{"id":176,"date":"2010-04-25T21:50:24","date_gmt":"2010-04-26T00:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/176"},"modified":"2018-05-05T17:36:20","modified_gmt":"2018-05-05T20:36:20","slug":"o-nascimento-de-um-novo-movimento-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/o-nascimento-de-um-novo-movimento-operario\/","title":{"rendered":"O nascimento de um novo movimento oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><b>O velho movimento oper&aacute;rio est&aacute; em crise  e em crise terminal<\/b>. Aquele movimento oper&aacute;rio surgido ap&oacute;s a segunda guerra, baseado nos grandes sindicatos, nos partidos parlamentares ditos oper&aacute;rios e numa estrat&eacute;gia nacional de luta j&aacute; n&atilde;o consegue, de nenhum modo, dar respostas aos problemas atuais. Este era um modelo pr&oacute;prio ao per&iacute;odo de prosperidade do capitalismo (1945-73), no qual as organiza&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias compunham o esfor&ccedil;o de reconstru&ccedil;&atilde;o do capitalismo (na Europa) ou de moderniza&ccedil;&atilde;o retardat&aacute;ria (como na Am&eacute;rica Latina). Particularmente em nosso continente, a fun&ccedil;&atilde;o modernizadora (nacional-desenvolvimentista) da antiga estrat&eacute;gia do movimento, sob controle ou n&atilde;o dos velhos PCs ou outras correntes nacionalistas, baseava-se fundamentalmente na id&eacute;ia de um desenvolvimento nacional independente a partir de um papel soberano do Estado, o qual deveria participar da economia, desenvolvendo-a e distribuindo rendas. Era uma fun&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica semelhante ao que cumpriam, na Europa, os partidos socialistas e comunistas e suas centrais sindicais.<\/p>\n<p>A mundializa&ccedil;&atilde;o da economia  que nada mais &eacute; do que o controle do mercado mundial por imensas corpora&ccedil;&otilde;es transnacionais  deu uma imensa liberdade de movimento ao capital, representando um poder frente ao proletariado ao qual este n&atilde;o pode se contrapor sen&atilde;o superando completamente a estrat&eacute;gia e os m&eacute;todos de luta tradicionais. Sob este aspecto, o que est&aacute; em crise n&atilde;o &eacute; uma ou outra experi&ecirc;ncia de luta prolet&aacute;ria, uma ou outra corrente pol&iacute;tica: mas o conjunto do antigo movimento oper&aacute;rio, em todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p>Como basear a luta prolet&aacute;ria nas lutas de categorias, quando a condi&ccedil;&atilde;o para a implanta&ccedil;&atilde;o das sedes das transnacionais s&atilde;o precisamente os baixos sal&aacute;rios? Como basear nos sindicatos a organiza&ccedil;&atilde;o da classe, se a maioria da classe est&aacute; desempregada ou em situa&ccedil;&atilde;o precarizada? Como buscar politizar as lutas prolet&aacute;rias e populares tendo como alvo central os governos e Estados nacionais, se o poder real hoje (inclusive no que toca &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, ambiental, cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gica etc) est&aacute; n&atilde;o mais nos Estados nacionais, mas, nas corpora&ccedil;&otilde;es monopolistas transnacionais e suas institui&ccedil;&otilde;es (OMC, BM, FMI e acordos comerciais regionais)?<\/p>\n<p>O que explica o esvaziamento das antigas formas de organiza&ccedil;&atilde;o e de luta de massas, e inclusive a crise das correntes pol&iacute;ticas, &eacute;, antes de tudo, essas mudan&ccedil;as na realidade e a incapacidade do movimento tradicional de corresponder &agrave;s novas exig&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><b>O interessante, no entanto, &eacute; que, na crise, est&aacute; nascendo um novo movimento oper&aacute;rio.<\/b> A manifesta&ccedil;&atilde;o em Seattle (EUA), em novembro do ano passado, durante a abertura da nova rodada do mil&ecirc;nio da OMC &eacute; um exemplo disso. 5O mil pessoas, de diversas partes do mundo e de diversos setores sociais, atrasaram, durante duas horas, o in&iacute;cio da reuni&atilde;o; presidentes e ministros de diversas partes do mundo ficaram presos nos hot&eacute;is, sem seguran&ccedil;a para sa&iacute;rem; outros, s&oacute; entraram no Teatro Parammount, onde se realizaria a abertura oficial do evento, pulando janelas, como ladr&otilde;es de galinha; Clinton foi aconselhado a adiar a decolagem de seu avi&atilde;o. Nas ruas, completamente ocupadas pelas massas, as pessoas festejavam a demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a popular. Uns cartazes diziam: Fechamos a OMC! Um jovem trabalhador, fot&oacute;grafo, declarava ao rep&oacute;rter do Le Monde Diplomatique: Viemos aqui porque n&atilde;o queremos mais ser tratados como coisas. N&atilde;o somos mercadorias. Quem estava l&aacute;? Jovens trabalhadores, sindicalistas alternativos, ecologistas, movimentos de mulheres, movimentos de gays e l&eacute;sbicas, estudantes, pescadores, pequenos agricultores, movimentos de direitos humanos&#8230; O que reivindicavam? Contra os baixos sal&aacute;rios, o desemprego, o trabalho infantil, o trabalho escravo no Terceiro Mundo, a extin&ccedil;&atilde;o das tartarugas&#8230; E reivindicavam contra quem? Contra a OMC que, segundo afirmavam, &eacute; o verdadeiro poder das corpora&ccedil;&otilde;es&#8230; A for&ccedil;a do movimento foi t&atilde;o grande que, durante tr&ecirc;s dias, a Prefeitura local decretou toque de recolher a partir das 18 horas! O interessante, no entanto, &eacute; que este n&atilde;o foi a &uacute;nica manifesta&ccedil;&atilde;o. No mesmo dia, 30 de novembro, os sindicalistas e ambientalistas oficiais tamb&eacute;m fizeram uma  pequena, sem massa, em local e ritual acordado com as autoridades&#8230; Neste cen&aacute;rio, defrontaram-se claramente o novo e o velho movimento oper&aacute;rio.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o da manifesta&ccedil;&atilde;o de Seattle se deu a partir das iniciativas dos movimentos que comp&otilde;em a AGP (A&ccedil;&atilde;o Global dos Povos). A AGP &eacute; uma articula&ccedil;&atilde;o mundial, que congrega de forma horizontal e n&atilde;o-hier&aacute;rquica, movimentos aut&ocirc;nomos dos cinco continentes; sua estrat&eacute;gia principal &eacute; a unifica&ccedil;&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o e na reflex&atilde;o dos movimentos de base que, independentes dos Estados e poderes econ&ocirc;micos, se baseiem na democracia direta e na a&ccedil;&atilde;o direta tendo como alvo o combate mundial ao poder do capital transnacional. Antes dessa manifesta&ccedil;&atilde;o de Seattle, j&aacute; havia impulsionado a manifesta&ccedil;&atilde;o de fevereiro de 98, em Genebra, durante a reuni&atilde;o do G-7, e, em 18 de junho do ano passado, um dia de luta internacional contra os centros do capital financeiro. A sua pr&oacute;xima atividade &eacute; o chamado a realizar em 1&ordm; de maio pr&oacute;ximo uma nova A&ccedil;&atilde;o Global Contra o Capitalismo.<\/p>\n<p><b>O que h&aacute; de novo nessa experi&ecirc;ncia<\/b> &eacute; tanto uma nova estrat&eacute;gia, como novos m&eacute;todos de organiza&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o. Uma estrat&eacute;gia anticapitalista que &eacute; insepar&aacute;vel do internacionalismo; um m&eacute;todo de luta baseado na a&ccedil;&atilde;o direta, que &eacute; insepar&aacute;vel da autonomia das formas de organiza&ccedil;&atilde;o de base. Fundamentalmente, o que esta nova experi&ecirc;ncia demonstra &eacute; a possibilidade de ultrapassarmos positivamente o corporativismo e o nacionalismo, como tamb&eacute;m a id&eacute;ia de que a for&ccedil;a do movimento depende de quem est&aacute; na sua dire&ccedil;&atilde;o. Essas novas formas de movimento, no centro e na periferia do movimento, est&aacute; buscando se basear na auto-organiza&ccedil;&atilde;o, numa rela&ccedil;&atilde;o horizontal, sem a velha divis&atilde;o de trabalho entre dirigentes e dirigidos, especialistas e executantes. Busca ultrapassar a id&eacute;ia do combate econ&ocirc;mico centrado no sal&aacute;rio e demonstra que o dom&iacute;nio da economia sobre a vida humana &eacute; que &eacute; o problema, e problema que se manifesta em todas as &aacute;reas da vida social: os direitos humanos, a cultura, a opress&atilde;o sobre as mulheres, o trabalho infantil, a crise ecol&oacute;gica&#8230; como tamb&eacute;m sobre o desemprego, os baixos sal&aacute;rios, os direitos trabalhistas. Est&aacute; questionando, portanto, o pr&oacute;prio mercado: a mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida, das pessoas, da cultura&#8230; E n&atilde;o tem mais a ilus&atilde;o de que o poder est&aacute; nos Estados nacionais: como tornou-se vis&iacute;vel, o Estado n&atilde;o pode mais ser a via pela qual busquemos a emancipa&ccedil;&atilde;o da humanidade; do que se trata, como diz o manifesto da AGP, &eacute; colocar nas m&atilde;os dos povos os poderosos meios de vida que hoje est&atilde;o nas das corpora&ccedil;&otilde;es, estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias e solid&aacute;rias, sem o objetivo de lucro.<\/p>\n<p><b>Ser&aacute; que conseguiremos aprender com as novas experi&ecirc;ncias<\/b>, n&oacute;s que viemos de uma tradi&ccedil;&atilde;o marxista que privilegiou sempre as formas tradicionais do movimento oper&aacute;rio? N&oacute;s que, a despeito do nosso internacionalismo professado, buscamos sempre basear nossos esfor&ccedil;os numa estrat&eacute;gia de luta pela tomada do poder de Estado nacional? N&oacute;s que sempre acreditamos que o central era nos catapultarmos como dire&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e construirmos nossas pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es dirigentes? Ser&aacute; que n&atilde;o est&aacute; na hora de estabelecermos uma rela&ccedil;&atilde;o horizontal com o restante da classe, tendo em vista contribuirmos para a sua auto-organiza&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o estar&aacute; na hora de buscarmos dar essa contribui&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das m&uacute;ltiplas formas que o pr&oacute;prio movimento espont&acirc;neo da classe est&aacute; nos apontando: o trabalho de cultura prolet&aacute;rio, grupos oper&aacute;rios aut&ocirc;nomos, organiza&ccedil;&otilde;es aut&ocirc;nomas dos precarizados etc? Enfim, n&atilde;o estar&aacute; na hora de compreendermos na sua radicalidade a afirma&ccedil;&atilde;o de que a emancipa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores ser&aacute; obra dos pr&oacute;prios trabalhadores?<\/p>\n<p align=\"right\">Jo&atilde;o Emiliano- militante do Contra a Corrente  Fortaleza- CE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><b>O velho movimento oper&aacute;rio est&aacute; em crise  e em crise terminal<\/b>. Aquele movimento oper&aacute;rio surgido ap&oacute;s a segunda guerra, baseado nos grandes sindicatos, nos partidos parlamentares ditos oper&aacute;rios e numa estrat&eacute;gia nacional de luta j&aacute; n&atilde;o consegue, de nenhum modo, dar respostas aos problemas atuais. Este era um modelo pr&oacute;prio ao per&iacute;odo de prosperidade do capitalismo (1945-73), no qual as organiza&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias compunham o esfor&ccedil;o de reconstru&ccedil;&atilde;o do capitalismo (na Europa) ou de moderniza&ccedil;&atilde;o retardat&aacute;ria (como na Am&eacute;rica Latina). Particularmente em nosso continente, a fun&ccedil;&atilde;o modernizadora (nacional-desenvolvimentista) da antiga estrat&eacute;gia do movimento, sob controle ou n&atilde;o dos velhos PCs ou outras correntes nacionalistas, baseava-se fundamentalmente na id&eacute;ia de um desenvolvimento nacional independente a partir de um papel soberano do Estado, o qual deveria participar da economia, desenvolvendo-a e distribuindo rendas. Era uma fun&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica semelhante ao que cumpriam, na Europa, os partidos socialistas e comunistas e suas centrais sindicais.<\/p>\n<p>A mundializa&ccedil;&atilde;o da economia  que nada mais &eacute; do que o controle do mercado mundial por imensas corpora&ccedil;&otilde;es transnacionais  deu uma imensa liberdade de movimento ao capital, representando um poder frente ao proletariado ao qual este n&atilde;o pode se contrapor sen&atilde;o superando completamente a estrat&eacute;gia e os m&eacute;todos de luta tradicionais. Sob este aspecto, o que est&aacute; em crise n&atilde;o &eacute; uma ou outra experi&ecirc;ncia de luta prolet&aacute;ria, uma ou outra corrente pol&iacute;tica: mas o conjunto do antigo movimento oper&aacute;rio, em todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p>Como basear a luta prolet&aacute;ria nas lutas de categorias, quando a condi&ccedil;&atilde;o para a implanta&ccedil;&atilde;o das sedes das transnacionais s&atilde;o precisamente os baixos sal&aacute;rios? Como basear nos sindicatos a organiza&ccedil;&atilde;o da classe, se a maioria da classe est&aacute; desempregada ou em situa&ccedil;&atilde;o precarizada? Como buscar politizar as lutas prolet&aacute;rias e populares tendo como alvo central os governos e Estados nacionais, se o poder real hoje (inclusive no que toca &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, ambiental, cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gica etc) est&aacute; n&atilde;o mais nos Estados nacionais, mas, nas corpora&ccedil;&otilde;es monopolistas transnacionais e suas institui&ccedil;&otilde;es (OMC, BM, FMI e acordos comerciais regionais)?<\/p>\n<p>O que explica o esvaziamento das antigas formas de organiza&ccedil;&atilde;o e de luta de massas, e inclusive a crise das correntes pol&iacute;ticas, &eacute;, antes de tudo, essas mudan&ccedil;as na realidade e a incapacidade do movimento tradicional de corresponder &agrave;s novas exig&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><b>O interessante, no entanto, &eacute; que, na crise, est&aacute; nascendo um novo movimento oper&aacute;rio.<\/b> A manifesta&ccedil;&atilde;o em Seattle (EUA), em novembro do ano passado, durante a abertura da nova rodada do mil&ecirc;nio da OMC &eacute; um exemplo disso. 5O mil pessoas, de diversas partes do mundo e de diversos setores sociais, atrasaram, durante duas horas, o in&iacute;cio da reuni&atilde;o; presidentes e ministros de diversas partes do mundo ficaram presos nos hot&eacute;is, sem seguran&ccedil;a para sa&iacute;rem; outros, s&oacute; entraram no Teatro Parammount, onde se realizaria a abertura oficial do evento, pulando janelas, como ladr&otilde;es de galinha; Clinton foi aconselhado a adiar a decolagem de seu avi&atilde;o. Nas ruas, completamente ocupadas pelas massas, as pessoas festejavam a demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a popular. Uns cartazes diziam: Fechamos a OMC! Um jovem trabalhador, fot&oacute;grafo, declarava ao rep&oacute;rter do Le Monde Diplomatique: Viemos aqui porque n&atilde;o queremos mais ser tratados como coisas. N&atilde;o somos mercadorias. Quem estava l&aacute;? Jovens trabalhadores, sindicalistas alternativos, ecologistas, movimentos de mulheres, movimentos de gays e l&eacute;sbicas, estudantes, pescadores, pequenos agricultores, movimentos de direitos humanos&#8230; O que reivindicavam? Contra os baixos sal&aacute;rios, o desemprego, o trabalho infantil, o trabalho escravo no Terceiro Mundo, a extin&ccedil;&atilde;o das tartarugas&#8230; E reivindicavam contra quem? Contra a OMC que, segundo afirmavam, &eacute; o verdadeiro poder das corpora&ccedil;&otilde;es&#8230; A for&ccedil;a do movimento foi t&atilde;o grande que, durante tr&ecirc;s dias, a Prefeitura local decretou toque de recolher a partir das 18 horas! O interessante, no entanto, &eacute; que este n&atilde;o foi a &uacute;nica manifesta&ccedil;&atilde;o. No mesmo dia, 30 de novembro, os sindicalistas e ambientalistas oficiais tamb&eacute;m fizeram uma  pequena, sem massa, em local e ritual acordado com as autoridades&#8230; Neste cen&aacute;rio, defrontaram-se claramente o novo e o velho movimento oper&aacute;rio.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o da manifesta&ccedil;&atilde;o de Seattle se deu a partir das iniciativas dos movimentos que comp&otilde;em a AGP (A&ccedil;&atilde;o Global dos Povos). A AGP &eacute; uma articula&ccedil;&atilde;o mundial, que congrega de forma horizontal e n&atilde;o-hier&aacute;rquica, movimentos aut&ocirc;nomos dos cinco continentes; sua estrat&eacute;gia principal &eacute; a unifica&ccedil;&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o e na reflex&atilde;o dos movimentos de base que, independentes dos Estados e poderes econ&ocirc;micos, se baseiem na democracia direta e na a&ccedil;&atilde;o direta tendo como alvo o combate mundial ao poder do capital transnacional. Antes dessa manifesta&ccedil;&atilde;o de Seattle, j&aacute; havia impulsionado a manifesta&ccedil;&atilde;o de fevereiro de 98, em Genebra, durante a reuni&atilde;o do G-7, e, em 18 de junho do ano passado, um dia de luta internacional contra os centros do capital financeiro. A sua pr&oacute;xima atividade &eacute; o chamado a realizar em 1&ordm; de maio pr&oacute;ximo uma nova A&ccedil;&atilde;o Global Contra o Capitalismo.<\/p>\n<p><b>O que h&aacute; de novo nessa experi&ecirc;ncia<\/b> &eacute; tanto uma nova estrat&eacute;gia, como novos m&eacute;todos de organiza&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o. Uma estrat&eacute;gia anticapitalista que &eacute; insepar&aacute;vel do internacionalismo; um m&eacute;todo de luta baseado na a&ccedil;&atilde;o direta, que &eacute; insepar&aacute;vel da autonomia das formas de organiza&ccedil;&atilde;o de base. Fundamentalmente, o que esta nova experi&ecirc;ncia demonstra &eacute; a possibilidade de ultrapassarmos positivamente o corporativismo e o nacionalismo, como tamb&eacute;m a id&eacute;ia de que a for&ccedil;a do movimento depende de quem est&aacute; na sua dire&ccedil;&atilde;o. Essas novas formas de movimento, no centro e na periferia do movimento, est&aacute; buscando se basear na auto-organiza&ccedil;&atilde;o, numa rela&ccedil;&atilde;o horizontal, sem a velha divis&atilde;o de trabalho entre dirigentes e dirigidos, especialistas e executantes. Busca ultrapassar a id&eacute;ia do combate econ&ocirc;mico centrado no sal&aacute;rio e demonstra que o dom&iacute;nio da economia sobre a vida humana &eacute; que &eacute; o problema, e problema que se manifesta em todas as &aacute;reas da vida social: os direitos humanos, a cultura, a opress&atilde;o sobre as mulheres, o trabalho infantil, a crise ecol&oacute;gica&#8230; como tamb&eacute;m sobre o desemprego, os baixos sal&aacute;rios, os direitos trabalhistas. Est&aacute; questionando, portanto, o pr&oacute;prio mercado: a mercantiliza&ccedil;&atilde;o da vida, das pessoas, da cultura&#8230; E n&atilde;o tem mais a ilus&atilde;o de que o poder est&aacute; nos Estados nacionais: como tornou-se vis&iacute;vel, o Estado n&atilde;o pode mais ser a via pela qual busquemos a emancipa&ccedil;&atilde;o da humanidade; do que se trata, como diz o manifesto da AGP, &eacute; colocar nas m&atilde;os dos povos os poderosos meios de vida que hoje est&atilde;o nas das corpora&ccedil;&otilde;es, estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias e solid&aacute;rias, sem o objetivo de lucro.<\/p>\n<p><b>Ser&aacute; que conseguiremos aprender com as novas experi&ecirc;ncias<\/b>, n&oacute;s que viemos de uma tradi&ccedil;&atilde;o marxista que privilegiou sempre as formas tradicionais do movimento oper&aacute;rio? N&oacute;s que, a despeito do nosso internacionalismo professado, buscamos sempre basear nossos esfor&ccedil;os numa estrat&eacute;gia de luta pela tomada do poder de Estado nacional? N&oacute;s que sempre acreditamos que o central era nos catapultarmos como dire&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e construirmos nossas pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es dirigentes? Ser&aacute; que n&atilde;o est&aacute; na hora de estabelecermos uma rela&ccedil;&atilde;o horizontal com o restante da classe, tendo em vista contribuirmos para a sua auto-organiza&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o estar&aacute; na hora de buscarmos dar essa contribui&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das m&uacute;ltiplas formas que o pr&oacute;prio movimento espont&acirc;neo da classe est&aacute; nos apontando: o trabalho de cultura prolet&aacute;rio, grupos oper&aacute;rios aut&ocirc;nomos, organiza&ccedil;&otilde;es aut&ocirc;nomas dos precarizados etc? 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