{"id":167,"date":"2009-04-11T20:50:05","date_gmt":"2009-04-11T20:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/167"},"modified":"2018-05-04T21:42:22","modified_gmt":"2018-05-05T00:42:22","slug":"150-anos-do-darwinismo-a-evolucao-entre-o-mito-e-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/04\/150-anos-do-darwinismo-a-evolucao-entre-o-mito-e-a-ciencia\/","title":{"rendered":"150 anos do Darwinismo: a evolu\u00e7\u00e3o entre o mito e a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Nas \u00e9pocas hist\u00f3ricas de grandes mudan\u00e7as sociais as classes revolucion\u00e1rias se ap\u00f3iam na for\u00e7a da raz\u00e3o para o combate ideol\u00f3gico contra os mitos que constituem o arcabou\u00e7o do pensamento das classes dominantes, parte do combate pol\u00edtico geral. Assim fez a burguesia na sua multissecular luta revolucion\u00e1ria e humanista contra a nobreza e o clero. Ao longo dessa luta, alguns marcos se destacam. O primeiro \u00e9 a descoberta de homens como Cop\u00e9rnico, Bruno, Kepler, Galileu e Newton de que a Terra n\u00e3o \u00e9 o centro do universo, mas apenas mais um planeta gravitando em torno do sol num universo infinito. O segundo marco foi a descoberta por Darwin de que as esp\u00e9cies animais evoluem pela sele\u00e7\u00e3o natural dos mais aptos, de modo que a origem do homem pode ser remontada at\u00e9 seus ancestrais primatas (e no limite, at\u00e9 as bact\u00e9rias que foram a primeira forma de toda a vida no planeta). Um terceiro marco seria a descoberta do inconsciente por Freud, mas em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e ideol\u00f3gicas j\u00e1 alteradas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A descoberta de Darwin foi publicada no livro \u201cA origem das esp\u00e9cies\u201d, cujo lan\u00e7amento est\u00e1 completando 150 anos (em 12\/02\/2009 comemoraram-se os 200 anos de nascimento do pr\u00f3prio Darwin). A teoria da evolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia sido elaborada pelo naturalista ingl\u00eas em 1839, no retorno de uma viagem mar\u00edtima que se iniciara em 1835, e que teve entre outros destinos o Brasil e as ilhas Gal\u00e1pagos, no litoral do Equador. Mas a teoria permaneceu in\u00e9dita, pelo receio do pr\u00f3prio autor de chocar a sociedade com uma novidade t\u00e3o radical.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em 1858, Darwin recebe uma correspond\u00eancia de outro cientista ingl\u00eas, Alfred Russel Wallace, em que este apresenta uma teoria id\u00eantica \u00e0 sua a respeito da sele\u00e7\u00e3o natural. Escrupulosamente, Darwin apresenta as duas teorias \u00e0 comunidade cient\u00edfica, reconhecendo o papel de Wallace. E somente no ano seguinte publica seu livro, que teve estrondosa repercuss\u00e3o. Assim, Darwin passaria \u00e0 hist\u00f3ria como pai do evolucionismo em biologia.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u201cA origem das esp\u00e9cies\u201d dizia basicamente que a natureza seleciona os organismos mais adaptados a sobreviver em determinado ambiente, de modo que estes organismos transmitem suas caracter\u00edsticas aos seus descendentes, terminando por constituir uma esp\u00e9cie em separado. O mecanismo pelo qual os organismos desenvolvem adapta\u00e7\u00f5es (muta\u00e7\u00e3o) e transmitem suas caracter\u00edsticas (DNA), somente seria descoberto no s\u00e9culo XX, com o avan\u00e7o da gen\u00e9tica, e veio confirmar a intui\u00e7\u00e3o genial de Darwin.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\n<h2>A mitologia social burguesa<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O destino da teoria de Darwin seria mais um exemplo do fen\u00f4meno pelo qual \u201ca ci\u00eancia destr\u00f3i mitos e coloca outros em seu lugar\u201d. O evolucionismo destruiu os mitos de que as formas de vida foram criadas por Deus tais como existem hoje e de que o homem foi criado \u201c\u00e0 imagem e semelhan\u00e7a\u201d do pr\u00f3prio Deus. Entretanto, o conceito de evolu\u00e7\u00e3o acabou sendo parte do arsenal ideol\u00f3gico que justifica a posi\u00e7\u00e3o de classe dominante da burguesia.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A ascens\u00e3o da burguesia como classe \u00e9 indissoci\u00e1vel da ascens\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. O capitalismo tem um papel hist\u00f3rico progressivo (reconhecido por Marx no \u201cManifesto\u201d) de romper a estreiteza das rela\u00e7\u00f5es sociais feudais e arcaicas, lan\u00e7ando as bases materiais para a luta da moderna classe trabalhadora por sua emancipa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o capitalismo aprisiona o homem em rela\u00e7\u00f5es sociais tais que a sua condi\u00e7\u00e3o de sujeito se reverte em mero objeto do processo de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do valor econ\u00f4mico.<\/p>\n<p class=\"western\">As rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas requerem um arsenal ideol\u00f3gico de justifica\u00e7\u00e3o, uma mitologia social que se baseia no individualismo. Os pensadores burgueses, de Hobbes e Locke a Adam Smith, tomaram a condi\u00e7\u00e3o do burgu\u00eas ingl\u00eas dos s\u00e9culos XVII e XVIII e generalizaram essa condi\u00e7\u00e3o como sendo a \u201cnatureza humana\u201d em geral, em todos os lugares e em todas as \u00e9pocas. Inventaram a lenda da \u201cguerra de todos contra todos\u201d no \u201cestado de natureza\u201d e a necessidade da inven\u00e7\u00e3o do Estado dotado do monop\u00f3lio da for\u00e7a para proteger a propriedade privada \u201cadquirida pelo trabalho\u201d (na verdade, trabalho alheio), que culmina na estapaf\u00fardia afirma\u00e7\u00e3o de que a busca de cada um pelos seus interesses individuais resulta \u201cautomaticamente\u201d no bem coletivo, por obra da \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\n<h2>Competi\u00e7\u00e3o na natureza e na sociedade<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Tais mitos s\u00e3o a base do direito burgu\u00eas e do Estado moderno, a l\u00f3gica com a qual os indiv\u00edduos explicam a si mesmos a vig\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es capitalistas, da concorr\u00eancia, do \u201clivre mercado\u201d, etc. Essas id\u00e9ias j\u00e1 eram comuns no tempo de Darwin. Na verdade, Darwin se inspirou em Malthus, ep\u00edgono vulgar dos economistas cl\u00e1ssicos, para encontrar na natureza o fen\u00f4meno da luta pela sobreviv\u00eancia. Malthus foi o autor da id\u00e9ia de que a popula\u00e7\u00e3o cresce mais do que os recursos necess\u00e1rios para sua sobreviv\u00eancia, de modo que a humanidade estaria condenada a uma luta permanente contra a escassez.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A competi\u00e7\u00e3o, id\u00e9ia motriz da sociedade burguesa, serviu de inspira\u00e7\u00e3o para que Darwin identificasse a luta pela sobreviv\u00eancia no mundo natural. A descoberta de Darwin \u00e9 verdadeira, mas a inspira\u00e7\u00e3o de onde ele partiu \u00e9 falsa. A luta pela sobreviv\u00eancia existe na natureza como um fato dado, um ponto de partida. Mas a competi\u00e7\u00e3o na sociedade humana tem causas humanas, sociais e hist\u00f3ricas, n\u00e3o naturais. A competi\u00e7\u00e3o entre os homens n\u00e3o tem a ver com uma suposta \u201cnatureza humana ego\u00edsta\u201d, mas com a divis\u00e3o da sociedade em classes, um fen\u00f4meno hist\u00f3rico e transit\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A teoria malthusiana se provou objetivamente falsa, pois tanto a escassez com que se depara a maior parte da humanidade, os trabalhadores, quanto a abund\u00e2ncia de que desfruta a minoria, a burguesia, n\u00e3o s\u00e3o dados fixos absolutos e a-hist\u00f3ricos, mas relativos, artificiais. N\u00e3o existe escassez de recursos ou subcapacidade produtiva na sociedade. Ao contr\u00e1rio, existe a irracionalidade das rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas, que condenam a humanidade a crises econ\u00f4micas peri\u00f3dicas nos momentos em que as for\u00e7as produtivas n\u00e3o podem ser colocadas em movimento de modo lucrativo. A mis\u00e9ria caminha lado a lado com a superprodu\u00e7\u00e3o, pois a atividade produtiva n\u00e3o est\u00e1 colocada a servi\u00e7o das necessidades humanas e sim do lucro. O problema est\u00e1, portanto, na l\u00f3gica capitalista de apropria\u00e7\u00e3o privada da produ\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\n<h2>O mito do progresso e a evolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Sob pretexto da luta contra a escassez, mas na verdade tendo como objetivo a multiplica\u00e7\u00e3o do lucro e a reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital, a burguesia est\u00e1 permanentemente obrigada a desenvolver as for\u00e7as produtivas. O aumento quantitativo da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o motor secreto de toda a vida social capitalista, que se alimenta da incorpora\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, que por sua vez exigem um avan\u00e7o constante do conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em nome desse mecanismo, o aumento da produ\u00e7\u00e3o passou a ser sin\u00f4nimo de progresso. E o progresso passou a ser o objetivo de todas as sociedades. A ideologia burguesa do progresso desconsidera completamente a capacidade da natureza de suportar as interven\u00e7\u00f5es humanas, com as catastr\u00f3ficas conseq\u00fc\u00eancias ambientais com as quais nos defrontamos hoje.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O impulso para o progresso \u00e9 outro mito social burgu\u00eas que contamina a compreens\u00e3o da realidade, a tal ponto de ter sido incorporado pelas pr\u00f3prias ci\u00eancias naturais. A evolu\u00e7\u00e3o passou a ser compreendida como um valor moral, sin\u00f4nimo de melhoria. O processo de evolu\u00e7\u00e3o, um mecanismo cego e aleat\u00f3rio, que consiste simplesmente no fato de que as esp\u00e9cies animais se adaptam ao seu ambiente, passou a ser tratado como evid\u00eancia de progresso no sentido burgu\u00eas, como se houvesse um objetivo previamente tra\u00e7ado para a transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies animais em seres superiores.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\n<h2>Darwinismo social e imperialismo<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Rep\u00f5e-se assim disfar\u00e7adamente o mito da divindade do homem, como se a evolu\u00e7\u00e3o natural tivesse como objetivo produzir o homem. E dentre os homens, naturalmente, os vencedores e os vencidos. A burguesia seria a classe social dominante porque estaria composta dos indiv\u00edduos mais aptos. Da mesma forma os povos europeus teriam o direito de conquistar as ra\u00e7as b\u00e1rbaras da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica pois seriam superiores. As diferen\u00e7as hist\u00f3ricas entre as classes e os povos, os processos de domina\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a, etc., foram grosseiramente apagados da hist\u00f3ria por essa grotesca teoria do \u201cdarwinismo social\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As conseq\u00fc\u00eancias mais tr\u00e1gicas do darwinismo social foram vivenciadas no s\u00e9culo XX, quando, em nome do triunfo da \u201cra\u00e7a ariana\u201d, os nazistas perpetraram o exterm\u00ednio de milh\u00f5es de judeus. O projeto de eugenia, ou melhoramento da ra\u00e7a, realizado pelos nazistas \u00e9 o mais dantesco corol\u00e1rio do darwinismo social. Desde ent\u00e3o os adeptos desse pensamento foram for\u00e7ados a disfar\u00e7ar um pouco as conex\u00f5es abusivas que fazem entre teorias da natureza e da sociedade.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Entretanto, tais teorias continuam despontando, como aquela que foi formulada na d\u00e9cada de 1970 segundo a qual o \u00fanico objetivo dos seres vivos \u00e9 transmitir seus genes. Todo o comportamento animal (e humano) seria explicado por um instinto que o obriga a difundir seus genes. A teoria do \u201cgene ego\u00edsta\u201d, transforma um instrumento, os genes, em causa de todo o processo, justamente porque n\u00e3o contempla a perspectiva da totalidade do processo.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\n<h2>Hist\u00f3ria natural e emancipa\u00e7\u00e3o humana<\/h2>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as entre a hist\u00f3ria natural e a hist\u00f3ria social s\u00f3 podem ser compreendidas na moldura de uma l\u00f3gica dial\u00e9tica, que explica a continuidade na descontinuidade e a descontinuidade na continuidade. O homem rompeu com a natureza e ao mesmo tempo continuou sendo parte dela. As duas esferas preservam sua liga\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo sua especificidade, sua l\u00f3gica pr\u00f3pria, que n\u00e3o pode ser transposta de uma esfera \u00e0 outra.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A luta pela sobreviv\u00eancia na natureza n\u00e3o \u00e9 feita apenas de competi\u00e7\u00e3o entre os organismos, mas de coopera\u00e7\u00e3o e mutualismo, t\u00e3o abundantes quanto \u00e0 sobreviv\u00eancia do mais apto. \u00c9 falso transpor o individualismo liberal burgu\u00eas para a hist\u00f3ria natural, assim como \u00e9 falso explicar as diferen\u00e7as sociais por causas naturais. Na hist\u00f3ria humana, a coopera\u00e7\u00e3o e o coletivismo s\u00e3o fen\u00f4menos presentes durante mil\u00eanios, muito mais disseminados que a competi\u00e7\u00e3o, a qual \u00e9 t\u00edpica apenas da \u00e9poca capitalista.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A burguesia enquanto classe \u00e9 incapaz de desenvolver essa compreens\u00e3o abrangente da hist\u00f3ria natural e social. Ao mesmo tempo em que necessita da ci\u00eancia, a burguesia precisa distorc\u00ea-la, fragment\u00e1-la, transform\u00e1-la em conhecimento altamente especializado de partes limitadas do real, impedindo uma vis\u00e3o da totalidade. Por negar a compreens\u00e3o da realidade como um todo, a burguesia acaba repondo a necessidade do mito. Nos Estados Unidos h\u00e1 uma intensa luta de setores religiosos para impor o ensino do criacionismo nas escolas, negando a evolu\u00e7\u00e3o e defendendo a exist\u00eancia de um \u201cdesenho inteligente\u201d na natureza, que s\u00f3 poderia ser obra de um criador.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A sociedade que desenvolve ao m\u00e1ximo a ci\u00eancia \u00e9 a mesma que reproduz o obscurantismo religioso. A causa dessa contradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 na divis\u00e3o social do trabalho e na exist\u00eancia de uma classe dominante que vive \u00e0s custas do trabalho alheio. O homem somente ser\u00e1 livre dessa domina\u00e7\u00e3o quando se tornar senhor do seu trabalho, do qual atualmente \u00e9 escravo. Foi a partir do trabalho que os primatas evolu\u00edram para humanos, quando gradualmente seu corpo, suas m\u00e3os, seu c\u00e9rebro, sua mente, se converteram em instrumentos altamente sofisticados. A evolu\u00e7\u00e3o dos primatas at\u00e9 se tornarem humanos \u00e9 explic\u00e1vel no quadro da teoria da evolu\u00e7\u00e3o descoberta por Darwin. A transforma\u00e7\u00e3o do homem em efetivamente humano s\u00f3 \u00e9 realiz\u00e1vel por meio da teoria marxista da emancipa\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">21\/03\/2009<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A hist&oacute;ria da evolu&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Nas &eacute;pocas hist&oacute;ricas de grandes mudan&ccedil;as sociais as classes revolucion&aacute;rias se ap&oacute;iam na for&ccedil;a da raz&atilde;o para o combate ideol&oacute;gico contra os mitos que constituem o arcabou&ccedil;o do pensamento das classes dominantes, parte do combate pol&iacute;tico geral. Assim fez a burguesia na sua multissecular luta revolucion&aacute;ria e humanista contra a nobreza e o clero. Ao longo dessa luta, alguns marcos se destacam. O primeiro &eacute; a descoberta de homens como Cop&eacute;rnico, Bruno, Kepler, Galileu e Newton de que a Terra n&atilde;o &eacute; o centro do universo, mas apenas mais um planeta gravitando em torno do sol num universo infinito. O segundo marco foi a descoberta por Darwin de que as esp&eacute;cies animais evoluem pela sele&ccedil;&atilde;o natural dos mais aptos, de modo que a origem do homem pode ser remontada at&eacute; seus ancestrais primatas (e no limite, at&eacute; as bact&eacute;rias que foram a primeira forma de toda a vida no planeta). Um terceiro marco seria a descoberta do inconsciente por Freud, mas em circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas e ideol&oacute;gicas j&aacute; alteradas.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A descoberta de Darwin foi publicada no livro &ldquo;A origem das esp&eacute;cies&rdquo;, cujo lan&ccedil;amento est&aacute; completando 150 anos (em 12\/02\/2009 comemoraram-se os 200 anos de nascimento do pr&oacute;prio Darwin). A teoria da evolu&ccedil;&atilde;o j&aacute; havia sido elaborada pelo naturalista ingl&ecirc;s em 1839, no retorno de uma viagem mar&iacute;tima que se iniciara em 1835, e que teve entre outros destinos o Brasil e as ilhas Gal&aacute;pagos, no litoral do Equador. Mas a teoria permaneceu in&eacute;dita, pelo receio do pr&oacute;prio autor de chocar a sociedade com uma novidade t&atilde;o radical.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Em 1858, Darwin recebe uma correspond&ecirc;ncia de outro cientista ingl&ecirc;s, Alfred Russel Wallace, em que este apresenta uma teoria id&ecirc;ntica &agrave; sua a respeito da sele&ccedil;&atilde;o natural. Escrupulosamente, Darwin apresenta as duas teorias &agrave; comunidade cient&iacute;fica, reconhecendo o papel de Wallace. E somente no ano seguinte publica seu livro, que teve estrondosa repercuss&atilde;o. Assim, Darwin passaria &agrave; hist&oacute;ria como pai do evolucionismo em biologia.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">&ldquo;A origem das esp&eacute;cies&rdquo; dizia basicamente que a natureza seleciona os organismos mais adaptados a sobreviver em determinado ambiente, de modo que estes organismos transmitem suas caracter&iacute;sticas aos seus descendentes, terminando por constituir uma esp&eacute;cie em separado. O mecanismo pelo qual os organismos desenvolvem adapta&ccedil;&otilde;es (muta&ccedil;&atilde;o) e transmitem suas caracter&iacute;sticas (DNA), somente seria descoberto no s&eacute;culo XX, com o avan&ccedil;o da gen&eacute;tica, e veio confirmar a intui&ccedil;&atilde;o genial de Darwin.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<h2>A mitologia social burguesa<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">O destino da teoria de Darwin seria mais um exemplo do fen&ocirc;meno pelo qual &ldquo;a ci&ecirc;ncia destr&oacute;i mitos e coloca outros em seu lugar&rdquo;. O evolucionismo destruiu os mitos de que as formas de vida foram criadas por Deus tais como existem hoje e de que o homem foi criado &ldquo;&agrave; imagem e semelhan&ccedil;a&rdquo; do pr&oacute;prio Deus. Entretanto, o conceito de evolu&ccedil;&atilde;o acabou sendo parte do arsenal ideol&oacute;gico que justifica a posi&ccedil;&atilde;o de classe dominante da burguesia.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A ascens&atilde;o da burguesia como classe &eacute; indissoci&aacute;vel da ascens&atilde;o do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista. O capitalismo tem um papel hist&oacute;rico progressivo (reconhecido por Marx no &ldquo;Manifesto&rdquo;) de romper a estreiteza das rela&ccedil;&otilde;es sociais feudais e arcaicas, lan&ccedil;ando as bases materiais para a luta da moderna classe trabalhadora por sua emancipa&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o capitalismo aprisiona o homem em rela&ccedil;&otilde;es sociais tais que a sua condi&ccedil;&atilde;o de sujeito se reverte em mero objeto do processo de reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada do valor econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p class=\"western\">As rela&ccedil;&otilde;es sociais capitalistas requerem um arsenal ideol&oacute;gico de justifica&ccedil;&atilde;o, uma mitologia social que se baseia no individualismo. Os pensadores burgueses, de Hobbes e Locke a Adam Smith, tomaram a condi&ccedil;&atilde;o do burgu&ecirc;s ingl&ecirc;s dos s&eacute;culos XVII e XVIII e generalizaram essa condi&ccedil;&atilde;o como sendo a &ldquo;natureza humana&rdquo; em geral, em todos os lugares e em todas as &eacute;pocas. Inventaram a lenda da &ldquo;guerra de todos contra todos&rdquo; no &ldquo;estado de natureza&rdquo; e a necessidade da inven&ccedil;&atilde;o do Estado dotado do monop&oacute;lio da for&ccedil;a para proteger a propriedade privada &ldquo;adquirida pelo trabalho&rdquo; (na verdade, trabalho alheio), que culmina na estapaf&uacute;rdia afirma&ccedil;&atilde;o de que a busca de cada um pelos seus interesses individuais resulta &ldquo;automaticamente&rdquo; no bem coletivo, por obra da &ldquo;m&atilde;o invis&iacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<h2>Competi&ccedil;&atilde;o na natureza e na sociedade<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Tais mitos s&atilde;o a base do direito burgu&ecirc;s e do Estado moderno, a l&oacute;gica com a qual os indiv&iacute;duos explicam a si mesmos a vig&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es capitalistas, da concorr&ecirc;ncia, do &ldquo;livre mercado&rdquo;, etc. Essas id&eacute;ias j&aacute; eram comuns no tempo de Darwin. Na verdade, Darwin se inspirou em Malthus, ep&iacute;gono vulgar dos economistas cl&aacute;ssicos, para encontrar na natureza o fen&ocirc;meno da luta pela sobreviv&ecirc;ncia. Malthus foi o autor da id&eacute;ia de que a popula&ccedil;&atilde;o cresce mais do que os recursos necess&aacute;rios para sua sobreviv&ecirc;ncia, de modo que a humanidade estaria condenada a uma luta permanente contra a escassez.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A competi&ccedil;&atilde;o, id&eacute;ia motriz da sociedade burguesa, serviu de inspira&ccedil;&atilde;o para que Darwin identificasse a luta pela sobreviv&ecirc;ncia no mundo natural. A descoberta de Darwin &eacute; verdadeira, mas a inspira&ccedil;&atilde;o de onde ele partiu &eacute; falsa. A luta pela sobreviv&ecirc;ncia existe na natureza como um fato dado, um ponto de partida. Mas a competi&ccedil;&atilde;o na sociedade humana tem causas humanas, sociais e hist&oacute;ricas, n&atilde;o naturais. A competi&ccedil;&atilde;o entre os homens n&atilde;o tem a ver com uma suposta &ldquo;natureza humana ego&iacute;sta&rdquo;, mas com a divis&atilde;o da sociedade em classes, um fen&ocirc;meno hist&oacute;rico e transit&oacute;rio.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A teoria malthusiana se provou objetivamente falsa, pois tanto a escassez com que se depara a maior parte da humanidade, os trabalhadores, quanto a abund&acirc;ncia de que desfruta a minoria, a burguesia, n&atilde;o s&atilde;o dados fixos absolutos e a-hist&oacute;ricos, mas relativos, artificiais. N&atilde;o existe escassez de recursos ou subcapacidade produtiva na sociedade. Ao contr&aacute;rio, existe a irracionalidade das rela&ccedil;&otilde;es sociais capitalistas, que condenam a humanidade a crises econ&ocirc;micas peri&oacute;dicas nos momentos em que as for&ccedil;as produtivas n&atilde;o podem ser colocadas em movimento de modo lucrativo. A mis&eacute;ria caminha lado a lado com a superprodu&ccedil;&atilde;o, pois a atividade produtiva n&atilde;o est&aacute; colocada a servi&ccedil;o das necessidades humanas e sim do lucro. O problema est&aacute;, portanto, na l&oacute;gica capitalista de apropria&ccedil;&atilde;o privada da produ&ccedil;&atilde;o coletiva.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<h2>O mito do progresso e a evolu&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Sob pretexto da luta contra a escassez, mas na verdade tendo como objetivo a multiplica&ccedil;&atilde;o do lucro e a reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada do capital, a burguesia est&aacute; permanentemente obrigada a desenvolver as for&ccedil;as produtivas. O aumento quantitativo da produ&ccedil;&atilde;o &eacute; o motor secreto de toda a vida social capitalista, que se alimenta da incorpora&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, que por sua vez exigem um avan&ccedil;o constante do conhecimento cient&iacute;fico.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Em nome desse mecanismo, o aumento da produ&ccedil;&atilde;o passou a ser sin&ocirc;nimo de progresso. E o progresso passou a ser o objetivo de todas as sociedades. A ideologia burguesa do progresso desconsidera completamente a capacidade da natureza de suportar as interven&ccedil;&otilde;es humanas, com as catastr&oacute;ficas conseq&uuml;&ecirc;ncias ambientais com as quais nos defrontamos hoje.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">O impulso para o progresso &eacute; outro mito social burgu&ecirc;s que contamina a compreens&atilde;o da realidade, a tal ponto de ter sido incorporado pelas pr&oacute;prias ci&ecirc;ncias naturais. A evolu&ccedil;&atilde;o passou a ser compreendida como um valor moral, sin&ocirc;nimo de melhoria. O processo de evolu&ccedil;&atilde;o, um mecanismo cego e aleat&oacute;rio, que consiste simplesmente no fato de que as esp&eacute;cies animais se adaptam ao seu ambiente, passou a ser tratado como evid&ecirc;ncia de progresso no sentido burgu&ecirc;s, como se houvesse um objetivo previamente tra&ccedil;ado para a transforma&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies animais em seres superiores.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<h2>Darwinismo social e imperialismo<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Rep&otilde;e-se assim disfar&ccedil;adamente o mito da divindade do homem, como se a evolu&ccedil;&atilde;o natural tivesse como objetivo produzir o homem. E dentre os homens, naturalmente, os vencedores e os vencidos. A burguesia seria a classe social dominante porque estaria composta dos indiv&iacute;duos mais aptos. Da mesma forma os povos europeus teriam o direito de conquistar as ra&ccedil;as b&aacute;rbaras da &Aacute;frica, &Aacute;sia e Am&eacute;rica pois seriam superiores. As diferen&ccedil;as hist&oacute;ricas entre as classes e os povos, os processos de domina&ccedil;&atilde;o pela for&ccedil;a, etc., foram grosseiramente apagados da hist&oacute;ria por essa grotesca teoria do &ldquo;darwinismo social&rdquo;.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">As conseq&uuml;&ecirc;ncias mais tr&aacute;gicas do darwinismo social foram vivenciadas no s&eacute;culo XX, quando, em nome do triunfo da &ldquo;ra&ccedil;a ariana&rdquo;, os nazistas perpetraram o exterm&iacute;nio de milh&otilde;es de judeus. O projeto de eugenia, ou melhoramento da ra&ccedil;a, realizado pelos nazistas &eacute; o mais dantesco corol&aacute;rio do darwinismo social. Desde ent&atilde;o os adeptos desse pensamento foram for&ccedil;ados a disfar&ccedil;ar um pouco as conex&otilde;es abusivas que fazem entre teorias da natureza e da sociedade.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Entretanto, tais teorias continuam despontando, como aquela que foi formulada na d&eacute;cada de 1970 segundo a qual o &uacute;nico objetivo dos seres vivos &eacute; transmitir seus genes. Todo o comportamento animal (e humano) seria explicado por um instinto que o obriga a difundir seus genes. A teoria do &ldquo;gene ego&iacute;sta&rdquo;, transforma um instrumento, os genes, em causa de todo o processo, justamente porque n&atilde;o contempla a perspectiva da totalidade do processo.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<h2>Hist&oacute;ria natural e emancipa&ccedil;&atilde;o humana<\/h2>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">As diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as entre a hist&oacute;ria natural e a hist&oacute;ria social s&oacute; podem ser compreendidas na moldura de uma l&oacute;gica dial&eacute;tica, que explica a continuidade na descontinuidade e a descontinuidade na continuidade. O homem rompeu com a natureza e ao mesmo tempo continuou sendo parte dela. As duas esferas preservam sua liga&ccedil;&atilde;o e ao mesmo tempo sua especificidade, sua l&oacute;gica pr&oacute;pria, que n&atilde;o pode ser transposta de uma esfera &agrave; outra.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A luta pela sobreviv&ecirc;ncia na natureza n&atilde;o &eacute; feita apenas de competi&ccedil;&atilde;o entre os organismos, mas de coopera&ccedil;&atilde;o e mutualismo, t&atilde;o abundantes quanto &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do mais apto. &Eacute; falso transpor o individualismo liberal burgu&ecirc;s para a hist&oacute;ria natural, assim como &eacute; falso explicar as diferen&ccedil;as sociais por causas naturais. Na hist&oacute;ria humana, a coopera&ccedil;&atilde;o e o coletivismo s&atilde;o fen&ocirc;menos presentes durante mil&ecirc;nios, muito mais disseminados que a competi&ccedil;&atilde;o, a qual &eacute; t&iacute;pica apenas da &eacute;poca capitalista.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A burguesia enquanto classe &eacute; incapaz de desenvolver essa compreens&atilde;o abrangente da hist&oacute;ria natural e social. Ao mesmo tempo em que necessita da ci&ecirc;ncia, a burguesia precisa distorc&ecirc;-la, fragment&aacute;-la, transform&aacute;-la em conhecimento altamente especializado de partes limitadas do real, impedindo uma vis&atilde;o da totalidade. Por negar a compreens&atilde;o da realidade como um todo, a burguesia acaba repondo a necessidade do mito. Nos Estados Unidos h&aacute; uma intensa luta de setores religiosos para impor o ensino do criacionismo nas escolas, negando a evolu&ccedil;&atilde;o e defendendo a exist&ecirc;ncia de um &ldquo;desenho inteligente&rdquo; na natureza, que s&oacute; poderia ser obra de um criador.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">A sociedade que desenvolve ao m&aacute;ximo a ci&ecirc;ncia &eacute; a mesma que reproduz o obscurantismo religioso. A causa dessa contradi&ccedil;&atilde;o est&aacute; na divis&atilde;o social do trabalho e na exist&ecirc;ncia de uma classe dominante que vive &agrave;s custas do trabalho alheio. O homem somente ser&aacute; livre dessa domina&ccedil;&atilde;o quando se tornar senhor do seu trabalho, do qual atualmente &eacute; escravo. Foi a partir do trabalho que os primatas evolu&iacute;ram para humanos, quando gradualmente seu corpo, suas m&atilde;os, seu c&eacute;rebro, sua mente, se converteram em instrumentos altamente sofisticados. A evolu&ccedil;&atilde;o dos primatas at&eacute; se tornarem humanos &eacute; explic&aacute;vel no quadro da teoria da evolu&ccedil;&atilde;o descoberta por Darwin. A transforma&ccedil;&atilde;o do homem em efetivamente humano s&oacute; &eacute; realiz&aacute;vel por meio da teoria marxista da emancipa&ccedil;&atilde;o do trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p align=\"justify\" class=\"western\">21\/03\/2009<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=167"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6096,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167\/revisions\/6096"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}