{"id":226,"date":"2010-04-29T17:27:22","date_gmt":"2010-04-29T17:27:22","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/226"},"modified":"2018-05-05T17:36:53","modified_gmt":"2018-05-05T20:36:53","slug":"o-sequestro-do-metro-e-o-sumico-da-crise-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/04\/o-sequestro-do-metro-e-o-sumico-da-crise-2\/","title":{"rendered":"O SEQ\u00dcESTRO DO METR\u00d4 E O SUMI\u00c7O DA CRISE"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO seq\u00fcestro do metr\u00f4 123\u201d \u00e9 mais um t\u00edpico filme de a\u00e7\u00e3o enlatado do cinema estadunidense. A sua peculiaridade est\u00e1 na alegoria que se pode fazer entre a sua narrativa e o discurso ideol\u00f3gico por meio do qual os pol\u00edticos, economistas, jornalistas e outros gestores do sistema querem nos fazer crer que a crise econ\u00f4mica j\u00e1 foi superada.<br \/>\nO protagonista do filme \u00e9 um executivo da companhia do metr\u00f4 de Nova York (interpretado por Denzel Washington) que est\u00e1 sob investiga\u00e7\u00e3o por suspeita de aceitar suborno em uma licita\u00e7\u00e3o. Por conta disso ele foi rebaixado para a fun\u00e7\u00e3o de controlador de tr\u00e1fego, encarregado de monitorar o fluxo dos trens nas linhas e se comunicar com os maquinistas. \u00c9 nessa fun\u00e7\u00e3o que ele entra em contato com seu antagonista, um ex-presidi\u00e1rio (interpretado por John Travolta) que seq\u00fcestra um trem e exige um resgate milion\u00e1rio da prefeitura. Mas n\u00e3o se trata de um ex-presidi\u00e1rio qualquer: o seq\u00fcestrador havia sido preso por aplicar um golpe em Wall Street.<br \/>\nSeguem-se ent\u00e3o as piruetas tradicionais dos filmes de a\u00e7\u00e3o, o cl\u00e1ssico duelo do mocinho e do bandido, a ideologia tradicional do hero\u00edsmo hollywoodiano, etc. Nessa linha, trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o competente, realizada por profissionais de bom n\u00edvel. O diretor \u00e9 Tony Scott, o irm\u00e3o sem talento de um dos grandes artistas em atividade no cinema (Ridley Scott, respons\u00e1vel por cl\u00e1ssicos como \u201cAlien, o 8\u00ba passageiro\u201d e \u201cBlade Runner\u201d, al\u00e9m de uma longa cole\u00e7\u00e3o de obras acima da m\u00e9dia, como \u201cOs duelistas\u201d, \u201cChuva Negra\u201d, \u201c1492\u201d, \u201cTelma e Louisie\u201d, \u201cGladiador\u201d, entre outros). Mesmo sem o talento do irm\u00e3o, Tony Scott j\u00e1 emplacou um mega-sucesso de bilheteria, o ic\u00f4nico \u201cTop Gun\u201d, filme paradigm\u00e1tico da d\u00e9cada de 1980 e seu \u201crevival\u201d da Guerra Fria, com a apologia expl\u00edcita do aparato militar estadunidense, embalada no clich\u00ea do her\u00f3i rebelde rom\u00e2ntico.<br \/>\nEm \u201cseq\u00fcestro do metr\u00f4 123\u201d temos outro tipo de discurso ideol\u00f3gico, adequado a uma \u00e9poca de crise econ\u00f4mica.<br \/>\nO her\u00f3i \u00e9 um funcion\u00e1rio p\u00fablico civil, apesar de tamb\u00e9m pegar em armas no final. Isso representa uma defesa do papel do Estado ao supostamente tirar a economia estadunidense da crise (sem no entanto abrir m\u00e3o das guerras no Oriente M\u00e9dio).<br \/>\nO vil\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e9 um especulador do mercado financeiro. Ou seja, a causa da crise s\u00e3o as \u201cma\u00e7\u00e3s podres\u201d de Wall Street, os banqueiros inescrupulosos que transformaram a economia num cassino. A mensagem \u00e9 que, expurgando-se essas ma\u00e7\u00e3s podres, o sistema vai voltar a funcionar normalmente. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado com o capitalismo, apenas com alguns indiv\u00edduos problem\u00e1ticos.<br \/>\nO her\u00f3i da hist\u00f3ria \u00e9 um negro, assim como o atual presidente estadunidense \u00e9 negro. O her\u00f3i cometeu um erro no passado, assim como o governo estadunidense (que praticou torturas, pris\u00f5es ilegais, morte de civis inocentes, entre outros crimes de guerra.) cometeu. O combate ao vil\u00e3o redime o her\u00f3i de seus crimes, assim como Obama acoberta os crimes dos seus antecessores. O prefeito \u00e9 um pol\u00edtico tradicional, demagogo, mulherengo, etc., que n\u00e3o est\u00e1 concorrendo \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, assim como os republicanos conservadores cederam o bast\u00e3o a Obama e se retiraram para os bastidores, para voltar quando o servi\u00e7o sujo de administrar a crise tiver sido feito. Um encobre os crimes do outro, uma m\u00e3o lava a outra, e estamos conversados. O mocinho do filme pode voltar para casa feliz, como se nada tivesse acontecido.<br \/>\nO resumo da \u00f3pera \u00e9 que o Estado salvou o capitalismo. Um conto de fadas para quem acredita num mundo de mocinhos e bandidos \u201cmade in Hollywood\u201d. No mundo real, \u00e9 preciso mais do que marketing e demagogia estatista. A crise continua, o capital fict\u00edcio foi estocado nos cofres p\u00fablicos, o Estado socializou os preju\u00edzos das falcatruas privadas, trabalhadores perderam seus empregos, suas casas, seus sal\u00e1rios e seus direitos, as guerras continuam no Oriente M\u00e9dio, golpes de Estado na Am\u00e9rica Central, bases militares na Col\u00f4mbia e a IV Frota estadunidense de olho no nosso pr\u00e9-sal, e Lula, em conluio com Sarney e outros caciques, est\u00e1 loteando o pr\u00e9-sal para as transnacionais, garantindo uma fatia para que a burocracia petista possa continuar anestesiando as massas com bolsa-esmola, e assim eleger Dilma.<br \/>\nO show vai continuar, enquanto n\u00e3o dermos fim ao seq\u00fcestro das consci\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\t\u201cO seq\u00fcestro do metr\u00f4 123\u201d \u00e9 mais um t\u00edpico filme de a\u00e7\u00e3o enlatado do cinema estadunidense. A sua peculiaridade est\u00e1 na alegoria que se pode fazer entre a sua narrativa e o discurso ideol\u00f3gico por meio do qual os pol\u00edticos, economistas, jornalistas e outros gestores do sistema querem nos fazer crer que a crise econ\u00f4mica j\u00e1 foi superada.<br \/>\n\tO protagonista do filme \u00e9 um executivo da companhia do metr\u00f4 de Nova York (interpretado por Denzel Washington) que est\u00e1 sob investiga\u00e7\u00e3o por suspeita de aceitar suborno em uma licita\u00e7\u00e3o. Por conta disso ele foi rebaixado para a fun\u00e7\u00e3o de controlador de tr\u00e1fego, encarregado de monitorar o fluxo dos trens nas linhas e se comunicar com os maquinistas. \u00c9 nessa fun\u00e7\u00e3o que ele entra em contato com seu antagonista, um ex-presidi\u00e1rio (interpretado por John Travolta) que seq\u00fcestra um trem e exige um resgate milion\u00e1rio da prefeitura. Mas n\u00e3o se trata de um ex-presidi\u00e1rio qualquer: o seq\u00fcestrador havia sido preso por aplicar um golpe em Wall Street.<br \/>\n\tSeguem-se ent\u00e3o as piruetas tradicionais dos filmes de a\u00e7\u00e3o, o cl\u00e1ssico duelo do mocinho e do bandido, a ideologia tradicional do hero\u00edsmo hollywoodiano, etc. Nessa linha, trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o competente, realizada por profissionais de bom n\u00edvel. O diretor \u00e9 Tony Scott, o irm\u00e3o sem talento de um dos grandes artistas em atividade no cinema (Ridley Scott, respons\u00e1vel por cl\u00e1ssicos como \u201cAlien, o 8\u00ba passageiro\u201d e \u201cBlade Runner\u201d, al\u00e9m de uma longa cole\u00e7\u00e3o de obras acima da m\u00e9dia, como \u201cOs duelistas\u201d, \u201cChuva Negra\u201d, \u201c1492\u201d, \u201cTelma e Louisie\u201d, \u201cGladiador\u201d, entre outros). Mesmo sem o talento do irm\u00e3o, Tony Scott j\u00e1 emplacou um mega-sucesso de bilheteria, o ic\u00f4nico \u201cTop Gun\u201d, filme paradigm\u00e1tico da d\u00e9cada de 1980 e seu \u201crevival\u201d da Guerra Fria, com a apologia expl\u00edcita do aparato militar estadunidense, embalada no clich\u00ea do her\u00f3i rebelde rom\u00e2ntico.<br \/>\n\tEm \u201cseq\u00fcestro do metr\u00f4 123\u201d temos outro tipo de discurso ideol\u00f3gico, adequado a uma \u00e9poca de crise econ\u00f4mica.<br \/>\n\tO her\u00f3i \u00e9 um funcion\u00e1rio p\u00fablico civil, apesar de tamb\u00e9m pegar em armas no final. Isso representa uma defesa do papel do Estado ao supostamente tirar a economia estadunidense da crise (sem no entanto abrir m\u00e3o das guerras no Oriente M\u00e9dio).<br \/>\n\tO vil\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e9 um especulador do mercado financeiro. Ou seja, a causa da crise s\u00e3o as \u201cma\u00e7\u00e3s podres\u201d de Wall Street, os banqueiros inescrupulosos que transformaram a economia num cassino. A mensagem \u00e9 que, expurgando-se essas ma\u00e7\u00e3s podres, o sistema vai voltar a funcionar normalmente. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado com o capitalismo, apenas com alguns indiv\u00edduos problem\u00e1ticos.<br \/>\n\tO her\u00f3i da hist\u00f3ria \u00e9 um negro, assim como o atual presidente estadunidense \u00e9 negro. O her\u00f3i cometeu um erro no passado, assim como o governo estadunidense (que praticou torturas, pris\u00f5es ilegais, morte de civis inocentes, entre outros crimes de guerra.) cometeu. O combate ao vil\u00e3o redime o her\u00f3i de seus crimes, assim como Obama acoberta os crimes dos seus antecessores. O prefeito \u00e9 um pol\u00edtico tradicional, demagogo, mulherengo, etc., que n\u00e3o est\u00e1 concorrendo \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, assim como os republicanos conservadores cederam o bast\u00e3o a Obama e se retiraram para os bastidores, para voltar quando o servi\u00e7o sujo de administrar a crise tiver sido feito. Um encobre os crimes do outro, uma m\u00e3o lava a outra, e estamos conversados. O mocinho do filme pode voltar para casa feliz, como se nada tivesse acontecido.<br \/>\n\tO resumo da \u00f3pera \u00e9 que o Estado salvou o capitalismo. Um conto de fadas para quem acredita num mundo de mocinhos e bandidos \u201cmade in Hollywood\u201d. No mundo real, \u00e9 preciso mais do que marketing e demagogia estatista. A crise continua, o capital fict\u00edcio foi estocado nos cofres p\u00fablicos, o Estado socializou os preju\u00edzos das falcatruas privadas, trabalhadores perderam seus empregos, suas casas, seus sal\u00e1rios e seus direitos, as guerras continuam no Oriente M\u00e9dio, golpes de Estado na Am\u00e9rica Central, bases militares na Col\u00f4mbia e a IV Frota estadunidense de olho no nosso pr\u00e9-sal, e Lula, em conluio com Sarney e outros caciques, est\u00e1 loteando o pr\u00e9-sal para as transnacionais, garantindo uma fatia para que a burocracia petista possa continuar anestesiando as massas com bolsa-esmola, e assim eleger Dilma.<br \/>\n\tO show vai continuar, enquanto n\u00e3o dermos fim ao seq\u00fcestro das consci\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=226"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6208,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/226\/revisions\/6208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=226"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=226"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=226"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}