{"id":236,"date":"2010-05-13T00:24:33","date_gmt":"2010-05-13T03:24:33","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/236"},"modified":"2018-05-05T17:29:35","modified_gmt":"2018-05-05T20:29:35","slug":"cem-dias-da-gestao-obama-a-logica-segue-a-mesma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/05\/cem-dias-da-gestao-obama-a-logica-segue-a-mesma\/","title":{"rendered":"Cem dias da gest\u00e3o Obama: a l\u00f3gica segue a mesma"},"content":{"rendered":"<p>\n\tO governo Obama, contrariando as expectativas daqueles que embarcaram na atmosfera de mudan&ccedil;a de sua campanha eleitoral, j&aacute; completou mais de cem dias &agrave; frente do maior imp&eacute;rio da hist&oacute;ria humana, demonstrando claramente o que pretende continuar fazendo no comando da Casa Branca.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos observar seus primeiros tr&ecirc;s meses de governo sem lembrar que o sistema eleitoral que lhe deu legitimidade para governar &eacute; ainda um dos menos democr&aacute;ticos que existem na Terra, pois um col&eacute;gio eleitoral em que apenas 538 membros escolhem, em nome de mais de 300 milh&otilde;es de pessoas, o presidente do pa&iacute;s mais rico e perigoso do planeta revela a incoer&ecirc;ncia entre o ideal de democracia exercido pelo povo estadunidense e aquele utilizado pelas for&ccedil;as armadas para invadir o Afeganist&atilde;o e o Iraque e chantagear a Cor&eacute;ia do Norte.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos esquecer que os EUA s&atilde;o governados por uma elite pol&iacute;tica que se viu al&ccedil;ada a dirigente de metade do mundo desde o fim da 2&deg; Guerra Mundial e pretensamente do mundo inteiro ap&oacute;s a queda da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. A escolha por essa elite de um homem negro e n&atilde;o descendente direto da oligarquia &eacute; significativa como indica&ccedil;&atilde;o de at&eacute; onde ela pode ir para garantir a aplica&ccedil;&atilde;o de seu projeto de Estado. Mas n&atilde;o podemos nos enganar, esse projeto visa garantir os interesses de uma elite que, por ironia ou n&atilde;o, &eacute; formada por brancos.<\/p>\n<p>\n\tTravestir a realidade de ilus&otilde;es sempre foi necess&aacute;rio para qualquer elite em qualquer parte do mundo para seguir dominando. O discurso de mudan&ccedil;a sem dizer para onde tamb&eacute;m j&aacute; foi utilizado muitas vezes antes. A novidade no caso da elei&ccedil;&atilde;o de Barack Obama era ele pr&oacute;prio. Ap&oacute;s dois mandatos de George Bush (filho) e de se esgotar uma pol&iacute;tica escancaradamente imperialista, fez-se necess&aacute;rio para a elite estadunidense reciclar suas formas de domina&ccedil;&atilde;o. Para tanto, n&atilde;o foi preciso fazer nenhuma concess&atilde;o pol&iacute;tica ou econ&ocirc;mica aos trabalhadores ou &agrave;s minorias oprimidas, bastou escolher um candidato que tivesse a constitui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de algu&eacute;m que foi historicamente oprimido, caso dos negros e mul&ccedil;umanos em um pa&iacute;s de maioria branca e protestante, para com isso representar a mudan&ccedil;a. Os acordos e alian&ccedil;as com as organiza&ccedil;&otilde;es populares, compromissos program&aacute;ticos e demais propostas pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas para embasar uma proposta realmente progressista foram substitu&iacute;dos por uma calorosa recep&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e pelo apoio das celebridades do cinema.<\/p>\n<p>\n\tNa verdade, quem venceu a disputa eleitoral que levou Obama a Casa Branca foi a mesma elite vinculada ao petr&oacute;leo, &agrave;s ind&uacute;strias militares e aos grandes financistas que v&ecirc;m ditando os rumos estrat&eacute;gicos dos EUA, ora com o Partido Republicano, ora com o Partido Democrata. O controlado processo eleitoral estadunidense serviu para que essa elite, que est&aacute; no epicentro da maior crise econ&ocirc;mica do p&oacute;s-guerra e que sofre questionamentos pol&iacute;ticos pelo mundo inteiro, conseguisse em plena crise reunir em torno de si as melhores condi&ccedil;&otilde;es de seguir aplicando seu projeto baseado em tr&ecirc;s pilares b&aacute;sicos: o controle das fontes de energia, a utiliza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o do complexo industrial militar e o controle econ&ocirc;mico mundial atrav&eacute;s do sistema financeiro baseado no padr&atilde;o d&oacute;lar.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; visando aplicar esse projeto de Estado que a burguesia daquele pa&iacute;s se debru&ccedil;a periodicamente sobre as elei&ccedil;&otilde;es para reciclar sua domina&ccedil;&atilde;o e extrair dentre os poss&iacute;veis candidatos o melhor representante de seus interesses. Da mesma forma que a burguesia brasileira escolheu uma figura identificada com os trabalhadores para melhor aplicar uma pol&iacute;tica contra os trabalhadores, a burguesia dos EUA escolheu uma figura identificada com tudo o que poderia evocar mudan&ccedil;a para garantir que nada de substancial fosse mudado.<\/p>\n<p>\n\tNos mais de cem dias de Obama ficou evidente que o crit&eacute;rio de escolher &quot;os melhores e mais brilhantes&quot; utilizado em seu discurso para justificar a forma&ccedil;&atilde;o de um governo composto por ultraconservadores como Paul Volker, James Jones e Robert Gates serviu apenas para continuar iludindo aqueles que acreditam que existe neutralidade quando falamos em pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>\n\tPaul Volker &eacute; um veterano em salvar sua elite de crises: em 1971 ele foi um dos art&iacute;fices da manobra do Presidente Nixon que acabou com o lastro em ouro do d&oacute;lar, e dessa forma permitiu ao tesouro estadunidense emitir o dinheiro necess&aacute;rio para que os EUA pagassem as d&iacute;vidas contra&iacute;das durante a guerra do Vietn&atilde;; em 1979, para salvar a burguesia de uma perigosa combina&ccedil;&atilde;o de infla&ccedil;&atilde;o alta com baixo crescimento econ&ocirc;mico, ele reajustou as taxas de juros dos Estados Unidos, o que por tabela mais que dobrou as d&iacute;vidas dos pa&iacute;ses latino-americanos, uma vez que os contratos dos empr&eacute;stimos eram atrelados a cl&aacute;usulas de juros flutuantes.<\/p>\n<p>\n\tEm pol&iacute;tica militar, o conservadorismo n&atilde;o poderia ser maior sem James Jones e Robert Gates. O primeiro &eacute; um general veterano da guerra fria e ex-comandante da OTAN (Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado Atl&acirc;ntico Norte); o segundo foi nomeado para ocupar o cargo de Secret&aacute;rio de Defesa ainda por George Bush em 2006, sendo mantido por Obama. Esse fato por si s&oacute; j&aacute; marca o tamanho da dist&acirc;ncia entre o discurso de mudan&ccedil;a e a realidade de continuidade, j&aacute; que nunca antes houve a perman&ecirc;ncia do mesmo Secret&aacute;rio de Defesa ap&oacute;s uma troca de partido nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos esperar que um governo formado com esses tipos de representantes hesitar&aacute; em elaborar medidas contra os trabalhadores para buscar sa&iacute;das de uma crise econ&ocirc;mica que pela primeira vez desde 1974\/1975 reduziu o PIB em 6,1% e que j&aacute; registra uma taxa de desemprego de 9,4 %.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; considerando o governo como um instrumento dos interesses da elite estadunidense que podemos entender a natureza das pol&iacute;ticas que Obama implementa contra os trabalhadores, imigrantes e contra o pr&oacute;prio povo negro do qual descende diretamente. Em contra-partida &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de mais de US$ 700 bilh&otilde;es para socorrer bancos, nada foi feito para garantir moradia para milh&otilde;es de fam&iacute;lias de baixa renda endividadas e que tiveram suas hipotecas executadas. Essas moradias s&atilde;o em sua maioria utilizadas por afro-americanos e hispano-americanos.<\/p>\n<p>\n\tNa pol&iacute;tica externa, depois de emocionados discursos sobre a paz mundial, o que a gest&atilde;o Obama oferece de concreto &eacute; a constante amea&ccedil;a do uso da for&ccedil;a caso &quot;fracassem os meios diplom&aacute;ticos&quot;, e por fracasso diplom&aacute;tico devemos entender condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o aceitas pelos pa&iacute;ses alvos. T&ecirc;m sido assim com o Ir&atilde;: a cada novo movimento do xadrez da pol&iacute;tica internacional, a Secret&aacute;ria de Estado Hillary Clinton lembra que existem tropas mobiliz&aacute;veis no vizinho Iraque. Enquanto isso, no Afeganist&atilde;o, houve um aumento dos efetivos militares e do uso da for&ccedil;a de forma indiscriminada, o que resultou no genoc&iacute;dio de mais de 150 civis afeg&atilde;os em maio.<\/p>\n<p>\n\tNem mesmo no terreno dos direitos humanos houve avan&ccedil;os substanciais, uma vez que as den&uacute;ncias de tortura nas pris&otilde;es militares n&atilde;o foram investigadas a fundo e somente se anunciou o fechamento da base-pris&atilde;o de Guant&aacute;namo. Ainda nem se tocou na situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de seus detidos, uma vez que n&atilde;o foram submetidos a julgamento e mesmo que um dia o sejam &eacute; pouco prov&aacute;vel que isso seja feito por um Tribunal Penal Internacional. Os Estados Unidos se negam a reconhecer esse Tribunal, pois se o fizerem ter&atilde;o que entregar seus oficiais acusados de crimes de guerra. Ou seja, a administra&ccedil;&atilde;o Obama espalha sorrisos ao mesmo tempo em que segue desrespeitando a dignidade humana. Outro exemplo desse desrespeito &eacute; que, desde sua posse, se mant&eacute;m ilustres presos pol&iacute;ticos, como os Cubanos acusados de espionagem, o militante do Partido dos Panteras Negras, M&uacute;mia Abul Jamal, al&eacute;m dos supostos terroristas de Guant&aacute;namo.<\/p>\n<p>\n\tDois exemplos ilustram de maneira definitiva os interesses aos quais Obama serve. Nos primeiros meses do ano explodiu o esc&acirc;ndalos dos b&ocirc;nus milion&aacute;rios pagos aos executivos dos bancos e financeiras, os mesmos que provocaram a quase-fal&ecirc;ncia do sistema financeiro e cujas empresas receberam centenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares em pacotes de salvamento do governo. Em meio &agrave; indigna&ccedil;&atilde;o geral de milh&otilde;es de trabalhadores que perderam seus empregos e suas casas contra os financistas, o governo Obama n&atilde;o fez nada concreto para limitar o pagamento dos b&ocirc;nus, que em &uacute;ltima inst&acirc;ncia representam a entrega pura e simples de dinheiro p&uacute;blico aos bar&otilde;es de Wall Street.<\/p>\n<p>\n\tPouco depois, em abril, foram divulgados os memorandos internos do Departamento de Justi&ccedil;a do governo Bush autorizando os agentes da CIA e o do Pent&aacute;gono a praticar tortura contra prisioneiros capturados na &quot;guerra ao terror&quot; e mantidos ilegalmente cativos. Obama n&atilde;o fez nada para que os respons&aacute;veis, ou seja, todo o alto escal&atilde;o do governo Bush, fosse criminalmente processado de acordo com as pr&oacute;prias leis estadunidenses, tornando-se assim ele pr&oacute;prio um c&uacute;mplice de crimes de guerra, de acobertar viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos e de desrespeito a todas as conven&ccedil;&otilde;es internacionais contra a tortura e as pris&otilde;es ilegais.<\/p>\n<p>\n\tDevemos avaliar um governo pelas suas for&ccedil;as de sustenta&ccedil;&atilde;o e pelas pol&iacute;ticas que seus atos representam. No caso da administra&ccedil;&atilde;o Obama seus aliados s&atilde;o os mesmos dos seus antecessores, seus atos de governo beneficiam a mesma elite do petr&oacute;leo, das armas e dos bancos e seu padr&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e consumo seguem destruindo o planeta.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos depositar nenhuma confian&ccedil;a em projetos que n&atilde;o nascem da classe trabalhadora e de suas lutas e por isso n&atilde;o representam nossos interesses. Qualquer governo formado e sustentado pela burguesia somente conduzir&aacute; &agrave; guerra, &agrave; mis&eacute;ria e &agrave; barb&aacute;rie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\tO governo Obama, contrariando as expectativas daqueles que embarcaram na atmosfera de mudan&ccedil;a de sua campanha eleitoral, j&aacute; completou mais de cem dias &agrave; frente do maior imp&eacute;rio da hist&oacute;ria humana, demonstrando claramente o que pretende continuar fazendo no comando da Casa Branca.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos observar seus primeiros tr&ecirc;s meses de governo sem lembrar que o sistema eleitoral que lhe deu legitimidade para governar &eacute; ainda um dos menos democr&aacute;ticos que existem na Terra, pois um col&eacute;gio eleitoral em que apenas 538 membros escolhem, em nome de mais de 300 milh&otilde;es de pessoas, o presidente do pa&iacute;s mais rico e perigoso do planeta revela a incoer&ecirc;ncia entre o ideal de democracia exercido pelo povo estadunidense e aquele utilizado pelas for&ccedil;as armadas para invadir o Afeganist&atilde;o e o Iraque e chantagear a Cor&eacute;ia do Norte.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos esquecer que os EUA s&atilde;o governados por uma elite pol&iacute;tica que se viu al&ccedil;ada a dirigente de metade do mundo desde o fim da 2&deg; Guerra Mundial e pretensamente do mundo inteiro ap&oacute;s a queda da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. A escolha por essa elite de um homem negro e n&atilde;o descendente direto da oligarquia &eacute; significativa como indica&ccedil;&atilde;o de at&eacute; onde ela pode ir para garantir a aplica&ccedil;&atilde;o de seu projeto de Estado. Mas n&atilde;o podemos nos enganar, esse projeto visa garantir os interesses de uma elite que, por ironia ou n&atilde;o, &eacute; formada por brancos.<\/p>\n<p>\n\tTravestir a realidade de ilus&otilde;es sempre foi necess&aacute;rio para qualquer elite em qualquer parte do mundo para seguir dominando. O discurso de mudan&ccedil;a sem dizer para onde tamb&eacute;m j&aacute; foi utilizado muitas vezes antes. A novidade no caso da elei&ccedil;&atilde;o de Barack Obama era ele pr&oacute;prio. Ap&oacute;s dois mandatos de George Bush (filho) e de se esgotar uma pol&iacute;tica escancaradamente imperialista, fez-se necess&aacute;rio para a elite estadunidense reciclar suas formas de domina&ccedil;&atilde;o. Para tanto, n&atilde;o foi preciso fazer nenhuma concess&atilde;o pol&iacute;tica ou econ&ocirc;mica aos trabalhadores ou &agrave;s minorias oprimidas, bastou escolher um candidato que tivesse a constitui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de algu&eacute;m que foi historicamente oprimido, caso dos negros e mul&ccedil;umanos em um pa&iacute;s de maioria branca e protestante, para com isso representar a mudan&ccedil;a. Os acordos e alian&ccedil;as com as organiza&ccedil;&otilde;es populares, compromissos program&aacute;ticos e demais propostas pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas para embasar uma proposta realmente progressista foram substitu&iacute;dos por uma calorosa recep&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e pelo apoio das celebridades do cinema.<\/p>\n<p>\n\tNa verdade, quem venceu a disputa eleitoral que levou Obama a Casa Branca foi a mesma elite vinculada ao petr&oacute;leo, &agrave;s ind&uacute;strias militares e aos grandes financistas que v&ecirc;m ditando os rumos estrat&eacute;gicos dos EUA, ora com o Partido Republicano, ora com o Partido Democrata. O controlado processo eleitoral estadunidense serviu para que essa elite, que est&aacute; no epicentro da maior crise econ&ocirc;mica do p&oacute;s-guerra e que sofre questionamentos pol&iacute;ticos pelo mundo inteiro, conseguisse em plena crise reunir em torno de si as melhores condi&ccedil;&otilde;es de seguir aplicando seu projeto baseado em tr&ecirc;s pilares b&aacute;sicos: o controle das fontes de energia, a utiliza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o do complexo industrial militar e o controle econ&ocirc;mico mundial atrav&eacute;s do sistema financeiro baseado no padr&atilde;o d&oacute;lar.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; visando aplicar esse projeto de Estado que a burguesia daquele pa&iacute;s se debru&ccedil;a periodicamente sobre as elei&ccedil;&otilde;es para reciclar sua domina&ccedil;&atilde;o e extrair dentre os poss&iacute;veis candidatos o melhor representante de seus interesses. Da mesma forma que a burguesia brasileira escolheu uma figura identificada com os trabalhadores para melhor aplicar uma pol&iacute;tica contra os trabalhadores, a burguesia dos EUA escolheu uma figura identificada com tudo o que poderia evocar mudan&ccedil;a para garantir que nada de substancial fosse mudado.<\/p>\n<p>\n\tNos mais de cem dias de Obama ficou evidente que o crit&eacute;rio de escolher &quot;os melhores e mais brilhantes&quot; utilizado em seu discurso para justificar a forma&ccedil;&atilde;o de um governo composto por ultraconservadores como Paul Volker, James Jones e Robert Gates serviu apenas para continuar iludindo aqueles que acreditam que existe neutralidade quando falamos em pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>\n\tPaul Volker &eacute; um veterano em salvar sua elite de crises: em 1971 ele foi um dos art&iacute;fices da manobra do Presidente Nixon que acabou com o lastro em ouro do d&oacute;lar, e dessa forma permitiu ao tesouro estadunidense emitir o dinheiro necess&aacute;rio para que os EUA pagassem as d&iacute;vidas contra&iacute;das durante a guerra do Vietn&atilde;; em 1979, para salvar a burguesia de uma perigosa combina&ccedil;&atilde;o de infla&ccedil;&atilde;o alta com baixo crescimento econ&ocirc;mico, ele reajustou as taxas de juros dos Estados Unidos, o que por tabela mais que dobrou as d&iacute;vidas dos pa&iacute;ses latino-americanos, uma vez que os contratos dos empr&eacute;stimos eram atrelados a cl&aacute;usulas de juros flutuantes.<\/p>\n<p>\n\tEm pol&iacute;tica militar, o conservadorismo n&atilde;o poderia ser maior sem James Jones e Robert Gates. O primeiro &eacute; um general veterano da guerra fria e ex-comandante da OTAN (Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado Atl&acirc;ntico Norte); o segundo foi nomeado para ocupar o cargo de Secret&aacute;rio de Defesa ainda por George Bush em 2006, sendo mantido por Obama. Esse fato por si s&oacute; j&aacute; marca o tamanho da dist&acirc;ncia entre o discurso de mudan&ccedil;a e a realidade de continuidade, j&aacute; que nunca antes houve a perman&ecirc;ncia do mesmo Secret&aacute;rio de Defesa ap&oacute;s uma troca de partido nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos esperar que um governo formado com esses tipos de representantes hesitar&aacute; em elaborar medidas contra os trabalhadores para buscar sa&iacute;das de uma crise econ&ocirc;mica que pela primeira vez desde 1974\/1975 reduziu o PIB em 6,1% e que j&aacute; registra uma taxa de desemprego de 9,4 %.<\/p>\n<p>\n\t&Eacute; considerando o governo como um instrumento dos interesses da elite estadunidense que podemos entender a natureza das pol&iacute;ticas que Obama implementa contra os trabalhadores, imigrantes e contra o pr&oacute;prio povo negro do qual descende diretamente. Em contra-partida &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de mais de US$ 700 bilh&otilde;es para socorrer bancos, nada foi feito para garantir moradia para milh&otilde;es de fam&iacute;lias de baixa renda endividadas e que tiveram suas hipotecas executadas. Essas moradias s&atilde;o em sua maioria utilizadas por afro-americanos e hispano-americanos.<\/p>\n<p>\n\tNa pol&iacute;tica externa, depois de emocionados discursos sobre a paz mundial, o que a gest&atilde;o Obama oferece de concreto &eacute; a constante amea&ccedil;a do uso da for&ccedil;a caso &quot;fracassem os meios diplom&aacute;ticos&quot;, e por fracasso diplom&aacute;tico devemos entender condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o aceitas pelos pa&iacute;ses alvos. T&ecirc;m sido assim com o Ir&atilde;: a cada novo movimento do xadrez da pol&iacute;tica internacional, a Secret&aacute;ria de Estado Hillary Clinton lembra que existem tropas mobiliz&aacute;veis no vizinho Iraque. Enquanto isso, no Afeganist&atilde;o, houve um aumento dos efetivos militares e do uso da for&ccedil;a de forma indiscriminada, o que resultou no genoc&iacute;dio de mais de 150 civis afeg&atilde;os em maio.<\/p>\n<p>\n\tNem mesmo no terreno dos direitos humanos houve avan&ccedil;os substanciais, uma vez que as den&uacute;ncias de tortura nas pris&otilde;es militares n&atilde;o foram investigadas a fundo e somente se anunciou o fechamento da base-pris&atilde;o de Guant&aacute;namo. Ainda nem se tocou na situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica de seus detidos, uma vez que n&atilde;o foram submetidos a julgamento e mesmo que um dia o sejam &eacute; pouco prov&aacute;vel que isso seja feito por um Tribunal Penal Internacional. Os Estados Unidos se negam a reconhecer esse Tribunal, pois se o fizerem ter&atilde;o que entregar seus oficiais acusados de crimes de guerra. Ou seja, a administra&ccedil;&atilde;o Obama espalha sorrisos ao mesmo tempo em que segue desrespeitando a dignidade humana. Outro exemplo desse desrespeito &eacute; que, desde sua posse, se mant&eacute;m ilustres presos pol&iacute;ticos, como os Cubanos acusados de espionagem, o militante do Partido dos Panteras Negras, M&uacute;mia Abul Jamal, al&eacute;m dos supostos terroristas de Guant&aacute;namo.<\/p>\n<p>\n\tDois exemplos ilustram de maneira definitiva os interesses aos quais Obama serve. Nos primeiros meses do ano explodiu o esc&acirc;ndalos dos b&ocirc;nus milion&aacute;rios pagos aos executivos dos bancos e financeiras, os mesmos que provocaram a quase-fal&ecirc;ncia do sistema financeiro e cujas empresas receberam centenas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares em pacotes de salvamento do governo. Em meio &agrave; indigna&ccedil;&atilde;o geral de milh&otilde;es de trabalhadores que perderam seus empregos e suas casas contra os financistas, o governo Obama n&atilde;o fez nada concreto para limitar o pagamento dos b&ocirc;nus, que em &uacute;ltima inst&acirc;ncia representam a entrega pura e simples de dinheiro p&uacute;blico aos bar&otilde;es de Wall Street.<\/p>\n<p>\n\tPouco depois, em abril, foram divulgados os memorandos internos do Departamento de Justi&ccedil;a do governo Bush autorizando os agentes da CIA e o do Pent&aacute;gono a praticar tortura contra prisioneiros capturados na &quot;guerra ao terror&quot; e mantidos ilegalmente cativos. Obama n&atilde;o fez nada para que os respons&aacute;veis, ou seja, todo o alto escal&atilde;o do governo Bush, fosse criminalmente processado de acordo com as pr&oacute;prias leis estadunidenses, tornando-se assim ele pr&oacute;prio um c&uacute;mplice de crimes de guerra, de acobertar viola&ccedil;&otilde;es aos direitos humanos e de desrespeito a todas as conven&ccedil;&otilde;es internacionais contra a tortura e as pris&otilde;es ilegais.<\/p>\n<p>\n\tDevemos avaliar um governo pelas suas for&ccedil;as de sustenta&ccedil;&atilde;o e pelas pol&iacute;ticas que seus atos representam. No caso da administra&ccedil;&atilde;o Obama seus aliados s&atilde;o os mesmos dos seus antecessores, seus atos de governo beneficiam a mesma elite do petr&oacute;leo, das armas e dos bancos e seu padr&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e consumo seguem destruindo o planeta.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o podemos depositar nenhuma confian&ccedil;a em projetos que n&atilde;o nascem da classe trabalhadora e de suas lutas e por isso n&atilde;o representam nossos interesses. 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