{"id":218,"date":"2010-04-25T21:50:19","date_gmt":"2010-04-26T00:50:19","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/218"},"modified":"2013-01-19T18:09:54","modified_gmt":"2013-01-19T20:09:54","slug":"tese-do-sindicato-dos-servidores-da-saude-do-rn-sindicato-dos-servidores-federais-do-rn-e-apoiadores-para-o-conclat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/tese-do-sindicato-dos-servidores-da-saude-do-rn-sindicato-dos-servidores-federais-do-rn-e-apoiadores-para-o-conclat\/","title":{"rendered":"Tese do Sindicato dos Servidores da Sa\u00fade do RN, sindicato dos Servidores Federais do RN e apoiadores para o CONCLAT"},"content":{"rendered":"<h2>\n\t1) CONJUNTURA INTERNACIONAL<\/h2>\n<p>\n\tA economia mundial atravessa uma fase de estabiliza&ccedil;&atilde;o depois da queda verificada na passagem de 2008 para 2009, ou seja, n&atilde;o est&aacute; mais caindo como no per&iacute;odo de auge da crise, mas n&atilde;o houve ainda uma retomada do crescimento. Do ponto de vista dos porta-vozes da burguesia, essa estabilidade j&aacute; representa o in&iacute;cio da recupera&ccedil;&atilde;o. Mas na realidade, a economia apenas parou de cair, e ainda n&atilde;o come&ccedil;ou a subir de volta para os n&iacute;veis anteriores a 2008.<\/p>\n<p>\n\tA burguesia n&atilde;o sai de uma crise econ&ocirc;mica de grandes propor&ccedil;&otilde;es como a que estamos atravessando sem impor uma derrota hist&oacute;rica aos trabalhadores, que resulte em um n&iacute;vel maior de explora&ccedil;&atilde;o. A classe dominante ainda n&atilde;o reuniu as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para desencadear um ataque nas propor&ccedil;&otilde;es daquele que seria necess&aacute;rio para recuperar a taxa de lucro. Por isso, apesar do aparente sucesso do Estado na administra&ccedil;&atilde;o da crise, as dificuldades para uma retomada do crescimento indicam que a crise permanece latente.<\/p>\n<p>\n\tA economia dos Estados Unidos caiu 11,4 em 2009 em rela&ccedil;&atilde;o a 2008, ano em que j&aacute; havia ca&iacute;do 3,2 sobre 2007. O n&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o da capacidade instalada ficou em 66,9%, contra uma m&eacute;dia de 79,6 nos &uacute;ltimos 30 anos. A taxa de acumula&ccedil;&atilde;o do capital industrial caiu em 1,7% no &uacute;ltimo trimestre de 2009, o 5&ordm; trimestre consecutivo em queda, um recorde desde a Grande Depress&atilde;o. O desemprego permanece na faixa de 10%. O otimismo da burguesia &eacute; no m&iacute;nimo injustificado, pois n&atilde;o h&aacute; sinais de recupera&ccedil;&atilde;o robusta em nenhuma das principais economias. Na Europa, pa&iacute;ses como Gr&eacute;cia, Portugal e Irlanda vivem crises severas de endividamento e a Espanha apresenta um recorde de desemprego de 20%.<\/p>\n<p>\n\tOs principais sinais de crescimento est&atilde;o em pa&iacute;ses como a China (8% em 2009) ou o Brasil. Entretanto, esses pa&iacute;ses n&atilde;o t&ecirc;m ainda condi&ccedil;&otilde;es de funcionar como uma nova locomotiva da economia mundial, pois o seu papel real de plataformas de exporta&ccedil;&atilde;o (de manufaturas no caso da China ou de mat&eacute;rias-primas no caso do Brasil) n&atilde;o foi alterado e n&atilde;o pode s&ecirc;-lo sem uma mudan&ccedil;a radical na hierarquia dos Estados capitalistas.<\/p>\n<p>\n\tO eixo principal da atividade econ&ocirc;mica dos grandes pa&iacute;ses perif&eacute;ricos ainda est&aacute; nas exporta&ccedil;&otilde;es para os pa&iacute;ses centrais. Uma vez que a crise provocou uma retra&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio mundial, ou seja, nas exporta&ccedil;&otilde;es da periferia para o centro, os governos desses pa&iacute;ses exportadores tiveram que lan&ccedil;ar pacotes de est&iacute;mulo ao mercado interno, o que explica a &quot;recupera&ccedil;&atilde;o&quot; econ&ocirc;mica artificial dos grandes pa&iacute;ses perif&eacute;ricos a partir do 2&deg; semestre de 2009. O seu crescimento pode funcionar como contrapeso moment&acirc;neo para a crise, mas n&atilde;o como alavanca para uma retomada mundial.<\/p>\n<p>\n\tTanto nos pa&iacute;ses imperialistas como na periferia o Estado teve o papel fundamental de se endividar para absorver de forma organizada o impacto da dissolu&ccedil;&atilde;o do capital fict&iacute;cio. Os trilh&otilde;es de d&oacute;lares em pap&eacute;is sem valor que circulavam na especula&ccedil;&atilde;o financeira se transformaram em trilh&otilde;es de d&oacute;lares de d&iacute;vidas assumidas pelo Estado sob diversas formas, como estatiza&ccedil;&otilde;es, pacotes de salvamento aos bancos, pacotes de est&iacute;mulo ao crescimento, oferta de cr&eacute;dito, emiss&atilde;o de t&iacute;tulos p&uacute;blicos, rolagem de d&iacute;vidas, emiss&atilde;o de moeda, etc. O n&uacute;cleo do sistema financeiro mundial foi preservado &agrave;s custas da socializa&ccedil;&atilde;o dos preju&iacute;zos.<\/p>\n<p>\n\tO saldo da crise at&eacute; o momento, al&eacute;m das imensas taxas de desemprego e da degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sociais nos pa&iacute;ses centrais, est&aacute; no endividamento p&uacute;blico em escala mundial e com velocidade in&eacute;dita. Mesmo que a burguesia consiga encontrar uma nova locomotiva para substituir a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, protagonista do &uacute;ltimo ciclo, e encetar uma recupera&ccedil;&atilde;o do capitalismo, a &quot;muni&ccedil;&atilde;o&quot; gasta pelo Estado na atual crise o deixa em condi&ccedil;&atilde;o extremamente prec&aacute;ria para enfrentar a pr&oacute;xima crise.<\/p>\n<p>\n\tNessas circunst&acirc;ncias o papel do Estado como &quot;comit&ecirc; gestor dos neg&oacute;cios da burguesia&quot; se sobressai e traz &agrave; tona a dimens&atilde;o pol&iacute;tica da quest&atilde;o. A atual crise &eacute; a primeira grande crise da hist&oacute;ria do capitalismo desde 1848 em que n&atilde;o h&aacute; uma alternativa social organizada, ou seja, em que n&atilde;o h&aacute; um movimento socialista internacional se apresentando como oposi&ccedil;&atilde;o frontal ao capitalismo e alternativa de transforma&ccedil;&atilde;o social. Na &eacute;poca da crise de 1929 e no in&iacute;cio do per&iacute;odo de crise estrutural em 1970 ainda existia a URSS e o conjunto dos Estados burocr&aacute;ticos, que com todas as distor&ccedil;&otilde;es ainda se apresentavam como contraponto ao capitalismo. Ainda que n&atilde;o estivessem mais impulsionando rupturas em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo (ao contr&aacute;rio, caminhavam para a restaura&ccedil;&atilde;o do capitalismo), sua simples exist&ecirc;ncia mantinha viva a id&eacute;ia da possibilidade dessa ruptura, que deveria se verificar atrav&eacute;s de revolu&ccedil;&otilde;es que fugissem ao controle do stalinismo e se afastassem do seu &quot;modelo&quot; burocr&aacute;tico. A partir da d&eacute;cada de 1990, desapareceu esse modelo burocr&aacute;tico stalinista, mas desapareceu com ele tamb&eacute;m a id&eacute;ia de alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>\n\tFaz-se sentir com todo o peso o problema da crise de alternativas socialistas. O retrocesso ideol&oacute;gico da classe trabalhadora, em especial nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, deixou a burguesia de m&atilde;os livres para provocar crises e administr&aacute;-las como melhor lhe aprouve, sem enfrentar uma resist&ecirc;ncia organizada e muito menos o desafio de uma ordem social alternativa. As quedas de governantes nos pa&iacute;ses mais atingidos pela atual crise, como no leste europeu, foram processadas nos marcos da democracia burguesa, ou seja, atrav&eacute;s da simples troca de um governante por outro, sem altera&ccedil;&otilde;es substantivas na ordem social. As mobiliza&ccedil;&otilde;es, inclusive as mais violentas, como na Gr&eacute;cia, ou as mais criativas, como os seq&uuml;estros de patr&otilde;es na Fran&ccedil;a, permanecem atomizadas, pontuais, e n&atilde;o apontam para a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa sist&ecirc;mica global.<\/p>\n<p>\n\tNa aus&ecirc;ncia dessa alternativa, a ideologia burguesa segue monopolizando o debate. Um dos mais graves limites estruturais enfrentados pelo capitalismo, a quest&atilde;o ambiental, foi contornado pela burguesia mundial sem que se apresentasse nenhuma iniciativa capaz de sequer come&ccedil;ar a enfrentar minimamente o avan&ccedil;ado grau de degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas do planeta. A Confer&ecirc;ncia de Copenhague em dezembro de 2009 terminou sem apresentar qualquer proposta concreta de um plano vi&aacute;vel para combater a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, pelo fato de que esse plano teria um custo insuport&aacute;vel para a burguesia.<\/p>\n<p>\n\tA crise do capitalismo, que no momento da sua eclos&atilde;o deixou entrever em sua multidimensionalidade (crise ambiental, energ&eacute;tica, alimentar, etc.) os contornos de uma verdadeira crise societal, n&atilde;o resulta em desafio &agrave; perman&ecirc;ncia do capitalismo sem que se coloque de p&eacute; uma alternativa social organizada e consciente a ser impulsionada pela classe trabalhadora. A burguesia administra a crise e imp&otilde;e a sua vers&atilde;o da hist&oacute;ria, a sua narrativa de que tudo n&atilde;o passou da irresponsabilidade de alguns indiv&iacute;duos, alguns banqueiros gananciosos, pois &quot;n&atilde;o h&aacute; nada de errado com o sistema&quot; e &quot;tudo pode voltar a ser como antes&quot;.<\/p>\n<p>\n\tO maior s&iacute;mbolo dessa continuidade atrav&eacute;s da mudan&ccedil;a est&aacute; nos Estados Unidos, onde o governo Obama segue implantando as pol&iacute;ticas herdadas da era Bush. Os servi&ccedil;os p&uacute;blicos est&atilde;o sendo desmontados em nome da necessidade de economizar recursos para o salvamento dos neg&oacute;cios dos capitalistas, em especial a burguesia financeira. No plano externo, est&atilde;o sendo mantidas as invas&otilde;es militares no Iraque e no Afeganist&atilde;o, bem como as amea&ccedil;as ao Ir&atilde;, instala&ccedil;&atilde;o de bases na Am&eacute;rica Latina e a presen&ccedil;a f&iacute;sica de militares dos EUA. O terremoto no Haiti deu tamb&eacute;m a oportunidade de ocupar militarmente o pa&iacute;s caribenho, deslocando as for&ccedil;as da ONU chefiadas pelo Brasil e cortando as pretens&otilde;es de maior proemin&ecirc;ncia geopol&iacute;tica do governo Lula.<\/p>\n<p>\n\tNo conjunto da Am&eacute;rica Latina h&aacute; um reposicionamento da direita. A d&eacute;cada de 2000 come&ccedil;ou com uma onda de governantes ditos &quot;anti-neoliberais&quot; ou &quot;de esquerda&quot;, contendo uma ala &quot;bolivariana&quot; (Chavez, Morales, Correa) tida como mais radical devido a enfrentamentos limitados com a burguesia local e o imperialismo, e uma ala francamente adaptada ao neoliberalismo (Lula, Kirchner, Vasques, Bachelet, Lugo, Ortega). A ala chavista, apesar da ret&oacute;rica do &quot;socialismo do s&eacute;culo XXI&quot;, n&atilde;o rompeu com o capitalismo, adotando apenas algumas medidas limitadas (como as estatiza&ccedil;&otilde;es mediante indeniza&ccedil;&atilde;o) e assistencialistas. A ala lulista, que tamb&eacute;m despertou ilus&otilde;es de setores de esquerda no continente e no mundo, na pr&aacute;tica manteve o essencial das pol&iacute;ticas neoliberais (privatiza&ccedil;&otilde;es, pagamento da d&iacute;vida, desmonte dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, ataques aos trabalhadores), n&atilde;o realizou reformas, n&atilde;o rompeu com o imperialismo e p&ocirc;s em pr&aacute;tica um assistencialismo bancado por super&aacute;vits comerciais obtidos &agrave;s custas das exporta&ccedil;&otilde;es de produtos naturais (petr&oacute;leo, g&aacute;s, commodities agr&iacute;colas). Sem enfrentar de fato as burguesias locais e internacionais n&atilde;o h&aacute; como realizar melhorias mais duradouras nas condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores. Sem tais melhorias, as popula&ccedil;&otilde;es do continente voltam a olhar os pol&iacute;ticos de direita como alternativa.<\/p>\n<p>\n\tNo Chile, depois de 20 anos, a direita tradicional voltou a ganhar as elei&ccedil;&otilde;es, a despeito da popularidade de Bachelet, que n&atilde;o transferiu votos para seu candidato. Esse fen&ocirc;meno paradoxal &eacute; uma express&atilde;o da &quot;despolitiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica&quot;, em que os partidos deixam de apresentar diferen&ccedil;as em termos de alternativa social e defendem todos um mesmo projeto, ou seja, a perman&ecirc;ncia do capitalismo. Os partidos &quot;de esquerda&quot; que admitem a conviv&ecirc;ncia com o capitalismo se convertem em clones da direita e s&atilde;o preteridos pelos eleitores devido &agrave; falta de &quot;resultados&quot;. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o da esquerda e sua capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia burguesa andam na contram&atilde;o da luta para superar a crise de alternativa. A tarefa das organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda &eacute; precisamente recolocar em discuss&atilde;o a necessidade de um projeto social alternativo, um projeto socialista que se construa nas lutas e para al&eacute;m das conjunturas e elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\tAntes do Chile, houve um ensaio em Honduras, com o golpe de Estado contra o presidente Zelaya, que se aproximava do chavismo. O golpe foi sacramentado por elei&ccedil;&otilde;es esp&uacute;rias (tais como as que se realizam no Iraque e Afeganist&atilde;o sob ocupa&ccedil;&atilde;o militar estrangeira), que deram posse a um presidente ileg&iacute;timo, sem que houvesse contesta&ccedil;&atilde;o internacional ou continental e contando com a capitula&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Zelaya, que cedeu &agrave; direita antes que a mobiliza&ccedil;&atilde;o popular tivesse condi&ccedil;&otilde;es de impor suas reivindica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\tOs ensaios realizados em Honduras e no Chile, bem como a ocupa&ccedil;&atilde;o do Haiti sob pretexto de ajuda humanit&aacute;ria, mostram que o imperialismo e as burguesias locais est&atilde;o &agrave; postos para retomar o controle dos governos do continente da forma que for preciso. A via golpista n&atilde;o parece ser necess&aacute;ria no momento, pois se provou que os governos &quot;anti-neoliberais&quot; podem ser derrotados eleitoralmente. A democracia burguesa permanece sendo o regime mais eficaz de domina&ccedil;&atilde;o. A l&oacute;gica da altern&acirc;ncia dos partidos permite que as agremia&ccedil;&otilde;es da direita explorem as debilidades dos atuais governantes &quot;de esquerda&quot;, tais como a corrup&ccedil;&atilde;o ou a aus&ecirc;ncia de melhorias reais na situa&ccedil;&atilde;o material dos trabalhadores, para se credenciar novamente como alternativa. A d&eacute;cada de governos &quot;anti-neoliberais&quot; no continente n&atilde;o produziu conquistas materiais significativas, e se esgota deixando as portas abertas para o retorno da direita tradicional.<\/p>\n<p>\n\tAl&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es, a democracia burguesa ainda conta com uma s&eacute;rie de dispositivos de controle social que amortecem as contradi&ccedil;&otilde;es de classe, tais como a repress&atilde;o policial, as institui&ccedil;&otilde;es penais, o judici&aacute;rio, que atacam os trabalhadores em luta sem que haja necessidade de uma ditadura militar aberta ao estilo das d&eacute;cadas de 1960 e 70.<\/p>\n<h2>\n\t2) CONJUNTURA NACIONAL<\/h2>\n<p>\n\tO grande teste para a direita tradicional se dar&aacute; no Brasil, com o processo de sucess&atilde;o de Lula. O presidente brasileiro est&aacute; sendo canonizado em vida por setores da imprensa burguesa brasileira e internacional, que oferecem o seu exemplo como modelo mundial de governante capaz preservar os lucros da burguesia &agrave;s custas dos trabalhadores e ainda assim desfrutar de imensa popularidade. O grande achado do governo Lula &eacute; o fato de que, como ele mesmo disse, &quot;dar um pouquinho de dinheiro para os exclu&iacute;dos n&atilde;o desmonta a economia&quot; (O Estado de S. Paulo &#8211; 10\/12\/2009). A exalta&ccedil;&atilde;o da figura de Lula &eacute; tamb&eacute;m uma exalta&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es, um refor&ccedil;o ideol&oacute;gico do Estado e da democracia burguesa, do mito de que &quot;qualquer um pode chegar l&aacute;&quot; e o sistema &eacute; fundamentalmente justo.<\/p>\n<p>\n\tO projeto encarnado por Lula consiste em empregar p&atilde;o, circo e cacetete para criar a &quot;mis&eacute;ria funcional&quot;, ou seja, a mis&eacute;ria que n&atilde;o gera revolta. O bolsa-esmola, a Copa do Mundo e a repress&atilde;o feroz s&atilde;o as formas de administrar a deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores sem que isso provoque mobiliza&ccedil;&otilde;es e desafio ao controle da burguesia. Opera-se uma esp&eacute;cie de desclassiciza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, a destrui&ccedil;&atilde;o da sua identidade social em nome da sua transforma&ccedil;&atilde;o numa massa de indiv&iacute;duos dependentes das benesses do Estado. Uma massa que se conforma com os baixos sal&aacute;rios, as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, a superexplora&ccedil;&atilde;o, a aus&ecirc;ncia de servi&ccedil;os p&uacute;blicos decentes, o subemprego, o trabalho tempor&aacute;rio, intermitente, informal, o desemprego aberto, desde que n&atilde;o morra de fome e possa assistir TV. Cria-se uma classe trabalhadora flex&iacute;vel e domesticada, dispon&iacute;vel e desfrut&aacute;vel, que pode ser contratada ou demitida com agilidade ao sabor das flutua&ccedil;&otilde;es do mercado mundial para o qual passa a estar voltada a burguesia instalada no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\n\tA implanta&ccedil;&atilde;o dessa mis&eacute;ria funcional contou com o indispens&aacute;vel concurso da burocracia do PT e PcdoB encastelada no controle dos principais instrumentos de luta da classe trabalhadora, a CUT, CTB, o MST e a UNE, que impediram os setores mais organizados e mobilizados da classe de entrar em luta aberta contra o governo Lula e atrapalhar os neg&oacute;cios da burguesia. As lutas que houveram ao longo de todo o mandato de Lula foram contornadas, desviadas e derrotadas pela burocracia. Houve importantes mobiliza&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia dos trabalhadores contra a reforma da previd&ecirc;ncia, oper&aacute;rios da constru&ccedil;&atilde;o civil, servidores federais, banc&aacute;rios, correios, petroleiros, professores, etc., bem como ocupa&ccedil;&otilde;es do MST, MTL e Terra Livre, que no entanto se depararam com o obst&aacute;culo das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas. Essas lutas de resist&ecirc;ncia obtiveram conquistas parciais e defensivas, mas n&atilde;o puderam p&ocirc;r em cheque a condu&ccedil;&atilde;o do projeto do governo e da burguesia. A crise atual deu a oportunidade para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o nas empresas, com demiss&otilde;es em massa, redu&ccedil;&otilde;es de sal&aacute;rios e corte de direitos, com a colabora&ccedil;&atilde;o ativa da CUT, CTB e demais centrais pelegas na assinatura de acordos lesivos aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tO governo Lula tornou evidente o car&aacute;ter de classe do PT como um partido burgu&ecirc;s composto de burocratas. Sua base social est&aacute; na burocracia estatal, nos aparatos sindicais, fundos de pens&atilde;o, etc. O projeto e o programa do PT s&atilde;o nitidamente burgueses. Os tra&ccedil;os remanescentes de presen&ccedil;a oper&aacute;ria na base do PT, em especial nos bairros e movimentos populares, n&atilde;o tem mais qualquer influ&ecirc;ncia decis&oacute;ria em qualquer inst&acirc;ncia do partido. &Eacute; dos aparatos estatais e sindicais que essa massa de burocratas aufere seus rendimentos e privil&eacute;gios, como as participa&ccedil;&otilde;es nos lucros dos fundos de pens&otilde;es, os altos sal&aacute;rios nos cargos de confian&ccedil;a, nas diretorias de estatais, os privil&eacute;gios parlamentares e sindicais, etc. Isso sem falar na capta&ccedil;&atilde;o de recursos via corrup&ccedil;&atilde;o, de cujos exemplos o governo Lula foi pr&oacute;digo, desde o mensal&atilde;o at&eacute; a Bancoop.<\/p>\n<p>\n\tO PT defende um projeto capitalista com um pouco mais de controle do Estado do que o PSDB e o DEM. As diferen&ccedil;as entre eles residem na disputa para determinar quem vai usufruir maior controle da m&aacute;quina do Estado. Em que pesem as diverg&ecirc;ncias pontuais do PT com o PSDB, ambos t&ecirc;m acordo no projeto estrat&eacute;gico de tornar o Brasil um pa&iacute;s vi&aacute;vel do ponto de vista do capital, o que significa necessariamente a ajuda &agrave;s empresas e o aumento dos ataques aos trabalhadores, particularmente com o agravamento da crise.<\/p>\n<p>\n\tO governo Lula &eacute; um governo burgu&ecirc;s cl&aacute;ssico. &Eacute; importante diferenciar o governo Lula do pr&oacute;prio PT, pois o governo est&aacute; mais &agrave; direita que o pr&oacute;prio partido. Isso ocorre pela op&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio PT e pela necessidade de governabilidade. A base de apoio do governo no Congresso se deslocou dos partidos menores e um pouco mais &agrave; esquerda (como PDT, PSB, etc.) para o PMDB, que possui uma grande bancada parlamentar, um grande n&uacute;mero de governos estaduais e prefeituras, e portanto uma grande influ&ecirc;ncia perante o governo. O PT obedece cegamente as diretrizes tra&ccedil;adas pelo governo e funciona como instrumento a servi&ccedil;o da governabilidade burguesa, abrindo m&atilde;o de qualquer bandeira program&aacute;tica. Assim, o governo Lula enquanto projeto e pol&iacute;tica cotidiana n&atilde;o tem nada de essencialmente diferente em rela&ccedil;&atilde;o ao um governo burgu&ecirc;s normal.<\/p>\n<p>\n\tDo ponto de vista da disputa entre os partidos, o PSDB conta com um relativo desgaste do PT depois de 8 anos de gest&atilde;o e sucessivos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o, que horrorizam especialmente a pequena-burguesia. O PSDB n&atilde;o precisa apresentar um projeto diferente daquele que o PT vem implementando, que na verdade &eacute; uma continuidade do projeto FHC, o projeto de inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no mercado mundial como exportador de mat&eacute;rias-primas agr&iacute;colas e manufaturas de baixo valor, &agrave;s custas da devasta&ccedil;&atilde;o ambiental e da superxplora&ccedil;&atilde;o do proletariado. Tudo o que o PSDB precisa fazer &eacute; apresentar as credenciais de uma gest&atilde;o tecnocr&aacute;tica mais eficiente do mesmo projeto, em lugar da vers&atilde;o voluntarista e popularesca protagonizada por Lula.<\/p>\n<p>\n\tEm rela&ccedil;&atilde;o ao PT, a vit&oacute;ria de Dilma &eacute; uma quest&atilde;o de vida ou morte. O PT se transformou numa m&aacute;quina eleitoral cuja sobreviv&ecirc;ncia material depende mortalmente de mandatos parlamentares, cargos no executivo, cargos de confian&ccedil;a, diretorias de estatais, etc. Numa eventual vit&oacute;ria do PSDB, a &quot;despetiza&ccedil;&atilde;o&quot; do Estado iria obrigar milhares de burocratas a se relocalizar nos sindicatos, nas ONGs, na academia, etc., ou seja, a ter que &quot;p&ocirc;r as m&atilde;os na massa&quot; na rela&ccedil;&atilde;o direta com os trabalhadores para sobreviver politicamente e materialmente. Por isso, a burocracia far&aacute; da elei&ccedil;&atilde;o de Dilma o principal eixo de atividade das entidades sob seu controle, secundarizando as campanhas salariais ou qualquer outra atividade. O PT far&aacute; de tudo para associar o prest&iacute;gio de Lula &agrave; candidatura Dilma e transformar a aprova&ccedil;&atilde;o do governo em votos, al&eacute;m de demonizar Serra e amedrontar os trabalhadores com a amea&ccedil;a da volta da direita.<\/p>\n<h2>\n\t3) PLANO DE LUTAS<\/h2>\n<p>\n\tO interesse vital da burocracia e o interesse do PSDB em retomar o controle do Estado tende a fazer das elei&ccedil;&otilde;es de 2010 uma disputa dur&iacute;ssima. Essa disputa deve polarizar a opini&atilde;o p&uacute;blica ao longo do ano, estabelecendo um falso debate que caber&aacute; &agrave; esquerda tentar romper. Mais do que nunca ser&aacute; fundamental politizar a pol&iacute;tica, ou seja, colocar em discuss&atilde;o um projeto pol&iacute;tico calcado numa perspectiva de classe, numa disputa ideol&oacute;gica pelo socialismo.<\/p>\n<p>\n\tDiante desse cen&aacute;rio, a principal tarefa deste Conclat n&atilde;o pode se limitar &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do modelo de central. A Reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora n&atilde;o pode se reduzir a uma reacomoda&ccedil;&atilde;o de alguns aparatos dirigidos por correntes de esquerda. Para que se trate de uma Reorganiza&ccedil;&atilde;o de fato, &eacute; preciso lutar pela renova&ccedil;&atilde;o das estruturas e das pr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores que vigoram no Brasil h&aacute; d&eacute;cadas. No que se refere especificamente ao movimento sindical, a estrutura herdada da Era Vargas nunca foi realmente superada, nem mesmo em per&iacute;odos de forte ascenso das lutas dos trabalhadores como no pr&eacute;-1964 e na virada da d&eacute;cada de 1970 para 1980. &Eacute; preciso romper com essa estrutura para que a nova entidade a ser criada tenha de fato condi&ccedil;&otilde;es de servir como alternativa organizativa.<\/p>\n<p>\n\tA Reorganiza&ccedil;&atilde;o deve ser concebida como constru&ccedil;&atilde;o de um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, que seja um f&oacute;rum permanente de organiza&ccedil;&atilde;o da classe, que v&aacute; al&eacute;m da esfera sindical ou eleitoral e desenvolva a disputa pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica pela consci&ecirc;ncia da classe, apresentando uma resposta socialista para a crise em que vivemos e suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es. Esse Movimento inclui a atividade sindical e eleitoral, mas n&atilde;o como um simples arranjo na forma&ccedil;&atilde;o de chapas, e sim como espa&ccedil;o para a discuss&atilde;o de programas e express&atilde;o da auto-organiza&ccedil;&atilde;o da classe e suas lutas, a partir das quais se constroem chapas sindicais e candidaturas eleitorais. Um pressuposto desse Movimento &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o da unidade, por isso consideramos importante que o CONCLAT aprove uma &uacute;nica candidatura dos trabalhadores para elei&ccedil;&otilde;es de 2010, como forma de se contrapor &agrave; falsa polariza&ccedil;&atilde;o entre Serra e Dilma.<\/p>\n<p>\n\tA tarefa desse Movimento &eacute; dotar a classe de uma alternativa pol&iacute;tica classista, socialista, independente do Estado e funcionando com base na democracia oper&aacute;ria, sem espa&ccedil;o para a burocratiza&ccedil;&atilde;o e o aparatismo. Esse Movimento seria o motor da disputa ideol&oacute;gica pelo socialismo, entendida como disputa permanente pela consci&ecirc;ncia dos trabalhadores contra o dom&iacute;nio da ideologia burguesa, do reformismo e de diversas formas de atraso e senso comum que obstruem o avan&ccedil;o da luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>\n\tApresentamos a seguir algumas propostas para um plano de luta que cont&eacute;m respostas para as quest&otilde;es imediatas colocadas pela continuidade da crise e que lan&ccedil;am a discuss&atilde;o sobre uma alternativa social global:<\/p>\n<p>\n\t&#8211; N&atilde;o &agrave;s demiss&otilde;es! Estabilidade no emprego e readmiss&atilde;o dos demitidos!<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\tRedu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios!<\/li>\n<li>\n\t\tSal&aacute;rio m&iacute;nimo do DIEESE como piso para todas as categorias!<\/li>\n<li>\n\t\tCarteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza&ccedil;&atilde;o, da informalidade e da precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho!<\/li>\n<li>\n\t\tCotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/li>\n<li>\n\t\tReestatiza&ccedil;&atilde;o da Embraer, da Vale e demais empresas privatizadas, sem indeniza&ccedil;&atilde;o e sob controle dos trabalhadores!<\/li>\n<li>\n\t\tEstatiza&ccedil;&atilde;o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza&ccedil;&atilde;o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea&ccedil;arem fechar!<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o pagamento das d&iacute;vidas p&uacute;blicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi&ccedil;os p&uacute;blicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi&ccedil;&otilde;es imediatas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/li>\n<li>\n\t\tEstatiza&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/li>\n<li>\n\t\tReforma agr&aacute;ria sob controle dos trabalhadores! Fim do latif&uacute;ndio e do agroneg&oacute;cio! Por uma agricultura coletiva, org&acirc;nica e ecol&oacute;gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/li>\n<li>\n\t\tQue o CONCLAT aprove a frente de esquerda, classista e socialista!<\/li>\n<li>\n\t\tPor um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza&ccedil;&otilde;es de luta!<\/li>\n<li>\n\t\tPor uma sociedade socialista!<\/li>\n<\/ul>\n<h2>\n\t4) ESTRUTURA SINDICAL<\/h2>\n<h3>\n\t4.1) Combater a estrutura sindical vigente<\/h3>\n<p>\n\tA quest&atilde;o da legalidade e da permiss&atilde;o estatal &#8211; No Brasil os sindicatos dependem de autoriza&ccedil;&atilde;o do Estado para existir. &Eacute; preciso ter uma carta do Minist&eacute;rio do Trabalho para que a entidade tenha a condi&ccedil;&atilde;o legal de representar os trabalhadores perante a patronal e o pr&oacute;prio Estado. Os sindicatos passam a ter como limite da sua atua&ccedil;&atilde;o as negocia&ccedil;&otilde;es trabalhistas. O fato dos sindicatos n&atilde;o poderem se organizar autonomamente, segundo suas pr&oacute;prias concep&ccedil;&otilde;es, para desenvolver o processo de educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da classe em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo paralelo ao enfrentamento cotidiano das quest&otilde;es trabalhistas, &eacute; um obst&aacute;culo estrutural para a luta emancipat&oacute;ria dos trabalhadores no Brasil.<\/p>\n<p>\n\tIsso n&atilde;o significa que defendemos a cria&ccedil;&atilde;o de sindicatos paralelos ou clandestinos. Defendemos o direito legal de organiza&ccedil;&atilde;o, o fortalecimento dos sindicatos, a inviolabilidade dos mandatos, a estabilidade e a inamovibilidade dos dirigentes sindicais, dos membros das CIPAS, dos representantes por locais de trabalho, assim como todos os direitos trabalhistas contidos na lei e os direitos democr&aacute;ticos de modo geral, e lutamos pela sua amplia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tA quest&atilde;o &eacute; que n&atilde;o se pode confundir o direito de organiza&ccedil;&atilde;o conquistado ao Estado burgu&ecirc;s e materializado em sua legisla&ccedil;&atilde;o com o processo de adapta&ccedil;&atilde;o e exist&ecirc;ncia subordinada apenas &agrave; permiss&atilde;o estatal. &Eacute; preciso, al&eacute;m da atividade legal e reconhecida, a constru&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es clandestinas nas empresas privadas onde, por sua pr&oacute;pria natureza, existe feroz ditadura de classe.<\/p>\n<p>\n\tContra o financiamento estatal &#8211; A luta pelo socialismo &eacute; uma luta pela destrui&ccedil;&atilde;o do Estado burgu&ecirc;s e n&atilde;o pelo seu fortalecimento. Para que os trabalhadores exer&ccedil;am o controle ser&aacute; preciso destruir a atual forma do Estado. Isso envolve inclusive destruir a atual forma de funcionamento dos sindicatos, o que exige lutar por uma autonomia real e total dos organismos de luta em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado.<\/p>\n<p>\n\tNa sua atual forma, o atrelamento dos sindicatos ao Estado se materializa por meio do financiamento, pois os sindicatos no Brasil s&atilde;o mantidos por meio do Imposto Sindical, uma contribui&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria cobrada de todos os trabalhadores brasileiros, independentemente de serem sindicalizados ou n&atilde;o, equivalente a um dia de trabalho por ano. Com esse dinheiro &eacute; poss&iacute;vel manter artificialmente a exist&ecirc;ncia de um aparato burocr&aacute;tico de sindicatos, federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais sem que essas entidades tenham qualquer papel pol&iacute;tico real enquanto organiza&ccedil;&otilde;es da classe, at&eacute; mesmo no que se refere ao plano da luta econ&ocirc;mica elementar.<\/p>\n<p>\n\tOs sindicatos n&atilde;o precisam realizar nenhuma luta, nem sequer uma campanha salarial, para se manter funcionando e sustentando uma camada de parasitas burocratizados. Al&eacute;m do imposto sindical, os sindicatos e centrais recebem outras verbas por meio de conv&ecirc;nios com o Estado e com as pr&oacute;prias empresas, como o FAT, que financiam uma estrutura assistencial dependente do Estado burgu&ecirc;s e conformada aos seus limites pol&iacute;ticos. &Eacute; preciso romper com essa barreira e construir organiza&ccedil;&otilde;es sindicais pol&iacute;tica e financeiramente aut&ocirc;nomas, mantidas exclusivamente por meio da contribui&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria e consciente dos trabalhadores, em fun&ccedil;&atilde;o do reconhecimento da sua representatividade.<\/p>\n<p>\n\tA quest&atilde;o da independ&ecirc;ncia pol&iacute;tico\/financeira e do funcionamento burocr&aacute;tico dos organismos dos trabalhadores tem sido um calcanhar de Aquiles n&atilde;o apenas para o movimento sindical, mas tamb&eacute;m nos demais setores. O MST tem priorizado a busca de verbas do governo federal para que os assentamentos possam concorrer com o modelo de agricultura em vigor, ao inv&eacute;s de priorizar a luta contra o latif&uacute;ndio e a ruptura do modelo do agroneg&oacute;cio. A UNE tem se financiado com a venda de carteirinhas de meia- entrada e outras formas de financiamento direto do Estado. V&aacute;rios movimentos de combate &agrave; opress&atilde;o racial ou de outros setores tem se convertido em ONGs financiadas pelo governo ou at&eacute; por empresas, buscando a adapta&ccedil;&atilde;o ao sistema ao inv&eacute;s do combate contra a realidade existente.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o d&aacute; para manter a independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica do Estado burgu&ecirc;s sem romper com qualquer tipo de ajuda e conv&ecirc;nios com os &oacute;rg&atilde;os do Estado e da patronal. A nova entidade n&atilde;o pode aceitar -direta ou indiretamente- nenhum centavo do Estado e das entidades patronais. Tamb&eacute;m &eacute; preciso reafirmar que somos contra o imposto sindical e qualquer contribui&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores que n&atilde;o seja volunt&aacute;ria, atrav&eacute;s das mensalidades sindicais, decis&otilde;es importantes dos congressos anteriores da Conlutas. Mas &eacute; preciso ir mais longe e colocar como condi&ccedil;&atilde;o para os sindicatos a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o do dinheiro do Imposto Sindical e de nenhuma verba dos governos.<\/p>\n<p>\n\tLiberdade para os trabalhadores se organizarem &#8211; Um dos instrumentos de controle sobre os sindicatos &eacute; a estrutura vertical (vincula&ccedil;&atilde;o a federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais) e a unicidade sindical (proibi&ccedil;&atilde;o de mais de um sindicato da mesma categoria na base de um munic&iacute;pio). Essa estrutura cria uma cadeia hier&aacute;rquica vertical em que o centro das decis&otilde;es passa a estar situado nas entidades superestruturais e deslocado da base. Al&eacute;m disso, o funcionamento verticalizado das centrais impede a autonomia das regionais. As subse&ccedil;&otilde;es das centrais nos Estados e regi&otilde;es limitam-se a reproduzir as campanhas e atividades propostas pela dire&ccedil;&atilde;o nacional, sem iniciativa para desenvolver atividades pr&oacute;prias.<\/p>\n<p>\n\tDefendemos a unidade da classe e de seus organismos. Mas a unidade n&atilde;o pode ser imposta por determina&ccedil;&otilde;es do Estado, ela deve ser fruto de uma decis&atilde;o consciente dos trabalhadores. A forma&ccedil;&atilde;o de sindicatos, assim como a sua filia&ccedil;&atilde;o a federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais, deve ser uma decis&atilde;o pol&iacute;tica aut&ocirc;noma da base das categorias.<\/p>\n<p>\n\tLutar contra o economicismo e o corporativismo &#8211; A forma de organiza&ccedil;&atilde;o centralizada por categoria funciona de modo a manter a luta restrita aos limites corporativos de determinado segmento profissional. Os sindicatos organizam a luta pelas quest&otilde;es espec&iacute;ficas das categorias e n&atilde;o desenvolvem lutas pol&iacute;ticas mais gerais que contemplem os interesses do conjunto da classe. O calend&aacute;rio de atividades dos sindicatos se centraliza pelas campanhas salariais, de acordo com a data-base das categorias. Os sindicatos mobilizam os trabalhadores para as reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, mas como uma simples massa de manobra, que deve comparecer nas assembl&eacute;ias e eventualmente paralisar a produ&ccedil;&atilde;o. Encerrada a campanha e assinados os acordos, os trabalhadores voltam &agrave; rotina. Desse modo, os sindicatos se abst&eacute;m de fazer a mobiliza&ccedil;&atilde;o permanente, perpetuando o economicismo e negligenciando a educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tMuitas vezes existem subdivis&otilde;es dentro da pr&oacute;pria categoria, nas situa&ccedil;&otilde;es em que h&aacute; trabalhadores de uma mesma empresa representados por sindicatos diferentes, j&aacute; que n&atilde;o s&atilde;o considerados como pertencentes ao mesmo ramo profissional, como &eacute; o caso do terceirizados. Esse processo se aprofundou com as terceiriza&ccedil;&otilde;es e a precariza&ccedil;&atilde;o geral do trabalho. Os sindicatos se abst&eacute;m de organizar os terceirizados, contratados, tempor&aacute;rios, trabalhadores de segmentos considerados &quot;subalternos&quot;, como servi&ccedil;os de limpeza, copa, telefonia, etc. Defendemos que os sindicatos da Nova Central devem dedicar parte importante de sua atividade para temas pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos e, obrigatoriamente, em conjunto com a luta pelo fim das terceiriza&ccedil;&otilde;es, desenvolver formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores terceirizados. &Eacute; uma das formas -pr&aacute;tica e concreta- de lutarmos contra o corporativismo.<\/p>\n<p>\n\tContra a concilia&ccedil;&atilde;o de classe &#8211; O corporativismo e o economicismo, bem como a participa&ccedil;&atilde;o em conv&ecirc;nios com o Estado, s&atilde;o express&otilde;es de uma atividade sindical pautada na concilia&ccedil;&atilde;o de classe. As entidades sindicais abriram m&atilde;o da defesa de uma alternativa pol&iacute;tica e social de conte&uacute;do classista e socialista, assumindo abertamente a defesa da perman&ecirc;ncia da sociedade burguesa. O sistema capitalista &eacute; concebido como horizonte definitivo de organiza&ccedil;&atilde;o da vida social. O fim da CUT e de seus sindicatos n&atilde;o est&aacute; s&oacute; na incorpora&ccedil;&atilde;o ao Estado e de apoio ao governo Lula, mas principalmente no fato de que a CUT e demais centrais governistas se incorporaram &agrave; l&oacute;gica de mercado, onde os sindicatos passam a colaborar com a patronal e com o Estado na gest&atilde;o da economia. Os sindicatos assumem o discurso da patronal de que as empresas precisam cortar custos para voltar a ter lucro e assim manter empregos e colaborar com &quot;o bem comum&quot;. Em nome desse discurso, entidades sindicais assinam acordos que legitimam, demiss&otilde;es, redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios, corte de direitos, precariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, banco de horas, etc. Tornam-se a primeira fileira do aparato repressivo do capital. A fun&ccedil;&atilde;o de repress&atilde;o e concilia&ccedil;&atilde;o de classe se expressa tamb&eacute;m na op&ccedil;&atilde;o pela via da negocia&ccedil;&atilde;o e da judicializa&ccedil;&atilde;o dos conflitos trabalhistas. Ao empregar essa via, os sindicatos pelegos conseguem conter as mobiliza&ccedil;&otilde;es e colocam os trabalhadores numa posi&ccedil;&atilde;o passiva, &agrave; espera de que os dirigentes sindicais ou o Estado, atrav&eacute;s da justi&ccedil;a trabalhista, resolvam seus problemas.<\/p>\n<p>\n\tOrganiza&ccedil;&atilde;o de base &#8211; O sindicalismo brasileiro se caracteriza ainda pela falta de efetividade das organiza&ccedil;&otilde;es por local de trabalho, como as comiss&otilde;es de empresa, CIPAs, corpos de delegados sindicais e representantes de base. A atividade sindical &eacute; desenvolvida como algo que emana da c&uacute;pula dirigente das entidades sindicais, ao inv&eacute;s de se construir na mobiliza&ccedil;&atilde;o a partir da base. Os dirigentes atuam de forma exterior, de cima para baixo, de maneira descolada da realidade do &quot;ch&atilde;o de f&aacute;brica&quot;. O sindicato comparece em &eacute;poca de campanha salarial com carro de som ou panfletos na porta das empresas, como um &quot;corpo estranho&quot;, sem identidade com os trabalhadores e alienado do seu cotidiano.<\/p>\n<p>\n\tQuando os trabalhadores atendem ao chamado dos sindicatos, comparecendo &agrave;s assembl&eacute;ias e paralisando a produ&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m agem de forma passiva, pois n&atilde;o lhes s&atilde;o dadas condi&ccedil;&otilde;es de interferir na condu&ccedil;&atilde;o da luta desenvolvida em seu nome. Funcionam apenas como massa de press&atilde;o usada pelas entidades sindicais para encenar uma amea&ccedil;a &agrave; patronal e ao Estado. Os representantes de base n&atilde;o t&ecirc;m voz ativa no interior do sindicato, n&atilde;o se re&uacute;nem com regularidade, n&atilde;o tem car&aacute;ter deliberativo. Da mesma forma, o comando de mobiliza&ccedil;&atilde;o e de greve e os representantes nas mesas de negocia&ccedil;&atilde;o com a patronal e o Estado s&atilde;o compostos por elementos &quot;bi&ocirc;nicos&quot;, indicados pela dire&ccedil;&atilde;o das entidades sindicais, sem a possibilidade de que trabalhadores de base participem. Para completar esse quadro, as assembl&eacute;ias s&atilde;o burocr&aacute;ticas, conduzidas por uma mesa tamb&eacute;m &quot;bi&ocirc;nica&quot;, na qual apenas os dirigentes usam o microfone. O mesmo acontece em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; imprensa sindical, em que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para a manifesta&ccedil;&atilde;o da base. Por isso &eacute; preciso que a Nova Central desenvolva formas de organizar os trabalhadores em suas entidades, mas tamb&eacute;m em seu local de trabalho, seja legalmente, por meio das comiss&otilde;es de f&aacute;bricas ou CIPAs, ou mesmo clandestinamente.<\/p>\n<p>\n\tFinan&ccedil;as &#8211; Quanto &agrave; gest&atilde;o financeira &eacute; necess&aacute;rio desenvolver uma pol&iacute;tica (at&eacute; se tornar cultura) de controle p&uacute;blico sobre as finan&ccedil;as e isso envolve presta&ccedil;&atilde;o de contas, com comprova&ccedil;&atilde;o dos gastos nas Assembl&eacute;ias, bem como a decis&atilde;o coletiva dos gastos futuros. &Eacute; preciso abrir o caixa do movimento sindical: quanto dinheiro tem os sindicatos, quem decide e como decide o que gastar? N&atilde;o se pode fazer essa cr&iacute;tica aos governos da burguesia e deixar de construir outra pr&aacute;tica. Para desenvolver essa cultura, propomos que:<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\tcada entidade que receba verba fixa contribuir&aacute; com 1% de suas receitas para manter as despesas regulares da central. Se n&atilde;o houver verba fixa, quem define a contribui&ccedil;&atilde;o, de acordo com a possibilidade do movimento popular, associa&ccedil;&atilde;o, oposi&ccedil;&atilde;o e outros, &eacute; a Dire&ccedil;&atilde;o\/coordena&ccedil;&atilde;o (cabendo recurso &agrave;s inst&acirc;ncias deliberativas);<\/li>\n<li>\n\t\tO controle de finan&ccedil;as deve ser por secretaria de finan&ccedil;as com 3 membros e deve ser apresentado balancete mensalmente;<\/li>\n<li>\n\t\tDeve-se criar formas &quot;transparentes e democr&aacute;ticas&quot; de contrata&ccedil;&atilde;o e demiss&atilde;o dos funcion&aacute;rios das entidades aprovadas nas Assembl&eacute;ias. Essa &eacute; uma medida que visa acabar com a admiss&otilde;es pela amizade, pessoalidade e com o aparelhamento das entidades por alguma corrente.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.2) Jogar peso nas oposi&ccedil;&otilde;es sindicais para derrotar a pelegada<\/h3>\n<p>\n\t\t\tAs oposi&ccedil;&otilde;es podem ser o ponto de apoio a partir do qual se renovar&atilde;o as formas de organiza&ccedil;&atilde;o da classe, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; retomada da sua fun&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de instrumentos para a luta contra o capital. Estamos aqui falando das oposi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o como simples chapas para elei&ccedil;&otilde;es sindicais visando retomar administrativamente a dire&ccedil;&atilde;o das entidades. Entendemos as oposi&ccedil;&otilde;es como um movimento mais amplo que tenha como objetivo retomar ideologicamente a dire&ccedil;&atilde;o da classe. A tarefa desse movimento &eacute; desenvolver o trabalho que os sindicatos n&atilde;o tem desenvolvido de organiza&ccedil;&atilde;o e eleva&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia da classe. A retomada dos sindicatos &eacute; um meio e n&atilde;o um fim em si. O fortalecimento do movimento deve criar condi&ccedil;&otilde;es para que cada segmento da classe seja capaz de organizar sua luta cotidiana contra a burguesia mesmo com o obst&aacute;culo das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas, passando por cima dessas dire&ccedil;&otilde;es, at&eacute; que possam ser substitu&iacute;das por dire&ccedil;&otilde;es combativas formadas no pr&oacute;prio curso da luta.<\/p>\n<p>\n\t\t\tUm movimento de oposi&ccedil;&atilde;o com essas caracter&iacute;sticas teria condi&ccedil;&otilde;es de restituir os sindicatos ao seu devido lugar, ou seja, o de instrumento de luta dos trabalhadores no interior da sociedade burguesa. Livrar as entidades sindicais dos burocratas deve ser uma obsess&atilde;o nossa, tanto para facilitar as lutas contra o governo e contra a patronal, como para a pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o da CENTRAL. Nos apresentaremos aos trabalhadores tamb&eacute;m com propostas de democratiza&ccedil;&atilde;o dos sindicatos, como garantia de que o sindicato voltar&aacute;, efetivamente, para as m&atilde;os dos trabalhadores. &Eacute; preciso que os trabalhadores se conven&ccedil;am de que faz diferen&ccedil;a votar em uma chapa da CENTRAL e que n&atilde;o buscamos o simplesmente controle do aparato sindical, mas sim transform&aacute;-lo em uma ferramenta de luta e que nos propomos a construir uma nova concep&ccedil;&atilde;o sindical, ou seja, classista, socialista e democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>\n\t\t\tPara isso precisamos impulsionar a forma&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&otilde;es sindicais, e naquelas que j&aacute; existem, precisamos garantir um funcionamento permanente, com atividades constantes e debate pol&iacute;tico com a categoria, mostrando que &eacute; fundamental se organizar para varrer a pelegada dos sindicatos.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.3) A burocratiza&ccedil;&atilde;o<\/h3>\n<p>\n\t\t\tO rumo que a CUT tomou e a incorpora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios sindicatos ao Estado deve nos servir de advert&ecirc;ncia. N&atilde;o podemos cair no canto de sereia de que somos imunes ao processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o. Temos que tomar medidas que impe&ccedil;am desde j&aacute; o desenvolvimento de uma burocracia tamb&eacute;m no interior da CENTRAL.<\/p>\n<p>\n\t\t\tO processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o que afetou inclusive sindicatos da base da CENTRAL mostrou a gravidade e a urg&ecirc;ncia dessa quest&atilde;o. No CONAT, as propostas que apresentamos para combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o nos sindicatos e na pr&oacute;pria CENTRAL foram derrotadas e a reflex&atilde;o por n&oacute;s apresentada foi deixada de lado. Isso significou um atraso na elabora&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica eficaz para o combate &agrave; burocratiza&ccedil;&atilde;o. Os acontecimentos da luta de classes mostraram mais uma vez a urg&ecirc;ncia de um profundo debate sobre essas quest&otilde;es no movimento sindical, que consiga identificar a origem dos problemas e combat&ecirc;-los.<\/p>\n<p>\n\t\t\t&#8211; Combater de fato a burocratiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o pensamos que a burocratiza&ccedil;&atilde;o seja inerente ao ser humano, mas ao sistema de domina&ccedil;&atilde;o. Para se manter de p&eacute; o sistema cria mecanismos ou solu&ccedil;&otilde;es aparentemente mais f&aacute;ceis para atrair a consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora. A burocratiza&ccedil;&atilde;o, seja pelo parlamento, sindicatos ou mesmo o partido, &eacute; um elemento objetivo e assim temos que lidar.<\/p>\n<p>\n\t\t\tDevido &agrave; brutalidade e &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o a que o trabalhador est&aacute; submetido em seu trabalho, muitos acabam vendo no licenciamento sindical uma forma de se livrarem dessa condi&ccedil;&atilde;o miser&aacute;vel e passam a ter como objetivo de sua milit&acirc;ncia a libera&ccedil;&atilde;o. Isso tem conseq&uuml;&ecirc;ncias porque mesmo esses pequenos privil&eacute;gios diferenciam o dirigente sindical da categoria que representa. H&aacute; tamb&eacute;m uma conseq&uuml;&ecirc;ncia pol&iacute;tica danosa que &eacute; o afastamento da &quot;press&atilde;o&quot; dos trabalhadores, pois muitas vezes o militante liberado s&oacute; vai &agrave; f&aacute;brica ou setor de vez em quando. O resultado &eacute; que, por suas condi&ccedil;&otilde;es materiais, suas necessidades passam a ser diferentes dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\t\tPara que a CENTRAL se apresente aos trabalhadores como algo realmente diferente precisa demonstrar que tem uma estrutura anti-burocr&aacute;tica. Por isso propomos as seguintes medidas:<\/p>\n<p>\n\t\t\ta) Todas as decis&otilde;es pol&iacute;ticas importantes precisam ser tomadas em f&oacute;runs amplos, ou seja, deve ser retirado dos &oacute;rg&atilde;os de coordena&ccedil;&atilde;o\/dire&ccedil;&atilde;o o poder de decidir tudo, sem discutir com a base;<\/p>\n<p>\n\t\t\tb) Defendemos a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de mandatos. Essa discuss&atilde;o precisa ser aprofundada e levada &agrave;s entidades de base para discutirmos maneiras de viabilizar um limite &agrave;s reelei&ccedil;&otilde;es. Muitos dirigentes sindicais ficam anos longe de suas atividades, o que faz com que deixem de viver a mesma realidade material dos trabalhadores. Temos que acabar com os dirigentes sindicais &quot;profissionais&quot;, ou seja, com esse modo de vida. Outra import&acirc;ncia dessa medida &eacute; permitir que outros companheiros adquiram experi&ecirc;ncia em v&aacute;rias tarefas. Propomos que a Nova Central realize um Semin&aacute;rio espec&iacute;fico, a ser marcado numa data definida neste Congresso, para discutir as medidas necess&aacute;rias para um processo de transi&ccedil;&atilde;o que viabilize a aplica&ccedil;&atilde;o de medidas anti-burocratiza&ccedil;&atilde;o nas entidades, que permita envolver a base na discuss&atilde;o, preparar mudan&ccedil;as estatut&aacute;rias, etc., estabelecendo medidas concretas para revolucionar os sindicatos.<\/p>\n<p>\n\t\t\tc) Substitui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria de pelo &frac12; dos membros dos &oacute;rg&atilde;os dirigentes a cada elei&ccedil;&atilde;o, de forma que garanta uma renova&ccedil;&atilde;o permanente;<\/p>\n<p>\n\t\t\td) A libera&ccedil;&atilde;o deve ser uma discuss&atilde;o com o conjunto da categoria, inclusive deve fazer parte da pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es. Que seja a categoria que decida quem se libera e quem n&atilde;o se libera. Quando a &quot;libera&ccedil;&atilde;o&quot; for aprovada o sal&aacute;rio n&atilde;o pode ser superior &agrave;quele que o militante recebia e deve existir rod&iacute;zio, com prazo determinado para retorno ao trabalho. Al&eacute;m disso, o dirigente n&atilde;o pode receber sal&aacute;rio do sindicato. Essas medidas possibilitam que a libera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se torne um &quot;neg&oacute;cio&quot; para os dirigentes sindicais.<\/p>\n<p>\n\t\t\te) Deve haver um r&iacute;gido controle sobre o cumprimento de hor&aacute;rio e das tarefas assumidas, de forma que se cumpra no m&iacute;nimo o mesmo de antes da libera&ccedil;&atilde;o. Todos os trabalhadores est&atilde;o submetidos a um r&iacute;gido controle de hor&aacute;rio por parte dos patr&otilde;es. Portanto, n&atilde;o &eacute; justo que os representantes estejam submetidos a condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis que os demais trabalhadores;<\/p>\n<p>\n\t\t\tf) Os sindicatos e demais organiza&ccedil;&otilde;es devem ser absolutamente democr&aacute;ticas, com garantias expressas ao debate entre os ativistas, liberdade de interven&ccedil;&atilde;o, discuss&atilde;o, vota&ccedil;&otilde;es, direito de express&atilde;o de todas as posi&ccedil;&otilde;es para os trabalhadores nos materiais do sindicato (jornais, revistas) e nas assembl&eacute;ias.Tamb&eacute;m deve haver um impulso sistem&aacute;tico &agrave; forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e te&oacute;rica, para superar as dificuldades que haja entre os trabalhadores.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.4) Forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pol&iacute;tica<\/h3>\n<p>\n\t\t\tA disputa ideol&oacute;gica requer tamb&eacute;m uma disputa te&oacute;rica. A forma&ccedil;&atilde;o dos dirigentes sindicais, dos militantes e dos pr&oacute;prios trabalhadores tamb&eacute;m precisa ser desenvolvida internamente, dentro das pr&oacute;prias entidades sindicais, sem o recurso a institutos e aparatos exteriores. Al&eacute;m disso, a forma&ccedil;&atilde;o sindical deve ir al&eacute;m de palestras do tipo acad&ecirc;mico, em que um orador fala e os trabalhadores permanecem passivos. E tamb&eacute;m os temas tratados devem ir al&eacute;m das quest&otilde;es imediatas, como CIPA, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, etc., que s&atilde;o importantes, mas n&atilde;o dispensam uma forma&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter mais ideol&oacute;gico e pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>\n\t\t\t&Eacute; preciso superar a concep&ccedil;&atilde;o das atividades de forma&ccedil;&atilde;o apenas como uma s&eacute;rie de cursos que n&atilde;o se relacionam com o restante da atividade sindical e do dia a dia do trabalhador. O pr&oacute;prio desenvolvimento das lutas deve ser visto como um meio de formar novos dirigentes e de educar os trabalhadores em geral, para que desempenhem um papel mais ativo. A forma&ccedil;&atilde;o deve ser um processo permanente, em conex&atilde;o com a atividade pol&iacute;tica e a disputa ideol&oacute;gico-cultural.<\/p>\n<p>\n\t\t\tExistem sindicatos que chegam ao ponto de oferecer cursos de aprimoramento profissional, economizando investimento da burguesia e do Estado na forma&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra, colaborando para aumentar o lucro das empresas. Ao inv&eacute;s de oferecer cursos sobre a hist&oacute;ria do movimento oper&aacute;rio, as id&eacute;ias que orientaram a luta dos trabalhadores, o marxismo, etc., os sindicatos reproduzem a ideologia burguesa entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\t\tA forma&ccedil;&atilde;o intelectual &eacute; tamb&eacute;m um dos &quot;privil&eacute;gios&quot; a que t&ecirc;m acesso os dirigentes sindicais no uso do &quot;tempo livre&quot; que a condi&ccedil;&atilde;o de licenciado do trabalho lhes proporciona. Esses dirigentes se aproveitam dessa condi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o para desempenhar melhor o seu papel como lideran&ccedil;a dos trabalhadores, mas para ter mais recursos no debate pol&iacute;tico interno ao sindicato e no controle sobre o aparato. Estudam para adquirir autoridade atrav&eacute;s do status de &quot;especialista&quot;, perpetuando uma l&oacute;gica tecnocr&aacute;tica.<\/p>\n<p>\n\t\t\tTamb&eacute;m nesse campo os sindicatos reformistas e burocratizados reproduzem a l&oacute;gica da sociedade burguesa, mantendo uma separa&ccedil;&atilde;o entre trabalho intelectual e trabalho bra&ccedil;al, entre dirigentes e dirigidos, os que pensam e os que executam. Ao contr&aacute;rio disso, os sindicatos devem ser um instrumento para elevar a consci&ecirc;ncia e a organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, atrav&eacute;s de cursos, semin&aacute;rios, palestras, atividades culturais abertas a todos. A eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel cultural geral, do grau de consci&ecirc;ncia e da capacidade pol&iacute;tica s&atilde;o pr&eacute;-requisitos para que os trabalhadores assumam o controle sobre sua pr&oacute;pria luta, ou em outras palavras, para que a emancipa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores seja obra dos pr&oacute;prios trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\t\tNo plano de forma&ccedil;&atilde;o &eacute; preciso entrar as obras de Marx e do marxismo, L&ecirc;nin e tantas outras que contribuam para &quot;a compreens&atilde;o n&iacute;tida das condi&ccedil;&otilde;es, do curso e dos fins gerais do movimento prolet&aacute;rio&quot; (Manifesto Comunista). Para combater a burguesia tamb&eacute;m precisamos estudar os seus cl&aacute;ssicos e os autores reformistas, principalmente porque muitos deles de alguma maneira influenciam setores do movimento sindical.<\/p>\n<p>\n\t\t\tAs atividades de forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem ser terceirizadas para institutos e outras entidades externas. Por entendermos que essa atividade &eacute; parte da central somos contra transferir essa tarefa de forma permanente para qualquer instituto, pois qualquer projeto de forma&ccedil;&atilde;o fora dos organismos da central pode ser a base para a monopoliza&ccedil;&atilde;o de uma corrente e cria&ccedil;&atilde;o de organismos paralelos &agrave; entidade. Assim, devemos aceitar os institutos de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que estejam comprometidos com o projeto da nova CENTRAL como parte de uma transi&ccedil;&atilde;o para o projeto de construir com o seu pr&oacute;prio instituto de forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica\/pr&aacute;tica para assessorar as entidades de base.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.5) A luta contra todas as formas de opress&atilde;o e preconceito<\/h3>\n<p>\n\t\t\tA disputa ideol&oacute;gica contra o capital n&atilde;o &eacute; completa sem a luta contra o racismo, o machismo a homofobia e todas as formas de opress&atilde;o. O capitalismo cria segmenta&ccedil;&otilde;es e divis&otilde;es artificiais entre a classe trabalhadora para fomentar a rivalidade e a disputa entre os diversos setores do proletariado pelas vagas cada vez mais escassas no mercado de trabalho num contexto de expans&atilde;o do desemprego estrutural e de forma&ccedil;&atilde;o de um ex&eacute;rcito industrial de desempregados permanentes. A segmenta&ccedil;&atilde;o da classe em guetos definidos por etnia, religi&atilde;o, l&iacute;ngua, imigra&ccedil;&atilde;o, etc., &eacute; mais um obst&aacute;culo para a a&ccedil;&atilde;o conjunta do proletariado.<\/p>\n<p>\n\t\t\tNo sentido de incorporar as mais amplas massas &agrave; luta &eacute; preciso ultrapassar a costumeira pr&aacute;tica de isolar as quest&otilde;es relativas de ra&ccedil;a, g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual em um plano secund&aacute;rio, sob a inadequada rubrica de &quot;temas espec&iacute;ficos&quot;, e destinar a cada uma um guich&ecirc; no qual deve debater &quot;seus&quot; assuntos. Usualmente, destina-se a cada um desses setores o seu departamento isolado e situa-se o conjunto desses departamentos num n&iacute;vel inferior ao das quest&otilde;es gerais. Forma-se o departamento das mulheres, o dos negros, o GLBT, etc, de uma maneira formal e artificial, pois n&atilde;o incorpora as bandeiras e demandas desses setores como eixos centrais de luta e como parte da mesma luta, que &eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o dos homens e mulheres do dom&iacute;nio do capital. A pr&aacute;tica que tem se reproduzido &eacute; que as &quot;lutas espec&iacute;ficas&quot; n&atilde;o apenas s&atilde;o isoladas da luta geral, como s&atilde;o em seu conjunto empurradas para formar apenas um ap&ecirc;ndice, um cap&iacute;tulo a mais que se incorpora burocraticamente porque consta no &quot;manual&quot; do que &eacute; &quot;politicamente correto&quot;, mas que n&atilde;o se incorpora concretamente.<\/p>\n<p>\n\t\t\tAs lutas das mulheres, dos negros e outros setores oprimidos precisam ser pautadas no dia a dia da nova central e nas atividades das entidades de base. Propomos algumas bandeiras de luta para levar adiantes este debate:<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tBarrar o assassinato, a viol&ecirc;ncia e a agress&atilde;o das mulheres, p&ocirc;r na pris&atilde;o os assassinos, agressores, ped&oacute;filos e seus coniventes! Investimentos para abrigos e recoloca&ccedil;&atilde;o das sobreviventes!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tQue as verbas retiradas dos projetos de combate &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica sejam restitu&iacute;das atrav&eacute;s da taxa&ccedil;&atilde;o das grandes fortunas prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tFim da tripla jornada. Redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio! Sal&aacute;rio base do DIEESE igual para trabalho igual!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tSistemas de sa&uacute;de compat&iacute;veis com as necessidades e as especificidades da mulher negra!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tQue todas as decis&otilde;es sobre o corpo e a vida das mulheres sejam tomadas por n&oacute;s, inclusive sobre gravidez ou aborto.<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tLicen&ccedil;a maternidade de 06 meses para todas as trabalhadoras!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tLegaliza&ccedil;&atilde;o e descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Distribui&ccedil;&atilde;o pelo SUS e planos de sa&uacute;de de preservativos, anticoncepcionais e p&iacute;lula do dia seguinte. Preservar a vida da mulher com dignidade e respeito &eacute; a primeira quest&atilde;o!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tFim de todo tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceito. Reconhecimento da uni&atilde;o civil homossexual!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tUma sexualidade livre dos preconceitos religiosos, de ra&ccedil;a, de orienta&ccedil;&atilde;o sexual e n&atilde;o submetida &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es do capital!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tServi&ccedil;os p&uacute;blicos (escolas, postos de sa&uacute;de, hospitais, creches, etc) de qualidade para os filhos da classe trabalhadora, com profissionais aptos e bem remunerados!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tPerda de mandato para todos os deputados e deputadas que assinam o Projeto de Lei Estatuto do Nascituro que prop&otilde;e conceder uma bolsa aux&iacute;lio mensal at&eacute; os 18 anos para os filhos de mulheres estupradas, que concede ao estuprador o papel de pai!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tRep&uacute;dio &agrave;s a&ccedil;&otilde;es machistas, opressoras e conservadoras da Igreja Cat&oacute;lica!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tBarrar a Reforma da Previd&ecirc;ncia do Governo Lula e Burguesia!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tSal&aacute;rio m&iacute;nimo do DIEESE como forma de elevar o padr&atilde;o de vida do povo negro em geral e das mulheres negras, em espec&iacute;fico, principais v&iacute;timas do m&iacute;nimo de fome;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tLutas pela implanta&ccedil;&atilde;o imediata das cotas no mercado de trabalho com objetivo de equilibrar, agora, a situa&ccedil;&atilde;o entre negros e brancos;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tQue o 20 de Novembro seja reconhecido como feriado nacional e Zumbi reconhecido oficialmente como s&iacute;mbolo dos explorados e oprimidos na luta contra o regime escravocrata;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tCotas proporcionais para negros nas escolas t&eacute;cnicas municipais, estaduais e federais. Com vagas proporcionais para filhos de trabalhadores oriundos das escolas p&uacute;blicas;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tTitulariza&ccedil;&atilde;o de terras dos remanescentes de quilombo;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tRetirada imediata das instala&ccedil;&otilde;es militares das terras do Quilombo de Alc&acirc;ntara;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tReforma agr&aacute;ria com cotas proporcionais para negros como forma de garantir que nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s que lutam pela terra n&atilde;o fiquem apenas com a enxada e a bandeira nas m&atilde;os;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tImediata prepara&ccedil;&atilde;o de professores e libera&ccedil;&atilde;o de verbas para compra de livros e materiais necess&aacute;rios para a implementa&ccedil;&atilde;o da lei 10639, que institui a obrigatoriedade do ensino de Hist&oacute;ria e Literatura Africanas em todas as escolas e universidades, bem como a hist&oacute;ria de resist&ecirc;ncia dos negros em &aacute;frica, no Brasil e no mundo;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tPela liberta&ccedil;&atilde;o de Mumia Abu Jamal.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>\n\t\t\t5) CONCEP&Ccedil;&Atilde;O E PR&Aacute;TICA SINDICAL<\/h2>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tCada luta sindical deve transpor seus limites tornando-se uma luta pol&iacute;tica no sentido de colocar em quest&atilde;o a ruptura com a l&oacute;gica do capital e com o Estado capitalista e a necessidade de outro tipo de sociedade e de poder em que sejam os trabalhadores e suas organiza&ccedil;&otilde;es que decidam os rumos da sociedade. Mesmo os sindicatos, em uma &eacute;poca de dom&iacute;nio imperialista, se quiserem superar seus limites, devem ser radicais na defesa dos interesses dos trabalhadores: ter como estrat&eacute;gia a luta contra o capitalismo.<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tAs lutas e principalmente os sindicatos devem romper seu corporativismo tornando-se mais amplos, unificando trabalhadores ativos e desempregados, trabalhadores diretos e terceirizados, estudantes e professores, etc., no sentido de um movimento o mais geral e coeso poss&iacute;vel. N&atilde;o pensamos que os sindicatos, como quer a burguesia, fiquem restritos &agrave; representa&ccedil;&atilde;o corporativa da categoria (em muitos casos representam apenas parte dessa categoria), limitando-se as suas reivindica&ccedil;&otilde;es. As bandeiras de luta devem ser mais gerais, extrapolando os limites de f&aacute;bricas, categorias, e ramos produtivos;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tAs lutas e organiza&ccedil;&otilde;es sindicais devem transcender os limites das bandeiras espec&iacute;ficas, sob pena de n&atilde;o conseguirem mais sequer manter as conquistas que ainda restam. As bandeiras de luta imediatas devem ser combinadas com outras mais gerais, como: redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 36 horas sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios, carteira assinada para todos os trabalhadores, &iacute;ndice unificado de reajuste salarial, sal&aacute;rio m&iacute;nimo do DIEESE , etc.;<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\tAqui h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica, que &eacute; preciso entender sob pena de cairmos em uma vis&atilde;o mecanicista da rela&ccedil;&atilde;o de luta sindical com luta pol&iacute;tica. N&atilde;o defendemos que a central se negue a participar ou a impulsionar as lutas econ&ocirc;micas, pelo contr&aacute;rio. O que destacamos &eacute; que h&aacute; um problema quando o sindicalismo fica limitado &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es do campo sindical.<\/p>\n<p>\n\t\t\tSe as lutas sindicais e econ&ocirc;micas ficarem restritas em si mesmas, est&atilde;o fadadas a serem assimiladas pelo capital ou ent&atilde;o a serem derrotadas, devido ao poder abrangente do capital, que ataca em v&aacute;rias frentes (econ&ocirc;mica, pol&iacute;tica, ideol&oacute;gica, militar, cultural, etc). Ou seja, caso permane&ccedil;am presas &agrave; sua pr&oacute;pria l&oacute;gica, as lutas sindicais e econ&ocirc;micas n&atilde;o s&atilde;o capazes de questionar o poder do capital. Nas palavras de L&ecirc;nin: &quot;A pol&iacute;tica sindical da classe oper&aacute;ria &eacute; precisamente a pol&iacute;tica burguesa da classe oper&aacute;ria&quot; (Que fazer? p. 66).<\/p>\n<p>\n\t\t\tAssim, consideramos de fundamental import&acirc;ncia a defini&ccedil;&atilde;o de um plano estrat&eacute;gico no sentido de que a CENTRAL dispute e ganhe a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores para uma alternativa global ao capitalismo, que s&oacute; pode ser o socialismo. Isso significa que diremos em alto e bom som que nossa luta &eacute; sim por melhores sal&aacute;rios e melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, mas tamb&eacute;m diremos que, pelo fato do capitalismo n&atilde;o ter condi&ccedil;&otilde;es de oferecer isso aos trabalhadores, a nossa luta &eacute; tamb&eacute;m pelo socialismo.<\/p>\n<p>\n\t\t\tEssa op&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica imp&otilde;e uma s&eacute;rie de outras tarefas, como a necess&aacute;ria ruptura com o modelo corporativo dos sindicatos, que se limitam &agrave; representa&ccedil;&atilde;o de suas categorias. &Eacute; preciso incorporar &agrave; luta e &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o sindical os terceirizados, os desempregados e precarizados que s&atilde;o submetidos &agrave; condi&ccedil;&otilde;es de trabalho muito piores. Trata-se de enfrentar o modelo sindical brasileiro imposto pela burguesia.<\/p>\n<p>\n\t\t\tDesenvolver a consci&ecirc;ncia de classe no seio do proletariado significa fazer com que os trabalhadores entendam que ganham pouco e trabalham muito n&atilde;o porque o &quot;seu patr&atilde;o&quot; &eacute; ruim (como se a luta contra os patr&otilde;es fosse moral), mas porque vivem em um sistema social que tem como condi&ccedil;&atilde;o de exist&ecirc;ncia o trabalho assalariado e a apropria&ccedil;&atilde;o daquilo que &eacute; produzido pelo trabalho alheio.<\/p>\n<p>\n\t\t\tTemos a compreens&atilde;o de que n&atilde;o apresentamos nada de novo e sim de estar recuperando a tradi&ccedil;&atilde;o do marxismo revolucion&aacute;rio, que n&atilde;o faz separa&ccedil;&otilde;es mec&acirc;nicas entre luta sindical e luta pol&iacute;tica. O pr&oacute;prio Marx nos ajuda nesse sentido:<\/p>\n<p>\n\t\t\t&quot;Os sindicatos trabalham bem como centro de resist&ecirc;ncia contra as usurpa&ccedil;&otilde;es do capital. Falham em alguns casos, por usar pouco inteligentemente a sua for&ccedil;a. Mas s&atilde;o deficientes de modo geral, por se limitarem a uma luta de guerrilha contra os efeitos do sistema existente, em lugar de, ao mesmo tempo, se esfor&ccedil;arem para mud&aacute;-lo, em lugar de empregarem suas for&ccedil;as organizadas como alavanca para a emancipa&ccedil;&atilde;o final da classe oper&aacute;ria, isto &eacute;, para a aboli&ccedil;&atilde;o definitiva do sistema de trabalho assalariado&quot; (Marx. Sal&aacute;rio, pre&ccedil;o e lucro).<\/p>\n<p>\n\t\t\tA recomposi&ccedil;&atilde;o do movimento sindical, portanto, precisa se dar em bases opostas ao modelo reformista e burocr&aacute;tico, possibilitando que os trabalhadores se coloquem na cena pol&iacute;tica como uma classe em luta contra a explora&ccedil;&atilde;o. Na nossa interven&ccedil;&atilde;o sindical precisa estar incorporada tamb&eacute;m a luta ideol&oacute;gica, como forma de ganharmos a classe trabalhadora para o projeto socialista, para a luta contra o capitalismo, criando condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de sua consci&ecirc;ncia de classe.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t5.1) Sobre o car&aacute;ter da Nova Central<\/h3>\n<p>\n\t\t\tAlgumas correntes tem colocado o debate sobre o car&aacute;ter da nova central como a principal discuss&atilde;o do Congresso e em alguns casos at&eacute; como condi&ccedil;&atilde;o para que se efetive a unifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\t\t\tUm debate sem d&uacute;vida importante, mas os contornos que ele adquiriu revelam que se trata mais de uma disputa pelo aparato do que propriamente pela unidade entre os estudantes e os trabalhadores. Em um momento em que h&aacute; efetivamente uma disputa entre as principais correntes o n&uacute;mero de 3% ou 5% faz diferen&ccedil;a, ou seja, por tr&aacute;s da pol&ecirc;mica em torno do modelo de central est&aacute; a disputa entre as correntes para ser maioria na nova central. Se a central contar com outras entidades dos movimentos sociais al&eacute;m dos sindicatos, o PSTU ter&aacute; maioria, em especial por causa de seu peso no movimento estudantil. Se a central for composta apenas de sindicatos, movimento popular e urbano a Intersindical poder&aacute; representar um obst&aacute;culo real &agrave;s pretens&otilde;es do PSTU.<\/p>\n<p>\n\t\t\tUma vez que a pol&ecirc;mica n&atilde;o pode ser explicitada nos termos desse aparatismo grosseiro, as diversas correntes a apresentam de maneira disfar&ccedil;ada, atrav&eacute;s de argumentos &quot;te&oacute;ricos&quot; que n&atilde;o t&ecirc;m a menor consist&ecirc;ncia. De um lado, h&aacute; o argumento de que a nova central precisa ter apenas sindicatos porque os outros movimentos supostamente comprometem o seu car&aacute;ter classista. De outro, h&aacute; o argumento de que a incorpora&ccedil;&atilde;o dos outros movimentos fortalece a unidade da classe.<\/p>\n<p>\n\t\t\tSomos a favor de uma central que contenha os sindicatos e demais movimentos populares, estudantes e opress&otilde;es. Entretanto, esse formato de organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser colocado de maneira ultimatista como condi&ccedil;&atilde;o &quot;sine qua non&quot; para a constru&ccedil;&atilde;o da unidade. Uma central que englobasse os diversos movimentos representaria um grande avan&ccedil;o muito positivo, mas, repetimos, essa proposta n&atilde;o pode representar o rompimento desse penosos processo.<\/p>\n<p>\n\t\t\tAssim, em caso de prevalecer o atual car&aacute;ter da Conlutas, pensamos que &eacute; fundamental que se crie mecanismos para garantir que a participa&ccedil;&atilde;o dos demais setores n&atilde;o seja decisivo para o controle de uma for&ccedil;a pol&iacute;tica sobre a entidade, prevalecendo o aspecto pol&iacute;tico\/ideol&oacute;gico da proposta.<\/p>\n<p>\n\t\t\tA unifica&ccedil;&atilde;o dos diversos segmentos da classe e seus movimentos pode estar contemplada atrav&eacute;s de &quot;n&quot; formas organizativas, seja uma central, um f&oacute;rum de mobiliza&ccedil;&atilde;o, uma frente, etc. O fundamental &eacute; que se construa a unidade na luta. Se existe acordo quanto a um programa de luta, que envolva a luta pelo socialismo, a prioridade para a a&ccedil;&atilde;o direta, o combate ao corporativismo e &agrave; burocratiza&ccedil;&atilde;o, etc.; n&atilde;o ser&aacute; a forma de organiza&ccedil;&atilde;o que se tornar&aacute; obst&aacute;culo para a unidade dos setores que quiserem levar adiante essa luta. As duas correntes majorit&aacute;rias nesse processo, PSTU e setores do PSOL, t&ecirc;m a responsabilidade de buscar a unidade. Ambas as correntes devem fazer concess&otilde;es em prol da constru&ccedil;&atilde;o dessa alternativa organizativa unit&aacute;ria, que &eacute; uma necessidade da classe.<\/p>\n<p>\n\t\t\tO modelo de central que defendemos deve buscar dar uma resposta no sentido de que estejam prioritariamente representados os sindicatos de trabalhadores formais e informais, os desempregados, associa&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter sindical, movimento popular da cidade e do campo. A participa&ccedil;&atilde;o dos demais setores teria representa&ccedil;&atilde;o, mas com as condi&ccedil;&otilde;es expostas acima.<\/p>\n<p>\n\t\t\tPensamos tamb&eacute;m que &eacute; importante proibir que as ONGs participem dessa Nova Central, pela raz&atilde;o de que essas organiza&ccedil;&otilde;es, em sua din&acirc;mica geral, mant&ecirc;m la&ccedil;os estreitos com o Estado e com organiza&ccedil;&otilde;es patronais, ou seja, as ONGs n&atilde;o possuem o essencial para participar de uma central sindical combativa que &eacute; a independ&ecirc;ncia de classe.<\/p>\n<h2>\n\t\t\t6) FUNCIONAMENTO DA CENTRAL<\/h2>\n<p>\n\t\t\t1) A central ter&aacute; como &oacute;rg&atilde;os de decis&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p>\n\t\t\ta) Os congressos (nacional, estadual e regional\/municipal);<\/p>\n<p>\n\t\t\tb) Encontros\/Plen&aacute;rias (nacional, estadual e regional\/municipal)<\/p>\n<p>\n\t\t\t2) Nada de elei&ccedil;&atilde;o indireta:<\/p>\n<p>\n\t\t\tc) Dire&ccedil;&otilde;es (nacional, estadual e regional\/municipal) eleitas em congresso<\/p>\n<p>\n\t\t\td) Congresso a cada dois anos, com uma plen&aacute;ria entre a realiza&ccedil;&atilde;o de um e outro congresso<\/p>\n<p>\n\t\t\te) Nesses congressos e plen&aacute;rias todos os delegados devem ser eleitos na base. N&atilde;o pode haver delegados &quot;bi&ocirc;nicos&quot;<\/p>\n<h2>\n\t\t\t7) PROGRAMA, PRINC&Iacute;PIOS E ESTRAT&Eacute;GIA<\/h2>\n<h3>\n\t\t\t7.1) Por uma nova concep&ccedil;&atilde;o de movimento<\/h3>\n<p>\n\t\t\tConforme dissemos, a defini&ccedil;&atilde;o do modelo de central n&atilde;o pode ser a principal quest&atilde;o colocada no presente debate. Para que possamos falar em uma Reorganiza&ccedil;&atilde;o de fato, as correntes e entidades combativas do movimento oper&aacute;rio brasileiro t&ecirc;m a tarefa de n&atilde;o apenas construir uma entidade que materialize sua unidade org&acirc;nica para as lutas, mas de formular um projeto que se apresente como alternativa ideol&oacute;gica da classe. N&atilde;o basta formar chapas capazes de vencer elei&ccedil;&otilde;es sindicais e arrebatar o maior n&uacute;mero de sindicatos da burocracia. &Eacute; preciso que essa retomada dos sindicatos para a luta se baseie num processo de participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e de eleva&ccedil;&atilde;o da sua consci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\n\t\t\t&Eacute; preciso disputar ideologicamente a consci&ecirc;ncia dos trabalhadores n&atilde;o apenas para que votem em chapas combativas nas elei&ccedil;&otilde;es sindicais, mas para que se incorporem &agrave; atividade sindical e ao processo mais geral da luta de classes. &Eacute; preciso que essa luta sindical seja dotada de um horizonte pol&iacute;tico de enfrentamento com o capital. No contexto de crise estrutural do capital, que debatemos brevemente no ponto de conjuntura internacional, as reformas e melhorias parciais nas condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores tendem a ser revertidas rapidamente devido &agrave; necessidade crucial da burguesia de retomar sua taxa de lucro. Assim, a &uacute;nica perspectiva de sucesso das lutas est&aacute; na transforma&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia aos ataques do capital numa ofensiva contra a ordem estabelecida.<\/p>\n<p>\n\t\t\tEssa nova concep&ccedil;&atilde;o parte em primeiro lugar dessa compreens&atilde;o te&oacute;rica do significado (marxista) da luta sindical. Falar em uma nova concep&ccedil;&atilde;o de movimento &eacute; organizar as lutas imediatas, ter posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica sobre os acontecimentos, mas &eacute; acima de tudo se propor a enfrentar a concep&ccedil;&atilde;o burguesa de sindicalismo, o que significa que em primeiro lugar a regula&ccedil;&atilde;o do Estado sobre a atividade sindical deve ser abolida pela luta e com ela todo o arcabou&ccedil;o legal e jur&iacute;dico de controle (direto e indireto) que o Estado exerce sobre as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais. N&atilde;o basta que os trabalhadores decidam que querem construir uma entidade para organizar as suas lutas, pois h&aacute; uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias legais que tem que ser cumpridas para que essa entidade seja reconhecida pelo Estado burgu&ecirc;s. Por fim, &eacute; preciso elaborar um programa que enfrente a forma estrutural dessa concep&ccedil;&atilde;o sindical que vigora no pa&iacute;s. Esse programa passa por lutar:<\/p>\n<p>\n\t\t\ta) Pela autonomia pol&iacute;tica e organizativa das entidades;<\/p>\n<p>\n\t\t\tb) Pela independ&ecirc;ncia financeira dos organismos de luta dos trabalhadores;<\/p>\n<p>\n\t\t\tc) Pelo fortalecimento das organiza&ccedil;&otilde;es de base e por local de trabalho, com funcionamento regular e car&aacute;ter deliberativo;<\/p>\n<p>\n\t\t\td) Pela unidade da classe trabalhadora e contra o corporativismo;<\/p>\n<p>\n\t\t\te) Pela incorpora&ccedil;&atilde;o das demandas dos negros, mulheres e demais setores oprimidos &agrave; atividade regular das entidades e o apoio &agrave;s suas demandas;<\/p>\n<p>\n\t\t\tf) Contra a participa&ccedil;&atilde;o em conv&ecirc;nios e pactos com a patronal e o Estado;<\/p>\n<p>\n\t\t\tg) Pela a&ccedil;&atilde;o direta como m&eacute;todo preferencial de luta, contra a &ecirc;nfase nas negocia&ccedil;&otilde;es e a judicializa&ccedil;&atilde;o dos conflitos;<\/p>\n<p>\n\t\t\th) Pelo funcionamento regular e democr&aacute;tico das entidades e oposi&ccedil;&otilde;es, com reuni&otilde;es peri&oacute;dicas, calend&aacute;rio permanente de atividades, presen&ccedil;a constante junto &agrave; base, publica&ccedil;&otilde;es regulares, canais de comunica&ccedil;&atilde;o, liberdade de express&atilde;o, etc.;<\/p>\n<p>\n\t\t\ti) Pelo combate &agrave; burocratiza&ccedil;&atilde;o das entidades, com o fim dos privil&eacute;gios e o controle da base sobre os dirigentes;<\/p>\n<p>\n\t\t\tj) Pela transpar&ecirc;ncia na gest&atilde;o dos recursos das entidades, com presta&ccedil;&atilde;o de contas regulares;<\/p>\n<p>\n\t\t\tk) Pelo avan&ccedil;o da forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pol&iacute;tica, com cursos, semin&aacute;rios, palestras, atividades culturais, etc., de modo a superar a separa&ccedil;&atilde;o entre trabalho intelectual e trabalho bra&ccedil;al no interior das entidades e combater a influ&ecirc;ncia da ideologia burguesa junto &agrave; classe.<\/p>\n<h2>\n\t\t\t8) COMPOSI&Ccedil;&Atilde;O E FUNCIONAMENTO DA DIRE&Ccedil;&Atilde;O<\/h2>\n<p>\n\t\t\t1) Dire&ccedil;&atilde;o\/coordena&ccedil;&atilde;o (nacional\/estadual e regional-municipal) da Central deve ser eleita em congresso com proporcionalidade direta e qualificada;<\/p>\n<p>\n\t\t\ta) Os dirigentes n&atilde;o poder&atilde;o cumprir mais que dois mandatos consecutivos, sendo que n&atilde;o pode haver reelei&ccedil;&atilde;o para o mesmo cargo.<\/p>\n<p>\n\t\t\tb) O afastamento dos dirigentes sindicais n&atilde;o poder&aacute; exceder mais que um ano;<\/p>\n<p>\n\t\t\tc) Todos os mandatos s&atilde;o revog&aacute;veis a qualquer tempo, com amplas garantias de defesa quando houver qualquer acusa&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n<p>\n\t\t\t2) Estrutura da Central:<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tDire&ccedil;&atilde;o Nacional e executiva nacional<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tDire&ccedil;&atilde;o estadual e executiva estadual<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tDire&ccedil;&atilde;o Regional\/municipal e executiva municipal<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t3) Na composi&ccedil;&atilde;o das inst&acirc;ncias de dire&ccedil;&otilde;es ser&aacute; assegurada a proporcionalidade por meio de cotas, conforme a representa&ccedil;&atilde;o no congresso, para as mulheres, GLBT e negr@s<\/p>\n<h2>\n\t\t\tASSINAM ESTA TESE AS SEGUINTES ENTIDADES:<\/h2>\n<p>\n\t\t\tSindicato dos Servidores da Sa&uacute;de do Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>\n\t\t\tSindicato dos Servidores Federais do Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>\n\t\t\tASSINAM TAMB&Eacute;M:<\/p>\n<p>\n\t\t\tDiretores do Sindicato dos Banc&aacute;rios do Rio Grande do Norte<\/p>\n<p>\n\t\t\tMilitantes e simpatizantes do Espa&ccedil;o Socialista:<\/p>\n<h3>\n\t\t\tSintrajud &#8211; SP<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tJos&eacute; Dalmo Vieira Duarte &#8211; Diretor de base<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tOposi&ccedil;&atilde;o Nacional de Correios &#8211; SP<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tEduardo Rosa<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tOposi&ccedil;&atilde;o Banc&aacute;ria &#8211; SP<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tDaniel Menezes Delfino<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tMarcio Cardoso da Silva<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tOposi&ccedil;&atilde;o Alternativa &#8211; APEOESP<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tAlexandre Ferraz &#8211; Coordenador da Subsede Sto Andr&eacute;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tIraci Judite de Lacerda &#8211; Coordenadora da Subsede Sto Andr&eacute;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tClaudio Luiz Alves de Santana &#8211; Coordenador da Subsede Sto Andr&eacute;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tNeusa Aparecida de Oliveira Peres &#8211; Coordenadora da Subsede Sto Andr&eacute;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tTarcisio Aparecido Ramos<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tSilvani Cerqueira &#8211; Professores da rede estadual &#8211; S&atilde;o Bernardo<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tProfessores &#8211; Mau&aacute;<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tSebastiana Fontes<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tServidores Santo Andr&eacute;<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tFernando de Brito Junior<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tServidores Diadema<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tPaulo Fraga<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tServidores S&atilde;o Bernardo<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tAdneide Ferraz<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tServidores Federais<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tJo&atilde;o Paulo Souza<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tEstudantes &#8211; Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute;<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tAndr&eacute; Luis Bender &#8211; Coordenador do Diret&oacute;rio Acad&ecirc;mico Honestino Guimar&atilde;es<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tAlexsandro Silva &#8211; Coordenador do Diret&oacute;rio Acad&ecirc;mico Honestino Guimar&atilde;es<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<h3>\n\t\t\tEstudantes &#8211; UFABC<\/h3>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tSilas Silva<\/li>\n<\/ul>\n<p>\n\t\t\t&nbsp;<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h2>\n\t1) CONJUNTURA INTERNACIONAL<\/h2>\n<p>\n\tA economia mundial atravessa uma fase de estabiliza&ccedil;&atilde;o depois da queda verificada na passagem de 2008 para 2009, ou seja, n&atilde;o est&aacute; mais caindo como no per&iacute;odo de auge da crise, mas n&atilde;o houve ainda uma retomada do crescimento. Do ponto de vista dos porta-vozes da burguesia, essa estabilidade j&aacute; representa o in&iacute;cio da recupera&ccedil;&atilde;o. Mas na realidade, a economia apenas parou de cair, e ainda n&atilde;o come&ccedil;ou a subir de volta para os n&iacute;veis anteriores a 2008.<\/p>\n<p>\n\tA burguesia n&atilde;o sai de uma crise econ&ocirc;mica de grandes propor&ccedil;&otilde;es como a que estamos atravessando sem impor uma derrota hist&oacute;rica aos trabalhadores, que resulte em um n&iacute;vel maior de explora&ccedil;&atilde;o. A classe dominante ainda n&atilde;o reuniu as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas para desencadear um ataque nas propor&ccedil;&otilde;es daquele que seria necess&aacute;rio para recuperar a taxa de lucro. Por isso, apesar do aparente sucesso do Estado na administra&ccedil;&atilde;o da crise, as dificuldades para uma retomada do crescimento indicam que a crise permanece latente.<\/p>\n<p>\n\tA economia dos Estados Unidos caiu 11,4 em 2009 em rela&ccedil;&atilde;o a 2008, ano em que j&aacute; havia ca&iacute;do 3,2 sobre 2007. O n&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o da capacidade instalada ficou em 66,9%, contra uma m&eacute;dia de 79,6 nos &uacute;ltimos 30 anos. A taxa de acumula&ccedil;&atilde;o do capital industrial caiu em 1,7% no &uacute;ltimo trimestre de 2009, o 5&ordm; trimestre consecutivo em queda, um recorde desde a Grande Depress&atilde;o. O desemprego permanece na faixa de 10%. O otimismo da burguesia &eacute; no m&iacute;nimo injustificado, pois n&atilde;o h&aacute; sinais de recupera&ccedil;&atilde;o robusta em nenhuma das principais economias. Na Europa, pa&iacute;ses como Gr&eacute;cia, Portugal e Irlanda vivem crises severas de endividamento e a Espanha apresenta um recorde de desemprego de 20%.<\/p>\n<p>\n\tOs principais sinais de crescimento est&atilde;o em pa&iacute;ses como a China (8% em 2009) ou o Brasil. Entretanto, esses pa&iacute;ses n&atilde;o t&ecirc;m ainda condi&ccedil;&otilde;es de funcionar como uma nova locomotiva da economia mundial, pois o seu papel real de plataformas de exporta&ccedil;&atilde;o (de manufaturas no caso da China ou de mat&eacute;rias-primas no caso do Brasil) n&atilde;o foi alterado e n&atilde;o pode s&ecirc;-lo sem uma mudan&ccedil;a radical na hierarquia dos Estados capitalistas.<\/p>\n<p>\n\tO eixo principal da atividade econ&ocirc;mica dos grandes pa&iacute;ses perif&eacute;ricos ainda est&aacute; nas exporta&ccedil;&otilde;es para os pa&iacute;ses centrais. Uma vez que a crise provocou uma retra&ccedil;&atilde;o no com&eacute;rcio mundial, ou seja, nas exporta&ccedil;&otilde;es da periferia para o centro, os governos desses pa&iacute;ses exportadores tiveram que lan&ccedil;ar pacotes de est&iacute;mulo ao mercado interno, o que explica a &quot;recupera&ccedil;&atilde;o&quot; econ&ocirc;mica artificial dos grandes pa&iacute;ses perif&eacute;ricos a partir do 2&deg; semestre de 2009. O seu crescimento pode funcionar como contrapeso moment&acirc;neo para a crise, mas n&atilde;o como alavanca para uma retomada mundial.<\/p>\n<p>\n\tTanto nos pa&iacute;ses imperialistas como na periferia o Estado teve o papel fundamental de se endividar para absorver de forma organizada o impacto da dissolu&ccedil;&atilde;o do capital fict&iacute;cio. Os trilh&otilde;es de d&oacute;lares em pap&eacute;is sem valor que circulavam na especula&ccedil;&atilde;o financeira se transformaram em trilh&otilde;es de d&oacute;lares de d&iacute;vidas assumidas pelo Estado sob diversas formas, como estatiza&ccedil;&otilde;es, pacotes de salvamento aos bancos, pacotes de est&iacute;mulo ao crescimento, oferta de cr&eacute;dito, emiss&atilde;o de t&iacute;tulos p&uacute;blicos, rolagem de d&iacute;vidas, emiss&atilde;o de moeda, etc. O n&uacute;cleo do sistema financeiro mundial foi preservado &agrave;s custas da socializa&ccedil;&atilde;o dos preju&iacute;zos.<\/p>\n<p>\n\tO saldo da crise at&eacute; o momento, al&eacute;m das imensas taxas de desemprego e da degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sociais nos pa&iacute;ses centrais, est&aacute; no endividamento p&uacute;blico em escala mundial e com velocidade in&eacute;dita. Mesmo que a burguesia consiga encontrar uma nova locomotiva para substituir a especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, protagonista do &uacute;ltimo ciclo, e encetar uma recupera&ccedil;&atilde;o do capitalismo, a &quot;muni&ccedil;&atilde;o&quot; gasta pelo Estado na atual crise o deixa em condi&ccedil;&atilde;o extremamente prec&aacute;ria para enfrentar a pr&oacute;xima crise.<\/p>\n<p>\n\tNessas circunst&acirc;ncias o papel do Estado como &quot;comit&ecirc; gestor dos neg&oacute;cios da burguesia&quot; se sobressai e traz &agrave; tona a dimens&atilde;o pol&iacute;tica da quest&atilde;o. A atual crise &eacute; a primeira grande crise da hist&oacute;ria do capitalismo desde 1848 em que n&atilde;o h&aacute; uma alternativa social organizada, ou seja, em que n&atilde;o h&aacute; um movimento socialista internacional se apresentando como oposi&ccedil;&atilde;o frontal ao capitalismo e alternativa de transforma&ccedil;&atilde;o social. Na &eacute;poca da crise de 1929 e no in&iacute;cio do per&iacute;odo de crise estrutural em 1970 ainda existia a URSS e o conjunto dos Estados burocr&aacute;ticos, que com todas as distor&ccedil;&otilde;es ainda se apresentavam como contraponto ao capitalismo. Ainda que n&atilde;o estivessem mais impulsionando rupturas em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo (ao contr&aacute;rio, caminhavam para a restaura&ccedil;&atilde;o do capitalismo), sua simples exist&ecirc;ncia mantinha viva a id&eacute;ia da possibilidade dessa ruptura, que deveria se verificar atrav&eacute;s de revolu&ccedil;&otilde;es que fugissem ao controle do stalinismo e se afastassem do seu &quot;modelo&quot; burocr&aacute;tico. A partir da d&eacute;cada de 1990, desapareceu esse modelo burocr&aacute;tico stalinista, mas desapareceu com ele tamb&eacute;m a id&eacute;ia de alternativa ao capitalismo.<\/p>\n<p>\n\tFaz-se sentir com todo o peso o problema da crise de alternativas socialistas. O retrocesso ideol&oacute;gico da classe trabalhadora, em especial nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, deixou a burguesia de m&atilde;os livres para provocar crises e administr&aacute;-las como melhor lhe aprouve, sem enfrentar uma resist&ecirc;ncia organizada e muito menos o desafio de uma ordem social alternativa. As quedas de governantes nos pa&iacute;ses mais atingidos pela atual crise, como no leste europeu, foram processadas nos marcos da democracia burguesa, ou seja, atrav&eacute;s da simples troca de um governante por outro, sem altera&ccedil;&otilde;es substantivas na ordem social. As mobiliza&ccedil;&otilde;es, inclusive as mais violentas, como na Gr&eacute;cia, ou as mais criativas, como os seq&uuml;estros de patr&otilde;es na Fran&ccedil;a, permanecem atomizadas, pontuais, e n&atilde;o apontam para a constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa sist&ecirc;mica global.<\/p>\n<p>\n\tNa aus&ecirc;ncia dessa alternativa, a ideologia burguesa segue monopolizando o debate. Um dos mais graves limites estruturais enfrentados pelo capitalismo, a quest&atilde;o ambiental, foi contornado pela burguesia mundial sem que se apresentasse nenhuma iniciativa capaz de sequer come&ccedil;ar a enfrentar minimamente o avan&ccedil;ado grau de degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas do planeta. A Confer&ecirc;ncia de Copenhague em dezembro de 2009 terminou sem apresentar qualquer proposta concreta de um plano vi&aacute;vel para combater a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, pelo fato de que esse plano teria um custo insuport&aacute;vel para a burguesia.<\/p>\n<p>\n\tA crise do capitalismo, que no momento da sua eclos&atilde;o deixou entrever em sua multidimensionalidade (crise ambiental, energ&eacute;tica, alimentar, etc.) os contornos de uma verdadeira crise societal, n&atilde;o resulta em desafio &agrave; perman&ecirc;ncia do capitalismo sem que se coloque de p&eacute; uma alternativa social organizada e consciente a ser impulsionada pela classe trabalhadora. A burguesia administra a crise e imp&otilde;e a sua vers&atilde;o da hist&oacute;ria, a sua narrativa de que tudo n&atilde;o passou da irresponsabilidade de alguns indiv&iacute;duos, alguns banqueiros gananciosos, pois &quot;n&atilde;o h&aacute; nada de errado com o sistema&quot; e &quot;tudo pode voltar a ser como antes&quot;.<\/p>\n<p>\n\tO maior s&iacute;mbolo dessa continuidade atrav&eacute;s da mudan&ccedil;a est&aacute; nos Estados Unidos, onde o governo Obama segue implantando as pol&iacute;ticas herdadas da era Bush. Os servi&ccedil;os p&uacute;blicos est&atilde;o sendo desmontados em nome da necessidade de economizar recursos para o salvamento dos neg&oacute;cios dos capitalistas, em especial a burguesia financeira. No plano externo, est&atilde;o sendo mantidas as invas&otilde;es militares no Iraque e no Afeganist&atilde;o, bem como as amea&ccedil;as ao Ir&atilde;, instala&ccedil;&atilde;o de bases na Am&eacute;rica Latina e a presen&ccedil;a f&iacute;sica de militares dos EUA. O terremoto no Haiti deu tamb&eacute;m a oportunidade de ocupar militarmente o pa&iacute;s caribenho, deslocando as for&ccedil;as da ONU chefiadas pelo Brasil e cortando as pretens&otilde;es de maior proemin&ecirc;ncia geopol&iacute;tica do governo Lula.<\/p>\n<p>\n\tNo conjunto da Am&eacute;rica Latina h&aacute; um reposicionamento da direita. A d&eacute;cada de 2000 come&ccedil;ou com uma onda de governantes ditos &quot;anti-neoliberais&quot; ou &quot;de esquerda&quot;, contendo uma ala &quot;bolivariana&quot; (Chavez, Morales, Correa) tida como mais radical devido a enfrentamentos limitados com a burguesia local e o imperialismo, e uma ala francamente adaptada ao neoliberalismo (Lula, Kirchner, Vasques, Bachelet, Lugo, Ortega). A ala chavista, apesar da ret&oacute;rica do &quot;socialismo do s&eacute;culo XXI&quot;, n&atilde;o rompeu com o capitalismo, adotando apenas algumas medidas limitadas (como as estatiza&ccedil;&otilde;es mediante indeniza&ccedil;&atilde;o) e assistencialistas. A ala lulista, que tamb&eacute;m despertou ilus&otilde;es de setores de esquerda no continente e no mundo, na pr&aacute;tica manteve o essencial das pol&iacute;ticas neoliberais (privatiza&ccedil;&otilde;es, pagamento da d&iacute;vida, desmonte dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, ataques aos trabalhadores), n&atilde;o realizou reformas, n&atilde;o rompeu com o imperialismo e p&ocirc;s em pr&aacute;tica um assistencialismo bancado por super&aacute;vits comerciais obtidos &agrave;s custas das exporta&ccedil;&otilde;es de produtos naturais (petr&oacute;leo, g&aacute;s, commodities agr&iacute;colas). Sem enfrentar de fato as burguesias locais e internacionais n&atilde;o h&aacute; como realizar melhorias mais duradouras nas condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores. Sem tais melhorias, as popula&ccedil;&otilde;es do continente voltam a olhar os pol&iacute;ticos de direita como alternativa.<\/p>\n<p>\n\tNo Chile, depois de 20 anos, a direita tradicional voltou a ganhar as elei&ccedil;&otilde;es, a despeito da popularidade de Bachelet, que n&atilde;o transferiu votos para seu candidato. Esse fen&ocirc;meno paradoxal &eacute; uma express&atilde;o da &quot;despolitiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica&quot;, em que os partidos deixam de apresentar diferen&ccedil;as em termos de alternativa social e defendem todos um mesmo projeto, ou seja, a perman&ecirc;ncia do capitalismo. Os partidos &quot;de esquerda&quot; que admitem a conviv&ecirc;ncia com o capitalismo se convertem em clones da direita e s&atilde;o preteridos pelos eleitores devido &agrave; falta de &quot;resultados&quot;. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o da esquerda e sua capitula&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia burguesa andam na contram&atilde;o da luta para superar a crise de alternativa. A tarefa das organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda &eacute; precisamente recolocar em discuss&atilde;o a necessidade de um projeto social alternativo, um projeto socialista que se construa nas lutas e para al&eacute;m das conjunturas e elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\tAntes do Chile, houve um ensaio em Honduras, com o golpe de Estado contra o presidente Zelaya, que se aproximava do chavismo. O golpe foi sacramentado por elei&ccedil;&otilde;es esp&uacute;rias (tais como as que se realizam no Iraque e Afeganist&atilde;o sob ocupa&ccedil;&atilde;o militar estrangeira), que deram posse a um presidente ileg&iacute;timo, sem que houvesse contesta&ccedil;&atilde;o internacional ou continental e contando com a capitula&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Zelaya, que cedeu &agrave; direita antes que a mobiliza&ccedil;&atilde;o popular tivesse condi&ccedil;&otilde;es de impor suas reivindica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>\n\tOs ensaios realizados em Honduras e no Chile, bem como a ocupa&ccedil;&atilde;o do Haiti sob pretexto de ajuda humanit&aacute;ria, mostram que o imperialismo e as burguesias locais est&atilde;o &agrave; postos para retomar o controle dos governos do continente da forma que for preciso. A via golpista n&atilde;o parece ser necess&aacute;ria no momento, pois se provou que os governos &quot;anti-neoliberais&quot; podem ser derrotados eleitoralmente. A democracia burguesa permanece sendo o regime mais eficaz de domina&ccedil;&atilde;o. A l&oacute;gica da altern&acirc;ncia dos partidos permite que as agremia&ccedil;&otilde;es da direita explorem as debilidades dos atuais governantes &quot;de esquerda&quot;, tais como a corrup&ccedil;&atilde;o ou a aus&ecirc;ncia de melhorias reais na situa&ccedil;&atilde;o material dos trabalhadores, para se credenciar novamente como alternativa. A d&eacute;cada de governos &quot;anti-neoliberais&quot; no continente n&atilde;o produziu conquistas materiais significativas, e se esgota deixando as portas abertas para o retorno da direita tradicional.<\/p>\n<p>\n\tAl&eacute;m das elei&ccedil;&otilde;es, a democracia burguesa ainda conta com uma s&eacute;rie de dispositivos de controle social que amortecem as contradi&ccedil;&otilde;es de classe, tais como a repress&atilde;o policial, as institui&ccedil;&otilde;es penais, o judici&aacute;rio, que atacam os trabalhadores em luta sem que haja necessidade de uma ditadura militar aberta ao estilo das d&eacute;cadas de 1960 e 70.<\/p>\n<h2>\n\t2) CONJUNTURA NACIONAL<\/h2>\n<p>\n\tO grande teste para a direita tradicional se dar&aacute; no Brasil, com o processo de sucess&atilde;o de Lula. O presidente brasileiro est&aacute; sendo canonizado em vida por setores da imprensa burguesa brasileira e internacional, que oferecem o seu exemplo como modelo mundial de governante capaz preservar os lucros da burguesia &agrave;s custas dos trabalhadores e ainda assim desfrutar de imensa popularidade. O grande achado do governo Lula &eacute; o fato de que, como ele mesmo disse, &quot;dar um pouquinho de dinheiro para os exclu&iacute;dos n&atilde;o desmonta a economia&quot; (O Estado de S. Paulo &#8211; 10\/12\/2009). A exalta&ccedil;&atilde;o da figura de Lula &eacute; tamb&eacute;m uma exalta&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es, um refor&ccedil;o ideol&oacute;gico do Estado e da democracia burguesa, do mito de que &quot;qualquer um pode chegar l&aacute;&quot; e o sistema &eacute; fundamentalmente justo.<\/p>\n<p>\n\tO projeto encarnado por Lula consiste em empregar p&atilde;o, circo e cacetete para criar a &quot;mis&eacute;ria funcional&quot;, ou seja, a mis&eacute;ria que n&atilde;o gera revolta. O bolsa-esmola, a Copa do Mundo e a repress&atilde;o feroz s&atilde;o as formas de administrar a deteriora&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos trabalhadores sem que isso provoque mobiliza&ccedil;&otilde;es e desafio ao controle da burguesia. Opera-se uma esp&eacute;cie de desclassiciza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora, a destrui&ccedil;&atilde;o da sua identidade social em nome da sua transforma&ccedil;&atilde;o numa massa de indiv&iacute;duos dependentes das benesses do Estado. Uma massa que se conforma com os baixos sal&aacute;rios, as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, a superexplora&ccedil;&atilde;o, a aus&ecirc;ncia de servi&ccedil;os p&uacute;blicos decentes, o subemprego, o trabalho tempor&aacute;rio, intermitente, informal, o desemprego aberto, desde que n&atilde;o morra de fome e possa assistir TV. Cria-se uma classe trabalhadora flex&iacute;vel e domesticada, dispon&iacute;vel e desfrut&aacute;vel, que pode ser contratada ou demitida com agilidade ao sabor das flutua&ccedil;&otilde;es do mercado mundial para o qual passa a estar voltada a burguesia instalada no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\n\tA implanta&ccedil;&atilde;o dessa mis&eacute;ria funcional contou com o indispens&aacute;vel concurso da burocracia do PT e PcdoB encastelada no controle dos principais instrumentos de luta da classe trabalhadora, a CUT, CTB, o MST e a UNE, que impediram os setores mais organizados e mobilizados da classe de entrar em luta aberta contra o governo Lula e atrapalhar os neg&oacute;cios da burguesia. As lutas que houveram ao longo de todo o mandato de Lula foram contornadas, desviadas e derrotadas pela burocracia. Houve importantes mobiliza&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia dos trabalhadores contra a reforma da previd&ecirc;ncia, oper&aacute;rios da constru&ccedil;&atilde;o civil, servidores federais, banc&aacute;rios, correios, petroleiros, professores, etc., bem como ocupa&ccedil;&otilde;es do MST, MTL e Terra Livre, que no entanto se depararam com o obst&aacute;culo das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas. Essas lutas de resist&ecirc;ncia obtiveram conquistas parciais e defensivas, mas n&atilde;o puderam p&ocirc;r em cheque a condu&ccedil;&atilde;o do projeto do governo e da burguesia. A crise atual deu a oportunidade para uma reestrutura&ccedil;&atilde;o nas empresas, com demiss&otilde;es em massa, redu&ccedil;&otilde;es de sal&aacute;rios e corte de direitos, com a colabora&ccedil;&atilde;o ativa da CUT, CTB e demais centrais pelegas na assinatura de acordos lesivos aos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tO governo Lula tornou evidente o car&aacute;ter de classe do PT como um partido burgu&ecirc;s composto de burocratas. Sua base social est&aacute; na burocracia estatal, nos aparatos sindicais, fundos de pens&atilde;o, etc. O projeto e o programa do PT s&atilde;o nitidamente burgueses. Os tra&ccedil;os remanescentes de presen&ccedil;a oper&aacute;ria na base do PT, em especial nos bairros e movimentos populares, n&atilde;o tem mais qualquer influ&ecirc;ncia decis&oacute;ria em qualquer inst&acirc;ncia do partido. &Eacute; dos aparatos estatais e sindicais que essa massa de burocratas aufere seus rendimentos e privil&eacute;gios, como as participa&ccedil;&otilde;es nos lucros dos fundos de pens&otilde;es, os altos sal&aacute;rios nos cargos de confian&ccedil;a, nas diretorias de estatais, os privil&eacute;gios parlamentares e sindicais, etc. Isso sem falar na capta&ccedil;&atilde;o de recursos via corrup&ccedil;&atilde;o, de cujos exemplos o governo Lula foi pr&oacute;digo, desde o mensal&atilde;o at&eacute; a Bancoop.<\/p>\n<p>\n\tO PT defende um projeto capitalista com um pouco mais de controle do Estado do que o PSDB e o DEM. As diferen&ccedil;as entre eles residem na disputa para determinar quem vai usufruir maior controle da m&aacute;quina do Estado. Em que pesem as diverg&ecirc;ncias pontuais do PT com o PSDB, ambos t&ecirc;m acordo no projeto estrat&eacute;gico de tornar o Brasil um pa&iacute;s vi&aacute;vel do ponto de vista do capital, o que significa necessariamente a ajuda &agrave;s empresas e o aumento dos ataques aos trabalhadores, particularmente com o agravamento da crise.<\/p>\n<p>\n\tO governo Lula &eacute; um governo burgu&ecirc;s cl&aacute;ssico. &Eacute; importante diferenciar o governo Lula do pr&oacute;prio PT, pois o governo est&aacute; mais &agrave; direita que o pr&oacute;prio partido. Isso ocorre pela op&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio PT e pela necessidade de governabilidade. A base de apoio do governo no Congresso se deslocou dos partidos menores e um pouco mais &agrave; esquerda (como PDT, PSB, etc.) para o PMDB, que possui uma grande bancada parlamentar, um grande n&uacute;mero de governos estaduais e prefeituras, e portanto uma grande influ&ecirc;ncia perante o governo. O PT obedece cegamente as diretrizes tra&ccedil;adas pelo governo e funciona como instrumento a servi&ccedil;o da governabilidade burguesa, abrindo m&atilde;o de qualquer bandeira program&aacute;tica. Assim, o governo Lula enquanto projeto e pol&iacute;tica cotidiana n&atilde;o tem nada de essencialmente diferente em rela&ccedil;&atilde;o ao um governo burgu&ecirc;s normal.<\/p>\n<p>\n\tDo ponto de vista da disputa entre os partidos, o PSDB conta com um relativo desgaste do PT depois de 8 anos de gest&atilde;o e sucessivos esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o, que horrorizam especialmente a pequena-burguesia. O PSDB n&atilde;o precisa apresentar um projeto diferente daquele que o PT vem implementando, que na verdade &eacute; uma continuidade do projeto FHC, o projeto de inser&ccedil;&atilde;o do Brasil no mercado mundial como exportador de mat&eacute;rias-primas agr&iacute;colas e manufaturas de baixo valor, &agrave;s custas da devasta&ccedil;&atilde;o ambiental e da superxplora&ccedil;&atilde;o do proletariado. Tudo o que o PSDB precisa fazer &eacute; apresentar as credenciais de uma gest&atilde;o tecnocr&aacute;tica mais eficiente do mesmo projeto, em lugar da vers&atilde;o voluntarista e popularesca protagonizada por Lula.<\/p>\n<p>\n\tEm rela&ccedil;&atilde;o ao PT, a vit&oacute;ria de Dilma &eacute; uma quest&atilde;o de vida ou morte. O PT se transformou numa m&aacute;quina eleitoral cuja sobreviv&ecirc;ncia material depende mortalmente de mandatos parlamentares, cargos no executivo, cargos de confian&ccedil;a, diretorias de estatais, etc. Numa eventual vit&oacute;ria do PSDB, a &quot;despetiza&ccedil;&atilde;o&quot; do Estado iria obrigar milhares de burocratas a se relocalizar nos sindicatos, nas ONGs, na academia, etc., ou seja, a ter que &quot;p&ocirc;r as m&atilde;os na massa&quot; na rela&ccedil;&atilde;o direta com os trabalhadores para sobreviver politicamente e materialmente. Por isso, a burocracia far&aacute; da elei&ccedil;&atilde;o de Dilma o principal eixo de atividade das entidades sob seu controle, secundarizando as campanhas salariais ou qualquer outra atividade. O PT far&aacute; de tudo para associar o prest&iacute;gio de Lula &agrave; candidatura Dilma e transformar a aprova&ccedil;&atilde;o do governo em votos, al&eacute;m de demonizar Serra e amedrontar os trabalhadores com a amea&ccedil;a da volta da direita.<\/p>\n<h2>\n\t3) PLANO DE LUTAS<\/h2>\n<p>\n\tO interesse vital da burocracia e o interesse do PSDB em retomar o controle do Estado tende a fazer das elei&ccedil;&otilde;es de 2010 uma disputa dur&iacute;ssima. Essa disputa deve polarizar a opini&atilde;o p&uacute;blica ao longo do ano, estabelecendo um falso debate que caber&aacute; &agrave; esquerda tentar romper. Mais do que nunca ser&aacute; fundamental politizar a pol&iacute;tica, ou seja, colocar em discuss&atilde;o um projeto pol&iacute;tico calcado numa perspectiva de classe, numa disputa ideol&oacute;gica pelo socialismo.<\/p>\n<p>\n\tDiante desse cen&aacute;rio, a principal tarefa deste Conclat n&atilde;o pode se limitar &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do modelo de central. A Reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora n&atilde;o pode se reduzir a uma reacomoda&ccedil;&atilde;o de alguns aparatos dirigidos por correntes de esquerda. Para que se trate de uma Reorganiza&ccedil;&atilde;o de fato, &eacute; preciso lutar pela renova&ccedil;&atilde;o das estruturas e das pr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores que vigoram no Brasil h&aacute; d&eacute;cadas. No que se refere especificamente ao movimento sindical, a estrutura herdada da Era Vargas nunca foi realmente superada, nem mesmo em per&iacute;odos de forte ascenso das lutas dos trabalhadores como no pr&eacute;-1964 e na virada da d&eacute;cada de 1970 para 1980. &Eacute; preciso romper com essa estrutura para que a nova entidade a ser criada tenha de fato condi&ccedil;&otilde;es de servir como alternativa organizativa.<\/p>\n<p>\n\tA Reorganiza&ccedil;&atilde;o deve ser concebida como constru&ccedil;&atilde;o de um Movimento Pol&iacute;tico dos Trabalhadores, que seja um f&oacute;rum permanente de organiza&ccedil;&atilde;o da classe, que v&aacute; al&eacute;m da esfera sindical ou eleitoral e desenvolva a disputa pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica pela consci&ecirc;ncia da classe, apresentando uma resposta socialista para a crise em que vivemos e suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es. Esse Movimento inclui a atividade sindical e eleitoral, mas n&atilde;o como um simples arranjo na forma&ccedil;&atilde;o de chapas, e sim como espa&ccedil;o para a discuss&atilde;o de programas e express&atilde;o da auto-organiza&ccedil;&atilde;o da classe e suas lutas, a partir das quais se constroem chapas sindicais e candidaturas eleitorais. Um pressuposto desse Movimento &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o da unidade, por isso consideramos importante que o CONCLAT aprove uma &uacute;nica candidatura dos trabalhadores para elei&ccedil;&otilde;es de 2010, como forma de se contrapor &agrave; falsa polariza&ccedil;&atilde;o entre Serra e Dilma.<\/p>\n<p>\n\tA tarefa desse Movimento &eacute; dotar a classe de uma alternativa pol&iacute;tica classista, socialista, independente do Estado e funcionando com base na democracia oper&aacute;ria, sem espa&ccedil;o para a burocratiza&ccedil;&atilde;o e o aparatismo. Esse Movimento seria o motor da disputa ideol&oacute;gica pelo socialismo, entendida como disputa permanente pela consci&ecirc;ncia dos trabalhadores contra o dom&iacute;nio da ideologia burguesa, do reformismo e de diversas formas de atraso e senso comum que obstruem o avan&ccedil;o da luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>\n\tApresentamos a seguir algumas propostas para um plano de luta que cont&eacute;m respostas para as quest&otilde;es imediatas colocadas pela continuidade da crise e que lan&ccedil;am a discuss&atilde;o sobre uma alternativa social global:<\/p>\n<p>\n\t&#8211; N&atilde;o &agrave;s demiss&otilde;es! Estabilidade no emprego e readmiss&atilde;o dos demitidos!<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\tRedu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios!<\/li>\n<li>\n\t\tSal&aacute;rio m&iacute;nimo do DIEESE como piso para todas as categorias!<\/li>\n<li>\n\t\tCarteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza&ccedil;&atilde;o, da informalidade e da precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho!<\/li>\n<li>\n\t\tCotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/li>\n<li>\n\t\tReestatiza&ccedil;&atilde;o da Embraer, da Vale e demais empresas privatizadas, sem indeniza&ccedil;&atilde;o e sob controle dos trabalhadores!<\/li>\n<li>\n\t\tEstatiza&ccedil;&atilde;o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza&ccedil;&atilde;o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea&ccedil;arem fechar!<\/li>\n<li>\n\t\tN&atilde;o pagamento das d&iacute;vidas p&uacute;blicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi&ccedil;os p&uacute;blicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi&ccedil;&otilde;es imediatas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/li>\n<li>\n\t\tEstatiza&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/li>\n<li>\n\t\tReforma agr&aacute;ria sob controle dos trabalhadores! Fim do latif&uacute;ndio e do agroneg&oacute;cio! Por uma agricultura coletiva, org&acirc;nica e ecol&oacute;gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/li>\n<li>\n\t\tQue o CONCLAT aprove a frente de esquerda, classista e socialista!<\/li>\n<li>\n\t\tPor um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza&ccedil;&otilde;es de luta!<\/li>\n<li>\n\t\tPor uma sociedade socialista!<\/li>\n<\/ul>\n<h2>\n\t4) ESTRUTURA SINDICAL<\/h2>\n<h3>\n\t4.1) Combater a estrutura sindical vigente<\/h3>\n<p>\n\tA quest&atilde;o da legalidade e da permiss&atilde;o estatal &#8211; No Brasil os sindicatos dependem de autoriza&ccedil;&atilde;o do Estado para existir. &Eacute; preciso ter uma carta do Minist&eacute;rio do Trabalho para que a entidade tenha a condi&ccedil;&atilde;o legal de representar os trabalhadores perante a patronal e o pr&oacute;prio Estado. Os sindicatos passam a ter como limite da sua atua&ccedil;&atilde;o as negocia&ccedil;&otilde;es trabalhistas. O fato dos sindicatos n&atilde;o poderem se organizar autonomamente, segundo suas pr&oacute;prias concep&ccedil;&otilde;es, para desenvolver o processo de educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da classe em dire&ccedil;&atilde;o ao socialismo paralelo ao enfrentamento cotidiano das quest&otilde;es trabalhistas, &eacute; um obst&aacute;culo estrutural para a luta emancipat&oacute;ria dos trabalhadores no Brasil.<\/p>\n<p>\n\tIsso n&atilde;o significa que defendemos a cria&ccedil;&atilde;o de sindicatos paralelos ou clandestinos. Defendemos o direito legal de organiza&ccedil;&atilde;o, o fortalecimento dos sindicatos, a inviolabilidade dos mandatos, a estabilidade e a inamovibilidade dos dirigentes sindicais, dos membros das CIPAS, dos representantes por locais de trabalho, assim como todos os direitos trabalhistas contidos na lei e os direitos democr&aacute;ticos de modo geral, e lutamos pela sua amplia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\n\tA quest&atilde;o &eacute; que n&atilde;o se pode confundir o direito de organiza&ccedil;&atilde;o conquistado ao Estado burgu&ecirc;s e materializado em sua legisla&ccedil;&atilde;o com o processo de adapta&ccedil;&atilde;o e exist&ecirc;ncia subordinada apenas &agrave; permiss&atilde;o estatal. &Eacute; preciso, al&eacute;m da atividade legal e reconhecida, a constru&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es clandestinas nas empresas privadas onde, por sua pr&oacute;pria natureza, existe feroz ditadura de classe.<\/p>\n<p>\n\tContra o financiamento estatal &#8211; A luta pelo socialismo &eacute; uma luta pela destrui&ccedil;&atilde;o do Estado burgu&ecirc;s e n&atilde;o pelo seu fortalecimento. Para que os trabalhadores exer&ccedil;am o controle ser&aacute; preciso destruir a atual forma do Estado. Isso envolve inclusive destruir a atual forma de funcionamento dos sindicatos, o que exige lutar por uma autonomia real e total dos organismos de luta em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado.<\/p>\n<p>\n\tNa sua atual forma, o atrelamento dos sindicatos ao Estado se materializa por meio do financiamento, pois os sindicatos no Brasil s&atilde;o mantidos por meio do Imposto Sindical, uma contribui&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria cobrada de todos os trabalhadores brasileiros, independentemente de serem sindicalizados ou n&atilde;o, equivalente a um dia de trabalho por ano. Com esse dinheiro &eacute; poss&iacute;vel manter artificialmente a exist&ecirc;ncia de um aparato burocr&aacute;tico de sindicatos, federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais sem que essas entidades tenham qualquer papel pol&iacute;tico real enquanto organiza&ccedil;&otilde;es da classe, at&eacute; mesmo no que se refere ao plano da luta econ&ocirc;mica elementar.<\/p>\n<p>\n\tOs sindicatos n&atilde;o precisam realizar nenhuma luta, nem sequer uma campanha salarial, para se manter funcionando e sustentando uma camada de parasitas burocratizados. Al&eacute;m do imposto sindical, os sindicatos e centrais recebem outras verbas por meio de conv&ecirc;nios com o Estado e com as pr&oacute;prias empresas, como o FAT, que financiam uma estrutura assistencial dependente do Estado burgu&ecirc;s e conformada aos seus limites pol&iacute;ticos. &Eacute; preciso romper com essa barreira e construir organiza&ccedil;&otilde;es sindicais pol&iacute;tica e financeiramente aut&ocirc;nomas, mantidas exclusivamente por meio da contribui&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria e consciente dos trabalhadores, em fun&ccedil;&atilde;o do reconhecimento da sua representatividade.<\/p>\n<p>\n\tA quest&atilde;o da independ&ecirc;ncia pol&iacute;tico\/financeira e do funcionamento burocr&aacute;tico dos organismos dos trabalhadores tem sido um calcanhar de Aquiles n&atilde;o apenas para o movimento sindical, mas tamb&eacute;m nos demais setores. O MST tem priorizado a busca de verbas do governo federal para que os assentamentos possam concorrer com o modelo de agricultura em vigor, ao inv&eacute;s de priorizar a luta contra o latif&uacute;ndio e a ruptura do modelo do agroneg&oacute;cio. A UNE tem se financiado com a venda de carteirinhas de meia- entrada e outras formas de financiamento direto do Estado. V&aacute;rios movimentos de combate &agrave; opress&atilde;o racial ou de outros setores tem se convertido em ONGs financiadas pelo governo ou at&eacute; por empresas, buscando a adapta&ccedil;&atilde;o ao sistema ao inv&eacute;s do combate contra a realidade existente.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o d&aacute; para manter a independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica do Estado burgu&ecirc;s sem romper com qualquer tipo de ajuda e conv&ecirc;nios com os &oacute;rg&atilde;os do Estado e da patronal. A nova entidade n&atilde;o pode aceitar -direta ou indiretamente- nenhum centavo do Estado e das entidades patronais. Tamb&eacute;m &eacute; preciso reafirmar que somos contra o imposto sindical e qualquer contribui&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores que n&atilde;o seja volunt&aacute;ria, atrav&eacute;s das mensalidades sindicais, decis&otilde;es importantes dos congressos anteriores da Conlutas. Mas &eacute; preciso ir mais longe e colocar como condi&ccedil;&atilde;o para os sindicatos a n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o do dinheiro do Imposto Sindical e de nenhuma verba dos governos.<\/p>\n<p>\n\tLiberdade para os trabalhadores se organizarem &#8211; Um dos instrumentos de controle sobre os sindicatos &eacute; a estrutura vertical (vincula&ccedil;&atilde;o a federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais) e a unicidade sindical (proibi&ccedil;&atilde;o de mais de um sindicato da mesma categoria na base de um munic&iacute;pio). Essa estrutura cria uma cadeia hier&aacute;rquica vertical em que o centro das decis&otilde;es passa a estar situado nas entidades superestruturais e deslocado da base. Al&eacute;m disso, o funcionamento verticalizado das centrais impede a autonomia das regionais. As subse&ccedil;&otilde;es das centrais nos Estados e regi&otilde;es limitam-se a reproduzir as campanhas e atividades propostas pela dire&ccedil;&atilde;o nacional, sem iniciativa para desenvolver atividades pr&oacute;prias.<\/p>\n<p>\n\tDefendemos a unidade da classe e de seus organismos. Mas a unidade n&atilde;o pode ser imposta por determina&ccedil;&otilde;es do Estado, ela deve ser fruto de uma decis&atilde;o consciente dos trabalhadores. A forma&ccedil;&atilde;o de sindicatos, assim como a sua filia&ccedil;&atilde;o a federa&ccedil;&otilde;es, confedera&ccedil;&otilde;es e centrais, deve ser uma decis&atilde;o pol&iacute;tica aut&ocirc;noma da base das categorias.<\/p>\n<p>\n\tLutar contra o economicismo e o corporativismo &#8211; A forma de organiza&ccedil;&atilde;o centralizada por categoria funciona de modo a manter a luta restrita aos limites corporativos de determinado segmento profissional. Os sindicatos organizam a luta pelas quest&otilde;es espec&iacute;ficas das categorias e n&atilde;o desenvolvem lutas pol&iacute;ticas mais gerais que contemplem os interesses do conjunto da classe. O calend&aacute;rio de atividades dos sindicatos se centraliza pelas campanhas salariais, de acordo com a data-base das categorias. Os sindicatos mobilizam os trabalhadores para as reivindica&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, mas como uma simples massa de manobra, que deve comparecer nas assembl&eacute;ias e eventualmente paralisar a produ&ccedil;&atilde;o. Encerrada a campanha e assinados os acordos, os trabalhadores voltam &agrave; rotina. Desse modo, os sindicatos se abst&eacute;m de fazer a mobiliza&ccedil;&atilde;o permanente, perpetuando o economicismo e negligenciando a educa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\tMuitas vezes existem subdivis&otilde;es dentro da pr&oacute;pria categoria, nas situa&ccedil;&otilde;es em que h&aacute; trabalhadores de uma mesma empresa representados por sindicatos diferentes, j&aacute; que n&atilde;o s&atilde;o considerados como pertencentes ao mesmo ramo profissional, como &eacute; o caso do terceirizados. Esse processo se aprofundou com as terceiriza&ccedil;&otilde;es e a precariza&ccedil;&atilde;o geral do trabalho. Os sindicatos se abst&eacute;m de organizar os terceirizados, contratados, tempor&aacute;rios, trabalhadores de segmentos considerados &quot;subalternos&quot;, como servi&ccedil;os de limpeza, copa, telefonia, etc. Defendemos que os sindicatos da Nova Central devem dedicar parte importante de sua atividade para temas pol&iacute;ticos e ideol&oacute;gicos e, obrigatoriamente, em conjunto com a luta pelo fim das terceiriza&ccedil;&otilde;es, desenvolver formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores terceirizados. &Eacute; uma das formas -pr&aacute;tica e concreta- de lutarmos contra o corporativismo.<\/p>\n<p>\n\tContra a concilia&ccedil;&atilde;o de classe &#8211; O corporativismo e o economicismo, bem como a participa&ccedil;&atilde;o em conv&ecirc;nios com o Estado, s&atilde;o express&otilde;es de uma atividade sindical pautada na concilia&ccedil;&atilde;o de classe. As entidades sindicais abriram m&atilde;o da defesa de uma alternativa pol&iacute;tica e social de conte&uacute;do classista e socialista, assumindo abertamente a defesa da perman&ecirc;ncia da sociedade burguesa. O sistema capitalista &eacute; concebido como horizonte definitivo de organiza&ccedil;&atilde;o da vida social. O fim da CUT e de seus sindicatos n&atilde;o est&aacute; s&oacute; na incorpora&ccedil;&atilde;o ao Estado e de apoio ao governo Lula, mas principalmente no fato de que a CUT e demais centrais governistas se incorporaram &agrave; l&oacute;gica de mercado, onde os sindicatos passam a colaborar com a patronal e com o Estado na gest&atilde;o da economia. Os sindicatos assumem o discurso da patronal de que as empresas precisam cortar custos para voltar a ter lucro e assim manter empregos e colaborar com &quot;o bem comum&quot;. Em nome desse discurso, entidades sindicais assinam acordos que legitimam, demiss&otilde;es, redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios, corte de direitos, precariza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, banco de horas, etc. Tornam-se a primeira fileira do aparato repressivo do capital. A fun&ccedil;&atilde;o de repress&atilde;o e concilia&ccedil;&atilde;o de classe se expressa tamb&eacute;m na op&ccedil;&atilde;o pela via da negocia&ccedil;&atilde;o e da judicializa&ccedil;&atilde;o dos conflitos trabalhistas. Ao empregar essa via, os sindicatos pelegos conseguem conter as mobiliza&ccedil;&otilde;es e colocam os trabalhadores numa posi&ccedil;&atilde;o passiva, &agrave; espera de que os dirigentes sindicais ou o Estado, atrav&eacute;s da justi&ccedil;a trabalhista, resolvam seus problemas.<\/p>\n<p>\n\tOrganiza&ccedil;&atilde;o de base &#8211; O sindicalismo brasileiro se caracteriza ainda pela falta de efetividade das organiza&ccedil;&otilde;es por local de trabalho, como as comiss&otilde;es de empresa, CIPAs, corpos de delegados sindicais e representantes de base. A atividade sindical &eacute; desenvolvida como algo que emana da c&uacute;pula dirigente das entidades sindicais, ao inv&eacute;s de se construir na mobiliza&ccedil;&atilde;o a partir da base. Os dirigentes atuam de forma exterior, de cima para baixo, de maneira descolada da realidade do &quot;ch&atilde;o de f&aacute;brica&quot;. O sindicato comparece em &eacute;poca de campanha salarial com carro de som ou panfletos na porta das empresas, como um &quot;corpo estranho&quot;, sem identidade com os trabalhadores e alienado do seu cotidiano.<\/p>\n<p>\n\tQuando os trabalhadores atendem ao chamado dos sindicatos, comparecendo &agrave;s assembl&eacute;ias e paralisando a produ&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m agem de forma passiva, pois n&atilde;o lhes s&atilde;o dadas condi&ccedil;&otilde;es de interferir na condu&ccedil;&atilde;o da luta desenvolvida em seu nome. Funcionam apenas como massa de press&atilde;o usada pelas entidades sindicais para encenar uma amea&ccedil;a &agrave; patronal e ao Estado. Os representantes de base n&atilde;o t&ecirc;m voz ativa no interior do sindicato, n&atilde;o se re&uacute;nem com regularidade, n&atilde;o tem car&aacute;ter deliberativo. Da mesma forma, o comando de mobiliza&ccedil;&atilde;o e de greve e os representantes nas mesas de negocia&ccedil;&atilde;o com a patronal e o Estado s&atilde;o compostos por elementos &quot;bi&ocirc;nicos&quot;, indicados pela dire&ccedil;&atilde;o das entidades sindicais, sem a possibilidade de que trabalhadores de base participem. Para completar esse quadro, as assembl&eacute;ias s&atilde;o burocr&aacute;ticas, conduzidas por uma mesa tamb&eacute;m &quot;bi&ocirc;nica&quot;, na qual apenas os dirigentes usam o microfone. O mesmo acontece em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; imprensa sindical, em que n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para a manifesta&ccedil;&atilde;o da base. Por isso &eacute; preciso que a Nova Central desenvolva formas de organizar os trabalhadores em suas entidades, mas tamb&eacute;m em seu local de trabalho, seja legalmente, por meio das comiss&otilde;es de f&aacute;bricas ou CIPAs, ou mesmo clandestinamente.<\/p>\n<p>\n\tFinan&ccedil;as &#8211; Quanto &agrave; gest&atilde;o financeira &eacute; necess&aacute;rio desenvolver uma pol&iacute;tica (at&eacute; se tornar cultura) de controle p&uacute;blico sobre as finan&ccedil;as e isso envolve presta&ccedil;&atilde;o de contas, com comprova&ccedil;&atilde;o dos gastos nas Assembl&eacute;ias, bem como a decis&atilde;o coletiva dos gastos futuros. &Eacute; preciso abrir o caixa do movimento sindical: quanto dinheiro tem os sindicatos, quem decide e como decide o que gastar? N&atilde;o se pode fazer essa cr&iacute;tica aos governos da burguesia e deixar de construir outra pr&aacute;tica. Para desenvolver essa cultura, propomos que:<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\tcada entidade que receba verba fixa contribuir&aacute; com 1% de suas receitas para manter as despesas regulares da central. Se n&atilde;o houver verba fixa, quem define a contribui&ccedil;&atilde;o, de acordo com a possibilidade do movimento popular, associa&ccedil;&atilde;o, oposi&ccedil;&atilde;o e outros, &eacute; a Dire&ccedil;&atilde;o\/coordena&ccedil;&atilde;o (cabendo recurso &agrave;s inst&acirc;ncias deliberativas);<\/li>\n<li>\n\t\tO controle de finan&ccedil;as deve ser por secretaria de finan&ccedil;as com 3 membros e deve ser apresentado balancete mensalmente;<\/li>\n<li>\n\t\tDeve-se criar formas &quot;transparentes e democr&aacute;ticas&quot; de contrata&ccedil;&atilde;o e demiss&atilde;o dos funcion&aacute;rios das entidades aprovadas nas Assembl&eacute;ias. Essa &eacute; uma medida que visa acabar com a admiss&otilde;es pela amizade, pessoalidade e com o aparelhamento das entidades por alguma corrente.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.2) Jogar peso nas oposi&ccedil;&otilde;es sindicais para derrotar a pelegada<\/h3>\n<p>\n\t\t\tAs oposi&ccedil;&otilde;es podem ser o ponto de apoio a partir do qual se renovar&atilde;o as formas de organiza&ccedil;&atilde;o da classe, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; retomada da sua fun&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de instrumentos para a luta contra o capital. Estamos aqui falando das oposi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o como simples chapas para elei&ccedil;&otilde;es sindicais visando retomar administrativamente a dire&ccedil;&atilde;o das entidades. Entendemos as oposi&ccedil;&otilde;es como um movimento mais amplo que tenha como objetivo retomar ideologicamente a dire&ccedil;&atilde;o da classe. A tarefa desse movimento &eacute; desenvolver o trabalho que os sindicatos n&atilde;o tem desenvolvido de organiza&ccedil;&atilde;o e eleva&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia da classe. A retomada dos sindicatos &eacute; um meio e n&atilde;o um fim em si. O fortalecimento do movimento deve criar condi&ccedil;&otilde;es para que cada segmento da classe seja capaz de organizar sua luta cotidiana contra a burguesia mesmo com o obst&aacute;culo das dire&ccedil;&otilde;es burocr&aacute;ticas, passando por cima dessas dire&ccedil;&otilde;es, at&eacute; que possam ser substitu&iacute;das por dire&ccedil;&otilde;es combativas formadas no pr&oacute;prio curso da luta.<\/p>\n<p>\n\t\t\tUm movimento de oposi&ccedil;&atilde;o com essas caracter&iacute;sticas teria condi&ccedil;&otilde;es de restituir os sindicatos ao seu devido lugar, ou seja, o de instrumento de luta dos trabalhadores no interior da sociedade burguesa. Livrar as entidades sindicais dos burocratas deve ser uma obsess&atilde;o nossa, tanto para facilitar as lutas contra o governo e contra a patronal, como para a pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o da CENTRAL. Nos apresentaremos aos trabalhadores tamb&eacute;m com propostas de democratiza&ccedil;&atilde;o dos sindicatos, como garantia de que o sindicato voltar&aacute;, efetivamente, para as m&atilde;os dos trabalhadores. &Eacute; preciso que os trabalhadores se conven&ccedil;am de que faz diferen&ccedil;a votar em uma chapa da CENTRAL e que n&atilde;o buscamos o simplesmente controle do aparato sindical, mas sim transform&aacute;-lo em uma ferramenta de luta e que nos propomos a construir uma nova concep&ccedil;&atilde;o sindical, ou seja, classista, socialista e democr&aacute;tica.<\/p>\n<p>\n\t\t\tPara isso precisamos impulsionar a forma&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&otilde;es sindicais, e naquelas que j&aacute; existem, precisamos garantir um funcionamento permanente, com atividades constantes e debate pol&iacute;tico com a categoria, mostrando que &eacute; fundamental se organizar para varrer a pelegada dos sindicatos.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.3) A burocratiza&ccedil;&atilde;o<\/h3>\n<p>\n\t\t\tO rumo que a CUT tomou e a incorpora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios sindicatos ao Estado deve nos servir de advert&ecirc;ncia. N&atilde;o podemos cair no canto de sereia de que somos imunes ao processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o. Temos que tomar medidas que impe&ccedil;am desde j&aacute; o desenvolvimento de uma burocracia tamb&eacute;m no interior da CENTRAL.<\/p>\n<p>\n\t\t\tO processo de burocratiza&ccedil;&atilde;o que afetou inclusive sindicatos da base da CENTRAL mostrou a gravidade e a urg&ecirc;ncia dessa quest&atilde;o. No CONAT, as propostas que apresentamos para combater a burocratiza&ccedil;&atilde;o nos sindicatos e na pr&oacute;pria CENTRAL foram derrotadas e a reflex&atilde;o por n&oacute;s apresentada foi deixada de lado. Isso significou um atraso na elabora&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica eficaz para o combate &agrave; burocratiza&ccedil;&atilde;o. Os acontecimentos da luta de classes mostraram mais uma vez a urg&ecirc;ncia de um profundo debate sobre essas quest&otilde;es no movimento sindical, que consiga identificar a origem dos problemas e combat&ecirc;-los.<\/p>\n<p>\n\t\t\t&#8211; Combater de fato a burocratiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o pensamos que a burocratiza&ccedil;&atilde;o seja inerente ao ser humano, mas ao sistema de domina&ccedil;&atilde;o. Para se manter de p&eacute; o sistema cria mecanismos ou solu&ccedil;&otilde;es aparentemente mais f&aacute;ceis para atrair a consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora. A burocratiza&ccedil;&atilde;o, seja pelo parlamento, sindicatos ou mesmo o partido, &eacute; um elemento objetivo e assim temos que lidar.<\/p>\n<p>\n\t\t\tDevido &agrave; brutalidade e &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o a que o trabalhador est&aacute; submetido em seu trabalho, muitos acabam vendo no licenciamento sindical uma forma de se livrarem dessa condi&ccedil;&atilde;o miser&aacute;vel e passam a ter como objetivo de sua milit&acirc;ncia a libera&ccedil;&atilde;o. Isso tem conseq&uuml;&ecirc;ncias porque mesmo esses pequenos privil&eacute;gios diferenciam o dirigente sindical da categoria que representa. H&aacute; tamb&eacute;m uma conseq&uuml;&ecirc;ncia pol&iacute;tica danosa que &eacute; o afastamento da &quot;press&atilde;o&quot; dos trabalhadores, pois muitas vezes o militante liberado s&oacute; vai &agrave; f&aacute;brica ou setor de vez em quando. O resultado &eacute; que, por suas condi&ccedil;&otilde;es materiais, suas necessidades passam a ser diferentes dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\t\tPara que a CENTRAL se apresente aos trabalhadores como algo realmente diferente precisa demonstrar que tem uma estrutura anti-burocr&aacute;tica. Por isso propomos as seguintes medidas:<\/p>\n<p>\n\t\t\ta) Todas as decis&otilde;es pol&iacute;ticas importantes precisam ser tomadas em f&oacute;runs amplos, ou seja, deve ser retirado dos &oacute;rg&atilde;os de coordena&ccedil;&atilde;o\/dire&ccedil;&atilde;o o poder de decidir tudo, sem discutir com a base;<\/p>\n<p>\n\t\t\tb) Defendemos a limita&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de mandatos. Essa discuss&atilde;o precisa ser aprofundada e levada &agrave;s entidades de base para discutirmos maneiras de viabilizar um limite &agrave;s reelei&ccedil;&otilde;es. Muitos dirigentes sindicais ficam anos longe de suas atividades, o que faz com que deixem de viver a mesma realidade material dos trabalhadores. Temos que acabar com os dirigentes sindicais &quot;profissionais&quot;, ou seja, com esse modo de vida. Outra import&acirc;ncia dessa medida &eacute; permitir que outros companheiros adquiram experi&ecirc;ncia em v&aacute;rias tarefas. Propomos que a Nova Central realize um Semin&aacute;rio espec&iacute;fico, a ser marcado numa data definida neste Congresso, para discutir as medidas necess&aacute;rias para um processo de transi&ccedil;&atilde;o que viabilize a aplica&ccedil;&atilde;o de medidas anti-burocratiza&ccedil;&atilde;o nas entidades, que permita envolver a base na discuss&atilde;o, preparar mudan&ccedil;as estatut&aacute;rias, etc., estabelecendo medidas concretas para revolucionar os sindicatos.<\/p>\n<p>\n\t\t\tc) Substitui&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria de pelo &frac12; dos membros dos &oacute;rg&atilde;os dirigentes a cada elei&ccedil;&atilde;o, de forma que garanta uma renova&ccedil;&atilde;o permanente;<\/p>\n<p>\n\t\t\td) A libera&ccedil;&atilde;o deve ser uma discuss&atilde;o com o conjunto da categoria, inclusive deve fazer parte da pauta de reivindica&ccedil;&otilde;es. Que seja a categoria que decida quem se libera e quem n&atilde;o se libera. Quando a &quot;libera&ccedil;&atilde;o&quot; for aprovada o sal&aacute;rio n&atilde;o pode ser superior &agrave;quele que o militante recebia e deve existir rod&iacute;zio, com prazo determinado para retorno ao trabalho. Al&eacute;m disso, o dirigente n&atilde;o pode receber sal&aacute;rio do sindicato. Essas medidas possibilitam que a libera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se torne um &quot;neg&oacute;cio&quot; para os dirigentes sindicais.<\/p>\n<p>\n\t\t\te) Deve haver um r&iacute;gido controle sobre o cumprimento de hor&aacute;rio e das tarefas assumidas, de forma que se cumpra no m&iacute;nimo o mesmo de antes da libera&ccedil;&atilde;o. Todos os trabalhadores est&atilde;o submetidos a um r&iacute;gido controle de hor&aacute;rio por parte dos patr&otilde;es. Portanto, n&atilde;o &eacute; justo que os representantes estejam submetidos a condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis que os demais trabalhadores;<\/p>\n<p>\n\t\t\tf) Os sindicatos e demais organiza&ccedil;&otilde;es devem ser absolutamente democr&aacute;ticas, com garantias expressas ao debate entre os ativistas, liberdade de interven&ccedil;&atilde;o, discuss&atilde;o, vota&ccedil;&otilde;es, direito de express&atilde;o de todas as posi&ccedil;&otilde;es para os trabalhadores nos materiais do sindicato (jornais, revistas) e nas assembl&eacute;ias.Tamb&eacute;m deve haver um impulso sistem&aacute;tico &agrave; forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e te&oacute;rica, para superar as dificuldades que haja entre os trabalhadores.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.4) Forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pol&iacute;tica<\/h3>\n<p>\n\t\t\tA disputa ideol&oacute;gica requer tamb&eacute;m uma disputa te&oacute;rica. A forma&ccedil;&atilde;o dos dirigentes sindicais, dos militantes e dos pr&oacute;prios trabalhadores tamb&eacute;m precisa ser desenvolvida internamente, dentro das pr&oacute;prias entidades sindicais, sem o recurso a institutos e aparatos exteriores. Al&eacute;m disso, a forma&ccedil;&atilde;o sindical deve ir al&eacute;m de palestras do tipo acad&ecirc;mico, em que um orador fala e os trabalhadores permanecem passivos. E tamb&eacute;m os temas tratados devem ir al&eacute;m das quest&otilde;es imediatas, como CIPA, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, etc., que s&atilde;o importantes, mas n&atilde;o dispensam uma forma&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter mais ideol&oacute;gico e pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>\n\t\t\t&Eacute; preciso superar a concep&ccedil;&atilde;o das atividades de forma&ccedil;&atilde;o apenas como uma s&eacute;rie de cursos que n&atilde;o se relacionam com o restante da atividade sindical e do dia a dia do trabalhador. O pr&oacute;prio desenvolvimento das lutas deve ser visto como um meio de formar novos dirigentes e de educar os trabalhadores em geral, para que desempenhem um papel mais ativo. A forma&ccedil;&atilde;o deve ser um processo permanente, em conex&atilde;o com a atividade pol&iacute;tica e a disputa ideol&oacute;gico-cultural.<\/p>\n<p>\n\t\t\tExistem sindicatos que chegam ao ponto de oferecer cursos de aprimoramento profissional, economizando investimento da burguesia e do Estado na forma&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra, colaborando para aumentar o lucro das empresas. Ao inv&eacute;s de oferecer cursos sobre a hist&oacute;ria do movimento oper&aacute;rio, as id&eacute;ias que orientaram a luta dos trabalhadores, o marxismo, etc., os sindicatos reproduzem a ideologia burguesa entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\t\tA forma&ccedil;&atilde;o intelectual &eacute; tamb&eacute;m um dos &quot;privil&eacute;gios&quot; a que t&ecirc;m acesso os dirigentes sindicais no uso do &quot;tempo livre&quot; que a condi&ccedil;&atilde;o de licenciado do trabalho lhes proporciona. Esses dirigentes se aproveitam dessa condi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o para desempenhar melhor o seu papel como lideran&ccedil;a dos trabalhadores, mas para ter mais recursos no debate pol&iacute;tico interno ao sindicato e no controle sobre o aparato. Estudam para adquirir autoridade atrav&eacute;s do status de &quot;especialista&quot;, perpetuando uma l&oacute;gica tecnocr&aacute;tica.<\/p>\n<p>\n\t\t\tTamb&eacute;m nesse campo os sindicatos reformistas e burocratizados reproduzem a l&oacute;gica da sociedade burguesa, mantendo uma separa&ccedil;&atilde;o entre trabalho intelectual e trabalho bra&ccedil;al, entre dirigentes e dirigidos, os que pensam e os que executam. Ao contr&aacute;rio disso, os sindicatos devem ser um instrumento para elevar a consci&ecirc;ncia e a organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, atrav&eacute;s de cursos, semin&aacute;rios, palestras, atividades culturais abertas a todos. A eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel cultural geral, do grau de consci&ecirc;ncia e da capacidade pol&iacute;tica s&atilde;o pr&eacute;-requisitos para que os trabalhadores assumam o controle sobre sua pr&oacute;pria luta, ou em outras palavras, para que a emancipa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores seja obra dos pr&oacute;prios trabalhadores.<\/p>\n<p>\n\t\t\tNo plano de forma&ccedil;&atilde;o &eacute; preciso entrar as obras de Marx e do marxismo, L&ecirc;nin e tantas outras que contribuam para &quot;a compreens&atilde;o n&iacute;tida das condi&ccedil;&otilde;es, do curso e dos fins gerais do movimento prolet&aacute;rio&quot; (Manifesto Comunista). Para combater a burguesia tamb&eacute;m precisamos estudar os seus cl&aacute;ssicos e os autores reformistas, principalmente porque muitos deles de alguma maneira influenciam setores do movimento sindical.<\/p>\n<p>\n\t\t\tAs atividades de forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem ser terceirizadas para institutos e outras entidades externas. Por entendermos que essa atividade &eacute; parte da central somos contra transferir essa tarefa de forma permanente para qualquer instituto, pois qualquer projeto de forma&ccedil;&atilde;o fora dos organismos da central pode ser a base para a monopoliza&ccedil;&atilde;o de uma corrente e cria&ccedil;&atilde;o de organismos paralelos &agrave; entidade. Assim, devemos aceitar os institutos de forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que estejam comprometidos com o projeto da nova CENTRAL como parte de uma transi&ccedil;&atilde;o para o projeto de construir com o seu pr&oacute;prio instituto de forma&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica\/pr&aacute;tica para assessorar as entidades de base.<\/p>\n<h3>\n\t\t\t4.5) A luta contra todas as formas de opress&atilde;o e preconceito<\/h3>\n<p>\n\t\t\tA disputa ideol&oacute;gica contra o capital n&atilde;o &eacute; completa sem a luta contra o racismo, o machismo a homofobia e todas as formas de opress&atilde;o. O capitalismo cria segmenta&ccedil;&otilde;es e divis&otilde;es artificiais entre a classe trabalhadora para fomentar a rivalidade e a disputa entre os diversos setores do proletariado pelas vagas cada vez mais escassas no mercado de trabalho num contexto de expans&atilde;o do desemprego estrutural e de forma&ccedil;&atilde;o de um ex&eacute;rcito industrial de desempregados permanentes. A segmenta&ccedil;&atilde;o da classe em guetos definidos por etnia, religi&atilde;o, l&iacute;ngua, imigra&ccedil;&atilde;o, etc., &eacute; mais um obst&aacute;culo para a a&ccedil;&atilde;o conjunta do proletariado.<\/p>\n<p>\n\t\t\tNo sentido de incorporar as mais amplas massas &agrave; luta &eacute; preciso ultrapassar a costumeira pr&aacute;tica de isolar as quest&otilde;es relativas de ra&ccedil;a, g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual em um plano secund&aacute;rio, sob a inadequada rubrica de &quot;temas espec&iacute;ficos&quot;, e destinar a cada uma um guich&ecirc; no qual deve debater &quot;seus&quot; assuntos. Usualmente, destina-se a cada um desses setores o seu departamento isolado e situa-se o conjunto desses departamentos num n&iacute;vel inferior ao das quest&otilde;es gerais. Forma-se o departamento das mulheres, o dos negros, o GLBT, etc, de uma maneira formal e artificial, pois n&atilde;o incorpora as bandeiras e demandas desses setores como eixos centrais de luta e como parte da mesma luta, que &eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o dos homens e mulheres do dom&iacute;nio do capital. A pr&aacute;tica que tem se reproduzido &eacute; que as &quot;lutas espec&iacute;ficas&quot; n&atilde;o apenas s&atilde;o isoladas da luta geral, como s&atilde;o em seu conjunto empurradas para formar apenas um ap&ecirc;ndice, um cap&iacute;tulo a mais que se incorpora burocraticamente porque consta no &quot;manual&quot; do que &eacute; &quot;politicamente correto&quot;, mas que n&atilde;o se incorpora concretamente.<\/p>\n<p>\n\t\t\tAs lutas das mulheres, dos negros e outros setores oprimidos precisam ser pautadas no dia a dia da nova central e nas atividades das entidades de base. Propomos algumas bandeiras de luta para levar adiantes este debate:<\/p>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tBarrar o assassinato, a viol&ecirc;ncia e a agress&atilde;o das mulheres, p&ocirc;r na pris&atilde;o os assassinos, agressores, ped&oacute;filos e seus coniventes! Investimentos para abrigos e recoloca&ccedil;&atilde;o das sobreviventes!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tQue as verbas retiradas dos projetos de combate &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica sejam restitu&iacute;das atrav&eacute;s da taxa&ccedil;&atilde;o das grandes fortunas prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tFim da tripla jornada. Redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio! Sal&aacute;rio base do DIEESE igual para trabalho igual!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tSistemas de sa&uacute;de compat&iacute;veis com as necessidades e as especificidades da mulher negra!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tQue todas as decis&otilde;es sobre o corpo e a vida das mulheres sejam tomadas por n&oacute;s, inclusive sobre gravidez ou aborto.<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tLicen&ccedil;a maternidade de 06 meses para todas as trabalhadoras!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tLegaliza&ccedil;&atilde;o e descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. Distribui&ccedil;&atilde;o pelo SUS e planos de sa&uacute;de de preservativos, anticoncepcionais e p&iacute;lula do dia seguinte. Preservar a vida da mulher com dignidade e respeito &eacute; a primeira quest&atilde;o!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tFim de todo tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o e preconceito. Reconhecimento da uni&atilde;o civil homossexual!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tUma sexualidade livre dos preconceitos religiosos, de ra&ccedil;a, de orienta&ccedil;&atilde;o sexual e n&atilde;o submetida &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es do capital!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tServi&ccedil;os p&uacute;blicos (escolas, postos de sa&uacute;de, hospitais, creches, etc) de qualidade para os filhos da classe trabalhadora, com profissionais aptos e bem remunerados!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tPerda de mandato para todos os deputados e deputadas que assinam o Projeto de Lei Estatuto do Nascituro que prop&otilde;e conceder uma bolsa aux&iacute;lio mensal at&eacute; os 18 anos para os filhos de mulheres estupradas, que concede ao estuprador o papel de pai!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tRep&uacute;dio &agrave;s a&ccedil;&otilde;es machistas, opressoras e conservadoras da Igreja Cat&oacute;lica!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tBarrar a Reforma da Previd&ecirc;ncia do Governo Lula e Burguesia!<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tSal&aacute;rio m&iacute;nimo do DIEESE como forma de elevar o padr&atilde;o de vida do povo negro em geral e das mulheres negras, em espec&iacute;fico, principais v&iacute;timas do m&iacute;nimo de fome;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tLutas pela implanta&ccedil;&atilde;o imediata das cotas no mercado de trabalho com objetivo de equilibrar, agora, a situa&ccedil;&atilde;o entre negros e brancos;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tQue o 20 de Novembro seja reconhecido como feriado nacional e Zumbi reconhecido oficialmente como s&iacute;mbolo dos explorados e oprimidos na luta contra o regime escravocrata;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tCotas proporcionais para negros nas escolas t&eacute;cnicas municipais, estaduais e federais. Com vagas proporcionais para filhos de trabalhadores oriundos das escolas p&uacute;blicas;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tTitulariza&ccedil;&atilde;o de terras dos remanescentes de quilombo;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tRetirada imediata das instala&ccedil;&otilde;es militares das terras do Quilombo de Alc&acirc;ntara;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tReforma agr&aacute;ria com cotas proporcionais para negros como forma de garantir que nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s que lutam pela terra n&atilde;o fiquem apenas com a enxada e a bandeira nas m&atilde;os;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tImediata prepara&ccedil;&atilde;o de professores e libera&ccedil;&atilde;o de verbas para compra de livros e materiais necess&aacute;rios para a implementa&ccedil;&atilde;o da lei 10639, que institui a obrigatoriedade do ensino de Hist&oacute;ria e Literatura Africanas em todas as escolas e universidades, bem como a hist&oacute;ria de resist&ecirc;ncia dos negros em &aacute;frica, no Brasil e no mundo;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tPela liberta&ccedil;&atilde;o de Mumia Abu Jamal.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>\n\t\t\t5) CONCEP&Ccedil;&Atilde;O E PR&Aacute;TICA SINDICAL<\/h2>\n<ul>\n<li>\n\t\t\t\tCada luta sindical deve transpor seus limites tornando-se uma luta pol&iacute;tica no sentido de colocar em quest&atilde;o a ruptura com a l&oacute;gica do capital e com o Estado capitalista e a necessidade de outro tipo de sociedade e de poder em que sejam os trabalhadores e suas organiza&ccedil;&otilde;es que decidam os rumos da sociedade. Mesmo os sindicatos, em uma &eacute;poca de dom&iacute;nio imperialista, se quiserem superar seus limites, devem ser radicais na defesa dos interesses dos trabalhadores: ter como estrat&eacute;gia a luta contra o capitalismo.<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tAs lutas e principalmente os sindicatos devem romper seu corporativismo tornando-se mais amplos, unificando trabalhadores ativos e desempregados, trabalhadores diretos e terceirizados, estudantes e professores, etc., no sentido de um movimento o mais geral e coeso poss&iacute;vel. N&atilde;o pensamos que os sindicatos, como quer a burguesia, fiquem restritos &agrave; representa&ccedil;&atilde;o corporativa da categoria (em muitos casos representam apenas parte dessa categoria), limitando-se as suas reivindica&ccedil;&otilde;es. As bandeiras de luta devem ser mais gerais, extrapolando os limites de f&aacute;bricas, categorias, e ramos produtivos;<\/li>\n<li>\n\t\t\t\tAs lutas e organiza&ccedil;&otilde;es sindicais devem transcender os limites das bandeiras espec&iacute;ficas, sob pena de n&atilde;o conseguirem mais sequer manter as conquistas que ainda restam. As bandeiras de luta imediatas devem ser combinadas com outras mais gerais, como: redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho para 36 horas sem redu&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;r<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=218"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":681,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218\/revisions\/681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}