{"id":200,"date":"2010-04-25T21:50:20","date_gmt":"2010-04-25T21:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/200"},"modified":"2018-05-01T00:55:11","modified_gmt":"2018-05-01T03:55:11","slug":"declaracao-contra-a-ocupacao-do-haiti-janeiro-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/declaracao-contra-a-ocupacao-do-haiti-janeiro-2010\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o contra a ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti &#8211; Janeiro 2010"},"content":{"rendered":"<p>ESPA\u00c7O SOCIALISTA<\/p>\n<p>Solidariedade real ao povo haitiano e n\u00e3o \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o!!!<\/p>\n<p>Apesar do terremoto que atingiu o Haiti ter sido um acontecimento da natureza, a gravidade das suas consequ\u00eancias \u00e9 resultado da situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria que assola a grande maioria de sua popula\u00e7\u00e3o. A dificuldade di\u00e1ria de se conseguir alimento e \u00e1gua, a precariedade das constru\u00e7\u00f5es, a falta de uma rede de servi\u00e7os sociais, s\u00e3o problemas que agravam muito o que j\u00e1 seria tr\u00e1gico, aumentando assim as dimens\u00f5es da cat\u00e1strofe. Terremotos com a mesma intensidade ocorreram em outros pa\u00edses \u2013como o Jap\u00e3o \u2013, sem que o impacto fosse t\u00e3o devastador.<\/p>\n<p>Da mesma forma, no Brasil, a imprensa atribui a causa das enchentes e deslizamentos ao excesso das chuvas. Com isso tentam encobrir o fato de que \u00e9 a l\u00f3gica capitalista que gera as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de moradia nas periferias e que os governos priorizam obras em favor dos empres\u00e1rios ao inv\u00e9s de outras que permitam melhores condi\u00e7\u00f5es de escoamento da \u00e1gua nos bairros populares. A mesma quantidade de chuva cai no Morumbi e nos Jardins, mas n\u00e3o ouvimos falar de enchentes nos bairros onde mora a burguesia&#8230;<\/p>\n<p>No caso do Haiti, com seus 9 milh\u00f5es de habitantes, trata-se do pa\u00eds mais pobre do hemisf\u00e9rio ocidental \u2013 146\u00ba lugar entre 177 pa\u00edses avaliados pelo \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) \u2013, onde mais da metade da popula\u00e7\u00e3o vive com menos de 1 d\u00f3lar por dia, e cerca de 78% com menos de 2 d\u00f3lares. A taxa de mortalidade infantil \u00e9 alt\u00edssima: 60 em cada 1.000 nascimentos. Essa mis\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 natural, \u00e9 a conseq\u00fc\u00eancia das sucessivas ocupa\u00e7\u00f5es e coloniza\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias imperialistas sobre o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O terremoto \u00e9 natural, mas as conseq\u00fc\u00eancias n\u00e3o<\/p>\n<p>A mis\u00e9ria do Haiti n\u00e3o \u00e9 um produto do acaso, e muito menos uma voca\u00e7\u00e3o desse povo. Ao contr\u00e1rio, o povo negro do Haiti protagonizou lutas gloriosas contra inimigos muito mais fortes.<\/p>\n<p>Prova disso, \u00e9 que ele foi o primeiro pa\u00eds das Am\u00e9ricas a se tornar livre, na Revolu\u00e7\u00e3o liderada pelos \u201cJacobinos Negros\u201d: \u201cEm 1803, a bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ru\u00ednas. Mas a terra haitiana fora devastada pela monocultura do a\u00e7\u00facar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a Fran\u00e7a, e um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o havia ca\u00eddo no combate. Ent\u00e3o come\u00e7ou o bloqueio. Ningu\u00e9m comprava do Haiti, ningu\u00e9m vendia, ningu\u00e9m reconhecia a nova na\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Fruto de seu isolamento e do pouco desenvolvimento de suas for\u00e7as produtivas \u201c&#8230;o Haiti acabou caindo nas m\u00e3os de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os fam\u00e9licos recursos do pa\u00eds ao pagamento da d\u00edvida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obriga\u00e7\u00e3o de pagar \u00e0 Fran\u00e7a uma indeniza\u00e7\u00e3o gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.\u201d(Eduardo Galeano \u2013 Os pecados do Haiti, em www.resistir.info.net).<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, o povo haitiano novamente esteve submetido ao saque e \u00e0 domina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses imperialistas. Em 1915 foram os EUA que invadiram o pa\u00eds, governando-o at\u00e9 1934, e s\u00f3 saindo ap\u00f3s conseguir cobrar as d\u00edvidas do Haiti com o Citibank e modificar o artigo constitucional que proibia a venda de terras a estrangeiros. Desde ent\u00e3o, a Casa Branca exerce uma esp\u00e9cie de protetorado no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Portanto, essas pot\u00eancias mantiveram o Haiti como seu fornecedor barato de mat\u00e9rias-primas como\u00a0\u00a0 a\u00e7\u00facar, banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tub\u00e9rculos e outros mais. Hoje, aliado ao peso majorit\u00e1rio da agricultura, surgiu um setor de produ\u00e7\u00e3o voltado para a exporta\u00e7\u00e3o e que superexplora os trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ONU, EUA e Brasil no Haiti: Armas e Repress\u00e3o\u00a0 para manter o povo haitiano na mis\u00e9ria<\/p>\n<p>Recentemente, em 2004, o Brasil passou a comandar a Minustah (miss\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o da ONU). Desde ent\u00e3o, sempre que h\u00e1 revoltas ou manifesta\u00e7\u00f5es contra a mis\u00e9ria e os baixos sal\u00e1rios, entram em a\u00e7\u00e3o as \u201cTropas de Paz\u201d para reprimir duramente. O argumento da reconstru\u00e7\u00e3o da institucionalidade do pa\u00eds n\u00e3o se sustenta. Os problemas sociais n\u00e3o foram resolvidos e, ao contr\u00e1rio, agravaram-se. Em janeiro de 2006, o general Urano Teixeira Bacellar, que estava no comando da Minustah h\u00e1 poucos meses \u2013 desde setembro de 2005 -, se suicidou ap\u00f3s ter alertado que os problemas no Haiti n\u00e3o demandavam tropas e sim justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Atualmente, a lideran\u00e7a do Brasil na Minustah tamb\u00e9m serve de treinamento para os militares brasileiros conterem rebeli\u00f5es nas favelas brasileiras, que tendem a se agravar \u00e0 medida em que o capital exclui de cada vez mais pessoas dos direitos m\u00ednimos a uma vida digna.<\/p>\n<p>Uma simples compara\u00e7\u00e3o de valores exp\u00f5e o descaso da ONU e dos pa\u00edses dominantes diante da situa\u00e7\u00e3o do Haiti: desde a irrup\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, os governos destinaram para as grandes empresas e o sistema financeiro mais de US$ 15 trilh\u00f5es (http:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/mat\/2009\/02\/11), enquanto que para socorrer as v\u00edtimas do Haiti, a ONU pediu aos pa\u00edses membros US$ 562 milh\u00f5es, um valor absolutamente irris\u00f3rio diante da magnitude da cat\u00e1strofe. Mesmo assim, at\u00e9 agora s\u00f3 foram enviados US$ 207 milh\u00f5es, 36,1% do prometido. Neste valor ainda est\u00e3o inclu\u00eddos os gastos militares, como deslocamento, manuten\u00e7\u00e3o das tropas etc.<\/p>\n<p>J\u00e1 o governo Lula dedicou aos empres\u00e1rios o equivalente a R$ 475 bilh\u00f5es desde quando eclodiu a crise no Brasil (http:\/\/economia.uol.com.br\/ultnot\/bbc\/2009\/04\/03\/ult2283u1708.jhtm). Mas para a ajuda\u00a0 humanit\u00e1ria ao Haiti \u2013 excluindo-se a manuten\u00e7\u00e3o das tropas -, at\u00e9 agora foram enviados apenas R$ 15 milh\u00f5es.\u00a0 Por outro lado, a manuten\u00e7\u00e3o das tropas no Haiti j\u00e1 tem um custo de mais de R$ 703 milh\u00f5es desde 2004, segundo dados do Minist\u00e9rio da Defesa (www.agenciabrasil.gov.br). Isto \u00e9 mais de 120 vezes a ajuda humanit\u00e1ria at\u00e9 agora destinada ao Haiti pelo governo brasileiro. E agora, como se n\u00e3o bastasse, Lula prop\u00f4s e o Congresso aprovou o envio de at\u00e9 mais 1.300 militares, duplicando o efetivo atual no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estados Unidos, mais uma vez, mostra a sua cara<\/p>\n<p>Os EUA se aproveitam para, de fato, ocupar o pa\u00eds com cerca de 20 mil soldados \u2013 o dobro do efetivo total da ONU \u2013, assumindo o comando do espa\u00e7o a\u00e9reo, portos e estradas do pa\u00eds caribenho.( ww1.folha.uol.com.br\/folha\/mundo\/ult94u683605.shtml) .Assim, ao todo s\u00e3o 30 mil militares em um pa\u00eds de apenas 9 milh\u00f5es de habitantes!<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 dito pela ONU, EUA, Lula, e a grande m\u00eddia, as tropas n\u00e3o t\u00eam fun\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, nem de reconstru\u00e7\u00e3o, mas sim de manter os trabalhadores haitianos numa situa\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o, recebendo sal\u00e1rios miser\u00e1veis e assumindo jornadas subumanas de trabalho para as empresas prestadoras de servi\u00e7os de grandes transnacionais.<\/p>\n<p>Os principais argumentos dos que defendem a manuten\u00e7\u00e3o e o envio de mais soldados para o Haiti s\u00e3o os mesmos dos que sempre defenderam a ocupa\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o do pa\u00eds: argumentam que a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora n\u00e3o \u00e9 capaz de se organizar e de coordenar a ajuda internacional e reconstruir sua economia. Mas a hist\u00f3ria deste povo mostra o contr\u00e1rio, como vimos acima. Al\u00e9m disso, a realidade tamb\u00e9m mostra que a popula\u00e7\u00e3o haitiana possui uma rede de organiza\u00e7\u00f5es de base como sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es populares, estudantis e de bairros. S\u00e3o essas organiza\u00e7\u00f5es que de fato est\u00e3o fazendo de tudo para manter um m\u00ednimo de servi\u00e7os essenciais como alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O verdadeiro receio dos EUA e da ONU \u00e9 justamente de que essa popula\u00e7\u00e3o \u2013 cuja imensa maioria \u00e9 de trabalhadores e pobres \u2013 venha a assumir o controle do seu destino, em outras palavras, que seja deflagrada uma rebeli\u00e3o social ou um processo revolucion\u00e1rio, com impacto em toda a Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tentarem prevenir um poss\u00edvel processo insurrecional no Haiti, os EUA aproveitam para buscar refor\u00e7ar seu controle militar na regi\u00e3o e impor limites ao papel que o Brasil vem tentando ocupar no terreno internacional.. As bases militares na Col\u00f4mbia e a reativa\u00e7\u00e3o da Quarta Frota, encarregada de patrulhar o Atl\u00e2ntico Sul, tamb\u00e9m fazem parte dessa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>As metralhadoras e baionetas no peito dos soldados mostram o verdadeiro objetivo das for\u00e7as militares do Brasil, dos Estados Unidos e da ONU.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso solidariedade real e n\u00e3o ocupa\u00e7\u00e3o militar!<\/p>\n<p>Defendemos uma campanha internacional de solidariedade aos trabalhadores do Haiti.. Mas a solidariedade que defendemos \u00e9 a solidariedade a servi\u00e7o da luta e n\u00e3o se confunde com o assistencialismo propagado pelos governos e a m\u00eddia burguesa.<\/p>\n<p>A ONU, Lula, e os EUA t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de usar a \u201cajuda humanit\u00e1ria\u201d para com isso levar as pessoas \u00e0 passividade e a aceitarem a ocupa\u00e7\u00e3o no Haiti. J\u00e1 a nossa solidariedade deve ter um conte\u00fado diametralmente oposto. Deve estar a servi\u00e7o da luta pela retirada das tropas e para que os governos respons\u00e1veis pela trag\u00e9dia social do Haiti venham a ressarcir a d\u00edvida que t\u00eam com aquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, temos que denunciar e exigir a imediata retirada de todas as Tropas de Ocupa\u00e7\u00e3o e que o dinheiro desperdi\u00e7ado para manter essas tropas seja direcionado para a ajuda humanit\u00e1ria e a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds!<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso exigir ajuda internacional compat\u00edvel ao tamanho da cat\u00e1strofe e n\u00e3o apenas as migalhas doadas at\u00e9 agora e sem nenhuma garantia de que chegar\u00e3o, pois os governos burgueses fazem demagogia at\u00e9 com a vida das pessoas. A cobran\u00e7a deve ser maior para as pot\u00eancias que sempre exploraram a economia haitiana, como EUA, Fran\u00e7a e Inglaterra.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso que toda a ajuda recolhida seja entregue \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de luta dos trabalhadores e estudantes do Haiti, e n\u00e3o nas m\u00e3os da ONU, dos EUA ou das tropas brasileiras, que usam o mote da ajuda humanit\u00e1ria para disfar\u00e7ar e legitimar a ocupa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 as organiza\u00e7\u00f5es de luta dos trabalhadores podem garantir que os recursos arrecadados sejam usados para reconstruir a luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o e a domina\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds, na perspectiva socialista, de um governo dos trabalhadores no Haiti.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Espa\u00e7o Socialista &#8211; S\u00e3o Paulo, jan\/2010<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\t<br \/>\n\tESPA&Ccedil;O SOCIALISTA<\/p>\n<p>\tSolidariedade real ao povo haitiano e n&atilde;o &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o!!!<\/p>\n<p>\tApesar do terremoto que atingiu o Haiti ter sido um acontecimento da natureza, a gravidade das suas consequ&ecirc;ncias &eacute; resultado da situa&ccedil;&atilde;o de mis&eacute;ria que assola a grande maioria de sua popula&ccedil;&atilde;o. A dificuldade di&aacute;ria de se conseguir alimento e &aacute;gua, a precariedade das constru&ccedil;&otilde;es, a falta de uma rede de servi&ccedil;os sociais, s&atilde;o problemas que agravam muito o que j&aacute; seria tr&aacute;gico, aumentando assim as dimens&otilde;es da cat&aacute;strofe. Terremotos com a mesma intensidade ocorreram em outros pa&iacute;ses &ndash;como o Jap&atilde;o &ndash;, sem que o impacto fosse t&atilde;o devastador.<\/p>\n<p>\tDa mesma forma, no Brasil, a imprensa atribui a causa das enchentes e deslizamentos ao excesso das chuvas. Com isso tentam encobrir o fato de que &eacute; a l&oacute;gica capitalista que gera as condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias de moradia nas periferias e que os governos priorizam obras em favor dos empres&aacute;rios ao inv&eacute;s de outras que permitam melhores condi&ccedil;&otilde;es de escoamento da &aacute;gua nos bairros populares. A mesma quantidade de chuva cai no Morumbi e nos Jardins, mas n&atilde;o ouvimos falar de enchentes nos bairros onde mora a burguesia&#8230;<\/p>\n<p>\tNo caso do Haiti, com seus 9 milh&otilde;es de habitantes, trata-se do pa&iacute;s mais pobre do hemisf&eacute;rio ocidental &ndash; 146&ordm; lugar entre 177 pa&iacute;ses avaliados pelo &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) &ndash;, onde mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o vive com menos de 1 d&oacute;lar por dia, e cerca de 78% com menos de 2 d&oacute;lares. A taxa de mortalidade infantil &eacute; alt&iacute;ssima: 60 em cada 1.000 nascimentos. Essa mis&eacute;ria n&atilde;o &eacute; natural, &eacute; a conseq&uuml;&ecirc;ncia das sucessivas ocupa&ccedil;&otilde;es e coloniza&ccedil;&atilde;o das pot&ecirc;ncias imperialistas sobre o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<p>\tO terremoto &eacute; natural, mas as conseq&uuml;&ecirc;ncias n&atilde;o<\/p>\n<p>\t&nbsp; A mis&eacute;ria do Haiti n&atilde;o &eacute; um produto do acaso, e muito menos uma voca&ccedil;&atilde;o desse povo. Ao contr&aacute;rio, o povo negro do Haiti protagonizou lutas gloriosas contra inimigos muito mais fortes.<\/p>\n<p>\tProva disso, &eacute; que ele foi o primeiro pa&iacute;s das Am&eacute;ricas a se tornar livre, na Revolu&ccedil;&atilde;o liderada pelos &ldquo;Jacobinos Negros&rdquo;: &ldquo;Em 1803, a bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ru&iacute;nas. Mas a terra haitiana fora devastada pela monocultura do a&ccedil;&uacute;car e arrasada pelas calamidades da guerra contra a Fran&ccedil;a, e um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o havia ca&iacute;do no combate. Ent&atilde;o come&ccedil;ou o bloqueio. Ningu&eacute;m comprava do Haiti, ningu&eacute;m vendia, ningu&eacute;m reconhecia a nova na&ccedil;&atilde;o&#8230;&rdquo;<\/p>\n<p>\tFruto de seu isolamento e do pouco desenvolvimento de suas for&ccedil;as produtivas &ldquo;&#8230;o Haiti acabou caindo nas m&atilde;os de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os fam&eacute;licos recursos do pa&iacute;s ao pagamento da d&iacute;vida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obriga&ccedil;&atilde;o de pagar &agrave; Fran&ccedil;a uma indeniza&ccedil;&atilde;o gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.&rdquo;(Eduardo Galeano &ndash; Os pecados do Haiti, em www.resistir.info.net).<\/p>\n<p>\tDe l&aacute; para c&aacute;, o povo haitiano novamente esteve submetido ao saque e &agrave; domina&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses imperialistas. Em 1915 foram os EUA que invadiram o pa&iacute;s, governando-o at&eacute; 1934, e s&oacute; saindo ap&oacute;s conseguir cobrar as d&iacute;vidas do Haiti com o Citibank e modificar o artigo constitucional que proibia a venda de terras a estrangeiros. Desde ent&atilde;o, a Casa Branca exerce uma esp&eacute;cie de protetorado no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\tPortanto, essas pot&ecirc;ncias mantiveram o Haiti como seu fornecedor barato de mat&eacute;rias-primas como&nbsp;&nbsp; a&ccedil;&uacute;car, banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tub&eacute;rculos e outros mais. Hoje, aliado ao peso majorit&aacute;rio da agricultura, surgiu um setor de produ&ccedil;&atilde;o voltado para a exporta&ccedil;&atilde;o e que superexplora os trabalhadores.<\/p>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<p>\tONU, EUA e Brasil no Haiti: Armas e Repress&atilde;o&nbsp; para manter o povo haitiano na mis&eacute;ria<\/p>\n<p>\tRecentemente, em 2004, o Brasil passou a comandar a Minustah (miss&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o da ONU). Desde ent&atilde;o, sempre que h&aacute; revoltas ou manifesta&ccedil;&otilde;es contra a mis&eacute;ria e os baixos sal&aacute;rios, entram em a&ccedil;&atilde;o as &ldquo;Tropas de Paz&rdquo; para reprimir duramente. O argumento da reconstru&ccedil;&atilde;o da institucionalidade do pa&iacute;s n&atilde;o se sustenta. Os problemas sociais n&atilde;o foram resolvidos e, ao contr&aacute;rio, agravaram-se. Em janeiro de 2006, o general Urano Teixeira Bacellar, que estava no comando da Minustah h&aacute; poucos meses &ndash; desde setembro de 2005 -, se suicidou ap&oacute;s ter alertado que os problemas no Haiti n&atilde;o demandavam tropas e sim justi&ccedil;a social.<\/p>\n<p>\tAtualmente, a lideran&ccedil;a do Brasil na Minustah tamb&eacute;m serve de treinamento para os militares brasileiros conterem rebeli&otilde;es nas favelas brasileiras, que tendem a se agravar &agrave; medida em que o capital exclui de cada vez mais pessoas dos direitos m&iacute;nimos a uma vida digna.<\/p>\n<p>\tUma simples compara&ccedil;&atilde;o de valores exp&otilde;e o descaso da ONU e dos pa&iacute;ses dominantes diante da situa&ccedil;&atilde;o do Haiti: desde a irrup&ccedil;&atilde;o da crise econ&ocirc;mica, os governos destinaram para as grandes empresas e o sistema financeiro mais de US$ 15 trilh&otilde;es (http:\/\/oglobo.globo.com\/economia\/mat\/2009\/02\/11), enquanto que para socorrer as v&iacute;timas do Haiti, a ONU pediu aos pa&iacute;ses membros US$ 562 milh&otilde;es, um valor absolutamente irris&oacute;rio diante da magnitude da cat&aacute;strofe. Mesmo assim, at&eacute; agora s&oacute; foram enviados US$ 207 milh&otilde;es, 36,1% do prometido. Neste valor ainda est&atilde;o inclu&iacute;dos os gastos militares, como deslocamento, manuten&ccedil;&atilde;o das tropas etc.<\/p>\n<p>\tJ&aacute; o governo Lula dedicou aos empres&aacute;rios o equivalente a R$ 475 bilh&otilde;es desde quando eclodiu a crise no Brasil (http:\/\/economia.uol.com.br\/ultnot\/bbc\/2009\/04\/03\/ult2283u1708.jhtm). Mas para a ajuda&nbsp; humanit&aacute;ria ao Haiti &ndash; excluindo-se a manuten&ccedil;&atilde;o das tropas -, at&eacute; agora foram enviados apenas R$ 15 milh&otilde;es.&nbsp; Por outro lado, a manuten&ccedil;&atilde;o das tropas no Haiti j&aacute; tem um custo de mais de R$ 703 milh&otilde;es desde 2004, segundo dados do Minist&eacute;rio da Defesa (www.agenciabrasil.gov.br). Isto &eacute; mais de 120 vezes a ajuda humanit&aacute;ria at&eacute; agora destinada ao Haiti pelo governo brasileiro. E agora, como se n&atilde;o bastasse, Lula prop&ocirc;s e o Congresso aprovou o envio de at&eacute; mais 1.300 militares, duplicando o efetivo atual no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\t&nbsp;<br \/>\n\tEstados Unidos, mais uma vez, mostra a sua cara<\/p>\n<p>\tOs EUA se aproveitam para, de fato, ocupar o pa&iacute;s com cerca de 20 mil soldados &ndash; o dobro do efetivo total da ONU &ndash;, assumindo o comando do espa&ccedil;o a&eacute;reo, portos e estradas do pa&iacute;s caribenho.( ww1.folha.uol.com.br\/folha\/mundo\/ult94u683605.shtml) .Assim, ao todo s&atilde;o 30 mil militares em um pa&iacute;s de apenas 9 milh&otilde;es de habitantes!<\/p>\n<p>\tAo contr&aacute;rio do que &eacute; dito pela ONU, EUA, Lula, e a grande m&iacute;dia, as tropas n&atilde;o t&ecirc;m fun&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria, nem de reconstru&ccedil;&atilde;o, mas sim de manter os trabalhadores haitianos numa situa&ccedil;&atilde;o de submiss&atilde;o, recebendo sal&aacute;rios miser&aacute;veis e assumindo jornadas subumanas de trabalho para as empresas prestadoras de servi&ccedil;os de grandes transnacionais.<\/p>\n<p>\tOs principais argumentos dos que defendem a manuten&ccedil;&atilde;o e o envio de mais soldados para o Haiti s&atilde;o os mesmos dos que sempre defenderam a ocupa&ccedil;&atilde;o e submiss&atilde;o do pa&iacute;s: argumentam que a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora n&atilde;o &eacute; capaz de se organizar e de coordenar a ajuda internacional e reconstruir sua economia. Mas a hist&oacute;ria deste povo mostra o contr&aacute;rio, como vimos acima. Al&eacute;m disso, a realidade tamb&eacute;m mostra que a popula&ccedil;&atilde;o haitiana possui uma rede de organiza&ccedil;&otilde;es de base como sindicatos, organiza&ccedil;&otilde;es populares, estudantis e de bairros. S&atilde;o essas organiza&ccedil;&otilde;es que de fato est&atilde;o fazendo de tudo para manter um m&iacute;nimo de servi&ccedil;os essenciais como alimenta&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>\tO verdadeiro receio dos EUA e da ONU &eacute; justamente de que essa popula&ccedil;&atilde;o &ndash; cuja imensa maioria &eacute; de trabalhadores e pobres &ndash; venha a assumir o controle do seu destino, em outras palavras, que seja deflagrada uma rebeli&atilde;o social ou um processo revolucion&aacute;rio, com impacto em toda a Am&eacute;rica. &nbsp;<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m de tentarem prevenir um poss&iacute;vel processo insurrecional no Haiti, os EUA aproveitam para buscar refor&ccedil;ar seu controle militar na regi&atilde;o e impor limites ao papel que o Brasil vem tentando ocupar no terreno internacional.. As bases militares na Col&ocirc;mbia e a reativa&ccedil;&atilde;o da Quarta Frota, encarregada de patrulhar o Atl&acirc;ntico Sul, tamb&eacute;m fazem parte dessa estrat&eacute;gia. &nbsp;<\/p>\n<p>\tAs metralhadoras e baionetas no peito dos soldados mostram o verdadeiro objetivo das for&ccedil;as militares do Brasil, dos Estados Unidos e da ONU.<\/p>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<p>\t&Eacute; preciso solidariedade real e n&atilde;o ocupa&ccedil;&atilde;o militar!<\/p>\n<p>\tDefendemos uma campanha internacional de solidariedade aos trabalhadores do Haiti.. Mas a solidariedade que defendemos &eacute; a solidariedade a servi&ccedil;o da luta e n&atilde;o se confunde com o assistencialismo propagado pelos governos e a m&iacute;dia burguesa.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>\tA ONU, Lula, e os EUA t&ecirc;m a inten&ccedil;&atilde;o de usar a &ldquo;ajuda humanit&aacute;ria&rdquo; para com isso levar as pessoas &agrave; passividade e a aceitarem a ocupa&ccedil;&atilde;o no Haiti. J&aacute; a nossa solidariedade deve ter um conte&uacute;do diametralmente oposto. Deve estar a servi&ccedil;o da luta pela retirada das tropas e para que os governos respons&aacute;veis pela trag&eacute;dia social do Haiti venham a ressarcir a d&iacute;vida que t&ecirc;m com aquele pa&iacute;s.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>\tEm primeiro lugar, temos que denunciar e exigir a imediata retirada de todas as Tropas de Ocupa&ccedil;&atilde;o e que o dinheiro desperdi&ccedil;ado para manter essas tropas seja direcionado para a ajuda humanit&aacute;ria e a reconstru&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s!<\/p>\n<p>\t&nbsp;Tamb&eacute;m &eacute; preciso exigir ajuda internacional compat&iacute;vel ao tamanho da cat&aacute;strofe e n&atilde;o apenas as migalhas doadas at&eacute; agora e sem nenhuma garantia de que chegar&atilde;o, pois os governos burgueses fazem demagogia at&eacute; com a vida das pessoas. A cobran&ccedil;a deve ser maior para as pot&ecirc;ncias que sempre exploraram a economia haitiana, como EUA, Fran&ccedil;a e Inglaterra.<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, &eacute; preciso que toda a ajuda recolhida seja entregue &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es de luta dos trabalhadores e estudantes do Haiti, e n&atilde;o nas m&atilde;os da ONU, dos EUA ou das tropas brasileiras, que usam o mote da ajuda humanit&aacute;ria para disfar&ccedil;ar e legitimar a ocupa&ccedil;&atilde;o. S&oacute; as organiza&ccedil;&otilde;es de luta dos trabalhadores podem garantir que os recursos arrecadados sejam usados para reconstruir a luta contra a ocupa&ccedil;&atilde;o, a explora&ccedil;&atilde;o e a domina&ccedil;&atilde;o do seu pa&iacute;s, na perspectiva socialista, de um governo dos trabalhadores no Haiti.<\/p>\n<p>\t&nbsp;<\/p>\n<p>\tEspa&ccedil;o Socialista &#8211; S&atilde;o Paulo, jan\/2010<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6046,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200\/revisions\/6046"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}