{"id":168,"date":"2009-04-16T22:09:16","date_gmt":"2009-04-17T01:09:16","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/168"},"modified":"2013-01-19T17:47:20","modified_gmt":"2013-01-19T19:47:20","slug":"dia-30-de-marco-unidade-com-cut-e-centrais-sindicais-pelegas-e-governistas-retira-carater-anti-governista-dos-atos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/04\/dia-30-de-marco-unidade-com-cut-e-centrais-sindicais-pelegas-e-governistas-retira-carater-anti-governista-dos-atos\/","title":{"rendered":"Dia 30 de mar\u00e7o: unidade com CUT e centrais sindicais pelegas e governistas retira car\u00e1ter anti-governista dos atos"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>O dia 30 de mar&ccedil;o, organizado pelas centrais sindicais governistas em conjunto com a Conlutas e a Intersindical, colocou uma s&eacute;rie de quest&otilde;es para a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das for&ccedil;as de esquerda frente a crise. <\/p>\n<p>A primeira delas e talvez a mais fundamental diz respeito a saber quem s&atilde;o nossos aliados nas lutas e inclusive saber qual o papel que cumpre cada uma das centrais sindicais do pa&iacute;s. O pr&oacute;prio processo de surgimento da CONLUTAS est&aacute; ligado a uma compreens&atilde;o de que a CUT e as demais centrais est&atilde;o perdidas para a luta de classes. Sua l&oacute;gica de inser&ccedil;&atilde;o no aparelho do Estado &eacute; t&atilde;o profunda que objetivamente n&atilde;o deixa sa&iacute;das para que se possa mudar essa situa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, a CUT est&aacute; em um situa&ccedil;&atilde;o tal que n&atilde;o se pode mais ter qualquer ilus&atilde;o de que ela possa ser recuperada para a luta. Da&iacute; a necessidade da constru&ccedil;&atilde;o da CONLUTAS. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o &eacute; inclusive confirmada na atualidade pelos sucessivos acordos que a CUT&nbsp; tem feito no sentido de retirar direitos dos trabalhadores. A CUT n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o mudou desde a cria&ccedil;&atilde;o da CONLUTAS, como piorou.<\/p>\n<p>A segunda quest&atilde;o &eacute; que a mudan&ccedil;a da data do dia 01\/04 (antes considerada sagrada a ponto de justificar a aus&ecirc;ncia do PSTU no Encontro de base do ABC) para o dia 30\/03 se deu por meio de um processo extremamente problem&aacute;tico. A consulta envolveu apenas as dire&ccedil;&otilde;es das entidades, sem que se tivesse tempo de fazer qualquer discuss&atilde;o com o conjunto dos trabalhadores. V&aacute;rias categorias j&aacute; estavam se preparando para o dia 01\/04, inclusive com material impresso e assembl&eacute;ias marcadas. A conseq&uuml;&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a foi de que, na pr&aacute;tica, significou uma desmobiliza&ccedil;&atilde;o para algumas categorias e terminou por desorientar um setor importante.<\/p>\n<p>A terceira diz respeito &agrave; unidade. Temos sido parte dos maiores defensores da unidade dos trabalhadores em geral e da esquerda em particular, considerando que a unidade &eacute; uma das condi&ccedil;&otilde;es para a vit&oacute;ria da classe trabalhadora. A unidade existe para a luta, para impulsionar os processos objetivos da classe trabalhadora, para que esta se sinta mais fortalecida e possa dar passos no sentido da ruptura com o governo e com as centrais sindicais pelegas. Defendemos a unidade com os setores que t&ecirc;m uma pol&iacute;tica de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo e&nbsp; a patronal, que se prop&otilde;em a enfrentar a crise sob uma perspectiva dos trabalhadores. Como &eacute; uma unidade para construir um processo de luta &eacute; evidente que o crit&eacute;rio &eacute; que estejam aqueles que est&atilde;o a favor da luta. N&atilde;o cabe quem defende o governo ou acordos que favore&ccedil;am a patronal.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; burocracia esse tipo de unidade &eacute; imposs&iacute;vel, porque s&atilde;o governistas e defendem acordos anti-oper&aacute;rios com a patronal. Isso significa que nunca haver&aacute; unidade com a burocracia cutista, por exemplo? A possibilidade de unidade com setores da burocracia sindical &ndash; cutista ou da for&ccedil;a &ndash; existe, mas s&oacute; pode ocorrer nas lutas, ou seja, quando a burocracia estiver impulsionando ou participando de um processo de luta. Nesse caso seria uma unidade para a luta, para ajudar os trabalhadores na conquista de suas reivindica&ccedil;&otilde;es. O elemento central aqui s&atilde;o as mobiliza&ccedil;&otilde;es da classe, a&nbsp; necessidade da vit&oacute;ria das lutas dos trabalhadores. Trata-se de um momento muito espec&iacute;fico da luta de classes.<\/p>\n<p>Se essas centrais estivessem impulsionando um processo de luta ou inseridas nele, a discuss&atilde;o teria que ser encarada de outra maneira. Mas pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o &eacute; isso que est&aacute; acontecendo. N&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m que CUT e For&ccedil;a est&atilde;o completamente atreladas ao aparato estatal, que s&atilde;o base de sustenta&ccedil;&atilde;o do governo e que a pol&iacute;tica que essas centrais defendem est&aacute; no marco da defesa do capitalismo. Unidade de a&ccedil;&atilde;o se faz&nbsp; na luta ou para construir um processo de lutas. Os objetivos para uma unidade de a&ccedil;&atilde;o s&atilde;o muito bem definidos. E nesse momento n&atilde;o h&aacute; por parte das centrais governistas qualquer inten&ccedil;&atilde;o de impulsionar mobiliza&ccedil;&otilde;es contra a patronal e o governo.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel construir a unidade porque essas centrais est&atilde;o do outro lado da trincheira, est&atilde;o nas mesas de negocia&ccedil;&otilde;es com o governo e com a patronal para trair os trabalhadores, como foi o caso das negocia&ccedil;&otilde;es para manter a redu&ccedil;&atilde;o do IPI (mais dinheiro do Estado para as montadoras), que diga-se de passagem, ocorreram no mesmo dia 30\/03.<\/p>\n<p>Um tra&ccedil;o caracter&iacute;stico do momento hist&oacute;rico &eacute; que a CUT e as centrais pelegas extrapolaram o campo de classe. N&atilde;o s&atilde;o apenas centrais pelegas, mas est&atilde;o dentro do aparato estatal, est&atilde;o nos escrit&oacute;rios das grandes empresas, s&atilde;o gestoras do capital. Pontos fundamentais para as definirmos como centrais que, mesmo tendo um peso importante no movimento oper&aacute;rio, s&atilde;o contra os interesses hist&oacute;ricos dos trabalhadores. E hoje no Brasil, queiramos ou n&atilde;o, o fato &eacute; que essas centrais n&atilde;o est&atilde;o impulsionando nenhum processo de luta, muito pelo contr&aacute;rio, tem negociado direitos hist&oacute;ricos dos trabalhadores. N&atilde;o s&atilde;o poucos os exemplos. Acreditar que essas centrais fossem participar ativamente das mobiliza&ccedil;&otilde;es foi o grande equ&iacute;voco da dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da CONLUTAS<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol&iacute;tico, a incorpora&ccedil;&atilde;o dos setores da burocracia sindical fez com que os atos perdessem o seu car&aacute;ter de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo, ficando restritos a uma reivindica&ccedil;&atilde;o abstrata de que os trabalhadores n&atilde;o podem pagar pela crise. Um palavrat&oacute;rio que cabe em qualquer boca, at&eacute; mesmo na de Lula que, demagogicamente, j&aacute; disse que os trabalhadores dos pa&iacute;ses pobres n&atilde;o podem pagar pela crise porque ela foi provocada pelos pa&iacute;ses ricos. Por outro lado tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m que os trabalhadores j&aacute; est&atilde;o pagando pela crise com as milhares de demiss&otilde;es, com a redu&ccedil;&atilde;o de direitos e at&eacute; de sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o o giro que o PSTU teve que fazer para se adaptar &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos atos em conjunto com CUT&nbsp; e For&ccedil;a. Para viabilizar essa unidade, o PSTU teve que abrir m&atilde;o de uma postura mais cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao governo e &agrave;s centrais, passando de uma pol&iacute;tica correta de den&uacute;ncia tanto do governo quanto da dire&ccedil;&atilde;o dessas centrais como co-respons&aacute;veis pela retirada de direitos, para a vala comum das exig&ecirc;ncias do tipo de que o governo LULA deve editar uma medida provis&oacute;ria para a garantia de emprego. Ou mesmo a exig&ecirc;ncia de que a CUT deve ajudar a construir a&ccedil;&otilde;es de mobiliza&ccedil;&atilde;o contra o desemprego. Os companheiros t&ecirc;m o direito de defenderem a pol&iacute;tica que quiserem e at&eacute; de se iludirem com essa possibilidade, mas da&iacute; a jogar esse tipo de ilus&atilde;o para os trabalhadores &eacute; outra quest&atilde;o. A responsabilidade que o PSTU tem na CONLUTAS deve ser proporcional ao seu peso como dire&ccedil;&atilde;o da nossa central. Nos momentos em que se discute sa&iacute;das estrat&eacute;gicas para o mundo a responsabilidade dos revolucion&aacute;rios &eacute; redobrada, porque devem apresentar sa&iacute;das estruturais para a sociedade, ou seja, o socialismo e a revolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental dizer a verdade aos trabalhadores e nesse momento isso significa alertar o proletariado para o fato de que nem o governo vai defender os nossos empregos e nem muito menos a CUT vai contribuir com a luta contra um governo que eles tanto defendem. Se os trabalhadores t&ecirc;m essa ilus&atilde;o, o nosso dever &eacute; alert&aacute;-los e ajud&aacute;-los a superar essa consci&ecirc;ncia atrasada. N&atilde;o &eacute; uma ilus&atilde;o progressiva, pelo contr&aacute;rio, &eacute; uma ilus&atilde;o que vai lev&aacute;-los ao desemprego e a redu&ccedil;&atilde;o de seus direitos. Temos que alert&aacute;-los tanto em rela&ccedil;&atilde;o ao governo Lula quanto ao papel da CUT e das outras centrais pelegas.<\/p>\n<p>A forma como se realizaram os atos do dia 30\/03, al&eacute;m de fazer com que se perdesse o foco anti-governista, tamb&eacute;m permitiu a essas centrais pelegas, mesmo sem mover um s&oacute; dedo para construir a mobiliza&ccedil;&atilde;o, iludir os trabalhadores como se estivessem fazendo alguma coisa. Todos sabemos que as palavras n&atilde;o decidem nada na luta de classes, que s&oacute; servem para jogar ilus&atilde;o e enganar os trabalhadores. Esse &eacute; o caso do argumento dos companheiros de que o dia 30\/03 em conjunto permitia disputar a base dessas centrais. Nada mais falso! Primeiro porque, como j&aacute; dissemos, elas n&atilde;o mobilizaram os trabalhadores, nem sequer nos setores em que tem mais peso como dire&ccedil;&atilde;o. E segundo, porque essa disputa n&atilde;o ocorre em um s&oacute; dia, mas &eacute; no cotidiano e com uma pol&iacute;tica de oposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o trabalho de base, mostrando aos trabalhadores quem s&atilde;o essas centrais e esses dirigentes, que vai permitir que ganhemos os trabalhadores para o nosso lado.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel enfrentar a crise com lutas que tem dia marcado para terminar. Uma pr&aacute;tica recorrente de um setor do movimento tem sido a constru&ccedil;&atilde;o de dias de lutas, que s&atilde;o importantes, mas, sem serem parte de um calend&aacute;rio permanente de mobiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o prepara as lutas em seu conjunto e podem indicar para os trabalhadores que a luta terminou. &Eacute; o que ocorreu com o calend&aacute;rio votado em Bel&eacute;m: depois do dia 30\/03 o movimento n&atilde;o tem mais nenhuma atividade marcada. O pior &eacute; que a dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da CONLUTAS, em vez de continuar a impulsionar mobiliza&ccedil;&otilde;es, atos, encontros de base, retoma a exig&ecirc;ncia (ilus&oacute;ria) de que a CUT tem que continuar com esse processo de mobiliza&ccedil;&atilde;o. Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es do dia 30, n&atilde;o h&aacute; mais nada que sirva para orientar a vanguarda e os trabalhadores.<\/p>\n<p>Para n&oacute;s a organiza&ccedil;&atilde;o de um encontro nacional de trabalhadores e trabalhadoras &eacute; fundamental para construirmos um plano mais amplo de mobiliza&ccedil;&atilde;o que envolvesse organiza&ccedil;&atilde;o por local de trabalho, organiza&ccedil;&atilde;o por categoria, enfim um processo que fosse fortalecendo a constru&ccedil;&atilde;o de uma mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional dos trabalhadores contra o governo e a crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>O dia 30 de mar&ccedil;o, organizado pelas centrais sindicais governistas em conjunto com a Conlutas e a Intersindical, colocou uma s&eacute;rie de quest&otilde;es para a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das for&ccedil;as de esquerda frente a crise. <\/p>\n<p>A primeira delas e talvez a mais fundamental diz respeito a saber quem s&atilde;o nossos aliados nas lutas e inclusive saber qual o papel que cumpre cada uma das centrais sindicais do pa&iacute;s. O pr&oacute;prio processo de surgimento da CONLUTAS est&aacute; ligado a uma compreens&atilde;o de que a CUT e as demais centrais est&atilde;o perdidas para a luta de classes. Sua l&oacute;gica de inser&ccedil;&atilde;o no aparelho do Estado &eacute; t&atilde;o profunda que objetivamente n&atilde;o deixa sa&iacute;das para que se possa mudar essa situa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, a CUT est&aacute; em um situa&ccedil;&atilde;o tal que n&atilde;o se pode mais ter qualquer ilus&atilde;o de que ela possa ser recuperada para a luta. Da&iacute; a necessidade da constru&ccedil;&atilde;o da CONLUTAS. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o &eacute; inclusive confirmada na atualidade pelos sucessivos acordos que a CUT&nbsp; tem feito no sentido de retirar direitos dos trabalhadores. A CUT n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o mudou desde a cria&ccedil;&atilde;o da CONLUTAS, como piorou.<\/p>\n<p>A segunda quest&atilde;o &eacute; que a mudan&ccedil;a da data do dia 01\/04 (antes considerada sagrada a ponto de justificar a aus&ecirc;ncia do PSTU no Encontro de base do ABC) para o dia 30\/03 se deu por meio de um processo extremamente problem&aacute;tico. A consulta envolveu apenas as dire&ccedil;&otilde;es das entidades, sem que se tivesse tempo de fazer qualquer discuss&atilde;o com o conjunto dos trabalhadores. V&aacute;rias categorias j&aacute; estavam se preparando para o dia 01\/04, inclusive com material impresso e assembl&eacute;ias marcadas. A conseq&uuml;&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a foi de que, na pr&aacute;tica, significou uma desmobiliza&ccedil;&atilde;o para algumas categorias e terminou por desorientar um setor importante.<\/p>\n<p>A terceira diz respeito &agrave; unidade. Temos sido parte dos maiores defensores da unidade dos trabalhadores em geral e da esquerda em particular, considerando que a unidade &eacute; uma das condi&ccedil;&otilde;es para a vit&oacute;ria da classe trabalhadora. A unidade existe para a luta, para impulsionar os processos objetivos da classe trabalhadora, para que esta se sinta mais fortalecida e possa dar passos no sentido da ruptura com o governo e com as centrais sindicais pelegas. Defendemos a unidade com os setores que t&ecirc;m uma pol&iacute;tica de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo e&nbsp; a patronal, que se prop&otilde;em a enfrentar a crise sob uma perspectiva dos trabalhadores. Como &eacute; uma unidade para construir um processo de luta &eacute; evidente que o crit&eacute;rio &eacute; que estejam aqueles que est&atilde;o a favor da luta. 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Trata-se de um momento muito espec&iacute;fico da luta de classes.<\/p>\n<p>Se essas centrais estivessem impulsionando um processo de luta ou inseridas nele, a discuss&atilde;o teria que ser encarada de outra maneira. Mas pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o &eacute; isso que est&aacute; acontecendo. N&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m que CUT e For&ccedil;a est&atilde;o completamente atreladas ao aparato estatal, que s&atilde;o base de sustenta&ccedil;&atilde;o do governo e que a pol&iacute;tica que essas centrais defendem est&aacute; no marco da defesa do capitalismo. Unidade de a&ccedil;&atilde;o se faz&nbsp; na luta ou para construir um processo de lutas. Os objetivos para uma unidade de a&ccedil;&atilde;o s&atilde;o muito bem definidos. 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Pontos fundamentais para as definirmos como centrais que, mesmo tendo um peso importante no movimento oper&aacute;rio, s&atilde;o contra os interesses hist&oacute;ricos dos trabalhadores. E hoje no Brasil, queiramos ou n&atilde;o, o fato &eacute; que essas centrais n&atilde;o est&atilde;o impulsionando nenhum processo de luta, muito pelo contr&aacute;rio, tem negociado direitos hist&oacute;ricos dos trabalhadores. N&atilde;o s&atilde;o poucos os exemplos. Acreditar que essas centrais fossem participar ativamente das mobiliza&ccedil;&otilde;es foi o grande equ&iacute;voco da dire&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria da CONLUTAS<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol&iacute;tico, a incorpora&ccedil;&atilde;o dos setores da burocracia sindical fez com que os atos perdessem o seu car&aacute;ter de oposi&ccedil;&atilde;o ao governo, ficando restritos a uma reivindica&ccedil;&atilde;o abstrata de que os trabalhadores n&atilde;o podem pagar pela crise. Um palavrat&oacute;rio que cabe em qualquer boca, at&eacute; mesmo na de Lula que, demagogicamente, j&aacute; disse que os trabalhadores dos pa&iacute;ses pobres n&atilde;o podem pagar pela crise porque ela foi provocada pelos pa&iacute;ses ricos. Por outro lado tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m que os trabalhadores j&aacute; est&atilde;o pagando pela crise com as milhares de demiss&otilde;es, com a redu&ccedil;&atilde;o de direitos e at&eacute; de sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o o giro que o PSTU teve que fazer para se adaptar &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o dos atos em conjunto com CUT&nbsp; e For&ccedil;a. 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Nos momentos em que se discute sa&iacute;das estrat&eacute;gicas para o mundo a responsabilidade dos revolucion&aacute;rios &eacute; redobrada, porque devem apresentar sa&iacute;das estruturais para a sociedade, ou seja, o socialismo e a revolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; fundamental dizer a verdade aos trabalhadores e nesse momento isso significa alertar o proletariado para o fato de que nem o governo vai defender os nossos empregos e nem muito menos a CUT vai contribuir com a luta contra um governo que eles tanto defendem. Se os trabalhadores t&ecirc;m essa ilus&atilde;o, o nosso dever &eacute; alert&aacute;-los e ajud&aacute;-los a superar essa consci&ecirc;ncia atrasada. N&atilde;o &eacute; uma ilus&atilde;o progressiva, pelo contr&aacute;rio, &eacute; uma ilus&atilde;o que vai lev&aacute;-los ao desemprego e a redu&ccedil;&atilde;o de seus direitos. 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E segundo, porque essa disputa n&atilde;o ocorre em um s&oacute; dia, mas &eacute; no cotidiano e com uma pol&iacute;tica de oposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o trabalho de base, mostrando aos trabalhadores quem s&atilde;o essas centrais e esses dirigentes, que vai permitir que ganhemos os trabalhadores para o nosso lado.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel enfrentar a crise com lutas que tem dia marcado para terminar. Uma pr&aacute;tica recorrente de um setor do movimento tem sido a constru&ccedil;&atilde;o de dias de lutas, que s&atilde;o importantes, mas, sem serem parte de um calend&aacute;rio permanente de mobiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o prepara as lutas em seu conjunto e podem indicar para os trabalhadores que a luta terminou. &Eacute; o que ocorreu com o calend&aacute;rio votado em Bel&eacute;m: depois do dia 30\/03 o movimento n&atilde;o tem mais nenhuma atividade marcada. 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