{"id":1692,"date":"2013-02-21T01:37:54","date_gmt":"2013-02-21T04:37:54","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1692"},"modified":"2018-06-01T16:05:04","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:04","slug":"jornal-55-fevereiro-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/02\/jornal-55-fevereiro-de-2013\/","title":{"rendered":"Jornal 55: Fevereiro\/Mar\u00e7o de 2013"},"content":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o em PDF:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_55.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" name=\"indice\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1690 alignnone\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_55-207x300.jpg\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_55-207x300.jpg 207w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Jornal_ES_55.jpg 508w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"#titulo1\">Por tr\u00e1s da fantasia, a realidade come\u00e7a a aparecer<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">O acordo entre os trabalhadores e a General Motors: a cr\u00f4nica de uma derrota anunciada<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Grandes capitais do pa\u00eds s\u00e3o amostra do projeto da burguesia para o espa\u00e7o urbano<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">A fun\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico e o aumento da tarifa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">A mulher trabalhadora em tempos de crise econ\u00f4mica<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">A inger\u00eancia empresarial na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e os ataques \u00e0 estabilidade dos professores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">Reforma agr\u00e1ria fica em \u00faltimo plano no governo Dilma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo8\">O segundo mandato de Obama e as perspectivas para o capitalismo mundial<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Por tr\u00e1s da fantasia, a realidade come\u00e7a a aparecer<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A profundidade da crise econ\u00f4mica mundial e seu impacto no Brasil revelam-se pela dimens\u00e3o das medidas que os governos federal, estaduais e municipais v\u00eam tomando para retomar o crescimento com a lucratividade exigida pelo capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que aparentem ser em benef\u00edcio de todos, essas medidas representam enorme custo financeiro e social que ser\u00e3o jogados cada vez mais sobre as costas dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&#8211; As isen\u00e7\u00f5es fiscais para as empresas<\/b> reduzem a arrecada\u00e7\u00e3o fixa do Estado, prejudicando ainda mais os investimentos na manuten\u00e7\u00e3o de hospitais, postos de sa\u00fade, escolas, creches, etc. Os pre\u00e7os nunca baixam na propor\u00e7\u00e3o dos cortes de impostos e, com a infla\u00e7\u00e3o crescente, logo voltam ao que eram. Al\u00e9m disso, as isen\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias tornam-se definitivas, demonstrando que o objetivo real dessa medida \u00e9 aumentar a lucratividade do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&#8211; Com a desonera\u00e7\u00e3o sobre a folha de pagamentos<\/b>,as empresas reduzem drasticamente sua contribui\u00e7\u00e3o para o INSS para apenas 1% sobre o seu faturamento, reduzindo a arrecada\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia P\u00fablica e aumentando a press\u00e3o pela Reforma da Previd\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com as desonera\u00e7\u00f5es, em 2013 o estado abrir\u00e1 m\u00e3o de arrecadar pelo menos R$ 85 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa perda de arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 compensada pelo aumento dos impostos dos trabalhadores, precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, menor reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo e das pens\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&#8211; Dinheiro \u00e0 vontade para as empresas, atrav\u00e9s do BNDES<\/b> (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social), com juros praticamente zero e prazos quase infinitos. O mesmo dinheiro que o governo diz n\u00e3o ter para melhorar os servi\u00e7os sociais, vai aos bilh\u00f5es para o caixa das empresas. Em 2012, esse valor j\u00e1 atingiu a marca hist\u00f3rica de R$ 156 bilh\u00f5es. Mas para 2013 ser\u00e3o R$ 260,1 bilh\u00f5es! Esse dinheiro \u00e9 investido em novas instala\u00e7\u00f5es e m\u00e1quinas que as empresas utilizam para chantagear os trabalhadores, amea\u00e7ando se mudar, e para cortar postos de trabalho utilizando as novas tecnologias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do ano passado, Dilma lan\u00e7ou um pacote de R$ 133 bilh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o e reforma de rodovias e ferrovias. Outro pacote de R$ 44 bilh\u00f5es foi lan\u00e7ado para o setor de portos e aeroportos. Mas engana-se quem pensa que o empresariado vai desembolsar esse montante. O BNDES vai financiar at\u00e9 80% do investimento. As empresas ficam com a parte mais interessante dessa \u201cparceria\u201d. Elas ir\u00e3o cobrar o ped\u00e1gio e as tarifas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dilma direcionou mais R$ 115 bilh\u00f5es para o agroneg\u00f3cio na safra 2012\/13 e prometeu: <i>&#8220;Se gastarem o dinheiro, ter\u00e1 mais. O que gastarem, n\u00f3s cobrimos.\u201d <\/i>Para a agricultura familiar, um valor bem menor: R$ 18 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <strong>Redu\u00e7\u00e3o da conta de Luz<\/strong>: para os trabalhadores, 18,5%; para as empresas, 36%!\u00a0 Essa medida visa diminuir custos das empresas e incentivar o consumo de energia pela classe m\u00e9dia e trabalhadores, com a compra de eletroeletr\u00f4nicos no cr\u00e9dito. Com isso, todas as termel\u00e9tricas que est\u00e3o ligadas dever\u00e3o continuar operando. O funcionamento dessas usinas \u00e9 bem mais caro e poluente, aumentando de novo a tarifa e provocando o desequil\u00edbrio ambiental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>&#8211; Endividamento geral: <\/b>em primeiro lugar \u00e9 o governo que recorre ao endividamento para desembolsar a maior parte da montanha de dinheiro que direciona para o empresariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A D\u00edvida P\u00fablica (interna + externa) cresce sem parar, ultrapassando os 3,2 trilh\u00f5es de reais (74% do PIB). S\u00f3 em 2012, foram gastos R$ 739 bilh\u00f5es com juros e amortiza\u00e7\u00f5es, quase metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o! (<a href=\"www.auditoriacidadadadivida.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.<i>auditoriacidadadadivida.org.br<\/i><\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A queda dos juros teve o objetivo de permitir n\u00e3o que os trabalhadores e a classe m\u00e9dia pudessem saudar suas d\u00edvidas, mas que se endividassem ainda mais. O intuito era retomar a procura pelo cr\u00e9dito. O resultado \u00e9 que o endividamento, que era de 49% do PIB em 2011, passou a 53,5% em 2012, ou R$ 2,36 trilh\u00f5es!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, a inadimpl\u00eancia voltou a subir, revelando que as fam\u00edlias j\u00e1 est\u00e3o com seus sal\u00e1rios em grande parte comprometidos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Quem vai pagar toda essa fatura?<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os servi\u00e7os p\u00fablicos e seus trabalhadores s\u00e3o diretamente afetados com os contingenciamentos e cortes de recursos, implanta\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica privada no setor p\u00fablico com a divis\u00e3o e individualiza\u00e7\u00e3o dos problemas, cobran\u00e7a atrav\u00e9s da pol\u00edtica de meritocracia, b\u00f4nus, avalia\u00e7\u00f5es individuais, aumento do ass\u00e9dio moral, etc. O objetivo \u00e9 questionar a pr\u00f3pria estabilidade de emprego para quebrar a resist\u00eancia desses trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte dessa situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-investimento nas \u00e1reas sociais se expressa na pol\u00edtica de \u201chigieniza\u00e7\u00e3o social\u201d, com a interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria nas grandes cidades, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com\u00a0 tratamento real e com os problemas sociais que levam \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo, os conflitos voltam a se acirrar, pois o agroneg\u00f3cio e os grandes fazendeiros querem se apossar de terras hist\u00f3ricas de camponeses e povos ind\u00edgenas, como os Guarani-Kaiow\u00e1 e os Xavante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os movimentos contra o aumento das passagens de \u00f4nibus, com atos importantes no ABCDMR e em outras cidades, s\u00e3o outra express\u00e3o das lutas j\u00e1 neste in\u00edcio de ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Ataques ao proletariado industrial<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A burguesia da ind\u00fastria acendeu o sinal amarelo, com a queda de 2,7% da produ\u00e7\u00e3o em 2012, a maior retra\u00e7\u00e3o desde 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capital quer ganhos substanciais, que possa manter mesmo com a redu\u00e7\u00e3o das vendas. Quer lucrar mais por unidade produzida, e isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se impuser novas e maiores explora\u00e7\u00f5es frente ao trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As empresas j\u00e1 est\u00e3o agindo com a reestrutura\u00e7\u00e3o de suas unidades, fechamento de algumas empresas e setores,demiss\u00f5es como na GM de S\u00e3o Jos\u00e9, Vulcabr\u00e1s na Bahia, Mangels no ABC, e Caterpilar, com press\u00e3o direta pelo rebaixamento dos direitos, sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta de <b>Acordo Coletivo Especial<\/b> visa flexibilizar os direitos, sob a cl\u00e1usula de que <i>o negociado prevalecer\u00e1 sobre o legislado<\/i>. Com isso, apenas os trabalhadores de algumas empresas e setores conseguir\u00e3o melhorar ou manter suas condi\u00e7\u00f5es. A grande maioria ficar\u00e1 sujeita \u00e0s amea\u00e7as da patronal. Essa ser\u00e1 umas das principais lutas deste ano. Outro ataque que est\u00e1 em estudos no governo e no Congresso \u00e9 a <b>Reforma da Previd\u00eancia<\/b>.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>PT e PSDB disputam a hegemonia, mas agem em sintonia<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PT e PSDB, com seus respectivos blocos, criticam-se em p\u00fablico, mas agem juntos nos bastidores. A parceria implica divis\u00e3o de tarefas e ent\u00e3o cada qual faz sua parte: o bloco do PT, PMDB, PSB, PC do B, etc, administra o governo federal, e o do PSDB, DEM, PPS, etc, administra os estados mais importantes. O PSDB apresenta as cr\u00edticas e os limites das medidas do governo Dilma do ponto de vista burgu\u00eas, e o PT se apresenta como melhor gestor para o capital e principalmente para conter as lutas. As diferen\u00e7as entre PT e PSDB e seus blocos correspondentes limitam-se \u00e0s formas, media\u00e7\u00f5es e ritmos na implanta\u00e7\u00e3o de um projeto maior com o qual ambos t\u00eam acordo: o projeto do capital.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>\u00c9 preciso impulsionar as lutas e apresentar uma Alternativa Socialista!<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos diante do aprofundamento de uma ofensiva do capital que \u00e9 econ\u00f4mica, pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e cultural, e que come\u00e7a a se mostrar de forma cada vez mais contundente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, como levantar as discuss\u00f5es pol\u00edticas e mobiliza\u00e7\u00f5es com todo um clima de aliena\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 Copa das Confedera\u00e7\u00f5es e Copa do Mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta deve ser buscada na pr\u00f3pria realidade. A tend\u00eancia neste in\u00edcio de ano \u00e9 de lutas ainda parciais, e por quest\u00f5es imediatas. J\u00e1 no decorrer do ano, a<b> luta contra o ACE e contra a Reforma da Previd\u00eancia,<\/b> assim como as campanhas salariais de categorias importantes, podem criar condi\u00e7\u00f5es para uma centraliza\u00e7\u00e3o das lutas diretamente contra o governo e o projeto geral da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso impulsionar e procurar unir as lutas que surjam, ao mesmo tempo denunciando e explicando a l\u00f3gica maior do sistema capitalista e das medidas do governo, como causadoras tanto dos problemas sociais quanto dos ataques que se intensificam, apontando propostas que v\u00e3o no sentido de romper com essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dificuldades postas pela aliena\u00e7\u00e3o existente e o alto \u00edndice de popularidade do governo Dilma n\u00e3o nos deve levar a rebaixar o discurso, o programa e as pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem essa interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica-ideol\u00f3gica socialista, enraizada nas estruturas e nas lutas, qualificada no discurso e nas propostas, n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda real para nenhum dos principais problemas atuais. \u00c9 preciso enfrentar a propaganda oficial e o clima de euforia fabricado pela m\u00eddia para denunciar e demonstrar que a crise n\u00e3o foi resolvida, apenas camuflada, e que a aparente bonan\u00e7a vai cobrar seu pre\u00e7o com ataques aos empregos mais est\u00e1veis, aos direitos trabalhistas, \u00e0 aposentadoria e aos servi\u00e7os sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode cair na tenta\u00e7\u00e3o de passar a defender solu\u00e7\u00f5es rebaixadas e dentro da l\u00f3gica e dos interesses da burguesia, como tem feito cada vez mais o PSOL e como come\u00e7a a fazer tamb\u00e9m o PSTU (ver mat\u00e9ria sobre o acordo da GM nesta edi\u00e7\u00e3o e o balan\u00e7o sobre as elei\u00e7\u00f5es em espacosocialista.org).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lidar com as quest\u00f5es sindicais e pol\u00edticas de forma superficial, sem combin\u00e1-las com a luta pelo desenvolvimento da consci\u00eancia socialista dos trabalhadores, na hora em que os desafios se mostram estruturais, essas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o se adaptando a propostas por dentro da l\u00f3gica do sistema. Abrem m\u00e3o do combate ideol\u00f3gico-pr\u00e1tico junto \u00e0 classe trabalhadora, deixando de real\u00e7ar que os problemas que enfrentamos s\u00f3 podem ser resolvidos se a classe trabalhadora desenvolver suas lutas, consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o, no sentido da ruptura com a l\u00f3gica do lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos ativistas que possuam essa preocupa\u00e7\u00e3o de fazer surgir esse diferencial a partir dos fatos e das lutas concretas, por menores que sejam, chamamos a atuarmos juntos para impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o de base nos locais de trabalho, nas universidades, locais de moradia, etc., e buscar fazer avan\u00e7ar a consci\u00eancia maior da necessidade da ruptura com a l\u00f3gica do capital e do lucro, rumo a um poder dos trabalhadores e a um sistema social que utilize as modernas tecnologias, n\u00e3o a servi\u00e7o de gerar lucro e destrui\u00e7\u00e3o, mas para atender \u00e0s necessidades humanas decididas coletivamente.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h2>O acordo entre os trabalhadores e a General Motors: a cr\u00f4nica de uma derrota anunciada.<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/mancha.moan_.jpg\" alt=\"mancha.moan\" width=\"346\" height=\"260\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas lutas sociais, imposs\u00edvel \u00e9 n\u00e3o conviver com o risco de derrotas. Muitos fatores podem contribuir para que ocorram. \u00c9 uma amea\u00e7a constante.\u00a0 Mas, muitas vezes, a pol\u00edtica adotada por quem luta antecipa derrotas que at\u00e9 poderiam ter sido evitadas ou mesmo deixa de contribuir com avan\u00e7os de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. \u00c9 o caso do recente acordo que o sindicato dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, hegemonizado pelo PSTU, negociou com a fabricante de autom\u00f3veis General Motors (GM).<\/p>\n<p>\u00a0Com consequ\u00eancias na luta de classes em n\u00edvel nacional, a realiza\u00e7\u00e3o do acordo, al\u00e9m de aceitar demiss\u00f5es, banco de horas e redu\u00e7\u00e3o do piso para os trabalhadores da GM, tamb\u00e9m coloca uma p\u00e1 de cal na possibilidade de que a CSP Conlutas possa, de fato, servir de refer\u00eancia para o conjunto da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se apresenta \u00e9: diante de novos ataques da patronal (e vir\u00e3o muitos&#8230;) para onde olhar? Assim, o acordo n\u00e3o representa nenhuma vit\u00f3ria, mas sim uma importante derrota com consequ\u00eancias sociais e pol\u00edticas de alcance nacional porque retirou da cena pol\u00edtica nacional uma trincheira de combate aos planos da patronal.<\/p>\n<p>Pelas consequ\u00eancias, podemos dizer sem d\u00favida que esse acordo representa uma das maiores derrotas dos trabalhadores dos \u00faltimos tempos. Essa \u00e9 a raz\u00e3o da necessidade de um balan\u00e7o profundo tirando as li\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias desse acontecimento. Corrigir a rota que o PSTU quer dar \u00e0 CSP Conlutas coloca-se como uma das tarefas centrais para o pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Vit\u00f3ria? E as demiss\u00f5es, o banco de horas, a redu\u00e7\u00e3o do piso&#8230;?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto <i>Acordo na GM evita fechamento de f\u00e1brica, mas a luta contra os ataques continua<\/i>, publicado no site do PSTU, que trata do balan\u00e7o do acordo, n\u00e3o somente revela o desastre de uma pol\u00edtica como tamb\u00e9m demonstra o pouco caso que essa corrente fez com as demiss\u00f5es. S\u00e3o centenas de trabalhadores que v\u00e3o ser demitidos e a dire\u00e7\u00e3o diz que poderia ter sido pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao contr\u00e1rio do defendido pela dire\u00e7\u00e3o do sindicato, pensamos que a conclus\u00e3o mais importante deste processo n\u00e3o \u00e9 que o acordo evita o fechamento da f\u00e1brica, mas que a empresa conseguiu avan\u00e7ar em seus planos e \u201cter mais competitividade\u201d. E isso tem outro nome: derrota para os trabalhadores. Vejamos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; O acordo de fato n\u00e3o garante o emprego dos trabalhadores. Ap\u00f3s dois meses (quando encerra o <i>layoff<\/i>) 750 trabalhadores poder\u00e3o ser demitidos, 300 j\u00e1 aderiram ao PDV (demiss\u00e3o volunt\u00e1ria com maior incentivo financeiro) e os demais tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam garantia de que continuar\u00e3o empregados, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 estabilidade de emprego, mas t\u00e3o somente \u201cgarantia do n\u00edvel de emprego\u201d, ou seja, a empresa pode demitir e contratar outro com sal\u00e1rio menor.<\/p>\n<p>\u00a0&#8211; Redu\u00e7\u00e3o do piso: mesmo com a promessa de [&#8230;] \u201cSer\u00e3o estabelecidas formas de evitar que os antigos funcion\u00e1rios sejam substitu\u00eddos por novos\u201d, o acordo tamb\u00e9m prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o do piso salarial na f\u00e1brica para R$ 1.800. Essa cl\u00e1usula tem nome e sobrenome: redu\u00e7\u00e3o salarial. Nunca \u00e9 demais recordar que n\u00e3o h\u00e1 estabilidade no emprego, de maneira que as portas se abriram para a empresa ativar a rotatividade de empregados, demitindo os que ganham mais por trabalhadores com piso salarial menor. Ou seja, nesse ponto, o acordo cria as bases legais para a empresa impor a redu\u00e7\u00e3o salarial para o conjunto da f\u00e1brica.<\/p>\n<p>&#8211; Sobre a perman\u00eancia da f\u00e1brica em S\u00e3o Jos\u00e9: O PSTU apresenta como o fato mais importante o n\u00e3o fechamento da f\u00e1brica em S\u00e3o Jos\u00e9. Como dissemos acima, essa conclus\u00e3o, na verdade, s\u00f3 existe para esconder que a dire\u00e7\u00e3o do sindicato assinou um acordo que prev\u00ea demiss\u00f5es. O resultado da negocia\u00e7\u00e3o foi vantajoso para a GM, que, com o acordo, conseguiu impor v\u00e1rias medidas, como hora extra e banco de horas (que na pr\u00e1tica significa o aumento da jornada de trabalho), a redu\u00e7\u00e3o salarial e mais liberdade para a empresa garantir maior rotatividade da for\u00e7a de trabalho (que leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do seu valor). Isso quer dizer que haver\u00e1 aumento da intensifica\u00e7\u00e3o do ritmo de trabalho, ou seja, aumento de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Tamb\u00e9m se \u201ccomemorou\u201d o fato de a empresa ter garantido investir R$ 500 milh\u00f5es direcionados a algumas \u00e1reas da planta de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos nos pr\u00f3ximos cinco anos e tamb\u00e9m que a GM se compromete a negociar, em primeiro lugar, com o Sindicato, caso haja projeto de investimento em um novo ve\u00edculo no Brasil.\u00a0N\u00e3o pode ser que um sindicato dirigido pela esquerda afirme que \u00e9 vit\u00f3ria de uma luta a garantia de investimento na planta de produ\u00e7\u00e3o, independente do que possa acontecer com os trabalhadores de outras plantas, inclusive no Brasil. Tanto pelo significado de o sindicato estar \u201cparticipando\u201d da gest\u00e3o do capital quanto pelas pr\u00f3prias consequ\u00eancias do \u201cinvestimento\u201d na sociedade capitalista. Uma empresa quando diz investir significa substitui\u00e7\u00e3o do trabalho vivo (humano) pelo trabalho morto (m\u00e1quinas), ou seja, invariavelmente representa redu\u00e7\u00e3o de postos de trabalho.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico das corpora\u00e7\u00f5es automobil\u00edsticas, a tend\u00eancia desde os anos 90 \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o do mesmo padr\u00e3o tecnol\u00f3gico e organizacional em todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Foi o m\u00e1ximo?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta de classes a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 secund\u00e1ria. \u00c9 decisiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passeatas pelo centro da cidade, exig\u00eancias ao prefeito, ao governador, \u00e0 Presidente e outras a\u00e7\u00f5es com certeza devem fazer parte de toda luta, mas desde que estejam subordinadas \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores contra a patronal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<i>\u201cFoi o acordo poss\u00edvel, nas condi\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7as existentes\u201d [&#8230;] \u201cFoi o m\u00e1ximo a que conseguimos chegar\u201d.<\/i> Deixando de lado o conformismo do autor e reconhecendo que h\u00e1 uma conjuntura dif\u00edcil para a classe trabalhadora, a principal li\u00e7\u00e3o que temos desse processo \u00e9 a necessidade de as lutas serem cada vez mais radicalizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0N\u00e3o \u00e9 verdade dizer que esse acordo foi \u201co poss\u00edvel\u201d, pois n\u00e3o foram experimentadas todas as t\u00e1ticas poss\u00edveis de resist\u00eancia, como acampamento na porta da empresa, <b>uma ampla campanha na base de todas as categorias <\/b>(a dire\u00e7\u00e3o se limitou a realizar uma campanha pelas entidades), organizar as demais f\u00e1bricas da base, etc. A pol\u00edtica adotada n\u00e3o era suficiente para enfrentar um desafio desse porte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Essa derrota n\u00e3o come\u00e7ou agora. O acordo de agosto de 2012 com a GM (que implementava o <i>layoff<\/i> at\u00e9 novembro e depois prorrogado at\u00e9 janeiro de 2013), apontado pelo PSTU como vitorioso, j\u00e1 trazia elementos da derrota que estava se desenhando e que se consolidou agora. N\u00e3o era dif\u00edcil perceber que a pol\u00edtica do PSTU levava a um beco sem sa\u00edda. Diz\u00edamos \u00e0quela \u00e9poca: \u201cPortanto, n\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria alguma nesse acordo, nem mesmo parcial! Vit\u00f3ria seria uma suspens\u00e3o pura e simples das demiss\u00f5es, mas o conte\u00fado do acordo \u00e9 bem diferente. Na pr\u00e1tica ele viabiliza as demiss\u00f5es, mesmo que de forma mais mediada\u201d (<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=351\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/espacosocialista.org\/<wbr \/>portal\/?p=351<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Argumentar que os \u201ctrabalhadores perceberam que foram at\u00e9 o limite de suas for\u00e7as\u201d e que o \u201cacordo teve a aprova\u00e7\u00e3o de mais de 95% das assembleias\u201d \u00e9 se eximir da responsabilidade de dire\u00e7\u00e3o. Com a dire\u00e7\u00e3o do sindicato, oposi\u00e7\u00e3o (ligada \u00e0 CUT e CTB), imprensa e empresa defendendo o acordo, como se poderia esperar que os trabalhadores votassem contra o acordo? A dire\u00e7\u00e3o do sindicato j\u00e1 saiu das negocia\u00e7\u00f5es de 26 de janeiro, mesmo sem a assembleia ter acontecido, comprometida com a GM e defendendo o \u201cacordo poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta pol\u00edtica, o problema n\u00e3o \u00e9 somente a derrota, mas tamb\u00e9m o que se fez para chegar at\u00e9 ela. \u00c9 isso que se cobra. Essa derrota \u00e9 resultado de uma pol\u00edtica que n\u00e3o se prop\u00f4s a enfrentar o problema em suas causas estruturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao justificar a aceita\u00e7\u00e3o desse p\u00e9ssimo acordo com a \u201cconsci\u00eancia dos trabalhadores\u201d, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato tenta se eximir de sua responsabilidade. Ora, poderia ao menos dizer que <i>\u201co partido n\u00e3o teve \u00eaxito em organizar os trabalhadores para essa luta&#8230;\u201d<\/i>. Seria mais honesto com os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Uma pol\u00edtica correta n\u00e3o necessariamente leva \u00e0 vit\u00f3ria, mas uma pol\u00edtica equivocada, com certeza, conduz a esse destino. E, no caso de S\u00e3o Jos\u00e9, o m\u00e1ximo que se poderia conseguir com a pol\u00edtica adotada era mesmo uma derrota desse porte. Na reuni\u00e3o de julho da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional da CSP Conlutas, propomos \u2013 e fomos derrotados pela dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da central \u2013 uma resolu\u00e7\u00e3o para iniciar j\u00e1 naquele momento uma ampla campanha contra a amea\u00e7a de demiss\u00f5es.<\/p>\n<h3><b>A falta do trabalho ideol\u00f3gico<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra quest\u00e3o importante \u00e9 a tentativa da dire\u00e7\u00e3o do sindicato se isentar de \u201cculpa\u201d no que diz respeito \u00e0 consci\u00eancia dos trabalhadores. Pelo texto, a conclus\u00e3o que se quer passar \u00e9 que o sindicato fez de tudo, mas a consci\u00eancia dos trabalhadores n\u00e3o permitiu que se avan\u00e7asse na luta e barrasse as demiss\u00f5es. Ou seja, o problema em S\u00e3o Jos\u00e9 n\u00e3o tem a ver com o papel da dire\u00e7\u00e3o do sindicato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00c9 muito prov\u00e1vel que os trabalhadores da GM realmente n\u00e3o tenham se convencido da necessidade de lutar contra as demiss\u00f5es. Mas as ideias da classe trabalhadora nascem do nada? O que deu causa a essa consci\u00eancia? A rela\u00e7\u00e3o da base dos trabalhadores da GM com a dire\u00e7\u00e3o do sindicato n\u00e3o \u00e9 das melhores j\u00e1 h\u00e1 algum tempo (na elei\u00e7\u00e3o sindical a chapa da diretoria perdeu de 60% a 40%), n\u00e3o vendo naquele tipo de atua\u00e7\u00e3o a capacidade necess\u00e1ria para enfrentar o tamanho do projeto da GM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O elevado n\u00famero de trabalhadores que aderiram ao PDV \u00e9 somente mais uma demonstra\u00e7\u00e3o da falta de confian\u00e7a dos trabalhadores em sua dire\u00e7\u00e3o. Ao n\u00e3o confiarem na revers\u00e3o das demiss\u00f5es, muitos trabalhadores procuraram alguma vantagem na demiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O fato de a maioria dos trabalhadores da GM aceitarem a pol\u00edtica da empresa n\u00e3o \u00e9 porque s\u00e3o idiotas, mas porque a empresa os ganhou ideologicamente. Para isso contribui, entre outros fatores, um sindicalismo que se recusa a fazer um forte trabalho de propaganda ideol\u00f3gica, se limitando a uma interven\u00e7\u00e3o que responde somente \u00e0s quest\u00f5es imediatas e com um discurso imediatista e politicista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0J\u00e1 h\u00e1 algum tempo, temos defendido na CSP Conlutas a necessidade de termos como centro de sua atua\u00e7\u00e3o um forte trabalho pol\u00edtico-ideol\u00f3gico sobre a classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A atual configura\u00e7\u00e3o do capital (crise estrutural e a mundializa\u00e7\u00e3o) faz com que cada luta tenha repercuss\u00e3o para al\u00e9m da pr\u00f3pria localidade. Assim, a luta contra o desemprego em S\u00e3o Jos\u00e9 dos campos, em \u00faltima inst\u00e2ncia, diz respeito \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da taxa de lucro praticada naquela unidade, ou seja, n\u00e3o estava em jogo somente os postos de trabalho. Essa \u00e9 a caracter\u00edstica das lutas no setor produtivo de conjunto e n\u00e3o somente na GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, o que implica que cada luta, por mais parcial que possa parecer, adquire, cada vez mais, um car\u00e1ter estrat\u00e9gico. Reconhecer essa quest\u00e3o \u00e9 importante porque tem influ\u00eancia na pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Ao n\u00e3o se apresentar uma sa\u00edda global e totalizante, o sindicato n\u00e3o consegue dar seguran\u00e7a e confian\u00e7a \u00e0 classe para enfrentar uma grande corpora\u00e7\u00e3o como a GM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A pol\u00edtica de exig\u00eancias de que Dilma proibisse as demiss\u00f5es (editando uma medida provis\u00f3ria) tamb\u00e9m representou um limite importante ao desenvolvimento de uma luta mais radicalizada e com m\u00e9todos da luta direta.\u00a0 Uma pol\u00edtica que joga ilus\u00f5es de que as demiss\u00f5es podem ser revertidas por outra forma que n\u00e3o a luta \u00e9 uma forma de capitula\u00e7\u00e3o ao governo e \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia atrasada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A nosso ver \u00e9 preciso impulsionar uma pol\u00edtica de den\u00fancia e contraposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, pol\u00edtica e ideol\u00f3gica ao projeto (apoiado pela GM), que o governo Dilma representa. Esse governo n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o de ajudar os trabalhadores e sim os patr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Essa tarefa tem sido negligenciada pelo PSTU, a for\u00e7a majorit\u00e1ria do sindicato e da nossa Central. Essa campanha permanente de contraposi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ao projeto do capital para o pa\u00eds, e n\u00e3o apenas aos seus efeitos, deve se ligar \u00e0 necessidade de que os trabalhadores tamb\u00e9m apontem um projeto alternativo que se baseie na ruptura com a l\u00f3gica capitalista de explora\u00e7\u00e3o e com as institui\u00e7\u00f5es que a sustentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A quest\u00e3o do trabalho pol\u00edtico-ideol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 algo secund\u00e1rio na atividade dos revolucion\u00e1rios dentro dos sindicatos, \u00e9, pelo contr\u00e1rio, decisiva. L\u00eanin, na sua luta contra os economicistas, em <i>O que fazer?<\/i>, \u00e9 preciso quando afirma que \u201c<i>A social-democracia dirige a luta da classe oper\u00e1ria, n\u00e3o apenas para obter condi\u00e7\u00f5es vantajosas na venda da for\u00e7a de trabalho, mas tamb\u00e9m pela aboli\u00e7\u00e3o da ordem social que obriga os n\u00e3o possuidores a se venderem aos ricos\u201d \u00a0<\/i>(<a href=\"http:\/\/www.marxists.org\/portugues\/lenin\/1902\/quefazer\/cap03.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cap\u00edtulo 3, se\u00e7\u00e3o a<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0E isso somente ocorre se no trabalho cotidiano dos sindicatos e no movimento social de conjunto houver uma luta ideol\u00f3gica que relacione cada fato cotidiano \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista, denunciando o governo que a sustenta, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em tempos de profunda crise de alternativas socialistas, o trabalho pol\u00edtico-ideol\u00f3gico torna-se mais que obriga\u00e7\u00e3o, devendo \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias impulsionar o desenvolvimento de uma consci\u00eancia anticapitalista e socialista.<\/p>\n<h3><b>Mais uma vez a quest\u00e3o do programa<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nenhuma luta ideol\u00f3gica segue sem um programa. O programa de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um texto feito de frases pomposas, mas sim um guia para a a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, para responder aos desafios concretos da realidade. Por isso a import\u00e2ncia de t\u00ea-lo em conta nessa discuss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando surgiu a crise dos empregos na GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a dire\u00e7\u00e3o do sindicato apresentou como proposta \u201cpara garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho na f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: produ\u00e7\u00e3o integral do Classic na planta local; nacionaliza\u00e7\u00e3o do Sonic, que \u00e9 importado da Cor\u00e9ia do Sul e volta da produ\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es\u201d.\u00a0 Todas as propostas no marco de como administrar o capital. Todas <b>dentro dos marcos da gest\u00e3o do capital, uma das muitas formas de o capital manter a sua lucratividade.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que a empresa aceitasse \u201cessas sugest\u00f5es\u201d, o desemprego n\u00e3o estaria resolvido, no m\u00e1ximo adiado, pois o desemprego n\u00e3o acontece somente porque a empresa quer manter a sua lucratividade, mas \u00e9 principalmente resultado da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva em andamento no parque industrial brasileiro. Essa reestrutura\u00e7\u00e3o engloba novas tecnologias (robotiza\u00e7\u00e3o, novas m\u00e1quinas) que substituem a for\u00e7a de trabalho humana e novas formas de gerenciamento da produ\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m eliminam postos de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, portanto, um processo estrutural que n\u00e3o ser\u00e1 estancado se n\u00e3o for por meio de conquistas que atinjam a base desse projeto da burguesia e que por sua vez somente podem ser alcan\u00e7adas com uma pol\u00edtica que responda ao problema tamb\u00e9m estruturalmente. No caso da GM, ao aceitar as demiss\u00f5es, tamb\u00e9m estabeleceu um par\u00e2metro para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 t\u00ednhamos polemizado sobre o grave desvio que representava essa pol\u00edtica, pois de fato n\u00e3o resolve o problema da classe trabalhadora. Por isso, \u00e9 preciso um programa revolucion\u00e1rio para enfrentar o desemprego e a GM: redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio, abertura da contabilidade da empresa, em caso de implementar as demiss\u00f5es estatizar a empresa (sem indeniza\u00e7\u00e3o), colocando-a a servi\u00e7o das necessidades da popula\u00e7\u00e3o em geral, com a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos para transporte coletivo, m\u00e1quinas agr\u00edcolas e outros bens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Grandes capitais do pa\u00eds s\u00e3o amostra do projeto da burguesia para o espa\u00e7o urbano<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A disputa pelo espa\u00e7o urbano antes subaproveitado pelo lucro tem deixado claras as fragilidades do projeto da burguesia nacional e se concretizado na retomada, com mais for\u00e7a, de diversos ataques, principalmente, nas grandes capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Rio de Janeiro, o espa\u00e7o onde antes funcionava o Museu do \u00cdndio, nas imedia\u00e7\u00f5es do est\u00e1dio do Maracan\u00e3, sentiu essa realidade. \u00cdndios ocupavam h\u00e1 mais de seis anos o local, que estava abandonado h\u00e1 30 anos pelo Estado. Somente no ano passado, o Governo do RJ comprou o terreno e hoje, \u00e0s v\u00e9speras dos megaeventos, apesar da vit\u00f3ria imediata do congelamento da a\u00e7\u00e3o, a desocupa\u00e7\u00e3o e a demoli\u00e7\u00e3o do museu para a constru\u00e7\u00e3o de um estacionamento que beneficiar\u00e1 a &#8220;ind\u00fastria&#8221; dos megaeventos est\u00e1 em curso e a reintegra\u00e7\u00e3o de posse j\u00e1 \u00e9 certa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A regi\u00e3o do centro de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m \u00e9 uma das zonas subaproveitadas para o lucro e n\u00e3o fugir\u00e1 ao alvo das pol\u00edticas higienistas e repressivas. Diversas reintegra\u00e7\u00f5es de posses foram levadas a cabo pela prefeitura recentemente, como o despejo da ocupa\u00e7\u00e3o da Av. Ipiranga, que colocou na rua 334 fam\u00edlias e a desocupa\u00e7\u00e3o do Hotel P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, onde viviam 178 fam\u00edlias. Outras ocupa\u00e7\u00f5es sofrem constante amea\u00e7a, como a da Av. S\u00e3o Jo\u00e3o e da Rua Mau\u00e1, que j\u00e1 tiveram suas senten\u00e7as de reintegra\u00e7\u00e3o congeladas somente ap\u00f3s muita press\u00e3o dos movimentos de moradia. Essas fam\u00edlias vivem um estado de terror constante. Somente entre 2011 e 2012, dez edif\u00edcios do centro ocupados por movimentos de moradia passaram por desocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revis\u00e3o das Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), por meio da discuss\u00e3o do Plano Diretor do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, visa diminuir os espa\u00e7os destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis populares para fam\u00edlias de baixa renda, abrindo caminho para o que era moradia vire mais um espa\u00e7o livre para a burguesia construir e mais uma fonte de lucro. Os projetos Nova Luz, Centro Legal e toda a sorte de cria\u00e7\u00f5es dos governos burgueses s\u00e3o formas de tentar iludir os trabalhadores com propostas miraculosas de solu\u00e7\u00e3o para problemas que s\u00e3o insol\u00faveis sob o capitalismo. Esses projetos apontam cada vez mais para o acirramento dos conflitos que envolvem o espa\u00e7o urbano das grandes capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como continuidade da malfadada tentativa de pulveriza\u00e7\u00e3o da Cracol\u00e2ndia paulista, em 2011, temos na ordem do dia tamb\u00e9m o fantasma da interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de usu\u00e1rios de drogas em situa\u00e7\u00e3o de rua. A pol\u00edtica foi aprovada primeiramente no Rio de Janeiro, em 2011, e amea\u00e7a S\u00e3o Paulo desde a metade do mesmo ano, voltando agora com toda a for\u00e7a em uma decis\u00e3o do Governo do Estado de iniciar a a\u00e7\u00e3o no dia 21 passado. Legitimada pela maioria dos trabalhadores, pois se disfar\u00e7a de pol\u00edtica de \u201ccuidado\u201d, a pol\u00edtica n\u00e3o pode nos passar despercebida, pois representa um imenso ataque aos direitos democr\u00e1ticos mais b\u00e1sicos. A interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u201climpa\u201d as ruas e n\u00e3o oferece tratamento, se concretiza no sequestro a c\u00e9u aberto da parcela mais pobre e massacrada de nossa classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras capitais seguem o mesmo caminho e o cotidiano de quem vive nas \u00e1reas de disputa \u00e9 de constante amea\u00e7a e arbitrariedade por parte do aparato repressivo do estado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A repress\u00e3o denuncia as fragilidades do projeto capitalista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aprofundamento do processo de crise estrutural do capital hoje j\u00e1 possibilita que elementos centrais do funcionamento do projeto capitalista de sociedade sejam vistos mais facilmente. Sob o vi\u00e9s da burguesia e de seus governos, a crise n\u00e3o tem deixado espa\u00e7o para concess\u00f5es. Na batalha pela manuten\u00e7\u00e3o da ordem capitalista, pequenas conquistas devem ser retiradas da maioria a qualquer custo e qualquer espa\u00e7o subaproveitado para o lucro deve ser retomado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pol\u00eamicas sobre o momento atual da economia brasileira no cen\u00e1rio mundial \u00e0 parte \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a fragilidade do sistema capitalista \u00e9 sentida tamb\u00e9m pela classe trabalhadora brasileira, com as a\u00e7\u00f5es desesperadas que os Governos t\u00eam tomado buscando minimizar as perdas do empresariado. Aquilo que \u00e9 caro ao sistema capitalista n\u00e3o pode mais ser escondido. Assim, os extremos do funcionamento desta sociedade saltam aos olhos e a ess\u00eancia n\u00e3o se distancia tanto da apar\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repress\u00e3o aos que lutam aparece dotada de centralidade, fundamental para que a burguesia consiga seguir de forma mais tranquila com a aplica\u00e7\u00e3o de seus projetos. No Rio de Janeiro, a pol\u00edtica das UPPs nas favelas tem se ampliado e complexificado, n\u00e3o deixando mais d\u00favidas aos trabalhadores ao que vieram. Os movimentos do campo t\u00eam registrado assassinatos de militantes cada vez com maior frequ\u00eancia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Unidade na luta contra a repress\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas cidades, qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o nas ruas t\u00eam tido como um final certo a repress\u00e3o e as pris\u00f5es, a exemplo das \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es contra o aumento das passagens no ABC paulista. Nas universidades, o movimento estudantil acumula ano a ano centenas de estudantes presos e processados, sofrendo expuls\u00f5es e respondendo criminalmente. A recente den\u00fancia do MP de 72 estudantes que lutaram contra o avan\u00e7o da privatiza\u00e7\u00e3o da Universidade ocupando a reitoria em 2011 mostra ainda mais que a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o est\u00e1 adormecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimento sindical, a patronal tem ca\u00e7ado as lideran\u00e7as de luta. Recentemente o companheiro Messias Am\u00e9rico da Silva, trabalhador da Caixa Econ\u00f4mica em S\u00e3o Paulo, foi demitido por justa causa como puni\u00e7\u00e3o por sua milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria na categoria, estamos lutando pela revers\u00e3o da demiss\u00e3o e pelo arquivamento do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso unidade dos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores para enfrentar este momento de retirada de direitos, persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e repress\u00e3o aos que lutam. Precisamos resistir e avan\u00e7ar na reorganiza\u00e7\u00e3o da esquerda revolucion\u00e1ria e da classe trabalhadora de conjunto. Somente com unidade \u00e9 poss\u00edvel fazer frente aos ataques. Somente com organiza\u00e7\u00e3o avan\u00e7aremos e poderemos apresentar aos trabalhadores uma alternativa real ao capitalismo. Existe alternativa, todo poder aos trabalhadores!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A fun\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico e o aumento da tarifa<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3rico<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As cidades, como conhecemos hoje, s\u00e3o um fen\u00f4meno relativamente recente na hist\u00f3ria da humanidade. Conglomerados com milhares de pessoas eram raros ou inexistentes no Brasil e no mundo at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s. Em 1789, o mundo era essencialmente rural: cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o estava no campo. A grande migra\u00e7\u00e3o de pessoas foi a migra\u00e7\u00e3o do campo \u00e0 cidade (Hobsbawm &#8211; A era das Revolu\u00e7\u00f5es, p. 90), no per\u00edodo da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Assim, entre os s\u00e9culos XVIII e XIX temos a forma\u00e7\u00e3o das cidades contempor\u00e2neas: ajuntamentos humanos com milhares ou milh\u00f5es de pessoas deslocados para trabalhar no parque industrial dessas novas forma\u00e7\u00f5es. Tem in\u00edcio o per\u00edodo que vivemos hoje, a Idade Contempor\u00e2nea, cuja for\u00e7a motriz \u00e9 a classe trabalhadora, trabalhando nas ind\u00fastrias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio desse per\u00edodo e at\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo XX, era comum que os trabalhadores se fixassem pr\u00f3ximo \u00e0s f\u00e1bricas (ou at\u00e9 dentro), o \u00fanico lugar onde conseguiam recursos para sobreviver. Esse fen\u00f4meno apresenta-se no filme <i>Dan\u00e7ando no Escuro<\/i>, dirigido Lars von Trier, sobre uma oper\u00e1ria (estrelada pela cantora Bj\u00f6rk) trabalhando numa f\u00e1brica pr\u00f3ximo da propriedade onde mora, enquanto perde sua vis\u00e3o progressivamente. Tamb\u00e9m \u00e9 not\u00e1vel o in\u00edcio do livro <i>A M\u00e3e<\/i>, de M\u00e1ximo Gorki:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodos os dias, a sereia da f\u00e1brica lan\u00e7ava no ar fumarento e oleoso, por sobre o bairro oper\u00e1rio, o seu vibrante rugido. E das pequenas casas escuras, obedecendo ao chamamento, sa\u00edam \u00e0 pressa, como baratas assustadas, pessoas taciturnas, cujos m\u00fasculos o sono n\u00e3o conseguia revigorar. Na penumbra fria, caminhavam pela rua mal pavimentada para a grande gaiola de pedra da f\u00e1brica que, serena e indiferente, as esperava, vigiando o caminho lamacento com as suas dezenas de olhos quadrados e viscosos. A lama estalava sob os p\u00e9s. Ouviam-se exclama\u00e7\u00f5es roucas de vozes ensonadas, pragas grosseiras cortavam o ar, e ao encontro das pessoas chegavam outros sons: o ru\u00eddo pesado das m\u00e1quinas, o grunhido do vapor. Sombrias e severas, as altas chamin\u00e9s negras perfilavam-se sobre o bairro como grossos varapaus.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, essa realidade logo mudou. As f\u00e1bricas foram ficando, cada vez mais, distantes de casa e concentradas em polos industriais.\u00a0Enganam-se os pseudo-historiadores acr\u00edticos que querem descrever a hist\u00f3ria do transporte coletivo sem considerar esse hist\u00f3rico e apenas como uma evolu\u00e7\u00e3o dos elegantes bondes do s\u00e9culo XIX no Rio de Janeiro at\u00e9 a instala\u00e7\u00e3o das modernas linhas de metr\u00f4 em S\u00e3o Paulo, em linhas que atendem a classe m\u00e9dia paulistana. Essa hist\u00f3ria \u00e9 cheia de conflitos e lutas com a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, mortes de sindicalistas e muito sofrimento de gente confinada como em uma lata de sardinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a globaliza\u00e7\u00e3o da economia, expans\u00e3o de mercados e necessidade de m\u00e3o de obra mais especializada, as ind\u00fastrias t\u00eam buscado trabalhadores em diferentes lugares. A\u00ed tem in\u00edcio o transporte coletivo de massas como conhecemos hoje, o meio de transporte para os trabalhadores serem explorados e gerarem a riqueza das ind\u00fastrias.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>O acesso \u00e0 cidade e a pol\u00edtica de reclus\u00e3o do Estado: Para quem os prefeitos governam?<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nossa sociedade absolutamente hier\u00e1rquica, a desigualdade se reproduz nos mais diversos n\u00edveis: temos continentes, pa\u00edses, estados e munic\u00edpios desenvolvidos e subdesenvolvidos econ\u00f4mica e socialmente. Diferentemente de aceitarmos ou n\u00e3o como natural essa diferen\u00e7a, devemos nos perguntar: Por que \u00e9 assim? Quais as raz\u00f5es hist\u00f3ricas e sociais respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o dessas desigualdades? O que sustenta essa condi\u00e7\u00e3o? As respostas n\u00e3o simplistas nos ajudar\u00e3o a compreender a realidade de que essa consequ\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o do sistema capitalista, cuja desigualdade \u00e9 inerente, \u00e9 necess\u00e1ria para que se mantenha a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As cidades foram divididas em centro \u2013 onde h\u00e1 diversas formas de divers\u00e3o, lazer e os mais variados servi\u00e7os p\u00fablicos e gratuitos \u2013 e a periferia onde tudo falta e o \u00fanico servi\u00e7o p\u00fablico garantido \u00e9 a repress\u00e3o policial. \u00c9 nessa \u00e1rea que se encontra a totalidades de jovens pobres e pretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando trabalhadores e estudantes da periferia querem se divertir ou se descontrair ap\u00f3s uma longa semana de trabalho e estudo cansativos, precisam se locomover para o centro da cidade. E mesmo quando o evento \u00e9 gratuito t\u00eam que desembolsar muito dinheiro para a passagem do transporte coletivo, al\u00e9m de terem que amargar a demora dos coletivos, cada dia mais caro e at\u00e9 inexistente em alguns bairros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse momento podemos perceber a l\u00f3gica perversa de lucro das empresas associadas \u00e0 pol\u00edtica de exclus\u00e3o aplicada pelas prefeituras, que representam os donos das empresas de \u00f4nibus e se esconde quando o assunto \u00e9 aumento das passagens, falta de \u00f4nibus na linha, lota\u00e7\u00e3o, demora e etc., principalmente nos finais de semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, museus, bibliotecas, parques e exposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o considerados locais de pertencimento de pobres e pretos perif\u00e9ricos, uma vez que, mesmo sendo de gra\u00e7a, custa aos moradores da periferia de R$13 a R$ 20, 00. Isso \u00e9 mais uma forma de higieniza\u00e7\u00e3o que vai desde a repress\u00e3o descarada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, ao aumento escancarado do pre\u00e7o das passagens que exclui do centro as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>O pre\u00e7o do lazer e divers\u00e3o: \u00c9 o gasto com o transporte.<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a utilidade do transporte coletivo hoje? Alguns poderiam responder \u201ctransportar pessoas\u201d, mas n\u00e3o se trata disso. A rede de transporte coletivo no Brasil n\u00e3o evoluiu para al\u00e9m do que levantamos acima: o transporte de trabalhadores para gerar mais-valia. Basta questionar o porqu\u00ea de n\u00e3o haver transporte entre meia-noite e 4 horas, por exemplo, ou o porqu\u00ea da quantidade de \u00f4nibus, trem e metr\u00f4 ser t\u00e3o reduzida aos domingos e feriados, obrigando as pessoas a permanecerem em casa ou esperar horas. \u00a0A l\u00f3gica do transporte n\u00e3o \u00e9 diferente dos projetos que os governos t\u00eam aplicado em nosso pa\u00eds ao longo de d\u00e9cadas: rodovias, ped\u00e1gios, ferrovias, infraestrutura, isen\u00e7\u00f5es de impostos e etc. para favorecer\u00a0 o empresariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a pol\u00edtica de favorecer o transporte individual (os autom\u00f3veis), desde o governo J. Kubitschek (apesar das contradi\u00e7\u00f5es, como o alto pre\u00e7o do imposto, da gasolina, da polui\u00e7\u00e3o), o transporte coletivo continua p\u00e9ssimo, al\u00e9m de caro. Isso obriga quem mora mais longe a depende de duas ou at\u00e9 tr\u00eas condu\u00e7\u00f5es para chegar ao seu destino at\u00e9 que compre um carro ou motocicleta. Vejamos a tabela de gastos com transporte de um trabalhador no ABC paulista, onde a passagem \u00e9 de R$ 3,30 e o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de R$ 678:<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"156\"><b>Quantidade de condu\u00e7\u00f5es (ida e volta)<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\"><b>Valor por dia<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\"><b>Valor por m\u00eas<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\"><b>Percentagem do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">2<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">R$ 6,60<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">R$ 165,00<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">24%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">4<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">R$ 13,20<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">R$ 330,00<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"156\">48%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m poderia argumentar que, do trabalhador, desconta-se no m\u00e1ximo 6% do sal\u00e1rio. Alguns contra-argumentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u25cf\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A taxa de trabalhadores com carteira assinada \u00e9 somente <b>metade<\/b> dos trabalhadores do Brasil. Aos demais, \u00e9 o sal\u00e1rio sem direito algum, nem a garantia de desconto de no m\u00e1ximo 6% com custos de transporte. Muitos desses trabalhadores n\u00e3o recebem aux\u00edlio transporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u25cf\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os empregadores para evitar pagar a parte que lhes cabe do transporte procura evitar contratar trabalhadores que moram em bairros mais distantes, aumentando ainda mais o grau de exclus\u00e3o que o transporte ineficiente produz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u25cf\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o s\u00e3o poucas as empresas que contratam sob a condi\u00e7\u00e3o de pagar somente uma passagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda os exemplos dos trabalhadores desempregados. R$ 6,60 pode ser o pre\u00e7o para ir procurar emprego todo dia e levar o feij\u00e3o para casa. Tamb\u00e9m o trabalhador subempregado ou aut\u00f4nomo n\u00e3o pode muitas vezes contar com o valor no final do m\u00eas para custear sua alimenta\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o podemos nos iludir. O aumento da tarifa est\u00e1 atrelado \u00e0 l\u00f3gica do sistema capitalista. N\u00e3o teremos um transporte p\u00fablico que atenda a todos, que seja gratuito e de qualidade sem questionar o funcionamento do sistema. O valor da tarifa e a precariedade do transporte est\u00e3o atrelados ao lucro e a redu\u00e7\u00e3o de custos e n\u00e3o \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o que utiliza o transporte. Somente a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, para uma democracia de fato (uma sociedade socialista), em que quem produz a riqueza possa ter o controle sobre os \u00f4nibus, trens, metr\u00f4s, etc. possibilitar\u00e1 o planejamento que atenda o conjunto da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>A luta<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, cada vez mais, somos levados a crer que o \u201cpoder p\u00fablico\u201d \u00e9 algo que n\u00e3o se importa com os trabalhadores, <b>ao contr\u00e1rio,<\/b> essas e outras medidas somente confirmam a hip\u00f3tese de que os verdadeiros agentes beneficiados s\u00e3o os empres\u00e1rios. Assim, os trabalhadores e a juventude percebem que n\u00e3o h\u00e1 alternativas a n\u00e3o ser a luta organizada e direta da popula\u00e7\u00e3o contra as medidas que aumentam e reafirmam a exclus\u00e3o, como o aumento da tarifa nas cidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Com tarifas abusivas perdemos o direito ao transporte p\u00fablico, e o ABC paulista ganha o status de regi\u00e3o com a tarifa mais cara do pa\u00eds. Em benef\u00edcio dos empres\u00e1rios que lucram milh\u00f5es por ano, e em detrimento dos trabalhadores, a classe historicamente explorada que se utiliza do transporte p\u00fablico para a sua locomo\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Os trabalhadores, por sua vez, n\u00e3o podem continuar ref\u00e9ns do empresariado e do governo, aceitando passivamente mais esse ataque. Deve antes se organizar e ir para as ruas a revoga\u00e7\u00e3o imediata do aumento das tarifas municipais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em diversas cidades do Brasil a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi \u00e0s ruas para mostrar que n\u00e3o aceitam o aumento e o grau de precariza\u00e7\u00e3o no qual chegou o transporte p\u00fablico. Na regi\u00e3o do ABC, cidades como Mau\u00e1, Santo Andr\u00e9, Diadema, S\u00e3o Bernardo do Campo, Ribeir\u00e3o Pires e S\u00e3o Caetano j\u00e1 se manifestaram e continuam a se mobilizar contra a situa\u00e7\u00e3o degradante do transporte p\u00fablico local. Em Tabo\u00e3o da Serra as mobiliza\u00e7\u00f5es puseram arreios ao aumento, o prefeito n\u00e3o teve outra alternativa a n\u00e3o ser recuar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos ficar atentos todos os anos contra o aumento das passagens nos munic\u00edpios. Estarmos informados da luta, participar das mobiliza\u00e7\u00f5es \u00e9 urgente. Somente com organiza\u00e7\u00e3o, politiza\u00e7\u00e3o e movimenta\u00e7\u00e3o poderemos de barrar futuros aumentos da tarifa A for\u00e7a da nossa luta tamb\u00e9m pode fazer com que o transporte p\u00fablico n\u00e3o sirva de enriquecimento para poucos e de explora\u00e7\u00e3o de muitos.\u00a0 Defendemos: Revoga\u00e7\u00e3o imediata do aumento da tarifa; Integra\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria intra e intermunicipal; Passe livre para estudantes e desempregados; Por um transporte p\u00fablico, gratuito e de qualidade e sob controle da classe trabalhadora e da juventude. Comit\u00ea Unificado Contra o aumento das passagens no ABC: <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/comiteunificadoabc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.facebook.com\/comiteunificadoabc<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sugiro que no final se acrescente: O\u00a0Comit\u00ea Unificado Contra o aumento das passagens no ABC foi criado para impulsionar e fortalecer as lutas na regi\u00e3o. O Espa\u00e7o Socialista junto a outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, trabalhadores e estudantes \u00e9 parte nessa constru\u00e7\u00e3o e convida voc\u00ea a lutar contra o aumento abusivo das passagens de \u00f4nibus. Contato do comit\u00ea:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/comiteunificadoabc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.facebook.com\/comiteunificadoabc<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A Mulher Trabalhadora em Tempos de Crise Econ\u00f4mica<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda e Neuza Peres<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando passamos a ter dificuldades para conseguir emprego e o tempo como desempregada se estende muito. Quando passamos a conseguir emprego com sal\u00e1rio menor, sem o direito a f\u00e9rias, sem 13\u00ba, sem licen\u00e7a maternidade ou por contratos tempor\u00e1rios. Quando somente temos hora para entrar e n\u00e3o para sair do trabalho e as horas extras passam a ficar em tal \u201cbanco de horas\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ao mesmo tempo, ao nosso redor, outras trabalhadoras t\u00eam suas energias completamente sugadas para aumentar a produ\u00e7\u00e3o, bater metas, atingir \u00edndices, sem tempo para banheiro, com sal\u00e1rio que n\u00e3o cobre suas d\u00edvidas ou ainda s\u00e3o chamadas de \u201ccolaboradoras\u201d sob constantes amea\u00e7as de desemprego&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 momento de entendermos que a \u201cprecariza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d passou a nos afetar e precisamos reagir contra aqueles que est\u00e3o ganhando com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sistema de explora\u00e7\u00e3o, uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 sacrificada para que uma pequena parcela se d\u00ea bem. E \u00e9 quem precisa trabalhar para sobreviver que sofre com a penalidade do desemprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Donos de empresas, de bancos, grandes propriet\u00e1rios de terras, isto \u00e9, a burguesia e governos se utilizam do desemprego para diminuir o valor do sal\u00e1rio, para retirar direitos e, consequentemente, explorar mais quem est\u00e1 trabalhando. Assim, tentam manter os altos lucros. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), no mundo, o desemprego entre as mulheres aumentou ap\u00f3s a crise econ\u00f4mica para 6,4% (Ag. Patr\u00edcia Galv\u00e3o \u2013 11\/12\/2012). E no Brasil, onde 60% das mulheres s\u00e3o trabalhadoras, a taxa de desemprego est\u00e1 7,1% (G1 18\/12\/2012), embora, na vida real o desemprego seja ainda muito maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a situa\u00e7\u00e3o da mulher na sociedade mudou e, em muitos casos, o seu sal\u00e1rio passou a ser determinante para o sustento da fam\u00edlia, com o desemprego, as mulheres passam a buscar sobreviv\u00eancia em setores antes considerados masculinos como na constru\u00e7\u00e3o civil e na pol\u00edcia. A inser\u00e7\u00e3o feminina na constru\u00e7\u00e3o civil cresceu em 74% em 4 anos na constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios e tamb\u00e9m nas usinas de Jirau (RO) e Belo Monte (PA). (FSP 07\/04\/2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desemprego ainda n\u00e3o afetou todas, mas \u00e0 medida que a crise econ\u00f4mica avan\u00e7a, ou seja, o alto lucro se torna amea\u00e7ado, avan\u00e7a tamb\u00e9m o n\u00edvel de sacrif\u00edcio cobrado da trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente as mulheres sempre lutaram ao lado dos homens pela conquista de direitos trabalhistas. No s\u00e9culo XIX, conseguiram juntos reduzir a jornada de trabalho de at\u00e9 16 horas por dia. No s\u00e9culo XX, conquistaram direitos como f\u00e9rias, 13\u00ba, licen\u00e7a maternidade e paternidade, jornada de 8 horas di\u00e1rias, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas agora, em pleno s\u00e9culo 21, estamos ainda silenciosos diante da retirada dessas conquistas. No Brasil, a maioria dos sindicatos, que contribu\u00edram com as lutas no passado passaram a colaborar com os governos e com a burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fecham acordos em favor de contratos tempor\u00e1rios que desconsideram os direitos conquistados, frentes de trabalho em que se trabalha um tempo e fica-se desempregado outro, hor\u00e1rios \u201cflex\u00edveis\u201d que chegam a jornadas de 12 horas por dia, sem direito \u00e0 licen\u00e7a m\u00e9dica e com redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, podemos verificar o Acordo Coletivo Especial (ACE), proposto pelo Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC, que abre m\u00e3o dos nossos direitos para permitir que as empresas continuem tendo seus altos lucros. No Brasil, a margem de lucro dessas empresas do ramo metal\u00fargico \u00e9 de 10%, ou seja, duas vezes maior que a m\u00e9dia mundial (FSP. 14\/12\/2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o ACE as empresas n\u00e3o precisam respeitar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira e sempre que a sua margem de lucro sofrer algum tipo de amea\u00e7a ir\u00e3o retirar do suor de quem trabalha sacrif\u00edcios ainda maiores ou exigir\u00e3o ainda mais que governo use o dinheiro p\u00fablico para arcar com essa diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa situa\u00e7\u00e3o como essa a mulher trabalhadora \u00e9 muito mais afetada. Segundo o DIEESE enquanto 33% dos homens recebem um sal\u00e1rio m\u00ednimo, entre as mulheres esse \u00edndice sobe para 48,7% DIEESE. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel percebermos que nessa sociedade h\u00e1 tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es machistas, necess\u00e1rias para manter essa desigualdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de j\u00e1 receber sal\u00e1rio inferior ao do homem em trabalho igual e ter licen\u00e7a m\u00e9dica negada \u00e9 colocada em risco a sua pr\u00f3pria vida. Em S\u00e3o Paulo, o governo do estado aplicou o contrato tempor\u00e1rio e o corte da licen\u00e7a m\u00e9dica. Conclus\u00e3o: Essas Professoras n\u00e3o podem usar o sistema p\u00fablico de sa\u00fade do estado (IAMSPE) e somente t\u00eam direito a seis atestados m\u00e9dicos por ano, o que n\u00e3o cobre nem o tempo de pr\u00e9-natal. Ao final do contrato h\u00e1 desemprego em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas pequenas e m\u00e9dias empresas o contrato tempor\u00e1rio, o baixo sal\u00e1rio, a jornada de 12 horas, a falta de direitos t\u00eam submetido \u00e0 mulher a situa\u00e7\u00f5es que desenvolvem s\u00e9rios problemas de sa\u00fade e envolvem todo o seu conv\u00edvio social e familiar. \u00c9 frequente tamb\u00e9m a estudante trabalhadora abandonar os estudos ou se tornar inadimplente por n\u00e3o arcar com os custos para fazer um curso universit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda essa situa\u00e7\u00e3o, em que o nosso sal\u00e1rio n\u00e3o cobre as nossas despesas, nos coloca em processos de endividamento infind\u00e1veis, que nos faz ter medo de perder o emprego. Infelizmente a classe trabalhadora vive esse momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Dilma ciente de toda essa situa\u00e7\u00e3o e comprometido com os empres\u00e1rios permite que a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira seja \u201cflex\u00edvel\u201d para garantir lucros e muito endurecida para quem trabalha. Esse empobrecimento da classe trabalhadora, especialmente da mulher, por um lado, a submete e, por outro, a coloca dependente de bolsa fam\u00edlia, aux\u00edlio g\u00e1s, bolsa alimenta\u00e7\u00e3o, etc. Temos certeza de que n\u00e3o \u00e9 isso que queremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Busquemos a unidade das v\u00e1rias categorias de trabalhadoras para revertermos tudo isso. Construirmos uma sociedade justa nos caminhos da luta \u00e9 uma necessidade urgente da mulher trabalhadora que n\u00e3o quer ficar \u00e0 merc\u00ea de crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que caia por terra o sistema capitalista e todas essas formas de humilha\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o. Emprego, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, estabilidade, sal\u00e1rio igual para trabalho igual \u00e9 o que precisamos agora.<\/p>\n<p>\u00a0<a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A inger\u00eancia empresarial na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e os ataques \u00e0 estabilidade dos professores<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Brasil est\u00e1 passando por uma interfer\u00eancia de bancos, empresas, ONG\u2019s e institutos muito maior e escancarada nos dias atuais do que em momentos anteriores. Esses grupos, denominados de \u201creformadores empresariais\u201d por alguns, imp\u00f5em outro papel \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira, vinculando seu funcionamento aos seus interesses lucrativos e ideol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num primeiro momento, nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000, esses interesses privados estavam impl\u00edcitos nas diretrizes de organismos internacionais \u2013 UNESCO, Banco Mundial e FMI \u2013, que ditavam os programas educacionais aos pa\u00edses da periferia do sistema capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias de hoje, esses grupos modificam leis, decis\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, possuem representa\u00e7\u00f5es em conselhos municipais, estaduais e federais e atuam em f\u00f3runs de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se colocando como representantes da sociedade civil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, constituem grupos que dirigem demandas aos munic\u00edpios, estados e governo federal e atuam em parceria com governos do PT, PSDB, PMDB, PV, PSB, DEM, PSD, dentre outros, na implementa\u00e7\u00e3o de projetos educacionais de seus interesses.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Um projeto dos capitalistas para os capitalistas est\u00e1 sendo implantado na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2009, visando alcan\u00e7ar as metas de \u201cEduca\u00e7\u00e3o Para Todos\u201d e os \u201cObjetivos do Mil\u00eanio\u201d, a UNESCO passou a fomentar a cria\u00e7\u00e3o de redes de empres\u00e1rios e considerar valiosa a colabora\u00e7\u00e3o destes no processo de implementa\u00e7\u00e3o de atividades e projetos na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, particularmente das ci\u00eancias humanas e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o grupos que \u201c&#8230; v\u00e3o configurando uma rede atuante no processo de produ\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas denominadas Redes de Pol\u00edticas P\u00fablicas \u2013 RPP \u2013 \u201d (Lopes e Shiroma 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A participa\u00e7\u00e3o dessas redes de empres\u00e1rios na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do pa\u00eds vem de alguns anos antes. Vejam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1995, foi institu\u00eddo o GIFE \u2013 Grupo de Institutos, Funda\u00e7\u00f5es e Empresas \u2013 que re\u00fane 142 associados, dentre eles, Funda\u00e7\u00e3o Bradesco, Funda\u00e7\u00e3o Victor Civita, Grupo Gerdau, Funda\u00e7\u00e3o Vale, Ibope, Instituto HSBC Solidariedade, Instituto Ronald McDonald, Instituto BM&amp;F Bovespa, TV Globo e outros, que parte do preceito de que atuar\u00e1 quando ocorrer a \u201c&#8230; incapacidade do Estado de atender a todas as demandas sociais e a necessidade de fortalecimento da sociedade civil\u201d. (in <a href=\"www.gife.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.gife.org.br<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2007, o MEC formulou o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o), em interlocu\u00e7\u00e3o com o movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, que conta com a participa\u00e7\u00e3o do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa Social, Funda\u00e7\u00e3o Bradesco, Grupo Gerdau, Instituto Airton Senna, Cia. Suzano, Banco Santander, Instituto Ethos, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano passado, 2012, o movimento Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o aprovou no Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o o Arranjo de Desenvolvimento Educacional (ADE), que permite que conjuntos de munic\u00edpios se articulem por recursos advindos da iniciativa privada e do Estado. Mas \u00e9 verdade que esse grupo de empres\u00e1rios n\u00e3o ir\u00e1 colocar um tost\u00e3o do bolso na Educa\u00e7\u00e3o, o que querem \u00e9 ganhar dinheiro com sua ind\u00fastria educacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo Parceiros da Educa\u00e7\u00e3o, criado em 2006, tem como participantes o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar\/Instituto Pen\u00ednsula, Banco Indusval&amp; Partners, Iguatemi Empresas de Shopping Centers \u2013 fam\u00edlia Jereissati \u2013, Funda\u00e7\u00e3o Bradesco, Ita\u00fa BBA, Instituto Hedging-Griffo, Grupo ABC, entre outros, gerencia 95 parcerias no estado de S\u00e3o Paulo, e tem atividade em mais tr\u00eas estados &#8211; Rio de Janeiro, Goi\u00e1s e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Paulo, al\u00e9m do Parceiros da Educa\u00e7\u00e3o encontramos empresas atuando dentro da estrutura da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso da consultoria internacional McKinsey &amp; Co. e do Instituto de Co-responsabilidade pela Educa\u00e7\u00e3o (ICE), pago pelo Instituto Natura. Ao menos 15 empresas, funda\u00e7\u00f5es e outras entidades privadas s\u00e3o mencionadas no site da SEE como parceiras do Programa. (em <a href=\"www.observatoriodaeducacao.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.observatoriodaeducacao.org.br<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) exerce press\u00e3o para enquadrar os pa\u00edses em determinadas l\u00f3gicas de reforma educacional. Esse organismo ligado aos empres\u00e1rios criou o PISA (Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes), utilizado para indicar se um pa\u00eds possui um ensino de qualidade. Inclusive, \u00e9 um dos instrumentos usados pelos programas \u201cTodos pela Educa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cParceiros da Educa\u00e7\u00e3o\u201d para propagandear e justificar seus projetos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A l\u00f3gica empresarial da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica afeta a estabilidade profissional dos professores<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os professores, de um modo geral, mas, sobretudo, os novos, denominados categoria \u201cO\u201d em S\u00e3o Paulo, sofrem com a tirania psicol\u00f3gica introduzida pela l\u00f3gica empresarial na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, s\u00e3o contratados de acordo com o sistema toyotista de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, onde n\u00e3o h\u00e1 garantias e estabilidade de emprego, pois s\u00e3o tratados como uma m\u00e3o de obra flex\u00edvel ajustada e regulada \u00e0s temporalidades do mercado, que ora \u00e9 explorada, ora \u00e9 descartada de acordo com o momento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As novas regras de contrata\u00e7\u00e3o desses professores permitem que sobre ainda mais dinheiro para esses grupos empresarias que atuam na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pois sempre receber\u00e3o isen\u00e7\u00f5es fiscais e incentivos financeiros, garantindo com isso a manuten\u00e7\u00e3o e sua lucratividade em detrimento de mais investimento no bem p\u00fablico \u2013 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte coletivo de qualidade \u2013, que seria usufru\u00eddo pelos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 aqueles professores efetivos ou com alguma estabilidade cada vez mais t\u00eam essa estabilidade questionada, n\u00e3o apenas pela expans\u00e3o das formas prec\u00e1rias de contrata\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m por meio do aumento das atribui\u00e7\u00f5es de aulas \u201cpor perfil\u201d (utilizadas para excluir aqueles que questionam ou n\u00e3o se adequam ao projeto aplicado), mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o e culpabiliza\u00e7\u00e3o individual dos professores, como provas, b\u00f4nus, avalia\u00e7\u00e3o individual de desempenho, etc.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">\u00a0Um projeto de educa\u00e7\u00e3o r\u00edgido e autorit\u00e1rio que n\u00e3o aceita questionamentos<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No interior das escolas prevalece a rigidez, o autoritarismo e o ass\u00e9dio moral. O comprometimento dos governos com os interesses empresariais na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica os obriga a praticar uma \u201cintoler\u00e2ncia institucionalizada\u201d. Nada pode ser questionado, nada de alternativo pode ser praticado. Tudo \u00e9 centralizado em torno desse projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curr\u00edculo imposto e centralizado n\u00e3o permite a experi\u00eancia de novas pr\u00e1ticas ou conhecimentos adequados \u00e0 realidade dos alunos e das escolas. \u00c9 giz, lousa e caderno do aluno, sob a press\u00e3o de supervisores, diretores e coordenadores pedag\u00f3gicos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A valoriza\u00e7\u00e3o e a estabilidade dos professores s\u00e3o necess\u00e1rias para termos uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica decente<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta pela melhoria da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica passa pela valoriza\u00e7\u00e3o e a garantia de estabilidade para os professores, de modo que se permita a continuidade das a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas. Isso s\u00f3 se dar\u00e1 com um v\u00ednculo maior desses professores com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um trabalho pedag\u00f3gico s\u00e9rio, comprometido com uma Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica voltada para os interesses dos trabalhadores e seus filhos, deve levar em considera\u00e7\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio valorizar e estabilizar o v\u00ednculo empregat\u00edcio de todos os professores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Por um movimento unit\u00e1rio de professores, pais e alunos!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos ir al\u00e9m de constata\u00e7\u00f5es dos males causados por esse projeto dos capitalistas para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso construir e fortalecer os v\u00ednculos coletivos no interior das escolas. A partir das demandas concretas, \u00e9 importante a organiza\u00e7\u00e3o de grupos no interior das escolas que se re\u00fanam e discutam os problemas, bem como a busca de formas de resist\u00eancia aos ataques dos governos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses grupos precisam ter uma rela\u00e7\u00e3o construtiva com os pais e os alunos, objetivando a constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico em defesa da escola p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mesma import\u00e2ncia deve ser dada aos espa\u00e7os coletivos dentro das escolas \u2013 Conselho de Escola, APM e Gr\u00eamio Estudantil. \u00c9 necess\u00e1rio participarmos e fortalecermos esses espa\u00e7os, pois \u00e9 uma forma de aproxima\u00e7\u00e3o com os pais e alunos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sindicatos, sobretudo, os de trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o, precisam priorizar tamb\u00e9m o trabalho com os pais, alunos e com os trabalhadores de um modo geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um ensino p\u00fablico que seja capaz de propiciar o desenvolvimento m\u00e1ximo das potencialidades humanas, assegurando aos trabalhadores e seus filhos uma vida digna, liberta e culta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica que ligue indissoluvelmente a instru\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de nossas crian\u00e7as e jovens com a luta ininterrupta por uma nova sociedade, emancipada!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a nossa luta assuma um car\u00e1ter emancipat\u00f3rio, que vislumbre uma sociedade sem classes, fraternal entre os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo desenvolvimento cont\u00ednuo da consci\u00eancia socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\" name=\"titulo7\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Reforma agr\u00e1ria fica em \u00faltimo plano no governo Dilma<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com todo o hist\u00f3rico de proximidade e inser\u00e7\u00e3o do PT com os movimentos sociais do campo, o primeiro ano do governo Dilma teve desempenho pior &#8211; em termos de assentamento de fam\u00edlias &#8211; do que o primeiro ano governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011, foram assentadas 22 mil fam\u00edlias contra 43 mil em 95. Esse desempenho demonstra o quanto o governo do PT est\u00e1 intrinsecamente ligado aos latifundi\u00e1rios na defesa dos interesses do capital internacional, que coloca o Brasil como um dos principais produtores de algumas monoculturas para atender as demandas das grandes ind\u00fastrias internacionais de alimentos em detrimento do abastecimento e da qualidade de alimentos em nosso pa\u00eds, que poderiam ser melhorados com a redistribui\u00e7\u00e3o de terra no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A concentra\u00e7\u00e3o de terras no Brasil \u00e9 a marca do nosso passado colonial subjugado ao desenvolvimento combinado e desigual do capital que se conserva at\u00e9 os dias atuais. O Brasil \u00e9 um dos poucos pa\u00edses do mundo em que a reforma agr\u00e1ria ainda n\u00e3o foi efetivada. A cria\u00e7\u00e3o de importantes movimentos sociais de luta pela terra \u2013 como a CONTAG e as Ligas Camponesas, na d\u00e9cada de 1960 \u2013 aliada ao quadro favor\u00e1vel em prol da reforma agr\u00e1ria do governo de Jo\u00e3o Goulart, chegou a ser o momento em que muitos apostaram na efetiva\u00e7\u00e3o da redistribui\u00e7\u00e3o das terras. No entanto, o golpe militar de 64 imprimiu uma dura repress\u00e3o aos movimentos do campo, fazendo desaparecer qualquer possibilidade de democratiza\u00e7\u00e3o do acesso a terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o fim da ditadura militar e a funda\u00e7\u00e3o do MST, na d\u00e9cada de 1980, as lutas por reforma agr\u00e1ria no campo trouxeram de volta a esperan\u00e7a de milhares de fam\u00edlias sem terra. Por diversas vezes o MST travou lutas, na d\u00e9cada de 1990, e colocou na ordem do dia a quest\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de terra na m\u00e3o de poucas fam\u00edlias. A pol\u00edtica e o car\u00e1ter conservadores dos governos de Fernando Collor e, principalmente, Fernando Enrique Cardoso resultaram n\u00e3o apenas na n\u00e3o efetiva\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria como tamb\u00e9m em diversos massacres aos movimentos de luta pela terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Caso de Eldorado de Caraj\u00e1s, no Par\u00e1, em 1996, quando foram mortos, de uma s\u00f3 vez, 19 sem terras e o Caso de Corumbiara, em Rond\u00f4nia, com 12 mortes s\u00e3o exemplos desse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder fez enraizar no MST a esperan\u00e7a de avan\u00e7ar com a reforma agr\u00e1ria. Isso fez o movimento recuar em suas mobiliza\u00e7\u00f5es e se aproximar da burocracia do Estado. No entanto, o que sucedeu durante os 8 anos de governo Lula foi a manuten\u00e7\u00e3o da lentid\u00e3o do processo. No primeiro ano do mandato de Dilma Rousseff tivemos uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de fam\u00edlias assentadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados do N\u00facleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agr\u00e1ria \u2013 NERA, \u00f3rg\u00e3o de pesquisa da UNESP, mostram que a m\u00e9dia de fam\u00edlias assentadas no primeiro mandato de FHC (1995-1998) foi de 72 mil por ano e no segundo (1999-2002) 63 mil. J\u00e1 Lula (2003-2006) assentou 95 mil e, no seu segundo governo (2007-2012), 58 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vergonhoso n\u00famero de 22 mil fam\u00edlias no primeiro ano do governo Dilma \u00e9 a prova cabal da pol\u00edtica conservadora que \u00e9 aplicada e mantida conjuntamente pelo governo federal e as oligarquias latifundi\u00e1rias que, atrav\u00e9s do monop\u00f3lio da m\u00eddia e da for\u00e7a policial reproduzem a repress\u00e3o aos movimentos de luta pela terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O forte massacre do capital (l\u00f3gica destrutiva e reprodutiva) sobre os trabalhadores do campo e a alian\u00e7a das lideran\u00e7as com o estado t\u00eam sido de tal ordem que tais movimentos t\u00eam caminhado para efetiva\u00e7\u00e3o da entrada na forma de produ\u00e7\u00e3o mercantil. No \u00faltimo dia 04 (fevereiro) a presidente Dilma foi ao Paran\u00e1 para a inaugura\u00e7\u00e3o do COPRAN \u2013 cooperativa agroindustrial no assentamento do MST \u2013 que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, ser\u00e1 uma forma de \u201cprivatiza\u00e7\u00e3o do campo\u201d, ou seja, a forma de colocar a produ\u00e7\u00e3o dos camponeses, agora, com plena media\u00e7\u00e3o para o mercado. Os produtores ser\u00e3o ao mesmo tempo Patr\u00f5es e empregados. E, por entrarem na ordem de mercado, quem ditara as \u201cregras do jogo\u201d \u00e9 o mercado. Assim, de maneira disfar\u00e7ada e apoiada pelas lideran\u00e7as burocr\u00e1ticas os movimentos sociais est\u00e3o, cada vez mais, afastados da luta contra a propriedade privada e, nesse momento, apenas lutando para uma \u201cforma melhor de serem explorados pelo capital\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A n\u00e3o efetiva\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria em nosso pa\u00eds tem consequ\u00eancias enormes para toda sociedade brasileira. O conflito entre agricultura familiar e agroneg\u00f3cio \u00e9 cada vez mais gritante no campo. A expans\u00e3o destrutiva do agroneg\u00f3cio somente demonstra o quanto \u00e9 atual e acertada a tese cl\u00e1ssica do marxismo exposta pela primeira vez no Manifesto do Partido Comunista: qual seja, o \u201cparlamento \u00e9 o gabinete da burguesia\u201d. Apesar do PT em seus tr\u00eas mandatos consecutivos aparentemente apresentar uma pol\u00edtica voltada para as massas, com programas assistencialistas, at\u00e9 mesmo com o car\u00e1ter populista do governo Lula. No que toca a Reforma Agr\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 o governo Dilma, mas acima de tudo o governo Lula, por se tratar do hist\u00f3rico de lutas no seio da classe trabalhadora, tornou-se uma grande decep\u00e7\u00e3o para os trabalhadores do campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alian\u00e7a do governo com o agroneg\u00f3cio \u00e9 um entrave para a democratiza\u00e7\u00e3o da terra no Brasil. O que ficou evidente at\u00e9 aqui \u00e9 que muito pouco tem sido feito para democratizar a terra em nosso pa\u00eds. E que, por outro lado, apesar da efetiva\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria atrav\u00e9s do aparato burgu\u00eas ter sido realizada em pa\u00edses como a Inglaterra e Fran\u00e7a no bojo das revolu\u00e7\u00f5es burguesas e, obviamente, pela pr\u00f3pria burguesia desses pa\u00edses. No Brasil, pelas suas m\u00faltiplas particularidades as contradi\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelo capital nesse \u00e2mbito s\u00e3o por demais t\u00e3o agudas, ao ponto de uma tarefa n\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas extremamente importante para a classe trabalhadora, e para o desenvolvimento do pa\u00eds, como \u00e9 a reforma agr\u00e1ria se encontrar paralisada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso demonstra n\u00e3o s\u00f3 o quanto, por via do aparato estatal, tornou-se invi\u00e1vel realizar a democratiza\u00e7\u00e3o da terra no Brasil, e, do mesmo modo, mostrou-se a impossibilidade dessa tarefa ser efetivada pelo vi\u00e9s da burguesia nacional. Cabendo t\u00e3o somente como tarefa da classe trabalhadora e seus aliados, atrav\u00e9s de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, consolidar a justi\u00e7a social e a democratiza\u00e7\u00e3o da terra no Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#indice\" name=\"titulo7\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<h2>O segundo mandato de Obama e as perspectivas para o capitalismo mundial<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>\u00a0O contexto geral do segundo governo de Barack Obama<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre outras, as consequ\u00eancias da crise desencadeada a partir de 2008, nos Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) e em qualquer lugar do mundo, s\u00e3o: maior austeridade (leia-se: ataque aos direitos sociais) para os trabalhadores e, ao mesmo tempo, maior inje\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico nas empresas e bancos \u201cgrandes demais para falir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, pode-se ainda dizer que os ciclos econ\u00f4micos do capitalismo global est\u00e3o mundializados e sincronizados a partir da refer\u00eancia da economia dominante, que s\u00e3o os Estados Unidos. Mesmo ainda podendo ser considerada a refer\u00eancia da economia mundial, os EUA n\u00e3o s\u00e3o nem mais sombra do que j\u00e1 foram em termos de poder de consumo duradouro. Para se ter uma ideia m\u00ednima do que estamos tratando, em 1978, segundo o document\u00e1rio social-democrata Inequality for All (Desigualdade para Todos), um trabalhador, homem norte-americano t\u00edpico, ganhava cerca de 48 mil d\u00f3lares anuais, enquanto um profissional de elite recebia cerca de 393 mil d\u00f3lares anuais. Em 2010, o trabalhador m\u00e9dio viu seus ganhos reduzidos a 33 mil d\u00f3lares anuais, enquanto o profissional do topo pulou para mais que o dobro, aproximadamente 1,1 milh\u00e3o de d\u00f3lares anuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a desigualdade torna-se brutal mesmo quando se examinam os rendimentos dos mega-milion\u00e1rios. Eles cresceram tanto nas d\u00e9cadas neoliberais que hoje, segundo o document\u00e1rio, as 400 pessoas financeiramente mais ricas dos EUA possuem mais que metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, 150 milh\u00f5es de norte-americanos da base da pir\u00e2mide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo diante de uma situa\u00e7\u00e3o como essa, os Estados Unidos, epicentro da crise disparada em 2008, reencontraram um meio de voltar ao crescimento por meio de um ataque brutal sobre os seus trabalhadores, o motivo mais geral pelo qual foram desencadeadas as greves de professores do ano passado em Chicago, a greve do transporte escolar em Nova York e a greve dos trabalhadores de saneamento em Memphis, neste ano. Combinada com esta pol\u00edtica, os EUA implementaram a\u00e7\u00f5es no sentido de socializar com o restante do mundo capitalista as suas instabilidades, inundando o mercado financeiro com d\u00f3lares. O banco central estadunidense aplicou a pol\u00edtica de \u201cal\u00edvio quantitativo\u201d, que significou colocar mais d\u00f3lares em circula\u00e7\u00e3o (foi permitida, ainda no ano de 2012, a emiss\u00e3o de 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por m\u00eas), tornando o pr\u00f3prio d\u00f3lar desvalorizado frente \u00e0s demais moedas, o que implica, por um lado, uma maior competitividade da economia estadunidense e, por outro, obriga os pa\u00edses prejudicados por essa medida a \u201ccomprar d\u00f3lares\u201d, com destaque para a China, retirando-os momentaneamente do mercado (e com isso, impedindo uma ainda maior desvaloriza\u00e7\u00e3o dessa moeda).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas medidas contribu\u00edram decisivamente para que os Estados Unidos voltassem a crescer depois do in\u00edcio da crise (registrou-se, nesse m\u00eas de janeiro, um crescimento da atividade industrial pelo segundo m\u00eas consecutivo, depois da baixa de novembro do ano passado). Tudo isso responde pela \u201crecupera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d da economia estadunidense. No entanto, os problemas que originaram a crise continuam presentes. E \u00e9 nesse contexto que em seu segundo mandato o governo Obama busca lan\u00e7ar m\u00e3o de novas medidas \u201canticrise\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">As Medidas anticrise<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como novidade de 2013, podemos observar a movimenta\u00e7\u00e3o do governo Barack Obama na prepara\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as que podem dar a t\u00f4nica para o com\u00e9rcio exterior e a economia internacional nesse seu segundo mandato. Assim, conforme mencionado acima, o governo j\u00e1 tem duas grandes rodadas de negocia\u00e7\u00f5es pela frente para 2013: uma que se diz respeito a acordos comerciais com a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (UE) e outra com um conjunto de pa\u00edses asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todas as conversa\u00e7\u00f5es dos EUA com a UE e a \u00c1sia, a ascens\u00e3o da China \u00e9 um dos grandes focos a serem trabalhados. Um acordo transatl\u00e2ntico est\u00e1 sendo &#8220;vendido&#8221; em ambos os mercados como uma forma de definir as regras de com\u00e9rcio para uma grande parte da economia mundial, de tal maneira que a China se veja compelida a aderir. Essas s\u00e3o medidas de extrema import\u00e2ncia para o capitalismo mundial, mas que ainda teremos de esperar o desfecho de tais rodadas de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra medida t\u00e3o importante quanto \u00e0 acima mencionada, mas que j\u00e1 desencadeia os seus efeitos mais evidentes para o cen\u00e1rio pol\u00edtico estadunidense \u00e9 a suspens\u00e3o \u201ctempor\u00e1ria\u201d do teto da d\u00edvida, de US$ 16,4 trilh\u00f5es, o que conduz o foco dos congressistas momentaneamente para o chamado sequestro or\u00e7ament\u00e1rio \u2014 os cortes autom\u00e1ticos que entrariam em vigor a partir mar\u00e7o\/abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, os republicanos querem usar as negocia\u00e7\u00f5es para extrair do governo mais cortes de gastos nos programas sociais. Por outro lado, os democratas argumentam que \u00e9 preciso compensar uma parte desses cortes com mais receita. O que se v\u00ea, ent\u00e3o, \u00e9 que as tentativas de \u201csa\u00eddas\u201d para os problemas ocasionados pela crise fazem com que tanto republicanos quanto democratas se aproximem e evidenciem-se cada vez mais como meros gerentes do capital, s\u00f3 reafirmando-os enquanto o \u00fanico partido da ordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, aliada a tais medidas, a emiss\u00e3o de d\u00f3lares \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que ainda permanecer\u00e1 no m\u00ednimo em m\u00e9dio prazo e que j\u00e1 est\u00e1 em pleno vigor. Grande parte dos d\u00f3lares adquiridos pelos bancos centrais mundo \u00e0 fora s\u00e3o usados na compra de obriga\u00e7\u00f5es da rep\u00fablica estadunidense, reenviando d\u00f3lares para os EUA. Esses pa\u00edses acabam por funcionar como credores, permitindo ao governo Obama financiar-se e manter taxas de juro baixas, o que facilita o consumo interno da popula\u00e7\u00e3o em geral de bens importados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, pode-se afirmar que sem a interven\u00e7\u00e3o dos bancos centrais dos outros pa\u00edses (com especial destaque para a China), os EUA n\u00e3o seriam capazes de financiar os seus d\u00e9ficits sem taxas de juro mais altas ou sem uma queda ainda maior do d\u00f3lar para n\u00edveis inferiores aos atuais. O pre\u00e7o desta pol\u00edtica \u00e9, ent\u00e3o, no geral, o de exacerbar as instabilidades internacionais, por um lado, e a de expandir, por outro lado, a oferta dom\u00e9stica de moeda de cada um desses pa\u00edses, acentuando problemas, principalmente em pa\u00edses como o Brasil, de uma alta da infla\u00e7\u00e3o sem ter o \u201cbenef\u00edcio\u201d do crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal \u201ctsunami monet\u00e1rio\u201d de d\u00f3lares, por sua vez, tem um grandioso impacto em todas as economias: pode fazer com que ela se aque\u00e7a ou esfrie, fazer com que um estado desonere os custos das empresas nacionais, aumente ou diminua a tributa\u00e7\u00e3o nacional, realize cortes no or\u00e7amento dos programas sociais, etc. Nesse sentido, podemos verificar ainda que a emiss\u00e3o mensal do Banco Central estadunidense de 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares tende a fazer com que tal fonte de capitais flua para pa\u00edses emergentes, vez que mant\u00e9m uma taxa de juros em regra alta, fazendo com que a moeda local se valorize e prejudique suas exporta\u00e7\u00f5es. Nesse sentido, os governos dos pa\u00edses \u201cprejudicados\u201d t\u00eam de tomar algumas atitudes para tornar sua economia mais rent\u00e1vel: isso, ent\u00e3o, passa por diminuir os custos de produ\u00e7\u00e3o das mercadorias, seja diminuindo a carga tribut\u00e1ria das empresas, seja diminuindo a taxa de juros na concess\u00e3o de cr\u00e9ditos, seja impondo a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho&#8230; tudo em nome de uma \u201ceconomia mais competitiva\u201d (qualquer semelhan\u00e7a com o Brasil n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia!).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme podemos notar, estamos tratando \u201cpor dentro do sistema\u201d de uma situa\u00e7\u00e3o em que o sistema capitalista como um todo recorre \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o da economia como modo de funcionamento predominante e se enreda em todos os problemas acima citados. A sa\u00edda de uma crise estrutural, uma crise mais profunda que atinge progressivamente em cheio a taxa de lucro do capital mundial, por meio de uma financeiriza\u00e7\u00e3o da economia torna a sociabilidade humana cada vez mais ref\u00e9m do humor do mercado mundial, simbolizado na figura endeusada do d\u00f3lar. Mesmo com toda a penumbra e irracionalidade que permeiam a compreens\u00e3o dessa complexidade da economia mundial, todas essas movimenta\u00e7\u00f5es t\u00eam de lidar com um fato inelimin\u00e1vel: o pr\u00f3prio capital \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o social; portanto, para que seja alcan\u00e7ada a permanente gera\u00e7\u00e3o de mais-dinheiro t\u00e3o almejada pelo crescimento das economias, faz-se necess\u00e1ria a explora\u00e7\u00e3o ao m\u00e1ximo do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E \u00e9 aqui que reside outro problema: mesmo com o aumento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, em nenhuma hip\u00f3tese o montante a ser extra\u00eddo da explora\u00e7\u00e3o daria conta de tornar rent\u00e1vel todo capital hoje existente no planeta. Muito pelo contr\u00e1rio, o que se d\u00e1 \u00e9: com o aumento da necessidade de se extrair um montante da explora\u00e7\u00e3o sempre maior, os capitais em concorr\u00eancia dos Estados nacionais fazem de tudo para ter menos custos na produ\u00e7\u00e3o e uma maior produtividade, o que acarreta um desemprego estrutural crescente. Esse mesmo desemprego estrutural crescente cria novas e maiores dificuldades para que circulem as mercadorias (vez que atinge frontalmente a gera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos empregos), resultando na pr\u00f3pria inviabilidade de muitos capitais. Temos, ent\u00e3o, como resultado, uma situa\u00e7\u00e3o incontrol\u00e1vel em que o capitalismo vai se colocando em um beco sem sa\u00edda: o capital financeiro termina sendo o seu grande problema e a \u00fanica \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d para sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cen\u00e1rio, ent\u00e3o, as economias nacionais, tal como a estadunidense, procede deslocando suas contradi\u00e7\u00f5es para outros territ\u00f3rios e contra sua popula\u00e7\u00e3o interna, intensificando a t\u00e3o conhecida situa\u00e7\u00e3o do \u201csalve-se quem puder\u201d. Assim, todos aqueles que lutam por uma sociedade emancipada deve visualizar um ano de 2013 com uma realidade bastante acirrada. Em decorr\u00eancia das medidas das economias nacionais para sobreviver \u00e0 crise e considerando a intensifica\u00e7\u00e3o das lutas ocorridas no ano de 2012 no mundo todo, o que se desenha \u00e9 uma tend\u00eancia em que se intensificar\u00e1 a resist\u00eancia dos movimentos classistas e anticapitalistas que ganharam for\u00e7a nos \u00faltimos anos. Por sua vez, o ganho em qualidade e quantidade desses movimentos de contesta\u00e7\u00e3o no interior dos EUA, dada sua import\u00e2ncia, cumpriria fun\u00e7\u00e3o vital na reconfigura\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o em PDF: &nbsp; Ou leia as mat\u00e9rias online: Por tr\u00e1s da fantasia, a realidade come\u00e7a a aparecer O acordo<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1730,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1692"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6495,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1692\/revisions\/6495"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}