{"id":207,"date":"2010-04-25T21:50:20","date_gmt":"2010-04-26T00:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/207"},"modified":"2018-05-05T18:13:11","modified_gmt":"2018-05-05T21:13:11","slug":"2010-contra-as-saidas-burguesas-apresentar-uma-saida-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/2010-contra-as-saidas-burguesas-apresentar-uma-saida-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"2010 &#8211; Contra as sa\u00eddas burguesas, apresentar uma sa\u00edda dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<div>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>2010 &ndash; CONTRA AS SA&Iacute;DAS BURGUESAS, APRESENTAR UMA SA&Iacute;DA DOS TRABALHADORES!<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tPrimeiramente, &eacute; preciso desmistificar a id&eacute;ia de que a crise j&aacute; tenha sido superada: embora haja uma recupera&ccedil;&atilde;o nos setores de constru&ccedil;&atilde;o civil, exporta&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas e de servi&ccedil;os, a produ&ccedil;&atilde;o industrial brasileira &ndash; dado fundamental em qualquer an&aacute;lise econ&ocirc;mica &ndash; teve queda de 7,4% em 2009, comparado a 2008. Foi a maior queda anual desde 1990. (<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm<\/a>).<\/p>\n<p>\n\t\tO f&ocirc;lego da retomada atual depender&aacute; muito da economia mundial, particularmente dos pa&iacute;ses centrais, cujas economias praticamente continuam estagnadas, bem abaixo dos n&iacute;veis pr&eacute;-crise. As dificuldades crescentes dos pa&iacute;ses mais pobres da Europa em manter os pagamentos dos juros de suas d&iacute;vidas demonstram que a situa&ccedil;&atilde;o mundial ainda n&atilde;o est&aacute; definida no sentido de uma recupera&ccedil;&atilde;o, o que tamb&eacute;m desautoriza a festa que a burguesia brasileira e o governo e v&ecirc;m fazendo.<\/p>\n<p>\n\t\tTrata-se de uma retomada em grande medida artificial, pois as causas estruturais da crise n&atilde;o foram resolvidas. N&atilde;o h&aacute; aumento real de poder de compra dos trabalhadores ou da classe m&eacute;dia que possa sinalizar um novo ciclo de crescimento sobre bases s&oacute;lidas.<\/p>\n<p>\n\t\tToda a ajuda financeira dos governos ocorreu no sentido de fornecer incentivos fiscais, cr&eacute;dito barato e seguro &agrave;s empresas e &agrave;s fam&iacute;lias para, com isso, incentivar o consumo e tentar recompor a taxa de lucro das empresas no curto prazo. Por&eacute;m, isso gera novas contradi&ccedil;&otilde;es para um futuro n&atilde;o muito distante. Um exemplo &eacute; o aumento da D&iacute;vida P&uacute;blica da Uni&atilde;o, que fechar&aacute; 2010 entre 1,60 trilh&atilde;o e 1,73 trilh&atilde;o de reais. (<u><a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126\">http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126<\/a>).<\/u><\/p>\n<p>\n\t\tDe forma geral, houve uma explos&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito &ndash; leia-se de endividamento &ndash; que cresceram 14,9% no Brasil, s&oacute; em 2009, atingindo a soma de R$ 1,410 trilh&atilde;o. Esse valor representa 45% do PIB, contra 39,7% em 2008.&nbsp; (<a href=\"http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009\">http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009<\/a>). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas ao mesmo tempo, a burguesia vem implementado uma nova reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, atrav&eacute;s do aumento da sobrecarga de trabalho sobre os trabalhadores que permaneceram, da redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e direitos, da precariza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos de contrata&ccedil;&atilde;o, etc. Outra sa&iacute;da adotada &eacute; a fus&atilde;o de empresas, cujos exemplos mais atuais s&atilde;o a compra das <em>Casas Bahia<\/em> pela Rede <em>P&atilde;o de A&ccedil;&uacute;car<\/em>, e a compra da <em>Nossa Caixa<\/em> pelo <em>Banco do Brasil<\/em>. Quantas lojas e ag&ecirc;ncias poder&atilde;o ser fechadas?<\/p>\n<p>\n\t\tAssim, por mais que o estado intervenha para aquecer artificialmente a economia &ndash; e essa interven&ccedil;&atilde;o tem um limite &ndash;, as a&ccedil;&otilde;es estruturais de cada empresa individualmente t&ecirc;m o efeito de corroer o <em>mercado real<\/em> de consumo de massas. Ao longo do tempo, essa tend&ecirc;ncia estrutural de lento crescimento\/estagna&ccedil;&atilde;o dos mercados voltar&aacute; a se impor e teremos a irrup&ccedil;&atilde;o muito mais severa da crise, agravada ainda pela crise financeira devido ao enorme endividamento que vem sendo incentivado no Brasil.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Os mecanismos do estado para manter e aumentar a explora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tNo imediato, mesmo com a recupera&ccedil;&atilde;o atual, sentimos o endurecimento do empresariado e do estado capitalista para com os trabalhadores em todos os aspectos. Os empregos gerados no &uacute;ltimo per&iacute;odo registram sal&aacute;rios menores e v&iacute;nculos prec&aacute;rios.<\/p>\n<p>\n\t\tIsso n&atilde;o &eacute; produto da vontade individual deste ou daquele empres&aacute;rio, mas express&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o a que chegou o sistema capitalista. Devido &agrave; tend&ecirc;ncia de estagna&ccedil;&atilde;o\/lento crescimento da demanda real apontada acima, a competi&ccedil;&atilde;o entre as empresas acirra-se mais ainda, e tamb&eacute;m os ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tO Estado tenta se equilibrar entre duas tend&ecirc;ncias: de um lado, os gastos com a ajuda ao capital produtivo e, do outro, o pagamento dos juros da D&iacute;vida P&uacute;blica ao capital financeiro; esse equil&iacute;brio s&oacute; pode se manter &agrave; medida que o estado se desobrigue cada vez mais dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos destinados &agrave; imensa maioria da popula&ccedil;&atilde;o, aumente as taxas p&uacute;blicas, mantenha congelado o sal&aacute;rio do funcionalismo p&uacute;blico, fa&ccedil;a reformas como a da Previd&ecirc;ncia, ou seja, tamb&eacute;m ataque os trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tNo plano pol&iacute;tico, jur&iacute;dico, ideol&oacute;gico e militar, cumpre ao Estado &ldquo;organizar e manter o consenso&rdquo;, ou seja, a id&eacute;ia de que n&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da a n&atilde;o ser propiciar as melhores condi&ccedil;&otilde;es de lucratividade para as empresas como forma de impedir a quebra da economia e o desemprego. &Eacute; a ideologia do &ldquo;N&atilde;o h&aacute; Alternativa&rdquo;.<\/p>\n<p>\n\t\tA democracia burguesa tem se mostrado uma pol&iacute;tica bastante eficaz para ludibriar, cooptar e controlar os trabalhadores. Atrav&eacute;s dos ditos &ldquo;mecanismos participativos&rdquo;, e de institui&ccedil;&otilde;es comprometidas at&eacute; a alma com os interesses dos empres&aacute;rios: o capital busca a legitimidade para impor seus interesses, fazendo passar a id&eacute;ia de que os seus interesses s&atilde;o os interesses de todos ou da maioria. Na democracia burguesa n&atilde;o significa que n&atilde;o h&aacute; repress&atilde;o aos movimentos sociais, mas sim que essa repress&atilde;o &eacute; legalizada. H&aacute; inclusive a possibilidade de uma combina&ccedil;&atilde;o da democracia burguesa com a escalada militarista, como no caso de Honduras, em que os golpistas buscaram se legitimar a partir de institui&ccedil;&otilde;es como o Congresso e a Suprema Corte e, ao final, para se consolidar, recorreram &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es, em que seu candidato venceu.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro mecanismo bastante utilizado tem sido o assistencialismo, com o objetivo de acomodar e desmoralizar o setor mais pauperizado, dotado de maior explosividade, opondo-o aos demais setores da classe trabalhadora, para os quais a pol&iacute;tica &eacute; de endurecimento, como no caso dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, dos correios, banc&aacute;rios, etc. Atrav&eacute;s das in&uacute;meras formas de assistencialismo, tamb&eacute;m se coopta as dire&ccedil;&otilde;es e ativistas mais din&acirc;micos que poderiam se constituir num problema para o governo e o sistema. Esse foi o caso das in&uacute;meras &ldquo;Bolsas&rdquo;, PROUNI, etc.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; para os movimentos que alcan&ccedil;am maior conflitividade, a pol&iacute;tica &eacute; de repress&atilde;o direta, como por exemplo a luta dos camel&ocirc;s, dos movimentos dos atingidos pelas enchentes, das ocupa&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es do MST nas fazendas do agroneg&oacute;cio, entre outros. Nas favelas, a ordem &eacute; a mesma: controle e repress&atilde;o sobre qualquer movimento que venha a amea&ccedil;ar o funcionamento normal do consumo, do turismo, dos lucros.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>CUT, FOR&Ccedil;A e CTB: Defendendo o capital, contra os trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\t&nbsp;&Eacute; preciso frisar que todas essas a&ccedil;&otilde;es, tanto dos empres&aacute;rios como do estado, t&ecirc;m contado com a ajuda direta ou indireta das dire&ccedil;&otilde;es do movimento, particularmente da CUT e da For&ccedil;a Sindical. Sua postura tem sido a de defender as parcerias com os empres&aacute;rios, via acordos de flexibiliza&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e direitos, isen&ccedil;&otilde;es de impostos para as empresas e o incentivo ao endividamento geral como se fossem pol&iacute;ticas positivas. Assim, as empresas demitem e\/ou precarizam os contratos, mostrando que esse tipo de acordo s&oacute; interessa aos empres&aacute;rios. Essas dire&ccedil;&otilde;es abriram m&atilde;o de qualquer perspectiva de ruptura e supera&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica do capital e do lucro. Assumindo para si o horizonte do capitalismo como o &uacute;nico poss&iacute;vel, realmente h&aacute; muito pouco a se fazer e cai-se, mais cedo ou mais tarde, no discurso de que os trabalhadores e os capitalistas s&atilde;o parceiros e que, quando um ganha, todos ganham, o que &eacute; uma grande mentira.<\/p>\n<p>\n\t\t&Agrave; falta de uma perspectiva de luta e socialista da classe trabalhadora, a burguesia que opera no Brasil consegue descarregar parte do peso da crise econ&ocirc;mica sobre esta, impedindo momentaneamente uma grande recess&atilde;o ou mesmo uma depress&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Combate pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico &agrave; l&oacute;gica do capital<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tPortanto, o maior desafio que est&aacute; colocado para o pr&oacute;ximo per&iacute;odo &eacute; o de ser parte e intervir na base dos v&aacute;rios movimentos e f&oacute;runs de luta e de reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, no sentido da reconstru&ccedil;&atilde;o de uma sa&iacute;da de luta e socialista desde a vanguarda at&eacute; setores de massa, apresentando uma cr&iacute;tica profunda dos v&aacute;rios mecanismos de domina&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores aplicados pela burguesia e seu estado. N&atilde;o basta apenas ficar repetindo que o governo Lula &eacute; traidor, como fazem a maioria das organiza&ccedil;&otilde;es da esquerda. &Eacute; preciso demonstrar os fundamentos que o levam a agir assim, as contradi&ccedil;&otilde;es desses fundamentos e, a partir da&iacute;, apresentar uma sa&iacute;da cr&iacute;tica-pr&aacute;tica, e n&atilde;o apenas um amontoado de palavras de ordem, sem rela&ccedil;&atilde;o com a realidade dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tA interven&ccedil;&atilde;o da esquerda neste ano ter&aacute; alguns desafios importantes: em primeiro lugar, &eacute; preciso denunciar a euforia enganosa de que agora tudo vai ficar bem e que o Brasil &eacute; o pa&iacute;s do futuro. &Eacute; preciso lembrar que o espa&ccedil;o reservado para o Brasil dentro da divis&atilde;o mundial do trabalho &eacute; basicamente o de fornecedor de mat&eacute;rias-primas e de uma plataforma de exporta&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. Esse papel n&atilde;o &eacute; nem de perto suficiente para al&ccedil;ar o Brasil &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s de primeira grandeza no mundo. Al&eacute;m disso, mesmo que a economia brasileira venha a se desenvolver, isso n&atilde;o significa que haver&aacute; melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida para os trabalhadores. O padr&atilde;o capitalista de desenvolvimento que est&aacute; sendo implantado &eacute; extremamente explorador dos trabalhadores e destruidor do ambiente. A Copa em 2014 e as Olimp&iacute;adas em 2016 s&atilde;o muito mais despesas para o Estado do que investimentos do capital. Os empregos gerados ser&atilde;o tempor&aacute;rios e mal remunerados. Um bom exemplo foi a realiza&ccedil;&atilde;o do <em>Pan<\/em> no Rio de Janeiro, que de nada serviu para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e, ao contr&aacute;rio, os problemas sociais se agravaram, aumentando o poder de a&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico e a repress&atilde;o da pol&iacute;cia sobre os moradores das comunidades de periferia.<\/p>\n<p>\n\t\tCom rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s campanhas salariais, o maior desafio &eacute; impulsion&aacute;-las para al&eacute;m dos limites imediatistas e corporativistas, no sentido de que busquem uma ponte entre suas demandas e as dos demais trabalhadores, apontando sa&iacute;das mais gerais para aspectos estruturais da sociedade como a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, o emprego, a Previd&ecirc;ncia, o ambiente, os transportes, a viol&ecirc;ncia, o racismo, a opress&atilde;o da mulher, etc.<\/p>\n<p>\n\t\tEste ano, nos dias 5 e 6 de junho, haver&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o do CONCLAT &ndash; &ldquo;Congresso Nacional da Classe Trabalhadora&rdquo; &ndash; que poder&aacute; fundar uma nova Central de Luta, como alternativa de luta &agrave; CUT e demais centrais governistas. A tarefa central a&iacute; ser&aacute;, n&atilde;o apenas fundar uma nova central, mas acima de tudo uma nova concep&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o sindical que supere os limites atuais e esteja &agrave; altura dos desafios colocados pelo capitalismo de hoje. &Eacute; preciso superar o sindicalismo imediatista, caracter&iacute;stico da maioria das correntes de esquerda, sob pena de n&atilde;o se conseguir sequer defender as conquistas existentes. &Eacute; preciso debater com a classe trabalhadora a necessidade da ruptura com a l&oacute;gica do lucro e a constru&ccedil;&atilde;o de uma outra sociedade, em base a um compromisso com as necessidades reais da maioria da popula&ccedil;&atilde;o, definidas democraticamente. Outras lutas importantes s&atilde;o contra a burocratiza&ccedil;&atilde;o &ndash; o que exige permanente a&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o para que os trabalhadores venham a ocupar os espa&ccedil;os de decis&atilde;o nas entidades &ndash;, bem como a ado&ccedil;&atilde;o de medidas que dificultem o processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o, como rod&iacute;zio, fim dos privil&eacute;gios, controle sobre os mandatos, etc. Enfim, &eacute; preciso um novo sindicalismo, uma re-educa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria esquerda atual.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Construir um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores pela base!<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tOutro fato importante, e que j&aacute; est&aacute; influenciando a realidade brasileira, s&atilde;o as elei&ccedil;&otilde;es de 2010. Por tr&aacute;s de toda a disputa presidencial entre PT e PSDB, esconde-se a unidade de ambos os setores em torno do mesmo projeto para o pa&iacute;s: a manuten&ccedil;&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o subordinada do pa&iacute;s &agrave; l&oacute;gica do capitalismo globalizado. Ambos defendem a manuten&ccedil;&atilde;o dos compromissos com o capital financeiro, as isen&ccedil;&otilde;es de impostos para as empresas, o corte dos direitos sociais, a entrega dos recursos naturais ao capital privado, etc. A &uacute;nica disputa &eacute; se a burocracia pol&iacute;tica, de estado e sindical representada pelo PT continuar&aacute; abocanhando uma parte da renda do estado, ou se a burguesia propriamente dita ficar&aacute; com tudo, ao administrar o pa&iacute;s sem a intermedia&ccedil;&atilde;o da burocracia.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; a tarefa da esquerda, muito mais do que buscar qualquer viabilidade por dentro da l&oacute;gica eleitoral, &eacute; a de uma cr&iacute;tica profunda aos fundamentos do modelo de economia e de sociedade que est&aacute; sendo implementado no Brasil e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Mais do que qualquer coisa, &eacute; preciso disputar a consci&ecirc;ncia de amplos setores para um programa de ruptura com a l&oacute;gica capitalista e a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma alternativa socialista para o pa&iacute;s e a sociedade.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro pilar de sustenta&ccedil;&atilde;o dessa atua&ccedil;&atilde;o tem que ser a unidade da esquerda de luta, que essa unidade ocorra pela base e esteja enraizada nos movimentos sociais. Nesse ponto, n&atilde;o podemos deixar de dizer que as duas principais correntes, tanto o PSOL quanto o PSTU come&ccedil;aram mal.<\/p>\n<p>\n\t\tO PSOL insistiu at&eacute; o &uacute;ltimo momento em uma Frente com o PV de Marina Silva, um partido que diz defender a natureza, mas incoerentemente tem em seu programa a defesa da &ldquo;livre iniciativa&rdquo; e da &ldquo;economia de mercado&rdquo;. Quando, por fim, o PV demonstrou que em seu arco de alian&ccedil;as cabe at&eacute; o PSDB, como no Rio de janeiro, o PSOL n&atilde;o teve mais como sustentar essa tentativa e a partir da&iacute; passou a defender uma candidatura pr&oacute;pria em coliga&ccedil;&atilde;o com outros partidos da esquerda, candidatura essa que ser&aacute; definida em mar&ccedil;o, em sua confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; o PSTU, apesar de dizer que defende uma Frente Classista e Socialista dos Trabalhadores, assim que percebeu o movimento de aproxima&ccedil;&atilde;o do PSOL com o PV, preferiu j&aacute; lan&ccedil;ar seu pr&eacute;-candidato &ndash; Z&eacute; Maria. Ao nosso ver, isso caracteriza uma concep&ccedil;&atilde;o equivocada, em que o partido decide tudo e os ativistas e demais trabalhadores s&oacute; entram na hora de fazer campanha e\/ou votar&#8230;<\/p>\n<p>\n\t\tOra, do que se trata &eacute; justamente da constitui&ccedil;&atilde;o de algo muito mais amplo, um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores, que tenha sua express&atilde;o eleitoral, mas que essa express&atilde;o seja definida a partir de debates e f&oacute;runs os mais amplos poss&iacute;veis, por exemplo, plen&aacute;rias e debates abertos a todos que queiram construir essa alternativa unit&aacute;ria que seja a express&atilde;o pol&iacute;tica das necessidades imediatas e hist&oacute;ricas dos trabalhadores, nas lutas e nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\tSem essa &ldquo;alma&rdquo; que s&oacute; pode ser a empolga&ccedil;&atilde;o dos ativistas e trabalhadores como sujeitos de sua pr&oacute;pria representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, essa pr&eacute;-candidatura tamb&eacute;m n&atilde;o tem ainda entusiasmado a vanguarda, o que confirma que o lan&ccedil;amento ocorreu de forma precipitada e a partir de cima.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; preciso superar a l&oacute;gica divisionista na esquerda, bem como fazer com que as decis&otilde;es da base sejam superiores que as das c&uacute;pulas. &Eacute; preciso constituir urgentemente e a partir da base um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores, que apresente uma sa&iacute;da socialista pra a sociedade nas lutas e tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; preciso uma explica&ccedil;&atilde;o marxista para as recentes manifesta&ccedil;&otilde;es (violentas) da natureza. A id&eacute;ia que tem prevalecido &eacute; a da burguesia, mas essa sempre esconde a verdade. Estamos nos propondo a iniciar esse debate no movimento e para isso apresentamos alguns textos &agrave; reflex&atilde;o dos militantes e ativistas. Eles t&ecirc;m como centro a rela&ccedil;&atilde;o do capitalismo com a natureza. Partimos do aspecto antropol&oacute;gico e filos&oacute;fico da rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho alienado e natureza. Passamos nos textos a seguir pela explica&ccedil;&atilde;o das conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais dos desastres naturais, abordamos a incapacidade da burguesia resolver esses problemas (a confer&ecirc;ncia de Copenhague) e analisamos tamb&eacute;m o problema do tr&acirc;nsito nas grandes metr&oacute;poles, uma das manifesta&ccedil;&otilde;es mais irracionais do uso capitalista dos recursos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>2010 &ndash; CONTRA AS SA&Iacute;DAS BURGUESAS, APRESENTAR UMA SA&Iacute;DA DOS TRABALHADORES!<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br clear=\"all\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\n\t\tPrimeiramente, &eacute; preciso desmistificar a id&eacute;ia de que a crise j&aacute; tenha sido superada: embora haja uma recupera&ccedil;&atilde;o nos setores de constru&ccedil;&atilde;o civil, exporta&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;rias-primas e de servi&ccedil;os, a produ&ccedil;&atilde;o industrial brasileira &ndash; dado fundamental em qualquer an&aacute;lise econ&ocirc;mica &ndash; teve queda de 7,4% em 2009, comparado a 2008. Foi a maior queda anual desde 1990. (<a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm\">http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/producao-industrial-tem-queda-de-7-4-em-2009,not_3375.htm<\/a>).<\/p>\n<p>\n\t\tO f&ocirc;lego da retomada atual depender&aacute; muito da economia mundial, particularmente dos pa&iacute;ses centrais, cujas economias praticamente continuam estagnadas, bem abaixo dos n&iacute;veis pr&eacute;-crise. As dificuldades crescentes dos pa&iacute;ses mais pobres da Europa em manter os pagamentos dos juros de suas d&iacute;vidas demonstram que a situa&ccedil;&atilde;o mundial ainda n&atilde;o est&aacute; definida no sentido de uma recupera&ccedil;&atilde;o, o que tamb&eacute;m desautoriza a festa que a burguesia brasileira e o governo e v&ecirc;m fazendo.<\/p>\n<p>\n\t\tTrata-se de uma retomada em grande medida artificial, pois as causas estruturais da crise n&atilde;o foram resolvidas. N&atilde;o h&aacute; aumento real de poder de compra dos trabalhadores ou da classe m&eacute;dia que possa sinalizar um novo ciclo de crescimento sobre bases s&oacute;lidas.<\/p>\n<p>\n\t\tToda a ajuda financeira dos governos ocorreu no sentido de fornecer incentivos fiscais, cr&eacute;dito barato e seguro &agrave;s empresas e &agrave;s fam&iacute;lias para, com isso, incentivar o consumo e tentar recompor a taxa de lucro das empresas no curto prazo. Por&eacute;m, isso gera novas contradi&ccedil;&otilde;es para um futuro n&atilde;o muito distante. Um exemplo &eacute; o aumento da D&iacute;vida P&uacute;blica da Uni&atilde;o, que fechar&aacute; 2010 entre 1,60 trilh&atilde;o e 1,73 trilh&atilde;o de reais. (<u><a href=\"http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126\">http:\/\/br.reuters.com\/article\/businessNews\/idBRSPE60P02I20100126<\/a>).<\/u><\/p>\n<p>\n\t\tDe forma geral, houve uma explos&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito &ndash; leia-se de endividamento &ndash; que cresceram 14,9% no Brasil, s&oacute; em 2009, atingindo a soma de R$ 1,410 trilh&atilde;o. Esse valor representa 45% do PIB, contra 39,7% em 2008.&nbsp; (<a href=\"http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009\">http:\/\/www.diariosp.com.br\/Noticias\/Economia\/180\/Credito+cresce+14,9%25+no+Brasil+em+2009<\/a>). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas ao mesmo tempo, a burguesia vem implementado uma nova reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, atrav&eacute;s do aumento da sobrecarga de trabalho sobre os trabalhadores que permaneceram, da redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e direitos, da precariza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos de contrata&ccedil;&atilde;o, etc. Outra sa&iacute;da adotada &eacute; a fus&atilde;o de empresas, cujos exemplos mais atuais s&atilde;o a compra das <em>Casas Bahia<\/em> pela Rede <em>P&atilde;o de A&ccedil;&uacute;car<\/em>, e a compra da <em>Nossa Caixa<\/em> pelo <em>Banco do Brasil<\/em>. Quantas lojas e ag&ecirc;ncias poder&atilde;o ser fechadas?<\/p>\n<p>\n\t\tAssim, por mais que o estado intervenha para aquecer artificialmente a economia &ndash; e essa interven&ccedil;&atilde;o tem um limite &ndash;, as a&ccedil;&otilde;es estruturais de cada empresa individualmente t&ecirc;m o efeito de corroer o <em>mercado real<\/em> de consumo de massas. Ao longo do tempo, essa tend&ecirc;ncia estrutural de lento crescimento\/estagna&ccedil;&atilde;o dos mercados voltar&aacute; a se impor e teremos a irrup&ccedil;&atilde;o muito mais severa da crise, agravada ainda pela crise financeira devido ao enorme endividamento que vem sendo incentivado no Brasil.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Os mecanismos do estado para manter e aumentar a explora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tNo imediato, mesmo com a recupera&ccedil;&atilde;o atual, sentimos o endurecimento do empresariado e do estado capitalista para com os trabalhadores em todos os aspectos. Os empregos gerados no &uacute;ltimo per&iacute;odo registram sal&aacute;rios menores e v&iacute;nculos prec&aacute;rios.<\/p>\n<p>\n\t\tIsso n&atilde;o &eacute; produto da vontade individual deste ou daquele empres&aacute;rio, mas express&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o a que chegou o sistema capitalista. Devido &agrave; tend&ecirc;ncia de estagna&ccedil;&atilde;o\/lento crescimento da demanda real apontada acima, a competi&ccedil;&atilde;o entre as empresas acirra-se mais ainda, e tamb&eacute;m os ataques aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tO Estado tenta se equilibrar entre duas tend&ecirc;ncias: de um lado, os gastos com a ajuda ao capital produtivo e, do outro, o pagamento dos juros da D&iacute;vida P&uacute;blica ao capital financeiro; esse equil&iacute;brio s&oacute; pode se manter &agrave; medida que o estado se desobrigue cada vez mais dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos destinados &agrave; imensa maioria da popula&ccedil;&atilde;o, aumente as taxas p&uacute;blicas, mantenha congelado o sal&aacute;rio do funcionalismo p&uacute;blico, fa&ccedil;a reformas como a da Previd&ecirc;ncia, ou seja, tamb&eacute;m ataque os trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tNo plano pol&iacute;tico, jur&iacute;dico, ideol&oacute;gico e militar, cumpre ao Estado &ldquo;organizar e manter o consenso&rdquo;, ou seja, a id&eacute;ia de que n&atilde;o h&aacute; outra sa&iacute;da a n&atilde;o ser propiciar as melhores condi&ccedil;&otilde;es de lucratividade para as empresas como forma de impedir a quebra da economia e o desemprego. &Eacute; a ideologia do &ldquo;N&atilde;o h&aacute; Alternativa&rdquo;.<\/p>\n<p>\n\t\tA democracia burguesa tem se mostrado uma pol&iacute;tica bastante eficaz para ludibriar, cooptar e controlar os trabalhadores. Atrav&eacute;s dos ditos &ldquo;mecanismos participativos&rdquo;, e de institui&ccedil;&otilde;es comprometidas at&eacute; a alma com os interesses dos empres&aacute;rios: o capital busca a legitimidade para impor seus interesses, fazendo passar a id&eacute;ia de que os seus interesses s&atilde;o os interesses de todos ou da maioria. Na democracia burguesa n&atilde;o significa que n&atilde;o h&aacute; repress&atilde;o aos movimentos sociais, mas sim que essa repress&atilde;o &eacute; legalizada. H&aacute; inclusive a possibilidade de uma combina&ccedil;&atilde;o da democracia burguesa com a escalada militarista, como no caso de Honduras, em que os golpistas buscaram se legitimar a partir de institui&ccedil;&otilde;es como o Congresso e a Suprema Corte e, ao final, para se consolidar, recorreram &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es, em que seu candidato venceu.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro mecanismo bastante utilizado tem sido o assistencialismo, com o objetivo de acomodar e desmoralizar o setor mais pauperizado, dotado de maior explosividade, opondo-o aos demais setores da classe trabalhadora, para os quais a pol&iacute;tica &eacute; de endurecimento, como no caso dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, dos correios, banc&aacute;rios, etc. Atrav&eacute;s das in&uacute;meras formas de assistencialismo, tamb&eacute;m se coopta as dire&ccedil;&otilde;es e ativistas mais din&acirc;micos que poderiam se constituir num problema para o governo e o sistema. Esse foi o caso das in&uacute;meras &ldquo;Bolsas&rdquo;, PROUNI, etc.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; para os movimentos que alcan&ccedil;am maior conflitividade, a pol&iacute;tica &eacute; de repress&atilde;o direta, como por exemplo a luta dos camel&ocirc;s, dos movimentos dos atingidos pelas enchentes, das ocupa&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es do MST nas fazendas do agroneg&oacute;cio, entre outros. Nas favelas, a ordem &eacute; a mesma: controle e repress&atilde;o sobre qualquer movimento que venha a amea&ccedil;ar o funcionamento normal do consumo, do turismo, dos lucros.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>CUT, FOR&Ccedil;A e CTB: Defendendo o capital, contra os trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\t&nbsp;&Eacute; preciso frisar que todas essas a&ccedil;&otilde;es, tanto dos empres&aacute;rios como do estado, t&ecirc;m contado com a ajuda direta ou indireta das dire&ccedil;&otilde;es do movimento, particularmente da CUT e da For&ccedil;a Sindical. Sua postura tem sido a de defender as parcerias com os empres&aacute;rios, via acordos de flexibiliza&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios e direitos, isen&ccedil;&otilde;es de impostos para as empresas e o incentivo ao endividamento geral como se fossem pol&iacute;ticas positivas. Assim, as empresas demitem e\/ou precarizam os contratos, mostrando que esse tipo de acordo s&oacute; interessa aos empres&aacute;rios. Essas dire&ccedil;&otilde;es abriram m&atilde;o de qualquer perspectiva de ruptura e supera&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica do capital e do lucro. Assumindo para si o horizonte do capitalismo como o &uacute;nico poss&iacute;vel, realmente h&aacute; muito pouco a se fazer e cai-se, mais cedo ou mais tarde, no discurso de que os trabalhadores e os capitalistas s&atilde;o parceiros e que, quando um ganha, todos ganham, o que &eacute; uma grande mentira.<\/p>\n<p>\n\t\t&Agrave; falta de uma perspectiva de luta e socialista da classe trabalhadora, a burguesia que opera no Brasil consegue descarregar parte do peso da crise econ&ocirc;mica sobre esta, impedindo momentaneamente uma grande recess&atilde;o ou mesmo uma depress&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Combate pol&iacute;tico e ideol&oacute;gico &agrave; l&oacute;gica do capital<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tPortanto, o maior desafio que est&aacute; colocado para o pr&oacute;ximo per&iacute;odo &eacute; o de ser parte e intervir na base dos v&aacute;rios movimentos e f&oacute;runs de luta e de reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, no sentido da reconstru&ccedil;&atilde;o de uma sa&iacute;da de luta e socialista desde a vanguarda at&eacute; setores de massa, apresentando uma cr&iacute;tica profunda dos v&aacute;rios mecanismos de domina&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores aplicados pela burguesia e seu estado. N&atilde;o basta apenas ficar repetindo que o governo Lula &eacute; traidor, como fazem a maioria das organiza&ccedil;&otilde;es da esquerda. &Eacute; preciso demonstrar os fundamentos que o levam a agir assim, as contradi&ccedil;&otilde;es desses fundamentos e, a partir da&iacute;, apresentar uma sa&iacute;da cr&iacute;tica-pr&aacute;tica, e n&atilde;o apenas um amontoado de palavras de ordem, sem rela&ccedil;&atilde;o com a realidade dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tA interven&ccedil;&atilde;o da esquerda neste ano ter&aacute; alguns desafios importantes: em primeiro lugar, &eacute; preciso denunciar a euforia enganosa de que agora tudo vai ficar bem e que o Brasil &eacute; o pa&iacute;s do futuro. &Eacute; preciso lembrar que o espa&ccedil;o reservado para o Brasil dentro da divis&atilde;o mundial do trabalho &eacute; basicamente o de fornecedor de mat&eacute;rias-primas e de uma plataforma de exporta&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina. Esse papel n&atilde;o &eacute; nem de perto suficiente para al&ccedil;ar o Brasil &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;s de primeira grandeza no mundo. Al&eacute;m disso, mesmo que a economia brasileira venha a se desenvolver, isso n&atilde;o significa que haver&aacute; melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida para os trabalhadores. O padr&atilde;o capitalista de desenvolvimento que est&aacute; sendo implantado &eacute; extremamente explorador dos trabalhadores e destruidor do ambiente. A Copa em 2014 e as Olimp&iacute;adas em 2016 s&atilde;o muito mais despesas para o Estado do que investimentos do capital. Os empregos gerados ser&atilde;o tempor&aacute;rios e mal remunerados. Um bom exemplo foi a realiza&ccedil;&atilde;o do <em>Pan<\/em> no Rio de Janeiro, que de nada serviu para melhorar a situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e, ao contr&aacute;rio, os problemas sociais se agravaram, aumentando o poder de a&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico e a repress&atilde;o da pol&iacute;cia sobre os moradores das comunidades de periferia.<\/p>\n<p>\n\t\tCom rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s campanhas salariais, o maior desafio &eacute; impulsion&aacute;-las para al&eacute;m dos limites imediatistas e corporativistas, no sentido de que busquem uma ponte entre suas demandas e as dos demais trabalhadores, apontando sa&iacute;das mais gerais para aspectos estruturais da sociedade como a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, o emprego, a Previd&ecirc;ncia, o ambiente, os transportes, a viol&ecirc;ncia, o racismo, a opress&atilde;o da mulher, etc.<\/p>\n<p>\n\t\tEste ano, nos dias 5 e 6 de junho, haver&aacute; a realiza&ccedil;&atilde;o do CONCLAT &ndash; &ldquo;Congresso Nacional da Classe Trabalhadora&rdquo; &ndash; que poder&aacute; fundar uma nova Central de Luta, como alternativa de luta &agrave; CUT e demais centrais governistas. A tarefa central a&iacute; ser&aacute;, n&atilde;o apenas fundar uma nova central, mas acima de tudo uma nova concep&ccedil;&atilde;o de atua&ccedil;&atilde;o sindical que supere os limites atuais e esteja &agrave; altura dos desafios colocados pelo capitalismo de hoje. &Eacute; preciso superar o sindicalismo imediatista, caracter&iacute;stico da maioria das correntes de esquerda, sob pena de n&atilde;o se conseguir sequer defender as conquistas existentes. &Eacute; preciso debater com a classe trabalhadora a necessidade da ruptura com a l&oacute;gica do lucro e a constru&ccedil;&atilde;o de uma outra sociedade, em base a um compromisso com as necessidades reais da maioria da popula&ccedil;&atilde;o, definidas democraticamente. Outras lutas importantes s&atilde;o contra a burocratiza&ccedil;&atilde;o &ndash; o que exige permanente a&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o para que os trabalhadores venham a ocupar os espa&ccedil;os de decis&atilde;o nas entidades &ndash;, bem como a ado&ccedil;&atilde;o de medidas que dificultem o processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o, como rod&iacute;zio, fim dos privil&eacute;gios, controle sobre os mandatos, etc. Enfim, &eacute; preciso um novo sindicalismo, uma re-educa&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria esquerda atual.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Construir um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores pela base!<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tOutro fato importante, e que j&aacute; est&aacute; influenciando a realidade brasileira, s&atilde;o as elei&ccedil;&otilde;es de 2010. Por tr&aacute;s de toda a disputa presidencial entre PT e PSDB, esconde-se a unidade de ambos os setores em torno do mesmo projeto para o pa&iacute;s: a manuten&ccedil;&atilde;o da inser&ccedil;&atilde;o subordinada do pa&iacute;s &agrave; l&oacute;gica do capitalismo globalizado. Ambos defendem a manuten&ccedil;&atilde;o dos compromissos com o capital financeiro, as isen&ccedil;&otilde;es de impostos para as empresas, o corte dos direitos sociais, a entrega dos recursos naturais ao capital privado, etc. A &uacute;nica disputa &eacute; se a burocracia pol&iacute;tica, de estado e sindical representada pelo PT continuar&aacute; abocanhando uma parte da renda do estado, ou se a burguesia propriamente dita ficar&aacute; com tudo, ao administrar o pa&iacute;s sem a intermedia&ccedil;&atilde;o da burocracia.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; a tarefa da esquerda, muito mais do que buscar qualquer viabilidade por dentro da l&oacute;gica eleitoral, &eacute; a de uma cr&iacute;tica profunda aos fundamentos do modelo de economia e de sociedade que est&aacute; sendo implementado no Brasil e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. Mais do que qualquer coisa, &eacute; preciso disputar a consci&ecirc;ncia de amplos setores para um programa de ruptura com a l&oacute;gica capitalista e a apresenta&ccedil;&atilde;o de uma alternativa socialista para o pa&iacute;s e a sociedade.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro pilar de sustenta&ccedil;&atilde;o dessa atua&ccedil;&atilde;o tem que ser a unidade da esquerda de luta, que essa unidade ocorra pela base e esteja enraizada nos movimentos sociais. Nesse ponto, n&atilde;o podemos deixar de dizer que as duas principais correntes, tanto o PSOL quanto o PSTU come&ccedil;aram mal.<\/p>\n<p>\n\t\tO PSOL insistiu at&eacute; o &uacute;ltimo momento em uma Frente com o PV de Marina Silva, um partido que diz defender a natureza, mas incoerentemente tem em seu programa a defesa da &ldquo;livre iniciativa&rdquo; e da &ldquo;economia de mercado&rdquo;. Quando, por fim, o PV demonstrou que em seu arco de alian&ccedil;as cabe at&eacute; o PSDB, como no Rio de janeiro, o PSOL n&atilde;o teve mais como sustentar essa tentativa e a partir da&iacute; passou a defender uma candidatura pr&oacute;pria em coliga&ccedil;&atilde;o com outros partidos da esquerda, candidatura essa que ser&aacute; definida em mar&ccedil;o, em sua confer&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\t\tJ&aacute; o PSTU, apesar de dizer que defende uma Frente Classista e Socialista dos Trabalhadores, assim que percebeu o movimento de aproxima&ccedil;&atilde;o do PSOL com o PV, preferiu j&aacute; lan&ccedil;ar seu pr&eacute;-candidato &ndash; Z&eacute; Maria. Ao nosso ver, isso caracteriza uma concep&ccedil;&atilde;o equivocada, em que o partido decide tudo e os ativistas e demais trabalhadores s&oacute; entram na hora de fazer campanha e\/ou votar&#8230;<\/p>\n<p>\n\t\tOra, do que se trata &eacute; justamente da constitui&ccedil;&atilde;o de algo muito mais amplo, um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores, que tenha sua express&atilde;o eleitoral, mas que essa express&atilde;o seja definida a partir de debates e f&oacute;runs os mais amplos poss&iacute;veis, por exemplo, plen&aacute;rias e debates abertos a todos que queiram construir essa alternativa unit&aacute;ria que seja a express&atilde;o pol&iacute;tica das necessidades imediatas e hist&oacute;ricas dos trabalhadores, nas lutas e nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\tSem essa &ldquo;alma&rdquo; que s&oacute; pode ser a empolga&ccedil;&atilde;o dos ativistas e trabalhadores como sujeitos de sua pr&oacute;pria representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, essa pr&eacute;-candidatura tamb&eacute;m n&atilde;o tem ainda entusiasmado a vanguarda, o que confirma que o lan&ccedil;amento ocorreu de forma precipitada e a partir de cima.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; preciso superar a l&oacute;gica divisionista na esquerda, bem como fazer com que as decis&otilde;es da base sejam superiores que as das c&uacute;pulas. &Eacute; preciso constituir urgentemente e a partir da base um movimento pol&iacute;tico dos trabalhadores, que apresente uma sa&iacute;da socialista pra a sociedade nas lutas e tamb&eacute;m nas elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; preciso uma explica&ccedil;&atilde;o marxista para as recentes manifesta&ccedil;&otilde;es (violentas) da natureza. A id&eacute;ia que tem prevalecido &eacute; a da burguesia, mas essa sempre esconde a verdade. Estamos nos propondo a iniciar esse debate no movimento e para isso apresentamos alguns textos &agrave; reflex&atilde;o dos militantes e ativistas. Eles t&ecirc;m como centro a rela&ccedil;&atilde;o do capitalismo com a natureza. Partimos do aspecto antropol&oacute;gico e filos&oacute;fico da rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho alienado e natureza. Passamos nos textos a seguir pela explica&ccedil;&atilde;o das conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais dos desastres naturais, abordamos a incapacidade da burguesia resolver esses problemas (a confer&ecirc;ncia de Copenhague) e analisamos tamb&eacute;m o problema do tr&acirc;nsito nas grandes metr&oacute;poles, uma das manifesta&ccedil;&otilde;es mais irracionais do uso capitalista dos recursos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[87,63],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=207"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6235,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/207\/revisions\/6235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}