{"id":23,"date":"2008-12-13T15:48:55","date_gmt":"2008-12-13T15:48:55","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/23"},"modified":"2018-05-04T21:51:04","modified_gmt":"2018-05-05T00:51:04","slug":"matrix-e-os-confrontos-da-filosofia-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/matrix-e-os-confrontos-da-filosofia-contemporanea\/","title":{"rendered":"Matrix e os confrontos da filosofia contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">\n<h1>MATRIX E OS CONFRONTOS DA<\/h1>\n<h1>FILOSOFIA CONTEMPOR\u00c3NEA<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O segundo epis\u00f3dio da trilogia Matrix nos deixou numa situa\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 de L\u00eanin em 1902, que se perguntava em um c\u00e9lebre op\u00fasculo: \u201cQue fazer?\u201d. Como fazer a Revolu\u00e7\u00e3o? A humanidade est\u00e1 sujeita a um sistema mecanizado e automatizado de explora\u00e7\u00e3o que rouba suas for\u00e7as para se reproduzir e repor a domina\u00e7\u00e3o. Uma malha de rela\u00e7\u00f5es sociais reificadas e ideologicamente mediatizadas configura uma realidade cuja apar\u00eancia se sobrep\u00f5e \u00e0 ess\u00eancia. O mercado concentra em si a totalidade das rela\u00e7\u00f5es humanas e as impede de se desenvolver livremente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A normalidade burguesa mascara a explora\u00e7\u00e3o. Em Matrix as m\u00e1quinas escravizaram os homens para se abastecer de sua energia e os domesticaram por meio de uma rede neural de simula\u00e7\u00e3o. A Matrix proporciona um simulacro de rela\u00e7\u00f5es sociais por meio de uma realidade virtual interativa e onipresente. Os humanos livres de Zion, como os bolcheviques de L\u00eanin, est\u00e3o \u00e0s voltas com o mesmo problema. Que fazer?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Como derrotar o sistema? \u00c9 poss\u00edvel simplesmente desligar \u00e0s m\u00e1quinas? Puxar o fio da tomada e apagar a simula\u00e7\u00e3o? Despertar todos os humanos ao mesmo tempo? \u00c9 poss\u00edvel libertar todos os humanos de seus casulos? O que seria da humanidade lan\u00e7ada no deserto do real sem a simula\u00e7\u00e3o da Matrix? Os guerrilheiros de Zion, como os herdeiros presumidos de L\u00eanin hoje, est\u00e3o lutando para trazer a humanidade para o real ou para redesenhar uma nova Matrix, onde possamos nos beneficiar de m\u00e1quinas que ser\u00e3o transformadas em infra-estrutura da sociedade?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00c0 espera do terceiro e decisivo epis\u00f3dio da trilogia, este bolchevique e refugiado de Zion decidiu arriscar uma hip\u00f3tese interpretativa. N\u00e3o me proponho a querer adivinhar aqui o final do filme. Como os humanos vencer\u00e3o ou se de fato vencer\u00e3o. A forma como ser\u00e1 resolvida a trama \u00e9 o que menos importa. Proponho suspender a especula\u00e7\u00e3o sobre o desenrolar da trama e partir para um plano mais amplo, analisando o significado cultural de Matrix. Nesse plano, o que os irm\u00e3os Wachowski est\u00e3o querendo dizer com sua trilogia, ou de que lado eles est\u00e3o, passa a ser menos relevante.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 em \u201cMatrix\u201d uma met\u00e1fora para o conjunto da cultura em sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade que a produz. H\u00e1 a infra-estrutura, as torres de casulos onde est\u00e3o presos os humanos. E a superestrutura, a simula\u00e7\u00e3o de realidade que mant\u00e9m esses humanos vivos e produzindo energia para as m\u00e1quinas. A t\u00e9cnica da escrita, da imagem, da m\u00fasica, do cinema, a t\u00e9cnica da linguagem oral, s\u00e3o os recursos de programa\u00e7\u00e3o pelos quais os oponentes do campo da cultura entram na disputa para construir a realidade como melhor lhes parece. C\u00f3digos que, como a cascata de caracteres verde-fosforescente da Matrix, moldam a cultura e a pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A trilogia Matrix exp\u00f5e assim uma estratifica\u00e7\u00e3o social radical. No ambiente da realidade virtual, na Matrix, h\u00e1 apenas alguns poucos seres, humanos e n\u00e3o humanos, capazes de lidar com os c\u00f3digos. A massa dos habitantes da Matrix n\u00e3o conhece sen\u00e3o os relances da luta que se trava entre os manipuladores da linguagem, porque a linguagem tornou-se-lhes inacess\u00edvel. Uma pequena elite de iniciados domina os mist\u00e9rios da programa\u00e7\u00e3o, como hoje no mundo h\u00e1 uma pequena fra\u00e7\u00e3o de consumidores e produtores de cultura erudita. Deles emanam os princ\u00edpios e diretrizes estrat\u00e9gicas da pol\u00edtica, da economia e tamb\u00e9m da cultura popular.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">As fontes acad\u00eamicas do discurso, encastelados em universidades, assalariados da grande m\u00eddia ou militando em sites alternativos; ditam as formas pelas quais o mundo \u00e9 visto. Fornecem o c\u00f3digo de programa\u00e7\u00e3o que constr\u00f3i a imagem da realidade. A cultura como ferramenta de dissemina\u00e7\u00e3o da ordem, da desordem e tamb\u00e9m da liberdade. H\u00e1 na Matrix, portanto, tr\u00eas correntes de intelectuais, ou seja, tr\u00eas tipos de manipuladores dos c\u00f3digos culturais. Tr\u00eas maneiras de se utilizar dos c\u00f3digos, de trabalhar com a cultura, que s\u00e3o pr\u00f3prias dessa elite intelectual, mas que lutam pela prerrogativa de serem irradiadas \u00e0s massas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">H\u00e1 os apologetas do sistema (positivistas, liberais, darwinistas-sociais, utilitaristas, pragm\u00e1ticos, neoliberais), que correspondem aos agentes. Os defensores do sistema advogam a ordem, o progresso, a linearidade, a racionalidade instrumental e a cientificidade. Representam a presen\u00e7a esmagadora do sistema capitalista e a ubiq\u00fcidade de seu discurso. S\u00e3o as vozes da efici\u00eancia, da seriedade, da respeitabilidade burguesas (por isso engravatados). A voz da inevitabilidade. Palavra predileta do agente Smith.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">H\u00e1 os opositores do sistema (marxistas), que correspondem aos hackers de Zion, que querem desmascarar a Matrix. Os rebeldes denunciam a contradi\u00e7\u00e3o, a fratura da ordem social, a dualidade de apar\u00eancia e ess\u00eancia, a impossibilidade da neutralidade axiol\u00f3gica na ci\u00eancia e no pensamento social. Dialeticamente, demonstram que a aparente normalidade da superf\u00edcie das rela\u00e7\u00f5es sociais (a Matrix) mascara uma ess\u00eancia em que as capacidades humanas est\u00e3o sendo drenadas por uma m\u00e1quina que busca reproduzir a si mesma (as c\u00e1psulas de bioenergia) e que nega qualquer autonomia ao ser humano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Em nome dessa den\u00fancia, os marxistas\/rebeldes prop\u00f5em n\u00e3o s\u00f3 desmascarar a explora\u00e7\u00e3o escondida na apar\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es sociais burguesas. Prop\u00f5em tamb\u00e9m alterar a pr\u00f3pria ess\u00eancia dessas rela\u00e7\u00f5es sociais, retirando os homens da m\u00e1quina. Ou seja, subtrair espa\u00e7os ao dom\u00ednio do capital. Fazem isso na condi\u00e7\u00e3o de conspiradores marginais ocultos nas franjas do sistema (em Zion) que se utilizam dele clandestinamente (atrav\u00e9s das linhas de telefone) para interferir no funcionamento da Matrix.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Atrav\u00e9s das linhas de telefone (internet?), que representam o meio por excel\u00eancia de difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, os rebeldes\/marxistas habitam a Matrix da cultura e tentam confrontar, em n\u00edtida situa\u00e7\u00e3o de inferioridade, os agentes\/apologetas do sistema. Os agentes\/apologetas se beneficiam da sua familiaridade com o ambiente da Matrix. A ideologia do capital, desenhada por eles mesmos, lhes permite se utilizar de qualquer corpo ao seu alcance (todo e qualquer indiv\u00edduo sujeito \u00e0 mistifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica) para combater os rebeldes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Os defensores do sistema s\u00e3o onipresentes e oniscientes, uma vez que a ideologia do capital goza de uma hegemonia planet\u00e1ria, que transforma automaticamente seus s\u00faditos em ferramentas d\u00f3ceis ao manuseio de seus tent\u00e1culos e faz de seus advers\u00e1rios marginais desprez\u00edveis. Como explica Istvan M\u00e9szaros: \u201c\u2018Tanto os aspectos problem\u00e1ticos quanto as caracter\u00edsticas positivas da ideologia encontram sua explica\u00e7\u00e3o racional nas exig\u00eancias objetivas do processo de reprodu\u00e7\u00e3o social, de que a pr\u00f3pria ideologia \u00e9 um elemento org\u00e2nico(&#8230;)\u2019 O poder da ideologia dominante \u00e9 indubitavelmente imenso, mas isso n\u00e3o ocorre simplesmente em fun\u00e7\u00e3o da for\u00e7a material esmagadora e do correspondente arsenal pol\u00edtico-cultural \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das classes dominantes. Tal poder ideol\u00f3gico s\u00f3 pode prevalecer gra\u00e7as \u00e0 vantagem da <i>mistifica\u00e7\u00e3o<\/i>, por meio da qual as pessoas que sofrem as conseq\u00fc\u00eancias da ordem estabelecida podem ser induzidas a endossar, consensualmente, valores e pol\u00edticas pr\u00e1ticas que s\u00e3o de fato absolutamente contr\u00e1rios a seus interesses vitais.\u201d Os habitantes da Matrix servem de bom grado ao sistema que os explora, emprestando seus corpos aos agentes para que combatam os rebeldes.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Al\u00e9m dessas duas categorias de habitantes, h\u00e1 uma terceira esp\u00e9cie de artes\u00e3o no universo dos programadores\/produtores de cultura. H\u00e1 uma outra fac\u00e7\u00e3o de entidades capazes de trabalhar com a linguagem da Matrix, ou seja com o pensamento que descreve, define e assim constr\u00f3i a realidade. No mundo real h\u00e1 uma terceira categoria de fil\u00f3sofos e pensadores que n\u00e3o s\u00e3o nem marxistas nem defensores do sistema. Fil\u00f3sofos do meio. Fil\u00f3sofos da descren\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">H\u00e1 os existencialistas (que se subdividem em heideggerianos e sartreanos), os fenomenologistas, os weberianos, os freudianos, os anal\u00edticos, os estruturalistas, os p\u00f3s-estruturalistas, os p\u00f3s-modernos, os nietzscheanos, os neo-kantianos, os foucaultianos. H\u00e1 toda uma vasta gama de irracionalistas, anti-racionalistas, niilistas, c\u00e9ticos, \u201capol\u00edticos\u201d, alienados e alheios \u00e0 fissura do abismo sob seus p\u00e9s. Sofistas contempor\u00e2neos. Eruditos e provocadores capazes de distorcer qualquer id\u00e9ia a servi\u00e7o de qualquer causa, e primordialmente da sua pr\u00f3pria. Comensais do Chateau de Merovingian, n\u00e3o se dizem contra nem a favor do sistema. Divertem-se provocando orgasmos na burguesia incauta, no banquete da desraz\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Habitam uma esp\u00e9cie de submundo. Uma torre de marfim. De l\u00e1 degustam os prazeres de sua erudi\u00e7\u00e3o especulativa. Assim como os marxistas, tamb\u00e9m s\u00e3o contra as regras do sistema. Eventualmente, tamb\u00e9m combatem o sistema. Tamb\u00e9m s\u00e3o perseguidos pelos agentes. A censura tamb\u00e9m n\u00e3o suporta o clamor do martelo nietzscheano sobre sua mediocridade. N\u00e3o pode admitir a discuss\u00e3o freudiana da sexualidade. O sistema n\u00e3o pode subsistir \u00e0 corros\u00e3o do \u00e1cido do niilismo e do ceticismo, procurando impor, tamb\u00e9m aos fil\u00f3sofos da descren\u00e7a a submiss\u00e3o e a dele\u00e7\u00e3o. Logo que \u00e9 localizado, um programa exilado se torna um alvo priorit\u00e1rio da persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas ao contr\u00e1rio dos marxistas, rejeitam a possibilidade de transformar o sistema. A guerra de Zion contra as m\u00e1quinas n\u00e3o lhes apetece. A revolu\u00e7\u00e3o contra o capitalismo n\u00e3o lhes interessa. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que esse fen\u00f4meno acontece, diz Merovingian. Outras revolu\u00e7\u00f5es foram tentadas antes e a Matrix sempre se rep\u00f4s. O eterno retorno. O que pode haver depois da Matrix? O que poderia haver depois da supress\u00e3o da Vontade, perguntava Schopenhauer, o burgu\u00eas no beco sem sa\u00edda. O vazio, o nada, o impens\u00e1vel. O fil\u00f3sofo da descren\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 autorizado a conceber a supera\u00e7\u00e3o do sistema.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Um programa, como o Merovingian, n\u00e3o pode conceber a aniquila\u00e7\u00e3o do sistema que lhe prov\u00ea os meios de sua exist\u00eancia e tamb\u00e9m as ferramentas de seu poder. A casta dos intelectuais n\u00e3o sobreviveria sem a fun\u00e7\u00e3o instrumental de lubrifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do sistema. Suas id\u00e9ias prolixas, diversionistas, escapistas, escandalosas, s\u00e3o o amortecedor para a conflituosidade inerente ao sistema social, impedindo que esta se manifeste radicalmente como oposi\u00e7\u00e3o entre capital e trabalho. Os fil\u00f3sofos do meio tamb\u00e9m s\u00e3o \u00fateis ao sistema, embora relutem em admitir.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">No lado oposto, os marxistas\/rebeldes de Zion somente vencer\u00e3o se souberem lidar com tais fil\u00f3sofos. \u00c9 preciso passar no teste de Seraph, o crivo da raz\u00e3o aristot\u00e9lica que certifica o aut\u00eantico fil\u00f3sofo. \u00c9 preciso jogar o jogo da sedu\u00e7\u00e3o de Pers\u00e9fone. \u00c9 preciso saber decifrar as palavras do Or\u00e1culo. \u00c9 preciso dispor das faculdades do Chaveiro, que abre as portas do labirinto do sistema. \u00c9 preciso pois, dominar tamb\u00e9m a linguagem dos fil\u00f3sofos da descren\u00e7a, apossar-se de suas chaves, seus c\u00f3digos, seu jarg\u00e3o. Impedir que as pelejas dos nietzscheanos, dos freudianos, dos foucaultianos, sejam apropriadas pela dial\u00e9tica da assimila\u00e7\u00e3o e do aperfei\u00e7oamento do pr\u00f3prio sistema.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00c9 preciso sobretudo se manter humano. Se manter conectado com suas ra\u00edzes materiais, l\u00e1 em Zion. L\u00e1 onde a rave de Morpheus contagia os homens e mulheres livres. Onde se jogam fora o medo, as neuroses, as estruturas do superego formatador, a obedi\u00eancia ao sistema, a press\u00e3o pela produtividade, os imperativos da reprodu\u00e7\u00e3o do capital internalizados como doen\u00e7as da alma. E ao se libertar, podem encontrar a humaniza\u00e7\u00e3o e o amor personificados por Trinity. \u00c9 preciso pisar com os p\u00e9s descal\u00e7os em Zion, onde os exclu\u00eddos conduzem sua luta milenar pela possibilidade de se expressar e assim derrubar a Matrix.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, qualquer um pode ler \u201cMatrix\u201d como quiser. O filme j\u00e1 n\u00e3o pertence aos irm\u00e3os Wachowski. Eles podem dar uma solu\u00e7\u00e3o c\u00f4moda ao seu enredo, que na verdade n\u00e3o seria solu\u00e7\u00e3o nenhuma. Podem dizer que tudo n\u00e3o passava de uma simula\u00e7\u00e3o dentro da simula\u00e7\u00e3o. Que de nada adianta lutar. Que os esfor\u00e7os para retirar os homens da Matrix acabam por lan\u00e7\u00e1-los numa nova edi\u00e7\u00e3o do sistema. Como Stalin fez com os esfor\u00e7os de L\u00eanin. Ao optar por uma solu\u00e7\u00e3o desse tipo, os irm\u00e3os Wachowski estar\u00e3o se comportando como fil\u00f3sofos do meio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas esse tipo de solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 in\u00f3cua. As met\u00e1foras colocadas por eles em circula\u00e7\u00e3o ganham vida pr\u00f3pria e continuam a se propagar e alcan\u00e7ar novas rela\u00e7\u00f5es de significado. Os c\u00f3digos de programa\u00e7\u00e3o est\u00e3o ao nosso alcance. Cada um pode escrever a Matrix que quiser. N\u00f3s vemos. N\u00f3s agora temos os \u00f3culos escuros.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">15\/09\/2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">P.S. Filme comentados:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nome original: The matrix<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 1999<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Andy Wachowski, Larry Wachowski<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Andy Wachowski, Larry Wachowski<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburn, Carrie-Ann Moss, Hugo Weaving, Gloria Foster, Joe Pantoliano, Marcos Chong, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Anthony Ray Parker<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, thriller, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nome original: The matrix reloaded<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2003<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Franc\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Andy Wachowski, Larry Wachowski<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Andy Wachowski, Larry Wachowski<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco:\u00a0 Keanu Reeves, Laurence Fishburn, Carrie-Ann Moss, Hugo Weaving, Helmut Bakaitis, Steve Bastoni, Monica Belluci, Daniel Bernhardth<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, thriller, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>MATRIX E OS CONFRONTOS DA<\/h1>\n<h1>FILOSOFIA CONTEMPOR&Atilde;NEA<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6159,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23\/revisions\/6159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}