{"id":214,"date":"2010-04-25T21:50:20","date_gmt":"2010-04-25T21:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/214"},"modified":"2018-05-05T18:18:59","modified_gmt":"2018-05-05T21:18:59","slug":"acumulacao-flexivel-e-educaca-flexivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/acumulacao-flexivel-e-educaca-flexivel\/","title":{"rendered":"Acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel e educa\u00e7a flex\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Objetivamos mostrar a intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o entre as transforma\u00e7\u00f5es no capitalismo e o papel atribu\u00eddo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Essa an\u00e1lise leva em considera\u00e7\u00e3o o \u201c<em>grau de controle que logrou deter a grande burguesia sobre as crises c\u00edclicas do capitalismo\u201d <\/em>(consci\u00eancia adquirida a partir de 1929) como tamb\u00e9m a substitui\u00e7\u00e3o dos sistemas de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho taylorista e fordista pelo toyotista. Partimos das mudan\u00e7as ocorridas na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho provocadas pelo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico a partir dos anos 1970. O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico alterou o padr\u00e3o produtivo e introduziu a acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, substituindo o taylorismo e o fordismo pelo toyotismo.<\/p>\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, como resultado da taxa decrescente do lucro e, consequentemente, da dificuldade da realiza\u00e7\u00e3o do capital, aumentar\u00e1 exponencialmente a taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, e ainda assim n\u00e3o inverter\u00e1 ou evitar\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o da taxa de lucro, pois se trata de uma crise no seio da estrutura de funcionamento do sistema capitalista.<\/p>\n<p>Por isso, a diminui\u00e7\u00e3o do emprego, dos sal\u00e1rios e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o s\u00e3o <em>\u00a0fatos espor\u00e1dicos\u00a0no capitalismo<\/em>, e sim parte do movimento do capital.<\/p>\n<p>O\u00a0desemprego deixa de ser um fator de crise e converte-se <em>\u201c&#8230; agora em um dos elementos do processo de controle das crises que aciona o mecanismo de desaquecimento da economia como forma de mant\u00ea-la ajustada \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais vigentes, comandadas pelos interesses do sistema financeiro internacional.\u201d<\/em> (SAVIANI, Dermeval.<em>In: Capitalismo, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o, p.22)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>O papel atribu\u00eddo a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o passa a se submeter diretamente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de funcionamento da economia capitalista, pois o trabalho pedag\u00f3gico articula-se com o processo do trabalho capitalista, se constituindo no toyotismo \u201c<em>em forma de disciplinamento para a vida social e produtiva no capitalismo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Esse disciplinamento <em>\u201cconfigura-se como uma transforma\u00e7\u00e3o intelectual, cultural, pol\u00edtica e \u00e9tica, uma vez que tem por objetivo o desenvolvimento de uma concep\u00e7\u00e3o de mundo t\u00e3o consensual quanto seja poss\u00edvel, tendo em vista as necessidades de valoriza\u00e7\u00e3o do capital.\u201d <\/em>(KUENZER, Ac\u00e1cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Capitalismo, p.82)<\/em><\/p>\n<p>O que se pretende \u00e9 formar <em>\u201cum povo manso e resignado, respeitoso e discreto, um povo para quem os patr\u00f5es sempre tenham raz\u00e3o.\u201d<\/em> Ou seja, <em>\u201cum povo ideal para uma burguesia que s\u00f3 aspira resolver sua pr\u00f3pria crise.\u201d <\/em>(PONCE, \u00a0An\u00edbal<em>. In: Educa\u00e7\u00e3o e Luta de Classes, p.173<\/em>)<\/p>\n<p>O disciplinamento \u00e9 necess\u00e1rio uma vez que a educa\u00e7\u00e3o assume, de acordo com as necessidades do mercado, o princ\u00edpio da flexibilidade como condi\u00e7\u00e3o para produ\u00e7\u00e3o segundo a demanda. \u201c<em>Isso gera a necessidade n\u00e3o mais de produzir estoques de m\u00e3o-de-obra com determinadas compet\u00eancias para responder \u00e0s demandas de postos de trabalho \u2013 cujas tarefas s\u00e3o bem definidas -, mas para formar trabalhadores e pessoas com comportamentos\u00a0 flex\u00edveis, de modo que se adaptem, com rapidez e efici\u00eancia, a situa\u00e7\u00f5es novas, bem como criarem respostas para situa\u00e7\u00f5es imprevistas.\u201d (<\/em>KUENZER, Ac\u00e1cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Capitalismo, p. 87)<\/em><\/p>\n<p>E n\u00e3o apenas isso, forma-se uma m\u00e3o-de-obra que ora pode ser utilizada, ora pode ser parcialmente descartada ou totalmente descartada, de acordo com as necessidades do mercado, ou seja, m\u00e3o-de-obra flex\u00edvel.<\/p>\n<p>Dessa forma, a escola dever\u00e1 formar alunos com um repert\u00f3rio, ou seja, com compet\u00eancias e habilidades que possibilitem-no fazer escolhas. Uma aprendizagem para a inser\u00e7\u00e3o no mundo produtivo e solid\u00e1rio, e que se adapte a essa l\u00f3gica flex\u00edvel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o disciplinamento procura eliminar a exist\u00eancia de classes sociais e da luta de classes.\u00a0Com a terminologia de parceiros sociais, a escola\u00a0esconde o que sempre pretendeu a burguesia: ocultar a\u00a0exist\u00eancia de classes sociais e da luta de classes para n\u00e3o ocorrer\u00a0uma rea\u00e7\u00e3o por parte dos trabalhadores contra a precariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, e para aceitarem a \u201crealidade como ela \u00e9\u201d,\u00a0evitando qualquer possibilidade de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Exclus\u00e3o incluente e inclus\u00e3o excludente<\/strong><\/p>\n<p>O toyotismo na educa\u00e7\u00e3o e no trabalho tem como um dos objetivos o aprofundamento da separa\u00e7\u00e3o entre trabalhadores e dirigentes, e entre trabalho intelectual e trabalho instrumental. Tamb\u00e9m entra em cena um processo de \u201cexclus\u00e3o incluente\u201d, em que verificamos a exclus\u00e3o do trabalhador do mercado formal, com direitos assegurados e a inclus\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u00a0prec\u00e1rias. Dessa forma, os trabalhadores s\u00e3o desempregados e reempregados com sal\u00e1rios rebaixados, muitos contratados por empresas terceirizadas, desempenhando a mesma fun\u00e7\u00e3o e ganhando menos ou indo para a informalidade. Com isto, o setor reestruturado se alimenta e mant\u00e9m sua competitividade atrav\u00e9s do trabalho precarizado.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica, do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o, produz uma outra l\u00f3gica na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, a \u201cinclus\u00e3o excludente\u201d. Ou seja,<em>\u201cas estrat\u00e9gias de inclus\u00e3o nos diversos n\u00edveis e modalidades da educa\u00e7\u00e3o\u00a0 escolar aos quais n\u00e3o correspondem os necess\u00e1rios padr\u00f5es de qualidade que permitam a forma\u00e7\u00e3o de identidades aut\u00f4nomas intelectual e eticamente, capazes de responder e superar as demandas do capitalismo; ou, na linguagem toyotista, homens e mulheres flex\u00edveis, capazes de resolver problemas novos com rapidez e efici\u00eancia, acompanhando as mudan\u00e7a e educando-se permanentemente.\u201d (<\/em>KUENZER, Ac\u00e1cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa\u00e7\u00e3o e Capitalismo, p. 92)<\/em><\/p>\n<p>Atribui-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o de corrigir as distor\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es geradas pela l\u00f3gica de funcionamento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, amenizando a precariza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, bem como conter socialmente, sobretudo nas periferias, os descartados pelo sistema para garantir liberdade de consumo.<\/p>\n<p>Com base nisso, \u00e9 necess\u00e1rio lutarmos por uma educa\u00e7\u00e3o que rompa com a l\u00f3gica de funcionamento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Por isso, defendemos:<\/p>\n<p>&#8211; A luta por uma Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade sob o controle dos trabalhadores deve ser combinada com a luta pelo fim do capitalismo e por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>&#8211; A Educa\u00e7\u00e3o deve ser tratada em todos os n\u00edveis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social e como um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento humano!<\/p>\n<p>&#8211; Ensino p\u00fablico laico e gratuito em todos os n\u00edveis!<\/p>\n<p>&#8211; Uma escola emancipadora de todo tipo opress\u00e3o e que desenvolva a consci\u00eancia socialista!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\tObjetivamos mostrar a intr&iacute;nseca rela&ccedil;&atilde;o entre as transforma&ccedil;&otilde;es no capitalismo e o papel atribu&iacute;do &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Essa an&aacute;lise leva em considera&ccedil;&atilde;o o &ldquo;<em>grau de controle que logrou deter a grande burguesia sobre as crises c&iacute;clicas do capitalismo&rdquo; <\/em>(consci&ecirc;ncia adquirida a partir de 1929) como tamb&eacute;m a substitui&ccedil;&atilde;o dos sistemas de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho taylorista e fordista pelo toyotista. Partimos das mudan&ccedil;as ocorridas na organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho provocadas pelo avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico a partir dos anos 1970. O avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico alterou o padr&atilde;o produtivo e introduziu a acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, substituindo o taylorismo e o fordismo pelo toyotismo.<\/p>\n<p>\n\tA acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, como resultado da taxa decrescente do lucro e, consequentemente, da dificuldade da realiza&ccedil;&atilde;o do capital, aumentar&aacute; exponencialmente a taxa de explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, e ainda assim n&atilde;o inverter&aacute; ou evitar&aacute; a diminui&ccedil;&atilde;o da taxa de lucro, pois se trata de uma crise no seio da estrutura de funcionamento do sistema capitalista.<\/p>\n<p>\n\tPor isso, a diminui&ccedil;&atilde;o do emprego, dos sal&aacute;rios e das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho n&atilde;o s&atilde;o <em>&nbsp;fatos espor&aacute;dicos&nbsp;no capitalismo<\/em>, e sim parte do movimento do capital.<\/p>\n<p>\n\tO&nbsp;desemprego deixa de ser um fator de crise e converte-se <em>&ldquo;&#8230; agora em um dos elementos do processo de controle das crises que aciona o mecanismo de desaquecimento da economia como forma de mant&ecirc;-la ajustada &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais vigentes, comandadas pelos interesses do sistema financeiro internacional.&rdquo;<\/em> (SAVIANI, Dermeval.<em>In: Capitalismo, Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o, p.22)<\/em><\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t<strong>O papel atribu&iacute;do a educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>\n\tA educa&ccedil;&atilde;o passa a se submeter diretamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento da economia capitalista, pois o trabalho pedag&oacute;gico articula-se com o processo do trabalho capitalista, se constituindo no toyotismo &ldquo;<em>em forma de disciplinamento para a vida social e produtiva no capitalismo.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>\n\tEsse disciplinamento <em>&ldquo;configura-se como uma transforma&ccedil;&atilde;o intelectual, cultural, pol&iacute;tica e &eacute;tica, uma vez que tem por objetivo o desenvolvimento de uma concep&ccedil;&atilde;o de mundo t&atilde;o consensual quanto seja poss&iacute;vel, tendo em vista as necessidades de valoriza&ccedil;&atilde;o do capital.&rdquo; <\/em>(KUENZER, Ac&aacute;cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Capitalismo, p.82)<\/em><\/p>\n<p>\n\tO que se pretende &eacute; formar <em>&ldquo;um povo manso e resignado, respeitoso e discreto, um povo para quem os patr&otilde;es sempre tenham raz&atilde;o.&rdquo;<\/em> Ou seja, <em>&ldquo;um povo ideal para uma burguesia que s&oacute; aspira resolver sua pr&oacute;pria crise.&rdquo; <\/em>(PONCE, &nbsp;An&iacute;bal<em>. In: Educa&ccedil;&atilde;o e Luta de Classes, p.173<\/em>)<\/p>\n<p>\n\tO disciplinamento &eacute; necess&aacute;rio uma vez que a educa&ccedil;&atilde;o assume, de acordo com as necessidades do mercado, o princ&iacute;pio da flexibilidade como condi&ccedil;&atilde;o para produ&ccedil;&atilde;o segundo a demanda. &ldquo;<em>Isso gera a necessidade n&atilde;o mais de produzir estoques de m&atilde;o-de-obra com determinadas compet&ecirc;ncias para responder &agrave;s demandas de postos de trabalho &ndash; cujas tarefas s&atilde;o bem definidas -, mas para formar trabalhadores e pessoas com comportamentos&nbsp; flex&iacute;veis, de modo que se adaptem, com rapidez e efici&ecirc;ncia, a situa&ccedil;&otilde;es novas, bem como criarem respostas para situa&ccedil;&otilde;es imprevistas.&rdquo; (<\/em>KUENZER, Ac&aacute;cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Capitalismo, p. 87)<\/em><\/p>\n<p>\n\tE n&atilde;o apenas isso, forma-se uma m&atilde;o-de-obra que ora pode ser utilizada, ora pode ser parcialmente descartada ou totalmente descartada, de acordo com as necessidades do mercado, ou seja, m&atilde;o-de-obra flex&iacute;vel.<\/p>\n<p>\n\tDessa forma, a escola dever&aacute; formar alunos com um repert&oacute;rio, ou seja, com compet&ecirc;ncias e habilidades que possibilitem-no fazer escolhas. Uma aprendizagem para a inser&ccedil;&atilde;o no mundo produtivo e solid&aacute;rio, e que se adapte a essa l&oacute;gica flex&iacute;vel.<\/p>\n<p>\n\tAl&eacute;m disso, o disciplinamento procura eliminar a exist&ecirc;ncia de classes sociais e da luta de classes.&nbsp;Com a terminologia de parceiros sociais, a escola&nbsp;esconde o que sempre pretendeu a burguesia: ocultar a&nbsp;exist&ecirc;ncia de classes sociais e da luta de classes para n&atilde;o ocorrer&nbsp;uma rea&ccedil;&atilde;o por parte dos trabalhadores contra a precariza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, e para aceitarem a &ldquo;realidade como ela &eacute;&rdquo;,&nbsp;evitando qualquer possibilidade de mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">\n\t<strong>Exclus&atilde;o incluente e inclus&atilde;o excludente<\/strong><\/p>\n<p>\n\tO toyotismo na educa&ccedil;&atilde;o e no trabalho tem como um dos objetivos o aprofundamento da separa&ccedil;&atilde;o entre trabalhadores e dirigentes, e entre trabalho intelectual e trabalho instrumental. Tamb&eacute;m entra em cena um processo de &ldquo;exclus&atilde;o incluente&rdquo;, em que verificamos a exclus&atilde;o do trabalhador do mercado formal, com direitos assegurados e a inclus&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de trabalho&nbsp;prec&aacute;rias. Dessa forma, os trabalhadores s&atilde;o desempregados e reempregados com sal&aacute;rios rebaixados, muitos contratados por empresas terceirizadas, desempenhando a mesma fun&ccedil;&atilde;o e ganhando menos ou indo para a informalidade. Com isto, o setor reestruturado se alimenta e mant&eacute;m sua competitividade atrav&eacute;s do trabalho precarizado.<\/p>\n<p>\n\tEssa l&oacute;gica, do ponto de vista da educa&ccedil;&atilde;o, produz uma outra l&oacute;gica na dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria, a &ldquo;inclus&atilde;o excludente&rdquo;. Ou seja,<em>&ldquo;as estrat&eacute;gias de inclus&atilde;o nos diversos n&iacute;veis e modalidades da educa&ccedil;&atilde;o&nbsp; escolar aos quais n&atilde;o correspondem os necess&aacute;rios padr&otilde;es de qualidade que permitam a forma&ccedil;&atilde;o de identidades aut&ocirc;nomas intelectual e eticamente, capazes de responder e superar as demandas do capitalismo; ou, na linguagem toyotista, homens e mulheres flex&iacute;veis, capazes de resolver problemas novos com rapidez e efici&ecirc;ncia, acompanhando as mudan&ccedil;a e educando-se permanentemente.&rdquo; (<\/em>KUENZER, Ac&aacute;cia Zeneida<em>. In: Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Capitalismo, p. 92)<\/em><\/p>\n<p>\n\tAtribui-se &agrave; educa&ccedil;&atilde;o a fun&ccedil;&atilde;o de corrigir as distor&ccedil;&otilde;es e contradi&ccedil;&otilde;es geradas pela l&oacute;gica de funcionamento do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, amenizando a precariza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, bem como conter socialmente, sobretudo nas periferias, os descartados pelo sistema para garantir liberdade de consumo.<\/p>\n<p>\n\tCom base nisso, &eacute; necess&aacute;rio lutarmos por uma educa&ccedil;&atilde;o que rompa com a l&oacute;gica de funcionamento do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista.<\/p>\n<p>\n\t&nbsp;Por isso, defendemos:<\/p>\n<p>\n\t&#8211; A luta por uma Educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de qualidade sob o controle dos trabalhadores deve ser combinada com a luta pelo fim do capitalismo e por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>\n\t&#8211; A Educa&ccedil;&atilde;o deve ser tratada em todos os n&iacute;veis, como um bem coletivo, um dos instrumentos de transforma&ccedil;&atilde;o social e como um espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e desenvolvimento humano!<\/p>\n<p>\n\t&#8211; Ensino p&uacute;blico laico e gratuito em todos os n&iacute;veis!<\/p>\n<p>\n\t&#8211; Uma escola emancipadora de todo tipo opress&atilde;o e que desenvolva a consci&ecirc;ncia socialista!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29,69],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=214"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6278,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/214\/revisions\/6278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}