{"id":2393,"date":"2013-09-11T18:20:31","date_gmt":"2013-09-11T21:20:31","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393"},"modified":"2018-06-01T16:05:19","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:19","slug":"jornal-61-agostosetembro-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/09\/jornal-61-agostosetembro-de-2013\/","title":{"rendered":"Jornal 61: Agosto\/Setembro de 2013"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2397\" rel=\"attachment wp-att-2396\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-2396\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/61miniatura.jpg\" alt=\"61miniatura\" width=\"203\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/61miniatura.jpg 203w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/61miniatura-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 203px) 100vw, 203px\" \/><\/a><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"line-height: 13px;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393#titulo1\">O novo momento pol\u00edtico e a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa<\/a><br \/>\n<\/span><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393#titulo2\">Contra os governistas, retomar as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o da categoria<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393#titulo3\">Governos e capital culpam &#8220;excesso de teoria&#8221; dos professores<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393#titulo4\">Palestina: novamente o terror com um &#8220;novo acordo de paz&#8221;<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393#titulo5\">Um balan\u00e7o necess\u00e1rio ao avan\u00e7o da luta do movimento estudantil<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2393#titulo6\">Egito: Nem Morsi nem militares, s\u00f3 os trabalhadores podem construir uma alternativa!<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo1\"><\/a>O novo momento pol\u00edtico e a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A onda de manifesta\u00e7\u00f5es do m\u00eas de junho come\u00e7ou com o movimento contra o aumento das passagens, e terminou com milh\u00f5es de pessoas nas ruas em centenas de cidades do pa\u00eds, protestando contra a precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos em geral, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, contra os altos gastos com a Copa e as Olimp\u00edadas, contra a corrup\u00e7\u00e3o, etc. Essas mobiliza\u00e7\u00f5es estabeleceram uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que se expressa no desgaste do governo Dilma tanto para um setor importante da popula\u00e7\u00e3o quanto para alguns setores da burguesia, na \u201crebeli\u00e3o\u201d na base governista e principalmente no novo ciclo de lutas. \u00c9 preciso que se diga que essa mudan\u00e7a ocorreu com o profundo impacto dos milh\u00f5es de pessoas que foram \u00e0s ruas contra todas as esferas do poder.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Desgaste dos governos<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o m\u00eas de junho havia praticamente um consenso entre os diversos setores da burguesia em torno do governo Dilma. A partir do questionamento que veio das ruas, alguns setores da burguesia come\u00e7am a dar sinais de que podem pular fora do barco, alegando que este governo tem pouca interlocu\u00e7\u00e3o com o empresariado. Segundo a pr\u00f3pria imprensa burguesa, alguns empres\u00e1rios preferem procurar Lula a Dilma. \u00c9 qualitativo que o questionamento envolva tamb\u00e9m a pr\u00f3pria pol\u00edtica econ\u00f4mica. Com o esgotamento dos incentivos fiscais, o baixo crescimento e a volta da infla\u00e7\u00e3o, o ministro Mantega est\u00e1 sendo fortemente questionado e todos os dias surgem artigos e editoriais da imprensa pedindo a sua sa\u00edda ou a mudan\u00e7a da pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ind\u00edcio de desgaste de Dilma com setores da burguesia \u00e9 o fato de que v\u00e1rios deles passam a procurar Marina Silva como uma poss\u00edvel alternativa burguesa para enfrentar essa nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Congresso nacional, onde desde o in\u00edcio do mandato Dilma se tinha um controle quase absoluto sobre as bancadas dos partidos governistas, tamb\u00e9m surgem focos de descontentamento e de chantagem com vota\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o do governo, declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas contra ministros e a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Muito desgastados pelas cr\u00edticas que vieram das ruas, os parlamentares se esfor\u00e7am para se \u201cdescolarem\u201d da imagem desgastada de Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desgaste n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de Dilma. Os governos estaduais, por sua vez, tamb\u00e9m enfrentam problemas, sendo o caso mais grave o de Sergio Cabral, no Rio, que \u00e9 o que tem a pior avalia\u00e7\u00e3o entre os governadores e inclusive chegou ao ponto de anunciar publicamente que n\u00e3o renunciaria por conta dos protestos di\u00e1rios (sinal de que essa possibilidade est\u00e1 sendo cogitada).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro, e talvez o mais importante, elemento deste novo processo \u00e9 a continuidade das mobiliza\u00e7\u00f5es, ainda que sem a mesma intensidade que tiveram no m\u00eas de junho, mas ainda assim de forma constante. Todos os dias h\u00e1 alguma manifesta\u00e7\u00e3o ocorrendo em algum lugar do pa\u00eds, desde categorias mais elitizadas, como m\u00e9dicos e delegados de pol\u00edcia, at\u00e9 os movimentos populares, como o que se seguiu \u00e0 morte do pedreiro Amarildo no Rio, em que vive-se um clima de rebeli\u00e3o permanente contra o governo S\u00e9rgio Cabral. Em v\u00e1rias cidades h\u00e1 ocupa\u00e7\u00f5es de pr\u00e9dios p\u00fablicos, c\u00e2maras de vereadores, etc.<br \/>\nDentro deste processo as campanhas salariais de importantes categorias nacionais, como banc\u00e1rios, correios, petroleiros e metal\u00fargicos, que t\u00eam database entre setembro e outubro, \u00e9 outro processo que pode colocar mais lenha na fogueira uma vez que em algumas destas campanhas o governo est\u00e1 envolvido diretamente nas negocia\u00e7\u00f5es e as demais v\u00e3o encontrar uma patronal bem resistente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O fim do PT como gestor do Estado brasileiro?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PT foi nos \u00faltimos 10 anos o grande porta-voz do capital no pa\u00eds. Sua pol\u00edtica econ\u00f4mica, baseada no endividamento individual e p\u00fablico para incentivar o consumo, no assistencialismo (bolsa fam\u00edlia, etc), que serve para cooptar a popula\u00e7\u00e3o mais pobre e no controle sobre as principais organiza\u00e7\u00f5es do movimento social impedindo que houvesse grandes lutas deu a esse partido uma grande legitimidade perante a burguesia para controlar al\u00e9m do governo central as grandes empresas estatais, fundos de pens\u00e3o, al\u00e9m de uma infinidade de cargos de segundo escal\u00e3o que possibilitaram literalmente acomodar a burocrata pol\u00edtica e sindical do partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante muitos anos criou-se uma unanimidade em torno \u201cmodo PT\u201d de governar e neste momento ela est\u00e1 sendo profundamente questionada, e contraditoriamente, pela esquerda e pela direita. Essa mudan\u00e7a se expressa na ruptura dos setores da classe m\u00e9dia, nos questionamentos que h\u00e1 nas f\u00e1bricas em rela\u00e7\u00e3o aos sindicatos cutistas e nas cr\u00edticas que setores da burguesia (financiadora do projeto) fazem ao governo e ao partido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 mesmo a CUT, o MST e outras entidades governistas s\u00e3o obrigados, em um tom choroso, a admitir que as reformas estruturais no pa\u00eds n\u00e3o ocorram. N\u00e3o que queiram admitir isso, mas s\u00e3o obrigados pela press\u00e3o da base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe, \u00e9 claro, a ressalva de que as manifesta\u00e7\u00f5es de rua e a mobiliza\u00e7\u00e3o das categorias organizadas constituem uma realidade mais t\u00edpica das grandes cidades e dos estados mais ricos do pa\u00eds. O assistencialismo do governo e a imagem de Lula ainda fazem com que a popula\u00e7\u00e3o apoie eleitoralmente o PT em amplas regi\u00f5es do pa\u00eds. A popula\u00e7\u00e3o mais pobre em v\u00e1rios estados ou mesmo na periferia das grandes cidades ainda considera positiva a imagem de Lula e por tabela de Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um processo ainda em curso e com resist\u00eancia por parte do partido e do governo. N\u00e3o se trata de crise terminal do governo ou do regime como insistem alguns setores da esquerda. O governo e o PT ainda contam com importantes recursos para enfrentar essa crise. A libera\u00e7\u00e3o de verbas para acalmar os parlamentares, o aumento da taxa de juros e do d\u00f3lar, algumas pequenas concess\u00f5es ao movimento social est\u00e3o entre as medidas pol\u00edticas que procuram enfrentar o problema. Como se diz, est\u00e1 doente, mas n\u00e3o est\u00e1 morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o movimento de massas, o governo se utiliza do controle sobre os movimentos sociais, como a CUT e o MST, para desviar o foco dos questionamentos em dire\u00e7\u00e3o a uma sa\u00edda institucional. Para isso esses setores est\u00e3o defendendo junto aos trabalhadores um plebiscito para a convoca\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Constituinte Exclusiva para fazer a reforma pol\u00edtica. \u00c9 diferente na forma, mas igual ao conte\u00fado da proposta de Dilma que v\u00ea na reforma pol\u00edtica apenas um meio para retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No movimento sindical o corpo mole na prepara\u00e7\u00e3o das campanhas salariais e nas jornadas de lutas tamb\u00e9m \u00e9 parte dessa mesma pol\u00edtica visando a desmobiliza\u00e7\u00e3o popular. Nos movimentos populares, o PT tem o controle sobre a maioria das dire\u00e7\u00f5es dos principais movimentos, seja ele movimento negro ou popular. Isso impede que campanhas importantes como, por exemplo, contra o genoc\u00eddio da juventude negra, tomem contornos de esquerda. Assim, o PT, quando leva a discuss\u00e3o para as periferias, tenta canalizar as demandas raciais e populares para o apoio ao governo Dilma.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Quais as sa\u00eddas?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve for\u00e7a e nem uma consci\u00eancia que permitisse construir organiza\u00e7\u00f5es que se colocassem como alternativa pol\u00edtica. De certa forma expressou a sua despolitiza\u00e7\u00e3o e o fato de n\u00e3o ter constitu\u00eddo uma unidade program\u00e1tica em torno das v\u00e1rias demandas presentes nas ruas. Eram v\u00e1rias demandas sem uma unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o a discuss\u00e3o da alternativa pol\u00edtica ainda carece de concretude no movimento real. Mas n\u00e3o significa que devemos deixar de tratar dessa quest\u00e3o fundamental, pois se a classe trabalhadora ainda n\u00e3o a tem, a burguesia j\u00e1 se lan\u00e7ou a ocupar este espa\u00e7o e, como n\u00e3o poderia deixar de ser, para ela, passa por encontrar um candidato ou candidata que tenha melhores condi\u00e7\u00f5es de conduzir o projeto de lucratividade do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com todo o desgaste dos partidos, sejam eles o PT, PMDB, PSDB, etc., j\u00e1 se fala em poss\u00edveis nomes para a presid\u00eancia e os governos estaduais. S\u00e3o v\u00e1rios os candidatos: A\u00e9cio, Serra, Marina e pelo PT Dilma ou Lula (se o desgaste colocar em risco a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, Lula pode ser o \u201cplano B\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de a burguesia j\u00e1 ter antecipado o debate eleitoral n\u00e3o pode nos levar ao erro de discutir sa\u00eddas eleitorais. O tamanho da crise econ\u00f4mica, a infla\u00e7\u00e3o, a amea\u00e7a da volta do desemprego em massa colocam para os trabalhadores a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de um projeto que rompa com o capital e atenda a todas as demandas da classe trabalhadora e do povo pobre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que isso: a crise estrutural do capital exige sa\u00eddas de fundo, estruturais, que nenhum regime burgu\u00eas poder\u00e1 dar conta. Isso quer dizer que essas sa\u00eddas n\u00e3o passam pelo processo eleitoral, de modo que qualquer discuss\u00e3o sobre a unidade da esquerda no processo eleitoral neste momento \u00e9 fazer o jogo da burguesia e desviar a inquieta\u00e7\u00e3o popular para a institucionalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De nossa parte, entendemos que, muito mais do que buscar sa\u00eddas eleitorais, a tarefa das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores deve ser a de apresentar propostas para a constru\u00e7\u00e3o de uma sa\u00edda classista para as lutas que est\u00e3o em curso e para as que vir\u00e3o. Muito mais do que simplesmente criticar a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo, pedindo a redu\u00e7\u00e3o dos juros (como setores da burguesia fazem), a principal tarefa das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda deve ser a de construir um Movimento Pol\u00edtico dos Trabalhadores, que questione n\u00e3o apenas os aspectos pontuais da gest\u00e3o do pa\u00eds pelo PT, mas todo o conjunto do projeto em aplica\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso dizer claramente que n\u00e3o existem sa\u00eddas para as demandas populares e dos trabalhadores nos marcos do capitalismo, sistema este que est\u00e1 em crise estrutural em escala mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 como satisfazer as demandas por melhores servi\u00e7os p\u00fablicos, por sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, habita\u00e7\u00e3o, contra a carestia, por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida, lazer, cultura, igualdade racial, etc., sem romper com os pilares fundamentais da pol\u00edtica do governo, n\u00e3o s\u00f3 do PT-PMDB-PSDB-DEM e demais partidos, mas do pr\u00f3prio Estado capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso romper com o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica aos especuladores (que consome metade do or\u00e7amento), com os empr\u00e9stimos \u00e0s empresas, com os incentivos fiscais, etc., e direcionar tudo isso para obras e servi\u00e7os p\u00fablicos em favor dos trabalhadores. \u00c9 preciso estatizar o sistema financeiro, reestatizar as empresas privatizadas (Vale, Embraer, etc.) sob controle dos trabalhadores, anular o projeto da Correios S\/A, etc., num conjunto de medidas crescentes, que leve \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de organismos de poder pr\u00f3prios dos trabalhadores. \u00c9 preciso fazer um intenso debate ideol\u00f3gico contra as ideias da classe dominante que ainda predominam e voltar a falar na necessidade e na possibilidade do socialismo!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Movimento pol\u00edtico dos trabalhadores!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma quest\u00e3o fundamental para a revolu\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o do proletariado como sujeito do processo revolucion\u00e1rio, ou seja, como se realizar\u00e3o as tarefas para a constitui\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico oper\u00e1rio. Na luta de classes, o papel a ser cumprido pelo proletariado \u00e9 estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, ao olharmos a esquerda atualmente nos deparamos com uma profunda divis\u00e3o e at\u00e9 mesmo uma disputa em que muitas vezes o m\u00e9todo \u00e9 bastante question\u00e1vel. N\u00e3o que n\u00e3o deva haver disputas pol\u00edticas pelo rumo do movimento ou pela t\u00e1tica, pelo contr\u00e1rio, em muitos fatos hist\u00f3ricos isso foi decisivo. A quest\u00e3o que se coloca \u00e9 se a forma como se d\u00e1 essa disputa ajuda ou atrapalha a constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es (partid\u00e1rias ou n\u00e3o) revolucion\u00e1rias que expressem as necessidades da classe de conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso no plano estrat\u00e9gico mais distante. Mas essa mesma quest\u00e3o se coloca no plano imediato, nas lutas pol\u00edticas contra a burguesia. Como no Brasil as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda representam setores muito minorit\u00e1rios da classe trabalhadora, por conseguinte, elas representam apenas parte da classe trabalhadora, num\u00e9rica e programaticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve tamb\u00e9m dar especial destaque, como j\u00e1 dissemos, \u00e0 necessidade de colocar em movimento a classe trabalhadora com um programa de ruptura com o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00f3s, esse programa pode ser constru\u00eddo a partir de um amplo movimento, que se organize por local de trabalho, de estudo ou de moradia em todo o pa\u00eds, discutindo e construindo uma plataforma pol\u00edtica que d\u00ea respostas aos problemas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, moradia, sempre a partir das necessidades dos trabalhadores e n\u00e3o do capital. Neste programa tamb\u00e9m s\u00e3o decisivas as bandeiras de luta contra o imperialismo, na ruptura com os organismos financeiros e grandes corpora\u00e7\u00f5es internacionais que espoliam as riquezas nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que a solu\u00e7\u00e3o definitiva para todos os males sociais de que sofrem os trabalhadores depende do fim do capitalismo, depende de um novo sistema social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o em um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores cabe \u00e0 todas as for\u00e7as pol\u00edticas de esquerda que defendam e lutem pelo programa votado nos espa\u00e7os de decis\u00e3o do movimento. N\u00e3o \u00e9 um movimento para as elei\u00e7\u00f5es, mas para organizar a classe trabalhadora politicamente e de forma unit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00f3s a constitui\u00e7\u00e3o desse movimento seria um grande passo para a tarefa que julgamos mais importante para uma organiza\u00e7\u00e3o de esquerda que \u00e9 de ajudar a classe trabalhadora a desenvolver uma consci\u00eancia socialista<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo2\"><\/a>Banc\u00e1rios: contra os governistas do movimento sindical, retomar as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o da categoria!<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem mais de 400 mil banc\u00e1rios no pa\u00eds (sem considerar terceirizados, correspondentes, lot\u00e9ricos, banco postal, etc.), sendo que praticamente 25% deles est\u00e3o na base de S\u00e3o Paulo, Osasco e regi\u00e3o. Os banc\u00e1rios est\u00e3o entrando em campanha salarial, com data base em 1\u00ba de setembro, e juntamente com correios, petroleiros e metal\u00fargicos, podem protagonizar algo semelhante a uma greve geral no segundo semestre. Mas para que isso aconte\u00e7a, seria preciso passar por cima da dire\u00e7\u00e3o do movimento sindical, controlado h\u00e1 d\u00e9cadas com m\u00e3o de ferro pela Articula\u00e7\u00e3o (PT), corrente majorit\u00e1ria da CUT, que em banc\u00e1rios se organiza numa entidade chamada Contraf, filiada \u00e0 CUT. Contando com a colabora\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites como DS, CTB, (PCdoB) e Intersindical, a Articula\u00e7\u00e3o se apoderou dos principais sindicatos e os conduz de maneira cada vez mais distante das lutas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal sindicato da categoria banc\u00e1ria no pa\u00eds, o sindicato de S\u00e3o Paulo, Osasco e regi\u00e3o, que dirige a Contraf, \u00e9 um verdadeiro conglomerado empresarial, com gr\u00e1fica, imobili\u00e1ria, financeira, faculdade, ONG, etc., al\u00e9m de ser a porta de entrada para a diretoria dos fundos de pens\u00e3o do BB (PREVI) e da CEF (FUNCEF), por meio dos quais o PT controla participa\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias em centenas de empresas e se associa organicamente aos interesses de classe da burguesia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 d\u00e9cadas esse sindicato abandonou a combatividade e se transformou no maior promotor do \u201csindicalismo cidad\u00e3o\u201d, eufemismo para colabora\u00e7\u00e3o de classes. O resultado disso \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 mais qualquer organiza\u00e7\u00e3o no setor dos bancos privados, que representa metade da categoria, e as lutas se restringem aos bancos p\u00fablicos (BB, CEF, Banco do Nordeste, Banco da Amaz\u00f4nia e alguns estaduais remanescentes). A Articula\u00e7\u00e3o se sustenta eleitoralmente na base de bancos privados (que v\u00ea o sindicado como uma esp\u00e9cie de clube de conv\u00eanios), que lhe d\u00e3o folgada maioria em S\u00e3o Paulo, e usa esse controle para impedir as lutas nos bancos p\u00fablicos. Os burocratas do PT se perpetuam como representantes nas mesas de negocia\u00e7\u00e3o, enquanto que do outro lado da mesa, os dirigentes do BB e CEF (assim como das demais estatais como Correios e Petrobr\u00e1s) s\u00e3o tamb\u00e9m do pr\u00f3prio PT ou indicados por partidos governistas. Isso impede que nas negocia\u00e7\u00f5es salariais as verdadeiras necessidades dos trabalhadores sejam postas em pauta. Os acordos s\u00e3o muito rebaixados e, para que sejam aprovados, a Contraf-CUT e seus sat\u00e9lites usam todos os tipos de manobras, como trazer os gerentes e fura-greves em massa para votar a favor do acordo, em assembleias no hor\u00e1rio da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas trai\u00e7\u00f5es escancaradas, somadas \u00e0 aus\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o de base, de representantes nos locais de trabalho, de f\u00f3runs permanentes de discuss\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o, de enfrentamento cotidiano aos desmandos e abusos dos gerentes, faz com que os banc\u00e1rios estejam j\u00e1 muito desconfiados do movimento sindical e da greve. Os banc\u00e1rios v\u00e3o \u00e0 greve todos os anos desde 2003, mas o fazem porque simplesmente n\u00e3o suportam mais as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O excesso de servi\u00e7o, a press\u00e3o di\u00e1ria, a cobran\u00e7a dos gerentes, o ass\u00e9dio moral, o adoecimento f\u00edsico e psicol\u00f3gico, massacram diariamente esses trabalhadores, que veem na greve uma forma de dizer \u201cchega, n\u00e3o aguento mais!\u201d, que funciona como uma v\u00e1lvula de escape. Fazem greve e deixam de ir trabalhar, mas deixam tamb\u00e9m de comparecer \u00e0s atividades de greve, piquetes, assembleias, etc., desconfiados de que os dirigentes dos sindicatos v\u00e3o trair a luta a qualquer momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse potencial de insatisfa\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente todos os anos nas campanhas salariais. O desafio \u00e9 fazer com que essa insatisfa\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 \u201cgreve do saco cheio\u201d se transforme em uma mobiliza\u00e7\u00e3o com participa\u00e7\u00e3o e envolvimento dos trabalhadores na luta, com presen\u00e7a nas assembleias e mobiliza\u00e7\u00f5es, de forma a passar por cima das burocracias dirigentes. Esse papel cabe \u00e0s oposi\u00e7\u00f5es sindicais. Infelizmente, o Movimento Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria &#8211; CSP-Conlutas, abandonou o projeto de construir campanhas independentes da burocracia, participando dos f\u00f3runs da CUT, sob o pretexto de \u201cdisputar a base\u201d da Articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a Frente Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria, composta por coletivos de v\u00e1rios estados (entre os quais o Banc\u00e1rios de Base \u2013 SP, em que milita o Espa\u00e7o Socialista) e ativistas independentes, luta para resgatar um sindicalismo combativo, classista, antigovernista e democr\u00e1tico, resgatando a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e fazendo oposi\u00e7\u00e3o intransigente \u00e0 burocracia da Contraf-CUT. O Banc\u00e1rios de Base \u2013 SP tamb\u00e9m participa do boletim \u201cAvante, Banc\u00e1rios!\u201d, em conjunto com outros coletivos de oposi\u00e7\u00e3o da base de S\u00e3o Paulo. Lutamos para resgatar os elementos b\u00e1sicos de democracia nas assembleias, para que as assembleias sejam no hor\u00e1rio da tarde (sem a presen\u00e7a de gerentes e fura-greves), para que os banc\u00e1rios possam falar, possam fazer propostas, possam colocar propostas em vota\u00e7\u00e3o, possam eleger representantes na mesa de negocia\u00e7\u00e3o, possam discutir as quest\u00f5es espec\u00edficas durante a campanha salarial. S\u00e3o esses elementos b\u00e1sicos que podem motivar os banc\u00e1rios a tomar as quest\u00f5es em suas m\u00e3os. Assim como os manifestantes ocuparam as ruas, precisamos ocupar a quadra nas assembleias!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo3\"><\/a>Governos e capital culpam \u201cexcesso de teoria&#8221; dos professores<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Marcos de Oliveira \u2013 Professores do Espa\u00e7o Socialista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Folha de S\u00e3o Paulo publicou no dia 04\/08 uma mat\u00e9ria sobre os poss\u00edveis problemas com a forma\u00e7\u00e3o dos professores. O texto assinado pelo jornalista F\u00e1bio Takahashi come\u00e7a dando \u00eanfase \u00e0 declara\u00e7\u00e3o do atual ministro da educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, de que \u201cn\u00e3o d\u00e1 pra formar professor s\u00f3 lendo Piaget\u201d. No decorrer da mat\u00e9ria, Takahashi segue na mesma linha de Mercadante, que resume o problema da educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do docente, que segundo a mat\u00e9ria da Folha, recebe pouco treinamento e muita teoria para atuar em sala de aula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso de Mercadante e da Folha tem, no entanto, em seu conte\u00fado uma vis\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e de teoria bastante prec\u00e1ria. Os argumentos da Folha e de Mercante tentam mostrar a exist\u00eancia de uma oposi\u00e7\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, como se a teoria n\u00e3o tivesse seu fundamento na realidade, e fosse apenas uma abstra\u00e7\u00e3o; e como se a atividade docente pudesse ser exercida e aprendida de modo n\u00e3o reflexivo.<br \/>\nA preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o dos professores \u00e9 leg\u00edtima, e como ministro da educa\u00e7\u00e3o, Mercadante deveria, antes de mais nada, pesquisar e ouvir os principais especialistas no assunto que s\u00e3o os professores e em seguida tra\u00e7ar metas para melhorar essa forma\u00e7\u00e3o. O ministro, se tivesse realmente preocupado com a forma\u00e7\u00e3o dos professores, estaria assustado com os resultados que o ENEM vem demonstrando: os cursos de licenciatura n\u00e3o atraem quase ningu\u00e9m, devido ao baixo piso salarial dos professores, e estas vagas v\u00eam sendo preenchidas por estudantes com notas muito baixas no exame, e mesmo assim, boa parte desiste durante o curso. O governo que diz estar preocupado com a forma\u00e7\u00e3o dos professores deveria aparelhar as bibliotecas dos cursos de licenciatura, pois, diferente do que afirma a mat\u00e9ria da folha, o professor no Brasil n\u00e3o l\u00ea demais \u2013 mesmo porque se assim fosse, n\u00e3o seria problema algum.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Trabalho manual e mecanicismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto do governo e do capitalismo para a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o aprofundamento do ensino meramente tecnicista e a forma\u00e7\u00e3o do aluno acr\u00edtico e conformista. Para construir um ensino completamente ac\u00e9falo \u00e9 necess\u00e1rio que a atividade docente deixe de ser intelectual, ou seja, que o professor n\u00e3o possua nem um tipo de autonomia sobre o que leciona, n\u00e3o seja um pesquisador e tampouco apresente ideias originais que instiguem os alunos a produzir conte\u00fado. A proposta de educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em curso, delega ao professor a fun\u00e7\u00e3o de apenas reproduzir aquilo que de forma hier\u00e1rquica os PCNs (Par\u00e2metros Curriculares Nacionais) e os Curr\u00edculos Estaduais e Municipais determinam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um professor com essas caracter\u00edsticas n\u00e3o precisa e, nem pode, ter uma boa forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. O mecanicismo, que atribui ao professor um papel de reprodutor de um discurso pronto e separa o ensino e a pesquisa, carece de um professor n\u00e3o preocupado com a forma\u00e7\u00e3o humana e cr\u00edtica dos alunos, tampouco que queira com as suas aulas desvelar as contradi\u00e7\u00f5es que existem na sociedade.<br \/>\nO professor ideal do governo e do capital, e que a Folha de S\u00e3o Paulo defendeu com veem\u00eancia, \u00e9 aquele que, em suma, n\u00e3o \u00e9 professor, quando muito, \u00e9 um tradutor de uma determinada linguagem que os alunos ainda n\u00e3o dominam e que continuar\u00e3o a n\u00e3o dominar, pois receber\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es prontas e petrificadas. Nesse modelo de educa\u00e7\u00e3o, o aluno e o professor mant\u00eam com o conhecimento uma rela\u00e7\u00e3o quase que de estranhamento; nem o professor escolhe o qu\u00ea e como ensinar; e tampouco os interesses e a realidade do aluno ter\u00e3o alguma import\u00e2ncia no processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 ainda outros atributos que o capital e os governos cobram dos professores e que n\u00e3o aparecem nas colunas dos jornais, mas sim na dura realidade das escolas. Para a maioria das dire\u00e7\u00f5es de escola, o bom professor \u00e9 em primeiro lugar aquele que mant\u00e9m seus alunos dentro da sala de aula, seja por qual \u201cm\u00e9todo pedag\u00f3gico\u201d for. \u00c9 o professor que assume o papel de se enfrentar e reprimir os alunos, n\u00e3o levando problemas para a dire\u00e7\u00e3o, mesmo que isso o leve a acirrar o conflito com os alunos e ficar cada vez mais doente; que assume o papel n\u00e3o apenas de professor, mas tamb\u00e9m de controlador e punidor. Isso tem se intensificado nas escolas, inclusive com a instala\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras, grades e outros meios de controle e repress\u00e3o tanto aos alunos como aos professores. A presen\u00e7a cada vez maior da pol\u00edcia nas escolas tem sido outra constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica vai se tornando cada vez mais um grande aparato de assist\u00eancia e controle tanto dos conte\u00fados a serem ensinados, como da concep\u00e7\u00e3o de mundo, do comportamento, das atitudes e o professor como agente pr\u00e1tico e imediato desse processo, pois \u00e9 quem tem o contato direto com os alunos e pais.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Educar na luta e para al\u00e9m do capital<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo pelo qual o homem se humaniza, \u00e9 um instrumento para desenvolvermos nossas potencialidades e habilidades, formarmos valores, superarmos as vis\u00f5es preconceituosas de senso comum, ou como diriam os gregos: passamos da doxa a episteme. O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura \u00e9 um direito de todos os homens e mulheres. O capitalismo, contudo, criou a sua educa\u00e7\u00e3o e o seu modelo de escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na educa\u00e7\u00e3o capitalista, h\u00e1 muito tempo a teoria perde espa\u00e7o para a instrumentaliza\u00e7\u00e3o do conhecimento, que \u00e9 voltado exclusivamente para a produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mesmo que essa tecnologia esteja contra a humanidade. A ridiculariza\u00e7\u00e3o da teoria j\u00e1 alcan\u00e7ou uma dimens\u00e3o t\u00e3o imensa que \u00e9 poss\u00edvel ouvir discursos como o de Alo\u00edzio Mercadante, inclusive por professores. \u00c9 lugar comum ouvir de secret\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o (indicados por pol\u00edticos) que o problema da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do professor com muito conhecimento, mas pouca experi\u00eancia em sala de aula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O discurso da falta de forma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica esconde problemas concretos grav\u00edssimos, como os baixos sal\u00e1rios, excesso de carga hor\u00e1ria para tentar completar o or\u00e7amento, alt\u00edssima quantidade de alunos por sala, falta de estrutura f\u00edsica das escolas que contemplem novas tecnologias e at\u00e9 mesmo a falta de professores em algumas \u00e1reas como f\u00edsica e matem\u00e1tica. Resolver todos esses problemas implicaria mais investimentos, mas isso entraria em desacordo com a proposta do capitalismo para a educa\u00e7\u00e3o, e em especial, com as pol\u00edticas impostas pelo FMI e o BIRD e outras empresas e bancos com seus institutos e ong\u2019s \u2013 que visam a forma\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3o de obra barata, de reposi\u00e7\u00e3o \u00e1gil e flex\u00edvel, cujo objetivo \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o de qualquer ideologia que questione o capitalismo ou proponha um outro tipo de sociedade; visam uma educa\u00e7\u00e3o que sirva como mecanismo de controle social, na medida em que os alunos s\u00e3o colocados dentro das escolas com a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o exp\u00f4-los \u00e0 criminalidade, n\u00e3o deixar que pratiquem atos criminosos e permita a liberdade de consumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao tentar focar os problemas da educa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o, supostamente muito te\u00f3rica e pouco pr\u00e1tica do professor, o estado deixa muito evidente que n\u00e3o quer uma escola pensante e nem viva, ao contr\u00e1rio, que a escola deve ser um mero instrumento do capital para a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, por isso pretende impor como modelo \u00fanico um ensino t\u00e9cnico, n\u00e3o te\u00f3rico e pouco ou nada reflexivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o deve ser um direito de todos, pois se trata de algo essencial para a forma\u00e7\u00e3o intelectual e para o pleno desenvolvimento dos indiv\u00edduos, n\u00e3o pode estar sujeita aos ditames do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, e nem submissa aos interesses do capital. A educa\u00e7\u00e3o, como possibilidade de conhecimento da natureza e do homem, carece de professores bem formados, e isso implica muita leitura, boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios dignos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A posi\u00e7\u00e3o do ministro Mercadante e da m\u00eddia burguesa em defesa de uma educa\u00e7\u00e3o tecnicista, baseada em um falso empirismo e acr\u00edtica, \u00e9 a express\u00e3o da vontade e da necessidade do capital de ter a escola como um local unicamente formador de m\u00e3o de obra prec\u00e1ria. A educa\u00e7\u00e3o da qual a humanidade e os trabalhadores precisam \u00e9 oposta ao capital, \u00e9 humanista e estimula o pensamento e a sensibilidade. O capitalismo, por sua vez, pela sua ess\u00eancia, n\u00e3o pode ser humanista, nem tampouco tem interesse no livre pensamento ou na sensibiliza\u00e7\u00e3o do homem pela arte ou cultura; ao contr\u00e1rio, n\u00e3o tem nenhuma dessas exig\u00eancias, pois para a perpetua\u00e7\u00e3o do atual modelo socioecon\u00f4mico, desumano e excludente, \u00e9 mais vantajoso formar o conformista lac\u00f4nico. O nosso papel como professores \u00e9 de fazer oposi\u00e7\u00e3o ao capital e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o burguesa. N\u00e3o nos cabe, como professores, aceitar o papel de trabalho manual, de formadores de m\u00e3o de obra, ao contr\u00e1rio, temos a obriga\u00e7\u00e3o moral de zelar por uma educa\u00e7\u00e3o que aponte para al\u00e9m do capital.<br \/>\nS\u00f3 conquistaremos essa Nova Educa\u00e7\u00e3o unindo professores, alunos, pais e demais trabalhadores, tanto nas lutas concretas que ocorrem nas escolas, como nos movimentos maiores (greves, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es) e em uma ruptura com o capitalismo em dire\u00e7\u00e3o a outra sociedade livre e humana, uma sociedade socialista.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a>Palestina: novamente o terror com um &#8220;novo acordo de paz&#8221;<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Iraci Lacerda e Massaru<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de Julho foi anunciada a retomada das \u201cnegocia\u00e7\u00f5es de paz\u201d entre Israel e a Autoridade Palestina, impulsionada pelos EUA. A data marcada para meados de Agosto se estender\u00e1 pelos pr\u00f3ximos nove meses e as negocia\u00e7\u00f5es seguir\u00e3o sobre a possibilidade da exist\u00eancia de dois estados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, \u00e9 poss\u00edvel exist\u00eancia de dois estados e o estabelecimento da paz na regi\u00e3o apagando todo o passado de um povo? \u00c9 poss\u00edvel que um acordo proposto por Israel e EUA garanta a paz ao povo trabalhador \u00e1rabe e judeu? \u00c9 poss\u00edvel impedir, no presente, a continuidade da invas\u00e3o do territ\u00f3rio palestino imposta por Israel? Quem conquistar\u00e1 a paz com esse tipo acordo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de Israel e EUA indicarem suas propostas de acordo nesse momento n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Todo o per\u00edodo vivido com as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es da Primavera \u00c1rabe deixou a forte instabilidade dos governos que n\u00e3o conseguem resolver problemas como o desemprego, trabalho precarizado, a desigualdade social, o alto custo dos alimentos, a falta de \u201cdemocracia\u201d, etc. que afetam diretamente vida do povo trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, \u00e9 necess\u00e1rio para o capital estrangeiro se reorganizar diante de toda essa situa\u00e7\u00e3o. O Oriente M\u00e9dio continua representando 60% da reserva mundial de petr\u00f3leo. E \u00e9 fundamental que a regi\u00e3o da Palestina, que apresentou alguns conflitos durante a Primavera \u00c1rabe, se mantenha control\u00e1vel tanto para buscar conter poss\u00edveis novas mobiliza\u00e7\u00f5es como para garantir o avan\u00e7o norte-americano sobre o territ\u00f3rio iraniano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, para encaminhar esse \u201cacordo de paz\u201d se mant\u00e9m na pauta quest\u00f5es fundamentais para o povo palestino: 1) que todos os assentamentos israelenses, constru\u00eddos no territ\u00f3rio palestino, sejam abandonados; 2) que haja a devolu\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o leste de Jerusal\u00e9m; 3) que as demais terras, Cisjord\u00e2nia e Gaza, tomadas em 1967, sejam reconhecidas legalmente como Estado da Palestina; 4) que os refugiados palestinos retornem para suas casas; 5) que os \u00e1rabes sejam respons\u00e1veis pelas medidas de controle de seguran\u00e7a no vale do Rio Jord\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora essas quest\u00f5es figurem formalmente na pauta como parte da tentativa de acordo entre palestinos e israelenses, antes mesmo da data prevista, Israel j\u00e1 havia anunciado cerca de mil novas constru\u00e7\u00f5es em assentamentos na Cisjord\u00e2nia e na parte Leste de Jerusal\u00e9m. Essa medida j\u00e1 demonstra o quanto um \u201cacordo de paz\u201d, sob o capitalismo, significa manter a subordina\u00e7\u00e3o de uma das partes, pois, ao insistir em aumentar o n\u00famero de assentamentos, Israel questiona tamb\u00e9m de imediato outras quest\u00f5es fundamentais presentes na pauta (itens 2 e 3).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Novo acordo para manter o velho Estado de Israel<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas quest\u00f5es, que s\u00e3o fundamentais para o povo palestino, foram motivos de intensos conflitos na regi\u00e3o para a imposi\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do Estado de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo XIX, um movimento internacional judeu impulsionou a volta para a regi\u00e3o da Palestina. E em 1948, o sionismo e a ONU proclamaram a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Al\u00e9m dos conflitos, parte dos trabalhadores \u00e1rabes foi expulsa do territ\u00f3rio, se refugiou nos pa\u00edses vizinhos e ainda hoje \u00e9 impedida de voltar para suas casas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Foi com a intensifica\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de assentamentos por Israel \u2013 a partir de 1968 em \u00e1reas ocupadas durante a Guerra Dos Seis Dias \u2013 que aumentou a popula\u00e7\u00e3o israelense nessas \u00e1reas, expandiu a invas\u00e3o e o controle territorial e manteve-se o controle militar na regi\u00e3o. Mesmo sendo considerados, ilegais somente a partir de 2005 teve in\u00edcio uma lenta desocupa\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Israel, proclamou Jerusal\u00e9m, em 1980, como sua capital. A devolu\u00e7\u00e3o da parte Leste \u00e9 fundamental para os palestinos, pois representa o terceiro lugar mais sagrado do Isl\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) O fato de a Autoridade Palestina exigir que Cisjord\u00e2nia e Gaza sejam reconhecidas como parte do seu territ\u00f3rio, tomado em 1967, significa a retirada total das For\u00e7as Armadas israelenses da regi\u00e3o. Orienta\u00e7\u00e3o encaminhada, naquele mesmo ano, pelo Conselho de Seguran\u00e7a da ONU. Ou seja, Israel deixaria de ter o controle sobre a regi\u00e3o, inclusive, militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Os refugiados palestinos representam cerca de 5,3 milh\u00f5es (mais de 40% em idade de 15 a 30 anos, representam a quarta gera\u00e7\u00e3o de refugiados) e est\u00e3o em pa\u00edses como S\u00edria, Jord\u00e2nia, L\u00edbano, al\u00e9m dos territ\u00f3rios ocupados por Israel. S\u00e3o pessoas que perderam a casa e o meio de sustento, a partir de 1948, quando a ONU declarou a divis\u00e3o do territ\u00f3rio e a cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel, que garantiu um maior territ\u00f3rio para a popula\u00e7\u00e3o israelense que era menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A condi\u00e7\u00e3o dos refugiados palestinos difere em cada pa\u00eds. Na S\u00edria, por exemplo, h\u00e1 certa integra\u00e7\u00e3o social. Enquanto que no L\u00edbano h\u00e1 um \u201cestado especial de priva\u00e7\u00e3o\u201d. Em Gaza, dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o, cerca de 800 mil palestinos, vivem de ajuda humanit\u00e1ria, ou seja, sem condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas (exame.abril.com.br 04\/04\/2013). Em Israel, o \u00edndice de desemprego \u00e9 maior entre os \u00e1rabes e no setor p\u00fablico trabalham basicamente na Sa\u00fade e na Educa\u00e7\u00e3o (www.controversia.com.br).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) O controle da seguran\u00e7a no vale do Rio Jord\u00e3o pela Autoridade Palestina garantiria os limites da fronteira na Cisjord\u00e2nia, onde est\u00e1 sendo constru\u00eddo, por Israel, o muro da separa\u00e7\u00e3o (que anexa mais de 10% do territ\u00f3rio da Cisjord\u00e2nia \u00e0 Israel e d\u00e1 maior seguran\u00e7a aos assentamentos), tamb\u00e9m considerado ilegal pela comunidade internacional. Al\u00e9m disso, possibilitaria garantir o cultivo e os recursos h\u00eddricos, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o palestina, controlados pelas For\u00e7as Armadas de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o acreditamos que o governo de Israel negociar\u00e1 essas quest\u00f5es para favorecer o povo palestino. O desrespeito aos acordos anteriores e a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o de nenhum tipo de sans\u00e3o pelos organismos internacionais, como a ONU, refor\u00e7am isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda essa situa\u00e7\u00e3o tem colocado em lados opostos trabalhadores palestinos e judeus, os maiores prejudicados. Enquanto est\u00e3o divididos a burguesia israelense mant\u00e9m o dom\u00ednio e expans\u00e3o territorial, garante o controle de fronteiras na regi\u00e3o, o acesso do Imperialismo \u00e0s riquezas naturais e vai mantendo o poder b\u00e9lico e impondo a sua paz.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A paz que n\u00e3o queremos conservar<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parte da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora na Palestina, especialmente os jovens, demonstrou na primeira Intifada, em 1987, o quanto n\u00e3o aceitava a situa\u00e7\u00e3o imposta \u00e0 regi\u00e3o e o quanto o governo de Israel tolerava que participava da luta. Nesse levante, enquanto os jovens foram armados de pedras, paus, de indigna\u00e7\u00e3o contida e inauguravam as formas e os n\u00edveis de resist\u00eancia \u00e0 repress\u00e3o ainda presentes nas recentes manifesta\u00e7\u00f5es pelo mundo, muitos eram assassinados pelos tanques israelenses. E quando j\u00e1 n\u00e3o se tinha o controle da situa\u00e7\u00e3o nas ruas, a Autoridade Palestina tentou restabelecer a \u201cordem\u201d e participou com Israel, em 1993, do Acordo de Oslo, n\u00e3o cumprido.<br \/>\nDepois da segunda Intifada, persiste a constante repress\u00e3o aos jovens palestinos. A ONU estima que cerca de 7000 crian\u00e7as e jovens foram detidos pelo ex\u00e9rcito israelense. Muitos sofrem os mais diversos tipos de viol\u00eancia (tortura, sexual, priva\u00e7\u00e3o de alimentos, \u00e1gua e afastamento da regi\u00e3o). (www.portugues.rfi.fr 20\/06\/2013). Essa tamb\u00e9m \u00e9 uma das formas que o governo de Israel adotou para tentar destruir a popula\u00e7\u00e3o jovem que n\u00e3o aceita mais acordos para que tudo permane\u00e7a como est\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra forma de viol\u00eancia \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 vida da mulher e \u00e0 maternidade. Com a falta de alimentos e a pobreza imposta por Israel (ocupa\u00e7\u00e3o militar, cercos ou muro) muitas mulheres passaram a sofrer de desnutri\u00e7\u00e3o e anemia. Isso contribui para 20% das mortes maternas (envolverde.com.br 12\/03\/2013). Abortos, inclusive, por exposi\u00e7\u00e3o di\u00e1ria a gases t\u00f3xicos, v\u00e1rios tipos de doen\u00e7as adquiridas nas pris\u00f5es e o aumento consider\u00e1vel do estupro tamb\u00e9m fazem parte desse contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o do Muro da Segrega\u00e7\u00e3o Racial, em 2002, a vida do trabalhador rural \u00e1rabe tamb\u00e9m tem sido muito dificultada. Na Cisjord\u00e2nia os palestinos s\u00e3o impedidos de adentrar em suas terras para cultivar oliveiras, o que tamb\u00e9m dificulta a produ\u00e7\u00e3o e a venda do azeite, j\u00e1 que precisam enfrentar os postos de controle militar israelenses (veja.abril.com.br 14\/11\/2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o vem se agravando a partir da crise mundial, iniciada em 2008, das Guerras do Iraque e do Afeganist\u00e3o com os EUA e das manifesta\u00e7\u00f5es e levantes, iniciados em 2010, com a Primavera \u00c1rabe. Israel \u00e9 o bra\u00e7o militar do EUA na regi\u00e3o, \u00e9 um pa\u00eds estrat\u00e9gico para chegar at\u00e9 o Ir\u00e3 e se manter forte no controle da regi\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel para garantir o acesso ao petr\u00f3leo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As preocupa\u00e7\u00f5es de Israel\/EUA com esse \u201cnovo acordo de paz\u201d extrapolam o \u201cperigoso Ir\u00e3\u201d. Residem tamb\u00e9m em sufocar qualquer tentativa dos trabalhadores judeus ou israelenses de se organizarem e se unificarem nas lutas que continuam ocorrendo, no Oriente M\u00e9dio e no Norte da \u00c1frica, a tal ponto que derrubem seus governos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 tem sido frequente, nas redes sociais e internet, demonstra\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia, como se negar a servir ao Ex\u00e9rcito israelense ou mesmo de solidariedade de judeus \u00e0 luta do povo palestino (www.youtube.com\/watch?v=_Q-OsezxL7c).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m t\u00eam surgido cr\u00edticas e novas organiza\u00e7\u00f5es contra a Autoridade Palestina, o Fatah na Cisjord\u00e2nia e o Hamas em Gaza. Um exemplo \u00e9 o Tamarod (Rebelem-se), com ativistas jovens (\u00e1rabes e judeus) de toda a regi\u00e3o da Palestina. Defende um s\u00f3 Estado (do Mar Mediterr\u00e2neo at\u00e9 o rio Jord\u00e3o). E convoca a popula\u00e7\u00e3o palestina a se rebelar contra o seu pr\u00f3prio governo e contra o governo de Israel (bbc.co.uk 17\/07\/2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, com as atuais manifesta\u00e7\u00f5es, como essa \u00faltima no Egito, em que o setor militar acusa qualquer refugiado palestino de ser bra\u00e7o organizado do Hamas, abre-se a possibilidade de um grande retorno da popula\u00e7\u00e3o palestina \u00e0 sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, toda negocia\u00e7\u00e3o que busque manter o Estado de Israel e criar um Estado Palestino \u00e9 mais do mesmo e n\u00e3o pode p\u00f4r fim aos conflitos na regi\u00e3o. Conservar os interesses da burguesia e impedir qualquer levante que unifique os trabalhadores da regi\u00e3o e do mundo \u00e1rabe s\u00e3o os maiores objetivos dessas tentativas de acordo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Acordo de paz somente entre o povo trabalhador<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observamos que os interesses hist\u00f3ricos, econ\u00f4micos e culturais dos povos \u00e1rabes e judeus foram constru\u00eddos em um mesmo territ\u00f3rio. A vida, os sonhos e os anseios cabem na regi\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de divis\u00e3o do territ\u00f3rio, da imposi\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, da institui\u00e7\u00e3o do assassinato, do racismo e da xenofobia criados pelo sionismo transformou tudo em disputa de interesses para favorecer o governo israelense e o norte-americano e esse \u201cacordo\u201d \u00e9 para manter essa \u201cpaz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Autoridade Palestina novamente busca fechar um acordo com Israel que n\u00e3o ser\u00e1 cumprido e que t\u00e3o pouco transformar\u00e1 a condi\u00e7\u00e3o de vida do povo trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para transformar a regi\u00e3o em um territ\u00f3rio que coexista palestinos e israelenses \u00e9 urgente a dissolu\u00e7\u00e3o do Estado de Israel e a cria\u00e7\u00e3o de um Estado laico e democr\u00e1tico, antirracista, sem fronteiras, sem muro e com livre mobilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vida livre da opress\u00e3o ser\u00e1 constru\u00edda com a unidade e a solidariedade da classe trabalhadora palestina e israelense com a juventude pela constru\u00e7\u00e3o de um acordo que transforme a realidade na regi\u00e3o e em todo o Oriente M\u00e9dio e que ponha fim \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista. Assim teremos paz.<\/p>\n<h2><a name=\"titulo5\"><\/a>Um balan\u00e7o necess\u00e1rio ao avan\u00e7o da luta do movimento estudantil<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mobiliza\u00e7\u00f5es de junho que levaram milh\u00f5es \u00e0s ruas do pa\u00eds ainda est\u00e3o bastante ressentes e toda e qualquer an\u00e1lise est\u00e1 sujeita a incorrer em erros. No entanto, podemos verificar alguns elementos que, no m\u00ednimo, colocam as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda na obriga\u00e7\u00e3o de rever as suas interven\u00e7\u00f5es junto ao movimento de massa, determinadas concep\u00e7\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o junto \u00e0s bases sociais, aos sindicados, entidades etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A juventude teve papel fundamental nessas manifesta\u00e7\u00f5es. O movimento estudantil &#8211; um dos segmentos da juventude &#8211; tamb\u00e9m se fez presente e n\u00e3o deve ficar de fora desse balan\u00e7o. Pois, al\u00e9m de ter feito parte dessas mobiliza\u00e7\u00f5es, o mesmo j\u00e1 vem, h\u00e1 algum tempo, sendo objeto de in\u00fameras an\u00e1lises, em especial no que se refere \u00e0s v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es colocadas em pr\u00e1tica pelas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda junto aos estudantes do pa\u00eds ap\u00f3s as rupturas feitas por diversos setores do movimento diante da fal\u00eancia para a luta da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um consenso entre todos da esquerda que a UNE n\u00e3o corresponde h\u00e1 muito tempo a tarefa que deveria ter de impulsionar a luta dos estudantes. Os seus v\u00edcios burocratizados, o atrelamento e a consequente perca de autonomia frente ao Estado, e a sua aus\u00eancia do cotidiano da base estudantil s\u00e3o caracter\u00edsticas que encontramos em todas as an\u00e1lises feitas pelos partidos, entidades e organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. As diverg\u00eancias entre esses setores surgem a partir do momento sobre o que fazer diante de mais de 20 anos de aus\u00eancia de uma entidade nacional que de fato se colocasse a altura dos desafios e anseios dos estudantes brasileiros que enfrentam um dos maiores ataques \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns desses setores afirmam que apesar da fal\u00eancia da UNE, ainda se deve ir aos seus espa\u00e7os para disputar os milhares de estudantes que v\u00e3o aos congressos da entidade (CONUNE). Existem v\u00e1rios grupos e coletivos que se encaixam nesse perfil e o exemplo mais cl\u00e1ssico desse tipo de leitura \u00e9 o PSOL. Apesar de todas as lutas efetivas que as correntes desse partido participam acontecerem por fora da entidade e terem que sair para constru\u00edrem espa\u00e7os por fora da UNE, para poder de fato travar os embates necess\u00e1rios contra os projetos de mercantiliza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o, eles insistem em afirmar que est\u00e3o l\u00e1 dentro para \u201cdisputar a consci\u00eancia\u201d dos estudantes que comparecem no CONUNE. No entanto, acabam sucumbindo \u00e0 burocracia da entidade ao mesmo tempo em que t\u00eam que afirmar a UNE como leg\u00edtima representante dos estudantes.<br \/>\nPor outro lado, outros grupos e coletivos Brasil \u00e0 fora decidem romper com a UNE e tentar encontrar novos meios para alavancar a luta dos estudantes que n\u00e3o mais se reconheciam dentro do velho movimento estudantil. A maior e mais expressiva representa\u00e7\u00e3o desse rompimento vai ser o PSTU, o exemplo mais palp\u00e1vel de que era preciso romper com a UNE para poder fazer frente ao governo, foi o ano e 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pa\u00eds viu mais de 28 reitorias das universidades p\u00fablicas ocupadas por estudantes que estavam se organizando por fora da UNE. De fato, ficava claro para as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que era necess\u00e1rio criar uma ferramenta nova em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 velha concep\u00e7\u00e3o de se fazer movimento estudantil, enterrar de vez as pr\u00e1ticas representadas pelos \u201ccaciques\u201d e \u201cmaraj\u00e1s\u201d da UNE e efetivamente abrir caminho para uma gera\u00e7\u00e3o que aprendeu na pr\u00e1tica o que era superar algo que n\u00e3o mais estava a altura dos desafios que estavam postos.<br \/>\nEra necess\u00e1rio ap\u00f3s as ocupa\u00e7\u00f5es aprofundar esse rompimento. Rompimento este que obrigatoriamente iria para al\u00e9m da simples troca de siglas e bandeiras. Tal mudan\u00e7a passava inexoravelmente pela ruptura de tudo que de nefasto era representado pela UNE.<br \/>\nNo entanto, o que se sucedeu p\u00f3s 2007 foi, em larga medida, a repeti\u00e7\u00e3o das velhas pr\u00e1ticas, dos velhos v\u00edcios e, em muitos casos, uma c\u00f3pia perfeita daquilo que se tentava superar. Agora talvez, com as mobiliza\u00e7\u00f5es de junho desse ano, essas afirma\u00e7\u00f5es se apresentem de forma mais n\u00edtida. Vejamos:<br \/>\nCriticava-se o atrelamento da UNE ao governo e aos partidos pol\u00edticos PT e PC do B. Vale ressaltar que desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 \u00e9 o PC do B que est\u00e1 \u00e0 frente da entidade. Pois bem, o novo movimento e os seus respectivos instrumentos, deveriam, neste caso, ser exatamente o oposto do que se tinha antes. Nenhum atrelamento pol\u00edtico ou financeiro de uma nova entidade a qualquer partido ou organiza\u00e7\u00e3o deveria ser aceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criticava-se tamb\u00e9m a aus\u00eancia da UNE entre o conjunto dos estudantes. Aus\u00eancia esta que tinha um duplo car\u00e1ter, pois, al\u00e9m de termos os representantes de tal entidade se fazendo presente no dia a dia da base estudantil, a pr\u00f3pria base estudantil deve se reconhecer e reconhecer a entidade que a representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se essas cr\u00edticas eram de fato o que deveria nortear os passos do novo, ent\u00e3o, porque ser\u00e1 que os jovens e estudantes presentes nas manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se reconheceram e n\u00e3o foram reconhecidos no novo? Aqui o novo tem nome e sigla bem definida: Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (ANEL).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Obviamente, esse texto \u00e9 direcionado ao movimento estudantil. Por\u00e9m, esse estranhamento entre aqueles que se diziam \u2013 e ainda dizem \u2013 representar o conjunto dos trabalhadores tamb\u00e9m se fez e se faz presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Evidentemente, n\u00e3o se trata aqui de colocar essa an\u00e1lise como o \u00fanico elemento que explica o fato de muitos estudantes e a juventude, de uma forma geral, gritarem para baixar as bandeiras das entidades e dos partidos nas manifesta\u00e7\u00f5es. L\u00f3gico que existem in\u00fameros fatores que fazem parte do conjunto da obra para se entender a n\u00e3o conex\u00e3o entre os que se autoproclamam representantes e os seus representados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, devemos dentro das organiza\u00e7\u00f5es e nas entidades que os militantes de esquerda atuam fazer esse balan\u00e7o de maneira honesta, cr\u00edtica e sem a vaidade que em muitos momentos se fazem presentes nos partidos pol\u00edticos de esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 inadmiss\u00edvel que toda uma gera\u00e7\u00e3o de lutadores, nos quais podemos enxergar a vontade e a honestidade de quem quer mudar alguma coisa na sociedade, seja educada por uma esquerda que naturaliza determinadas pr\u00e1ticas e m\u00e9todos retr\u00f3grados que se contrap\u00f5em as possibilidades de efetiva\u00e7\u00e3o das lutas que se apresentam e que abrem brechas para o avan\u00e7o de uma alternativa socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal balan\u00e7o perpassa a pr\u00f3pria din\u00e2mica do movimento estudantil e vai diretamente em uma das teclas que o Espa\u00e7o socialista vem defendendo que \u00e9 justamente o acerto de contas que a esquerda tem com a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e com os erros cometidos, que foram transformados em dogmas que beiram as profecias religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O atrelamento das entidades \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es e partidos pol\u00edticos; a autoproclama\u00e7\u00e3o de ser representante de uma determinada categoria; e a repeti\u00e7\u00e3o do velho, sendo falado e gritado aos quatro cantos quase como se fosse um mantra, longe de representarem caracter\u00edsticas de uma esquerda que insiste e persiste em buscar uma sociedade sem a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, livre e igualit\u00e1ria, na verdade, representam um entrave nessa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que assistimos e ainda estamos assistindo \u00e9 que aqueles que \u201cnunca dormiram\u201d se acostumaram a ver nos espa\u00e7os de auto-organiza\u00e7\u00e3o e de luta dos estudantes: a busca desenfreada e transloucada de se colocar os interesses de autoconstru\u00e7\u00e3o dos partidos acima da din\u00e2mica, das decis\u00f5es e at\u00e9 mesmo da realidade do movimento e da base estudantil. A quest\u00e3o \u00e9 que desta vez n\u00e3o deu para boa parte dos partidos que se diz de esquerda colocar as contradi\u00e7\u00f5es para debaixo do tapete, da mesma forma que n\u00e3o deu, l\u00e1 em 2007, para os partidos de direita &#8211; camuflados de vermelho &#8211; PC do B e PT, personificados na Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse balan\u00e7o n\u00e3o pode deixar de lado as lutas que est\u00e3o postas at\u00e9 que se concretize. \u00c9 evidente a quantidade de respostas que temos (toda a esquerda) a obriga\u00e7\u00e3o de dar ao conjunto das mobiliza\u00e7\u00f5es que se fazem presentes em v\u00e1rias cidades pelo Brasil. Al\u00e9m dessas, temos tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de demandas nas universidades, nas escolas e nas periferias&#8230; e tudo isso vai requerer determinadas unidades entre n\u00f3s. Para tanto, teremos que lidar com nossas diverg\u00eancias quanto aos instrumentos que cada organiza\u00e7\u00e3o defende como ideais para o movimento, com as contradi\u00e7\u00f5es que cada uma carrega e com as concep\u00e7\u00f5es defendidas no conjunto da juventude. Mesmo assim, estas diferen\u00e7as n\u00e3o devem jamais deixar de serem debatidas entre n\u00f3s a ponto de nos colocarmos em lados opostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa unidade nas lutas, n\u00e3o deve ser apenas no campo das ideias. Apesar de sermos uma organiza\u00e7\u00e3o numericamente pequena comparada ao tamanho do Brasil, estamos dispostos a colocar esta unidade na pr\u00e1tica nos locais onde temos milit\u00e2ncia efetiva, como \u00e9 o caso de S\u00e3o Paulo e Alagoas. Por\u00e9m, essa unidade n\u00e3o pode acontecer com a imposi\u00e7\u00e3o dos grupos hegemonicamente maiores sem que haja discuss\u00f5es sobre os pontos que venhamos nos colocar para fazer unidade de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m devemos ter como pressuposto quem s\u00e3o de fato as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda que iremos fazer essa unidade. N\u00e3o \u00e9 demais lembrar e ratificar o nosso posicionamento, advindo da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds que, a partir da guinada \u00e0 direita que certos partidos e organiza\u00e7\u00f5es deram ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, n\u00e3o nos coloca no mesmo polo de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso definir muito bem quem s\u00e3o os nossos aliados e quem s\u00e3o os nossos inimigos na atual conjuntura. \u00c9 ineg\u00e1vel o papel que o PT e PC do B e seus aliados meramente eleitoreiros cumpriram nos \u00faltimos anos, tanto no movimento dos trabalhadores quanto no movimento estudantil. Foram decisivos \u00e0 gest\u00e3o, amplia\u00e7\u00e3o e concretiza\u00e7\u00e3o dos interesses do capital junto aos projetos privatizantes da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que l\u00e1 em 2007, tal como em junho deste ano, tal como em v\u00e1rios outros momentos da hist\u00f3ria, o movimento estudantil ganhou for\u00e7a e obteve vit\u00f3rias justamente quando foi capaz de fazer unidade com os setores que se colocaram para a luta e deixou para traz aqueles que foram superados pelo movimento da Hist\u00f3ria. Juntemo-nos com os anticapitalistas, antigovernistas, com todos aqueles que n\u00e3o aceitam mais entidades falidas, organiza\u00e7\u00f5es viciadas, bases e periferias humilhadas, que se auto-organizam na a\u00e7\u00e3o direta numa luta coletiva e necess\u00e1ria para organizarem a juventude e o movimento estudantil e reorganizarem o que est\u00e1 desorganizado, disperso e servindo a interesses que n\u00e3o s\u00e3o nossos. Juntemo-nos para avan\u00e7armos nessa luta!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a>NEM MORSI, NEM MILITARES! S\u00d3 OS TRABALHADORES PODEM CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA DEMOCR\u00c1TICA PARA O EGITO<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas semanas, acompanhamos apreensivos os desdobramentos do golpe que dep\u00f4s o presidente eleito do Egito, Mohamed Morsi, e em seu lugar instituiu um governo militar. E, como sempre acontece quando os militares assumem o poder, a forma pol\u00edtica deste governo se expressou em uma violenta ditadura que vem se consolidando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, as for\u00e7as armadas se destacaram como institui\u00e7\u00e3o mais poderosa e influente do Egito e, nos \u00faltimos epis\u00f3dios da hist\u00f3ria recente daquele pa\u00eds, demonstrou toda sua for\u00e7a. Durante todo o per\u00edodo em que o ditador Hosni Mubarak esteve no poder, foi o ex\u00e9rcito que lhe servira de alicerce. Mas em fevereiro de 2011, ap\u00f3s as gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es que for\u00e7aram a derrubada de Mubarak, os militares efetivaram a queda do d\u00e9spota que comandava o pa\u00eds h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s este acontecimento, organizou-se no Egito uma elei\u00e7\u00e3o dentro dos par\u00e2metros democr\u00e1ticos burgueses. Naquele momento, este processo representava um avan\u00e7o quando comparado com a ditadura existente at\u00e9 ent\u00e3o. Em junho de 2012, Mohamed Morsi fora, ent\u00e3o, eleito presidente. Contudo, um ano depois das elei\u00e7\u00f5es, as for\u00e7as armadas entram de novo em cena: em 03 de julho, um golpe militar com amplo apoio popular \u00e9 empreendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, diferentemente das expectativas do povo, que saiu \u00e0s ruas protestando contra o presidente Morsi, os militares implementaram, de imediato, um regime antidemocr\u00e1tico e violento, que n\u00e3o tem prazo para ser revogado. Isto, obviamente, desencadeou uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es por parte dos partid\u00e1rios do ex-presidente. Estas, por sua vez, serviram de pretexto para uma repress\u00e3o agressiva contra os insatisfeitos. O ponto culminante deste conflito se deu no \u00faltimo dia 14 de agosto. O general Abdul Fattah Al-Sisi comanda um verdadeiro massacre contra os opositores que se manifestavam nas ruas. Resultado: 648 mortos! (conforme dados oficiais). Hoje, dia 19, depois de cinco dias de hostilidades, j\u00e1 se contam aproximadamente 1.000 mortos!! (de novo segundo dados oficiais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de o cen\u00e1rio da realidade eg\u00edpcia ainda estar bastante em aberto, com diversas tend\u00eancias contradit\u00f3rias ainda em consolida\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante que fa\u00e7amos desde j\u00e1 algumas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 por tr\u00e1s de todo esse turbilh\u00e3o que acontece no Egito (e tamb\u00e9m em outros pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica) \u00e9, a nosso ver, a luta de classes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, \u00e9 importante dizer que se enganam os que pensam que os eg\u00edpcios est\u00e3o entrando em uma verdadeira guerra civil por motivos meramente religiosos. Os conflitos entre a irmandade mul\u00e7umana, os militares, e a popula\u00e7\u00e3o, que exigiu nas ruas a sa\u00edda de Morsi, n\u00e3o podem ser compreendidos apenas sob o ponto de vista da religi\u00e3o. Vejamos por qu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Egito tem um papel fundamental no quadro geopol\u00edtico mundial. Juntamente com Israel, o pa\u00eds sempre garantiu a estabilidade necess\u00e1ria para o funcionamento da economia capitalista na regi\u00e3o. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante para o capital manter seus aliados no poder. Mas, estes s\u00f3 s\u00e3o \u00fateis quando conseguem manter os conflitos sociais internos, e na regi\u00e3o como um todo, sob controle. Para auxiliar nesta tarefa, o capitalismo mundial contribui com grandes quantidades de dinheiro enviadas ao Egito e \u00e0 Israel por meio dos comit\u00eas de gerenciamento de neg\u00f3cios da burguesia (ou seja, os estados nacionais \u2013 o estado americano, o ingl\u00eas, etc). Assim, o governo dos Estados Unidos, por exemplo, envia anualmente, desde 1979, a quantia de 1,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o ex\u00e9rcito eg\u00edpcio. Este retribui mantendo as coisas est\u00e1veis na regi\u00e3o, utilizando sempre a for\u00e7a necess\u00e1ria para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mohamed Morsi faria algo diferente? Seria ele o respons\u00e1vel por uma transforma\u00e7\u00e3o da sociedade eg\u00edpcia que ampliaria e aprofundaria os direitos democr\u00e1ticos e, assim, serviria de modelo para outras na\u00e7\u00f5es que recentemente se insurgiram contra ditaduras? Iria, por acaso, implementar medidas anticapitalistas? N\u00e3o, o governo Morsi n\u00e3o seria diferente de outros governos em seus aspectos fundamentais. Isto foi demonstrado pelo curto per\u00edodo em que esteve no poder. Na verdade, ele ainda agravou os conflitos internos ao propor mudan\u00e7as na constitui\u00e7\u00e3o que restringiam os direitos civis da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o ex-presidente quanto os militares t\u00eam um s\u00f3 objetivo: administrar os interesses da burguesia internacional na regi\u00e3o. Caso n\u00e3o cumpram esta miss\u00e3o da melhor forma poss\u00edvel, podem ser destitu\u00eddos do poder a qualquer tempo, sem aviso pr\u00e9vio. Foi isso que aconteceu com Morsi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente eleito do Egito, diferentemente dos progn\u00f3sticos, n\u00e3o conseguiu manter a estabilidade interna, e isto representava uma amea\u00e7a \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital. Logo, deveria ser substitu\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas aqui cabe uma pergunta importante: por que est\u00e1 t\u00e3o dif\u00edcil controlar os conflitos sociais no Egito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Simples e diretamente: porque a economia do pa\u00eds vai de mal a pior. O capitalismo em crise n\u00e3o consegue dar sinais de recupera\u00e7\u00e3o e arrasta todas as na\u00e7\u00f5es do mundo neste turbilh\u00e3o. Hoje, no Egito, a infla\u00e7\u00e3o gira em torno dos 13%, o desemprego entre os jovens chega a 46,6%, a divida externa est\u00e1 pr\u00f3xima dos 40 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Nesta realidade, os trabalhadores eg\u00edpcios s\u00e3o os mais prejudicados. O problema \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel uma solu\u00e7\u00e3o no interior da sociabilidade capitalista. Por isso, nem Morsi, nem os militares podem estabilizar o pa\u00eds mais populoso do mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as revoltas que recentemente chamaram a aten\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o aconteceram simplesmente por reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ou seja, por mais direitos democr\u00e1ticos, como a m\u00eddia \u2013 comprometida com os interesses das classes dominantes \u2013 tenta nos fazer crer. O verdadeiro pano de fundo destas insatisfa\u00e7\u00f5es est\u00e1 na sobreviv\u00eancia material da maioria dos trabalhadores. O capital, em meio \u00e0 crise estrutural na qual est\u00e1 mergulhado, j\u00e1 n\u00e3o consegue garantir sua pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o e se debate dia a dia para tentar manter as taxas de lucro. Neste contexto, s\u00e3o necess\u00e1rias medidas de \u201carrocho\u201d sobre os trabalhadores e que repercutem em toda a sociedade, tais como demiss\u00f5es em massa, diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, ataque a direitos duramente conquistados, etc.. Esta pol\u00edtica de press\u00e3o sobre a classe trabalhadora j\u00e1 \u00e9 bastante dolorosa em pa\u00edses como Espanha, Gr\u00e9cia, Portugal, Irlanda, It\u00e1lia, entre outros que s\u00e3o considerados centrais na estrutura econ\u00f4mica mundial. Mas, o que est\u00e1 ocorrendo com os trabalhadores nas na\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas tornou-se insuport\u00e1vel. \u00c9 justamente esta situa\u00e7\u00e3o vivida pelos trabalhadores em meio \u00e0 crise do capital que pode ser indicada como elemento de liga\u00e7\u00e3o entre os levantes ocorridos no mundo \u00e1rabe e as manifesta\u00e7\u00f5es populares que est\u00e3o acontecendo em todas as partes do mundo, inclusive aqui no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se for verdadeira a ideia de que os problemas pol\u00edticos enfrentados por muitos pa\u00edses hoje t\u00eam sua origem nas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, no horizonte da economia, seria tamb\u00e9m correta a afirma\u00e7\u00e3o de que, somente com uma efetiva mudan\u00e7a na esfera econ\u00f4mica seria poss\u00edvel apaziguar a revolta das massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, boa parte dos analistas, governos e intelectuais, inclusive de esquerda, entendem que a crise atual \u00e9 apenas uma crise pol\u00edtica. Assim, seria poss\u00edvel super\u00e1-la exclusivamente com medidas no campo pol\u00edtico. Alguns tentam esconder o verdadeiro car\u00e1ter do momento hist\u00f3rico atual, de crise do sistema capitalista como um todo; outros, acreditam sinceramente nesta perspectiva politicista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria necess\u00e1rio lembr\u00e1-los das palavras de Engels no pref\u00e1cio de 1883 do Manifesto Comunista. Diz ele que a li\u00e7\u00e3o mais importante desta obra \u00e9 o entendimento de que a \u201cprodu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a estrutura social que necessariamente decorre dela, constituem, em cada \u00e9poca hist\u00f3rica a base da hist\u00f3ria pol\u00edtica e intelectual dessa \u00e9poca\u201d. Pensamos, ent\u00e3o, n\u00e3o estarmos longe da verdade, afirmando que a resolu\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica que se manifesta em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo s\u00f3 ocorrer\u00e1 se mudan\u00e7as na estrutura econ\u00f4mica forem implementadas. Contudo, como indicamos acima, isto n\u00e3o seria pratic\u00e1vel dentro dos limites do capitalismo. Em outras palavras, sem romper com a l\u00f3gica do capital n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel mudar as estruturas pol\u00edticas predominantes hoje. Ent\u00e3o, repress\u00e3o, massacres a civis, suspens\u00e3o de direitos democr\u00e1ticos, continuar\u00e3o a ser uma constante em todos os pa\u00edses do mundo, e de forma mais desumana nos pa\u00edses perif\u00e9ricos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Aqui vem mais uma pergunta. Quem poder\u00e1 promover estas mudan\u00e7as?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, o Manifesto Comunista nos traz outra li\u00e7\u00e3o que deve ser lembrada: \u201cde todas as classes que ora enfrentam a burguesia, s\u00f3 o proletariado \u00e9 uma classe verdadeiramente revolucion\u00e1ria\u201d. Os trabalhadores, portanto, devem ser a vanguarda desta luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Egito, ainda n\u00e3o temos not\u00edcias confi\u00e1veis de que os trabalhadores se mobilizaram para avan\u00e7ar em uma luta anticapitalista. Mesmo assim, n\u00e3o devemos deixar de afirmar que somente quando isso acontecer o pa\u00eds caminhar\u00e1 para uma sociedade efetivamente democr\u00e1tica. Os trabalhadores s\u00e3o os \u00fanicos que podem conduzir este processo no Egito. Nem Morsi, nem os militares est\u00e3o interessados na ascens\u00e3o do poder popular, no fim da propriedade privada e da explora\u00e7\u00e3o, enfim na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade emancipada. O que todos estes governos pretendem, antes de tudo, \u00e9 garantir a reprodu\u00e7\u00e3o do capital. \u00c9 para isso que se sucedem no poder. Tentam demonstrar para os patr\u00f5es quem \u00e9 o melhor \u201cgerente\u201d para os neg\u00f3cios da burguesia. Os que n\u00e3o se mostram competentes s\u00e3o subtra\u00eddos e outros ocupam o seu lugar. Para o capital, tanto faz se o seu \u201cgerente\u201d \u00e9 um civil ou militar, se o regime \u00e9 democr\u00e1tico ou ditatorial, desde que seja eficiente. Mas, ser eficiente neste caso significa subjugar cada vez mais os trabalhadores, seja com m\u00e9todos diretamente violentos (os militares) ou com meios indiretamente violentos (a democracia burguesa). O fato \u00e9 que quem trabalha sempre sai perdendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, repudiamos igualmente a violenta ditadura militar em consolida\u00e7\u00e3o no Egito, e o governo Morsi que pretendia suspender direitos civis b\u00e1sicos. Repudiamos, assim, o recente assassinato dos mais de mil mortos! Sendo consolidada esta ditadura, essa \u00e9 uma pr\u00e1tica que ser\u00e1 utilizada contra todos aqueles j\u00e1 oprimidos e explorados; contra todos aqueles que gritarem por uma vida livre da opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Entendemos que somente os trabalhadores podem levar adiante a constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem social, onde \u201co livre desenvolvimento de cada um ser\u00e1 a condi\u00e7\u00e3o para o livre desenvolvimento de todos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo momento pol\u00edtico e a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa Contra os governistas, retomar as lutas e a organiza\u00e7\u00e3o da<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2396,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2393"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2393"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6503,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2393\/revisions\/6503"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}