{"id":178,"date":"2010-04-25T21:50:24","date_gmt":"2010-04-25T21:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/178"},"modified":"2018-05-05T17:43:40","modified_gmt":"2018-05-05T20:43:40","slug":"o-remedio-amargo-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/o-remedio-amargo-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"O rem\u00e9dio amargo do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p>Os aumentos nos pre\u00e7os dos rem\u00e9dios foram t\u00e3o violentos nos \u00faltimos cinco anos, que al\u00e9m de causarem a revolta nos consumidores, obrigaram o Congresso e o Governo a se posicionarem diante do que est\u00e1 conhecido na m\u00eddia como o esc\u00e2ndalo dos rem\u00e9dios. At\u00e9 mesmo uma CPI dos medicamentos foi criada na C\u00e2mara Federal, e o Ministro da Sa\u00fade Jos\u00e9 Serra veio a p\u00fablico denunciar os abusos da ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>Levantamentos feitos pelos Conselhos Regionais de Farm\u00e1cia e pelo pr\u00f3prio minist\u00e9rio da sa\u00fade, apontam aumentos de at\u00e9 200% acima da infla\u00e7\u00e3o de 1994 a 1999. Enquanto isso as mat\u00e9rias primas usadas na fabrica\u00e7\u00e3o desses rem\u00e9dios sofriam redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os nos exterior. Uma explora\u00e7\u00e3o covarde contra milh\u00f5es de brasileiros, principalmente os mais idosos obrigados a usar os chamados medicamentos de uso cont\u00ednuo.<\/p>\n<h2>Globaliza\u00e7\u00e3o que vem de longe<\/h2>\n<p>O setor de medicamentos no Brasil \u00e9 um dos mais internacionalizados da economia, a abertura aqui foi intensificada na d\u00e9cada de 70. Hoje os laborat\u00f3rios que ditam os pre\u00e7os no Brasil s\u00e3o multinacionais. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Qu\u00edmica Fina apenas 10% da mat\u00e9ria prima dos rem\u00e9dios \u00e9 produzida aqui.<\/p>\n<p>Os laborat\u00f3rios estatais tamb\u00e9m sofreram um processo de desmonte a fim de limpar o caminho das multis, mas nos que ainda funcionam pode se ver a disparidade de pre\u00e7os. Exemplo s\u00e3o os hospitais federais no Rio de Janeiro, que gastavam R$ 5 milh\u00f5es nos laborat\u00f3rios privados, e para os mesmos produtos gastaram R$ 1,8 milh\u00f5es em laborat\u00f3rios do Estado.<\/p>\n<p>Diante desse quadro o ministro Jos\u00e9 Serra e o presidente da CPI Nelson Marchezan (PSDB-RS), fazem discursos demag\u00f3gicos de indigna\u00e7\u00e3o, mas apresentam como propostas para reduzir os pre\u00e7os dos rem\u00e9dios a isen\u00e7\u00e3o de impostos para os laborat\u00f3rios e tamb\u00e9m para a importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas. Um verdadeiro esc\u00e2ndalo dentro do esc\u00e2ndalo! Essas medidas s\u00f3 servem para engordar mais ainda os lucros dessas empresas, reduzindo a arrecada\u00e7\u00e3o justamente daqueles que podem pagar. Essa \u00e9 a resposta do governo FHC e das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do capitalismo, c\u00famplices e agentes dessa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso transformar a indigna\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de brasileiros com tudo o que se relaciona ao setor de sa\u00fade em uma campanha contra o capitalismo e seus agentes, \u00e9 necess\u00e1rio romper com qualquer expectativa de sa\u00eddas institucionais, construir com as v\u00edtimas desse sistema, os diversos segmentos profissionais da \u00e1rea, e o conjunto dos trabalhadores um programa e uma teia de organiza\u00e7\u00f5es de luta contra a explora\u00e7\u00e3o na sa\u00fade! Exigir a humaniza\u00e7\u00e3o e a socializa\u00e7\u00e3o de tudo que se relaciona \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica no Brasil.<\/p>\n<p align=\"right\">Ney Nunes &#8211; Coletivo Bandeira Vermelha\/ RJ.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os aumentos nos pre&ccedil;os dos rem&eacute;dios foram t&atilde;o violentos nos &uacute;ltimos cinco anos, que al&eacute;m de causarem a revolta nos consumidores, obrigaram o Congresso e o Governo a se posicionarem diante do que est&aacute; conhecido na m&iacute;dia como o esc&acirc;ndalo dos rem&eacute;dios. At&eacute; mesmo uma CPI dos medicamentos foi criada na C&acirc;mara Federal, e o Ministro da Sa&uacute;de Jos&eacute; Serra veio a p&uacute;blico denunciar os abusos da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica.<\/p>\n<p>Levantamentos feitos pelos Conselhos Regionais de Farm&aacute;cia e pelo pr&oacute;prio minist&eacute;rio da sa&uacute;de, apontam aumentos de at&eacute; 200% acima da infla&ccedil;&atilde;o de 1994 a 1999. Enquanto isso as mat&eacute;rias primas usadas na fabrica&ccedil;&atilde;o desses rem&eacute;dios sofriam redu&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os nos exterior. Uma explora&ccedil;&atilde;o covarde contra milh&otilde;es de brasileiros, principalmente os mais idosos obrigados a usar os chamados medicamentos de uso cont&iacute;nuo.<\/p>\n<h2>Globaliza&ccedil;&atilde;o que vem de longe<\/h2>\n<p>O setor de medicamentos no Brasil &eacute; um dos mais internacionalizados da economia, a abertura aqui foi intensificada na d&eacute;cada de 70. Hoje os laborat&oacute;rios que ditam os pre&ccedil;os no Brasil s&atilde;o multinacionais. Segundo a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira da Ind&uacute;stria de Qu&iacute;mica Fina  apenas 10% da mat&eacute;ria prima dos rem&eacute;dios &eacute; produzida aqui.<\/p>\n<p>Os laborat&oacute;rios estatais tamb&eacute;m sofreram um processo de desmonte a fim de limpar o caminho das multis, mas nos que ainda funcionam pode se ver a disparidade de pre&ccedil;os. Exemplo s&atilde;o os hospitais federais no Rio de Janeiro, que gastavam R$ 5 milh&otilde;es nos laborat&oacute;rios privados, e para os mesmos produtos gastaram R$ 1,8 milh&otilde;es em laborat&oacute;rios do Estado.<\/p>\n<p>Diante desse quadro o ministro Jos&eacute; Serra e o presidente da CPI Nelson Marchezan (PSDB-RS), fazem discursos demag&oacute;gicos de indigna&ccedil;&atilde;o, mas apresentam como propostas para reduzir os pre&ccedil;os dos rem&eacute;dios  a isen&ccedil;&atilde;o de impostos para os laborat&oacute;rios e tamb&eacute;m para a importa&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias primas. Um verdadeiro esc&acirc;ndalo dentro do esc&acirc;ndalo! Essas medidas s&oacute; servem para engordar mais ainda os lucros dessas empresas, reduzindo a arrecada&ccedil;&atilde;o justamente daqueles que podem pagar. 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