{"id":201,"date":"2010-04-25T21:50:22","date_gmt":"2010-04-26T00:50:22","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/201"},"modified":"2013-01-19T18:18:57","modified_gmt":"2013-01-19T20:18:57","slug":"quem-e-culpado-pelas-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/quem-e-culpado-pelas-enchentes\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 culpado pelas enchentes?"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tDESCASO DOS GOVERNOS E GAN&Acirc;NCIA DOS CAPITALISTAS<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tJ&aacute; virou rotina n&atilde;o sabermos como vai terminar nosso dia. Se vamos ter como voltar pra casa ou se as ruas ser&atilde;o alagadas tornando-se rios e lagos invenc&iacute;veis para carros, &ocirc;nibus e trens. Quantas vezes ficamos ref&eacute;ns nas esta&ccedil;&otilde;es esperando a libera&ccedil;&atilde;o dos trilhos?<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tE quem mora na periferia? Tem que conviver com a constante amea&ccedil;a de ver tudo o que conquistou ser arrastado pelo barranco e ainda por cima ter que ouvir pela televis&atilde;o que ele n&atilde;o deveria estar ali.. Ora, quem pode escolher n&atilde;o vai querer morar em cima ou embaixo de um barranco amea&ccedil;ado de deslizamento.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&Eacute; claro que n&atilde;o podemos esperar que os governos controlem as chuvas, mas devemos exigir que sejam tomadas medidas para combater e minimizar as conseq&uuml;&ecirc;ncias de per&iacute;odos chuvosos e que o povo pobre n&atilde;o seja obrigado a pagar com a vida pela falta de planejamento urbano e pelo lucro dos especuladores imobili&aacute;rios.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tSabemos que a impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo &eacute; a principal causa de enchentes, pois a &aacute;gua n&atilde;o pode ser absorvida pelo concreto e pelo tipo de asfalto usado. Isso aconteceu principalmente em antigas &aacute;reas de v&aacute;rzea de importantes rios (Tiet&ecirc;, Pinheiros, Tamanduate&iacute;, que hoje n&atilde;o passam de esgoto a c&eacute;u aberto), tomadas por empreendimentos imobili&aacute;rios como Shoppings e condom&iacute;nio fechados.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tPara aumentar esses problemas existem os interesses e a influ&ecirc;ncia das grandes multinacionais, ind&uacute;strias automobil&iacute;sticas,que se instalaram no Brasil no s&eacute;culo passado e impuseram a desorganiza&ccedil;&atilde;o dos transportes baseada nas rodovias e no carro para garantir seus lucros. Tal modelo exige cada vez mais a constru&ccedil;&atilde;o de avenidas asfaltadas, pontes e viadutos, a demoli&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios e a desapropria&ccedil;&atilde;o de casas para dar lugar &agrave; fluidez do tr&acirc;nsito entupido de autom&oacute;veis. &Eacute; esse modelo irracional, voltado apenas para gerar lucro para as ind&uacute;strias multinacionais, empreiteiras e grandes imobili&aacute;rias que impuseram o prolongamento da Av. Faria Lima, no Bairro Pinheiros,e a constru&ccedil;&atilde;o da famosa Ponte Estaiada, onde &eacute; proibida a passagem de &ocirc;nibus. N&atilde;o &eacute; de se admirar que apesar de tantas obras car&iacute;ssimas o tr&acirc;nsito continua ca&oacute;tico j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; um verdadeiro compromisso com o transporte p&uacute;blico, tamb&eacute;m entregue &agrave; explora&ccedil;&atilde;o privada, encarecido e de baixa qualidade.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tA l&oacute;gica do lucro no planejamento da ocupa&ccedil;&atilde;o do solo permite que a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria encare&ccedil;a os im&oacute;veis pr&oacute;ximos ao centro e obrigue os trabalhadores a se fixarem longe de seus locais de trabalho. Essa manobra pode ser constatada se observarmos a hist&oacute;ria dos loteamentos para trabalhadores que ao serem iniciados longe do centro garantiam o encarecimento dos im&oacute;veis centrais.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&Eacute;, portanto, essa l&oacute;gica de gera&ccedil;&atilde;o de lucro ao inv&eacute;s da satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas a respons&aacute;vel pelas enchentes e deslizamentos que tantas v&iacute;timas e preju&iacute;zos causam aos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tAos trabalhadores s&oacute; restam os locais mais baratos, ou seja, aqueles que n&atilde;o s&atilde;o os principais alvos da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria: como as encostas, &aacute;reas de mananciais, morros e margem dos rios da periferia.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tO fato &eacute; que se a l&oacute;gica do lucro na ocupa&ccedil;&atilde;o do solo n&atilde;o for quebrada, os trabalhadores continuar&atilde;o a perder tudo: suas casas e at&eacute; a vida de seus familiares. Se os casos mais famosos como as enchentes do Jardim Romano e do Jardim Pantanal, na periferia da Zona Leste j&aacute; duram mais de 3 meses, imaginem as milhares de trag&eacute;dias an&ocirc;nimas vividas por tantos trabalhadores que ao chegar a suas casas se deparam com uma inunda&ccedil;&atilde;o ou deslizamento.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tO Haiti (tamb&eacute;m) &eacute; aqui<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tN&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil percebermos que trabalhador sofre em qualquer lugar. O Haiti &eacute; mais uma demonstra&ccedil;&atilde;o, pois a falta de infra-estrutura de emerg&ecirc;ncia, de estradas, de rede de sa&uacute;de e distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos elevaram o n&uacute;mero de mortos do terremoto a 230 mil. As &quot;For&ccedil;as de Paz&quot; da ONU garantiram a seguran&ccedil;a dos ricos de l&aacute; enviando soldados armados com fuzis, cacetetes e granadas ao inv&eacute;s de m&eacute;dicos, enfermeiros, rem&eacute;dios e alimentos para viabilizar o m&iacute;nimo de cuidado ao povo pobre.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tTanto l&aacute; como aqui percebemos que as maiores v&iacute;timas dos desastres naturais sempre s&atilde;o os trabalhadores e quem realmente se preocupa e se solidariza com as v&iacute;timas s&atilde;o tamb&eacute;m os trabalhadores. A cidade de S&atilde;o Luis do Paraitinga, no interior de S&atilde;o Paulo, por exemplo, foi devastada pela chuva e est&aacute; se reerguendo gra&ccedil;as ao apoio dos trabalhadores de outras regi&otilde;es.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tPara as empresas: ajuda do Estado. Para as v&iacute;timas das enchentes e deslizamentos: a culpa pelas desgra&ccedil;as<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tEnquanto as grandes empresas e multinacionais sempre contaram com a ajuda do Estado atrav&eacute;s de anistia de impostos e financiamento a juros baixo que garantem sua lucratividade, os trabalhadores v&iacute;timas de enchentes e deslizamentos s&atilde;o responsabilizados pelos desastres, acusados de entupir os bueiros e de ocupar &aacute;reas de riscos como se fossem por lazer, acabam na pr&aacute;tica a arcar sozinhos com o custo das desgra&ccedil;as e quando tentam mostrar sua indigna&ccedil;&atilde;o s&atilde;o duramente reprimidos pela pol&iacute;cia, como foi o caso do protesto em frente &agrave; Prefeitura de S&atilde;o Paulo que acabou em pancadaria e repress&atilde;o contra as v&iacute;timas de enchente. Como se n&atilde;o bastasse toda a dificuldade porque passam os trabalhadores, a m&iacute;dia insiste em tentar nos dividir entre quem mora na favela e quem n&atilde;o mora, quem &eacute; culpado e quem n&atilde;o &eacute;, jogando-nos uns contra os outros para fugir do debate real da causa das enchentes, muito mais profundo que isso.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tCada Prefeito e Governador joga a culpa nos outros e nunca faz nada frente a um problema que se repete a cada ano, n&atilde;o est&atilde;o dispostos a enfrentar o problema pela raiz. S&oacute; quebrando a atual l&oacute;gica do lucro na ocupa&ccedil;&atilde;o urbana e no modelo de transporte poderemos ter a&ccedil;&otilde;es eficazes para combater as enchentes e deslizamentos e minimizar seus efeitos. Caso contr&aacute;rio, continuaremos com as ruas entupidas de carros, pagando impostos para que se construa mais avenidas, pontes e viadutos, impermeabilizando a cidade com concreto e asfalto e sendo empurrados para ocupar &aacute;reas de riscos ou ainda tendo &aacute;reas que antigamente eram seguras e livres de enchentes agora tomadas pelas &aacute;guas.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tH&aacute; milhares de im&oacute;veis vazios nas grandes cidades enquanto trabalhadores vivem em &aacute;reas de risco e distantes do trabalho. &Eacute; necess&aacute;ria uma reforma urbana para racionalizar o uso do solo e a ocupa&ccedil;&atilde;o urbana, portanto &eacute; preciso:<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Expropriar os im&oacute;veis ociosos e coloc&aacute;-los &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Um grande plano de obras que viabilize a constru&ccedil;&atilde;o de moradias populares;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Fim de financiamento p&uacute;blico para condom&iacute;nios de luxo e a utiliza&ccedil;&atilde;o dessa verba em moradias populares;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Indeniza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica a todas as v&iacute;timas de enchentes e deslizamentos;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Casa para quem perdeu a casa nas enchentes e deslizamentos<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Isen&ccedil;&atilde;o de todos os tributos para as v&iacute;timas de alagamentos e desmoronamentos;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Por um plano de obras p&uacute;blicas que priorize o saneamento e a despolui&ccedil;&atilde;o de rios e lagos;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Investimento em transporte p&uacute;blico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tnContra a repress&atilde;o e a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos das v&iacute;timas de enchentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tDESCASO DOS GOVERNOS E GAN&Acirc;NCIA DOS CAPITALISTAS<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tJ&aacute; virou rotina n&atilde;o sabermos como vai terminar nosso dia. Se vamos ter como voltar pra casa ou se as ruas ser&atilde;o alagadas tornando-se rios e lagos invenc&iacute;veis para carros, &ocirc;nibus e trens. Quantas vezes ficamos ref&eacute;ns nas esta&ccedil;&otilde;es esperando a libera&ccedil;&atilde;o dos trilhos?<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tE quem mora na periferia? Tem que conviver com a constante amea&ccedil;a de ver tudo o que conquistou ser arrastado pelo barranco e ainda por cima ter que ouvir pela televis&atilde;o que ele n&atilde;o deveria estar ali.. Ora, quem pode escolher n&atilde;o vai querer morar em cima ou embaixo de um barranco amea&ccedil;ado de deslizamento.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&Eacute; claro que n&atilde;o podemos esperar que os governos controlem as chuvas, mas devemos exigir que sejam tomadas medidas para combater e minimizar as conseq&uuml;&ecirc;ncias de per&iacute;odos chuvosos e que o povo pobre n&atilde;o seja obrigado a pagar com a vida pela falta de planejamento urbano e pelo lucro dos especuladores imobili&aacute;rios.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tSabemos que a impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo &eacute; a principal causa de enchentes, pois a &aacute;gua n&atilde;o pode ser absorvida pelo concreto e pelo tipo de asfalto usado. Isso aconteceu principalmente em antigas &aacute;reas de v&aacute;rzea de importantes rios (Tiet&ecirc;, Pinheiros, Tamanduate&iacute;, que hoje n&atilde;o passam de esgoto a c&eacute;u aberto), tomadas por empreendimentos imobili&aacute;rios como Shoppings e condom&iacute;nio fechados.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tPara aumentar esses problemas existem os interesses e a influ&ecirc;ncia das grandes multinacionais, ind&uacute;strias automobil&iacute;sticas,que se instalaram no Brasil no s&eacute;culo passado e impuseram a desorganiza&ccedil;&atilde;o dos transportes baseada nas rodovias e no carro para garantir seus lucros. Tal modelo exige cada vez mais a constru&ccedil;&atilde;o de avenidas asfaltadas, pontes e viadutos, a demoli&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios e a desapropria&ccedil;&atilde;o de casas para dar lugar &agrave; fluidez do tr&acirc;nsito entupido de autom&oacute;veis. &Eacute; esse modelo irracional, voltado apenas para gerar lucro para as ind&uacute;strias multinacionais, empreiteiras e grandes imobili&aacute;rias que impuseram o prolongamento da Av. Faria Lima, no Bairro Pinheiros,e a constru&ccedil;&atilde;o da famosa Ponte Estaiada, onde &eacute; proibida a passagem de &ocirc;nibus. N&atilde;o &eacute; de se admirar que apesar de tantas obras car&iacute;ssimas o tr&acirc;nsito continua ca&oacute;tico j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; um verdadeiro compromisso com o transporte p&uacute;blico, tamb&eacute;m entregue &agrave; explora&ccedil;&atilde;o privada, encarecido e de baixa qualidade.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tA l&oacute;gica do lucro no planejamento da ocupa&ccedil;&atilde;o do solo permite que a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria encare&ccedil;a os im&oacute;veis pr&oacute;ximos ao centro e obrigue os trabalhadores a se fixarem longe de seus locais de trabalho. Essa manobra pode ser constatada se observarmos a hist&oacute;ria dos loteamentos para trabalhadores que ao serem iniciados longe do centro garantiam o encarecimento dos im&oacute;veis centrais.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&Eacute;, portanto, essa l&oacute;gica de gera&ccedil;&atilde;o de lucro ao inv&eacute;s da satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas a respons&aacute;vel pelas enchentes e deslizamentos que tantas v&iacute;timas e preju&iacute;zos causam aos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tAos trabalhadores s&oacute; restam os locais mais baratos, ou seja, aqueles que n&atilde;o s&atilde;o os principais alvos da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria: como as encostas, &aacute;reas de mananciais, morros e margem dos rios da periferia.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tO fato &eacute; que se a l&oacute;gica do lucro na ocupa&ccedil;&atilde;o do solo n&atilde;o for quebrada, os trabalhadores continuar&atilde;o a perder tudo: suas casas e at&eacute; a vida de seus familiares. Se os casos mais famosos como as enchentes do Jardim Romano e do Jardim Pantanal, na periferia da Zona Leste j&aacute; duram mais de 3 meses, imaginem as milhares de trag&eacute;dias an&ocirc;nimas vividas por tantos trabalhadores que ao chegar a suas casas se deparam com uma inunda&ccedil;&atilde;o ou deslizamento.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tO Haiti (tamb&eacute;m) &eacute; aqui<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tN&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil percebermos que trabalhador sofre em qualquer lugar. O Haiti &eacute; mais uma demonstra&ccedil;&atilde;o, pois a falta de infra-estrutura de emerg&ecirc;ncia, de estradas, de rede de sa&uacute;de e distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos elevaram o n&uacute;mero de mortos do terremoto a 230 mil. As &quot;For&ccedil;as de Paz&quot; da ONU garantiram a seguran&ccedil;a dos ricos de l&aacute; enviando soldados armados com fuzis, cacetetes e granadas ao inv&eacute;s de m&eacute;dicos, enfermeiros, rem&eacute;dios e alimentos para viabilizar o m&iacute;nimo de cuidado ao povo pobre.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tTanto l&aacute; como aqui percebemos que as maiores v&iacute;timas dos desastres naturais sempre s&atilde;o os trabalhadores e quem realmente se preocupa e se solidariza com as v&iacute;timas s&atilde;o tamb&eacute;m os trabalhadores. A cidade de S&atilde;o Luis do Paraitinga, no interior de S&atilde;o Paulo, por exemplo, foi devastada pela chuva e est&aacute; se reerguendo gra&ccedil;as ao apoio dos trabalhadores de outras regi&otilde;es.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tPara as empresas: ajuda do Estado. Para as v&iacute;timas das enchentes e deslizamentos: a culpa pelas desgra&ccedil;as<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tEnquanto as grandes empresas e multinacionais sempre contaram com a ajuda do Estado atrav&eacute;s de anistia de impostos e financiamento a juros baixo que garantem sua lucratividade, os trabalhadores v&iacute;timas de enchentes e deslizamentos s&atilde;o responsabilizados pelos desastres, acusados de entupir os bueiros e de ocupar &aacute;reas de riscos como se fossem por lazer, acabam na pr&aacute;tica a arcar sozinhos com o custo das desgra&ccedil;as e quando tentam mostrar sua indigna&ccedil;&atilde;o s&atilde;o duramente reprimidos pela pol&iacute;cia, como foi o caso do protesto em frente &agrave; Prefeitura de S&atilde;o Paulo que acabou em pancadaria e repress&atilde;o contra as v&iacute;timas de enchente. Como se n&atilde;o bastasse toda a dificuldade porque passam os trabalhadores, a m&iacute;dia insiste em tentar nos dividir entre quem mora na favela e quem n&atilde;o mora, quem &eacute; culpado e quem n&atilde;o &eacute;, jogando-nos uns contra os outros para fugir do debate real da causa das enchentes, muito mais profundo que isso.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tCada Prefeito e Governador joga a culpa nos outros e nunca faz nada frente a um problema que se repete a cada ano, n&atilde;o est&atilde;o dispostos a enfrentar o problema pela raiz. S&oacute; quebrando a atual l&oacute;gica do lucro na ocupa&ccedil;&atilde;o urbana e no modelo de transporte poderemos ter a&ccedil;&otilde;es eficazes para combater as enchentes e deslizamentos e minimizar seus efeitos. Caso contr&aacute;rio, continuaremos com as ruas entupidas de carros, pagando impostos para que se construa mais avenidas, pontes e viadutos, impermeabilizando a cidade com concreto e asfalto e sendo empurrados para ocupar &aacute;reas de riscos ou ainda tendo &aacute;reas que antigamente eram seguras e livres de enchentes agora tomadas pelas &aacute;guas.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tH&aacute; milhares de im&oacute;veis vazios nas grandes cidades enquanto trabalhadores vivem em &aacute;reas de risco e distantes do trabalho. &Eacute; necess&aacute;ria uma reforma urbana para racionalizar o uso do solo e a ocupa&ccedil;&atilde;o urbana, portanto &eacute; preciso:<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Expropriar os im&oacute;veis ociosos e coloc&aacute;-los &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Um grande plano de obras que viabilize a constru&ccedil;&atilde;o de moradias populares;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Fim de financiamento p&uacute;blico para condom&iacute;nios de luxo e a utiliza&ccedil;&atilde;o dessa verba em moradias populares;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Indeniza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica a todas as v&iacute;timas de enchentes e deslizamentos;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Casa para quem perdeu a casa nas enchentes e deslizamentos<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Isen&ccedil;&atilde;o de todos os tributos para as v&iacute;timas de alagamentos e desmoronamentos;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Por um plano de obras p&uacute;blicas que priorize o saneamento e a despolui&ccedil;&atilde;o de rios e lagos;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tn Investimento em transporte p&uacute;blico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\t&nbsp;<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"margin-bottom: 0cm;\">\n\tnContra a repress&atilde;o e a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos movimentos das v&iacute;timas de enchentes.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=201"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":707,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/201\/revisions\/707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}