{"id":182,"date":"2010-04-25T21:50:24","date_gmt":"2010-04-25T21:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/182"},"modified":"2018-05-05T18:11:01","modified_gmt":"2018-05-05T21:11:01","slug":"construindo-o-novo-internacionalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/construindo-o-novo-internacionalismo\/","title":{"rendered":"Construindo o novo internacionalismo"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos uma \u00e9poca dominada pela produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. <i>A acumula\u00e7\u00e3o capitalista acontece em escala mundial, a uma velocidade crescente, controlada pelas corpora\u00e7\u00f5es e os investidores transnacionais.<\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A a\u00e7\u00e3o dessas corpora\u00e7\u00f5es monopolistas mundializadas visa elevar a lucratividade desse setor do capital, procurando responder \u00e0 crise que se abateu de modo persistente sobre esse sistema desde os anos 70. Para tanto, contam <i>com a ajuda de ag\u00eancias internacionais como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM)<\/i>, cuja atividade junto aos Estados Nacionais tem levado \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de medidas que tem o objetivo de dar maior liberdade ao grande capital, para transitar por onde lhe interesse, explorando pessoas e recursos naturais de forma ainda mais intensa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <i>Os efeitos da mundializa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se expandem pelo tecido de sociedades e comunidades do mundo e integram seus povos em um gigantesco sistema \u00fanico, voltado \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do lucro e ao controle dos povos e da natureza.<\/i> O movimento hierarquizado do capital tem retirado o acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o dos meios de vida de amplas camadas populacionais, inclusive nos pa\u00edses ditos desenvolvidos, criando situa\u00e7\u00f5es onde a conviv\u00eancia entre as elites e os setores sociais desprivilegiados tem se dado pela media\u00e7\u00e3o crescente da repress\u00e3o policial, tornando a vida cotidiana um fardo muitas vezes insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas \u00e9 de nossa resist\u00eancia que queremos tratar. Neste aspecto, \u00e9 necess\u00e1rio criar situa\u00e7\u00f5es reais de confronto com as rela\u00e7\u00f5es de mercado<i>, baseadas na coopera\u00e7\u00e3o e na solidariedade em lugar da competi\u00e7\u00e3o e do lucro.<\/i> Na pr\u00e1tica, significa constituir diferentes formas de organiza\u00e7\u00e3o, fundamentadas na democracia direta, capazes de responder aos problemas do cotidiano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <i>Estas novas formas de organiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma dever\u00e3o emergir de e se enraizar em comunidades locais, enquanto ao mesmo tempo pratica a solidariedade internacional,<\/i> pois na medida em que o capital reafirma seu car\u00e1ter mundial, temos que responder-lhe \u00e0 altura.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span style=\"font-size: 12pt; font-weight: normal;\">\u00c9 preciso unidade entre as diferentes formas aut\u00f4nomas de organiza\u00e7\u00e3o dos povos, a fim de conformar as resist\u00eancias locais no \u00e2mbito de um movimento total para a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo em n\u00edvel mundial. A A\u00e7\u00e3o Global dos Povos \u00e9, neste sentido, um dos momentos da necess\u00e1ria conex\u00e3o entre os movimentos de base. Mas n\u00e3o pode ser o \u00fanico. Na verdade, devem ser infinitos os momentos de interliga\u00e7\u00e3o horizontal desses diversos movimentos populares, de acordo com os objetivos comuns a que se proponham.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesse espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 lugar para o sectarismo, pois n\u00e3o se trata de levar \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias a defesa de um programa fechado que levar\u00e1 a humanidade ao \u201cmundo novo\u201d. Mas trata-se de buscar o entendimento a partir da diferen\u00e7a. Abrir espa\u00e7o para a diversidade cultural e nela encontrar a melhor maneira de gerir a vida, livre do mercado e do Estado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Se queremos construir rela\u00e7\u00f5es diretas entre as pessoas, livres da domina\u00e7\u00e3o do dinheiro, a hora \u00e9 agora. N\u00e3o podemos esperar que uma guerra civil nos coloque o poder nas m\u00e3os. O poder do povo n\u00e3o est\u00e1 acima, mas entre n\u00f3s. Sendo assim, nossa revolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em curso; resta-nos propagar essa mudan\u00e7a de atitude.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">(*) Os trechos em it\u00e1lico foram extra\u00eddos do manifesto da AGP, aprovado na sua <span style=\"color: black;\">2\u00aa Confer\u00eancia Mundial, realizada em agosto de 99, em Karnataka, \u00cdndia.<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: black;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: black;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Andr\u00e9 Vasconcelos &#8211; membro do coletivo contraacorrente.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos uma &eacute;poca dominada pela produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias. <i>A acumula&ccedil;&atilde;o capitalista acontece em escala mundial, a uma velocidade crescente, controlada pelas corpora&ccedil;&otilde;es e os investidores transnacionais.<o:p><\/o:p><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A a&ccedil;&atilde;o dessas corpora&ccedil;&otilde;es monopolistas mundializadas visa elevar a lucratividade desse setor do capital, procurando responder &agrave; crise que se abateu de modo persistente sobre esse sistema desde os anos 70. Para tanto, contam <i>com a ajuda de ag&ecirc;ncias internacionais como a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM)<\/i>, cuja atividade junto aos Estados Nacionais tem levado &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de medidas que tem o objetivo de dar maior liberdade ao grande capital, para transitar por onde lhe interesse, explorando pessoas e recursos naturais de forma ainda mais intensa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><i>Os efeitos da mundializa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica se expandem pelo tecido de sociedades e comunidades do mundo e integram seus povos em um gigantesco sistema &uacute;nico, voltado &agrave; extra&ccedil;&atilde;o do lucro e ao controle dos povos e da natureza.<\/i> O movimento hierarquizado do capital tem retirado o acesso &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dos meios de vida de amplas camadas populacionais, inclusive nos pa&iacute;ses ditos desenvolvidos, criando situa&ccedil;&otilde;es onde a conviv&ecirc;ncia entre as elites e os setores sociais desprivilegiados tem se dado pela media&ccedil;&atilde;o crescente da repress&atilde;o policial, tornando a vida cotidiana um fardo muitas vezes insuport&aacute;vel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Mas &eacute; de nossa resist&ecirc;ncia que queremos tratar. Neste aspecto, &eacute; necess&aacute;rio criar situa&ccedil;&otilde;es reais de confronto com as rela&ccedil;&otilde;es de mercado<i>, baseadas na coopera&ccedil;&atilde;o e na solidariedade em lugar da competi&ccedil;&atilde;o e do lucro.<\/i> Na pr&aacute;tica, significa constituir diferentes formas de organiza&ccedil;&atilde;o, fundamentadas na democracia direta, capazes de responder aos problemas do cotidiano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><i>Estas novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma dever&atilde;o emergir de e se enraizar em comunidades locais, enquanto ao mesmo tempo pratica a solidariedade internacional,<\/i> pois na medida em que o capital reafirma seu car&aacute;ter mundial, temos que responder-lhe &agrave; altura.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"font-size: 12pt; font-weight: normal;\">&Eacute; preciso unidade entre as diferentes formas aut&ocirc;nomas de organiza&ccedil;&atilde;o dos povos, a fim de conformar as resist&ecirc;ncias locais no &acirc;mbito de um movimento total para a supera&ccedil;&atilde;o do capitalismo em n&iacute;vel mundial. A A&ccedil;&atilde;o Global dos Povos &eacute;, neste sentido, um dos momentos da necess&aacute;ria conex&atilde;o entre os movimentos de base. Mas n&atilde;o pode ser o &uacute;nico. Na verdade, devem ser infinitos os momentos de interliga&ccedil;&atilde;o horizontal desses diversos movimentos populares, de acordo com os objetivos comuns a que se proponham.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Nesse espa&ccedil;o de intera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; lugar para o sectarismo, pois n&atilde;o se trata de levar &agrave;s &uacute;ltimas conseq&uuml;&ecirc;ncias a defesa de um programa fechado que levar&aacute; a humanidade ao &ldquo;mundo novo&rdquo;. Mas trata-se de buscar o entendimento a partir da diferen&ccedil;a. Abrir espa&ccedil;o para a diversidade cultural e nela encontrar a melhor maneira de gerir a vida, livre do mercado e do Estado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Se queremos construir rela&ccedil;&otilde;es diretas entre as pessoas, livres da domina&ccedil;&atilde;o do dinheiro, a hora &eacute; agora. N&atilde;o podemos esperar que uma guerra civil nos coloque o poder nas m&atilde;os. O poder do povo n&atilde;o est&aacute; acima, mas entre n&oacute;s. Sendo assim, nossa revolu&ccedil;&atilde;o j&aacute; est&aacute; em curso; resta-nos propagar essa mudan&ccedil;a de atitude.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">(*) Os trechos em it&aacute;lico foram extra&iacute;dos do manifesto da AGP, aprovado na sua <span style=\"color: black;\">2&ordf; Confer&ecirc;ncia Mundial, realizada em agosto de 99, em Karnataka, &Iacute;ndia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><span style=\"color: black;\"><span style=\"\">&nbsp;<\/span><\/span><span style=\"font-size: 10pt; color: black;\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: black;\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Andr&eacute; Vasconcelos &#8211; membro do coletivo contraacorrente.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64,71,65],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=182"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6269,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/182\/revisions\/6269"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}