{"id":1461,"date":"2013-02-09T00:12:22","date_gmt":"2013-02-09T02:12:22","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1461"},"modified":"2014-06-20T23:30:44","modified_gmt":"2014-06-21T02:30:44","slug":"o-acordo-entre-os-trabalhadores-e-a-general-motors-a-cronica-de-uma-derrota-anunciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/02\/o-acordo-entre-os-trabalhadores-e-a-general-motors-a-cronica-de-uma-derrota-anunciada\/","title":{"rendered":"O acordo entre os trabalhadores e a General Motors: a cr\u00f4nica de uma derrota anunciada."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1463  alignleft\" alt=\"mancha.moan\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mancha.moan_.jpg\" width=\"346\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mancha.moan_.jpg 346w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mancha.moan_-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mancha.moan_-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas lutas sociais, imposs\u00edvel \u00e9 n\u00e3o conviver com o risco de derrotas. Muitos fatores podem contribuir para que ocorram. \u00c9 uma amea\u00e7a constante.\u00a0 Mas, muitas vezes, a pol\u00edtica adotada por quem luta antecipa derrotas que at\u00e9 poderiam ter sido evitadas ou mesmo deixa de contribuir com avan\u00e7os de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. \u00c9 o caso do recente acordo que o sindicato dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, hegemonizado pelo PSTU, negociou com a fabricante de autom\u00f3veis General Motors (GM).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Com consequ\u00eancias na luta de classes em n\u00edvel nacional, a realiza\u00e7\u00e3o do acordo, al\u00e9m de aceitar demiss\u00f5es, banco de horas e redu\u00e7\u00e3o do piso para os trabalhadores da GM, tamb\u00e9m coloca uma p\u00e1 de cal na possibilidade de que a CSP Conlutas possa, de fato, servir de refer\u00eancia para o conjunto da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A quest\u00e3o que se apresenta \u00e9: diante de novos ataques da patronal (e vir\u00e3o muitos&#8230;) para onde olhar? Assim, o acordo n\u00e3o representa nenhuma vit\u00f3ria, mas sim uma importante derrota com consequ\u00eancias sociais e pol\u00edticas de alcance nacional porque retirou da cena pol\u00edtica nacional uma trincheira de combate aos planos da patronal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Pelas consequ\u00eancias, podemos dizer sem d\u00favida que esse acordo representa uma das maiores derrotas dos trabalhadores dos \u00faltimos tempos. Essa \u00e9 a raz\u00e3o da necessidade de um balan\u00e7o profundo tirando as li\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias desse acontecimento. Corrigir a rota que o PSTU quer dar \u00e0 CSP Conlutas coloca-se como uma das tarefas centrais para o pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Vit\u00f3ria? E as demiss\u00f5es, o banco de horas, a redu\u00e7\u00e3o do piso&#8230;?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto <i>Acordo na GM evita fechamento de f\u00e1brica, mas a luta contra os ataques continua<\/i>, publicado no site do PSTU, que trata do balan\u00e7o do acordo, n\u00e3o somente revela o desastre de uma pol\u00edtica como tamb\u00e9m demonstra o pouco caso que essa corrente fez com as demiss\u00f5es. S\u00e3o centenas de trabalhadores que v\u00e3o ser demitidos e a dire\u00e7\u00e3o diz que poderia ter sido pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao contr\u00e1rio do defendido pela dire\u00e7\u00e3o do sindicato, pensamos que a conclus\u00e3o mais importante deste processo n\u00e3o \u00e9 que o acordo evita o fechamento da f\u00e1brica, mas que a empresa conseguiu avan\u00e7ar em seus planos e \u201cter mais competitividade\u201d. E isso tem outro nome: derrota para os trabalhadores. Vejamos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; O acordo de fato n\u00e3o garante o emprego dos trabalhadores. Ap\u00f3s dois meses (quando encerra o <i>layoff<\/i>) 750 trabalhadores poder\u00e3o ser demitidos, 300 j\u00e1 aderiram ao PDV (demiss\u00e3o volunt\u00e1ria com maior incentivo financeiro) e os demais tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam garantia de que continuar\u00e3o empregados, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 estabilidade de emprego, mas t\u00e3o somente \u201cgarantia do n\u00edvel de emprego\u201d, ou seja, a empresa pode demitir e contratar outro com sal\u00e1rio menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Redu\u00e7\u00e3o do piso: mesmo com a promessa de [&#8230;] \u201cSer\u00e3o estabelecidas formas de evitar que os antigos funcion\u00e1rios sejam substitu\u00eddos por novos\u201d, o acordo tamb\u00e9m prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o do piso salarial na f\u00e1brica para R$ 1.800. Essa cl\u00e1usula tem nome e sobrenome: redu\u00e7\u00e3o salarial. Nunca \u00e9 demais recordar que n\u00e3o h\u00e1 estabilidade no emprego, de maneira que as portas se abriram para a empresa ativar a rotatividade de empregados, demitindo os que ganham mais por trabalhadores com piso salarial menor. Ou seja, nesse ponto, o acordo cria as bases legais para a empresa impor a redu\u00e7\u00e3o salarial para o conjunto da f\u00e1brica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Sobre a perman\u00eancia da f\u00e1brica em S\u00e3o Jos\u00e9: O PSTU apresenta como o fato mais importante o n\u00e3o fechamento da f\u00e1brica em S\u00e3o Jos\u00e9. Como dissemos acima, essa conclus\u00e3o, na verdade, s\u00f3 existe para esconder que a dire\u00e7\u00e3o do sindicato assinou um acordo que prev\u00ea demiss\u00f5es. O resultado da negocia\u00e7\u00e3o foi vantajoso para a GM, que, com o acordo, conseguiu impor v\u00e1rias medidas, como hora extra e banco de horas (que na pr\u00e1tica significa o aumento da jornada de trabalho), a redu\u00e7\u00e3o salarial e mais liberdade para a empresa garantir maior rotatividade da for\u00e7a de trabalho (que leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do seu valor). Isso quer dizer que haver\u00e1 aumento da intensifica\u00e7\u00e3o do ritmo de trabalho, ou seja, aumento de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Tamb\u00e9m se \u201ccomemorou\u201d o fato de a empresa ter garantido investir R$ 500 milh\u00f5es direcionados a algumas \u00e1reas da planta de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos nos pr\u00f3ximos cinco anos e tamb\u00e9m que a GM se compromete a negociar, em primeiro lugar, com o Sindicato, caso haja projeto de investimento em um novo ve\u00edculo no Brasil.\u00a0N\u00e3o pode ser que um sindicato dirigido pela esquerda afirme que \u00e9 vit\u00f3ria de uma luta a garantia de investimento na planta de produ\u00e7\u00e3o, independente do que possa acontecer com os trabalhadores de outras plantas, inclusive no Brasil. Tanto pelo significado de o sindicato estar \u201cparticipando\u201d da gest\u00e3o do capital quanto pelas pr\u00f3prias consequ\u00eancias do \u201cinvestimento\u201d na sociedade capitalista. Uma empresa quando diz investir significa substitui\u00e7\u00e3o do trabalho vivo (humano) pelo trabalho morto (m\u00e1quinas), ou seja, invariavelmente representa redu\u00e7\u00e3o de postos de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso espec\u00edfico das corpora\u00e7\u00f5es automobil\u00edsticas, a tend\u00eancia desde os anos 90 \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o do mesmo padr\u00e3o tecnol\u00f3gico e organizacional em todo o mundo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Foi o m\u00e1ximo?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta de classes a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 secund\u00e1ria. \u00c9 decisiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passeatas pelo centro da cidade, exig\u00eancias ao prefeito, ao governador, \u00e0 Presidente e outras a\u00e7\u00f5es com certeza devem fazer parte de toda luta, mas desde que estejam subordinadas \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores contra a patronal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<i>\u201cFoi o acordo poss\u00edvel, nas condi\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as existentes\u201d [&#8230;] \u201cFoi o m\u00e1ximo a que conseguimos chegar\u201d.<\/i> Deixando de lado o conformismo do autor e reconhecendo que h\u00e1 uma conjuntura dif\u00edcil para a classe trabalhadora, a principal li\u00e7\u00e3o que temos desse processo \u00e9 a necessidade de as lutas serem cada vez mais radicalizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0N\u00e3o \u00e9 verdade dizer que esse acordo foi \u201co poss\u00edvel\u201d, pois n\u00e3o foram experimentadas todas as t\u00e1ticas poss\u00edveis de resist\u00eancia, como acampamento na porta da empresa, <b>uma ampla campanha na base de todas as categorias <\/b>(a dire\u00e7\u00e3o se limitou a realizar uma campanha pelas entidades), organizar as demais f\u00e1bricas da base, etc. A pol\u00edtica adotada n\u00e3o era suficiente para enfrentar um desafio desse porte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Essa derrota n\u00e3o come\u00e7ou agora. O acordo de agosto de 2012 com a GM (que implementava o <i>layoff<\/i> at\u00e9 novembro e depois prorrogado at\u00e9 janeiro de 2013), apontado pelo PSTU como vitorioso, j\u00e1 trazia elementos da derrota que estava se desenhando e que se consolidou agora. N\u00e3o era dif\u00edcil perceber que a pol\u00edtica do PSTU levava a um beco sem sa\u00edda. Diz\u00edamos \u00e0quela \u00e9poca: \u201cPortanto, n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria alguma nesse acordo, nem mesmo parcial! Vit\u00f3ria seria uma suspens\u00e3o pura e simples das demiss\u00f5es, mas o conte\u00fado do acordo \u00e9 bem diferente. Na pr\u00e1tica ele viabiliza as demiss\u00f5es, mesmo que de forma mais mediada\u201d (<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=351\" target=\"_blank\">http:\/\/espacosocialista.org\/<wbr \/>portal\/?p=351<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Argumentar que os \u201ctrabalhadores perceberam que foram at\u00e9 o limite de suas for\u00e7as\u201d e que o \u201cacordo teve a aprova\u00e7\u00e3o de mais de 95% das assembleias\u201d \u00e9 se eximir da responsabilidade de dire\u00e7\u00e3o. Com a dire\u00e7\u00e3o do sindicato, oposi\u00e7\u00e3o (ligada \u00e0 CUT e CTB), imprensa e empresa defendendo o acordo, como se poderia esperar que os trabalhadores votassem contra o acordo? A dire\u00e7\u00e3o do sindicato j\u00e1 saiu das negocia\u00e7\u00f5es de 26 de janeiro, mesmo sem a assembleia ter acontecido, comprometida com a GM e defendendo o \u201cacordo poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta pol\u00edtica, o problema n\u00e3o \u00e9 somente a derrota, mas tamb\u00e9m o que se fez para chegar at\u00e9 ela. \u00c9 isso que se cobra. Essa derrota \u00e9 resultado de uma pol\u00edtica que n\u00e3o se prop\u00f4s a enfrentar o problema em suas causas estruturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao justificar a aceita\u00e7\u00e3o desse p\u00e9ssimo acordo com a \u201cconsci\u00eancia dos trabalhadores\u201d, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato tenta se eximir de sua responsabilidade. Ora, poderia ao menos dizer que <i>\u201co partido n\u00e3o teve \u00eaxito em organizar os trabalhadores para essa luta&#8230;\u201d<\/i>. Seria mais honesto com os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Uma pol\u00edtica correta n\u00e3o necessariamente leva \u00e0 vit\u00f3ria, mas uma pol\u00edtica equivocada, com certeza, conduz a esse destino. E, no caso de S\u00e3o Jos\u00e9, o m\u00e1ximo que se poderia conseguir com a pol\u00edtica adotada era mesmo uma derrota desse porte. Na reuni\u00e3o de julho da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CSP Conlutas, propomos \u2013 e fomos derrotados pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da central \u2013 uma resolu\u00e7\u00e3o para iniciar j\u00e1 naquele momento uma ampla campanha contra a amea\u00e7a de demiss\u00f5es.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>A falta do trabalho ideol\u00f3gico<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o importante \u00e9 a tentativa da dire\u00e7\u00e3o do sindicato se isentar de \u201cculpa\u201d no que diz respeito \u00e0 consci\u00eancia dos trabalhadores. Pelo texto, a conclus\u00e3o que se quer passar \u00e9 que o sindicato fez de tudo, mas a consci\u00eancia dos trabalhadores n\u00e3o permitiu que se avan\u00e7asse na luta e barrasse as demiss\u00f5es. Ou seja, o problema em S\u00e3o Jos\u00e9 n\u00e3o tem a ver com o papel da dire\u00e7\u00e3o do sindicato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00c9 muito prov\u00e1vel que os trabalhadores da GM realmente n\u00e3o tenham se convencido da necessidade de lutar contra as demiss\u00f5es. Mas as ideias da classe trabalhadora nascem do nada? O que deu causa a essa consci\u00eancia? A rela\u00e7\u00e3o da base dos trabalhadores da GM com a dire\u00e7\u00e3o do sindicato n\u00e3o \u00e9 das melhores j\u00e1 h\u00e1 algum tempo (na elei\u00e7\u00e3o sindical a chapa da diretoria perdeu de 60% a 40%), n\u00e3o vendo naquele tipo de atua\u00e7\u00e3o a capacidade necess\u00e1ria para enfrentar o tamanho do projeto da GM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O elevado n\u00famero de trabalhadores que aderiram ao PDV \u00e9 somente mais uma demonstra\u00e7\u00e3o da falta de confian\u00e7a dos trabalhadores em sua dire\u00e7\u00e3o. Ao n\u00e3o confiarem na revers\u00e3o das demiss\u00f5es, muitos trabalhadores procuraram alguma vantagem na demiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O fato de a maioria dos trabalhadores da GM aceitarem a pol\u00edtica da empresa n\u00e3o \u00e9 porque s\u00e3o idiotas, mas porque a empresa os ganhou ideologicamente. Para isso contribui, entre outros fatores, um sindicalismo que se recusa a fazer um forte trabalho de propaganda ideol\u00f3gica, se limitando a uma interven\u00e7\u00e3o que responde somente \u00e0s quest\u00f5es imediatas e com um discurso imediatista e politicista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0J\u00e1 h\u00e1 algum tempo, temos defendido na CSP Conlutas a necessidade de termos como centro de sua atua\u00e7\u00e3o um forte trabalho pol\u00edtico-ideol\u00f3gico sobre a classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A atual configura\u00e7\u00e3o do capital (crise estrutural e a mundializa\u00e7\u00e3o) faz com que cada luta tenha repercuss\u00e3o para al\u00e9m da pr\u00f3pria localidade. Assim, a luta contra o desemprego em S\u00e3o Jos\u00e9 dos campos, em \u00faltima inst\u00e2ncia, diz respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da taxa de lucro praticada naquela unidade, ou seja, n\u00e3o estava em jogo somente os postos de trabalho. Essa \u00e9 a caracter\u00edstica das lutas no setor produtivo de conjunto e n\u00e3o somente na GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, o que implica que cada luta, por mais parcial que possa parecer, adquire, cada vez mais, um car\u00e1ter estrat\u00e9gico. Reconhecer essa quest\u00e3o \u00e9 importante porque tem influ\u00eancia na pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao n\u00e3o se apresentar uma sa\u00edda global e totalizante, o sindicato n\u00e3o consegue dar seguran\u00e7a e confian\u00e7a \u00e0 classe para enfrentar uma grande corpora\u00e7\u00e3o como a GM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A pol\u00edtica de exig\u00eancias de que Dilma proibisse as demiss\u00f5es (editando uma medida provis\u00f3ria) tamb\u00e9m representou um limite importante ao desenvolvimento de uma luta mais radicalizada e com m\u00e9todos da luta direta.\u00a0 Uma pol\u00edtica que joga ilus\u00f5es de que as demiss\u00f5es podem ser revertidas por outra forma que n\u00e3o a luta \u00e9 uma forma de capitula\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia atrasada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A nosso ver \u00e9 preciso impulsionar uma pol\u00edtica de den\u00fancia e contraposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica ao projeto (apoiado pela GM), que o governo Dilma representa. Esse governo n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o de ajudar os trabalhadores e sim os patr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Essa tarefa tem sido negligenciada pelo PSTU, a for\u00e7a majorit\u00e1ria do sindicato e da nossa Central. Essa campanha permanente de contraposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ao projeto do capital para o pa\u00eds, e n\u00e3o apenas aos seus efeitos, deve se ligar \u00e0 necessidade de que os trabalhadores tamb\u00e9m apontem um projeto alternativo que se baseie na ruptura com a l\u00f3gica capitalista de explora\u00e7\u00e3o e com as institui\u00e7\u00f5es que a sustentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A quest\u00e3o do trabalho pol\u00edtico-ideol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 algo secund\u00e1rio na atividade dos revolucion\u00e1rios dentro dos sindicatos, \u00e9, pelo contr\u00e1rio, decisiva. L\u00eanin, na sua luta contra os economicistas, em <i>O que fazer?<\/i>, \u00e9 preciso quando afirma que \u201c<i>A social-democracia dirige a luta da classe oper\u00e1ria, n\u00e3o apenas para obter condi\u00e7\u00f5es vantajosas na venda da for\u00e7a de trabalho, mas tamb\u00e9m pela aboli\u00e7\u00e3o da ordem social que obriga os n\u00e3o possuidores a se venderem aos ricos\u201d \u00a0<\/i>(<a href=\"http:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1902\/quefazer\/cap03.htm\" target=\"_blank\">Cap\u00edtulo 3, se\u00e7\u00e3o a<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0E isso somente ocorre se no trabalho cotidiano dos sindicatos e no movimento social de conjunto houver uma luta ideol\u00f3gica que relacione cada fato cotidiano \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista, denunciando o governo que a sustenta, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em tempos de profunda crise de alternativas socialistas, o trabalho pol\u00edtico-ideol\u00f3gico torna-se mais que obriga\u00e7\u00e3o, devendo \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias impulsionar o desenvolvimento de uma consci\u00eancia anticapitalista e socialista.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Mais uma vez a quest\u00e3o do programa<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nenhuma luta ideol\u00f3gica segue sem um programa. O programa de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um texto feito de frases pomposas, mas sim um guia para a a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, para responder aos desafios concretos da realidade. Por isso a import\u00e2ncia de t\u00ea-lo em conta nessa discuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando surgiu a crise dos empregos na GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato apresentou como proposta \u201cpara garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho na f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: produ\u00e7\u00e3o integral do Classic na planta local; nacionaliza\u00e7\u00e3o do Sonic, que \u00e9 importado da Cor\u00e9ia do Sul e volta da produ\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es\u201d.\u00a0 Todas as propostas no marco de como administrar o capital. Todas <b>dentro dos marcos da gest\u00e3o do capital, uma das muitas formas de o capital manter a sua lucratividade.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que a empresa aceitasse \u201cessas sugest\u00f5es\u201d, o desemprego n\u00e3o estaria resolvido, no m\u00e1ximo adiado, pois o desemprego n\u00e3o acontece somente porque a empresa quer manter a sua lucratividade, mas \u00e9 principalmente resultado da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva em andamento no parque industrial brasileiro. Essa reestrutura\u00e7\u00e3o engloba novas tecnologias (robotiza\u00e7\u00e3o, novas m\u00e1quinas) que substituem a for\u00e7a de trabalho humana e novas formas de gerenciamento da produ\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m eliminam postos de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, um processo estrutural que n\u00e3o ser\u00e1 estancado se n\u00e3o for por meio de conquistas que atinjam a base desse projeto da burguesia e que por sua vez somente podem ser alcan\u00e7adas com uma pol\u00edtica que responda ao problema tamb\u00e9m estruturalmente. No caso da GM, ao aceitar as demiss\u00f5es, tamb\u00e9m estabeleceu um par\u00e2metro para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 t\u00ednhamos polemizado sobre o grave desvio que representava essa pol\u00edtica, pois de fato n\u00e3o resolve o problema da classe trabalhadora. Por isso, \u00e9 preciso um programa revolucion\u00e1rio para enfrentar o desemprego e a GM: redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, abertura da contabilidade da empresa, em caso de implementar as demiss\u00f5es estatizar a empresa (sem indeniza\u00e7\u00e3o), colocando-a a servi\u00e7o das necessidades da popula\u00e7\u00e3o em geral, com a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos para transporte coletivo, m\u00e1quinas agr\u00edcolas e outros bens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas lutas sociais, imposs\u00edvel \u00e9 n\u00e3o conviver com o risco de derrotas. 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