{"id":160,"date":"2009-04-15T00:14:47","date_gmt":"2009-04-15T03:14:47","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/160"},"modified":"2018-06-01T15:33:57","modified_gmt":"2018-06-01T18:33:57","slug":"jornal-30-abril-de-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/04\/jornal-30-abril-de-2009\/","title":{"rendered":"Jornal 30: Abril de 2009"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1107\" aria-describedby=\"caption-attachment-1107\" style=\"width: 234px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_30_abril_2009.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1107 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/jornal-30-abril-de-2009-234x300.jpg\" alt=\"jornal 30 - abril de 2009\" width=\"234\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/jornal-30-abril-de-2009-234x300.jpg 234w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/jornal-30-abril-de-2009.jpg 473w\" sizes=\"(max-width: 234px) 100vw, 234px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1107\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 30 em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Leia as mat\u00e9rias onli<\/span>ne:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo1\">Como lutar contra a crise e o desemprego?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo2\">Derrota na Embraer mostrou os limites de um sindicalismo imediatista<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo3\">Encontro no ABC discute unidade da esquerda e luta contra a crise econ\u00f4mica<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo4\">O que est\u00e1 por tr\u00e1s do discurso sobre qualidade do ensino p\u00fablico no estado de S\u00e3o Paulo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo5\">Diplomacia e guerra: dois instrumentos de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo6\">Crise exp\u00f5e barb\u00e1rie capitalista: avan\u00e7o da xenofobia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#titulo7\">150 anos do Darwinismo: a evolu\u00e7\u00e3o entre o mito e a ci\u00eancia<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a name=\"titulo1\"><\/a><\/span><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Como lutar contra a crise e o desemprego?<\/h1>\n<div id=\"node-161\">\n<p>\u00a0Enquanto no mundo todo a crise segue se aprofundando, no Brasil, podemos dizer que j\u00e1 estamos em uma recess\u00e3o, cujo in\u00edcio ficou patente com a primeira grande leva de mais de 2 milh\u00f5es de demiss\u00f5es ocorridas entre o fim de 2008 e o in\u00edcio de 2009 \u2013 entre elas as 4.200 demiss\u00f5es na EMBRAER. Isso sem falar na quantidade de empresas que deram licen\u00e7as sem remunera\u00e7\u00e3o, reduziram sal\u00e1rios e direitos.<\/p>\n<p>O desemprego segue aumentando, embora em um ritmo menor, e novas levas de fechamento de postos de trabalho est\u00e3o por vir com terr\u00edveis conseq\u00fc\u00eancias sociais.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2>Governo Lula, CUT e For\u00e7a Sindical: do Lado dos Patr\u00f5es<\/h2>\n<p>A invers\u00e3o r\u00e1pida do ciclo anterior de crescimento econ\u00f4mico para uma recess\u00e3o pegou os trabalhadores de surpresa pois, de uma hora para outra, viram sua situa\u00e7\u00e3o decair.<\/p>\n<p>Pior ainda, todos aqueles que teriam maior poder para fazer alguma coisa, como\u00a0o governo Lula, e as grandes centrais como a CUT e a For\u00e7a Sindical, est\u00e3o em conluio com os patr\u00f5es\u00a0para convencer os trabalhadores de que n\u00e3o h\u00e1 mesmo outra sa\u00edda a n\u00e3o ser preservar a sa\u00fade (leia-se grande lucratividade) das empresas.<\/p>\n<p>Assim, realizam F\u00f3runs como o do ABC, onde se reuniram, nos dias 11 e 12 de mar\u00e7o, representantes das empresas, do governo (na pessoa da Dilma Ruseff) e das Centrais. O objetivo: encontrar \u201csa\u00eddas criativas\u201d para crise na regi\u00e3o. Mas todos sabemos quais sa\u00eddas s\u00e3o essas: dinheiro para as empresas, demiss\u00f5es, corte de sal\u00e1rios e direitos para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rios e governo tentam convencer os trabalhadores de que as demiss\u00f5es e o corte de sal\u00e1rios e direitos s\u00e3o males inevit\u00e1veis, mas passageiros. Dizem que assim que a economia melhorar, os trabalhadores ser\u00e3o chamados de volta. Uma grande mentira.<\/p>\n<p>A crise atual \u00e9 extremamente profunda e a reestrutura\u00e7\u00e3o que as empresas est\u00e3o fazendo ser\u00e1 ainda mais intensa que a dos anos 90.\u00a0A maioria dos postos de trabalho fechados n\u00e3o ser\u00e3o mais reabertos, nem os direitos devolvidos.<\/p>\n<p>O Estado entra para assumir as perdas da iniciativa privada. Para isso, pretende-se que haja cortes substanciais nos gastos com sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas, com o funcionalismo, bem como sobrecarga de trabalho e responsabilidades dos servidores.<\/p>\n<p>O governo Lula j\u00e1 direcionou mais de R$300 bilh\u00f5es para as empresas e bancos, e Serra, que por sua vez pretende se mostrar como melhor aluno ainda, destinou um pacote de R$20 bilh\u00f5es. Esse dinheiro sair\u00e1 do or\u00e7amento p\u00fablico, das \u00e1reas sociais, da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e dos sal\u00e1rios do funcionalismo.<\/p>\n<p>Agora Lula lan\u00e7a o pacote da habita\u00e7\u00e3o de R$ 32 bilh\u00f5es com o mote de incentivar a constru\u00e7\u00e3o de casas populares. Mas ao inv\u00e9s de usar nesse pacote o dinheiro que est\u00e1 indo para os empres\u00e1rios, pretende tirar esse montante do FGTS, dos cortes no or\u00e7amento da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do funcionalismo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ou seja, o governo tira dinheiro dos pr\u00f3prios trabalhadores para sustentar as grandes construtoras em crise, e tentar preservar sua popularidade, que come\u00e7ou a cair.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essas medidas n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para fazer a economia voltar a crescer no ritmo anterior, muito menos servir\u00e3o para reverter o desemprego.\u00a0Ao contr\u00e1rio, estas s\u00e3o medidas que visam fortalecer as empresas e ajud\u00e1-las a se reestruturar, demitindo e precarizando as contrata\u00e7\u00f5es. O caso da EMBRAER \u00e9 emblem\u00e1tico pois, como se viu, o governo j\u00e1 sabia das demiss\u00f5es e mesmo assim deixou a empresa de m\u00e3os livres para fazer o que quis.<\/p>\n<p>Assim, a perspectiva burguesa e governista de sa\u00edda para a crise j\u00e1 est\u00e1 sendo encaminhada: um processo brutal de ataques ao emprego, aos sal\u00e1rios e direitos da classe trabalhadora, no sentido de impor uma super-explora\u00e7\u00e3o e recompor sua margem de lucro, a partir do atendimento a uma demanda menor. Isso sem falar das poss\u00edveis guerras, repress\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es militares contra os pobres em geral, como as interven\u00e7\u00f5es nas favelas do Rio e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 dentro desse marco que a CUT e For\u00e7a Sindical atuam, refor\u00e7ando os preconceitos de que o lucro \u00e9 sagrado, que fora do capitalismo n\u00e3o h\u00e1 alternativa, que deve-se dar mesmo dinheiro e isen\u00e7\u00f5es de impostos para grandes empresas transnacionais, reduzir sal\u00e1rios e direitos, como se mesmo depois de tudo isso os empres\u00e1rios n\u00e3o continuassem demitindo&#8230;<\/p>\n<h2>\u201cUnidade\u201d com a CUT e a For\u00e7a Sindical&#8230; mesmo elas defendendo os patr\u00f5es e o governo?<\/h2>\n<p>Em janeiro, por ocasi\u00e3o do Semin\u00e1rio de Esquerda contra a Crise no F\u00f3rum Social 2009, foi tirado um dia de luta contra o desemprego e a crise. Essa iniciativa partia da avalia\u00e7\u00e3o correta de que tanto a CUT quanto a For\u00e7a Sindical n\u00e3o iriam impulsionar mobiliza\u00e7\u00f5es contra a crise, ao contr\u00e1rio, estariam defendendo medidas a favor dos patr\u00f5es, o que de fato vem acontecendo.<\/p>\n<p>No entanto, faltando 15 dias para a manifesta\u00e7\u00e3o, no final de semana de 14\/15 de mar\u00e7o, a dire\u00e7\u00e3o da CONLUTAS resolveu, por orienta\u00e7\u00e3o do PSTU (corrente hegem\u00f4nica) modificar o calend\u00e1rio tirado em Bel\u00e9m para a realiza\u00e7\u00e3o de um Ato no dia 30 com a CUT, For\u00e7a Sindical, CTB, etc..<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a foi prejudicial, pois foi jogada fora a oportunidade de avan\u00e7ar em uma diferencia\u00e7\u00e3o com essas centrais pelegas. Suas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o dinheiro para as empresas, redu\u00e7\u00e3o de impostos, banco de horas, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, PDV\u2019s, etc, ou seja, todas as solu\u00e7\u00f5es nos marcos de garantia da lucratividade do capital, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atacando os trabalhadores. A CONLUTAS por outro lado defende que sejam os ricos a pagarem pela crise que eles criaram.<\/p>\n<p>Como organizar uma manifesta\u00e7\u00e3o conjunta com objetivos opostos?<\/p>\n<p>A desculpa de que todas as centrais defendem a manuten\u00e7\u00e3o dos empregos n\u00e3o procede, pois as centrais governistas t\u00eam defendido \u201cPlanos de Demiss\u00f5es Volunt\u00e1rias\u201d, ou literalmente se calado diante das demiss\u00f5es da virada do ano.<\/p>\n<p>O argumento de que com a mesma data e um Ato unificado seria poss\u00edvel disputar os trabalhadores que ainda acreditam nessas centrais tamb\u00e9m n\u00e3o se sustenta.<\/p>\n<p>Conforme dito acima, isso n\u00e3o se confirmou. O controle das manifesta\u00e7\u00f5es e o seu car\u00e1ter foi ditado pelas Centrais pelegas, com pouco espa\u00e7o para um discurso de luta.<\/p>\n<p>E o pior \u00e9 que o esperado aconteceu: nem a CUT nem a For\u00e7a mobilizaram trabalhadores, porque eles simplesmente est\u00e3o contra qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o!!! O comparecimento foi basicamente de sindicalistas liberados e de cabos eleitorais.<\/p>\n<p>Seria diferente se houvesse um processo de lutas em n\u00edvel estadual ou nacional, no qual essas centrais fossem obrigadas a encabe\u00e7ar lutas massivas. Mas na conjuntura em que estamos, a mudan\u00e7a de data s\u00f3 serviu para manter o n\u00edvel atual de dispers\u00e3o e de ilus\u00f5es nessas centrais pelegas.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a mudan\u00e7a de data em cima da hora desorientou as atividades que j\u00e1 estavam sendo preparadas, e al\u00e9m de tudo se perdeu a oportunidade de marcar um perfil independente junto aos pr\u00f3prios trabalhadores.<\/p>\n<p>Valia muito mais a pena ter feito a atividade nos moldes tirados em Bel\u00e9m, ainda que com todas as dificuldades pois seria mais um passo no sentido da constru\u00e7\u00e3o de um p\u00f3lo alternativo, ainda que embrion\u00e1rio, \u00e0 burocracia sindical da CUT e da For\u00e7a.<\/p>\n<h2>Apostar na Unifica\u00e7\u00e3o da Esquerda e dos Trabalhadores pela Base!<\/h2>\n<p>Por tudo o que foi dito antes, a situa\u00e7\u00e3o atual apresenta-se como de\u00a0total necessidade da constru\u00e7\u00e3o de um p\u00f3lo alternativo \u00e0s centrais pelegas, que impulsione as lutas e apresente uma outra sa\u00edda aos trabalhadores contra a crise do capitalismo.<\/p>\n<p>Construir um p\u00f3lo socialista alternativo \u00e9 ainda mais necess\u00e1rio, devido ao fato de que nos \u00faltimos anos as refer\u00eancias socialistas e revolucion\u00e1rias ficaram em crise e na defensiva. Agora, com o estouro da crise do capitalismo, \u00e9 poss\u00edvel e ao mesmo tempo urgente lutarmos para a reconstru\u00e7\u00e3o de uma alternativa socialista de massas.<\/p>\n<p>De forma geral, os trabalhadores n\u00e3o vislumbram outra sociedade que n\u00e3o o capitalismo e, portanto, o discurso das empresas e do governo de que a lucratividade deve ser preservada aparece como algo natural e inquestion\u00e1vel. Mas \u00e9 justamente a l\u00f3gica do lucro que os socialistas devem ter a coragem de questionar, pois todo lucro funda-se na explora\u00e7\u00e3o do trabalhador, e na destrui\u00e7\u00e3o da natureza!<\/p>\n<p>Assim, continuaremos insistindo na necessidade de um\u00a0amplo trabalho independente de agita\u00e7\u00e3o e propaganda junto \u00e0 classe trabalhadora, para disputar sua consci\u00eancia, denunciando as armadilhas das propostas patronais e apontando um programa alternativo em defesa dos interesses dos trabalhadores, que rompa com a l\u00f3gica do lucro.<\/p>\n<p>Para potencializar esse trabalho, defendemos desde o in\u00edcio deste ano a realiza\u00e7\u00e3o de um\u00a0Encontro Nacional de Entidades de Luta e Ativistas, precedido de\u00a0Encontros Regionais,\u00a0como forma de abrir um amplo debate junto \u00e0 classe trabalhadora e \u00e0 vanguarda, para tirarmos um calend\u00e1rio de luta e um programa alternativo dos trabalhadores contra a crise e o desemprego.<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel envolver milhares de ativistas de todo o pa\u00eds, a partir da unifica\u00e7\u00e3o dos esfor\u00e7os da CONLUTAS e da INTERSINDICAL, que por sua vez aumentariam sua inser\u00e7\u00e3o junto \u00e0 classe trabalhadora atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o desse Encontro Nacional.<\/p>\n<p>O Encontro poderia e deveria ser chamado ainda nesse primeiro semestre, como forma de preparar o enfrentamento \u00e0s demiss\u00f5es e aos ataques aos nossos direitos.<\/p>\n<p>Se nos lembrarmos, a experi\u00eancia do Encontro de 2007 no Ibirapuera foi extremamente produtiva, e todas as correntes reconheceram isso.<\/p>\n<p>A unifica\u00e7\u00e3o da CONLUTAS com a INTERSINDICAL amplamente defendida nas palavras por todos os setores, seria assim colocada em pr\u00e1tica a partir da realidade das lutas, e n\u00e3o apenas com palavras ou discuss\u00f5es de c\u00fapula.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, por\u00e9m, as principais correntes pol\u00edticas (O PSTU, que dirige a CONLUTAS e o PSOL que dirige a INTESINDICAl), t\u00eam se recusado a encampar essa proposta de um trabalho ofensivo e pela base junto aos trabalhadores. Essa atitude \u00e9 contradit\u00f3ria com sua disposi\u00e7\u00e3o de se unir com a CUT e a For\u00e7a Sindical.<\/p>\n<p>Assim, propomos que os ativistas e trabalhadores se juntem a n\u00f3s na press\u00e3o junto \u00e0s maiores correntes, no sentido da realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Nacional anti-patronal e anti-governista, precedido de encontros regionais.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o no ABC do Encontro de Luta Contra a Crise e o Desemprego (ver mat\u00e9ria neste jornal) foi um passo importante nesse sentido.<\/p>\n<h2>Propostas para um programa dos trabalhadores contra a crise<\/h2>\n<p>1) N\u00e3o \u00e0s demiss\u00f5es! Estabilidade no emprego e reintegra\u00e7\u00e3o dos demitidos!<\/p>\n<p>2) Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/p>\n<p>3) Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o das empresas que demitirem, amea\u00e7arem fechar ou se transferirem!<\/p>\n<p>4) Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale e demais empresas privatizadas sob controle dos trabalhadores , sem indeniza\u00e7\u00e3o e com readmiss\u00e3o dos demitidos!<\/p>\n<p>5) N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa , e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer . Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p>6) Estatiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro sob controle dos trabalhadores!<\/p>\n<p>7) Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores. Fim do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio. Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>8) Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/p>\n<p>9) Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1>Derrota na EMBRAER mostrou os limites de um sindicalismo imediatista<\/h1>\n<p>Nesta pol\u00eamica, n\u00e3o se trata de questionar a combatividade do sindicato dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9, nem suas inten\u00e7\u00f5es,\u00a0mas sim um modelo de atua\u00e7\u00e3o que ao nosso ver n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 altura para enfrentar os grandes ataques desse per\u00edodo de crise.<\/p>\n<p>O que precisa ser discutido \u00e9\u00a0por que em uma categoria dirigida ao longo de mais de 20 anos por um sindicato que recebe acompanhamento direto da dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU, e que tem prioridade da CONLUTAS, os trabalhadores tendem a agir da mesma forma que em outros locais cujas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de luta?<\/p>\n<p>Ou seja, por que no caso das demiss\u00f5es da GM, e agora, da Embraer, o sindicato n\u00e3o conseguiu realizar uma greve ou formas de luta mais radicalizadas? Por que n\u00e3o foi poss\u00edvel sequer juntar e organizar os demitidos em assembl\u00e9ias ou atos massivos?<\/p>\n<p>Foi culpa dos pr\u00f3prios trabalhadores? Ou\u00a0isso reflete uma defasagem no tipo de trabalho que vem sendo realizado todos esses anos nos sindicatos dirigidos pela esquerda em geral?<\/p>\n<p>Ao nosso ver, embora haja dificuldades objetivas, a segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 a que predomina.\u00a0As dificuldades de mobiliza\u00e7\u00e3o refletem a falta de um trabalho pol\u00edtico e ideol\u00f3gico mais estrutural junto aos trabalhadores, o que caracteriza uma concep\u00e7\u00e3o de sindicalismo imediatista e economicista.<\/p>\n<p>Se em per\u00edodos \u201cnormais\u201d o sindicalismo imediatista j\u00e1 \u00e9 limitado, num per\u00edodo de crise essas limita\u00e7\u00f5es se transformam em derrotas, pois esse tipo de atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta das quest\u00f5es de fundo colocadas em toda crise estrutural \u2013 como a quest\u00e3o do lucro, dos objetivos da produ\u00e7\u00e3o e da propriedade, a quest\u00e3o de que classe deve ter o poder pol\u00edtico, qual rumo apontar para a sociedade.<\/p>\n<p>A crise deve reorientar totalmente o tipo de atua\u00e7\u00e3o sindical.\u00a0\u00c9 necess\u00e1rio\u00a0disputar cotidianamente a consci\u00eancia das massas, discutindo a necessidade de os trabalhadores apresentarem uma outra sa\u00edda para a sociedade, que rompa com a l\u00f3gica do lucro e com a ordem de poder da burguesia, apontando uma perspectiva de futuro da constru\u00e7\u00e3o de uma outra ordem pol\u00edtica e social, sob controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Enfim, trata-se de estabelecer um elo entre as lutas imediatas e a proposta socialista revolucion\u00e1ria, pois a burguesia defende cotidianamente a ideologia capitalista de manter a produ\u00e7\u00e3o voltada para o lucro e para o mercado. Se n\u00e3o fizermos essa disputa pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, deixaremos os trabalhadores \u00e0 merc\u00ea da ideologia burguesa de que a lucratividade das empresas \u00e9 sagrada e n\u00e3o pode ser questionada.<\/p>\n<p>Os metal\u00fargicos, tanto da GM como da EMBRAER, ao n\u00e3o terem desenvolvido uma consci\u00eancia anti-capitalista, nem um programa alternativo, pela falta de um trabalho pol\u00edtico nesse sentido, n\u00e3o enxergaram a possibilidade de resistir, pois n\u00e3o v\u00eaem uma forma de ir al\u00e9m da l\u00f3gica do lucro, nem de fazer de sua luta uma campanha de todos os trabalhadores. Nesse sentido o lema anterior \u201cDemitiu, Parou\u201d embora correto em princ\u00edpio, se mostrou insuficiente.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades provocadas pela falta desse trabalho mais ideol\u00f3gio e pol\u00edtico, a orienta\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da CONLUTAS (PSTU), foi de se juntar \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical, buscando uma \u201cunidade\u201d&#8230; Ent\u00e3o vimos as cenas em que Z\u00e9 Maria saiu de bra\u00e7os dados com o Paulinho da For\u00e7a.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o seria t\u00e3o problem\u00e1tico se a For\u00e7a estivesse mobilizando contra as demiss\u00f5es. Mas neste caso,\u00a0ficou n\u00edtido que o Paulinho s\u00f3 queria se promover em cima da luta da EMBRAER. Tanto \u00e9 assim, que a For\u00e7a Sindical n\u00e3o organizou protestos em nenhuma categoria contra as demiss\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as conseq\u00fc\u00eancias da falta de uma interven\u00e7\u00e3o mais pol\u00edtica e ideol\u00f3gica nos sindicatos. \u00c9 preciso um novo tipo de atua\u00e7\u00e3o, \u00e0 altura dos desafios colocados pelo aprofundamento da crise .<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Encontro no aABC discute unidade da esquerda e luta contra a crise econ\u00f4mica<\/h1>\n<div id=\"node-163\">\n<div>\n<div>\n<p>H\u00e1 muito o\u00a0Espa\u00e7o Socialista\u00a0tem insistido na necessidade de construirmos a unidade entre setores de esquerda para as tarefas imediatas, para o enfrentamento cotidiano com a burguesia e para a constru\u00e7\u00e3o de uma ferramenta de luta que possa servir de refer\u00eancia para os trabalhadores e ganh\u00e1-los para a luta anticapitalista. Temos feito esse esfor\u00e7o porque acreditamos que os desafios colocados para os socialistas s\u00f3 podem ser enfrentados com unidade. \u00c9 uma exig\u00eancia do per\u00edodo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa perspectiva que, desde o ano passado, temos defendido que a Conlutas e a Intersindical \u2013 duas entidades ligadas a sindicatos, categorias, organiza\u00e7\u00f5es e partidos de esquerda \u2013 impulsionem um encontro nacional de base, aberto a todos os trabalhadores, trabalhadoras e desempregados para que possamos discutir e deliberar sobre a\u00e7\u00f5es concretas para enfrentar a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Informar, esclarecer, organizar e mobilizar os trabalhadores pela base \u00e9 ir al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es de c\u00fapula e \u00e9, ao nosso modo de ver, a melhor maneira de enfrentarmos os planos do governo e dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>A fim de contribuirmos com essa luta pela unidade da classe trabalhadora e das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda propomos realizar no ABC paulista um Encontro Regional de base, aberto a todos os setores antipatronais e antigovernistas para discutirmos a\u00e7\u00f5es concretas de interven\u00e7\u00e3o, preparar o Dia Nacional de Lutas e outras a\u00e7\u00f5es deliberadas.<\/p>\n<p>Mas, apesar de praticamente toda a esquerda brasileira falar em unidade, observamos que na pr\u00e1tica as coisas s\u00e3o bem diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Dois projetos em disputa: o dos trabalhadores e o da burguesia<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da necessidade, o Encontro Regional ganhava ainda maior import\u00e2ncia por ser o ABC paulista a sede do Semin\u00e1rio organizado pela CUT, PT, Sindicato dos<br \/>\nMetal\u00fargicos do ABC, prefeituras, governos federal e estadual em conjunto com FIESP.<\/p>\n<p>Esse Semin\u00e1rio teve o objetivo claro de promover o pacto social, em que a dire\u00e7\u00e3o do movimento sindical abre m\u00e3o das lutas pelos direitos dos trabalhadores para que os patr\u00f5es continuem tendo lucros.<\/p>\n<p>Nas crises capitalistas, como esta em que estamos vivendo, \u00e9 necess\u00e1ria a<br \/>\ndiscuss\u00e3o sobre o projeto que cada classe social tem para a sua supera\u00e7\u00e3o. A burguesia e seus aliados indicam um caminho: redu\u00e7\u00e3o de direitos, de sal\u00e1rios e medidas que garantam a lucratividade. Os revolucion\u00e1rios indicam as lutas por quest\u00f5es imediatas \u2013 como sal\u00e1rio, diretos e emprego \u2013 e por quest\u00f5es estrat\u00e9gicas \u2013 como a luta contra o capitalismo e a constru\u00e7\u00e3o de um outro tipo de sociedade.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 grande desafio da esquerda, construir uma alternativa de poder e recolocar na ordem do dia a discuss\u00e3o sobre a necessidade da revolu\u00e7\u00e3o como alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>Para o Espa\u00e7o Socialista trata-se de mostrar aos trabalhadores que h\u00e1 outro caminho a seguir: o caminho da luta, \u00fanica forma de manter os nossos direitos e de mostrar para os patr\u00f5es e seus aliados que n\u00e3o aceitamos pagar pela crise.<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2>Um encontro vitorioso<\/h2>\n<p>Essa discuss\u00e3o sobre projeto \u00e9 uma disputa ideol\u00f3gica contra a burguesia e referencial para fazermos um balan\u00e7o do Encontro Regional do ABC, realizado em 22\/03, em S\u00e3o Bernardo.<\/p>\n<p>Apesar do boicote de v\u00e1rias correntes de esquerda que atuam no ABC, contamos com a organiza\u00e7\u00e3o ativa da APEOESP (Sindicato dos Professores \u2013 subsedes Santo Andr\u00e9 e S\u00e3o Bernardo) na constru\u00e7\u00e3o do Encontro e com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 80 trabalhadores e trabalhadoras (professores, estudantes, servidores municipais, banc\u00e1rios, etc).<\/p>\n<p>O Encontro Regional do ABC aprovou: a constru\u00e7\u00e3o de um Comit\u00ea permanente (Comit\u00ea de Luta contra o desemprego e a explora\u00e7\u00e3o capitalista); a participa\u00e7\u00e3o no Dia Nacional de Lutas; a organiza\u00e7\u00e3o de um debate sobre concep\u00e7\u00e3o de movimento sindical e a participa\u00e7\u00e3o no 1\u00ba de maio antigovenista, de esquerda e independente.<\/p>\n<p>Como a Conlutas e a Intersindical mudaram a data do Dia Nacional de Lutas \u2013 de 01 de Abril para 30 de mar\u00e7o \u2013 como forma de unidade com a CUT, a For\u00e7a Sindical e demais centrais governistas, o Encontro Regional do ABC deliberou n\u00e3o participar do ato unificado, mas irmos a locais de trabalho e estudo a fim de discutirmos com os trabalhadores sobre a crise econ\u00f4mica e tamb\u00e9m apresentar as propostas program\u00e1ticas aprovadas no Encontro.<\/p>\n<p>Com a realiza\u00e7\u00e3o de atividades como estas pudemos observar, atrav\u00e9s da recep\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, a inquieta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s amea\u00e7as de corte de direitos e desemprego que j\u00e1 atingem a nossa classe e indicam que os efeitos da crise podem provocar uma mudan\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O fato lament\u00e1vel foi o boicote do PSTU ao Encontro no momento em que a classe trabalhadora mais precisa de unidade. Lamentamos, pois o PSTU \u00e9 a corrente hegem\u00f4nica na Conlutas, tem maior possibilidade e responsabilidade em impulsionar as lutas e construir a entidade como alternativa de esquerda e dos trabalhadores. No entanto, n\u00e3o estranhamos. O partido tem se recusado na pr\u00e1tica a construir a Conlutas e a Conlute na regi\u00e3o do ABC, n\u00e3o marca-se plen\u00e1ria, reuni\u00e3o ou atividades conjuntas. E quando propomos qualquer iniciativa para sairmos do profundo isolamento e impulsionarmos a constru\u00e7\u00e3o ou fortalecimento da Conlutas na regi\u00e3o, somos acusados de estarmos realizando f\u00f3runs paralelos.<\/p>\n<p>Embora ainda reunindo poucos esse Encontro torna-se vitorioso pois, num momento de extrema fragmenta\u00e7\u00e3o da esquerda, indica um reconhecimento dos trabalhadores da necessidade de constru\u00e7\u00e3o da unidade dos lutadores em torno de um programa anticapitalista.<\/p>\n<p>Sendo assim, o\u00a0Comit\u00ea de Luta contra o desemprego e a explora\u00e7\u00e3o capitalista\u00a0reitera o chamado \u00e0 unidade na luta a todas as organiza\u00e7\u00f5es, partidos, grupos e entidades de esquerda e antigovernistas e ao fortalecimento das atividades dirigidas para o avan\u00e7o na consci\u00eancia dos trabalhadores e desempregados a fim de se colocarem em movimento contra a explora\u00e7\u00e3o e pela unifica\u00e7\u00e3o das lutas da classe trabalhadora.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">O que est\u00e1 por tr\u00e1s do discurso sobre qualidade do ensino p\u00fablico no Estado de S\u00e3o Paulo<\/h1>\n<div id=\"node-164\">\n<div>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<address>\u201cA minha resposta \u00e0 ofensiva \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a luta pol\u00edtica consciente, cr\u00edtica e organizada contra os ofensores\u201d.\u00a0(FREIRE, Paulo.\u00a0Pedagogia da Autonomia,\u00a0p.75).<\/address>\n<p>Para tratar da quest\u00e3o do ensino p\u00fablico no Brasil e no Estado de S\u00e3o Paulo, \u00e9 necess\u00e1rio entender e l\u00f3gica e o papel do Estado burgu\u00eas em todas as suas esferas. E, sobretudo, com as tomadas para minimizar os danos causados pelo agravamento da crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O Estado burgu\u00eas surgiu e sempre agiu de modo a favorecer o desenvolvimento do capitalismo. Com seu monop\u00f3lio da viol\u00eancia e suas defini\u00e7\u00f5es de legalidade, expandiu e expande territ\u00f3rios para garantir os lucros das empresas transnacionais, se endivida de modo cr\u00f4nico e permanente para contornar crises peri\u00f3dicas em perman\u00eancia, promove guerras, concede incentivos financeiros aos empres\u00e1rios e banqueiros e, atualmente \u00e9 convocado mais uma vez para gerenciar a crise atual do capitalismo.<\/p>\n<p>No nosso caso, Lula j\u00e1 gastou mais de R$ 300 bilh\u00f5es do dinheiro p\u00fablico para contornar a crise e garantir os lucros dos empres\u00e1rios. Serra, que j\u00e1 havia dado R$ 9 bilh\u00f5es para as montadoras, gestou um pacote de R$ 20,6 bilh\u00f5es, com isen\u00e7\u00e3o de impostos e obras de infra-estrutura de interesse dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como garantir servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade com os governos usando os recursos p\u00fablicos para proteger e garantir os lucros dos empres\u00e1rios e dos banqueiros?<\/p>\n<p>No Estado de S\u00e3o Paulo, em 2002, 15,1% do or\u00e7amento do Estado era gasto na educa\u00e7\u00e3o. A previs\u00e3o para 2009, \u00e9 de 13,1%. Com rela\u00e7\u00e3o aos gastos com pessoal e encargos com educa\u00e7\u00e3o, em 2002, foi de 13%. Em 2009, est\u00e1 previsto 9% do or\u00e7amento. Resultado: o ensino p\u00fablico da rede estadual de S\u00e3o Paulo encontra-se entre os piores do pa\u00eds. As escolas s\u00e3o sucateadas, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o estadual est\u00e3o precarizadas e os professores s\u00e3o desvalorizados \u2013 \u00e9 claro, com exce\u00e7\u00e3o de algumas poucas escolas que s\u00e3o usadas como vitrines e para propagandear que a pol\u00edtica educacional do Estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 dando certo.<\/p>\n<p>Uma outra a\u00e7\u00e3o do governo Serra \u2013 mas tamb\u00e9m do governo federal e das prefeituras como um todo \u2013 \u00e9 jogar pra popula\u00e7\u00e3o que a educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m os demais servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o funcionam com qualidade por culpa dos professores. E a partir da\u00ed, tramam toda uma campanha, responsabilizando-os pela crise na educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 isso, colocam em pr\u00e1tica uma pol\u00edtica de enquadramento dos professores e de todos os servidores p\u00fablicos, atrav\u00e9s da avalia\u00e7\u00e3o de desempenho, avalia\u00e7\u00e3o dos professores em est\u00e1gio probat\u00f3rio e, por \u00faltimo, a prova dos OFAs.<\/p>\n<p>A prova dos OFAs, sob o discurso de que contrataria professores melhores qualificados, tamb\u00e9m tinha outro objetivo, que era o de contratar professores rec\u00e9m formados, que nunca haviam trabalhado na rede, e que entrariam numa situa\u00e7\u00e3o bem mais precarizada do que os que j\u00e1 estavam na rede estadual. Esses novos professores, diferentemente dos mais velhos de rede, passariam a trabalhar em regime de INSS e entrariam com sal\u00e1rios menores do que os professores que est\u00e3o trabalhando h\u00e1 15 ou 20 anos, e que acumulam quinqu\u00eanios, evolu\u00e7\u00e3o funcional, entre outros benef\u00edcios. No caso das mulheres, ao inv\u00e9s da licen\u00e7a gestante de 6 meses, teriam apenas 3, como ocorre no INSS. Ou seja, o Estado economizaria mais dinheiro para dar aos empres\u00e1rios e banqueiros.<\/p>\n<p>E o sindicato dos trabalhadores (APEOESP), dirigido pela mesma corrente sindical do presidente Lula n\u00e3o faz nada? Reproduzirei trechos do boletim do CR\/RR.<\/p>\n<p>\u201cA grave crise internacional teve uma resposta tardia e insuficiente pelo governador Jos\u00e9 Serra. O Estado de S\u00e3o Paulo n\u00e3o investir\u00e1 recurso a mais do que j\u00e1 estava previsto, apenas far\u00e1 a antecipa\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o de R$ 20,6 bilh\u00f5es do Or\u00e7amento de 2009, para investimentos em infra-estrutura, que seriam executados ao longo no ano\u201d. (p\u00e1g.5)<\/p>\n<p>E a central sindical (CUT) a qual est\u00e1 filiada a APEOESP, no mesmo boletim, tem um informe. Vejamos:<\/p>\n<p>\u201c Desde o in\u00edcio da crise estabelecida, a Central pressionou o Governo Federal e os governadores estaduais por amplia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, redu\u00e7\u00e3o de juros e dos spreads banc\u00e1rios e desonera\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas e espec\u00edficas para os setores mais atingidos pela crise, condicionadas a contrapartidas de emprego e manuten\u00e7\u00e3o da renda dos trabalhadores. (p\u00e1g.9).<\/p>\n<p>Vejam, caros colegas, que h\u00e1 a defesa descarada do uso do dinheiro p\u00fablico para atender os interesses dos capitalistas. A pr\u00f3pria pol\u00edtica educacional do Estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o PDE do governo Lula que institui tamb\u00e9m as avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Diante disso, \u00e9 necess\u00e1rio impulsionar um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o das lutas no setor de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental redobrar os esfor\u00e7os para envolver as demais categorias de trabalhadores na luta por uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para os nossos filhos.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que n\u00f3s trabalhadores tratemos a educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, como um bem coletivo e um dos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social e espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Para isso, a luta por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade sob o controle dos trabalhadores deve se combinar com a luta pela a derrubada do capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o do Socialismo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Diplomacia e guerra: dois instrumentos de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo<\/h1>\n<div id=\"node-165\">\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Desgaste dos estados unidos e competi\u00e7\u00e3o imperialista<\/h2>\n<p align=\"justify\">Os anos 2000 apresentaram uma novidade em rela\u00e7\u00e3o aos anos 90: o neoliberalismo come\u00e7a a perder sua for\u00e7a pol\u00edtica. Os povos do mundo logo fizeram a experi\u00eancia com essa pol\u00edtica ditada por Washington e Londres e a rejeitaram, protagonizando mobiliza\u00e7\u00f5es importantes como na Argentina, Equador, Bol\u00edvia, Venezuela e outros tantos pa\u00edses. Junto com essa perda de legitimidade do neoliberalismo, os Estados Unidos tamb\u00e9m perderam espa\u00e7o no mundo com in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de recha\u00e7o \u00e0 sua pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A perda de legitimidade do imperialismo estadunidense no mundo foi um fator importante que dificultou a implementa\u00e7\u00e3o do projeto de domina\u00e7\u00e3o. Foram in\u00fameras dificuldades: Am\u00e9rica Latina com sucessivas rebeli\u00f5es, Oriente M\u00e9dio com uma feroz resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o tanto no Iraque como no Afeganist\u00e3o e a rebeli\u00e3o dos Palestinos. Internamente, o imperialismo estadunidense tamb\u00e9m enfrentou resist\u00eancias importantes que foram massificadas com a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p align=\"justify\">O desgaste do governo Bush e a invas\u00e3o a pa\u00edses como Iraque e Afeganist\u00e3o s\u00f3 fizeram aumentar a oposi\u00e7\u00e3o dos povos ao imperialismo estadunidense. Esse processo, em conjunto com as mobiliza\u00e7\u00f5es de massas dos trabalhadores, sobretudo no continente americano, imp\u00f4s limites para a pol\u00edtica de Washington. \u00c9 neste contexto que a elei\u00e7\u00e3o de Obama se explica: os Estados Unidos precisam mudar a sua apar\u00eancia perante o mundo e se apresentar com um novo governo para recuperar o prest\u00edgio e conseguir impor sua pol\u00edtica de domina\u00e7\u00e3o. A maneira de enfrentar o anti-estadunidismo \u00e9 se colocar como algo novo e simular que houve mudan\u00e7a na pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A atual crise econ\u00f4mica e a tend\u00eancia \u00e0 depress\u00e3o tamb\u00e9m t\u00eam colocado graves problemas para as economias imperialistas, pois o seu mercado interno n\u00e3o \u00e9 suficiente para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o, o que obriga cada um desses pa\u00edses a buscar uma maior presen\u00e7a no mercado mundial. Essa presen\u00e7a precisa ser garantida ou pelas vias diplom\u00e1ticas ou pelas vias militares.<\/p>\n<p align=\"justify\">A crise de superprodu\u00e7\u00e3o expressa uma contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do capitalismo, que \u00e9 o fato da capacidade de produ\u00e7\u00e3o gerar um montante de mercadorias muito superior ao que pode ser consumido. O alto desenvolvimento de t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o faz com que esse problema se agrave, pois pode se produzir muito mais do que em qualquer outro tempo. \u00c9 isso que basicamente ocorre na atual crise econ\u00f4mica, h\u00e1 uma restri\u00e7\u00e3o no mercado mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como um conjunto de pa\u00edses centrais tem uma enorme capacidade produtiva e o mercado mundial tem limites f\u00edsicos (geogr\u00e1ficos) e pol\u00edtico-econ\u00f4micos, inicia-se uma feroz competi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses imperialistas para ter o controle do com\u00e9rcio mundial. Essa competi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das chaves da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a crise econ\u00f4mica fez emergir: os pa\u00edses imperialistas precisam (pelas leis do capitalismo) acelerar a competi\u00e7\u00e3o e dominar a maior parte poss\u00edvel do com\u00e9rcio mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\">A competi\u00e7\u00e3o entre as grandes pot\u00eancias pode resultar em luta direta por mercados, como ocorreu nas duas guerras mundiais. Essas duas guerras n\u00e3o foram outra coisa sen\u00e3o uma disputa pela partilha do mundo, ou seja, aos vencedores caberia a maior fatia do mercado. A guerra em si torna-se tamb\u00e9m uma das solu\u00e7\u00f5es para a supera\u00e7\u00e3o da crise no capitalismo, pois a destrui\u00e7\u00e3o massiva de for\u00e7as produtivas cria novas possibilidades para o mercado capitalista. Ao contr\u00e1rio do que dizem os analistas burgueses, a solu\u00e7\u00e3o da crise de 1929 n\u00e3o ocorreu pelo new deal estadunidense ou qualquer outra pol\u00edtica, mas sim pelo resultado da Segunda Guerra Mundial, que abriu imensas possibilidades para o capitalismo. Ou seja, a \u201cera de ouro\u201d do capitalismo dos anos 50 e 60 se deu \u00e0s custas da morte de milh\u00f5es de seres humanos.<\/p>\n<h2>Estados unidos se preparam para a competi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p align=\"justify\">Nenhuma classe social \u00e9 homog\u00eanea, h\u00e1 distintas fra\u00e7\u00f5es em seu interior. A burguesia se divide como industrial, comercial, financeira e no interior de cada uma delas h\u00e1 outros setores e tamb\u00e9m outros interesses. No interior da burguesia industrial h\u00e1, por exemplo, o setor ligado \u00e0 ind\u00fastria armamentista. Entre a burguesia de um pa\u00eds e de outro tamb\u00e9m h\u00e1 interesses distintos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nos momentos em que h\u00e1 uma certa estabilidade, esses diversos setores conseguem fazer uma partilha e amenizar as contradi\u00e7\u00f5es, ou seja, mant\u00e9m uma certa unidade. No entanto, quando h\u00e1 uma crise essa unidade fica mais inst\u00e1vel e surgem as disputas em que um setor precisa derrotar o outro para sobreviver. Essa disputa ocorre, por exemplo, entre a burguesia industrial e financeira ou ainda entre empresas que produzem o mesmo tipo de produto, como eletrodom\u00e9sticos. Nessas disputas a insanidade da burguesia se revela. A l\u00f3gica de sobreviv\u00eancia da burguesia amea\u00e7a o mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">A essa disputa soma-se outra quest\u00e3o, que \u00e9 o aumento da capacidade de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso criar um mercado consumidor que seja compat\u00edvel com o volume de produ\u00e7\u00e3o. Com a crise econ\u00f4mica em curso &#8211; n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o reconhe\u00e7a que ela \u00e9 profunda e muito pr\u00f3xima daquela registrada na d\u00e9cada de 20\/30 &#8211; a disputa entre os diversos setores da burguesia torna-se mais intensa.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 no contexto dessa profunda crise econ\u00f4mica que precisamos compreender o significado da pol\u00edtica internacional dos Estados Unidos, sob o governo Obama. Os Estados Unidos sabem que precisar\u00e3o usar nessa disputa as a\u00e7\u00f5es da diplomacia e a press\u00e3o sobre diversos governos para conseguir acordos que garantam livre acesso para o capital estadunidense.<\/p>\n<p align=\"justify\">E essa crise, pela sua profundidade, j\u00e1 colocou em movimento todos os pa\u00edses na disputa\u00a0por novos mercados. O desgaste que os Estados Unidos sofreram na Am\u00e9rica Latina e no mundo fez com que perdessem espa\u00e7o e se abrisse a oportunidade para outras pot\u00eancias imperialistas. A Fran\u00e7a e a R\u00fassia, por exemplo, j\u00e1 realizaram importantes acordos comercias na Am\u00e9rica Latina, tradicional \u201creduto dos Estados Unidos\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma disputa que est\u00e1 come\u00e7ando, pois a invas\u00e3o do Iraque e do Afeganist\u00e3o na verdade j\u00e1 \u00e9 parte dessa disputa pela amplia\u00e7\u00e3o dos mercados. Com o agravamento da crise o controle sobre mat\u00e9rias-primas como petr\u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o fundamentais para reduzir custos e melhorar a posi\u00e7\u00e3o na disputa.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 temos discutido com bastante insist\u00eancia o fato de que a crise estrutural do capital \u00e9 um elemento fundamental nessa competi\u00e7\u00e3o imperialista, porque cada sa\u00edda que o capital apresenta para a crise tr\u00e1s em si limites e novas contradi\u00e7\u00f5es insol\u00faveis. Uma solu\u00e7\u00e3o em longo prazo para o imperialismo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com uma guerra que destrua as for\u00e7as produtivas, condi\u00e7\u00e3o para um novo \u201cboom\u201d do capitalismo. Manifesta-se o car\u00e1ter destrutivo do capitalismo, que para continuar existindo tem que matar milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<h2>Com qual pol\u00edtica<\/h2>\n<p align=\"justify\">As armas e formas de disputa sempre s\u00e3o uma quest\u00e3o em aberto, pois dependem essencialmente da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre esses setores da burguesia mundial e tamb\u00e9m entre o proletariado e a burguesia. Uma guerra, ainda mais quando envolve v\u00e1rios pa\u00edses, sempre \u00e9 um risco para o capitalismo (ainda que se chegue a algum momento em que, na l\u00f3gica capitalista, isso se torne imposs\u00edvel), pois h\u00e1 um desgaste do regime e o perigo de que o proletariado, como ocorreu na R\u00fassia em 1917, a transforme em uma revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 por isso que, geralmente, o primeiro instrumento de press\u00e3o s\u00e3o as gest\u00f5es diplom\u00e1ticas, com todo tipo de press\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica (como imposi\u00e7\u00e3o de cotas de importa\u00e7\u00e3o, aumento de impostos para determinados produtos, etc), mas sempre visando impor o projeto de controle do pa\u00eds alvo. Nesse momento, o governo Obama tem utilizado muito esse instrumento, mas, repetimos, buscando por essas vias concretizar seus interesses. Isso n\u00e3o quer dizer que a via militar tenha sido abandonada, pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 cada vez mais uma possibilidade. A diplomacia \u00e9 uma pol\u00edtica que se combina com a a\u00e7\u00e3o militar. O car\u00e1ter militar \u00e9 na verdade a caracter\u00edstica central do imperialismo, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 imperialismo sem poderio militar. Nas a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e1\u00a0representado de maneira subliminar o poderio militar de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na d\u00e9cada de 30, portanto no per\u00edodo da depress\u00e3o econ\u00f4mica, em um momento em que a Alemanha fazia uma forte ofensiva comercial para a regi\u00e3o, os Estados Unidos lan\u00e7aram para a Am\u00e9rica Latina a \u201cpol\u00edtica da boa vizinhan\u00e7a\u201d, que consistia em ter como centro de suas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses do continente americano as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Ao contr\u00e1rio do discurso do governo estadunidense, essa pol\u00edtica n\u00e3o representava uma mudan\u00e7a no conte\u00fado, mas t\u00e3o somente na forma em que foram adotadas novas armas e novos mecanismos de press\u00e3o. O caso mais famoso foi a imposi\u00e7\u00e3o de cotas de importa\u00e7\u00e3o para o a\u00e7\u00facar cubano, que era a \u00fanica fonte de renda de Cuba e tinha os Estados Unidos como o principal cliente. Tamb\u00e9m se destaca o fato de que, quando a diplomacia n\u00e3o era suficiente para garantir a domina\u00e7\u00e3o, a t\u00e1tica militar entrava em a\u00e7\u00e3o, como foi a invas\u00e3o da Rep\u00fablica Dominicana, e mais tarde da Baia dos Porcos em Cuba, assim como as dezenas de golpes militares que foram patrocinados pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro elemento que contesta a vers\u00e3o de que o novo governo estadunidense d\u00e1 mais destaque para a diplomacia \u00e9 a presen\u00e7a de for\u00e7as militares de ocupa\u00e7\u00e3o no Iraque e Afeganist\u00e3o e sucessivos ataques militares a v\u00e1rias regi\u00f5es do Paquist\u00e3o. A promessa de redu\u00e7\u00e3o de parte do contingente militar no Iraque n\u00e3o muda essa caracteriza\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar porque, pela a\u00e7\u00e3o militar, conseguiu-se constituir no Iraque um governo extremamente servil aos Estados Unidos. E segundo, no Afeganist\u00e3o houve aumento do efetivo militar. O recente an\u00fancio de que os Estados Unidos v\u00e3o priorizar a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3 \u00e9 outra balela, pois a simples presen\u00e7a de milhares de soldados nas fronteiras \u00e9 na pr\u00e1tica um elemento que desequilibra qualquer negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esses s\u00e3o apenas alguns dos elementos que comprovam que a diplomacia \u00e9 apenas uma (e n\u00e3o a mais importante) das t\u00e1ticas utilizadas e que o aparato militar \u00e9 elemento fundamental na pol\u00edtica do governo Obama. A pr\u00f3pria proposta de negocia\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 \u00e9 mais uma jogada, pois como pode haver negocia\u00e7\u00f5es com a presen\u00e7a de tanques, m\u00edsseis e milhares de soldados na fronteira?<\/p>\n<p align=\"justify\">O importante \u00e9 compreendermos que a diplomacia na pol\u00edtica dos Estados Unidos est\u00e1 a servi\u00e7o de uma pol\u00edtica de domina\u00e7\u00e3o do mundo e n\u00e3o de \u201cformas respeitosas\u201d de rela\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses. As confer\u00eancias entre Estados, as reuni\u00f5es, os tratados, enfim toda a pol\u00edtica da diplomacia dos Estados Unidos tem um objetivo muito bem definido que \u00e9 submeter outros pa\u00edses aos seus interesses.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o pode restar nenhuma d\u00favida para os trabalhadores de que a principal pol\u00edtica do governo Obama, assim como foi de Bush, \u00e9 a pol\u00edtica belicista. A diplomacia \u00e9 parte dessa pol\u00edtica de expans\u00e3o dos seus dom\u00ednios, \u00e9 um complemento da for\u00e7a b\u00e9lica.<\/p>\n<h2>O poder militar dos estados imperialistas<\/h2>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de Estados imperialistas sem falar de poder b\u00e9lico. Toda crise provoca um acirramento na disputa pelo mercado mundial, em que o avan\u00e7o de um significa que o outro tem que recuar. Da\u00ed a import\u00e2ncia do poder b\u00e9lico, que \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que decide a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nenhuma crise do capital, ainda mais as parecidas com a atual, \u00e9 resolvida no \u00e2mbito da pol\u00edtica ou da economia, instrumentos que permitem no m\u00e1ximo adi\u00e1-las. Uma caracter\u00edstica do conceito de crise estrutural \u00e9 que sua solu\u00e7\u00e3o (ainda que pela pr\u00f3pria l\u00f3gica do capital outras crises sempre vir\u00e3o) passa por impor uma derrota hist\u00f3rica ao proletariado mundial, submetendo-o a um regime de trabalho baseado na superexplora\u00e7\u00e3o em escala mundial. Essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada com uma guerra generalizada.<\/p>\n<p align=\"justify\">O poder e o forte armamento dos Estados imperialistas visam assim pelo menos tr\u00eas objetivos, que s\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o de seu poder na rela\u00e7\u00e3o com outros Estados, o controle do proletariado e a prepara\u00e7\u00e3o para poss\u00edveis conflitos armados, que s\u00e3o fatos comuns na sociedade capitalista. As disputas pol\u00edticas e econ\u00f4micas n\u00e3o raro se resolvem militarmente. Assim, a ind\u00fastria militar passa a ter nesses pa\u00edses um papel central tamb\u00e9m na esfera da pol\u00edtica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A rela\u00e7\u00e3o dos governos com a ind\u00fastria de armas \u00e9 tanto econ\u00f4mica como pol\u00edtica. \u00c9 econ\u00f4mica porque s\u00e3o os Estados \u2013 que det\u00e9m o monop\u00f3lio das armas \u2013 que sustentam esse ramo da ind\u00fastria capitalista. E \u00e9 pol\u00edtica porque a ind\u00fastria de armas \u00e9 quem muitas vezes imp\u00f5e posi\u00e7\u00f5es belicistas aos Estados. Para se ter id\u00e9ia da rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre Estado e ind\u00fastria b\u00e9lica, nos Estados Unidos o Pent\u00e1gono tem escrit\u00f3rio permanente dentro das empresas b\u00e9licas, ou seja, funcion\u00e1rios do Estado trabalham dentro das empresas. Tamb\u00e9m \u00e9 comum que oficiais de alta patente das for\u00e7as armadas, quando se aposentam, passem a ocupar postos de dire\u00e7\u00e3o nas empresas b\u00e9licas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nessa perspectiva, os Estados t\u00eam verdadeiros arsenais de destrui\u00e7\u00e3o, capazes de jogar pelos ares cada gr\u00e3o de areia que existe no mundo. Na economia capitalista a produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 se efetiva se houver consumo, e como o consumo de armas depende de guerras, torna-se fundamental para a sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica dessa ind\u00fastria a exist\u00eancia de guerras.<\/p>\n<h2>O poder militar dos Estados Unidos<\/h2>\n<p align=\"justify\">Como sempre o discurso \u00e9 um e a pr\u00e1tica \u00e9 outra. Os dados desmentem facilmente o discurso mentiroso de Obama. Os pa\u00edses imperialistas, em especial os Estados Unidos, s\u00e3o verdadeiras m\u00e1quinas de guerra. O an\u00fancio do or\u00e7amento dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2010 (que se inicia em outubro) \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o cabal, uma vez que destina nada menos do que 664 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para os gastos militares.<\/p>\n<p align=\"justify\">O ex\u00e9rcito dos Estados Unidos \u00e9 formado por cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de homens e mulheres, o que representa 1,5% da popula\u00e7\u00e3o dos EUA. Segundo o jornal Brasil de Fato, os Estados Unidos possuem 725 bases militares espalhadas pelo mundo e por volta de 500 mil soldados servindo fora de suas fronteiras, sem falar nos que est\u00e3o no Iraque e no Afeganist\u00e3o. As despesas militares passaram de 345 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2001 para 528,7 bilh\u00f5es em 2006, e agora os rec\u00e9m-anunciados 664 bilh\u00f5es. Os gastos militares desse pa\u00eds s\u00e3o t\u00e3o gigantescos que correspondem a 45% de todos os gastos militares do mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por tr\u00e1s dessa pol\u00edtica de Estado (que j\u00e1 \u00e9 conden\u00e1vel) est\u00e3o as bilion\u00e1rias empresas da ind\u00fastria b\u00e9lica. Das dez empresas l\u00edderes do setor no mundo, seis s\u00e3o estadunidenses. S\u00e3o cerca de 3% do PIB destinados para a defesa. Ap\u00f3s a invas\u00e3o do Iraque e Afeganist\u00e3o, empresas como Am General, Armor Holdings e Oshkosh Truck, que fornecem ve\u00edculos militares, aumentaram seus faturamentos em 40%. O controle das empresas \u00e9 tamanho que v\u00e1rias \u00e1reas das for\u00e7as armadas foram privatizadas, como a administra\u00e7\u00e3o dos quart\u00e9is, sua seguran\u00e7a, abastecimento, etc. Isso sem falar na investidura de fun\u00e7\u00f5es militares para as mil\u00edcias. O seu poder n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 econ\u00f4mico, \u00e9 sobretudo pol\u00edtico, com influ\u00eancia em cargos importantes na hierarquia de decis\u00f5es de Estado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com esses dados \u00e9 poss\u00edvel destacar duas quest\u00f5es fundamentais: a primeira \u00e9 que a pol\u00edtica belicista n\u00e3o \u00e9 deste ou daquele governo, mas \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado e isso significa que Obama vai continuar com a pol\u00edtica belicista de Bush. O diferencial \u00e9 que no governo Obama a diplomacia ganha mais peso, mas como j\u00e1 dissemos, n\u00e3o substitui, e sim refor\u00e7a a a\u00e7\u00e3o militar sobre os povos do mundo. A segunda quest\u00e3o \u00e9 que esse mesmo Estado est\u00e1 sob controle das empresas do setor de armas e conseq\u00fcentemente todas as decis\u00f5es dos governantes atendem a esses interesses.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Crise exp\u00f5e barb\u00e1rie capitalista: avan\u00e7o da xenofobia<\/h1>\n<div id=\"node-166\">\n<p>\u00a0A mobilidade do trabalho, ou dos trabalhadores de um lugar para outro no intuito de ocupar postos de trabalho, em raz\u00e3o da escassez destes ou por conta de melhores condi\u00e7\u00f5es no trabalho e de rendimentos maiores, provoca grandes \u00eaxodos, entre regi\u00f5es localizadas em um mesmo pa\u00eds ou internacionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esse deslocamento em massa provoca conseq\u00fcentemente o aumento da densidade populacional nos locais de destino desses trabalhadores e tamb\u00e9m a eleva\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios trabalhadores. Esse processo em \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e9 interessante aos detentores dos meios de produ\u00e7\u00e3o e aos tomadores de servi\u00e7o na medida em que se amplia quantitativamente o ex\u00e9rcito industrial de reserva, gerando a diminui\u00e7\u00e3o do valor dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como desdobramento desse fen\u00f4meno, tamb\u00e9m ocorre nesses lugares de destino o aumento do desemprego e da precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores de um modo geral, seja por conta de uma super ocupa\u00e7\u00e3o combinada com a despreocupa\u00e7\u00e3o dos Estados em construir infra-estrutura para readequar o espa\u00e7o urbano a sua nova dimens\u00e3o populacional. Essa massa humana em deslocamento acaba sendo segregada em locais desfavor\u00e1veis do ponto de servi\u00e7os p\u00fablicos, nas periferias das cidades, constituindo grandes bols\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria, como as favelas ou bairros degradados. Sendo que esse estado de d\u00e9ficit habitacional \u00e9 apropriado mercadologicamente pelos empres\u00e1rios do setor imobili\u00e1rio para especular e construir moradias, por meio de subs\u00eddios estatais ou de financiamentos p\u00fablicos, moradias as quais s\u00e3o constru\u00eddas nesses lugares distantes ou em outros t\u00e3o desfavor\u00e1veis para o deslocamento aos centros urbanos quanto os lugares de faveliza\u00e7\u00e3o. Inclusive, nos Estados Unidos, a crise do setor imobili\u00e1rio afetou os trabalhadores pobres mutu\u00e1rios que perderam as casas, hipotecadas como garantia de pagamento, e quanto a essa quest\u00e3o em particular, o ge\u00f3grafo norte americano David Harvey, em entrevista concedida a revista Le Monde Diplomatique Brasil do m\u00eas de mar\u00e7o de 2009, explica que:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u201ca estrutura da crise financeira nos Estados Unidos \u00e9 notadamente urbana no que diz respeito a suas origens. E \u00e9 justamente essa rela\u00e7\u00e3o que eu considero importante a analisar. Um dos resultados da crise \u00e9 que cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas perderam suas casa nos Estados Unidos no \u00faltimo ano. Provavelmente, antes que esse processo termine, entre 6 e 10 milh\u00f5es de pessoas estar\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o. Se observarmos onde isso aconteceu, a onda inicial de inadimpl\u00eancia ocorreu em duas \u00e1reas espec\u00edficas: uma delas, as velhas cidades dos Estados Unidos, como Cleveland, Baltimore e Detroit; a outra coincide com a distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. Na realidade, tivemos o que podemos chamar de um Katrina financeiro, que atingiu todas as cidades, simplesmente varrendo do mapa os bairros pobres em munic\u00edpios como Cleveland e Baltimore. Em Cleveland ocorre uma sobreposi\u00e7\u00e3o perfeita entre bairros ocupados por afro-americanos e os lugares onde est\u00e3o o maior n\u00famero de pessoas que perderam suas casas por causa das execu\u00e7\u00f5es hipotec\u00e1rias\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">Esses bairros pobres a que se refere David Harvy s\u00e3o ocupados principalmente por imigrantes de origem latino-americana e de regi\u00f5es pobres do oriente e da Europa, que ser\u00e3o lan\u00e7ados em estado de maior degrada\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esse movimento de mobiliza\u00e7\u00e3o humana tem provocado o descontentamento de setores da extrema-direita, que, n\u00e3o de hoje, perseguem e procedem a assassinatos de imigrantes, como, por exemplo, o movimento contra o negro e o latino-americano nos Estados Unidos, que ganha coro junto com o movimento da Lei e Ordem, de cunho nitidamente fascista. E esse processo da crise econ\u00f4mica mundial, que se encontra em aprofundamento e que j\u00e1 colocou a economia mundial em recess\u00e3o, est\u00e1 gerando aumento vertiginoso dos \u00edndices de desemprego no mundo todo, a come\u00e7ar pelos centros do capitalismo. Ent\u00e3o, os imigrantes, que j\u00e1 s\u00e3o alvo de pol\u00edticas de exterm\u00ednio, passam a ser entendidos por parte dos trabalhadores demitidos, que s\u00e3o obrigados a disputarem postos de trabalho mais precarizados, como inimigos, desconsiderando categoricamente o aspecto de classe e possibilitando as condi\u00e7\u00f5es para disputas violentas entre os pr\u00f3prios trabalhadores. Esse fen\u00f4meno ideol\u00f3gico e medonho \u00e9 apropriado pelos setores da ultradireita, que tentam catalisar essa rela\u00e7\u00e3o destrutiva. Por isso, verifica-se, n\u00e3o apenas nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m na Europa, o avan\u00e7o da xenofobia, inclusive estatal, que se manifesta por meio de pol\u00edticas de barreira nas divisas contra a imigra\u00e7\u00e3o, o n\u00e3o fornecimento de vistos e as persegui\u00e7\u00f5es policiais. Exemplos disso s\u00e3o o vergonhoso muro que separa a divisa entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico, em cujo lado americano existem mercen\u00e1rios que literalmente ca\u00e7am imigrantes e criam uma rede de corrup\u00e7\u00e3o para permitir a entrada de alguns, e os assassinatos de latino americanos em pa\u00edses europeus pela pr\u00f3pria pol\u00edcia, sob o argumento de que seriam criminosos ou suspeitos. Portanto, a crise tem acentuado o deslocamento do trabalho para pa\u00edses mais industrializados e confrontado isso com o desemprego nestes pa\u00edses.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse cen\u00e1rio, os Estados europeus ocidentais t\u00eam hostilizado os imigrantes provenientes da \u00c1frica, Am\u00e9rica, Oriente M\u00e9dio e, sobretudo, do leste europeu. A crise j\u00e1 impactou com grande intensidade os pa\u00edses do leste europeu, de tal forma que alguns pa\u00edses como a Let\u00f4nia passam situa\u00e7\u00e3o de instabilidade pol\u00edtica no governo em raz\u00e3o do desemprego e da falta de medidas eficientes para a sua conten\u00e7\u00e3o, que levou o ent\u00e3o primeiro ministro a renunciar em 20 de fevereiro de 2009. Na Ucr\u00e2nia a crise causou a diminui\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de a\u00e7o e o endividamento do Estado tem dificultado medidas de interven\u00e7\u00e3o na economia. Isso tudo provocou \u00eaxodos imigrat\u00f3rios em dire\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses da Zona do Euro, os quais est\u00e3o aplicando medidas para dificultar esse movimento. O Estado Alem\u00e3o tem assumido forte inten\u00e7\u00e3o de impedir a imigra\u00e7\u00e3o e em abril de 2009 pretende discutir uma lei que proibir\u00e1 a concess\u00e3o de vistos para imigrantes de cerca de 8 (oito) pa\u00edses do leste europeu. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, a Holanda tamb\u00e9m tem dificultado os fluxos imigrat\u00f3rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">Recentemente, a Europa foi palco de fortes insurg\u00eancias relacionadas com o desemprego e a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o. O ano de 2008 na Fran\u00e7a foi marcado por violentas manifesta\u00e7\u00f5es de imigrantes, africanos na maioria. Esses imigrantes criticavam a pol\u00edtica do governo Sarkozy de expulsar imigrantes ilegais e exigia a legaliza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m apontava o forte n\u00edvel de desemprego, sendo as manifesta\u00e7\u00f5es duramente reprimidas pela pol\u00edcia francesa. Paris tornou-se um campo de guerra urbana. Contudo esse movimento dos imigrantes africanos pela legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se iniciou em 2008, j\u00e1 em outubro de 2005 foram travados violentos enfrentamentos com a pol\u00edcia, que foram deflagrados ap\u00f3s dois jovens imigrantes morreram eletrocutados durante persegui\u00e7\u00e3o empreendida pela pol\u00edcia. \u00c9, portanto, n\u00edtida a postura xenof\u00f3bica do Estado franc\u00eas, a qual continua sendo conduzida pelo governo Sarkozy, que dever\u00e1, inclusive, ser fortalecida diante da crise econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, na Gr\u00e9cia tamb\u00e9m ocorreram enfrentamentos em dezembro de 2008, organizados principalmente por anarquistas em conjunto com organiza\u00e7\u00f5es da esquerda, sendo que a maioria dos manifestantes era de estudantes que ocuparam diversos pr\u00e9dios p\u00fablicos e procederam a fortes manifesta\u00e7\u00f5es de rua. O poder p\u00fablico grego adotou, n\u00e3o de agora, uma pol\u00edtica endurecida contra as manifesta\u00e7\u00f5es populares e contra os imigrantes, por meio da criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e por investidas contra imigrantes ilegais, resultando, inclusive em mortes n\u00e3o esclarecidas pela pol\u00edcia e tamb\u00e9m marcadas por absolvi\u00e7\u00f5es, criando certa dose de crise nas institui\u00e7\u00f5es do Estado, sobretudo o Judici\u00e1rio. Tanto que as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de dezembro de 2008 foram iniciadas ap\u00f3s o assassinato pela pol\u00edcia do estudante Alex Grigoropoulos , em 6 de dezembro. Ap\u00f3s esse fato, estudantes invadiram as ruas de diversas cidades gregas, dentre as quais, Atenas, Sal\u00f4nica, Patras, Larissa, Iraklion, Chania (Creta), Ioannina, Volos, Kozani, Komotine. A prop\u00f3sito, em Petras ocorreu um ataque violento de radicais de direita contra a sede de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de imigrantes, tendo sido lan\u00e7ada uma bomba contra a janela do pr\u00e9dio em que se encontravam os militantes, durantes a realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esses fen\u00f4menos de levantes populares, incluindo os imigrantes segregados e perseguidos pelos aparelhos de repress\u00e3o estatais, n\u00e3o est\u00e3o assumindo maiores dimens\u00f5es por acaso, sendo eles conseq\u00fc\u00eancias diretas da crise estrutural do capital que tem provocando o aumento do desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida do proletariado no mundo todo e nesse cen\u00e1rio os imigrantes s\u00e3o parte dos setores mais explorados e expropriados pela burguesia, e cuja situa\u00e7\u00e3o civil os coloca em posi\u00e7\u00e3o de extrema precariedade no tocante aos direitos sociais. A crise econ\u00f4mica em curso acentuar\u00e1 a xenofobia e os partidos de direita j\u00e1 est\u00e3o utilizando isso para aumentar a hostiliza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes e, principalmente, para dividir os setores da classe trabalhadora e dificultar sua organiza\u00e7\u00e3o para a luta contra o capital.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">150 anos do darwinismo: a evolu\u00e7\u00e3o entre o mito e a ci\u00eancia<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<div id=\"node-167\">\n<h2>\u00a0A hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p align=\"justify\">Nas \u00e9pocas hist\u00f3ricas de grandes mudan\u00e7as sociais as classes revolucion\u00e1rias se apoiam na for\u00e7a da raz\u00e3o para o combate ideol\u00f3gico contra os mitos que constituem o arcabou\u00e7o do pensamento das classes dominantes, parte do combate pol\u00edtico geral. Assim fez a burguesia na sua multissecular luta revolucion\u00e1ria e humanista contra a nobreza e o clero. Ao longo dessa luta, alguns marcos se destacam. O primeiro \u00e9 a descoberta de homens como Cop\u00e9rnico, Bruno, Kepler, Galileu e Newton de que a Terra n\u00e3o \u00e9 o centro do universo, mas apenas mais um planeta gravitando em torno do sol num universo infinito. O segundo marco foi a descoberta por Darwin de que as esp\u00e9cies animais evoluem pela sele\u00e7\u00e3o natural dos mais aptos, de modo que a origem do homem pode ser remontada at\u00e9 seus ancestrais primatas (e no limite, at\u00e9 as bact\u00e9rias que foram a primeira forma de toda a vida no planeta). Um terceiro marco seria a descoberta do inconsciente por Freud, mas em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e ideol\u00f3gicas j\u00e1 alteradas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A descoberta de Darwin foi publicada no livro \u201cA origem das esp\u00e9cies\u201d, cujo lan\u00e7amento est\u00e1 completando 150 anos (em 12\/02\/2009 comemoraram-se os 200 anos de nascimento do pr\u00f3prio Darwin). A teoria da evolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia sido elaborada pelo naturalista ingl\u00eas em 1839, no retorno de uma viagem mar\u00edtima que se iniciara em 1835, e que teve entre outros destinos o Brasil e as ilhas Gal\u00e1pagos, no litoral do Equador. Mas a teoria permaneceu in\u00e9dita, pelo receio do pr\u00f3prio autor de chocar a sociedade com uma novidade t\u00e3o radical.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1858, Darwin recebe uma correspond\u00eancia de outro cientista ingl\u00eas, Alfred Russel Wallace, em que este apresenta uma teoria id\u00eantica \u00e0 sua a respeito da sele\u00e7\u00e3o natural. Escrupulosamente, Darwin apresenta as duas teorias \u00e0 comunidade cient\u00edfica, reconhecendo o papel de Wallace. E somente no ano seguinte publica seu livro, que teve estrondosa repercuss\u00e3o. Assim, Darwin passaria \u00e0 hist\u00f3ria como pai do evolucionismo em biologia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA origem das esp\u00e9cies\u201d dizia basicamente que a natureza seleciona os organismos mais adaptados a sobreviver em determinado ambiente, de modo que estes organismos transmitem suas caracter\u00edsticas aos seus descendentes, terminando por constituir uma esp\u00e9cie em separado. O mecanismo pelo qual os organismos desenvolvem adapta\u00e7\u00f5es (muta\u00e7\u00e3o) e transmitem suas caracter\u00edsticas (DNA), somente seria descoberto no s\u00e9culo XX, com o avan\u00e7o da gen\u00e9tica, e veio confirmar a intui\u00e7\u00e3o genial de Darwin.<\/p>\n<h2>A mitologia social burguesa<\/h2>\n<p align=\"justify\">O destino da teoria de Darwin seria mais um exemplo do fen\u00f4meno pelo qual \u201ca ci\u00eancia destr\u00f3i mitos e coloca outros em seu lugar\u201d. O evolucionismo destruiu os mitos de que as formas de vida foram criadas por Deus tais como existem hoje e de que o homem foi criado \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a\u201d do pr\u00f3prio Deus. Entretanto, o conceito de evolu\u00e7\u00e3o acabou sendo parte do arsenal ideol\u00f3gico que justifica a posi\u00e7\u00e3o de classe dominante da burguesia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A ascens\u00e3o da burguesia como classe \u00e9 indissoci\u00e1vel da ascens\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. O capitalismo tem um papel hist\u00f3rico progressivo (reconhecido por Marx no \u201cManifesto\u201d) de romper a estreiteza das rela\u00e7\u00f5es sociais feudais e arcaicas, lan\u00e7ando as bases materiais para a luta da moderna classe trabalhadora por sua emancipa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o capitalismo aprisiona o homem em rela\u00e7\u00f5es sociais tais que a sua condi\u00e7\u00e3o de sujeito se reverte em mero objeto do processo de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do valor econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas requerem um arsenal ideol\u00f3gico de justifica\u00e7\u00e3o, uma mitologia social que se baseia no individualismo. Os pensadores burgueses, de Hobbes e Locke a Adam Smith, tomaram a condi\u00e7\u00e3o do burgu\u00eas ingl\u00eas dos s\u00e9culos XVII e XVIII e generalizaram essa condi\u00e7\u00e3o como sendo a \u201cnatureza humana\u201d em geral, em todos os lugares e em todas as \u00e9pocas. Inventaram a lenda da \u201cguerra de todos contra todos\u201d no \u201cestado de natureza\u201d e a necessidade da inven\u00e7\u00e3o do Estado dotado do monop\u00f3lio da for\u00e7a para proteger a propriedade privada \u201cadquirida pelo trabalho\u201d (na verdade, trabalho alheio), que culmina na estapaf\u00fardia afirma\u00e7\u00e3o de que a busca de cada um pelos seus interesses individuais resulta \u201cautomaticamente\u201d no bem coletivo, por obra da \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d.<\/p>\n<h2>Competi\u00e7\u00e3o na natureza e na sociedade<\/h2>\n<p align=\"justify\">Tais mitos s\u00e3o a base do direito burgu\u00eas e do Estado moderno, a l\u00f3gica com a qual os indiv\u00edduos explicam a si mesmos a vig\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, da concorr\u00eancia, do \u201clivre mercado\u201d, etc. Essas id\u00e9ias j\u00e1 eram comuns no tempo de Darwin. Na verdade, Darwin se inspirou em Malthus, ep\u00edgono vulgar dos economistas cl\u00e1ssicos, para encontrar na natureza o fen\u00f4meno da luta pela sobreviv\u00eancia. Malthus foi o autor da id\u00e9ia de que a popula\u00e7\u00e3o cresce mais do que os recursos necess\u00e1rios para sua sobreviv\u00eancia, de modo que a humanidade estaria condenada a uma luta permanente contra a escassez.<\/p>\n<p align=\"justify\">A competi\u00e7\u00e3o, id\u00e9ia motriz da sociedade burguesa, serviu de inspira\u00e7\u00e3o para que Darwin identificasse a luta pela sobreviv\u00eancia no mundo natural. A descoberta de Darwin \u00e9 verdadeira, mas a inspira\u00e7\u00e3o de onde ele partiu \u00e9 falsa. A luta pela sobreviv\u00eancia existe na natureza como um fato dado, um ponto de partida. Mas a competi\u00e7\u00e3o na sociedade humana tem causas humanas, sociais e hist\u00f3ricas, n\u00e3o naturais. A competi\u00e7\u00e3o entre os homens n\u00e3o tem a ver com uma suposta \u201cnatureza humana ego\u00edsta\u201d, mas com a divis\u00e3o da sociedade em classes, um fen\u00f4meno hist\u00f3rico e transit\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">A teoria malthusiana se provou objetivamente falsa, pois tanto a escassez com que se depara a maior parte da humanidade, os trabalhadores, quanto a abund\u00e2ncia de que desfruta a minoria, a burguesia, n\u00e3o s\u00e3o dados fixos absolutos e a-hist\u00f3ricos, mas relativos, artificiais. N\u00e3o existe escassez de recursos ou subcapacidade produtiva na sociedade. Ao contr\u00e1rio, existe a irracionalidade das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas, que condenam a humanidade a crises econ\u00f4micas peri\u00f3dicas nos momentos em que as for\u00e7as produtivas n\u00e3o podem ser colocadas em movimento de modo lucrativo. A mis\u00e9ria caminha lado a lado com a superprodu\u00e7\u00e3o, pois a atividade produtiva n\u00e3o est\u00e1 colocada a servi\u00e7o das necessidades humanas e sim do lucro. O problema est\u00e1, portanto, na l\u00f3gica capitalista de apropria\u00e7\u00e3o privada da produ\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<h2>O mito do progresso e a evolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p align=\"justify\">Sob pretexto da luta contra a escassez, mas na verdade tendo como objetivo a multiplica\u00e7\u00e3o do lucro e a reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital, a burguesia est\u00e1 permanentemente obrigada a desenvolver as for\u00e7as produtivas. O aumento quantitativo da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o motor secreto de toda a vida social capitalista, que se alimenta da incorpora\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, que por sua vez exigem um avan\u00e7o constante do conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em nome desse mecanismo, o aumento da produ\u00e7\u00e3o passou a ser sin\u00f4nimo de progresso. E o progresso passou a ser o objetivo de todas as sociedades. A ideologia burguesa do progresso desconsidera completamente a capacidade da natureza de suportar as interven\u00e7\u00f5es humanas, com as catastr\u00f3ficas conseq\u00fc\u00eancias ambientais com as quais nos defrontamos hoje.<\/p>\n<p align=\"justify\">O impulso para o progresso \u00e9 outro mito social burgu\u00eas que contamina a compreens\u00e3o da realidade, a tal ponto de ter sido incorporado pelas pr\u00f3prias ci\u00eancias naturais. A evolu\u00e7\u00e3o passou a ser compreendida como um valor moral, sin\u00f4nimo de melhoria. O processo de evolu\u00e7\u00e3o, um mecanismo cego e aleat\u00f3rio, que consiste simplesmente no fato de que as esp\u00e9cies animais se adaptam ao seu ambiente, passou a ser tratado como evid\u00eancia de progresso no sentido burgu\u00eas, como se houvesse um objetivo previamente tra\u00e7ado para a transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies animais em seres superiores.<\/p>\n<h2>Darwinismo social e imperialismo<\/h2>\n<p align=\"justify\">Rep\u00f5e-se assim disfar\u00e7adamente o mito da divindade do homem, como se a evolu\u00e7\u00e3o natural tivesse como objetivo produzir o homem. E dentre os homens, naturalmente, os vencedores e os vencidos. A burguesia seria a classe social dominante porque estaria composta dos indiv\u00edduos mais aptos. Da mesma forma os povos europeus teriam o direito de conquistar as ra\u00e7as b\u00e1rbaras da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica pois seriam superiores. As diferen\u00e7as hist\u00f3ricas entre as classes e os povos, os processos de domina\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a, etc., foram grosseiramente apagados da hist\u00f3ria por essa grotesca teoria do \u201cdarwinismo social\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">As conseq\u00fc\u00eancias mais tr\u00e1gicas do darwinismo social foram vivenciadas no s\u00e9culo XX, quando, em nome do triunfo da \u201cra\u00e7a ariana\u201d, os nazistas perpetraram o exterm\u00ednio de milh\u00f5es de judeus. O projeto de eugenia, ou melhoramento da ra\u00e7a, realizado pelos nazistas \u00e9 o mais dantesco corol\u00e1rio do darwinismo social. Desde ent\u00e3o os adeptos desse pensamento foram for\u00e7ados a disfar\u00e7ar um pouco as conex\u00f5es abusivas que fazem entre teorias da natureza e da sociedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entretanto, tais teorias continuam despontando, como aquela que foi formulada na d\u00e9cada de 1970 segundo a qual o \u00fanico objetivo dos seres vivos \u00e9 transmitir seus genes. Todo o comportamento animal (e humano) seria explicado por um instinto que o obriga a difundir seus genes. A teoria do \u201cgene ego\u00edsta\u201d, transforma um instrumento, os genes, em causa de todo o processo, justamente porque n\u00e3o contempla a perspectiva da totalidade do processo.<\/p>\n<h2>Hist\u00f3ria natural e emancipa\u00e7\u00e3o humana<\/h2>\n<p align=\"justify\">As diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre a hist\u00f3ria natural e a hist\u00f3ria social s\u00f3 podem ser compreendidas na moldura de uma l\u00f3gica dial\u00e9tica, que explica a continuidade na descontinuidade e a descontinuidade na continuidade. O homem rompeu com a natureza e ao mesmo tempo continuou sendo parte dela. As duas esferas preservam sua liga\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo sua especificidade, sua l\u00f3gica pr\u00f3pria, que n\u00e3o pode ser transposta de uma esfera \u00e0 outra.<\/p>\n<p align=\"justify\">A luta pela sobreviv\u00eancia na natureza n\u00e3o \u00e9 feita apenas de competi\u00e7\u00e3o entre os organismos, mas de coopera\u00e7\u00e3o e mutualismo, t\u00e3o abundantes quanto \u00e0 sobreviv\u00eancia do mais apto. \u00c9 falso transpor o individualismo liberal burgu\u00eas para a hist\u00f3ria natural, assim como \u00e9 falso explicar as diferen\u00e7as sociais por causas naturais. Na hist\u00f3ria humana, a coopera\u00e7\u00e3o e o coletivismo s\u00e3o fen\u00f4menos presentes durante mil\u00eanios, muito mais disseminados que a competi\u00e7\u00e3o, a qual \u00e9 t\u00edpica apenas da \u00e9poca capitalista.<\/p>\n<p align=\"justify\">A burguesia enquanto classe \u00e9 incapaz de desenvolver essa compreens\u00e3o abrangente da hist\u00f3ria natural e social. Ao mesmo tempo em que necessita da ci\u00eancia, a burguesia precisa distorc\u00ea-la, fragment\u00e1-la, transform\u00e1-la em conhecimento altamente especializado de partes limitadas do real, impedindo uma vis\u00e3o da totalidade. Por negar a compreens\u00e3o da realidade como um todo, a burguesia acaba repondo a necessidade do mito. Nos Estados Unidos h\u00e1 uma intensa luta de setores religiosos para impor o ensino do criacionismo nas escolas, negando a evolu\u00e7\u00e3o e defendendo a exist\u00eancia de um \u201cdesenho inteligente\u201d na natureza, que s\u00f3 poderia ser obra de um criador.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sociedade que desenvolve ao m\u00e1ximo a ci\u00eancia \u00e9 a mesma que reproduz o obscurantismo religioso. A causa dessa contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na divis\u00e3o social do trabalho e na exist\u00eancia de uma classe dominante que vive \u00e0s custas do trabalho alheio. O homem somente ser\u00e1 livre dessa domina\u00e7\u00e3o quando se tornar senhor do seu trabalho, do qual atualmente \u00e9 escravo. Foi a partir do trabalho que os primatas evolu\u00edram para humanos, quando gradualmente seu corpo, suas m\u00e3os, seu c\u00e9rebro, sua mente, se converteram em instrumentos altamente sofisticados. A evolu\u00e7\u00e3o dos primatas at\u00e9 se tornarem humanos \u00e9 explic\u00e1vel no quadro da teoria da evolu\u00e7\u00e3o descoberta por Darwin. A transforma\u00e7\u00e3o do homem em efetivamente humano s\u00f3 \u00e9 realiz\u00e1vel por meio da teoria marxista da emancipa\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=160#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<table align=\"left\" style=\"border: 10px solid white;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" align=\"left\" style=\"border: 10px solid white;\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/guernica-picasso.jpg\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><i>Guernica<\/i>, Pablo Picasso<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>Apresentamos o jornal n&ordm; 30 do Espa&ccedil;o Socialista. Essa edi&ccedil;&atilde;o dedica-se essencialmente nas quest&otilde;es, sejam as nacionais ou internacionais, colocadas pela situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica marcada pela crise econ&ocirc;mica global que envolve a economia capitalista.<br \/>\nNesse momento temos insistido na necessidade de que os trabalhadores se coloquem como alternativa, &uacute;nica garantia de mantermos os nossos direitos. Historicamente as crises capitalistas tem resultado em mais mis&eacute;ria para a humanidade&nbsp; e isso ocorre pela l&oacute;gica desse sistema em que a destrui&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as produtivas (leia-se guerra) &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para a recupera&ccedil;&atilde;o de sua economia, ou seja, &eacute; preciso que mate-se milh&otilde;es de seres humanos para a recupera&ccedil;&atilde;o da economia capitalista. &nbsp;Por isso &eacute; que defendemos que o socialismo &eacute; o &uacute;nico sistema capaz de construir um mundo sem crise e sem a destrui&ccedil;&atilde;o e o socialismo s&oacute; podemos conseguir com a mobiliza&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, com um programa tamb&eacute;m revolucion&aacute;rio, da classe trabalhadora.<br \/>\nPor fim a a&ccedil;&atilde;o dos revolucion&aacute;rios deve &quot;extrapolar&quot; o economicismo, com uma luta ideol&oacute;gica que consiga abranger a totalidade da vida social. Essa &eacute; a raz&atilde;o de sempre publicarmos textos que reflitam a posi&ccedil;&atilde;o dos marxistas sobre outras esferas da vida. Nessa edi&ccedil;&atilde;o h&aacute; o artigo dedicado sobre a reflex&atilde;o entre o evolucionismo e o criacionismo.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Baixe tamb&eacute;m o jornal em PDF <a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/jornal_30.pdf\">clicando aqui<\/a> (776 kB).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6435,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160\/revisions\/6435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}