{"id":165,"date":"2009-04-11T20:43:29","date_gmt":"2009-04-11T20:43:29","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/165"},"modified":"2018-05-01T00:55:59","modified_gmt":"2018-05-01T03:55:59","slug":"diplomacia-e-guerra-dois-instrumentos-de-dominacao-do-imperialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/04\/diplomacia-e-guerra-dois-instrumentos-de-dominacao-do-imperialismo\/","title":{"rendered":"Diplomacia e guerra: dois instrumentos de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Desgaste dos estados unidos e competi\u00e7\u00e3o imperialista<\/h2>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Os anos 2000 apresentaram uma novidade em rela\u00e7\u00e3o aos anos 90: o neoliberalismo come\u00e7a a perder sua for\u00e7a pol\u00edtica. Os povos do mundo logo fizeram a experi\u00eancia com essa pol\u00edtica ditada por Washington e Londres e a rejeitaram, protagonizando mobiliza\u00e7\u00f5es importantes como na Argentina, Equador, Bol\u00edvia, Venezuela e outros tantos pa\u00edses. Junto com essa perda de legitimidade do neoliberalismo, os Estados Unidos tamb\u00e9m perderam espa\u00e7o no mundo com in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de recha\u00e7o \u00e0 sua pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">A perda de legitimidade do imperialismo estadunidense no mundo foi um fator importante que dificultou a implementa\u00e7\u00e3o do projeto de domina\u00e7\u00e3o. Foram in\u00fameras dificuldades: Am\u00e9rica Latina com sucessivas rebeli\u00f5es, Oriente M\u00e9dio com uma feroz resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o tanto no Iraque como no Afeganist\u00e3o e a rebeli\u00e3o dos Palestinos. Internamente, o imperialismo estadunidense tamb\u00e9m enfrentou resist\u00eancias importantes que foram massificadas com a crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">O desgaste do governo Bush e a invas\u00e3o a pa\u00edses como Iraque e Afeganist\u00e3o s\u00f3 fizeram aumentar a oposi\u00e7\u00e3o dos povos ao imperialismo estadunidense. Esse processo, em conjunto com as mobiliza\u00e7\u00f5es de massas dos trabalhadores, sobretudo no continente americano, imp\u00f4s limites para a pol\u00edtica de Washington. \u00c9 neste contexto que a elei\u00e7\u00e3o de Obama se explica: os Estados Unidos precisam mudar a sua apar\u00eancia perante o mundo e se apresentar com um novo governo para recuperar o prest\u00edgio e conseguir impor sua pol\u00edtica de domina\u00e7\u00e3o. A maneira de enfrentar o anti-estadunidismo \u00e9 se colocar como algo novo e simular que houve mudan\u00e7a na pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">A atual crise econ\u00f4mica e a tend\u00eancia \u00e0 depress\u00e3o tamb\u00e9m t\u00eam colocado graves problemas para as economias imperialistas, pois o seu mercado interno n\u00e3o \u00e9 suficiente para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o, o que obriga cada um desses pa\u00edses a buscar uma maior presen\u00e7a no mercado mundial. Essa presen\u00e7a precisa ser garantida ou pelas vias diplom\u00e1ticas ou pelas vias militares.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">A crise de superprodu\u00e7\u00e3o expressa uma contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do capitalismo, que \u00e9 o fato da capacidade de produ\u00e7\u00e3o gerar um montante de mercadorias muito superior ao que pode ser consumido. O alto desenvolvimento de t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o faz com que esse problema se agrave, pois pode se produzir muito mais do que em qualquer outro tempo. \u00c9 isso que basicamente ocorre na atual crise econ\u00f4mica, h\u00e1 uma restri\u00e7\u00e3o no mercado mundial.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Como um conjunto de pa\u00edses centrais tem uma enorme capacidade produtiva e o mercado mundial tem limites f\u00edsicos (geogr\u00e1ficos) e pol\u00edtico-econ\u00f4micos, inicia-se uma feroz competi\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses imperialistas para ter o controle do com\u00e9rcio mundial. Essa competi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das chaves da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a crise econ\u00f4mica fez emergir: os pa\u00edses imperialistas precisam (pelas leis do capitalismo) acelerar a competi\u00e7\u00e3o e dominar a maior parte poss\u00edvel do com\u00e9rcio mundial.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">A competi\u00e7\u00e3o entre as grandes pot\u00eancias pode resultar em luta direta por mercados, como ocorreu nas duas guerras mundiais. Essas duas guerras n\u00e3o foram outra coisa sen\u00e3o uma disputa pela partilha do mundo, ou seja, aos vencedores caberia a maior fatia do mercado. A guerra em si torna-se tamb\u00e9m uma das solu\u00e7\u00f5es para a supera\u00e7\u00e3o da crise no capitalismo, pois a destrui\u00e7\u00e3o massiva de for\u00e7as produtivas cria novas possibilidades para o mercado capitalista. Ao contr\u00e1rio do que dizem os analistas burgueses, a solu\u00e7\u00e3o da crise de 1929 n\u00e3o ocorreu pelo new deal estadunidense ou qualquer outra pol\u00edtica, mas sim pelo resultado da Segunda Guerra Mundial, que abriu imensas possibilidades para o capitalismo. Ou seja, a \u201cera de ouro\u201d do capitalismo dos anos 50 e 60 se deu \u00e0s custas da morte de milh\u00f5es de seres humanos.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\n<h2>Estados unidos se preparam para a competi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Nenhuma classe social \u00e9 homog\u00eanea, h\u00e1 distintas fra\u00e7\u00f5es em seu interior. A burguesia se divide como industrial, comercial, financeira e no interior de cada uma delas h\u00e1 outros setores e tamb\u00e9m outros interesses. No interior da burguesia industrial h\u00e1, por exemplo, o setor ligado \u00e0 ind\u00fastria armamentista. Entre a burguesia de um pa\u00eds e de outro tamb\u00e9m h\u00e1 interesses distintos.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Nos momentos em que h\u00e1 uma certa estabilidade, esses diversos setores conseguem fazer uma partilha e amenizar as contradi\u00e7\u00f5es, ou seja, mant\u00e9m uma certa unidade. No entanto, quando h\u00e1 uma crise essa unidade fica mais inst\u00e1vel e surgem as disputas em que um setor precisa derrotar o outro para sobreviver. Essa disputa ocorre, por exemplo, entre a burguesia industrial e financeira ou ainda entre empresas que produzem o mesmo tipo de produto, como eletrodom\u00e9sticos. Nessas disputas a insanidade da burguesia se revela. A l\u00f3gica de sobreviv\u00eancia da burguesia amea\u00e7a o mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">A essa disputa soma-se outra quest\u00e3o, que \u00e9 o aumento da capacidade de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso criar um mercado consumidor que seja compat\u00edvel com o volume de produ\u00e7\u00e3o. Com a crise econ\u00f4mica em curso &#8211; n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que n\u00e3o reconhe\u00e7a que ela \u00e9 profunda e muito pr\u00f3xima daquela registrada na d\u00e9cada de 20\/30 &#8211; a disputa entre os diversos setores da burguesia torna-se mais intensa.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\u00c9 no contexto dessa profunda crise econ\u00f4mica que precisamos compreender o significado da pol\u00edtica internacional dos Estados Unidos, sob o governo Obama. Os Estados Unidos sabem que precisar\u00e3o usar nessa disputa as a\u00e7\u00f5es da diplomacia e a press\u00e3o sobre diversos governos para conseguir acordos que garantam livre acesso para o capital estadunidense.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">E essa crise, pela sua profundidade, j\u00e1 colocou em movimento todos os pa\u00edses na disputa<b> <\/b>por novos mercados. O desgaste que os Estados Unidos sofreram na Am\u00e9rica Latina e no mundo fez com que perdessem espa\u00e7o e se abrisse a oportunidade para outras pot\u00eancias imperialistas. A Fran\u00e7a e a R\u00fassia, por exemplo, j\u00e1 realizaram importantes acordos comercias na Am\u00e9rica Latina, tradicional \u201creduto dos Estados Unidos\u201d. N\u00e3o \u00e9 uma disputa que est\u00e1 come\u00e7ando, pois a invas\u00e3o do Iraque e do Afeganist\u00e3o na verdade j\u00e1 \u00e9 parte dessa disputa pela amplia\u00e7\u00e3o dos mercados. Com o agravamento da crise o controle sobre mat\u00e9rias-primas como petr\u00f3leo e g\u00e1s s\u00e3o fundamentais para reduzir custos e melhorar a posi\u00e7\u00e3o na disputa.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">J\u00e1 temos discutido com bastante insist\u00eancia o fato de que a crise estrutural do capital \u00e9 um elemento fundamental nessa competi\u00e7\u00e3o imperialista, porque cada sa\u00edda que o capital apresenta para a crise tr\u00e1s em si limites e novas contradi\u00e7\u00f5es insol\u00faveis. Uma solu\u00e7\u00e3o em longo prazo para o imperialismo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com uma guerra que destrua as for\u00e7as produtivas, condi\u00e7\u00e3o para um novo \u201cboom\u201d do capitalismo. Manifesta-se o car\u00e1ter destrutivo do capitalismo, que para continuar existindo tem que matar milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\n<h2>Com qual pol\u00edtica<\/h2>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">As armas e formas de disputa sempre s\u00e3o uma quest\u00e3o em aberto, pois dependem essencialmente da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre esses setores da burguesia mundial e tamb\u00e9m entre o proletariado e a burguesia. Uma guerra, ainda mais quando envolve v\u00e1rios pa\u00edses, sempre \u00e9 um risco para o capitalismo (ainda que se chegue a algum momento em que, na l\u00f3gica capitalista, isso se torne imposs\u00edvel), pois h\u00e1 um desgaste do regime e o perigo de que o proletariado, como ocorreu na R\u00fassia em 1917, a transforme em uma revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\u00c9 por isso que, geralmente, o primeiro instrumento de press\u00e3o s\u00e3o as gest\u00f5es diplom\u00e1ticas, com todo tipo de press\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica (como imposi\u00e7\u00e3o de cotas de importa\u00e7\u00e3o, aumento de impostos para determinados produtos, etc), mas sempre visando impor o projeto de controle do pa\u00eds alvo. Nesse momento, o governo Obama tem utilizado muito esse instrumento, mas, repetimos, buscando por essas vias concretizar seus interesses. Isso n\u00e3o quer dizer que a via militar tenha sido abandonada, pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 cada vez mais uma possibilidade. A diplomacia \u00e9 uma pol\u00edtica que se combina com a a\u00e7\u00e3o militar. O car\u00e1ter militar \u00e9 na verdade a caracter\u00edstica central do imperialismo, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 imperialismo sem poderio militar. Nas a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e1<b> <\/b>representado de maneira subliminar o poderio militar de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Na d\u00e9cada de 30, portanto no per\u00edodo da depress\u00e3o econ\u00f4mica, em um momento em que a Alemanha fazia uma forte ofensiva comercial para a regi\u00e3o, os Estados Unidos lan\u00e7aram para a Am\u00e9rica Latina a \u201cpol\u00edtica da boa vizinhan\u00e7a\u201d, que consistia em ter como centro de suas rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses do continente americano as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Ao contr\u00e1rio do discurso do governo estadunidense, essa pol\u00edtica n\u00e3o representava uma mudan\u00e7a no conte\u00fado, mas t\u00e3o somente na forma em que foram adotadas novas armas e novos mecanismos de press\u00e3o. O caso mais famoso foi a imposi\u00e7\u00e3o de cotas de importa\u00e7\u00e3o para o a\u00e7\u00facar cubano, que era a \u00fanica fonte de renda de Cuba e tinha os Estados Unidos como o principal cliente. Tamb\u00e9m se destaca o fato de que, quando a diplomacia n\u00e3o era suficiente para garantir a domina\u00e7\u00e3o, a t\u00e1tica militar entrava em a\u00e7\u00e3o, como foi a invas\u00e3o da Rep\u00fablica Dominicana, e mais tarde da Baia dos Porcos em Cuba, assim como as dezenas de golpes militares que foram patrocinados pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Outro elemento que contesta a vers\u00e3o de que o novo governo estadunidense d\u00e1 mais destaque para a diplomacia \u00e9 a presen\u00e7a de for\u00e7as militares de ocupa\u00e7\u00e3o no Iraque e Afeganist\u00e3o e sucessivos ataques militares a v\u00e1rias regi\u00f5es do Paquist\u00e3o. A promessa de redu\u00e7\u00e3o de parte do contingente militar no Iraque n\u00e3o muda essa caracteriza\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar porque, pela a\u00e7\u00e3o militar, conseguiu<b>&#8211;<\/b>se constituir no Iraque um governo extremamente servil aos Estados Unidos. E segundo, no Afeganist\u00e3o houve aumento do efetivo militar. O recente an\u00fancio de que os Estados Unidos v\u00e3o priorizar a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao Ir\u00e3 \u00e9 outra balela, pois a simples presen\u00e7a de milhares de soldados nas fronteiras \u00e9 na pr\u00e1tica um elemento que desequilibra qualquer negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Esses s\u00e3o apenas alguns dos elementos que comprovam que a diplomacia \u00e9 apenas uma (e n\u00e3o a mais importante) das t\u00e1ticas utilizadas e que o aparato militar \u00e9 elemento fundamental na pol\u00edtica do governo Obama. A pr\u00f3pria proposta de negocia\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 \u00e9 mais uma jogada, pois como pode haver negocia\u00e7\u00f5es com a presen\u00e7a de tanques, m\u00edsseis e milhares de soldados na fronteira?<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">O importante \u00e9 compreendermos que a diplomacia na pol\u00edtica dos Estados Unidos est\u00e1 a servi\u00e7o de uma pol\u00edtica de domina\u00e7\u00e3o do mundo e n\u00e3o de \u201cformas respeitosas\u201d de rela\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses. As confer\u00eancias entre Estados, as reuni\u00f5es, os tratados, enfim toda a pol\u00edtica da diplomacia dos Estados Unidos tem um objetivo muito bem definido que \u00e9 submeter outros pa\u00edses aos seus interesses.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">N\u00e3o pode restar nenhuma d\u00favida para os trabalhadores de que a principal pol\u00edtica do governo Obama, assim como foi de Bush, \u00e9 a pol\u00edtica belicista. A diplomacia \u00e9 parte dessa pol\u00edtica de expans\u00e3o dos seus dom\u00ednios, \u00e9 um complemento da for\u00e7a b\u00e9lica.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\n<h2>O poder militar dos estados imperialistas<\/h2>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de Estados imperialistas sem falar de poder b\u00e9lico. Toda crise provoca um acirramento na disputa pelo mercado mundial, em que o avan\u00e7o de um significa que o outro tem que recuar. Da\u00ed a import\u00e2ncia do poder b\u00e9lico, que \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que decide a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Nenhuma crise do capital, ainda mais as parecidas com a atual, \u00e9 resolvida no \u00e2mbito da pol\u00edtica ou da economia, instrumentos que permitem no m\u00e1ximo adi\u00e1-las. Uma caracter\u00edstica do conceito de crise estrutural \u00e9 que sua solu\u00e7\u00e3o (ainda que pela pr\u00f3pria l\u00f3gica do capital outras crises sempre vir\u00e3o) passa por impor uma derrota hist\u00f3rica ao proletariado mundial, submetendo-o a um regime de trabalho baseado na superexplora\u00e7\u00e3o em escala mundial. Essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada com uma guerra generalizada.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">O poder e o forte armamento dos Estados imperialistas visam assim pelo menos tr\u00eas objetivos, que s\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o de seu poder na rela\u00e7\u00e3o com outros Estados, o controle do proletariado e a prepara\u00e7\u00e3o para poss\u00edveis conflitos armados, que s\u00e3o fatos comuns na sociedade capitalista. As disputas pol\u00edticas e econ\u00f4micas n\u00e3o raro se resolvem militarmente. Assim, a ind\u00fastria militar passa a ter nesses pa\u00edses um papel central tamb\u00e9m na esfera da pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">A rela\u00e7\u00e3o dos governos com a ind\u00fastria de armas \u00e9 tanto econ\u00f4mica como pol\u00edtica. \u00c9 econ\u00f4mica porque s\u00e3o os Estados \u2013 que det\u00e9m o monop\u00f3lio das armas \u2013 que sustentam esse ramo da ind\u00fastria capitalista. E \u00e9 pol\u00edtica porque a ind\u00fastria de armas \u00e9 quem muitas vezes imp\u00f5e posi\u00e7\u00f5es belicistas aos Estados. Para se ter id\u00e9ia da rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre Estado e ind\u00fastria b\u00e9lica, nos Estados Unidos o Pent\u00e1gono tem escrit\u00f3rio permanente dentro das empresas b\u00e9licas, ou seja, funcion\u00e1rios do Estado trabalham dentro das empresas. Tamb\u00e9m \u00e9 comum que oficiais de alta patente das for\u00e7as armadas, quando se aposentam, passem a ocupar postos de dire\u00e7\u00e3o nas empresas b\u00e9licas.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Nessa perspectiva, os Estados t\u00eam verdadeiros arsenais de destrui\u00e7\u00e3o, capazes de jogar pelos ares cada gr\u00e3o de areia que existe no mundo. Na economia capitalista a produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 se efetiva se houver consumo, e como o consumo de armas depende de guerras, torna-se fundamental para a sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica dessa ind\u00fastria a exist\u00eancia de guerras.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\n<h2>O poder militar dos Estados Unidos<\/h2>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Como sempre o discurso \u00e9 um e a pr\u00e1tica \u00e9 outra. Os dados desmentem facilmente o discurso mentiroso de Obama. Os pa\u00edses imperialistas, em especial os Estados Unidos, s\u00e3o verdadeiras m\u00e1quinas de guerra. O an\u00fancio do or\u00e7amento dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2010 (que se inicia em outubro) \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o cabal, uma vez que destina nada menos do que 664 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para os gastos militares.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">O ex\u00e9rcito dos Estados Unidos \u00e9 formado por cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de homens e mulheres, o que representa 1,5% da popula\u00e7\u00e3o dos EUA. Segundo o jornal Brasil de Fato, os Estados Unidos possuem 725 bases militares espalhadas pelo mundo e por volta de 500 mil soldados servindo fora de suas fronteiras, sem falar nos que est\u00e3o no Iraque e no Afeganist\u00e3o. As despesas militares passaram de 345 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2001 para 528,7 bilh\u00f5es em 2006, e agora os rec\u00e9m-anunciados 664 bilh\u00f5es. Os gastos militares desse pa\u00eds s\u00e3o t\u00e3o gigantescos que correspondem a 45% de todos os gastos militares do mundo.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Por tr\u00e1s dessa pol\u00edtica de Estado (que j\u00e1 \u00e9 conden\u00e1vel) est\u00e3o as bilion\u00e1rias empresas da ind\u00fastria b\u00e9lica. Das dez empresas l\u00edderes do setor no mundo, seis s\u00e3o estadunidenses. S\u00e3o cerca de 3% do PIB destinados para a defesa. Ap\u00f3s a invas\u00e3o do Iraque e Afeganist\u00e3o, empresas como Am General, Armor Holdings e Oshkosh Truck, que fornecem ve\u00edculos militares, aumentaram seus faturamentos em 40%. O controle das empresas \u00e9 tamanho que v\u00e1rias \u00e1reas das for\u00e7as armadas foram privatizadas, como a administra\u00e7\u00e3o dos quart\u00e9is, sua seguran\u00e7a, abastecimento, etc. Isso sem falar na investidura de fun\u00e7\u00f5es militares para as mil\u00edcias. O seu poder n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 econ\u00f4mico, \u00e9 sobretudo pol\u00edtico, com influ\u00eancia em cargos importantes na hierarquia de decis\u00f5es de Estado.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">Com esses dados \u00e9 poss\u00edvel destacar duas quest\u00f5es fundamentais: a primeira \u00e9 que a pol\u00edtica belicista n\u00e3o \u00e9 deste ou daquele governo, mas \u00e9 uma pol\u00edtica de Estado e isso significa que Obama vai continuar com a pol\u00edtica belicista de Bush. O diferencial \u00e9 que no governo Obama a diplomacia ganha mais peso, mas como j\u00e1 dissemos, n\u00e3o substitui, e sim refor\u00e7a a a\u00e7\u00e3o militar sobre os povos do mundo. A segunda quest\u00e3o \u00e9 que esse mesmo Estado est\u00e1 sob controle das empresas do setor de armas e conseq\u00fcentemente todas as decis\u00f5es dos governantes atendem a esses interesses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Desgaste dos estados unidos e competi&ccedil;&atilde;o imperialista<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Os anos 2000 apresentaram uma  novidade em rela&ccedil;&atilde;o aos anos 90: o neoliberalismo come&ccedil;a a perder sua for&ccedil;a pol&iacute;tica. Os povos do mundo logo fizeram a experi&ecirc;ncia com essa pol&iacute;tica ditada por Washington e Londres e a rejeitaram, protagonizando mobiliza&ccedil;&otilde;es importantes como na Argentina, Equador, Bol&iacute;via, Venezuela e outros tantos pa&iacute;ses. Junto com essa perda de legitimidade do neoliberalismo, os Estados Unidos tamb&eacute;m perderam espa&ccedil;o no mundo com in&uacute;meras manifesta&ccedil;&otilde;es de recha&ccedil;o &agrave; sua pol&iacute;tica.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">A perda de legitimidade do imperialismo estadunidense no mundo foi um fator importante que dificultou a implementa&ccedil;&atilde;o do projeto de domina&ccedil;&atilde;o. Foram in&uacute;meras dificuldades: Am&eacute;rica Latina com sucessivas rebeli&otilde;es, Oriente M&eacute;dio com uma feroz resist&ecirc;ncia &agrave; invas&atilde;o tanto no Iraque como no Afeganist&atilde;o e a rebeli&atilde;o dos Palestinos. Internamente, o imperialismo estadunidense tamb&eacute;m enfrentou resist&ecirc;ncias importantes que foram massificadas com a crise econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">O desgaste do governo Bush e a invas&atilde;o a pa&iacute;ses como Iraque e Afeganist&atilde;o s&oacute; fizeram aumentar a oposi&ccedil;&atilde;o dos povos ao imperialismo estadunidense. Esse processo, em conjunto com as mobiliza&ccedil;&otilde;es de massas dos trabalhadores, sobretudo no continente americano, imp&ocirc;s limites para a pol&iacute;tica de Washington. &Eacute; neste contexto que a elei&ccedil;&atilde;o de Obama se explica: os Estados Unidos precisam mudar a sua apar&ecirc;ncia perante o mundo e se apresentar com um novo governo para recuperar o prest&iacute;gio e conseguir impor sua pol&iacute;tica de domina&ccedil;&atilde;o. A maneira de enfrentar o anti-estadunidismo &eacute; se colocar como algo novo e simular que houve mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">A atual crise econ&ocirc;mica e a tend&ecirc;ncia &agrave; depress&atilde;o tamb&eacute;m t&ecirc;m colocado graves problemas para as economias imperialistas, pois o seu mercado interno n&atilde;o &eacute; suficiente para o escoamento da produ&ccedil;&atilde;o, o que obriga cada um desses pa&iacute;ses a buscar uma maior presen&ccedil;a no mercado mundial. Essa presen&ccedil;a precisa ser garantida ou pelas vias diplom&aacute;ticas ou pelas vias militares.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">A crise de superprodu&ccedil;&atilde;o expressa uma contradi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do capitalismo, que &eacute; o fato da capacidade de produ&ccedil;&atilde;o gerar um montante de mercadorias muito superior ao que pode ser consumido. O alto desenvolvimento de t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o faz com que esse problema se agrave, pois pode se produzir muito mais do que em qualquer outro tempo. &Eacute; isso que basicamente ocorre na atual crise econ&ocirc;mica, h&aacute; uma restri&ccedil;&atilde;o no mercado mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Como um conjunto de pa&iacute;ses centrais tem uma enorme capacidade produtiva e o mercado mundial tem limites f&iacute;sicos (geogr&aacute;ficos) e pol&iacute;tico-econ&ocirc;micos, inicia-se uma feroz competi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses imperialistas para ter o controle do com&eacute;rcio mundial. Essa competi&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das chaves da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que a crise econ&ocirc;mica fez emergir: os pa&iacute;ses imperialistas precisam (pelas leis do capitalismo) acelerar a competi&ccedil;&atilde;o e dominar a maior parte poss&iacute;vel do com&eacute;rcio mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">A competi&ccedil;&atilde;o entre as grandes pot&ecirc;ncias pode resultar em luta direta por mercados, como ocorreu nas duas guerras mundiais. Essas duas guerras n&atilde;o foram outra coisa sen&atilde;o uma disputa pela partilha do mundo, ou seja, aos vencedores caberia a maior fatia do mercado. A guerra em si torna-se tamb&eacute;m uma das solu&ccedil;&otilde;es para a supera&ccedil;&atilde;o da crise no capitalismo, pois a destrui&ccedil;&atilde;o massiva de for&ccedil;as produtivas cria novas possibilidades para o mercado capitalista. Ao contr&aacute;rio do que dizem os analistas burgueses, a solu&ccedil;&atilde;o da crise de 1929 n&atilde;o ocorreu pelo new deal estadunidense ou qualquer outra pol&iacute;tica, mas sim pelo resultado da Segunda Guerra Mundial, que abriu imensas possibilidades para o capitalismo. Ou seja, a &ldquo;era de ouro&rdquo; do capitalismo dos anos 50 e 60 se deu &agrave;s custas da morte de milh&otilde;es de seres humanos.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">&nbsp;<\/p>\n<h2>Estados unidos se preparam para  a competi&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Nenhuma classe social &eacute; homog&ecirc;nea, h&aacute; distintas fra&ccedil;&otilde;es em seu interior. A burguesia se divide como industrial, comercial, financeira e no interior de cada uma delas h&aacute; outros setores e tamb&eacute;m outros interesses. No interior da burguesia industrial h&aacute;, por exemplo, o setor ligado &agrave; ind&uacute;stria armamentista. Entre a burguesia de um pa&iacute;s e de outro tamb&eacute;m h&aacute; interesses distintos.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Nos momentos em que h&aacute; uma certa estabilidade, esses diversos setores conseguem fazer uma partilha e amenizar as contradi&ccedil;&otilde;es, ou seja, mant&eacute;m uma certa unidade.  No entanto, quando h&aacute; uma crise essa unidade fica mais inst&aacute;vel e surgem as disputas em que um setor precisa derrotar o outro para sobreviver. Essa disputa ocorre, por exemplo, entre a burguesia industrial e financeira ou ainda entre empresas que produzem o mesmo tipo de produto, como eletrodom&eacute;sticos. Nessas disputas a insanidade da burguesia se revela. A l&oacute;gica de sobreviv&ecirc;ncia da burguesia amea&ccedil;a o mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">A essa disputa soma-se outra quest&atilde;o, que &eacute; o aumento da capacidade de produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso criar um mercado consumidor que seja compat&iacute;vel com o volume de produ&ccedil;&atilde;o. Com a crise econ&ocirc;mica em curso &#8211; n&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m que n&atilde;o reconhe&ccedil;a que ela &eacute; profunda e muito pr&oacute;xima daquela registrada na d&eacute;cada de 20\/30 &#8211; a disputa entre os diversos setores da burguesia torna-se mais intensa.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">&Eacute; no contexto dessa profunda crise econ&ocirc;mica que precisamos compreender o significado da pol&iacute;tica internacional dos Estados Unidos, sob o governo Obama. Os Estados Unidos sabem que precisar&atilde;o usar nessa disputa as a&ccedil;&otilde;es da diplomacia e a press&atilde;o sobre diversos governos para conseguir acordos que garantam livre acesso para o capital estadunidense.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">E essa crise, pela sua profundidade, j&aacute; colocou em movimento todos os pa&iacute;ses na disputa<b> <\/b>por novos mercados. O desgaste que os Estados Unidos sofreram na Am&eacute;rica Latina e no mundo fez com que perdessem espa&ccedil;o e se abrisse a oportunidade para outras pot&ecirc;ncias imperialistas. A Fran&ccedil;a e a R&uacute;ssia, por exemplo, j&aacute; realizaram importantes acordos comercias na Am&eacute;rica Latina, tradicional &ldquo;reduto dos Estados Unidos&rdquo;. N&atilde;o &eacute; uma disputa que est&aacute; come&ccedil;ando, pois a invas&atilde;o do Iraque e do Afeganist&atilde;o na verdade j&aacute; &eacute; parte dessa disputa pela amplia&ccedil;&atilde;o dos mercados. Com o agravamento da crise o controle sobre mat&eacute;rias-primas como petr&oacute;leo e g&aacute;s s&atilde;o fundamentais para reduzir custos e melhorar a posi&ccedil;&atilde;o na disputa.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">J&aacute; temos discutido com bastante insist&ecirc;ncia o fato de que a crise estrutural do capital &eacute; um elemento fundamental nessa competi&ccedil;&atilde;o imperialista, porque cada sa&iacute;da que o capital apresenta para a crise tr&aacute;s em si limites e novas contradi&ccedil;&otilde;es insol&uacute;veis. Uma solu&ccedil;&atilde;o em longo prazo para o imperialismo s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com uma guerra que destrua as for&ccedil;as produtivas, condi&ccedil;&atilde;o para um novo &ldquo;boom&rdquo; do capitalismo. Manifesta-se o car&aacute;ter destrutivo do capitalismo, que para continuar existindo tem que matar milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">&nbsp;<\/p>\n<h2>Com qual pol&iacute;tica<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">As armas e formas de disputa sempre s&atilde;o uma quest&atilde;o em aberto, pois dependem essencialmente da correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as entre esses setores da burguesia mundial e tamb&eacute;m entre o proletariado e a burguesia. Uma guerra, ainda mais quando envolve v&aacute;rios pa&iacute;ses, sempre &eacute; um risco para o capitalismo (ainda que se chegue a algum momento em que, na l&oacute;gica capitalista, isso se torne imposs&iacute;vel), pois h&aacute; um desgaste do regime e o perigo de que o proletariado, como ocorreu na R&uacute;ssia em 1917, a transforme em uma revolu&ccedil;&atilde;o socialista.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">&Eacute; por isso que, geralmente, o primeiro instrumento de press&atilde;o s&atilde;o as gest&otilde;es diplom&aacute;ticas, com todo tipo de press&atilde;o pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica (como imposi&ccedil;&atilde;o de cotas de importa&ccedil;&atilde;o, aumento de impostos para determinados produtos, etc), mas sempre visando impor o projeto de controle do pa&iacute;s alvo. Nesse momento, o governo Obama tem utilizado muito esse instrumento, mas, repetimos, buscando por essas vias concretizar seus interesses. Isso n&atilde;o quer dizer que a via militar tenha sido abandonada, pelo contr&aacute;rio, ela &eacute; cada vez mais uma possibilidade. A diplomacia &eacute; uma pol&iacute;tica que se combina com a a&ccedil;&atilde;o militar. O car&aacute;ter militar &eacute; na verdade a caracter&iacute;stica central do imperialismo, ou seja, n&atilde;o h&aacute; imperialismo sem  poderio militar. Nas a&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas j&aacute; est&aacute;<b> <\/b>representado de maneira subliminar o poderio militar de cada pa&iacute;s.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Na d&eacute;cada de 30, portanto no per&iacute;odo da depress&atilde;o econ&ocirc;mica, em um momento em que a Alemanha fazia uma forte ofensiva comercial para a regi&atilde;o, os Estados Unidos lan&ccedil;aram para a Am&eacute;rica Latina a &ldquo;pol&iacute;tica da boa vizinhan&ccedil;a&rdquo;, que consistia em ter como centro de suas rela&ccedil;&otilde;es com os pa&iacute;ses do continente americano as negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas. Ao contr&aacute;rio do discurso do governo estadunidense, essa pol&iacute;tica n&atilde;o representava uma mudan&ccedil;a no conte&uacute;do, mas t&atilde;o somente na forma em que foram adotadas novas armas e novos mecanismos de press&atilde;o. O caso mais famoso foi a imposi&ccedil;&atilde;o de cotas de importa&ccedil;&atilde;o para o a&ccedil;&uacute;car cubano, que era a &uacute;nica fonte de renda de Cuba e tinha os Estados Unidos como o principal cliente. Tamb&eacute;m se destaca o fato de que, quando a diplomacia n&atilde;o era suficiente para garantir a domina&ccedil;&atilde;o, a t&aacute;tica militar entrava em a&ccedil;&atilde;o, como foi a invas&atilde;o da Rep&uacute;blica Dominicana, e mais tarde da Baia dos Porcos em Cuba, assim como as dezenas de golpes militares que foram patrocinados pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Outro elemento que contesta a vers&atilde;o de que o novo governo estadunidense d&aacute; mais destaque para a diplomacia &eacute; a presen&ccedil;a de for&ccedil;as militares de ocupa&ccedil;&atilde;o no Iraque e Afeganist&atilde;o e sucessivos ataques militares a v&aacute;rias regi&otilde;es do Paquist&atilde;o. A promessa de redu&ccedil;&atilde;o de parte do contingente militar no Iraque n&atilde;o muda essa caracteriza&ccedil;&atilde;o. Em primeiro lugar porque, pela a&ccedil;&atilde;o militar, conseguiu<b>&#8211;<\/b>se constituir no Iraque um governo extremamente servil aos Estados Unidos. E segundo, no Afeganist&atilde;o houve aumento do efetivo militar. O recente an&uacute;ncio de que os Estados Unidos v&atilde;o priorizar a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao Ir&atilde; &eacute; outra balela, pois a simples presen&ccedil;a de milhares de soldados nas fronteiras &eacute; na pr&aacute;tica um elemento que desequilibra qualquer negocia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Esses s&atilde;o apenas alguns dos elementos que comprovam que a diplomacia &eacute; apenas uma (e n&atilde;o a mais importante) das t&aacute;ticas utilizadas e que o aparato militar &eacute; elemento fundamental na pol&iacute;tica do governo Obama. A pr&oacute;pria proposta de negocia&ccedil;&atilde;o com o Ir&atilde; &eacute; mais uma jogada, pois como pode haver negocia&ccedil;&otilde;es com a presen&ccedil;a de tanques, m&iacute;sseis e milhares de soldados na fronteira?<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">O importante &eacute; compreendermos que a diplomacia na pol&iacute;tica dos Estados Unidos est&aacute; a servi&ccedil;o de uma pol&iacute;tica de domina&ccedil;&atilde;o do mundo e n&atilde;o de &ldquo;formas respeitosas&rdquo; de rela&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses. As confer&ecirc;ncias entre Estados, as reuni&otilde;es, os tratados, enfim toda a pol&iacute;tica da diplomacia dos Estados Unidos tem um objetivo muito bem definido que &eacute; submeter outros pa&iacute;ses aos seus interesses.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">N&atilde;o pode restar nenhuma d&uacute;vida para os trabalhadores de que a principal pol&iacute;tica do governo Obama, assim como foi de Bush, &eacute; a pol&iacute;tica belicista. A diplomacia &eacute; parte dessa pol&iacute;tica de expans&atilde;o dos seus dom&iacute;nios, &eacute; um complemento da for&ccedil;a b&eacute;lica.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">&nbsp;<\/p>\n<h2>O poder militar dos estados imperialistas<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar de Estados imperialistas sem falar de poder b&eacute;lico. Toda crise provoca um acirramento na disputa pelo mercado mundial, em que o avan&ccedil;o de um significa que o outro tem que recuar. Da&iacute; a import&acirc;ncia do poder b&eacute;lico, que &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, o que decide a correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as em n&iacute;vel mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Nenhuma crise do capital, ainda mais as parecidas com a atual, &eacute; resolvida no &acirc;mbito da pol&iacute;tica ou da economia, instrumentos que permitem no m&aacute;ximo adi&aacute;-las. Uma caracter&iacute;stica do conceito de crise estrutural &eacute; que sua solu&ccedil;&atilde;o (ainda que pela pr&oacute;pria l&oacute;gica do capital outras crises sempre vir&atilde;o) passa por impor uma derrota hist&oacute;rica ao proletariado mundial, submetendo-o a um regime de trabalho baseado na superexplora&ccedil;&atilde;o em escala mundial. Essa correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as s&oacute; pode ser alcan&ccedil;ada com uma guerra generalizada.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">O poder e o forte armamento dos Estados imperialistas visam assim pelo menos tr&ecirc;s objetivos, que s&atilde;o a manuten&ccedil;&atilde;o de seu poder na rela&ccedil;&atilde;o com outros Estados, o controle do proletariado e a prepara&ccedil;&atilde;o para poss&iacute;veis conflitos armados, que s&atilde;o fatos comuns na sociedade capitalista. As disputas pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas n&atilde;o raro se resolvem militarmente. Assim, a ind&uacute;stria militar passa a ter nesses pa&iacute;ses um papel central tamb&eacute;m na esfera da pol&iacute;tica.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">A rela&ccedil;&atilde;o dos governos com a ind&uacute;stria de armas &eacute; tanto econ&ocirc;mica como pol&iacute;tica. &Eacute; econ&ocirc;mica porque s&atilde;o os Estados &ndash; que det&eacute;m o monop&oacute;lio das armas &ndash; que sustentam esse ramo da ind&uacute;stria capitalista. E &eacute; pol&iacute;tica porque a ind&uacute;stria de armas &eacute; quem muitas vezes imp&otilde;e posi&ccedil;&otilde;es belicistas aos Estados. Para se ter id&eacute;ia da rela&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica entre Estado e ind&uacute;stria b&eacute;lica, nos Estados Unidos o Pent&aacute;gono tem escrit&oacute;rio permanente dentro das empresas b&eacute;licas, ou seja, funcion&aacute;rios do Estado trabalham dentro das empresas. Tamb&eacute;m &eacute; comum que oficiais de alta patente das for&ccedil;as armadas, quando se aposentam, passem a ocupar postos de dire&ccedil;&atilde;o nas empresas b&eacute;licas.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Nessa perspectiva, os Estados t&ecirc;m verdadeiros arsenais de destrui&ccedil;&atilde;o, capazes de jogar pelos ares cada gr&atilde;o de areia que existe no mundo. Na economia capitalista a produ&ccedil;&atilde;o s&oacute; se efetiva se houver consumo, e como o consumo de armas depende de guerras, torna-se fundamental para a sobreviv&ecirc;ncia econ&ocirc;mica dessa ind&uacute;stria a exist&ecirc;ncia de guerras.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">&nbsp;<\/p>\n<h2>O poder militar dos Estados Unidos<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Como sempre o discurso &eacute; um e a pr&aacute;tica &eacute; outra. Os dados desmentem facilmente o discurso mentiroso de Obama. Os pa&iacute;ses imperialistas, em especial os Estados Unidos, s&atilde;o verdadeiras m&aacute;quinas de guerra. O an&uacute;ncio do or&ccedil;amento dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2010 (que se inicia em outubro) &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o cabal, uma vez que destina nada menos do que 664 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para os gastos militares.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">O ex&eacute;rcito dos Estados Unidos &eacute; formado por cerca de tr&ecirc;s milh&otilde;es de homens e mulheres, o que representa 1,5% da popula&ccedil;&atilde;o dos EUA. Segundo o jornal Brasil de Fato, os Estados Unidos possuem 725 bases militares espalhadas pelo mundo e por volta de 500 mil soldados servindo fora de suas fronteiras, sem falar nos que est&atilde;o no Iraque e no Afeganist&atilde;o. As despesas militares passaram de 345 bilh&otilde;es de d&oacute;lares em 2001 para 528,7 bilh&otilde;es em 2006, e agora os rec&eacute;m-anunciados 664 bilh&otilde;es. Os gastos militares desse pa&iacute;s s&atilde;o t&atilde;o gigantescos que correspondem a 45% de todos os gastos militares do mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Por tr&aacute;s dessa pol&iacute;tica de Estado (que j&aacute; &eacute; conden&aacute;vel) est&atilde;o as bilion&aacute;rias empresas da ind&uacute;stria b&eacute;lica. Das dez empresas l&iacute;deres do setor no mundo, seis s&atilde;o estadunidenses. S&atilde;o cerca de 3% do PIB destinados para a defesa. Ap&oacute;s a invas&atilde;o do Iraque e Afeganist&atilde;o, empresas como Am General, Armor Holdings e Oshkosh Truck, que fornecem ve&iacute;culos militares, aumentaram seus  faturamentos em 40%. O controle das empresas &eacute; tamanho que v&aacute;rias &aacute;reas das for&ccedil;as armadas foram privatizadas, como a administra&ccedil;&atilde;o dos quart&eacute;is, sua seguran&ccedil;a, abastecimento, etc. Isso sem falar na investidura de fun&ccedil;&otilde;es militares para as mil&iacute;cias. O seu poder n&atilde;o &eacute; s&oacute; econ&ocirc;mico, &eacute; sobretudo pol&iacute;tico, com influ&ecirc;ncia em cargos importantes na hierarquia de decis&otilde;es de Estado.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\">Com esses dados &eacute; poss&iacute;vel destacar duas quest&otilde;es fundamentais: a primeira &eacute; que a pol&iacute;tica belicista n&atilde;o &eacute; deste ou daquele governo, mas &eacute; uma pol&iacute;tica de Estado e isso significa que Obama vai continuar com a pol&iacute;tica belicista de Bush. O diferencial &eacute; que no governo Obama a diplomacia ganha mais peso, mas como j&aacute; dissemos, n&atilde;o substitui, e sim refor&ccedil;a a a&ccedil;&atilde;o militar sobre os povos do mundo. A segunda quest&atilde;o &eacute; que esse mesmo Estado est&aacute; sob controle das empresas do setor de armas e conseq&uuml;entemente todas as decis&otilde;es dos governantes atendem a esses interesses.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=165"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6049,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165\/revisions\/6049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}