{"id":173,"date":"2009-08-11T00:40:43","date_gmt":"2009-08-11T00:40:43","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/173"},"modified":"2018-05-05T18:18:40","modified_gmt":"2018-05-05T21:18:40","slug":"politica-vacilante-e-burocratismo-versus-reorganizacao-do-movimento-por-fora-dos-aparatos-essa-foi-a-tonica-do-ii-encontro-americano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/08\/politica-vacilante-e-burocratismo-versus-reorganizacao-do-movimento-por-fora-dos-aparatos-essa-foi-a-tonica-do-ii-encontro-americano\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica vacilante e burocratismo versus reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento por fora dos aparatos &#8211; essa foi a t\u00f4nica do II encontro americano"},"content":{"rendered":"<h1>Pol\u00edtica vacilante e burocratismo versus reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento por fora dos aparatos &#8211; essa foi a t\u00f4nica do ii encontro americano<\/h1>\n<p>Depois do sucesso ocorrido no I Encontro Americano pela Humanidade e contra o Neoliberalismo, realizado no ano de 1996 em Chiapas M\u00e9xico, organizado pelos Zapatistas e que contou com a ampla participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e um esp\u00edrito de solidariedade dos povos oprimidos, esperava-se que o 20 Encontro Americano, ocorrido em Bel\u00e9m do Par\u00e1 Brasil em dezembro de 1999, desse continuidade a esse importante processo de unifica\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de um programa pol\u00edtico (m\u00ednimo) que fosse capaz de organizar o movimento internacional em a\u00e7\u00f5es conjuntas em defesa dos direitos dos trabalhadores e de todos os que de alguma maneira tem historicamente sofrido com o preconceito, a discrimina\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Um bom n\u00famero de organiza\u00e7\u00f5es ou representantes de movimentos organizados compuseram as 2600 pessoas credenciadas dos cerca de 24 pa\u00edses representados no evento. Entre as mais importantes ou que participaram ativamente podemos destacar Zapatistas do M\u00e9xico, ELN da Col\u00f4mbia, Movimiento por un Partido de los Trabajadores e CTA da Argentina, Movimento Bolivariano da Venezuela, representante do PC Cubano, PIT\/CNT do Uruguai, Partido dos Trabalhadores do Brasil, PCR, PSTU, LBI, PCdoB, Movimento Hip-Hop, movimento Contra-Corrente Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do NE, MG, ES e PA, Comunidade Quilombolas, ONGs, Movimento Negro, de Mulheres, Gays, L\u00e9sbicas, entre outras.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o de um evento desse n\u00edvel, que deveria fundamentalmente contar com a experi\u00eancia dos Zapatistas e de outras organiza\u00e7\u00f5es como a FARC, MST, CUT e os partidos pol\u00edticos da esquerda socialista, acabou ficando sob responsabilidade da corrente petista For\u00e7a Socialista, com grandes desvios burocr\u00e1ticos e sem nenhuma tradi\u00e7\u00e3o de internacionalismo. Desenvolvendo uma pol\u00edtica de disputa eleitoral, burocr\u00e1tica e sem mobiliza\u00e7\u00e3o e, atualmente, administrando a prefeitura de Bel\u00e9m atrav\u00e9s de alian\u00e7a com a burguesia, esta corrente tomou para si a tarefa de transformar o II Encontro Americano em uma grande festa de propaganda da atual gest\u00e3o petista sem um m\u00ednimo de respeito aos verdadeiros objetivos deste encontro. Desde o princ\u00edpio, centralizando as decis\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento do evento na c\u00fapula do partido sem respeitar os f\u00f3runs de discuss\u00e3o internacional, esta corrente criou as condi\u00e7\u00f5es objetivas para a burocratiza\u00e7\u00e3o do evento estabelecendo uma metodologia pouco participativa que acabou enfraquecendo os grupos de trabalho impossibilitando a participa\u00e7\u00e3o da base. Al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o da voz e do voto nas decis\u00f5es pol\u00edticas que foram garantidas somente \u00e0queles que pudessem pagar os 15 reais de inscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando todos esses fatores, o encontro, que deveria ser um momento de ampla unidade na luta contra o neoliberalismo e pela humanidade, teve dias de grandes conflitos internos causado pela tentativa de exclus\u00e3o, por parte dos organizadores do evento, dos &#8220;sem crach\u00e1s&#8221;, atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia da prefeitura de Bel\u00e9m. O descontentamento de um amplo setor de estudantes, trabalhadores, anarquistas, punks, al\u00e9m dos representantes ind\u00edgenas, devido a presen\u00e7a da pol\u00edcia municipal no evento, a falta de di\u00e1logo e as manipula\u00e7\u00f5es constantes, da dire\u00e7\u00e3o petistas, foi o estopim para que acontecesse uma rebeli\u00e3o e ao mesmo tempo uma ruptura com os organizadores do encontro.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de um encontro alternativo contou com quase 50% dos participantes levando a uma experi\u00eancia interessante de auto-organiza\u00e7\u00e3o, conseguindo estabelecer o processo democr\u00e1tico at\u00e9 ent\u00e3o inexistente, e demonstrando que ainda existe vontade pol\u00edtica de um amplo setor da vanguarda de se desprender dos aparelhos burocr\u00e1ticos sem democracia direta. Este fato pol\u00edtico criado teve grande repercuss\u00e3o na m\u00eddia fazendo com que os petistas da for\u00e7a socialista culpassem os Anarcopunks pelo acontecido, caracterizando-os como v\u00e2ndalos e desordeiros.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos Zapatistas no encontro de forma pouco incisiva na disputas pol\u00edticas existentes e suas dificuldades de tomarem uma posi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a crise provocou uma grande tens\u00e3o, o que levou a realiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias reuni\u00f5es de esclarecimentos, onde os Zapatistas, com uma atitude centrista, colocaram a necessidade da unidade pela unidade, sem ter uma postura cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o aos acontecimentos. Pressionados por uma ampla vanguarda para que tomassem uma posi\u00e7\u00e3o definitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s disputas acabaram concordando em apresentar aos petistas uma proposta de unifica\u00e7\u00e3o a partir dos crit\u00e9rios de democracia participativa, da n\u00e3o toler\u00e2ncia de policiais no encontro, do fortalecimento dos grupos de discuss\u00e3o e de elabora\u00e7\u00e3o e do credenciamento de todos os que quisessem participar, sendo ent\u00e3o, todos os pontos aceitos pelos representantes da For\u00e7a Socialista, j\u00e1 extremamente preocupados com o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse a volta da pol\u00edcia municipal para os port\u00f5es do local onde aconteceria a plen\u00e1ria final, como forma de controle pol\u00edtico das delibera\u00e7\u00f5es que viessem a ser votadas, e a presen\u00e7a de um grande contingente de policiais no interior do evento (o que criou uma revolta por parte de estudantes sem crach\u00e1 que queriam participar) o encontro Americano teria recuperado o seu objetivo fundamental. Por\u00e9m, a agress\u00e3o sofrida pelos estudantes da Universidade Federal do Par\u00e1 Andr\u00e9 Lu\u00eds Silva de Miranda e Luciana Chaves que, ap\u00f3s terem o seu direito de participar negado por n\u00e3o possu\u00edrem &#8220;crach\u00e1s&#8221;, e mobilizarem os restantes para entrar, sendo rapidamente detidos e espancados na frente dos demais, levou a novos conflitos.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o e o medo tomaram conta dos estudantes que tiveram que recuar sob a viol\u00eancia dos policiais at\u00e9 que viessem alguns dos participantes internos para socorr\u00ea-los, principalmente anarquistas e punks, que aproveitaram para denunciar a viol\u00eancia cometida pedindo aos representantes da mesa organizadora o direito de voz para os agredidos. O fato desse direito ter sido negado justamente no dia Internacional dos Direitos Humanos e de, nesse mesmo momento, utilizarem-se da cal\u00fania e da mentira como \u00fanica forma de isentarem-se da responsabilidade e da culpa pelo acontecido s\u00f3 fez aumentar a indigna\u00e7\u00e3o e a revolta. Cercados por uma vanguarda de luta e protegidos por um pelot\u00e3o de pobres mercen\u00e1rios (seguran\u00e7as contratados) n\u00e3o viram outra sa\u00edda sen\u00e3o decretar o fim do encontro Americano pela Humanidade e contra o neoliberalismo dispersando a multid\u00e3o para o p\u00e3o e circo que haviam preparado.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o poderia deixar de ser, o desdobramento dessa metodologia burocr\u00e1tica utilizada pelos petistas da For\u00e7a Socialista no II Encontro, acabou refletindo nas delibera\u00e7\u00f5es pol\u00edtica que foram aprovadas na plen\u00e1ria final. Estando os mesmos em maioria durante este processo, devido \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de crach\u00e1s em massa para a sua milit\u00e2ncia, garantiram a aprova\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica reformista sem estabelecer nenhum crit\u00e9rio classista para os atos e mobiliza\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o realizados a partir desse encontro. Por exemplo, n\u00e3o se deliberou acerca da defesa do socialismo com \u00fanica via capaz de garantir a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, demonstrando o quanto essa corrente petista e a sua dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 distante da luta real contra o neoliberalismo. A aprova\u00e7\u00e3o de uma marcha dos povos oprimidos das Am\u00e9ricas em dire\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico num per\u00edodo de 5 anos partindo de v\u00e1rios pa\u00edses, e o impulsionamento de um plebiscito sobre a d\u00edvida externa. Como se v\u00ea, nada concreto de fato no que se refere a atender a necessidade dos trabalhadores na Am\u00e9rica Latina hoje. Assim, este movimento corre o risco de n\u00e3o ter uma bandeira concreta de luta que unifique aqueles que defendem uma nova sociedade, diferente dos que acreditam na possibilidade de sensibiliza\u00e7\u00e3o dos capitalista burgueses para garantir maiores fatias de direitos sociais e renda para os pobres, ou seja, os setores reformistas, burocratas de gabinetes que vivem dos aparatos e que a muito vem negociando nos bastidores apostando na concilia\u00e7\u00e3o entre as classes.<\/p>\n<p>Percebendo o quanto essa postura pol\u00edtica \u00e9 prejudicial para todos n\u00f3s trabalhadores, estudantes, camponeses, negros, \u00edndios, mulheres e desempregados, hoje mais do nunca desesperados com a atual situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria que os capitalistas historicamente tem produzido, acreditamos que temos muito a refletir acerca da necessidade urgente de construirmos uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o para encaminhar os nossos interesses, tendo como princ\u00edpio fundamental a destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e dos aparelhos e aparatos tradicionais de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores hoje tomados pelo v\u00edcio e pela burocratiza\u00e7\u00e3o. A auto-organiza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da democracia direta com ampla participa\u00e7\u00e3o a partir de uma metodologia que garanta a elabora\u00e7\u00e3o na base, sem a tradicional hierarquiza\u00e7\u00e3o de cargos ou fun\u00e7\u00f5es, conforme pudemos ver nesse encontro, possibilitaria uma real igualdade, solidariedade e liberdade entre os povos e um esp\u00edrito de coletivismo. Isto nos daria condi\u00e7\u00f5es objetivas de construirmos a t\u00e3o sonhada sociedade sem classes e sem patr\u00f5es preconizada pelos verdadeiros revolucion\u00e1rios de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o, acerca do ocorrido no II Encontro, tem o intuito de esclarecer os fatos e ao mesmo tempo denunciar essa organiza\u00e7\u00e3o (For\u00e7a Socialista), al\u00e9m de ratificar nosso posicionamento em defesa intransigente do socialismo, do n\u00e3o pagamento da d\u00edvida externa, da reforma agr\u00e1ria radical sobre o controle dos trabalhadores, do direito de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, do fim da especula\u00e7\u00e3o financeira e da estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, bem como das demais reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e dos povos oprimidos pelo sistema capitalista.<\/p>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p align=\"right\">Gustavo Curuja &#8211; Bel\u00e9m-PA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h1>Pol&iacute;tica vacilante e burocratismo versus reorganiza&ccedil;&atilde;o do movimento por fora dos aparatos &#8211; essa foi a t&ocirc;nica do ii encontro americano<\/h1>\n<p>Depois do sucesso ocorrido no I Encontro Americano pela Humanidade e contra o Neoliberalismo, realizado no ano de 1996 em Chiapas  M&eacute;xico, organizado pelos Zapatistas e que contou com a ampla participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e um esp&iacute;rito de solidariedade dos povos oprimidos, esperava-se que o 20 Encontro Americano, ocorrido em Bel&eacute;m do Par&aacute;  Brasil em dezembro de 1999, desse continuidade a esse importante processo de unifica&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de um programa pol&iacute;tico (m&iacute;nimo) que fosse capaz de organizar o movimento internacional em a&ccedil;&otilde;es conjuntas em defesa dos direitos dos trabalhadores e de todos os que de alguma maneira tem historicamente sofrido com o preconceito, a discrimina&ccedil;&atilde;o e a opress&atilde;o do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Um bom n&uacute;mero de organiza&ccedil;&otilde;es ou representantes de movimentos organizados compuseram as 2600 pessoas credenciadas dos cerca de 24 pa&iacute;ses representados no evento. Entre as mais importantes ou que participaram ativamente podemos destacar Zapatistas do M&eacute;xico, ELN da Col&ocirc;mbia, Movimiento por un Partido de los Trabajadores e CTA da Argentina, Movimento Bolivariano da Venezuela, representante do PC Cubano, PIT\/CNT do Uruguai, Partido dos Trabalhadores do Brasil, PCR, PSTU, LBI, PCdoB, Movimento Hip-Hop, movimento Contra-Corrente Articula&ccedil;&atilde;o dos Povos Ind&iacute;genas do NE, MG, ES e PA, Comunidade Quilombolas, ONGs, Movimento Negro, de Mulheres, Gays, L&eacute;sbicas, entre outras.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o de um evento desse n&iacute;vel, que deveria fundamentalmente contar com a experi&ecirc;ncia dos Zapatistas e de outras organiza&ccedil;&otilde;es como a FARC, MST, CUT e os partidos pol&iacute;ticos da esquerda socialista, acabou ficando sob responsabilidade da corrente petista For&ccedil;a Socialista, com grandes desvios burocr&aacute;ticos e sem nenhuma tradi&ccedil;&atilde;o de internacionalismo. Desenvolvendo uma pol&iacute;tica de disputa eleitoral, burocr&aacute;tica e sem mobiliza&ccedil;&atilde;o e, atualmente, administrando a prefeitura de Bel&eacute;m atrav&eacute;s de alian&ccedil;a com a burguesia, esta corrente tomou para si a tarefa de transformar o II Encontro Americano em uma grande festa de propaganda da atual gest&atilde;o petista sem um m&iacute;nimo de respeito aos verdadeiros objetivos deste encontro. Desde o princ&iacute;pio, centralizando as decis&otilde;es de organiza&ccedil;&atilde;o e funcionamento do evento na c&uacute;pula do partido sem respeitar os f&oacute;runs de discuss&atilde;o internacional, esta corrente criou as condi&ccedil;&otilde;es objetivas para a burocratiza&ccedil;&atilde;o do evento estabelecendo uma metodologia pouco participativa que acabou enfraquecendo os grupos de trabalho impossibilitando a participa&ccedil;&atilde;o da base. 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O descontentamento de um amplo setor de estudantes, trabalhadores, anarquistas, punks, al&eacute;m dos representantes ind&iacute;genas, devido a presen&ccedil;a da pol&iacute;cia municipal no evento, a falta de di&aacute;logo e as manipula&ccedil;&otilde;es constantes, da dire&ccedil;&atilde;o petistas, foi o estopim para que acontecesse uma rebeli&atilde;o e ao mesmo tempo uma ruptura com os organizadores do encontro.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o de um encontro alternativo contou com quase 50% dos participantes levando a uma experi&ecirc;ncia interessante de auto-organiza&ccedil;&atilde;o, conseguindo estabelecer o processo democr&aacute;tico at&eacute; ent&atilde;o inexistente, e demonstrando que ainda existe vontade pol&iacute;tica de um amplo setor da vanguarda de se desprender dos aparelhos burocr&aacute;ticos sem democracia direta. Este fato pol&iacute;tico criado teve grande repercuss&atilde;o na m&iacute;dia fazendo com que os petistas da for&ccedil;a socialista culpassem os Anarcopunks pelo acontecido, caracterizando-os como v&acirc;ndalos e desordeiros.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a dos Zapatistas no encontro de forma pouco incisiva na disputas pol&iacute;ticas existentes e suas dificuldades de tomarem uma posi&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria em rela&ccedil;&atilde;o a crise provocou uma grande tens&atilde;o, o que levou a realiza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias reuni&otilde;es de esclarecimentos, onde os Zapatistas, com uma atitude centrista, colocaram a necessidade da unidade pela unidade, sem ter uma postura cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o aos acontecimentos. Pressionados por uma ampla vanguarda para que tomassem uma posi&ccedil;&atilde;o definitiva em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s disputas acabaram concordando em apresentar aos petistas uma proposta de unifica&ccedil;&atilde;o a partir dos crit&eacute;rios de democracia participativa, da n&atilde;o toler&acirc;ncia de policiais no encontro, do fortalecimento dos grupos de discuss&atilde;o e de elabora&ccedil;&atilde;o e do credenciamento de todos os que quisessem participar, sendo ent&atilde;o, todos os pontos aceitos pelos representantes da For&ccedil;a Socialista, j&aacute; extremamente preocupados com o que estava acontecendo.<\/p>\n<p>N&atilde;o fosse a volta da pol&iacute;cia municipal para os port&otilde;es do local onde aconteceria a plen&aacute;ria final, como forma de controle pol&iacute;tico das delibera&ccedil;&otilde;es que viessem a ser votadas, e a presen&ccedil;a de um grande contingente de policiais no interior do evento (o que criou uma revolta por parte de estudantes sem crach&aacute; que queriam participar) o encontro Americano teria recuperado o seu objetivo fundamental. 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O fato desse direito ter sido negado justamente no dia Internacional dos Direitos Humanos e de, nesse mesmo momento, utilizarem-se da cal&uacute;nia e da mentira como &uacute;nica forma de isentarem-se da responsabilidade e da culpa pelo acontecido s&oacute; fez aumentar a indigna&ccedil;&atilde;o e a revolta. Cercados por uma vanguarda de luta e protegidos por um pelot&atilde;o de pobres mercen&aacute;rios (seguran&ccedil;as contratados) n&atilde;o viram outra sa&iacute;da sen&atilde;o decretar o fim do encontro Americano pela Humanidade e contra o neoliberalismo dispersando a multid&atilde;o para o p&atilde;o e circo que haviam preparado.<\/p>\n<p>Como n&atilde;o poderia deixar de ser, o desdobramento dessa metodologia burocr&aacute;tica utilizada pelos petistas da For&ccedil;a Socialista no II Encontro, acabou refletindo nas delibera&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tica que foram aprovadas na plen&aacute;ria final. Estando os mesmos em maioria durante este processo, devido &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o de crach&aacute;s em massa para a sua milit&acirc;ncia, garantiram a aprova&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica reformista sem estabelecer nenhum crit&eacute;rio classista para os atos e mobiliza&ccedil;&otilde;es que ser&atilde;o realizados a partir desse encontro. Por exemplo, n&atilde;o se deliberou acerca da defesa do socialismo com &uacute;nica via capaz de garantir a emancipa&ccedil;&atilde;o dos povos contra a explora&ccedil;&atilde;o capitalista, demonstrando o quanto essa corrente petista e a sua dire&ccedil;&atilde;o est&aacute; distante da luta real contra o neoliberalismo. A aprova&ccedil;&atilde;o de uma marcha dos povos oprimidos das Am&eacute;ricas em dire&ccedil;&atilde;o ao M&eacute;xico num per&iacute;odo de 5 anos partindo de v&aacute;rios pa&iacute;ses, e o impulsionamento de um plebiscito sobre a d&iacute;vida externa. 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Assim, este movimento corre o risco de n&atilde;o ter uma bandeira concreta de luta que unifique aqueles que defendem uma nova sociedade, diferente dos que acreditam na possibilidade de sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos capitalista burgueses para garantir maiores fatias de direitos sociais e renda para os pobres, ou seja, os setores reformistas, burocratas de gabinetes que vivem dos aparatos e que a muito vem negociando nos bastidores apostando na concilia&ccedil;&atilde;o entre as classes.<\/p>\n<p>Percebendo o quanto essa postura pol&iacute;tica &eacute; prejudicial para todos n&oacute;s trabalhadores, estudantes, camponeses, negros, &iacute;ndios, mulheres e desempregados, hoje mais do nunca desesperados com a atual situa&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria que os capitalistas historicamente tem produzido, acreditamos que temos muito a refletir acerca da necessidade urgente de construirmos uma nova forma de organiza&ccedil;&atilde;o para encaminhar os nossos interesses, tendo como princ&iacute;pio fundamental a destrui&ccedil;&atilde;o do capitalismo e dos aparelhos e aparatos tradicionais de representa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores hoje tomados pelo v&iacute;cio e pela burocratiza&ccedil;&atilde;o. 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Isto nos daria condi&ccedil;&otilde;es objetivas de construirmos a t&atilde;o sonhada sociedade sem classes e sem patr&otilde;es preconizada pelos verdadeiros revolucion&aacute;rios de nossa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Essa reflex&atilde;o, acerca do ocorrido no II Encontro, tem o intuito de esclarecer os fatos e ao mesmo tempo denunciar essa organiza&ccedil;&atilde;o (For&ccedil;a Socialista), al&eacute;m de ratificar nosso posicionamento em defesa intransigente do socialismo, do n&atilde;o pagamento da d&iacute;vida externa, da reforma agr&aacute;ria radical sobre o controle dos trabalhadores, do direito de autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos, da redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio, do fim da especula&ccedil;&atilde;o financeira e da estatiza&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro, bem como das demais reivindica&ccedil;&otilde;es da classe trabalhadora e dos povos oprimidos pelo sistema capitalista.<\/p>\n<p>Sauda&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias.<\/p>\n<p align=\"right\">Gustavo Curuja &#8211; Bel&eacute;m-PA.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[87,64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6277,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173\/revisions\/6277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}