{"id":2116,"date":"2013-06-29T15:55:52","date_gmt":"2013-06-29T18:55:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2116"},"modified":"2018-04-30T20:50:58","modified_gmt":"2018-04-30T23:50:58","slug":"finalmente-o-ascenso-das-massas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/06\/finalmente-o-ascenso-das-massas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Finalmente, o ascenso das massas no Brasil!"},"content":{"rendered":"<h4><b><b>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/b><\/b><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left;\">Artur Bispo<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: left;\">professor da UFAL e\u00a0militante do Espa\u00e7o Socialista Macei\u00f3-AL<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espectro da revolta e do descontentamento toma conta de todo o pa\u00eds, e milh\u00f5es se erguem numa s\u00f3 voz para dizer n\u00e3o ao aumento das passagens de \u00f4nibus, contra os pol\u00edticos corruptos, os partidos tradicionais, as obras da Copa, a PEC-40 e exigindo mais verbas para educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e melhoria dos transportes p\u00fablicos etc. \u00c9 um movimento dos mais expressivos nestes \u00faltimos quarenta anos de nossa hist\u00f3ria, que surge articulado aos<\/p>\n<figure id=\"attachment_2119\" aria-describedby=\"caption-attachment-2119\" style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2013\/06\/finalmente-o-ascenso-das-massas-no-brasil\/protestos\/\" rel=\"attachment wp-att-2119\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2119 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/protestos.jpg\" alt=\"S\u00e3o Paulo - Junho de 2013\" width=\"320\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/protestos.jpg 500w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/protestos-300x168.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2119\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o Paulo &#8211; Junho de 2013<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">movimentos de protesto e revolta que ocorrem em todo o mundo (Europa, Oriente M\u00e9dio, \u00c1sia e Am\u00e9rica). Mas seu desfecho continua em aberto, e por isso a import\u00e2ncia da interven\u00e7\u00e3o coletiva e individual dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente dos dois maiores movimentos de massa que tivemos nestas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, eles n\u00e3o s\u00e3o organizados pelos partidos tradicionais de esquerda, n\u00e3o contam com o apoio das organiza\u00e7\u00f5es sindicais, n\u00e3o s\u00e3o liderados pelas personifica\u00e7\u00f5es ilustres do sistema pol\u00edtico, nem s\u00e3o express\u00e3o de movimentos ou figuras carimbadas da sociedade. \u00c9 preciso lembrar que o movimento das \u201cDiretas J\u00e1\u201d contou com a participa\u00e7\u00e3o de in\u00fameras figuras ilustres de cen\u00e1rio nacional, pol\u00edticos como Brizola, Tancredo, Lula; artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso; e v\u00e1rios intelectuais de esquerda. E o movimento popular que resultou no impeachment do presidente Collor envolveu as figuras mais expressivas dos distintos partidos existentes nas \u00e9pocas, de artistas e intelectuais. Agora n\u00e3o existem estrelas, mas uma massa de indiv\u00edduos que comp\u00f5em a classe m\u00e9dia, trabalhadores empregados e desempregados, jovens da classe m\u00e9dia e dos setores populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento, que tem seu pr\u00f3logo nas manifesta\u00e7\u00f5es iniciadas pelo Movimento Passe Livre (MPL) em 6 de junho, ganha notoriedade e expressividade ao passar paulatinamente da condi\u00e7\u00e3o parcelada para assumir express\u00e3o nacional e internacional. No dia 20 de junho j\u00e1 eram mais de 100 cidades brasileiras envolvidas no redemoinho de protestos que t\u00eam tirado o sono de muitos pol\u00edticos de direita e de esquerda, ao tempo que representa um curto-circuito nos prop\u00f3sitos da burguesia brasileira. Esta imaginava que tudo estava sob controle desde que entregou a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds ao PT, arrastando consigo os principais movimentos sociais organizados e o apoio sistem\u00e1tico das centrais sindicais (CUT e CGT).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso atentar que o movimento de massa n\u00e3o pode ser entendido como uma coisa abstrata e desconectada de seus aspectos de classe. Ele \u00e9 express\u00e3o do ataque constante que o capital tem desferido contra os interesses da classe trabalhadora, especialmente daquela fra\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora assalariada que constitui a classe m\u00e9dia ou os setores intermedi\u00e1rios da sociedade brasileira. Al\u00e9m desta, conta com a participa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos que comp\u00f5em tanto o proletariado quanto seus extratos afetados pelo desemprego estrutural. Este \u00faltimo acaba conferindo um car\u00e1ter de maior radicalidade ao movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ascenso desse movimento de massa abre um leque de possibilidades tanto reacion\u00e1rias quanto revolucion\u00e1rias, num segundo momento, ap\u00f3s a interfer\u00eancia do car\u00e1ter anticapitalista do MPL, pois o movimento se apresenta aparentemente hegemonizado pelos setores intermedi\u00e1rios da sociedade. As debilidades manifestas n\u00e3o emanam apenas da aus\u00eancia de experi\u00eancia pol\u00edtica, mas certamente do papel que ela ocupa na sociedade capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo movimento \u00e9 significativo n\u00e3o apenas pela sua expressividade num\u00e9rica, mas tamb\u00e9m por sua aparente autonomia pol\u00edtica e seu efetivo car\u00e1ter de indetermina\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que mais tem inquietado os denominados analistas pol\u00edticos e os partidos de esquerda. Entender as contradi\u00e7\u00f5es permite superar as idiossincrasias das formula\u00e7\u00f5es apressadas e as leituras equivocadas da realidade. A heterogeneidade desse movimento de massa serve para exprimir as contradi\u00e7\u00f5es que perpassam as classes sociais em disputa e os interesses divergentes entre os distintos elementos que o constituem. Entender as contradi\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para superar as formula\u00e7\u00f5es apressadas que querem t\u00e3o somente os resultados sem entender suas media\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A natureza profundamente contradit\u00f3ria desse movimento aponta tamb\u00e9m para o jogo de for\u00e7as que subsiste acerca do car\u00e1ter de classe do Estado burgu\u00eas. Existe no seu interior uma cr\u00edtica radical \u00e0 fal\u00e1cia da democracia burguesa e uma esp\u00e9cie de reivindica\u00e7\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o popular nas quest\u00f5es decisivas da vida nacional. Tamb\u00e9m em seu interior constata-se a difus\u00e3o duma ideologia da neutralidade pol\u00edtica e partid\u00e1ria que pode abrir brechas para a a\u00e7\u00e3o oportunista das velhas sa\u00eddas pelo alto, em que num passe de m\u00e1gica tudo poderia ser solucionado ao inv\u00e9s de intensificar-se a participa\u00e7\u00e3o popular em toda a sua radicalidade. O antagonismo constitui tanto a rela\u00e7\u00e3o do movimento de massas com o Estado m\u00ednimo para as pol\u00edticas sociais e para atender aos interesses dos trabalhadores, quanto perpassa o pr\u00f3prio desenvolvimento de seu ser.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">1. Por que o movimento de massa \u00e9 contra os partidos?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A g\u00eanese do problema procede do fato de que a hist\u00f3ria dos partidos pol\u00edticos de esquerda ao longo de todo o s\u00e9culo XX se constitui como a hist\u00f3ria da mais alta trai\u00e7\u00e3o aos interesses da classe trabalhadora e dos setores populares que eles diziam representar. Todos eles passaram para o lado do capital e desconsideraram as in\u00fameras possibilidades de di\u00e1logo com suas bases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PT constitui-se como a mais elevada express\u00e3o dessa trai\u00e7\u00e3o, quando um representante da classe oper\u00e1ria consegue fazer o tr\u00e2nsito individual da condi\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rio para a burguesia, abandonando completamente as bandeiras definidas pela sua classe e pelos setores da sociedade que se identificavam com seus prop\u00f3sitos. O problema se agrava ainda mais com as den\u00fancias do mensal\u00e3o e com o fato de nenhuma das figuras condenadas ter sido efetivamente punida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao dizer n\u00e3o aos partidos pol\u00edticos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar elementos duma clara politiza\u00e7\u00e3o dos milh\u00f5es de indiv\u00edduos que constituem o movimento. Eles claramente afirmam a recusa da condu\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos partidos, que culmina na manipula\u00e7\u00e3o de seus interesses e na sua completa oblitera\u00e7\u00e3o. A crise dos partidos \u00e9 sintom\u00e1tica e atesta a monumental cis\u00e3o que existe entre o representante e aqueles que dizem representar. A crise dos partidos \u00e9 somente a express\u00e3o da crise que afeta toda a estrutura do poder constitu\u00eddo, que existe t\u00e3o somente para resguardar e assegurar a domina\u00e7\u00e3o da burguesia sobre a classe trabalhadora e o poder do capital sobre o trabalho. A clareza disso \u00e9 explicitada na cr\u00edtica permanente que \u00e9 dirigida pelos seus participantes ao parlamento burgu\u00eas e aos distintos representantes do Executivo e do Judici\u00e1rio, pois todos se locupletam no poder e esquecem completamente os efetivos interesses da classe trabalhadora e das camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a cr\u00edtica aos partidos pol\u00edticos precisa ser qualificada, para n\u00e3o servir aos prop\u00f3sitos e \u00e0s estrat\u00e9gias fascistas que possam atuar em seu interior. Seu car\u00e1ter gen\u00e9rico e deliberado acaba por servir aos prop\u00f3sitos reacion\u00e1rios e obstam o di\u00e1logo com os grupos pol\u00edticos mais conscientes e organizados que est\u00e3o \u00e0 esquerda do PT e do PCdoB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cegueira pol\u00edtica acerca da diversidade dos programas partid\u00e1rios pode servir como pre\u00e2mbulo \u00e0 hegemonia de pr\u00e1ticas e atitudes pol\u00edticas pr\u00f3ximas ao fascismo, que representa a intercepta\u00e7\u00e3o de qualquer possibilidade de atender aos efetivos interesses da pr\u00f3pria classe m\u00e9dia, bem como aos interesses dos setores mais explorados da classe trabalhadora. Existe uma esp\u00e9cie de irracionalismo na recusa \u00e0s bandeiras dos partidos pol\u00edticos e na afirma\u00e7\u00e3o de que a \u00fanica bandeira admitida em seu interior seja a bandeira do pa\u00eds, porque isso n\u00e3o deixa de apresentar um conte\u00fado pol\u00edtico e uma proposta pol\u00edtica determinada. N\u00e3o existe nessa afirma\u00e7\u00e3o nenhuma neutralidade pol\u00edtica, e somente os ing\u00eanuos poderiam aceitar tal formula\u00e7\u00e3o. Nesse aspecto, o discurso da neutralidade pol\u00edtica \u00e9 profundamente ideol\u00f3gico e serve para assegurar em seu interior a presen\u00e7a de elementos reacion\u00e1rios organizados de diferentes formas, como grupos de torcidas de times de futebol, militares camuflados, skin-heads etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disputa pela consci\u00eancia das massas que constituem a juventude engloba tanto as organiza\u00e7\u00f5es de direita como as de esquerda. A recusa da presen\u00e7a das bandeiras vermelhas demostra que os setores organizados da pequena burguesia que atuam no interior do movimento de massa t\u00eam interesses an\u00e1logos aos dos partidos de esquerda como PSTU e PCB, ou seja, todos eles buscam captar a subjetividade da juventude para seu campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso n\u00e3o deve desconsiderar os graves problemas dos partidos de esquerda e como eles est\u00e3o fundados na enorme disjun\u00e7\u00e3o entre luta pol\u00edtica e luta econ\u00f4mica, entre teoria e pr\u00e1tica, entre o mundo objetivo e o mundo subjetivo. \u00c9 preciso entender que as efetivas organiza\u00e7\u00f5es da classe se forjam na luta e nos embates; o partido n\u00e3o \u00e9 uma entidade que subsiste acima do movimento de massa, pelo contr\u00e1rio, ele \u00e9 gestado para atender \u00e0s necessidades da luta e instrumentalizar a classe para a vit\u00f3ria contra o capital. \u00c9 preciso aprender com as massas a melhor maneira de operar seu pr\u00f3prio processo de auto-organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente n\u00e3o \u00e9 isso que se observa. O que se nota \u00e9 que a totalidade dos partidos de esquerda busca assumir a dire\u00e7\u00e3o das massas sem terem sidos forjados no processo, e querem assumir o comando, quando pouco ou nada fizeram para isso. N\u00e3o deixa, ent\u00e3o, de ser sintom\u00e1tica e procedente a cr\u00edtica aos partidos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">2. A periculosidade do nacionalismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A emerg\u00eancia das massas torna vis\u00edvel a crise econ\u00f4mica que os aparatos da manipula\u00e7\u00e3o da burguesia tentavam encobrir. Torna-se n\u00edtida a crise profunda que afeta as estruturas da sociedade burguesa, e pode se abrir um per\u00edodo revolucion\u00e1rio em que a burguesia busque o enfrentamento recorrendo ao fascismo como forma de combate e como mecanismo de coopta\u00e7\u00e3o das potencialidades latentes na revolta das massas. O fascismo \u00e9 uma das alternativas que se colocam para a burguesia em momentos de crise que coloquem em risco a possibilidade de continuar a exercer o poder pol\u00edtico segundo os velhos receitu\u00e1rios da democracia burguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aspecto mais comum do fascismo \u00e9 seu deliberado car\u00e1ter nacionalista. A ideologia nacionalista comparece como um elemento exacerbado e tem car\u00e1ter doutrin\u00e1rio e irracionalista. Ele \u00e9 essencialmente avesso \u00e0 possibilidade de entendimento do movimento din\u00e2mico e contradit\u00f3rio da realidade. Este \u00e9 um dos principais elementos problem\u00e1ticos desse ascenso de massa, porque a principal ideologia que lhe d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente esta. A intensifica\u00e7\u00e3o dos elementos nacionalistas no interior do movimento tem um car\u00e1ter reacion\u00e1rio e demonstra tra\u00e7os reformistas, porquanto se mostra desprovido da cr\u00edtica ao imperialismo e ao capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria do pa\u00eds essa ideologia esteve tanto a servi\u00e7o dos militares quanto do populismo, funcionando como alternativa \u00e0 democracia burguesa. Como o fascismo \u00e9 uma ideologia ecl\u00e9tica, deve-se atentar para as suas possibilidades, pois \u00e9 a principal ferramenta de que a burguesia se utiliza nos momentos que p\u00f5em em xeque a legitimidade de seu poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico, constituindo-se num mecanismo poderoso de manipula\u00e7\u00e3o dos anseios das massas. O nacionalismo exacerbado \u00e9 a principal arma fascista para reprimir as efetivas possibilidades revolucion\u00e1rias, devendo-se lembrar de como esse elemento serviu de sustenta\u00e7\u00e3o ao capital na It\u00e1lia e na Alemanha no pr\u00e9-Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideologia nacionalista tem ocupado papel relevante no interior do ascenso das massas porque inexiste uma longa tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria no pa\u00eds, uma vez que suas tentativas foram sempre draconianamente suprimidas e lan\u00e7adas no ostracismo pelas classes dominantes e pelos pol\u00edticos de plant\u00e3o (militares e civis). O desconhecimento dos elementos revolucion\u00e1rios na hist\u00f3ria brasileira e a aus\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o efetiva da classe m\u00e9dia nos movimentos sociais de resist\u00eancia ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas abrem um hiato no seu interior que viabiliza a recorr\u00eancia dos elementos nacionalistas para subsidiar e instrumentalizar sua participa\u00e7\u00e3o popular. A recorr\u00eancia dos preceitos nacionalistas demonstra o quanto ela esteve longe das ruas e alienada de si mesma nestas \u00faltimas d\u00e9cadas e, consequentemente, como ela precisa ser educada para que as suas reivindica\u00e7\u00f5es sejam efetivamente atendidas. \u00c9 preciso demonstrar que suas reivindica\u00e7\u00f5es de maneira alguma ser\u00e3o atendidas pelas sa\u00eddas messi\u00e2nicas do fascismo, que acaba sempre erigindo um indiv\u00edduo como o novo baluarte da moralidade e da pureza de princ\u00edpios, a exemplo de J\u00e2nio Quadros e Fernando Collor de Mello no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria como meu partido ou do pa\u00eds como meu partido precisa ser qualificada, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender a na\u00e7\u00e3o sem entender as suas classes sociais e os antagonismos que subsistem entre capitalistas e trabalhadores. Certamente, existe um jogo de for\u00e7a em curso e a burguesia tenta capitanear as massas para o seu lado mediante instrumentos fascistas, como a intimida\u00e7\u00e3o dos setores mais organizados da classe trabalhadora que atuam em seu interior, a exemplo dos partidos pol\u00edticos de esquerda, sob a ins\u00edgnia da bandeira vermelha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante destacar que o fascismo somente se consolida quando as possibilidades revolucion\u00e1rias s\u00e3o plenamente sufocadas ou incapazes de oferecer alternativa ao movimento de massa. A ascens\u00e3o do fascismo \u00e9 consequ\u00eancia da incapacidade da classe oper\u00e1ria de atuar no movimento de massa de maneira decisiva e apresentar uma alternativa efetiva \u00e0 sociedade como um todo, permitindo que a pequena burguesia brote como personagem central de seu processo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apatia do proletariado nesta ascens\u00e3o das massas demonstra como ele persiste nas lutas meramente economicistas e permanece limitado aos mecanismos de controle da burocracia sindical que reiterou completo apoio ao governo Dilma da mesma maneira que ao governo Lula. A impossibilidade de transcender seus interesses econ\u00f4micos abre espa\u00e7o para a interven\u00e7\u00e3o dos elementos mais reacion\u00e1rios da pequena burguesia, que poder\u00e3o capitalizar grande parte do movimento de massa na perspectiva que interessa \u00e0 continuidade do processo de reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Assim, ao inv\u00e9s da possibilidade de uma ofensiva socialista pode-se experimentar um novo per\u00edodo contrarrevolucion\u00e1rio, marcado pela intensifica\u00e7\u00e3o do combate ao direito de exist\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema \u00e9 que o fascismo n\u00e3o poder\u00e1 restituir as perdas acumuladas pela pequena burguesia nestas \u00faltimas d\u00e9cadas, pautadas pela ofensiva do capital, sem atacar ainda mais os direitos dos trabalhadores. O fascismo teria um per\u00edodo curto de exist\u00eancia porque novamente os elementos que est\u00e3o dinamitando o sistema pol\u00edtico atual retornar\u00e3o posteriormente, na medida em que essas concess\u00f5es precisaram novamente ser interceptadas. Mas essa n\u00e3o deixa de ser uma alternativa ao capital, porque ele se constitui exatamente pela tentativa de lan\u00e7ar os problemas para frente e adiar as possibilidades de consolida\u00e7\u00e3o das medidas efetivamente reparadoras de todo o sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fascismo n\u00e3o \u00e9 uma coisa fixa e homog\u00eanea, mas algo gelatinoso e capaz de se moldar \u00e0s exig\u00eancias do capital para subordinar a classe trabalhadora aos novos de processos de expropria\u00e7\u00e3o de mais-valia. No entanto, a exig\u00eancia do fascismo n\u00e3o se coloca por completo porque a subordina\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria \u00e9 inteira neste momento hist\u00f3rico do pa\u00eds e n\u00e3o se observa a presen\u00e7a de grandes elementos de resist\u00eancia oper\u00e1ria contra o modelo estatu\u00eddo da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva. A exig\u00eancia do fascismo n\u00e3o se p\u00f5e plenamente porque o proletariado n\u00e3o oferece uma clara contraposi\u00e7\u00e3o ao poder econ\u00f4mico do capital. Assim, a possibilidade do fascismo existe, mas existe tamb\u00e9m um amplo leque de possibilidades para a burguesia continuar exercendo o controle pol\u00edtico do movimento de massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a pequena burguesia precisa ter atendidas as suas reivindica\u00e7\u00f5es sociais por mais educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, e o capital somente pode fazer tais concess\u00f5es mediante a amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de apropria\u00e7\u00e3o da mais-valia produzida pelos trabalhadores. Isso significa t\u00e3o somente adiar o problema. Por outro lado, existe nesse movimento de massa a presen\u00e7a de setores populares que exigem tamb\u00e9m a melhoria dos transportes p\u00fablicos e a melhoria dos servi\u00e7os sociais. Isso implica que os novos representantes do capital, sejam aqueles que emergirem da base ou os que surgirem pelo alto, precisar\u00e3o intensificar a pol\u00edtica de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Novamente, n\u00e3o existe sa\u00edda para nenhuma das classes atacadas em seus direitos (classe m\u00e9dia e trabalhadores) nos limites do capital. A pequena burguesia permanecer\u00e1 encurralada porque n\u00e3o existe nenhuma forma \u2013 que n\u00e3o seja o socialismo \u2212 de preservar seus privil\u00e9gios e seus direitos; \u00e9 por isso que o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um aspecto fundamental de sua luta, pois representa a possibilidade de apropria\u00e7\u00e3o duma parte da mais-valia oper\u00e1ria que acaba sendo direcionada para os pol\u00edticos profissionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cr\u00edtica aos pol\u00edticos e aos partidos tem como substrato a compreens\u00e3o de que se gasta muito na manuten\u00e7\u00e3o do aparato pol\u00edtico existente, por isso se poderia constituir uma reforma pol\u00edtica nos termos do toyotismo. A no\u00e7\u00e3o dum poder pol\u00edtico enxuto pode implicar a recorr\u00eancia ao expediente autorit\u00e1rio e menos democr\u00e1tico, dado o alto custo exigido para a preserva\u00e7\u00e3o do parlamento burgu\u00eas e de sua burocracia parasit\u00e1ria. No entanto, isso esbarra novamente em contraposi\u00e7\u00e3o ao momento hist\u00f3rico atual, pautado pela intensa participa\u00e7\u00e3o popular e pela classe m\u00e9dia. No momento, a dire\u00e7\u00e3o do movimento continua indeterminada porque a pequena burguesia n\u00e3o pode oferecer uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria; a sa\u00edda deve ser pensada sempre no contexto da preserva\u00e7\u00e3o do status quo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a classe m\u00e9dia continuar determinando o curso do movimento, este n\u00e3o poder\u00e1 subverter seu car\u00e1ter reformista e conciliat\u00f3rio, apesar de existirem in\u00fameros exemplos de radicalidade anticapitalista em seu interior. Esta se acha expressa na disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito de seus participantes para ocupar as ruas, fechar rodovias, interceptar portos e aeroportos, e nos distintos enfrentamentos com a pol\u00edcia. Tudo isso poderia indicar uma perspectiva de subvers\u00e3o completa da estrutura pol\u00edtica e social constitu\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso ter claro que o per\u00edodo hist\u00f3rico do capital n\u00e3o admite mais concess\u00f5es \u00e0 classe trabalhadora ou \u00e0 classe m\u00e9dia. Isso significa que a via fascista, hoje fortemente propalada por alguns setores, \u00e9 epis\u00f3dica e n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es de resistir por um per\u00edodo longo, porquanto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer concess\u00f5es \u00e0s classes sociais mencionadas, a n\u00e3o ser que se adote a pol\u00edtica de privilegiar a classe m\u00e9dia, ampliando ainda mais a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho oper\u00e1ria e a viol\u00eancia contra o l\u00fampen do proletariado. Da\u00ed a necessidade de que o proletariado entre na cena pol\u00edtica e ofere\u00e7a uma dire\u00e7\u00e3o ao movimento de massa, desvelando efetivamente os elementos fundamentais respons\u00e1veis pela constitui\u00e7\u00e3o do Estado m\u00ednimo para as pol\u00edticas sociais e do Estado m\u00e1ximo para o capital. No entanto, a dificuldade para o proletariado entrar na cena pol\u00edtica se deve ao fato de que ele est\u00e1 subordinado \u00e0 dire\u00e7\u00e3o reformista da burocracia sindical, plenamente subserviente aos interesses do capital, a exemplo da CUT e da CGT.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">3. O fim do ciclo PT<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A crise estrutural do capital intensificou a necessidade de contrarreformas sistem\u00e1ticas adversas aos trabalhadores. A pol\u00edtica de retirada dos direitos sociais tem afetado tanto o proletariado quanto os setores da classe m\u00e9dia que vivem de sal\u00e1rios. A constitui\u00e7\u00e3o do Estado m\u00e1ximo para o capital e do Estado m\u00ednimo para os trabalhadores intensificou a viol\u00eancia urbana e tornou infernal a vida nas metr\u00f3poles e mesmo nas cidades menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica de Estado m\u00e1ximo para atender \u00e0s necessidades de autorreprodu\u00e7\u00e3o do capital. Isso implicou a amplia\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios estatais para o grande capital e a anistia fiscal para os usineiros, o agroneg\u00f3cio, as montadoras de autom\u00f3veis, os grandes bancos e para o sistema financeiro como um todo. Tudo financiado com a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalho oper\u00e1rio e com a retirada de direitos dos trabalhadores assalariados da classe m\u00e9dia. O governo do PT superou todos os governos anteriores na amplia\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e da classe m\u00e9dia e fez enormes concess\u00f5es ao capital em crise. \u00c9 preciso observar que o PT e o PSDB s\u00e3o os lados de uma mesma moeda; todos servem de instrumentos de controle e domina\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho, e o Estado burgu\u00eas existe exatamente para garantir a domina\u00e7\u00e3o da burguesia sobre o proletariado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo car\u00e1ter de abrang\u00eancia do movimento de massa, tudo indica que o PT pode encerrar seu ciclo como capacho do capital, pois dificilmente Lula ou Dilma conseguir\u00e3o obter o apoio financeiro necess\u00e1rio do capital (banqueiros e empres\u00e1rios) para um novo mandato presidencial. O capital dobrar\u00e1 seus esfor\u00e7os para a nova figura que emergir\u00e1 desse cen\u00e1rio. Isso implica que o PT se encontra numa situa\u00e7\u00e3o de crise pol\u00edtica sem precedentes e deve fazer de tudo para se manter no poder. Ele n\u00e3o pode avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o das massas porque desde muito tempo deu as costas para elas e tamb\u00e9m porque se constituiu como representa\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do capital; por isso deve tentar preservar sua posi\u00e7\u00e3o, de um lado, acenando para pequenas mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais na perspectiva de controlar as massas, do outro, na tentativa de aprofundar paulatinamente o processo de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais do campo e da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel da dire\u00e7\u00e3o do PT no momento \u00e9 entravar as iniciativas oper\u00e1rias para uma participa\u00e7\u00e3o decisiva no processo, a fim de n\u00e3o agu\u00e7ar a luta de classes que pode acontecer mediante a constitui\u00e7\u00e3o de uma greve geral. \u00c9 que isso conduziria o proletariado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sujeito do processo pol\u00edtico nas jornadas que acontecem em todo o pa\u00eds. \u00c9 poss\u00edvel que alguns setores minorit\u00e1rios apoiem essas iniciativas, mas eles ter\u00e3o sempre caracteres conciliat\u00f3rios e reformistas, visando assegurar o espa\u00e7o do PT no parlamento burgu\u00eas, sob a ir\u00f4nica assertiva da possibilidade golpista da direita.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">4. Os indiv\u00edduos e a hist\u00f3ria<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es que levaram e continuam levando milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas do Brasil, parando o tr\u00e2nsito, bloqueando rodovias, afetando os transportes coletivos, os portos e aeroportos, o com\u00e9rcio e a produ\u00e7\u00e3o como um todo, desvelam a for\u00e7a do indiv\u00edduo e dos grupos organizados. Evidenciam o poder da juventude e dos trabalhadores, e principalmente a rela\u00e7\u00e3o que subsiste entre o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e o desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es sociais, ou seja, como as rela\u00e7\u00f5es de classe podem incidir dialeticamente sobre as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento de massa supera toda aquela concep\u00e7\u00e3o burguesa plasmada na morte do sujeito e na nulidade do indiv\u00edduo. Certamente que o fracasso das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e dos partidos de esquerda que tentaram reformar o capital ao longo de todo o s\u00e9culo XX resultou no aprofundamento da crise de classe e no ide\u00e1rio do indiv\u00edduo sem partido. \u00c9 importante entender que os indiv\u00edduos exercem influ\u00eancia na hist\u00f3ria, mas essa influ\u00eancia \u00e9 determinada pela estrutura e organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, ou seja, \u00e9 determinada pelo desenvolvimento das condi\u00e7\u00f5es objetivas. N\u00e3o se pode considerar a realidade nacional como um todo homog\u00eaneo e destitu\u00eddo de contradi\u00e7\u00f5es, pois \u00e9 o agu\u00e7amento das contradi\u00e7\u00f5es sociais que impele os indiv\u00edduos a agirem na hist\u00f3ria sob o impulso dos interesses de suas classes sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a hist\u00f3ria n\u00e3o seja produto meramente da consci\u00eancia ou da subjetividade, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dela descartar a participa\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es e dos interesses individuais, pois certamente as qualidades, os conhecimentos e os talentos singulares desempenham determinado papel em seu curso. Mas cabe considerar devidamente o papel do indiv\u00edduo na hist\u00f3ria, para n\u00e3o se conferir a ele um papel demasiadamente grande ou ent\u00e3o nenhum papel. \u00c9 preciso entender que os indiv\u00edduos atuam na hist\u00f3ria de maneira completamente articulada ao desenvolvimento contradit\u00f3rio das for\u00e7as produtivas, ou seja, a contraposi\u00e7\u00e3o que existe entre o capital e o trabalho, entre as classes dominantes e as classes dominadas.<br \/>\n\u00c9 preciso considerar que s\u00e3o os interesses de classes que moldam a hist\u00f3ria. Isso quer dizer que o movimento de massa que se inscreve no momento presente da hist\u00f3ria do pa\u00eds \u00e9 reflexo do ordenamento de toda a anatomia constitutiva das estruturas produtivas e das rela\u00e7\u00f5es sociais e certamente poder\u00e1 alterar sua anatomia pol\u00edtica e social. Os interesses postos precisam ser atendidos; caso n\u00e3o o sejam, poder\u00e3o resultar em novas explos\u00f5es sociais, na medida em que se agu\u00e7arem ainda mais os conflitos sociais. Isso implica a necessidade de reconhecer os limites estruturais de toda a a\u00e7\u00e3o proveniente da burguesia, porque ela est\u00e1 impossibilitada estruturalmente de atender a essas reivindica\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que seu prop\u00f3sito \u00e9 preservar seus interesses de acumula\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o, n\u00e3o podendo sob nenhuma hip\u00f3tese fazer concess\u00f5es. As a\u00e7\u00f5es de extrema-direita ou da social-democracia somente poder\u00e3o se movimentar nesse estreito espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que se entenda que nenhum indiv\u00edduo particularmente pode interceptar o estabelecimento dos anseios das massas na rua nesse momento \u2212 tenha ele o car\u00e1ter que tiver (direita ou esquerda) \u2013 caso n\u00e3o se operem mudan\u00e7as nas estruturais fundamentais de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza socialmente produzida pelos trabalhadores. Isso significa que as possibilidades do fascismo ou ditadura militar somente poder\u00e3o abrir um novo espa\u00e7o de luta, e esse movimento de massa mostrou que n\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s da criminaliza\u00e7\u00e3o e da intensifica\u00e7\u00e3o da repress\u00e3o que se poder\u00e1 acabar com a resist\u00eancia popular. Parece que um novo ciclo de lutas se abre neste momento hist\u00f3rico, por isso os revolucion\u00e1rios s\u00e3o chamados a mudar suas estrat\u00e9gias e t\u00e1ticas de lutas, m\u00e9todos que foram completamente solapados pela din\u00e2mica do movimento de massa. \u00c9 preciso descobrir novas formas de lidar com os anseios das massas e organiz\u00e1-las de forma mais sistem\u00e1tica. Devem-se abandonar as formas superadas de compreens\u00e3o da realidade e a interpreta\u00e7\u00e3o equivocada da din\u00e2mica pol\u00edtica, e entender que o partido revolucion\u00e1rio n\u00e3o se constitui como uma necessidade a priori, mas que ele se forja na luta e nos embates. \u00c9 preciso deixar para tr\u00e1s as formula\u00e7\u00f5es deterministas da realidade e aprender com os grandes revolucion\u00e1rios, como Mao, Rosa Luxemburgo e Lenin. \u00c9 preciso aprender a dialogar com a realidade e saber incorporar as efetivas necessidades das massas exploradas e vilipendiadas em seus programas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realidade mostra que a esquerda revolucion\u00e1ria precisa ser completamente reconfigurada para atender \u00e0s demandas das massas. Entretanto, observa-se que ao inv\u00e9s de fazer isso, sua grande maioria prefere manter-se na explora\u00e7\u00e3o das potencialidades fascistas que subsistem nas massas. \u00c9 preciso dialogar com as massas para colocar suas paix\u00f5es nacionalistas a servi\u00e7o da luta contra o imperialismo, educando-as e colocando na ordem do dia a necessidade da suspens\u00e3o imediata da d\u00edvida externa e interna, que consumir\u00e1 este ano 42% do or\u00e7amento geral da Uni\u00e3o, o equivalente a 898 bilh\u00f5es de reais. Com esse dinheiro daria para resolver todos os problemas do transporte coletivo de nossas cidades e implantar a tarifa zero, bem como sanar os problemas da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade p\u00fablica. Essa medida n\u00e3o poderia ser adotada sem romper com o capital internacional e certamente ela evidenciaria para outros pa\u00edses a possibilidade de seguir a mesma via. Para isso a esquerda revolucion\u00e1ria e n\u00e3o reformista deve priorizar uma mat\u00e9ria de enorme import\u00e2ncia como essa. Outra reivindica\u00e7\u00e3o importante seria fazer uma auditoria de todo o processo de privatiza\u00e7\u00e3o das estatais brasileiras e punir todos seus respons\u00e1veis (Collor, FHC, Lula e Dilma), como se fez na Argentina.<br \/>\nConclus\u00e3o<br \/>\nMarx dizia que a humanidade n\u00e3o coloca problemas que ela n\u00e3o consiga resolver. A emerg\u00eancia do movimento de massa no pa\u00eds coloca em xeque a estrutura econ\u00f4mica e pol\u00edtica da sociedade burguesa e ressalta a necessidade de que sejam superados os limites impostos pelo sistema do capital. Isso atesta que a crise econ\u00f4mica mundial acabou incidindo sobre toda a estrutura da sociedade brasileira, tanto no universo de suas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o quanto no universo de suas rela\u00e7\u00f5es sociais. As distintas manifesta\u00e7\u00f5es da classe m\u00e9dia e da classe trabalhadora apontam que \u201co rei est\u00e1 nu\u201d e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encobri-lo com os mecanismos da velha manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica da burguesia. Por isso a pr\u00f3pria burguesia tenta interferir no processo mediante a interven\u00e7\u00e3o de grupos de direita que v\u00e3o do PMDB e PSDB at\u00e9 PCdoB, PT e CUT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que os revolucion\u00e1rios n\u00e3o se intimidem diante da for\u00e7a moment\u00e2nea de seus advers\u00e1rios na disputa pela consci\u00eancia do movimento de massa, combatendo os grupos de direita que tentam atuar em seu interior. \u00c9 preciso participar de todos os lances pol\u00edticos que constituem o processo de forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de massa, tentando subverter o car\u00e1ter positivo da radicalidade de sua combatividade por mais direitos e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida pela negatividade da verticalidade que pode conduzir ao fascismo. \u00c9 preciso destruir as perspectivas reformistas \u2212 por dentro e pela base \u2212 dos movimentos de massa, ou seja, urge aproveitar todas as oportunidades para combater os inimigos da emancipa\u00e7\u00e3o humana, que pretendem reproduzir a viol\u00eancia do capital sobre os seres humanos em novas bases ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interven\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios nesse processo \u00e9 fundamental para fortalecer tanto a participa\u00e7\u00e3o direta das massas quanto para refutar as posi\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas que podem facilmente ser manipuladas pelos distintos setores reformistas (reacion\u00e1rios de direita e reformistas como PT e PCdoB). Cumpre defender a necessidade de mudan\u00e7as profundas na sociedade brasileira, mudan\u00e7as estas que conduzam ao socialismo enquanto efetiva alternativa ao capitalismo e \u00e0 domina\u00e7\u00e3o do capital sobre os seres humanos.<\/p>\n<p><strong>27\/06\/13 &#8211; Ato contra o aumento da passagem \u2013 \u00e0s 15h, concentra\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a Centen\u00e1rio<\/strong><br \/>\n<strong>02\/07\/13 \u2013 Espa\u00e7o Socialista apresenta: <\/strong><br \/>\n<strong>\u2022 Palestra \u2013 As mobiliza\u00e7\u00f5es atuais e a ofensiva socialista (com Zilas Nogueira, Adriano Nascimento e Fabiano Duarte) \u2013 de 19h \u00e0s 22h, no audit\u00f3rio do Csau, na Ufal.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual,\u00a0n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2119,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[78,11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2116"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2116"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5948,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2116\/revisions\/5948"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}