{"id":184,"date":"2010-04-25T21:50:24","date_gmt":"2010-04-25T21:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/184"},"modified":"2018-05-05T17:40:36","modified_gmt":"2018-05-05T20:40:36","slug":"movimento-basta-paz-para-a-burguesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/movimento-basta-paz-para-a-burguesia\/","title":{"rendered":"Movimento &#8220;Basta&#8221;: paz para a burguesia"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><i>\u201cN\u00e3o nos falta nada, minha mulher,<\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><i>\u00a0meu filho, para sermos livres como os <\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><i>p\u00e1ssaros; nada, a n\u00e3o ser o tempo!\u201d<\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right;\" align=\"right\">(Dehmel, citado por Rosa Luxemburgo)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoBodyTextIndent\" style=\"margin-right: 0cm; text-align: left; text-indent: 14.2pt;\" align=\"left\">A grande imprensa tem alardeado uma dita campanha pela paz, que se intitula como o \u201cBasta\u201d. Esse movimento \u00e9 composto e liderado pela pr\u00f3pria imprensa, por empres\u00e1rios, artistas, profissionais liberais, pela&#8230;(pasmem!) pol\u00edcia militar e outros setores, na imensa maioria ligados a \u00f3rg\u00e3os governamentais e empresariais, com raras exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">Logo surgem algumas perguntas: Quem realmente quer a paz? O que explica a viol\u00eancia em que boa parte do mundo est\u00e1 atolado? Como acabar com a viol\u00eancia e principalmente quem e como se pode conseguir uma paz duradoura?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\u00c9 evidente que n\u00e3o se trata aqui de fazer um estudo aprofundado dessas quest\u00f5es, mas sim de procurar entender minimamente os objetivos dessa campanha e abrir essa discuss\u00e3o sobre o significado da viol\u00eancia, que \u00e9 fundamental para entendermos a nossa realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">A primeira quest\u00e3o que deve ser destacado \u00e9 que a viol\u00eancia est\u00e1 localizada centralmente nas grandes concentra\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e na periferia e que s\u00e3o os trabalhadores e pobres que s\u00e3o as principais v\u00edtimas. \u00c9 a\u00ed que aconteceram as chacinas(s\u00f3 na grande SP foram 47 com 169 mortos at\u00e9 julho desse ano), \u00e9 a\u00ed que est\u00e3o os traficantes encastelados e sob a prote\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, \u00e9 ai que milh\u00f5es de jovens se entregam \u00e0s drogas por pura falta de perspectiva de vida e por falta de lazer, \u00e9 ai que a educa\u00e7\u00e3o burguesa tem como\u00a0 pedagogia oficial colocar o jovem para fora da escola e n\u00e3o atra\u00ed-lo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">A burguesia e a dita \u201cclasse m\u00e9dia alta\u201d n\u00e3o conhecem a viol\u00eancia, pois seus bairros s\u00e3o bem protegidos pela pol\u00edcia e por seguran\u00e7as e guardas particulares. O grande problema, para eles, \u00e9 que tamb\u00e9m t\u00eam que sair para \u201cmundo real\u201d e a\u00ed se deparam com a viol\u00eancia contra os seus bens, fundamentalmente nas esquinas e far\u00f3is. Essa campanha, para o burgu\u00eas, \u00e9 preventiva, \u00e9 para evitar que a viol\u00eancia chegue aos bairros \u201cnobres\u201d. Porque n\u00e3o fizeram campanha contra as chacinas e assassinatos que a pol\u00edcia comete diariamente contra os pobres e explorados? Porque n\u00e3o se rebelaram contra as chacinas da candel\u00e1ria, do Carandir\u00fa\u00a0 e de Eldorado dos Caraj\u00e1s? Porque se calam diante da viol\u00eancia da pol\u00edcia nas desocupa\u00e7\u00f5es e destrui\u00e7\u00e3o de bairros inteiros da periferia (s\u00f3 para atender aos especuladores imobili\u00e1rios)?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\u00a0A quest\u00e3o da viol\u00eancia na sociedade moderna (o Brasil \u00e9 s\u00f3 uma parte dessa realidade) est\u00e1 diretamente relacionada com a manuten\u00e7\u00e3o da ordem econ\u00f4mica e pol\u00edtica do capitalismo. A viol\u00eancia na atualidade tem cada vez mais a cara do capitalismo contempor\u00e2neo, se estruturou de tal maneira que adquiriu caracter\u00edsticas de um Estado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">Quando falo de Estado, me refiro exatamente como um poder estruturado, pois possuem parlamentares (fam\u00edlia Farias de AL, Hildebrando do Acre, etc), ju\u00edzes (com a tarefa de expedir os \u201chabeas corpus\u201d, relaxar a pris\u00e3o e outros mecanismos processuais), policiais e carcereiros (para facilitar as fugas, proteger o local do tr\u00e1fico, etc), oficiais das for\u00e7as armadas (lembram dos oficiais da aeron\u00e1utica?) e, como todo Estado, \u00e9 fortemente armado. Enfim h\u00e1 toda uma rede de sustenta\u00e7\u00e3o do crime e da viol\u00eancia que se institucionalizou e que al\u00e9m do conhecimento das \u201cautoridades\u201d tamb\u00e9m tem a prote\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es oficiais. Atuam com a coniv\u00eancia do Estado oficial, pois cumprem um papel fundamental para a manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo: o controle dos trabalhadores e dos explorados. Basta ver que nos grandes centros n\u00e3o existe mais o bate papo entre vizinhos e amigos seja nos \u201cbotecos\u201d ou nas pra\u00e7as, todos se recolhem cedo (se n\u00e3o tem conversa n\u00e3o tem troca de experi\u00eancia e questionamento coletivo da econ\u00f4mica, do governo, da pol\u00edcia). Nestes locais \u00e9 proibido se reunir \u00e0 noite e qualquer organiza\u00e7\u00e3o popular deve ter o consentimento dos chefes do crime organizado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">Nos morros, favelas e periferia est\u00e3o \u201cescondidos\u201d (todo mundo sabe onde est\u00e3o, at\u00e9 a pol\u00edcia&#8230;) os traficantes (lembram do Fernandinho Beira Mar?) e\u00a0 que literalmente controlam essas regi\u00f5es, imp\u00f5em toque de recolher, decretam a\u00a0 necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o para entrar e para sair, realizam julgamentos e execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias daqueles que ousam desafi\u00e1-los, ou seja, o que a ditadura fazia agora \u00e9 este Estado paralelo que faz.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">H\u00e1 uma divis\u00e3o de tarefas, onde o Estado oficial cuida da entrega das estatais, de gerir os neg\u00f3cios da burguesia e dos aspectos legais da repress\u00e3o (os processos \u201clegais\u201d, as pris\u00f5es pol\u00edticas \u201cdentro da lei\u201d, etc.). O Estado paralelo tem como principal tarefa o controle dos trabalhadores e do povo oprimido, podemos dizer que temos um \u201cEstado Democr\u00e1tico de Direito\u201d, representando o oficial e um \u201cEstado Ditatorial\u201d que \u00e9 o paralelo, mas os dois t\u00eam o mesmo objetivo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">N\u00e3o pensem que esta organiza\u00e7\u00e3o paralela atua s\u00f3 com a for\u00e7a, pois tamb\u00e9m tem seu lado \u201cdemocr\u00e1tico\u201d quando realizam fun\u00e7\u00f5es sociais como a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, ajuda para enterro, planos m\u00e9dicos, creches e at\u00e9 empr\u00e9stimo de dinheiro (claro que deve ser pago&#8230;). Protegem a comunidade, conversam e ouvem os problemas dos moradores, enfim um papel digno das institui\u00e7\u00f5es do Estado oficial.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\n<h2><u>DA SEGURAN\u00c7A PARICULAR AOS GRUPOS PARAMILITARES<\/u><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">Outra quest\u00e3o que deve ser analisada \u00e9 o armamento privado que \u00e9 cada vez mais presente. Al\u00e9m do armamento das quadrilhas e do tr\u00e1fico, no campo h\u00e1 anos temos a UDR e os fazendeiros com seus jagun\u00e7os que desde 1995 j\u00e1 assassinaram 214 trabalhadores sem terra em processos de luta pela terra e n\u00e3o houve nenhuma condena\u00e7\u00e3o. Nas grandes cidades os empres\u00e1rios est\u00e3o formando um verdadeiro ex\u00e9rcito particular. As empresas de seguran\u00e7a particular (quase sempre de propriedade da oficialidade da policia e que v\u00e1rios policiais fazem \u201cbico\u201d), tanto nas cidades como no campo, v\u00e3o se constituindo como uma base real e objetiva para forma\u00e7\u00e3o de grupos paramilitares e que diante de qualquer amea\u00e7a \u00e0 propriedade privada executam sem nenhum constrangimento.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">Essa quest\u00e3o do armamento particular dos capitalistas \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia entendermos, pois a Col\u00f4mbia e seus grupos paramilitares, os paramilitares das ditaduras do Cone Sul e mesmo aqui no campo brasileiro com a UDR e seus jagun\u00e7os\u00a0 se originaram a partir de seguran\u00e7as particulares dos fazendeiros e grandes latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">\n<h2><u>QUE PAZ QUEREMOS?<\/u><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">Estou contra essa campanha c\u00ednica\u00a0 porque ela n\u00e3o tem como preocupa\u00e7\u00e3o central a paz para todos, mas sim para os ricos. Est\u00e3o preocupados com os seus Rolls Royce, Mercedes, seus importados e rel\u00f3gios \u201crolex\u201d. N\u00e3o pensam nos jovens da periferia nem nos sem terra, nos desempregados, nos favelados. N\u00e3o se referem \u00e0s medidas necess\u00e1rias para p\u00f4r fim \u00e0 viol\u00eancia, pois teriam que discutir solu\u00e7\u00f5es para o desemprego, o lazer, a educa\u00e7\u00e3o, a reforma agr\u00e1ria o que levaria a colocar em xeque a pr\u00f3pria exist\u00eancia da domina\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">A paz plena s\u00f3 ser\u00e1 alcan\u00e7ada quando conseguirmos construir uma sociedade que n\u00e3o tenha como a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, quando a vida for mais importante que o dinheiro e os bens materiais,\u00a0 quando a realidade for t\u00e3o maravilhosa que n\u00e3o se precise de drogas para \u201cfugir da realidade\u201d, quando, como disse Trotsky,\u00a0 livrarmos a vida de todo o mal e possamos desfrut\u00e1-la plenamente. S\u00f3 conseguiremos a paz quando a humanidade extirpar\u00a0 o mal capitalista e os \u201cfalsos socialismos\u201d . S\u00f3 o socialismo verdadeiro, democr\u00e1tico, livre de toda e qualquer burocracia, pode nos dar a paz., ou seja, s\u00f3 quando existir uma sociedade sem explorados e exploradores, onde a coletividade auto-organizada, exer\u00e7a diretamente o poder, sem qualquer intermedia\u00e7\u00e3o ou \u201crepresentante\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">E essa tarefa s\u00f3 os trabalhadores e aos explorados podem realiz\u00e1-la. Os capitalistas n\u00e3o tem paz para nos oferecer.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\">A campanha do \u201cBasta\u201d jamais conseguir\u00e1 a paz , pois ela n\u00e3o ataca o principal sustent\u00e1culo da viol\u00eancia que \u00e9 o capitalismo. S\u00f3 colocando fim ao capitalismo \u00e9 que teremos paz, pois a viol\u00eancia \u00e9 inerente ao capitalismo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: right; text-indent: 14.2pt;\" align=\"right\">Duarte &#8211; ABC\/SP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><i>&ldquo;N&atilde;o nos falta nada, minha mulher,<o:p><\/o:p><\/i><\/p>\n<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><i><span style=\"\">&nbsp;<\/span>meu filho, para sermos livres como os <o:p><\/o:p><\/i><\/p>\n<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\"><i>p&aacute;ssaros; nada, a n&atilde;o ser o tempo!&rdquo;<o:p><\/o:p><\/i><\/p>\n<p align=\"right\" style=\"text-align: right;\" class=\"MsoNormal\">(Dehmel, citado por Rosa Luxemburgo)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><\/p>\n<p align=\"left\" style=\"margin-right: 0cm; text-align: left; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoBodyTextIndent\"><span style=\"\">A grande imprensa tem alardeado uma dita campanha pela paz, que se intitula como o &ldquo;Basta&rdquo;. Esse movimento &eacute; composto e liderado pela pr&oacute;pria imprensa, por empres&aacute;rios, artistas, profissionais liberais, pela&#8230;(pasmem!) pol&iacute;cia militar e outros setores, na imensa maioria ligados a &oacute;rg&atilde;os governamentais e empresariais, com raras exce&ccedil;&otilde;es.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">Logo surgem algumas perguntas: Quem realmente quer a paz? O que explica a viol&ecirc;ncia em que boa parte do mundo est&aacute; atolado? Como acabar com a viol&ecirc;ncia e principalmente quem e como se pode conseguir uma paz duradoura?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">&Eacute; evidente que n&atilde;o se trata aqui de fazer um estudo aprofundado dessas quest&otilde;es, mas sim de procurar entender minimamente os objetivos dessa campanha e abrir essa discuss&atilde;o sobre o significado da viol&ecirc;ncia, que &eacute; fundamental para entendermos a nossa realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">A primeira quest&atilde;o que deve ser destacado &eacute; que a viol&ecirc;ncia est&aacute; localizada centralmente nas grandes concentra&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias e na periferia e que s&atilde;o os trabalhadores e pobres que s&atilde;o as principais v&iacute;timas. &Eacute; a&iacute; que aconteceram as chacinas(s&oacute; na grande SP foram 47 com 169 mortos at&eacute; julho desse ano), &eacute; a&iacute; que est&atilde;o os traficantes encastelados e sob a prote&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia, &eacute; ai que milh&otilde;es de jovens se entregam &agrave;s drogas por pura falta de perspectiva de vida e por falta de lazer, &eacute; ai que a educa&ccedil;&atilde;o burguesa tem como<span style=\"\">&nbsp; <\/span>pedagogia oficial colocar o jovem para fora da escola e n&atilde;o atra&iacute;-lo.<span style=\"\">&nbsp; <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">A burguesia e a dita &ldquo;classe m&eacute;dia alta&rdquo; n&atilde;o conhecem a viol&ecirc;ncia, pois seus bairros s&atilde;o bem protegidos pela pol&iacute;cia e por seguran&ccedil;as e guardas particulares. O grande problema, para eles, &eacute; que tamb&eacute;m t&ecirc;m que sair para &ldquo;mundo real&rdquo; e a&iacute; se deparam com a viol&ecirc;ncia contra os seus bens, fundamentalmente nas esquinas e far&oacute;is. Essa campanha, para o burgu&ecirc;s, &eacute; preventiva, &eacute; para evitar que a viol&ecirc;ncia chegue aos bairros &ldquo;nobres&rdquo;. Porque n&atilde;o fizeram campanha contra as chacinas e assassinatos que a pol&iacute;cia comete diariamente contra os pobres e explorados? Porque n&atilde;o se rebelaram contra as chacinas da candel&aacute;ria, do Carandir&uacute;<span style=\"\">&nbsp; <\/span>e de Eldorado dos Caraj&aacute;s? Porque se calam diante da viol&ecirc;ncia da pol&iacute;cia nas desocupa&ccedil;&otilde;es e destrui&ccedil;&atilde;o de bairros inteiros da periferia (s&oacute; para atender aos especuladores imobili&aacute;rios)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;<\/span>A quest&atilde;o da viol&ecirc;ncia na sociedade moderna (o Brasil &eacute; s&oacute; uma parte dessa realidade) est&aacute; diretamente relacionada com a manuten&ccedil;&atilde;o da ordem econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica do capitalismo. A viol&ecirc;ncia na atualidade tem cada vez mais a cara do capitalismo contempor&acirc;neo, se estruturou de tal maneira que adquiriu caracter&iacute;sticas de um Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">Quando falo de Estado, me refiro exatamente como um poder estruturado, pois possuem parlamentares (fam&iacute;lia Farias de AL, Hildebrando do Acre, etc), ju&iacute;zes (com a tarefa de expedir os &ldquo;habeas corpus&rdquo;, relaxar a pris&atilde;o e outros mecanismos processuais), policiais e carcereiros (para facilitar as fugas, proteger o local do tr&aacute;fico, etc), oficiais das for&ccedil;as armadas (lembram dos oficiais da aeron&aacute;utica?) e, como todo Estado, &eacute; fortemente armado. Enfim h&aacute; toda uma rede de sustenta&ccedil;&atilde;o do crime e da viol&ecirc;ncia que se institucionalizou e que al&eacute;m do conhecimento das &ldquo;autoridades&rdquo; tamb&eacute;m tem a prote&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es oficiais. Atuam com a coniv&ecirc;ncia do Estado oficial, pois cumprem um papel fundamental para a manuten&ccedil;&atilde;o do capitalismo: o controle dos trabalhadores e dos explorados. Basta ver que nos grandes centros n&atilde;o existe mais o bate papo entre vizinhos e amigos seja nos &ldquo;botecos&rdquo; ou nas pra&ccedil;as, todos se recolhem cedo (se n&atilde;o tem conversa n&atilde;o tem troca de experi&ecirc;ncia e questionamento coletivo da econ&ocirc;mica, do governo, da pol&iacute;cia). Nestes locais &eacute; proibido se reunir &agrave; noite e qualquer organiza&ccedil;&atilde;o popular deve ter o consentimento dos chefes do crime organizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">Nos morros, favelas e periferia est&atilde;o &ldquo;escondidos&rdquo; (todo mundo sabe onde est&atilde;o, at&eacute; a pol&iacute;cia&#8230;) os traficantes (lembram do Fernandinho Beira Mar?) e<span style=\"\">&nbsp; <\/span>que literalmente controlam essas regi&otilde;es, imp&otilde;em toque de recolher, decretam a<span style=\"\">&nbsp; <\/span>necessidade de autoriza&ccedil;&atilde;o para entrar e para sair, realizam julgamentos e execu&ccedil;&otilde;es sum&aacute;rias daqueles que ousam desafi&aacute;-los, ou seja, o que a ditadura fazia agora &eacute; este Estado paralelo que faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">H&aacute; uma divis&atilde;o de tarefas, onde o Estado oficial cuida da entrega das estatais, de gerir os neg&oacute;cios da burguesia e dos aspectos legais da repress&atilde;o (os processos &ldquo;legais&rdquo;, as pris&otilde;es pol&iacute;ticas &ldquo;dentro da lei&rdquo;, etc.). O Estado paralelo tem como principal tarefa o controle dos trabalhadores e do povo oprimido, podemos dizer que temos um &ldquo;Estado Democr&aacute;tico de Direito&rdquo;, representando o oficial e um &ldquo;Estado Ditatorial&rdquo; que &eacute; o paralelo, mas os dois t&ecirc;m o mesmo objetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">N&atilde;o pensem que esta organiza&ccedil;&atilde;o paralela atua s&oacute; com a for&ccedil;a, pois tamb&eacute;m tem seu lado &ldquo;democr&aacute;tico&rdquo; quando realizam fun&ccedil;&otilde;es sociais como a distribui&ccedil;&atilde;o de cestas b&aacute;sicas, ajuda para enterro, planos m&eacute;dicos, creches e at&eacute; empr&eacute;stimo de dinheiro (claro que deve ser pago&#8230;). Protegem a comunidade, conversam e ouvem os problemas dos moradores, enfim um papel digno das institui&ccedil;&otilde;es do Estado oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\"><b><u><!----><o:p><\/o:p><\/u><\/b><\/p>\n<h2><u>DA SEGURAN&Ccedil;A PARICULAR AOS GRUPOS PARAMILITARES<o:p><\/o:p><\/u><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">Outra quest&atilde;o que deve ser analisada &eacute; o armamento privado que &eacute; cada vez mais presente. Al&eacute;m do armamento das quadrilhas e do tr&aacute;fico, no campo h&aacute; anos temos a UDR e os fazendeiros com seus jagun&ccedil;os que desde 1995 j&aacute; assassinaram 214 trabalhadores sem terra em processos de luta pela terra e n&atilde;o houve nenhuma condena&ccedil;&atilde;o. Nas grandes cidades os empres&aacute;rios est&atilde;o formando um verdadeiro ex&eacute;rcito particular. As empresas de seguran&ccedil;a particular (quase sempre de propriedade da oficialidade da policia e que v&aacute;rios policiais fazem &ldquo;bico&rdquo;), tanto nas cidades como no campo, v&atilde;o se constituindo como uma base real e objetiva para forma&ccedil;&atilde;o de grupos paramilitares e que diante de qualquer amea&ccedil;a &agrave; propriedade privada executam sem nenhum constrangimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">Essa quest&atilde;o do armamento particular dos capitalistas &eacute; de fundamental import&acirc;ncia entendermos, pois a Col&ocirc;mbia e seus grupos paramilitares, os paramilitares das ditaduras do Cone Sul e mesmo aqui no campo brasileiro com a UDR e seus jagun&ccedil;os<span style=\"\">&nbsp; <\/span>se originaram a partir de seguran&ccedil;as particulares dos fazendeiros e grandes latifundi&aacute;rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\"><!----><o:p><\/o:p><\/p>\n<h2><u>QUE PAZ QUEREMOS?<o:p><\/o:p><\/u><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">Estou contra essa campanha c&iacute;nica<span style=\"\">&nbsp; <\/span>porque ela n&atilde;o tem como preocupa&ccedil;&atilde;o central a paz para todos, mas sim para os ricos. Est&atilde;o preocupados com os seus Rolls Royce, Mercedes, seus importados e rel&oacute;gios &ldquo;rolex&rdquo;. N&atilde;o pensam nos jovens da periferia nem nos sem terra, nos desempregados, nos favelados. N&atilde;o se referem &agrave;s medidas necess&aacute;rias para p&ocirc;r fim &agrave; viol&ecirc;ncia, pois teriam que discutir solu&ccedil;&otilde;es para o desemprego, o lazer, a educa&ccedil;&atilde;o, a reforma agr&aacute;ria o que levaria a colocar em xeque a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia da domina&ccedil;&atilde;o capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">A paz plena s&oacute; ser&aacute; alcan&ccedil;ada quando conseguirmos construir uma sociedade que n&atilde;o tenha como a explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem, quando a vida for mais importante que o dinheiro e os bens materiais,<span style=\"\">&nbsp; <\/span>quando a realidade for t&atilde;o maravilhosa que n&atilde;o se precise de drogas para &ldquo;fugir da realidade&rdquo;, quando, como disse Trotsky,<span style=\"\">&nbsp; <\/span>livrarmos a vida de todo o mal e possamos desfrut&aacute;-la plenamente. S&oacute; conseguiremos a paz quando a humanidade extirpar<span style=\"\">&nbsp; <\/span>o mal capitalista e os &ldquo;falsos socialismos&rdquo; . S&oacute; o socialismo verdadeiro, democr&aacute;tico, livre de toda e qualquer burocracia, pode nos dar a paz., ou seja, s&oacute; quando existir uma sociedade sem explorados e exploradores, onde a coletividade auto-organizada, exer&ccedil;a diretamente o poder, sem qualquer intermedia&ccedil;&atilde;o ou &ldquo;representante&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">E essa tarefa s&oacute; os trabalhadores e aos explorados podem realiz&aacute;-la. Os capitalistas n&atilde;o tem paz para nos oferecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">A campanha do &ldquo;Basta&rdquo; jamais conseguir&aacute; a paz , pois ela n&atilde;o ataca o principal sustent&aacute;culo da viol&ecirc;ncia que &eacute; o capitalismo. S&oacute; colocando fim ao capitalismo &eacute; que teremos paz, pois a viol&ecirc;ncia &eacute; inerente ao capitalismo.<\/p>\n<p align=\"right\" style=\"text-align: right; text-indent: 14.2pt;\" class=\"MsoNormal\">Duarte &#8211; ABC\/SP<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[79],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=184"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6210,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/184\/revisions\/6210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}