{"id":166,"date":"2009-04-11T20:46:42","date_gmt":"2009-04-11T20:46:42","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/166"},"modified":"2018-05-01T00:56:08","modified_gmt":"2018-05-01T03:56:08","slug":"crise-expoe-barbarie-capitalista-avanco-da-xenofobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/04\/crise-expoe-barbarie-capitalista-avanco-da-xenofobia\/","title":{"rendered":"Crise exp\u00f5e barb\u00e1rie capitalista: avan\u00e7o da xenofobia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mobilidade do trabalho, ou dos trabalhadores de um lugar para outro no intuito de ocupar postos de trabalho, em raz\u00e3o da escassez destes ou por conta de melhores condi\u00e7\u00f5es no trabalho e de rendimentos maiores, provoca grandes \u00eaxodos, entre regi\u00f5es localizadas em um mesmo pa\u00eds ou internacionais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esse deslocamento em massa provoca conseq\u00fcentemente o aumento da densidade populacional nos locais de destino desses trabalhadores e tamb\u00e9m a eleva\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios trabalhadores. Esse processo em \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e9 interessante aos detentores dos meios de produ\u00e7\u00e3o e aos tomadores de servi\u00e7o na medida em que se amplia quantitativamente o ex\u00e9rcito industrial de reserva, gerando a diminui\u00e7\u00e3o do valor dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Como desdobramento desse fen\u00f4meno, tamb\u00e9m ocorre nesses lugares de destino o aumento do desemprego e da precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores de um modo geral, seja por conta de uma super ocupa\u00e7\u00e3o combinada com a despreocupa\u00e7\u00e3o dos Estados em construir infra-estrutura para readequar o espa\u00e7o urbano a sua nova dimens\u00e3o populacional. Essa massa humana em deslocamento acaba sendo segregada em locais desfavor\u00e1veis do ponto de servi\u00e7os p\u00fablicos, nas periferias das cidades, constituindo grandes bols\u00f5es de pobreza e mis\u00e9ria, como as favelas ou bairros degradados. Sendo que esse estado de d\u00e9ficit habitacional \u00e9 apropriado mercadologicamente pelos empres\u00e1rios do setor imobili\u00e1rio para especular e construir moradias, por meio de subs\u00eddios estatais ou de financiamentos p\u00fablicos, moradias as quais s\u00e3o constru\u00eddas nesses lugares distantes ou em outros t\u00e3o desfavor\u00e1veis para o deslocamento aos centros urbanos quanto os lugares de faveliza\u00e7\u00e3o. Inclusive, nos Estados Unidos, a crise do setor imobili\u00e1rio afetou os trabalhadores pobres mutu\u00e1rios que perderam as casas, hipotecadas como garantia de pagamento, e quanto a essa quest\u00e3o em particular, o ge\u00f3grafo norte americano David Harvey, em entrevista concedida a revista Le Monde Diplomatique Brasil do m\u00eas de mar\u00e7o de 2009, explica que:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><em> \u201ca estrutura da crise financeira nos Estados Unidos \u00e9 notadamente urbana no que diz respeito a suas origens. E \u00e9 justamente essa rela\u00e7\u00e3o que eu considero importante a analisar. Um dos resultados da crise \u00e9 que cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas perderam suas casa nos Estados Unidos no \u00faltimo ano. Provavelmente, antes que esse processo termine, entre 6 e 10 milh\u00f5es de pessoas estar\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o. Se observarmos onde isso aconteceu, a onda inicial de inadimpl\u00eancia ocorreu em duas \u00e1reas espec\u00edficas: uma delas, as velhas cidades dos Estados Unidos, como Cleveland, Baltimore e Detroit; a outra coincide com a distribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. Na realidade, tivemos o que podemos chamar de um Katrina financeiro, que atingiu todas as cidades, simplesmente varrendo do mapa os bairros pobres em munic\u00edpios como Cleveland e Baltimore. Em Cleveland ocorre uma sobreposi\u00e7\u00e3o perfeita entre bairros ocupados por afro-americanos e os lugares onde est\u00e3o o maior n\u00famero de pessoas que perderam suas casas por causa das execu\u00e7\u00f5es hipotec\u00e1rias\u201d<\/em><\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0in;\" align=\"justify\">\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esses bairros pobres a que se refere David Harvy s\u00e3o ocupados principalmente por imigrantes de origem latino-americana e de regi\u00f5es pobres do oriente e da Europa, que ser\u00e3o lan\u00e7ados em estado de maior degrada\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esse movimento de mobiliza\u00e7\u00e3o humana tem provocado o descontentamento de setores da extrema-direita, que, n\u00e3o de hoje, perseguem e procedem a assassinatos de imigrantes, como, por exemplo, o movimento contra o negro e o latino-americano nos Estados Unidos, que ganha coro junto com o movimento da Lei e Ordem, de cunho nitidamente fascista. E esse processo da crise econ\u00f4mica mundial, que se encontra em aprofundamento e que j\u00e1 colocou a economia mundial em recess\u00e3o, est\u00e1 gerando aumento vertiginoso dos \u00edndices de desemprego no mundo todo, a come\u00e7ar pelos centros do capitalismo. Ent\u00e3o, os imigrantes, que j\u00e1 s\u00e3o alvo de pol\u00edticas de exterm\u00ednio, passam a ser entendidos por parte dos trabalhadores demitidos, que s\u00e3o obrigados a disputarem postos de trabalho mais precarizados, como inimigos, desconsiderando categoricamente o aspecto de classe e possibilitando as condi\u00e7\u00f5es para disputas violentas entre os pr\u00f3prios trabalhadores. Esse fen\u00f4meno ideol\u00f3gico e medonho \u00e9 apropriado pelos setores da ultradireita, que tentam catalisar essa rela\u00e7\u00e3o destrutiva. Por isso, verifica-se, n\u00e3o apenas nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m na Europa, o avan\u00e7o da xenofobia, inclusive estatal, que se manifesta por meio de pol\u00edticas de barreira nas divisas contra a imigra\u00e7\u00e3o, o n\u00e3o fornecimento de vistos e as persegui\u00e7\u00f5es policiais. Exemplos disso s\u00e3o o vergonhoso muro que separa a divisa entre os Estados Unidos e o M\u00e9xico, em cujo lado americano existem mercen\u00e1rios que literalmente ca\u00e7am imigrantes e criam uma rede de corrup\u00e7\u00e3o para permitir a entrada de alguns, e os assassinatos de latino americanos em pa\u00edses europeus pela pr\u00f3pria pol\u00edcia, sob o argumento de que seriam criminosos ou suspeitos. Portanto, a crise tem acentuado o deslocamento do trabalho para pa\u00edses mais industrializados e confrontado isso com o desemprego nestes pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Nesse cen\u00e1rio, os Estados europeus ocidentais t\u00eam hostilizado os imigrantes provenientes da \u00c1frica, Am\u00e9rica, Oriente M\u00e9dio e, sobretudo, do leste europeu. A crise j\u00e1 impactou com grande intensidade os pa\u00edses do leste europeu, de tal forma que alguns pa\u00edses como a Let\u00f4nia passam situa\u00e7\u00e3o de instabilidade pol\u00edtica no governo em raz\u00e3o do desemprego e da falta de medidas eficientes para a sua conten\u00e7\u00e3o, que levou o ent\u00e3o primeiro ministro a renunciar em 20 de fevereiro de 2009. Na Ucr\u00e2nia a crise causou a diminui\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de a\u00e7o e o endividamento do Estado tem dificultado medidas de interven\u00e7\u00e3o na economia. Isso tudo provocou \u00eaxodos imigrat\u00f3rios em dire\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses da Zona do Euro, os quais est\u00e3o aplicando medidas para dificultar esse movimento. O Estado Alem\u00e3o tem assumido forte inten\u00e7\u00e3o de impedir a imigra\u00e7\u00e3o e em abril de 2009 pretende discutir uma lei que proibir\u00e1 a concess\u00e3o de vistos para imigrantes de cerca de 8 (oito) pa\u00edses do leste europeu. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, a Holanda tamb\u00e9m tem dificultado os fluxos imigrat\u00f3rios.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Recentemente, a Europa foi palco de fortes insurg\u00eancias relacionadas com o desemprego e a quest\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o. O ano de 2008 na Fran\u00e7a foi marcado por violentas manifesta\u00e7\u00f5es de imigrantes, africanos na maioria. Esses imigrantes criticavam a pol\u00edtica do governo Sarkozy de expulsar imigrantes ilegais e exigia a legaliza\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m apontava o forte n\u00edvel de desemprego, sendo as manifesta\u00e7\u00f5es duramente reprimidas pela pol\u00edcia francesa. Paris tornou-se um campo de guerra urbana. Contudo esse movimento dos imigrantes africanos pela legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se iniciou em 2008, j\u00e1 em outubro de 2005 foram travados violentos enfrentamentos com a pol\u00edcia, que foram deflagrados ap\u00f3s dois jovens imigrantes morreram eletrocutados durante persegui\u00e7\u00e3o empreendida pela pol\u00edcia. \u00c9, portanto, n\u00edtida a postura xenof\u00f3bica do Estado franc\u00eas, a qual continua sendo conduzida pelo governo Sarkozy, que dever\u00e1, inclusive, ser fortalecida diante da crise econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, na Gr\u00e9cia tamb\u00e9m ocorreram enfrentamentos em dezembro de 2008, organizados principalmente por anarquistas em conjunto com organiza\u00e7\u00f5es da esquerda, sendo que a maioria dos manifestantes era de estudantes que ocuparam diversos pr\u00e9dios p\u00fablicos e procederam a fortes manifesta\u00e7\u00f5es de rua. O poder p\u00fablico grego adotou, n\u00e3o de agora, uma pol\u00edtica endurecida contra as manifesta\u00e7\u00f5es populares e contra os imigrantes, por meio da criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e por investidas contra imigrantes ilegais, resultando, inclusive em mortes n\u00e3o esclarecidas pela pol\u00edcia e tamb\u00e9m marcadas por absolvi\u00e7\u00f5es, criando certa dose de crise nas institui\u00e7\u00f5es do Estado, sobretudo o Judici\u00e1rio. Tanto que as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de dezembro de 2008 foram iniciadas ap\u00f3s o assassinato pela pol\u00edcia do estudante Alex Grigoropoulos , em 6 de dezembro. Ap\u00f3s esse fato, estudantes invadiram as ruas de diversas cidades gregas, dentre as quais, Atenas, Sal\u00f4nica, Patras, Larissa, Iraklion, Chania (Creta), Ioannina, Volos, Kozani, Komotine. A prop\u00f3sito, em Petras ocorreu um ataque violento de radicais de direita contra a sede de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de imigrantes, tendo sido lan\u00e7ada uma bomba contra a janela do pr\u00e9dio em que se encontravam os militantes, durantes a realiza\u00e7\u00e3o de uma reuni\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esses fen\u00f4menos de levantes populares, incluindo os imigrantes segregados e perseguidos pelos aparelhos de repress\u00e3o estatais, n\u00e3o est\u00e3o assumindo maiores dimens\u00f5es por acaso, sendo eles conseq\u00fc\u00eancias diretas da crise estrutural do capital que tem provocando o aumento do desemprego e a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida do proletariado no mundo todo e nesse cen\u00e1rio os imigrantes s\u00e3o parte dos setores mais explorados e expropriados pela burguesia, e cuja situa\u00e7\u00e3o civil os coloca em posi\u00e7\u00e3o de extrema precariedade no tocante aos direitos sociais. A crise econ\u00f4mica em curso acentuar\u00e1 a xenofobia e os partidos de direita j\u00e1 est\u00e3o utilizando isso para aumentar a hostiliza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes e, principalmente, para dividir os setores da classe trabalhadora e dificultar sua organiza\u00e7\u00e3o para a luta contra o capital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mobilidade do trabalho, ou dos trabalhadores de um lugar para outro no intuito de ocupar postos de trabalho, em raz&atilde;o da escassez destes ou por conta de melhores condi&ccedil;&otilde;es no trabalho e de rendimentos maiores, provoca grandes &ecirc;xodos, entre regi&otilde;es localizadas em um mesmo pa&iacute;s ou internacionais.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Esse deslocamento em massa provoca conseq&uuml;entemente o aumento da densidade populacional nos locais de destino desses trabalhadores e tamb&eacute;m a eleva&ccedil;&atilde;o da competi&ccedil;&atilde;o entre os pr&oacute;prios trabalhadores. Esse processo em &uacute;ltima inst&acirc;ncia &eacute; interessante aos detentores dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e aos tomadores de servi&ccedil;o na medida em que se amplia quantitativamente o ex&eacute;rcito industrial de reserva, gerando a diminui&ccedil;&atilde;o do valor dos sal&aacute;rios.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Como desdobramento desse fen&ocirc;meno, tamb&eacute;m ocorre nesses lugares de destino o aumento do desemprego e da precariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores de um modo geral, seja por conta de uma super ocupa&ccedil;&atilde;o combinada com a despreocupa&ccedil;&atilde;o dos Estados em construir infra-estrutura para readequar o espa&ccedil;o urbano a sua nova dimens&atilde;o populacional. Essa massa humana em deslocamento acaba sendo segregada em locais desfavor&aacute;veis do ponto de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, nas periferias das cidades, constituindo grandes bols&otilde;es de pobreza e mis&eacute;ria, como as favelas ou bairros degradados. Sendo que esse estado de d&eacute;ficit habitacional &eacute; apropriado mercadologicamente pelos empres&aacute;rios do setor imobili&aacute;rio para especular e construir moradias, por meio de subs&iacute;dios estatais ou de financiamentos p&uacute;blicos, moradias as quais s&atilde;o constru&iacute;das nesses lugares distantes ou em outros t&atilde;o desfavor&aacute;veis para o deslocamento aos centros urbanos quanto os lugares de faveliza&ccedil;&atilde;o. 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E esse processo da crise econ&ocirc;mica mundial, que se encontra em aprofundamento e que j&aacute; colocou a economia mundial em recess&atilde;o, est&aacute; gerando aumento vertiginoso dos &iacute;ndices de desemprego no mundo todo, a come&ccedil;ar pelos centros do capitalismo. Ent&atilde;o, os imigrantes, que j&aacute; s&atilde;o alvo de pol&iacute;ticas de exterm&iacute;nio, passam a ser entendidos por parte dos trabalhadores demitidos, que s&atilde;o obrigados a disputarem postos de trabalho mais precarizados, como inimigos, desconsiderando categoricamente o aspecto de classe e possibilitando as condi&ccedil;&otilde;es para disputas violentas entre os pr&oacute;prios trabalhadores. Esse fen&ocirc;meno ideol&oacute;gico e medonho &eacute; apropriado pelos setores da ultradireita, que tentam catalisar essa rela&ccedil;&atilde;o destrutiva. Por isso, verifica-se, n&atilde;o apenas nos Estados Unidos, mas tamb&eacute;m na Europa, o avan&ccedil;o da xenofobia, inclusive estatal, que se manifesta por meio de pol&iacute;ticas de barreira nas divisas contra a imigra&ccedil;&atilde;o, o n&atilde;o fornecimento de vistos e as persegui&ccedil;&otilde;es policiais. Exemplos disso s&atilde;o o vergonhoso muro que separa a divisa entre os Estados Unidos e o M&eacute;xico, em cujo lado americano existem mercen&aacute;rios que literalmente ca&ccedil;am imigrantes e criam uma rede de corrup&ccedil;&atilde;o para permitir a entrada de alguns, e os assassinatos de latino americanos em pa&iacute;ses europeus pela pr&oacute;pria pol&iacute;cia, sob o argumento de que seriam criminosos ou suspeitos. Portanto, a crise tem acentuado o deslocamento do trabalho para pa&iacute;ses mais industrializados e confrontado isso com o desemprego nestes pa&iacute;ses.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Nesse cen&aacute;rio, os Estados europeus ocidentais t&ecirc;m hostilizado os imigrantes provenientes da &Aacute;frica, Am&eacute;rica, Oriente M&eacute;dio e, sobretudo, do leste europeu. A crise j&aacute; impactou com grande intensidade os pa&iacute;ses do leste europeu, de tal forma que alguns pa&iacute;ses como a Let&ocirc;nia passam situa&ccedil;&atilde;o de instabilidade pol&iacute;tica no governo em raz&atilde;o do desemprego e da falta de medidas eficientes para a sua conten&ccedil;&atilde;o, que levou o ent&atilde;o primeiro ministro a renunciar em 20 de fevereiro de 2009. Na Ucr&acirc;nia a crise causou a diminui&ccedil;&atilde;o da exporta&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;o e o endividamento do Estado tem dificultado medidas de interven&ccedil;&atilde;o na economia. 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Esses imigrantes criticavam a pol&iacute;tica do governo Sarkozy de expulsar imigrantes ilegais e exigia a legaliza&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m apontava o forte n&iacute;vel de desemprego, sendo as manifesta&ccedil;&otilde;es duramente reprimidas pela pol&iacute;cia francesa. Paris tornou-se um campo de guerra urbana. Contudo esse movimento dos imigrantes africanos pela legaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se iniciou em 2008, j&aacute; em outubro de 2005 foram travados violentos enfrentamentos com a pol&iacute;cia, que foram deflagrados ap&oacute;s dois jovens imigrantes morreram eletrocutados durante persegui&ccedil;&atilde;o empreendida pela pol&iacute;cia. &Eacute;, portanto, n&iacute;tida a postura xenof&oacute;bica do Estado franc&ecirc;s, a qual continua sendo conduzida pelo governo Sarkozy, que dever&aacute;, inclusive, ser fortalecida diante da crise econ&ocirc;mica. Al&eacute;m disso, na Gr&eacute;cia tamb&eacute;m ocorreram enfrentamentos em dezembro de 2008, organizados principalmente por anarquistas em conjunto com organiza&ccedil;&otilde;es da esquerda, sendo que a maioria dos manifestantes era de estudantes que ocuparam diversos pr&eacute;dios p&uacute;blicos e procederam a fortes manifesta&ccedil;&otilde;es de rua. O poder p&uacute;blico grego adotou, n&atilde;o de agora, uma pol&iacute;tica endurecida contra as manifesta&ccedil;&otilde;es populares e contra os imigrantes, por meio da criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos sociais e por investidas contra imigrantes ilegais, resultando, inclusive em mortes n&atilde;o esclarecidas pela pol&iacute;cia e tamb&eacute;m marcadas por absolvi&ccedil;&otilde;es, criando certa dose de crise nas institui&ccedil;&otilde;es do Estado, sobretudo o Judici&aacute;rio. Tanto que as grandes manifesta&ccedil;&otilde;es de dezembro de 2008 foram iniciadas ap&oacute;s o assassinato pela pol&iacute;cia do estudante Alex Grigoropoulos , em 6 de dezembro. Ap&oacute;s esse fato, estudantes invadiram as ruas de diversas cidades gregas, dentre as quais, Atenas, Sal&ocirc;nica, Patras, Larissa, Iraklion, Chania (Creta), Ioannina, Volos, Kozani, Komotine. A prop&oacute;sito, em Petras ocorreu um ataque violento de radicais de direita contra a sede de uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de imigrantes, tendo sido lan&ccedil;ada uma bomba contra a janela do pr&eacute;dio em que se encontravam os militantes, durantes a realiza&ccedil;&atilde;o de uma reuni&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Esses fen&ocirc;menos de levantes populares, incluindo os imigrantes segregados e perseguidos pelos aparelhos de repress&atilde;o estatais, n&atilde;o est&atilde;o assumindo maiores dimens&otilde;es por acaso, sendo eles conseq&uuml;&ecirc;ncias diretas da crise estrutural do capital que tem provocando o aumento do desemprego e a precariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de vida do proletariado no mundo todo e nesse cen&aacute;rio os imigrantes s&atilde;o parte dos setores mais explorados e expropriados pela burguesia, e cuja situa&ccedil;&atilde;o civil os coloca em posi&ccedil;&atilde;o de  extrema precariedade no tocante aos direitos sociais. A crise econ&ocirc;mica em curso acentuar&aacute; a xenofobia e os partidos de direita j&aacute; est&atilde;o utilizando isso para aumentar a hostiliza&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos imigrantes e, principalmente, para dividir os setores da classe trabalhadora e dificultar sua organiza&ccedil;&atilde;o para a luta contra o capital.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6050,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166\/revisions\/6050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}