{"id":171,"date":"2009-08-11T00:37:52","date_gmt":"2009-08-11T03:37:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/171"},"modified":"2018-06-01T15:34:02","modified_gmt":"2018-06-01T18:34:02","slug":"jornal-01-abril-de-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/08\/jornal-01-abril-de-2000\/","title":{"rendered":"Jornal 01: Abril de 2000"},"content":{"rendered":"<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"#titulo1\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo2\">Zeca do PT&#8230; do PSDB, PFL, PPB, PTB, construtores &#8230;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo3\">Pol\u00edtica vacilante e burocratismo versus reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento por fora dos aparatos &#8211; essa foi a t\u00f4nica do II encontro americano<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo4\">A democracia e os trabalhadores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo5\">HIP-HOP: Cultura e Pol\u00edtica<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo6\">O nascimento de um novo movimento oper\u00e1rio<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo7\">A Hist\u00f3ria &#8230; \u00e9 outros 500!<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo8\">O rem\u00e9dio amargo do capitalismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"#titulo9\">Mumia Abu Jamal: A Luta Continua!<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><a name=\"titulo1\"><\/a><\/h1>\n<h1>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>Este \u00e9 o segundo n\u00famero de nosso jornal. Para n\u00f3s uma vit\u00f3ria incr\u00edvel, pois aos poucos estamos avan\u00e7ando no projeto, de construir um espa\u00e7o de debates no campo revolucion\u00e1rio e socialista visando o objetivo maior que \u00e9 contribuir para a reconstru\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio sobre novas bases socialistas e de classes.<\/p>\n<p>Como os companheiros poder\u00e3o ver, as mat\u00e9rias n\u00e3o s\u00e3o opini\u00f5es do jornal (como a esquerda tradicional faz, de orienta\u00e7\u00e3o para os militantes de base), mas sim opini\u00f5es de coletivos estaduais, regionais e de militantes que expressam uma realidade pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>Neste ano de elei\u00e7\u00e3o vem a tona e, com a participa\u00e7\u00e3o ativa da esquerda, o deprimente jogo das campanhas eleitorais. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o o caminho para resolver os problemas pol\u00edticas e sociais do pa\u00eds? Qual deve ser a postura dos revolucion\u00e1rios frente a democracia? Este \u00e9 o tema abordado pela mat\u00e9ria &#8220;Democracia e os trabalhadores&#8221;.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da juventude que est\u00e1 cada vez mais exclu\u00edda \u00e9 abordada na mat\u00e9ria sobre As ra\u00edzes do Hip-Hop&#8221; e &#8220;Hip-Hop Cultura e Pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Temos a imensa satisfa\u00e7\u00e3o de apresentar o artigo do companheiro Emiliano (de Fortaleza), militante do Contra a Corrente que aborda um dos temas candentes da atualidade para todos os revolucion\u00e1rios que \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio em O nascimento de um novo movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a mat\u00e9ria sobre um tema que est\u00e1 pegando, que \u00e9 o dos rem\u00e9dios, escrita pelo companheiro Ney, do coletivo Bandeira Vermelha do Rio de Janeiro. E a campanha global dos 500 anos \u00e9 rebatida pelos camaradas professores de SP e busca discutir o car\u00e1ter da domina\u00e7\u00e3o capitalista sobre o pa\u00eds. Do norte, vem a mat\u00e9ria do companheiro da federal do Para, fazendo um balan\u00e7o pessoal do encontro contra o neoliberalismo realizado naquela cidade.<\/p>\n<p>E a administra\u00e7\u00e3o petista do Mato Grosso do Sul? Veja a opini\u00e3o do camarada M\u00e1rcio, militante de Campo Grande, que conhece de perto o modelo de governo da esquerda oficial.<\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 que com este n\u00famero consigamos dar mais um passo nesse projeto ambicioso, de unir mais e mais companheiros, de distintas tradi\u00e7\u00f5es, num projeto de uni\u00e3o dos revolucion\u00e1rios, rompendo com os conceitos sect\u00e1rios que muitas das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda tem at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Quanto ao nome do Jornal, tivemos v\u00e1rias propostas (Tribuna Socialista, Tribuna Vermelha, Bandeira Vermelha, Defendam-se, Folha Comunista, etc). Optamos pelo Espa\u00e7o Socialista, uma proposta de um companheiro de Bel\u00e9m, por acharmos que expressa a proposta do Jornal de ser um espa\u00e7o aberto de discuss\u00e3o e de id\u00e9ias socialistas.<\/p>\n<p>&#8220;Mais uma vez queremos manifestar nossos agradecimento e pedir \u00e0queles companheiros que queiram colaborar para o nosso jornal que o fa\u00e7am, enviando suas mat\u00e9rias por e-mail ou atrav\u00e9s de nossos colaboradores.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">Zeca do PT&#8230; do PSDB, PFL, PPB, PTB, construtores &#8230;<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">M\u00e1rcio Cabral &#8211;\u00a0Campo Grande-MS<\/p>\n<\/div>\n<p>A pouco mais de 15 meses tomou posse o governo petista de Zeca do PT sob uma cortina de fuma\u00e7a de um governo popular com grande apoio da popula\u00e7\u00e3o sul mato-grossense .Diferente do que muitos imaginavam essa vit\u00f3ria do PT em nada representava uma vit\u00f3ria da esquerda ou do chamado campo popular. Na verdade foi uma grande vit\u00f3ria da direita ao conseguir ganhar de vez o maior partido da esquerda do estado para o seu campo. Vale lembrar que j\u00e1 no primeiro turno, o ent\u00e3o candidato Zeca havia feito todo tipo de acordo com os setores conservadores do estado em troca de financiamento e apoio. No segundo turno foi escancarado de vez, at\u00e9 o arcdireitoso e ex-. governador por varias vezes do estado Pedro Pedrossiam, n\u00e3o s\u00f3 declarou apoio p\u00fablico como colocou toda a m\u00e1quina da sua campanha a servi\u00e7o do Movimento Muda MS (Zeca ) .<\/p>\n<h2>Clientelismo, nepotismo favorecimento&#8230; a cara do governo popular<\/h2>\n<p>J\u00e1 no in\u00edcio esse governo mostrou a que veio. Vale a pena ressaltar que ao assumir a l\u00f3gica de fazer a pol\u00edtica da burguesia, o PT tamb\u00e9m assumiu sua l\u00f3gica de governo ,ou seja, contrata\u00e7\u00e3o de parentes (sobrinhos , primos, esposas, irm\u00e3os do governador e do vice) para o governo. Fato vastamente publicado na imprensa nacional num verdadeiro esc\u00e2ndalo digno de ACM e cia Ltda. Na parte das contrata\u00e7\u00f5es, esc\u00e2ndalos tamb\u00e9m n\u00e3o faltaram. O mais conhecido envolve uma empresa de t\u00e1xi a\u00e9reo e o governador. Sem nos esquecermos das f\u00e9rias que Zeca e a fam\u00edlia passaram na casa de um grande construtor, que hoje \u00e9 o respons\u00e1vel pela maior obra em andamento no estado. N\u00e3o para por a\u00ed. O governo do estado atrav\u00e9s do DERSUL licitou uma ponte depois de j\u00e1 estar constru\u00edda, por sinal, pelo irm\u00e3o do ent\u00e3o presidente do que ? Do DERSUL!!!!!<\/p>\n<h2>A esquerda Petista e o PSTU<\/h2>\n<p>Desde antes do in\u00edcio da campanha travou-se um importante debate na esquerda sobre qual seria o car\u00e1ter de um poss\u00edvel governo do PT. Infelizmente toda a esquerda, sem exce\u00e7\u00e3o, contaminada pela embriagues eleitoral apoiou e participou, em maior ou menor grau, da frente eleitoral Muda MS<\/p>\n<p>O PSTU com sua velha ideologia de que as massas precisam fazer experi\u00eancias apoiou de fora, mas tendo seus programas financiados pelo PT, acabou tornando-se fio condutor da pol\u00edtica da burocracia petista, n\u00e3o se diferenciando nem denunciando o car\u00e1ter burgu\u00eas da frente. Ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o entrou em crise total, perdendo v\u00e1rios de seus filiados diretamente para o aparato do governo. Hoje encontra-se reduzido a poucos militantes na capital, por\u00e9m parece n\u00e3o ter tirado todas as li\u00e7\u00f5es de anos de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 burocracia petista e sindical. Continua na mesma vala comum da consigna de frente dos trabalhadores, quando n\u00e3o existe a menor chance de tal frente vir realmente a se concretizar. Vale a pena perguntar: frente dos trabalhadores com quem? Com o PT, PC do B? Ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel chamar esses partidos de oper\u00e1rios ou algo similar? Sinceramente acho que n\u00e3o!<\/p>\n<p>A chamada esquerda do PT, se \u00e9 que se pode chamar desse nome, um ente que ningu\u00e9m sabe ao certo o que \u00e9, e que passou de malas e bagagens ao campo do governo, assumiu cargos e brigou para t\u00ea-los sem o menor constrangimentos, limitando-se a fazer cr\u00edticas no marco do aparato estatal. Aqueles que n\u00e3o conseguiram cargos, via os acordos internos do PT, n\u00e3o se envergonharam de assumir a causa da Articula\u00e7\u00e3o e mais precisamente ao grupo Zequista. Parecem ter esquecido dos discursos inflamados de ontem. Hoje s\u00e3o os mais fervorosos defensores do Governo.<\/p>\n<p>Hoje, ainda mais do que ontem, est\u00e1 mais que provado que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o mudam e nem poder\u00e3o mudar a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. S\u00f3 a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos que vivem do trabalho, poder\u00e1 transformar a situa\u00e7\u00e3o de crise e desesperan\u00e7a que a maioria da popula\u00e7\u00e3o hoje vive.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1>Pol\u00edtica vacilante e burocratismo versus reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento por fora dos aparatos &#8211; essa foi a t\u00f4nica do II Encontro Americano<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Gustavo Curuja &#8211; Bel\u00e9m-PA<\/p>\n<p>Depois do sucesso ocorrido no I Encontro Americano pela Humanidade e contra o Neoliberalismo, realizado no ano de 1996 em Chiapas M\u00e9xico, organizado pelos Zapatistas e que contou com a ampla participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e um esp\u00edrito de solidariedade dos povos oprimidos, esperava-se que o 20 Encontro Americano, ocorrido em Bel\u00e9m do Par\u00e1 Brasil em dezembro de 1999, desse continuidade a esse importante processo de unifica\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de um programa pol\u00edtico (m\u00ednimo) que fosse capaz de organizar o movimento internacional em a\u00e7\u00f5es conjuntas em defesa dos direitos dos trabalhadores e de todos os que de alguma maneira tem historicamente sofrido com o preconceito, a discrimina\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Um bom n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es ou representantes de movimentos organizados compuseram as 2600 pessoas credenciadas dos cerca de 24 pa\u00edses representados no evento. Entre as mais importantes ou que participaram ativamente podemos destacar Zapatistas do M\u00e9xico, ELN da Col\u00f4mbia, Movimiento por un Partido de los Trabajadores e CTA da Argentina, Movimento Bolivariano da Venezuela, representante do PC Cubano, PIT\/CNT do Uruguai, Partido dos Trabalhadores do Brasil, PCR, PSTU, LBI, PCdoB, Movimento Hip-Hop, movimento Contra-Corrente Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do NE, MG, ES e PA, Comunidade Quilombolas, ONGs, Movimento Negro, de Mulheres, Gays, L\u00e9sbicas, entre outras.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o de um evento desse n\u00edvel, que deveria fundamentalmente contar com a experi\u00eancia dos Zapatistas e de outras organiza\u00e7\u00f5es como a FARC, MST, CUT e os partidos pol\u00edticos da esquerda socialista, acabou ficando sob responsabilidade da corrente petista For\u00e7a Socialista, com grandes desvios burocr\u00e1ticos e sem nenhuma tradi\u00e7\u00e3o de internacionalismo. Desenvolvendo uma pol\u00edtica de disputa eleitoral, burocr\u00e1tica e sem mobiliza\u00e7\u00e3o e, atualmente, administrando a prefeitura de Bel\u00e9m atrav\u00e9s de alian\u00e7a com a burguesia, esta corrente tomou para si a tarefa de transformar o II Encontro Americano em uma grande festa de propaganda da atual gest\u00e3o petista sem um m\u00ednimo de respeito aos verdadeiros objetivos deste encontro. Desde o princ\u00edpio, centralizando as decis\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento do evento na c\u00fapula do partido sem respeitar os f\u00f3runs de discuss\u00e3o internacional, esta corrente criou as condi\u00e7\u00f5es objetivas para a burocratiza\u00e7\u00e3o do evento estabelecendo uma metodologia pouco participativa que acabou enfraquecendo os grupos de trabalho impossibilitando a participa\u00e7\u00e3o da base. Al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o da voz e do voto nas decis\u00f5es pol\u00edticas que foram garantidas somente \u00e0queles que pudessem pagar os 15 reais de inscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando todos esses fatores, o encontro, que deveria ser um momento de ampla unidade na luta contra o neoliberalismo e pela humanidade, teve dias de grandes conflitos internos causado pela tentativa de exclus\u00e3o, por parte dos organizadores do evento, dos &#8220;sem crach\u00e1s&#8221;, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia da prefeitura de Bel\u00e9m. O descontentamento de um amplo setor de estudantes, trabalhadores, anarquistas, punks, al\u00e9m dos representantes ind\u00edgenas, devido a presen\u00e7a da pol\u00edcia municipal no evento, a falta de di\u00e1logo e as manipula\u00e7\u00f5es constantes, da dire\u00e7\u00e3o petistas, foi o estopim para que acontecesse uma rebeli\u00e3o e ao mesmo tempo uma ruptura com os organizadores do encontro.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um encontro alternativo contou com quase 50% dos participantes levando a uma experi\u00eancia interessante de auto-organiza\u00e7\u00e3o, conseguindo estabelecer o processo democr\u00e1tico at\u00e9 ent\u00e3o inexistente, e demonstrando que ainda existe vontade pol\u00edtica de um amplo setor da vanguarda de se desprender dos aparelhos burocr\u00e1ticos sem democracia direta. Este fato pol\u00edtico criado teve grande repercuss\u00e3o na m\u00eddia fazendo com que os petistas da for\u00e7a socialista culpassem os Anarcopunks pelo acontecido, caracterizando-os como v\u00e2ndalos e desordeiros.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos Zapatistas no encontro de forma pouco incisiva na disputas pol\u00edticas existentes e suas dificuldades de tomarem uma posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a crise provocou uma grande tens\u00e3o, o que levou a realiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias reuni\u00f5es de esclarecimentos, onde os Zapatistas, com uma atitude centrista, colocaram a necessidade da unidade pela unidade, sem ter uma postura cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos. Pressionados por uma ampla vanguarda para que tomassem uma posi\u00e7\u00e3o definitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s disputas acabaram concordando em apresentar aos petistas uma proposta de unifica\u00e7\u00e3o a partir dos crit\u00e9rios de democracia participativa, da n\u00e3o toler\u00e2ncia de policiais no encontro, do fortalecimento dos grupos de discuss\u00e3o e de elabora\u00e7\u00e3o e do credenciamento de todos os que quisessem participar, sendo ent\u00e3o, todos os pontos aceitos pelos representantes da For\u00e7a Socialista, j\u00e1 extremamente preocupados com o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse a volta da pol\u00edcia municipal para os port\u00f5es do local onde aconteceria a plen\u00e1ria final, como forma de controle pol\u00edtico das delibera\u00e7\u00f5es que viessem a ser votadas, e a presen\u00e7a de um grande contingente de policiais no interior do evento (o que criou uma revolta por parte de estudantes sem crach\u00e1 que queriam participar) o encontro Americano teria recuperado o seu objetivo fundamental. Por\u00e9m, a agress\u00e3o sofrida pelos estudantes da Universidade Federal do Par\u00e1 Andr\u00e9 Lu\u00eds Silva de Miranda e Luciana Chaves que, ap\u00f3s terem o seu direito de participar negado por n\u00e3o possu\u00edrem &#8220;crach\u00e1s&#8221;, e mobilizarem os restantes para entrar, sendo rapidamente detidos e espancados na frente dos demais, levou a novos conflitos.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o e o medo tomaram conta dos estudantes que tiveram que recuar sob a viol\u00eancia dos policiais at\u00e9 que viessem alguns dos participantes internos para socorr\u00ea-los, principalmente anarquistas e punks, que aproveitaram para denunciar a viol\u00eancia cometida pedindo aos representantes da mesa organizadora o direito de voz para os agredidos. O fato desse direito ter sido negado justamente no dia Internacional dos Direitos Humanos e de, nesse mesmo momento, utilizarem-se da cal\u00fania e da mentira como \u00fanica forma de isentarem-se da responsabilidade e da culpa pelo acontecido s\u00f3 fez aumentar a indigna\u00e7\u00e3o e a revolta. Cercados por uma vanguarda de luta e protegidos por um pelot\u00e3o de pobres mercen\u00e1rios (seguran\u00e7as contratados) n\u00e3o viram outra sa\u00edda sen\u00e3o decretar o fim do encontro Americano pela Humanidade e contra o neoliberalismo dispersando a multid\u00e3o para o p\u00e3o e circo que haviam preparado.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o poderia deixar de ser, o desdobramento dessa metodologia burocr\u00e1tica utilizada pelos petistas da For\u00e7a Socialista no II Encontro, acabou refletindo nas delibera\u00e7\u00f5es pol\u00edtica que foram aprovadas na plen\u00e1ria final. Estando os mesmos em maioria durante este processo, devido \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de crach\u00e1s em massa para a sua milit\u00e2ncia, garantiram a aprova\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica reformista sem estabelecer nenhum crit\u00e9rio classista para os atos e mobiliza\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o realizados a partir desse encontro. Por exemplo, n\u00e3o se deliberou acerca da defesa do socialismo com \u00fanica via capaz de garantir a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, demonstrando o quanto essa corrente petista e a sua dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 distante da luta real contra o neoliberalismo. A aprova\u00e7\u00e3o de uma marcha dos povos oprimidos das Am\u00e9ricas em dire\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico num per\u00edodo de 5 anos partindo de v\u00e1rios pa\u00edses, e o impulsionamento de um plebiscito sobre a d\u00edvida externa. Como se v\u00ea, nada concreto de fato no que se refere a atender a necessidade dos trabalhadores na Am\u00e9rica Latina hoje. Assim, este movimento corre o risco de n\u00e3o ter uma bandeira concreta de luta que unifique aqueles que defendem uma nova sociedade, diferente dos que acreditam na possibilidade de sensibiliza\u00e7\u00e3o dos capitalista burgueses para garantir maiores fatias de direitos sociais e renda para os pobres, ou seja, os setores reformistas, burocratas de gabinetes que vivem dos aparatos e que a muito vem negociando nos bastidores apostando na concilia\u00e7\u00e3o entre as classes.<\/p>\n<p>Percebendo o quanto essa postura pol\u00edtica \u00e9 prejudicial para todos n\u00f3s trabalhadores, estudantes, camponeses, negros, \u00edndios, mulheres e desempregados, hoje mais do nunca desesperados com a atual situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria que os capitalistas historicamente tem produzido, acreditamos que temos muito a refletir acerca da necessidade urgente de construirmos uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o para encaminhar os nossos interesses, tendo como princ\u00edpio fundamental a destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e dos aparelhos e aparatos tradicionais de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores hoje tomados pelo v\u00edcio e pela burocratiza\u00e7\u00e3o. A auto-organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da democracia direta com ampla participa\u00e7\u00e3o a partir de uma metodologia que garanta a elabora\u00e7\u00e3o na base, sem a tradicional hierarquiza\u00e7\u00e3o de cargos ou fun\u00e7\u00f5es, conforme pudemos ver nesse encontro, possibilitaria uma real igualdade, solidariedade e liberdade entre os povos e um esp\u00edrito de coletivismo. Isto nos daria condi\u00e7\u00f5es objetivas de construirmos a t\u00e3o sonhada sociedade sem classes e sem patr\u00f5es preconizada pelos verdadeiros revolucion\u00e1rios de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o, acerca do ocorrido no II Encontro, tem o intuito de esclarecer os fatos e ao mesmo tempo denunciar essa organiza\u00e7\u00e3o (For\u00e7a Socialista), al\u00e9m de ratificar nosso posicionamento em defesa intransigente do socialismo, do n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa, da reforma agr\u00e1ria radical sobre o controle dos trabalhadores, do direito de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, do fim da especula\u00e7\u00e3o financeira e da estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, bem como das demais reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e dos povos oprimidos pelo sistema capitalista.<\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">A democracia e os trabalhadores<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Duarte \/ Jo\u00e3o &#8211; ABC &#8211; S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n<p>A for\u00e7a existe para garantir a democracia. Com essas palavras, o antigo secret\u00e1rio de seguran\u00e7a do DF justificava a a\u00e7\u00e3o da PM e conseq\u00fcentemente do governo estadual na repress\u00e3o \u00e0 greve da Novacap (estatal de Bras\u00edlia) que culminou com o assassinato de um trabalhador e dezenas de feridos, entre os quais dois companheiros que acabaram perdendo a vis\u00e3o de um dos olhos.<\/p>\n<p>Esse coment\u00e1rio demonstra a verdadeira concep\u00e7\u00e3o da burguesia sobre a democracia. A liberdade \u00e9 universal desde que todos os explorados estejam aceitando passivamente o seu governo. Percebemos isso em qualquer pa\u00eds do mundo, basta que os trabalhadores e o povo oprimido saiam em busca de seus direitos, l\u00e1 est\u00e1 o cacetete democr\u00e1tico, com uso da for\u00e7a contra a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, com o falso discurso de defesa dos direitos da maioria e da democracia. A liberdade das pessoas no capitalismo \u00e9 do tamanho de seu poder aquisitivo.<\/p>\n<p>A democracia, apesar de toda a propaganda que se faz, nada mais \u00e9 que uma ferrenha ditadura contra os trabalhadores e o povo oprimido. Sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n<p>A Atual constitui\u00e7\u00e3o consagra o que os doutrinadores burgueses chamam de Estado Democr\u00e1tico de Direito , ou seja, um ordenamento jur\u00eddico e funcionamento do Estado onde deve prevalecer a lei (a democracia \u00e9 garantida pela for\u00e7a da lei), esta deve ser cumprida a qualquer custo. Na verdade, esse ordenamento jur\u00eddico esconde v\u00e1rias leis caracter\u00edsticas de regimes ditatoriais, como se fosse um almoxarifado. Quando a burguesia e seu governo est\u00e3o diante de processos radicalizados de luta, v\u00e3o l\u00e1 e sacam uma delas para dar fachada &#8220;legal&#8221; para reprimir os trabalhadores.<\/p>\n<p>Um bom exemplo \u00e9 a lei 7170\/83, mais conhecida como Lei de Seguran\u00e7a Nacional (LSN), que entre outras barbaridades imp\u00f5e pena de reclus\u00e3o de 1 a 4 anos para os que&#8230; incitar \u00e0 subvers\u00e3o da ordem pol\u00edtica e social ou ainda pena de deten\u00e7\u00e3o de 1 a 4 anos para os que &#8230; fizerem, em p\u00fablico, propaganda de processos violentos ou ilegais para altera\u00e7\u00e3o da ordem pol\u00edtica ou social. A pena \u00e9 aumentada em at\u00e9 1\/3 se a propaganda for em. local de trabalho.<\/p>\n<p>A democracia, na forma que esta estruturada s\u00f3 interessa aos poderosos. Independente do partido que ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o sempre vai ser a mesma por que o problema \u00e9 mais embaixo. Est\u00e1 nas regras do chamado &#8220;jogo democr\u00e1tico&#8221;. Quem vence as elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode em hip\u00f3teses alguma acabar com a propriedade privada, distribuir os lucros dos patr\u00f5es para todos os trabalhadores, deixar de pagar a d\u00edvida externa. Se acaso algum pol\u00edtico tentar fazer algo assim que dissemos acima, tem a constitui\u00e7\u00e3o, os tribunais, a imprensa e o Congresso para barrar e se tudo falhar, tem o Ex\u00e9rcito. O jogo j\u00e1 \u00e9 viciado desde o in\u00edcio. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. As campanhas milion\u00e1rias, o jogo de desinforma\u00e7\u00e3o e dissimula\u00e7\u00e3o, as manipula\u00e7\u00f5es das pesquisas e das urnas s\u00e3o a cara de um sistema que n\u00e3o admite que se mude as regras do jogo. O sistema capitalista pressup\u00f5e este tipo de democracia, a democracia burguesa.<\/p>\n<p>Faz 15 anos que o Brasil vive sob o signo da democracia burguesa. Durante este tempo, vivemos v\u00e1rias fases, ora de euforia democr\u00e1tica, ora de crises muito profundas, como foi no Fora Collor. O que mais marcou todo esse per\u00edodo foi que o regime burgu\u00eas em nenhum momento esteve amea\u00e7ado. Esse \u00e9 o desafio para os revolucion\u00e1rios, uma vez que com a queda do falso socialismo do Leste Europeu, os trabalhadores e a vanguarda est\u00e3o desorientados, mesmo com todo desgaste da democracia burguesa.<\/p>\n<p>Sob a democracia burguesa, os governos civis fizeram coisas que nem os militares se atreveram. Como os ataques violentos \u00e0s conquistas hist\u00f3ricas dos trabalhadores, a entrega das maiores e mais lucrativas estatais de todos os ramos da economia, a abertura da economia ao capital financeiro internacional, o fim da estabilidade do funcionalismo e principalmente a abertura do pa\u00eds aos capitalistas americanos e europeus.<\/p>\n<p>Diante disso abrimos essa discuss\u00e3o com todos os setores que queiram manifestar-se sobre os mecanismos de domina\u00e7\u00e3o da burguesia, de como e onde se expressa, o papel dos revolucion\u00e1rios dentro da democracia burguesa, a quest\u00e3o eleitoral, a viol\u00eancia, a cultura, etc&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 certo que as liberdades democr\u00e1ticas s\u00e3o conquistas importantes para os trabalhadores. No cone sul, foram necess\u00e1rios meses de mobiliza\u00e7\u00f5es, greves e enfrentamentos para conquist\u00e1-las pondo fim \u00e0 anos de ditaduras. Mas n\u00e3o podemos em hip\u00f3tese alguma entender como uma coisa em si mesma, um &#8220;valor universal&#8221;, como dizem os ide\u00f3logos da burguesia. A luta deve ser por destruir as ilus\u00f5es dessa democracia, denunciar permanentemente as ciladas burguesas e reconstruir o movimento oper\u00e1rio sobre novas bases classistas, socialistas e com independ\u00eancia de classe.<\/p>\n<p>A esquerda, inclusive a revolucion\u00e1ria, com raras exce\u00e7\u00f5es, diante das confus\u00f5es geradas p\u00f3s-89, tem se perdido nesse caminho. Quando um partido e\/ou uma organiza\u00e7\u00e3o, sob um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas, tem como centro de sua atua\u00e7\u00e3o a interven\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es do Estado, quando passa a atuar de acordo com as regras do jogo \u00e9 um claro sinal de capitula\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao sistema burgu\u00eas pois passa a vender a id\u00e9ia de que \u00e9 poss\u00edvel resolver os nossos problemas pelo processo eleitoral, dentro dos marcos do capitalismo.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 comum ouvir no movimento o nome dos candidatos, as articula\u00e7\u00f5es para coliga\u00e7\u00e3o com a esquerda, de que \u00e9 poss\u00edvel eleger, enfim j\u00e1 est\u00e3o perfeitamente sintonizados com o processo eleitoral. \u00c9 dessa forma que acontece a adapta\u00e7\u00e3o, ou seja, se acostuma, ao regime democr\u00e1tico, transforma a c\u00e9dula em uma pretensa arma superior \u00e0s lutas diretas, enfim toda a atua\u00e7\u00e3o tem como refer\u00eancia a elei\u00e7\u00e3o. A den\u00fancia \u00e9 no campo eleitoral &#8211; de que o governo n\u00e3o fez isso, n\u00e3o fez aquilo &#8211; N\u00e3o denunciando as mazelas do capitalismo, do questionamento do processo eleitoral como um todo, uma manobra da burguesia. Porque temos elei\u00e7\u00e3o de 2 em 2 anos? \u00c9 porque a burguesia \u00e9 boazinha? Ou \u00e9 para iludir permanentemente os explorados.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do Fora FHC e o FMI \u00e9 um exemplo, onde um setor da esquerda prop\u00f5e como alternativa a proposta de elei\u00e7\u00f5es gerais j\u00e1. Claro que queremos que FHC e o FMI estejam o quanto mais distante, mas da\u00ed dizer que as urnas podem dar a resposta, \u00e9 outra quest\u00e3o. Isso que \u00e9 capitula\u00e7\u00e3o! Essa campanha tem import\u00e2ncia pelo fato de que, na pr\u00e1tica, vai contra o regime. E se na hip\u00f3tese de que milhares saiam \u00e0s ruas, proporemos uma sa\u00edda dentro do regime para este se recompor como foi o caso do Fora Collor?<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o compartilhamos dessas id\u00e9ias. Para n\u00f3s a luta \u00e9 contra o sistema capitalista e as formas de domina\u00e7\u00e3o. E a luta pelo poder para os trabalhadores \u00e9 o problema central. Somos n\u00f3s quem produzimos as riquezas, a cultura e que geramos o desenvolvimento da sociedade. Somos n\u00f3s, trabalhadores, que devemos governar diretamente, com a nossa auto-organiza\u00e7\u00e3o. Devendo come\u00e7ar nos bairros e nas f\u00e1bricas e se estender por todo o pa\u00eds e pelo mundo. O Estado se modifica por baixo e nunca pela superestrutura.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">HIP-HOP: Cultura e Pol\u00edtica<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Marcelo Marques<\/p>\n<\/div>\n<p>O pr\u00f3prio capitalismo cria e arma os seres que corroem as estruturas deste sistema podre.<\/p>\n<p>O imperialismo americano ao invadir a Am\u00e9rica Latina corrompendo todo o cotidiano de sua vida, \u00e0s vezes atira pela culatra. A ind\u00fastria de cultura de massa ao impor o idioma ingl\u00eas como refer\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o trouxe a reboque, uma nova linguagem altamente nociva aos seus interesses consumistas.<\/p>\n<p>Como toda linguagem de periferia &#8220;que sobrevive \u00e0 estat\u00edsticas&#8221; o Hip-Hop tamb\u00e9m tem seu lado violento.<\/p>\n<p>Rimando em letras incendi\u00e1rias o rap mostra sua cara e lembra \u00e0 pequena popula\u00e7\u00e3o do Shopping Center que o garoto do sem\u00e1foro tamb\u00e9m sonha, tem orgulho e n\u00e3o est\u00e1 disposto a aceitar apenas centavos. Como um pesadelo para a classe m\u00e9dia (em extin\u00e7\u00e3o) este garoto n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 e reconhece que faz parte de um ex\u00e9rcito de marginalizados mundo afora.<\/p>\n<p>Como porta-vozes da periferia, seja ela paulista (Racionais), carioca (MV Bill) ou da &#8220;quebrada&#8221; de Bras\u00edlia (G.O.G.) atiram com sua metralhadora girat\u00f3ria em todos os valores burgueses, atingindo tanto o sonho do carro importado, quanto a ilus\u00e3o da representatividade pol\u00edtica dentro do congresso ou na assembl\u00e9ia legislativa mais pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Exigindo tomada de posi\u00e7\u00e3o de todos que escutam sua &#8220;batida&#8221;, n\u00e3o permite vacilo prova o alto custo dos cortes no or\u00e7amento social, que toda propriedade \u00e9 um roubo, j\u00e1 que os &#8220;manos&#8221; nunca tiveram nada e s\u00f3 conhecem a lei da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Dan\u00e7ando Break e grafitando seu dia a dia, forma-se um grande &#8220;tr\u00e1fico de informa\u00e7\u00f5es&#8221; estendendo seus tent\u00e1culos pelas periferias de todo continente, influenciando bandas como: Rage Against the Machinne (apoio declarado ao E. Z. L. N. e ao M. S. T.), Charlie Brown Jr e grande parte da nova gera\u00e7\u00e3o musical contempor\u00e2nea a mesclar guitarras e batidas com letras \u00e1cidas e protestos pr\u00e1ticos, inclusive apoio \u00e0 formas anti-capitalistas de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Uma nova consci\u00eancia internacionalista brota do gueto: TODOS S\u00c3O MANOS.<\/p>\n<h2>ABC &#8211; S\u00e3o Paulo: As ra\u00edzes do hip-hop<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Carlos Wellington &#8211; ABC &#8211; S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Os efeitos desse sistema excludente, que adota procedimentos obscuros, revelam-se muitas vezes criminosos, outras vezes assassinos. Nas favelas e periferias, a agressividade dessa viol\u00eancia \u00e9 dupla, n\u00e3o se limita a fatores de abandono. Os grupos do status quo (formado por policiais) punem \u00e0queles que faltam com seu dever. O dever de permanecer passivo na mis\u00e9ria, num sistema capitalista totalmente excludente.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que queriam os burgueses (que s\u00e3o respons\u00e1veis por esse sistema) que todos os jovens se conformassem com os rem\u00e9dios suaves &#8211; carnaval, copa do mundo, pagode, religi\u00e3o e tantos outros anestesiantes &#8211; que s\u00e3o bondosamente doados aos miser\u00e1veis promovidos pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Mas por tr\u00e1s de todo esse mascaramento da realidade, desse espet\u00e1culo pregui\u00e7osamente engolido (o qual a esquerda tradicional participa ativamente onde ela &#8220;gentilmente&#8221; administra o capitalismo), pesa o sofrimento humano, um sofrimento real, gravado no tempo, naquilo que tece a verdadeira hist\u00f3ria sempre ocultada. Sofrimento irrevers\u00edvel das massas sacrificadas, quer dizer, de consci\u00eancias torturadas e negadas uma por uma.<\/p>\n<p>Para os jovens que est\u00e3o destinados de antem\u00e3o \u00e0 exclus\u00e3o, o desastre \u00e9 sem sa\u00edda e sem limites, nem mesmo ilus\u00f3rios. Toda uma rede rigorosamente tecida, que j\u00e1 \u00e9 quase uma tradi\u00e7\u00e3o, lhes pro\u00edbe a aquisi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de meios legais de viver, mas tamb\u00e9m de qualquer raz\u00e3o homologada para faz\u00ea-lo. Marginais pela sua condi\u00e7\u00e3o, geograficamente definidos antes mesmo de nascer, reprovados de imediato, eles s\u00e3o os &#8220;exclu\u00eddos&#8221; por excel\u00eancia. Virtuoses da exclus\u00e3o! Por acaso eles n\u00e3o moram naqueles lugares concebidos para se transformar em guetos? Guetos de trabalhadores antigamente, j\u00e1 que hoje a fonte de trabalho secou. Por acaso esse endere\u00e7o em face de nossos crit\u00e9rios sociais n\u00e3o indica: &#8220;terras de ningu\u00e9m&#8221; ou &#8220;terras dos que n\u00e3o s\u00e3o homens&#8221; ou mesmo de &#8220;n\u00e3o homens&#8221;?<\/p>\n<p>\u00c9 imediata e flagrante aqui a situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a e de desigualdade, sem que os interessados sejam os respons\u00e1veis, sem que eles pr\u00f3prios tenham-se colocado nessa situa\u00e7\u00e3o. Seus limites j\u00e1 estavam fixados desde antes de nascer, por esse sistema capitalista.<\/p>\n<p>A sociedade indiferente a situa\u00e7\u00e3o desperta assustada, escandalizada: &#8220;eles n\u00e3o se integram; eles n\u00e3o aceitam tudo com a gratid\u00e3o que era de se esperar&#8221; &#8211; pelo menos sem se debater, sem sobressaltos ali\u00e1s in\u00fateis, sem infra\u00e7\u00f5es ao sistema que os expulsa, que os encarcera na reivindica\u00e7\u00e3o de algo que ele n\u00e3o pode lhes dar (o trabalho). Bloqueados numa segrega\u00e7\u00e3o n\u00e3o formulada, &#8220;eles&#8221; t\u00eam a indec\u00eancia de n\u00e3o se integrar!<\/p>\n<p>Mas integrar-se a qu\u00ea? Ao desemprego, \u00e0 mis\u00e9ria? \u00c0 rejei\u00e7\u00e3o? \u00c0s vacuidades do t\u00e9dio, ao sentimento de ser in\u00fatil, ou at\u00e9 mesmo parasita? Ao futuro sem projeto? Integrar-se! Mas a que grupo rejeitado, a que grau de pobreza, a que tipos de provas, que sinais de desespero? Integrar-se a hierarquias que, de imediato, relegam ao n\u00edvel mais humilhante sem dar jamais a possibilidade de fazer as provas? Integrar-se \u00e0 ordem capitalista que, de of\u00edcio, nega todo direito ao respeito? A essa lei impl\u00edcita que quer que aos pobres seja concedida vida de pobre, interesse de pobre (isto \u00e9, nenhum interesse) e trabalhos de pobre (se houver trabalho)?<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed, nesse vazio, nesse estado vago sem fim que destinos s\u00e3o aprisionados e desagregados, que se afogam energias, que se anulam trajet\u00f3rias. Aqueles cuja juventude, impotente, caiu na armadilha da marginalidade oficializada, t\u00eam consci\u00eancia disso e preferem n\u00e3o demorar a enfrentar a seq\u00fc\u00eancia de suas vidas.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed que parte desse vazio \u00e9 preenchido de forma subversiva (amea\u00e7adora \u00e0 ordem vigente). Os exclu\u00eddos agora tem um movimento cultural que pode (tende para isso) se converter em algo desestabilizador do sistema capitalista. Algo pol\u00edtico. Ou melhor, algo politizadamente pol\u00edtico (tende para isso) j\u00e1 que toda e qualquer forma de a\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica! S\u00f3 que o movimento Hip-Hop tende a ser aquela a\u00e7\u00e3o que n\u00e3o aceita a sua exclus\u00e3o, da forma que descobrir\u00e3o que a \u00fanica forma de se inclu\u00edrem na sociedade \u00e9 excluindo (pondo abaixo) o sistema capitalista. E assim vingando os mortos, v\u00edtimas desse sistema. Mortos muitas vezes deixados nas ruas com seus duros paralelep\u00edpedos, mas bem mais macios que esse sistema capitalista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">O nascimento de um novo movimento oper\u00e1rio<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Jo\u00e3o Emiliano- militante do Contra a Corrente Fortaleza- CE<\/p>\n<\/div>\n<p><b>O velho movimento oper\u00e1rio est\u00e1 em crise e em crise terminal<\/b>. Aquele movimento oper\u00e1rio surgido ap\u00f3s a segunda guerra, baseado nos grandes sindicatos, nos partidos parlamentares ditos oper\u00e1rios e numa estrat\u00e9gia nacional de luta j\u00e1 n\u00e3o consegue, de nenhum modo, dar respostas aos problemas atuais. Este era um modelo pr\u00f3prio ao per\u00edodo de prosperidade do capitalismo (1945-73), no qual as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias compunham o esfor\u00e7o de reconstru\u00e7\u00e3o do capitalismo (na Europa) ou de moderniza\u00e7\u00e3o retardat\u00e1ria (como na Am\u00e9rica Latina). Particularmente em nosso continente, a fun\u00e7\u00e3o modernizadora (nacional-desenvolvimentista) da antiga estrat\u00e9gia do movimento, sob controle ou n\u00e3o dos velhos PCs ou outras correntes nacionalistas, baseava-se fundamentalmente na id\u00e9ia de um desenvolvimento nacional independente a partir de um papel soberano do Estado, o qual deveria participar da economia, desenvolvendo-a e distribuindo rendas. Era uma fun\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica semelhante ao que cumpriam, na Europa, os partidos socialistas e comunistas e suas centrais sindicais.<\/p>\n<p>A mundializa\u00e7\u00e3o da economia que nada mais \u00e9 do que o controle do mercado mundial por imensas corpora\u00e7\u00f5es transnacionais deu uma imensa liberdade de movimento ao capital, representando um poder frente ao proletariado ao qual este n\u00e3o pode se contrapor sen\u00e3o superando completamente a estrat\u00e9gia e os m\u00e9todos de luta tradicionais. Sob este aspecto, o que est\u00e1 em crise n\u00e3o \u00e9 uma ou outra experi\u00eancia de luta prolet\u00e1ria, uma ou outra corrente pol\u00edtica: mas o conjunto do antigo movimento oper\u00e1rio, em todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p>Como basear a luta prolet\u00e1ria nas lutas de categorias, quando a condi\u00e7\u00e3o para a implanta\u00e7\u00e3o das sedes das transnacionais s\u00e3o precisamente os baixos sal\u00e1rios? Como basear nos sindicatos a organiza\u00e7\u00e3o da classe, se a maioria da classe est\u00e1 desempregada ou em situa\u00e7\u00e3o precarizada? Como buscar politizar as lutas prolet\u00e1rias e populares tendo como alvo central os governos e Estados nacionais, se o poder real hoje (inclusive no que toca \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, ambiental, cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica etc) est\u00e1 n\u00e3o mais nos Estados nacionais, mas, nas corpora\u00e7\u00f5es monopolistas transnacionais e suas institui\u00e7\u00f5es (OMC, BM, FMI e acordos comerciais regionais)?<\/p>\n<p>O que explica o esvaziamento das antigas formas de organiza\u00e7\u00e3o e de luta de massas, e inclusive a crise das correntes pol\u00edticas, \u00e9, antes de tudo, essas mudan\u00e7as na realidade e a incapacidade do movimento tradicional de corresponder \u00e0s novas exig\u00eancias.<\/p>\n<p><b>O interessante, no entanto, \u00e9 que, na crise, est\u00e1 nascendo um novo movimento oper\u00e1rio.<\/b> A manifesta\u00e7\u00e3o em Seattle (EUA), em novembro do ano passado, durante a abertura da nova rodada do mil\u00eanio da OMC \u00e9 um exemplo disso. 5O mil pessoas, de diversas partes do mundo e de diversos setores sociais, atrasaram, durante duas horas, o in\u00edcio da reuni\u00e3o; presidentes e ministros de diversas partes do mundo ficaram presos nos hot\u00e9is, sem seguran\u00e7a para sa\u00edrem; outros, s\u00f3 entraram no Teatro Parammount, onde se realizaria a abertura oficial do evento, pulando janelas, como ladr\u00f5es de galinha; Clinton foi aconselhado a adiar a decolagem de seu avi\u00e3o. Nas ruas, completamente ocupadas pelas massas, as pessoas festejavam a demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a popular. Uns cartazes diziam: Fechamos a OMC! Um jovem trabalhador, fot\u00f3grafo, declarava ao rep\u00f3rter do Le Monde Diplomatique: Viemos aqui porque n\u00e3o queremos mais ser tratados como coisas. N\u00e3o somos mercadorias. Quem estava l\u00e1? Jovens trabalhadores, sindicalistas alternativos, ecologistas, movimentos de mulheres, movimentos de gays e l\u00e9sbicas, estudantes, pescadores, pequenos agricultores, movimentos de direitos humanos&#8230; O que reivindicavam? Contra os baixos sal\u00e1rios, o desemprego, o trabalho infantil, o trabalho escravo no Terceiro Mundo, a extin\u00e7\u00e3o das tartarugas&#8230; E reivindicavam contra quem? Contra a OMC que, segundo afirmavam, \u00e9 o verdadeiro poder das corpora\u00e7\u00f5es&#8230; A for\u00e7a do movimento foi t\u00e3o grande que, durante tr\u00eas dias, a Prefeitura local decretou toque de recolher a partir das 18 horas! O interessante, no entanto, \u00e9 que este n\u00e3o foi a \u00fanica manifesta\u00e7\u00e3o. No mesmo dia, 30 de novembro, os sindicalistas e ambientalistas oficiais tamb\u00e9m fizeram uma pequena, sem massa, em local e ritual acordado com as autoridades&#8230; Neste cen\u00e1rio, defrontaram-se claramente o novo e o velho movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o da manifesta\u00e7\u00e3o de Seattle se deu a partir das iniciativas dos movimentos que comp\u00f5em a AGP (A\u00e7\u00e3o Global dos Povos). A AGP \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o mundial, que congrega de forma horizontal e n\u00e3o-hier\u00e1rquica, movimentos aut\u00f4nomos dos cinco continentes; sua estrat\u00e9gia principal \u00e9 a unifica\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o e na reflex\u00e3o dos movimentos de base que, independentes dos Estados e poderes econ\u00f4micos, se baseiem na democracia direta e na a\u00e7\u00e3o direta tendo como alvo o combate mundial ao poder do capital transnacional. Antes dessa manifesta\u00e7\u00e3o de Seattle, j\u00e1 havia impulsionado a manifesta\u00e7\u00e3o de fevereiro de 98, em Genebra, durante a reuni\u00e3o do G-7, e, em 18 de junho do ano passado, um dia de luta internacional contra os centros do capital financeiro. A sua pr\u00f3xima atividade \u00e9 o chamado a realizar em 1\u00ba de maio pr\u00f3ximo uma nova A\u00e7\u00e3o Global Contra o Capitalismo.<\/p>\n<p><b>O que h\u00e1 de novo nessa experi\u00eancia<\/b> \u00e9 tanto uma nova estrat\u00e9gia, como novos m\u00e9todos de organiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o. Uma estrat\u00e9gia anticapitalista que \u00e9 insepar\u00e1vel do internacionalismo; um m\u00e9todo de luta baseado na a\u00e7\u00e3o direta, que \u00e9 insepar\u00e1vel da autonomia das formas de organiza\u00e7\u00e3o de base. Fundamentalmente, o que esta nova experi\u00eancia demonstra \u00e9 a possibilidade de ultrapassarmos positivamente o corporativismo e o nacionalismo, como tamb\u00e9m a id\u00e9ia de que a for\u00e7a do movimento depende de quem est\u00e1 na sua dire\u00e7\u00e3o. Essas novas formas de movimento, no centro e na periferia do movimento, est\u00e1 buscando se basear na auto-organiza\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o horizontal, sem a velha divis\u00e3o de trabalho entre dirigentes e dirigidos, especialistas e executantes. Busca ultrapassar a id\u00e9ia do combate econ\u00f4mico centrado no sal\u00e1rio e demonstra que o dom\u00ednio da economia sobre a vida humana \u00e9 que \u00e9 o problema, e problema que se manifesta em todas as \u00e1reas da vida social: os direitos humanos, a cultura, a opress\u00e3o sobre as mulheres, o trabalho infantil, a crise ecol\u00f3gica&#8230; como tamb\u00e9m sobre o desemprego, os baixos sal\u00e1rios, os direitos trabalhistas. Est\u00e1 questionando, portanto, o pr\u00f3prio mercado: a mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida, das pessoas, da cultura&#8230; E n\u00e3o tem mais a ilus\u00e3o de que o poder est\u00e1 nos Estados nacionais: como tornou-se vis\u00edvel, o Estado n\u00e3o pode mais ser a via pela qual busquemos a emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade; do que se trata, como diz o manifesto da AGP, \u00e9 colocar nas m\u00e3os dos povos os poderosos meios de vida que hoje est\u00e3o nas das corpora\u00e7\u00f5es, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias e solid\u00e1rias, sem o objetivo de lucro.<\/p>\n<p><b>Ser\u00e1 que conseguiremos aprender com as novas experi\u00eancias<\/b>, n\u00f3s que viemos de uma tradi\u00e7\u00e3o marxista que privilegiou sempre as formas tradicionais do movimento oper\u00e1rio? N\u00f3s que, a despeito do nosso internacionalismo professado, buscamos sempre basear nossos esfor\u00e7os numa estrat\u00e9gia de luta pela tomada do poder de Estado nacional? N\u00f3s que sempre acreditamos que o central era nos catapultarmos como dire\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e construirmos nossas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es dirigentes? Ser\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 na hora de estabelecermos uma rela\u00e7\u00e3o horizontal com o restante da classe, tendo em vista contribuirmos para a sua auto-organiza\u00e7\u00e3o? N\u00e3o estar\u00e1 na hora de buscarmos dar essa contribui\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das m\u00faltiplas formas que o pr\u00f3prio movimento espont\u00e2neo da classe est\u00e1 nos apontando: o trabalho de cultura prolet\u00e1rio, grupos oper\u00e1rios aut\u00f4nomos, organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas dos precarizados etc? Enfim, n\u00e3o estar\u00e1 na hora de compreendermos na sua radicalidade a afirma\u00e7\u00e3o de que a emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 obra dos pr\u00f3prios trabalhadores?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">A Hist\u00f3ria &#8230; \u00e9 outros 500!<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Alex e Ira (ABC)<\/p>\n<\/div>\n<p>Com a comemora\u00e7\u00e3o euf\u00f3rica dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, os meios de comunica\u00e7\u00e3o e m\u00eddia n\u00e3o produzem somente uma falsifica\u00e7\u00e3o da nossa hist\u00f3ria, mascaram todo o processo de invas\u00e3o e ocultam a real situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, preconceito, viol\u00eancia social, destrui\u00e7\u00e3o de todos os valores humanos e coletivos que sofremos.<\/p>\n<p>A outra marca da campanha Brasil &#8211; 500 Anos \u00e9 seu clima de otimismo conformista sobre o futuro. \u00c9 o que est\u00e1 embutido na id\u00e9ia de que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds jovem (?), globalizado, integrado ao primeiro mundo e rumo ao desenvolvimento, o que poderia ser constatado na dissemina\u00e7\u00e3o de computadores, celulares, TV\u00b4s a cabo, turismo, que povoa os sonhos e a vida dos que ainda podem consumir.<\/p>\n<p>Mas, se formos ver, esse otimismo conservador n\u00e3o tem a menor base na realidade dos milh\u00f5es que vivem do seu trabalho, hoje mais explorados, inseguros e infelizes do que nunca.<\/p>\n<p>O desemprego estrutural bate novo recorde e o rebaixamento dos sal\u00e1rios e direitos s\u00e3o a t\u00f4nica no Brasil como em toda Am\u00e9rica Latina. Com o emprego de novas tecnologias, terceiriza\u00e7\u00f5es, etc a super-explora\u00e7\u00e3o dos capitalistas ocorre sobre um n\u00famero menor de trabalhadores com jornadas e ritmos extenuantes e nos mostra uma face bem mais monstruosa do que vemos na telinha ou nos sambas-enredos do Carnaval.<\/p>\n<p>O aumento da discrimina\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o dos negros, problemas como as drogas, chacinas executadas por grupos de exterm\u00ednio ou diretamente pela pol\u00edcia v\u00e3o se tornando cada vez mais normais.<\/p>\n<p>Quanto ao que restou das comunidades ind\u00edgenas, o capitalismo lhes imp\u00f5e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s suas regras ou a morte, o que j\u00e1 est\u00e1 levando \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o completa de identidades e tradi\u00e7\u00f5es muito ricas, mas sem valor para o capital.<\/p>\n<p>Um menor olhar cr\u00edtico tamb\u00e9m basta para deixar qualquer um perplexo com as cat\u00e1strofes urbanas e camponesas (enchentes, desabamentos, polui\u00e7\u00e3o ambiental, desmatamentos, efeito estufa, destrui\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio) criadas pela civiliza\u00e7\u00e3o do capital. Projetar nosso pensamento para o futuro nos faz sentir um calafrio&#8230;A barb\u00e1rie est\u00e1 batendo \u00e0 nossa porta!<\/p>\n<p>Sendo assim, toda a euforia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o a respeito da situa\u00e7\u00e3o e das perspectivas do Brasil e do mundo s\u00f3 pode corresponder aos interesses dos grandes empres\u00e1rios que tentam passar a imagem de que aqui tudo est\u00e1 bem. No momento em que os 10 mais ricos controlam 50,6% da renda nacional (maior taxa de concentra\u00e7\u00e3o do mundo).<\/p>\n<p>Como todo rico emergente, procuram festejar o hoje e n\u00e3o pensar nem nos outros seres humanos, nem no amanh\u00e3. Presos \u00e0 sua pr\u00f3pria realidade de parasitas, comemoraram o anivers\u00e1rio de um processo de conquista e pilhagens, passando a id\u00e9ia de que os seus \u00eaxitos de domina\u00e7\u00e3o s\u00e3o de todos. Querem nos contaminar com suas id\u00e9ias e valores.<\/p>\n<p>Essa farsa pode ser at\u00e9 eficaz por um per\u00edodo, at\u00e9 que venham os pr\u00f3ximos momentos de agravamento da crise econ\u00f4mica hoje varrida para debaixo do tapete.<\/p>\n<p>Hoje, as classes dominantes podem comemorar principalmente o fato de que os trabalhadores e demais explorados brasileiros das diversas etnias e origens n\u00e3o desenvolveram ainda uma alternativa unificada e internacionalizada de resist\u00eancia e muito menos um projeto de sociedade alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mas, a hist\u00f3ria n\u00e3o deu sua \u00faltima palavra. Atravessado por contradi\u00e7\u00f5es insol\u00faveis e sem oferecer qualquer perspectiva de um futuro digno, esse sistema n\u00e3o \u00e9 indestrut\u00edvel como procura se apresentar.<\/p>\n<p>O movimento subterr\u00e2neo de experi\u00eancias e descontentamento se desenvolve e em toda parte vemos que os explorados se recusam a perecer sem lutar. Ainda que desorientada, nossa classe come\u00e7a a reagir, inventando diversas formas de resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o (os sem-terra, o movimento Hip-Hop, as lutas dos camel\u00f4s, dos perueiros, dos caminhoneiros, lutas essas que j\u00e1 n\u00e3o se enquadram nos esquemas sindicais envelhecidos e corrompidos.<\/p>\n<p>Devemos reconhecer que, ao estarmos deste lado, as tarefas n\u00e3o s\u00e3o nada f\u00e1ceis. Mas n\u00e3o podemos cair no des\u00e2nimo ou no conformismo. T\u00e3o pouco o desespero e o imediatismo conduzir\u00e3o a bons resultados. \u00c9 preciso livrarmo-nos dessa heran\u00e7a escravista. N\u00e3o podemos levar mais 500 anos para mudarmos o rumo de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pensar e lutar por uma sa\u00edda frente a atual da situa\u00e7\u00e3o dos explorados e oprimidos exige estudo e atua\u00e7\u00e3o nas diversas formas de resist\u00eancia que se constitu\u00edram e ainda sobrevivem contra o processo de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que se implantou no pa\u00eds nesses 500 anos.<\/p>\n<p>As lutas dos ind\u00edgenas para sobreviverem e dos negros com sua recusa a viverem como escravos; as experi\u00eancias comunit\u00e1rias como os quilombos, aldeias ind\u00edgenas; as lutas dos imigrantes por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e remunera\u00e7\u00e3o; as insurrei\u00e7\u00f5es como a Cabanagem, Canudos, a Balaiada, etc; as lutas da jovem classe oper\u00e1ria influenciada pelas id\u00e9ias libert\u00e1rias do anarquismo italiano, etc&#8230; as experi\u00eancias das comunidades e guerrilhas camponesas pela terra; a resist\u00eancia contra a ditadura militar; as lutas sindicais dos anos 70 e 80,etc. As lutas das mulheres pelo fim regime patriarcal, das comunidades camponesas e tantos outros que surgiram nesses anos todos de domina\u00e7\u00e3o constituem um imenso patrim\u00f4nio, geralmente menosprezado pelas esquerdas.<\/p>\n<p>Hoje, cabe aos novos movimentos que se colocam em cena, se coordenarem e atuarem sobre os trabalhadores industriais e de outros setores fortes da economia, no sentido de influenci\u00e1-los com suas bandeiras. Tamb\u00e9m ser\u00e1 necess\u00e1rio que os segmentos tradicionais da classe que vive do seu pr\u00f3prio trabalho, por sua vez, estabele\u00e7a a unidade com todos esses setores, incorporando suas reivindica\u00e7\u00f5es e v\u00e1rias de suas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>A expropria\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas, t\u00e9cnicas e ci\u00eancias desenvolvidas pelo capitalismo, transformando-as e colocando-as sob a gest\u00e3o direta e coletiva dos trabalhadores, direcionando o seu uso para o bem estar humano e n\u00e3o para o lucro, \u00e9 a \u00fanica forma de assimilar os progressos desenvolvidos sob o capitalismo e fazer com que os estragos humanos e ambientais provocados por esses 500 anos sejam revertidos.<\/p>\n<p>Por outro lado \u00e9 necess\u00e1rio combatermos o nacionalismo desenfreado e estabelecermos v\u00ednculos na dire\u00e7\u00e3o dos outros pa\u00edses e povos da Am\u00e9rica Latina, que tamb\u00e9m s\u00e3o fruto de uma mesma cultura de domina\u00e7\u00e3o. Seria necess\u00e1rio retomar a id\u00e9ia de uma Segunda Liberta\u00e7\u00e3o latino-americana, desta vez a liberta\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Ao nosso ver, duas tarefas hoje se destacam nessa dire\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>A participa\u00e7\u00e3o social nas lutas e experi\u00eancias da classe trabalhadora como seus aliados e impulsionadores e n\u00e3o como seus guias; como seus interlocutores e n\u00e3o como seus mestres; lutando para ajudar a produzir a consci\u00eancia e uma sa\u00edda de classe e n\u00e3o como transmissores de uma suposta consci\u00eancia que julgamos possuir.<\/li>\n<li>O reagrupamento internacional dos revolucion\u00e1rios que ganha sentido como forma de multiplicarmos a for\u00e7a e influ\u00eancia das id\u00e9ias anticapitalistas, socialistas e libert\u00e1rias com o objetivo de se construir s\u00ednteses e n\u00e3o dogmas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na verdade o projeto Brasil, 500 anos \u00e9 a tentativa mais violenta de demonstra\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o sem conflitos \u00e0s custas da falsifica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e do ocultamento da dura realidade da nossa classe.<\/p>\n<p>500 anos de exterm\u00ednio e etnoc\u00eddio;<\/p>\n<p>389 anos de massacre ao negro e a cultura afro;<\/p>\n<p>111 anos de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e imposi\u00e7\u00e3o da cultura capitalista.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos negar a nossa hist\u00f3ria, mas, podemos mudar o seu rumo!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=171#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">O rem\u00e9dio amargo do capitalismo<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Ney Nunes &#8211; Coletivo Bandeira Vermelha\/ RJ<\/p>\n<\/div>\n<p>Os aumentos nos pre\u00e7os dos rem\u00e9dios foram t\u00e3o violentos nos \u00faltimos cinco anos, que al\u00e9m de causarem a revolta nos consumidores, obrigaram o Congresso e o Governo a se posicionarem diante do que est\u00e1 conhecido na m\u00eddia como o esc\u00e2ndalo dos rem\u00e9dios. At\u00e9 mesmo uma CPI dos medicamentos foi criada na C\u00e2mara Federal, e o Ministro da Sa\u00fade Jos\u00e9 Serra veio a p\u00fablico denunciar os abusos da ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>Levantamentos feitos pelos Conselhos Regionais de Farm\u00e1cia e pelo pr\u00f3prio minist\u00e9rio da sa\u00fade, apontam aumentos de at\u00e9 200% acima da infla\u00e7\u00e3o de 1994 a 1999. Enquanto isso as mat\u00e9rias primas usadas na fabrica\u00e7\u00e3o desses rem\u00e9dios sofriam redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os nos exterior. Uma explora\u00e7\u00e3o covarde contra milh\u00f5es de brasileiros, principalmente os mais idosos obrigados a usar os chamados medicamentos de uso cont\u00ednuo.<\/p>\n<h2>Globaliza\u00e7\u00e3o que vem de longe<\/h2>\n<p>O setor de medicamentos no Brasil \u00e9 um dos mais internacionalizados da economia, a abertura aqui foi intensificada na d\u00e9cada de 70. Hoje os laborat\u00f3rios que ditam os pre\u00e7os no Brasil s\u00e3o multinacionais. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Qu\u00edmica Fina apenas 10% da mat\u00e9ria prima dos rem\u00e9dios \u00e9 produzida aqui.<\/p>\n<p>Os laborat\u00f3rios estatais tamb\u00e9m sofreram um processo de desmonte a fim de limpar o caminho das multis, mas nos que ainda funcionam pode se ver a disparidade de pre\u00e7os. Exemplo s\u00e3o os hospitais federais no Rio de Janeiro, que gastavam R$ 5 milh\u00f5es nos laborat\u00f3rios privados, e para os mesmos produtos gastaram R$ 1,8 milh\u00f5es em laborat\u00f3rios do Estado.<\/p>\n<p>Diante desse quadro o ministro Jos\u00e9 Serra e o presidente da CPI Nelson Marchezan (PSDB-RS), fazem discursos demag\u00f3gicos de indigna\u00e7\u00e3o, mas apresentam como propostas para reduzir os pre\u00e7os dos rem\u00e9dios a isen\u00e7\u00e3o de impostos para os laborat\u00f3rios e tamb\u00e9m para a importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas. Um verdadeiro esc\u00e2ndalo dentro do esc\u00e2ndalo! Essas medidas s\u00f3 servem para engordar mais ainda os lucros dessas empresas, reduzindo a arrecada\u00e7\u00e3o justamente daqueles que podem pagar. Essa \u00e9 a resposta do governo FHC e das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do capitalismo, c\u00famplices e agentes dessa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso transformar a indigna\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiros com tudo o que se relaciona ao setor de sa\u00fade em uma campanha contra o capitalismo e seus agentes, \u00e9 necess\u00e1rio romper com qualquer expectativa de sa\u00eddas institucionais, construir com as v\u00edtimas desse sistema, os diversos segmentos profissionais da \u00e1rea, e o conjunto dos trabalhadores um programa e uma teia de organiza\u00e7\u00f5es de luta contra a explora\u00e7\u00e3o na sa\u00fade! Exigir a humaniza\u00e7\u00e3o e a socializa\u00e7\u00e3o de tudo que se relaciona \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica no Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo9\"><\/a><\/p>\n<div id=\"page-headline\">\n<h1 id=\"page-title\">Mumia Abu Jamal: A Luta Continua!<\/h1>\n<\/div>\n<p>Como resultado das manifesta\u00e7\u00f5es pelo mundo afora, o juiz federal Willian Yohn, suspendeu, pela segunda vez, a execu\u00e7\u00e3o do ativista negro Mumia Abu Jamal que desta vez estava marcada para o ia 02 de Dezembro de 1999.<\/p>\n<p>Esta campanha internacional tem import\u00e2ncia por v\u00e1rios aspectos:<\/p>\n<ol>\n<li>Coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do mundo inteiro o car\u00e1ter racista e parcial da justi\u00e7a (?) americana. A pena de morte e racismo do Estado americano s\u00e3o a ponta do iceberg da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que os trabalhadores americanos, principalmente os negros e chicanos (imigrantes provenientes dos pa\u00edses latinos), sofrem diariamente nas m\u00e3os dos maiores capitalistas do mundo. Nos EUA t\u00eam ampliado a aplica\u00e7\u00e3o da pena de morte. At\u00e9 o m\u00eas de setembro 76 pessoas foram executadas, sendo o maior \u00edndice desde 1945 e tem servido como uma amea\u00e7a aos setores mais explorados da sociedade americana, exatamente aqueles que oferecem maior risco \u00e0 estabilidade americana. Dos 3500 condenados \u00e0 morte 40% s\u00e3o negros e outros aproximadamente 40% s\u00e3o os chicanos. Na Pennsylvania, onde os negros \u00e9 de apenas 9% da popula\u00e7\u00e3o total, dos condenados \u00e0 morte 62% s\u00e3o negros. Das 176 ordens de execu\u00e7\u00e3o do Estado da Pennsylvania, 100 s\u00e3o negros, os chamados afro-americanos.<\/li>\n<li>Mostra que a chamada maior democracia do mundo \u00e9 na verdade a maior ditadura do mundo. E os atos de autoritarismo e ditatoriais n\u00e3o se restringem \u00e0s interven\u00e7\u00f5es e ataques aos povos em luta pelo mundo afora, mas tamb\u00e9m aos lutadores e ativistas dentro do Estado americano. M\u00famia \u00e9 na verdade o bode expiat\u00f3rio, o exemplo que os lutadores n\u00e3o devem seguir, pois, sen\u00e3o ter\u00e3o o mesmo fim. M\u00famia esta sendo condenado por sua luta contra a opress\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias. Ali\u00e1s, o imperialismo americano j\u00e1 tem uma d\u00edvida para com os trabalhadores do mundo com o assassinato covarde dos inocentes anarquistas Sacco e Vanzetti. O processo que M\u00famia sofre parece muito com aqueles roteiros dos filmes americanos em que provas s\u00e3o falsificadas, o j\u00fari \u00e9 escolhido a dedo e o juiz \u00e9 declaradamente parcial e racista. S\u00f3 que na vida real, n\u00e3o basta um golpe de sorte para se descobrir as maracutaias, mas sim a amplia\u00e7\u00e3o e massifica\u00e7\u00e3o dessa campanha.<\/li>\n<li>Nos \u00faltimos anos poucas campanhas alcan\u00e7aram tamanha repercuss\u00e3o internacional, onde praticamente todas as correntes do pensamento revolucion\u00e1rio, de entidades estudantis, sindicais, direitos humanos e anarquistas se engajaram nesta campanha que j\u00e1 obteve duas vit\u00f3rias parciais que foram a suspens\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o em 95 e agora em 99. Essa campanha tamb\u00e9m tem import\u00e2ncia pelo resgate da solidariedade internacional dos trabalhadores e povos oprimidos do mundo inteiro, que os stalinistas e burocratas retiraram do movimento dos explorados do mundo. Foram diversas manifesta\u00e7\u00f5es pelo mundo afora como Fran\u00e7a, Alemanha, diversos Estados americanos, Equador, Argentina entre outros e no pr\u00f3prio Brasil aconteceram diversas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n<h2>Pr\u00f3ximos passos<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a suspens\u00e3o provis\u00f3ria da pena as manifesta\u00e7\u00f5es continuaram com maior intensidade como na embaixada americana em Bras\u00edlia e nos consulados americanos no dia 21 de mar\u00e7o, em Fortaleza que reuniu 120 pessoas. A banda Rage Against Machine, uma das mais expressivas bandas da atualidade tem colocado seus shows \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dessa campanha, denunciando publicamente a tentativa de assassinato contra a vida de Mumia.<\/p>\n<p>Todos os militantes do movimento social, independente de sua posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, devem se engajar nessa campanha para salvar a vida desse ativista, organizando em cada local ( de trabalho, de estudo, de moradia, etc&#8230;) atividades para continuar as denuncias e press\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Mande mensagens de protesto para:<\/p>\n<p>Embaixada americana:<br \/>\nSES 801 LT3<br \/>\nBras\u00edlia ; CEP 70403-900<\/p>\n<p>Envie carta e\/ou FAX protestando para: Governador da Pensilvania:<br \/>\nThomas Ridge<br \/>\nMain Capitol<br \/>\nBuilding, Room 225<br \/>\nHarrisburn, PA 17210- USA<br \/>\nFAX 717- 783 1396<\/p>\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade e apoio \u00e0 Mumia:<\/p>\n<p>Centro de Solidariedade \u00e0 Mumia Abu-Jamal<\/p>\n<p>AM 8335, SCI Green, 1040 E. Rpy F. Hwy<\/p>\n<p>Waynesburg, Pensilvania, PA 15370-USA.<\/p>\n<p><a href=\"#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Apresenta&ccedil;&atilde;o<\/h1>\n<p>Este &eacute; o segundo n&uacute;mero de nosso jornal. Para n&oacute;s uma vit&oacute;ria incr&iacute;vel, pois aos poucos estamos avan&ccedil;ando no projeto, de construir um espa&ccedil;o de debates no campo revolucion&aacute;rio e socialista visando o objetivo maior que &eacute; contribuir para a reconstru&ccedil;&atilde;o do movimento oper&aacute;rio sobre novas bases socialistas e de classes.<\/p>\n<p>Como os companheiros poder&atilde;o ver, as mat&eacute;rias n&atilde;o s&atilde;o  opini&otilde;es do jornal (como a esquerda tradicional faz, de orienta&ccedil;&atilde;o para os militantes de base), mas sim opini&otilde;es de coletivos estaduais, regionais e de militantes que expressam uma realidade pol&iacute;tica e social.<\/p>\n<p>Neste ano de elei&ccedil;&atilde;o vem a tona e, com a participa&ccedil;&atilde;o ativa da esquerda, o deprimente jogo das campanhas eleitorais. As elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o o caminho para resolver os problemas pol&iacute;ticas e sociais do pa&iacute;s? Qual deve ser a postura dos revolucion&aacute;rios frente a democracia? Este &eacute; o tema abordado pela mat&eacute;ria &quot;Democracia e os trabalhadores&quot;.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o da juventude que est&aacute; cada vez mais exclu&iacute;da &eacute; abordada na mat&eacute;ria sobre As ra&iacute;zes do Hip-Hop&quot; e &quot;Hip-Hop Cultura e Pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Temos a imensa satisfa&ccedil;&atilde;o de apresentar o artigo do companheiro Emiliano (de Fortaleza), militante do Contra a Corrente que aborda um dos temas candentes da atualidade para todos os revolucion&aacute;rios que &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o do movimento oper&aacute;rio em O nascimento de um novo movimento oper&aacute;rio.<\/p>\n<p>H&aacute; tamb&eacute;m a mat&eacute;ria sobre um tema que est&aacute; pegando, que &eacute; o dos rem&eacute;dios, escrita pelo companheiro Ney, do coletivo Bandeira Vermelha do Rio de Janeiro. E a campanha global dos 500 anos &eacute; rebatida pelos camaradas professores de SP e busca discutir o car&aacute;ter da domina&ccedil;&atilde;o capitalista sobre o pa&iacute;s. Do norte, vem a mat&eacute;ria do companheiro da federal do Para, fazendo um balan&ccedil;o pessoal do encontro contra o neoliberalismo realizado naquela cidade.<\/p>\n<p>E a administra&ccedil;&atilde;o petista do Mato Grosso do Sul? Veja a opini&atilde;o do camarada M&aacute;rcio, militante de Campo Grande, que conhece de perto o modelo de governo da esquerda oficial.<\/p>\n<p>O mais importante &eacute; que com este n&uacute;mero consigamos dar mais um passo nesse projeto ambicioso, de unir mais e mais companheiros, de distintas tradi&ccedil;&otilde;es, num projeto de uni&atilde;o dos revolucion&aacute;rios, rompendo com os conceitos sect&aacute;rios que muitas das organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda tem at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Quanto ao nome do Jornal, tivemos v&aacute;rias propostas (Tribuna Socialista, Tribuna Vermelha, Bandeira Vermelha, Defendam-se, Folha Comunista, etc). Optamos pelo Espa&ccedil;o Socialista, uma proposta de um companheiro de Bel&eacute;m, por acharmos que expressa a proposta do Jornal de ser um espa&ccedil;o aberto de discuss&atilde;o e de id&eacute;ias socialistas.<\/p>\n<p>&quot;Mais uma vez queremos manifestar nossos agradecimento e pedir  &agrave;queles companheiros que queiram  colaborar para o nosso jornal que o fa&ccedil;am, enviando suas mat&eacute;rias por e-mail ou atrav&eacute;s de nossos colaboradores.&quot;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6436,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions\/6436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}