modo at&iacute;pico n&atilde;o apenas com as condi&ccedil;&otilde;es sociais e hist&oacute;ricas, mas tamb&eacute;m com a vida pessoal. Nunca fica claro o que o atraiu para a rela&ccedil;&atilde;o com a mulher do espi&atilde;o na R&uacute;ssia, e por sua vez, o que o tornou atraente para ela. Sua rela&ccedil;&atilde;o com Daisy tamb&eacute;m transcorre como um casamento convencional. A n&atilde;o ser pelo fato de que tamb&eacute;m n&atilde;o fica suficientemente claro o motivo que o levou a se afastar da fam&iacute;lia que havia constitu&iacute;do com a mulher que fora o amor de sua vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>No final das contas, a mensagem que se transmite n&atilde;o vai muito al&eacute;m daquela que se ouve em comerciais de TV ou livros de auto-ajuda: &ldquo;nada dura pra sempre&rdquo;, &ldquo;viver um dia de cada vez&rdquo;, &ldquo;aproveitar cada minuto&rdquo;. O filme fica nos devendo um personagem que tenha de fato aproveitado sua vida e que tenha algo a nos ensinar ao final de tr&ecirc;s preciosas horas do nosso tempo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">08\/02\/2009<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span lang=\"EN-US\" style=\"\">Ficha t&eacute;cnica:<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\">Nome original:<span style=\"\">&nbsp; <\/span>The Curious Case of Benjamin Button<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/span>Produ&ccedil;&atilde;o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Ano: 2008<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Idiomas: Ingl&ecirc;s<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Diretor: David Fincher<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Roteiro: Eric Roth<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Jason Flemyng, Taraji P. Henson, Mahershalalhashbaz Ali, Elias Koteas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G&ecirc;nero: drama, fantasia, mist&eacute;rio, romance<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\">Fonte: &ldquo;The Internet Movie Database&rdquo; &ndash; <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"\"><span style=\"\">&nbsp; <\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\"><!--[if !supportEmptyParas]-->&nbsp;<!--[endif]--><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=145"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6107,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/145\/revisions\/6107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}