{"id":237,"date":"2010-05-13T00:35:58","date_gmt":"2010-05-13T03:35:58","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/237"},"modified":"2018-05-05T18:09:47","modified_gmt":"2018-05-05T21:09:47","slug":"relacao-partido-e-movimento-um-debate-atual-e-necessario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/05\/relacao-partido-e-movimento-um-debate-atual-e-necessario\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o partido e movimento: um debate atual e necess\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<table bgcolor=\"#cccccc\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n\t\t\t\tA rela&ccedil;&atilde;o Partido e Movimento &eacute; um tema crucial na luta pelo socialismo. A depender da concep&ccedil;&atilde;o sobre o tema tem consequ&ecirc;ncias graves para a luta de classes, como a &quot;apropria&ccedil;&atilde;o&quot; das entidades do movimento pelo partido. Esse &eacute; um debate fundamental para os ativistas e para as organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias. Internamente tamb&eacute;m fazemos esse debate e como contribui&ccedil;&atilde;o, publicamos o texto do companheiro M&aacute;rcio da Oposi&ccedil;&atilde;o Banc&aacute;ria de S&atilde;o Paulo. Ao mesmo tempo convidamos os demais companheiros para participarem desse debate.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\n\tAs diversas tradi&ccedil;&otilde;es trotskistas tem como um ponto comum a id&eacute;ia de que &eacute; necess&aacute;rio construir o partido revolucion&aacute;rio, como garantia de que a a revolu&ccedil;&atilde;o socialista seja bem sucedida. Essa id&eacute;ia, que em si est&aacute; correta, tem sido aplicada de uma maneira unilateral, como se a &uacute;nica tarefa fosse a constru&ccedil;&atilde;o do partido, a qual acaba se sobrepondo &agrave;s necessidades do movimento socialista como um todo. O objetivo desse texto n&atilde;o &eacute; evidentemente fazer um balan&ccedil;o do trotskismo na sua totalidade, mas discutir um aspecto problem&aacute;tico da atua&ccedil;&atilde;o da maior parte das correntes trotskistas, a sua concep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre partido e movimento.<\/p>\n<p>\n\tQuando Trotsky disse em 1938 que &quot;a crise da humanidade &eacute; a crise de sua dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria&quot;, essa afirma&ccedil;&atilde;o tinha o sentido de apontar para o fato de que o proletariado como classe revolucion&aacute;ria capaz de trazer uma alternativa societ&aacute;ria para a humanidade estava em crise, e essa crise inclu&iacute;a a aus&ecirc;ncia de uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Foi para suprir essa aus&ecirc;ncia que o grande dirigente revolucion&aacute;rio lan&ccedil;ou a iniciativa da constru&ccedil;&atilde;o da Quarta Internacional. Na vis&atilde;o de Trotsky, a fun&ccedil;&atilde;o da IV seria liderar uma revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que derrubasse o stalinismo dos &quot;Estados oper&aacute;rios burocratizados&quot;, retomando a constru&ccedil;&atilde;o do socialismo sobre uma base social j&aacute; transformada.<\/p>\n<p>\n\tDeixando de lado as quest&otilde;es a respeito da validade da caracteriza&ccedil;&atilde;o da URSS e seus sat&eacute;lites como &quot;Estados oper&aacute;rios burocratizados&quot; e da revolu&ccedil;&atilde;o anti-burocr&aacute;tica ser concebida exclusivamente como &quot;revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot; pelo fato de j&aacute; se ter uma base social supostamente socialista; o fato &eacute; que as diversas correntes que reivindicam o trotskismo passaram a ter como eixo praticamente exclusivo de sua a&ccedil;&atilde;o a constru&ccedil;&atilde;o de um &quot;partido revolucion&aacute;rio marxista-leninista-trotskista&quot; para tomar o poder.<\/p>\n<p>\n\tEm nome dessa preocupa&ccedil;&atilde;o exclusiva, deixou-se de lado o estudo das condi&ccedil;&otilde;es concretas e a a&ccedil;&atilde;o sobre a consci&ecirc;ncia do conjunto da classe trabalhadora. Quando aconteceu o desmantelamento da URSS, surgiu no movimento trotskista a caracteriza&ccedil;&atilde;o (cuja vers&atilde;o mais acabada est&aacute; nas &quot;Teses de 1990&quot; da LIT) de que estava aberta uma nova etapa revolucion&aacute;ria, pois havia sido removido o maior obst&aacute;culo para a revolu&ccedil;&atilde;o, que era a burocracia stalinista. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o mecanicista e superestrutural ignorava o elemento estrutural central que era a defasagem na consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora dos pa&iacute;ses do ex-bloco sovi&eacute;tico, ou seja, a aus&ecirc;ncia de uma consci&ecirc;ncia socialista sobre a qual se poderia edificar um partido revolucion&aacute;rio. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o equivocada e os apelos vazios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do partido para tomar o poder, num contexto de derrotas objetivas e retrocessos subjetivos da consci&ecirc;ncia da classe em n&iacute;vel mundial, foram respons&aacute;veis por desnortear e &quot;quebrar&quot; toda uma gera&ccedil;&atilde;o de militantes. A despeito disso, as correntes trotskistas continuam reivindicando a constru&ccedil;&atilde;o do partido como se nada tivesse acontecido na consci&ecirc;ncia da classe. Quanto mais a crise de dire&ccedil;&atilde;o se tornava patente como algo mais profundo e estrutural, uma crise da alternativa socialista, mais essas correntes se apegam &agrave; obsess&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o do partido como a um dogma religioso (com o agravante de que cada militante acredita que o seu partido &eacute; &quot;o escolhido&quot; pela revolu&ccedil;&atilde;o para guiar a classe trabalhadora &agrave; vit&oacute;ria. A partir disso, os partidos passam a ter uma rela&ccedil;&atilde;o estranha com os organismos de luta da classe, como se o movimento oper&aacute;rio e seus organismos fossem um &quot;mercado&quot; de militantes a serem disputados pelas organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias para o crescimento do partido, tal e qual os capitalistas se engalfinham na disputa de mercado para seus produtos. Essa pr&aacute;tica est&aacute; na origem da divis&atilde;o da esquerda. Como cada organiza&ccedil;&atilde;o socialista v&ecirc; a outra como concorrente, vale tudo nesta disputa. Valem desde manobras para que a base n&atilde;o participe, usurpando a vontade dos trabalhadores, at&eacute; encaminhar propostasSS, surgiu no movimento trotskista a caracteriza&ccedil;&atilde;o (cuja vers&atilde;o mais acabada est&aacute; nas &quot;Teses de 1990&quot; da LIT) de que estava aberta uma nova etapa revolucion&aacute;ria, pois havia sido removido o maior obst&aacute;culo para a revolu&ccedil;&atilde;o, que era a burocracia stalinista. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o mecanicista e superestrutural ignorava o elemento estrutural central que era a defasagem na consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora dos pa&iacute;ses do ex-bloco sovi&eacute;tico, ou seja, a aus&ecirc;ncia de uma consci&ecirc;ncia socialista sobre a qual se poderia edificar um partido revolucion&aacute;rio. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o equivocada e os apelos vazios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do partido para tomar o poder, num contexto de derrotas objetivas e retrocessos subjetivos da consci&ecirc;ncia da classe em n&iacute;vel mundial, foram respons&aacute;veis por desnortear e &quot;quebrar&quot; toda uma gera&ccedil;&atilde;o de militantes.<\/p>\n<p>\n\tA despeito disso, as correntes trotskistas continuam reivindicando a constru&ccedil;&atilde;o do partido como se nada tivesse acontecido na consci&ecirc;ncia da classe. Quanto mais a crise de dire&ccedil;&atilde;o se tornava patente como algo mais profundo e estrutural, uma crise da alternativa socialista, mais essas correntes se apegam &agrave; obsess&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o do partido como a um dogma religioso (com o agravante de que cada militante acredita que o seu partido &eacute; &quot;o escolhido&quot; pela revolu&ccedil;&atilde;o para guiar a classe trabalhadora &agrave; vit&oacute;ria.<\/p>\n<p>\n\tA partir disso, os partidos passam a ter uma rela&ccedil;&atilde;o estranha com os organismos de luta da classe, como se o movimento oper&aacute;rio e seus organismos fossem um &quot;mercado&quot; de militantes a serem disputados pelas organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias para o crescimento do partido, tal e qual os capitalistas se engalfinham na disputa de mercado para seus produtos. Essa pr&aacute;tica est&aacute; na origem da divis&atilde;o da esquerda. Como cada organiza&ccedil;&atilde;o socialista v&ecirc; a outra como concorrente, vale tudo nesta disputa. Valem desde manobras para que a base n&atilde;o participe, usurpando a vontade dos trabalhadores, at&eacute; encaminhar propostas do partido DIRETAMENTE no movimento, sem passar pelos f&oacute;runs deliberativos dos organismos da classe. Tamb&eacute;m &eacute; comum colocar como condi&ccedil;&atilde;o para a unidade o controle (maioria) sobre a dire&ccedil;&atilde;o das entidades do movimento. Discutiremos a seguir tr&ecirc;s exemplos relacionados a atitudes de tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es em acontecimentos recentes do movimento: PSOL, PSTU, e LER-QI.<\/p>\n<p>\n\tAntes de desenvolver os exemplos acima, &eacute; preciso deixar claro que: 1-os casos relacionados aos partidos acima s&atilde;o apenas exemplos, pois a pr&aacute;tica de aparelhar os organismos do movimento &eacute; disseminada por toda esquerda; 2- o Espa&ccedil;o Socialista n&atilde;o v&ecirc; tais siglas como inimigas, mas como aliadas, por terem um projeto estrat&eacute;gico socialista. A diverg&ecirc;ncia paira sobre a rela&ccedil;&atilde;o que os partidos tem com o movimento, que entendemos ser equivocada.<\/p>\n<p>\n\tSob a alega&ccedil;&atilde;o de combate ao burocratismo de seus militantes, que tamb&eacute;m s&atilde;o dirigentes sindicais no Rio Grande do Norte, o PSTU colocou como condi&ccedil;&atilde;o para que permanecessem no partido a ren&uacute;ncia &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do sindicato para o qual foram eleitos pelos trabalhadores. Em respeito &agrave; soberania da base, os dirigentes sindicais optaram por permanecer nas dire&ccedil;&otilde;es dos sindicatos e sa&iacute;ram do partido.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o entraremos no m&eacute;rito da caracteriza&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU sobre o burocratismo dos diretores sindicais, mas sim no problema de m&eacute;todo que est&aacute; em exigir a ren&uacute;ncia dos diretores sindicais em f&oacute;runs estranhos aos do organismo de luta dos trabalhadores, no caso, o sindicato. Isso &eacute; um atentado &agrave; democracia oper&aacute;ria e n&atilde;o contribui para a educa&ccedil;&atilde;o das massas. Para se ter uma luta conseq&uuml;ente contra a burocratiza&ccedil;&atilde;o, o m&aacute;ximo que o partido poderia fazer seria expulsar os dirigentes burocratizados e denunciar perante a base os desvios desses dirigentes, travando a luta pol&iacute;tica para que os trabalhadores, de forma consciente, destitu&iacute;ssem os diretores tidos por burocratas. O PSTU optou por simplesmente deslig&aacute;-los, o que revela que para o partido &eacute; normal fazer inger&ecirc;ncias nos organismos de classe onde seus militantes exercem fun&ccedil;&atilde;o de dire&ccedil;&atilde;o ou s&atilde;o maioria, como algu&eacute;m que disp&otilde;e livremente que &eacute; &quot;seu&quot;.<\/p>\n<p>\n\tO PSOL, que &eacute; a dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da INTERSINDICAL, coloca uma s&eacute;rie de &oacute;bices para fazer unidade com a CONLUTAS, cuja dire&ccedil;&atilde;o &eacute; do PSTU, numa frente sindical e de movimentos populares. As diferen&ccedil;as &quot;pol&iacute;ticas&quot; est&atilde;o em torno da defini&ccedil;&atilde;o de qual organiza&ccedil;&atilde;o ter&aacute; maioria e de saber se h&aacute; espa&ccedil;o suficiente para acomodar os maiores quadros de cada partido. Setores do PSOL claramente aparelhistas (sobretudo aquelas correntes que s&atilde;o aliadas da Articula&ccedil;&atilde;o, como as que fizeram chapa com a burocracia nas elei&ccedil;&otilde;es para os sindicatos dos banc&aacute;rios de S&atilde;o Paulo e do Rio), n&atilde;o querem saber de unifica&ccedil;&atilde;o, com medo de perder os seus cargos. Usam o movimento em proveito pr&oacute;prio.<\/p>\n<p>\n\tNo caso do Encontro dos Trabalhadores do ABC que deliberou pela constru&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; Contra o Desemprego e a Explora&ccedil;&atilde;o Capitalista, a Liga Estrat&eacute;gia Revolucion&aacute;ria Quarta Internacional (LER-QI) colocou como condi&ccedil;&atilde;o para sua participa&ccedil;&atilde;o no Encontro o crit&eacute;rio de que os participantes fossem delegados eleitos na base, ao inv&eacute;s de uma participa&ccedil;&atilde;o aberta a todos. Como a sua proposta foi derrotada, a organiza&ccedil;&atilde;o se retirou da constru&ccedil;&atilde;o da unidade da regi&atilde;o do ABC Paulista. No caso, o crit&eacute;rio da elei&ccedil;&atilde;o foi apenas uma desculpa para n&atilde;o participar, uma vez que os companheiros consideram, de forma equivocada, que o Comit&ecirc; &eacute; um aparelho a servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Espa&ccedil;o Socialista, que &eacute; um dos seus maiores impulsionadores. Ou seja, a LER-QI n&atilde;o participou da constru&ccedil;&atilde;o do Encontro porque entendeu que isso significaria construir o ES e n&atilde;o ela pr&oacute;pria. Ao inv&eacute;s de aproveitar a oportunidade para educar os trabalhadores e construir o movimento em conjunto com outras organiza&ccedil;&otilde;es, a LER-QI optou por se retirar ao perceber que n&atilde;o poderia &quot;tirar proveito&quot; do movimento.<\/p>\n<p>\n\tFinalmente, no processo de forma&ccedil;&atilde;o de chapas para o diret&oacute;rio acad&ecirc;mico da FAFIL (Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras da Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute; &#8211; FSA), o grupo formado pelo Espa&ccedil;o Socialista e independentes, ligados &agrave; gest&atilde;o anterior do DA e que aglutina os principais ativistas do movimento de 2007 e 2008 (o qual culminou no afastamento do antigo reitor); prop&ocirc;s uma conven&ccedil;&atilde;o aberta para forma&ccedil;&atilde;o de uma chapa unit&aacute;ria da esquerda, com base em um programa m&iacute;nimo e em princ&iacute;pios elementares de independ&ecirc;ncia de classe, como n&atilde;o aceitar dinheiro da reitoria para financiar a ida de delegados da FSA para o Congresso Nacional de Estudantes. PSTU e LER n&atilde;o aceitaram esses crit&eacute;rios e a esquerda concorreu em tr&ecirc;s chapas separadas. Isso exp&ocirc;s os estudantes da FAFIL &agrave; possibilidade de ter o DA dirigido por uma 4&ordf; chapa, composta por estudantes dos cursos politicamente hostis ao movimento. Felizmente, apesar da divis&atilde;o da esquerda, a chapa composta pelo Espa&ccedil;o Socialista e independentes foi eleita.<\/p>\n<h2>\n\tO papel do partido no movimento<\/h2>\n<p>\n\tTamb&eacute;m consideramos que a constru&ccedil;&atilde;o do partido revolucion&aacute;rio &eacute; necess&aacute;ria, mas para n&oacute;s o partido deve estar a servi&ccedil;o do crescimento do movimento. N&atilde;o se trata de marginalizar o papel do partido, nem de subordin&aacute;-lo ao movimento, mas de fixar de forma clara os limites de atua&ccedil;&atilde;o dos partidos nos organismos de luta da classe trabalhadora. Assim, consideramos errado que os partidos encaminhem suas propostas sem passar pelo crivo dos organismos do movimento, ou seja, pelas assembl&eacute;ias e inst&acirc;ncias deliberativas de base.<\/p>\n<p>\n\tEsse tipo de postura faz com que muitos trabalhadores abandonem a luta, porque se sentem como marionetes na disputa entre os partidos, como objetos de disputa das organiza&ccedil;&otilde;es. Muitos trabalhadores tamb&eacute;m se frustram por n&atilde;o serem ouvidos, n&atilde;o terem participa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o do movimento, n&atilde;o terem influ&ecirc;ncia na dire&ccedil;&atilde;o do movimento, pois tudo &eacute; decidido nos f&oacute;runs internos do partido que dirige a entidade, e as decis&otilde;es j&aacute; v&ecirc;m &quot;prontas&quot; de cima para baixo.<\/p>\n<p>\n\tIsso n&atilde;o significa que os partidos n&atilde;o devam participar dos movimentos. Pelo contr&aacute;rio. &Eacute; um dever dos partidos inserir- se nos organismos de luta da classe, mas com um papel muito bem definido, que &eacute; o de educar a classe trabalhadora para a tomada do poder. Assim, o partido tem uma fun&ccedil;&atilde;o precisa no movimento, mas n&atilde;o pode de substitu&iacute;-lo.<\/p>\n<p>\n\tA unidade entre os lutadores &eacute; um princ&iacute;pio a ser seguido por todos os partidos, pois isso &eacute; necess&aacute;rio para que os trabalhadores tenham uma refer&ecirc;ncia, um movimento no qual possam se engajar e se colocar como sujeitos do processo hist&oacute;rico. A necessidade da unidade deve estar acima das preocupa&ccedil;&otilde;es desta ou daquela organiza&ccedil;&atilde;o em particular de ser maioria ou minoria nas entidades e nos f&oacute;runs da classe. N&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista n&atilde;o cansamos de chamar o PSOL e o PSTU para construir um f&oacute;rum de resist&ecirc;ncia &agrave; crise no ABC, mesmo estando conscientes de que ser&iacute;amos minoria. Mais tarde este f&oacute;rum viria a ser o Comit&ecirc; Contra o Desemprego e a Explora&ccedil;&atilde;o Capitalista, ao qual o PSTU e outras organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se integraram. Mesmo assim, continuamos chamando todas essas organiza&ccedil;&otilde;es para construir um polo pol&iacute;tico na regi&atilde;o que tenha um car&aacute;ter de oposi&ccedil;&atilde;o classista contra a burocracia, ainda que em tal polo o Espa&ccedil;o Socialista seja minoria. Para n&oacute;s, o mais importante &eacute; construir e educar a base, para que ela, sim, seja o sujeito da hist&oacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<table bgcolor=\"#cccccc\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n\t\t\t\tA rela&ccedil;&atilde;o Partido e Movimento &eacute; um tema crucial na luta pelo socialismo. A depender da concep&ccedil;&atilde;o sobre o tema tem consequ&ecirc;ncias graves para a luta de classes, como a &quot;apropria&ccedil;&atilde;o&quot; das entidades do movimento pelo partido. Esse &eacute; um debate fundamental para os ativistas e para as organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias. Internamente tamb&eacute;m fazemos esse debate e como contribui&ccedil;&atilde;o, publicamos o texto do companheiro M&aacute;rcio da Oposi&ccedil;&atilde;o Banc&aacute;ria de S&atilde;o Paulo. Ao mesmo tempo convidamos os demais companheiros para participarem desse debate.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\n\tAs diversas tradi&ccedil;&otilde;es trotskistas tem como um ponto comum a id&eacute;ia de que &eacute; necess&aacute;rio construir o partido revolucion&aacute;rio, como garantia de que a a revolu&ccedil;&atilde;o socialista seja bem sucedida. Essa id&eacute;ia, que em si est&aacute; correta, tem sido aplicada de uma maneira unilateral, como se a &uacute;nica tarefa fosse a constru&ccedil;&atilde;o do partido, a qual acaba se sobrepondo &agrave;s necessidades do movimento socialista como um todo. O objetivo desse texto n&atilde;o &eacute; evidentemente fazer um balan&ccedil;o do trotskismo na sua totalidade, mas discutir um aspecto problem&aacute;tico da atua&ccedil;&atilde;o da maior parte das correntes trotskistas, a sua concep&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre partido e movimento.<\/p>\n<p>\n\tQuando Trotsky disse em 1938 que &quot;a crise da humanidade &eacute; a crise de sua dire&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria&quot;, essa afirma&ccedil;&atilde;o tinha o sentido de apontar para o fato de que o proletariado como classe revolucion&aacute;ria capaz de trazer uma alternativa societ&aacute;ria para a humanidade estava em crise, e essa crise inclu&iacute;a a aus&ecirc;ncia de uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Foi para suprir essa aus&ecirc;ncia que o grande dirigente revolucion&aacute;rio lan&ccedil;ou a iniciativa da constru&ccedil;&atilde;o da Quarta Internacional. Na vis&atilde;o de Trotsky, a fun&ccedil;&atilde;o da IV seria liderar uma revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que derrubasse o stalinismo dos &quot;Estados oper&aacute;rios burocratizados&quot;, retomando a constru&ccedil;&atilde;o do socialismo sobre uma base social j&aacute; transformada.<\/p>\n<p>\n\tDeixando de lado as quest&otilde;es a respeito da validade da caracteriza&ccedil;&atilde;o da URSS e seus sat&eacute;lites como &quot;Estados oper&aacute;rios burocratizados&quot; e da revolu&ccedil;&atilde;o anti-burocr&aacute;tica ser concebida exclusivamente como &quot;revolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot; pelo fato de j&aacute; se ter uma base social supostamente socialista; o fato &eacute; que as diversas correntes que reivindicam o trotskismo passaram a ter como eixo praticamente exclusivo de sua a&ccedil;&atilde;o a constru&ccedil;&atilde;o de um &quot;partido revolucion&aacute;rio marxista-leninista-trotskista&quot; para tomar o poder.<\/p>\n<p>\n\tEm nome dessa preocupa&ccedil;&atilde;o exclusiva, deixou-se de lado o estudo das condi&ccedil;&otilde;es concretas e a a&ccedil;&atilde;o sobre a consci&ecirc;ncia do conjunto da classe trabalhadora. Quando aconteceu o desmantelamento da URSS, surgiu no movimento trotskista a caracteriza&ccedil;&atilde;o (cuja vers&atilde;o mais acabada est&aacute; nas &quot;Teses de 1990&quot; da LIT) de que estava aberta uma nova etapa revolucion&aacute;ria, pois havia sido removido o maior obst&aacute;culo para a revolu&ccedil;&atilde;o, que era a burocracia stalinista. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o mecanicista e superestrutural ignorava o elemento estrutural central que era a defasagem na consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora dos pa&iacute;ses do ex-bloco sovi&eacute;tico, ou seja, a aus&ecirc;ncia de uma consci&ecirc;ncia socialista sobre a qual se poderia edificar um partido revolucion&aacute;rio. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o equivocada e os apelos vazios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do partido para tomar o poder, num contexto de derrotas objetivas e retrocessos subjetivos da consci&ecirc;ncia da classe em n&iacute;vel mundial, foram respons&aacute;veis por desnortear e &quot;quebrar&quot; toda uma gera&ccedil;&atilde;o de militantes. A despeito disso, as correntes trotskistas continuam reivindicando a constru&ccedil;&atilde;o do partido como se nada tivesse acontecido na consci&ecirc;ncia da classe. Quanto mais a crise de dire&ccedil;&atilde;o se tornava patente como algo mais profundo e estrutural, uma crise da alternativa socialista, mais essas correntes se apegam &agrave; obsess&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o do partido como a um dogma religioso (com o agravante de que cada militante acredita que o seu partido &eacute; &quot;o escolhido&quot; pela revolu&ccedil;&atilde;o para guiar a classe trabalhadora &agrave; vit&oacute;ria. A partir disso, os partidos passam a ter uma rela&ccedil;&atilde;o estranha com os organismos de luta da classe, como se o movimento oper&aacute;rio e seus organismos fossem um &quot;mercado&quot; de militantes a serem disputados pelas organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias para o crescimento do partido, tal e qual os capitalistas se engalfinham na disputa de mercado para seus produtos. Essa pr&aacute;tica est&aacute; na origem da divis&atilde;o da esquerda. Como cada organiza&ccedil;&atilde;o socialista v&ecirc; a outra como concorrente, vale tudo nesta disputa. Valem desde manobras para que a base n&atilde;o participe, usurpando a vontade dos trabalhadores, at&eacute; encaminhar propostasSS, surgiu no movimento trotskista a caracteriza&ccedil;&atilde;o (cuja vers&atilde;o mais acabada est&aacute; nas &quot;Teses de 1990&quot; da LIT) de que estava aberta uma nova etapa revolucion&aacute;ria, pois havia sido removido o maior obst&aacute;culo para a revolu&ccedil;&atilde;o, que era a burocracia stalinista. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o mecanicista e superestrutural ignorava o elemento estrutural central que era a defasagem na consci&ecirc;ncia da classe trabalhadora dos pa&iacute;ses do ex-bloco sovi&eacute;tico, ou seja, a aus&ecirc;ncia de uma consci&ecirc;ncia socialista sobre a qual se poderia edificar um partido revolucion&aacute;rio. Essa caracteriza&ccedil;&atilde;o equivocada e os apelos vazios &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do partido para tomar o poder, num contexto de derrotas objetivas e retrocessos subjetivos da consci&ecirc;ncia da classe em n&iacute;vel mundial, foram respons&aacute;veis por desnortear e &quot;quebrar&quot; toda uma gera&ccedil;&atilde;o de militantes.<\/p>\n<p>\n\tA despeito disso, as correntes trotskistas continuam reivindicando a constru&ccedil;&atilde;o do partido como se nada tivesse acontecido na consci&ecirc;ncia da classe. Quanto mais a crise de dire&ccedil;&atilde;o se tornava patente como algo mais profundo e estrutural, uma crise da alternativa socialista, mais essas correntes se apegam &agrave; obsess&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o do partido como a um dogma religioso (com o agravante de que cada militante acredita que o seu partido &eacute; &quot;o escolhido&quot; pela revolu&ccedil;&atilde;o para guiar a classe trabalhadora &agrave; vit&oacute;ria.<\/p>\n<p>\n\tA partir disso, os partidos passam a ter uma rela&ccedil;&atilde;o estranha com os organismos de luta da classe, como se o movimento oper&aacute;rio e seus organismos fossem um &quot;mercado&quot; de militantes a serem disputados pelas organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias para o crescimento do partido, tal e qual os capitalistas se engalfinham na disputa de mercado para seus produtos. Essa pr&aacute;tica est&aacute; na origem da divis&atilde;o da esquerda. Como cada organiza&ccedil;&atilde;o socialista v&ecirc; a outra como concorrente, vale tudo nesta disputa. Valem desde manobras para que a base n&atilde;o participe, usurpando a vontade dos trabalhadores, at&eacute; encaminhar propostas do partido DIRETAMENTE no movimento, sem passar pelos f&oacute;runs deliberativos dos organismos da classe. Tamb&eacute;m &eacute; comum colocar como condi&ccedil;&atilde;o para a unidade o controle (maioria) sobre a dire&ccedil;&atilde;o das entidades do movimento. Discutiremos a seguir tr&ecirc;s exemplos relacionados a atitudes de tr&ecirc;s organiza&ccedil;&otilde;es em acontecimentos recentes do movimento: PSOL, PSTU, e LER-QI.<\/p>\n<p>\n\tAntes de desenvolver os exemplos acima, &eacute; preciso deixar claro que: 1-os casos relacionados aos partidos acima s&atilde;o apenas exemplos, pois a pr&aacute;tica de aparelhar os organismos do movimento &eacute; disseminada por toda esquerda; 2- o Espa&ccedil;o Socialista n&atilde;o v&ecirc; tais siglas como inimigas, mas como aliadas, por terem um projeto estrat&eacute;gico socialista. A diverg&ecirc;ncia paira sobre a rela&ccedil;&atilde;o que os partidos tem com o movimento, que entendemos ser equivocada.<\/p>\n<p>\n\tSob a alega&ccedil;&atilde;o de combate ao burocratismo de seus militantes, que tamb&eacute;m s&atilde;o dirigentes sindicais no Rio Grande do Norte, o PSTU colocou como condi&ccedil;&atilde;o para que permanecessem no partido a ren&uacute;ncia &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do sindicato para o qual foram eleitos pelos trabalhadores. Em respeito &agrave; soberania da base, os dirigentes sindicais optaram por permanecer nas dire&ccedil;&otilde;es dos sindicatos e sa&iacute;ram do partido.<\/p>\n<p>\n\tN&atilde;o entraremos no m&eacute;rito da caracteriza&ccedil;&atilde;o da dire&ccedil;&atilde;o nacional do PSTU sobre o burocratismo dos diretores sindicais, mas sim no problema de m&eacute;todo que est&aacute; em exigir a ren&uacute;ncia dos diretores sindicais em f&oacute;runs estranhos aos do organismo de luta dos trabalhadores, no caso, o sindicato. Isso &eacute; um atentado &agrave; democracia oper&aacute;ria e n&atilde;o contribui para a educa&ccedil;&atilde;o das massas. Para se ter uma luta conseq&uuml;ente contra a burocratiza&ccedil;&atilde;o, o m&aacute;ximo que o partido poderia fazer seria expulsar os dirigentes burocratizados e denunciar perante a base os desvios desses dirigentes, travando a luta pol&iacute;tica para que os trabalhadores, de forma consciente, destitu&iacute;ssem os diretores tidos por burocratas. O PSTU optou por simplesmente deslig&aacute;-los, o que revela que para o partido &eacute; normal fazer inger&ecirc;ncias nos organismos de classe onde seus militantes exercem fun&ccedil;&atilde;o de dire&ccedil;&atilde;o ou s&atilde;o maioria, como algu&eacute;m que disp&otilde;e livremente que &eacute; &quot;seu&quot;.<\/p>\n<p>\n\tO PSOL, que &eacute; a dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da INTERSINDICAL, coloca uma s&eacute;rie de &oacute;bices para fazer unidade com a CONLUTAS, cuja dire&ccedil;&atilde;o &eacute; do PSTU, numa frente sindical e de movimentos populares. As diferen&ccedil;as &quot;pol&iacute;ticas&quot; est&atilde;o em torno da defini&ccedil;&atilde;o de qual organiza&ccedil;&atilde;o ter&aacute; maioria e de saber se h&aacute; espa&ccedil;o suficiente para acomodar os maiores quadros de cada partido. Setores do PSOL claramente aparelhistas (sobretudo aquelas correntes que s&atilde;o aliadas da Articula&ccedil;&atilde;o, como as que fizeram chapa com a burocracia nas elei&ccedil;&otilde;es para os sindicatos dos banc&aacute;rios de S&atilde;o Paulo e do Rio), n&atilde;o querem saber de unifica&ccedil;&atilde;o, com medo de perder os seus cargos. Usam o movimento em proveito pr&oacute;prio.<\/p>\n<p>\n\tNo caso do Encontro dos Trabalhadores do ABC que deliberou pela constru&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; Contra o Desemprego e a Explora&ccedil;&atilde;o Capitalista, a Liga Estrat&eacute;gia Revolucion&aacute;ria Quarta Internacional (LER-QI) colocou como condi&ccedil;&atilde;o para sua participa&ccedil;&atilde;o no Encontro o crit&eacute;rio de que os participantes fossem delegados eleitos na base, ao inv&eacute;s de uma participa&ccedil;&atilde;o aberta a todos. Como a sua proposta foi derrotada, a organiza&ccedil;&atilde;o se retirou da constru&ccedil;&atilde;o da unidade da regi&atilde;o do ABC Paulista. No caso, o crit&eacute;rio da elei&ccedil;&atilde;o foi apenas uma desculpa para n&atilde;o participar, uma vez que os companheiros consideram, de forma equivocada, que o Comit&ecirc; &eacute; um aparelho a servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Espa&ccedil;o Socialista, que &eacute; um dos seus maiores impulsionadores. Ou seja, a LER-QI n&atilde;o participou da constru&ccedil;&atilde;o do Encontro porque entendeu que isso significaria construir o ES e n&atilde;o ela pr&oacute;pria. Ao inv&eacute;s de aproveitar a oportunidade para educar os trabalhadores e construir o movimento em conjunto com outras organiza&ccedil;&otilde;es, a LER-QI optou por se retirar ao perceber que n&atilde;o poderia &quot;tirar proveito&quot; do movimento.<\/p>\n<p>\n\tFinalmente, no processo de forma&ccedil;&atilde;o de chapas para o diret&oacute;rio acad&ecirc;mico da FAFIL (Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras da Funda&ccedil;&atilde;o Santo Andr&eacute; &#8211; FSA), o grupo formado pelo Espa&ccedil;o Socialista e independentes, ligados &agrave; gest&atilde;o anterior do DA e que aglutina os principais ativistas do movimento de 2007 e 2008 (o qual culminou no afastamento do antigo reitor); prop&ocirc;s uma conven&ccedil;&atilde;o aberta para forma&ccedil;&atilde;o de uma chapa unit&aacute;ria da esquerda, com base em um programa m&iacute;nimo e em princ&iacute;pios elementares de independ&ecirc;ncia de classe, como n&atilde;o aceitar dinheiro da reitoria para financiar a ida de delegados da FSA para o Congresso Nacional de Estudantes. PSTU e LER n&atilde;o aceitaram esses crit&eacute;rios e a esquerda concorreu em tr&ecirc;s chapas separadas. Isso exp&ocirc;s os estudantes da FAFIL &agrave; possibilidade de ter o DA dirigido por uma 4&ordf; chapa, composta por estudantes dos cursos politicamente hostis ao movimento. Felizmente, apesar da divis&atilde;o da esquerda, a chapa composta pelo Espa&ccedil;o Socialista e independentes foi eleita.<\/p>\n<h2>\n\tO papel do partido no movimento<\/h2>\n<p>\n\tTamb&eacute;m consideramos que a constru&ccedil;&atilde;o do partido revolucion&aacute;rio &eacute; necess&aacute;ria, mas para n&oacute;s o partido deve estar a servi&ccedil;o do crescimento do movimento. N&atilde;o se trata de marginalizar o papel do partido, nem de subordin&aacute;-lo ao movimento, mas de fixar de forma clara os limites de atua&ccedil;&atilde;o dos partidos nos organismos de luta da classe trabalhadora. Assim, consideramos errado que os partidos encaminhem suas propostas sem passar pelo crivo dos organismos do movimento, ou seja, pelas assembl&eacute;ias e inst&acirc;ncias deliberativas de base.<\/p>\n<p>\n\tEsse tipo de postura faz com que muitos trabalhadores abandonem a luta, porque se sentem como marionetes na disputa entre os partidos, como objetos de disputa das organiza&ccedil;&otilde;es. Muitos trabalhadores tamb&eacute;m se frustram por n&atilde;o serem ouvidos, n&atilde;o terem participa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o do movimento, n&atilde;o terem influ&ecirc;ncia na dire&ccedil;&atilde;o do movimento, pois tudo &eacute; decidido nos f&oacute;runs internos do partido que dirige a entidade, e as decis&otilde;es j&aacute; v&ecirc;m &quot;prontas&quot; de cima para baixo.<\/p>\n<p>\n\tIsso n&atilde;o significa que os partidos n&atilde;o devam participar dos movimentos. Pelo contr&aacute;rio. &Eacute; um dever dos partidos inserir- se nos organismos de luta da classe, mas com um papel muito bem definido, que &eacute; o de educar a classe trabalhadora para a tomada do poder. Assim, o partido tem uma fun&ccedil;&atilde;o precisa no movimento, mas n&atilde;o pode de substitu&iacute;-lo.<\/p>\n<p>\n\tA unidade entre os lutadores &eacute; um princ&iacute;pio a ser seguido por todos os partidos, pois isso &eacute; necess&aacute;rio para que os trabalhadores tenham uma refer&ecirc;ncia, um movimento no qual possam se engajar e se colocar como sujeitos do processo hist&oacute;rico. A necessidade da unidade deve estar acima das preocupa&ccedil;&otilde;es desta ou daquela organiza&ccedil;&atilde;o em particular de ser maioria ou minoria nas entidades e nos f&oacute;runs da classe. N&oacute;s do Espa&ccedil;o Socialista n&atilde;o cansamos de chamar o PSOL e o PSTU para construir um f&oacute;rum de resist&ecirc;ncia &agrave; crise no ABC, mesmo estando conscientes de que ser&iacute;amos minoria. Mais tarde este f&oacute;rum viria a ser o Comit&ecirc; Contra o Desemprego e a Explora&ccedil;&atilde;o Capitalista, ao qual o PSTU e outras organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se integraram. Mesmo assim, continuamos chamando todas essas organiza&ccedil;&otilde;es para construir um polo pol&iacute;tico na regi&atilde;o que tenha um car&aacute;ter de oposi&ccedil;&atilde;o classista contra a burocracia, ainda que em tal polo o Espa&ccedil;o Socialista seja minoria. Para n&oacute;s, o mais importante &eacute; construir e educar a base, para que ela, sim, seja o sujeito da hist&oacute;ria.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[65],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6265,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions\/6265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}