{"id":20,"date":"2008-12-13T15:30:55","date_gmt":"2008-12-13T15:30:55","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/20"},"modified":"2018-05-04T21:51:17","modified_gmt":"2018-05-05T00:51:17","slug":"o-retorno-do-rei-e-a-apoteose-da-fantasia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/o-retorno-do-rei-e-a-apoteose-da-fantasia\/","title":{"rendered":"&#8220;O Retorno do Rei&#8221; e a apoteose da fantasia"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>\u201cO RETORNO DO REI\u201d E A APOTEOSE DA FANTASIA<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cO Senhor dos An\u00e9is \u2013 O Retorno do Rei\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Nome original: The Lord of the Rings: The return of the king<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos, Nova Zel\u00e2ndia, Alemanha<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Quenya, Ingl\u00eas arcaico, Ingl\u00eas, Sindarin<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Peter Jackson<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Roteiro: J. R. R. Tolkien, Fran Walsh<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Viggo Mortensen, Sean Astin, Alexandra Aastin, Sean Bean, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Billy Boid, Bernard Hill<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, aventura, fantasia<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Anos atr\u00e1s, vagando a esmo por uma livraria, tive meu olhar atra\u00eddo por uma cole\u00e7\u00e3o de tr\u00eas volumes intitulada \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. Folheei um dos exemplares ao acaso. Li alguma coisa sobre hobbits, elfos e an\u00f5es. N\u00e3o gostei. \u00c0quela altura, esse tipo de criaturas fant\u00e1sticas me remeteu imediatamente ao ambiente do grupo de jogadores de RPG do qual meu irm\u00e3o era mestre. Uma brincadeira que \u00e0quela \u00e9poca eu ainda encarava com ressalvas. \u201cMais um livro de fantasia para adolescentes\u201d. Fechei o livro e perdi a oportunidade de me tornar um conhecedor da obra de Tolkien naquele momento. Meus interesses liter\u00e1rios estavam ent\u00e3o em outra parte.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Anos depois, folheando a revista SET, me deparei com o an\u00fancio de que uma s\u00e9rie de filmes da trilogia \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d estava em produ\u00e7\u00e3o. Imediatamente me lembrei daqueles volumes desprezados na livraria, anos atr\u00e1s. A produ\u00e7\u00e3o era descrita como um \u00e9pico para ficar na hist\u00f3ria do cinema. A primeira imagem liberada era das est\u00e1tuas dos Argonath. Eu que n\u00e3o resisto a um \u00e9pico, salivei: \u201cSer\u00e1?\u201d Nesse momento, meus interesses liter\u00e1rios estavam suficientemente abertos a ponto de poder vir a incorporar hobbits, elfos, e an\u00f5es. Gra\u00e7as a meu irm\u00e3o e ao seu barulhento grupo de jogadores de RPG.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Subitamente, descobrimos que a obra de Tolkien j\u00e1 era um cl\u00e1ssico nos pa\u00edses de l\u00edngua inglesa, leitura obrigat\u00f3ria nas escolas, inspiradora de bandas psicod\u00e9licas e progressivas dos anos 60 e 70, bem como do heavy metal mel\u00f3dico atual. N\u00e3o me restava outra escolha a n\u00e3o ser encarar o catatau de mais de 1.000 p\u00e1ginas. Para mim, leitor compulsivo, foi um banquete. Devidamente precedido da entrada, a simp\u00e1tica introdu\u00e7\u00e3o intitulada \u201cO Hobbit\u201d, uma hist\u00f3ria pr\u00e9via \u00e0 saga do Um Anel. E completada pela sobremesa, o \u201cSilmarillion\u201d, que se tornou minha parte preferida. De modo que aos poucos todos fomos progressivamente introduzidos no assim chamado \u201cuniverso\u201d de Tolkien.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em breve, com a aproxima\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento do primeiro epis\u00f3dio no cinema, ningu\u00e9m mais estaria inc\u00f3lume. \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d invadiu os cinemas como um \u201cblockbuster\u201d, espalhou-se por todas as m\u00eddias, os livros de Tolkien viraram \u201cbest-sellers\u201d nas livrarias, uma avalanche de \u201cmerchandising\u201d e bugigangas aqueceu o consumismo dos jovens. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de \u201cf\u00e3s instant\u00e2neos\u201d surgiu.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d virou uma religi\u00e3o. Como toda religi\u00e3o, tem seus fan\u00e1ticos, seus ne\u00f3fitos e seus hereges. H\u00e1 gente que conhece Tolkien de tr\u00e1s para frente e cita-o em \u00e9lfico fluente como se fosse a B\u00edblia. H\u00e1 os que apenas leram o livro ao ouvir falar do filme, como este escriba. H\u00e1 os f\u00e3s pipocas que ouviram falar ontem do Anel e v\u00e3o ao cinema sem saber sequer o que \u00e9 um hobbit. A riqueza e a pujan\u00e7a dessa subcultura s\u00f3 tem paralelo em um outro fen\u00f4meno de d\u00e9cadas atr\u00e1s, \u201cGuerra nas Estrelas\u201d, o cl\u00e1ssico dos cl\u00e1ssicos dos filmes de aventura.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Paradoxalmente, n\u00e3o haveria trilogia \u201cSenhor dos An\u00e9is\u201d se n\u00e3o tivesse havido, vinte anos atr\u00e1s, \u201cGuerra nas Estrelas\u201d, para fazer do p\u00fablico adolescente o principal fil\u00e3o do mercado de cinema. E ao mesmo tempo, n\u00e3o haveria \u201cGuerra nas Estrelas\u201d se George Lucas n\u00e3o tivesse lido, como todo jovem de sua gera\u00e7\u00e3o, o livro \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, que lhe forneceu um modelo para sua pr\u00f3pria saga do bem contra o mal. Agora, o livro vira filme e o ciclo se completa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Menciono \u201cGuerra nas Estrelas\u201d para falar a respeito do aspecto comercial. Para muita gente, o crit\u00e9rio do sucesso comercial, ou da explora\u00e7\u00e3o mercantilista do \u201cmerchandising\u201d \u00e9 decisivo para condenar um filme. Se o filme bate recordes de bilheteria e vende bugigangas at\u00e9 se tornar uma praga nauseante, esse filme automaticamente n\u00e3o presta. S\u00f3 prestam os filmes pequenos, intimistas e que permanecem eternamente desconhecidos do grande p\u00fablico. Discordo desse ponto de vista. Tanto filmes grandes como pequenos podem ser bons ou ruins. Os filmes da s\u00e9rie \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d s\u00e3o bons filmes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Acho que essa s\u00e9rie, como \u201cGuerra nas Estrelas\u201d, \u00e9 t\u00e3o grande que transcende a problem\u00e1tica do que \u00e9 arte e do que \u00e9 com\u00e9rcio. S\u00e3o fen\u00f4menos culturais universais. Na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento, \u201cGuerra nas Estrelas\u201d (1977) foi interpretado \u00e0 luz do contexto da guerra fria. O Imp\u00e9rio seria a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a Alian\u00e7a Rebelde seriam o Estados Unidos. Hoje esse contexto est\u00e1 caduco, mas o filme sobreviveu, tanto que at\u00e9 hoje gera continua\u00e7\u00f5es (essas sim oportunistas). A guerra fria acabou, mas \u201cGuerra nas Estrelas\u201d continua. E como todos podem ver, \u00e9 \u00f3bvio que hoje os Estados Unidos \u00e9 que s\u00e3o o Imp\u00e9rio e todos os que lutam contra eles os rebeldes e Jedis.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Portanto, os filmes de George Lucas sobreviverem porque tocaram em aspectos fundamentais da trajet\u00f3ria humana, expondo a problem\u00e1tica da luta do bem contra o mal. Toda narrativa tenta fazer isso de alguma maneira, mas o fato de permanecerem ou n\u00e3o na mem\u00f3ria cultural depende justamente da habilidade do artista em elaborar o tema. Habilidade que George Lucas teve (a esse respeito, remeto aos textos \u201c<span class=\"logo1\"><span style=\"font-size: 21pt; color: black;\">Darth Vader: a realidade e a f\u00e9 em Star Wars<\/span><\/span>\u201d, de <a href=\"http:\/\/www.duplipensar.net\/fraternidade\/djfigueiredo.html\">Danilo Jos\u00e9 Figueiredo <\/a>e \u201cSobre Anakin\/Darth Vader e Jesus\u201d, de minha pr\u00f3pria autoria). E que Tolkien e Peter Jackson tamb\u00e9m tiveram.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cGuerra nas Estrelas\u201d sobreviveu e \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d sobreviver\u00e1. Este escriba gostaria que fosse poss\u00edvel que se fizessem filmes gigantescos sobre outras narrativas e outras culturas. Por exemplo, porque n\u00e3o uma vers\u00e3o igualmente suntuosa de \u201cGrande Sert\u00e3o Veredas\u201d? O maior romance brasileiro transformado em \u00e9pico cinematogr\u00e1fico? Nas m\u00e3os do filos\u00f3fico Terence Malick, de \u201cAl\u00e9m da Linha Vermelha\u201d, seria pura poesia. Mas isso \u00e9 sonho. Sendo o mundo o que \u00e9, o com\u00e9rcio ainda prevalece sobre a fantasia. \u00c9 preciso se contentar com o que temos. \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d cumpre bem o seu papel de obra universal, porque tem consist\u00eancia liter\u00e1ria em sua origem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Antes de falar dos filmes, \u00e9 preciso portanto falar dos livros. Pois \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, o livro, foi uma obra seminal que tornou poss\u00edvel, como eu disse, o pr\u00f3prio \u201cGuerra nas Estrelas\u201d, embora o cen\u00e1rio possa parecer o mais diferente poss\u00edvel. O misticismo, por\u00e9m, est\u00e1 todo l\u00e1. Tolkien resgatou as f\u00e1bulas e hist\u00f3rias de fantasia para o mundo moderno. Sua obra foi o ponto de chegada de uma tradi\u00e7\u00e3o e o ponto de partida de uma nova. Sua inspira\u00e7\u00e3o foram as narrativas \u00e9picas da mitologia anglo-sax\u00e3 e n\u00f3rdica. Como o gigantesco poema finland\u00eas de Kalevala, monumento da cultura oral (como era a Il\u00edada), de milhares de anos e milhares de versos, at\u00e9 hoje ainda n\u00e3o integralmente transcrito para a forma escrita. Sua descend\u00eancia inclui todos os jogos de RPG, desenhos como \u201cCaverna do Drag\u00e3o\u201d, \u201cHarry Potter\u201d, etc..<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A respeito das met\u00e1foras pol\u00edticas e culturais de sua obra, Tolkien sempre foi o primeiro a desautorizar a interpreta\u00e7\u00e3o diretamente ideol\u00f3gica de seus livros, por meio da rela\u00e7\u00e3o com qualquer figura ou situa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca em que viveu (os livros foram escritos na \u00e9poca da Segunda Guerra Mundial). N\u00e3o h\u00e1 nazistas, comunistas, Aliados, etc., em \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. Sua inten\u00e7\u00e3o expl\u00edcita sempre foi criar um mundo totalmente \u00e0 parte e novo, uma mitologia original e desvinculada de nossa realidade. Na superf\u00edcie evidente, \u00e9 f\u00e1cil concordar com Tolkien a respeito da avalia\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. As met\u00e1foras de qualquer natureza se aplicam muito artificialmente a \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. Mas no aspecto interior, no que toca \u00e0 subst\u00e2ncia filos\u00f3fica e psicol\u00f3gica da obra, acho que os livros refletem muito da viv\u00eancia de Tolkien e de seu pensamento sobre o mundo em que viveu.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Por exemplo, o v\u00f4o dos Nazgul sobre Minas Tirith e a sombra que se espalha de Mordor s\u00e3o lembran\u00e7as do bombardeio da Luftwafe sobre a Inglaterra na II Guerra. Ou ainda, a amizade entre Frodo e Sam \u00e9 o exemplo de uma rela\u00e7\u00e3o t\u00edpica de soldados que estiveram nas trincheiras. Como o jovem Tolkien esteve na Primeira Guerra Mundial. Todo ex-combatente diz que o \u00fanico sentido para enfrentar a morte na guerra \u00e9 a presen\u00e7a dos companheiros que est\u00e3o ao lado. Na trincheira, desaparecem as ideologias pol\u00edticas e interesses de Estado e resta apenas a amizade entre os soldados. O v\u00ednculo da compaix\u00e3o e da luta contra a solid\u00e3o e a finitude irremedi\u00e1vel num mundo fundamentalmente maligno, \u00e9 o substrato final de vidas humanas reduzidas a quase nada. Essa experi\u00eancia foi particularmente forte na I Guerra, em que a mortandade atingiu propor\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o inimagin\u00e1veis, envolvendo uma massa de jovens alienados em um verdadeiro inferno.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Diante desse inferno, a \u00fanica rea\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e compreens\u00edvel \u00e9 o desejo de voltar para casa. Voltar para o Condado. Para o \u00fanico lugar onde as coisas ainda s\u00e3o simples, boas e inocentes. Tolkien expressa essa nostalgia de um tempo que j\u00e1 se foi. A tristeza pelo mundo que se perdeu na vida real o inspira a escrever sobre um mundo fict\u00edcio, para o qual ainda vale a pena voltar. Essa escrita \u00e9 uma tentativa de consagrar a rejei\u00e7\u00e3o apol\u00edtica das ideologias na literatura. Depois do que viu nas trincheiras, Tolkien n\u00e3o quer saber de nazistas, comunistas e burgueses. Acha que tudo isso \u00e9 bobagem. O mundo fora do Condado n\u00e3o lhe interessa. O mundo das pessoas grandes \u00e9 objeto de lenda e fantasmagoria. Ele vai e vem, mas o Condado fica. Por isso os her\u00f3is de sua saga s\u00e3o hobbits. Pequenos, porque permanecem crian\u00e7as e inocentes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O id\u00edlico lar dos hobbits \u00e9 uma reminisc\u00eancia do ambiente campestre ingl\u00eas do s\u00e9culo XIX. O visual dos hobbits (fiel nos filmes ao que \u00e9 descrito no livro), seus casacos e utens\u00edlios, n\u00e3o \u00e9 medieval, mas relativamente moderno, industrializado. Ainda assim, bastante arcaico e r\u00fastico. Hobbits s\u00e3o simultaneamente caipiras e bo\u00eamios, apegados aos chamados prazeres simples da vida: uma boa mesa, uma boa cerveja, uma boa erva de fumo, boa m\u00fasica, boas risadas. Essa \u00e9 a utopia tolkeniana. A atmosfera \u00e9 pitorescamente inglesa, provinciana, tradicional, rural, radicalmente regionalista, e por isso mesmo universal (como \u201cGrande Sert\u00e3o Veredas\u201d).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tolkien \u00e9 um ingl\u00eas tradicionalista assumido e militante. O livro tem um sabor de conservadorismo vitoriano tardio. Por exemplo, \u00e9 assustadoramente assexuado. N\u00e3o h\u00e1 quase romance na saga do anel. Ele est\u00e1 fora do foco da trama, o que \u00e9 at\u00e9 compreens\u00edvel, de qualquer modo. As mulheres da saga, por\u00e9m, aparecem por uma lente que lembra a do amor cort\u00eas do trovadorismo. S\u00e3o figuras idealizadas, beatificadas, como eram as damas da nobreza na literatura do s\u00e9culo XIV. N\u00e3o se podia sequer tocar nelas. Peter Jackson at\u00e9 que tentou remediar isso nos filmes, mas apenas parcialmente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tolkien \u00e9 um ingl\u00eas tradicionalista, por isso um conservador, mas n\u00e3o no sentido expl\u00edcito de direita pol\u00edtica. O tradicionalista rejeita com enfado qualquer pol\u00edtica. Embora reze a cartilha dos iniciantes em pol\u00edtica que a tentativa de ser apol\u00edtico acaba servindo ao interesse pol\u00edtico conservador. A tentativa escapista de Tolkien de ser apol\u00edtico, atrav\u00e9s de uma monumental obra de fantasia, teoricamente apenas colabora para a defesa do \u201cstatus quo\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Teoricamente est\u00e1 correto. Mas na pr\u00e1tica o mundo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o quadrado (felizmente). Por um estranho paradoxo, Tolkien foi descoberto nos Estados Unidos por universit\u00e1rios adeptos da contracultura. Sexo, drogas e rock n\u2019 roll, protestos contra a guerra do Vietn\u00e3 e \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d a tiracolo. Esse aspecto paradoxal da trajet\u00f3ria do livro foi para mim a descoberta mais surpreendente. Nos anos 60 o livro era lido como uma inspira\u00e7\u00e3o pacifista. O Condado transfigurou-se em utopia hippie. Provavelmente, foi desse caldo de cultura que se alimentou o neozeland\u00eas Peter Jackson, o mago encarregado pelos Valar de levar o livro ao cinema. Embora a est\u00e9tica do diretor seja mais ligada \u00e0 do terror cl\u00e1ssico (nazgul, gollum, os mortos da montanha).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Hoje, muitos tentaram associar a carga b\u00e9lica da trilogia cinematogr\u00e1fica ao ambiente de \u201cguerra contra o terror\u201d de nossos dias. Tentou-se em v\u00e3o encontrar met\u00e1foras no filme para os \u00e1rabes, os terroristas, etc.. Felizmente, nosso med\u00edocre contexto hist\u00f3rico atual tamb\u00e9m passar\u00e1, mas a hist\u00f3ria da luta para destruir o anel do mal continuar\u00e1 na mem\u00f3ria. A perman\u00eancia do livro se explica pela sua virtude liter\u00e1ria. N\u00e3o apenas pela capacidade do autor de dar verossimilhan\u00e7a ao cen\u00e1rio, de criar paisagens, cronologias, genealogias, linguagens. Detalhes que fazem a del\u00edcia dos fan\u00e1ticos que se empenham em discut\u00ed-los e que fazem o tormento dos leitores menos entusiastas, como este escriba, que s\u00e3o obrigados ouvir essas discuss\u00f5es. O livro se sustenta pela capacidade do autor de falar de modo realista sobre o mal, ainda que na forma da fantasia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tolkien \u00e9 um autor de fantasia, mas n\u00e3o ilude seu p\u00fablico. Tecnicamente, a sociedade do anel fracassa, pois Frodo foi incapaz de arremessar o anel no fogo. Este n\u00e3o \u00e9 destru\u00eddo sen\u00e3o por acidente. O mal e sua sedu\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais poderosos do que se imagina. O acaso e a esperan\u00e7a s\u00e3o por\u00e9m for\u00e7as tamb\u00e9m atuantes neste mundo. Se a I Guerra foi a perda da inoc\u00eancia de uma gera\u00e7\u00e3o, a II Guerra foi a amea\u00e7a da queda total do mundo diante do mal absoluto. A intensidade com que Tolkien descreve o mal fant\u00e1stico reflete a viv\u00eancia de quem testemunhou concretamente a presen\u00e7a do mal no mundo. O mal assolou nossas vidas, maculou nosso mundo. A ferida de Frodo, que nunca cicatriza, \u00e9 uma met\u00e1fora disso. Um mundo maculado pelo mal n\u00e3o pode mais voltar a ser o mesmo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A esperan\u00e7a est\u00e1 no retorno \u00e0s coisas simples e ao amor sincero. Por isso, o filme e a saga terminam com Sam voltando para sua casinha de jardineiro e sua fam\u00edlia. A trajet\u00f3ria de Sam, protagonista secreto da hist\u00f3ria, serve de exemplo da ascens\u00e3o do homem comum, do trabalhador bra\u00e7al. Peter Jackson, sabiamente, escolheu esta cena para encerrar \u201cO Retorno do Rei\u201d e a trilogia. O tempo da magia e das \u00e9pocas her\u00f3icas passou.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O leitor percebe que eu digo o livro e a hist\u00f3ria, no singular. Isso \u00e9 proposital. Fa\u00e7o quest\u00e3o de ver \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, tanto o livro como o filme, como uma obra unit\u00e1ria. Se pudesse, assistiria \u00e0s dez horas de filme em seq\u00fc\u00eancia no cinema. Sonho esse que, apesar das minhas ardentes preces aos Valar, n\u00e3o se realizou. De certo modo, eu tentei. Antes da estr\u00e9ia do \u201cRetorno do Rei\u201d, este escriba e sua sociedade do anel empreenderam uma jornada \u00e9pica a um dos \u00fanicos e distantes cinemas de S\u00e3o Paulo que projetava as vers\u00f5es estendidas da \u201cSociedade do Anel\u201d e das \u201cDuas torres\u201d, a chamada \u201cvers\u00e3o do diretor\u201d, presente apenas no lan\u00e7amento em DVD importado, para assistir a ambas num mesmo dia, numa maratona inesquec\u00edvel de quase oito horas de filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Naquele momento amaldi\u00e7oei a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica e sua tend\u00eancia atual de lan\u00e7ar no cinema vers\u00f5es mutiladas dos filmes. A vers\u00e3o verdadeira, que no caso \u00e9 chamada de \u201cvers\u00e3o estendida\u201d, est\u00e1 acess\u00edvel apenas a privilegiados colecionadores de car\u00edssimos DVDs. Nessa nova l\u00f3gica, h\u00e1 um filme para a coletividade que vai ao cinema e um filme para o p\u00fablico elitista que consome DVDs. Mais um aspecto da desvaloriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em fun\u00e7\u00e3o da hispostasia do privado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Depois de assistir \u00e0s vers\u00f5es estendidas dos dois primeiros epis\u00f3dios, poucos dias antes da estr\u00e9ia do terceiro, ficou claro para mim que \u201cO Retorno do Rei\u201d, em cartaz nos cinemas, \u00e9 uma vers\u00e3o mutilada. Isso fica evidente pela forma como se d\u00e1 o andamento da narrativa. A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 ca\u00f3tica. O ritmo da hist\u00f3ria \u00e9 oscilante. R\u00e1pido em alguns momentos, lento em outros. Se fosse um desfile de uma escola de samba, \u201cO Retorno do Rei\u201d daria a Peter Jackson p\u00e9ssimas notas no quesito harmonia. Certas partes do enredo avan\u00e7am com propriedade; outras carecem de sedimenta\u00e7\u00e3o e ambienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Para ter um andamento adequado, acomodando as v\u00e1rias tramas paralelas, \u201cO Retorno do Rei\u201d deveria ter pelo menos cinco horas de dura\u00e7\u00e3o. H\u00e1 cenas editadas que prejudicam claramente a perfeita contextualiza\u00e7\u00e3o da obra. Por exemplo, a loucura de Denethor permanece inexplicada se n\u00e3o se mostra que ele tamb\u00e9m tinha um Palant\u00edr. A reden\u00e7\u00e3o das almas famintas de Eowyn e Faramir, a aproxima\u00e7\u00e3o dos dois nas casas de cura de Gondor tamb\u00e9m foi limada. O que restou foi uma leve insinua\u00e7\u00e3o de romance, na cena do casamento de Aragorn e Arwen, com cara de \u201cfinal de novela das 8\u201d, em que todo mundo se casa. O fim de Saruman n\u00e3o nos foi mostrado. O duelo entre o Rei dos Bruxos e o Mago Branco, que foi explicitamente anunciado pelo primeiro, n\u00e3o se realizou, para frustra\u00e7\u00e3o geral. E assim por diante.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Toda transposi\u00e7\u00e3o de livros para o cinema sofre de um s\u00e9rio problema. A imagem filmada de certo modo corrompe a faculdade que o livro tinha de inspirar a imagina\u00e7\u00e3o do leitor. Depois que o filme foi feito, ao ler o livro, o que se imagina \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o do diretor. Os personagens do livro aparecem na tela mental com o rosto dos atores do elenco. Portanto, Peter Jackson de certo modo \u201cestragou a brincadeira\u201d, de um ponto de vista purista radical. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel imaginar livremente o universo de Tolkien. Um filme a partir de um livro \u00e9 uma nova obra que de certo modo suplanta a original. Como se o objetivo de todo livro fosse \u201cchegar a ser filme\u201d e ele morresse depois disso. O filme vulgariza o que estava restrito ao p\u00fablico liter\u00e1rio. Como em toda vulgariza\u00e7\u00e3o, algo se perde e algo se ganha.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Para um f\u00e3 menos radical, como este escriba, que n\u00e3o se considera dono da hist\u00f3ria, o esfor\u00e7o de Peter Jackson foi apesar de tudo v\u00e1lido. Todo f\u00e3 do universo tolkieniano deve ver nele seu her\u00f3i. Se n\u00e3o fosse por ele, ningu\u00e9m estaria falando na saga do anel. Se n\u00e3o gostarem, basta, como eu disse, n\u00e3o ver o filme e ficar com o livro. N\u00e3o senti falta de Tom Bombadil, nem do expurgo do Condado. N\u00e3o gostaria de fazer disso uma discuss\u00e3o entre f\u00e3s sobre o que gostaram ou n\u00e3o no filme, mas como qualquer leitor e espectador, tenho meus personagens e minhas cenas preferidas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Me chamaram a aten\u00e7\u00e3o tanto como os protagonistas e encontraram um lugar especial nas minhas lembran\u00e7as. Boromir no primeiro filme, devido \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de Sean Bean; Th\u00e9oden no segundo; Eowyn, com sua representa\u00e7\u00e3o da tristeza de ser mulher num mundo dominado por homens, e Pippin, o mais hobbit dos hobbits, no terceiro. Gostei mais do povo de Rohan, com seu visual b\u00e1rbaro e viking, do que de Gondor, apesar do gigantismo surreal e ensandecido de Minas Tirith. O lado maligno foi mostrado de forma um tanto barroca, exagerada, com aten\u00e7\u00e3o especial do diretor para as caretas e poses de orcs e monstros. Aqui Peter Jackson exercitou sua faceta mais criativa.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Considero que, de modo geral, o esp\u00edrito da obra foi mantido no filme. Mesmo assim, com todos os problemas, com o lan\u00e7amento de uma vers\u00e3o mutilada, acidente pelo qual ali\u00e1s o diretor \u00e9 apenas parcialmente respons\u00e1vel; \u201cO Retorno do Rei\u201d \u00e9 o melhor dos tr\u00eas filmes. Incompleto ou n\u00e3o ele satisfaz. N\u00e3o pode ser descrito como algo menos do que monumental. \u00c9 mais um daqueles filmes para o qual todos os adjetivos s\u00e3o pequenos. Monumental, gigantesco, \u00e9pico, colossal, avassalador, surpreendente, chocante, devastador, arrebatador, vibrante, luminoso, redentor. O \u201cflashback\u201d de Sm\u00e9agol-Gollum, os far\u00f3is de Gondor se acendendo nas montanhas, a can\u00e7\u00e3o de Pippin nos sal\u00f5es de Denethor, a cavalgada dos rohirrim, o ataque ensandecido de Th\u00e9oden contra os olifantes, o duelo de Sam e Laracna, a alegria do reencontro da sociedade, Aragorn e os homens curvando-se para os hobbits, a despedida final nos portos cinzentos, todas essas cenas s\u00e3o realiza\u00e7\u00f5es magistrais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Ao ler a SET de anos atr\u00e1s, este escriba ficou intrigado com a id\u00e9ia de lan\u00e7ar em tr\u00eas epis\u00f3dios uma hist\u00f3ria filmada de uma vez s\u00f3, com intervalos de um ano entre cada epis\u00f3dio. Quando terminou a \u201cSociedade do Anel\u201d, estava definitivamente fisgado e desesperado para ver a continua\u00e7\u00e3o. Percebi que ali estava se iniciando um fen\u00f4meno especial na hist\u00f3ria do cinema. A espera de um ano por cada novo filme s\u00f3 fazia aumentar a expectativa (os antenados irm\u00e3os Wachowski exploraram a id\u00e9ia em \u201cMatrix Reloaded\u201d e \u201cRevolutions\u201d; o oportunista Quentin Tarantino far\u00e1 o mesmo com \u201cKill Bill\u201d).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Com \u201cAs Duas Torres\u201d, diminui a magia e cresce o \u00e9pico. Subitamente, com o fim do \u201cRetorno do Rei\u201d, uma estranha tristeza toma conta. N\u00e3o haver\u00e1 mais Terra M\u00e9dia no cinema. O clima \u00e9 de despedida. O fim de uma maratona. O filme \u00e9 uma epop\u00e9ia em si e tamb\u00e9m para o p\u00fablico. Fosse qual fosse o final da trilogia, e ele foi exponencial, a sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio e de recompensa foi bastante palp\u00e1vel. A narrativa fant\u00e1stica cumpriu sua fun\u00e7\u00e3o de veicular uma hist\u00f3ria exemplar e expor os valores pelos quais se deve viver. \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d marcou uma \u00e9poca na vida de cada um e todos v\u00e3o se lembrar dessa \u00e9poca de suas vidas com saudade. V\u00e3o se lembrar da \u00e9poca em que acompanharam seus personagens prediletos na sua trajet\u00f3ria her\u00f3ica contra o mal. As l\u00e1grimas s\u00e3o inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nam\u00e1ri\u00eb<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">11\/01\/2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;O RETORNO DO REI&rdquo; E A APOTEOSE DA FANTASIA<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;O Senhor dos An&eacute;is &ndash; O Retorno do Rei&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6162,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20\/revisions\/6162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}