{"id":223,"date":"2010-04-29T17:20:40","date_gmt":"2010-04-29T20:20:40","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/223"},"modified":"2013-01-19T19:00:43","modified_gmt":"2013-01-19T21:00:43","slug":"tese-para-o-encontro-nacional-da-oposicao-bancaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/tese-para-o-encontro-nacional-da-oposicao-bancaria\/","title":{"rendered":"TESE PARA O ENCONTRO NACIONAL DA OPOSI\u00c7\u00c3O BANC\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"<p>\t1 CONJUNUTRA<\/p>\n<p>\t1.1 O car\u00e1ter da crise<\/p>\n<p>\tO 2\u00ba semestre de 2008 trouxe \u00e0 tona a crise estrutural do capital, que est\u00e1 em curso h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas e que se tornou evidente por meio do encerramento do \u00faltimo ciclo peri\u00f3dico da economia. Esse fen\u00f4meno recebeu o nome de \u201ccrise financeira\u201d e vem sendo tratado pela imprensa burguesa e pela esquerda reformista como uma simples recess\u00e3o, da qual o capitalismo sair\u00e1 em pouco tempo e apenas levemente avariado.<br \/>\n\tNa realidade, trata-se de uma crise mais s\u00e9ria, que exp\u00f5e uma s\u00e9rie de limites estruturais do capitalismo. Os mecanismos que o sistema tem utilizado nas \u00faltimas d\u00e9cadas para deslocar suas contradi\u00e7\u00f5es esgotaram sua efic\u00e1cia. O modelo de acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel (toyotismo), a forma\u00e7\u00e3o do mercado mundial de for\u00e7a de trabalho (e sua conseq\u00fcente precariza\u00e7\u00e3o) com a incorpora\u00e7\u00e3o da China e da \u00cdndia, a mundializa\u00e7\u00e3o neoliberal e sua desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, o endividamento do Estado, das empresas e dos consumidores; todas essas estrat\u00e9gias foram tentativas de evitar a contradi\u00e7\u00e3o fundamental do sistema do capital, que op\u00f5e a socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o privada.<br \/>\n\tO capitalismo produz mais mercadorias e mais capital (com destaque para as mais recentes modalidades de capital fict\u00edcio), mas o n\u00famero de consumidores se reduz, o que leva a crises c\u00edclicas de superprodu\u00e7\u00e3o cada vez mais violentas. \tA chamada crise financeira \u00e9 apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o superficial do acirramento das contradi\u00e7\u00f5es em n\u00edvel estrutural. Al\u00e9m do seu aspecto puramente econ\u00f4mico, a atual crise envolve tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de outras dimens\u00f5es, como a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais, a proximidade do esgotamento da atual matriz energ\u00e9tica, o rep\u00fadio ao imperialismo (em particular estadunidense) no Oriente M\u00e9dio e na Am\u00e9rica Latina, a crise generalizada da cultura em todas as suas esferas (filosofia, ci\u00eancia, artes, \u00e9tica, rela\u00e7\u00f5es interpessoais), incapazes de apontar um sentido para a vida, etc.<br \/>\n\tEstamos diante de uma verdadeira crise civilizacional, que coloca para a humanidade a necessidade vital de reconstruir a alternativa socialista. Enquanto n\u00e3o se materializar uma alternativa socialista, a burguesia seguir\u00e1 adiante no aprofundamento da barb\u00e1rie. A superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias e de capital chegou a um limite que obriga a burguesia a encontrar formas de destruir o capital excedente para desbloquear o processo de realiza\u00e7\u00e3o do valor. Historicamente isso \u00e9 feito por meio da guerra e do rebaixamento geral das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\t1.2 As respostas da burguesia<\/p>\n<p>\tA burguesia mundial reagiu ao primeiro surto da crise atrav\u00e9s do endividamento do Estado, cujos recursos foram usados para salvar o capital financeiro e evitar uma derrocada geral acelerada. Trilh\u00f5es de d\u00f3lares foram gastos pelos Estados do mundo inteiro em pacotes de salvamento do sistema financeiro, tanto pelas maiores pot\u00eancias imperialistas como pelas mais insiginificantes semi-col\u00f4nias. Entretanto, os desequil\u00edbrios n\u00e3o foram corrigidos, pois n\u00e3o podem s\u00ea-lo sem a aboli\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo.<br \/>\n\tA situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 de um impasse, no qual a burguesia tem conseguido administrar a crise apesar dos n\u00fameros alarmantes do desemprego e da crise social que avan\u00e7a nos pa\u00edses centrais. O ataque sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe \u00e9 a \u00fanica forma do capital recuperar sua taxa de lucro. As demiss\u00f5es, as redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rio e os cortes de direitos s\u00e3o a receita da burguesia  para salvar o capital, sendo aplicados com a colabora\u00e7\u00e3o dos governos e burocracias sindicais do mundo inteiro. Em tese, o capital precisaria nivelar por baixo o grau de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho em escala global, for\u00e7ando os trabalhadores do mundo inteiro a aceitar as condi\u00e7\u00f5es salariais e laborais mais rebaixadas poss\u00edveis, que s\u00e3o aquelas hoje j\u00e1 vigentes na China e nos pa\u00edses asi\u00e1ticos. Se isso ainda n\u00e3o foi conseguido nos pa\u00edses centrais, como Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o, \u00e9 porque a burguesia at\u00e9 o momento n\u00e3o construiu politicamente uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as suficientemente favor\u00e1vel para impor tais medidas sobre o proletariado desses pa\u00edses.<br \/>\n\tEm pa\u00edses intermedi\u00e1rios, como o Brasil, h\u00e1 setores da classe trabalhadora que tamb\u00e9m est\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social ligeiramente acima do n\u00edvel m\u00ednimo chin\u00eas. Trata-se de uma minoria da classe, j\u00e1 que a maioria dos trabalhadores brasileiros vive entre o desemprego e o subemprego, o trabalho prec\u00e1rio, terceirizado, intermitente,tempor\u00e1rio e informal, sem prote\u00e7\u00e3o social, sem regulamenta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e de sa\u00fade no trabalho, ou mesmo da dura\u00e7\u00e3o da jornada, sem direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, sindicaliza\u00e7\u00e3o ou greve; e com uma renda que mal cobre os custos de sobreviv\u00eancia. H\u00e1 um setor da classe, por\u00e9m, que ainda est\u00e1 protegido por contratos de trabalho formais, previd\u00eancia p\u00fablica, seguridade social, legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e sindicaliza\u00e7\u00e3o, etc. Do ponto de vista do capital, esse setor \u00e9 mais um alvo potencial da pol\u00edtica geral de rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de vida do proletariado global.<\/p>\n<p>\t1.3 A situa\u00e7\u00e3o do Brasil<\/p>\n<p>\tSe n\u00e3o conseguir impor rapidamente uma derrota pol\u00edtica brutal ao proletariado dos pa\u00edses centrais, ou deparar-se com uma resist\u00eancia suficientemente forte, o capital poder\u00e1 deslocar seu foco para os pa\u00edses perif\u00e9ricos que ainda possuem alguma margem de conquistas salariais e sociais dispon\u00edveis para serem \u201cqueimadas\u201d na busca do nivelamento global, entre os quais o Brasil. Por enquanto, o desemprego, a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e o corte de direitos seguem avan\u00e7ando nos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o, tendo provocado uma resist\u00eancia mais significativa principalmente por parte dos trabalhadores europeus, que tem se mostrado insuficiente por\u00e9m para barrar o processo.  Em fun\u00e7\u00e3o disso, o ataque direto aos setores organizados do proletariado brasileiro ainda n\u00e3o \u00e9 uma prioridade para a burguesia.<br \/>\n\tO Brasil tem sido relativamente poupado das conseq\u00fc\u00eancias mais devastadoras da crise. Depois da primeira onda de demiss\u00f5es, especialmente nas montadoras e setores ligados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o foi momentaneamente estabilizada. Isso n\u00e3o se deve a nenhuma virtude, compet\u00eancia ou demonstra\u00e7\u00e3o de habilidade do governo de plant\u00e3o, mas ao fato de que a nossa vez ainda n\u00e3o chegou. Antes de partir para o ataque direto contra os trabalhadores, a burguesia ainda tem uma importante carta na manga, o controle sobre o Estado, que lhe permite socializar indiretamente as conseq\u00fc\u00eancias da crise.<br \/>\n\tO Estado pode endividar-se, emitir t\u00edtulos, gastar reservas cambiais, ampliar o cr\u00e9dito, baixar os juros, fornecer dinheiro \u00e0s empresas e bancos com problemas, cortar investimentos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os p\u00fablicos, refor\u00e7ar os programas assistenciais para manter os mais pobres sob controle e consumindo, etc. Com pequenas varia\u00e7\u00f5es, essas t\u00eam sido as pol\u00edticas de todos os governos burgueses em face da crise, e o caso de Lula no Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Essa margem de manobra do Estado permite \u00e0 burguesia brasileira administrar a crise sem que os desequil\u00edbrios se tornem explosivos.<\/p>\n<p>\t1.4 A falsa recupera\u00e7\u00e3o e a propaganda governista<\/p>\n<p>\tO fato de que uma explos\u00e3o mais grave ainda n\u00e3o tenha acontecido est\u00e1 sendo interpretado pela propaganda governista como ind\u00edcio de que uma recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 vista. Os \u00edndices econ\u00f4micos oficiais apresentam um cen\u00e1rio est\u00e1vel, sen\u00e3o r\u00f3seo. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Minist\u00e9rio do Trabalho, houve uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,15% entre o n\u00famero de admiss\u00f5es e desligamentos no primeiro quadrimestre do ano. Segundo o DIEESE, o desemprego nas principais regi\u00f5es metropolitanas mais o Distrito Federal ficou em 15,3% em abril. A infla\u00e7\u00e3o medida pelo mesmo organismo ficou em 1,43% entre janeiro e abril de 2009.<br \/>\n\tEssa situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 que n\u00e3o parece ser muito ruim, considerando-se a amea\u00e7a de uma crise catastr\u00f3fica que paira no horizonte. \u00c9 preciso considerar por\u00e9m o fato de que, segundo o mesmo DIEESE, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio (que constitucionalmente deve cobrir as despesas do trabalhador e sua fam\u00edlia com alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, higiene, moradia, transporte, lazer e previd\u00eancia) deveria estar na casa de R$ 1.972,64 \u2013 sendo que a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do trabalhador nas regi\u00f5es metropolitanas (ou seja, onde a renda \u00e9 mais alta) est\u00e1 em R$ 1.240,00 \u2013 e o sal\u00e1rio m\u00ednimo oficial est\u00e1 em apenas R$ 465,00. Ou seja, a maior parte dos trabalhadores sobrevive com muito menos do que o m\u00ednimo necess\u00e1rio.\tEsse aperto imposto aos trabalhadores \u00e9 o segredo para a recupera\u00e7\u00e3o da economia capitalista. O aperto permite aumentar a taxa de lucro num momento em que h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o da massa de mais-valia por conta das quedas na produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tPara completar a propaganda governista, entram em cena os n\u00fameros das bolsas de valores, que h\u00e1 alguns meses t\u00eam apresentado altas significativas. O Ibovespa fechou o m\u00eas de maio aos 53.198 pontos, praticamente o mesmo n\u00edvel de agosto de 2008 (55.680), imediatamente antes da eclos\u00e3o da crise. Da mesma forma, o d\u00f3lar tamb\u00e9m chegou a uma cota\u00e7\u00e3o (R$ 1,970 em maio) praticamente id\u00eantica \u00e0 de agosto de 2008 (R$ 1,905). Os \u00edndices das bolsas s\u00e3o tomados como indicadores da sa\u00fade do conjunto da economia, quando na realidade indicam apenas as expectativas de lucro dos capitalistas, as quais est\u00e3o momentaneamente elevadas por conta do empenho do governo em ajudar as grandes empresas. N\u00e3o h\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o real e duradoura, mas um simples reflexo das pol\u00edticas governamentais para salvar o capital.<br \/>\n\tEssa pol\u00edtica envolve medidas como o pacote da habita\u00e7\u00e3o, que vai simplesmente desviar dinheiro do FGTS dos trabalhadores para as construtoras em apuros, sem qualquer tra\u00e7o de um projeto de reforma urban\u00edstica estrutural, que envolva, al\u00e9m da moradia de qualidade, obras de saneamento, infra-estrutura, transporte p\u00fablico, equipamentos p\u00fablicos de lazer, etc. H\u00e1 tamb\u00e9m atos puramente demag\u00f3gicos, como a troca do presidente do Banco do Brasil por um nome mais afinado com a queda dos juros, mas que est\u00e1 longe de representar uma mudan\u00e7a real na atual pol\u00edtica de um banco de mercado, em dire\u00e7\u00e3o a um banco verdadeiramente p\u00fablico e de fomento.<\/p>\n<p>\t1.5 As disputas pol\u00edticas<\/p>\n<p>\tDiante da generaliza\u00e7\u00e3o da crise internacional, a tend\u00eancia \u00e9 de que haja uma agudiza\u00e7\u00e3o da luta de classes, que se reflete num acirramento da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Tragicamente, a classe trabalhadora est\u00e1 desprovida de uma alternativa pol\u00edtica para a luta. No plano ideol\u00f3gico, a consci\u00eancia mais geral da classe que permanece prisioneira da id\u00e9ia de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d ao capitalismo, \u00e0 propriedade privada, \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, etc. No plano organizativo, n\u00e3o h\u00e1 um partido ou movimento social com representatividade e inser\u00e7\u00e3o de massa suficiente para se apresentar como dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tNo Brasil, a maior parte da classe permance reconhecendo Lula como sua dire\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica de Lula \u00e9 parte de uma l\u00f3gica geral de funcionamento das burocracias. Num cen\u00e1rio de crise, a dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica tende a acentuar seus tra\u00e7os de substitu\u00edsmo social, resalvadas as diferen\u00e7as de condi\u00e7\u00f5es sociais e regimes pol\u00edticos em que cada burocracia opera. A burocracia pode em determinados momentos ser a melhor gestora dos interesses do capital, como \u00e9 na China. Entretanto, ela n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea com a burguesia e pode realizar algumas diferencia\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas limitadas em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo. A burocracia pode diminuir o ritmo da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, como est\u00e1 fazendo o governo cubano, ou mesmo realizar estatiza\u00e7\u00f5es, como est\u00e1 fazendo Ch\u00e1vez.<br \/>\n\tEntretanto, o fundamental para todas as burocracias \u00e9 impedir o desenvolvimento de uma alternativa independente pr\u00f3pria da classe trabalhadora, o que as leva a se tornar mais repressivas e autorit\u00e1rias contra as greves e lutas dos trabalhadores. Ao mesmo tempo que aumenta o autoritarismo, a burocracia trabalha em diversas outras frentes para se aferrar no controle do Estado. De um lado, continua o assistencialismo, para manter o controle sobre o curral eleitoral formado pelos setores mais pauperizados da classe, que fornecem o respaldo social e a legitimidade pol\u00edtica da burocracia. De outro lado, realizam-se algumas medidas econ\u00f4micas anti-c\u00edclicas, como o ensaio de retomada do PAC, o pacote habitacional, benef\u00edcios para grandes empresas e setores m\u00e9dios da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tPara completar o pacote, a burocracia lan\u00e7a m\u00e3o de uma ofensiva ideol\u00f3gica de \u201cesquerdismo reciclado\u201d, que se d\u00e1 por meio da propaganda do estatismo. \u00c9 o caso da campanha do PT em defesa da Petrobr\u00e1s, que \u00e9 na verdade uma tentativa de evitar que a direita jogue no ventilador via CPI a gest\u00e3o corrupta do governo Lula. \u00c9 tamb\u00e9m o caso da troca do presidente do BB a pretexto de for\u00e7ar a baixa dos juros, sem que na verdade tenha mudado nada na gest\u00e3o do Banco. Da mesma forma, Lula faz discursos nos f\u00f3runs internacionais contra os abusos do capitalismo, contra o neoliberalismo, em defesa da regulamenta\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, etc., como se n\u00e3o estivesse realizando h\u00e1 seis anos um governo completamente servil aos mesmos interesses que precipitaram a crise.<br \/>\n\tAo mesmo tempo em que Lula realiza essas manobras demag\u00f3gicas, a direita tenta antecipar a disputa eleitoral, explorando o fato de que Lula n\u00e3o disp\u00f5e de um substituto \u00e0 altura no interior do seu campo de apoio. Entretanto, os ataques da direita n\u00e3o colam no presidente, que mant\u00e9m margens estratosf\u00e9ricas de popularidade.<br \/>\n\tA despeito disso tudo, a crise tem provocado a eclos\u00e3o de lutas, ainda limitadas. Se \u00e9 correto dizer que a crise n\u00e3o chegou ao Brasil com todo seu impacto, tamb\u00e9m \u00e9 fato que a crise j\u00e1 provocou respostas por parte dos trabalhadores. Nos \u00faltimos meses aconteceram greves importantes, como a dos ferrovi\u00e1rios do Rio, dos servidores da USP, dos trabalhadores da Sabesp, dos funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos da Caixa Econ\u00f4mica Federal, de v\u00e1rias categorias de servidores p\u00fablicos, estaduais e municipais, em especial da educa\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rios estados do norte e nordeste (Par\u00e1, Roraima, Piau\u00ed, Para\u00edba e Cear\u00e1).<\/p>\n<p>\t2 SITUA\u00c7\u00c3O DA CATEGORIA<\/p>\n<p>\t2.1 Hist\u00f3ria recente da categoria banc\u00e1ria<\/p>\n<p>\tA hist\u00f3ria recente da categoria banc\u00e1ria se divide em antes e depois da hist\u00f3rica greve nacional de 30 dias em 2004 (que j\u00e1 tinha tido uma pr\u00e9via na greve dos bancos federais em 2003). Naquela ocasi\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o oficial do movimento (ent\u00e3o chamada CNB-CUT, hoje Contraf-CUT) tentou aprovar um acordo rebaixado que foi repudiado pelas bases, as quais desencadearam uma greve (contra a vontade dessa dire\u00e7\u00e3o e passando por cima dela) que teve f\u00f4lego para se manter por 30 dias.<br \/>\n\tO principal fruto daquela greve hist\u00f3rica foi a forma\u00e7\u00e3o do Movimento Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria \u2013 MNOB \u2013 o qual aglutinava os setores combativos que estiveram \u00e0 frente dos piquetes e garantiram a greve contra a dire\u00e7\u00e3o oficial cutista. Desde ent\u00e3o, o MNOB tem protagonizado todos os principais enfrentamentos da categoria, estando \u00e0 frente das greves, das lutas cotidianas, dos enfrentamentos motivados pelas quest\u00f5es espec\u00edficas de cada segmento da categoria; e tamb\u00e9m montando chapas combativas para a disputa dos sindicatos e outras entidades representativas dos trabalhadores.<br \/>\n\tPor outro lado, desde 2004, n\u00e3o se produziu novamente uma converg\u00eancia entre a pol\u00edtica de mobiliza\u00e7\u00e3o do MNOB e a participa\u00e7\u00e3o da base, que pudesse resultar num movimento que tivesse a for\u00e7a demonstrada naquele ano. A experi\u00eancia daquela greve, se por um lado forneceu os ativistas que construiriam o MNOB, por outro lado fez tamb\u00e9m com que um amplo setor da categoria se tornasse descrente em rela\u00e7\u00e3o ao movimento sindical e deixasse de aderir \u00e0s greves nos anos seguintes. Uma boa parte da base passou a identificar os sindicatos e os movimentos grevistas com a sua dire\u00e7\u00e3o de plant\u00e3o, a Articula\u00e7\u00e3o \u2013 PT (setor majorit\u00e1rio da Contraf \u2013 CUT), que sistematicamente traiu, sabotou e desconstruiu todas as greves e lutas da categoria desde ent\u00e3o.<br \/>\n\tA Articula\u00e7\u00e3o desenvolveu uma pol\u00edtica de desmobiliza\u00e7\u00e3o das lutas, esvaziamento dos f\u00f3runs do movimento, burocratiza\u00e7\u00e3o das assembl\u00e9ias, dispers\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o dos organismos de base (como os encontros de delegados sindicais \u2013 representantes dos locais de trabalho \u2013 tornados puramente \u201cconsultivos\u201d, ou seja, decorativos), descumprimento dos encaminhamentos que contrariassem sua pol\u00edtica, etc. Tudo isso, somado \u00e0 repress\u00e3o dos bancos e do governo (desconto dos dias parados no BB e na CEF, persegui\u00e7\u00e3o aos grevistas, comissionamento dos n\u00e3o-grevistas) influenciaram para diminuir a mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria.<br \/>\n\tChegamos ent\u00e3o a um impasse em que o MNOB e setores de oposi\u00e7\u00e3o continuam ativos e atuantes, contando com o respaldo e o reconhecimento de um setor da base, mas sua atividade n\u00e3o tem sido suficiente para trazer uma quantidade maior de trabalhadores para a luta, sem os quais n\u00e3o se poder\u00e1 romper o controle absoluto da Articula\u00e7\u00e3o sobre o movimento.<br \/>\n\t\u00c9 preciso tamb\u00e9m tocar na quest\u00e3o da forma de funcionamento do MNOB, que ao longo dos \u00faltimos anos experimentou um progressivo esvaziamento, deixando de contar com a amplitude e diversidade de for\u00e7as pol\u00edticas e militantes independentes que o compunham na sua origem. Esse esvaziamento tem a ver certamente com o refluxo das lutas e o ceticismo que se instalou em setores da categoria. Mas tamb\u00e9m tem a ver com as rupturas pol\u00edticas de setores que deixaram de se sentir representados pelo MNOB ou discordam da metodologia com a qual o movimento \u00e9 conduzido pela corrente pol\u00edtica majorit\u00e1ria.<br \/>\n\tTodos esses elementos precisam ser levados em considera\u00e7\u00e3o na tentativa de elaborar propostas para a estrutura\u00e7\u00e3o de uma oposi\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria nacional que seja realmente representativa e capaz de oferecer \u00e0 categoria uma alternativa contra o controle do movimento pela Articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\t2.2 Formato das \u00faltimas campanhas salariais<\/p>\n<p>\tDe modo geral, as \u00faltimas campanhas salariais conduzidas pela Articula\u00e7\u00e3o seguem um mesmo padr\u00e3o.<br \/>\n\tO ponto de partida \u00e9 a inexist\u00eancia de trabalho de base, em especial nos bancos privados. A dire\u00e7\u00e3o do movimento desenvolve uma rela\u00e7\u00e3o exterior com a categoria, n\u00e3o participando de seu dia a dia, comparecendo apenas nas campanhas salariais ou nas elei\u00e7\u00f5es para os sindicatos. No restante do tempo, o sindicato funciona apenas como um escrit\u00f3rio burocr\u00e1tico que homologa as demiss\u00f5es, encaminha algumas quest\u00f5es judiciais e de brinde oferece a\u00e7\u00f5es assistenciais, conv\u00eanios, etc. Nos bancos federais, existem formalmente os f\u00f3runs de delegados sindicais, que entretanto n\u00e3o t\u00eam car\u00e1ter deliberativo, n\u00e3o se re\u00fanem com regularidade, n\u00e3o se organizam de forma independente e s\u00e3o desrespeitados quando conseguem aprovar propostas contr\u00e1rias \u00e0 dire\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o as encaminham. As assembl\u00e9ias s\u00e3o t\u00e3o burocratizadas que traumatizam os poucos trabalhadores de base que eventualmente comparecem, o que faz com que seja extremamente dif\u00edcil convenc\u00ea-los a participar de atividades do sindicato ou greves.<br \/>\n\tDado esse cen\u00e1rio, n\u00e3o existe interfer\u00eancia da base na vida dos sindicatos, que assim ficam de m\u00e3os livres para aplicar a pol\u00edtica que lhes interessa. A pol\u00edtica da Articula\u00e7\u00e3o (j\u00e1 h\u00e1 muitos anos) \u00e9 de n\u00e3o enfrentar os banqueiros, e desde o governo Lula, passou a ser tamb\u00e9m de poupar o governo, patr\u00e3o dos bancos p\u00fablicos (ali\u00e1s, Lula e os banqueiros tem sido aliados insepar\u00e1veis).<br \/>\n\tNas campanhas salariais, essa pol\u00edtica se concretiza por meio de minutas de reivindica\u00e7\u00f5es rebaixadas. Essas minutas s\u00e3o constru\u00eddas em congressos ultra-burocratizados, dos quais s\u00f3 participam dirigentes sindicais, escolhidos em assembl\u00e9ias esvaziadas. No curso das campanhas, n\u00e3o se realizam assembl\u00e9ias, plen\u00e1rias, mobiliza\u00e7\u00f5es, os atos s\u00e3o apenas de fachada, em que punhados de dirigentes sindicais aparecem na porta de alguma ag\u00eancia ou concentra\u00e7\u00e3o para tirar fotos e aparecer nas suas publica\u00e7\u00f5es como \u201clutadores\u201d (publica\u00e7\u00f5es ali\u00e1s nas quais n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para express\u00e3o da base ou de outras correntes pol\u00edticas).<br \/>\n\tEm caso de greve, os sindicatos n\u00e3o mobilizam, n\u00e3o oferecem infra-estrutura, n\u00e3o disponibilizam faixas, adesivos, cartazes, carros de som, piqueteiros, n\u00e3o organizam atos e passeatas, etc. Nos bancos privados n\u00e3o h\u00e1 ades\u00e3o a partir de dentro e a greve \u00e9 tamb\u00e9m uma farsa, quando algum piqueteiro, em geral funcion\u00e1rio de banco p\u00fablico, coloca um adesivo na fachada da ag\u00eancia, barrando parte dos clientes (de baixa renda), sem impedir que os funcion\u00e1rios continuem trabalhando l\u00e1 dentro. Apesar da exist\u00eancia de uma minoria mais ativa e consciente de funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos, que pode ou n\u00e3o estar disposta a fazer piquetes, a maioria dos grevistas faz \u201cgreve de pijama\u201d, limitando-se a n\u00e3o ir trabalhar e nem sequer indo nas assembl\u00e9ias. Os piquetes e paraliza\u00e7\u00f5es mais fortes se limitam \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es de bancos p\u00fablicos nos centros das maiores cidades.<br \/>\n\tNossas greves tem sido assim meras simula\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o afetam o funcionamento dos bancos, a continuidade de seus lucros, e quando muito acarretam algum dano na sua imagem perante o p\u00fablico. A falta de di\u00e1logo do movimento sindical com a classe trabalhadora faz com que a maioria se coloque contra as greves, o que resulta em danos \u00e0 imagem dos banc\u00e1rios, j\u00e1 que a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda passa a nos considerar um bando de \u201cmaraj\u00e1s\u201d e \u201cvagabundos\u201d.<br \/>\n\tPara completar, a Articula\u00e7\u00e3o encerra a \u201cgreve\u201d com uma assembl\u00e9ia em que h\u00e1 presen\u00e7a maci\u00e7a de gerentes e fura-greves (convocada providencialmente em hor\u00e1rio especialmente adequado para que esses setores compare\u00e7am), os quais s\u00e3o maioria em rela\u00e7\u00e3o aos grevistas, piqueteiros e ativistas, para aprovar um acordo rebaixado que j\u00e1 havia sido combinado desde o in\u00edcio da pantomima.<br \/>\n\tO problema da categoria vai portanto muito al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o de plant\u00e3o nos sindicatos, a qual \u00e9 traidora e burocr\u00e1tica, mas requer um trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o da identidade do trabalhador, da sua perspectiva de classe, da id\u00e9ia de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta. Isso envolve a retomada de um trabalho estrutural, de base e ideol\u00f3gico muito bem feito para disputar a consci\u00eancia da categoria n\u00e3o apenas com a burocracia, mas com a patronal, a burguesia e o governo, n\u00e3o apenas nas campanhas salariais ou elei\u00e7\u00f5es de sindicatos e entidades, mas no dia a dia.<\/p>\n<p>\t2.3 Os banc\u00e1rios, os bancos e a sociedade<\/p>\n<p>\tO setor banc\u00e1rio brasileiro emprega cerca de 400 mil trabalhadores. Esse n\u00famero n\u00e3o inclui os cerca de 200 mil terceirizados que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos como banc\u00e1rios pela patronal, pelo governo e pela dire\u00e7\u00e3o oficial do movimento sindical, o qual se abst\u00e9m da tarefa para n\u00f3s fundamental de organizar tamb\u00e9m esse setor (com base na premissa a ser regatada de que \u201cquem trabalha em banco, banc\u00e1rio \u00e9\u201d). Paralelamente a isso, est\u00e1 acontecendo uma dilui\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es do trabalhador banc\u00e1rio, as quais est\u00e3o sendo assumidas pelos chamados \u201ccorrespondentes banc\u00e1rios\u201d (lot\u00e9ricas, correios, supermercados, farm\u00e1cias, etc.).<br \/>\n\tA terceiriza\u00e7\u00e3o e o uso de correspondentes banc\u00e1rios s\u00e3o recursos que tem sido usados pela patronal para escamotear a necessidade de contratar funcion\u00e1rios, deixando de pagar os sal\u00e1rios e benef\u00edcios legalmente assegurados \u00e0 categoria e despejando sobre os banc\u00e1rios restantes uma sobrecarga de servi\u00e7os. A automa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, da qual os grandes bancos brasileiros se orgulham de estar na vanguarda da tecnologia mundial, tem substitu\u00eddo uma parte do servi\u00e7o antes realizado por banc\u00e1rios (cerca de 90% das opera\u00e7\u00f5es antes realizadas por caixas hoje s\u00e3o feitas via internet ou caixas eletr\u00f4nicos). Entretanto, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o o aumento do grau de \u201cbancariza\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, da quantidade de pessoas que passaram a ter contas banc\u00e1rias e necessitar de opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias. Grosso modo, o aumento da bancariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compensado pelo da automa\u00e7\u00e3o, de modo que aumenta a sobrecarga de servi\u00e7o e a explora\u00e7\u00e3o sobre os banc\u00e1rios remanescentes (e os terceirizados e correspondentes).<\/p>\n<p>\t2.3 Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e pol\u00edtica da categoria<\/p>\n<p>\t2.3.1 A Articula\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>\tDaquele total de 400 mil banc\u00e1rios (\u201coficialmente\u201d reconhecidos como tais) no pa\u00eds, mais de 100 mil trabalham na base do sindicato de S\u00e3o Paulo, Osasco e regi\u00e3o. Desses mais de 100 mil, cerca de 15 mil pertencem ao BB e CEF e os restantes aos bancos privados (esse n\u00famero deve mudar um pouco com a incorpora\u00e7\u00e3o da Nossa Caixa Nosso Banco pelo BB, uma vez que o banco estadual conta com cerca de 15 mil funcion\u00e1rios no Estado e fora dele, o que deve resultar em alguns milhares na base sindical da capital). A Articula\u00e7\u00e3o tem como sua base social e pol\u00edtica os bancos privados, em que est\u00e1 a grande maioria dos cerca de 45 mil s\u00f3cios com direito a voto nas elei\u00e7\u00f5es sindicais.<br \/>\n\tNo setor de de bancos privados, a dire\u00e7\u00e3o desenvolve o sindicalismo de tipo mais rebaixado, conforme mencionamos antes, alheio ao dia a dia dos trabalhadores, voltado para o assistencialismo, conv\u00eanios, etc.  N\u00e3o h\u00e1 luta pela estabilidade dos trabalhadores, por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, contra o ass\u00e9dio moral, etc. O resultado \u00e9 que esses trabalhadores vivem sob permanente amea\u00e7a de demiss\u00e3o, em constante sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, de modo que n\u00e3o se mobilizam nas campanhas salariais, n\u00e3o enfrentam as empresas por conta das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e se submetem \u00e0 ideologia da patronal de tentar fazer carreira dentro da institui\u00e7\u00e3o. Esse setor registra tamb\u00e9m uma alta rotatividade: a maioria trabalha em banco apenas enquanto paga uma faculdade ou estuda para um concurso p\u00fablico. Isso faz com que tenham uma rela\u00e7\u00e3o muito d\u00e9bil com a categoria, permitindo que os ataques da patronal e os retrocessos nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho sejam impostos de ano para ano.<br \/>\n\tNos bancos p\u00fablicos, em fun\u00e7\u00e3o das trai\u00e7\u00f5es das \u00faltimas campanhas salariais, os funcion\u00e1rios novos (que j\u00e1 s\u00e3o maioria nesses bancos) em sua maioria n\u00e3o se sindicalizam, de modo que apenas uma pequena minoria se mant\u00e9m associada. Mesmo que todos os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos fossem sindicalizados (a tend\u00eancia atual \u00e9 o contr\u00e1rio) e 100% deles votassem numa chapa de oposi\u00e7\u00e3o, ainda seriam minoria em rela\u00e7\u00e3o aos funcion\u00e1rios de bancos privados. A participa\u00e7\u00e3o em greves n\u00e3o depende de sindicaliza\u00e7\u00e3o, mas a vota\u00e7\u00e3o que elege a diretoria do sindicato ou a elegibilidade para a condi\u00e7\u00e3o de delegados sindical exigem associa\u00e7\u00e3o,  o que d\u00e1 uma confort\u00e1vel margem para que o atual grupo dirigente se mantenha no poder.<br \/>\n\tDada essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na base de S\u00e3o Paulo, a Articula\u00e7\u00e3o se perpetua elei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do sindicato e realiza ano ap\u00f3s ano campanhas salariais cada vez mais farsescas. O controle desse grupo sobre o aparato sindical lhe permite transformar um organismo de luta dos trabalhadores em um verdadeiro conglomerado empresarial, com ramifica\u00e7\u00f5es como a Bangraf (parque gr\u00e1fico com capacidade industrial equivalente ao de um jornal de grande porte, usado para imprimir materiais do PT e da CUT usados no pa\u00eds inteiro); a Bancredi (cooperativa de cr\u00e9dito que faz empr\u00e9stimos para banc\u00e1rios, o que representa no m\u00ednimo um ser\u00edssimo conflito de interesse para uma institui\u00e7\u00e3o que deveria ter como finalidade lutar por aumento de sal\u00e1rios); e a Bancoop (cooperativa habitacional envolvida em esc\u00e2ndalo policial pela n\u00e3o entrega de im\u00f3veis pagos pelos cooperados e desvio de dinheiro para campanhas eleitorais do PT).<br \/>\n\tPara completar, a Articula\u00e7\u00e3o usa ainda sua prerrogativa de controlar as institui\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para galgar postos de dire\u00e7\u00e3o nos fundos de pens\u00e3o dos trabalhadores de bancos p\u00fablicos (Previ, Funcef), o que lhe granjeia cargos nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o das empresas em que os fundos tem participa\u00e7\u00e3o, entre as quais algumas das maiores empresas brasileiras (Vale, Embraer). Esse processo deu um salto de qualidade com a chegada de Lula ao governo em 2003, de modo que os ex-dirigentes sindicais se tornaram co-gestores dos interesses do capital, convertendo seus prepostos que os substitu\u00edram no movimento sindical em defensores diretos dos interesses da burguesia e do aparato de Estado.<\/p>\n<p>\t2.3.2 A Oposi\u00e7\u00e3o nacionalmente<\/p>\n<p>\tO enorme poder pol\u00edtico e financeiro do grupo dirigente no sindicato de S\u00e3o Paulo lhe permite determinar a linha pol\u00edtica dos demais sindicatos dirigidos pela Articula\u00e7\u00e3o e seus sat\u00e9lites no pa\u00eds. Desde a d\u00e9cada de 1990 o setor hegem\u00f4nico do PT e da CUT tem transformado os organismos de luta dos trabalhadores em instrumentos de conten\u00e7\u00e3o das lutas, colabora\u00e7\u00e3o de classe com a burguesia e sustenta\u00e7\u00e3o eleitoral do PT. A partir da elei\u00e7\u00e3o de Lula, o centro da pol\u00edtica da Articula\u00e7\u00e3o enquanto preposto do PT no movimento sindical passou a ser o de impedir que os setores organizados da classe trabalhadora entrassem em luta contra o governo. Na categoria banc\u00e1ria, isso foi feito atrav\u00e9s da estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica da FENABAN, que se discutir\u00e1 na se\u00e7\u00e3o seguinte.<br \/>\n\tO controle da Articula\u00e7\u00e3o sobre as campanhas salariais s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior porque a base social que sustenta sua linha pol\u00edtica \u00e9 muito menor no restante do pa\u00eds do que \u00e9 em S\u00e3o Paulo. A distribui\u00e7\u00e3o num\u00e9rica dos trabalhadores de bancos p\u00fablicos e privados aparece invertida no restante do pa\u00eds. BB e CEF juntos tem quase 200 mil funcion\u00e1rios no pa\u00eds inteiro, quase metade do total nacional da categoria. Na maioria dos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos s\u00e3o maioria em rela\u00e7\u00e3o aos privados. Existe portanto uma maior possibilidade de mobiliza\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea das bases nesses Estados.<br \/>\n\tOnde as bases est\u00e3o mais mobilizadas, \u00e9 mais dif\u00edcil para a Articula\u00e7\u00e3o impor sua pol\u00edtica burocr\u00e1tica e governista. Existe uma press\u00e3o no interior da pr\u00f3pria Articula\u00e7\u00e3o para que as campanhas n\u00e3o sejam t\u00e3o farsescas quanto s\u00e3o em S\u00e3o Paulo, pois \u00e9 preciso mostrar algum servi\u00e7o para as bases. Existe inclusive uma maior receptividade para a pol\u00edtica do MNOB e de outros setores de oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o fato de que dois dos sindicatos j\u00e1 dirigidos pelo MNOB (RN e MA) sejam dessas regi\u00f5es.<br \/>\n\tEm v\u00e1rias das \u00faltimas campanhas salariais, a mobiliza\u00e7\u00e3o partiu dos outros Estados, for\u00e7ando S\u00e3o Paulo a entrar em greve e permanecendo em luta depois da dire\u00e7\u00e3o haver enterrado o movimento na capital paulista.<\/p>\n<p>\t2.4 A estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica<\/p>\n<p>\tA justificativa para a estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica seria a de p\u00f4r fim ao congelamento salarial sofrido pelos funcion\u00e1rios dos bancos p\u00fablicos durante o governo FHC, fazendo com que tivessem o mesmo reajuste concedido na FENABAN. Entretanto, ao fazer isso, a Articula\u00e7\u00e3o omitiu a quest\u00e3o crucial das perdas acumuladas durante o per\u00edodo FHC. Os reajustes concedidos durante o governo Lula passaram a ser chamados de \u201caumento real\u201d. Na realidade, esses aumentos mal cobrem a infla\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo e servem para escamotear  o problema das perdas acumuladas, que est\u00e3o por volta de 100% no BB e na CEF. A Articula\u00e7\u00e3o se recusa a reivindicar as perdas acumuladas ao governo Lula e atrela as cl\u00e1usulas econ\u00f4micas do acordo dos bancos p\u00fablicos, ou seja, reajuste, PLR, etc., aos \u00edndices discutidos na mesa da FENABAN. As mesas de negocia\u00e7\u00e3o espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos se convertem em \u201cgrupos de trabalho\u201d, \u201cnegocia\u00e7\u00e3o permanente\u201d, etc., nos quais as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos desaparecem numa \u201cenrola\u00e7\u00e3o permanente\u201d.<br \/>\n\tA estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica faz com que os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos sejam obrigados a entrar em greve contra os bancos privados, para for\u00e7ar a FENABAN a conceder aumentos maiores. Na greve de 2004, banc\u00e1rios do BB e da CEF se desdobraram nos piquetes para paralisar ag\u00eancias de bancos privados. Entretanto, desde aquela campanha salarial, esse fen\u00f4meno n\u00e3o mais se repetiu. A trai\u00e7\u00e3o daquela greve e de todas as demais lutas da categoria fez com que uma boa parte dos funcion\u00e1rios dos bancos estatais deixassem de acreditar no movimento. A armadilha da mesa \u00fanica passou a ser um obst\u00e1culo decisivo contra a mobiliza\u00e7\u00e3o nos bancos p\u00fablicos. Os trabalhadores desse setor se recusam a fazer greve contra a FENABAN.<br \/>\n\tDesde 2004 o MNOB tem lutado pelo fim da mesa \u00fanica, propondo que a campanha seja unificada, mas com mesas de negocia\u00e7\u00e3o separadas, de forma que as quest\u00f5es espec\u00edficas de cada segmento da categoria possam ser discutidas diretamente com a patronal. No caso dos bancos p\u00fablicos, isso significa fazer reivindica\u00e7\u00f5es diretamente contra o governo Lula.<\/p>\n<p>\t2.5 A ideologia das solu\u00e7\u00f5es individuais<\/p>\n<p>\tA categoria banc\u00e1ria est\u00e1 hoje aprisionada na armadilha das solu\u00e7\u00f5es individuais. Os trabalhadores acreditam que o futuro de suas vidas est\u00e1 em adaptar-se \u00e0s exig\u00eancias dos bancos e tentar fazer carreira. Isso abre as portas para a tirania das administra\u00e7\u00f5es locais e o recrudescimento do ass\u00e9dio moral, al\u00e9m de dificultar a organiza\u00e7\u00e3o coletiva para as lutas. O individualismo se completa com o peleguismo, o puxa-saquismo, as panelinhas, as rivalidades, as intrigas, as fofocas, etc., pequenos sintomas de uma grande degenera\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho.<br \/>\n\tAl\u00e9m do individualismo, a disposi\u00e7\u00e3o de luta da categoria \u00e9 corro\u00edda pelo imediatismo das campanhas salariais, cujo exemplo central est\u00e1 na import\u00e2ncia que assumiram as participa\u00e7\u00f5es nos lucros. A Articula\u00e7\u00e3o conseguiu converter as campanhas salariais em campanhas por PLR. Ao longo do ano as contas dos trabalhadores se deterioram e tendem ao vermelho porque o sal\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 suficiente para as despesas mensais. Quando chega a proximidade da campanha salarial, a maior parte dos trabalhadores est\u00e1 ansiosa para que um acordo seja assinado o mais depressa poss\u00edvel para cobrir o cheque especial, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito ou o CDC.<br \/>\n\tEsse imediatismo impede que se perceba o X da quest\u00e3o, que \u00e9 a queda dos sal\u00e1rios. Ao longo dos anos, as perdas salariais se acumulam, mas isso n\u00e3o \u00e9 percebido porque os trabalhadores enxergam apenas o resultado imeditato da PLR na conta. Al\u00e9m disso, esquece-se o fato de que o aumento de sal\u00e1rio impacta em todas as outras verbas, como f\u00e9rias, 13\u00ba, INSS, FGTS, etc., enquanto a PLR tem um resultado ef\u00eamero nas contas, que se dissolve no ano seguinte.<br \/>\n\tMais grave do que isso, a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PLR legitima uma l\u00f3gica de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, em que o sal\u00e1rio do trabalhador passa a depender do lucro da empresa. Em tempos de crise econ\u00f4mica, a patronal tem um argumento para n\u00e3o aumentar sal\u00e1rio, n\u00e3o pagar PLR e ainda por cima aumentar a explora\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 preciso melhorar o resultado da empresa, e todos devem \u201cvestira a camisa\u201d, etc.<\/p>\n<p>\t2.6 Fun\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos<\/p>\n<p>\tEssa rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre remunera\u00e7\u00e3o e lucro que se construiu nos \u00faltimos anos \u00e9 muito mais absurda quando se considera a situa\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos, que n\u00e3o deveriam ter como fun\u00e7\u00e3o gerar lucros. Para questionar essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso questionar a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos. Essas institui\u00e7\u00f5es tem cada vez menos o car\u00e1ter p\u00fablico. O BB tem acionistas privados, inclusive estrangeiros, e tanto BB como CEF colocam seus funcion\u00e1rios para trabalhar para empresas coligadas vendendo seguros, planos de previd\u00eancia, capitaliza\u00e7\u00e3o, etc. A venda desses produtos consome a maior parte do trabalho dos funcion\u00e1rios das ag\u00eancias, servindo como crit\u00e9rio para as promo\u00e7\u00f5es e comissionamentos e como brecha para o ass\u00e9dio moral.<br \/>\n\tOs bancos federais tem sido usados para gerar lucros bilion\u00e1rios que n\u00e3o revertem em nenhum benef\u00edcio para a sociedade, a despeito do fato de que o Tesouro Nacional seja o seu acionista majorit\u00e1rio (o \u00fanico controlador no caso da CEF). A parcela dos lucros dos bancos p\u00fablicos apropriada pelo Tesouro \u00e9 desviada para o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, prioridade da gest\u00e3o dos governos burgueses na era neoliberal, de Collor a Lula. Ou seja, em \u00faltima inst\u00e2ncia, os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos trabalham para aumentar os lucros dos especuladores.<br \/>\n\tAl\u00e9m de ter seu lucro apropriado pela burguesia financeira, os bancos p\u00fablicos deixam de ter a fun\u00e7\u00e3o de fomento. Os bancos p\u00fablicos sempre foram usados no Brasil para cobrir a incompet\u00eancia empresarial da burguesia nacional, conforme testemunham os hist\u00f3ricos calotes que os latifundi\u00e1rios espetaram no BB n\u00e3o muitos anos atr\u00e1s. A popula\u00e7\u00e3o mais pobre, em contrapartida, jamais teve acesso ao cr\u00e9dito com a mesma facilidade. Os bancos p\u00fablicos praticam os mesmos juros extorsivos do cartel dos bancos privados. A recente troca do presidente do BB tendo como pretexto o suposto desejo do governo federal de baixar os juros n\u00e3o passou de uma manobra publicit\u00e1ria. Internamente, nada mudou no Banco do Brasil em termos de objetivos de neg\u00f3cios e rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/>\n\tO debate sobre o papel dos bancos p\u00fablicos precisa ser retomado junto \u00e0 sociedade. \u00c9 preciso disputar a consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o contra as id\u00e9ias de privatiza\u00e7\u00e3o que dominaram nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u00c9 preciso abrir o di\u00e1logo com os clientes e usu\u00e1rios, mostrando que os banc\u00e1rios est\u00e3o do seu lado na luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de atendimento, contrata\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios, etc. Essa \u00e9 uma tarefa que caberia ao movimento sindical, mas que foi abandonada pela Articula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tPor tudo isso, \u00e9 preciso retomar o debate sobre a fun\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos na perspectiva da luta pela estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro.<\/p>\n<p>\t3 REIVINDICA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>\tO Banco do Brasil passou por uma violenta reestrutura\u00e7\u00e3o em 2007, a qual atingiu cirurgicamente a vanguarda das lutas dos anos anteriores. Diga-se de passagem, a reestrutura\u00e7\u00e3o foi implantada com a coniv\u00eancia da dire\u00e7\u00e3o oficial, que se absteve de lutar contra o processo e descumpriu os encaminhamentos do Encontro realizado em Bras\u00edlia para tentar organizar a defesa dos trabalhadores.<br \/>\n\tA reestrutura\u00e7\u00e3o intensificou o processo de \u201cBradescaliza\u00e7\u00e3o\u201d do BB, a sua transforma\u00e7\u00e3o num banco de mercado voltado para disputa com os bancos privados. O objetivo em longo prazo \u00e9 extinguir o setor de suporte operacional, terceirizar completamente suas fun\u00e7\u00f5es e manter no quadro do Banco apenas os setores voltados para vendas. A reestrutura\u00e7\u00e3o foi o primeiro grande passo na dire\u00e7\u00e3o desse projeto, que continua em implanta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tOs eixos da reestrutura\u00e7\u00e3o foram:<br \/>\n\t&#8211; PAA, Plano de Aposentadoria Antecipada, que afastou do banco milhares de funcion\u00e1rios, muitos dos quais com uma experi\u00eancia de luta que vinha desde o ascenso dos anos 80 e que vinham sendo fundamentais para o \u00faltimo ciclo de greves;<br \/>\n\t&#8211; Fechamento de unidades inteiras, como a GEREL Campinas;<br \/>\n\t&#8211; Reforma estatut\u00e1ria da CASSI, desobrigando o Banco de se comprometer com a sa\u00fade dos funcion\u00e1rios, aprovada por meio de uma campanha de vota\u00e7\u00e3o terrorista no pr\u00f3prio sistema do Banco e com a participa\u00e7\u00e3o ativa dos sindicatos dirigidos pela Articula\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\t&#8211; PEE, processamento eletr\u00f4nico de envelopes, in\u00edcio da terceiriza\u00e7\u00e3o dos caixas;<br \/>\n\t&#8211; Redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos caixas em quase dois ter\u00e7os. \u00c9 sempre importante lembrar que os caixas foram a vanguarda das \u00faltimas greves, s\u00e3o a maioria dos delegados sindicais em ag\u00eancias e agora est\u00e3o numericamente reduzidos e funcionalmente isolados, como se fossem \u201calien\u00edgenas\u201d nas ag\u00eancias, o que dificulta sobremaneira o trabalho pol\u00edtico e a organiza\u00e7\u00e3o no local de trabalho.<br \/>\n\tEntretanto, al\u00e9m do ataque sobre os caixas e funcion\u00e1rios antigos, a reestrutura\u00e7\u00e3o continha tamb\u00e9m uma faceta \u201cbenigna\u201d para um outro setor de vanguarda, os escritur\u00e1rios que foram comissionados como assistentes de neg\u00f3cios. Essa estrat\u00e9gia foi uma tentativa expl\u00edcita de coopta\u00e7\u00e3o da vanguarda pela patronal. Uma boa parte desses novos assistentes de neg\u00f3cios passou a ver a comiss\u00e3o como um favor devido aos administradores, e para n\u00e3o se indispor com a ger\u00eancia, deixou de fazer greve. Hoje os caixas e escritur\u00e1rios s\u00e3o numericamente uma minoria na maior parte das ag\u00eancias, que podem funcionar normalmente sem eles em caso de greve.<br \/>\n\tPara completar a reestrutura\u00e7\u00e3o, prepara-se uma nova rodada de redu\u00e7\u00e3o dos caixas, por meio do PSO, que desvincula os funcion\u00e1rios do prefixo das ag\u00eancias e os transforma em caixas volantes, ou seja, flutuantes, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de uma central que vai distribu\u00ed-los conforme a demanda do dia.<\/p>\n<p>BB<br \/>\nReposi\u00e7\u00e3o de perdas<br \/>\nIsonomia<br \/>\nPagamento das substitui\u00e7\u00f5es<br \/>\nFim do PSO\/USO<br \/>\nFim das metas e do ass\u00e9dio moral<br \/>\nRespeito \u00e0 jornada de 6 horas<br \/>\nResgate da CASSI<br \/>\nPlano odontol\u00f3gico<\/p>\n<p>Categoria<br \/>\nFim da Mesa \u00danica: Campanha Unificada e mesas separadas<br \/>\nEstabilidade<br \/>\nDelegados sindicais nos bancos privados<br \/>\nFim dos correspondentes banc\u00e1rios<br \/>\nFim das terceiriza\u00e7\u00f5es<br \/>\nContrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios<\/p>\n<p>4 ORGANIZA\u00c7\u00c3O INTERNA DO MNOB<\/p>\n<p>Estatuto<br \/>\nPrograma<br \/>\nAuto-financiamento<br \/>\nAutonomia (inst\u00e2ncias pr\u00f3prias)<br \/>\nA\u00e7\u00e3o de base<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00e3o no local de trabalho<br \/>\nMandatos revog\u00e1veis<br \/>\nRod\u00edzios<br \/>\nVeto a reelei\u00e7\u00f5es indefinidas<br \/>\nTarefas determinadas<br \/>\nTranspar\u00eancia<br \/>\nPresta\u00e7\u00e3o de contas<br \/>\nRegularidade<br \/>\nDemocracia<\/p>\n<p>\tO fechamento da campanha salarial deste ano tamb\u00e9m fecha um ciclo no movimento. O MNOB, consolidado na rebeli\u00e3o de base na greve hist\u00f3rica de 30 dias em 2004, j\u00e1 n\u00e3o tem a mesma for\u00e7a na categoria. Muitas vezes, a categoria nos v\u00ea como \u201cvoc\u00eas do sindicato\u201d, ou seja, como partes da mesma m\u00e1quina. Quando entendem que n\u00e3o somos dirigentes sindicais, imaginam que o MNOB funciona como se fosse um sindicato paralelo, como se seus integrantes estivessem liberados do trabalho para tarefas pol\u00edticas. O MNOB ainda n\u00e3o \u00e9 uma dire\u00e7\u00e3o alternativa para a categoria, mas \u00e9 exigido como se fosse. Somos cobrados pela base como se tiv\u00e9ssemos infra-estrutura, log\u00edstica e finan\u00e7as para \u201cconcorrer\u201d com a Articula\u00e7\u00e3o, como se tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es de imprimir e distribuir boletins para responder \u00e0 Folha Banc\u00e1ria do sindicato, etc.<br \/>\n\tIsso significa que a categoria na pr\u00e1tica n\u00e3o sabe o que \u00e9 o MNOB. Os trabalhadores v\u00eaem o movimento como um corpo \u00e0 parte, uma entidade destacada do conjunto da categoria. Os banc\u00e1rios n\u00e3o v\u00eaem a si pr\u00f3prios como Oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entendem que o MNOB s\u00f3 pode ter alguma for\u00e7a atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria base. Ao inv\u00e9s de participar, esperam que montemos uma estrutura para \u201co seu bem\u201d. Em outras palavras, a categoria ainda n\u00e3o se v\u00ea como o principal  respons\u00e1vel pela sua emancipa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entende como uma tarefa sua o desafio de expurgar do sindicato a Articula\u00e7\u00e3o e seus pelegos, burocratas, governistas e agentes da patronal. Vive-se uma situa\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o da categoria diante do MNOB.<br \/>\n\tDiante deste quadro, cabe-nos fazer um bala\u00e7o profundo, fraterno e franco com os companheiros sobre a nossa atua\u00e7\u00e3o e sobre o que podemos fazer para que o MNOB seja de fato o conjunto da categoria banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>\tProblemas da Oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\tPriorizar as elei\u00e7\u00f5es sindicais \u2013 O MNOB \u00e9 visto como um corpo \u00e0 parte do restante da categoria porque na maior parte das vezes se apresenta apenas como uma chapa de oposi\u00e7\u00e3o para a disputa de elei\u00e7\u00f5es sindicais e de entidades representativas. O MNOB s\u00f3 aparece na \u00e9poca das campanhas salariais e das elei\u00e7\u00f5es de entidades. No restante do ano, ele n\u00e3o existe. A inexist\u00eancia do MNOB na maior parte do ano faz com que a sua atividade seja sempre reativa, jamais pr\u00f3-ativa. O MNOB somente tenta responder aos fatos, jamais se antecipa a eles. Embora esteja presente em todas as lutas, n\u00e3o \u00e9 capaz de conduz\u00ed-las para a vit\u00f3ria, pois n\u00e3o acumula massa cr\u00edtica suficiente para inverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor da categoria.<br \/>\n\tN\u00e3o se trata aqui de propor a aus\u00eancia do MNOB das elei\u00e7\u00f5es sindicais, mas de desenvolver um projeto estrat\u00e9gico que fa\u00e7a das campanhas eleitorais um instrumento para fortalecer o movimento na base, com vistas \u00e0s lutas cotidianas da categoria e aos processos de longo prazo da luta de classes. A prioridade dada para as disputas superestruturais, sem um projeto estrat\u00e9gico claro, impediu que o MNOB desenvolvesse um trabalho estrutural de educa\u00e7\u00e3o da base e eleva\u00e7\u00e3o da sua consci\u00eancia.<br \/>\n\tAus\u00eancia de organicidade \u2013 Aquilo que chamamos de inexist\u00eancia do MNOB na maior parte do ano se traduz pela aus\u00eancia de reuni\u00f5es. A falta de uma periodicidade das reuni\u00f5es impede que os problemas sejam conhecidos de todos, que o debate se realize, que as propostas sejam refinadas, que as tarefas sejam distribu\u00eddas, que exista controle e balan\u00e7o das atividades. Aquilo que era a panac\u00e9ia de todos os males num determinado momento, como a proposta de forma\u00e7\u00e3o de uma Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Banc\u00e1rios, no momento seguinte \u00e9 esquecido como se jamais tivesse existido, pois \u00e9 preciso correr atr\u00e1s de uma nova panac\u00e9ia salvadora. A cada retomada do movimento, o MNOB \u00e9 obrigado a reinventar a roda, redistribuir tarefas, refazer cadastros, retomar as finan\u00e7as, que jamais deveriam ter parado de funcionar.<br \/>\n\tEssa aus\u00eancia de organicidade se reflete na diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de militantes. N\u00e3o se trata apenas de um \u201crefluxo\u201d da categoria. Trata-se de um estranhamento da base com o Movimento, que o enxerga como algo \u00e0 parte. Embora o MNOB esteja sempre presente nas lutas da categoria, n\u00e3o se acumula um saldo organizativo para os pr\u00f3ximos embates. O resultado disso foram as diversas defec\u00e7\u00f5es do Movimento, que o reduziram praticamente \u00e0 mesma vanguarda combativa pr\u00e9-2004. Com a sa\u00edda de militantes e a falta de novos ativistas, sobrecarregam-se aqueles que ficaram para tentar realizar as mesmas tarefas.<br \/>\n\tFalta de um projeto estrat\u00e9gico \u2013 O projeto estrat\u00e9gico do MNOB deve ir al\u00e9m das campanhas salariais e das campanhas eleitorais dos sindicatos. Precisa ter como horizonte preparar a categoria para os enfrentamentos mais globais da luta de classes. Precisa desenvolver na categoria uma consci\u00eancia capaz de nos situar no conjunto da classe trabalhadora, como participantes de um processo de lutas mais amplo, que se enfrenta n\u00e3o apenas com a Articula\u00e7\u00e3o no controle dos sindicatos, mas com o governo e a burguesia no controle da economia. \u00c9 preciso fornecer aos trabalhadores um horizonte mais amplo, uma alternativa de sociedade que permita vislumbrar sa\u00eddas concretas para a crise do Brasil e da humanidade.<\/p>\n<p>\tPropostas para o pr\u00f3ximo per\u00edodo<\/p>\n<p>\tO MNOB tem se destacado, como dissemos, por ser o principal organizador das lutas da categoria, com muito m\u00e9rito e sacrif\u00edcio. Entretanto, sua atua\u00e7\u00e3o apresenta diversas debilidades que precisam ser superadas. As debilidades dizem respeito menos ao seu programa que a sua metodologia, que precisa de uma dr\u00e1stica reformula\u00e7\u00e3o. Conforme os problemas apontados acima, propomos as seguintes medidas para superar a crise organizativa do MNOB e sua conseq\u00fcente debilidade pol\u00edtica:<br \/>\n\t1.Estrutura\u00e7\u00e3o profissional do MNOB \u2013 A estrutura montada para as elei\u00e7\u00f5es sindicais (como a de S\u00e3o Paulo em 2005), em que se estabeleceu um calend\u00e1rio de reuni\u00f5es peri\u00f3dicas e uma divis\u00e3o de tarefas, precisa ser tornada permanente. A princ\u00edpio, prop\u00f5e-se reuni\u00f5es peri\u00f3dicas (no m\u00ednimo, quinzenais) para debater estrategicamente os rumos da categoria (e n\u00e3o somente ap\u00f3s o acontecimento dos fatos, como ocorre atualmente). Propomos tamb\u00e9m distribuir dentro do movimento as tarefas, como a organiza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, a reda\u00e7\u00e3o de materiais e sua diagrama\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o dos boletins por circunscri\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia dos militantes, etc.<br \/>\n\t2.Priorizar a disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica dos banc\u00e1rios e da popula\u00e7\u00e3o \u2013 Os boletins do MNOB precisam ir al\u00e9m de quest\u00f5es corporativas e incorporar os interesses de todos os trabalhadores. A luta dos banc\u00e1rios \u00e9 uma luta contra a pol\u00edtica dos bancos de agiotagem contra o conjunto da sociedade e de extors\u00e3o dos trabalhadores em particular (tarifas astron\u00f4micas, juros escorchantes, venda casada, filas e p\u00e9ssimo atendimento nas ag\u00eancias). A classe trabalhadora precisa ver o trabalhador banc\u00e1rio como seu aliado e n\u00e3o um inimigo. E entre os trabalhadores banc\u00e1rios, \u00e9 preciso contar os funcion\u00e1rios de bancos privados e tamb\u00e9m os terceirizados. Cabe ao MNOB desenvolver esse debate mais profundo.<br \/>\n\t3.Uma pol\u00edtica clara para os banc\u00e1rios da rede privada \u2013 Os funcion\u00e1rios de bancos privados s\u00e3o a imensa maioria da categoria e no entanto praticamente n\u00e3o est\u00e3o representados no MNOB. \u00c9 preciso incorporar as bandeiras hist\u00f3ricas deste setor fragilizado da categoria nos boletins da Oposi\u00e7\u00e3o, e desenvolver formas de atua\u00e7\u00e3o clandestina para viabilizar sua milit\u00e2ncia deles, tendo em vista a amea\u00e7a de demiss\u00e3o iminente dos ativistas.<br \/>\n\tEsperamos com essas propostas contribuir para superar a paralisia do MNOB, para retomar a sua estrutura\u00e7\u00e3o e sua capacidade de iniciativa pol\u00edtica, para enraizar o movimento na base da categoria e preparar os trabalhadores para os duros embates que se aproximam.<\/p>\n<p>REIVINDICA\u00c7\u00d5ES.<\/p>\n<p>BANCO O BRASIL<\/p>\n<p>Os banc\u00e1rios do banco do Brasil sofreram um duro ataque cont\u00ednuo durante a \u00b4decada de noventa e in\u00edcio dos anos 2000, isto \u00e9, durante o per\u00edodo do governo do PSDB na presid\u00eancia. Foi quase 10 anos de sal\u00e1rios congelados. Em 1998, houve uma cis\u00e3o entre o funcionalismo com a retirada de direitos dos funcion\u00e1rios que ingressariam no banco a partir de ent\u00e3o. Em 2007 o governo Lula desfere mais um duro golpe no funcionalismo com a reestrutura\u00e7\u00e3o organizacional, em que fechou diversos locais de trabalho, com deslocamentos for\u00e7ados de colegas sem qualquer assist\u00eancia e assun\u00e7\u00e3o de responsabilidade pelo banco destas transfer\u00eancias. Destacamos aqui os banc\u00e1rios que trabalhavam na antiga GEREL Campinas, que foram transferidos compulsoriamente para S\u00e3o Paulo, cerca de 100 quil\u00f4metros de suas casas e o banco n\u00e3o assume as despesas de deslocamento de Campinas para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Durante este per\u00edodo, destacamos tamb\u00e9m mais um ataque desferido pelo governo Lula ao funcionalismo do BB: a reforma estatut\u00e1ria da CASSI em que as entidades sindicais da CUT fizeram campanha pela aprova\u00e7\u00e3o da proposta do Banco e do governo de n\u00e3o cobrar a d\u00edvida com a Caixa de Assist\u00eancia de cerca de R$ 500 milh\u00f5es, resultado do calote sobre a contribui\u00e7\u00e3o do banco dos sal\u00e1rios dos banc\u00e1rios que ingressaram no banco ap\u00f3s 1998, de 4,5% para 3% sobre a folha de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Temos de ressaltar ainda que durante todo o governo Lula, houve a in\u00e9dita a\u00e7\u00e3o de se descontar os dias da greve dos lutadores e da vanguarda, como um claro ataque contra a livre organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Diante deste quando,o Espa\u00e7o Socialista defende:<br \/>\nReposi\u00e7\u00e3o de todas as perdas salariais desde o in\u00edcio do plano real at\u00e9 os dias atuais, que acreditamos superar mais do que 100%  para que o sal\u00e1rio do funcionalismo recupere o poder de compra  aos sal\u00e1rios percebidos pelo funcionalismo em julho de 1994, implanta\u00e7\u00e3o do plano real;<br \/>\nIsonomia de direitos entre os banc\u00e1rios pr\u00e9-98 e p\u00f3s-98 em que for mais vantajoso para os trabalhadores. Deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o os direitos dos banc\u00e1rios das institui\u00e7\u00f5es incorporadas pelo BB, como o Banco do Estado do Par\u00e1 (BEP), Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), e Nossa Caixa. O que for mais vantajoso para o funcionalismo deve-ser aplicado.<br \/>\nFim do programa de PSO\/USO que \u00e9 um duro ataque ao setor mais precarizado  e mais combativo do funcionalismo: Caixas Executivos e Escritur\u00e1rios. Tal plano visa tirar todo o setor operacional das ag\u00eancias e concentr\u00e1-las numa \u00fanica depend\u00eancia como base. Os funcion\u00e1rios passaria a perambular pela cidade para trabalhar nas ag\u00eancias de acordo com a demanda. Os funcion\u00e1rios n\u00e3o teriam local fixo para trabalhar, acarretando diversos transtornos, sobrecarregando os funcion\u00e1rios, al\u00e9m de diminuir a quantidade de Caixas nos guich\u00eas dispon\u00edveis apara o atendimento da popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 um duro golpe contra a livre organiza\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios, tendo em vista que a maior parte deste setor \u00e9 delegado sindical, protegido pela cl\u00e1usula de inamovibilidade. Tamb\u00e9m se trata de mais um passo para se terceirizar definitivamente o setor operacional do banco, sendo que o primeiro passo foi dado com o processamento de envelopes de dep\u00f3sitos de dinheiro e cheque .<br \/>\nO Banco do Brasil precisa votar a ter uma gest\u00e3o p\u00fablica, de atendimento \u00e1s necessidades de bancariza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores exclu\u00eddos do sistema financeiro. N\u00e3o faz o menor sentido todo a estrutura do BB estar voltado apenas para o lucro por meio de ass\u00e9dio moral aos banc\u00e1rios para que se cumpram metas de vendas. Quase sempre os funcion\u00e1rios acabam por empurrar os produtos o conglomerado do banco como moeda de troca para concess\u00e3o de cr\u00e9dito para os clientes. Mas isso reflete da forma de que s\u00e3o realizadas estas \u201cvendas\u201d, isto \u00e9, por meio do ass\u00e9dio moral que virou ferramenta de gest\u00e3o dos resultados do banco, provocando um ex\u00e9rcito afastados por doen\u00e7a, ou de lesionados. Somos pelo fim das metas para vendas (qualquer uma) e pelo fim do ass\u00e9dio moral.<br \/>\nRespeito \u00e0 jornada de 6 horas, extens\u00edvel para a ger\u00eancia m\u00e9dia. A conquista pela jornada de 6 horas di\u00e1rias est\u00e1 fundamentada no alto grau de adoecimento e de press\u00e3o a que s\u00e3o submetidos os banc\u00e1rios. Cada vez mais o Banco do Brasil lan\u00e7a m\u00e3o de distribuir comiss\u00f5es de Assistentes de Neg\u00f3cios para fraudar a nossa conquista e fazer com que o funcion\u00e1rio trabalhe em tempo integral, isto \u00e9, 8 horas. Por\u00e9m o mais grave \u00e9 o desvio de fun\u00e7\u00e3o. Os Assistentes t\u00eam responsabilidade de gerente, mas n\u00e3o recebem como gerente.<br \/>\nResgate da CASSI est\u00e1 na ordem do dia diante do greve processo de sucateamento de nossa Caixa de Assist\u00eancia por meio de descredenciamento em massa da rede de prestadores e de hospitais. H\u00e1 casos em que os banc\u00e1rios optam por contratar um plano de sa\u00fade para ter garantias de atendimento. O atual quadro da CASSI \u00e9 fruto de uma gest\u00e3o privada e de colabora\u00e7\u00e3o com o Banco para que o governo n\u00e3o tenha mais responsabilidades com a sa\u00fade de seus funcion\u00e1rios, dando mais um passo concreto para a privatiza\u00e7\u00e3o. Somos contra a \u00faltima reforma estatut\u00e1ria da entidade, bem como  o perd\u00e3o de mais de R$ 500 milh\u00f5es de d\u00edvidas que o Banco do Brasil tem com a CASSI, contra a co-participa\u00e7\u00e3o e contra a desonera\u00e7\u00e3o das responsabilidades do governo com a sa\u00fade dos funcion\u00e1rio.<br \/>\nImplanta\u00e7\u00e3o do plano odontol\u00f3gico sem preju\u00edzo do atual PAS, para todo funcionalismo, \u00e0 cargo do banco. Que o plano odontol\u00f3gico seja prestado pela pr\u00f3pria e CASSI e n\u00e3o por uma empresa terceirizada, plano otontol\u00f3gico privado.<\/p>\n<p>CAIXA ECON\u00d4MICA FEDERAL<\/p>\n<p>CATEGORIA BANCARIA.<\/p>\n<p>Com o ressurgimento das greves em 2003 e com a forte greve hist\u00f3rica de 2004 quebrasse o congelamento dos sal\u00e1rios nos banco p\u00fablicos, mas cria-se um obst\u00e1culo para a recupera\u00e7\u00e3o das perdas na campanha salarial: a mesa unificada de negocia\u00e7\u00e3o da FENABAN. O governo, por meio dos sindicatos filiados \u00e0 CUT, utiliza a mesa \u00fanica para se desviar de atender as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos .<\/p>\n<p>Para os banc\u00e1rios de bancos privados, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 conveniente a mesa unificada, pois entendemos que o governo  e o movimento sindical atrelado a ele s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis pelos \u00edndices rebaixados de reajuste que mal rep\u00f5em a infla\u00e7\u00e3o. Os aumentos salariais poderia ser bem maiores se n\u00e3o fosse esta simbiose dos sindicatos pelegos com o governo. Ademais, a mesa unificada ainda apresenta os sindicatos cutistas como combativos, pois defendem a greve nas assembl\u00e9ias mas n\u00e3o d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e1 paralisa\u00e7\u00e3o. A fama de combativo se d\u00e1 pelos piqueteiros dos bancos p\u00fablicos que garantem alguma paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto a organiza\u00e7\u00e3o de base ela ainda mais prec\u00e1ria. Os bancos privados n\u00e3o t\u00eam representante sindical de base (delegado sindical), com estabilidade e inamovibilidade para fazer trabalho sindical de base. Outro problema grave \u00e9 a aus\u00eancia de estabilidade dos banc\u00e1rios do setor privado que impedem a sua organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo muito utilizado para baratear a m\u00e3o-de-obra, por meio de precariza\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es financeiras  e superexplora\u00e7\u00e3o  dos trabalho terceirizado. Agora, este tipo de m\u00e3o-de-obra avan\u00e7a nas atividades-fim  de forma escandalosa por meio de centrais de atendimento telef\u00f4nico, servi\u00e7os de pagamento e recebimento de contas, e ag\u00eancias financeiras de concess\u00e3o de cr\u00e9dito, em que o trabalho \u00e9 tipicamente de intermedia\u00e7\u00e3o financeira, mas o trabalhador  n\u00e3o \u00e9 considerada da categoria banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em tempos de crise, fica mais intenso o processo de aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es entres os grupos econ\u00f4micos. No setor banc\u00e1rio este processo j\u00e1 vinha em marcha desde a cria\u00e7\u00e3o do plano real. Santander entrou no pa\u00eds comprando o velho Noroeste. Depois adquiriu o Banespa e por \u00faltimo o Real. Recentemente presenciamos o Banco do Brasil adquirir o BEP, BESC, parte do Banco Votorantin , e a Nossa Caixa. No Inicio de 2009 Assistimos a aquisi\u00e7\u00e3o do UNIBANCO pelo Ita\u00fa.<\/p>\n<p>Para cada fus\u00e3o, o resultado a categoria sabe muito bem: Gera um ex\u00e9rcitos de demitidos, resultado direto pelo fechamento dos postos de trabalho. Quem sa\u00ed, est\u00e1 na rua. Quem permenece no emprego se v\u00ea obrigado a trabalhar muito mais e em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, expostos a toda sorte de adoecimentos e les\u00f5es por LER\/DORT.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, defendemos:<\/p>\n<p>Fim da mesa \u00fanica da FENABAN e abaixo a mesa \u00fanica m\u00ednima. Campanha unificada , mas com mesas separadas de negocia\u00e7\u00e3o como forma de atendimentos \u00e1s pautas espec\u00edficas dos trabalhadores do setor privado e do setor p\u00fablico;<br \/>\nEstabilidade para todos os banc\u00e1rios, sobretudo do setor privado, contra  demiss\u00e3o imotivada;<br \/>\nElei\u00e7\u00e3o de delegados sindicais em todos ao bancos como forma de se iniciar um processo de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios dos setor privado, com prerrogativa da inamovibilidade, estabilidade, etc, etc, n\u00e3o s\u00f3 nos pr\u00e9dios, como tamb\u00e9m nas ag\u00eancias;<br \/>\nFim das terceiriza\u00e7\u00f5es  e os correspondentes banc\u00e1rios, como formas de superexplora\u00e7\u00e3o, precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e retirada de direitos da categoria banc\u00e1ria.<br \/>\nContrata\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios para atender a demanda de servi\u00e7os banc\u00e1rios, incorpora\u00e7\u00e3o dos terceirizados ao quadro funcional dos bancos. Afinal, quem trabalha em banco, banc\u00e1rio \u00e9..<br \/>\nFim da pilariza\u00e7\u00e3o  e da discrimina\u00e7\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os banc\u00e1rios. Abertura das ag\u00eancias destinadas para o p\u00fablico de alta renda para atendimento de toda a popula\u00e7\u00e3o, sem distin\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRedu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, para 5 horas di\u00e1rias. Expediente banc\u00e1rio de 10 horas, com dois turnos de 5 horas cada uma, como forma de contratar mais banc\u00e1rios e garantir atendimeto de qualidade para todos, sem distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>ORGANIZA\u00c7\u00c3O INTERNA .<\/p>\n<p>Talvez aqui resida o motivo de fato pelo qual o MNOB passou de p\u00f3lo aglutinador da esquerda combativa para apenas uma fra\u00e7\u00e3o deste setor, isto \u00e9 , pela condu\u00e7\u00e3o do movimento de acordo com o que se decidiu nas inst\u00e2ncias internas do maior partido do MNOB, o PSTU.<\/p>\n<p>Sendo coerente com a sua concep\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o de partido de revolucion\u00e1rio, passou a impor para o resto do movimento esta concep\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio, passou a impor a CONLUTAS como condi\u00e7\u00e3o para estar na Oposi\u00e7\u00e3o, Depois vieram toda a sorte de pr\u00e1tica de inger\u00eancia nos f\u00f3runs internos do movimento. N\u00e3o h\u00e1 mais a discuss\u00e3o sobre o conte\u00fado dos materiais, as reuni\u00f5es s\u00e3o marcadas de acordo com a conveni\u00eancia da for\u00e7a majorit\u00e1ria, e desmarcadas tamb\u00e9m pelo mesmo crit\u00e9rio. As finan\u00e7as do movimento n\u00e3o s\u00e3o transparentes , n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o nem da contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 a sa\u00edda de outras organiza\u00e7\u00f5es, ou a \u201cvolta para casa\u201d de elementos do setor independente, pela absoluta falta de condi\u00e7\u00f5es de participar do rumos do movimento. Quem n\u00e3o pertencia ao maior partido do movimento n\u00e3o participava da constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas do MNOB.<\/p>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o da unidade da esquerda combativa passa n\u00e3o somente pelas quest\u00f5es pol\u00edticas. Como percebemos, as quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o do movimento \u00e9 t\u00e3o importante quanto as quest\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o basta fazer apologia \u00e0 unidade. Ela deve ser uma ato concreto e consciente nossa.<\/p>\n<p>Diante de todo o exposto, o Espa\u00e7o Socialista prop\u00f5e:<\/p>\n<p>Estatuto que fixe o crit\u00e9rio de perman\u00eancia, funcionamento democr\u00e1tico e da soberania dos f\u00f3runs do movimento, etc. Ela seria resultado do trabalho de uma Coordena\u00e7\u00e3o Nacional e submetido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dos f\u00f3runs locais. A aprova\u00e7\u00e3o do documento se daria pelo conjunto de manifesta\u00e7\u00f5es nas bases locais;<br \/>\nO programa deve ser naquilo em que j\u00e1 temos acordo isto \u00e9: 1-ser contra o governo, que \u00e9 patr\u00e3o da metade da categoria banc\u00e1ria e ajuda a promover os ataques para os banc\u00e1rios do setor privado; 2-contra os patr\u00f5es, que s\u00e3o nossos inimigos de classe em que se manifesta pelas demiss\u00f5es em massa, arrocho de sal\u00e1rios, precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, retirada de direitos, etc.; 3 contra a Articula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o bra\u00e7o governamental e patronal no seio da categoria banc\u00e1ria, com um agravante, que \u00e9 a confian\u00e7a que os banc\u00e1rios depositam no governo Lula, dificultando as lutas; 4- funcionamento de acordo com a democracia oper\u00e1ria e do respeito os f\u00f3runs do movimento.<br \/>\nIndepend\u00eancia dos governos, dos patr\u00f5es e dos partidos. Tudo que diz respeito ao movimento deve-se discutir e decidir nos f\u00f3runs do movimento e submeter-se \u00e0 sua soberania (pol\u00edtica, finan\u00e7as, escrever materiais, etc, etc,). O movimento deve se sustentar por meio da contribui\u00e7\u00e3o dos seus integrantes e por campanhas financeiras impulsionadas pelo pr\u00f3prio movimento.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o de base deve ser a raz\u00e3o de ser da frente nacional de oposi\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria visando a retomada das lutas para enfrentar os ataques dos patr\u00f5es e dos governos. Deve-se fazer trabalhos agitativos, como panfletagens, e propaganda, como semin\u00e1rios e outras atividades de forma\u00e7\u00e3o como catalisadores no processo de avan\u00e7o da consci\u00eancia da categoria banc\u00e1ria. Deve-se ter reuni\u00f5es peri\u00f3dicas ordin\u00e1rias (duas vezes por m\u00eas, ao menos).<br \/>\nImpulsionar a organiza\u00e7\u00e3o da base por meio dos locais de trabalho, por meio de um trabalho estruturado sobre os representantes sindicais de base (delegado sindical) nos bancos em que j\u00e1 existem, e lutar para que a conquista se estenda para toda a categoria, sobretudo em banco privado, onde a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais fr\u00e1gil. Al\u00e9m da agita\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer diversas atividades de forma\u00e7\u00e3o direcionadas para a base.<br \/>\nMandatos revog\u00e1veis, rod\u00edzio na dire\u00e7\u00e3o do movimento  e proibi\u00e7\u00e3o das reelei\u00e7\u00f5es indefinidas s\u00e3o a\u00e7\u00f5es concretas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o  da dire\u00e7\u00e3o do movimento. Os mandatos s\u00e3o concedidos pela base do movimento  e ela tem o direito de revogar, se a dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o estiver de acordo com a vontade da categoria, a qualquer momento. Rod\u00edzio na dire\u00e7\u00e3o serve para renovar constantemente o quadro dirigente e permitir que a base, a raz\u00e3o de ser do movimento, tenha participa\u00e7\u00e3o efetiva na constru\u00e7\u00e3o dos rumos da categoria. A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o indefinida evita que haja dirigentes vital\u00edcios, isto \u00e9, h\u00e1 anos fora da base. Por outro lado, isso s\u00f3 ter\u00e1 sentido se fomentarmos o aparecimento de novas lideran\u00e7as e renova\u00e7\u00e3o do quadro dirigente do movimento. Ainda propomos renova\u00e7\u00e3o de 1\/ 2 da dire\u00e7\u00e3o por elei\u00e7\u00e3o, que ocorreria a cada 2 anos.<br \/>\nTranspar\u00eancia na condu\u00e7\u00e3o do \u00e9 um dos principais princ\u00edpios para se evitar a burocratiza\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o perante a base. Pelo menos em uma reuni\u00e3o do m\u00eas haver\u00e1 o ponto de finan\u00e7as. A presta\u00e7\u00e3o de contas estar\u00e1 disponibilizada, por escrito, pra qualquer integrante da frente, de forma clara;<br \/>\nDemocracia \u00e9 proporcionar que qualquer pessoa  e organiza\u00e7\u00e3o possa participar da frente, desde que haja acordo com o programa apresentado acima, que o banc\u00e1rio sinta que pode ser sujeito da mudan\u00e7a e o principal ator e da lutas de resist\u00eancia e das conquistas para a categoria. Para isso reiteramos o respeito aos f\u00f3runs internos da frente, fixa\u00e7\u00e3o das tarefas e de seus cumprimentos discutidos de forma clara  e coletiva. Regularidade da reuni\u00f5es, etc.<\/p>\n<p>Assinam esta tese<\/p>\n<p>Daniel Menezes Delfino \u2013 BB Vila Alpina, SP \u2013 Espa\u00e7o Socialista<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\t1 CONJUNUTRA<\/p>\n<p>\t1.1 O car\u00e1ter da crise<\/p>\n<p>\tO 2\u00ba semestre de 2008 trouxe \u00e0 tona a crise estrutural do capital, que est\u00e1 em curso h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas e que se tornou evidente por meio do encerramento do \u00faltimo ciclo peri\u00f3dico da economia. Esse fen\u00f4meno recebeu o nome de \u201ccrise financeira\u201d e vem sendo tratado pela imprensa burguesa e pela esquerda reformista como uma simples recess\u00e3o, da qual o capitalismo sair\u00e1 em pouco tempo e apenas levemente avariado.<br \/>\n\tNa realidade, trata-se de uma crise mais s\u00e9ria, que exp\u00f5e uma s\u00e9rie de limites estruturais do capitalismo. Os mecanismos que o sistema tem utilizado nas \u00faltimas d\u00e9cadas para deslocar suas contradi\u00e7\u00f5es esgotaram sua efic\u00e1cia. O modelo de acumula\u00e7\u00e3o flex\u00edvel (toyotismo), a forma\u00e7\u00e3o do mercado mundial de for\u00e7a de trabalho (e sua conseq\u00fcente precariza\u00e7\u00e3o) com a incorpora\u00e7\u00e3o da China e da \u00cdndia, a mundializa\u00e7\u00e3o neoliberal e sua desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, o endividamento do Estado, das empresas e dos consumidores; todas essas estrat\u00e9gias foram tentativas de evitar a contradi\u00e7\u00e3o fundamental do sistema do capital, que op\u00f5e a socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o privada.<br \/>\n\tO capitalismo produz mais mercadorias e mais capital (com destaque para as mais recentes modalidades de capital fict\u00edcio), mas o n\u00famero de consumidores se reduz, o que leva a crises c\u00edclicas de superprodu\u00e7\u00e3o cada vez mais violentas. \tA chamada crise financeira \u00e9 apenas uma manifesta\u00e7\u00e3o superficial do acirramento das contradi\u00e7\u00f5es em n\u00edvel estrutural. Al\u00e9m do seu aspecto puramente econ\u00f4mico, a atual crise envolve tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de outras dimens\u00f5es, como a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais, a proximidade do esgotamento da atual matriz energ\u00e9tica, o rep\u00fadio ao imperialismo (em particular estadunidense) no Oriente M\u00e9dio e na Am\u00e9rica Latina, a crise generalizada da cultura em todas as suas esferas (filosofia, ci\u00eancia, artes, \u00e9tica, rela\u00e7\u00f5es interpessoais), incapazes de apontar um sentido para a vida, etc.<br \/>\n\tEstamos diante de uma verdadeira crise civilizacional, que coloca para a humanidade a necessidade vital de reconstruir a alternativa socialista. Enquanto n\u00e3o se materializar uma alternativa socialista, a burguesia seguir\u00e1 adiante no aprofundamento da barb\u00e1rie. A superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias e de capital chegou a um limite que obriga a burguesia a encontrar formas de destruir o capital excedente para desbloquear o processo de realiza\u00e7\u00e3o do valor. Historicamente isso \u00e9 feito por meio da guerra e do rebaixamento geral das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>\t1.2 As respostas da burguesia<\/p>\n<p>\tA burguesia mundial reagiu ao primeiro surto da crise atrav\u00e9s do endividamento do Estado, cujos recursos foram usados para salvar o capital financeiro e evitar uma derrocada geral acelerada. Trilh\u00f5es de d\u00f3lares foram gastos pelos Estados do mundo inteiro em pacotes de salvamento do sistema financeiro, tanto pelas maiores pot\u00eancias imperialistas como pelas mais insiginificantes semi-col\u00f4nias. Entretanto, os desequil\u00edbrios n\u00e3o foram corrigidos, pois n\u00e3o podem s\u00ea-lo sem a aboli\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio capitalismo.<br \/>\n\tA situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 de um impasse, no qual a burguesia tem conseguido administrar a crise apesar dos n\u00fameros alarmantes do desemprego e da crise social que avan\u00e7a nos pa\u00edses centrais. O ataque sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe \u00e9 a \u00fanica forma do capital recuperar sua taxa de lucro. As demiss\u00f5es, as redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rio e os cortes de direitos s\u00e3o a receita da burguesia  para salvar o capital, sendo aplicados com a colabora\u00e7\u00e3o dos governos e burocracias sindicais do mundo inteiro. Em tese, o capital precisaria nivelar por baixo o grau de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho em escala global, for\u00e7ando os trabalhadores do mundo inteiro a aceitar as condi\u00e7\u00f5es salariais e laborais mais rebaixadas poss\u00edveis, que s\u00e3o aquelas hoje j\u00e1 vigentes na China e nos pa\u00edses asi\u00e1ticos. Se isso ainda n\u00e3o foi conseguido nos pa\u00edses centrais, como Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o, \u00e9 porque a burguesia at\u00e9 o momento n\u00e3o construiu politicamente uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as suficientemente favor\u00e1vel para impor tais medidas sobre o proletariado desses pa\u00edses.<br \/>\n\tEm pa\u00edses intermedi\u00e1rios, como o Brasil, h\u00e1 setores da classe trabalhadora que tamb\u00e9m est\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social ligeiramente acima do n\u00edvel m\u00ednimo chin\u00eas. Trata-se de uma minoria da classe, j\u00e1 que a maioria dos trabalhadores brasileiros vive entre o desemprego e o subemprego, o trabalho prec\u00e1rio, terceirizado, intermitente,tempor\u00e1rio e informal, sem prote\u00e7\u00e3o social, sem regulamenta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e de sa\u00fade no trabalho, ou mesmo da dura\u00e7\u00e3o da jornada, sem direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, sindicaliza\u00e7\u00e3o ou greve; e com uma renda que mal cobre os custos de sobreviv\u00eancia. H\u00e1 um setor da classe, por\u00e9m, que ainda est\u00e1 protegido por contratos de trabalho formais, previd\u00eancia p\u00fablica, seguridade social, legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e sindicaliza\u00e7\u00e3o, etc. Do ponto de vista do capital, esse setor \u00e9 mais um alvo potencial da pol\u00edtica geral de rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de vida do proletariado global.<\/p>\n<p>\t1.3 A situa\u00e7\u00e3o do Brasil<\/p>\n<p>\tSe n\u00e3o conseguir impor rapidamente uma derrota pol\u00edtica brutal ao proletariado dos pa\u00edses centrais, ou deparar-se com uma resist\u00eancia suficientemente forte, o capital poder\u00e1 deslocar seu foco para os pa\u00edses perif\u00e9ricos que ainda possuem alguma margem de conquistas salariais e sociais dispon\u00edveis para serem \u201cqueimadas\u201d na busca do nivelamento global, entre os quais o Brasil. Por enquanto, o desemprego, a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e o corte de direitos seguem avan\u00e7ando nos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o, tendo provocado uma resist\u00eancia mais significativa principalmente por parte dos trabalhadores europeus, que tem se mostrado insuficiente por\u00e9m para barrar o processo.  Em fun\u00e7\u00e3o disso, o ataque direto aos setores organizados do proletariado brasileiro ainda n\u00e3o \u00e9 uma prioridade para a burguesia.<br \/>\n\tO Brasil tem sido relativamente poupado das conseq\u00fc\u00eancias mais devastadoras da crise. Depois da primeira onda de demiss\u00f5es, especialmente nas montadoras e setores ligados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o foi momentaneamente estabilizada. Isso n\u00e3o se deve a nenhuma virtude, compet\u00eancia ou demonstra\u00e7\u00e3o de habilidade do governo de plant\u00e3o, mas ao fato de que a nossa vez ainda n\u00e3o chegou. Antes de partir para o ataque direto contra os trabalhadores, a burguesia ainda tem uma importante carta na manga, o controle sobre o Estado, que lhe permite socializar indiretamente as conseq\u00fc\u00eancias da crise.<br \/>\n\tO Estado pode endividar-se, emitir t\u00edtulos, gastar reservas cambiais, ampliar o cr\u00e9dito, baixar os juros, fornecer dinheiro \u00e0s empresas e bancos com problemas, cortar investimentos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os p\u00fablicos, refor\u00e7ar os programas assistenciais para manter os mais pobres sob controle e consumindo, etc. Com pequenas varia\u00e7\u00f5es, essas t\u00eam sido as pol\u00edticas de todos os governos burgueses em face da crise, e o caso de Lula no Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Essa margem de manobra do Estado permite \u00e0 burguesia brasileira administrar a crise sem que os desequil\u00edbrios se tornem explosivos.<\/p>\n<p>\t1.4 A falsa recupera\u00e7\u00e3o e a propaganda governista<\/p>\n<p>\tO fato de que uma explos\u00e3o mais grave ainda n\u00e3o tenha acontecido est\u00e1 sendo interpretado pela propaganda governista como ind\u00edcio de que uma recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 vista. Os \u00edndices econ\u00f4micos oficiais apresentam um cen\u00e1rio est\u00e1vel, sen\u00e3o r\u00f3seo. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Minist\u00e9rio do Trabalho, houve uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,15% entre o n\u00famero de admiss\u00f5es e desligamentos no primeiro quadrimestre do ano. Segundo o DIEESE, o desemprego nas principais regi\u00f5es metropolitanas mais o Distrito Federal ficou em 15,3% em abril. A infla\u00e7\u00e3o medida pelo mesmo organismo ficou em 1,43% entre janeiro e abril de 2009.<br \/>\n\tEssa situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 que n\u00e3o parece ser muito ruim, considerando-se a amea\u00e7a de uma crise catastr\u00f3fica que paira no horizonte. \u00c9 preciso considerar por\u00e9m o fato de que, segundo o mesmo DIEESE, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio (que constitucionalmente deve cobrir as despesas do trabalhador e sua fam\u00edlia com alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, higiene, moradia, transporte, lazer e previd\u00eancia) deveria estar na casa de R$ 1.972,64 \u2013 sendo que a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do trabalhador nas regi\u00f5es metropolitanas (ou seja, onde a renda \u00e9 mais alta) est\u00e1 em R$ 1.240,00 \u2013 e o sal\u00e1rio m\u00ednimo oficial est\u00e1 em apenas R$ 465,00. Ou seja, a maior parte dos trabalhadores sobrevive com muito menos do que o m\u00ednimo necess\u00e1rio.\tEsse aperto imposto aos trabalhadores \u00e9 o segredo para a recupera\u00e7\u00e3o da economia capitalista. O aperto permite aumentar a taxa de lucro num momento em que h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o da massa de mais-valia por conta das quedas na produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tPara completar a propaganda governista, entram em cena os n\u00fameros das bolsas de valores, que h\u00e1 alguns meses t\u00eam apresentado altas significativas. O Ibovespa fechou o m\u00eas de maio aos 53.198 pontos, praticamente o mesmo n\u00edvel de agosto de 2008 (55.680), imediatamente antes da eclos\u00e3o da crise. Da mesma forma, o d\u00f3lar tamb\u00e9m chegou a uma cota\u00e7\u00e3o (R$ 1,970 em maio) praticamente id\u00eantica \u00e0 de agosto de 2008 (R$ 1,905). Os \u00edndices das bolsas s\u00e3o tomados como indicadores da sa\u00fade do conjunto da economia, quando na realidade indicam apenas as expectativas de lucro dos capitalistas, as quais est\u00e3o momentaneamente elevadas por conta do empenho do governo em ajudar as grandes empresas. N\u00e3o h\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o real e duradoura, mas um simples reflexo das pol\u00edticas governamentais para salvar o capital.<br \/>\n\tEssa pol\u00edtica envolve medidas como o pacote da habita\u00e7\u00e3o, que vai simplesmente desviar dinheiro do FGTS dos trabalhadores para as construtoras em apuros, sem qualquer tra\u00e7o de um projeto de reforma urban\u00edstica estrutural, que envolva, al\u00e9m da moradia de qualidade, obras de saneamento, infra-estrutura, transporte p\u00fablico, equipamentos p\u00fablicos de lazer, etc. H\u00e1 tamb\u00e9m atos puramente demag\u00f3gicos, como a troca do presidente do Banco do Brasil por um nome mais afinado com a queda dos juros, mas que est\u00e1 longe de representar uma mudan\u00e7a real na atual pol\u00edtica de um banco de mercado, em dire\u00e7\u00e3o a um banco verdadeiramente p\u00fablico e de fomento.<\/p>\n<p>\t1.5 As disputas pol\u00edticas<\/p>\n<p>\tDiante da generaliza\u00e7\u00e3o da crise internacional, a tend\u00eancia \u00e9 de que haja uma agudiza\u00e7\u00e3o da luta de classes, que se reflete num acirramento da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Tragicamente, a classe trabalhadora est\u00e1 desprovida de uma alternativa pol\u00edtica para a luta. No plano ideol\u00f3gico, a consci\u00eancia mais geral da classe que permanece prisioneira da id\u00e9ia de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d ao capitalismo, \u00e0 propriedade privada, \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, etc. No plano organizativo, n\u00e3o h\u00e1 um partido ou movimento social com representatividade e inser\u00e7\u00e3o de massa suficiente para se apresentar como dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tNo Brasil, a maior parte da classe permance reconhecendo Lula como sua dire\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica de Lula \u00e9 parte de uma l\u00f3gica geral de funcionamento das burocracias. Num cen\u00e1rio de crise, a dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica tende a acentuar seus tra\u00e7os de substitu\u00edsmo social, resalvadas as diferen\u00e7as de condi\u00e7\u00f5es sociais e regimes pol\u00edticos em que cada burocracia opera. A burocracia pode em determinados momentos ser a melhor gestora dos interesses do capital, como \u00e9 na China. Entretanto, ela n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea com a burguesia e pode realizar algumas diferencia\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas limitadas em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo. A burocracia pode diminuir o ritmo da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, como est\u00e1 fazendo o governo cubano, ou mesmo realizar estatiza\u00e7\u00f5es, como est\u00e1 fazendo Ch\u00e1vez.<br \/>\n\tEntretanto, o fundamental para todas as burocracias \u00e9 impedir o desenvolvimento de uma alternativa independente pr\u00f3pria da classe trabalhadora, o que as leva a se tornar mais repressivas e autorit\u00e1rias contra as greves e lutas dos trabalhadores. Ao mesmo tempo que aumenta o autoritarismo, a burocracia trabalha em diversas outras frentes para se aferrar no controle do Estado. De um lado, continua o assistencialismo, para manter o controle sobre o curral eleitoral formado pelos setores mais pauperizados da classe, que fornecem o respaldo social e a legitimidade pol\u00edtica da burocracia. De outro lado, realizam-se algumas medidas econ\u00f4micas anti-c\u00edclicas, como o ensaio de retomada do PAC, o pacote habitacional, benef\u00edcios para grandes empresas e setores m\u00e9dios da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tPara completar o pacote, a burocracia lan\u00e7a m\u00e3o de uma ofensiva ideol\u00f3gica de \u201cesquerdismo reciclado\u201d, que se d\u00e1 por meio da propaganda do estatismo. \u00c9 o caso da campanha do PT em defesa da Petrobr\u00e1s, que \u00e9 na verdade uma tentativa de evitar que a direita jogue no ventilador via CPI a gest\u00e3o corrupta do governo Lula. \u00c9 tamb\u00e9m o caso da troca do presidente do BB a pretexto de for\u00e7ar a baixa dos juros, sem que na verdade tenha mudado nada na gest\u00e3o do Banco. Da mesma forma, Lula faz discursos nos f\u00f3runs internacionais contra os abusos do capitalismo, contra o neoliberalismo, em defesa da regulamenta\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, etc., como se n\u00e3o estivesse realizando h\u00e1 seis anos um governo completamente servil aos mesmos interesses que precipitaram a crise.<br \/>\n\tAo mesmo tempo em que Lula realiza essas manobras demag\u00f3gicas, a direita tenta antecipar a disputa eleitoral, explorando o fato de que Lula n\u00e3o disp\u00f5e de um substituto \u00e0 altura no interior do seu campo de apoio. Entretanto, os ataques da direita n\u00e3o colam no presidente, que mant\u00e9m margens estratosf\u00e9ricas de popularidade.<br \/>\n\tA despeito disso tudo, a crise tem provocado a eclos\u00e3o de lutas, ainda limitadas. Se \u00e9 correto dizer que a crise n\u00e3o chegou ao Brasil com todo seu impacto, tamb\u00e9m \u00e9 fato que a crise j\u00e1 provocou respostas por parte dos trabalhadores. Nos \u00faltimos meses aconteceram greves importantes, como a dos ferrovi\u00e1rios do Rio, dos servidores da USP, dos trabalhadores da Sabesp, dos funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos da Caixa Econ\u00f4mica Federal, de v\u00e1rias categorias de servidores p\u00fablicos, estaduais e municipais, em especial da educa\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rios estados do norte e nordeste (Par\u00e1, Roraima, Piau\u00ed, Para\u00edba e Cear\u00e1).<\/p>\n<p>\t2 SITUA\u00c7\u00c3O DA CATEGORIA<\/p>\n<p>\t2.1 Hist\u00f3ria recente da categoria banc\u00e1ria<\/p>\n<p>\tA hist\u00f3ria recente da categoria banc\u00e1ria se divide em antes e depois da hist\u00f3rica greve nacional de 30 dias em 2004 (que j\u00e1 tinha tido uma pr\u00e9via na greve dos bancos federais em 2003). Naquela ocasi\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o oficial do movimento (ent\u00e3o chamada CNB-CUT, hoje Contraf-CUT) tentou aprovar um acordo rebaixado que foi repudiado pelas bases, as quais desencadearam uma greve (contra a vontade dessa dire\u00e7\u00e3o e passando por cima dela) que teve f\u00f4lego para se manter por 30 dias.<br \/>\n\tO principal fruto daquela greve hist\u00f3rica foi a forma\u00e7\u00e3o do Movimento Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria \u2013 MNOB \u2013 o qual aglutinava os setores combativos que estiveram \u00e0 frente dos piquetes e garantiram a greve contra a dire\u00e7\u00e3o oficial cutista. Desde ent\u00e3o, o MNOB tem protagonizado todos os principais enfrentamentos da categoria, estando \u00e0 frente das greves, das lutas cotidianas, dos enfrentamentos motivados pelas quest\u00f5es espec\u00edficas de cada segmento da categoria; e tamb\u00e9m montando chapas combativas para a disputa dos sindicatos e outras entidades representativas dos trabalhadores.<br \/>\n\tPor outro lado, desde 2004, n\u00e3o se produziu novamente uma converg\u00eancia entre a pol\u00edtica de mobiliza\u00e7\u00e3o do MNOB e a participa\u00e7\u00e3o da base, que pudesse resultar num movimento que tivesse a for\u00e7a demonstrada naquele ano. A experi\u00eancia daquela greve, se por um lado forneceu os ativistas que construiriam o MNOB, por outro lado fez tamb\u00e9m com que um amplo setor da categoria se tornasse descrente em rela\u00e7\u00e3o ao movimento sindical e deixasse de aderir \u00e0s greves nos anos seguintes. Uma boa parte da base passou a identificar os sindicatos e os movimentos grevistas com a sua dire\u00e7\u00e3o de plant\u00e3o, a Articula\u00e7\u00e3o \u2013 PT (setor majorit\u00e1rio da Contraf \u2013 CUT), que sistematicamente traiu, sabotou e desconstruiu todas as greves e lutas da categoria desde ent\u00e3o.<br \/>\n\tA Articula\u00e7\u00e3o desenvolveu uma pol\u00edtica de desmobiliza\u00e7\u00e3o das lutas, esvaziamento dos f\u00f3runs do movimento, burocratiza\u00e7\u00e3o das assembl\u00e9ias, dispers\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o dos organismos de base (como os encontros de delegados sindicais \u2013 representantes dos locais de trabalho \u2013 tornados puramente \u201cconsultivos\u201d, ou seja, decorativos), descumprimento dos encaminhamentos que contrariassem sua pol\u00edtica, etc. Tudo isso, somado \u00e0 repress\u00e3o dos bancos e do governo (desconto dos dias parados no BB e na CEF, persegui\u00e7\u00e3o aos grevistas, comissionamento dos n\u00e3o-grevistas) influenciaram para diminuir a mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria.<br \/>\n\tChegamos ent\u00e3o a um impasse em que o MNOB e setores de oposi\u00e7\u00e3o continuam ativos e atuantes, contando com o respaldo e o reconhecimento de um setor da base, mas sua atividade n\u00e3o tem sido suficiente para trazer uma quantidade maior de trabalhadores para a luta, sem os quais n\u00e3o se poder\u00e1 romper o controle absoluto da Articula\u00e7\u00e3o sobre o movimento.<br \/>\n\t\u00c9 preciso tamb\u00e9m tocar na quest\u00e3o da forma de funcionamento do MNOB, que ao longo dos \u00faltimos anos experimentou um progressivo esvaziamento, deixando de contar com a amplitude e diversidade de for\u00e7as pol\u00edticas e militantes independentes que o compunham na sua origem. Esse esvaziamento tem a ver certamente com o refluxo das lutas e o ceticismo que se instalou em setores da categoria. Mas tamb\u00e9m tem a ver com as rupturas pol\u00edticas de setores que deixaram de se sentir representados pelo MNOB ou discordam da metodologia com a qual o movimento \u00e9 conduzido pela corrente pol\u00edtica majorit\u00e1ria.<br \/>\n\tTodos esses elementos precisam ser levados em considera\u00e7\u00e3o na tentativa de elaborar propostas para a estrutura\u00e7\u00e3o de uma oposi\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria nacional que seja realmente representativa e capaz de oferecer \u00e0 categoria uma alternativa contra o controle do movimento pela Articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\t2.2 Formato das \u00faltimas campanhas salariais<\/p>\n<p>\tDe modo geral, as \u00faltimas campanhas salariais conduzidas pela Articula\u00e7\u00e3o seguem um mesmo padr\u00e3o.<br \/>\n\tO ponto de partida \u00e9 a inexist\u00eancia de trabalho de base, em especial nos bancos privados. A dire\u00e7\u00e3o do movimento desenvolve uma rela\u00e7\u00e3o exterior com a categoria, n\u00e3o participando de seu dia a dia, comparecendo apenas nas campanhas salariais ou nas elei\u00e7\u00f5es para os sindicatos. No restante do tempo, o sindicato funciona apenas como um escrit\u00f3rio burocr\u00e1tico que homologa as demiss\u00f5es, encaminha algumas quest\u00f5es judiciais e de brinde oferece a\u00e7\u00f5es assistenciais, conv\u00eanios, etc. Nos bancos federais, existem formalmente os f\u00f3runs de delegados sindicais, que entretanto n\u00e3o t\u00eam car\u00e1ter deliberativo, n\u00e3o se re\u00fanem com regularidade, n\u00e3o se organizam de forma independente e s\u00e3o desrespeitados quando conseguem aprovar propostas contr\u00e1rias \u00e0 dire\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o as encaminham. As assembl\u00e9ias s\u00e3o t\u00e3o burocratizadas que traumatizam os poucos trabalhadores de base que eventualmente comparecem, o que faz com que seja extremamente dif\u00edcil convenc\u00ea-los a participar de atividades do sindicato ou greves.<br \/>\n\tDado esse cen\u00e1rio, n\u00e3o existe interfer\u00eancia da base na vida dos sindicatos, que assim ficam de m\u00e3os livres para aplicar a pol\u00edtica que lhes interessa. A pol\u00edtica da Articula\u00e7\u00e3o (j\u00e1 h\u00e1 muitos anos) \u00e9 de n\u00e3o enfrentar os banqueiros, e desde o governo Lula, passou a ser tamb\u00e9m de poupar o governo, patr\u00e3o dos bancos p\u00fablicos (ali\u00e1s, Lula e os banqueiros tem sido aliados insepar\u00e1veis).<br \/>\n\tNas campanhas salariais, essa pol\u00edtica se concretiza por meio de minutas de reivindica\u00e7\u00f5es rebaixadas. Essas minutas s\u00e3o constru\u00eddas em congressos ultra-burocratizados, dos quais s\u00f3 participam dirigentes sindicais, escolhidos em assembl\u00e9ias esvaziadas. No curso das campanhas, n\u00e3o se realizam assembl\u00e9ias, plen\u00e1rias, mobiliza\u00e7\u00f5es, os atos s\u00e3o apenas de fachada, em que punhados de dirigentes sindicais aparecem na porta de alguma ag\u00eancia ou concentra\u00e7\u00e3o para tirar fotos e aparecer nas suas publica\u00e7\u00f5es como \u201clutadores\u201d (publica\u00e7\u00f5es ali\u00e1s nas quais n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para express\u00e3o da base ou de outras correntes pol\u00edticas).<br \/>\n\tEm caso de greve, os sindicatos n\u00e3o mobilizam, n\u00e3o oferecem infra-estrutura, n\u00e3o disponibilizam faixas, adesivos, cartazes, carros de som, piqueteiros, n\u00e3o organizam atos e passeatas, etc. Nos bancos privados n\u00e3o h\u00e1 ades\u00e3o a partir de dentro e a greve \u00e9 tamb\u00e9m uma farsa, quando algum piqueteiro, em geral funcion\u00e1rio de banco p\u00fablico, coloca um adesivo na fachada da ag\u00eancia, barrando parte dos clientes (de baixa renda), sem impedir que os funcion\u00e1rios continuem trabalhando l\u00e1 dentro. Apesar da exist\u00eancia de uma minoria mais ativa e consciente de funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos, que pode ou n\u00e3o estar disposta a fazer piquetes, a maioria dos grevistas faz \u201cgreve de pijama\u201d, limitando-se a n\u00e3o ir trabalhar e nem sequer indo nas assembl\u00e9ias. Os piquetes e paraliza\u00e7\u00f5es mais fortes se limitam \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es de bancos p\u00fablicos nos centros das maiores cidades.<br \/>\n\tNossas greves tem sido assim meras simula\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o afetam o funcionamento dos bancos, a continuidade de seus lucros, e quando muito acarretam algum dano na sua imagem perante o p\u00fablico. A falta de di\u00e1logo do movimento sindical com a classe trabalhadora faz com que a maioria se coloque contra as greves, o que resulta em danos \u00e0 imagem dos banc\u00e1rios, j\u00e1 que a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda passa a nos considerar um bando de \u201cmaraj\u00e1s\u201d e \u201cvagabundos\u201d.<br \/>\n\tPara completar, a Articula\u00e7\u00e3o encerra a \u201cgreve\u201d com uma assembl\u00e9ia em que h\u00e1 presen\u00e7a maci\u00e7a de gerentes e fura-greves (convocada providencialmente em hor\u00e1rio especialmente adequado para que esses setores compare\u00e7am), os quais s\u00e3o maioria em rela\u00e7\u00e3o aos grevistas, piqueteiros e ativistas, para aprovar um acordo rebaixado que j\u00e1 havia sido combinado desde o in\u00edcio da pantomima.<br \/>\n\tO problema da categoria vai portanto muito al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o de plant\u00e3o nos sindicatos, a qual \u00e9 traidora e burocr\u00e1tica, mas requer um trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o da identidade do trabalhador, da sua perspectiva de classe, da id\u00e9ia de mobiliza\u00e7\u00e3o e luta. Isso envolve a retomada de um trabalho estrutural, de base e ideol\u00f3gico muito bem feito para disputar a consci\u00eancia da categoria n\u00e3o apenas com a burocracia, mas com a patronal, a burguesia e o governo, n\u00e3o apenas nas campanhas salariais ou elei\u00e7\u00f5es de sindicatos e entidades, mas no dia a dia.<\/p>\n<p>\t2.3 Os banc\u00e1rios, os bancos e a sociedade<\/p>\n<p>\tO setor banc\u00e1rio brasileiro emprega cerca de 400 mil trabalhadores. Esse n\u00famero n\u00e3o inclui os cerca de 200 mil terceirizados que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos como banc\u00e1rios pela patronal, pelo governo e pela dire\u00e7\u00e3o oficial do movimento sindical, o qual se abst\u00e9m da tarefa para n\u00f3s fundamental de organizar tamb\u00e9m esse setor (com base na premissa a ser regatada de que \u201cquem trabalha em banco, banc\u00e1rio \u00e9\u201d). Paralelamente a isso, est\u00e1 acontecendo uma dilui\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es do trabalhador banc\u00e1rio, as quais est\u00e3o sendo assumidas pelos chamados \u201ccorrespondentes banc\u00e1rios\u201d (lot\u00e9ricas, correios, supermercados, farm\u00e1cias, etc.).<br \/>\n\tA terceiriza\u00e7\u00e3o e o uso de correspondentes banc\u00e1rios s\u00e3o recursos que tem sido usados pela patronal para escamotear a necessidade de contratar funcion\u00e1rios, deixando de pagar os sal\u00e1rios e benef\u00edcios legalmente assegurados \u00e0 categoria e despejando sobre os banc\u00e1rios restantes uma sobrecarga de servi\u00e7os. A automa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, da qual os grandes bancos brasileiros se orgulham de estar na vanguarda da tecnologia mundial, tem substitu\u00eddo uma parte do servi\u00e7o antes realizado por banc\u00e1rios (cerca de 90% das opera\u00e7\u00f5es antes realizadas por caixas hoje s\u00e3o feitas via internet ou caixas eletr\u00f4nicos). Entretanto, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o o aumento do grau de \u201cbancariza\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, da quantidade de pessoas que passaram a ter contas banc\u00e1rias e necessitar de opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias. Grosso modo, o aumento da bancariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 compensado pelo da automa\u00e7\u00e3o, de modo que aumenta a sobrecarga de servi\u00e7o e a explora\u00e7\u00e3o sobre os banc\u00e1rios remanescentes (e os terceirizados e correspondentes).<\/p>\n<p>\t2.3 Distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e pol\u00edtica da categoria<\/p>\n<p>\t2.3.1 A Articula\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>\tDaquele total de 400 mil banc\u00e1rios (\u201coficialmente\u201d reconhecidos como tais) no pa\u00eds, mais de 100 mil trabalham na base do sindicato de S\u00e3o Paulo, Osasco e regi\u00e3o. Desses mais de 100 mil, cerca de 15 mil pertencem ao BB e CEF e os restantes aos bancos privados (esse n\u00famero deve mudar um pouco com a incorpora\u00e7\u00e3o da Nossa Caixa Nosso Banco pelo BB, uma vez que o banco estadual conta com cerca de 15 mil funcion\u00e1rios no Estado e fora dele, o que deve resultar em alguns milhares na base sindical da capital). A Articula\u00e7\u00e3o tem como sua base social e pol\u00edtica os bancos privados, em que est\u00e1 a grande maioria dos cerca de 45 mil s\u00f3cios com direito a voto nas elei\u00e7\u00f5es sindicais.<br \/>\n\tNo setor de de bancos privados, a dire\u00e7\u00e3o desenvolve o sindicalismo de tipo mais rebaixado, conforme mencionamos antes, alheio ao dia a dia dos trabalhadores, voltado para o assistencialismo, conv\u00eanios, etc.  N\u00e3o h\u00e1 luta pela estabilidade dos trabalhadores, por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, contra o ass\u00e9dio moral, etc. O resultado \u00e9 que esses trabalhadores vivem sob permanente amea\u00e7a de demiss\u00e3o, em constante sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, de modo que n\u00e3o se mobilizam nas campanhas salariais, n\u00e3o enfrentam as empresas por conta das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e se submetem \u00e0 ideologia da patronal de tentar fazer carreira dentro da institui\u00e7\u00e3o. Esse setor registra tamb\u00e9m uma alta rotatividade: a maioria trabalha em banco apenas enquanto paga uma faculdade ou estuda para um concurso p\u00fablico. Isso faz com que tenham uma rela\u00e7\u00e3o muito d\u00e9bil com a categoria, permitindo que os ataques da patronal e os retrocessos nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho sejam impostos de ano para ano.<br \/>\n\tNos bancos p\u00fablicos, em fun\u00e7\u00e3o das trai\u00e7\u00f5es das \u00faltimas campanhas salariais, os funcion\u00e1rios novos (que j\u00e1 s\u00e3o maioria nesses bancos) em sua maioria n\u00e3o se sindicalizam, de modo que apenas uma pequena minoria se mant\u00e9m associada. Mesmo que todos os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos fossem sindicalizados (a tend\u00eancia atual \u00e9 o contr\u00e1rio) e 100% deles votassem numa chapa de oposi\u00e7\u00e3o, ainda seriam minoria em rela\u00e7\u00e3o aos funcion\u00e1rios de bancos privados. A participa\u00e7\u00e3o em greves n\u00e3o depende de sindicaliza\u00e7\u00e3o, mas a vota\u00e7\u00e3o que elege a diretoria do sindicato ou a elegibilidade para a condi\u00e7\u00e3o de delegados sindical exigem associa\u00e7\u00e3o,  o que d\u00e1 uma confort\u00e1vel margem para que o atual grupo dirigente se mantenha no poder.<br \/>\n\tDada essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na base de S\u00e3o Paulo, a Articula\u00e7\u00e3o se perpetua elei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s elei\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o do sindicato e realiza ano ap\u00f3s ano campanhas salariais cada vez mais farsescas. O controle desse grupo sobre o aparato sindical lhe permite transformar um organismo de luta dos trabalhadores em um verdadeiro conglomerado empresarial, com ramifica\u00e7\u00f5es como a Bangraf (parque gr\u00e1fico com capacidade industrial equivalente ao de um jornal de grande porte, usado para imprimir materiais do PT e da CUT usados no pa\u00eds inteiro); a Bancredi (cooperativa de cr\u00e9dito que faz empr\u00e9stimos para banc\u00e1rios, o que representa no m\u00ednimo um ser\u00edssimo conflito de interesse para uma institui\u00e7\u00e3o que deveria ter como finalidade lutar por aumento de sal\u00e1rios); e a Bancoop (cooperativa habitacional envolvida em esc\u00e2ndalo policial pela n\u00e3o entrega de im\u00f3veis pagos pelos cooperados e desvio de dinheiro para campanhas eleitorais do PT).<br \/>\n\tPara completar, a Articula\u00e7\u00e3o usa ainda sua prerrogativa de controlar as institui\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para galgar postos de dire\u00e7\u00e3o nos fundos de pens\u00e3o dos trabalhadores de bancos p\u00fablicos (Previ, Funcef), o que lhe granjeia cargos nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o das empresas em que os fundos tem participa\u00e7\u00e3o, entre as quais algumas das maiores empresas brasileiras (Vale, Embraer). Esse processo deu um salto de qualidade com a chegada de Lula ao governo em 2003, de modo que os ex-dirigentes sindicais se tornaram co-gestores dos interesses do capital, convertendo seus prepostos que os substitu\u00edram no movimento sindical em defensores diretos dos interesses da burguesia e do aparato de Estado.<\/p>\n<p>\t2.3.2 A Oposi\u00e7\u00e3o nacionalmente<\/p>\n<p>\tO enorme poder pol\u00edtico e financeiro do grupo dirigente no sindicato de S\u00e3o Paulo lhe permite determinar a linha pol\u00edtica dos demais sindicatos dirigidos pela Articula\u00e7\u00e3o e seus sat\u00e9lites no pa\u00eds. Desde a d\u00e9cada de 1990 o setor hegem\u00f4nico do PT e da CUT tem transformado os organismos de luta dos trabalhadores em instrumentos de conten\u00e7\u00e3o das lutas, colabora\u00e7\u00e3o de classe com a burguesia e sustenta\u00e7\u00e3o eleitoral do PT. A partir da elei\u00e7\u00e3o de Lula, o centro da pol\u00edtica da Articula\u00e7\u00e3o enquanto preposto do PT no movimento sindical passou a ser o de impedir que os setores organizados da classe trabalhadora entrassem em luta contra o governo. Na categoria banc\u00e1ria, isso foi feito atrav\u00e9s da estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica da FENABAN, que se discutir\u00e1 na se\u00e7\u00e3o seguinte.<br \/>\n\tO controle da Articula\u00e7\u00e3o sobre as campanhas salariais s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior porque a base social que sustenta sua linha pol\u00edtica \u00e9 muito menor no restante do pa\u00eds do que \u00e9 em S\u00e3o Paulo. A distribui\u00e7\u00e3o num\u00e9rica dos trabalhadores de bancos p\u00fablicos e privados aparece invertida no restante do pa\u00eds. BB e CEF juntos tem quase 200 mil funcion\u00e1rios no pa\u00eds inteiro, quase metade do total nacional da categoria. Na maioria dos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos s\u00e3o maioria em rela\u00e7\u00e3o aos privados. Existe portanto uma maior possibilidade de mobiliza\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea das bases nesses Estados.<br \/>\n\tOnde as bases est\u00e3o mais mobilizadas, \u00e9 mais dif\u00edcil para a Articula\u00e7\u00e3o impor sua pol\u00edtica burocr\u00e1tica e governista. Existe uma press\u00e3o no interior da pr\u00f3pria Articula\u00e7\u00e3o para que as campanhas n\u00e3o sejam t\u00e3o farsescas quanto s\u00e3o em S\u00e3o Paulo, pois \u00e9 preciso mostrar algum servi\u00e7o para as bases. Existe inclusive uma maior receptividade para a pol\u00edtica do MNOB e de outros setores de oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o fato de que dois dos sindicatos j\u00e1 dirigidos pelo MNOB (RN e MA) sejam dessas regi\u00f5es.<br \/>\n\tEm v\u00e1rias das \u00faltimas campanhas salariais, a mobiliza\u00e7\u00e3o partiu dos outros Estados, for\u00e7ando S\u00e3o Paulo a entrar em greve e permanecendo em luta depois da dire\u00e7\u00e3o haver enterrado o movimento na capital paulista.<\/p>\n<p>\t2.4 A estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica<\/p>\n<p>\tA justificativa para a estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica seria a de p\u00f4r fim ao congelamento salarial sofrido pelos funcion\u00e1rios dos bancos p\u00fablicos durante o governo FHC, fazendo com que tivessem o mesmo reajuste concedido na FENABAN. Entretanto, ao fazer isso, a Articula\u00e7\u00e3o omitiu a quest\u00e3o crucial das perdas acumuladas durante o per\u00edodo FHC. Os reajustes concedidos durante o governo Lula passaram a ser chamados de \u201caumento real\u201d. Na realidade, esses aumentos mal cobrem a infla\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo e servem para escamotear  o problema das perdas acumuladas, que est\u00e3o por volta de 100% no BB e na CEF. A Articula\u00e7\u00e3o se recusa a reivindicar as perdas acumuladas ao governo Lula e atrela as cl\u00e1usulas econ\u00f4micas do acordo dos bancos p\u00fablicos, ou seja, reajuste, PLR, etc., aos \u00edndices discutidos na mesa da FENABAN. As mesas de negocia\u00e7\u00e3o espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos se convertem em \u201cgrupos de trabalho\u201d, \u201cnegocia\u00e7\u00e3o permanente\u201d, etc., nos quais as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos desaparecem numa \u201cenrola\u00e7\u00e3o permanente\u201d.<br \/>\n\tA estrat\u00e9gia da mesa \u00fanica faz com que os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos sejam obrigados a entrar em greve contra os bancos privados, para for\u00e7ar a FENABAN a conceder aumentos maiores. Na greve de 2004, banc\u00e1rios do BB e da CEF se desdobraram nos piquetes para paralisar ag\u00eancias de bancos privados. Entretanto, desde aquela campanha salarial, esse fen\u00f4meno n\u00e3o mais se repetiu. A trai\u00e7\u00e3o daquela greve e de todas as demais lutas da categoria fez com que uma boa parte dos funcion\u00e1rios dos bancos estatais deixassem de acreditar no movimento. A armadilha da mesa \u00fanica passou a ser um obst\u00e1culo decisivo contra a mobiliza\u00e7\u00e3o nos bancos p\u00fablicos. Os trabalhadores desse setor se recusam a fazer greve contra a FENABAN.<br \/>\n\tDesde 2004 o MNOB tem lutado pelo fim da mesa \u00fanica, propondo que a campanha seja unificada, mas com mesas de negocia\u00e7\u00e3o separadas, de forma que as quest\u00f5es espec\u00edficas de cada segmento da categoria possam ser discutidas diretamente com a patronal. No caso dos bancos p\u00fablicos, isso significa fazer reivindica\u00e7\u00f5es diretamente contra o governo Lula.<\/p>\n<p>\t2.5 A ideologia das solu\u00e7\u00f5es individuais<\/p>\n<p>\tA categoria banc\u00e1ria est\u00e1 hoje aprisionada na armadilha das solu\u00e7\u00f5es individuais. Os trabalhadores acreditam que o futuro de suas vidas est\u00e1 em adaptar-se \u00e0s exig\u00eancias dos bancos e tentar fazer carreira. Isso abre as portas para a tirania das administra\u00e7\u00f5es locais e o recrudescimento do ass\u00e9dio moral, al\u00e9m de dificultar a organiza\u00e7\u00e3o coletiva para as lutas. O individualismo se completa com o peleguismo, o puxa-saquismo, as panelinhas, as rivalidades, as intrigas, as fofocas, etc., pequenos sintomas de uma grande degenera\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho.<br \/>\n\tAl\u00e9m do individualismo, a disposi\u00e7\u00e3o de luta da categoria \u00e9 corro\u00edda pelo imediatismo das campanhas salariais, cujo exemplo central est\u00e1 na import\u00e2ncia que assumiram as participa\u00e7\u00f5es nos lucros. A Articula\u00e7\u00e3o conseguiu converter as campanhas salariais em campanhas por PLR. Ao longo do ano as contas dos trabalhadores se deterioram e tendem ao vermelho porque o sal\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 suficiente para as despesas mensais. Quando chega a proximidade da campanha salarial, a maior parte dos trabalhadores est\u00e1 ansiosa para que um acordo seja assinado o mais depressa poss\u00edvel para cobrir o cheque especial, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito ou o CDC.<br \/>\n\tEsse imediatismo impede que se perceba o X da quest\u00e3o, que \u00e9 a queda dos sal\u00e1rios. Ao longo dos anos, as perdas salariais se acumulam, mas isso n\u00e3o \u00e9 percebido porque os trabalhadores enxergam apenas o resultado imeditato da PLR na conta. Al\u00e9m disso, esquece-se o fato de que o aumento de sal\u00e1rio impacta em todas as outras verbas, como f\u00e9rias, 13\u00ba, INSS, FGTS, etc., enquanto a PLR tem um resultado ef\u00eamero nas contas, que se dissolve no ano seguinte.<br \/>\n\tMais grave do que isso, a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PLR legitima uma l\u00f3gica de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, em que o sal\u00e1rio do trabalhador passa a depender do lucro da empresa. Em tempos de crise econ\u00f4mica, a patronal tem um argumento para n\u00e3o aumentar sal\u00e1rio, n\u00e3o pagar PLR e ainda por cima aumentar a explora\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 preciso melhorar o resultado da empresa, e todos devem \u201cvestira a camisa\u201d, etc.<\/p>\n<p>\t2.6 Fun\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos<\/p>\n<p>\tEssa rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre remunera\u00e7\u00e3o e lucro que se construiu nos \u00faltimos anos \u00e9 muito mais absurda quando se considera a situa\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos, que n\u00e3o deveriam ter como fun\u00e7\u00e3o gerar lucros. Para questionar essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso questionar a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos. Essas institui\u00e7\u00f5es tem cada vez menos o car\u00e1ter p\u00fablico. O BB tem acionistas privados, inclusive estrangeiros, e tanto BB como CEF colocam seus funcion\u00e1rios para trabalhar para empresas coligadas vendendo seguros, planos de previd\u00eancia, capitaliza\u00e7\u00e3o, etc. A venda desses produtos consome a maior parte do trabalho dos funcion\u00e1rios das ag\u00eancias, servindo como crit\u00e9rio para as promo\u00e7\u00f5es e comissionamentos e como brecha para o ass\u00e9dio moral.<br \/>\n\tOs bancos federais tem sido usados para gerar lucros bilion\u00e1rios que n\u00e3o revertem em nenhum benef\u00edcio para a sociedade, a despeito do fato de que o Tesouro Nacional seja o seu acionista majorit\u00e1rio (o \u00fanico controlador no caso da CEF). A parcela dos lucros dos bancos p\u00fablicos apropriada pelo Tesouro \u00e9 desviada para o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, prioridade da gest\u00e3o dos governos burgueses na era neoliberal, de Collor a Lula. Ou seja, em \u00faltima inst\u00e2ncia, os funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos trabalham para aumentar os lucros dos especuladores.<br \/>\n\tAl\u00e9m de ter seu lucro apropriado pela burguesia financeira, os bancos p\u00fablicos deixam de ter a fun\u00e7\u00e3o de fomento. Os bancos p\u00fablicos sempre foram usados no Brasil para cobrir a incompet\u00eancia empresarial da burguesia nacional, conforme testemunham os hist\u00f3ricos calotes que os latifundi\u00e1rios espetaram no BB n\u00e3o muitos anos atr\u00e1s. A popula\u00e7\u00e3o mais pobre, em contrapartida, jamais teve acesso ao cr\u00e9dito com a mesma facilidade. Os bancos p\u00fablicos praticam os mesmos juros extorsivos do cartel dos bancos privados. A recente troca do presidente do BB tendo como pretexto o suposto desejo do governo federal de baixar os juros n\u00e3o passou de uma manobra publicit\u00e1ria. Internamente, nada mudou no Banco do Brasil em termos de objetivos de neg\u00f3cios e rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<br \/>\n\tO debate sobre o papel dos bancos p\u00fablicos precisa ser retomado junto \u00e0 sociedade. \u00c9 preciso disputar a consci\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o contra as id\u00e9ias de privatiza\u00e7\u00e3o que dominaram nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u00c9 preciso abrir o di\u00e1logo com os clientes e usu\u00e1rios, mostrando que os banc\u00e1rios est\u00e3o do seu lado na luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de atendimento, contrata\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios, etc. Essa \u00e9 uma tarefa que caberia ao movimento sindical, mas que foi abandonada pela Articula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tPor tudo isso, \u00e9 preciso retomar o debate sobre a fun\u00e7\u00e3o dos bancos p\u00fablicos na perspectiva da luta pela estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro.<\/p>\n<p>\t3 REIVINDICA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>\tO Banco do Brasil passou por uma violenta reestrutura\u00e7\u00e3o em 2007, a qual atingiu cirurgicamente a vanguarda das lutas dos anos anteriores. Diga-se de passagem, a reestrutura\u00e7\u00e3o foi implantada com a coniv\u00eancia da dire\u00e7\u00e3o oficial, que se absteve de lutar contra o processo e descumpriu os encaminhamentos do Encontro realizado em Bras\u00edlia para tentar organizar a defesa dos trabalhadores.<br \/>\n\tA reestrutura\u00e7\u00e3o intensificou o processo de \u201cBradescaliza\u00e7\u00e3o\u201d do BB, a sua transforma\u00e7\u00e3o num banco de mercado voltado para disputa com os bancos privados. O objetivo em longo prazo \u00e9 extinguir o setor de suporte operacional, terceirizar completamente suas fun\u00e7\u00f5es e manter no quadro do Banco apenas os setores voltados para vendas. A reestrutura\u00e7\u00e3o foi o primeiro grande passo na dire\u00e7\u00e3o desse projeto, que continua em implanta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\tOs eixos da reestrutura\u00e7\u00e3o foram:<br \/>\n\t&#8211; PAA, Plano de Aposentadoria Antecipada, que afastou do banco milhares de funcion\u00e1rios, muitos dos quais com uma experi\u00eancia de luta que vinha desde o ascenso dos anos 80 e que vinham sendo fundamentais para o \u00faltimo ciclo de greves;<br \/>\n\t&#8211; Fechamento de unidades inteiras, como a GEREL Campinas;<br \/>\n\t&#8211; Reforma estatut\u00e1ria da CASSI, desobrigando o Banco de se comprometer com a sa\u00fade dos funcion\u00e1rios, aprovada por meio de uma campanha de vota\u00e7\u00e3o terrorista no pr\u00f3prio sistema do Banco e com a participa\u00e7\u00e3o ativa dos sindicatos dirigidos pela Articula\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\t&#8211; PEE, processamento eletr\u00f4nico de envelopes, in\u00edcio da terceiriza\u00e7\u00e3o dos caixas;<br \/>\n\t&#8211; Redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos caixas em quase dois ter\u00e7os. \u00c9 sempre importante lembrar que os caixas foram a vanguarda das \u00faltimas greves, s\u00e3o a maioria dos delegados sindicais em ag\u00eancias e agora est\u00e3o numericamente reduzidos e funcionalmente isolados, como se fossem \u201calien\u00edgenas\u201d nas ag\u00eancias, o que dificulta sobremaneira o trabalho pol\u00edtico e a organiza\u00e7\u00e3o no local de trabalho.<br \/>\n\tEntretanto, al\u00e9m do ataque sobre os caixas e funcion\u00e1rios antigos, a reestrutura\u00e7\u00e3o continha tamb\u00e9m uma faceta \u201cbenigna\u201d para um outro setor de vanguarda, os escritur\u00e1rios que foram comissionados como assistentes de neg\u00f3cios. Essa estrat\u00e9gia foi uma tentativa expl\u00edcita de coopta\u00e7\u00e3o da vanguarda pela patronal. Uma boa parte desses novos assistentes de neg\u00f3cios passou a ver a comiss\u00e3o como um favor devido aos administradores, e para n\u00e3o se indispor com a ger\u00eancia, deixou de fazer greve. Hoje os caixas e escritur\u00e1rios s\u00e3o numericamente uma minoria na maior parte das ag\u00eancias, que podem funcionar normalmente sem eles em caso de greve.<br \/>\n\tPara completar a reestrutura\u00e7\u00e3o, prepara-se uma nova rodada de redu\u00e7\u00e3o dos caixas, por meio do PSO, que desvincula os funcion\u00e1rios do prefixo das ag\u00eancias e os transforma em caixas volantes, ou seja, flutuantes, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de uma central que vai distribu\u00ed-los conforme a demanda do dia.<\/p>\n<p>BB<br \/>\nReposi\u00e7\u00e3o de perdas<br \/>\nIsonomia<br \/>\nPagamento das substitui\u00e7\u00f5es<br \/>\nFim do PSO\/USO<br \/>\nFim das metas e do ass\u00e9dio moral<br \/>\nRespeito \u00e0 jornada de 6 horas<br \/>\nResgate da CASSI<br \/>\nPlano odontol\u00f3gico<\/p>\n<p>Categoria<br \/>\nFim da Mesa \u00danica: Campanha Unificada e mesas separadas<br \/>\nEstabilidade<br \/>\nDelegados sindicais nos bancos privados<br \/>\nFim dos correspondentes banc\u00e1rios<br \/>\nFim das terceiriza\u00e7\u00f5es<br \/>\nContrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios<\/p>\n<p>4 ORGANIZA\u00c7\u00c3O INTERNA DO MNOB<\/p>\n<p>Estatuto<br \/>\nPrograma<br \/>\nAuto-financiamento<br \/>\nAutonomia (inst\u00e2ncias pr\u00f3prias)<br \/>\nA\u00e7\u00e3o de base<br \/>\nOrganiza\u00e7\u00e3o no local de trabalho<br \/>\nMandatos revog\u00e1veis<br \/>\nRod\u00edzios<br \/>\nVeto a reelei\u00e7\u00f5es indefinidas<br \/>\nTarefas determinadas<br \/>\nTranspar\u00eancia<br \/>\nPresta\u00e7\u00e3o de contas<br \/>\nRegularidade<br \/>\nDemocracia<\/p>\n<p>\tO fechamento da campanha salarial deste ano tamb\u00e9m fecha um ciclo no movimento. O MNOB, consolidado na rebeli\u00e3o de base na greve hist\u00f3rica de 30 dias em 2004, j\u00e1 n\u00e3o tem a mesma for\u00e7a na categoria. Muitas vezes, a categoria nos v\u00ea como \u201cvoc\u00eas do sindicato\u201d, ou seja, como partes da mesma m\u00e1quina. Quando entendem que n\u00e3o somos dirigentes sindicais, imaginam que o MNOB funciona como se fosse um sindicato paralelo, como se seus integrantes estivessem liberados do trabalho para tarefas pol\u00edticas. O MNOB ainda n\u00e3o \u00e9 uma dire\u00e7\u00e3o alternativa para a categoria, mas \u00e9 exigido como se fosse. Somos cobrados pela base como se tiv\u00e9ssemos infra-estrutura, log\u00edstica e finan\u00e7as para \u201cconcorrer\u201d com a Articula\u00e7\u00e3o, como se tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es de imprimir e distribuir boletins para responder \u00e0 Folha Banc\u00e1ria do sindicato, etc.<br \/>\n\tIsso significa que a categoria na pr\u00e1tica n\u00e3o sabe o que \u00e9 o MNOB. Os trabalhadores v\u00eaem o movimento como um corpo \u00e0 parte, uma entidade destacada do conjunto da categoria. Os banc\u00e1rios n\u00e3o v\u00eaem a si pr\u00f3prios como Oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entendem que o MNOB s\u00f3 pode ter alguma for\u00e7a atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria base. Ao inv\u00e9s de participar, esperam que montemos uma estrutura para \u201co seu bem\u201d. Em outras palavras, a categoria ainda n\u00e3o se v\u00ea como o principal  respons\u00e1vel pela sua emancipa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o entende como uma tarefa sua o desafio de expurgar do sindicato a Articula\u00e7\u00e3o e seus pelegos, burocratas, governistas e agentes da patronal. Vive-se uma situa\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o da categoria diante do MNOB.<br \/>\n\tDiante deste quadro, cabe-nos fazer um bala\u00e7o profundo, fraterno e franco com os companheiros sobre a nossa atua\u00e7\u00e3o e sobre o que podemos fazer para que o MNOB seja de fato o conjunto da categoria banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>\tProblemas da Oposi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\tPriorizar as elei\u00e7\u00f5es sindicais \u2013 O MNOB \u00e9 visto como um corpo \u00e0 parte do restante da categoria porque na maior parte das vezes se apresenta apenas como uma chapa de oposi\u00e7\u00e3o para a disputa de elei\u00e7\u00f5es sindicais e de entidades representativas. O MNOB s\u00f3 aparece na \u00e9poca das campanhas salariais e das elei\u00e7\u00f5es de entidades. No restante do ano, ele n\u00e3o existe. A inexist\u00eancia do MNOB na maior parte do ano faz com que a sua atividade seja sempre reativa, jamais pr\u00f3-ativa. O MNOB somente tenta responder aos fatos, jamais se antecipa a eles. Embora esteja presente em todas as lutas, n\u00e3o \u00e9 capaz de conduz\u00ed-las para a vit\u00f3ria, pois n\u00e3o acumula massa cr\u00edtica suficiente para inverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor da categoria.<br \/>\n\tN\u00e3o se trata aqui de propor a aus\u00eancia do MNOB das elei\u00e7\u00f5es sindicais, mas de desenvolver um projeto estrat\u00e9gico que fa\u00e7a das campanhas eleitorais um instrumento para fortalecer o movimento na base, com vistas \u00e0s lutas cotidianas da categoria e aos processos de longo prazo da luta de classes. A prioridade dada para as disputas superestruturais, sem um projeto estrat\u00e9gico claro, impediu que o MNOB desenvolvesse um trabalho estrutural de educa\u00e7\u00e3o da base e eleva\u00e7\u00e3o da sua consci\u00eancia.<br \/>\n\tAus\u00eancia de organicidade \u2013 Aquilo que chamamos de inexist\u00eancia do MNOB na maior parte do ano se traduz pela aus\u00eancia de reuni\u00f5es. A falta de uma periodicidade das reuni\u00f5es impede que os problemas sejam conhecidos de todos, que o debate se realize, que as propostas sejam refinadas, que as tarefas sejam distribu\u00eddas, que exista controle e balan\u00e7o das atividades. Aquilo que era a panac\u00e9ia de todos os males num determinado momento, como a proposta de forma\u00e7\u00e3o de uma Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Banc\u00e1rios, no momento seguinte \u00e9 esquecido como se jamais tivesse existido, pois \u00e9 preciso correr atr\u00e1s de uma nova panac\u00e9ia salvadora. A cada retomada do movimento, o MNOB \u00e9 obrigado a reinventar a roda, redistribuir tarefas, refazer cadastros, retomar as finan\u00e7as, que jamais deveriam ter parado de funcionar.<br \/>\n\tEssa aus\u00eancia de organicidade se reflete na diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de militantes. N\u00e3o se trata apenas de um \u201crefluxo\u201d da categoria. Trata-se de um estranhamento da base com o Movimento, que o enxerga como algo \u00e0 parte. Embora o MNOB esteja sempre presente nas lutas da categoria, n\u00e3o se acumula um saldo organizativo para os pr\u00f3ximos embates. O resultado disso foram as diversas defec\u00e7\u00f5es do Movimento, que o reduziram praticamente \u00e0 mesma vanguarda combativa pr\u00e9-2004. Com a sa\u00edda de militantes e a falta de novos ativistas, sobrecarregam-se aqueles que ficaram para tentar realizar as mesmas tarefas.<br \/>\n\tFalta de um projeto estrat\u00e9gico \u2013 O projeto estrat\u00e9gico do MNOB deve ir al\u00e9m das campanhas salariais e das campanhas eleitorais dos sindicatos. Precisa ter como horizonte preparar a categoria para os enfrentamentos mais globais da luta de classes. Precisa desenvolver na categoria uma consci\u00eancia capaz de nos situar no conjunto da classe trabalhadora, como participantes de um processo de lutas mais amplo, que se enfrenta n\u00e3o apenas com a Articula\u00e7\u00e3o no controle dos sindicatos, mas com o governo e a burguesia no controle da economia. \u00c9 preciso fornecer aos trabalhadores um horizonte mais amplo, uma alternativa de sociedade que permita vislumbrar sa\u00eddas concretas para a crise do Brasil e da humanidade.<\/p>\n<p>\tPropostas para o pr\u00f3ximo per\u00edodo<\/p>\n<p>\tO MNOB tem se destacado, como dissemos, por ser o principal organizador das lutas da categoria, com muito m\u00e9rito e sacrif\u00edcio. Entretanto, sua atua\u00e7\u00e3o apresenta diversas debilidades que precisam ser superadas. As debilidades dizem respeito menos ao seu programa que a sua metodologia, que precisa de uma dr\u00e1stica reformula\u00e7\u00e3o. Conforme os problemas apontados acima, propomos as seguintes medidas para superar a crise organizativa do MNOB e sua conseq\u00fcente debilidade pol\u00edtica:<br \/>\n\t1.Estrutura\u00e7\u00e3o profissional do MNOB \u2013 A estrutura montada para as elei\u00e7\u00f5es sindicais (como a de S\u00e3o Paulo em 2005), em que se estabeleceu um calend\u00e1rio de reuni\u00f5es peri\u00f3dicas e uma divis\u00e3o de tarefas, precisa ser tornada permanente. A princ\u00edpio, prop\u00f5e-se reuni\u00f5es peri\u00f3dicas (no m\u00ednimo, quinzenais) para debater estrategicamente os rumos da categoria (e n\u00e3o somente ap\u00f3s o acontecimento dos fatos, como ocorre atualmente). Propomos tamb\u00e9m distribuir dentro do movimento as tarefas, como a organiza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, a reda\u00e7\u00e3o de materiais e sua diagrama\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o dos boletins por circunscri\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia dos militantes, etc.<br \/>\n\t2.Priorizar a disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica dos banc\u00e1rios e da popula\u00e7\u00e3o \u2013 Os boletins do MNOB precisam ir al\u00e9m de quest\u00f5es corporativas e incorporar os interesses de todos os trabalhadores. A luta dos banc\u00e1rios \u00e9 uma luta contra a pol\u00edtica dos bancos de agiotagem contra o conjunto da sociedade e de extors\u00e3o dos trabalhadores em particular (tarifas astron\u00f4micas, juros escorchantes, venda casada, filas e p\u00e9ssimo atendimento nas ag\u00eancias). A classe trabalhadora precisa ver o trabalhador banc\u00e1rio como seu aliado e n\u00e3o um inimigo. E entre os trabalhadores banc\u00e1rios, \u00e9 preciso contar os funcion\u00e1rios de bancos privados e tamb\u00e9m os terceirizados. Cabe ao MNOB desenvolver esse debate mais profundo.<br \/>\n\t3.Uma pol\u00edtica clara para os banc\u00e1rios da rede privada \u2013 Os funcion\u00e1rios de bancos privados s\u00e3o a imensa maioria da categoria e no entanto praticamente n\u00e3o est\u00e3o representados no MNOB. \u00c9 preciso incorporar as bandeiras hist\u00f3ricas deste setor fragilizado da categoria nos boletins da Oposi\u00e7\u00e3o, e desenvolver formas de atua\u00e7\u00e3o clandestina para viabilizar sua milit\u00e2ncia deles, tendo em vista a amea\u00e7a de demiss\u00e3o iminente dos ativistas.<br \/>\n\tEsperamos com essas propostas contribuir para superar a paralisia do MNOB, para retomar a sua estrutura\u00e7\u00e3o e sua capacidade de iniciativa pol\u00edtica, para enraizar o movimento na base da categoria e preparar os trabalhadores para os duros embates que se aproximam.<\/p>\n<p>REIVINDICA\u00c7\u00d5ES.<\/p>\n<p>BANCO O BRASIL<\/p>\n<p>Os banc\u00e1rios do banco do Brasil sofreram um duro ataque cont\u00ednuo durante a \u00b4decada de noventa e in\u00edcio dos anos 2000, isto \u00e9, durante o per\u00edodo do governo do PSDB na presid\u00eancia. Foi quase 10 anos de sal\u00e1rios congelados. Em 1998, houve uma cis\u00e3o entre o funcionalismo com a retirada de direitos dos funcion\u00e1rios que ingressariam no banco a partir de ent\u00e3o. Em 2007 o governo Lula desfere mais um duro golpe no funcionalismo com a reestrutura\u00e7\u00e3o organizacional, em que fechou diversos locais de trabalho, com deslocamentos for\u00e7ados de colegas sem qualquer assist\u00eancia e assun\u00e7\u00e3o de responsabilidade pelo banco destas transfer\u00eancias. Destacamos aqui os banc\u00e1rios que trabalhavam na antiga GEREL Campinas, que foram transferidos compulsoriamente para S\u00e3o Paulo, cerca de 100 quil\u00f4metros de suas casas e o banco n\u00e3o assume as despesas de deslocamento de Campinas para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Durante este per\u00edodo, destacamos tamb\u00e9m mais um ataque desferido pelo governo Lula ao funcionalismo do BB: a reforma estatut\u00e1ria da CASSI em que as entidades sindicais da CUT fizeram campanha pela aprova\u00e7\u00e3o da proposta do Banco e do governo de n\u00e3o cobrar a d\u00edvida com a Caixa de Assist\u00eancia de cerca de R$ 500 milh\u00f5es, resultado do calote sobre a contribui\u00e7\u00e3o do banco dos sal\u00e1rios dos banc\u00e1rios que ingressaram no banco ap\u00f3s 1998, de 4,5% para 3% sobre a folha de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Temos de ressaltar ainda que durante todo o governo Lula, houve a in\u00e9dita a\u00e7\u00e3o de se descontar os dias da greve dos lutadores e da vanguarda, como um claro ataque contra a livre organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Diante deste quando,o Espa\u00e7o Socialista defende:<br \/>\nReposi\u00e7\u00e3o de todas as perdas salariais desde o in\u00edcio do plano real at\u00e9 os dias atuais, que acreditamos superar mais do que 100%  para que o sal\u00e1rio do funcionalismo recupere o poder de compra  aos sal\u00e1rios percebidos pelo funcionalismo em julho de 1994, implanta\u00e7\u00e3o do plano real;<br \/>\nIsonomia de direitos entre os banc\u00e1rios pr\u00e9-98 e p\u00f3s-98 em que for mais vantajoso para os trabalhadores. Deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o os direitos dos banc\u00e1rios das institui\u00e7\u00f5es incorporadas pelo BB, como o Banco do Estado do Par\u00e1 (BEP), Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), e Nossa Caixa. O que for mais vantajoso para o funcionalismo deve-ser aplicado.<br \/>\nFim do programa de PSO\/USO que \u00e9 um duro ataque ao setor mais precarizado  e mais combativo do funcionalismo: Caixas Executivos e Escritur\u00e1rios. Tal plano visa tirar todo o setor operacional das ag\u00eancias e concentr\u00e1-las numa \u00fanica depend\u00eancia como base. Os funcion\u00e1rios passaria a perambular pela cidade para trabalhar nas ag\u00eancias de acordo com a demanda. Os funcion\u00e1rios n\u00e3o teriam local fixo para trabalhar, acarretando diversos transtornos, sobrecarregando os funcion\u00e1rios, al\u00e9m de diminuir a quantidade de Caixas nos guich\u00eas dispon\u00edveis apara o atendimento da popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 um duro golpe contra a livre organiza\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios, tendo em vista que a maior parte deste setor \u00e9 delegado sindical, protegido pela cl\u00e1usula de inamovibilidade. Tamb\u00e9m se trata de mais um passo para se terceirizar definitivamente o setor operacional do banco, sendo que o primeiro passo foi dado com o processamento de envelopes de dep\u00f3sitos de dinheiro e cheque .<br \/>\nO Banco do Brasil precisa votar a ter uma gest\u00e3o p\u00fablica, de atendimento \u00e1s necessidades de bancariza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores exclu\u00eddos do sistema financeiro. N\u00e3o faz o menor sentido todo a estrutura do BB estar voltado apenas para o lucro por meio de ass\u00e9dio moral aos banc\u00e1rios para que se cumpram metas de vendas. Quase sempre os funcion\u00e1rios acabam por empurrar os produtos o conglomerado do banco como moeda de troca para concess\u00e3o de cr\u00e9dito para os clientes. Mas isso reflete da forma de que s\u00e3o realizadas estas \u201cvendas\u201d, isto \u00e9, por meio do ass\u00e9dio moral que virou ferramenta de gest\u00e3o dos resultados do banco, provocando um ex\u00e9rcito afastados por doen\u00e7a, ou de lesionados. Somos pelo fim das metas para vendas (qualquer uma) e pelo fim do ass\u00e9dio moral.<br \/>\nRespeito \u00e0 jornada de 6 horas, extens\u00edvel para a ger\u00eancia m\u00e9dia. A conquista pela jornada de 6 horas di\u00e1rias est\u00e1 fundamentada no alto grau de adoecimento e de press\u00e3o a que s\u00e3o submetidos os banc\u00e1rios. Cada vez mais o Banco do Brasil lan\u00e7a m\u00e3o de distribuir comiss\u00f5es de Assistentes de Neg\u00f3cios para fraudar a nossa conquista e fazer com que o funcion\u00e1rio trabalhe em tempo integral, isto \u00e9, 8 horas. Por\u00e9m o mais grave \u00e9 o desvio de fun\u00e7\u00e3o. Os Assistentes t\u00eam responsabilidade de gerente, mas n\u00e3o recebem como gerente.<br \/>\nResgate da CASSI est\u00e1 na ordem do dia diante do greve processo de sucateamento de nossa Caixa de Assist\u00eancia por meio de descredenciamento em massa da rede de prestadores e de hospitais. H\u00e1 casos em que os banc\u00e1rios optam por contratar um plano de sa\u00fade para ter garantias de atendimento. O atual quadro da CASSI \u00e9 fruto de uma gest\u00e3o privada e de colabora\u00e7\u00e3o com o Banco para que o governo n\u00e3o tenha mais responsabilidades com a sa\u00fade de seus funcion\u00e1rios, dando mais um passo concreto para a privatiza\u00e7\u00e3o. Somos contra a \u00faltima reforma estatut\u00e1ria da entidade, bem como  o perd\u00e3o de mais de R$ 500 milh\u00f5es de d\u00edvidas que o Banco do Brasil tem com a CASSI, contra a co-participa\u00e7\u00e3o e contra a desonera\u00e7\u00e3o das responsabilidades do governo com a sa\u00fade dos funcion\u00e1rio.<br \/>\nImplanta\u00e7\u00e3o do plano odontol\u00f3gico sem preju\u00edzo do atual PAS, para todo funcionalismo, \u00e0 cargo do banco. Que o plano odontol\u00f3gico seja prestado pela pr\u00f3pria e CASSI e n\u00e3o por uma empresa terceirizada, plano otontol\u00f3gico privado.<\/p>\n<p>CAIXA ECON\u00d4MICA FEDERAL<\/p>\n<p>CATEGORIA BANCARIA.<\/p>\n<p>Com o ressurgimento das greves em 2003 e com a forte greve hist\u00f3rica de 2004 quebrasse o congelamento dos sal\u00e1rios nos banco p\u00fablicos, mas cria-se um obst\u00e1culo para a recupera\u00e7\u00e3o das perdas na campanha salarial: a mesa unificada de negocia\u00e7\u00e3o da FENABAN. O governo, por meio dos sindicatos filiados \u00e0 CUT, utiliza a mesa \u00fanica para se desviar de atender as reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos bancos p\u00fablicos .<\/p>\n<p>Para os banc\u00e1rios de bancos privados, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 conveniente a mesa unificada, pois entendemos que o governo  e o movimento sindical atrelado a ele s\u00e3o os maiores respons\u00e1veis pelos \u00edndices rebaixados de reajuste que mal rep\u00f5em a infla\u00e7\u00e3o. Os aumentos salariais poderia ser bem maiores se n\u00e3o fosse esta simbiose dos sindicatos pelegos com o governo. Ademais, a mesa unificada ainda apresenta os sindicatos cutistas como combativos, pois defendem a greve nas assembl\u00e9ias mas n\u00e3o d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e1 paralisa\u00e7\u00e3o. A fama de combativo se d\u00e1 pelos piqueteiros dos bancos p\u00fablicos que garantem alguma paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto a organiza\u00e7\u00e3o de base ela ainda mais prec\u00e1ria. Os bancos privados n\u00e3o t\u00eam representante sindical de base (delegado sindical), com estabilidade e inamovibilidade para fazer trabalho sindical de base. Outro problema grave \u00e9 a aus\u00eancia de estabilidade dos banc\u00e1rios do setor privado que impedem a sua organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo muito utilizado para baratear a m\u00e3o-de-obra, por meio de precariza\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es financeiras  e superexplora\u00e7\u00e3o  dos trabalho terceirizado. Agora, este tipo de m\u00e3o-de-obra avan\u00e7a nas atividades-fim  de forma escandalosa por meio de centrais de atendimento telef\u00f4nico, servi\u00e7os de pagamento e recebimento de contas, e ag\u00eancias financeiras de concess\u00e3o de cr\u00e9dito, em que o trabalho \u00e9 tipicamente de intermedia\u00e7\u00e3o financeira, mas o trabalhador  n\u00e3o \u00e9 considerada da categoria banc\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em tempos de crise, fica mais intenso o processo de aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es entres os grupos econ\u00f4micos. No setor banc\u00e1rio este processo j\u00e1 vinha em marcha desde a cria\u00e7\u00e3o do plano real. Santander entrou no pa\u00eds comprando o velho Noroeste. Depois adquiriu o Banespa e por \u00faltimo o Real. Recentemente presenciamos o Banco do Brasil adquirir o BEP, BESC, parte do Banco Votorantin , e a Nossa Caixa. No Inicio de 2009 Assistimos a aquisi\u00e7\u00e3o do UNIBANCO pelo Ita\u00fa.<\/p>\n<p>Para cada fus\u00e3o, o resultado a categoria sabe muito bem: Gera um ex\u00e9rcitos de demitidos, resultado direto pelo fechamento dos postos de trabalho. Quem sa\u00ed, est\u00e1 na rua. Quem permenece no emprego se v\u00ea obrigado a trabalhar muito mais e em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, expostos a toda sorte de adoecimentos e les\u00f5es por LER\/DORT.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, defendemos:<\/p>\n<p>Fim da mesa \u00fanica da FENABAN e abaixo a mesa \u00fanica m\u00ednima. Campanha unificada , mas com mesas separadas de negocia\u00e7\u00e3o como forma de atendimentos \u00e1s pautas espec\u00edficas dos trabalhadores do setor privado e do setor p\u00fablico;<br \/>\nEstabilidade para todos os banc\u00e1rios, sobretudo do setor privado, contra  demiss\u00e3o imotivada;<br \/>\nElei\u00e7\u00e3o de delegados sindicais em todos ao bancos como forma de se iniciar um processo de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios dos setor privado, com prerrogativa da inamovibilidade, estabilidade, etc, etc, n\u00e3o s\u00f3 nos pr\u00e9dios, como tamb\u00e9m nas ag\u00eancias;<br \/>\nFim das terceiriza\u00e7\u00f5es  e os correspondentes banc\u00e1rios, como formas de superexplora\u00e7\u00e3o, precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e retirada de direitos da categoria banc\u00e1ria.<br \/>\nContrata\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios para atender a demanda de servi\u00e7os banc\u00e1rios, incorpora\u00e7\u00e3o dos terceirizados ao quadro funcional dos bancos. Afinal, quem trabalha em banco, banc\u00e1rio \u00e9..<br \/>\nFim da pilariza\u00e7\u00e3o  e da discrimina\u00e7\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os banc\u00e1rios. Abertura das ag\u00eancias destinadas para o p\u00fablico de alta renda para atendimento de toda a popula\u00e7\u00e3o, sem distin\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRedu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, sem redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, para 5 horas di\u00e1rias. Expediente banc\u00e1rio de 10 horas, com dois turnos de 5 horas cada uma, como forma de contratar mais banc\u00e1rios e garantir atendimeto de qualidade para todos, sem distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>ORGANIZA\u00c7\u00c3O INTERNA .<\/p>\n<p>Talvez aqui resida o motivo de fato pelo qual o MNOB passou de p\u00f3lo aglutinador da esquerda combativa para apenas uma fra\u00e7\u00e3o deste setor, isto \u00e9 , pela condu\u00e7\u00e3o do movimento de acordo com o que se decidiu nas inst\u00e2ncias internas do maior partido do MNOB, o PSTU.<\/p>\n<p>Sendo coerente com a sua concep\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o de partido de revolucion\u00e1rio, passou a impor para o resto do movimento esta concep\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio, passou a impor a CONLUTAS como condi\u00e7\u00e3o para estar na Oposi\u00e7\u00e3o, Depois vieram toda a sorte de pr\u00e1tica de inger\u00eancia nos f\u00f3runs internos do movimento. N\u00e3o h\u00e1 mais a discuss\u00e3o sobre o conte\u00fado dos materiais, as reuni\u00f5es s\u00e3o marcadas de acordo com a conveni\u00eancia da for\u00e7a majorit\u00e1ria, e desmarcadas tamb\u00e9m pelo mesmo crit\u00e9rio. As finan\u00e7as do movimento n\u00e3o s\u00e3o transparentes , n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o nem da contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 a sa\u00edda de outras organiza\u00e7\u00f5es, ou a \u201cvolta para casa\u201d de elementos do setor independente, pela absoluta falta de condi\u00e7\u00f5es de participar do rumos do movimento. Quem n\u00e3o pertencia ao maior partido do movimento n\u00e3o participava da constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas do MNOB.<\/p>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o da unidade da esquerda combativa passa n\u00e3o somente pelas quest\u00f5es pol\u00edticas. Como percebemos, as quest\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o do movimento \u00e9 t\u00e3o importante quanto as quest\u00f5es pol\u00edticas. N\u00e3o basta fazer apologia \u00e0 unidade. Ela deve ser uma ato concreto e consciente nossa.<\/p>\n<p>Diante de todo o exposto, o Espa\u00e7o Socialista prop\u00f5e:<\/p>\n<p>Estatuto que fixe o crit\u00e9rio de perman\u00eancia, funcionamento democr\u00e1tico e da soberania dos f\u00f3runs do movimento, etc. Ela seria resultado do trabalho de uma Coordena\u00e7\u00e3o Nacional e submetido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dos f\u00f3runs locais. A aprova\u00e7\u00e3o do documento se daria pelo conjunto de manifesta\u00e7\u00f5es nas bases locais;<br \/>\nO programa deve ser naquilo em que j\u00e1 temos acordo isto \u00e9: 1-ser contra o governo, que \u00e9 patr\u00e3o da metade da categoria banc\u00e1ria e ajuda a promover os ataques para os banc\u00e1rios do setor privado; 2-contra os patr\u00f5es, que s\u00e3o nossos inimigos de classe em que se manifesta pelas demiss\u00f5es em massa, arrocho de sal\u00e1rios, precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, retirada de direitos, etc.; 3 contra a Articula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o bra\u00e7o governamental e patronal no seio da categoria banc\u00e1ria, com um agravante, que \u00e9 a confian\u00e7a que os banc\u00e1rios depositam no governo Lula, dificultando as lutas; 4- funcionamento de acordo com a democracia oper\u00e1ria e do respeito os f\u00f3runs do movimento.<br \/>\nIndepend\u00eancia dos governos, dos patr\u00f5es e dos partidos. Tudo que diz respeito ao movimento deve-se discutir e decidir nos f\u00f3runs do movimento e submeter-se \u00e0 sua soberania (pol\u00edtica, finan\u00e7as, escrever materiais, etc, etc,). O movimento deve se sustentar por meio da contribui\u00e7\u00e3o dos seus integrantes e por campanhas financeiras impulsionadas pelo pr\u00f3prio movimento.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o de base deve ser a raz\u00e3o de ser da frente nacional de oposi\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria visando a retomada das lutas para enfrentar os ataques dos patr\u00f5es e dos governos. Deve-se fazer trabalhos agitativos, como panfletagens, e propaganda, como semin\u00e1rios e outras atividades de forma\u00e7\u00e3o como catalisadores no processo de avan\u00e7o da consci\u00eancia da categoria banc\u00e1ria. Deve-se ter reuni\u00f5es peri\u00f3dicas ordin\u00e1rias (duas vezes por m\u00eas, ao menos).<br \/>\nImpulsionar a organiza\u00e7\u00e3o da base por meio dos locais de trabalho, por meio de um trabalho estruturado sobre os representantes sindicais de base (delegado sindical) nos bancos em que j\u00e1 existem, e lutar para que a conquista se estenda para toda a categoria, sobretudo em banco privado, onde a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais fr\u00e1gil. Al\u00e9m da agita\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer diversas atividades de forma\u00e7\u00e3o direcionadas para a base.<br \/>\nMandatos revog\u00e1veis, rod\u00edzio na dire\u00e7\u00e3o do movimento  e proibi\u00e7\u00e3o das reelei\u00e7\u00f5es indefinidas s\u00e3o a\u00e7\u00f5es concretas contra a burocratiza\u00e7\u00e3o  da dire\u00e7\u00e3o do movimento. Os mandatos s\u00e3o concedidos pela base do movimento  e ela tem o direito de revogar, se a dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o estiver de acordo com a vontade da categoria, a qualquer momento. Rod\u00edzio na dire\u00e7\u00e3o serve para renovar constantemente o quadro dirigente e permitir que a base, a raz\u00e3o de ser do movimento, tenha participa\u00e7\u00e3o efetiva na constru\u00e7\u00e3o dos rumos da categoria. A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o indefinida evita que haja dirigentes vital\u00edcios, isto \u00e9, h\u00e1 anos fora da base. Por outro lado, isso s\u00f3 ter\u00e1 sentido se fomentarmos o aparecimento de novas lideran\u00e7as e renova\u00e7\u00e3o do quadro dirigente do movimento. Ainda propomos renova\u00e7\u00e3o de 1\/ 2 da dire\u00e7\u00e3o por elei\u00e7\u00e3o, que ocorreria a cada 2 anos.<br \/>\nTranspar\u00eancia na condu\u00e7\u00e3o do \u00e9 um dos principais princ\u00edpios para se evitar a burocratiza\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o perante a base. Pelo menos em uma reuni\u00e3o do m\u00eas haver\u00e1 o ponto de finan\u00e7as. A presta\u00e7\u00e3o de contas estar\u00e1 disponibilizada, por escrito, pra qualquer integrante da frente, de forma clara;<br \/>\nDemocracia \u00e9 proporcionar que qualquer pessoa  e organiza\u00e7\u00e3o possa participar da frente, desde que haja acordo com o programa apresentado acima, que o banc\u00e1rio sinta que pode ser sujeito da mudan\u00e7a e o principal ator e da lutas de resist\u00eancia e das conquistas para a categoria. Para isso reiteramos o respeito aos f\u00f3runs internos da frente, fixa\u00e7\u00e3o das tarefas e de seus cumprimentos discutidos de forma clara  e coletiva. Regularidade da reuni\u00f5es, etc.<\/p>\n<p>Assinam esta tese<\/p>\n<p>Daniel Menezes Delfino \u2013 BB Vila Alpina, SP \u2013 Espa\u00e7o Socialista<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":859,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions\/859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}