{"id":1961,"date":"2013-05-18T22:34:17","date_gmt":"2013-05-19T01:34:17","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961"},"modified":"2018-06-01T16:05:10","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:10","slug":"jornal-58-maiojunho-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/05\/jornal-58-maiojunho-de-2013\/","title":{"rendered":"Jornal 58: Maio\/Junho de 2013"},"content":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o em PDF do \u00a0Jornal:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=1980\" rel=\"attachment wp-att-1979\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1979\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/j58-miniatura.jpg\" alt=\"j58 miniatura\" width=\"205\" height=\"295\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vers\u00e3o em PDF do Encarte Alagoas:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=1977\" rel=\"attachment wp-att-1976\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1976\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/encarte-alagoas-miniatura.jpg\" alt=\"encarte alagoas miniatura\" width=\"205\" height=\"295\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/encarte-alagoas-miniatura.jpg 212w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/encarte-alagoas-miniatura-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vers\u00e3o em PDF do\u00a0Encarte te\u00f3rico &#8220;A cr\u00edtica radical da religi\u00e3o \u00e9 a cr\u00edtica do ate\u00edsmo&#8221;\u00a0:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=1974\" rel=\"attachment wp-att-1973\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1973\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/encarte-teorico-miniatura.jpg\" alt=\"encarte teorico miniatura\" width=\"205\" height=\"297\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ou leia as mat\u00e9rias online:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo1\"><span style=\"line-height: 12.997159004211426px;\">Unificar as lutas contra os patr\u00f5es e os Governos<\/span><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo2\">Redu\u00e7\u00e3o da Maioridade Penal: a sociedade burguesa responsabiliza a juventude<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo3\">Direitos humanos: Marco Feliciano e a Homofobia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo4\">Professores de S\u00e3o Paulo: uma greve qualitativamente distinta<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo5\">Com juventude que revoluciona, o capitalismo n\u00e3o funciona<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo6\">Debate: por que o Chavismo n\u00e3o \u00e9 nem reformista?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo7\">Elei\u00e7\u00f5es na Venezuela: com polariza\u00e7\u00e3o, burguesia prepara o golpe<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Encarte Alagoas:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961%20#titulo9\">Capitalismo e viol\u00eancia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961%20#titulo10\">A crise ambiental \u00e9, na verdade, uma crise do capital<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961%20#titulo11\">Para qu\u00ea serve o discurso do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Encarte te\u00f3rico:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=1961 #titulo8\"><span style=\"line-height: 12.997159004211426px; font-size: 13px;\">A cr\u00edtica radical da religi\u00e3o \u00e9 a cr\u00edtica do ate\u00edsmo<\/span><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Por um dia nacional de paralisa\u00e7\u00f5es: unificar as lutas contra os patr\u00f5es e os governos<a name=\"titulo1\"><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 vimos em outras edi\u00e7\u00f5es que a economia brasileira s\u00f3 vem se mantendo devido aos gigantescos aportes financeiros do Estado, do aumento da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e do aumento do endividamento geral, tudo isso como forma de manter a alta lucratividade do capital e o funcionamento do mercado.<br \/>\nEssa pol\u00edtica permanente de oxigenar o lucro do empresariado \u00e0 custa dos trabalhadores envolve tanto as v\u00e1rias esferas do Estado (Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios) quanto aos v\u00e1rios partidos (bloco PT\/PMDB\/PSB, etc.) e bloco (PSDB, BEM, PPS, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das formas mais cl\u00e1ssicas da burguesia aumentar sua explora\u00e7\u00e3o sobre o conjunto do proletariado \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o dos bens de primeira necessidade. O efeito \u00e9 o mesmo de uma redu\u00e7\u00e3o salarial imediata de 10% ou mais, diminu\u00eddo violentamente a massa de valor que fica em poder dos trabalhadores. Os governos toleram o aumento dos pre\u00e7os dos alimentos, mas endurecem contra as lutas por reajuste salarial, afirmando que isso gera infla\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro mecanismo \u00e9 pagamento dos juros e amortiza\u00e7\u00f5es da (mal) chamada D\u00edvida P\u00fablica, que ir\u00e1 consumir 42%, quase metade do or\u00e7amento federal de 2013. Dos R$ 2,14 trilh\u00f5es do or\u00e7amento, 900 bilh\u00f5es (!) ser\u00e3o para o \u201cpagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica. Enquanto isso, est\u00e1 previsto R$ 71,7 bilh\u00f5es para Educa\u00e7\u00e3o, R$ 87,7 bilh\u00f5es para a Sa\u00fade, ou 5 bilh\u00f5es para a reforma agr\u00e1ria\u201d, informa Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidad\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A burguesia ainda \u00e9 favorecida com a isen\u00e7\u00e3o de impostos, constru\u00e7\u00e3o de obras e empr\u00e9stimos a servi\u00e7o dos empres\u00e1rios pelo BNDES, formas de direcionamento de montanhas de dinheiro p\u00fablico para o empresariado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A privataria petista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 1\u00aa etapa de grandes privatiza\u00e7\u00f5es foi impulsionada por FHC (PSDB) seguindo o receitu\u00e1rio neoliberal dos anos 90. Naquele momento foram privatizadas empresas fundamentais para a soberania e desenvolvimento do pa\u00eds como todo o ramo de min\u00e9rios, (incluindo a privatiza\u00e7\u00e3o da Vale do Rio Doce), das telecomunica\u00e7\u00f5es, dos bancos estaduais, de empresas de eletricidade, de transporte, rodovias e portos. Foram trilh\u00f5es de reais em riqueza para o capital privado em opera\u00e7\u00f5es fraudulentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora entramos em uma etapa de entrega de bens p\u00fablicos para o controle e benef\u00edcio da iniciativa privada. Rodovias, aeroportos, ferrovias e os portos com a Medida Provis\u00f3ria 595. Um plano de investimento de bilh\u00f5es (s\u00f3 no setor de ferrovias ser\u00e3o R$ 133 bilh\u00f5es em 25 anos) de dinheiro p\u00fablico para o setor privado ficar com o lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, o governo e o PT insistem em dizer que isso n\u00e3o \u00e9 privatiza\u00e7\u00e3o, mas sim concess\u00f5es, nome pomposo para o mesmo resultado: entrega de bens e servi\u00e7os p\u00fablicos para o capital privado. Para se ter uma ideia o tempo de concess\u00e3o dos aeroportos \u00e9 de at\u00e9 30 anos e pela MP dos portos (595) a concess\u00e3o ser\u00e1 de 50 anos. Haja privatiza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A essas \u201cconcess\u00f5es\u201d acrescentam-se ainda as reestrutura\u00e7\u00f5es que bancos p\u00fablicos, como a Caixa e o Banco do Brasil, est\u00e3o realizando com o objetivo de reduzir custos para intervir ainda mais na l\u00f3gica do mercado. H\u00e1 muito esses bancos perderam o pouco car\u00e1ter p\u00fablico que tinham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos se lembram das elei\u00e7\u00f5es de 2010, quando Dilma e o PT acusavam o PSDB de privatiza\u00e7\u00e3o e se apresentavam como defensor do p\u00fablico. Esse \u00e9 s\u00f3 mais um passo \u00e0 direita do PT e do modelo neoliberal que aplicam desde o primeiro dia de governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o privatiza\u00e7\u00f5es que atacam o poder aquisitivo dos trabalhadores. Viajar ou ir trabalhar fica mais caro. Os alimentos, pelo aumento de custo nas rodovias, tamb\u00e9m ficam mais caro.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Gest\u00e3o do p\u00fablico sob a l\u00f3gica privada<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 apenas pela venda direta de empresas ou concess\u00e3o de servi\u00e7os. A introdu\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica privada nas esferas p\u00fablicas tem sido uma constante, com a cria\u00e7\u00e3o de regimes de contrata\u00e7\u00e3o prec\u00e1rios e formas de avalia\u00e7\u00e3o individualizadas, visando cobrar e culpabilizar individualmente os funcion\u00e1rios p\u00fablicos, amea\u00e7ando at\u00e9 com a perda da estabilidade e poss\u00edvel demiss\u00e3o. O objetivo claro \u00e9 de dificultar as rea\u00e7\u00f5es ao aumento da intensidade do trabalho, ao mesmo tempo em que se congelam os sal\u00e1rios e se cortam direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em n\u00edvel de gerenciamento uma coisa que chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o os cursos e treinamentos nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos realizados pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), a porta-voz de modelos privados de gest\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Nesses cursos s\u00e3o tratados de temas como de gest\u00e3o de tempo, sistemas de avalia\u00e7\u00e3o em base a metas (independente da qualidade) no servi\u00e7o p\u00fablico, gest\u00e3o de pessoal, gest\u00e3o operacional. Todos, em nome de melhorar o servi\u00e7o p\u00fablico, introduzindo crit\u00e9rios e conceitos de ger\u00eancia privada no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esferas e empresas estatais tamb\u00e9m passam a ter como refer\u00eancia o mercado capitalista, como a Petrobr\u00e1s (que vem aumentando o pre\u00e7o dos combust\u00edveis para que se iguale ao do mercado mundial) ou o Banco do Brasil (que tem reduzido os pisos salariais e colocado seus trabalhadores para fazerem papel de vendedor de produtos financeiros). Todas s\u00e3o formas de privatiza\u00e7\u00e3o, ainda que indiretamente, dos servi\u00e7os e do funcionamento da estrutura p\u00fablica.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Governo e PT mais e mais \u00e0 direita<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a das privatiza\u00e7\u00f5es do governo do PT com as do PSDB \u00e9 apenas pela exig\u00eancia de um n\u00edvel de regula\u00e7\u00e3o do Estado um pouco maior, para que o poder e os privil\u00e9gios da burocracia (como os cargos nos conselhos gestores das empresas) estejam minimamente preservados, ao mesmo tempo em que as formas e os ritmos de implementa\u00e7\u00e3o do projeto sejam mediados e realizados de modo a provocar menos rea\u00e7\u00e3o popular e dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas medidas v\u00e3o ao sentido de propiciar ao capital condi\u00e7\u00f5es mais vantajosas de lucratividade. As contradi\u00e7\u00f5es na economia (endividamento das fam\u00edlias, desindustrializa\u00e7\u00e3o, balan\u00e7a comercial negativa, infla\u00e7\u00e3o, crescimento menor do que o esperado, etc.) s\u00e3o cada vez maiores e t\u00eam feito com que cada medida adotada para superar as contradi\u00e7\u00f5es logo se esgote, obrigando o governo a tomar novas e novas medidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acirramento da crise e de seus impactos no Brasil, ao mesmo tempo em que demonstram os limites das medidas do governo Dilma, aumentam a press\u00e3o para que o governo entregue de forma muito mais direta o dinheiro p\u00fablico (dos trabalhadores) na m\u00e3o do capital. Dilma o faz sistematicamente e vai se assemelhando, cada vez mais, ao governo do PSDB, revelando mais claramente o car\u00e1ter de classe de seu governo burgu\u00eas e neoliberal, inimigo dos trabalhadores.<br \/>\nNa esfera pol\u00edtica \u2013 depois do PMDB, de Maluf, dos ruralistas, dos evang\u00e9licos \u2013 agora \u00e9 a vez do reacion\u00e1rio Affif Domingos (PSD) ocupar um minist\u00e9rio de Dilma. Antecipando a campanha do ano que vem, essa indica\u00e7\u00e3o j\u00e1 mostra a composi\u00e7\u00e3o da chapa do PT. A direita fica at\u00e9 com inveja.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Por um dia nacional de mobiliza\u00e7\u00f5es!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletindo uma nova situa\u00e7\u00e3o na luta de classes do pa\u00eds, vem ocorrendo lutas importantes como as da constru\u00e7\u00e3o civil em Belo Monte, trabalhadores das empreiteiras do polo petroqu\u00edmico de Cubat\u00e3o, as greves dos professores da rede estadual e municipal de S\u00e3o Paulo e a marcha a Bras\u00edlia. No caso das greves de professores enfrentam o mesmo projeto de precariza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do ensino, aplicado tanto pelo PSDB (Alckmin) como pelo PT (Haddad).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o lutas importantes porque al\u00e9m de lutar contra os baixos sal\u00e1rios tamb\u00e9m enfrentam o aumento dos ritmos de trabalho e formas prec\u00e1rias de contrata\u00e7\u00e3o. A infla\u00e7\u00e3o e o aumento do pre\u00e7o dos alimentos colocam a necessidade de apontar o caminho da constru\u00e7\u00e3o de um dia nacional de lutas com atos e passeatas conjuntos, unindo os diversos movimentos sociais como os da luta pela reforma agr\u00e1ria, o movimento popular, o sindical, o estudantil. Um dia em que unificar\u00edamos todas as reivindica\u00e7\u00f5es. Unir for\u00e7as para enfrentar o governo e os patr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m est\u00e3o se aproximando as campanhas salariais do segundo semestre, como de correios, banc\u00e1rios, petroleiros e outras categorias importantes e que se vitoriosas podem mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Marcha a Bras\u00edlia foi importante como forma de den\u00fancia e centraliza\u00e7\u00e3o da luta contra o governo Dilma, o ACE e a Reforma da Previd\u00eancia. Mas agora \u00e9 preciso que se avance para um dia nacional de paralisa\u00e7\u00f5es, bloqueios e mobiliza\u00e7\u00f5es em geral de modo que o movimento comece a tomar contornos de interfer\u00eancia mais direta nas estruturas, pois sabemos que apenas movimentos de superestrutura n\u00e3o afetar\u00e3o os governos e patronal.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O Bloco Classista, Anticapitalista e de Base na CSP-CONLUTAS<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<br \/>\nAp\u00f3s insist\u00eancia do Bloco Classista, Anticapitalista e de Base (formado por Espa\u00e7o Socialista, MR e independentes), que atua no interior da CSP- Conlutas, na \u00faltima reuni\u00e3o da coordena\u00e7\u00e3o nacional da Central, foi votada essa necessidade, por\u00e9m a dire\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria se recusou a definir uma data.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os v\u00e1rios movimentos precisam de um referencial unit\u00e1rio e claro de luta e isso exige a marca\u00e7\u00e3o desse dia nacional de paralisa\u00e7\u00f5es e protestos. Os elementos centrais de programa s\u00e3o sem d\u00favida a reposi\u00e7\u00e3o de todas as perdas salariais j\u00e1 e aumento real, o n\u00e3o pagamento da \u201cD\u00edvida P\u00fablica\u201d e o investimento desse dinheiro nos servi\u00e7os p\u00fablicos que atendam aos trabalhadores, contra a privatiza\u00e7\u00e3o (seja por venda, concess\u00f5es ou PPPs), contra o ACE e a reforma da previd\u00eancia, reestatiza\u00e7\u00e3o das empresas e que sua gest\u00e3o esteja sob controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, mais do que impulsionarmos as lutas e a unifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, dos estudantes e movimentos populares, \u00e9 preciso uma campanha constante junto aos trabalhadores no sentido de uma disputa pol\u00edtica e ideol\u00f3gica contra burguesia e as ilus\u00f5es no governo Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe aos sindicatos e centrais de luta (CSP-Conlutas e Intersindical) realizarem uma campanha p\u00fablica de den\u00fancia permanente contra o projeto burgu\u00eas que est\u00e1 em curso no pa\u00eds. \u00c9 preciso demonstrar a liga\u00e7\u00e3o entre cada um dos problemas enfrentados pelos trabalhadores e o sistema capitalista com seus interesses de lucro e de explora\u00e7\u00e3o dos seres humanos e da natureza. Como parte dessa den\u00fancia devemos responsabilizar o governo Dilma e os estaduais, bem como o Congresso, a Justi\u00e7a e as For\u00e7as Armadas de modo a demonstrar a necessidade dos trabalhadores irem \u00e0s lutas e de apontarem um projeto alternativo (socialista) para o pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas entidades t\u00eam arrecada\u00e7\u00e3o para realizar campanhas desse tipo com milh\u00f5es de panfletos nas esta\u00e7\u00f5es, f\u00e1bricas e universidades, carros de som nos bairros e centros urbanos, v\u00eddeos pela internet, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso superar essa limita\u00e7\u00e3o do comodismo do poss\u00edvel. O poss\u00edvel tamb\u00e9m \u00e9 (pelo menos em parte) resultado de um trabalho pr\u00e1tico e de consci\u00eancia. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 imediatamente dado na realidade, depende da a\u00e7\u00e3o humana. Essa negativa em ir al\u00e9m da acomoda\u00e7\u00e3o e a dificuldade em ter uma pol\u00edtica independente das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e governistas t\u00eam feito com que a CSP-Conlutas e a Intersindical percam a oportunidade de se transformarem nas grandes refer\u00eancias de luta que os trabalhadores necessitam e isso por responsabilidade de suas dire\u00e7\u00f5es majorit\u00e1rias (PSTU e PSOL).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso coloca cada vez mais a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do Bloco Classista, anticapitalista e de base como forma de apontarmos um novo rumo para a CSP-Conlutas, para que possa ser a grande refer\u00eancia, juntamente com outras entidades de luta, para apontar um caminho de transforma\u00e7\u00e3o socialista dos trabalhadores.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal: a sociedade burguesa responsabiliza a juventude<a name=\"titulo2\"><\/a><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Marcio e Thais<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas semanas, tem havido um debate sobre a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal de 18 para 16 anos. A justificativa s\u00e3o os homic\u00eddios cometidos por crian\u00e7as e adolescentes. De acordo com o ECA, j\u00e1 podem ficar at\u00e9 3 anos presos. Mas, a m\u00eddia burguesa tem influenciado a opini\u00e3o dos trabalhadores ao alegar que esse \u201cpouco tempo\u201d gera a certeza de impunidade e \u00e9 est\u00edmulo para o cometimento de mais delitos.<br \/>\nNo entanto, segundo a pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o Casa, cerca de 85% dos adolescentes em priva\u00e7\u00e3o de liberdade cometeram delitos relacionados ao tr\u00e1fico de drogas e roubo. Apenas 0,6 % s\u00e3o casos de homic\u00eddios. Para al\u00e9m dos n\u00fameros, destacamos que o jovem marginalizado n\u00e3o aperta o gatilho sozinho, mas junto a um tipo sociedade. Isso se expressa na pr\u00e1tica de abandono e do sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, j\u00e1 que os direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes se tornam empecilhos para o capital. \u00c9 preciso pensar, o que explica um adolescente ter ficha corrida de crimes mesmo antes da \u201cmaioridade\u201d?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Juventude sem ensino e sem escola<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o PNAD e o IBGE (2009-2011), o \u00edndice de jovens entre 15 e 17 anos analfabetos \u00e9 de 20%, isto \u00e9, est\u00e3o saindo da escola sem saber interpretar o que leem e elaborar um texto. E a quantidade de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola, sem acesso ao ensino p\u00fablico de p\u00e9ssima qualidade, \u00e9 de 12,3%.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Juventude sem emprego e\/ou com emprego precarizado<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O perfil do aluno de escola p\u00fablica nos termos colocados acima \u00e9, de acordo com o Instituto de Analfabetismo Funcional (INAF) &#8230;\u201cA baixa renda \u00e9 outro fator relacionado ao grupo de analfabetos funcionais do Pa\u00eds. Daqueles que t\u00eam renda familiar de at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo 38% s\u00e3o considerados analfabetos funcionais, (&#8230;)\u201d \u2013 Isto \u00e9 quase a metade de filhos e filhas de trabalhadores!<br \/>\nEstudantes com esse n\u00edvel de ensino s\u00e3o absorvidos pelo mercado de trabalho em fun\u00e7\u00f5es de baixos sal\u00e1rios e direitos. Dados do Governo Federal (juventude.gov.br\/conjuve) &#8230; \u201cdos jovens de 16 a 24 anos que trabalhavam em 2011, 43% tinham rendimento inferior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo, sendo que somente 13% percebiam renda superior a dois sal\u00e1rios\u201d. Al\u00e9m disso, o n\u00famero de jovens sem emprego \u00e9 de 12,8%.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Falta de ensino de qualidade, falta de emprego e falta de sal\u00e1rio marginalizam a juventude<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observemos os n\u00fameros do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre o sistema prisional brasileiro em 2012: \u201c(&#8230;) a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria brasileira tem perfil preponderantemente jovem, masculino, negro e de baixa escolaridade. Em 2011, 53,6% da popula\u00e7\u00e3o no sistema penitenci\u00e1rio tinha entre 18 e 29 anos de idade, 93,6% eram homens, 57,6% eram negros e pardos e 34,8% eram brancos. Al\u00e9m disso, 45,7% da popula\u00e7\u00e3o do sistema penitenci\u00e1rio possu\u00eda ensino fundamental incompleto, enquanto apenas 0,4% possu\u00eda ensino superior completo.\u201d<br \/>\nVejamos, agora, o perfil do adolescente \u201cem conflito com a Lei\u201d, de acordo com o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), em 2012: Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura familiar, o CNJ constatou que 14% dos jovens infratores possuem pelo menos um filho, apesar da pouca idade, e apenas 38% deles foram criados pela m\u00e3e e o pai. Al\u00e9m disso, 7 em cada 10 adolescentes ouvidos pela Justi\u00e7a se declararam usu\u00e1rios de drogas, sendo este percentual mais expressivo na Regi\u00e3o Centro-Oeste (80,3%).\u201d<br \/>\nPor outro lado, diz a Constitui\u00e7\u00e3o no&#8230; \u201cArt. 227. \u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o\u201d. Na mesma linha vai o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA).<br \/>\nMas na pr\u00e1tica, a juventude das periferias das cidades brasileiras sofre com o abandono do Estado em todos os aspectos e a consequente falta de alternativas. Para os mais sortudos h\u00e1 o emprego precarizado, aos menos resta o desemprego e as filas dos parcos programas socioassistenciais, aos menos ainda, resta a situa\u00e7\u00e3o de rua, uma vida exposta \u00e0 ind\u00fastria das drogas e sua gama de viol\u00eancia, na vida do \u201cse vira\u201d o que resta&#8230; \u00e9 a ilegalidade.<br \/>\nNesse modelo de sociedade onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para todos, a ideologia dominante tem a necessidade de refor\u00e7ar alguns preceitos. O que vemos \u00e9 gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o crian\u00e7as aprendendo a \u201clei do mais forte\u201d, a m\u00e1xima que sempre diz \u201co mundo \u00e9 dos espertos\u201d, o culto \u00e0 mercadoria e ao individualismo.<br \/>\nMesmo assim, o discurso crescente \u00e9 o de culpabilizar os pais pelos atos infracionais das crian\u00e7as, pais estes que foram e ainda s\u00e3o crian\u00e7as tamb\u00e9m sem garantias. O mesmo estado que nos desumaniza, quer cobrar humanidade de nossas crian\u00e7as.<br \/>\nA solu\u00e7\u00e3o proposta pela direita \u00e9 sempre resolver tudo da forma mais econ\u00f4mica para os cofres do Estado e que mais favore\u00e7a o fortalecimento de sua ideologia de controle das massas. A proposta de redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal para 16 anos est\u00e1 longe de querer resolver o problema da criminalidade juvenil.<br \/>\nAl\u00e9m da superlota\u00e7\u00e3o das penitenci\u00e1rias, a consequ\u00eancia ser\u00e1 o encarceramento de seres humanos em pleno desenvolvimento e o aprofundamento da destrui\u00e7\u00e3o de suas vidas. E n\u00e3o tratamos aqui dos filhos da classe m\u00e9dia e alta, mas sim daqueles que nunca tiveram a chance de n\u00e3o serem marginais. A redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal de 18 para 16 anos desconsidera n\u00e3o s\u00f3 as especificidades de um indiv\u00edduo em desenvolvimento e que deveria ser cuidado, mas tamb\u00e9m as causas que levam uma crian\u00e7a a cometer um ato infracional, propondo uma solu\u00e7\u00e3o imediata e supostamente milagrosa para um problema que nada mais \u00e9 que a express\u00e3o mais latente do que o capitalismo reserva para o setor mais miser\u00e1vel da classe trabalhadora: mis\u00e9ria e criminaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O capital como for\u00e7a motriz da ceifa\u00e7\u00e3o da juventude<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sociedade burguesa n\u00e3o pode garantir as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de uma juventude educada, sadia e com perspectivas, pois, para isso, teria que questionar o pr\u00f3prio capital. Prova disso \u00e9 o gasto com pagamento de juros da d\u00edvida e o quanto gasta com programas sociais voltados para a juventude, como Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o, conforme Or\u00e7amento de 2012: Juros da d\u00edvida p\u00fablica \u2013 47,19%; Sa\u00fade \u2013 3,98%; Educa\u00e7\u00e3o \u2013 3,18%; Cultura \u2013 0,09%; Desporto e Lazer \u2013 0,12%; Transporte \u2013 1,21%; Assist\u00eancia Social \u2013 2,55%; Habita\u00e7\u00e3o \u2013 0,05%.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">As necessidades humanas precisam estar em primeiro lugar<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a juventude est\u00e1 sendo condenada a marginaliza\u00e7\u00e3o para que a l\u00f3gica do capital se imponha, \u00e9 necess\u00e1rio subverter essa l\u00f3gica e colocar as necessidades humanas em primeiro lugar. A sociedade tal como est\u00e1 hoje s\u00f3 aprofundar\u00e1 mais a marginaliza\u00e7\u00e3o da juventude e a proposta de redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal \u00e9 uma prova disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sociedade capitalista \u00e9 assim para garantir que meia d\u00fazia de patr\u00f5es receba recursos p\u00fablicos por meio de pagamento de juros da d\u00edvida p\u00fablica (sem considerarmos os recursos do FGTS, FAT, desonera\u00e7\u00f5es de folha de pagamento, isen\u00e7\u00f5es fiscais, etc.). Ou seja, a sociedade capitalista n\u00e3o resolve os problemas da \u201csociedade\u201d, mas busca resolver os problemas dos capitalistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 que o setor da sociedade que produz a riqueza tome o controle pol\u00edtico do Estado e de forma coletiva e organizada coloque-a a servi\u00e7o da Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e a moradia para os trabalhadores! N\u00e3o ao encarceramento de crian\u00e7as e adolescentes!<\/p>\n<h2>Marco Feliciano e a Homofobia<a name=\"titulo3\"><\/a><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Pedro Guerra<\/h3>\n<p>Um novo desafio se apresenta \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Com a ascens\u00e3o de Marco Feliciano \u2013 pastor-deputado notoriamente conhecido pela sua homofobia e declara\u00e7\u00f5es racistas \u2013 \u00e0 presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara dos Deputados, o credo religioso pode assumir ares institucionais, gerando pol\u00edticas p\u00fablicas. Conhecido pelas suas declara\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias pelas redes sociais, Marco Feliciano representa o que h\u00e1 de muito assustador: o fundamentalismo religioso. Suas ideias s\u00e3o fundadas na mais estrita passionalidade, na manipula\u00e7\u00e3o de fatos hist\u00f3ricos, na confus\u00e3o conceitual e numa teologia deformada. O que mais assusta nele \u00e9 o fato de que, abertamente e sem receios, promove discrimina\u00e7\u00e3o e preconceito contra homossexuais e negros. Uma pessoa preconceituosa minimamente cautelosa preserva-se, evitando emitir suas opini\u00f5es. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso do Marco Feliciano: a quem quiser ouvir, o pastor-deputado, ao inv\u00e9s de pregar o amor incondicional, a compaix\u00e3o e a toler\u00e2ncia, incita seus seguidores a condenarem moralmente conduta alheia. O seu exemplo pode, desgra\u00e7adamente, ser adotado pelas pessoas comuns que nele se espelham. \u00c9 um precedente perigoso a ser combatido.<br \/>\nOutro grande risco decorre da possibilidade de a discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito se tornarem pol\u00edticas de governo. A bancada evang\u00e9lica do Congresso Nacional \u00e9 representativa, sim, de uma significativa parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Em que pese as campanhas pelas redes sociais \u2013 &#8220;Marco Feliciano n\u00e3o me representa!&#8221; \u2013, infelizmente, h\u00e1 um p\u00fablico consider\u00e1vel bastante simp\u00e1tico \u00e0s ideias discriminat\u00f3rias, pois a quantidade de evang\u00e9licos \u00e9 imensa no Brasil: acredita-se que em torno de 42 milh\u00f5es de brasileiros, ou aproximadamente 20% da popula\u00e7\u00e3o, sejam evang\u00e9licos. Mas qual o peso disso? Todos os evang\u00e9licos brasileiros s\u00e3o extens\u00f5es ideol\u00f3gicas de Marco Feliciano? Claro que n\u00e3o. S\u00e3o muitas as varia\u00e7\u00f5es e nem todas professam preconceitos. Todavia, por quest\u00f5es teol\u00f3gicas e b\u00edblicas, a homossexualidade \u00e9 considerada um pecado, cabendo a condena\u00e7\u00e3o do ato, ainda que deva haver amor pela figura do pecador. O grande mal desse tipo de concep\u00e7\u00e3o \u00e9 que se refor\u00e7am opress\u00f5es sofridas no Brasil. Estatisticamente, homossexuais s\u00e3o grandes v\u00edtimas de diferentes tipos de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o, e uma certa forma de f\u00e9 que ampare isso &#8220;descriminaliza&#8221; a conduta dos homof\u00f3bicos. Especificamente quanto \u00e0 figura do Marco Feliciano, o mais preocupante \u00e9 o fato de que o mesmo exerce cargo p\u00fablico de grande notoriedade. Como deputado federal, sua palavra vai t\u00e3o longe quanto a sua palavra como pastor, todavia, com um agravante: Feliciano pode tornar seus preconceitos em pol\u00edticas p\u00fablicas. A &#8220;cura gay&#8221; j\u00e1 foi proposta na Comiss\u00e3o de Direitos Humanos. Tumultuadas, as sess\u00f5es n\u00e3o t\u00eam dado conta de discutir a quest\u00e3o, mas cedo ou tarde a pauta ser\u00e1 debatida. Se aprovada \u2013 haja vista a predomin\u00e2ncia de religiosos na referida Comiss\u00e3o \u2013, haver\u00e1 a possibilidade de psic\u00f3logos oferecerem a &#8220;cura&#8221; para os homossexuais. O que seria uma manifesta\u00e7\u00e3o sexual espont\u00e2nea de cada um, ser\u00e1 encarada como doen\u00e7a a ser enfrentada. \u00c9 mais opress\u00e3o sendo assumida pelo Estado!<br \/>\nCabe aos trabalhadores e trabalhadoras refletirem profundamente sobre o sentido da homofobia. Opress\u00e3o sexual, sim, mas n\u00e3o apenas. Como toda forma de controle social, a &#8220;cura gay&#8221; e outras medidas propostas pelo infeliz Feliciano, e que possam ser adotadas, recair\u00e3o em peso sobre as classes trabalhadoras. Al\u00e9m de todas as demais formas de domina\u00e7\u00e3o, agora a classe trabalhadora ter\u00e1 que vigiar sua predile\u00e7\u00e3o sexual, reprimindo seus filhos e pr\u00f3ximos. O capitalismo mostra bem sua face mal\u00e9vola: s\u00f3 mesmo num sistema social explorador para que novas formas de opress\u00e3o contra as classes trabalhadoras surjam aos montes. Marco Feliciano evidencia bem a natureza ideol\u00f3gica do capitalismo, na qual a \u00fanica liberdade verdadeiramente respeitada \u00e9 a liberdade econ\u00f4mica. Outras formas de liberdade, como a liberdade de opini\u00e3o, de express\u00e3o e sexual (bem espec\u00edfica da presente an\u00e1lise) s\u00e3o meramente formais, ou seja, exercidas de forma prec\u00e1ria e enquanto n\u00e3o atingirem interesses capitalistas.<br \/>\nMarco Feliciano \u00e9 a voz de um projeto pol\u00edtico neofascista: para ele, a verdade \u00e9 obtida n\u00e3o pela media\u00e7\u00e3o do debate, da luta das ideias, sempre posturas ativas, que exigem dos seres humanos esfor\u00e7o intelectual. A triste verdade de Feliciano cavalga com as r\u00e9deas da ortodoxia religiosa, pouco reflexiva e sempre passiva. Suas verdades nada exigem das pessoas al\u00e9m da admiss\u00e3o passiva a certas ideias convenientemente elaboradas por profetas distantes da realidade popular. A orienta\u00e7\u00e3o sexual, assunto de grande intimidade, passa a ser uma pauta p\u00fablica com o prop\u00f3sito imediato de controle social, sempre bastante incisivo sobre os pobres e os trabalhadores em geral.<br \/>\nTais ideologias religiosas de cunho bastante conservador reproduzem-se com grande facilidade, pois tais igrejas cumprem um papel ideol\u00f3gico ao qual as esquerdas de maneira geral n\u00e3o t\u00eam dado conta suficientemente. Tal papel pode ser genericamente denominado &#8220;utopia&#8221;, ou seja, a convic\u00e7\u00e3o \u2013 no caso, a cren\u00e7a \u2013 de uma vida melhor desde que algumas tarefas espec\u00edficas sejam cumpridas. No que se refere \u00e0s igrejas, de maneira geral, trata-se da submiss\u00e3o a uma s\u00e9rie de deveres financeiros, com pagamentos de d\u00edzimos e outras doa\u00e7\u00f5es, bem como a ades\u00e3o a uma s\u00e9rie de costumes e a uma certa moralidade. Em troca, o fiel recebe conforto espiritual, a &#8220;gra\u00e7a almejada&#8221;, normalmente a atenua\u00e7\u00e3o das dificuldades financeiras ou outras dores. No caso das dificuldades financeiras, quanto maior o enriquecimento, maior a salva\u00e7\u00e3o. Assim, existe uma esp\u00e9cie de contrato \u2013 uma rela\u00e7\u00e3o de troca \u2013 entre Deus e os homens: a arregimenta\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is, a intoler\u00e2ncia com os descrentes e as doa\u00e7\u00f5es far\u00e3o com que, divinamente, se aumente a riqueza material do religioso. Para seus ide\u00f3logos, as dores pessoais, como tristezas, doen\u00e7as e, especialmente, as dificuldades econ\u00f4micas s\u00e3o sinais da perdi\u00e7\u00e3o que s\u00f3 ser\u00e3o resolvidos se o fiel se submeter \u00e0s regras mencionadas. De que forma tal ideologia se aproxima das ideologias do capitalismo? Na sociabilidade burguesa, h\u00e1 uma troca entre os propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o e as classes trabalhadoras. Estes \u00faltimos entregam sua energia f\u00edsica, seu trabalho e o seu tempo para os primeiros, que em troca entregam uma pequena fra\u00e7\u00e3o da riqueza socialmente produzida (o sal\u00e1rio). Desprovidos dos meios de produ\u00e7\u00e3o, os trabalhadores s\u00e3o coagidos a aderir a rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o explorat\u00f3rias, sem possuir, num primeiro momento, condi\u00e7\u00f5es de reagir contra tal. Eis as semelhan\u00e7as entre certas formas de f\u00e9 e o capitalismo.<br \/>\nQuais as tarefas das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda e dos trabalhadores em geral diante de tal quadro? Devem disputar espa\u00e7o contra as igrejas conservadoras. Combater tais ideologias conservadoras naquilo que possu\u00edrem de raz\u00f5es estruturais, naquilo que se mostrarem t\u00e3o opressivas e reacion\u00e1rias. Convencer os trabalhadores religiosos de que, sim, podem ter a sua f\u00e9, mas que compreendam que a verdadeira causa de suas dores e problemas pessoais n\u00e3o \u00e9 transcendente, m\u00edstica ou m\u00e1gica. Muito pelo contr\u00e1rio: o inferno \u00e9 bem mundano, terreno e humano, podendo ser identificado pela cr\u00edtica social e n\u00e3o pela m\u00edstica religiosa. Compreender a fundo a teologia crist\u00e3, aproveitando-se daquilo que lhe \u00e9 mais nobre, como a solidariedade, a compaix\u00e3o, a toler\u00e2ncia, o perd\u00e3o, a alteridade para expor as contradi\u00e7\u00f5es da mesquinhez ideol\u00f3gica de algumas igrejas evang\u00e9licas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Mais uma greve de Professores? Uma greve qualitativamente distinta!<a name=\"titulo4\"><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Bruno Monteforte &#8211; N\u00facleo de Professores<\/p>\n<h2>Com juventude que revoluciona o capitalismo n\u00e3o funciona<a name=\"titulo5\"><\/a><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda e Larissa Evellyn<\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u201cN\u00f3s temos que lutar \/ citar nossas condi\u00e7\u00f5es N\u00f3s temos que mudar \/ rever nossas dire\u00e7\u00f5es\u201d<\/em><br \/>\n<em> (Planta e Raiz)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 viver em uma sociedade em que n\u00e3o se valorizam as pessoas como centrais em nossas vidas, mas se valorizam as coisas artificiais e r\u00e1pidas? Quais as consequ\u00eancias disso nessa fase da vida, entre 15 a 24 anos, que chamam de juventude?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil (Censo 2010) somos 26,5% da popula\u00e7\u00e3o. A maioria, 62%, est\u00e1 numa tal de classe C e precisamos trabalhar para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando no funcionamento da sociedade capitalista percebemos que n\u00e3o somos os respons\u00e1veis por chegarmos nessa fase da vida tratando com artificialidade e ligeireza as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando o sistema educacional brasileiro percebemos que nas escolas foram criadas algumas formas para que o nosso trajeto seja muito mais r\u00e1pido. Em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, ningu\u00e9m mais reprova. Mas, se isso vier a acontecer podemos, no ano seguinte, fazer apenas uma avalia\u00e7\u00e3o e tudo se resolve ou uma parcela sai sem saber ler e escrever mesmo. As faculdades \u00e0 dist\u00e2ncia ou que oferecem curso superior em dois anos se alastraram para atender essa demanda com a ajuda do governo federal, atrav\u00e9s do Prouni.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse tipo de Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o recebemos uma forma\u00e7\u00e3o que valoriza a totalidade das potencialidades do ser humano, que desenvolva a nossa capacidade criadora, art\u00edstica, h\u00e1bitos para a compreens\u00e3o matem\u00e1tica, biol\u00f3gica e leitora. As mat\u00e9rias est\u00e3o todas muito bem separadas, o que dificulta muito o estudo para entrarmos em uma universidade p\u00fablica, que tamb\u00e9m segue esse caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mercado de trabalho brasileiro, segundo o IPEA-OIT (mar\/13), tem entre 2 a 3 vezes mais desemprego entre os jovens do que entre os adultos. Os \u201cbicos\u201d s\u00e3o mais constantes. Os contratos t\u00eam, geralmente, curto tempo de dura\u00e7\u00e3o e poucos ou nenhum direito trabalhista. E os sal\u00e1rios tamb\u00e9m s\u00e3o mais baixos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ambiente de trabalho tamb\u00e9m n\u00e3o podemos dizer que h\u00e1 valoriza\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio como pessoa, mesmo sendo jovem. \u00c9 apenas mais um pronto para ser explorado, assediado e que dever\u00e1 contar com a dada condi\u00e7\u00e3o de trabalho sem ao menos reclamar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentimos que tanto o mercado de trabalho quanto o sistema educacional contribuem para que pensemos a vida de forma superficial e com resultado imediato. No trabalho, a rotatividade. Na faculdade, a briga pela perman\u00eancia.<br \/>\nQuando n\u00e3o, somos obrigados a pensar sobre os \u00edndices que encurtam a nossa vida. Segundo o Mapa da Viol\u00eancia (2012) a mortalidade entre os jovens subiu 40%. O assassinato de jovens negros subiu 135%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, os nossos sonhos tamb\u00e9m v\u00e3o se limitando. Sonhamos em viver, estudar, nos inserir no mercado de trabalho e nos deparamos com toda essa realidade. Teimosos, muitas vezes, seguimos. E a\u00ed vem o t\u00e9dio.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Com esse tipo de sociedade&#8230;<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta-nos casar ou ter filhos. E n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que 23% das m\u00e3es brasileiras s\u00e3o adolescentes com uma grande parcela dos pais tamb\u00e9m adolescentes. \u00c9 a antecipa\u00e7\u00e3o da fase adulta atrav\u00e9s da maternidade e da paternidade com todas as consequ\u00eancias disso para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta-nos usar drogas, que nos d\u00e1 prazer superficial e tem efeito imediato, igual ao funcionamento da sociedade capitalista. Mas que nos transforma em \u201cproblema social\u201d e que esse tipo de governo criminaliza e interna compulsoriamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta-nos ir \u00e0 igreja para acreditar que tudo est\u00e1 ou ficar\u00e1 bem, mesmo com a imensa desigualdade entre ricos e pobres e com a perman\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o. Dessa forma, permanecem sossegados os 1426 mais ricos do mundo (Terra 06\/05\/13) e os representantes das igrejas \u2013 como o Papa que vem ao Brasil pregar a paz imposs\u00edvel e o Feliciano que n\u00e3o se contenta apenas com a desigualdade e a explora\u00e7\u00e3o, mas procura refor\u00e7ar tamb\u00e9m os seus desdobramentos como o preconceito, o racismo e a homofobia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resta-nos ir ao shopping. Ostenta\u00e7\u00e3o exigida pelo ego para camuflarmos a nossa inseguran\u00e7a e que refor\u00e7a o consumismo e o individualismo necess\u00e1rios ao sistema de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensando tudo isso junto, de forma combinada ou de forma isolada \u00e9 f\u00e1cil perceber que nada permite a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade a tal ponto que o ser humano tenha mais import\u00e2ncia que a gan\u00e2ncia e o lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9, com esse tipo de sociedade em que o poder \u00e9 do capital, resta-nos a mis\u00e9ria. Mis\u00e9ria que valoriza a viol\u00eancia. Que refor\u00e7a a cultura da discrimina\u00e7\u00e3o, da neurose e do individualista. Que cria um padr\u00e3o para cada estilo. Que nos distancia da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Que ignora a natureza, o ser humano, a poesia e a arte. Que n\u00e3o concebe a sexualidade livre. E que o amor, em contradi\u00e7\u00e3o com a sociedade que exige superficialidade e rapidez, integra o t\u00e9dio, torna a pessoa propriedade privada, se realiza em um \u00fanico ser e se materializa em costume, comodismo, ou em apenas uma palavra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E diante dessa realidade \u201cn\u00f3s temos que lutar\u201d para inverter essa situa\u00e7\u00e3o de forma radical, intensa e que possibilite um ser humano novo. Ningu\u00e9m \u201croubou nossa coragem\u201d!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Com outro tipo de sociedade&#8230;<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num outro tipo de sociedade essa realidade estar\u00e1 transformada, mas isso n\u00e3o acontecer\u00e1 se n\u00f3s n\u00e3o revermos \u201cas nossas dire\u00e7\u00f5es\u201d agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A humanidade, com suas hist\u00f3rias de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, realizou diversas experi\u00eancias e conquistas at\u00e9 chegarmos aqui. Mas, a desigualdade (ricos e pobres; uns mandam outros obedecem) e a injusti\u00e7a (uns t\u00eam e outros n\u00e3o) permanecem. E \u00e9 isso que precisamos destruir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destruir para construir outro tipo de sociedade em que o central n\u00e3o seja o lucro e a gan\u00e2ncia, mas o ser humano. Que a natureza n\u00e3o seja utilizada para a lucratividade, mas para suprir as necessidades humanas. Que toda riqueza produzida pela humanidade (alimentos, ci\u00eancia, arte, tecnologia, transporte, formas de moradia, etc.) seja distribu\u00edda igualmente entre todos que a produziram. Que quem trabalha decida sobre o qu\u00ea, quanto, como produzir e distribuir. E que o trabalho n\u00e3o represente destrui\u00e7\u00e3o e mutila\u00e7\u00e3o individual ou coletiva. Que a verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o seja com a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es humanas sadias: com tempo livre saud\u00e1vel; com dedica\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel ao trabalho, ao conhecimento, \u00e0 arte, ao lazer e ao sexo. Sem presa, sem medo, sem culpa e com a consci\u00eancia de que \u00e9 o melhor para si e para a coletividade.<br \/>\nNesse outro tipo de sociedade deixaremos de sobreviver e passaremos a viver e a construir a nossa hist\u00f3ria de liberdade!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o \u00e9 agora<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria sempre dependeu das importantes decis\u00f5es para as profundas transforma\u00e7\u00f5es. E nesses momentos n\u00f3s sempre estivemos presentes. A frase de Che Guevara \u201cser jovem e n\u00e3o ser revolucion\u00e1rio \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica\u201d \u00e9 real. A juventude sempre teve coragem e criatividade para lutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E na atualidade o Brasil, o Chile, a Gr\u00e9cia, a Espanha t\u00eam v\u00e1rios exemplos do envolvimento de jovens na luta contra o aumento das passagens de \u00f4nibus, por Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, contra o aumento da explora\u00e7\u00e3o no trabalho, por emprego e tantas outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ainda n\u00e3o lutamos para transformar de fato essa realidade, pois, muitos de n\u00f3s ainda n\u00e3o se colocaram em movimento. Sair desse tipo de sociedade, a capitalista, e construir outro tipo de sociedade, a socialista, precisa de decis\u00e3o hoje!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assumir a luta no trabalho (atrav\u00e9s do sindicato), na escola (gr\u00eamio), na faculdade (DCE, DA, CA), nos bairros, nos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e9 nossa obriga\u00e7\u00e3o. Unir todas essas lutas \u00e9 nossa necessidade. Assumir nas m\u00e3os o caminho para transforma\u00e7\u00e3o dessa realidade \u00e9 a nossa revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><b>Porque o chavismo n\u00e3o \u00e9 nem reformista?<a name=\"titulo6\"><\/a><\/b><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Dalmo Duarte<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo governado por Ch\u00e1vez a vida de muitos pobres mudou. Foram criados no per\u00edodo de Ch\u00e1vez 25 programas sociais que v\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o de mantimentos a programas habitacionais. Programas educacionais possibilitaram que milh\u00f5es de pessoas pudessem ir a escola e a universidade. O financiamento desses projetos ficou por conta das divisas do petr\u00f3leo que \u00e9 a principal fonte de riqueza venezuelana (que tem a maior reserva do mundo e as exporta\u00e7\u00f5es do \u00f3leo correspondem a 30% do PIB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outro lado um sal\u00e1rio m\u00ednimo de US$ 325, desemprego oficial pr\u00f3ximo de 8% e emprego informal de algo pr\u00f3ximo de 50% (notadamente camel\u00f4s), estatiza\u00e7\u00f5es com indeniza\u00e7\u00f5es ( na pr\u00e1tica compra das empresas), uma reforma agr\u00e1ria que n\u00e3o se efetivou por falta de investimento p\u00fablico. O d\u00e9ficit habitacional continua alto e os pobres s\u00e3o, em 2011, 27% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que o governo Ch\u00e1vez, mesmo com suas \u201cmeias medidas\u201d, realizou um governo que atendeu muito mais os pobres, sobretudo os favelados. Como nenhum outro governo tinha algum programa social, Ch\u00e1vez torna-se o \u201cpai dos pobres\u201d. Mas, para um marxista do que se trata o chavismo? O seu projeto estrat\u00e9gico inclui o poder para os trabalhadores? M\u00e1duro \u00e9 um governo que vai enfrentar o capitalismo &#8211; por\u00a0\u00a0via das reformas ou da revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos ativistas e militantes honestos veem o modelo chavista como uma alternativa e at\u00e9 mesmo como modelo de socialismo. Mesmo reconhecendo que houve avan\u00e7os sociais, partindo do significado hist\u00f3rico do que \u00e9 reformismo, n\u00e3o compartilho da caracteriza\u00e7\u00e3o do chavismo como uma corrente socialista ou mesmo de esquerda, pois a sua administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve e nem tem a inten\u00e7\u00e3o de pular as fronteiras de uma gest\u00e3o capitalista. Busca, no m\u00e1ximo, uma \u2013irrealiz\u00e1vel- gest\u00e3o humana capitalista. E isso n\u00e3o \u00e9 reformismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mesmo o seu anti-imperialismo, basicamente restrito ao estadunidense, se resume a denuncia e ret\u00f3rica, mantendo as mesmas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de antes. Mesmo nesses aspectos, com o governo Obama o tom diminuiu bastante<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reformismo originalmente \u00e9 uma corrente do movimento oper\u00e1rio e para a qual a chegada ao socialismo ocorreria pelo avan\u00e7o das lutas salariais e por reformas sociais, que levaria progressivamente ao controle social dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Pelas mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o seria imposto restri\u00e7\u00f5es ao direito de propriedade dos capitalistas at\u00e9 que estes se tornariam meros administradores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se questionar o idealismo desta corrente (a impossibilidade demonstrada historicamente\u00a0\u00a0causou in\u00fameras derrotas a classe trabalhadora), mas \u00e9 ineg\u00e1vel que viam nesta concep\u00e7\u00e3o um caminho para o socialismo. Segundo Rosa\u00a0<i>\u201cEm resumo, os sindicatos, as reformas sociais e, acrescenta Bernstein, a democratiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Estado, s\u00e3o os meios para realizar progressivamente o socialismo\u201d.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parte-se dessa breve conceitua\u00e7\u00e3o para justificar a posi\u00e7\u00e3o de que o chavismo, por ser uma corrente nacionalista burguesa, nem chega a ser uma corrente reformista. Suas medidas \u2013 que s\u00f3 parecem reformistas-\u00a0\u00a0representam paliativos, pois a situa\u00e7\u00e3o do povo continua a mesma. Se comparadas com as de Nasser (Egito), Per\u00f3n (Argentina) e C\u00e1rdenas (M\u00e9xico) veremos quanto s\u00e3o limitadas essas medidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sigamos nas compara\u00e7\u00f5es para entender os limites do \u201creformismo chavista\u201d. O governo mexicano do\u00a0general L\u00e1zaro C\u00e1rdenas (1934-1940) adotou medidas muito mais radicais, como a expropria\u00e7\u00e3o das empresas de trens privados, uma ampla reforma agr\u00e1ria, maior liberdade aos sindicatos, a nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e uma legisla\u00e7\u00e3o com v\u00e1rios direitos sociais. Medidas que enfrentavam interesses tanto dos latifundi\u00e1rios quanto das empresas imperialistas do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em recente entrevista ao jornal franc\u00eas \u201cLe Monde\u201d Maduro explicita o projeto do seu governo: abrir para investimento (leia-se extra\u00e7\u00e3o de riqueza) nacional e estrangeiro no setor da ind\u00fastria petrol\u00edfera e no campo (de 33 milh\u00f5es de hectares de terras agr\u00edcolas somente em 3 milh\u00f5es de hectares s\u00e3o utilizadas para produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola) com as chamadas zonas especiais econ\u00f4micas, (inspiradas na experi\u00eancia chinesa) regi\u00f5es em que o capital tem vantagens como redu\u00e7\u00e3o e isen\u00e7\u00e3o de impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201creformismo atual\u201d \u00e9 na verdade um bra\u00e7o forte da burguesia para aplicar os planos do capital. Aplicam melhor porque em geral contam com apoio popular. Uma pol\u00edtica reformista \u2013para ser caracterizada enquanto tal- teria que realizar no m\u00ednimo as tarefas nacionais, enfrentando os interesses imperialistas e da grande burguesia \u2013 industrial e agr\u00e1ria- nacional.\u00a0\u00a0E em rela\u00e7\u00e3o ao Estado deveria haver mudan\u00e7as profundas em rela\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o popular. E o chavismo n\u00e3o chegou nem perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os que se contentam com medidas assistencialistas como \u201co poss\u00edvel de ser feito\u201d \u00e9 importante lembrar que o controle do Estado sobre as riquezas na Venezuela \u00e9 muito maior do que em outros pa\u00edses uma vez que ele controla o petr\u00f3leo.\u00a0\u00a0O Estado j\u00e1 tem o controle do capital necess\u00e1rio para fazer as concess\u00f5es, nem precisa \u201cretirar de uns para dar a outros\u201d. Este contexto torna essas medidas chavistas muito mais t\u00edmidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chavismo n\u00e3o vai a frente porque teria que romper com o setor da burguesia que o ap\u00f3ia. Para atender de fato as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o pobre, h\u00e1 que romper com a \u201cburguesia bolivariana\u201d e com a imensa burocracia civil e militar que controla o aparato estatal. M\u00e1duro n\u00e3o far\u00e1 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, mas n\u00e3o menos importante, Ch\u00e1vez sequer realizou as tarefas nacionais, aquelas que garantem de fato a independ\u00eancia nacional em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo, como a nacionaliza\u00e7\u00e3o da economia. As medidas n\u00e3o colocaram em xeque a propriedade privada e poder pol\u00edtico e muito menos as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas com Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o reformismo de Bernstein visava melhorar a situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e instaurar o socialismo por uma extens\u00e3o gradual do controle social da economia, a crise estrutural do capital, momento hist\u00f3rico em que o Estado \u00e9 efetivamente controlado pelo capital impossibilitando assim medidas de democratiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, derruba de vez a \u201chip\u00f3tese reformista\u201d de revolu\u00e7\u00e3o por dentro do aparato burgu\u00eas. Assim, a\u00a0\u00a0ado\u00e7\u00e3o de medidas sociais realmente de car\u00e1ter reformista encontra obst\u00e1culo no poder que o capital exerce no Estado, permitindo no m\u00e1ximo pol\u00edticas sociais paliativas sem questionar a ordem existente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe a necess\u00e1ria observa\u00e7\u00e3o que a cr\u00edtica marxista ao reformismo \u00e9 que este se limita \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es do programa m\u00ednima (por excel\u00eancia reformista), ao passo que os revolucion\u00e1rios seguem adiante, avan\u00e7ando para o questionamento da propriedade privada e para o controle oper\u00e1rio sobre os meios de produ\u00e7\u00e3o, como dizia Rosa Luxemburgo, \u201ca luta pela reforma social \u00e9 o meio, a revolu\u00e7\u00e3o social o fim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma observa\u00e7\u00e3o: diante dos ataques do imperialismo estamos com os trabalhadores venezuelanos.<\/p>\n<p align=\"center\"><b>Elei\u00e7\u00f5es na Venezuela e os reflexos na Am\u00e9rica Latina<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos questionam porque nos preocuparmos com a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de outros pa\u00edses se n\u00e3o atuamos l\u00e1. Em tempos de mundializa\u00e7\u00e3o do capital os v\u00e1rios aspectos da pol\u00edtica e da economia de um pa\u00eds est\u00e3o relacionados diretamente com outros.<\/p>\n<p>Crescimento econ\u00f4mico ou recess\u00e3o nos Estados Unidos influencia a economia de todo o mundo praticamente, principalmente, a dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica, tamb\u00e9m \u00e9 assim.<\/p>\n<p>A derrota do nazismo na II Guerra Mundial\u00a0\u00a0e a dos Estados Unidos no Vietnam deram for\u00e7as \u00e0 luta do proletariado do mundo todo. Assim como o golpe militar no Chile, em 1973, fortaleceu as for\u00e7as reacion\u00e1rias no Brasil.<\/p>\n<p>Ademais, o capitalismo \u00e9, por ess\u00eancia, um sistema social internacional. As empresas multinacionais, as importa\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0e as exporta\u00e7\u00f5es decorrem diretamente de decis\u00f5es pol\u00edticas. Certos acontecimentos, em maior ou menor grau, extrapolam os limites nacionais.<\/p>\n<p>A burguesia tamb\u00e9m pensa e age assim. ONU, Banco Mundial, FMI, dentre outros, s\u00e3o organismos da burguesia internacional que, al\u00e9m de terem uma leitura da conjuntura mundial, tamb\u00e9m atuam de forma coordenada com o governo de cada pa\u00eds para atacar os trabalhadores.<\/p>\n<p>Como trabalhadores e militantes precisamos acompanhar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial permanentemente. E esse \u00e9 o caso da Venezuela. \u00a0O resultado da disputa entre os chavistas e a direita golpista tem influ\u00eancia direta na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira. Caso ocorra um golpe l\u00e1 fortalecer\u00e1 os setores mais reacion\u00e1rios aqui e, principalmente, nos Estados Unidos. Da mesma forma que precisaremos apoiar nossos irm\u00e3os trabalhadores venezuelanos contra qualquer ataque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Chavismo perde for\u00e7a e aumenta a polariza\u00e7\u00e3o<a name=\"titulo7\"><\/a><b><\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As elei\u00e7\u00f5es de abril, entre Capriles, da direita, e Maduro (escolhido no movimento chavista para suceder Ch\u00e1vez depois de uma disputa interna com o presidente do Congresso e os setores militares). Diferente da elei\u00e7\u00e3o de outubro, em que Ch\u00e1vez ganhou com mais de 2 milh\u00f5es de votos, dessa vez a diferen\u00e7a foi de pouco mais de 200 mil votos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse resultado mostra um enfraquecimento eleitoral do chavismo, o fortalecimento de setores de direita e refirma a tend\u00eancia de que o chavismo perde apoio pol\u00edtico de massas. E isso tem v\u00e1rias causas: a infla\u00e7\u00e3o, o desabastecimento de produtos aliment\u00edcios (o pa\u00eds importa boa parte dos alimentos que consome), a viol\u00eancia assustadora, o desemprego ou emprego informal (quase metade dos trabalhadores s\u00e3o informais), etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A isso se combina a sabotagem e a oposi\u00e7\u00e3o da burguesia tradicional do pa\u00eds. Mesmo sendo parte de uma corrente burguesa \u00e9 ineg\u00e1vel que algumas pol\u00edticas de Ch\u00e1vez afetaram setores da burguesia tradicional e, sobretudo, da pequena burguesia que vivia parasitando na PDVSA (empresa petr\u00f3leo estatal). \u00c9 esse setor que mais oferece resist\u00eancia e sustenta politicamente a oposi\u00e7\u00e3o de direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O controle sobre o parlamento, o judici\u00e1rio e as for\u00e7as armadas \u00e9 a principal aposta de Maduro para se contrapor ao desgaste junto aos trabalhadores e \u00e0 classe m\u00e9dia. Capriles, por seu lado, aproveita a divis\u00e3o e tenta aprofundar essa polariza\u00e7\u00e3o. Busca mobilizar setores que o apoiam, a ponto de organizar manifesta\u00e7\u00e3o no 1\u00ba de maio, dia de luta dos trabalhadores e n\u00e3o da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas condi\u00e7\u00f5es Maduro tem duas sa\u00eddas: Impor uma ofensiva contra a burguesia ou fazer concess\u00f5es para os trabalhadores e para a classe m\u00e9dia. Acreditamos que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que enfrente a direita burguesa, pelo contr\u00e1rio, o governo chavista caminha para a concilia\u00e7\u00e3o. E a direita s\u00f3 tenta impor. Por outro lado, as concess\u00f5es esbarram na crise econ\u00f4mica, em que suas margens s\u00e3o cada vez menores. Essa contradi\u00e7\u00e3o dever\u00e1 seguir at\u00e9 que um lado consiga se impor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>Um governo fr\u00e1gil<\/b><b><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa \u00e9 Ch\u00e1vez. Outra \u00e9 Maduro.\u00a0\u00a0Este al\u00e9m de ser muito mais fr\u00e1gil politicamente (o resultado eleitoral demonstra) n\u00e3o tem o mesmo carisma e prest\u00edgio que Ch\u00e1vez e precisaria aprofundar medidas sociais. Conseguiu unir os chavistas em torno de seu nome,\u00a0mas n\u00e3o conseguiu o resultado que lhe desse for\u00e7a suficiente para impor o seu projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A d\u00edvida externa em torno de U$ 100 bilh\u00f5es (para a China s\u00e3o US$ 43 bilh\u00f5es), o d\u00e9ficit fiscal, a fuga de capitais (pela desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda venezuelana) s\u00e3o parte de um problema que \u00e9, cada vez mais, estrutural. Administrar uma economia nos marcos do capitalismo \u00e9 conviver com suas leis econ\u00f4micas e seus limites. Ou paga a d\u00edvida externa ou promove pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Governo fr\u00e1gil e com prest\u00edgio ainda por ser constru\u00eddo junto aos trabalhadores fortalece a oposi\u00e7\u00e3o burguesa a continuar pressionando para, na pior das hip\u00f3teses, conseguir um acordo vantajoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, a fragilidade de Maduro \u00e9 tamb\u00e9m um problema para a burguesia que o apoia. A continuidade de sua pol\u00edtica vai provocar choques com os trabalhadores e a utiliza\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o como, por exemplo, na greve da sider\u00fargica Sidor em que, a luta, se nacionalizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela est\u00e1 marcada por uma profunda instabilidade.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Um golpe de Estado em curso<b><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a instabilidade pol\u00edtica, a fragilidade de Maduro, o fortalecimento eleitoral da direita, a crise econ\u00f4mica (infla\u00e7\u00e3o, desemprego, etc.) somados ao fato de que amplos setores da classe m\u00e9dia come\u00e7am a se mobilizar junto com a oposi\u00e7\u00e3o burguesa entendemos est\u00e1 colocada a possibilidade real de um golpe na Venezuela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu discurso, Caprilles, com o resultado das elei\u00e7\u00f5es, chamou Maduro de ileg\u00edtimo, senha de prepara\u00e7\u00e3o de golpe. A Casa Branca j\u00e1 sinalizou o apoio e\u00a0at\u00e9 o momento o imperialismo estadunidense n\u00e3o reconheceu sua vit\u00f3ria, pois exigiu a recontagem dos votos. Deslegitimar um governo \u00e9 uma necessidade para o golpe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vit\u00f3ria dos golpistas e pr\u00f3-imperialistas fortalecer\u00e1 os setores de direita do continente e, consequentemente, representar\u00e1 uma dura derrota aos trabalhadores com s\u00e9rias consequ\u00eancias para todos n\u00f3s. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio uma campanha internacional contra os golpistas. Tarefa que cabe a todos, mas, principalmente, \u00e0s maiores correntes da esquerda latino americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caracterizamos o chavismo como nacionalista burgu\u00eas. Isso n\u00e3o nos coloca ao lado do imperialismo ou da direita venezuelana. Negociar com os partidos de direita, governar com e para a burguesia sempre levou a vacilos das dire\u00e7\u00f5es. Enquanto conversam e fazem acordos, a direita prepara o golpe. Isso j\u00e1 ocorreu diversas vezes na hist\u00f3ria, um exemplo, ocorreu no Chile quando Pinochet jurou fidelidade a Allende e a prepara\u00e7\u00e3o do golpe j\u00e1 estava avan\u00e7ada.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">Qual pol\u00edtica? <b><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A complexidade do processo pol\u00edtico venezuelano imp\u00f5e a necessidade de uma pol\u00edtica que responda a totalidade do processo: Contra a direita golpista e o imperialismo. De esquerda em rela\u00e7\u00e3o ao chavismo. E, principalmente, voltada para a mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de modo que possa se fazer presente nesse processo de maneira independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta contra os golpistas com a luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora deve ser combinada e dever\u00e1 apresentar uma sa\u00edda socialista para a crise. Os trabalhadores precisam tomar em suas m\u00e3os a tarefa de mudar a sociedade. Nesse sentido, a pol\u00edtica dever\u00e1 combinar as tarefas democr\u00e1ticas (contra o golpe) nacionais (n\u00e3o pagar a d\u00edvida externa), anti-imperialistas (aprofundar as nacionaliza\u00e7\u00f5es) e socialistas que s\u00e3o as medidas de expropria\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de organismos de poder dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que Maduro se posicione ao lado dos trabalhadores. Rompa as negocia\u00e7\u00f5es com a direita. Adote medidas punitivas aos partidos e institui\u00e7\u00f5es que participam de manobras golpistas. Exproprie as empresas que patrocinam os golpistas, inclusive as estrangeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental que todas as divisas do petr\u00f3leo sejam direcionadas para os programas sociais, em especial para o campo, a fim de garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos para os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o pobre venezuelana. Para isso os 30 milh\u00f5es de hectares de terras ainda n\u00e3o cultivadas devem ser colocados sob controle dos trabalhadores. Expropria\u00e7\u00e3o das grandes empresas e sob controle dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Organiza\u00e7\u00e3o de comit\u00eas oper\u00e1rio-populares nos bairros, nos locais de trabalho e estudo para garantir a aplica\u00e7\u00e3o de medidas contra a burguesia, o imperialismo e enfrentar os golpistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa elei\u00e7\u00e3o representou o atual n\u00edvel de consci\u00eancia dos trabalhadores venezuelanos. Mas, o golpe representa a quebra, at\u00e9 mesmo, das regras da democracia burguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente a luta dos trabalhadores organizados pode deter os golpistas e garantir que a riqueza produzida seja distribu\u00edda entre quem verdadeiramente a produz, a classe trabalhadora.<\/p>\n<h3>Encarte te\u00f3rico:<\/h3>\n<h2>A cr\u00edtica radical da religi\u00e3o \u00e9 a cr\u00edtica do ate\u00edsmo<\/h2>\n<p align=\"center\"><b>A Cr\u00edtica Radical da Religi\u00e3o \u00e9 a Cr\u00edtica do Ate\u00edsmo<\/b><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\" align=\"center\">Thiago Lion e Thiago Calheiros<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao tema \u201creligi\u00e3o\u201d, a postura \u201cmais avan\u00e7ada\u201d dos cr\u00edticos tem sido sempre a do \u201cate\u00edsmo\u201d, se opondo ao fen\u00f4meno religioso. Essa postura de simples nega\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, al\u00e9m de n\u00e3o compreender o pr\u00f3prio fen\u00f4meno religioso, apresenta limita\u00e7\u00f5es na compreens\u00e3o da pr\u00f3pria realidade que possibilita a exist\u00eancia da religi\u00e3o. Deste modo, o cr\u00e9dulo ateu n\u00e3o pode compreender que a pr\u00f3pria realidade na qual ele vive \u00e9 tamb\u00e9m metaf\u00edsica, t\u00e3o religiosa e incoerente quanto \u00e0s religi\u00f5es que combate. Deste modo, pretendemos demonstrar que a cr\u00edtica radical de base marxiana constitui-se igualmente em cr\u00edtica do ate\u00edsmo. Esperamos, com isso, retirar alguns preconceitos que se tornam um impeditivo <i>a priori<\/i> para a milit\u00e2ncia utilizar o que h\u00e1 de emancipador por debaixo do inv\u00f3lucro m\u00edstico das religi\u00f5es.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">O \u201cmecanismo\u201d da religi\u00e3o<b><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se dizer que o mecanismo b\u00e1sico de funcionamento da religi\u00e3o \u00e9 a aliena\u00e7\u00e3o, ou seja, a transfer\u00eancia para outro ser de seu destino, de seu controle, de sua ess\u00eancia. Este outro ser, a divindade, \u00e9, no entanto, criado pela proje\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais entre os homens. Na religi\u00e3o, os homens acabam por substituir sua autoconstru\u00e7\u00e3o consciente por um ser criador de si mesmo. At\u00e9 aqui em quase nada diferimos do ate\u00edsmo em seu sentido tradicional, vez que deus aparece at\u00e9 agora como algo subjetivo, que depende da subjetividade humana para existir. Este subjetivismo religioso se op\u00f5e ao mundo real, onde as coisas acontecem de fato e n\u00e3o apenas em pensamento, o que justificaria a caracteriza\u00e7\u00e3o da divindade como um mero <i>del\u00edrio<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando as religi\u00f5es como mera aliena\u00e7\u00e3o subjetiva, o ate\u00edsmo n\u00e3o consegue perceber que elas t\u00eam um sentido de desenvolvimento na hist\u00f3ria que vai de religi\u00f5es mais simples para mais complexas no desenvolvimento do mundo dos homens. Como os ateus veem o divino como algo do pensamento e n\u00e3o da realidade (onde deus \u201cn\u00e3o existe\u201d), deixam de, por vezes, procurar na pr\u00f3pria realidade a causa da forma\u00e7\u00e3o de tal imagina\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro e na vida do homem. N\u00e3o compreendem assim como a pr\u00f3pria religi\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno constitu\u00eddo e constituidor dessa pr\u00f3pria realidade. N\u00e3o percebem como essa mesma realidade \u00e9 por si \u201creligiosa\u201d.\u00a0<b>A pergunta mais importante para o esclarecimento n\u00e3o \u00e9 a cl\u00e1ssica \u201cDeus existe?\u201d, mas sim a que, superando este ponto, acaba por questionar: Por que o homem se aliena? Por que ele acredita ter sido criado pela divindade que ele mesmo criou? Como uma id\u00e9ia que ele mesmo cria \u201cadquire vida\u201d, torna-se rela\u00e7\u00e3o social e passa a lhe dominar? <\/b>A resposta para isso n\u00e3o pode ser dada a partir da constata\u00e7\u00e3o de casos individuais de convers\u00e3o, como, por vezes, o senso comum busca fazer. Para entendermos a verdade da religi\u00e3o temos que recorrer \u00e0 an\u00e1lise hist\u00f3rica, levando em conta a estrutura das sociedades que deram origem \u00e0s diversas representa\u00e7\u00f5es religiosas de mundo. A hist\u00f3ria das religi\u00f5es \u00e9 a hist\u00f3ria das formas de representa\u00e7\u00e3o do mundo pelas sociedades; compreendendo o desenvolver das religi\u00f5es, entende-se o desenvolver da consci\u00eancia do homem, abrindo-se a porta para uma cr\u00edtica do pr\u00f3prio car\u00e1ter irracional da forma atual de representa\u00e7\u00e3o do mundo, inclusive aquela que se apega ao ate\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><b>O processo de transforma\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es<\/b><b><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A divindade \u00e9 criada na mente das pessoas, mas n\u00e3o na de uma s\u00f3 e sim nas mentes e rela\u00e7\u00f5es sociais do conjunto das pessoas que vivem aquela realidade social<\/b>. Em sua hist\u00f3ria, os homens quase nunca puderam escolher uma religi\u00e3o. A escolha livre de religi\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno tipicamente moderno. Isso porque nos tempos passados a dita \u201creligi\u00e3o\u201d \u00e9 uma forma total de cultura, uma forma completa de entender o mundo que se articula como direito, como moral, como pol\u00edtica, como economia etc. O considerado justo ou correto n\u00e3o era de acordo com algum tipo de lei que pudesse ser diferente da religi\u00e3o, pois a religi\u00e3o era a pr\u00f3pria lei; ali\u00e1s, s\u00f3 se pode falar de \u201cuma religi\u00e3o\u201d, como algo separado das outras esferas da vida, no pr\u00f3prio capitalismo, vez que s\u00f3 neste os v\u00e1rios aspectos da vida se fragmentam e se autonomizam. O mesmo fen\u00f4meno que no passado podemos atribuir o nome de religi\u00e3o pode igualmente ser compreendido com o nome de cultura, pois representa o todo indistinto da vis\u00e3o de mundo das pessoas em determinada sociedade e n\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o de cren\u00e7a desvinculada de outros conjuntos da vida social, como hoje, que a religi\u00e3o \u00e9 um aspecto t\u00e3o subjetivo &#8211; e por vezes menos importante \u2013 que a escolha de um time de futebol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos prim\u00f3rdios das sociedades humanas, quando o homem come\u00e7ava a desenvolver a linguagem e com ela a sua consci\u00eancia, a representa\u00e7\u00e3o do mundo era dominada por elementos que hoje considerar\u00edamos m\u00edsticos, ilus\u00f3rios. Na inf\u00e2ncia da humanidade, para nossos ancestrais, cada ser vivo e cada objeto tinha uma\u00a0<i>anima\u00a0<\/i>(uma alma, uma vontade). Tudo tinha alma, pois o pr\u00f3prio jeito de entender a exist\u00eancia de algo era atribuindo-lhe uma; como hoje, ainda, para podermos transportar o significado de algo, precisamos de um nome. A mera atribui\u00e7\u00e3o de uma alma para cada coisa \u00e9 um avan\u00e7o da consci\u00eancia que possibilita conhecer cada coisa em separado. Quando o homem entende que sua alma n\u00e3o \u00e9 forte para vencer a alma da \u00e1rvore, mas que quando unida \u00e0 alma da pedra \u00e9 poss\u00edvel vencer, ele estabelece uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre usar uma coisa (pedra) para derrubar outra (\u00e1rvore). Assim ele significa e articula rela\u00e7\u00f5es incompreens\u00edveis para quem ainda n\u00e3o identifica todos os seres como portadores de uma alma, como \u201calgo\u201d que existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma tribo de coletores primitivos encontra cereais selvagens e os consome, devolvendo parte para a terra de onde o cereal brotou, percebem que mais cereal brotou na esta\u00e7\u00e3o seguinte. Assim, formam-se os mitos ligados \u00e0 origem da agricultura. Forma-se, assim, um ritual para os deuses da natureza, um ritual que a nossos olhos seria irracional, mas que representa um avan\u00e7o geral na consci\u00eancia do homem em rela\u00e7\u00e3o aos est\u00e1gios anteriores, articulando uma causalidade que permite o in\u00edcio da agricultura, abrindo as portas para o surgimento da civiliza\u00e7\u00e3o. A representa\u00e7\u00e3o destes n\u00edveis de desenvolvimento cultural muito primitivos n\u00e3o s\u00e3o mera ilus\u00e3o, mas s\u00e3o formas reais de conhecimento do funcionamento do mundo, a descoberta de uma causalidade antes n\u00e3o conhecida.\u00a0<b>Aqui n\u00e3o se pode caracterizar os mitos como mero del\u00edrio subjetivo, eles n\u00e3o s\u00e3o um conhecimento falso do mundo; os mitos representam a verdade deste pr\u00f3prio mundo dos homens, o que tamb\u00e9m \u00e9, por outro lado, um dado n\u00edvel novo de esclarecimento sobre o funcionamento deste. Se, para os ateus, isso parece del\u00edrio \u00e9 s\u00f3 porque eles est\u00e3o t\u00e3o crentes de sua verdade e de sua ci\u00eancia que ficaram cegos. Esta cegueira, a cegueira do dogma, justamente a que pensam combater, os coloca no mesmo n\u00edvel do crist\u00e3o que critica o pag\u00e3o, do jesu\u00edtico colonizador europeu que entendeu as cren\u00e7as ind\u00edgenas como absurdas. Esta cegueira impossibilita compreender como a pr\u00f3pria realidade \u00e9 at\u00e9 hoje metaf\u00edsica, como ainda se sustenta por \u00eddolos criados pelo pr\u00f3prio homem.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma de representa\u00e7\u00e3o tot\u00eamica, existente nas sociedades mais primitivas em que o homem ainda est\u00e1 muito submerso na natureza, \u00e9 substitu\u00edda por outra forma de entendimento do mundo quando come\u00e7am as primeiras civiliza\u00e7\u00f5es. De uma tribo que produz coletivamente a sociedade adquire pouco a pouco uma forma hierarquizada onde h\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o de uma classe social por outra. A produ\u00e7\u00e3o de excedente ent\u00e3o alcan\u00e7ada\u00a0<i>possibilita\u00a0<\/i>que surja toda uma classe social que sobreviva \u00e0 custa de outra. As primeiras grandes civiliza\u00e7\u00f5es do Egito, Mesopot\u00e2mia e China t\u00eam forma\u00e7\u00f5es sociais com l\u00edderes desp\u00f3ticos, gerando uma nova forma de representa\u00e7\u00e3o religiosa. Todo poder da comunidade, antes projetado no totem (uma \u00e1rvore ou um canguru, por exemplo), agora \u00e9 projetado em um homem e refletido secundariamente sobre outros integrantes de sua classe social. <b>H\u00e1 assim uma\u00a0<i>invers\u00e3o<\/i>, e o que \u00e9 fruto do desenvolvimento social, do desenvolvimento coletivo, parece agora derivar de algumas figuras (pessoas) que se tornam deuses.<\/b> O mundo passa a ser visto como um todo comandado por uma divindade encarnada na figura do rei \u2013 um fara\u00f3 com um s\u00e9quito de s\u00faditos igualmente sobre-humanos. Estas figuras em geral antropom\u00f3rficas (corpo de homem e cabe\u00e7a de animal), n\u00e3o escondem seus resqu\u00edcios ainda n\u00e3o eliminados da \u00e9poca tot\u00eamica. Tais formas animais ser\u00e3o completamente apagadas quando os homens n\u00e3o estiverem mais submetidos a um \u00fanico rei, mas quando as transforma\u00e7\u00f5es sociais os impelirem a come\u00e7ar a produzir por sua pr\u00f3pria conta para vender em um mercado onde possam exprimir sua vontade como comerciantes em p\u00e9 de igualdade \u2013 colocando assim uma rela\u00e7\u00e3o de identidade clara entre os homens e em <i>oposi\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0ao resto da natureza. Esta identidade entre homens \u00e9 que ent\u00e3o passar\u00e1 a ser projetada por sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o come\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o em pequenos cl\u00e3s possibilitada pelo dom\u00ednio da metalurgia do ferro, entre os gregos surge um pante\u00e3o de deuses que reflete este novo avan\u00e7o. Sua representa\u00e7\u00e3o religiosa cria deuses com fei\u00e7\u00f5es humanas, deuses que representam rela\u00e7\u00f5es, desejos e atributos claramente humanos. \u00c9 que a sociedade j\u00e1 se afastara tanto da natureza que n\u00e3o se identifica mais com o restante do mundo natural, e novos sentimentos, que se tornar\u00e3o pr\u00f3prios da humanidade a partir deste momento, surgem projetados nos deuses. Estes sentimentos representados por deuses, no entanto, n\u00e3o deixam d\u00favida: s\u00e3o na realidade sentimentos que est\u00e3o nascendo nos humanos, mas que estes s\u00f3 podem compreender vendo-os projetados na divindade. Na Gr\u00e9cia antiga, por volta do s\u00e9culo VIII A.C, surge Dik\u00e9, a deusa da justi\u00e7a que representa a igualdade em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 divindade mais antiga, a Tit\u00e3 Th\u00eamis, encarada como a justi\u00e7a da nobreza, que se pautava por rela\u00e7\u00f5es servis desiguais, guardi\u00e3 do justo como tradi\u00e7\u00e3o dependente da linhagem. Esta forma de luta ideol\u00f3gica projetada nos deuses \u00e9 ela mesma a luta entre a classe dos camponeses e dos mercadores (que come\u00e7a a surgir) e seu ideal de igualdade (dos quais o com\u00e9rcio depende) em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga nobreza, que defendia seu privil\u00e9gio, visto como algo divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O processo de desenvolvimento da religi\u00e3o \u00e9, antes de qualquer outra coisa, um processo de autoconhecimento do homem, no qual ele capta a realidade a partir da proje\u00e7\u00e3o de sua organiza\u00e7\u00e3o social.<\/b> Quanto mais se desenvolve o homem, mais esta proje\u00e7\u00e3o das qualidades humanas pela identifica\u00e7\u00e3o do homem com seu g\u00eanero, e n\u00e3o com a natureza, se torna n\u00edtida, e mais os deuses assumem formas humanas. No cristianismo, talvez a mais \u201cdesenvolvida\u201d das religi\u00f5es, este processo alcan\u00e7a um ponto em que se mostra de maneira ainda mais clara: a proje\u00e7\u00e3o da humanidade na divindade acaba gerando Jesus Cristo, um deus nascido de uma humana e que existe sob a forma humana de carne e osso. O homem se v\u00ea em Jesus, ele v\u00ea seu reflexo como humano, mas um reflexo ainda virado de ponta-cabe\u00e7a, pois o humano l\u00e1 revelado, ainda que de carne e osso, se projeta como Deus. No sacrif\u00edcio de Cristo, se mostra simbolicamente a culpa que todos temos e pela qual ao mesmo tempo n\u00e3o somos respons\u00e1veis; a culpa gerada pelo fetichismo que nos controla e que, assim, <i>fazemos sem saber<\/i>. Amar o pr\u00f3ximo como a si mesmo, tolerar, dividir o p\u00e3o, essa \u00e9 a boa nova que deve ser praticada e ensinada a todos para que sejamos salvos. Essa \u00e9 a mensagem que deu origem no come\u00e7o de nossa era ao comunismo crist\u00e3o primitivo, e que, no essencial, desvencilhada do inv\u00f3lucro m\u00edstico, n\u00e3o difere daquele que ser\u00e1 o lema de uma sociedade emancipada \u201cde cada um conforme sua necessidade, a cada um conforme sua capacidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme se v\u00ea, <b>o fen\u00f4meno religioso, aqui, n\u00e3o \u00e9 um falseamento da realidade, n\u00e3o \u00e9 uma mera ilus\u00e3o, antes \u00e9 um avan\u00e7o na forma de interpreta\u00e7\u00e3o do mundo por conta dos avan\u00e7os da pr\u00f3pria sociedade \u2013 constituindo assim uma forma historicamente v\u00e1lida e real de conhecimento do mundo.\u00a0<\/b>\u00c9 claro que, com novos passos de entendimento da rela\u00e7\u00e3o da natureza, a manuten\u00e7\u00e3o de formas anteriores de entendimento torna-se uma contradi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria \u2013 e mesmo mera ilus\u00e3o subjetiva,\u00a0<b>o que n\u00e3o eram no passado<\/b>. O car\u00e1ter progressista que pode ser atribu\u00eddo ao ate\u00edsmo encerra-se na cr\u00edtica desta contradi\u00e7\u00e3o, pois num mundo onde o agir religioso se mant\u00e9m pela emula\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas mercantis (numa verdadeira subsun\u00e7\u00e3o dos preceitos religiosos tradicionais \u00e0 vida mercantil) ou mesmo numa sociedade em que o agir religioso tradicional praticamente j\u00e1 desapareceu (no sentido de uma vida de acordo com a religi\u00e3o e n\u00e3o meramente de ir \u00e0s missas ao domingo) aparece o ate\u00edsmo como uma irracionalidade tamb\u00e9m gigantesca, quando o mesmo continua a se limitar a dizer \u201co deus metaf\u00edsico n\u00e3o existe\u201d. Isto \u00e9, por si, se colocar no mesmo \u00e2mbito \u201cdos c\u00e9us\u201d, tal qual o religioso; quando que, verdadeiramente, o que deve ser feito \u00e9 uma cr\u00edtica \u201cterrena da terra\u201d.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">A religi\u00e3o de nossos dias<b><\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nossos dias a religi\u00e3o se torna cada vez mais um fen\u00f4meno subjetivo, ligado \u00e0s prefer\u00eancias individuais de cada pessoa. O car\u00e1ter obrigat\u00f3rio anterior, com o qual as diversas formas de religi\u00e3o se originaram, j\u00e1 desapareceu. A vida pr\u00e1tica \u00e9 cada vez mais determinada pelo modo de funcionamento do capitalismo \u2013 as pessoas t\u00eam que ter um emprego, t\u00eam de obedecer \u00e0s leis do Estado em cujo territ\u00f3rio est\u00e3o, seguem uma forma l\u00f3gico-sistem\u00e1tica de pensamento nos estudos, etc. Sobra para a religi\u00e3o o espa\u00e7o na mente daqueles que \u201ccr\u00eaem\u201d; a f\u00e9 deixa de ser um fen\u00f4meno social imperativo e assume assim uma forma individualizada.\u00a0<b>H<\/b><b>oje, mesmo o mais fiel crist\u00e3o n\u00e3o consegue cumprir um d\u00e9cimo do que a b\u00edblia prescreve como modo de vida exemplar, e isso n\u00e3o porque n\u00e3o queira, mas porque \u00e9 imposs\u00edvel sequer comer nos dias atuais sem estar diretamente conectado \u00e0 pr\u00e1tica capitalista em suas categorias b\u00e1sicas como dinheiro, trabalho, direito, ci\u00eancia etc. O crist\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais seguidor da mensagem libertadora de Cristo, mas da reinterpreta\u00e7\u00e3o do que h\u00e1 de m\u00edstico em sua figura a partir do imperativo capitalista do lucro. N\u00e3o lhe importa mais a solidariedade, a toler\u00e2ncia, a divis\u00e3o de seus bens com todos, mas sim enriquecer, acumular. Por isso, diz o fil\u00f3sofo e psicanalista Wilhelm Reich, que hoje, se voltasse \u00e0 terra, quem assassinaria Jesus Cristo seriam os pr\u00f3prios crist\u00e3os.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica religiosa foi desbancada pela pr\u00e1tica mercantil; mas como esta \u00e9 a pr\u00e1tica do individualismo, \u00e9 poss\u00edvel manter a religi\u00e3o como algo individual \u2013 contanto que n\u00e3o atrapalhe o funcionamento do sistema econ\u00f4mico; ou seja, que fique restrita s\u00f3 ao pensamento ou mesmo sirva para manter e aprofundar o sistema ent\u00e3o vigente. A cr\u00edtica ate\u00edsta se preocupa em combater este pensamento que ainda se coloca como v\u00e9u na mente de muitos, mas ela pr\u00f3pria n\u00e3o se d\u00e1 conta de que a pr\u00e1tica religiosa em seu sentido tradicional j\u00e1 desapareceu e outra pr\u00e1tica, igualmente incoerente, tomou seu lugar. Na luta contra a incoer\u00eancia, que \u00e9 a parte da religi\u00e3o criticada pelos ateus, o que realmente importa \u00e9 criticar a pr\u00e1tica que possibilita o individualismo e o capitalismo como um todo, que possibilita a manuten\u00e7\u00e3o da incoer\u00eancia. \u00c9 penetrar no que ainda h\u00e1 de religioso em nossa pr\u00f3pria pr\u00e1tica, mas n\u00e3o no religioso no sentido estritamente divino, e sim no sentido\u00a0<i>real<\/i>\u00a0de uma proje\u00e7\u00e3o social que gera uma aliena\u00e7\u00e3o, um controle cego da nossa sociedade por algo que n\u00f3s mesmos criamos inconscientemente. Aqui o ate\u00edsmo n\u00e3o tem nada a dizer, pois apenas declara a n\u00e3o exist\u00eancia daquilo que j\u00e1 n\u00e3o existe. \u00c9 preciso trazer a descren\u00e7a para a pr\u00f3pria pr\u00e1tica do ateu possibilitando perceber nela a aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na divindade o homem aliena o controle de sua vida para uma ideia que ele mesmo criou conforme seu conv\u00edvio social; no capitalismo, um fen\u00f4meno muito parecido opera cotidianamente. As coisas que o homem produz com seu trabalho acabam, uma vez produzidas sob esta determinada forma, dominando o homem \u2013 do mesmo jeito que sua ideia antes o dominava. Isso se d\u00e1 n\u00e3o apenas no sentido classicamente afirmado de que a m\u00e1quina domina o homem \u2013 e assim o capital domina o trabalho, mas em sentido muito mais profundo.\u00a0<b>A rela\u00e7\u00e3o social mercadoria \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o humana de compara\u00e7\u00e3o abstrata entre as coisas, efetuada por meio da troca, que acaba por projetar nestes produtos um valor, seu \u201cpar\u00e2metro de comparabilidade\u201d. O valor n\u00e3o \u00e9 algo pr\u00f3prio da mat\u00e9ria, n\u00e3o \u00e9 algo f\u00edsico e nenhum cientista conseguir\u00e1 v\u00ea-lo com um microsc\u00f3pio, pois ele \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o de um tipo de rela\u00e7\u00e3o social sobre as coisas, que assim se tornam mercadorias. Em uma comunidade primitiva, o produto do trabalho n\u00e3o era trocado; assim, as coisas n\u00e3o se apresentavam como tendo um valor (uma certa quantidade de trabalho, representada pelo dinheiro).<\/b> Com o com\u00e9rcio, inicia-se esta proje\u00e7\u00e3o que dominar\u00e1 toda a sociedade com a chegada do capitalismo; o capital (uma rela\u00e7\u00e3o social caracterizada como utiliza\u00e7\u00e3o do dinheiro para gerar mais dinheiro) decide nosso destino. Pela pr\u00f3pria pr\u00e1tica das pessoas no mercado as coisas se tornam portadoras de valor e assim os homens se relacionam\u00a0<i>por meio das coisas<\/i>, como se esta fosse a \u00fanica forma poss\u00edvel de ser. De modo similar, rela\u00e7\u00f5es sociais pr\u00e9-capitalistas projetavam, pela pr\u00f3pria pr\u00e1tica das pessoas, a apar\u00eancia de que o mundo era habitado por divindades que estabelecem o destino da sociedade. Nos dois casos, as rela\u00e7\u00f5es sociais projetam uma forma de entendimento do mundo que serve justamente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o daquelas mesmas rela\u00e7\u00f5es, que aparecem como decorr\u00eancias naturais, ou \u201cjustas\u201d, mas que uma an\u00e1lise mais profunda revela como incoerentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentando ser mais claro:\u00a0<b>a aliena\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais na ideia de uma divindade, que aparece como se tivesse criado a humanidade \u2013 e n\u00e3o o contr\u00e1rio. A sociedade passa a ser dominada\u00a0<i>de fato<\/i>\u00a0por meio desta ideia que ela mesma criou, e passa a seguir rituais, sacrif\u00edcios (inclusive humanos) etc. No capitalismo, as rela\u00e7\u00f5es de troca conduzidas pelos humanos, fazem as coisas terem um valor (uma propriedade que elas fisicamente n\u00e3o t\u00eam, sen\u00e3o por meio da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o humana) e gerar o \u201cmercado\u201d, que acaba por dominar toda a sociedade. O mercado, para o qual s\u00e3o produzidas todas as coisas, aparece como uma vontade independente dos homens, como se tivesse vida e at\u00e9 humor pr\u00f3prio<\/b>. Salta aos olhos a cega ideia de que o mercado seja o promotor do \u201cbem comum\u201d, que em qualquer tempo ou situa\u00e7\u00e3o assegurar\u00e1 o melhor a todos por meio de sua \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d, termo que por si j\u00e1 revela um dogma de perfil tipicamente religioso. Muitos, como os defensores de um \u201cestado de bem-estar social\u201d, percebem a irracionalidade do sistema neste n\u00edvel, mas ao inv\u00e9s de critic\u00e1-la e avan\u00e7ar para construir algo novo que supere tal estado de coisas, advogam um novo tipo de ritual para agradar os \u00e2nimos do Deus-mercado \u2013 criar trabalho desnecess\u00e1rio, ou necess\u00e1rio apenas do ponto de vista da pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o de valor abstrato. A tosca afirma\u00e7\u00e3o de que o modo atual de funcionamento da sociedade \u00e9 derivado da pr\u00f3pria natureza \u00e9 s\u00f3 uma atualiza\u00e7\u00e3o do mito de que as coisas s\u00e3o como s\u00e3o por vontade divina \u2013 nos dois casos os homens afastam sua responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria realidade, projetando-a para o exterior, seja para Deus ou para o Mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mercado e seu dom\u00ednio abstrato n\u00e3o se limitam \u00e0 pr\u00f3pria economia. As decis\u00f5es em todas as inst\u00e2ncias e \u00e1reas s\u00e3o baseadas nas \u201cvontades\u201d deste mecanismo abstrato, uma verdadeira\u00a0<i>divindade pr\u00e1tica<\/i>. Tudo em nossa sociedade \u00e9 feito no intuito de gerar mais dinheiro e n\u00e3o de diretamente suprir necessidades humanas.\u00a0<b>Na rela\u00e7\u00e3o social mercadoria, o produto da m\u00e3o do homem passa a domin\u00e1-lo como se fosse de uma realidade independente da a\u00e7\u00e3o dos sujeitos, algo inescap\u00e1vel. Este fetiche que est\u00e1 na cabe\u00e7a dos homens\u00a0controla sua vida social, pois s\u00e3o suas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais, decidindo mesmo sobre a vida e a morte.\u00a0Hoje mais de\u00a0um bilh\u00e3o de pessoas\u00a0passam fome e\u00a0\u00fanica raz\u00e3o para isso \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de comida para eles n\u00e3o \u00e9\u00a0t\u00e3o\u00a0rent\u00e1vel\u00a0quanto a de artigos de luxo<\/b>. Esta abstra\u00e7\u00e3o que existe na realidade \u00e9 ela mesma criada pela pr\u00e1tica social dos homens e n\u00e3o um fen\u00f4meno natural e inescap\u00e1vel, algo independente de nossas rela\u00e7\u00f5es. De modo similar ao que as pessoas eram atiradas \u00e0 fogueira na inquisi\u00e7\u00e3o, por conta de uma cren\u00e7a cega em deus oriunda da pr\u00f3pria pr\u00e1tica inconsciente dos homens, no capitalismo, pela pr\u00f3pria pr\u00e1tica por n\u00f3s reproduzida (que nos aparece como algo existente por si s\u00f3) milh\u00f5es morrem de fome. Nossa sociedade ainda n\u00e3o \u00e9 conscientemente administrada, mas antes guiada por um ente abstrato, o mercado, que n\u00f3s mesmos criamos, mas n\u00e3o controlamos. Este ente derivado de nossa pr\u00f3pria pr\u00e1tica \u00e9 semelhante ao primitivo totem, semelhante \u00e0s v\u00e1rias divindades que guiaram nossa vida por entre os s\u00e9culos, uma representa\u00e7\u00e3o fetichista das rela\u00e7\u00f5es que n\u00f3s mesmos reproduzimos, algo que\u00a0<i>fazemos sem saber<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Assim, podemos dizer que o desenrolar hist\u00f3rico da religi\u00e3o \u00e9 o desenrolar das formas de compreens\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais que lhe deram causa. Declarar a n\u00e3o exist\u00eancia do divino n\u00e3o basta; \u00e9 necess\u00e1rio compreender como ele surgiu, se desenvolveu e desapareceu na hist\u00f3ria. Por detr\u00e1s da representa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma hist\u00f3ria real das rela\u00e7\u00f5es nas sociedades e do desenvolvimento da consci\u00eancia humana. Compreendendo-se o fetiche existente na religi\u00e3o, facilita-se a compreens\u00e3o do fetiche em suas misteriosas formas \u201cterrenas\u201d<\/b><b>, como o mercado, o Estado, o direito, o dinheiro etc.\u00a0<\/b>Adentrar aqui em profundidade na base te\u00f3rica que permite compreender conjuntamente todos estes fen\u00f4menos, a cr\u00edtica do chamado\u00a0<b><i>fetichismo da mercadoria<\/i><\/b>, no entanto, s\u00f3 tornaria mais confusa a explica\u00e7\u00e3o deste tema j\u00e1 muito amplo e complicado. Deste modo, contentamo-nos aqui em explicitar a inconsci\u00eancia de nossa pr\u00e1tica social, deixar evidentes as incoer\u00eancias \u201creligiosas\u201d de nosso modo de ser no mundo, para que o ateu entenda o fetichismo de sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o e liberte-se de seu preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta pela supera\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o precisamos do apoio de todas as tend\u00eancias que historicamente contra ela se levantaram; precisamos de uma frente ampla a favor da socializa\u00e7\u00e3o, da solidariedade. O cristianismo representa, em sua mensagem original, um poderoso argumento contra a explora\u00e7\u00e3o. Por que a esquerda cr\u00edtica n\u00e3o consegue utilizar este discurso que a princ\u00edpio lhe seria t\u00e3o favor\u00e1vel? Entre outros motivos, isto se deve a seu preconceito de tomar o essencial do fen\u00f4meno religioso n\u00e3o como forma de consci\u00eancia, mas como mistifica\u00e7\u00e3o. Assim se nega <i>a priori<\/i> como ilus\u00e3o, como del\u00edrio, todo o conhecimento que a humanidade reuniu por mil\u00eanios na narrativa religiosa. Nega-se tamb\u00e9m a compreens\u00e3o do <i>fetichismo da mercadoria<\/i>, esp\u00e9cie de fen\u00f4meno religioso que constitui a base de funcionamento do pr\u00f3prio capitalismo, e, talvez, ainda pior: nega-se ao debate ideol\u00f3gico por dentro da religi\u00e3o, deixando para a direita capitalizar politicamente os que creem e que ainda representam a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o. Ainda: isola e desmobiliza aqueles progressistas e revolucion\u00e1rios que tem algum tipo de cren\u00e7a religiosa, colocando a identidade como ateu antes da identidade como pessoa que quer superar o capitalismo. Esperamos ter contribu\u00eddo para acabar com este preconceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*Adapta\u00e7\u00e3o reduzida, por Thiago Calheiros, do artigo <i>Para a Cr\u00edtica do Ate\u00edsmo<\/i>, de Thiago Lion, com revis\u00e3o do pr\u00f3prio autor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Encarte Alagoas<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Capitalismo e Viol\u00eancia<a name=\"titulo9\"><\/a><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Marcus Vinicius<\/h3>\n<p>Assim como ocorre com demais assuntos que dizem respeito \u00e0 sociedade, o problema da viol\u00eancia \u00e9 percebido e explicado de formas diferentes, a depender das ideias de quem o aborda. Os tr\u00eas caminhos mais comuns s\u00e3o: 1) a viol\u00eancia humana como algo natural, 2) os atos violentos como frutos de escolhas de indiv\u00edduos e 3) a viol\u00eancia que atualmente \u00e9 praticada por e contra os seres humanos como produto de nossa sociedade como um todo.<br \/>\nO primeiro v\u00ea a quest\u00e3o da viol\u00eancia como algo insepar\u00e1vel do ser humano: \u201csomos naturalmente violentos e isso n\u00e3o pode ser superado\u201d. Desse modo, as pr\u00e1ticas violentas mais disseminadas e postas em discuss\u00e3o, como homic\u00eddios, viol\u00eancia sexual, roubos, assaltos, linchamentos, etc. s\u00e3o explicadas a partir da forma\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de homens e mulheres. As pessoas furtam, brigam e se matam porque isso \u201cest\u00e1 no sangue\u201d de nossa esp\u00e9cie.<br \/>\nJ\u00e1 o segundo dos caminhos, que tende a ser o mais trilhado na atualidade, leva \u00e0 compreens\u00e3o de que n\u00e3o s\u00e3o os seres humanos de forma geral que s\u00e3o violentos, mas aqueles que desejam ser. Ent\u00e3o, as agress\u00f5es \u00e0 integridade f\u00edsica de outros indiv\u00edduos e o ataque \u00e0 propriedade privada s\u00e3o vistas como resultados de decis\u00f5es individuais isoladas \u2013 em que os indiv\u00edduos com \u201cbom senso\u201d respeitam os outros seres humanos em suas posses, g\u00eaneros, etnias, sexualidades, nacionalidades e demais condi\u00e7\u00f5es; enquanto, aqueles que n\u00e3o o fazem, decidem atropelar as individualidades dos que os rodeiam \u2013 estejamos tratando do desrespeito aos bens materiais alheios ou de outras dimens\u00f5es da vida humana, como da orienta\u00e7\u00e3o sexual ou da cor da pele, para mencionar dois curtos exemplos.<br \/>\nA terceira ideologia enxerga a viol\u00eancia como uma consequ\u00eancia das pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es sociais estabelecidas, o que nos traz o entendimento de que os variados gestos bruscos e, muitas vezes, sangrentos realizados por mulheres e homens n\u00e3o podem ser explicados por fatores gen\u00e9ticos \u2013 que naturalizam a vida social \u2013 nem individualizantes \u2013 que mascaram os la\u00e7os sociais que unem cada indiv\u00edduo \u00e0 sociedade de qual \u00e9 parte \u2013 mas sociais. Dessa maneira, as pr\u00e1ticas violentas dos seres humanos n\u00e3o s\u00e3o tidas como simples resultados da ess\u00eancia humana, nem de suas escolhas, por\u00e9m de como est\u00e3o inseridos no meio social e como este os influencia no cotidiano.<br \/>\nA perspectiva socialista faz parte desse terceiro grupo. De acordo com a nossa vis\u00e3o de mundo, qualquer sociedade que re\u00fana indiv\u00edduos em rela\u00e7\u00f5es sociais contradit\u00f3rias est\u00e3o sujeitas ao problema da viol\u00eancia.<br \/>\nPor se tratar de um modelo de organiza\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica que funciona sob a divis\u00e3o de classes, a sociedade capitalista cria condi\u00e7\u00f5es de vida que, diariamente, contrap\u00f5em os indiv\u00edduos que dela participam. Essa oposi\u00e7\u00e3o repousa na exist\u00eancia de duas classes: a capitalista e a trabalhadora \u2013 que possuem uma conex\u00e3o necessariamente antag\u00f4nica \u2013 a primeira \u00e9 propriet\u00e1ria dos meios de produ\u00e7\u00e3o, enquanto a segunda possui apenas a for\u00e7a de trabalho, tendo que vend\u00ea-la para assegurar sua sobreviv\u00eancia. Uma vez que \u00e9 a partir desta rela\u00e7\u00e3o que se produz todas as mercadorias que s\u00e3o consumidas no ambiente social, \u00e9 ela quem fundamenta e permite a manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de toda a sociedade.<br \/>\nEmbora pare\u00e7a uma afirma\u00e7\u00e3o extremamente simples, n\u00e3o se encerra em si mesma. Quando \u00e9 apontado como um modo de produ\u00e7\u00e3o que se baseia na contradi\u00e7\u00e3o entre duas classe, diz-se que o capitalismo ocasiona uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias: as rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o do trabalho caminham de m\u00e3os dadas com as desigualdades sociais, que se manifestam atrav\u00e9s da pobreza, fome, analfabetismo, mis\u00e9ria, etc., em outros termos: \u00e9 um tipo de economia que proporciona condi\u00e7\u00f5es de vida profundamente distintas a seus indiv\u00edduos, a depender do lugar ocupado na pir\u00e2mide social das rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/>\nNo livro chamado A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra (1844), Friedrich Engels acompanhou as circunst\u00e2ncias que os trabalhadores ingleses tiveram que enfrentar no per\u00edodo de grandes saltos produtivos dados pelo capitalismo durante a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Observou que, desde o seu \u201cfabuloso\u201d momento de desenvolvimento vertiginoso, a sociedade capitalista apresentava viv\u00eancias d\u00edspares \u2013 onde a classe capitalista, vivendo em arejados bairros, sob tetos luxuosos, estava bastante afastada dos bairros da classe oper\u00e1ria, que n\u00e3o possu\u00eda saneamento e ventila\u00e7\u00e3o, onde casebres eram amontoados, e, dentro deles, as fam\u00edlias dos trabalhadores tinham que se apertar para poder garantir suas necessidades prim\u00e1rias&#8230; Isso quando tinham a sorte de ter cama e comida para descansar e sobreviver, a cada dia.<br \/>\nE porque sublinhar tudo isso, se estamos tratando do tema da viol\u00eancia? Engels constata que, ao lado desse degradante quadro em que se encontravam milhares de trabalhadores, na medida em que mis\u00e9ria avan\u00e7ava sob a forma do desemprego e do emprego-faminto, tamb\u00e9m aumentava o n\u00famero de crimes registrados no pa\u00eds \u2013 esclarecia o v\u00ednculo encoberto pelo discurso da ideologia da classe dominante, que parece sentir um misto de autoperd\u00e3o e prazer ao abandonar, em nome da liberdade individual e dos milagres materiais assegurados pela ordem do capital, seres humanos no sofrimento.<br \/>\n\u00c9 muito comum encontrarmos no discurso capitalista, no Brasil ou mundo afora, o sentimento de que os duros e mal\u00e9ficos tempos da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ficaram para tr\u00e1s e que vivenciamos um per\u00edodo em que uma maior distribui\u00e7\u00e3o de bens nos trouxe uma situa\u00e7\u00e3o de conforto geral; de que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 o cume dos modelos de sociedade que melhor satisfaz a humanidade.<br \/>\nPor\u00e9m, se atentarmos a \u00edndices sociais, veremos que correspondem muito pouco \u00e0 realidade. Dando enfoque a um caso de nosso pa\u00eds, podemos clarear melhor a quest\u00e3o: de acordo com o Mapa da Viol\u00eancia, em 2010, Alagoas ganhou o \u201ctrof\u00e9u\u201d de estado brasileiro com a maior taxa de homic\u00eddios \u2013 para cada 100 mil habitantes, 109,9 s\u00e3o assassinados. Macei\u00f3, sua capital, foi eleita como a terceira cidade mais violenta do mundo, baseada em dados colhidos por uma ONG mexicana.<br \/>\nDe encontro com esses n\u00fameros, temos as seguintes informa\u00e7\u00f5es, de 2009, do IBGE e IPEA, sobre a popula\u00e7\u00e3o alagoana: 12,1% encontram-se desempregada; 62,9% corre risco de morte por conta da fome; 47,70% vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza; 21,30% em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza; a cada 2 alagoanos, 1 vive de esmola ou Bolsa Fam\u00edlia \u2013 todas essas estat\u00edsticas s\u00e3o consideradas elevadas at\u00e9 quando comparadas com outros estados do pa\u00eds.<br \/>\nEmbora n\u00e3o possamos afirmar que uma condi\u00e7\u00e3o indigente obrigue o ser humano a tomar os trilhos do crime e fa\u00e7a com que n\u00e3o tenha outra sa\u00edda que n\u00e3o a marginalidade, n\u00e3o vemos qualquer sentido em dizer que a sociedade capitalista forne\u00e7a oportunidades para que todas as mulheres e homens possam viver dignamente \u2013 j\u00e1 que o que a guia n\u00e3o \u00e9 o bem comum da popula\u00e7\u00e3o, mas o lucro e a riqueza de uma parcela reduzida.<br \/>\nAcreditamos que o problema da viol\u00eancia n\u00e3o pode ser enfrentado como algo desconectado do capitalismo. Os atos de viol\u00eancia n\u00e3o surgem de uma mera decis\u00e3o de indiv\u00edduos que optam por agredir outros \u2013 suas causas devem ser procuradas no meio social. Para que a viol\u00eancia seja combatida \u00e9 essencial que os indiv\u00edduos n\u00e3o sejam violados rotineiramente. Mas, como no capitalismo n\u00e3o temos isso sendo garantido nas rela\u00e7\u00f5es de emprego e de vida, n\u00e3o vemos outro rem\u00e9dio que possa curar os enfermos corpos dos trabalhadores, dos negros, das mulheres e de outras minorias oprimidas que n\u00e3o o socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A crise ambiental \u00e9, na verdade, uma crise do capital<a name=\"titulo10\"><\/a><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Zilas Nogueira &#8211; Alagoas<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos cient\u00edficos e os meios de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam noticiado, constantemente, s\u00e9rios ind\u00edcios de que passamos, hoje, por uma grave crise ambiental. Cat\u00e1strofes naturais, polui\u00e7\u00e3o, desmatamento, desertifica\u00e7\u00e3o, escassez de recursos naturais, fome, desigualdade social e viol\u00eancia, s\u00e3o apenas alguns deles.<br \/>\nDesastres ambientais, como a explos\u00e3o e afundamento de uma plataforma da companhia British Petroleum (BP) ocorrido em 2010 no Golfo do M\u00e9xico despejando, durante mais de um m\u00eas 2 a 3 milh\u00f5es de litros de petr\u00f3leo por dia no mar. N\u00fameros como os apresentados pelo PNUD revelando que 968 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam acesso a fontes de \u00e1gua tratada, 2,4 bilh\u00f5es ao saneamento b\u00e1sico e que 2,2 milh\u00f5es morrem anualmente por contamina\u00e7\u00e3o do ar, refor\u00e7am a ideia de crise do meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cientistas, ecologistas, religiosos das mais variadas orienta\u00e7\u00f5es, a juventude de classe m\u00e9dia que, com um discurso pequeno burgu\u00eas, se engaja em ONGs na luta em defesa da natureza e at\u00e9 pol\u00edticos oportunistas, todos, sem exce\u00e7\u00e3o, afirmam que tal situa\u00e7\u00e3o tem como causa central o modelo de desenvolvimento vigente, baseado no consumo exagerado. Assim, para reverter o processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental existente hoje e salvaguardar os recursos naturais de forma que possam continuar sendo utilizados pelas gera\u00e7\u00f5es futuras seria imperativo modificar tal padr\u00e3o econ\u00f4mico. Mas, \u00e9 precisamente aqui que as coisas se complicam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ecologistas e jovens de classe m\u00e9dia, os acad\u00eamicos e religiosos em geral, por causa de sua posi\u00e7\u00e3o de classe, nunca poder\u00e3o dar sequ\u00eancia \u00e0s suas reflex\u00f5es de maneira cr\u00edtica e radical, no sentido de ir \u00e0 raiz do problema. Por isso, patinam entre solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas mirabolantes e propostas de melhorar o funcionamento do mercado para que venha incorporar as preocupa\u00e7\u00f5es ambientais em suas transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, quem quer pensar as quest\u00f5es ambientais atuais e ser minimamente consequente tem que saber que o problema encontra-se, sim, no modelo de desenvolvimento e consumo vigentes. Deve ir al\u00e9m e se perguntar: qual \u00e9 mesmo o fundamento deste modelo? Quem fizer esta pergunta s\u00f3 encontrar\u00e1 uma resposta: as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas. \u00c9 enfadonho ouvir representantes de organiza\u00e7\u00f5es que acham que est\u00e3o lutando na defesa do meio ambiente afirmarem a todo tempo que o mal est\u00e1 no consumismo, ou nos pol\u00edticos corruptos, ou na incompet\u00eancia dos gestores p\u00fablicos, etc. Mas, nunca se ouve destas pessoas uma \u00fanica refer\u00eancia ao capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, as causas do uso predat\u00f3rio dos recursos naturais, bem como as solu\u00e7\u00f5es para tal problema v\u00eam sendo apontadas como uma quest\u00e3o que depende exclusivamente de um melhor gerenciamento em rela\u00e7\u00e3o ao uso de tais recursos, de uma postura mais respons\u00e1vel e \u00e9tica face ao meio ambiente, de uma busca pela conscientiza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, de uma classe pol\u00edtica que esteja preocupada na preserva\u00e7\u00e3o ambiental, de mais educa\u00e7\u00e3o, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, verificamos que desde os \u00faltimos trinta anos do s\u00e9culo passado at\u00e9 a primeira d\u00e9cada do atual, as tentativas de explicar e propor solu\u00e7\u00f5es com base subjetivista t\u00eam se mostrado ineficazes no sentido de estabelecer um consumo mais racional dos recursos naturais, sobretudo os n\u00e3o renov\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 equivocado e que nem os doutores das universidades nem os jovens de classe m\u00e9dia conseguem enxergar \u00e9 que o pressuposto sobre o qual formulam suas cantilenas \u00e9 falso. Ao examinar os problemas ecol\u00f3gicos, as quest\u00f5es \u00e9ticas e pol\u00edticas n\u00e3o devem ser colocadas como eixos centrais da an\u00e1lise. A preocupa\u00e7\u00e3o fundamental deve ser, de outro lado, apreender a l\u00f3gica imanente de funcionamento da forma\u00e7\u00e3o social em que se passam as quest\u00f5es ambientais em exame. E depois relacion\u00e1-la com os problemas ecol\u00f3gicos que estamos investigando para, s\u00f3 ent\u00e3o, verificar os poss\u00edveis condicionantes \u00e9ticos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditamos, portanto, que um melhor entendimento da problem\u00e1tica ambiental apenas pode aflorar se compreendermos da maneira mais profunda poss\u00edvel as leis e determina\u00e7\u00f5es objetivas que regem a din\u00e2mica socioecon\u00f4mica capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se assim procedermos, perceberemos que \u00e9 a l\u00f3gica pr\u00f3pria do mercado capitalista que determina, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o volume e a velocidade da produ\u00e7\u00e3o industrial e agr\u00e1ria, a admiss\u00e3o ou demiss\u00e3o de milhares de trabalhadores, a apropria\u00e7\u00e3o de terras por latifundi\u00e1rios e consequentemente o \u00eaxodo de camponeses para as cidades, o uso predat\u00f3rio ou n\u00e3o de determinados recursos naturais, etc. Esta l\u00f3gica \u00e9 incontrol\u00e1vel e se estrutura em uma s\u00e9rie de leis pr\u00f3prias ao funcionamento da ordem social regida pelo capital. Dentre estas, uma das mais relevantes para o debate ambiental \u00e9 a lei das crises c\u00edclicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que movimento da economia capitalista se desenvolve em ciclos: expans\u00e3o, estagna\u00e7\u00e3o, recess\u00e3o e crise. Em per\u00edodos de expans\u00e3o econ\u00f4mica as empresas e a sociedade em geral podem adotar medidas de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente sem preju\u00edzos \u00e0s taxas de lucro. Mas, em momentos de retra\u00e7\u00e3o e crise essa preocupa\u00e7\u00e3o tende a desaparecer na mesma medida em que surgirem choques entre os interesses do capital e a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. H\u00e1, portanto, uma necessidade intr\u00ednseca ao capital de manter ou elevar a taxa de lucro em per\u00edodos de crise econ\u00f4mica que conduz necessariamente a intensifica\u00e7\u00e3o do consumo predat\u00f3rio dos recursos naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso se agrava se pensarmos, junto com M\u00e9sz\u00e1ros, que desde os anos 1970 o capital passa por uma crise estrutural. Isso implica que expans\u00f5es e crises peri\u00f3dicas representam, agora, movimentos internos de um fen\u00f4meno de maior alcance, cuja trajet\u00f3ria \u00e9 sempre declinante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta crise estrutural caracteriza-se, ent\u00e3o, pelo seu car\u00e1ter universal, seu \u00e2mbito global e sua forma permanente. Assim, todas as esferas da exist\u00eancia humana s\u00e3o afetadas. A vida cotidiana torna-se a cada ano mais inst\u00e1vel, insegura e estranhada. Nesse contexto, \u00e9 mais dif\u00edcil que o capital se empenhe em a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o ambiental, tendo em vista que sua pr\u00f3pria exist\u00eancia est\u00e1 em risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realidade nos mostra, ainda, que as tentativas (em per\u00edodos de crise) de elevar ou manter os lucros, mesmo tendo que pagar o pre\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, n\u00e3o \u00e9 resultado apenas de escolhas subjetivas, de vontades individuais. N\u00e3o \u00e9 simplesmente por causa da gan\u00e2ncia de alguns empres\u00e1rios ou da incapacidade de gest\u00e3o de certos indiv\u00edduos que o meio ambiente vem sendo devastado de forma assustadora nos \u00faltimos trinta anos. Em outras palavras, o problema fundamental n\u00e3o est\u00e1 meramente no campo dos valores morais, pol\u00edticos ou de gerenciamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 os meios de comunica\u00e7\u00e3o e a academia colocam a quest\u00e3o, na maioria das vezes, como uma falha na administra\u00e7\u00e3o da economia. E, desta maneira, bastaria que fossem corrigidas tais falhas para que os problemas ambientais fossem igualmente resolvidos. Mas, em nenhum momento a pr\u00f3pria possibilidade de concilia\u00e7\u00e3o entre a l\u00f3gica imanente do sistema capitalista e o desenvolvimento econ\u00f4mico ecologicamente sustent\u00e1vel \u00e9 questionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se entende os problemas ambientais em termos subjetivistas \u00e9 poss\u00edvel buscar sa\u00eddas e propostas para ameniz\u00e1-los no interior da pr\u00f3pria sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditamos, por outro lado, que as respostas aos desafios socioambientais n\u00e3o devem ser buscadas somente no \u00e2mbito da subjetividade (ou seja, da vontade). Pensamos que as an\u00e1lises e reflex\u00f5es a respeito da crise ambiental devem ser deslocadas da centralidade da subjetividade para a centralidade dial\u00e9tica da objetividade. Assim, o ponto de partida para a an\u00e1lise dessas quest\u00f5es deve ser a objetividade social, que tem em sua base as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e n\u00e3o a subjetividade plasmada em quest\u00f5es \u00e9ticas e\/ou pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, \u00e9 importante apontar que a crise n\u00e3o \u00e9 ambiental. A crise \u00e9 da sociedade estruturada em rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas que, por sua vez, repercute na esfera do mundo natural. O problema est\u00e1 em uma determinada forma de regular o metabolismo entre homem e natureza. N\u00e3o \u00e9, repetimos, um problema moral, pol\u00edtico, ou de consci\u00eancia.<br \/>\nDisso tudo, inferimos que n\u00e3o h\u00e1 luta pela defesa do meio ambiente que n\u00e3o seja, ao mesmo tempo, uma luta pela supera\u00e7\u00e3o do capitalismo e uma luta pelo socialismo.<\/p>\n<h2>Para que serve o discurso do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Artur Bispo dos Santos Neto<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma d\u00e9cada pautada pela privatiza\u00e7\u00e3o das estatais brasileiras, adentra-se no novo s\u00e9culo sob o auspicio da hegem\u00f4nica afirma\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da necessidade de contrarreformas substanciais no sistema previdenci\u00e1rio. A pilhagem das estatais brasileiras permitiu, de um lado, a ascens\u00e3o mete\u00f3rica de figuras ap\u00e1ticas da economia nacional nos mais elevados estratos dos homens mais ricos do mundo, e, do outro, tornou ainda mais dram\u00e1tica a exist\u00eancia da classe trabalhadora, \u00e0 medida que se passou a negociar a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o dos empregos e a abdicar das conquistas alcan\u00e7adas nas d\u00e9cadas passadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as ideologias apresentadas, nenhuma ganhou mais notoriedade e car\u00e1ter de naturaliza\u00e7\u00e3o que a ideologia do envelhecimento precoce da popula\u00e7\u00e3o brasileira como condi\u00e7\u00e3o fundamental de justifica\u00e7\u00e3o da contrarreforma da previd\u00eancia social. A manifesta\u00e7\u00e3o de dados emp\u00edricos comprovando o crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa (acima dos 60 anos) transformou-se numa arma fundamental para dobrar os movimentos sociais resistentes \u00e0s contrarreformas indispens\u00e1veis ao novo padr\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proje\u00e7\u00e3o conjectural de crescimento das taxas de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas quatro d\u00e9cadas, passando da proje\u00e7\u00e3o de 20 milh\u00f5es (2010) para 50 milh\u00f5es (2050), consiste numa uma afirma\u00e7\u00e3o neomalthusiana com o prop\u00f3sito espec\u00edfico de mudar as regras da previd\u00eancia social. O problema \u00e9 que o reconhecimento das proje\u00e7\u00f5es equivocadas, pelos ide\u00f3logos do sistema do capital, n\u00e3o ser\u00e1 seguido de medidas reparadoras, pelo contr\u00e1rio, ele ser\u00e1 reiterado por novas abordagens apressadas da conting\u00eancia hist\u00f3rica para se apropriar ainda mais da mais-valia oper\u00e1ria. A argumenta\u00e7\u00e3o do crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa tem semelhan\u00e7a com a est\u00fapida discuss\u00e3o em torno da quadratura do c\u00edrculo, em que o c\u00edrculo n\u00e3o pode sair dos limites estabelecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece claro que medidas corretivas s\u00e3o incapazes de alterar substancialmente o edif\u00edcio estrutural do sistema do capital, j\u00e1 que somente num contexto de mudan\u00e7as estruturais \u00e9 poss\u00edvel garantir o prolongamento do tempo de vida da popula\u00e7\u00e3o. As tonalidades cinzentas dos discursos catacl\u00edsmicos dos ide\u00f3logos do capital acerca do crescimento da popula\u00e7\u00e3o, nas variantes antigas e modernas, apresentam-se como urgentes e inadi\u00e1veis exatamente porque n\u00e3o passam de afirma\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas carentes de substancialidade e articula\u00e7\u00e3o efetiva com o desenvolvimento din\u00e2mico da totalidade social. No caso brasileiro, o que realmente importa \u00e9 que o discurso pseudocient\u00edfico do crescimento demogr\u00e1fico exer\u00e7a imprescind\u00edvel papel no processo de efetiva\u00e7\u00e3o das contrarreformas no sistema da previd\u00eancia social e neutralize consistentemente o potencial de resist\u00eancia da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 mister considerar que o discurso do envelhecimento populacional cumpriu papel nodal para a efetiva\u00e7\u00e3o tanto da contrarreforma encetada pelo Governo FHC (1998) quanto da contrarreforma promovida pelo Governo Lula (2003). Essas contrarreformas encontraram seu coroamento na aprova\u00e7\u00e3o da Funpresp (Funda\u00e7\u00e3o de Previd\u00eancia Complementar do Servidor P\u00fablico Federal), que acabou com a aposentadoria integral dos servidores p\u00fablicos e estabeleceu o teto do INSS para os referidos trabalhadores. Com isso se repassa para o setor privado o direito de controle duma parte substancial da riqueza produzida pelos trabalhadores, de forma que a seguridade social deixa de constituir-se como direito para assumir declarado car\u00e1ter de investimento financeiro e mercadol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No prazo de oito meses (agosto de 2003), o governo Lula conseguiu aprovar a segunda reforma da previd\u00eancia, com a qual se extinguiu o direito dos servidores p\u00fablicos \u00e0 aposentadoria integral, a paridade entre os reajustes dos servidores ativos e inativos, estabelecendo-se o teto para o valor dos benef\u00edcios aos servidores (novos ingressantes) equivalente ao do RGPS (Regime Geral da Previd\u00eancia Social), a taxa\u00e7\u00e3o dos servidores inativos e dos pensionistas etc. Assim, os aposentados passaram a ter seus sal\u00e1rios reduzidos numa etapa da vida em que mais careciam de recursos financeiros para cuidar de sua sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante destacar que qualquer perspectiva de crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa n\u00e3o pode desconsiderar o crescimento substancial da mis\u00e9ria e da pobreza, que ultrapassam os \u00edndices de 2,4 bilh\u00f5es de pessoas no mundo, ou seja, assolam um ter\u00e7o da humanidade. Os c\u00ednicos ide\u00f3logos do capital precisam esclarecer a paradoxal combina\u00e7\u00e3o de longevidade da vida com desemprego e baixos sal\u00e1rios, pois o desenvolvimento da sociedade capitalista revela exatamente o contr\u00e1rio, isto \u00e9, que existe uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre acumula\u00e7\u00e3o de riqueza e acumula\u00e7\u00e3o de pobreza, acumula\u00e7\u00e3o de capital e expropria\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho dos trabalhadores, pobreza e encurtamento da vida. Torna-se dif\u00edcil acreditar nas perspectivas otimistas de longevidade das pessoas, quando se aprofundam os problemas estruturais e s\u00e3o alteradas as regras da aposentadoria, para que assim os trabalhadores se vejam condenados a morrer trabalhando e os capitalistas transformem o sistema previdenci\u00e1rio numa fonte inesgot\u00e1vel de lucro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados apresentados servem para apontar o desafio que \u00e9 posto \u00e0 classe trabalhadora no campo do crescimento demogr\u00e1fico. Essa luta deve ser operada em duas frentes. A primeira, contra a ideologia da manipula\u00e7\u00e3o dos dados acerca do crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa, em que as contrarreformas na previd\u00eancia social s\u00e3o seguidas de interpreta\u00e7\u00f5es subliminares que concebem os velhos como amea\u00e7a permanente ao sistema produtivo e n\u00e3o como seres humanos que precisam de cuidados ap\u00f3s dedica\u00e7\u00e3o exclusiva ao trabalho assalariado. Segundo, que al\u00e9m de querer prolongar o tempo da aposentadoria e penalizar os idosos, o sistema retira dos jovens a possibilidade de trabalho e vida decente, abreviando seu tempo de exist\u00eancia mediante pr\u00e1ticas coercitivas e violentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece evidente que uma an\u00e1lise s\u00e9ria sobre as taxas de crescimento da popula\u00e7\u00e3o idosa deve ressaltar o genoc\u00eddio de jovens que acontece no pa\u00eds, bem como que as absurdas perspectivas de crescimento populacional h\u00e3o de ser seguidas tamb\u00e9m de absurdas taxas de crescimento nas taxas sociais de homic\u00eddios na popula\u00e7\u00e3o jovem (al\u00e9m do aumento da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria), certamente bem acima das taxas de crescimento populacional. No presente momento, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel separar o crescimento das taxas de uma gera\u00e7\u00e3o sem considerar as causas da queda de crescimento da outra gera\u00e7\u00e3o, uma vez que elas est\u00e3o conectadas. O crescimento da taxa da popula\u00e7\u00e3o idosa deve considerar, de um lado, o genoc\u00eddio dos jovens, e do outro, a crise social que acomete a popula\u00e7\u00e3o idosa e que certamente ir\u00e1 se aprofundar com as contrarreformas da previd\u00eancia social, j\u00e1 que elas tornam mais dif\u00edcil a vida dos trabalhadores acima dos 60 anos. Finalmente, \u00e9 preciso esclarecer os subterf\u00fagios das classes dominantes e apresentar respostas que superem as idiossincrasias ideol\u00f3gicas que exprimem a necessidade de contrarreformas, de um lado, e a necessidade de mais investimento na seguran\u00e7a p\u00fablica, do outro. Faz-se necess\u00e1rio reconhecer que todas as mudan\u00e7as apresentadas pela burguesia e pelo Estado burgu\u00eas n\u00e3o passam de manobras para perpetuar t\u00e3o somente o tempo de exist\u00eancia do capital em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia efetiva dos seres humanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o em PDF do \u00a0Jornal: Vers\u00e3o em PDF do Encarte Alagoas: &nbsp; Vers\u00e3o em PDF do\u00a0Encarte te\u00f3rico &#8220;A cr\u00edtica radical<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1979,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1961"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6498,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1961\/revisions\/6498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}