{"id":177,"date":"2010-04-25T21:50:24","date_gmt":"2010-04-26T00:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/177"},"modified":"2018-05-05T17:52:30","modified_gmt":"2018-05-05T20:52:30","slug":"a-historia-e-outros-500","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/a-historia-e-outros-500\/","title":{"rendered":"A Hist\u00f3ria &#8230; \u00e9 outros 500!"},"content":{"rendered":"<p>Com a comemora&ccedil;&atilde;o euf&oacute;rica dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e m&iacute;dia n&atilde;o produzem somente uma falsifica&ccedil;&atilde;o da nossa hist&oacute;ria, mascaram todo o processo de invas&atilde;o e ocultam a real situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o, preconceito, viol&ecirc;ncia social, destrui&ccedil;&atilde;o de todos os valores humanos e coletivos que sofremos.<\/p>\n<p>A outra marca da campanha Brasil &#8211; 500 Anos &eacute; seu clima de otimismo conformista sobre o futuro. &Eacute; o que est&aacute; embutido na id&eacute;ia de que o Brasil &eacute; um pa&iacute;s jovem (?), globalizado, integrado ao primeiro mundo e rumo ao desenvolvimento, o que poderia ser constatado na dissemina&ccedil;&atilde;o de computadores, celulares, TV&acute;s a cabo, turismo, que povoa os sonhos e a vida dos que ainda podem consumir.<\/p>\n<p>Mas, se formos ver, esse otimismo conservador n&atilde;o tem a menor base na realidade dos milh&otilde;es que vivem do seu trabalho, hoje mais explorados, inseguros e infelizes do que nunca.<\/p>\n<p>O desemprego estrutural bate novo recorde  e o rebaixamento dos sal&aacute;rios e direitos s&atilde;o a t&ocirc;nica no Brasil como em toda Am&eacute;rica Latina. Com o emprego de novas tecnologias, terceiriza&ccedil;&otilde;es, etc a super-explora&ccedil;&atilde;o dos capitalistas ocorre sobre um n&uacute;mero menor de trabalhadores com  jornadas e ritmos extenuantes e nos mostra uma face bem mais monstruosa do que vemos na telinha ou nos sambas-enredos do Carnaval.<\/p>\n<p>O aumento da discrimina&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o dos negros, problemas como as drogas, chacinas executadas por grupos de exterm&iacute;nio ou diretamente pela pol&iacute;cia v&atilde;o se tornando cada vez mais normais.<\/p>\n<p>Quanto ao que restou das comunidades ind&iacute;genas, o capitalismo lhes imp&otilde;e a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas regras ou a morte, o que j&aacute; est&aacute; levando &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o completa de identidades e tradi&ccedil;&otilde;es muito ricas, mas sem valor para o capital.<\/p>\n<p>Um menor olhar cr&iacute;tico tamb&eacute;m basta para deixar qualquer um perplexo com as cat&aacute;strofes urbanas e camponesas (enchentes, desabamentos, polui&ccedil;&atilde;o ambiental, desmatamentos, efeito estufa, destrui&ccedil;&atilde;o da camada de oz&ocirc;nio) criadas pela civiliza&ccedil;&atilde;o do capital. Projetar nosso pensamento para o futuro nos faz sentir um calafrio&#8230;A barb&aacute;rie est&aacute; batendo &agrave; nossa porta!<\/p>\n<p>Sendo assim, toda a euforia dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o a respeito da situa&ccedil;&atilde;o e das perspectivas do Brasil e do mundo s&oacute; pode corresponder aos interesses dos grandes empres&aacute;rios que tentam passar a imagem de que aqui tudo est&aacute; bem. No momento em que os 10 mais ricos controlam 50,6% da renda nacional (maior taxa de concentra&ccedil;&atilde;o do mundo).<\/p>\n<p>Como todo rico emergente, procuram festejar o hoje e n&atilde;o pensar nem nos outros seres humanos, nem no amanh&atilde;. Presos &agrave; sua pr&oacute;pria realidade de parasitas, comemoraram o anivers&aacute;rio de um processo de conquista e pilhagens, passando a id&eacute;ia de que os seus &ecirc;xitos de domina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de todos. Querem nos contaminar com suas id&eacute;ias e valores.<\/p>\n<p>Essa farsa pode ser at&eacute; eficaz por um per&iacute;odo, at&eacute; que venham os pr&oacute;ximos momentos de agravamento da crise econ&ocirc;mica   hoje varrida para debaixo do tapete.<\/p>\n<p>Hoje, as classes dominantes podem comemorar principalmente o fato de que os trabalhadores e demais explorados brasileiros das diversas etnias e origens n&atilde;o desenvolveram ainda uma alternativa unificada e internacionalizada de resist&ecirc;ncia e muito menos um projeto de sociedade alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mas, a hist&oacute;ria n&atilde;o deu sua &uacute;ltima palavra. Atravessado por contradi&ccedil;&otilde;es insol&uacute;veis e sem oferecer qualquer perspectiva de um futuro digno, esse sistema n&atilde;o &eacute; indestrut&iacute;vel como procura se apresentar.<\/p>\n<p>O movimento subterr&acirc;neo de experi&ecirc;ncias e descontentamento se desenvolve e em toda parte vemos que os explorados se recusam a perecer sem lutar. Ainda que desorientada, nossa classe come&ccedil;a a reagir, inventando diversas formas de resist&ecirc;ncia e organiza&ccedil;&atilde;o (os sem-terra, o movimento Hip-Hop, as lutas dos camel&ocirc;s, dos perueiros, dos caminhoneiros, lutas essas que j&aacute; n&atilde;o se enquadram nos esquemas sindicais envelhecidos e corrompidos.<\/p>\n<p>Devemos reconhecer que, ao estarmos deste lado, as tarefas n&atilde;o s&atilde;o nada f&aacute;ceis. Mas n&atilde;o podemos cair no des&acirc;nimo ou no conformismo. T&atilde;o pouco o desespero e o imediatismo conduzir&atilde;o a bons resultados. &Eacute; preciso livrarmo-nos dessa heran&ccedil;a escravista. N&atilde;o podemos levar mais 500 anos para mudarmos o rumo de nossa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Pensar e lutar por uma sa&iacute;da frente a atual da situa&ccedil;&atilde;o dos explorados e oprimidos exige estudo e atua&ccedil;&atilde;o nas diversas formas de resist&ecirc;ncia que se constitu&iacute;ram e ainda sobrevivem contra o processo de domina&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o que se implantou no pa&iacute;s nesses 500 anos.<\/p>\n<p>As lutas dos ind&iacute;genas para sobreviverem e dos negros com sua recusa a viverem como escravos; as experi&ecirc;ncias comunit&aacute;rias como os quilombos, aldeias ind&iacute;genas; as lutas dos imigrantes por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e remunera&ccedil;&atilde;o; as insurrei&ccedil;&otilde;es como a Cabanagem, Canudos, a Balaiada, etc; as lutas da jovem classe oper&aacute;ria influenciada pelas id&eacute;ias libert&aacute;rias do anarquismo italiano, etc&#8230; as experi&ecirc;ncias das comunidades e guerrilhas camponesas pela terra; a resist&ecirc;ncia contra a ditadura militar; as lutas sindicais dos anos 70 e 80,etc. As lutas das mulheres pelo fim regime patriarcal, das comunidades camponesas e tantos outros que surgiram nesses anos todos de domina&ccedil;&atilde;o constituem um imenso patrim&ocirc;nio, geralmente menosprezado pelas esquerdas.<\/p>\n<p>Hoje, cabe aos novos movimentos que se colocam em cena, se coordenarem e atuarem sobre os trabalhadores industriais e de outros setores fortes da economia, no sentido de influenci&aacute;-los com suas bandeiras. Tamb&eacute;m ser&aacute; necess&aacute;rio que os segmentos tradicionais da classe que vive do seu pr&oacute;prio trabalho, por sua vez, estabele&ccedil;a a unidade com todos esses setores, incorporando suas reivindica&ccedil;&otilde;es e v&aacute;rias de suas experi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>A expropria&ccedil;&atilde;o das m&aacute;quinas, t&eacute;cnicas e ci&ecirc;ncias desenvolvidas pelo capitalismo, transformando-as e colocando-as sob a gest&atilde;o direta e coletiva dos trabalhadores, direcionando o seu uso para o bem estar humano e n&atilde;o para o lucro, &eacute; a &uacute;nica forma de assimilar os progressos desenvolvidos sob o capitalismo e fazer com que os estragos humanos e ambientais provocados por esses 500 anos sejam revertidos.<\/p>\n<p>Por outro lado &eacute; necess&aacute;rio combatermos o nacionalismo desenfreado e estabelecermos v&iacute;nculos na dire&ccedil;&atilde;o dos outros pa&iacute;ses e povos da Am&eacute;rica Latina, que tamb&eacute;m s&atilde;o fruto de uma mesma cultura de domina&ccedil;&atilde;o. Seria necess&aacute;rio retomar a id&eacute;ia de uma Segunda Liberta&ccedil;&atilde;o latino-americana, desta vez a liberta&ccedil;&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o capitalista.<\/p>\n<p>Ao nosso ver, duas tarefas hoje se destacam nessa dire&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<ul>\n<li>A participa&ccedil;&atilde;o social nas lutas e experi&ecirc;ncias da classe trabalhadora como   seus aliados e impulsionadores e n&atilde;o como seus guias; como seus interlocutores   e n&atilde;o como seus mestres; lutando para ajudar a produzir a consci&ecirc;ncia e uma   sa&iacute;da de classe e n&atilde;o como transmissores de uma suposta consci&ecirc;ncia que   julgamos possuir.<\/li>\n<li>O reagrupamento internacional dos revolucion&aacute;rios que ganha sentido como   forma de  multiplicarmos a for&ccedil;a e influ&ecirc;ncia das id&eacute;ias anticapitalistas,   socialistas e libert&aacute;rias com o objetivo de se construir s&iacute;nteses e n&atilde;o   dogmas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na verdade o projeto Brasil, 500 anos &eacute; a tentativa mais violenta de demonstra&ccedil;&atilde;o de uma na&ccedil;&atilde;o sem conflitos &agrave;s custas da falsifica&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e do ocultamento da dura realidade da nossa classe.<\/p>\n<p>500 anos de exterm&iacute;nio e etnoc&iacute;dio;<\/p>\n<p>389 anos de massacre ao negro e a cultura afro;<\/p>\n<p>111 anos de explora&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora e imposi&ccedil;&atilde;o da cultura capitalista.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos negar a nossa hist&oacute;ria, mas, podemos mudar o seu rumo!<\/p>\n<p align=\"right\">Alex e Ira (ABC).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a comemora&ccedil;&atilde;o euf&oacute;rica dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o e m&iacute;dia n&atilde;o produzem somente uma falsifica&ccedil;&atilde;o da nossa hist&oacute;ria, mascaram todo o processo de invas&atilde;o e ocultam a real situa&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o, preconceito, viol&ecirc;ncia social, destrui&ccedil;&atilde;o de todos os valores humanos e coletivos que sofremos.<\/p>\n<p>A outra marca da campanha Brasil &#8211; 500 Anos &eacute; seu clima de otimismo conformista sobre o futuro. &Eacute; o que est&aacute; embutido na id&eacute;ia de que o Brasil &eacute; um pa&iacute;s jovem (?), globalizado, integrado ao primeiro mundo e rumo ao desenvolvimento, o que poderia ser constatado na dissemina&ccedil;&atilde;o de computadores, celulares, TV&acute;s a cabo, turismo, que povoa os sonhos e a vida dos que ainda podem consumir.<\/p>\n<p>Mas, se formos ver, esse otimismo conservador n&atilde;o tem a menor base na realidade dos milh&otilde;es que vivem do seu trabalho, hoje mais explorados, inseguros e infelizes do que nunca.<\/p>\n<p>O desemprego estrutural bate novo recorde  e o rebaixamento dos sal&aacute;rios e direitos s&atilde;o a t&ocirc;nica no Brasil como em toda Am&eacute;rica Latina. Com o emprego de novas tecnologias, terceiriza&ccedil;&otilde;es, etc a super-explora&ccedil;&atilde;o dos capitalistas ocorre sobre um n&uacute;mero menor de trabalhadores com  jornadas e ritmos extenuantes e nos mostra uma face bem mais monstruosa do que vemos na telinha ou nos sambas-enredos do Carnaval.<\/p>\n<p>O aumento da discrimina&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o dos negros, problemas como as drogas, chacinas executadas por grupos de exterm&iacute;nio ou diretamente pela pol&iacute;cia v&atilde;o se tornando cada vez mais normais.<\/p>\n<p>Quanto ao que restou das comunidades ind&iacute;genas, o capitalismo lhes imp&otilde;e a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas regras ou a morte, o que j&aacute; est&aacute; levando &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o completa de identidades e tradi&ccedil;&otilde;es muito ricas, mas sem valor para o capital.<\/p>\n<p>Um menor olhar cr&iacute;tico tamb&eacute;m basta para deixar qualquer um perplexo com as cat&aacute;strofes urbanas e camponesas (enchentes, desabamentos, polui&ccedil;&atilde;o ambiental, desmatamentos, efeito estufa, destrui&ccedil;&atilde;o da camada de oz&ocirc;nio) criadas pela civiliza&ccedil;&atilde;o do capital. Projetar nosso pensamento para o futuro nos faz sentir um calafrio&#8230;A barb&aacute;rie est&aacute; batendo &agrave; nossa porta!<\/p>\n<p>Sendo assim, toda a euforia dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o a respeito da situa&ccedil;&atilde;o e das perspectivas do Brasil e do mundo s&oacute; pode corresponder aos interesses dos grandes empres&aacute;rios que tentam passar a imagem de que aqui tudo est&aacute; bem. No momento em que os 10 mais ricos controlam 50,6% da renda nacional (maior taxa de concentra&ccedil;&atilde;o do mundo).<\/p>\n<p>Como todo rico emergente, procuram festejar o hoje e n&atilde;o pensar nem nos outros seres humanos, nem no amanh&atilde;. Presos &agrave; sua pr&oacute;pria realidade de parasitas, comemoraram o anivers&aacute;rio de um processo de conquista e pilhagens, passando a id&eacute;ia de que os seus &ecirc;xitos de domina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de todos. Querem nos contaminar com suas id&eacute;ias e valores.<\/p>\n<p>Essa farsa pode ser at&eacute; eficaz por um per&iacute;odo, at&eacute; que venham os pr&oacute;ximos momentos de agravamento da crise econ&ocirc;mica   hoje varrida para debaixo do tapete.<\/p>\n<p>Hoje, as classes dominantes podem comemorar principalmente o fato de que os trabalhadores e demais explorados brasileiros das diversas etnias e origens n&atilde;o desenvolveram ainda uma alternativa unificada e internacionalizada de resist&ecirc;ncia e muito menos um projeto de sociedade alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>Mas, a hist&oacute;ria n&atilde;o deu sua &uacute;ltima palavra. Atravessado por contradi&ccedil;&otilde;es insol&uacute;veis e sem oferecer qualquer perspectiva de um futuro digno, esse sistema n&atilde;o &eacute; indestrut&iacute;vel como procura se apresentar.<\/p>\n<p>O movimento subterr&acirc;neo de experi&ecirc;ncias e descontentamento se desenvolve e em toda parte vemos que os explorados se recusam a perecer sem lutar. Ainda que desorientada, nossa classe come&ccedil;a a reagir, inventando diversas formas de resist&ecirc;ncia e organiza&ccedil;&atilde;o (os sem-terra, o movimento Hip-Hop, as lutas dos camel&ocirc;s, dos perueiros, dos caminhoneiros, lutas essas que j&aacute; n&atilde;o se enquadram nos esquemas sindicais envelhecidos e corrompidos.<\/p>\n<p>Devemos reconhecer que, ao estarmos deste lado, as tarefas n&atilde;o s&atilde;o nada f&aacute;ceis. Mas n&atilde;o podemos cair no des&acirc;nimo ou no conformismo. T&atilde;o pouco o desespero e o imediatismo conduzir&atilde;o a bons resultados. &Eacute; preciso livrarmo-nos dessa heran&ccedil;a escravista. N&atilde;o podemos levar mais 500 anos para mudarmos o rumo de nossa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Pensar e lutar por uma sa&iacute;da frente a atual da situa&ccedil;&atilde;o dos explorados e oprimidos exige estudo e atua&ccedil;&atilde;o nas diversas formas de resist&ecirc;ncia que se constitu&iacute;ram e ainda sobrevivem contra o processo de domina&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o que se implantou no pa&iacute;s nesses 500 anos.<\/p>\n<p>As lutas dos ind&iacute;genas para sobreviverem e dos negros com sua recusa a viverem como escravos; as experi&ecirc;ncias comunit&aacute;rias como os quilombos, aldeias ind&iacute;genas; as lutas dos imigrantes por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e remunera&ccedil;&atilde;o; as insurrei&ccedil;&otilde;es como a Cabanagem, Canudos, a Balaiada, etc; as lutas da jovem classe oper&aacute;ria influenciada pelas id&eacute;ias libert&aacute;rias do anarquismo italiano, etc&#8230; as experi&ecirc;ncias das comunidades e guerrilhas camponesas pela terra; a resist&ecirc;ncia contra a ditadura militar; as lutas sindicais dos anos 70 e 80,etc. As lutas das mulheres pelo fim regime patriarcal, das comunidades camponesas e tantos outros que surgiram nesses anos todos de domina&ccedil;&atilde;o constituem um imenso patrim&ocirc;nio, geralmente menosprezado pelas esquerdas.<\/p>\n<p>Hoje, cabe aos novos movimentos que se colocam em cena, se coordenarem e atuarem sobre os trabalhadores industriais e de outros setores fortes da economia, no sentido de influenci&aacute;-los com suas bandeiras. Tamb&eacute;m ser&aacute; necess&aacute;rio que os segmentos tradicionais da classe que vive do seu pr&oacute;prio trabalho, por sua vez, estabele&ccedil;a a unidade com todos esses setores, incorporando suas reivindica&ccedil;&otilde;es e v&aacute;rias de suas experi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>A expropria&ccedil;&atilde;o das m&aacute;quinas, t&eacute;cnicas e ci&ecirc;ncias desenvolvidas pelo capitalismo, transformando-as e colocando-as sob a gest&atilde;o direta e coletiva dos trabalhadores, direcionando o seu uso para o bem estar humano e n&atilde;o para o lucro, &eacute; a &uacute;nica forma de assimilar os progressos desenvolvidos sob o capitalismo e fazer com que os estragos humanos e ambientais provocados por esses 500 anos sejam revertidos.<\/p>\n<p>Por outro lado &eacute; necess&aacute;rio combatermos o nacionalismo desenfreado e estabelecermos v&iacute;nculos na dire&ccedil;&atilde;o dos outros pa&iacute;ses e povos da Am&eacute;rica Latina, que tamb&eacute;m s&atilde;o fruto de uma mesma cultura de domina&ccedil;&atilde;o. Seria necess&aacute;rio retomar a id&eacute;ia de uma Segunda Liberta&ccedil;&atilde;o latino-americana, desta vez a liberta&ccedil;&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o capitalista.<\/p>\n<p>Ao nosso ver, duas tarefas hoje se destacam nessa dire&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<ul>\n<li>A participa&ccedil;&atilde;o social nas lutas e experi&ecirc;ncias da classe trabalhadora como   seus aliados e impulsionadores e n&atilde;o como seus guias; como seus interlocutores   e n&atilde;o como seus mestres; lutando para ajudar a produzir a consci&ecirc;ncia e uma   sa&iacute;da de classe e n&atilde;o como transmissores de uma suposta consci&ecirc;ncia que   julgamos possuir.<\/li>\n<li>O reagrupamento internacional dos revolucion&aacute;rios que ganha sentido como   forma de  multiplicarmos a for&ccedil;a e influ&ecirc;ncia das id&eacute;ias anticapitalistas,   socialistas e libert&aacute;rias com o objetivo de se construir s&iacute;nteses e n&atilde;o   dogmas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na verdade o projeto Brasil, 500 anos &eacute; a tentativa mais violenta de demonstra&ccedil;&atilde;o de uma na&ccedil;&atilde;o sem conflitos &agrave;s custas da falsifica&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e do ocultamento da dura realidade da nossa classe.<\/p>\n<p>500 anos de exterm&iacute;nio e etnoc&iacute;dio;<\/p>\n<p>389 anos de massacre ao negro e a cultura afro;<\/p>\n<p>111 anos de explora&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora e imposi&ccedil;&atilde;o da cultura capitalista.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos negar a nossa hist&oacute;ria, mas, podemos mudar o seu rumo!<\/p>\n<p align=\"right\">Alex e Ira (ABC).<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[63],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6209,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177\/revisions\/6209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}