{"id":19,"date":"2008-12-13T15:22:41","date_gmt":"2008-12-13T15:22:41","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/19"},"modified":"2018-05-04T21:51:23","modified_gmt":"2018-05-05T00:51:23","slug":"socorram-me-subi-no-onibus-em-marrocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/socorram-me-subi-no-onibus-em-marrocos\/","title":{"rendered":"Socorram-me subi no \u00f4nibus em Marrocos"},"content":{"rendered":"<h1>SOCORRAM ME SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS<\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cBabel\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: \u201cBabel\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos\/M\u00e9xico<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2006<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Espanhol, Franc\u00eas, Japon\u00eas, B\u00e9rbere e \u00c1rabe<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"ES-TRAD\">Diretor: Alejandro Gonz\u00e1lez I\u00f1\u00e1rritu<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Guillermo Arriaga<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchet, Gael Garc\u00eda Bernal, Adriana Barraza, Rinko Kikuchi<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 G\u00eanero: drama, thriller<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"ES-TRAD\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Babel \u00e9 o nome da torre cuja malfadada constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 narrada na B\u00edblia, no livro do G\u00eanesis (cap. 11:2-9). Os homens tentaram construir uma torre alta o suficiente para alcan\u00e7ar o c\u00e9u. Mas Deus ficou irritado com a prepot\u00eancia de suas criaturas, por terem a ousadia de querer alcan\u00e7ar seus dom\u00ednios. Para impedir que isso acontecesse, Ele confundiu suas l\u00ednguas, para que n\u00e3o pudessem mais se entender (at\u00e9 aquele momento, todos na Terra falavam o mesmo idioma).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Essa explica\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica da B\u00edblia para a origem das diferentes l\u00ednguas cont\u00e9m a admiss\u00e3o invertida de uma premissa dotada de importantes implica\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas: se todos os homens falassem a mesma l\u00edngua, seriam realmente capazes de alcan\u00e7ar o c\u00e9u. Os homens se tornariam iguais a Deus, senhores do mundo. Essa id\u00e9ia repugna o pensamento religioso, que considera qualquer castigo divino bastante adequado para a inadmiss\u00edvel arrog\u00e2ncia de querer igualar-se a Deus. Esconde-se a\u00ed o segredo de toda a religi\u00e3o: a submiss\u00e3o humana. A tentativa de construir a torre foi um gesto promet\u00e9ico esmagado pela Hist\u00f3ria, em nome de Deus.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Para quem n\u00e3o se contenta com a submiss\u00e3o, mas pelo contr\u00e1rio, luta pela emancipa\u00e7\u00e3o humana, a possibilidade de que todos os homens se entendam se coloca como uma necessidade crucial. A possibilidade de uma real comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que os homens se tornem senhores de suas vidas e deixem de se submeter \u00e0s pot\u00eancias alienadas da religi\u00e3o, do moralismo, dos costumes, da ci\u00eancia tecnicista, do mercado, do Estado, etc., construindo formas de rela\u00e7\u00f5es autenticamente humanas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Qual \u00e9 o obst\u00e1culo que impede a comunica\u00e7\u00e3o entre os seres humanos no presente, no nosso mundo real?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O filme \u201cBabel\u201d nos mostra alguns desses obst\u00e1culos. Ao trazer \u00e0 discuss\u00e3o o epis\u00f3dio b\u00edblico, atrav\u00e9s da pr\u00f3pria escolha desse t\u00edtulo, os realizadores do filme prop\u00f5em a tese de que vivemos hoje em nosso mundo numa esp\u00e9cie de Babel de l\u00ednguas confusas, e que por isso os homens n\u00e3o se entendem, e s\u00e3o infelizes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Para provar essa tese, \u201cBabel\u201d nos mostra uma s\u00e9rie de epis\u00f3dios em que os mal-entendidos originam situa\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas e pat\u00e9ticas. As trag\u00e9dias poderiam talvez ser evitadas ou minoradas se os homens se conhecessem e fossem capazes de se entender, \u00e9 nisso que acreditam seus realizadores. Nesse sentido, \u201cBabel\u201d cumpre um papel importante como obra de arte na tarefa de ajudar a dissolver os empecilhos que impedem a compreens\u00e3o m\u00fatua no nosso mundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cBabel\u201d se comp\u00f5e de quatro hist\u00f3rias diferentes, que se passam em tr\u00eas pa\u00edses, Marrocos, M\u00e9xico e Jap\u00e3o, em linhas de tempo ligeiramente deslocadas uma da outra. A conex\u00e3o entre as diferentes hist\u00f3rias \u00e9 acidental, improv\u00e1vel e quase absurda. O absurdo das situa\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias retratadas situa-se perigosamente bastante pr\u00f3ximo da \u201cnormalidade\u201d do cotidiano. A normalidade est\u00e1 por um fio. Basta que os indiv\u00edduos se desviem um pouco da sua rotina para esbarrar nos improv\u00e1veis e absurdos eventos presenciados.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">No interior do Marrocos, dois filhos de um pastor de cabras brincam de tiro ao alvo com o rifle do pai, atirando contra um \u00f4nibus. Essa irresponsabilidade ter\u00e1 conseq\u00fc\u00eancias homicidas. O tiro acerta uma turista estadunidense, transformando a viagem num pesadelo para o marido, desesperado para encontrar formas de socorr\u00ea-la naquele lugar prec\u00e1rio. Ao mesmo tempo, a bab\u00e1 mexicana que cuida dos filhos do casal nos Estados Unidos comete a pequena irresponsabilidade de levar consigo as crian\u00e7as para uma escapada at\u00e9 o M\u00e9xico, para ir \u00e0 festa de casamento de seu filho. Na volta, o sobrinho que dirigia o carro, num arroubo de macheza latina, tenta fugir do arb\u00edtrio e do autoritarismo da pol\u00edcia no posto de controle da fronteira, transformando o passeio festivo num pesadelo no deserto. Enquanto isso, a investiga\u00e7\u00e3o sobre a turista estadunidense alvejada no Marrocos vai parar no Jap\u00e3o, onde se descobre que o rifle usado no suposto \u201catentado\u201d pertenceu a um ca\u00e7ador amador que deixou a arma de presente para o guia de seu \u00faltimo saf\u00e1ri, que por sua vez o revendeu para o pastor de cabras. O japon\u00eas se torna suspeito de contrabando internacional de armas. A pol\u00edcia o encontra atrav\u00e9s de sua filha surda-muda, que tenta entregar-se sexualmente para o policial, no auge do seu desespero por n\u00e3o ter um namorado, que por fim a levar\u00e1 \u00e0 beira do suic\u00eddio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Descritos assim de forma linear como no par\u00e1grafo acima, os acontecimentos n\u00e3o possuem a menor l\u00f3gica. Expostos na tela do cinema, na devida (des)ordem temporal do encadeamento das cenas, esses mesmos acontecimentos readquirem a nossos olhos a estranha plausibilidade do real. Ao presenciarmos os epis\u00f3dios de \u201cBabel\u201d, identificamos claramente o nosso mundo real e seus absurdos. O real \u00e9 indiz\u00edvel, imposs\u00edvel de ser totalmente contido em simples e toscas palavras, mas \u00e9 ilustr\u00e1vel, pass\u00edvel de ser exibido e entendido em pel\u00edcula de cinema.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A arte \u00e9 o terreno em que se pode construir a unidade entre os homens separados por l\u00ednguas, costumes e culturas. \u201cBabel\u201d acrescenta mais um tijolo na promet\u00e9ica torre de Babel da compreens\u00e3o m\u00fatua que precisamos construir para superar nossa aliena\u00e7\u00e3o. Entretanto, seus realizadores, como os dois garotos marroquinos, atiram no que v\u00eaem para acertar no que n\u00e3o v\u00eaem. Ao colocar em discuss\u00e3o a incomunicabilidade humana sob o aspecto das diferen\u00e7as ling\u00fc\u00edsticas e culturais, aspecto destacado na pr\u00f3pria escolha do t\u00edtulo, os autores de \u201cBabel\u201d revelam inadvertidamente algumas das verdadeiras causas dessa incomunicabilidade: as rela\u00e7\u00f5es de poder.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que impede a real compreens\u00e3o entre os homens e perpetua os conflitos n\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a ling\u00fc\u00edstica e cultural, mas as diferen\u00e7as de classe. A divis\u00e3o de classes se reproduz sobre a base de rela\u00e7\u00f5es materiais de for\u00e7a que exigem precisamente a incomunicabilidade como corol\u00e1rio. A incomunicabilidade se expressa sob a forma de narrativas pr\u00e9-concebidas ideologicamente moldadas para instrumentalizar o confronto necessariamente hostil com o diferente e viabilizar seu controle pela for\u00e7a. Uma dessas narrativas pr\u00e9-concebidas \u00e9 aquela que diz que os povos \u00e1rabes s\u00e3o terroristas. Logo, se uma turista estadunidense leva um tiro no Marrocos, isso s\u00f3 pode ser um ato terrorista. Outra narrativa diz que os mexicanos s\u00e3o vagabundos, b\u00eabados, viciados, bandidos, que entram nos Estados Unidos para roubar empregos e cometer crimes. Logo, se um jovem e uma senhora mexicanos levam duas crian\u00e7as loiras no banco de tr\u00e1s, isso s\u00f3 pode ser um seq\u00fcestro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As rela\u00e7\u00f5es de classe vigentes transformam ideologicamente os povos subalternos em terroristas e seq\u00fcestradores, legitimando a violenta repress\u00e3o de que s\u00e3o v\u00edtimas. A brutalidade da pol\u00edcia marroquina contra seu pr\u00f3prio povo, a atitude de atirar primeiro e perguntar depois, explicita a fun\u00e7\u00e3o do Estado burgu\u00eas perif\u00e9rico: subjugar a popula\u00e7\u00e3o local em nome da necessidade de cumprir obedientemente o que dele espera a \u201ccomunidade internacional\u201d, ou seja, os Estados Unidos. A presteza da pol\u00edcia japonesa em localizar a origem da arma do crime se justifica pelo mesmo motivo. Essa \u00e9 a raiz de todos os mal-entendidos expostos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os cidad\u00e3os dos Estados Unidos ocupam a posi\u00e7\u00e3o praticamente incontestada de protagonistas do drama mundial, e o fazem em grande parte gra\u00e7as ao poder do cinema. Gra\u00e7as ao cinema estadunidense, as plat\u00e9ias do mundo inteiro se acostumaram a rir do que eles riem, se assustar com o que se assustam, odiar o que odeiam, chorar pelo que choram, sentir o que eles sentem. Os estadunidenses s\u00e3o os her\u00f3is, e as plat\u00e9ias se identificam com eles, torcem por eles, querem ser como eles. S\u00e3o eles que contam, suas vidas s\u00e3o as \u00fanicas que importam.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A televis\u00e3o nos informa que a hist\u00f3ria da turista alvejada no Marrocos teve um \u201cfinal feliz\u201d: a mulher estadunidense acabou n\u00e3o morrendo. Final feliz para quem, cara p\u00e1lida? E quanto ao garoto marroquino que foi morto num tiroteio no momento em que tentava escapar da pol\u00edcia com seu irm\u00e3o e seu pai? E o que far\u00e1 com eles a pol\u00edcia marroquina, bem como a pol\u00edcia estadunidense com o jovem mexicano que fugiu, e a bab\u00e1 mexicana que foi deportada, etc. O que acontece com eles? Onde est\u00e1 o final feliz? Ora, s\u00e3o coadjuvantes, e o que acontece com eles n\u00e3o importa. \u00c9 \u201csecund\u00e1rio\u201d. Tudo o que importa s\u00e3o os \u201cprotagonistas\u201d, j\u00e1 que os astros Brad Pitt e Cate Blanchet est\u00e3o na sua pele e fornecem com sua simples presen\u00e7a estelar a raz\u00e3o para que a maior parte do p\u00fablico v\u00e1 ao cinema.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cBabel\u201d acerta ao mostrar o ponto de vista desses \u201ccoadjuvantes\u201d. Mas aparentemente erra ao supor que o problema das diferen\u00e7as humanas est\u00e1 na incomunicabilidade ling\u00fc\u00edstica; suposi\u00e7\u00e3o expressa na refer\u00eancia que o t\u00edtulo traz ao epis\u00f3dio b\u00edblico da confus\u00e3o das l\u00ednguas As l\u00ednguas s\u00e3o conven\u00e7\u00f5es criadas arbitrariamente e desenvolvidas pelo uso e pelo costume. \u00c9 para real\u00e7ar o car\u00e1ter acidental e arbitr\u00e1rio das diferen\u00e7as ling\u00fc\u00edsticas que escolhemos o maior pal\u00edndromo da l\u00edngua portuguesa para o t\u00edtulo desse coment\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O significado de \u201cBabel\u201d n\u00e3o est\u00e1 nessa bizarra coincid\u00eancia do epis\u00f3dio ficcional do tiro com o pal\u00edndromo em portugu\u00eas. O significado do filme \u00e9 a ilustra\u00e7\u00e3o de alguns exemplos das barreiras que separam os homens. Mais do que incomunicabilidade ling\u00fc\u00edstica formal, o problema da humanidade est\u00e1 na incomunicabilidade substancial socialmente criada.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Pessoas que falam uma mesma l\u00edngua podem muito bem n\u00e3o se entender. O que o casal estadunidense estava fazendo no Marrocos, em primeiro lugar? O deslocamento espacial n\u00e3o os ajudou a superar a dist\u00e2ncia que imperava em seu casamento, devido \u00e0 perda de um filho que ambos n\u00e3o haviam encontrado meios de elaborar e assimilar psicologicamente em conjunto.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E o que dizer da garota japonesa surda-muda? A sua incomunicabilidade com o pai, com o policial, com os jovens do sexo oposto, n\u00e3o est\u00e1 em sua defici\u00eancia auditiva e expressiva, mas na impossibilidade de enunciar um conte\u00fado que a sociedade japonesa n\u00e3o admite como comunic\u00e1vel: a necessidade sexual das mulheres. Eis um conte\u00fado que nenhuma sociedade, seja ocidental ou oriental, elaborou adequadamente. Que o digam um dos garotos marroquinos e a irm\u00e3 com seu jogo er\u00f3tico adolescente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde as rela\u00e7\u00f5es de poder internacionais at\u00e9 as opress\u00f5es moralistas mais sutis s\u00e3o aqui dissecadas. Esse epis\u00f3dio far\u00e1 o jovem e precoce Youssef tornar-se adulto antes do tempo e assumir toda a responsabilidade, inclusive pela morte do irm\u00e3o. N\u00e3o seria nenhuma surpresa se ele se transformasse naquilo que os guardi\u00f5es da ordem chamam impropriamente de \u201cterrorista\u201d, mas que seria mais adequado chamar de revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">27\/01\/2007<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h1>SOCORRAM ME SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS<\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Babel&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Nome original: &ldquo;Babel&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6163,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19\/revisions\/6163"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}