{"id":162,"date":"2009-04-11T11:45:36","date_gmt":"2009-04-11T14:45:36","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/162"},"modified":"2018-05-05T17:44:58","modified_gmt":"2018-05-05T20:44:58","slug":"derrota-na-embraer-mostrou-os-limites-de-um-sindicalismo-imediatista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/04\/derrota-na-embraer-mostrou-os-limites-de-um-sindicalismo-imediatista\/","title":{"rendered":"Derrota na Embraer mostrou os limites de um sindicalismo imediatista"},"content":{"rendered":"<div style='text-align: justify'>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><b>Derrota na EMBRAER mostrou os limites de um sindicalismo imediatista <\/b><\/h1>\n<p>Nesta pol&ecirc;mica, n&atilde;o se trata de questionar a combatividade do sindicato dos metal&uacute;rgicos de S&atilde;o Jos&eacute;, nem suas inten&ccedil;&otilde;es, <b>mas sim um modelo de atua&ccedil;&atilde;o que ao nosso ver n&atilde;o est&aacute; &agrave; altura para enfrentar os grandes ataques desse per&iacute;odo de crise<\/b>.<\/p>\n<p>O que precisa ser discutido &eacute; <b>por que em uma categoria dirigida ao longo de mais de 20 anos por um sindicato que recebe acompanhamento direto da dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU, e que tem prioridade da CONLUTAS, os trabalhadores tendem a agir da mesma forma que em outros locais cujas dire&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o de luta?<\/b><\/p>\n<p>Ou seja, por que no caso das demiss&otilde;es da GM, e agora, da Embraer, o sindicato n&atilde;o conseguiu realizar uma greve ou formas de luta mais radicalizadas?  Por que n&atilde;o foi poss&iacute;vel sequer juntar e organizar os demitidos em assembl&eacute;ias ou atos massivos?<\/p>\n<p>Foi culpa dos pr&oacute;prios trabalhadores? Ou <b> isso reflete uma defasagem no tipo de trabalho que vem sendo realizado todos esses anos nos sindicatos dirigidos pela esquerda em geral?<\/b><\/p>\n<p>Ao nosso ver, embora haja dificuldades objetivas, a segunda op&ccedil;&atilde;o &eacute; a que predomina. <b>As dificuldades de mobiliza&ccedil;&atilde;o refletem a falta de um trabalho pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico mais estrutural junto aos trabalhadores, o que caracteriza uma concep&ccedil;&atilde;o de sindicalismo imediatista e economicista. <\/b><\/p>\n<p>Se em per&iacute;odos &ldquo;normais&rdquo; o sindicalismo imediatista j&aacute; &eacute; limitado, num per&iacute;odo de crise essas limita&ccedil;&otilde;es se transformam em derrotas, pois esse tipo de atua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o d&aacute; conta das quest&otilde;es de fundo colocadas em toda crise estrutural &ndash; como a quest&atilde;o do lucro, dos objetivos da produ&ccedil;&atilde;o e da propriedade, a quest&atilde;o de que classe deve ter o poder pol&iacute;tico, qual rumo apontar para a sociedade.<\/p>\n<p>A crise deve reorientar totalmente o tipo de atua&ccedil;&atilde;o sindical. <b>&Eacute; necess&aacute;rio<\/b> <b>disputar cotidianamente a consci&ecirc;ncia das massas, discutindo a necessidade de os trabalhadores apresentarem uma outra sa&iacute;da para a sociedade, que rompa com a l&oacute;gica do lucro e com a ordem de poder da burguesia, apontando uma perspectiva de futuro da constru&ccedil;&atilde;o de uma outra ordem pol&iacute;tica e social, sob controle dos trabalhadores.<\/b><\/p>\n<p>Enfim, trata-se de estabelecer um elo entre as lutas imediatas e a proposta socialista revolucion&aacute;ria, pois a burguesia defende cotidianamente a ideologia capitalista de manter a produ&ccedil;&atilde;o voltada para o lucro e para o mercado. Se n&atilde;o fizermos essa disputa pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica, deixaremos os trabalhadores &agrave; merc&ecirc; da ideologia burguesa de que a lucratividade das empresas &eacute; sagrada e n&atilde;o pode ser questionada.<\/p>\n<p>Os metal&uacute;rgicos, tanto da GM como da EMBRAER, ao n&atilde;o terem desenvolvido uma consci&ecirc;ncia anti-capitalista, nem um programa alternativo, pela falta de um trabalho pol&iacute;tico nesse sentido, n&atilde;o enxergaram a possibilidade de resistir, pois n&atilde;o v&ecirc;em uma forma de ir al&eacute;m da l&oacute;gica do lucro, nem de fazer de sua luta uma campanha de todos os trabalhadores. Nesse sentido o lema anterior &ldquo;Demitiu, Parou&rdquo; embora correto em princ&iacute;pio, se mostrou insuficiente.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades provocadas pela falta desse trabalho mais ideol&oacute;gio e pol&iacute;tico, a orienta&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o da CONLUTAS (PSTU), foi de se juntar &agrave; CUT e &agrave; For&ccedil;a Sindical, buscando uma &ldquo;unidade&rdquo;&#8230; Ent&atilde;o vimos as cenas em que Z&eacute; Maria saiu de bra&ccedil;os dados com o Paulinho da For&ccedil;a.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o seria t&atilde;o problem&aacute;tico se a For&ccedil;a estivesse mobilizando contra as demiss&otilde;es. Mas neste caso, <b>ficou n&iacute;tido que o Paulinho s&oacute; queria se promover em cima da luta da EMBRAER. Tanto &eacute; assim, que a For&ccedil;a Sindical n&atilde;o organizou protestos em nenhuma categoria contra as demiss&otilde;es&#8230;<\/b><\/p>\n<p>Essas s&atilde;o as conseq&uuml;&ecirc;ncias da falta de uma interven&ccedil;&atilde;o mais pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica nos sindicatos. &Eacute; preciso um novo tipo de atua&ccedil;&atilde;o, &agrave; altura dos desafios colocados pelo aprofundamento da crise .<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style='text-align: justify'>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><b>Derrota na EMBRAER mostrou os limites de um sindicalismo imediatista <\/b><\/h1>\n<p>Nesta pol&ecirc;mica, n&atilde;o se trata de questionar a combatividade do sindicato dos metal&uacute;rgicos de S&atilde;o Jos&eacute;, nem suas inten&ccedil;&otilde;es, <b>mas sim um modelo de atua&ccedil;&atilde;o que ao nosso ver n&atilde;o est&aacute; &agrave; altura para enfrentar os grandes ataques desse per&iacute;odo de crise<\/b>.<\/p>\n<p>O que precisa ser discutido &eacute; <b>por que em uma categoria dirigida ao longo de mais de 20 anos por um sindicato que recebe acompanhamento direto da dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU, e que tem prioridade da CONLUTAS, os trabalhadores tendem a agir da mesma forma que em outros locais cujas dire&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o de luta?<\/b><\/p>\n<p>Ou seja, por que no caso das demiss&otilde;es da GM, e agora, da Embraer, o sindicato n&atilde;o conseguiu realizar uma greve ou formas de luta mais radicalizadas?  Por que n&atilde;o foi poss&iacute;vel sequer juntar e organizar os demitidos em assembl&eacute;ias ou atos massivos?<\/p>\n<p>Foi culpa dos pr&oacute;prios trabalhadores? Ou <b> isso reflete uma defasagem no tipo de trabalho que vem sendo realizado todos esses anos nos sindicatos dirigidos pela esquerda em geral?<\/b><\/p>\n<p>Ao nosso ver, embora haja dificuldades objetivas, a segunda op&ccedil;&atilde;o &eacute; a que predomina. <b>As dificuldades de mobiliza&ccedil;&atilde;o refletem a falta de um trabalho pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico mais estrutural junto aos trabalhadores, o que caracteriza uma concep&ccedil;&atilde;o de sindicalismo imediatista e economicista. <\/b><\/p>\n<p>Se em per&iacute;odos &ldquo;normais&rdquo; o sindicalismo imediatista j&aacute; &eacute; limitado, num per&iacute;odo de crise essas limita&ccedil;&otilde;es se transformam em derrotas, pois esse tipo de atua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o d&aacute; conta das quest&otilde;es de fundo colocadas em toda crise estrutural &ndash; como a quest&atilde;o do lucro, dos objetivos da produ&ccedil;&atilde;o e da propriedade, a quest&atilde;o de que classe deve ter o poder pol&iacute;tico, qual rumo apontar para a sociedade.<\/p>\n<p>A crise deve reorientar totalmente o tipo de atua&ccedil;&atilde;o sindical. <b>&Eacute; necess&aacute;rio<\/b> <b>disputar cotidianamente a consci&ecirc;ncia das massas, discutindo a necessidade de os trabalhadores apresentarem uma outra sa&iacute;da para a sociedade, que rompa com a l&oacute;gica do lucro e com a ordem de poder da burguesia, apontando uma perspectiva de futuro da constru&ccedil;&atilde;o de uma outra ordem pol&iacute;tica e social, sob controle dos trabalhadores.<\/b><\/p>\n<p>Enfim, trata-se de estabelecer um elo entre as lutas imediatas e a proposta socialista revolucion&aacute;ria, pois a burguesia defende cotidianamente a ideologia capitalista de manter a produ&ccedil;&atilde;o voltada para o lucro e para o mercado. Se n&atilde;o fizermos essa disputa pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica, deixaremos os trabalhadores &agrave; merc&ecirc; da ideologia burguesa de que a lucratividade das empresas &eacute; sagrada e n&atilde;o pode ser questionada.<\/p>\n<p>Os metal&uacute;rgicos, tanto da GM como da EMBRAER, ao n&atilde;o terem desenvolvido uma consci&ecirc;ncia anti-capitalista, nem um programa alternativo, pela falta de um trabalho pol&iacute;tico nesse sentido, n&atilde;o enxergaram a possibilidade de resistir, pois n&atilde;o v&ecirc;em uma forma de ir al&eacute;m da l&oacute;gica do lucro, nem de fazer de sua luta uma campanha de todos os trabalhadores. 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