{"id":152,"date":"2009-02-25T12:36:26","date_gmt":"2009-02-25T15:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/152"},"modified":"2013-01-19T17:45:15","modified_gmt":"2013-01-19T19:45:15","slug":"boletim-11-todo-voto-e-nulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/02\/boletim-11-todo-voto-e-nulo\/","title":{"rendered":"Boletim 11 &#8211; Todo voto \u00e9 nulo"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 18pt; color: red;\">TODO VOTO &Eacute; NULO!<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Existem tr&ecirc;s tipos de campanha pelo voto nulo. A primeira e mais disseminada nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 &eacute; a dos setores que est&atilde;o &ldquo;decepcionados&rdquo; com o governo Lula, acham que &ldquo;os pol&iacute;ticos s&atilde;o todos iguais&rdquo;, pensam que &ldquo;nada nunca muda mesmo&rdquo; e que &ldquo;a pol&iacute;tica n&atilde;o vale &agrave; pena&rdquo;. A segunda e mais tradicional &eacute; a dos anarquistas e ultra-esquerdistas que consideram que em nenhuma hip&oacute;tese os inimigos do sistema podem cogitar em participar das institui&ccedil;&otilde;es. A terceira e mais dif&iacute;cil &eacute; a que defende o voto nulo program&aacute;tico, ou seja, mantendo o foco num programa socialista, considera que o mesmo n&atilde;o se encontra presente nas atuais elei&ccedil;&otilde;es e<span class=\"GramE\"> portanto<\/span> n&atilde;o endossa nenhuma das candidaturas em disputa. &Eacute; neste terceiro tipo de campanha que nos engajamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Ao dizermos que o programa socialista n&atilde;o est&aacute; presente nas elei&ccedil;&otilde;es, isso significa que nos colocamos em uma pol&ecirc;mica direta com os agrupamentos que comp&otilde;em a frente de esquerda <span class=\"SpellE\">PSOL\/PSTU\/PCB<\/span>. Esta frente teria o prop&oacute;sito e a miss&atilde;o de colocar o socialismo em discuss&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es. Acontece que um programa n&atilde;o &eacute; apenas um conjunto de princ&iacute;pios, ideais e palavras de ordem, mas tamb&eacute;m se materializa em atitudes pr&aacute;ticas. A pr&aacute;tica pol&iacute;tica da frente de esquerda n&atilde;o &eacute; socialista, &eacute; <span class=\"SpellE\">eleitoralista<\/span>, <span class=\"SpellE\">aparatista<\/span> e burocr&aacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Antes mesmo de ter chances de chegar ao poder como Lula, HH atenua o discurso, se omite quanto a qualquer medida de ruptura, esconde o socialismo e se transforma em &ldquo;Heleninha paz e amor&rdquo;. Al&eacute;m disso, <span class=\"GramE\">a<\/span> frente de esquerda est&aacute; se desfazendo antes mesmo de encerradas as elei&ccedil;&otilde;es. A Intersindical, claramente impulsionada por setores do PSOL, surge com o projeto de impedir a ruptura dos sindicatos com a CUT e a sua ades&atilde;o <span class=\"GramE\">&agrave;<\/span> CONLUTAS, por sua vez um projeto caro ao PSTU. Se a justificativa para a constitui&ccedil;&atilde;o da frente era a necessidade de unidade para as lutas, que &eacute; uma necessidade real da classe trabalhadora, as for&ccedil;as pol&iacute;ticas que a comp&otilde;em demonstram assim que n&atilde;o est&atilde;o de fato comprometidos com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>&Eacute; por isso que a luta por um programa socialista n&atilde;o passa pela candidatura de HH e sim pelo fortalecimento das lutas imediatas em curso: contra as demiss&otilde;es na <span class=\"SpellE\">Volks<\/span>, nas campanhas salariais como a dos banc&aacute;rios, na luta pelo passe livre, na luta por terra e moradia; em todos os pontos em que os interesses vitais dos trabalhadores est&atilde;o confrontados com os da burguesia. &Eacute; para esse cen&aacute;rio que voltamos <span class=\"GramE\">as<\/span> aten&ccedil;&otilde;es, &eacute; a&iacute; que concentramos nossas for&ccedil;as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Nesse sentido, a campanha pelo voto nulo program&aacute;tico n&atilde;o &eacute; exatamente uma campanha contra a frente de esquerda, pois sabe que a frente &eacute; um arranjo tempor&aacute;rio que logo ser&aacute; desfeito. E que a unidade que interessa de fato &eacute; aquela que ser&aacute; constru&iacute;da pelos pr&oacute;prios trabalhadores em suas lutas, estejam aquelas organiza&ccedil;&otilde;es presentes ou n&atilde;o. A campanha pelo voto nulo program&aacute;tico &eacute; tamb&eacute;m, e principalmente, uma campanha contra a burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A burguesia est&aacute; <span class=\"GramE\">muito bem servida nessas elei&ccedil;&otilde;es<\/span>. De um lado, ela tem Alckmin, <span class=\"GramE\">o candidato <span class=\"SpellE\">Daslu\/Opus<\/span> Dei<\/span>, com um programa neoliberal agressivo. Do outro, ela tem Lula, o oper&aacute;rio padr&atilde;o do imperialismo, que implanta o neoliberalismo com media&ccedil;&otilde;es. Sem Lula, a rejei&ccedil;&atilde;o popular &agrave; FHC poderia ter resultado em mobiliza&ccedil;&otilde;es de massa, amea&ccedil;ando a &ldquo;estabilidade&rdquo; e o regime. Com Lula no controle das organiza&ccedil;&otilde;es do movimento social (CUT, UNE, MST, Igreja, etc.), a insatisfa&ccedil;&atilde;o se transformou em esperan&ccedil;a vaga de melhoria, inoper&acirc;ncia pr&aacute;tica e aus&ecirc;ncia de resist&ecirc;ncia material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Entretanto, uma vez utilizado Lula para desarmar o movimento social, a burguesia calculou que poderia descart&aacute;-lo. Passou ent&atilde;o a expor o &ldquo;<span class=\"SpellE\">modus<\/span> <span class=\"SpellE\">operandi<\/span>&rdquo; da pol&iacute;tica burguesa: &ldquo;<span class=\"SpellE\">mensal&atilde;o<\/span>&rdquo;, mala preta, d&oacute;lares nas cuecas, etc<span class=\"GramE\">.;<\/span> pr&aacute;ticas que a c&uacute;pula do PT adotou com ris&iacute;vel amadorismo. Com a exposi&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o, as gangues partid&aacute;rias preferenciais da direita, que tradicionalmente monopolizavam o <span class=\"SpellE\">butim<\/span> da corrup&ccedil;&atilde;o, esperavam poder inviabilizar Lula para as elei&ccedil;&otilde;es de 2006. Queriam se livrar da concorr&ecirc;ncia da camarilha sindical petista, a qual sempre foi vista como um estranho no ninho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Essa estrat&eacute;gia comportava uma s&eacute;rie de vari&aacute;veis imprevis&iacute;veis, que est&atilde;o se desdobrando nesse momento. De um lado, a burguesia foi bem-sucedida ao desmoralizar o PT. Com isso, n&atilde;o foi apenas o projeto eleitoral da camarilha de Dirceu e Cia. que saiu avariado. A pr&oacute;pria id&eacute;ia original do partido, a id&eacute;ia da mobiliza&ccedil;&atilde;o popular como alternativa de mudan&ccedil;a, sofreu um duro golpe. Muitos passaram a pensar que &ldquo;a esquerda tamb&eacute;m n&atilde;o presta&rdquo;, &ldquo;a esquerda tamb&eacute;m se corrompe&rdquo;, etc. O maior crime de Lula e do PT est&aacute; na desmoraliza&ccedil;&atilde;o da esquerda inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Por outro lado, o pr&oacute;prio regime em si tamb&eacute;m acusou o golpe, pois aumentou a percep&ccedil;&atilde;o de que as elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o mudam nada e n&atilde;o servem para nada. N&atilde;o se pode subestimar que Lula foi, para uma boa parte da popula&ccedil;&atilde;o, durante duas d&eacute;cadas, o &uacute;ltimo cartucho, a &ldquo;&uacute;ltima esperan&ccedil;a&rdquo; de um &ldquo;salvador da p&aacute;tria&rdquo;. Se nem mesmo Lula e o PT agiram diferentemente dos demais, o que fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Vem da&iacute;, do desencanto dos que apostavam no PT como alternativa de mudan&ccedil;a, boa parte do voto nulo &ldquo;decepcionado&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A grande quest&atilde;o &eacute; que, decep&ccedil;&otilde;es &agrave; parte, ao contr&aacute;rio do que a velha direita putrefata e seus lacaios na m&iacute;dia planejavam, a campanha de den&uacute;ncias n&atilde;o foi suficiente para fazer a massa do eleitorado rejeitar Lula. A campanha de Alckmin, vulgo &ldquo;picol&eacute; de chuchu&rdquo;, o candidato menos carism&aacute;tico que se poderia inventar, claramente n&atilde;o decolou. Ningu&eacute;m v&ecirc; no PSDB, PFL e adjac&ecirc;ncias os porta-vozes autorizados da &eacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Logo, as elei&ccedil;&otilde;es de 2006 est&atilde;o especialmente ap&aacute;ticas, devido &agrave; percep&ccedil;&atilde;o generalizada de que n&atilde;o h&aacute; alternativas reais em disputa. A elei&ccedil;&atilde;o se transformou num ritual burocr&aacute;tico que n&atilde;o vai interferir com a realidade material. Todos t&ecirc;m pressa de que acabe logo, para se verem livres do hor&aacute;rio pol&iacute;tico na televis&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Mas &eacute; preciso explicar ainda porque a campanha de den&uacute;ncias n&atilde;o foi suficiente para fazer a massa rejeitar Lula. O enfrentamento que a burguesia travou com Lula em 2005 foi prematuro. De fato <span class=\"GramE\">provocou<\/span> a ruptura de um setor mais esclarecido da popula&ccedil;&atilde;o com o PT, revoltados com a corrup&ccedil;&atilde;o. Mas o fator num&eacute;rico decisivo nessas elei&ccedil;&otilde;es ser&aacute; o apoio de Lula entre os mais pobres. Uma revista semanal antes respeit&aacute;vel (Carta Capital n&ordm;. 406) estampou uma triunfante capa com a imagem de &ldquo;Lula pai dos pobres&rdquo;. E convenientemente esqueceu de acrescentar: &ldquo;m&atilde;e dos ricos&rdquo;. Bastaria perguntar aos banqueiros e especuladores que ganharam fortunas obscenas com Lula para saber para quem ele governa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Por que os mais pobres votam maci&ccedil;amente em Lula? Por um lado, trata-se do efeito material dos diversos tipos de bolsa-esmola distribu&iacute;dos nas regi&otilde;es mais pobres, no pior estilo demag&oacute;gico dos velhos coron&eacute;is e caciques. Antes que digam que algu&eacute;m que &eacute; contra os programas assistenciais certamente n&atilde;o passa de &ldquo;um pequeno-burgu&ecirc;s que faz suas tr&ecirc;s refei&ccedil;&otilde;es por dia e n&atilde;o sabe o que &eacute; a fome&rdquo;, &eacute; preciso lembrar que, se Lula estivesse realmente interessado em governar para os pobres, o grosso do gasto p&uacute;blico n&atilde;o estaria sendo desviado para os especuladores da d&iacute;vida. E os pobres estariam sendo estimulados e organizados para arrancar com suas pr&oacute;prias m&atilde;os, em massa, a terra, a moradia, o emprego e tudo de que necessitam. Pelo contr&aacute;rio, est&atilde;o contentes com suas esmolas, como quer a burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">A luta de classes n&atilde;o se faz colocando o candidato dos pobres contra os dos ricos, se faz com o conte&uacute;do program&aacute;tico peculiar ao car&aacute;ter ontol&oacute;gico de cada classe. O programa da burguesia &eacute; o capitalismo e suas crises. O programa da classe trabalhadora &eacute; o socialismo. Fora disso, n&atilde;o h&aacute; alternativas reais. Administrar o capitalismo<span class=\"GramE\">, &ldquo;democratiz&aacute;-lo<\/span>&rdquo; ou &ldquo;humaniz&aacute;-lo&rdquo; resulta no desastre que foi o governo Lula, a continuidade agravada da era neoliberal de FHC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Mas mesmo fora dos setores diretamente beneficiados <span class=\"GramE\">pelos bolsa-esmola<\/span>, o apoio popular a Lula &eacute; maci&ccedil;o. O povo reconhece que houve corrup&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o reconhece &agrave; direita a prerrogativa de acusar Lula por isso. Trata-se de uma vers&atilde;o brasileira do &ldquo;esse governo &eacute; uma m@#$%, mas &eacute; o meu governo&rdquo;, que os trabalhadores chilenos diziam de <span class=\"SpellE\">Allende<\/span>. O povo se conforma e se resigna com a id&eacute;ia de que &ldquo;todos roubam&rdquo;, e de que, se &eacute; para roubar, que seja &ldquo;um dos nossos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Portanto, salvo algum acidente de percurso muito s&eacute;rio e tamb&eacute;m muito improv&aacute;vel, <span class=\"GramE\">Lula estar&aacute; reeleito no 1&ordm;<\/span>. <span class=\"GramE\">turno<\/span>. O que fazer com a indigna&ccedil;&atilde;o dos que n&atilde;o aceitam a corrup&ccedil;&atilde;o, nem de Lula nem de ningu&eacute;m, muito menos da turma de Alckmin, e n&atilde;o v&ecirc;em em HH uma alternativa vi&aacute;vel? Essa indigna&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e <span class=\"SpellE\">despolitizada<\/span>, porque desprovida de conte&uacute;do de classe, resultou na campanha pelo voto nulo dos &ldquo;decepcionados&rdquo;. A principal materializa&ccedil;&atilde;o dessa campanha &eacute; a corrente que circulou na <span class=\"SpellE\">internet<\/span> pregando que a elei&ccedil;&atilde;o estaria anulada se mais de 50% <span class=\"GramE\">votassem nulo<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Prontamente, a burguesia tratou de acabar com a festa e mobilizou um de seus esbirros, o Ministro do STF Marco Aur&eacute;lio de Mello, para dar sua doutoral interpreta&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o existe a possibilidade de cancelar as elei&ccedil;&otilde;es por meio do voto nulo. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o est&aacute; errada &agrave; luz do esp&iacute;rito da lei, como demonstrou o estudo do companheiro banc&aacute;rio e advogado M&aacute;rcio Cardoso. Mas o aspecto mais importante a ser lembrado aos defensores do voto nulo &ldquo;indignado&rdquo; &eacute; que n&atilde;o &eacute; o voto em si, ou seja, a atitude de ir at&eacute; as urnas e apertar um bot&atilde;o qualquer, e sim a atitude de ir para as ruas, que pode fazer alguma diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Se <span class=\"GramE\">as elei&ccedil;&otilde;es fosse mudar<\/span> alguma coisa, a burguesia n&atilde;o colocaria uma urna em cada esquina (se &eacute; que algu&eacute;m acredita que o resultado que sai das urnas eletr&ocirc;nicas, a cujo programa ningu&eacute;m tem acesso, realmente reflete o conte&uacute;do das vota&ccedil;&otilde;es, que &eacute; imposs&iacute;vel de ser verificado). Mesmo que fosse atrav&eacute;s de um voto nulo maci&ccedil;o, seria f&aacute;cil demais para ser verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">O prop&oacute;sito da campanha do voto nulo program&aacute;tico n&atilde;o &eacute; cancelar a elei&ccedil;&atilde;o com uma batelada de 50% de votos nulos (infelizmente, tal hip&oacute;tese, assim como o 2&ordm;. <span class=\"GramE\">turno<\/span>, &eacute; muito improv&aacute;vel); ainda que seja divertid&iacute;ssimo imaginar o que a burguesia faria para lidar com esse imbr&oacute;glio jur&iacute;dico. A quest&atilde;o &eacute; que a burguesia sairia do imbr&oacute;glio, pois os fundamentos estruturais de seu poder material n&atilde;o teriam sido abalados. O prop&oacute;sito do voto nulo program&aacute;tico &eacute; organizar as for&ccedil;as de oposi&ccedil;&atilde;o para destruir materialmente o poder da burguesia de uma forma que jamais possa ser recuperado. Nesse sentido, o resultado da vota&ccedil;&atilde;o em si &eacute; secund&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">&Eacute; por isso que todo voto &eacute; nulo, inclusive o voto nulo. A atual elei&ccedil;&atilde;o &eacute; nula, porque &eacute; politicamente morta como alternativa real de mudan&ccedil;a. Todo voto &eacute; nulo, seja aquele entregue a algum candidato, seja o voto em um n&uacute;mero que n&atilde;o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Mas os defensores da ordem n&atilde;o se limitam a tentar barrar preventivamente a avalanche de votos nulos indignados naturalmente esperada. Tentam ainda convencer o eleitor de que o seu voto &eacute; o respons&aacute;vel pela realidade do pa&iacute;s. Inventam uma s&eacute;rie de slogans para estimular a participa&ccedil;&atilde;o, fazendo do voto o limite m&aacute;ximo da cidadania, quando na verdade, trata-se de um ato de ren&uacute;ncia &agrave; pol&iacute;tica. Dizem que &ldquo;o Brasil &eacute; t&atilde;o bom quanto seu voto&rdquo;, exortam o eleitor a ser &ldquo;respons&aacute;vel&rdquo; e ainda por cima passam serm&atilde;o no povo, dizendo que a culpa da elei&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos corruptos &eacute; do eleitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Como se a farsa da democracia representativa funcionasse. Como se existisse algum canal pelo qual os eleitores pudessem realmente controlar seus representantes. Como se a <span class=\"GramE\">causa de termos um Congresso de <span class=\"SpellE\">mensaleiros<\/span> e sanguessugas fosse<\/span> da amn&eacute;sia do eleitor, que n&atilde;o se lembra em quem votou. Como se o povo n&atilde;o fosse, no intervalo das elei&ccedil;&otilde;es, alienado por telenovelas, futebol, programas de audit&oacute;rio e telejornais <span class=\"SpellE\">imbecilizantes<\/span> que o impedem de pensar sobre sua realidade. Na realidade, o voto do eleitor brasileiro n&atilde;o conta para nada. A opini&atilde;o de <span class=\"SpellE\">Wall<\/span> <span class=\"SpellE\">Street<\/span> sobre qual candidato &eacute; &ldquo;confi&aacute;vel&rdquo; &eacute; o que decide. De nada adianta dizer &ldquo;vota Brasil!&rdquo; <span class=\"GramE\">se<\/span> o mercado vota todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Essa p&eacute;rfida campanha quer que o eleitor se recolha num ato de contri&ccedil;&atilde;o, arrependa-se do pecado de sua despolitiza&ccedil;&atilde;o e volte a sonhar com um novo salvador da p&aacute;tria. Quer trazer o povo de volta ao redil das ilus&otilde;es na &ldquo;democracia&rdquo;. &Eacute; por isso que o voto nulo incomoda tanto a essas <span class=\"SpellE\">vestais<\/span> da ordem. Por que mostra que, na realidade, o Brasil n&atilde;o vota.<\/p>\n<p>Na realidade, n&atilde;o h&aacute; voto &uacute;til. S&oacute; a luta muda<\/p>\n<p><span class=\"GramE\">a<\/span><\/p>\n<p>vida! Lutar &eacute; preciso, votar n&atilde;o &eacute; preciso! Nossos sonhos n&atilde;o cabem nas urnas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><b style=\"\"><span style=\"font-size: 18pt; color: red;\">TODO VOTO &Eacute; NULO!<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"font-size: 11pt;\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Existem tr&ecirc;s tipos de campanha pelo voto nulo. A primeira e mais disseminada nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 &eacute; a dos setores que est&atilde;o &ldquo;decepcionados&rdquo; com o governo Lula, acham que &ldquo;os pol&iacute;ticos s&atilde;o todos iguais&rdquo;, pensam que &ldquo;nada nunca muda mesmo&rdquo; e que &ldquo;a pol&iacute;tica n&atilde;o vale &agrave; pena&rdquo;. A segunda e mais tradicional &eacute; a dos anarquistas e ultra-esquerdistas que consideram que em nenhuma hip&oacute;tese os inimigos do sistema podem cogitar em participar das institui&ccedil;&otilde;es. A terceira e mais dif&iacute;cil &eacute; a que defende o voto nulo program&aacute;tico, ou seja, mantendo o foco num programa socialista, considera que o mesmo n&atilde;o se encontra presente nas atuais elei&ccedil;&otilde;es e<span class=\"GramE\"> portanto<\/span> n&atilde;o endossa nenhuma das candidaturas em disputa. &Eacute; neste terceiro tipo de campanha que nos engajamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Ao dizermos que o programa socialista n&atilde;o est&aacute; presente nas elei&ccedil;&otilde;es, isso significa que nos colocamos em uma pol&ecirc;mica direta com os agrupamentos que comp&otilde;em a frente de esquerda <span class=\"SpellE\">PSOL\/PSTU\/PCB<\/span>. Esta frente teria o prop&oacute;sito e a miss&atilde;o de colocar o socialismo em discuss&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es. Acontece que um programa n&atilde;o &eacute; apenas um conjunto de princ&iacute;pios, ideais e palavras de ordem, mas tamb&eacute;m se materializa em atitudes pr&aacute;ticas. A pr&aacute;tica pol&iacute;tica da frente de esquerda n&atilde;o &eacute; socialista, &eacute; <span class=\"SpellE\">eleitoralista<\/span>, <span class=\"SpellE\">aparatista<\/span> e burocr&aacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Antes mesmo de ter chances de chegar ao poder como Lula, HH atenua o discurso, se omite quanto a qualquer medida de ruptura, esconde o socialismo e se transforma em &ldquo;Heleninha paz e amor&rdquo;. Al&eacute;m disso, <span class=\"GramE\">a<\/span> frente de esquerda est&aacute; se desfazendo antes mesmo de encerradas as elei&ccedil;&otilde;es. A Intersindical, claramente impulsionada por setores do PSOL, surge com o projeto de impedir a ruptura dos sindicatos com a CUT e a sua ades&atilde;o <span class=\"GramE\">&agrave;<\/span> CONLUTAS, por sua vez um projeto caro ao PSTU. Se a justificativa para a constitui&ccedil;&atilde;o da frente era a necessidade de unidade para as lutas, que &eacute; uma necessidade real da classe trabalhadora, as for&ccedil;as pol&iacute;ticas que a comp&otilde;em demonstram assim que n&atilde;o est&atilde;o de fato comprometidos com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>&Eacute; por isso que a luta por um programa socialista n&atilde;o passa pela candidatura de HH e sim pelo fortalecimento das lutas imediatas em curso: contra as demiss&otilde;es na <span class=\"SpellE\">Volks<\/span>, nas campanhas salariais como a dos banc&aacute;rios, na luta pelo passe livre, na luta por terra e moradia; em todos os pontos em que os interesses vitais dos trabalhadores est&atilde;o confrontados com os da burguesia. &Eacute; para esse cen&aacute;rio que voltamos <span class=\"GramE\">as<\/span> aten&ccedil;&otilde;es, &eacute; a&iacute; que concentramos nossas for&ccedil;as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Nesse sentido, a campanha pelo voto nulo program&aacute;tico n&atilde;o &eacute; exatamente uma campanha contra a frente de esquerda, pois sabe que a frente &eacute; um arranjo tempor&aacute;rio que logo ser&aacute; desfeito. E que a unidade que interessa de fato &eacute; aquela que ser&aacute; constru&iacute;da pelos pr&oacute;prios trabalhadores em suas lutas, estejam aquelas organiza&ccedil;&otilde;es presentes ou n&atilde;o. A campanha pelo voto nulo program&aacute;tico &eacute; tamb&eacute;m, e principalmente, uma campanha contra a burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A burguesia est&aacute; <span class=\"GramE\">muito bem servida nessas elei&ccedil;&otilde;es<\/span>. De um lado, ela tem Alckmin, <span class=\"GramE\">o candidato <span class=\"SpellE\">Daslu\/Opus<\/span> Dei<\/span>, com um programa neoliberal agressivo. Do outro, ela tem Lula, o oper&aacute;rio padr&atilde;o do imperialismo, que implanta o neoliberalismo com media&ccedil;&otilde;es. Sem Lula, a rejei&ccedil;&atilde;o popular &agrave; FHC poderia ter resultado em mobiliza&ccedil;&otilde;es de massa, amea&ccedil;ando a &ldquo;estabilidade&rdquo; e o regime. Com Lula no controle das organiza&ccedil;&otilde;es do movimento social (CUT, UNE, MST, Igreja, etc.), a insatisfa&ccedil;&atilde;o se transformou em esperan&ccedil;a vaga de melhoria, inoper&acirc;ncia pr&aacute;tica e aus&ecirc;ncia de resist&ecirc;ncia material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Entretanto, uma vez utilizado Lula para desarmar o movimento social, a burguesia calculou que poderia descart&aacute;-lo. Passou ent&atilde;o a expor o &ldquo;<span class=\"SpellE\">modus<\/span> <span class=\"SpellE\">operandi<\/span>&rdquo; da pol&iacute;tica burguesa: &ldquo;<span class=\"SpellE\">mensal&atilde;o<\/span>&rdquo;, mala preta, d&oacute;lares nas cuecas, etc<span class=\"GramE\">.;<\/span> pr&aacute;ticas que a c&uacute;pula do PT adotou com ris&iacute;vel amadorismo. Com a exposi&ccedil;&atilde;o da corrup&ccedil;&atilde;o, as gangues partid&aacute;rias preferenciais da direita, que tradicionalmente monopolizavam o <span class=\"SpellE\">butim<\/span> da corrup&ccedil;&atilde;o, esperavam poder inviabilizar Lula para as elei&ccedil;&otilde;es de 2006. Queriam se livrar da concorr&ecirc;ncia da camarilha sindical petista, a qual sempre foi vista como um estranho no ninho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Essa estrat&eacute;gia comportava uma s&eacute;rie de vari&aacute;veis imprevis&iacute;veis, que est&atilde;o se desdobrando nesse momento. De um lado, a burguesia foi bem-sucedida ao desmoralizar o PT. Com isso, n&atilde;o foi apenas o projeto eleitoral da camarilha de Dirceu e Cia. que saiu avariado. A pr&oacute;pria id&eacute;ia original do partido, a id&eacute;ia da mobiliza&ccedil;&atilde;o popular como alternativa de mudan&ccedil;a, sofreu um duro golpe. Muitos passaram a pensar que &ldquo;a esquerda tamb&eacute;m n&atilde;o presta&rdquo;, &ldquo;a esquerda tamb&eacute;m se corrompe&rdquo;, etc. O maior crime de Lula e do PT est&aacute; na desmoraliza&ccedil;&atilde;o da esquerda inteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Por outro lado, o pr&oacute;prio regime em si tamb&eacute;m acusou o golpe, pois aumentou a percep&ccedil;&atilde;o de que as elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o mudam nada e n&atilde;o servem para nada. N&atilde;o se pode subestimar que Lula foi, para uma boa parte da popula&ccedil;&atilde;o, durante duas d&eacute;cadas, o &uacute;ltimo cartucho, a &ldquo;&uacute;ltima esperan&ccedil;a&rdquo; de um &ldquo;salvador da p&aacute;tria&rdquo;. Se nem mesmo Lula e o PT agiram diferentemente dos demais, o que fazer?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Vem da&iacute;, do desencanto dos que apostavam no PT como alternativa de mudan&ccedil;a, boa parte do voto nulo &ldquo;decepcionado&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A grande quest&atilde;o &eacute; que, decep&ccedil;&otilde;es &agrave; parte, ao contr&aacute;rio do que a velha direita putrefata e seus lacaios na m&iacute;dia planejavam, a campanha de den&uacute;ncias n&atilde;o foi suficiente para fazer a massa do eleitorado rejeitar Lula. A campanha de Alckmin, vulgo &ldquo;picol&eacute; de chuchu&rdquo;, o candidato menos carism&aacute;tico que se poderia inventar, claramente n&atilde;o decolou. Ningu&eacute;m v&ecirc; no PSDB, PFL e adjac&ecirc;ncias os porta-vozes autorizados da &eacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Logo, as elei&ccedil;&otilde;es de 2006 est&atilde;o especialmente ap&aacute;ticas, devido &agrave; percep&ccedil;&atilde;o generalizada de que n&atilde;o h&aacute; alternativas reais em disputa. A elei&ccedil;&atilde;o se transformou num ritual burocr&aacute;tico que n&atilde;o vai interferir com a realidade material. Todos t&ecirc;m pressa de que acabe logo, para se verem livres do hor&aacute;rio pol&iacute;tico na televis&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Mas &eacute; preciso explicar ainda porque a campanha de den&uacute;ncias n&atilde;o foi suficiente para fazer a massa rejeitar Lula. O enfrentamento que a burguesia travou com Lula em 2005 foi prematuro. De fato <span class=\"GramE\">provocou<\/span> a ruptura de um setor mais esclarecido da popula&ccedil;&atilde;o com o PT, revoltados com a corrup&ccedil;&atilde;o. Mas o fator num&eacute;rico decisivo nessas elei&ccedil;&otilde;es ser&aacute; o apoio de Lula entre os mais pobres. Uma revista semanal antes respeit&aacute;vel (Carta Capital n&ordm;. 406) estampou uma triunfante capa com a imagem de &ldquo;Lula pai dos pobres&rdquo;. E convenientemente esqueceu de acrescentar: &ldquo;m&atilde;e dos ricos&rdquo;. Bastaria perguntar aos banqueiros e especuladores que ganharam fortunas obscenas com Lula para saber para quem ele governa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Por que os mais pobres votam maci&ccedil;amente em Lula? Por um lado, trata-se do efeito material dos diversos tipos de bolsa-esmola distribu&iacute;dos nas regi&otilde;es mais pobres, no pior estilo demag&oacute;gico dos velhos coron&eacute;is e caciques. Antes que digam que algu&eacute;m que &eacute; contra os programas assistenciais certamente n&atilde;o passa de &ldquo;um pequeno-burgu&ecirc;s que faz suas tr&ecirc;s refei&ccedil;&otilde;es por dia e n&atilde;o sabe o que &eacute; a fome&rdquo;, &eacute; preciso lembrar que, se Lula estivesse realmente interessado em governar para os pobres, o grosso do gasto p&uacute;blico n&atilde;o estaria sendo desviado para os especuladores da d&iacute;vida. E os pobres estariam sendo estimulados e organizados para arrancar com suas pr&oacute;prias m&atilde;os, em massa, a terra, a moradia, o emprego e tudo de que necessitam. Pelo contr&aacute;rio, est&atilde;o contentes com suas esmolas, como quer a burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">A luta de classes n&atilde;o se faz colocando o candidato dos pobres contra os dos ricos, se faz com o conte&uacute;do program&aacute;tico peculiar ao car&aacute;ter ontol&oacute;gico de cada classe. O programa da burguesia &eacute; o capitalismo e suas crises. O programa da classe trabalhadora &eacute; o socialismo. Fora disso, n&atilde;o h&aacute; alternativas reais. Administrar o capitalismo<span class=\"GramE\">, &ldquo;democratiz&aacute;-lo<\/span>&rdquo; ou &ldquo;humaniz&aacute;-lo&rdquo; resulta no desastre que foi o governo Lula, a continuidade agravada da era neoliberal de FHC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Mas mesmo fora dos setores diretamente beneficiados <span class=\"GramE\">pelos bolsa-esmola<\/span>, o apoio popular a Lula &eacute; maci&ccedil;o. O povo reconhece que houve corrup&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o reconhece &agrave; direita a prerrogativa de acusar Lula por isso. Trata-se de uma vers&atilde;o brasileira do &ldquo;esse governo &eacute; uma m@#$%, mas &eacute; o meu governo&rdquo;, que os trabalhadores chilenos diziam de <span class=\"SpellE\">Allende<\/span>. O povo se conforma e se resigna com a id&eacute;ia de que &ldquo;todos roubam&rdquo;, e de que, se &eacute; para roubar, que seja &ldquo;um dos nossos&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Portanto, salvo algum acidente de percurso muito s&eacute;rio e tamb&eacute;m muito improv&aacute;vel, <span class=\"GramE\">Lula estar&aacute; reeleito no 1&ordm;<\/span>. <span class=\"GramE\">turno<\/span>. O que fazer com a indigna&ccedil;&atilde;o dos que n&atilde;o aceitam a corrup&ccedil;&atilde;o, nem de Lula nem de ningu&eacute;m, muito menos da turma de Alckmin, e n&atilde;o v&ecirc;em em HH uma alternativa vi&aacute;vel? Essa indigna&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e <span class=\"SpellE\">despolitizada<\/span>, porque desprovida de conte&uacute;do de classe, resultou na campanha pelo voto nulo dos &ldquo;decepcionados&rdquo;. A principal materializa&ccedil;&atilde;o dessa campanha &eacute; a corrente que circulou na <span class=\"SpellE\">internet<\/span> pregando que a elei&ccedil;&atilde;o estaria anulada se mais de 50% <span class=\"GramE\">votassem nulo<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Prontamente, a burguesia tratou de acabar com a festa e mobilizou um de seus esbirros, o Ministro do STF Marco Aur&eacute;lio de Mello, para dar sua doutoral interpreta&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o existe a possibilidade de cancelar as elei&ccedil;&otilde;es por meio do voto nulo. Essa interpreta&ccedil;&atilde;o est&aacute; errada &agrave; luz do esp&iacute;rito da lei, como demonstrou o estudo do companheiro banc&aacute;rio e advogado M&aacute;rcio Cardoso. Mas o aspecto mais importante a ser lembrado aos defensores do voto nulo &ldquo;indignado&rdquo; &eacute; que n&atilde;o &eacute; o voto em si, ou seja, a atitude de ir at&eacute; as urnas e apertar um bot&atilde;o qualquer, e sim a atitude de ir para as ruas, que pode fazer alguma diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Se <span class=\"GramE\">as elei&ccedil;&otilde;es fosse mudar<\/span> alguma coisa, a burguesia n&atilde;o colocaria uma urna em cada esquina (se &eacute; que algu&eacute;m acredita que o resultado que sai das urnas eletr&ocirc;nicas, a cujo programa ningu&eacute;m tem acesso, realmente reflete o conte&uacute;do das vota&ccedil;&otilde;es, que &eacute; imposs&iacute;vel de ser verificado). Mesmo que fosse atrav&eacute;s de um voto nulo maci&ccedil;o, seria f&aacute;cil demais para ser verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">O prop&oacute;sito da campanha do voto nulo program&aacute;tico n&atilde;o &eacute; cancelar a elei&ccedil;&atilde;o com uma batelada de 50% de votos nulos (infelizmente, tal hip&oacute;tese, assim como o 2&ordm;. <span class=\"GramE\">turno<\/span>, &eacute; muito improv&aacute;vel); ainda que seja divertid&iacute;ssimo imaginar o que a burguesia faria para lidar com esse imbr&oacute;glio jur&iacute;dico. A quest&atilde;o &eacute; que a burguesia sairia do imbr&oacute;glio, pois os fundamentos estruturais de seu poder material n&atilde;o teriam sido abalados. O prop&oacute;sito do voto nulo program&aacute;tico &eacute; organizar as for&ccedil;as de oposi&ccedil;&atilde;o para destruir materialmente o poder da burguesia de uma forma que jamais possa ser recuperado. Nesse sentido, o resultado da vota&ccedil;&atilde;o em si &eacute; secund&aacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">&Eacute; por isso que todo voto &eacute; nulo, inclusive o voto nulo. A atual elei&ccedil;&atilde;o &eacute; nula, porque &eacute; politicamente morta como alternativa real de mudan&ccedil;a. Todo voto &eacute; nulo, seja aquele entregue a algum candidato, seja o voto em um n&uacute;mero que n&atilde;o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Mas os defensores da ordem n&atilde;o se limitam a tentar barrar preventivamente a avalanche de votos nulos indignados naturalmente esperada. Tentam ainda convencer o eleitor de que o seu voto &eacute; o respons&aacute;vel pela realidade do pa&iacute;s. Inventam uma s&eacute;rie de slogans para estimular a participa&ccedil;&atilde;o, fazendo do voto o limite m&aacute;ximo da cidadania, quando na verdade, trata-se de um ato de ren&uacute;ncia &agrave; pol&iacute;tica. Dizem que &ldquo;o Brasil &eacute; t&atilde;o bom quanto seu voto&rdquo;, exortam o eleitor a ser &ldquo;respons&aacute;vel&rdquo; e ainda por cima passam serm&atilde;o no povo, dizendo que a culpa da elei&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticos corruptos &eacute; do eleitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Como se a farsa da democracia representativa funcionasse. Como se existisse algum canal pelo qual os eleitores pudessem realmente controlar seus representantes. Como se a <span class=\"GramE\">causa de termos um Congresso de <span class=\"SpellE\">mensaleiros<\/span> e sanguessugas fosse<\/span> da amn&eacute;sia do eleitor, que n&atilde;o se lembra em quem votou. Como se o povo n&atilde;o fosse, no intervalo das elei&ccedil;&otilde;es, alienado por telenovelas, futebol, programas de audit&oacute;rio e telejornais <span class=\"SpellE\">imbecilizantes<\/span> que o impedem de pensar sobre sua realidade. Na realidade, o voto do eleitor brasileiro n&atilde;o conta para nada. A opini&atilde;o de <span class=\"SpellE\">Wall<\/span> <span class=\"SpellE\">Street<\/span> sobre qual candidato &eacute; &ldquo;confi&aacute;vel&rdquo; &eacute; o que decide. De nada adianta dizer &ldquo;vota Brasil!&rdquo; <span class=\"GramE\">se<\/span> o mercado vota todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Essa p&eacute;rfida campanha quer que o eleitor se recolha num ato de contri&ccedil;&atilde;o, arrependa-se do pecado de sua despolitiza&ccedil;&atilde;o e volte a sonhar com um novo salvador da p&aacute;tria. Quer trazer o povo de volta ao redil das ilus&otilde;es na &ldquo;democracia&rdquo;. &Eacute; por isso que o voto nulo incomoda tanto a essas <span class=\"SpellE\">vestais<\/span> da ordem. Por que mostra que, na realidade, o Brasil n&atilde;o vota.<\/p>\n<p>Na realidade, n&atilde;o h&aacute; voto &uacute;til. S&oacute; a luta muda<\/p>\n<p><span class=\"GramE\">a<\/span><\/p>\n<p>vida! Lutar &eacute; preciso, votar n&atilde;o &eacute; preciso! Nossos sonhos n&atilde;o cabem nas urnas!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":627,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152\/revisions\/627"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}