{"id":229,"date":"2010-05-12T23:13:37","date_gmt":"2010-05-13T02:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/229"},"modified":"2018-06-01T15:34:27","modified_gmt":"2018-06-01T18:34:27","slug":"jornal-31-junhojulho-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/05\/jornal-31-junhojulho-de-2010\/","title":{"rendered":"Jornal 31: Junho\/Julho de 2009"},"content":{"rendered":"<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo1\">Medidas do governo n\u00e3o evitam a continuidade da crise<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo2\">Todo o apoio \u00e0 luta dos trabalhadores da USP<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo3\">Banc\u00e1rios &#8211; Por um encontro nacional que reorganize o polo combativo da oposi\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo4\">O que est\u00e1 por tr\u00e1s da pol\u00edtica educacional?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo5\">Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9: chapa de esquerda, formada em conven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, vence elei\u00e7\u00f5es do D.A.<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo6\">Epidemias e crise econ\u00f4mica: o capitalismo mata<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo7\">Cem dias da gest\u00e3o Obama: a l\u00f3gica segue a mesma<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#titulo8\">Rela\u00e7\u00e3o partido e movimento: um debate atual e necess\u00e1rio<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1>Medidas do governo n\u00e3o evitam a continuidade da crise<\/h1>\n<div id=\"node-230\">\n<div>\n<h2>As tend\u00eancias da crise<\/h2>\n<p>O centro das discuss\u00f5es sobre a realidade atual est\u00e1 nos desdobramentos da crise econ\u00f4mica mundial. Est\u00e1 em curso um debate para determinar se se trata apenas de uma crise peri\u00f3dica, cuja supera\u00e7\u00e3o aconteceria no curto ou m\u00e9dio prazo, ou de uma crise mais estrutural, que traz \u00e0 tona desequil\u00edbrios insuper\u00e1veis do sistema capitalista. Partilham da primeira opini\u00e3o os ide\u00f3logos burgueses e tamb\u00e9m a esquerda reformista, que propagam a cren\u00e7a de que o capitalismo possa se recuperar da crise atual com &#8220;m\u00ednimos arranh\u00f5es&#8221;. Para os marxistas revolucion\u00e1rios, a crise ainda est\u00e1 apenas no seu in\u00edcio e ainda trar\u00e1 important\u00edssimas conseq\u00fc\u00eancias sociais e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O impasse te\u00f3rico sobre a natureza da crise ser\u00e1 resolvido nos pr\u00f3ximos meses, conforme se definirem as tend\u00eancias concretas da economia, em especial nos pa\u00edses centrais, relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o industrial, ao n\u00edvel de produtividade e emprego,\u00e0 condi\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar como moeda de reserva mundial (amea\u00e7ada pelo estratosf\u00e9rico d\u00e9ficit p\u00fablico estadunidense), etc. Entretanto, qualquer que seja o resultado ulterior dessas tend\u00eancias, a crise j\u00e1 provocou enormes retrocessos nas condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora mundial. Aquilo que, para a burguesia, poder\u00e1 ser contabilizado como &#8220;arranh\u00f5es m\u00ednimos&#8221; no funcionamento de seu sistema, j\u00e1 s\u00e3o de imediato trag\u00e9dias monumentais na vida de milh\u00f5es de trabalhadores, confrontados com o desemprego e a mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>O ataque sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe \u00e9 a \u00fanica forma do capital recuperar sua taxa de lucro. As demiss\u00f5es, as redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios e os cortes de direitos s\u00e3o a receita da burguesia para salvar o capital, sendo aplicados com a colabora\u00e7\u00e3o dos governos e burocracias sindicais do mundo inteiro. Em tese, o capital precisaria nivelar por baixo o grau de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho em escala global, for\u00e7ando os trabalhadores do mundo inteiro a aceitar as condi\u00e7\u00f5es salariais e laborais mais rebaixadas poss\u00edveis, que s\u00e3o aquelas j\u00e1 vigentes hoje na China e nos pa\u00edses asi\u00e1ticos. Se isso ainda n\u00e3o foi conseguido nos pa\u00edses centrais, como Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o, \u00e9 porque a burguesia at\u00e9 o momento n\u00e3o construiu politicamente uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as suficientemente favor\u00e1vel para impor tais medidas sobre o proletariado desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses intermedi\u00e1rios, como o Brasil, h\u00e1 setores da classe trabalhadora que tamb\u00e9m est\u00e3o numa condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social ligeiramente acima do n\u00edvel m\u00ednimo chin\u00eas. Trata-se de uma minoria da classe, j\u00e1 que a maioria dos trabalhadores brasileiros vive entre o desemprego e o subemprego, o trabalho prec\u00e1rio, terceirizado, tempor\u00e1rio e informal, sem prote\u00e7\u00e3o social, sem regulamenta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e de sa\u00fade no trabalho, ou mesmo da dura\u00e7\u00e3o da jornada, sem direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, sindicaliza\u00e7\u00e3o ou greve;e com uma renda que mal cobre os custos de sobreviv\u00eancia. H\u00e1 um setor da classe, por\u00e9m, que ainda est\u00e1 protegido por contratos de trabalho formais, previd\u00eancia p\u00fablica, seguridade social, legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, direito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e sindicaliza\u00e7\u00e3o, etc. Do ponto de vista do capital, esse setor \u00e9 mais um alvo potencial da pol\u00edtica geral de rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de vida do proletariado global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A situa\u00e7\u00e3o do Brasil<\/h2>\n<p>Se n\u00e3o conseguir impor rapidamente uma derrota pol\u00edtica brutal ao proletariado dos pa\u00edses centrais, ou deparar-se com uma resist\u00eancia suficientemente forte, o capital poder\u00e1 deslocar seu foco para os pa\u00edses perif\u00e9ricos que ainda possuem alguma margem de conquistas salariais e sociais dispon\u00edveis para serem &#8220;queimadas&#8221; na busca do nivelamento global, entre os quais o Brasil. Por enquanto, o desemprego, a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e o corte de direitos seguem avan\u00e7ando nos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o, tendo provocado uma resist\u00eancia mais significativa principalmente por parte dos trabalhadores europeus, que tem se mostrado insuficiente por\u00e9m para barrar o processo. Em fun\u00e7\u00e3o disso, o ataque direto aos setores organizados do proletariado brasileiro ainda n\u00e3o \u00e9 uma prioridade para a burguesia.<\/p>\n<p>O Brasil tem sido relativamente poupado das conseq\u00fc\u00eancias mais devastadoras da crise. Depois da primeira onda de demiss\u00f5es, especialmente nas montadoras e setores ligados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o foi momentaneamente estabilizada. Isso n\u00e3o se deve a nenhuma virtude, compet\u00eancia ou demonstra\u00e7\u00e3o de habilidade do governo de plant\u00e3o, mas ao fato de que a nossa vez ainda n\u00e3o chegou. Antes de partir para o ataque direto contra os trabalhadores, a burguesia ainda tem uma importante carta na manga, o controle sobre o Estado, que lhe permite socializar indiretamente as conseq\u00fc\u00eancias da crise.<\/p>\n<p>O Estado pode endividar-se, emitir t\u00edtulos, gastar reservas cambiais, ampliar o cr\u00e9dito, baixar os juros, fornecer dinheiro \u00e0s empresas e bancos com problemas, cortar investimentos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os p\u00fablicos, refor\u00e7ar os programas assistenciais para manter os mais pobres sob controle e consumindo, etc. Com pequenas varia\u00e7\u00f5es, essas t\u00eam sido as pol\u00edticas de todos os governos burgueses em face da crise, e o caso de Lula no Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Essa margem de manobra do Estado permite \u00e0 burguesia brasileira administrar a crise sem que os desequil\u00edbrios se tornem explosivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A Falsa Recupera\u00e7\u00e3o e a Propaganda Governista<\/h2>\n<p>O fato de que uma explos\u00e3o mais grave n\u00e3o tenha acontecido est\u00e1 sendo interpretado pela propaganda governista como ind\u00edcio de que uma recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 vista. Os \u00edndices econ\u00f4micos oficiais apresentam um cen\u00e1rio est\u00e1vel, sen\u00e3o r\u00f3seo. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Minist\u00e9rio do Trabalho, houve uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,15% entre o n\u00famero de admiss\u00f5es e desligamentos no primeiro quadrimestre do ano. Segundo o DIEESE, o desemprego nas principais regi\u00f5es metropolitanas mais o Distrito Federal ficou em 15,3% em abril. A infla\u00e7\u00e3o medida pelo mesmo organismo ficou em 1,43% entre janeiro e abril de 2009.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 que n\u00e3o parece ser muito ruim, considerando-se a amea\u00e7a de uma crise catastr\u00f3fica que paira no horizonte. \u00c9 preciso considerar por\u00e9m o fato de que, segundo o mesmo DIEESE, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio (que constitucionalmente deve cobrir as despesas do trabalhador e sua fam\u00edlia com alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, higiene, moradia, transporte, lazer e previd\u00eancia) deveria estar na casa de R$ 1.972,64 &#8211; sendo que a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do trabalhador nas regi\u00f5es metropolitanas (ou seja, onde a renda \u00e9 mais alta) est\u00e1 em R$ 1.240,00 &#8211; e o sal\u00e1rio m\u00ednimo oficial est\u00e1 em apenas R$ 465,00. Ou seja, a maior parte dos trabalhadores sobrevive com menos do que o m\u00ednimo necess\u00e1rio. Esse aperto imposto aos trabalhadores \u00e9 o segredo para a recupera\u00e7\u00e3o da economia capitalista. O aperto permite aumentar a taxa de lucro num momento em que h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o da massa de mais-valia por conta das quedas na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para completar a propaganda governista, entram em cena os n\u00fameros das bolsas de valores, que h\u00e1 alguns meses t\u00eam apresentado altas significativas. O Ibovespa fechou o m\u00eas de maio aos 53.198 pontos, quase o mesmo n\u00edvel de agosto de 2008 (55.680), antes da eclos\u00e3o da crise. Da mesma forma, o d\u00f3lar tamb\u00e9m chegou a uma cota\u00e7\u00e3o (R$ 1,970 em maio) praticamente id\u00eantica \u00e0 de agosto de 2008 (R$ 1,905). Os \u00edndices das bolsas s\u00e3o tomados como indicadores da sa\u00fade do conjunto da economia, quando na realidade indicam apenas as expectativas de lucro dos capitalistas, as quais est\u00e3o momentaneamente elevadas por conta do empenho do governo em ajudar as grandes empresas. N\u00e3o h\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o real e duradoura, mas um simples reflexo das pol\u00edticas governamentais para salvar o capital. A divulga\u00e7\u00e3o de que o PIB do 1\u00ba trimestre de 2009 caiu ainda mais \u00e9 mais um balde de \u00e1gua gelada no discursodo governo.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica envolve medidas como o pacote da habita\u00e7\u00e3o, que vai desviar dinheiro do FGTS dos trabalhadores para as construtoras em apuros, sem qualquer tra\u00e7o de um projeto estrutural de reforma urban\u00edstica, que envolva, al\u00e9m da moradia de qualidade, obras de saneamento, infra- estrutura,transporte p\u00fablico,equipamentos p\u00fablicos de lazer, etc. H\u00e1 tamb\u00e9m atos puramente demag\u00f3gicos, como a troca do presidente do Banco do Brasil por um nome mais afinado com a queda dos juros, mas que est\u00e1 longe de representar uma mudan\u00e7a real na atual pol\u00edtica de um banco de mercado, em dire\u00e7\u00e3o a um banco verdadeiramente p\u00fablico e de fomento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A import\u00e2ncia de uma alternativa ideol\u00f3gica<\/h2>\n<p>\u00c9 importante destacar todas as fal\u00e1cias do governo para se contrapor ao discurso dos representantes de Lula no interior do movimento dos trabalhadores, as correntes do PT e seus sat\u00e9lites, que dirigem burocraticamente os principais organismos da classe, como CUT, UNE, MST, pastorais sociais, etc., impedindo os trabalhadores de entrar em luta. Os setores lulistas apresentam o discurso de que a a\u00e7\u00e3o do Estado pode livrar o Brasil da crise. Em fun\u00e7\u00e3o disso, defendem Lula e apontam o PT como suposta alternativa contra a amea\u00e7a da direita, o PSDB, DEMos e demais oportunistas, que trariam a volta das privatiza\u00e7\u00f5es e outros ataques contra os trabalhadores.<\/p>\n<p>Que a direita seja uma amea\u00e7a \u00e9 um fato real, mas n\u00e3o \u00e9 real que Lula e o PT sejam alternativas. Lula governa desde 2003 para a burguesia, os bancos, os latif\u00fandi\u00e1rios, as grandes empresas e o capital internacional, que obtiveram lucros como nunca antes. O governo Lula seguiu pagando a d\u00edvida externa fraudulenta, privatizando patrim\u00f4nio p\u00fablico, retirando direitos dos trabalhadores, reprimindo suas lutas, destruindo o meio ambiente, sucateando os servi\u00e7os p\u00fablicos, compactuando fisiologicamente com setores corruptos e conservadores, etc.; e ampliou em escala colossal o assistencialismo, que proporciona al\u00edvio tempor\u00e1rio para a mis\u00e9ria, mas n\u00e3o muda estruturalmente a situa\u00e7\u00e3o dos miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em 2002 e no 2\u00ba turno de 2006 o Espa\u00e7o Socialista defendeu o voto nulo nas elei\u00e7\u00f5es, como forma de indicar a necessidade de uma alternativa pol\u00edtica e ideol\u00f3gica para organizar a classe trabalhadora brasileira. O PT e os organismos que dirige n\u00e3o s\u00e3o essa alternativa. Tornaram-se parte integrante da gest\u00e3o burguesa da economia e do Estado. Em tempos de crise, o papel dessas burocracias como instrumento dos interesses burgueses e obst\u00e1culos para as lutas dos trabalhadores se torna ainda mais acentuado. Os sindicatos ligados \u00e0 CUT e demais centrais pelegas assinam acordos de demiss\u00e3o, rebaixamento de sal\u00e1rio e retirada de direitos. A dire\u00e7\u00e3o do MST impede as ocupa\u00e7\u00f5es de terras. A UNE ap\u00f3ia o sucateamento das universidades p\u00fablicas. Essas dire\u00e7\u00f5es demonstram assim seu compromisso com a defesa da ordem burguesa e a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Por um encontro nacional dos trabalhadores e um programa socialista contra a crise<\/h2>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica das dire\u00e7\u00f5es dos principais organismos da classe, torna-se urgente discutir novas alternativas de organiza\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo recente, a Conlutas tem se destacado por agrupar a vanguarda combativa do movimento sindical e popular. Entretanto, seu peso ainda \u00e9 muito limitado. Est\u00e1 em discuss\u00e3o no movimento a possibilidade de unifica\u00e7\u00e3o entre a Conlutas e a Intersindical, que tamb\u00e9m agrupa alguns sindicatos que romperam com a CUT. As dire\u00e7\u00f5es dessas duas centrais realizaram um semin\u00e1rio em S\u00e3o Paulo (19,20 e 21 de abril) de onde tiraram inclusive um calend\u00e1rio que aponta para um poss\u00edvel congresso de unifica\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de 2010.<\/p>\n<p>Somos a favor da constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa orgnizativa para a classe trabalhadora. Por isso defendemos a realiza\u00e7\u00e3o de um Encontro Nacional dos Trabalhadores para discutir a reorganiza\u00e7\u00e3o da classe. Entretanto, esse processo n\u00e3o pode seguir sendo discutido a partir das c\u00fapulas das centrais. \u00c9 preciso levar o debate para as bases da classe trabalhadora. Esse Encontro seria precedido de plen\u00e1rias regionais, com convoca\u00e7\u00e3o e agita\u00e7\u00e3o nas bases, nas portas de f\u00e1brica, faculdades e col\u00e9gios, locais de grande concentra\u00e7\u00e3o popular, etc. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso que Conlutas e Intersindical rompam com sua pol\u00edtica de atos unificados com a CUT e demais centrais pelegas, como o de 30\/ 03, que ao inv\u00e9s de apresentar uma alternativa, serviram apenas para confundir os trabalhadores.<\/p>\n<p>Mais do que um simples debate sobre a poss\u00edvel unifica\u00e7\u00e3o da Conlutas e Intersindical, \u00e9 preciso discutir que tipo de alternativa organizativa os trabalhadores necessitam. \u00c9 preciso discutir formas de impedir que uma nova central seja burocratizada e aparelhada como a CUT foi pelo PT, estabelecendo formas democr\u00e1ticas de funcionamento, com decis\u00e3o nas inst\u00e2ncias de base, rod\u00edzio dos dirigentes, transpar\u00eancia nas finan\u00e7as, cuidado com a forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pol\u00edtica dos ativistas e dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, se \u00e9 correto dizer que a crise n\u00e3o chegou ao Brasil com todo seu impacto, tamb\u00e9m \u00e9 fato que j\u00e1 causou estragos em v\u00e1rios setores, que sofreram demiss\u00f5es em massa (Embraer, Vale), redu\u00e7\u00f5es de sal\u00e1rios, cortes no or\u00e7amento para despesas de pessoal de v\u00e1rios governos estaduais e municipais. Essa primeira onda da crise j\u00e1 provocou respostas por parte dos trabalhadores. Nos \u00faltimos meses aconteceram greves importantes, como a dos ferrovi\u00e1rios do Rio, trabalhadores da USP e da Sabesp, dos funcion\u00e1rios t\u00e9cnicos da Caixa Econ\u00f4mica Federal, de v\u00e1rias categorias de servidores p\u00fablicos, estaduais e municipais, em especial da educa\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rios estados do norte e nordeste (Par\u00e1, Roraima, Piau\u00ed, Para\u00edba e Cear\u00e1).<\/p>\n<p>Essas greves sinalizam a exist\u00eancia de uma disposi\u00e7\u00e3o de luta por parte dos trabalhadores. \u00c9 preciso avan\u00e7ar a partir dessas lutas isoladas, localizadas, parciais, economicistas, para uma luta da totalidade da classe contra a totalidade do sistema capitalista. Isso exige por parte das dire\u00e7\u00f5es combativas a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa organizativa que traga uma perspectiva de classe, em que os trabalhadores vejam a si mesmos como protagonistas de sua hist\u00f3ria, e reconhe\u00e7am na burguesia e seus governantes de plant\u00e3o os advers\u00e1rios. Para isso \u00e9 preciso construir um programa socialista contra a crise, que questione n\u00e3o apenas os ataques conjunturais de que estamos sendo v\u00edtimas, mas a pr\u00f3pria ordem capitalista, com suas crises, mis\u00e9rias e viol\u00eancias.<\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o \u00e0s demiss\u00f5es! Estabilidade no emprego e reintegra\u00e7\u00e3o dos demitidos!<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/li>\n<li>Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o das empresas que demitirem, amea\u00e7arem fechar ou se transferirem!<\/li>\n<li>Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale e demais empresas privatizadas sob controle dos trabalhadores , sem indeniza\u00e7\u00e3o e com readmiss\u00e3o dos demitidos!<\/li>\n<li>N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa , e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer . Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/li>\n<li>Estatiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro sob controle dos trabalhadores!<\/li>\n<li>Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores. Fim do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio. Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/li>\n<li>Cotas proporcionais para negros e negras nos empregos gerados!<\/li>\n<li>Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta!<\/li>\n<li>Por uma sociedade socialista!<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Todo o apoio \u00e0 luta dos trabalhadores da USP<\/h1>\n<div id=\"node-231\">\n<div>\n<p>No dia 5 de maio teve in\u00edcio a greve dos servidores t\u00e9cnico-administrativos da USP, categoria que re\u00fane 15 mil trabalhadores, organizados pelo Sintusp, sindicato combativo filiado \u00e0 Conlutas.<\/p>\n<p>A greve faz parte da campanha salarial da categoria, que tem como principal reivindica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica um reajuste de cerca de 17% referente a perdas acumuladas. A greve tamb\u00e9m se faz em torno da defesa da universidade p\u00fablica e da livre organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o que se materializa em uma s\u00e9rie de outras reivindica\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>Fim da Univesp (Universidade Virtual do Estado de S\u00e3o Paulo), projeto de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, sem aulas presenciais, com o conte\u00fado sendo transmitido via internet. O objetivo desse projeto \u00e9 fornecer uma pseudo-forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria de segunda linha para setores da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o podem ingressar na Universidade, maquiando as estat\u00edsticas de ensino superior com uma falsa amplia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o projeto ataca a carreira docente da Universidade, pois desobriga o Estado de contratar professores na quantidade necess\u00e1ria para prover um ensino de qualidade.<\/li>\n<li>Aumento das verbas destinadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da Universidade. Os governos estaduais e o governo federal t\u00eam reduzido as verbas destinadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para desviar o dinheiro p\u00fablico para as grandes empresas capitalistas atingidas pela crise mundial.<\/li>\n<li>Fim da tentativa da reitoria da USP de obrigar cerca de 5 mil funcion\u00e1rios (um ter\u00e7o do quadro funcional) a prestar novo concurso, sob amea\u00e7a de demiss\u00e3o. Muitos dos servidores amea\u00e7ados j\u00e1 est\u00e3o na Universidade h\u00e1 mais de vinte anos.<\/li>\n<li>Fim dos processos judiciais e multas contra o Sintusp e o DCE (Diret\u00f3rio Central dos Estudantes) e fim dos 50 processos administrativos e sindic\u00e2ncias contra servidores e alunos. Essas medidas repressivas s\u00e3o uma repres\u00e1lia ao movimento de 2007, que teve seu auge na ocupa\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da reitoria que reverteu os projetos do governo Serra que retiravam a autonomia financeira e administrativa da Universidade. Na ocasi\u00e3o, o Sintusp apoiou a luta dos estudantes. A resposta da reitoria foi a demiss\u00e3o ilegal do diretor da entidade, Claudionor Brand\u00e3o, em 2008. Uma das pautas centrais do movimento \u00e9 a reintegra\u00e7\u00e3o de Brand\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Desde o in\u00edcio da greve a reitoria se recusava a negociar com os representantes dos trabalhadores. Mas no dia 01\/06 a trucul\u00eancia chegou ao auge com o pedido da reitora Suely Vilela de que a tropa de choque da PM invadisse o campus da Cidade Universit\u00e1ria para reprimir os piquetes, sobre o pretexto de supostos &#8220;danos ao patrim\u00f4nio p\u00fablico&#8221;. Trata-se de uma medida ilegal, j\u00e1 que o estatuto da Universidade garante a sua inviolabilidade e proibe o aparato policial de adentrar ao campus.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da PM provocou imediata rea\u00e7\u00e3o de outros setores da comunidade acad\u00eamica. Os docentes (que se organizam numa entidade separada, a Adusp, filiada ao Andes-Sindicato Nacional) e os estudantes realizaram um ato de protesto em conjunto no dia 02\/06. Nas assembl\u00e9ias do dia 04\/06, professores e estudantes tamb\u00e9m entraram em greve, em solidariedade aos funcion\u00e1rios. Trata-se de uma greve fortemente pol\u00edtica, de apoio aos trabalhadores e de rep\u00fadio ao autoritarismo da reitoria e do governo estadual.<\/p>\n<p>O governo Serra, em plena vig\u00eancia da democracia burguesa, se comporta de forma t\u00e3o ou mais agressiva que a ditadura militar. A \u00faltima invas\u00e3o da Pol\u00edcia na USP, para reprimir a greve dos funcion\u00e1rios ocorreu h\u00e1 30 anos, em plena ditadura militar, quando se iniciava a organiza\u00e7\u00e3o popular do movimento contra a ditadura. Em 2007, com a reitoria ocupada pelos estudantes, o governo Serra n\u00e3o se atreveu a enviar a pol\u00edcia ao campus.<\/p>\n<p>Agora, em 2009, o movimento dos trabalhadores, estudantes e professores se choca frontalmente contra a pol\u00edtica de Serra e Lula de destrui\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos em geral, arrocho salarial dos servidores. Essa pol\u00edtica \u00e9 central tanto para o PSDB como para o PT, pois trata- se de um projeto da burguesia brasileira e mundial, que visa esvaziar as fun\u00e7\u00f5es do Estado e desviar os recursos p\u00fablicos para o socorro ao capital, seriamente amea\u00e7ado pela crise estrutural.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua import\u00e2ncia, o movimento est\u00e1 sendo duramente atacado, o que demonstra a disposi\u00e7\u00e3o da burguesia de usar a for\u00e7a para reprimir movimentos que contestem os aspectos centrais de sua pol\u00edtica. A imprensa burguesa, por sua vez, cumpre mais uma vez o papel nefasto de desinformar a popula\u00e7\u00e3o e apresentar os setores em luta como &#8220;v\u00e2ndalos, arruaceiros, bandidos&#8221;, tentando colocar a opini\u00e3o p\u00fablica contra o movimento.<\/p>\n<p>Por fim, no dia 09\/06, um ato conjunto de trabalhadores, estudantes e professores, com apoio de caravanas de outros campi e de representantes de outras entidades, visando for\u00e7ar a reabertura das negocia\u00e7\u00f5es, foi alvo de uma violenta repress\u00e3o da pol\u00edcia. Cenas de guerra foram vistas no campus da USP, com uso de bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, bombas de efeito moral, espancamento e pris\u00e3o de manifestantes, entre os quais Claudionor Brand\u00e3o.<\/p>\n<p>O Espa\u00e7o Socialista se solidariza com a luta de trabalhadores, estudantes e professores e colocar\u00e1 todas as suas for\u00e7as numa campanha de apoio \u00e0 greve e \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m estamos impulsionando uma campanha de apoio, com abaixo assinado em outras categorias, panfletagens, atos e reuni\u00f5es de solidariedade, mo\u00e7\u00f5es, etc.<\/p>\n<ul>\n<li>Fora a Pol\u00edcia Militar do campus!<\/li>\n<li>Fora Suely Vilela, Paulo Renato, serra e seu autoritarismo!<\/li>\n<li>N\u00e3o \u00e0 Univesp e \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria!<\/li>\n<li>Pela revoga\u00e7\u00e3o de todos os processos administrativos e judiciais envolvendo lideran\u00e7as do movimento!<\/li>\n<li>Pela reintegra\u00e7\u00e3o de todas as lideran\u00e7as do movimento, incluindo o diretor do SINTUSP, Claudionor Brand\u00e3o!<\/li>\n<li>Fora as funda\u00e7\u00f5es privadas, que se aproveitam da estrutura da universidade como balc\u00e3o de neg\u00f3cios!<\/li>\n<li>Por uma universidade p\u00fablica, gratuita e de qualidade para todos<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Banc\u00e1rios &#8211; por um Encontro Nacional que reorganize o polo combativo da oposi\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<div id=\"node-232\">\n<div>\n<p>O Movimento Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria (MNOB) surgiu da hist\u00f3rica greve nacional de 30 dias em 2004, como um p\u00f3lo aglutinador da vanguarda do movimento grevista, sendo composto por lutadores, piqueteiros, l\u00edderes que ajudaram na mobiliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 o \u00faltimo dia de greve.<\/p>\n<p>Inicialmente, o MNOB abrangia todos os setores que eram contra os banqueiros e contra o governo Lula. Como puni\u00e7\u00e3o aos grevistas, foi &#8220;institu\u00eddo&#8221; desde ent\u00e3o o desconto dos dias parados nos bancos federais. Isso deixou claro de que lado estavam Lula e o PT.<\/p>\n<p>De 2004 em diante, o MNOB sofreu um progressivo esvaziamento, como reflexo do pr\u00f3prio esvaziamento das greves e das lutas da categoria desde ent\u00e3o. Al\u00e9m disso, muitos companheiros independentes, integrantes de correntes pol\u00edticas minorit\u00e1rias ou de coletivos locais tamb\u00e9m se afastaram, devido \u00e0 discord\u00e2ncia com a forma como a corrente pol\u00edtica majorit\u00e1ria do MNOB (PSTU) conduzia o movimento. De modo geral, a linha pol\u00edtica j\u00e1 vinha &#8220;pronta&#8221;, tendo sido decidida pelo partido em seus f\u00f3runs internos e trazida ao movimento para ser executada pelos demais. Os panfletos, por exemplo, j\u00e1 surgem escritos, cabendo aos demais apenas distribu\u00ed-los.<\/p>\n<p>Outro fator que contribuiu para o esvaziamento do movimento foi a falta de organicidade da Oposi\u00e7\u00e3o. As reuni\u00f5es s\u00f3 ocorriam quando o PSTU decidia que poderiam ocorrer (houve inclusive casos de reuni\u00f5es desmarcadas sem aviso aos demais integrantes que n\u00e3o eram do partido).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de se enfrentar com os banqueiros, o governo e a Articula\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o oficial do movimento, a categoria teve que lidar tamb\u00e9m com os problemas internos de organiza\u00e7\u00e3o da Oposi\u00e7\u00e3o, que apesar de lutas her\u00f3icas, n\u00e3o conseguiu reverter os ataques que a categoria vem sofrendo em seus v\u00e1rios seguimentos.<\/p>\n<p>Numa crise econ\u00f4mica como a atual, os patr\u00f5es e os governos est\u00e3o cada vez mais unidos para jogar nas costas dos trabalhadores o \u00f4nus da bancarrota capitalista. O atual est\u00e1gio de esfacelamento da Oposi\u00e7\u00e3o, numa conjuntura de crise como essa, recoloca na ordem do dia a unidade dos lutadores. Nesse sentido, \u00e9 necess\u00e1rio organizar um Encontro Nacional da Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria, aberto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos os banc\u00e1rios que tenham claro que os nossos inimigos s\u00e3o os governos, a Articula\u00e7\u00e3o e os banqueiros.<\/p>\n<p>A unidade a ser constru\u00edda precisa se pautar por uma nova metodologia, que corrija os problemas que causaram o esvaziamento do MNOB ao longo dos anos. \u00c9 preciso que haja democracia na defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, uma Coordena\u00e7\u00e3o eleita com mandato e tarefas definidas, organicidade nas atividades, presta\u00e7\u00e3o de contas regulares, etc. \u00c9 preciso que os f\u00f3runs do movimento sejam respeitados e que o MNOB n\u00e3o seja propriedade deste ou daquele partido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Proposta de encontro do PSTU: mais do mesmo<\/h2>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o Encontro est\u00e1 ocorrendo nos f\u00f3runs do MNOB, tendo sido indicado o in\u00edcio do m\u00eas de julho como data prov\u00e1vel de sua realiza\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo period, o PSTU tem defendido um Encontro de dois dias. No primeiro dia seriam discutidas a\u00e7\u00f5es conjuntas com as v\u00e1rias oposi\u00e7\u00f5es. No segundo, haveria uma discuss\u00e3o apenas com os setores que atualmente se identificam como MNOB, para tratar de sua reorganiza\u00e7\u00e3o interna. O problema \u00e9 que o MNOB se reduziu praticamente a militantes do PSTU, de forma que uma reorganiza\u00e7\u00e3o do MNOB nesses moldes continuaria aqu\u00e9m das necessidades da categoria. Os banc\u00e1rios precisam da unidade das oposi\u00e7\u00f5es para ter condi\u00e7\u00f5es de lutar contra o controle da Articula\u00e7\u00e3o sobre as campanhas salariais. Por isso, \u00e9 preciso reorganizar uma Oposi\u00e7\u00e3o Nacional que agrupe todos os coletivos e militantes independentes que tenham atua\u00e7\u00e3o combativa na categoria e que se coloquem como oposi\u00e7\u00e3o aos banqueiros, ao governo e \u00e0 Articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do Espa\u00e7o Socialista, defendemos um Encontro de car\u00e1ter aberto, democr\u00e1tico e que sirva para construir uma Nova Oposi\u00e7\u00e3o, uma Frente Nacional de todas as for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o, de car\u00e1ter mais plural e de base, como foi um dia o MNOB na sua funda\u00e7\u00e3o em Caet\u00e9s-MG 2004.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">O que est\u00e1 por tr\u00e1s da pol\u00edtica educacional?<\/h1>\n<div id=\"node-233\">\n<div>\n<p style=\"text-align: right;\">Cl\u00e1udio Alves<\/p>\n<p>\u00c9 importante compreendermos, desvendarmos e denunciarmos o papel e a fun\u00e7\u00e3o que a escola cumpre e dever\u00e1 cumprir, do ponto de vista dos governos capitalistas em todas as suas esferas de administra\u00e7\u00e3o (municipal\/estadual \/ federal) , a fim de lutarmos por um outro tipo de sociedade e, conseq\u00fcentemente, de escola. A Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica torna-se a cada dia um mecanismo de controle social e distancia-se cada vez mais da possibilidade de provedora da emancipa\u00e7\u00e3o humana. Dessa forma, tem sido necess\u00e1rio alienar e reprimir o professor, impondo-lhe a l\u00f3gica da atividade produtiva para colocar em pr\u00e1tica o projeto estatal burgu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A educa\u00e7\u00e3o como mecanismo de controle social e ideol\u00f3gico<\/h2>\n<p>A escola p\u00fablica desde sempre tem sido o lugar de reprodu\u00e7\u00e3o da cultura dominante. No entanto, procurava-se encobrir esse papel social e ideol\u00f3gico. Atualmente, mais do que nunca, se defende abertamente esse papel como se a cultura dominante fosse natural &#8220;correta, universal e todas que se afastam de seus padr\u00f5es s\u00e3o inferiores, primitivas, desprez\u00edveis e deficientes&#8221;. Dessa forma faz-se necess\u00e1rio, do ponto de vista dos governos, abolir livros did\u00e1ticos que seguem uma linha mais cr\u00edtica, satanizar autores marxistas e fornecer assinaturas de revistas (Nova Escola) que defendem abertamente a pol\u00edtica dominante e sobretudo a &#8220;adapta\u00e7\u00e3o&#8221; do professor.<\/p>\n<p>Os cursos de &#8220;forma\u00e7\u00e3o de professores&#8221; e suas terminologias servem para refor\u00e7ar a ideologia dominante e n\u00e3o levam a lugar algum na em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da educa\u00e7\u00e3o estatal. Ali\u00e1s, conforme M. H. S. Patto (Fala Professora) os ternos usados dizem muito. Veja: &#8220;recilar, reciclagem designam, na F\u00edsica, um conjunto de transforma\u00e7\u00f5es que levam um sistema a um estado final igual ao inicial; treinar, treinamento s\u00e3o frequentemente usadas como sin\u00f4nimos de adestramentos de homens e animais em alguma habilidade mec\u00e2nica; aperfei\u00e7oar, aperfei\u00e7oamento trazem estampada a ideia de perfei\u00e7\u00e3o e de emendar os pr\u00f3prios defeitos, tarefa humanamente imposs\u00edvel, sobretudo nas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho do professor numa realidade social como a nossa&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 tentando implementar esse tipo de &#8220;forma\u00e7\u00e3o&#8221; que a burguesia paulista e o governo buscam conciliar dois de seus objetivos fundamentais: dominar as mentes e sangrar os cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A tentativa de fazer o professor se enquadrar e a sua condi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria<\/h2>\n<p>A tentativa de enquadrar o professor para que reproduza uma ideologia que n\u00e3o \u00e9 sua e para conter os problemas dentro das escolas se d\u00e1 atrav\u00e9s em conjunto com a retirada de direitos, responsabiliza\u00e7\u00e3 o do professor pelo fracasso escolar, com o achatamento salarial e pela repress\u00e3o pol\u00edtica (ofensiva do governo contra professores sindicalizados e controle de sua pr\u00e1tica cotidiana).<\/p>\n<p>Aproximando a condi\u00e7\u00e3o do professor ao do oper\u00e1rio do s\u00e9culo XIX podemos entender a an\u00e1lise de Marx (Manuscritos Econ\u00f4micos e Filos\u00f3ficos) quanto ao processo de aliena\u00e7\u00e3o: &#8220;um sentimento de sofrimento em vez de bem estar, n\u00e3o desenvolve suas energias mentais e f\u00edsicas, ficando fisicamente exausto e mentalmente deprimido&#8221;. Dessa forma, assistimos a proletariza\u00e7\u00e3o do professor com a falta de realiza\u00e7\u00e3o em seu trabalho, com o excesso de trabalho, , com a desmotiva\u00e7\u00e3o, com a perda da autonomia de c\u00e1tedra e consequentemente uma esp\u00e9cie de bloqueio sobre a atividade criativa do pensamento.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre o regime cansativo de trabalho, falta de perspectiva, o achatamento salarial e a falta de autonomia identificada com a tragicidade descrita por Paulo Freire &#8220;\u00e9 marcada pela desesperan\u00e7a que se instala no momento em se perde a hip\u00f3tese do amanh\u00e3 em que o amanh\u00e3 n\u00e3o \u00e9 mais que repeti\u00e7\u00e3o, ced\u00eancia talvez diferente, mais sempre repeti\u00e7\u00e3o, de um presente terr\u00edvel, cuja raz\u00e3o de ser mais profunda n\u00e3o \u00e9 apreendida&#8221;.<\/p>\n<p>A tentativa de desmoralizar o professor da rede p\u00fablica fundamenta-se nesses pilares para atingir os servi\u00e7os p\u00fablicos e todo o funcionalismo al\u00e9m de buscar isola-lo de toda atividade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O isolamento do professor<\/h2>\n<p>Um outro aspecto importante que retrata a situa\u00e7\u00e3o do professor da rede p\u00fablica &#8211; que o afasta da participa\u00e7\u00e3o dos sindicatos, das lutas pol\u00edticas por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e por quest\u00f5es salariais &#8211; \u00e9 o seu isolamento nas escolas e em suas salas de aulas. Esse isolamento reduz sua rela\u00e7\u00e3o com os professores da pr\u00f3pria escola e alunos de modo que as sa\u00eddas para os problemas passam a ser buscadas individualmente ou no \u00e2mbito da pr\u00f3pria escola. Ou seja, os problemas e as solu\u00e7\u00f5es deixam de ser tratadas coletivamente.<\/p>\n<p>O professor observa essa din\u00e2mica, depara-se com publica\u00e7\u00f5es que rendem fortunas \u00e0 iniciativa privada e envergonham, mas ainda n\u00e3o consegue romper a barreira do isolamento. Um exemplo disso foi a falta de rea\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos Projetos de Lei 19 e 20 encaminhados pelo governador \u00e0 Assembl\u00e9ia Legislativa que objetivam acabar com a estabilidade e estabelecem as condi\u00e7\u00f5es de &#8220;frente de trabalho&#8221; na Educa\u00e7\u00e3o. Outro exemplo pode ser a proposta de reforma do Ensino M\u00e9dio em que o governo federal contribui para aumentar o desemprego no setor e reduzir ainda mais a qualidade da aprendizagem.<\/p>\n<p>Um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o das lutas no setor da Educa\u00e7\u00e3o precisa romper a barreira do munic\u00edpio, estado e uni\u00e3o. Somente a unidade dos professores juntamente com a comunidade escolar poder\u00e1 garantir um outro objetivo para a Educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental redobrar os esfor\u00e7os para envolver todos os trabalhadores na luta por uma Educa\u00e7\u00e3o de qualidade para os nossos filhos superando as lutas sindicais e imediatistas.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que n\u00f3s trabalhadores tratemos a Educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis, como um bem coletivo e um dos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social e espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>Para isso, a luta por uma Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade sob o controle dos trabalhadores deve ser combinada com a luta pela transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9: chapa de esquerda, formada em conven\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, vence elei\u00e7\u00f5es do D.A.<\/h1>\n<div id=\"node-234\">\n<div>\n<p>O in\u00edcio do m\u00eas de Junho na Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 foi marcado pelo processo eleitoral para o Diret\u00f3rio Acad\u00eamico da FAFIL. A primeira especificidade destas elei\u00e7\u00f5es reside no fato de terem se formado quatro chapas para concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, diferentemente do processo ocorrido no ano passado, quando formou-se um &#8220;chap\u00e3o&#8221; baseado em um programa e experi\u00eancia do movimento de que sa\u00edmos em 2008. Apesar de os membros da chapa estarem de acordo com as reivindica\u00e7\u00f5es da greve e que foi fundamental para unir todos os setores de esquerda em uma \u00fanica chapa de luta, o processo cotidiano da gest\u00e3o da entidade foi muito complicado, pois v\u00e1rios militantes sequer cumpriam com as tarefas votadas.<\/p>\n<p>A falta de uma s\u00e9ria discuss\u00e3o desse programa n\u00e3o s\u00f3 com os militantes organizados mas tamb\u00e9m com a base dos estudantes, a falta de acordo entre os membros da chapa com alguns princ\u00edpios que amarrassem minimamente a atua\u00e7\u00e3o no mesmo sentido culminou em um DA esvaziado, ao qual a maioria dos estudantes e membros da pr\u00f3pria chapa n\u00e3o se identificavam e n\u00e3o tinham com ele nenhum compromisso.<\/p>\n<p>Ao final da gest\u00e3o, as reuni\u00f5es contavam com poucos participantes, todos militantes organizados ou que possu\u00edam alguma liga\u00e7\u00e3o com a milit\u00e2ncia organizada presentes. A forma\u00e7\u00e3o do &#8220;chap\u00e3o&#8221; terminou por resultar em um \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o tinha for\u00e7a para sequer tocar as tarefas m\u00ednimas e que contou com s\u00e9rios problemas na rela\u00e7\u00e3o partido- movimento por parte dos militantes do PSTU. Se por um lado, n\u00e3o negamos, t\u00eam o m\u00e9rito de n\u00e3o terem abandonado a gest\u00e3o como muitos fizeram, por outro, tentavam usar o Diret\u00f3rio na maioria das vezes exclusivamente para implementar suas pol\u00edticas nacionais, valendo-se de graves problemas de m\u00e9todo e uma grande falta de discernimento do seu papel na constru\u00e7\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p>Gastou-se muito tempo e energia dos poucos resistentes que ainda participavam das cansativas reuni\u00f5es finais da \u00faltima gest\u00e3o do DA com discuss\u00f5es externas \u00e0 FSA, que devem e precisam ser feitas, mas n\u00e3o devem se sobrepor mecanicamente \u00e0s demandas dos estudantes da FSA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A constru\u00e7\u00e3o do processo democr\u00e1tico<\/h2>\n<p>Diante da caracteriza\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o do DA no \u00faltimo per\u00edodo, este ano decidimos impulsionar a realiza\u00e7\u00e3o de uma Conven\u00e7\u00e3o de estudantes da FSA, aberta e democr\u00e1tica, que garantisse um amplo debate para a constru\u00e7\u00e3o de um programa m\u00ednimo e de uma chapa que o representasse. Assim nascia a UNIDADE PELA LUTA.<\/p>\n<p>Uma intensa mobiliza\u00e7\u00e3o se armou. Todas as salas da FAFIL foram convidadas, e ap\u00f3s v\u00e1rias reuni\u00f5es preparat\u00f3rias, realizamos em 20\/05 a CONVEN\u00c7\u00c3O, contando com mais de 50 alunos, dos 11 cursos da FAFIL. Esse n\u00famero de alunos pode parecer pequeno no universo de 2.500 alunos da FAFIL, mas, \u00e9 um avan\u00e7o diante do quadro de desmobiliza\u00e7\u00e3o no qual o Movimento Estudantil da FSA se encontra.<\/p>\n<p>Outro fato que merece destaque \u00e9 que o processo de Conven\u00e7\u00e3o garantiu a discuss\u00e3o e constitui\u00e7\u00e3o de um programa pr\u00f3prio dos estudantes da FSA. Mesmo com algumas lacunas que podem ser apontadas no mesmo, ele est\u00e1 longe de ser aqueles programas ex\u00f3genos, concebidos longe da FSA e que s\u00e3o oferecidos aos estudantes da FAFIL como um contrato de ades\u00e3o: aceita ou aceita. Em sua simplicidade, o programa resultante da Conven\u00e7\u00e3o queria dizer: sim, n\u00f3s podemos fazer algo por nossa pr\u00f3pria autonomia. E no ano que vem ser\u00e1 ainda melhor.<\/p>\n<p>Sobre um processo de sucess\u00e3o para o DA com 4 chapas, achamos que foi positivo para conhecermos as for\u00e7as pol\u00edticas em atua\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) dentro da FAFIL. Dessas chapas, tr\u00eas eram formadas por militantes e ativistas de esquerda e uma, que embora tivesse alguns participantes que participaram das mobiliza\u00e7\u00f5es de 2007- 2008, agora se apoiavam num discurso de &#8220;garantir as aulas&#8221;, numa nega\u00e7\u00e3o daquele processo que foi o estopim da queda do reitor corrupto.<\/p>\n<p>Outro fato bastante negativo \u00e9 do que s\u00e3o capazes algumas correntes pol\u00edticas de esquerda quando perceberam o risco de sa\u00edrem derrotadas do processo, utilizando de expedientes de difama\u00e7\u00e3o e boataria, e at\u00e9 o famoso &#8220;p\u00e3o e circo&#8221;, quando se ofertou um Tel\u00e3o para assistir ao jogo &#8220;Corinthians x Vasco&#8221;, como cortesia de uma certa chapa. Ou seja, vimos &#8220;mais do mesmo&#8221;, repeti\u00e7\u00e3o das usuais pr\u00e1ticas da direita.<\/p>\n<p>A UNIDADE PELA LUTA foi eleita dentro da concep\u00e7\u00e3o de um D.A. executivo, que coloca em pr\u00e1tica o que \u00e9 discutido e aprovado nas esferas de decis\u00e3o dos estudantes (Assembl\u00e9ia Geral, Assembl\u00e9ias de Curso, Conselho de Representantes de Classe, e reuni\u00f5es deliberativas convocadas para decidir algum tema espec\u00edfico).<\/p>\n<p>Por isso, dentro dessa concep\u00e7\u00e3o de DA horizontal, que garanta voz e voto para todo aluno da FAFIL, conclamamos as demais chapas, correntes pol\u00edticas, e independentes, a ajudar a construir um DA forte, que d\u00ea vez e voz aos estudantes da FAFIL. O \u00fanico risco &#8211; se houver &#8211; \u00e9 aprovar e implementar a vontade dos estudantes presentes na reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Caracterizamos o pr\u00f3ximo per\u00edodo como de ataques contra os estudantes, em particular aos estudantes trabalhadores (inadimpl\u00eancia, tentativa de aumento das mensalidades, fechamento de salas, sucateamento dos laborat\u00f3rios e bibliotecas, entre outras a\u00e7\u00f5es) vindo de todas as frentes (da Reitoria da CUFSA, da prefeitura e dos governos estadual e federal). Por isso, mais do que nunca, faz- se necess\u00e1ria a UNIDADE de a\u00e7\u00e3o no DA, uma vez que a unidade n\u00e3o foi poss\u00edvel nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse apelo \u00e9 feito a todos, especialmente \u00e0queles que j\u00e1 se anunciaram como oposi\u00e7\u00e3o. Fazer oposi\u00e7\u00e3o ao DA no pr\u00f3ximo per\u00edodo &#8211; horizontal e aberto como pretendemos &#8211; \u00e9 colocar-se em oposi\u00e7\u00e3o aos estudantes da FAFIL.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Epidemias e crise econ\u00f4mica: o capitalismo mata<\/h1>\n<div id=\"node-235\">\n<p style=\"text-align: right;\">Dalmo Duarte<\/p>\n<p>\u00a0Nos \u00faltimos meses o mundo est\u00e1 sendo amea\u00e7ado com a possibilidade de prolifera\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus inicialmente denominado &#8220;gripe su\u00edna&#8221; e depois A H1N1 com alta taxa de transmiss\u00e3o entre humanos e de uma perigosa letalidade.<\/p>\n<p>Apesar do desinteresse da m\u00eddia nos \u00faltimos dias o perigo ainda est\u00e1 nos rondando. Os casos continuam se espalhando pelo mundo e no Brasil s\u00f3 nos \u00faltimos 30 dias os casos mais que dobraram (e continuar\u00e1 subindo). Sua presen\u00e7a est\u00e1 em v\u00e1rios pa\u00edses, dos mais pobres aos mais ricos. A pr\u00f3pria OMS a caracteriza como &#8220;pandemia moderada&#8221;. Apesar da insist\u00eancia dos diversos \u00f3rg\u00e3os da burguesia mundial em caracteriz\u00e1-lo como uma cat\u00e1strofe natural, uma an\u00e1lise um pouco mais apurada desmonta esse argumento irrespons\u00e1vel. As doen\u00e7as que se caracterizaram como grandes cat\u00e1strofes mundiais tem tanto no seu surgimento como no desenvolvimento causas sociais, ou seja, as condi\u00e7\u00f5es do meio em que as pessoas e os animais est\u00e3o inseridos, s\u00e3o a verdadeira causa dessa e de outras doen\u00e7as que apareceram.<\/p>\n<p>A falta de saneamento b\u00e1sico, a fome e a mis\u00e9ria que exp\u00f5e milh\u00f5es de seres humanos a todo tipo de doen\u00e7a, altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas em v\u00e1rios tipos de alimentos que consumimos diariamente, a industrializa\u00e7\u00e3o das cria\u00e7\u00f5es de animais (grandes fazendas automatizadas), as ra\u00e7\u00f5es modificadas para acelerar o processo de engorda e tornar a carne mais lucrativa, a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente constituem a base para o desenvolvimento de tantas e tantas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>No caso da &#8220;gripe su\u00edna&#8221; especialistas independentes apontam que a vacina\u00e7\u00e3o das cria\u00e7\u00f5es de porcos com antivirais de efic\u00e1cia duvidosa (s\u00f3 para atender exig\u00eancias de alguns pa\u00edses consumidores) \u00e9 outro facilitador de muta\u00e7\u00f5es desses v\u00edrus, o que os tornam potencialmente perigosos e anuncia outras epidemias. S\u00e3o nessas condi\u00e7\u00f5es, pr\u00f3prias do capitalismo, que as doen\u00e7as se propagam rapidamente e coloca em risco milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento t\u00e9cnico que se alcan\u00e7ou poderia permitir a humanidade ter uma qualidade de vida nunca antes imaginada, mas essa t\u00e9cnica sob dom\u00ednio da burguesia se transforma em destrui\u00e7\u00e3o. As for\u00e7as produtivas passam a se opor \u00e0 natureza, com tecnologias que constantemente levam a destrui\u00e7\u00e3o e a acidentes de grandes propor\u00e7\u00f5es, como chuvas ou sol em excesso, o desenvolvimento de novas doen\u00e7as, etc.<\/p>\n<p>A atual configura\u00e7\u00e3o do capital torna o seu processo produtivo extremamente destrutivo tornando a natureza uma presa. Quase tudo que se produz na sociedade capitalista deixa um lastro de destrui\u00e7\u00e3o da vida natural. A devasta\u00e7\u00e3o das florestas, dos rios e de toda vida selvagem deixa o sistema ecol\u00f3gico fr\u00e1gil e debilitado de maneira que n\u00e3o mais consegue encontrar em seu pr\u00f3prio meio as formas de controle de bact\u00e9ria, fungos, v\u00edrus, etc, desenvolvendo situa\u00e7\u00f5es que facilitam a prolifera\u00e7\u00e3o de todo tipo de doen\u00e7as que atingem homens e outros seres da natureza. A produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 um risco para a humanidade.<\/p>\n<p>A ideologia burguesa sempre oferece explica\u00e7\u00f5es falsas para o que acontece. Escondem as reais causas de tantas doen\u00e7as e tantas mortes &#8220;imbecis&#8221; que se espalham pelo mundo. E para isso aparecem &#8220;cientistas&#8221; e &#8220;especialistas&#8221; muito bem pagos pelos grandes laborat\u00f3rios em suspeitas entrevistas aos meios de comunica\u00e7\u00e3o tratando tais doen\u00e7as como se fossem fatos sobrenaturais e imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>Como parte da luta contra o capitalismo, \u00e9 preciso dar uma explica\u00e7\u00e3o para essas e outras doen\u00e7as a partir do marxismo, ou seja, de que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 o verdadeiro respons\u00e1vel pelas doen\u00e7as que se alastraram rapidamente. Nos \u00faltimos anos tivemos a vaca louca, a gripe do frango e agora a gripe su\u00edna todas elas provocadas por manipula\u00e7\u00f5es na ra\u00e7\u00e3o ou mesmo o confinamento a que est\u00e3o submetidos, condi\u00e7\u00f5es impostas pela produ\u00e7\u00e3o capitalista que sempre objetiva o lucro. A &#8220;gripe su\u00edna&#8221; \u00e9 s\u00f3 mais uma delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Crise econ\u00f4mica e sa\u00fade p\u00fablica<\/h2>\n<p>A grave crise da economia capitalista, a qual todos os pa\u00edses est\u00e3o submetidos, colocou em movimento um plano dos Estados capitalistas para salvar as suas burguesias, distribuindo enormes quantias de dinheiro p\u00fablico para o setor privado e sem qualquer perspectiva de que o Estado vai receber de volta. Nos Estados Unidos foram bilh\u00f5es de d\u00f3lares para bancos, companhias de seguro e mais recentemente injetaram bilh\u00f5es para &#8220;recuperar&#8221; a GM. No Brasil \u00e9 o financiamento das empresas automobil\u00edsticas e tantas outras &#8220;ajudas&#8221; para os grandes grupos capitalistas.<\/p>\n<p>O Estado coloca a disposi\u00e7\u00e3o dos capitalistas bilh\u00f5es de d\u00f3lares. S\u00f3 que para garantir a libera\u00e7\u00e3o desse dinheiro para as empresas privadas os governos precisam cortar verbas do servi\u00e7o p\u00fablico seja da educa\u00e7\u00e3o ou mesmo da sa\u00fade p\u00fablica. A crise econ\u00f4mica e a pol\u00edtica adotada pela maioria dos governos colocam em risco qualquer plano para enfrentar uma pandemia como essa amea\u00e7a pela gripe su\u00edna.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o crise e sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 o aumento do lucro dos laborat\u00f3rios que fabricam medicamentos (principalmente o Tamiflu) adotados pela maioria dos governos para combater a &#8220;gripe su\u00edna&#8221;. O fato de terem a sua efici\u00eancia questionada, tanto porque foram fabricados antes desse surto como pelo fato de que s\u00e3o estoques antigos &#8211; era para combater a gripe vi\u00e1ria-, n\u00e3o impediu que a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade), em abril, recomendasse aos governos que comprassem e aumentassem os seus estoques desses antivirais. O resultado foi que o lucro aumentou e o valor das a\u00e7\u00f5es da Roche e Gilead (fabricantes) subiu mais de 4% m\u00eas de abril. A curiosidade \u00e9 que Donald Rumsfield (ex-secret\u00e1rio de defesa dos Estados Unidos no governo Bush) \u00e9 um dos diretores dessa empresa. S\u00f3 ap\u00f3s v\u00e1rias press\u00f5es \u00e9 que a OMS reconheceu a possibilidade de que esses antivirais n\u00e3o surtem o efeito desejado.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento ainda h\u00e1 um controle, fr\u00e1gil, do v\u00edrus da &#8220;gripe su\u00edna&#8221;, mas o que j\u00e1 provou que o atual sistema de sa\u00fade p\u00fablica mundial n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de enfrentar uma pandemia dessa natureza ou qualquer outra doen\u00e7a que ganhe propor\u00e7\u00f5es mundiais. Como os trabalhadores e pobres dependem da sa\u00fade p\u00fablica o descontrole desse v\u00edrus pode fazer com que milh\u00f5es de trabalhadores sejam condenados a morte.<\/p>\n<p>\u00c9 para n\u00e3o expor a precariedade da sa\u00fade p\u00fablica capitalista que a m\u00eddia burguesa esconde e mente para o mundo. O desvio de recursos p\u00fablicos para a iniciativa privada \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o que no capitalismo os interesses dos grupos e empresas sempre est\u00e3o acima das necessidades humanas. Para o capitalismo o lucro vem antes da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Quebrar as patentes: o conhecimento a servi\u00e7o da humanidade<\/h2>\n<p>Os laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos est\u00e3o entre os neg\u00f3cios mais lucrativos do capitalismo, lucram mais que tr\u00e1fico de drogas e armamentos. S\u00e3o verdadeiras fortalezas do capitalismo, que acumula bilh\u00f5es tornando os doentes seus ref\u00e9ns.<\/p>\n<p>Mas na forma\u00e7\u00e3o dessa fortuna tamb\u00e9m tem um dedo dos Estados capitalistas que, mesmo com milh\u00f5es de pessoas morrendo, mant\u00e9m a prote\u00e7\u00e3o das patentes de medicamentos que poderiam curar as pessoas. Outra contribui\u00e7\u00e3o muito generosa \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o de verbas p\u00fablicas para esses laborat\u00f3rios. Nos Estados Unidos, por exemplo, o que os laborat\u00f3rios gastam com pesquisa e propaganda podem ser abatidos dos tributos. Sem falar no fato de que j\u00e1 pagam impostos bem menores. Outra forma de ajuda do Estado ao laborat\u00f3rio est\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o das verbas para as pesquisas. Como as pesquisas iniciais s\u00e3o mais caras e arriscadas (a chance de n\u00e3o dar certo \u00e9 maior) o Estado as financia, sendo que 90 % dos custos de pesquisas dos 5 medicamentos mais vendidos nos anos 90 foram custeadas por verbas p\u00fablicas. Elias Zerhouni, diretor do NIH (Instituto Nacional de Sa\u00fade nos Estados Unidos) confirma: &#8220;&#8230;n\u00f3s financiamos quase 90% da investiga\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos na esfera da sa\u00fade&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Todo esse mecanismo \u00e9 garantido com a preserva\u00e7\u00e3o das patentes (propriedade da f\u00f3rmula dos medicamentos) e que para os trabalhadores representa a morte. As pesquisas s\u00e3o feiras com dinheiro p\u00fablico, os laborat\u00f3rios ficam com a f\u00f3rmula e os trabalhadores morrem porque n\u00e3o podem comprar rem\u00e9dios tabelados pelos monop\u00f3lios que, por serem os \u00fanicos que produzem, cobram o que querem.<\/p>\n<p>O lucro n\u00e3o pode estar acima da vida. Por isso \u00e9 fundamental a luta pela estatiza\u00e7\u00e3o, sob controle dos trabalhadores, de todos os laborat\u00f3rios tornando p\u00fablico todas as f\u00f3rmulas dos medicamentos. A &#8220;gripe su\u00edna&#8221; e apenas um dos casos, pois h\u00e1 outras doen\u00e7as como a AIDS, a tuberculose, a mal\u00e1ria, a doen\u00e7a de chagas, v\u00e1rios tipos de c\u00e2ncer que t\u00eam medicamentos que ou curam ou garantem uma vida com mais qualidade para as pessoas, mas que as pessoas n\u00e3o conseguem utiliz\u00e1-los pelos altos custos.<\/p>\n<p>O capitalismo j\u00e1 provou o seu poder de destrui\u00e7\u00e3o e sob o dom\u00ednio dele os homens n\u00e3o controlam as for\u00e7as da natureza, pelo contr\u00e1rio, cada ato seu \u00e9 sin\u00f4nimo de destrui\u00e7\u00e3o e de oposi\u00e7\u00e3o do homem ao pr\u00f3prio homem e \u00e0 vida.<\/p>\n<p>S\u00f3 colocando o conhecimento a servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 que acabaremos com doen\u00e7as que ainda matam milh\u00f5es de pessoas pelo mundo. Fim do monop\u00f3lio dos laborat\u00f3rios. Quebra de todas as patentes de medicamentos. Sa\u00fade p\u00fablica e gratuita para todos os trabalhadores. Tarefas que s\u00f3 podem ser levadas adiante com o socialismo, \u00fanico sistema social que produz de acordo com as necessidades humanas e n\u00e3o pelo lucro, \u00fanica maneira de livrar a humanidade de todo sofrimento.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Cem dias da gest\u00e3o Obama: a l\u00f3gica segue a mesma<\/h1>\n<div id=\"node-236\">\n<div>\n<p>O governo Obama, contrariando as expectativas daqueles que embarcaram na atmosfera de mudan\u00e7a de sua campanha eleitoral, j\u00e1 completou mais de cem dias \u00e0 frente do maior imp\u00e9rio da hist\u00f3ria humana, demonstrando claramente o que pretende continuar fazendo no comando da Casa Branca.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos observar seus primeiros tr\u00eas meses de governo sem lembrar que o sistema eleitoral que lhe deu legitimidade para governar \u00e9 ainda um dos menos democr\u00e1ticos que existem na Terra, pois um col\u00e9gio eleitoral em que apenas 538 membros escolhem, em nome de mais de 300 milh\u00f5es de pessoas, o presidente do pa\u00eds mais rico e perigoso do planeta revela a incoer\u00eancia entre o ideal de democracia exercido pelo povo estadunidense e aquele utilizado pelas for\u00e7as armadas para invadir o Afeganist\u00e3o e o Iraque e chantagear a Cor\u00e9ia do Norte.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que os EUA s\u00e3o governados por uma elite pol\u00edtica que se viu al\u00e7ada a dirigente de metade do mundo desde o fim da 2\u00b0 Guerra Mundial e pretensamente do mundo inteiro ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A escolha por essa elite de um homem negro e n\u00e3o descendente direto da oligarquia \u00e9 significativa como indica\u00e7\u00e3o de at\u00e9 onde ela pode ir para garantir a aplica\u00e7\u00e3o de seu projeto de Estado. Mas n\u00e3o podemos nos enganar, esse projeto visa garantir os interesses de uma elite que, por ironia ou n\u00e3o, \u00e9 formada por brancos.<\/p>\n<p>Travestir a realidade de ilus\u00f5es sempre foi necess\u00e1rio para qualquer elite em qualquer parte do mundo para seguir dominando. O discurso de mudan\u00e7a sem dizer para onde tamb\u00e9m j\u00e1 foi utilizado muitas vezes antes. A novidade no caso da elei\u00e7\u00e3o de Barack Obama era ele pr\u00f3prio. Ap\u00f3s dois mandatos de George Bush (filho) e de se esgotar uma pol\u00edtica escancaradamente imperialista, fez-se necess\u00e1rio para a elite estadunidense reciclar suas formas de domina\u00e7\u00e3o. Para tanto, n\u00e3o foi preciso fazer nenhuma concess\u00e3o pol\u00edtica ou econ\u00f4mica aos trabalhadores ou \u00e0s minorias oprimidas, bastou escolher um candidato que tivesse a constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica de algu\u00e9m que foi historicamente oprimido, caso dos negros e mul\u00e7umanos em um pa\u00eds de maioria branca e protestante, para com isso representar a mudan\u00e7a. Os acordos e alian\u00e7as com as organiza\u00e7\u00f5es populares, compromissos program\u00e1ticos e demais propostas pol\u00edticas e econ\u00f4micas para embasar uma proposta realmente progressista foram substitu\u00eddos por uma calorosa recep\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e pelo apoio das celebridades do cinema.<\/p>\n<p>Na verdade, quem venceu a disputa eleitoral que levou Obama a Casa Branca foi a mesma elite vinculada ao petr\u00f3leo, \u00e0s ind\u00fastrias militares e aos grandes financistas que v\u00eam ditando os rumos estrat\u00e9gicos dos EUA, ora com o Partido Republicano, ora com o Partido Democrata. O controlado processo eleitoral estadunidense serviu para que essa elite, que est\u00e1 no epicentro da maior crise econ\u00f4mica do p\u00f3s-guerra e que sofre questionamentos pol\u00edticos pelo mundo inteiro, conseguisse em plena crise reunir em torno de si as melhores condi\u00e7\u00f5es de seguir aplicando seu projeto baseado em tr\u00eas pilares b\u00e1sicos: o controle das fontes de energia, a utiliza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do complexo industrial militar e o controle econ\u00f4mico mundial atrav\u00e9s do sistema financeiro baseado no padr\u00e3o d\u00f3lar.<\/p>\n<p>\u00c9 visando aplicar esse projeto de Estado que a burguesia daquele pa\u00eds se debru\u00e7a periodicamente sobre as elei\u00e7\u00f5es para reciclar sua domina\u00e7\u00e3o e extrair dentre os poss\u00edveis candidatos o melhor representante de seus interesses. Da mesma forma que a burguesia brasileira escolheu uma figura identificada com os trabalhadores para melhor aplicar uma pol\u00edtica contra os trabalhadores, a burguesia dos EUA escolheu uma figura identificada com tudo o que poderia evocar mudan\u00e7a para garantir que nada de substancial fosse mudado.<\/p>\n<p>Nos mais de cem dias de Obama ficou evidente que o crit\u00e9rio de escolher &#8220;os melhores e mais brilhantes&#8221; utilizado em seu discurso para justificar a forma\u00e7\u00e3o de um governo composto por ultraconservadores como Paul Volker, James Jones e Robert Gates serviu apenas para continuar iludindo aqueles que acreditam que existe neutralidade quando falamos em pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Paul Volker \u00e9 um veterano em salvar sua elite de crises: em 1971 ele foi um dos art\u00edfices da manobra do Presidente Nixon que acabou com o lastro em ouro do d\u00f3lar, e dessa forma permitiu ao tesouro estadunidense emitir o dinheiro necess\u00e1rio para que os EUA pagassem as d\u00edvidas contra\u00eddas durante a guerra do Vietn\u00e3; em 1979, para salvar a burguesia de uma perigosa combina\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o alta com baixo crescimento econ\u00f4mico, ele reajustou as taxas de juros dos Estados Unidos, o que por tabela mais que dobrou as d\u00edvidas dos pa\u00edses latino-americanos, uma vez que os contratos dos empr\u00e9stimos eram atrelados a cl\u00e1usulas de juros flutuantes.<\/p>\n<p>Em pol\u00edtica militar, o conservadorismo n\u00e3o poderia ser maior sem James Jones e Robert Gates. O primeiro \u00e9 um general veterano da guerra fria e ex-comandante da OTAN (Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado Atl\u00e2ntico Norte); o segundo foi nomeado para ocupar o cargo de Secret\u00e1rio de Defesa ainda por George Bush em 2006, sendo mantido por Obama. Esse fato por si s\u00f3 j\u00e1 marca o tamanho da dist\u00e2ncia entre o discurso de mudan\u00e7a e a realidade de continuidade, j\u00e1 que nunca antes houve a perman\u00eancia do mesmo Secret\u00e1rio de Defesa ap\u00f3s uma troca de partido nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esperar que um governo formado com esses tipos de representantes hesitar\u00e1 em elaborar medidas contra os trabalhadores para buscar sa\u00eddas de uma crise econ\u00f4mica que pela primeira vez desde 1974\/1975 reduziu o PIB em 6,1% e que j\u00e1 registra uma taxa de desemprego de 9,4 %.<\/p>\n<p>\u00c9 considerando o governo como um instrumento dos interesses da elite estadunidense que podemos entender a natureza das pol\u00edticas que Obama implementa contra os trabalhadores, imigrantes e contra o pr\u00f3prio povo negro do qual descende diretamente. Em contra-partida \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de mais de US$ 700 bilh\u00f5es para socorrer bancos, nada foi feito para garantir moradia para milh\u00f5es de fam\u00edlias de baixa renda endividadas e que tiveram suas hipotecas executadas. Essas moradias s\u00e3o em sua maioria utilizadas por afro-americanos e hispano-americanos.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica externa, depois de emocionados discursos sobre a paz mundial, o que a gest\u00e3o Obama oferece de concreto \u00e9 a constante amea\u00e7a do uso da for\u00e7a caso &#8220;fracassem os meios diplom\u00e1ticos&#8221;, e por fracasso diplom\u00e1tico devemos entender condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o aceitas pelos pa\u00edses alvos. T\u00eam sido assim com o Ir\u00e3: a cada novo movimento do xadrez da pol\u00edtica internacional, a Secret\u00e1ria de Estado Hillary Clinton lembra que existem tropas mobiliz\u00e1veis no vizinho Iraque. Enquanto isso, no Afeganist\u00e3o, houve um aumento dos efetivos militares e do uso da for\u00e7a de forma indiscriminada, o que resultou no genoc\u00eddio de mais de 150 civis afeg\u00e3os em maio.<\/p>\n<p>Nem mesmo no terreno dos direitos humanos houve avan\u00e7os substanciais, uma vez que as den\u00fancias de tortura nas pris\u00f5es militares n\u00e3o foram investigadas a fundo e somente se anunciou o fechamento da base-pris\u00e3o de Guant\u00e1namo. Ainda nem se tocou na situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de seus detidos, uma vez que n\u00e3o foram submetidos a julgamento e mesmo que um dia o sejam \u00e9 pouco prov\u00e1vel que isso seja feito por um Tribunal Penal Internacional. Os Estados Unidos se negam a reconhecer esse Tribunal, pois se o fizerem ter\u00e3o que entregar seus oficiais acusados de crimes de guerra. Ou seja, a administra\u00e7\u00e3o Obama espalha sorrisos ao mesmo tempo em que segue desrespeitando a dignidade humana. Outro exemplo desse desrespeito \u00e9 que, desde sua posse, se mant\u00e9m ilustres presos pol\u00edticos, como os Cubanos acusados de espionagem, o militante do Partido dos Panteras Negras, M\u00famia Abul Jamal, al\u00e9m dos supostos terroristas de Guant\u00e1namo.<\/p>\n<p>Dois exemplos ilustram de maneira definitiva os interesses aos quais Obama serve. Nos primeiros meses do ano explodiu o esc\u00e2ndalos dos b\u00f4nus milion\u00e1rios pagos aos executivos dos bancos e financeiras, os mesmos que provocaram a quase-fal\u00eancia do sistema financeiro e cujas empresas receberam centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares em pacotes de salvamento do governo. Em meio \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o geral de milh\u00f5es de trabalhadores que perderam seus empregos e suas casas contra os financistas, o governo Obama n\u00e3o fez nada concreto para limitar o pagamento dos b\u00f4nus, que em \u00faltima inst\u00e2ncia representam a entrega pura e simples de dinheiro p\u00fablico aos bar\u00f5es de Wall Street.<\/p>\n<p>Pouco depois, em abril, foram divulgados os memorandos internos do Departamento de Justi\u00e7a do governo Bush autorizando os agentes da CIA e o do Pent\u00e1gono a praticar tortura contra prisioneiros capturados na &#8220;guerra ao terror&#8221; e mantidos ilegalmente cativos. Obama n\u00e3o fez nada para que os respons\u00e1veis, ou seja, todo o alto escal\u00e3o do governo Bush, fosse criminalmente processado de acordo com as pr\u00f3prias leis estadunidenses, tornando-se assim ele pr\u00f3prio um c\u00famplice de crimes de guerra, de acobertar viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos e de desrespeito a todas as conven\u00e7\u00f5es internacionais contra a tortura e as pris\u00f5es ilegais.<\/p>\n<p>Devemos avaliar um governo pelas suas for\u00e7as de sustenta\u00e7\u00e3o e pelas pol\u00edticas que seus atos representam. No caso da administra\u00e7\u00e3o Obama seus aliados s\u00e3o os mesmos dos seus antecessores, seus atos de governo beneficiam a mesma elite do petr\u00f3leo, das armas e dos bancos e seu padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e consumo seguem destruindo o planeta.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos depositar nenhuma confian\u00e7a em projetos que n\u00e3o nascem da classe trabalhadora e de suas lutas e por isso n\u00e3o representam nossos interesses. Qualquer governo formado e sustentado pela burguesia somente conduzir\u00e1 \u00e0 guerra, \u00e0 mis\u00e9ria e \u00e0 barb\u00e1rie.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Rela\u00e7\u00e3o Partido e Movimento: um debate atual e necess\u00e1rio<\/h1>\n<div id=\"node-237\">\n<table bgcolor=\"#cccccc\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o Partido e Movimento \u00e9 um tema crucial na luta pelo socialismo. A depender da concep\u00e7\u00e3o sobre o tema tem consequ\u00eancias graves para a luta de classes, como a &#8220;apropria\u00e7\u00e3o&#8221; das entidades do movimento pelo partido. Esse \u00e9 um debate fundamental para os ativistas e para as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Internamente tamb\u00e9m fazemos esse debate e como contribui\u00e7\u00e3o, publicamos o texto do companheiro M\u00e1rcio da Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria de S\u00e3o Paulo. Ao mesmo tempo convidamos os demais companheiros para participarem desse debate.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>As diversas tradi\u00e7\u00f5es trotskistas tem como um ponto comum a ideia de que \u00e9 necess\u00e1rio construir o partido revolucion\u00e1rio, como garantia de que a a revolu\u00e7\u00e3o socialista seja bem sucedida. Essa ideia, que em si est\u00e1 correta, tem sido aplicada de uma maneira unilateral, como se a \u00fanica tarefa fosse a constru\u00e7\u00e3o do partido, a qual acaba se sobrepondo \u00e0s necessidades do movimento socialista como um todo. O objetivo desse texto n\u00e3o \u00e9 evidentemente fazer um balan\u00e7o do trotskismo na sua totalidade, mas discutir um aspecto problem\u00e1tico da atua\u00e7\u00e3o da maior parte das correntes trotskistas, a sua concep\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre partido e movimento.<\/p>\n<p>Quando Trotsky disse em 1938 que &#8220;a crise da humanidade \u00e9 a crise de sua dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria&#8221;, essa afirma\u00e7\u00e3o tinha o sentido de apontar para o fato de que o proletariado como classe revolucion\u00e1ria capaz de trazer uma alternativa societ\u00e1ria para a humanidade estava em crise, e essa crise inclu\u00eda a aus\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Foi para suprir essa aus\u00eancia que o grande dirigente revolucion\u00e1rio lan\u00e7ou a iniciativa da constru\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional. Na vis\u00e3o de Trotsky, a fun\u00e7\u00e3o da IV seria liderar uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que derrubasse o stalinismo dos &#8220;Estados oper\u00e1rios burocratizados&#8221;, retomando a constru\u00e7\u00e3o do socialismo sobre uma base social j\u00e1 transformada.<\/p>\n<p>Deixando de lado as quest\u00f5es a respeito da validade da caracteriza\u00e7\u00e3o da URSS e seus sat\u00e9lites como &#8220;Estados oper\u00e1rios burocratizados&#8221; e da revolu\u00e7\u00e3o anti-burocr\u00e1tica ser concebida exclusivamente como &#8220;revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221; pelo fato de j\u00e1 se ter uma base social supostamente socialista; o fato \u00e9 que as diversas correntes que reivindicam o trotskismo passaram a ter como eixo praticamente exclusivo de sua a\u00e7\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de um &#8220;partido revolucion\u00e1rio marxista-leninista-trotskista&#8221; para tomar o poder.<\/p>\n<p>Em nome dessa preocupa\u00e7\u00e3o exclusiva, deixou-se de lado o estudo das condi\u00e7\u00f5es concretas e a a\u00e7\u00e3o sobre a consci\u00eancia do conjunto da classe trabalhadora. Quando aconteceu o desmantelamento da URSS, surgiu no movimento trotskista a caracteriza\u00e7\u00e3o (cuja vers\u00e3o mais acabada est\u00e1 nas &#8220;Teses de 1990&#8221; da LIT) de que estava aberta uma nova etapa revolucion\u00e1ria, pois havia sido removido o maior obst\u00e1culo para a revolu\u00e7\u00e3o, que era a burocracia stalinista. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o mecanicista e superestrutural ignorava o elemento estrutural central que era a defasagem na consci\u00eancia da classe trabalhadora dos pa\u00edses do ex-bloco sovi\u00e9tico, ou seja, a aus\u00eancia de uma consci\u00eancia socialista sobre a qual se poderia edificar um partido revolucion\u00e1rio. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o equivocada e os apelos vazios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do partido para tomar o poder, num contexto de derrotas objetivas e retrocessos subjetivos da consci\u00eancia da classe em n\u00edvel mundial, foram respons\u00e1veis por desnortear e &#8220;quebrar&#8221; toda uma gera\u00e7\u00e3o de militantes. A despeito disso, as correntes trotskistas continuam reivindicando a constru\u00e7\u00e3o do partido como se nada tivesse acontecido na consci\u00eancia da classe. Quanto mais a crise de dire\u00e7\u00e3o se tornava patente como algo mais profundo e estrutural, uma crise da alternativa socialista, mais essas correntes se apegam \u00e0 obsess\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o do partido como a um dogma religioso (com o agravante de que cada militante acredita que o seu partido \u00e9 &#8220;o escolhido&#8221; pela revolu\u00e7\u00e3o para guiar a classe trabalhadora \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>A partir disso, os partidos passam a ter uma rela\u00e7\u00e3o estranha com os organismos de luta da classe, como se o movimento oper\u00e1rio e seus organismos fossem um &#8220;mercado&#8221; de militantes a serem disputados pelas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias para o crescimento do partido, tal e qual os capitalistas se engalfinham na disputa de mercado para seus produtos. Essa pr\u00e1tica est\u00e1 na origem da divis\u00e3o da esquerda. Como cada organiza\u00e7\u00e3o socialista v\u00ea a outra como concorrente, vale tudo nesta disputa. Valem desde manobras para que a base n\u00e3o participe, usurpando a vontade dos trabalhadores, at\u00e9 encaminhar propostas do partido DIRETAMENTE no movimento, sem passar pelos f\u00f3runs deliberativos dos organismos da classe. Tamb\u00e9m \u00e9 comum colocar como condi\u00e7\u00e3o para a unidade o controle (maioria) sobre a dire\u00e7\u00e3o das entidades do movimento. Discutiremos a seguir tr\u00eas exemplos relacionados a atitudes de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es em acontecimentos recentes do movimento: PSOL, PSTU, e LER-QI.<\/p>\n<p>Antes de desenvolver os exemplos acima, \u00e9 preciso deixar claro que: 1-os casos relacionados aos partidos acima s\u00e3o apenas exemplos, pois a pr\u00e1tica de aparelhar os organismos do movimento \u00e9 disseminada por toda esquerda; 2- o Espa\u00e7o Socialista n\u00e3o v\u00ea tais siglas como inimigas, mas como aliadas, por terem um projeto estrat\u00e9gico socialista. A diverg\u00eancia paira sobre a rela\u00e7\u00e3o que os partidos t\u00eam com o movimento, que entendemos ser equivocada.<\/p>\n<p>Sob a alega\u00e7\u00e3o de combate ao burocratismo de seus militantes, que tamb\u00e9m s\u00e3o dirigentes sindicais no Rio Grande do Norte, o PSTU colocou como condi\u00e7\u00e3o para que permanecessem no partido a ren\u00fancia \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do sindicato para o qual foram eleitos pelos trabalhadores. Em respeito \u00e0 soberania da base, os dirigentes sindicais optaram por permanecer nas dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos e sa\u00edram do partido.<\/p>\n<p>N\u00e3o entraremos no m\u00e9rito da caracteriza\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU sobre o burocratismo dos diretores sindicais, mas sim no problema de m\u00e9todo que est\u00e1 em exigir a ren\u00fancia dos diretores sindicais em f\u00f3runs estranhos aos do organismo de luta dos trabalhadores, no caso, o sindicato. Isso \u00e9 um atentado \u00e0 democracia oper\u00e1ria e n\u00e3o contribui para a educa\u00e7\u00e3o das massas. Para se ter uma luta conseq\u00fcente contra a burocratiza\u00e7\u00e3o, o m\u00e1ximo que o partido poderia fazer seria expulsar os dirigentes burocratizados e denunciar perante a base os desvios desses dirigentes, travando a luta pol\u00edtica para que os trabalhadores, de forma consciente, destitu\u00edssem os diretores tidos por burocratas. O PSTU optou por simplesmente deslig\u00e1-los, o que revela que para o partido \u00e9 normal fazer inger\u00eancias nos organismos de classe onde seus militantes exercem fun\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o ou s\u00e3o maioria, como algu\u00e9m que disp\u00f5e livremente do que \u00e9 &#8220;seu&#8221;.<\/p>\n<p>O PSOL, que \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da INTERSINDICAL, coloca uma s\u00e9rie de \u00f3bices para fazer unidade com a CONLUTAS, cuja dire\u00e7\u00e3o \u00e9 do PSTU, numa frente sindical e de movimentos populares. As diferen\u00e7as &#8220;pol\u00edticas&#8221; est\u00e3o em torno da defini\u00e7\u00e3o de qual organiza\u00e7\u00e3o ter\u00e1 maioria e de saber se h\u00e1 espa\u00e7o suficiente para acomodar os maiores quadros de cada partido. Setores do PSOL claramente aparelhistas (sobretudo aquelas correntes que s\u00e3o aliadas da Articula\u00e7\u00e3o, como as que fizeram chapa com a burocracia nas elei\u00e7\u00f5es para os sindicatos dos banc\u00e1rios de S\u00e3o Paulo e do Rio), n\u00e3o querem saber de unifica\u00e7\u00e3o, com medo de perder os seus cargos. Usam o movimento em proveito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>No caso do Encontro dos Trabalhadores do ABC que deliberou pela constru\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Contra o Desemprego e a Explora\u00e7\u00e3o Capitalista, a Liga Estrat\u00e9gia Revolucion\u00e1ria Quarta Internacional (LER-QI) colocou como condi\u00e7\u00e3o para sua participa\u00e7\u00e3o no Encontro o crit\u00e9rio de que os participantes fossem delegados eleitos na base, ao inv\u00e9s de uma participa\u00e7\u00e3o aberta a todos. Como a sua proposta foi derrotada, a organiza\u00e7\u00e3o se retirou da constru\u00e7\u00e3o da unidade da regi\u00e3o do ABC Paulista. No caso, o crit\u00e9rio da elei\u00e7\u00e3o foi apenas uma desculpa para n\u00e3o participar, uma vez que os companheiros consideram, de forma equivocada, que o Comit\u00ea \u00e9 um aparelho a servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Espa\u00e7o Socialista, que \u00e9 um dos seus maiores impulsionadores. Ou seja, a LER-QI n\u00e3o participou da constru\u00e7\u00e3o do Encontro porque entendeu que isso significaria construir o ES e n\u00e3o ela pr\u00f3pria. Ao inv\u00e9s de aproveitar a oportunidade para educar os trabalhadores e construir o movimento em conjunto com outras organiza\u00e7\u00f5es, a LER-QI optou por se retirar ao perceber que n\u00e3o poderia &#8220;tirar proveito&#8221; do movimento.<\/p>\n<p>Finalmente, no processo de forma\u00e7\u00e3o de chapas para o diret\u00f3rio acad\u00eamico da FAFIL (Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9 &#8211; FSA), o grupo formado pelo Espa\u00e7o Socialista e independentes, ligados \u00e0 gest\u00e3o anterior do DA e que aglutina os principais ativistas do movimento de 2007 e 2008 (o qual culminou no afastamento do antigo reitor); prop\u00f4s uma conven\u00e7\u00e3o aberta para forma\u00e7\u00e3o de uma chapa unit\u00e1ria da esquerda, com base em um programa m\u00ednimo e em princ\u00edpios elementares de independ\u00eancia de classe, como n\u00e3o aceitar dinheiro da reitoria para financiar a ida de delegados da FSA para o Congresso Nacional de Estudantes. PSTU e LER n\u00e3o aceitaram esses crit\u00e9rios e a esquerda concorreu em tr\u00eas chapas separadas. Isso exp\u00f4s os estudantes da FAFIL \u00e0 possibilidade de ter o DA dirigido por uma 4\u00aa chapa, composta por estudantes dos cursos politicamente hostis ao movimento. Felizmente, apesar da divis\u00e3o da esquerda, a chapa composta pelo Espa\u00e7o Socialista e independentes foi eleita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O papel do partido no movimento<\/h2>\n<p>Tamb\u00e9m consideramos que a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio \u00e9 necess\u00e1ria, mas para n\u00f3s o partido deve estar a servi\u00e7o do crescimento do movimento. N\u00e3o se trata de marginalizar o papel do partido, nem de subordin\u00e1-lo ao movimento, mas de fixar de forma clara os limites de atua\u00e7\u00e3o dos partidos nos organismos de luta da classe trabalhadora. Assim, consideramos errado que os partidos encaminhem suas propostas sem passar pelo crivo dos organismos do movimento, ou seja, pelas assembl\u00e9ias e inst\u00e2ncias deliberativas de base.<\/p>\n<p>Esse tipo de postura faz com que muitos trabalhadores abandonem a luta, porque se sentem como marionetes na disputa entre os partidos, como objetos de disputa das organiza\u00e7\u00f5es. Muitos trabalhadores tamb\u00e9m se frustram por n\u00e3o serem ouvidos, n\u00e3o terem participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do movimento, n\u00e3o terem influ\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o do movimento, pois tudo \u00e9 decidido nos f\u00f3runs internos do partido que dirige a entidade, e as decis\u00f5es j\u00e1 v\u00eam &#8220;prontas&#8221; de cima para baixo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que os partidos n\u00e3o devam participar dos movimentos. Pelo contr\u00e1rio. \u00c9 um dever dos partidos inserir- se nos organismos de luta da classe, mas com um papel muito bem definido, que \u00e9 o de educar a classe trabalhadora para a tomada do poder. Assim, o partido tem uma fun\u00e7\u00e3o precisa no movimento, mas n\u00e3o pode de substitu\u00ed-lo.<\/p>\n<p>A unidade entre os lutadores \u00e9 um princ\u00edpio a ser seguido por todos os partidos, pois isso \u00e9 necess\u00e1rio para que os trabalhadores tenham uma refer\u00eancia, um movimento no qual possam se engajar e se colocar como sujeitos do processo hist\u00f3rico. A necessidade da unidade deve estar acima das preocupa\u00e7\u00f5es desta ou daquela organiza\u00e7\u00e3o em particular de ser maioria ou minoria nas entidades e nos f\u00f3runs da classe. N\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista n\u00e3o cansamos de chamar o PSOL e o PSTU para construir um f\u00f3rum de resist\u00eancia \u00e0 crise no ABC, mesmo estando conscientes de que ser\u00edamos minoria. Mais tarde este f\u00f3rum viria a ser o Comit\u00ea Contra o Desemprego e a Explora\u00e7\u00e3o Capitalista, ao qual o PSTU e outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o se integraram. Mesmo assim, continuamos chamando todas essas organiza\u00e7\u00f5es para construir um polo pol\u00edtico na regi\u00e3o que tenha um car\u00e1ter de oposi\u00e7\u00e3o classista contra a burocracia, ainda que em tal polo o Espa\u00e7o Socialista seja minoria. Para n\u00f3s, o mais importante \u00e9 construir e educar a base, para que ela, sim, seja o sujeito da hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=229#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: Medidas do governo n\u00e3o evitam a continuidade da crise Todo o apoio \u00e0 luta dos trabalhadores<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6439,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229\/revisions\/6439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}