{"id":213,"date":"2010-04-25T21:50:20","date_gmt":"2010-04-25T21:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/213"},"modified":"2018-05-05T18:12:19","modified_gmt":"2018-05-05T21:12:19","slug":"transito-caos-do-modo-de-producao-burgues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/transito-caos-do-modo-de-producao-burgues\/","title":{"rendered":"Tr\u00e2nsito: caos do modo de produ\u00e7\u00e3o burgu\u00eas"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O tr\u00e2nsito e a polui\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 um dos \u201ccalcanhares\u201d dos administradores burgueses. Adota-se todo tipo de medida (restri\u00e7\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus e de carros, obriga\u00e7\u00e3o de vistoria, etc), mas os problemas continuam se agravando, uma vez que nenhuma delas mexe com o ponto central que \u00e9 adotar um sistema de transporte que n\u00e3o privilegie o lucro e sim as necessidades da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fazem porque teria que romper com a l\u00f3gica capitalista que ordena o modelo de transporte adotado e da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da cidade na sociedade capitalista.<\/p>\n<p>\u00c9 um debate importante porque a luta pelo socialismo compreende uma totalidade que envolve as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mas tamb\u00e9m a cultura, o sistema de sa\u00fade (que est\u00e1 relacionado com a qualidade de vida), a localiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas (e o que produzir), das escolas e dos hospitais e evidentemente a organiza\u00e7\u00e3o das cidades e do transporte, etc. No socialismo tudo ser\u00e1 organizado racionalmente de modo que o nosso tempo esteja voltado para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades da coletividade e n\u00e3o para os interesses do capital.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o capitalista se caracteriza pelo caos, completamente desorganizada e dispersa obrigando as pessoas se deslocarem por quil\u00f4metros para venderem sua for\u00e7a de trabalho com consequ\u00eancias para o sistema de transporte e para a pr\u00f3pria sa\u00fade. Mais duas quest\u00f5es (entre outras tantas que se poderia falar) que pode demonstrar\u00a0 o caos \u00e9 o que se produz e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que repercutem no sistema de transporte e na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o da cidade. O carro al\u00e9m de congestionar ainda polui e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria joga os trabalhadores e explorados para as periferias, locais distantes do trabalho, da escola e dos hospitais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Cidades e tr\u00e2nsito: o caos provocado pela burguesia<\/strong><\/p>\n<p>O atual sistema de transporte no Brasil foi constru\u00eddo a partir da d\u00e9cada de 50, como parte do acordo com o imperialismo para a instala\u00e7\u00e3o das montadoras no pa\u00eds. Para garantir o lucro delas a malha ferrovi\u00e1ria (de carga e de passageiros) foi sucateada e o transporte p\u00fablico passou a funcionar em torno dos \u00f4nibus produzidos por elas.\u00a0 A base desse sistema s\u00e3o os ve\u00edculos automotores seguidos pelos \u00f4nibus e caminh\u00f5es e com o petr\u00f3leo como matriz energ\u00e9tica. Uma escolha para atrair e agradar as montadoras que desde ent\u00e3o lucraram &#8211; e remeteram para as matrizes- bilh\u00f5es e bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A insanidade do capital faz com que suas escolhas ocorram pelo lucro e isso causa v\u00e1rios problemas como a polui\u00e7\u00e3o, os congestionamentos, o deslocamento de bilh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o e reforma da malha rodovi\u00e1ria (s\u00f3 trecho sul do Rodoanel em S\u00e3o Paulo tem um custo estimado em 4 bilh\u00f5es de reais e \u00e9 respons\u00e1vel por 25% do desmatamento na Grande SP no ano de 2008), a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo e ideologicamente, em detrimento de um modelo coletivo, uma concep\u00e7\u00e3o individualista no transporte, pois a imensa maioria dos ve\u00edculos s\u00e3o ocupados por uma pessoa. Um modelo que s\u00f3 atende aos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a polui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que os carros est\u00e3o entre as principais fontes de polui\u00e7\u00e3o do Brasil e do mundo. A causa \u00e9 \u00f3bvia: o combust\u00edvel. Tanto faz a gasolina, o \u00e1lcool ou o diesel. Todas as medidas adotadas pelos governos de plant\u00e3o, ou n\u00e3o t\u00eam nenhum efeito ou ele \u00e9 desprez\u00edvel. J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o ao meio de transporte a l\u00f3gica tamb\u00e9m \u00e9 perversa, pois com um transporte p\u00fablico de p\u00e9ssima qualidade muitos s\u00e3o empurradas para os carros o que agrava a polui\u00e7\u00e3o e os congestionamentos, mas garante o lucro das montadoras.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras tecnologias que poderiam ser aplicadas no desenvolvimento de transporte com fonte energ\u00e9tica muito menos poluidora, como s\u00e3o os trens e \u00f4nibus el\u00e9tricos. Esses transportes al\u00e9m de polu\u00edrem menos podem transportar muito mais pessoas em um espa\u00e7o muito menor. Mas adotar medidas que substitua os autom\u00f3veis por um sistema coletivo de transporte significaria mexer com os interesses de grandes capitalistas das montadoras, das empresas ligadas ao refino do petr\u00f3leo e da m\u00e1fia que controla as empresas de transporte coletivo nas grandes cidades. Isso nenhum governo burgu\u00eas est\u00e1 disposto a fazer.<\/p>\n<p>Quanto aos congestionamentos os trabalhadores s\u00e3o as maiores v\u00edtimas, uma vez que na atual configura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o capitalista os trabalhadores s\u00e3o obrigados a irem trabalhar cada vez mais longe o que por si j\u00e1 representa o aumento na jornada de trabalho provocando maior desgaste f\u00edsico e mental. Essa combina\u00e7\u00e3o do tempo gasto para o trabalho e o tempo gasto nos congestionamentos representa a continuidade da apropria\u00e7\u00e3o pela burguesia do tempo do trabalhador e que n\u00e3o \u00e9 remunerado. Assim o trabalhador sequer consegue descansar para se recompor para o dia seguinte e sem falar na dificuldade de que o trabalhador possa participar de reuni\u00f5es sindicais ou pol\u00edticas. Ou seja, a burguesia utiliza o caos que o seu modo de produ\u00e7\u00e3o provoca para manter os trabalhadores sob controle. \u00c9 uma apropria\u00e7\u00e3o f\u00edsica e espiritual dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Em uma sociedade socialista, portanto racional, os trabalhadores al\u00e9m de terem uma jornada de trabalho muito menor trabalhar\u00e3o pr\u00f3ximo de suas resid\u00eancias ou ter\u00e3o computado na sua jornada o tempo de deslocamento, podendo aproveitar essas horas \u201ceconomizadas\u201d para atividades pol\u00edticas, culturais, de lazer e para descanso. S\u00f3 uma sociedade irracional como a capitalista desperdi\u00e7a tanto tempo.<\/p>\n<p>Outro efeito devastador para a natureza \u00e9 a impermeabiliza\u00e7\u00e3o das cidades. Para comportar a quantidade de carros que est\u00e3o sendo produzidos (em 2009 foram\u00a0 quase 3,2 milh\u00f5es) \u00e9 preciso construir uma extensa malha rodovi\u00e1ria, o que faz com que as cidades sejam permanentemente redesenhadas, representando uma destrui\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de trabalho e da natureza, uma vez que mais e mais \u00e1rvores precisam ser derrubadas, o solo \u00e9 impermeabilizado e o curso e as margens dos rios sofrem constantes mudan\u00e7as. As recentes enchentes (que Serra culpou a natureza, Kassab a Marta Suplicy e o povo) s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia dessas altera\u00e7\u00f5es e n\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>Parte importante do or\u00e7amento do pa\u00eds \u00e9 direcionado para a constru\u00e7\u00e3o e\/ou reforma de estrada (em alguns Estados representa 50% de tudo que \u00e9 aplicado pelo governo Federal), retirando dinheiro de outras \u00e1reas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Essa grande quantidade de dinheiro em todos os or\u00e7amentos (federal e estaduais) fez com que se desenvolvesse no pa\u00eds grandes grupos econ\u00f4micos (Camargo Correa, Espasamco, etc) que s\u00e3o dependentes dessas obras e para mant\u00ea-las faz todo tipo de falcatrua, como licita\u00e7\u00e3o direcionada, caixa dois para a campanhas eleitorais (al\u00e9m de doa\u00e7\u00e3o p\u00fablica), etc. \u00c9 s\u00f3 mais um elo dessa corrente que se construiu a partir da ado\u00e7\u00e3o desse modelo de transporte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Ideologia e autom\u00f3vel<\/strong><\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel como central no sistema de transporte tamb\u00e9m implica em que as pessoas precisam ser convencidas de compr\u00e1-lo e utiliz\u00e1-lo, precisa tornar-se necessidade. Para isso foi montado um imenso aparato ideol\u00f3gico que envolve ag\u00eancias de propagandas, televis\u00e3o, psicologia de massas, etc que tem o poder de \u201cembelezar\u201d homens e mulheres, de mascarar e mudar o meio em que vivemos (todas as propagandas apresentam ruas sem buraco e sem congestionamento) e de declarar o poder dos e das possuidoras de carros sobre o mundo.<\/p>\n<p>Por essa ideologia\u00a0 quem tem um carro \u00e9 diferente e n\u00e3o est\u00e1 submetido aos caos do transporte p\u00fablico, destinado aos de pouca sorte; quem te carro \u00e9 diferente, mais inteligente, faz a escolha certa e \u201cvenceu\u201d na vida. O autom\u00f3vel \u00e9 o s\u00edmbolo do capitalismo e para a pr\u00f3pria burguesia alocada no Brasil era importante essa escolha como demonstra\u00e7\u00e3o de que definitivamente o pa\u00eds se modernizava. Como vemos a partir do autom\u00f3vel se estrutura parte importante da vida em uma sociedade capitalista.<\/p>\n<p>Outro aspecto dessa ideologia \u00e9 colocar o indiv\u00edduo acima da coletividade. Ve\u00edculos altamente poluidores que transportam pouqu\u00edssimas pessoas (na maioria das vezes uma s\u00f3 pessoa) s\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o de que o sistema de transporte tamb\u00e9m \u00e9 voltado para a propaga\u00e7\u00e3o do individualismo, fundamental para a ideologia dominante e para a pr\u00f3pria ind\u00fastria automobil\u00edstica. A degrada\u00e7\u00e3o do transporte coletivo \u00e9 parte dessa l\u00f3gica, pois a todo momento na mesma avenida congestionada podemos ver de um \u00f4nibus lotado -com as pessoas em p\u00e9 e amassadas- um ve\u00edculo com um indiv\u00edduo livre desse inferno que \u00e9 o \u00f4nibus. A constru\u00e7\u00e3o consciente dessas compara\u00e7\u00f5es \u00e9 uma t\u00e1tica muito bem pensada pela burguesia de modo que\u00a0 nesse cen\u00e1rio as pessoas possam pensar em sa\u00eddas individuais e ver o autom\u00f3vel como o meio de realiza\u00e7\u00e3o desse desejo.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><strong>Construir uma sa\u00edda pela esquerda<\/strong><\/p>\n<p>A anarquia da produ\u00e7\u00e3o capitalista faz com que ela desloque imensas for\u00e7as de trabalho para a produ\u00e7\u00e3o de bens que significam a destrui\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida da humanidade, ou seja, em vez de produzir bens que contribuam para\u00a0 o bem estar das pessoas produz-se aquilo que interessa aos capitalistas. \u00c9 a l\u00f3gica da burguesia.\u00a0 Uma sociedade socialista organizaria a produ\u00e7\u00e3o de modo que se produziria aquilo que realmente atendesse as necessidades humanas e n\u00e3o do lucro.<\/p>\n<p>Precisamos, a partir de nossas frentes de atua\u00e7\u00e3o, abrir essa discuss\u00e3o no movimento, incorporando reivindica\u00e7\u00f5es que garantam transporte coletivo p\u00fablico, gratuito e de qualidade para os trabalhadores. Em uma perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 colocado a necessidade do desenvolvimento de energias que garantam a produ\u00e7\u00e3o das necessidades dos trabalhadores e que n\u00e3o poluam o meio ambiente. Em rela\u00e7\u00e3o ao transporte coletivo at\u00e9 mesmo \u201cespecialistas\u201d burgueses reconhecem que\u00a0 o transporte sobre trilho \u00e9 muito mais barato e menos poluente. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso redirecionar a produ\u00e7\u00e3o automobil\u00edstica do pa\u00eds para ve\u00edculos que garantam a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, como os tratores.<\/p>\n<p>S\u00f3 com essas mudan\u00e7as como essas (que s\u00e3o m\u00ednimas) quantas carretas poderiam deixar de circular\u00a0 e poluir com a ado\u00e7\u00e3o do transporte de cargas para os trens? E quantos \u00f4nibus deixariam de poluir e congestionar se adot\u00e1ssemos o transporte ferrovi\u00e1rio como priorit\u00e1rio? Quantas horas os trabalhadores poderiam se dedicar ao lazer, ao estudo e a pr\u00f3pria milit\u00e2ncia anti capitalista?<\/p>\n<p>Se temos consci\u00eancia de essas medidas s\u00e3o fundamentais tamb\u00e9m sabemos que o capitalismo \u2013pela sua pr\u00f3pria l\u00f3gica do lucro- n\u00e3o pode realizar essas tarefas. S\u00f3 a revolu\u00e7\u00e3o socialista poder\u00e1 levar a frente essas tarefas. Por isso, viremos \u00e0 esquerda.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div>\n<p>\n\t\tO tr&acirc;nsito e a polui&ccedil;&atilde;o urbana &eacute; um dos &ldquo;calcanhares&rdquo; dos administradores burgueses. Adota-se todo tipo de medida (restri&ccedil;&atilde;o de circula&ccedil;&atilde;o de &ocirc;nibus e de carros, obriga&ccedil;&atilde;o de vistoria, etc), mas os problemas continuam se agravando, uma vez que nenhuma delas mexe com o ponto central que &eacute; adotar um sistema de transporte que n&atilde;o privilegie o lucro e sim as necessidades da popula&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o fazem porque teria que romper com a l&oacute;gica capitalista que ordena o modelo de transporte adotado e da pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o da cidade na sociedade capitalista.<\/p>\n<p>\n\t\t&Eacute; um debate importante porque a luta pelo socialismo compreende uma totalidade que envolve as transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, mas tamb&eacute;m a cultura, o sistema de sa&uacute;de (que est&aacute; relacionado com a qualidade de vida), a localiza&ccedil;&atilde;o das f&aacute;bricas (e o que produzir), das escolas e dos hospitais e evidentemente a organiza&ccedil;&atilde;o das cidades e do transporte, etc. No socialismo tudo ser&aacute; organizado racionalmente de modo que o nosso tempo esteja voltado para a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades da coletividade e n&atilde;o para os interesses do capital.<\/p>\n<p>\n\t\tA produ&ccedil;&atilde;o capitalista se caracteriza pelo caos, completamente desorganizada e dispersa obrigando as pessoas se deslocarem por quil&ocirc;metros para venderem sua for&ccedil;a de trabalho com consequ&ecirc;ncias para o sistema de transporte e para a pr&oacute;pria sa&uacute;de. Mais duas quest&otilde;es (entre outras tantas que se poderia falar) que pode demonstrar&nbsp; o caos &eacute; o que se produz e a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria que repercutem no sistema de transporte e na pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o da cidade. O carro al&eacute;m de congestionar ainda polui e a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria joga os trabalhadores e explorados para as periferias, locais distantes do trabalho, da escola e dos hospitais.<\/p>\n<p>\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Cidades e tr&acirc;nsito: o caos provocado pela burguesia<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tO atual sistema de transporte no Brasil foi constru&iacute;do a partir da d&eacute;cada de 50, como parte do acordo com o imperialismo para a instala&ccedil;&atilde;o das montadoras no pa&iacute;s. Para garantir o lucro delas a malha ferrovi&aacute;ria (de carga e de passageiros) foi sucateada e o transporte p&uacute;blico passou a funcionar em torno dos &ocirc;nibus produzidos por elas.&nbsp; A base desse sistema s&atilde;o os ve&iacute;culos automotores seguidos pelos &ocirc;nibus e caminh&otilde;es e com o petr&oacute;leo como matriz energ&eacute;tica. Uma escolha para atrair e agradar as montadoras que desde ent&atilde;o lucraram &#8211; e remeteram para as matrizes- bilh&otilde;es e bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\t\tA insanidade do capital faz com que suas escolhas ocorram pelo lucro e isso causa v&aacute;rios problemas como a polui&ccedil;&atilde;o, os congestionamentos, o deslocamento de bilh&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o e reforma da malha rodovi&aacute;ria (s&oacute; trecho sul do Rodoanel em S&atilde;o Paulo tem um custo estimado em 4 bilh&otilde;es de reais e &eacute; respons&aacute;vel por 25% do desmatamento na Grande SP no ano de 2008), a impermeabiliza&ccedil;&atilde;o do solo e ideologicamente, em detrimento de um modelo coletivo, uma concep&ccedil;&atilde;o individualista no transporte, pois a imensa maioria dos ve&iacute;culos s&atilde;o ocupados por uma pessoa. Um modelo que s&oacute; atende aos interesses da burguesia.<\/p>\n<p>\n\t\tEm rela&ccedil;&atilde;o a polui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; novidade para ningu&eacute;m que os carros est&atilde;o entre as principais fontes de polui&ccedil;&atilde;o do Brasil e do mundo. A causa &eacute; &oacute;bvia: o combust&iacute;vel. Tanto faz a gasolina, o &aacute;lcool ou o diesel. Todas as medidas adotadas pelos governos de plant&atilde;o, ou n&atilde;o t&ecirc;m nenhum efeito ou ele &eacute; desprez&iacute;vel. J&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o ao meio de transporte a l&oacute;gica tamb&eacute;m &eacute; perversa, pois com um transporte p&uacute;blico de p&eacute;ssima qualidade muitos s&atilde;o empurradas para os carros o que agrava a polui&ccedil;&atilde;o e os congestionamentos, mas garante o lucro das montadoras.<\/p>\n<p>\n\t\tH&aacute; outras tecnologias que poderiam ser aplicadas no desenvolvimento de transporte com fonte energ&eacute;tica muito menos poluidora, como s&atilde;o os trens e &ocirc;nibus el&eacute;tricos. Esses transportes al&eacute;m de polu&iacute;rem menos podem transportar muito mais pessoas em um espa&ccedil;o muito menor. Mas adotar medidas que substitua os autom&oacute;veis por um sistema coletivo de transporte significaria mexer com os interesses de grandes capitalistas das montadoras, das empresas ligadas ao refino do petr&oacute;leo e da m&aacute;fia que controla as empresas de transporte coletivo nas grandes cidades. Isso nenhum governo burgu&ecirc;s est&aacute; disposto a fazer.<\/p>\n<p>\n\t\tQuanto aos congestionamentos os trabalhadores s&atilde;o as maiores v&iacute;timas, uma vez que na atual configura&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o capitalista os trabalhadores s&atilde;o obrigados a irem trabalhar cada vez mais longe o que por si j&aacute; representa o aumento na jornada de trabalho provocando maior desgaste f&iacute;sico e mental. Essa combina&ccedil;&atilde;o do tempo gasto para o trabalho e o tempo gasto nos congestionamentos representa a continuidade da apropria&ccedil;&atilde;o pela burguesia do tempo do trabalhador e que n&atilde;o &eacute; remunerado. Assim o trabalhador sequer consegue descansar para se recompor para o dia seguinte e sem falar na dificuldade de que o trabalhador possa participar de reuni&otilde;es sindicais ou pol&iacute;ticas. Ou seja, a burguesia utiliza o caos que o seu modo de produ&ccedil;&atilde;o provoca para manter os trabalhadores sob controle. &Eacute; uma apropria&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e espiritual dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\tEm uma sociedade socialista, portanto racional, os trabalhadores al&eacute;m de terem uma jornada de trabalho muito menor trabalhar&atilde;o pr&oacute;ximo de suas resid&ecirc;ncias ou ter&atilde;o computado na sua jornada o tempo de deslocamento, podendo aproveitar essas horas &ldquo;economizadas&rdquo; para atividades pol&iacute;ticas, culturais, de lazer e para descanso. S&oacute; uma sociedade irracional como a capitalista desperdi&ccedil;a tanto tempo.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro efeito devastador para a natureza &eacute; a impermeabiliza&ccedil;&atilde;o das cidades. Para comportar a quantidade de carros que est&atilde;o sendo produzidos (em 2009 foram&nbsp; quase 3,2 milh&otilde;es) &eacute; preciso construir uma extensa malha rodovi&aacute;ria, o que faz com que as cidades sejam permanentemente redesenhadas, representando uma destrui&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de trabalho e da natureza, uma vez que mais e mais &aacute;rvores precisam ser derrubadas, o solo &eacute; impermeabilizado e o curso e as margens dos rios sofrem constantes mudan&ccedil;as. As recentes enchentes (que Serra culpou a natureza, Kassab a Marta Suplicy e o povo) s&atilde;o conseq&uuml;&ecirc;ncia dessas altera&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o das pessoas.<\/p>\n<p>\n\t\tParte importante do or&ccedil;amento do pa&iacute;s &eacute; direcionado para a constru&ccedil;&atilde;o e\/ou reforma de estrada (em alguns Estados representa 50% de tudo que &eacute; aplicado pelo governo Federal), retirando dinheiro de outras &aacute;reas como sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Essa grande quantidade de dinheiro em todos os or&ccedil;amentos (federal e estaduais) fez com que se desenvolvesse no pa&iacute;s grandes grupos econ&ocirc;micos (Camargo Correa, Espasamco, etc) que s&atilde;o dependentes dessas obras e para mant&ecirc;-las faz todo tipo de falcatrua, como licita&ccedil;&atilde;o direcionada, caixa dois para a campanhas eleitorais (al&eacute;m de doa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica), etc. &Eacute; s&oacute; mais um elo dessa corrente que se construiu a partir da ado&ccedil;&atilde;o desse modelo de transporte.<\/p>\n<p>\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Ideologia e autom&oacute;vel<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tA ado&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel como central no sistema de transporte tamb&eacute;m implica em que as pessoas precisam ser convencidas de compr&aacute;-lo e utiliz&aacute;-lo, precisa tornar-se necessidade. Para isso foi montado um imenso aparato ideol&oacute;gico que envolve ag&ecirc;ncias de propagandas, televis&atilde;o, psicologia de massas, etc que tem o poder de &ldquo;embelezar&rdquo; homens e mulheres, de mascarar e mudar o meio em que vivemos (todas as propagandas apresentam ruas sem buraco e sem congestionamento) e de declarar o poder dos e das possuidoras de carros sobre o mundo.<\/p>\n<p>\n\t\tPor essa ideologia&nbsp; quem tem um carro &eacute; diferente e n&atilde;o est&aacute; submetido aos caos do transporte p&uacute;blico, destinado aos de pouca sorte; quem te carro &eacute; diferente, mais inteligente, faz a escolha certa e &ldquo;venceu&rdquo; na vida. O autom&oacute;vel &eacute; o s&iacute;mbolo do capitalismo e para a pr&oacute;pria burguesia alocada no Brasil era importante essa escolha como demonstra&ccedil;&atilde;o de que definitivamente o pa&iacute;s se modernizava. Como vemos a partir do autom&oacute;vel se estrutura parte importante da vida em uma sociedade capitalista.<\/p>\n<p>\n\t\tOutro aspecto dessa ideologia &eacute; colocar o indiv&iacute;duo acima da coletividade. Ve&iacute;culos altamente poluidores que transportam pouqu&iacute;ssimas pessoas (na maioria das vezes uma s&oacute; pessoa) s&atilde;o a representa&ccedil;&atilde;o de que o sistema de transporte tamb&eacute;m &eacute; voltado para a propaga&ccedil;&atilde;o do individualismo, fundamental para a ideologia dominante e para a pr&oacute;pria ind&uacute;stria automobil&iacute;stica. A degrada&ccedil;&atilde;o do transporte coletivo &eacute; parte dessa l&oacute;gica, pois a todo momento na mesma avenida congestionada podemos ver de um &ocirc;nibus lotado -com as pessoas em p&eacute; e amassadas- um ve&iacute;culo com um indiv&iacute;duo livre desse inferno que &eacute; o &ocirc;nibus. A constru&ccedil;&atilde;o consciente dessas compara&ccedil;&otilde;es &eacute; uma t&aacute;tica muito bem pensada pela burguesia de modo que&nbsp; nesse cen&aacute;rio as pessoas possam pensar em sa&iacute;das individuais e ver o autom&oacute;vel como o meio de realiza&ccedil;&atilde;o desse desejo.<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t\t<strong>Construir uma sa&iacute;da pela esquerda<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\tA anarquia da produ&ccedil;&atilde;o capitalista faz com que ela desloque imensas for&ccedil;as de trabalho para a produ&ccedil;&atilde;o de bens que significam a destrui&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es de vida da humanidade, ou seja, em vez de produzir bens que contribuam para&nbsp; o bem estar das pessoas produz-se aquilo que interessa aos capitalistas. &Eacute; a l&oacute;gica da burguesia.&nbsp; Uma sociedade socialista organizaria a produ&ccedil;&atilde;o de modo que se produziria aquilo que realmente atendesse as necessidades humanas e n&atilde;o do lucro.<\/p>\n<p>\n\t\tPrecisamos, a partir de nossas frentes de atua&ccedil;&atilde;o, abrir essa discuss&atilde;o no movimento, incorporando reivindica&ccedil;&otilde;es que garantam transporte coletivo p&uacute;blico, gratuito e de qualidade para os trabalhadores. Em uma perspectiva da revolu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; colocado a necessidade do desenvolvimento de energias que garantam a produ&ccedil;&atilde;o das necessidades dos trabalhadores e que n&atilde;o poluam o meio ambiente. Em rela&ccedil;&atilde;o ao transporte coletivo at&eacute; mesmo &ldquo;especialistas&rdquo; burgueses reconhecem que&nbsp; o transporte sobre trilho &eacute; muito mais barato e menos poluente. Tamb&eacute;m &eacute; preciso redirecionar a produ&ccedil;&atilde;o automobil&iacute;stica do pa&iacute;s para ve&iacute;culos que garantam a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, como os tratores.<\/p>\n<p>\n\t\tS&oacute; com essas mudan&ccedil;as como essas (que s&atilde;o m&iacute;nimas) quantas carretas poderiam deixar de circular&nbsp; e poluir com a ado&ccedil;&atilde;o do transporte de cargas para os trens? E quantos &ocirc;nibus deixariam de poluir e congestionar se adot&aacute;ssemos o transporte ferrovi&aacute;rio como priorit&aacute;rio? Quantas horas os trabalhadores poderiam se dedicar ao lazer, ao estudo e a pr&oacute;pria milit&acirc;ncia anti capitalista?<\/p>\n<p>\n\t\tSe temos consci&ecirc;ncia de essas medidas s&atilde;o fundamentais tamb&eacute;m sabemos que o capitalismo &ndash;pela sua pr&oacute;pria l&oacute;gica do lucro- n&atilde;o pode realizar essas tarefas. S&oacute; a revolu&ccedil;&atilde;o socialista poder&aacute; levar a frente essas tarefas. Por isso, viremos &agrave; esquerda.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[72,86],"tags":[90],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6271,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213\/revisions\/6271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}