{"id":241,"date":"2010-06-21T23:31:29","date_gmt":"2010-06-22T02:31:29","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/241"},"modified":"2018-06-01T15:34:42","modified_gmt":"2018-06-01T18:34:42","slug":"jornal-37-junhojulho-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/06\/jornal-37-junhojulho-de-2010\/","title":{"rendered":"Jornal 37: Junho\/Julho de 2010"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1242\" aria-describedby=\"caption-attachment-1242\" style=\"width: 211px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a style=\"text-align: center;\" href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_37_junho.julho_2010.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1242 \" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_37_junho.julho_2010-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_37_junho.julho_2010-211x300.jpg 211w, https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Jornal_ES_37_junho.julho_2010.jpg 535w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1242\" class=\"wp-caption-text\">Baixar edi\u00e7\u00e3o 37 (PDF)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste jornal h\u00e1 alguns artigos abordando a quest\u00e3o do CONCLAT, o Congresso da Classe Trabalhadora, ocorrido entre 5 e 6 de junho. Al\u00e9m dessa abordagem, inclu\u00edmos neste n\u00famero um artigo sobre os limites da discuss\u00e3o LGBT na esquerda, sobre a Copa do Mundo, um artigo sobre educa\u00e7\u00e3o e um artigo polemizando com as posi\u00e7\u00f5es da esquerda sobre Cuba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo1\">Construir um Novo Sindicalismo Para os Desafios do S\u00e9culo XXI<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo2\">Os limites da discuss\u00e3o de homossexualidade na esquerda<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo8\">Opress\u00e3o racial um cap\u00edtulo a parte!<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo1\">Manifesto<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo4\">Nacional: por um programa socialista nas lutas e nas elei\u00e7\u00f5es<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo5\">Pol\u00edticas neoliberais na educa\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo6\">Cuba &#8211; nem com a burocracia nem com a burguesia<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#titulo7\">Futebol e mais-valia<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1>Construir um novo sindicalismo para os desafios do s\u00e9culo XXI<\/h1>\n<div id=\"node-242\">\n<p>&#8220;Os sindicatos trabalham bem como centro de resist\u00eancia contra as usurpa\u00e7\u00f5es do capital. Falham em alguns casos, por usar pouco inteligentemente a sua for\u00e7a. Mas, s\u00e3o deficientes, de modo geral, por se limitarem a uma luta de guerrilhas contra os efeitos do sistema existente, em lugar de ao mesmo tempo se esfor\u00e7arem para mud\u00e1-lo, em lugar de empregarem suas for\u00e7as organizadas como alavanca para a emancipa\u00e7\u00e3o final da classe oper\u00e1ria, isto \u00e9, para a aboli\u00e7\u00e3o definitiva do sistema de trabalho assalariado.&#8221; (MARX, Karl. Sal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro. 1865).<\/p>\n<p>Como vemos, j\u00e1 em 1865, quando o capitalismo estava ainda em ascend\u00eancia e podia conceder algumas melhorias no n\u00edvel de vida dos trabalhadores sem comprometer sua exist\u00eancia como sistema, Marx j\u00e1 alertava para a unilateralidade da atua\u00e7\u00e3o sindical imediatista, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de que os sindicatos se convertessem em instrumentos da luta dos trabalhadores, no sentido da &#8220;aboli\u00e7\u00e3o definitiva do sistema de trabalho assalariado&#8221;.<\/p>\n<p>Aqui, embora Marx n\u00e3o se refira ao papel dos partidos pol\u00edticos, este fica evidenciado a partir da necessidade de lutar para que os sindicatos cumpram justamente esse papel mais amplo, contra as correntes reformistas que lutam para que os sindicatos fiquem restritos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o mais ou menos vantajosa dentro do horizonte do capital.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o \u00e9 fundamental, pois mesmo alguns setores de esquerda que hoje buscam construir uma Nova Central a partir do CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) defendem e praticam um sindicalismo que, embora seja de luta, se mostra limitado aos aspectos imediatos, econ\u00f4micos e corporativos da luta de classes. A maioria da esquerda segue desempenhando o que Marx chamou de &#8220;uma luta de guerrilhas contra os efeitos do sistema existente&#8221;, deixando de lado por\u00e9m o combate ao pr\u00f3prio sistema, sua l\u00f3gica e sua ideologia, n\u00e3o contribuindo assim para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Mesmo quando em seus discursos afirmam o contr\u00e1rio, sua pr\u00e1tica os desmente.<\/p>\n<p>Quando analisamos a pr\u00e1tica das principais correntes nos sindicatos e demais entidades que dirigem &#8211; PSTU, que dirige a CONLUTAS; e PSOL, que dirige a INTERSINDICAL &#8211; salta aos olhos a defasagem do trabalho pol\u00edtico e ideol\u00f3gico junto aos trabalhadores. Constata-se o fato de que, mesmo na base dos sindicatos dirigidos por essas correntes, a disputa pol\u00edtica e ideol\u00f3gica da consci\u00eancia dos trabalhadores \u00e9 muito fr\u00e1gil e a organiza\u00e7\u00e3o de base, a forma\u00e7\u00e3o da vanguarda s\u00e3o tarefas geralmente desprezadas, em nome da agita\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea adaptada aos interesses imediatistas, economicistas, corporativistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Superar a r\u00edgida separa\u00e7\u00e3o entre lutas sindicais e lutas pol\u00edticas<\/h2>\n<p>De acordo com essa concep\u00e7\u00e3o de sindicalismo que consideramos limitada, aos sindicatos cabem as lutas imediatas, enquanto, no outro extremo, ao partido cabe a luta pelas quest\u00f5es que dizem respeito aos interesses hist\u00f3ricos dos trabalhadores e \u00e0 luta pelo poder. Essa concep\u00e7\u00e3o leva a uma redu\u00e7\u00e3o do papel e das tarefas que os sindicatos devem cumprir nos dias atuais, e que s\u00e3o ainda mais necess\u00e1rios que na \u00e9poca de Marx.<\/p>\n<p>Em sua crise estrutural, e para justificar sua ofensiva sobre os trabalhadores, o capital precisa aparecer como a \u00fanica alternativa de sociedade poss\u00edvel, apresentando os interesses de sua reprodu\u00e7\u00e3o baseada na lucratividade como os interesses maiores que devem ser preservados a fim de que se mantenha a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 um fato que h\u00e1 uma enorme crise da alternativa socialista, \u00e0 medida que a queda dos regimes do Leste Europeu foi erradamente apresentada, e infelizmente apreendida por amplos setores de massas e da vanguarda como a queda do projeto socialista e idealiza\u00e7\u00e3o do capitalismo como a \u00fanica sociedade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Para complicar as coisas, a maioria das correntes que no passado defendiam um projeto socialista como alternativa ao capital passaram, a partir dos anos 90, a defender o capital como horizonte insuper\u00e1vel &#8211; como \u00e9 o caso do PT da CUT.<\/p>\n<p>A crise estrutural do capital tem eclos\u00f5es cada vez mais graves de tempos em tempos, com destaque para o momento atual iniciado no final de 2007, e que traz dificuldades ainda maiores de que o capital possa fazer concess\u00f5es significativas aos trabalhadores, pois encontra-se diante justamente da necessidade de recuperar, ou ao menos impedir que sua taxa de lucro caia ainda mais. Dessa forma, \u00e9 vis\u00edvel em todos os pa\u00edses, mesmo nas economias centrais, o n\u00edvel de endurecimento e de ataques da patronal sobre os trabalhadores, que faz com que cada luta, por menor que seja, torne-se uma luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, pois o sistema logo mobiliza o conjunto de suas institui\u00e7\u00f5es e for\u00e7as &#8211; econ\u00f4micas, pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e militares &#8211; no sentido de derrotar qualquer luta e, dessa forma, conter a insubordina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, a vit\u00f3ria ou derrota at\u00e9 mesmo das lutas mais imediatas est\u00e1 na depend\u00eancia de que consigam transpor a barreira dos interesses imediatos, econ\u00f4micos e corporativos, sob pena de ca\u00edrem no isolamento e serem derrotadas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que as lutas espec\u00edficas superem essa condi\u00e7\u00e3o, apresentando-se para o conjunto dos trabalhadores como lutas maiores, reclamando solu\u00e7\u00f5es mais estruturais para os problemas colocados, solu\u00e7\u00f5es estas que apontem para a necess\u00e1ria ruptura com a l\u00f3gica do lucro e do mercado, ou seja, necessitamos que as lutas imediatas d\u00eaem um salto no sentido de sua supera\u00e7\u00e3o para uma condi\u00e7\u00e3o de lutas pol\u00edticas conscientes e conseq\u00fcentes.<\/p>\n<p>A partir dessa nova realidade e novos desafios, est\u00e1 totalmente questionado o modelo de atua\u00e7\u00e3o sindical limitado que predomina mesmo na esquerda. \u00c9 preciso que os sindicatos incorporem cada vez mais os pap\u00e9is pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos que muitas correntes dizem ser apenas dos partidos, sob pena de que as lutas dos trabalhadores fiquem desarmadas em termos de rumos a seguir e em termos de evitar as armadilhas que o capitalismo cria no sentido de impedi-las, desvi\u00e1-las, derrot\u00e1-las. Assim, a separa\u00e7\u00e3o estanque entre luta sindical e luta pol\u00edtica torna-se absolutamente ultrapassada e prejudicial aos combates dos trabalhadores. Todo o tempo que se leve para a supera\u00e7\u00e3o desse problema estrutural significar\u00e1 mais derrotas e atraso na consci\u00eancia dos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Concep\u00e7\u00e3o Sindical Imediatista e Corporativista s\u00f3 conduz a derrotas<\/h2>\n<p>\u00c9 justamente nos momentos de agravamento da crise estrutural do capitalismo que os limites do sindicalismo imediatista, economicista e corporativista se fazem notar mais claramente. Isso porque s\u00e3o nesses momentos que a burguesia lan\u00e7a m\u00e3o de toda sua carga ideol\u00f3gica, pol\u00edtica, jur\u00eddica contra os trabalhadores, no sentido de os fazer aceitar os sacrif\u00edcios necess\u00e1rios para que o capital continue existindo.<\/p>\n<p>Um exemplo das consequ\u00eancias funestas dessa pr\u00e1tica limitada foi a atua\u00e7\u00e3o das correntes citadas acima quando a crise econ\u00f4mica bateu forte no Brasil, no in\u00edcio do ano passado. A patronal n\u00e3o hesitou em descarregar o peso da crise sobre os trabalhadores, demitindo milhares, cortando sal\u00e1rios e direitos. E nesse momento, os p\u00f3los de organiza\u00e7\u00e3o mais \u00e0 esquerda n\u00e3o conseguiram se apresentar com um projeto alternativo ao projeto pr\u00f3- patronal da CUT e da For\u00e7a Sindical, e o que vimos foi que cada categoria ficou lutando isolada, \u00e0 merc\u00ea de suas pr\u00f3prias for\u00e7as, sem uma campanha maior que unificasse as v\u00e1rias resist\u00eancias e que apresentasse um projeto alternativo ao da patronal e das burocracias sindicais.<\/p>\n<p>No caso dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9, o lema &#8220;demitiu, parou&#8221; mostrou- se totalmente insuficiente, ao ser meramente reativo, pois n\u00e3o se antecipava ao problema, deixando de disputar ideologicamente e politicamente a consci\u00eancia dos trabalhadores com a empresa e o governo, nem apontar uma sa\u00edda mais estrutural para a crise.<\/p>\n<p>No momento crucial da curta exist\u00eancia da CONLUTAS, que foi o enfrentamento aos ataques advindos a partir da crise em 2009, infelizmente temos que reconhecer que a resposta n\u00e3o esteve \u00e0 altura das possibilidades, mostrando a fal\u00eancia do sindicalismo imediatista e corporativista. Era preciso realizar uma campanha nacional, que tivesse o envolvimento do conjunto dos sindicatos dirigidos pela esquerda, no sentido de fazer frente \u00e0s demiss\u00f5es, pois elas tinham um car\u00e1ter muito mais amplo do que o que era visto. Ao isso n\u00e3o ser feito, e ao n\u00e3o ter havido uma atua\u00e7\u00e3o mais qualificada anteriormente &#8211; em todos os mais de 20 anos em que o sindicato foi dirigido com acompanhamento direto da dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU, e que tem prioridade da CONLUTAS -, o fato foi que os trabalhadores agiram da mesma forma que em outros locais cujas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de luta.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades provocadas pela falta desse trabalho mais ideol\u00f3gico e pol\u00edtico, a orienta\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da CONLUTAS (PSTU) foi de se juntar \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical, buscando uma &#8220;unidade&#8221;&#8230; e ent\u00e3o vimos as cenas deprimentes em que Z\u00e9 Maria saiu de bra\u00e7os dados com o Paulinho da For\u00e7a em uma unidade artificial&#8230;<\/p>\n<p>Portanto, a necessidade que se apresenta \u00e9 a de se criar uma nova concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o sindical, e n\u00e3o apenas uma Nova Central com a mesma concep\u00e7\u00e3o que rege a CONLUTAS e a INTERSINDICAL, embora saudemos o quanto progressivo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o dessa central para os trabalhadores. \u00c9 preciso um novo sindicalismo que ao mesmo tempo defenda as quest\u00f5es imediatas e, de forma combinada, aponte os caminhos e propostas no sentido da supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Assim, tudo aquilo que contribua para a constru\u00e7\u00e3o da subjetividade dos trabalhadores e de sua consci\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica deve ser impulsionado.<\/p>\n<p>Abrir m\u00e3o da disputa de consci\u00eancia dos trabalhadores significa deixar para a burguesia o dom\u00ednio que ela j\u00e1 possui no campo das id\u00e9ias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Partidos e Organiza\u00e7\u00f5es para Impulsionar o movimento, n\u00e3o para substitu\u00ed-lo!<\/h2>\n<p>Isso significa, portanto, o fim dos partidos e das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas? De forma alguma! A tarefa de elaborar e propor programas, estrat\u00e9gias e pol\u00edticas para as lutas e para os sindicatos a partir de posi\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas mais definidas em base a uma compreens\u00e3o cient\u00edfica da realidade, bem como a preocupa\u00e7\u00e3o em apontar a necessidade de que os trabalhadores venham a assumir o controle geral da sociedade rumo ao socialismo, continua sendo papel insubstitu\u00edvel dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, at\u00e9 mesmo porque no interior dos sindicatos e no interior das categorias ocorrem disputas, seja contra as concep\u00e7\u00f5es de direita, como contra as de esquerda equivocadas.<\/p>\n<p>Assim, a supera\u00e7\u00e3o da atividade sindical estreita n\u00e3o significa nenhuma redu\u00e7\u00e3o do papel dos partidos\/organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Aos partidos cabe a elabora\u00e7\u00e3o mais estrutural, tanto no tempo como no alcance da totalidade da realidade da luta de classes. Seu papel pol\u00edtico \u00e9 fundamental, intervindo n\u00e3o apenas no interior dessas organiza\u00e7\u00f5es como na rela\u00e7\u00e3o direta com a classe trabalhadora. Portanto, n\u00e3o se trata da redu\u00e7\u00e3o do papel dos partidos e sim da amplia\u00e7\u00e3o do papel dos sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es dirigidos pela esquerda. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de borrar as fronteiras entre as prerrogativas dos partidos e dos organismos de luta da classe. Os partidos devem levar sua contribui\u00e7\u00e3o aos organismos de luta, o que \u00e9 radicalmente diferente da pr\u00e1tica de aparelhar as entidades e us\u00e1-las como correia de transmiss\u00e3o das propostas de uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o. Os organismos da classe precisam ter sua autonomia decis\u00f3ria preservada, tirando suas delibera\u00e7\u00f5es em suas pr\u00f3prias inst\u00e2ncias, que devem respeitar as propostas de todas as organiza\u00e7\u00f5es que colaboram na constru\u00e7\u00e3o do movimento e tamb\u00e9m de trabalhadores n\u00e3o vinculados a nenhum partido.<\/p>\n<p>Os trabalhadores devem exercitar em suas lutas e organiza\u00e7\u00f5es os elementos fundamentais de sua forma de poder coletiva futura, exercendo a democracia oper\u00e1ria nas condi\u00e7\u00f5es concretas das lutas existentes, a fim de que se preparem para exerc\u00ea-las em condi\u00e7\u00f5es muito mais duras em um processo revolucion\u00e1rio. Ao mesmo tempo, precisam testar seus dirigentes, mant\u00ea-los, revog\u00e1-los, bem como testar e problematizar as t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias mais bem sucedidas no calor das pr\u00f3prias lutas. Trata-se afinal de lutar pela reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade da classe.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora n\u00e3o ter conseguido manter coletivamente seu poder demonstrou-se o principal fator que possibilitou os processos de burocratiza\u00e7\u00e3o que destru\u00edram a possibilidade de que os estados do Leste Europeu &#8211; a R\u00fassia em primeiro lugar -, pudessem se manter como estados oper\u00e1rios e refer\u00eancia para os trabalhadores do mundo, burocratizando-se e tornando-se regimes avessos ao avan\u00e7o da luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>Outros elementos fundamentais da reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade dos\u00a0trabalhadores, melhor desenvolvidos em nossa Tese para o CONCLAT e em nosso\u00a0Perfil Program\u00e1tico (ambos presentes em nosso site \u00a0<a title=\"www.espacosocialista.org\" href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/\">www.espacosocialista.org<\/a>) s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Independ\u00eancia frente ao poder de Estado;<\/li>\n<li>Luta &#8211; atrav\u00e9s de medidas concretas e n\u00e3o apenas discursos &#8211; contra a burocratiza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Luta contra a opress\u00e3o do capital como totalidade, o que envolve as m\u00faltiplas quest\u00f5es como ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade, ambiente, cultura, etc, sempre combinados \u00e0 perspectiva do trabalho;<\/li>\n<li>Forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e cultural dos trabalhadores e da vanguarda;<\/li>\n<li>Rela\u00e7\u00e3o de autonomia entre os partidos pol\u00edticos e as entidades de luta, sejam sindicais, de juventude, de opress\u00e3o, etc, no sentido de combater o aparelhamento das entidades pelos partidos pol\u00edticos, com o respeito e a preserva\u00e7\u00e3o dos f\u00f3runs coletivos de decis\u00f5es; o papel das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias \u00e9 de impulsionar o movimento e n\u00e3o se colocar acima dele, nem de aparelh\u00e1-lo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1>Os limites da discuss\u00e3o de homossexualidade na Esquerda<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Karen e Tarc\u00edsio<\/p>\n<div id=\"node-245\">\n<p>Homossexualidade n\u00e3o \u00e9 obra do Satan\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, (como sabemos ningu\u00e9m escolhe ser homem, bem como n\u00e3o escolhe ser mulher), mas ent\u00e3o o que \u00e9 homossexualidade?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o sobre a qual, independente do que pensamos ou achamos, devemos promover e encarar um debate franco e fraterno se quisermos extirpar de nossas fileiras a homofobia, sob pena de n\u00e3o a combatermos na sociedade, pois propor &#8211; isso quando \u00e9 proposto &#8211; o fim da homofobia na sociedade quando n\u00e3o a combatemos em nossas fileiras, \u00e9 ret\u00f3rica pura simples.<\/p>\n<p>Porque homossexuais devem viver nas sombras ou na marginalidade, mesmo quando participam de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, mesmo as mais revolucion\u00e1rias como essa NOVA CENTRAL que estamos em vias de construir?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A discuss\u00e3o LGBTT: Breve hist\u00f3rico<\/h2>\n<p>Do fim do s\u00e9culo XIX at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX a liberdade sexual era uma das bandeiras do socialismo. Na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, logo ap\u00f3s a tomada do poder pelo Partido bolchevique e durante a vig\u00eancia dos sovietes, a homossexualidade era aceita, considerada como parte da liberdade sexual, algo pr\u00f3prio e inerente ao ser humano. A criminaliza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o eram combatidas. Com a chegada de Stalin ao poder a liberdade sexual e a discuss\u00e3o homossexual se tornam crime.<\/p>\n<p>Dessa mesma forma, na Alemanha nazista, a liberdade deixa de existir no momento em que se proclama a pureza da ra\u00e7a, a estrutura familiar e sua moral como papel regulador e pequeno bra\u00e7o do Estado para o controle social, necess\u00e1rias para o bom funcionamento da sociedade capitalista, fragilizada pela recente investida socialista. Para melhor perseguir os homossexuais dizia-se que rela\u00e7\u00e3o sexual entre pessoas do mesmo sexo era &#8220;pr\u00e1tica bolchevique&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo os homossexuais n\u00e3o se reconheciam publicamente e viviam em plena escurid\u00e3o em suas casas, bares gays clandestinos e banheiros p\u00fablicos. A comunica\u00e7\u00e3o se dava atrav\u00e9s de uma linguagem de c\u00f3digos, para que n\u00e3o fossem reconhecidos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o conturbado per\u00edodo das duas grandes guerras e com a polariza\u00e7\u00e3o da Guerra Fria, o Brasil vive o Golpe Militar, que abafa e erradica a possibilidade de lutas sociais e questionamentos. Com a discuss\u00e3o atrasada e marginalizada a homossexualidade passa a ser tratada como doen\u00e7a mental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Hist\u00f3rico do movimento LGBTT na esquerda brasileira.<\/h2>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, com as mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas contra o Golpe e a ditadura militar, os homossexuais come\u00e7am a se organizar enquanto movimento social pela liberdade sexual e pol\u00edtica. Esse movimento organizou-se a partir do jornal Lampi\u00e3o de Esquina, com o objetivo de discutir a homossexualidade e todo tipo de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, em 1978, no ciclo de debates da &#8220;Semana do Movimento da Converg\u00eancia Socialista&#8221;, com o objetivo de organizar um partido socialista, o grupo do Lampi\u00e3o de Esquina n\u00e3o foi convidado a participar pois eles ainda n\u00e3o tinham nenhuma identifica\u00e7\u00e3o com a luta de classes. Isso gerou v\u00e1rios questionamentos sobre a necessidade da esquerda discutir a homossexualidade.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980 o movimento homossexual j\u00e1 est\u00e1 mais organizado com o grupo SOMOS e participa ativamente de atividades pol\u00edticas com outros setores oprimidos. Organiza o I Encontro Nacional para discutir a homossexualidade e a interven\u00e7\u00e3o com outros setores oprimidos e explorados na sociedade. Ap\u00f3s esse Encontro um grupo de homossexuais participa do 1\u00ba de maio de 1988 no ABC paulista e reafirma que a luta dos trabalhadores \u00e9 tamb\u00e9m uma luta dos homossexuais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>PT + CUT = exterm\u00ednio do movimento LGBTT.<\/h2>\n<p>O PT e a CUT, em sua funda\u00e7\u00e3o, discutem a liberdade sexual, o direito \u00e0 uni\u00e3o civil de pessoas do mesmo sexo, a criminaliza\u00e7\u00e3o da homofobia e outros. No entanto, muitas propostas foram engavetadas e substitu\u00eddas por um plano neoliberal, mais importante para sustentar o governo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o governo Lula, para garantir coliga\u00e7\u00f5es e acordos partid\u00e1rios para chegar ao poder, aproxima-se do PP e do PL, ligados \u00e0 igreja evang\u00e9lica, que condena o movimento homossexual e considera a homossexualidade um dist\u00farbio mental, ou pior, obra do dem\u00f4nio e n\u00e3o algo natural.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o vice-presidente da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Alencar, um crist\u00e3o que s\u00f3 aceitou a parceria com o governo do PT com o engavetamento de todos os projetos contr\u00e1rios aos &#8220;princ\u00edpios crist\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<p>A CUT, que deveria estar do lado dos trabalhadores, na pr\u00e1tica se op\u00f5e ao movimento LGBTT, ao permitir que sejam demitidos, por justa causa, trabalhadores que assumem a homossexualidade, em seus locais de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>PSTU + CONLUTAS + PSOL + INTERSINDICAL + ANEL = Quase n\u00e3o h\u00e1 discuss\u00e3o sobre homossexualidade<\/h2>\n<p>O PSTU, que surge de uma das principais tend\u00eancias do movimento oper\u00e1rio, que integrou a Converg\u00eancia Socialista, que levantava a discuss\u00e3o sobre a homossexualidade, parece ter esquecido o seu passado. N\u00e3o privilegia a discuss\u00e3o. Na CONLUTAS ocorre o mesmo e a discuss\u00e3o sequer \u00e9 fomentada. N\u00e3o se tem orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e encaminhamentos nas categorias e entidades.<\/p>\n<p>Com a unifica\u00e7\u00e3o da CONLUTAS e Intersindical esse forte instrumento de luta n\u00e3o apresenta nenhuma discuss\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o do movimento LGBTT, muito menos sobre o dia a dia opressivo para esse trabalhador.<\/p>\n<p>A Pastoral Oper\u00e1ria que tamb\u00e9m constr\u00f3i o CONCLAT e que tem como fundamento os princ\u00edpios crist\u00e3os e tem como l\u00edder Maximo o PAPA Bento XVI, pronuncia &#8220;que a exist\u00eancia da pedofilia na igreja \u00e9 culpa da homossexualidade&#8221;. Gostar\u00edamos de saber como a Pastoral Operaria far\u00e1 a discuss\u00e3o de homossexualidade no CONCLAT j\u00e1 que a igreja condena tais pr\u00e1ticas sexuais.<\/p>\n<p>A ANEL, que poderia ser uma organiza\u00e7\u00e3o combativa de estudantes, tratou com descaso a quest\u00e3o da homossexualidade. O Congresso de Estudantes de 2009, que tinha 20 GT&#8217;s, possu\u00eda apenas um para a discuss\u00e3o das opress\u00f5es. Em sua plen\u00e1ria final, ao inv\u00e9s de discutir planos de lutas que fortalecessem a a\u00e7\u00e3o de todos os oprimidos, s\u00f3 se preocupou em fundar uma nova entidade estudantil, passando por cima de quem levantasse outras preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Percebemos que a trajet\u00f3ria da esquerda n\u00e3o favorece a aproxima\u00e7\u00e3o dos homossexuais combativos e ainda os distancia quanto \u00e0 necessidade da organiza\u00e7\u00e3o para atua\u00e7\u00e3o conjunta. N\u00f3s chamamos a todos para fazermos discuss\u00f5es sobre o movimento LGBTT. Reivindicamos a unidade de todas as correntes e partidos de esquerda para discutirmos o movimento LGBTT e pol\u00edticas para o desenvolvimento livre da sexualidade.<\/p>\n<p>1\u00ba Por uma campanha nacional organizada pelos movimentos sociais e sindicatos em defesa dos direitos dos GLBTT\u00b4s.<\/p>\n<p>2\u00ba Que a luta contra a opress\u00e3o homossexual e o fim do capitalismo seja unificada;<\/p>\n<p>3\u00ba Pela equipara\u00e7\u00e3o dos direitos e benef\u00edcios civis e trabalhistas para os homossexuais;<\/p>\n<p>4\u00ba Pela garantia total aos GLBTT\u00b4s dos direitos civis, humanos e sociais reconhecidos aos heterossexuais!<\/p>\n<p>5\u00ba Aprova\u00e7\u00e3o j\u00e1 do PL 112\/06 que criminaliza a homofobia;<\/p>\n<p>6\u00ba Pela livre manifesta\u00e7\u00e3o afetivo-sexual dos GLBTT\u00b4s!<\/p>\n<p>7\u00ba Liberdade aos setores oprimidos &#8211; mulheres, negros e homossexuais;<\/p>\n<p>8\u00ba Educa\u00e7\u00e3o de qualidade que conscientize e liberte;<\/p>\n<p>9\u00ba Pela transforma\u00e7\u00e3o das Paradas em manifesta\u00e7\u00f5es de luta! Contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da Parada!<\/p>\n<p>10\u00ba Fim da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo8\"><\/a><\/p>\n<h1>Opress\u00e3o racial: um cap\u00edtulo \u00e0 parte!<\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\">Eduardo Rosas<\/p>\n<p>\u00a0O racismo no Brasil \u00e9 algo muito perverso, pois tem como uma de suas principais caracter\u00edstica, transformar suas v\u00edtimas em criminosos. Isso pode ser percebido facilmente quando observamos as discuss\u00f5es sobre as cotas raciais universit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O movimento sindical, sob a fal\u00e1cia de que somos todos iguais e de que negros e brancos amargam a escravid\u00e3o dos baixos sal\u00e1rios e p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es trabalho (em que pese o fundo de verdade), nega-se a encarar o problema e discutir as especificidades do povo negro.<\/p>\n<p>A CUT levou mais de dez anos ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o para incluir em sua agenda a tem\u00e1tica racial.<\/p>\n<p>A CONLUTAS o fez em seu Congresso de Funda\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o garantiu que o problema fosse enfrentado como se deve.<\/p>\n<p>O CONCLAT n\u00e3o tem essa discuss\u00e3o em sua agenda, nosso movimento n\u00e3o \u00e9 de minorias, mas de minorizados pela burguesia, e, infelizmente pelo movimento sindical tamb\u00e9m!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1>Reconstruir o movimento dos trabalhadores numa perspectiva revolucion\u00e1ria e socialista<\/h1>\n<p>Estamos diante de um momento hist\u00f3rico em que a besta capitalista luta para sobreviver, mesmo que com isso leve o mundo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o. O velho est\u00e1 morrendo e o novo luta para nascer. Diante da crise e instabilidade crescentes, os revolucion\u00e1rios e os trabalhadores conscientes tem a miss\u00e3o de ajudarem a classe trabalhadora a construir uma alternativa revolucion\u00e1ria \u00e0 sociedade capitalista exploradora e opressora.<\/p>\n<p>Todos s\u00e3o a favor da unidade, falam em unidade, mas ent\u00e3o por qu\u00ea \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil concretiz\u00e1-la? Diante dos imensos ataques que a classe trabalhadora vem sofrendo e outros maiores que ainda vir\u00e3o, diante da fragmenta\u00e7\u00e3o e do retrocesso da consci\u00eancia, a unidade da classe trabalhadora e do movimento de todos os explorados e oprimidos \u00e9 uma quest\u00e3o central, que vai al\u00e9m da luta de resist\u00eancia. Ela deve ser constru\u00edda a partir da exist\u00eancia de interesses de classe comuns na luta contra um inimigo comum. A unidade \u00e9 fundamental para reconstituir a consci\u00eancia de classe. O centro de toda atividade revolucion\u00e1ria consciente \u00e9 impulsionar a reconstru\u00e7\u00e3o do movimento na luta contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o, combatendo os governos capitalistas de turno e o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas, e apontando uma perspectiva socialista.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es de esquerda chamam a unidade, mas o que prevalece \u00e9 a disputa pela &#8220;dire\u00e7\u00e3o do movimento&#8221; que se d\u00e1 nas t\u00e1ticas conjunturais e n\u00e3o na ess\u00eancia pol\u00edtica. Todos querem a unidade, mas a &#8220;sua&#8221; unidade, para com isso construir a sua organiza\u00e7\u00e3o &#8211; mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es\/partidos revolucion\u00e1rios se a classe n\u00e3o se reconstruir enquanto tal. Portanto n\u00e3o ser\u00e3o os acordos por cima que forjar\u00e3o a unidade, mas o debate pol\u00edtico no movimento e a din\u00e2mica concreta da luta de classes.<\/p>\n<p>Todos s\u00e3o a favor da democracia oper\u00e1ria, mas desde que prevale\u00e7am &#8220;as suas posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias&#8221;. A democracia oper\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 simplesmente o direito de express\u00e3o de todas as correntes de pensamento comprometidas com a luta prolet\u00e1ria no interior do movimento, num debate fechado que termina em uma vota\u00e7\u00e3o, mas um processo que se constr\u00f3i no sentido de que a classe trabalhadora possa, diante das pol\u00eamicas, ir aumentando sua compreens\u00e3o da realidade e sua consci\u00eancia, e em \u00faltima inst\u00e2ncia, chegar ao que \u00e9 fundamental: a classe \u00e9 quem deve decidir sobre tudo, inclusive sobre o seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio da democracia n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, \u00e9 o exerc\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, e que as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda deveriam expressar, n\u00e3o simplesmente em seus discursos\/programas, mas incorporando permanentemente em sua pr\u00e1xis pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Todos s\u00e3o contra a burocratiza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o basta exorcizar o dem\u00f4nio. Para combat\u00ea-lo precisamos descobrir e entender suas ra\u00edzes pol\u00edticas e sociais. O isolamento e a marginalidade pol\u00edtico-social a que as organiza\u00e7\u00f5es de esquerda estiveram submetidas, fizeram com que buscassem atalhos na busca da dire\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, desvinculado-se de uma rela\u00e7\u00e3o real com o movimento e organiza\u00e7\u00e3o real dos trabalhadores. A conquista dos aparatos sindicais, dos cargos parlamentares e mesmo da legaliza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e sua manuten\u00e7\u00e3o, transformaram-se em uma necessidade imperiosa em si mesma. O longo per\u00edodo de estabilidade da democracia burguesa provocou a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 rotina e privil\u00e9gios dos aparatos, com conseq\u00fc\u00eancias desastrosas na consci\u00eancia e a\u00e7\u00e3o. Junto com isso, o baixo n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\/te\u00f3rica dos ativistas e militantes, a incapacidade de fazer um debate s\u00e9rio frente aos elementos novos da realidade, a concep\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica de ser transmissor da verdade revolucion\u00e1ria, tudo isso d\u00e1 origem a uma pr\u00e1tica em que prevalece a imposi\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es a qualquer pre\u00e7o e fundamentalmente o distanciamento das bases do movimento e de sua disputa pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e organizativa. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio tomar medidas radicais de combate \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podem ser um fim em si, mas parte de uma revolu\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o com movimento dos trabalhadores e na a\u00e7\u00e3o sindical e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A Nova Central que vai surgir, fruto da conflu\u00eancia de for\u00e7as que n\u00e3o passaram para o lado da ordem burguesa e permaneceram no terreno da luta dos trabalhadores, n\u00e3o pode ser uma soma de correntes organizadas. Apesar de todas a suas contradi\u00e7\u00f5es, tem que ser uma s\u00edntese que rompa com a estrutura sindical estatista vigente, que nesta etapa de ac\u00famulo de for\u00e7as, permita a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias e se construa como refer\u00eancia para que, quando o movimento de acenso explodir, tenha condi\u00e7\u00f5es de se postular enquanto dire\u00e7\u00e3o. Para isso, tem que romper com o imediatismo e a adapta\u00e7\u00e3o ao calend\u00e1rio das campanhas salariais e eleitorais; tem que encaminhar a luta contra o sucateamento do servi\u00e7o p\u00fablico, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho seja formal ou informal, o rebaixamento do n\u00edvel de vida, lutar pela estabilidade no emprego, numa a\u00e7\u00e3o permanente de agita\u00e7\u00e3o, propaganda e organiza\u00e7\u00e3o na base.<\/p>\n<p>Diante do processo eleitoral em que a classe dominante usa de todos os art\u00edficios para iludir a classe trabalhadora, apresentando uma falsa polariza\u00e7\u00e3o de projetos, que apesar de diferen\u00e7as pontuais, representam a mesma ess\u00eancia de manuten\u00e7\u00e3o da ordem capitalista; diante do discurso de que trata-se de eleger o administrador mais competente e assim tudo ir\u00e1 melhorar; e ainda com os mecanismos da burguesia para manter a classe passiva diante da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o; diante disso tudo a falta de disposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, apesar de todos os discursos em contr\u00e1rio, de construir uma frente de esquerda, que a partir da base do movimento, denunciasse a falsidade da democracia burguesa e apresentasse uma alternativa de classe \u00e9 extremamente equivocada. Este debate n\u00e3o deve ficar restrito \u00e0s dire\u00e7\u00f5es dos partidos, mas ser feito pelo conjunto do movimento, devem ser chamadas plen\u00e1rias de base que possibilitem, mantendo a autonomia dos partidos, um posicionar-se sobre o encaminhamento de uma campanha eleitoral onde a classe n\u00e3o se depare com a divis\u00e3o e disputa dentro do campo socialista.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es da esquerda socialista t\u00eam sido incapazes de romper com o esquematismo, com o voluntarismo inconseq\u00fcente e com a capitula\u00e7\u00e3o reformista ao atraso da consci\u00eancia das massas. Por outro lado, a dispers\u00e3o dos grupos de esquerda e ativistas revolucion\u00e1rios e socialistas cr\u00edticos, impossibilita o avan\u00e7o do debate e a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa que n\u00e3o se baseie num amontoado de palavras de ordem\/reivindica\u00e7\u00f5es &#8220;principistas&#8221; e sim numa compreens\u00e3o comum da realidade e dos desafios colocados que permita sair de uma atua\u00e7\u00e3o limitada e do discurso abstrato para uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria concreta.<\/p>\n<p>Diante disto, \u00e9 urgente ter a iniciativa de constru\u00e7\u00e3o de um bloco que re\u00fana os que compartilhem desse entendimento, de modo a potencializar a for\u00e7a de interven\u00e7\u00e3o e avan\u00e7ar a partir da experi\u00eancia, debate e conflu\u00eancia pol\u00edticas na constru\u00e7\u00e3o de um movimento socialista e revolucion\u00e1rio que intervenha no processo vivo da luta de classes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1>Nacional: por um programa socialista nas lutas e nas elei\u00e7\u00f5es<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"node-247\">\n<div>\n<h2>As elei\u00e7\u00f5es e o movimento pol\u00edtico dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior do jornal do Espa\u00e7o Socialista, fizemos uma primeira discuss\u00e3o sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2010, na qual debatemos a necessidade de se construir uma alternativa pol\u00edtica socialista dos trabalhadores, contra os dois campos burgueses representados por Serra e Dilma. Expusemos os motivos pelos quais um eventual governo Dilma-PT, tal como o atual governo Lula-PT, n\u00e3o serve como defesa contra os ataques da burguesia, pois o &#8220;Partido dos Trabalhadores&#8221; no governo tem funcionado como um instrumento da classe dominante, implantando o programa de interesse dos banqueiros, latifundi\u00e1rios e transnacionais. O PT tem implantado esse programa de forma mediada e apresenta essas media\u00e7\u00f5es como se fossem enfrentamento \u00e0 burguesia, mas na verdade s\u00e3o formas de garantir a implanta\u00e7\u00e3o do programa e preservar seus interesses enquanto burocracia. Al\u00e9m disso, o PT tem sido um obst\u00e1culo para a organiza\u00e7\u00e3o e a luta. Basta observar o papel que tem cumprido a CUT (e as demais centrais sindicais pelegas), bem como a dire\u00e7\u00e3o do MST e da UNE, impedindo o desenvolvimento de greves, ocupa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es diretas. Debatemos tamb\u00e9m o papel da democracia burguesa e suas institui\u00e7\u00f5es, que restringem as possibilidades de a\u00e7\u00e3o e de escolha ao ato de votar em um representante a cada quatro anos, deixando-nos de m\u00e3os atadas o restante do tempo.<\/p>\n<p>Por isso propomos a constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que sirva como alternativa tanto na organiza\u00e7\u00e3o das lutas como nas elei\u00e7\u00f5es, retomando a disputa ideol\u00f3gica pela consci\u00eancia da classe de modo a recolocar em pauta a necessidade do socialismo. As organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos trabalhadores que s\u00e3o hoje majorit\u00e1rias, PSOL, PSTU e PCB, por enquanto t\u00eam caminhado na dire\u00e7\u00e3o oposta a esse movimento, apresentando candidaturas pr\u00f3prias, com programas e nomes discutidos nas c\u00fapulas partid\u00e1rias (do PCO nem se fala, pois jamais atuou em unidade, nem eleitoral nem no movimento, tendo como prioridade atacar o restante da esquerda, a ponto de funcionar como bra\u00e7o auxiliar da burocracia petista para dividir o movimento). PSOL e PSTU tamb\u00e9m t\u00eam realizando um debate rebaixado no Conclat, em que se vislumbra claramente uma disputa pelo controle do pequeno aparato que est\u00e1 sendo criado na nova central, mais do que que uma busca real pela renova\u00e7\u00e3o das formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe (quanto ao PCB, nem sequer participa do Conclat). A cr\u00edtica que fazemos a essas organiza\u00e7\u00f5es vai no sentido de lembrar que a necessidade da classe de reconstruir as suas refer\u00eancias ideol\u00f3gicas, renovar seus m\u00e9todos e rearmar seus instrumentos de luta, \u00e9 algo que deve estar acima dos interesses desta ou daquela organiza\u00e7\u00e3o, por isso a constru\u00e7\u00e3o de um ponto de apoio unit\u00e1rio \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O movimento pol\u00edtico e o programa<\/h2>\n<p>Esse movimento pol\u00edtico unit\u00e1rio teria como tarefa romper o cerco da democracia burguesa e suas candidaturas, colocando em discuss\u00e3o um programa que represente as reais necessidades dos trabalhadores. A escala e a magnitude dos problemas colocados e a radicalidade das solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias imp\u00f5em a constru\u00e7\u00e3o de um movimento que ultrapasse a esfera sindical e tamb\u00e9m a eleitoral. A situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em que vivemos, com uma crise societal latente mal disfar\u00e7ada pelo desempenho artificial da economia, exige que a nossa classe esteja em condi\u00e7\u00f5es de retomar a iniciativa pol\u00edtica e apresentar propostas pr\u00f3prias para solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. Os pontos de programa que apresentamos a seguir buscam levantar brevemente alguns dos problemas com os quais estamos defrontados e as respectivas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; A economia brasileira est\u00e1 sendo sustentada pela inje\u00e7\u00e3o de dinheiro do Estado nas empresas e pela explos\u00e3o do cr\u00e9dito que permite que a classe m\u00e9dia e uma parte dos trabalhadores fa\u00e7a empr\u00e9stimos e assim tenha acesso ao consumo. Mas n\u00e3o est\u00e1 havendo crescimento dos sal\u00e1rios: a m\u00e3o de obra que foi demitida no auge da crise est\u00e1 sendo contratada para ganhar menos e trabalhar mais, com o aumento da explora\u00e7\u00e3o acontecendo em todas as empresas. Por isso defendemos: Reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e defesa dos direitos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias! Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios! Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea\u00e7arem fechar!<\/p>\n<p>&#8211; Em momentos de crise econ\u00f4mica os trabalhadores negros s\u00e3o sempre os primeiros a serem demitidos, e quando acontece um reaquecimento, s\u00e3o os \u00faltimos a serem contratados, sempre ganhando menos, mesmo quando executam a mesma fun\u00e7\u00e3o, sendo que em geral v\u00e3o para as fun\u00e7\u00f5es mais subalternas e mais exploradas, o que \u00e9 ainda pior no caso das mulheres negras. Por isso defendemos: Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/p>\n<p>&#8211; O governo federal, estados e munic\u00edpios gastaram cerca de R$ 360 bilh\u00f5es no pagamento de d\u00edvidas em 2009. Esse valor \u00e9 mais do que o dobro da folha do funcionalismo, que est\u00e1 em R$ 165 bilh\u00f5es. Enquanto isso, a maioria da popula\u00e7\u00e3o sofre com moradias prec\u00e1rias, falta de saneamento b\u00e1sico, aus\u00eancia de transporte p\u00fablico, um sistema de sa\u00fade extremamente deficiente, educa\u00e7\u00e3o sucateada, falta de funcion\u00e1rios, etc. Por isso defendemos: N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/p>\n<p>&#8211; A mineradora Vale do Rio Doce foi privatizada no governo FHC pelo valor de R$ 3 bilh\u00f5es, um verdadeiro crime de lesa-p\u00e1tria, pois o seu valor hoje \u00e9 estimado em mais de R$ 100 bilh\u00f5es. O governo Lula n\u00e3o reverteu essa privatiza\u00e7\u00e3o e nenhuma outra, e realizou novas privatiza\u00e7\u00f5es, como as das reservas de petr\u00f3leo, estradas, concess\u00f5es do uso de florestas, bancos estaduais, etc. Al\u00e9m disso, as empresas estatais remanescentes, como Petrobr\u00e1s e Banco do Brasil, s\u00e3o geridas como empresas privadas, repartindo seus lucros com acionistas privados, inclusive estrangeiros, superexplorando seus funcion\u00e1rios e n\u00e3o gerando retorno para a sociedade. Por isso defendemos: Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale, Embraer e demais empresas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores! Que a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal seja feita por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores! Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p>&#8211; O Brasil possui as mais importantes reservas de florestas, de biodiversidade e de \u00e1gua doce do mundo. Esse patrim\u00f4nio est\u00e1 sendo destru\u00eddo por madeireiras, plantadores de soja e criadores de gado, que derrubam florestas para praticar um tipo de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria que esgota o solo e produz sua desertifica\u00e7\u00e3o. Boa parte dessa devasta\u00e7\u00e3o acontece em terras p\u00fablicas ocupadas ilegalmente, por meio da grilagem, ou ainda, \u00e0s custas dos povos origin\u00e1rios. O chamado agro-neg\u00f3cio, vedete da m\u00eddia burguesa por conta dos saldos comerciais, pratica ainda as mais brutais formas de explora\u00e7\u00e3o, das quais s\u00e3o v\u00edtimas por exemplo os trabalhadores do corte de cana. A burguesia agr\u00e1ria destr\u00f3i a terra, rouba o patrim\u00f4nio p\u00fablico e mata trabalhadores. Os sem-terra s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da repress\u00e3o, mortos por jagun\u00e7os e ao mesmo tempo perseguidos como criminosos pela justi\u00e7a burguesa. Enquanto isso, a popula\u00e7\u00e3o urbana convive com altas dos pre\u00e7os dos alimentos e com a qualidade duvidosa dos produtos que lhe s\u00e3o oferecidos, j\u00e1 que a melhor parte da produ\u00e7\u00e3o vai para exporta\u00e7\u00e3o. Por isso defendemos: Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores! Expropria\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio sob controle dos trabalhadores! Rumo ao fim da propriedade privada! Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&#8211; No in\u00edcio de 2010 as fortes chuvas provocaram inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos que afetaram principalmente as popula\u00e7\u00f5es mais pobres e os bairros perif\u00e9ricos em grandes cidades como Rio e S\u00e3o Paulo. Houve dezenas de mortes, milhares de desabrigados, enormes preju\u00edzos e transtornos para milh\u00f5es de trabalhadores impedidos de se locomover nas metr\u00f3poles. Os desastres provocados pelas chuvas n\u00e3o s\u00e3o obra da natureza e sim de uma organiza\u00e7\u00e3o urbana ca\u00f3tica, que prioriza o conforto da burguesia, os lucros da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e da ind\u00fastria automobil\u00edstica. Por isso defendemos: Expropriar os im\u00f3veis usados para lucro da burguesia e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores! Um grande plano de moradias populares! Fim do financiamento p\u00fablico para condom\u00ednios de luxo e utiliza\u00e7\u00e3o dessa verba em moradias populares! Indeniza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, isen\u00e7\u00e3o de impostos e moradia para todas as v\u00edtimas de enchentes e deslizamentos! Por um plano de obras p\u00fablicas que priorize o saneamento e a despolui\u00e7\u00e3o de rios e lagos! Investimento em transporte p\u00fablico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo!<\/p>\n<p>Nenhuma dessas medidas, que s\u00e3o as \u00fanicas capazes de resolver de fato os problemas reais dos trabalhadores, podem ser obtidas pelos meios de participa\u00e7\u00e3o atualmente dispon\u00edveis no quadro da democracia burguesa, pois se chocam frontalmente com instrumentos criados para proteger os interesses da classe dominante. Toda a ordem estabelecida, o Estado e suas ramifica\u00e7\u00f5es, o judici\u00e1rio, os partidos pol\u00edticos, etc., o conjunto das institui\u00e7\u00f5es atualmente existentes foram criados para desviar e bloquear essas demandas. A luta pelo programa que expusemos e a constru\u00e7\u00e3o dos organismos prolet\u00e1rios adequados a essa tarefa necessariamente se chocam com a estrutura do Estado burgu\u00eas e exigem a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder pol\u00edtico e social da classe trabalhadora. A classe trabalhadora precisa criar seus pr\u00f3prios organismos de luta, que sejam os embri\u00f5es de novos mecanismos de administra\u00e7\u00e3o, capazes de reorganizar a produ\u00e7\u00e3o social em bases racionais, tendo em vista o atendimento das necessidades humanas e a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais emancipadas. Esses organismos devem ter como princ\u00edpios a independ\u00eancia de classe, a democracia oper\u00e1ria, a participa\u00e7\u00e3o da base, a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e a disputa ideol\u00f3gica, e ter como tarefa impulsionar um processo de ruptura revolucion\u00e1ria contra a sociedade capitalista, pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta! Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1>Pol\u00edticas neoliberais na educa\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente<\/h1>\n<div id=\"node-248\">\n<div>\n<p>Neste artigo mostraremos, de modo inicial, a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente como resultado da reestrutura\u00e7\u00e3o curricular. Trabalharemos em nossa an\u00e1lise com a Proposta (imposta) Curricular do governo de S\u00e3o Paulo para as escolas p\u00fablicas e suas implica\u00e7\u00f5es no trabalho di\u00e1rio dos professores.<\/p>\n<p>A Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo reflete a inger\u00eancia das pol\u00edticas neoliberais para a Educa\u00e7\u00e3o ditadas pelos organismos internacionais (FMI, BIRD, UNESCO). Essa interven\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de seus discursos (qualidade, efici\u00eancia e produtividade), procura maquiar a precariza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico e responsabilizar o professor pelo fracasso escolar dos filhos de trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica. Esse quadro resulta da drenagem dos recursos p\u00fablicos, que deveriam ser investidos nos servi\u00e7os sociais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte coletivo), para salvar o capitalismo em crise e construir obras de interesses dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente<\/h2>\n<p>Entendemos por intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente o processo de proletariza\u00e7\u00e3o do professor com o excesso de trabalho, perda da liberdade de c\u00e1tedra e de identidade docente, condi\u00e7\u00f5es de trabalho desfavor\u00e1veis ao processo de ensino-aprendizagem, perda do poder aquisitivo para investimento em forma\u00e7\u00e3o intelectual e, em muitos casos, exposi\u00e7\u00e3o direta \u00e0 viol\u00eancia. Tudo isso gera desmotiva\u00e7\u00e3o e falta de realiza\u00e7\u00e3o no trabalho.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno decorre da implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais na Educa\u00e7\u00e3o, que reestruturaram o curr\u00edculo e intensificaram o trabalho docente. Em pouco mais de 10 anos (a partir de 1995) os professores perderam conquistas de um s\u00e9culo (enquanto corpo profissional, envolvimento na determina\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos conte\u00fados curriculares, das pr\u00e1ticas escolares e da pol\u00edtica educacional em geral).<\/p>\n<p>Press\u00e3o, ass\u00e9dio moral, controle sobre o trabalho do professor com coordenadores pedag\u00f3gicos assistindo \u00e0s aulas, preenchimento de infinitos relat\u00f3rios que n\u00e3o servem para sanar problemas e a centraliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo fazem parte da rotina do professor da rede p\u00fablica de ensino do estado de S\u00e3o Paulo nessa fase de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho do professor. Segundo Vieira Hypolito e Pizzi (2009, p.105) esse processo tem como principais caracter\u00edsticas:<\/p>\n<ol>\n<li>Conduzir \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do tempo para descanso na jornada de trabalho;<\/li>\n<li>Implicar a falta de tempo para a atualiza\u00e7\u00e3o em alguns campos e requalifica\u00e7\u00e3o em certas habilidades necess\u00e1rias;<\/li>\n<li>Implicar uma sensa\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e persistente de sobrecarga de trabalho que sempre parece estar aumentando, mais e mais tem para ser feito e menos tempo existe para fazer o que deve ser feito;<\/li>\n<li>Conduzir \u00e0 redu\u00e7\u00e3o na qualidade do tempo, pois para se &#8216;ganhar&#8217; tempo somente o &#8216;essencial&#8217; \u00e9 realizado. Isso aumenta o isolamento, reduzindo as chances de intera\u00e7\u00e3o (j\u00e1 que a participa\u00e7\u00e3o motiva comportamento cr\u00edtico) e limitando as possibilidades de reflex\u00e3o conjunta;<\/li>\n<li>Introduz solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas simplificadas para as mudan\u00e7as curriculares a fim de compensar o reduzido tempo de preparo;<\/li>\n<li>Freq\u00fcentemente os processos de intensifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o mal interpretados como sendo uma forma de profissionaliza\u00e7\u00e3o e muitas vezes \u00e9 voluntariamente apoiada e confundida com profissionalismo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Este \u00faltimo aspecto nos mostra o quanto a doutrina neoliberal na Educa\u00e7\u00e3o se apega no fato de o desenvolvimento profissional do professor ser colocado como um processo vital\u00edcio de integra\u00e7\u00e3o contextualizada entre o indiv\u00edduo docente e o contexto escolar. Incute assim auto-intensifica\u00e7\u00e3o. O professor tem que se capacitar, se preparar e se especializar constantemente. E a m\u00eddia repete sistematicamente &#8220;o problema est\u00e1 no professor, que \u00e9 acomodado&#8221;.<\/p>\n<p>Da\u00ed entendemos as campanhas de culpabiliza\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e de ataque a auto-estima dos professores realizadas pelos governos municipais, estaduais e federal. Sobretudo, aqui, no estado de S\u00e3o Paulo a reestrutura\u00e7\u00e3o educativa neoliberal se deu e se d\u00e1 de modo mais aprofundado. \u00c9 necess\u00e1rio expor e fragilizar o professor para implementar a pol\u00edtica educacional do capital em crise estrutural. Isto evidencia tamb\u00e9m os motivos de nossa greve, com mais de 30 dias, a maior dos \u00faltimos 10 anos, ter sido t\u00e3o atacada e combatida pelos governos e pela grande m\u00eddia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>T\u00e9dio e a frustra\u00e7\u00e3o tomam conta das escolas<\/h2>\n<p>Imposta de cima para baixo &#8211; sem qualquer discuss\u00e3o pr\u00e9via com professores, pais e alunos e trazendo em seu bojo t\u00f3picos e textos convencionais, m\u00e9todos de ensino e de avalia\u00e7\u00e3o &#8211; a Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo tornou-se fonte de problemas sistem\u00e1ticos. Isto \u00e9, n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a realidade das escolas, nos tornam meros executores de tarefas obrigados a trabalhar com m\u00e9todos que, sabemos, n\u00e3o v\u00e3o dar certo. Fracasso anunciado. O professor se sente frustrado, desmotivado, entediado e ref\u00e9m de uma situa\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o criou.<\/p>\n<p>Isto nos exp\u00f5e diante dos alunos, aumentando os problemas disciplinares, pois a imposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os atinge. S\u00e3o obrigados a seguir e a cumprir o que \u00e9 imposto no Caderno do Aluno. Ao mesmo tempo, divide-os entre uma minoria academicamente bem sucedida e uma maioria academicamente desmotivada e indignada. Tem sido freq\u00fcentes as rea\u00e7\u00f5es contra essa imposi\u00e7\u00e3o. Rasgam o caderno, jogam no lixo, p\u00f5e fogo, fazem avi\u00e3ozinho, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso faz o professor se isolar na escola e na sala de aula, o que reduz a rela\u00e7\u00e3o com os professores e com os pr\u00f3prios alunos. Estes muitas vezes s\u00e3o tratados como inimigos. Dessa forma, as sa\u00eddas para os problemas passam a ser buscadas individualmente ou no \u00e2mbito da pr\u00f3pria escola e deixam de ser tratadas coletivamente.<\/p>\n<p>M\u00e9todos ou curr\u00edculos alternativos s\u00e3o combatidos e desacreditados com o argumento de que abandonam o real conhecimento e qualidade da Educa\u00e7\u00e3o. Existe, dessa forma, pouco espa\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias alternativas, pois a Educa\u00e7\u00e3o sob o paradigma vigente \u00e9 vista como &#8220;uma forma de adestramento, disciplinariza\u00e7\u00e3o, treinamento e dociliza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, do que como um meio de transforma\u00e7\u00e3o e de revolu\u00e7\u00e3o social&#8221; (Santos, 2008, p. 51). Ou seja, formar m\u00e3o de obra que se ad\u00e9q\u00fce \u00e0s necessidades do mercado, que ora aceite trabalhar de forma precarizada em condi\u00e7\u00f5es de trabalho deplor\u00e1vel e ora aceite o desemprego.<\/p>\n<p>Sendo assim, &#8220;a maioria dos projetos de interven\u00e7\u00e3o produz pouca mudan\u00e7a quando s\u00e3o avaliados atrav\u00e9s de formas convencionais; e os que realmente parecem produzir mudan\u00e7as n\u00e3o seguem um padr\u00e3o definido&#8221;. (Connell, 1995, p.30)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A luta por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade deve ir al\u00e9m do corporativismo<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o pode mais ser tratada como uma luta dos professores. \u00c9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m dos muros da escola e dos limites da pr\u00f3pria rede de ensino. Os trabalhadores, de um modo geral (pois s\u00e3o eles que matriculam seus filhos na escola p\u00fablica), precisam participar das discuss\u00f5es sobre a qualidade de ensino e da luta dos professores. Os sindicatos, sobretudo os de esquerda, dever\u00e3o discutir no \u00e2mbito de suas categorias os problemas da educa\u00e7\u00e3o, tendo no horizonte a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por isso que hoje o sentido da mudan\u00e7a educacional radical n\u00e3o pode ser se n\u00e3o o rasgar da camisa-de-for\u00e7a da l\u00f3gica incorrig\u00edvel do sistema: perseguir de modo planejado e consistente um estrat\u00e9gia de rompimento do controle exercido pelo capital, com todos os meios dispon\u00edveis, bem como com todos os meios ainda a ser inventados, e que tenha o mesmo esp\u00edrito&#8221;. (M\u00e9sz\u00e1ros, 2005, p.35)<\/p>\n<p>Portanto, a nossa luta deve assumir um car\u00e1ter emancipat\u00f3rio, que vislumbre uma sociedade sem classes e fraternal em que a escola, em todos os n\u00edveis, n\u00e3o possa ser prec\u00e1ria. Uma sociedade Socialista, em que o ensino defender\u00e1 exclusivamente, os interesses dos trabalhadores!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h1>Cuba &#8211; nem com a burocracia nem com a burguesia<\/h1>\n<div id=\"node-244\">\n<div>\n<p>De tempos em tempos Cuba ressurge no notici\u00e1rio e cada vez que isso acontece chove todo tipo de pol\u00eamica entre os militantes da esquerda, um sinal de que o tema est\u00e1 longe de ter um consenso. A proposta do presente texto \u00e9 propor uma reflex\u00e3o distinta das que se apresentaram at\u00e9 o momento entre os militantes da esquerda brasileira. Trata-se de uma reflex\u00e3o pessoal e n\u00e3o do Espa\u00e7o Socialista, uma vez que esse debate segue em aberto na organiza\u00e7\u00e3o, para o qual esse texto tamb\u00e9m serve como contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Um tema complexo<\/h2>\n<p>Cuba, um pequeno pa\u00eds no Caribe, com uma economia predominantemente agr\u00e1ria e uma ind\u00fastria p\u00edfia e quintal dos Estados Unidos (onde se praticava todo tipo de sujeira) foi testemunha de uma magn\u00edfica a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos trabalhadores que resultou, for\u00e7osamente, na expropria\u00e7\u00e3o da burguesia alocada naquele pa\u00eds e expuls\u00e3o dos agentes americanos que praticamente mandavam no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o que, com a estatiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, proporcionou escola e sa\u00fade gratuitas para a popula\u00e7\u00e3o, destaque em v\u00e1rias categorias esportivas, etc. A dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desse processo \u00e9 o que se convencionou chamar de castrista e serviu de refer\u00eancia para v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de militantes em todo o mundo que tinha como base de sustenta\u00e7\u00e3o um movimento popular muito aguerrido, ou seja, n\u00e3o tinha a classe oper\u00e1ria como vanguarda. O poder foi desde o in\u00edcio exercido pelo setor militar do movimento 26 de julho. Uma revolu\u00e7\u00e3o que fugia do &#8220;modelo&#8221; que &#8220;muitos marxistas&#8221; procuravam.<\/p>\n<p>Para muitos a queda do Muro e dos Estados do Leste tamb\u00e9m significaria o fim de Cuba, mas para surpresa tamb\u00e9m de muitos, Cuba continua a causar pol\u00eamica. Ocorre que essas pol\u00eamicas, no campo da esquerda, tem representado pouco coisa nova, uma vez que a maioria a faz com as f\u00f3rmulas prontas, como se fosse poss\u00edvel encaixar a realidade nas concep\u00e7\u00f5es de cada uma das for\u00e7as. Aqui procuramos partir da nega\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas prontas e est\u00e1ticas, pr\u00f3prias dos mecanicistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das quest\u00f5es colocadas acima h\u00e1 outro elemento que \u00e9 o fato de que a discuss\u00e3o est\u00e1 para al\u00e9m de Cuba, pois envolve as tarefas e desafios para o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o capitalismo-socialismo-comunismo, tema muito pouco teorizado pelos grandes te\u00f3ricos do marxismo. Essa \u00e9 sem d\u00favida uma grande dificuldade desse tema e que tem levado a que muitos se percam nas discuss\u00f5es. Como o tema \u00e9 demasiado amplo esse artigo busca t\u00e3o somente discutir o car\u00e1ter do Estado e do regime pol\u00edtico que vige em Cuba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>As caracteriza\u00e7\u00f5es da esquerda<\/h2>\n<p>No campo da esquerda temos v\u00e1rias caracteriza\u00e7\u00f5es sobre o car\u00e1ter do Estado cubano. Para um setor da esquerda que tem, entre outros, o PCB, MST, Cuba \u00e9 um pa\u00eds socialista, pois o controle da economia est\u00e1 nas m\u00e3os do Estado e tudo que os irm\u00e3os Castro fazem se enquadra na necessidade de que a revolu\u00e7\u00e3o seja -e, segundo eles, \u00e9 preciso ser- defendida dos ataques do imperialismo e das for\u00e7as contra revolucion\u00e1rias. Essa posi\u00e7\u00e3o trata com sinal de igual a defesa da revolu\u00e7\u00e3o com a defesa do governo liderado por Raul Castro. \u00c9 a mesma que defendiam em rela\u00e7\u00e3o a ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e outros Estados p\u00f3s-capitalistas.<\/p>\n<p>Outra posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 defendida pela maioria dos grupos de tradi\u00e7\u00e3o trotskista \u00e9 de que Cuba \u00e9 um Estado oper\u00e1rio burocratizado ou degenerado. Essa posi\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 defendida por correntes como LBI e LER, mas foi melhor sistematizada por essa \u00faltima corrente. Defendem esse conceito porque com a &#8220;expropria\u00e7\u00e3o da propriedade privada e a planifica\u00e7\u00e3o da economia, se instauraram o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior, e se constitui o primeiro Estado oper\u00e1rio, ainda que deformado (&#8230;), pois a &#8220;n\u00e3o tinha uma estrat\u00e9gia baseada na luta pelo desenvolvimento dos organismos de democracia oper\u00e1ria, os soviets, e na centralidade desta classe e seus m\u00e9todos.&#8221;<\/p>\n<p>A partir dessa conceitua\u00e7\u00e3o iniciam um esfor\u00e7o para provar suas palavras. Para eles o Estado \u00e9 oper\u00e1rio porque 73,07% das empresas s\u00e3o estatais (controladas diretamente pelo Estado e mais as cooperativas), nas quais se concentra 60,95% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, e ainda, porque nas empresas controladas diretamente pelo Estado (20,27%) encontra-se 42,42% da for\u00e7a ativa. Os demais trabalhadores (18,53%) atuam nas Unidades B\u00e1sicas de Produ\u00e7\u00e3o Cooperativa tamb\u00e9m sob controle estatal. Assim, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior, o controle estatal dos meios de produ\u00e7\u00e3o e a planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica formam a base do Estado oper\u00e1rio. A deforma\u00e7\u00e3o do Estado ocorre por conta da falta de democracia e o controle pol\u00edtico do Estado \u00e9 exercido por uma burocracia. A pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o deveria se concentrar na pol\u00edtica com uma reformula\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Nessa defini\u00e7\u00e3o h\u00e1 v\u00e1rios problemas, sobretudo pela unilateralidade dos pr\u00f3prios dados que os autores fornecem. \u00c9 como se n\u00e3o houvesse nenhuma contradi\u00e7\u00e3o, como a exist\u00eancia de empresas privadas e trabalhadores submetidos ao capital privado n\u00e3o representasse nada, como se o fato de a planifica\u00e7\u00e3o ser burocr\u00e1tica tamb\u00e9m n\u00e3o ter nenhuma import\u00e2ncia, elementos essenciais para a discuss\u00e3o de qualquer tema. Nenhum objeto pode ser conhecido se n\u00e3o se conhece o seu oposto.<\/p>\n<p>Pensando pela pol\u00edtica desse Estado afirmam que as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o de 59, ainda que tenham se deteriorado, n\u00e3o foram extintas, pois &#8220;tendo ainda elementos de monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior e de planifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4micas vigentes, coloca a popula\u00e7\u00e3o de Cuba em melhores condi\u00e7\u00f5es de vida que muitos pa\u00edses capitalistas&#8230;.&#8221;<\/p>\n<p>Desprezando completamente os dados relativos a empresas e trabalhadores que n\u00e3o tem vincula\u00e7\u00e3o com o Estado, a conclus\u00e3o que tiram, a partir desses dados, \u00e9 de que o Estado \u00e9 oper\u00e1rio. Um problema te\u00f3rico de maior envergadura \u00e9 resolvido por equa\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas e uma confus\u00e3o absurda da categoria dial\u00e9tica de quantidade e qualidade, como se fosse poss\u00edvel atribuir arbitrariamente valores a essas categorias. Entendemos o por que, pois se colocam esses elementos na an\u00e1lise n\u00e3o teriam como justificar tal conceito.<\/p>\n<p>Como toda caracteriza\u00e7\u00e3o tem suas conseq\u00fc\u00eancias, a da LER resulta que em Cuba est\u00e1 colocado a necessidade &#8220;de um programa de revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que derrube a burocracia castrista e instaure os organismos de auto-determina\u00e7\u00e3o das massas, e se combine \u00e0 reconquista dos logros sociais corro\u00eddos pela burocracia, ou seja, basta a mudan\u00e7a do regime burocr\u00e1tico (que realmente seria uma conquista) para que o Estado seja agora autenticamente revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Quais os problemas e confus\u00f5es dessa conceitua\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Porque n\u00e3o \u00e9 Estado oper\u00e1rio: Um Estado oper\u00e1rio pressup\u00f5e antes de tudo que \u00e9 a classe oper\u00e1ria -e n\u00e3o outra- que det\u00e9m o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico, mesmo que de forma indireta poder\u00edamos aceitar tal conceitua\u00e7\u00e3o. Ocorre que em Cuba a classe oper\u00e1ria nunca esteve no poder.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o cubana, pelo tamanho e import\u00e2ncia, teve como conquistas fundamentais a sua liberta\u00e7\u00e3o nacional (se livrando do jugo imperialista) e a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, com a estatiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, a passagem do poder econ\u00f4mico para as m\u00e3os do Estado. Mas o detalhe fundamental \u00e9 que esse Estado n\u00e3o estava (e n\u00e3o est\u00e1) sob controle dos trabalhadores e sim nas m\u00e3os, nas palavras dos companheiros da LER, do &#8220;partido-ex\u00e9rcito&#8221;, \u00f3rg\u00e3o que representa politicamente a burocracia. A classe oper\u00e1ria n\u00e3o est\u00e1 no poder. A pergunta que fica \u00e9 como uma revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem a classe oper\u00e1ria e nem as suas organiza\u00e7\u00f5es como sujeito pol\u00edtico e social pode desembocar em um Estado oper\u00e1rio? \u00c9 poss\u00edvel um Estado oper\u00e1rio sem a classe oper\u00e1ria e suas organiza\u00e7\u00f5es no poder? Estado oper\u00e1rio s\u00f3 pode existir se a classe oper\u00e1ria e suas organiza\u00e7\u00f5es tiverem o controle n\u00e3o s\u00f3 do Estado, mas tamb\u00e9m dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter da revolu\u00e7\u00e3o cubana \u00e9, portanto, anti-imperialista, pois chegou at\u00e9 a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, mas n\u00e3o avan\u00e7ou ao socialismo e ao poder da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>2) Planifica\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e socialismo: Para os defensores da tese de &#8220;Estado oper\u00e1rio burocratizado&#8221; \u00e9 secund\u00e1rio que a planifica\u00e7\u00e3o seja burocr\u00e1tica, processo em que a classe oper\u00e1ria n\u00e3o tem nenhuma participa\u00e7\u00e3o (a n\u00e3o ser da execu\u00e7\u00e3o que \u00e9 compuls\u00f3ria). A planifica\u00e7\u00e3o trata-se de um plano em que s\u00e3o decididos o que e como produzir, a distribui\u00e7\u00e3o, o consumo, enfim tudo que diz respeito \u00e0s bases econ\u00f4micas do Estado. Ela pode ser democr\u00e1tica, quando est\u00e1 sob controle dos trabalhadores ou burocr\u00e1tica quando \u00e9 a burocracia quem a controla. Em Cuba toda a planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela burocracia e de acordo com os seus interesses. A planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial no processo de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo\/comunismo e por isso o seu modo deve ser o democr\u00e1tico, que \u00e9 a express\u00e3o da democracia oper\u00e1ria no controle da vida social e pol\u00edtica. Ocorre que em Cuba a planifica\u00e7\u00e3o era e \u00e9 burocr\u00e1tica, feita de cima para baixo, de forma impositiva aos trabalhadores e ao povo.<\/p>\n<p>Outro elemento dessa planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 que est\u00e1 voltada para impor uma acumula\u00e7\u00e3o de capital que fica sob controle da burocracia e para isso h\u00e1 de fato uma apropria\u00e7\u00e3o do excedente produzido que \u00e9 destinado aos privil\u00e9gios da burocracia cubana. A aliena\u00e7\u00e3o no processo produtivo \u00e9 reproduzida da mesma forma que nas economias capitalistas cl\u00e1ssicas, etc.<\/p>\n<p>O socialismo necessariamente depende de uma economia planificada democraticamente e sob controle da classe oper\u00e1ria, de maneira de que tudo que se produz deve ser decidido pelo conjunto dos trabalhadores. O grau de democracia na planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a medida da forma como se exerce a democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>3) Socializa\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o: O controle da propriedade privada pelo Estado (ainda que seja uma vit\u00f3ria) n\u00e3o \u00e9 suficiente para caracteriz\u00e1-lo como oper\u00e1rio, pois mesmo em economias capitalistas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que o Estado tem controle importante sobre a economia e as empresas. A estatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente (mas um meio) para se combater todas as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas-sociais herdadas do capitalismo. Diferente \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o que significa que se modificam todas as rela\u00e7\u00f5es sociais na sociedade e tamb\u00e9m na pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o entre o oper\u00e1rio e os meios de produ\u00e7\u00e3o. Na socializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o os trabalhadores que tem -diretamente -o controle (e administra\u00e7\u00e3o) dos meios de produ\u00e7\u00e3o ao passo que em uma economia estatizada o Estado \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o entre o trabalhador e o meio de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, o Estado atua como um administrador.<\/p>\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor express\u00e3o da democracia oper\u00e1ria e do poder oper\u00e1rio porque se acabam as media\u00e7\u00f5es entre o trabalhador, o trabalho e os meios de produ\u00e7\u00e3o. S\u00e3o os trabalhadores organizados como classe dirigente.<\/p>\n<p>Novas formas de explora\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o: com a manuten\u00e7\u00e3o do controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o pelo Estado este centraliza a distribui\u00e7\u00e3o da massa da mais-valia, que atende n\u00e3o os interesses da sociedade, mas da burocracia que a controla. Parte importante, que deveria voltar para a sociedade, \u00e9 destinada ao pagamento de sal\u00e1rios muito maiores para os burocratas e seus aliados (que nada produzem), aos privil\u00e9gios e bens de consumo que a maioria da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso. A apropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um elemento secund\u00e1rio porque ela estabelece rela\u00e7\u00f5es sociais caracter\u00edsticas de regimes de explora\u00e7\u00e3o uma vez que se algu\u00e9m se apropriou de algo sem trabalhar \u00e9 porque o trabalho de outro n\u00e3o \u00e9 livre de explora\u00e7\u00e3o. Em vez de adotar medidas que v\u00e3o paulatinamente acabando com o assalariamento esses Estados, pelo contr\u00e1rio, aprofundam essa rela\u00e7\u00e3o. As sociedades de transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o acabam de imediato com leis tipicamente capitalistas, como o valor e a mais valia. Por isso \u00e9 de transi\u00e7\u00e3o e por isso \u00e9 um processo. Na sua jornada de trabalho o oper\u00e1rio produz um valor excedente que fica nas m\u00e3os dos donos dos meios de produ\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que nesses Estados, e em Cuba, o sobretrabalho \u00e9 apropriado pelo Estado que \u00e9 o patr\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa caracteriza\u00e7\u00e3o de estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico \u00e9 tamb\u00e9m unilateral porque s\u00f3 leva em conta a forma jur\u00eddica da propriedade, desprezando um elemento essencial que s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o (rela\u00e7\u00e3o entre o produtor e o apropriador da riqueza) que ocorrem nessas sociedades. A defini\u00e7\u00e3o de um Estado ocorre principalmente pelas suas bases materiais e econ\u00f4micas, sobre as quais desenvolvem superestruturas pol\u00edticas e jur\u00eddicas. Assim um Estado oper\u00e1rio s\u00f3 poder\u00e1 se desenvolver quando os trabalhadores puderem exercer diretamente o poder pol\u00edtico-econ\u00f4mico estabelecendo assim uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, em que os trabalhadores s\u00e3o os &#8220;produtores organizados&#8221;, e o car\u00e1ter social e pol\u00edtico da propriedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Cuba burguesa?<\/h2>\n<p>Outra posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Cuba que consideramos equivocada (defendida pelo PSTU e a sua internacional, a LIT) \u00e9 a de que em Cuba j\u00e1 est\u00e1 em vig\u00eancia o capitalismo, ou seja, um Estado burgu\u00eas at\u00edpico que &#8220;surgiu como produto da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo em um Estado oper\u00e1rio&#8221; (marxismo vivo n\u00ba 14,pg.11). O regime \u00e9 definido como bonapartista e ditatorial, ou seja, uma ditadura burguesa. E mais: considera que Cuba est\u00e1 em um processo de recoloniza\u00e7\u00e3o encabe\u00e7ado pelo imperialismo europeu.<\/p>\n<p>As bases para a fundamenta\u00e7\u00e3o de que em Cuba j\u00e1 operou a restaura\u00e7\u00e3o s\u00e3o: o fim do monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior pelo Estado, o fim da planifica\u00e7\u00e3o (dissolu\u00e7\u00e3o da junta central de planifica\u00e7\u00e3o) e o fim da estatiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o que ocorre pela privatiza\u00e7\u00e3o controlada pelo capital do imperialismo europeu. Os fatos que apresentam resumem-se a apontar alguns setores da economia cubana (explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, min\u00e9rio de ferro e outros) s\u00e3o controlados por empresas mistas entre o Estado cubano e o capital estrangeiro).<\/p>\n<p>Se o artigo da LER leva em considera\u00e7\u00e3o s\u00f3 os dados da economia que est\u00e3o sob controle do Estado, o PSTU n\u00e3o leva em conta nem os que est\u00e3o sob controle do Estado. A omiss\u00e3o de dados nesse caso \u00e9 a \u00fanica forma de justificar sua posi\u00e7\u00e3o de que Cuba \u00e9 capitalista. Portanto, um conceito sem nenhum amparo na realidade. Nesse sentido os dados apresentados pela LER poderiam ser esclarecedores para os companheiros.<\/p>\n<p>Como dissemos anteriormente, quem controla toda a economia e a pol\u00edtica em Cuba \u00e9 uma burocracia formada pelos dirigentes do PC cubano, funcion\u00e1rios graduados do Estado, do ex\u00e9rcito e outros tantos dirigentes sindicais e de organiza\u00e7\u00f5es populares controladas pelo PC cubano. Uma burocracia que tem privil\u00e9gios, oprime e explora os trabalhadores e controla toda a economia cubana. Esse \u00e9 o poder em Cuba.<\/p>\n<p>Devemos esclarecer que n\u00e3o entendemos a burocracia como uma classe social e nem dona dos meios de produ\u00e7\u00e3o (por isso n\u00e3o \u00e9 classe social), mas t\u00e3o somente um setor ou uma casta que se apropriou do aparato estatal de Cuba e se alimenta materialmente dele. Nas palavras de Trotsky: &#8220;uma casta social privilegiada e dominante no pleno sentido desses termos&#8221;. J\u00e1 uma classe social ou tem os meios de produ\u00e7\u00e3o ou tem a mercadoria -for\u00e7a de trabalho- que faz funcionar esses meios de produ\u00e7\u00e3o e esse n\u00e3o \u00e9 o caso de Cuba, pois quem \u00e9 dono dos meios de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 o Estado.<\/p>\n<p>A burguesia \u00e9 uma classe social &#8220;concreta&#8221;, formada por homens e mulheres que s\u00e3o donos ou donas dos meios de produ\u00e7\u00e3o e para dizer que um Estado \u00e9 burgu\u00eas tamb\u00e9m \u00e9 preciso apontar que papel a burguesia cumpre nas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. No Brasil podemos apontar Set\u00fabal, Antonio Erm\u00edrio; nos Estados Unidos os Rockfeller. E em Cuba que burgu\u00eas o PSTU apresenta?<\/p>\n<p>Os acordos (que resultam nas empresas de economia mista) que a burocracia tem com o imperialismo -seja estadunidense ou europeu- n\u00e3o alteram o car\u00e1ter do Estado, que continua sendo dominado pela burocracia, ainda que a din\u00e2mica aponta para o processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista. Mas isso ainda n\u00e3o se efetivou porque a burguesia nem tem o controle da economia e nem o controle direto do poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Para o PSTU \u00e9 secund\u00e1rio o fato de que em Cuba n\u00e3o haja burgu\u00eas, pois para eles &#8220;a economia funciona segundo as leis capitalistas de mercado&#8221;(Correio Internacional 157). Absurda tal afirma\u00e7\u00e3o, porque esse nunca foi o crit\u00e9rio para definir um Estado como capitalista ou oper\u00e1rio e depois porque n\u00e3o se encontra em nenhum lugar dos cl\u00e1ssicos que com a revolu\u00e7\u00e3o se acaba com as leis de mercado, pois o per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o para o capitalismo \u00e9 exatamente para que se acabe com os resqu\u00edcios da l\u00f3gica capitalista. Se fossem coerentes, ent\u00e3o todos os Estados p\u00f3s revolu\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX seriam capitalistas (R\u00fassia, China, etc). As &#8220;leis capitalistas&#8221; s\u00f3 acabar\u00e3o definitivamente com o comunismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Que \u00e9 cuba?<\/h2>\n<p>As posi\u00e7\u00f5es contra as quais debatemos tem em comum o fato de verem as coisas sob a \u00f3tica da l\u00f3gica formal, de modo que ou o Estado \u00e9 oper\u00e1rio (deformado) ou \u00e9 burgu\u00eas. Posi\u00e7\u00f5es simplistas e mec\u00e2nicas que n\u00e3o atentam para a complexidade que significou o surgimento da burocracia nos processos revolucion\u00e1rios e sobretudo o seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Todos tem acordo em que a revolu\u00e7\u00e3o cubana realizou tarefas importantes no marco da independ\u00eancia nacional, inclusive indo al\u00e9m (contra a vontade da burocracia) e expropriando a burguesia, que logo se refugiou em Miami. As diferen\u00e7as come\u00e7am quando damos movimento aos conceitos, pois, para n\u00f3s, a revolu\u00e7\u00e3o cubana n\u00e3o significou que o poder fosse para as m\u00e3os da classe oper\u00e1ria, pelo contr\u00e1rio, a classe oper\u00e1ria permaneceu alijada do poder. A aus\u00eancia da burguesia, a classe oper\u00e1ria sem o poder, os meios de produ\u00e7\u00e3o sob controle do Estado e o controle da burocracia sobre este nos colocam um novo fen\u00f4meno, o qual que precisamos analisar sob a luz do marxismo, que de pronto rejeita os esquemas. Uma nova realidade deve tamb\u00e9m ser encarada como uma nova perspectiva.<\/p>\n<p>Assim, o estado cubano n\u00e3o \u00e9 nem oper\u00e1rio (deformado ou n\u00e3o) e muito menos j\u00e1 avan\u00e7ou para ser capitalista. Caracterizamos o Estado cubano como burocr\u00e1tico, n\u00e3o capitalista. N\u00e3o capitalista porque os meios de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o sob controle burgu\u00eas. Burocr\u00e1tico porque os meios de produ\u00e7\u00e3o est\u00e3o sob controle estatal e o dom\u00ednio do Estado est\u00e1 nas m\u00e3os de uma burocracia que nasceu junto com a revolu\u00e7\u00e3o. &#8220;&#8230;o fato mesmo de que se tenha se apropriado do poder em um pa\u00eds onde os meios de produ\u00e7\u00e3o mais importantes pertencem ao Estado, cria entre ela [a burocracia] e a riqueza da na\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00f5es inteiramente novas. Os meios de produ\u00e7\u00e3o pertencem ao Estado. O Estado &#8220;pertence&#8221;, de certo modo, \u00e0 burocracia&#8230;&#8221; (Revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda. Trostky ).<\/p>\n<p>N\u00e3o participamos da concep\u00e7\u00e3o de que a burocracia seja uma nova classe, pois a burocracia n\u00e3o tem &#8220;direitos particulares em mat\u00e9ria de propriedade (&#8230;) os privil\u00e9gios da burocracia s\u00e3o abusos. (&#8230;) sua apropria\u00e7\u00e3o de uma parte imensa da renda nacional \u00e9 um fato de parasitismo social&#8221; (Revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda. Trostky ). O fato de que a burocracia n\u00e3o seja uma classe social n\u00e3o quer dizer, pelo contr\u00e1rio, que ela n\u00e3o realize apropria\u00e7\u00e3o da mais valia produzida pelos trabalhadores cubanos. O controle da pol\u00edtica e do Estado, por ser dono dos principais meios de produ\u00e7\u00e3o, lhe d\u00e1 a prerrogativa de centralizar a mais valia e distribu\u00ed-la de acordo com os interesses da burocracia dirigente.<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o da mais valia pelo Estado \u00e9 o que determina as rela\u00e7\u00f5es sociais na sociedade cubana e constitue rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o que oprimem e exploram os trabalhadores cubanos. Essa base que sustenta a burocracia \u00e9 a mesma que empurra Cuba para a restaura\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>As consequ\u00eancias das caracteriza\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>De toda caracteriza\u00e7\u00e3o deriva uma pol\u00edtica. No caso daqueles que consideram que Cuba \u00e9 um Estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico a pol\u00edtica \u00e9 voltada para modificar a rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que existe no interior do Estado. Por isso formulam um programa que ataca (corretamente) os elementos antidemocr\u00e1ticos, com reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticos (legaliza\u00e7\u00e3o dos partidos de esquerda, por exemplo) combinada com outras que interrompam o curso restauracionista. S\u00e3o reivindica\u00e7\u00f5es corretas, mas se colocam nos limites do regime econ\u00f4mico comandado pela burocracia. Trata-se de &#8220;reformas&#8221; que n\u00e3o questionam a explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o levada adiante pela burocracia, pois, segundo a LER, em um &#8220;Estado oper\u00e1rio&#8221; n\u00e3o h\u00e1 explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como o PSTU caracteriza o Estado como burgu\u00eas e o regime como ditatorial o centro da pol\u00edtica s\u00e3o as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas (burguesas) contra a ditadura cubana: &#8220;Por isso reivindicamos amplas liberdades democr\u00e1ticas, inclusive para os opositores burgueses e pequeno-burgueses&#8221; (CI157). Essa pol\u00edtica \u00e9 na pr\u00e1tica estar ao lado dos gusanos e todo tipo de burgu\u00eas que defenda &#8220;liberdades democr\u00e1ticas&#8221; para Cuba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>O que defender?<\/h2>\n<p>As conquistas da revolu\u00e7\u00e3o de 59 est\u00e3o se perdendo e por conseq\u00fc\u00eancia da pol\u00edtica da burocracia &#8211; e com esta continuando no poder &#8211; logo n\u00e3o existir\u00e3o mais nenhuma delas. A burocracia \u00e9 o grande perigo para essas conquistas.<\/p>\n<p>As recentes medidas de abertura do mercado para empresas estrangeiras indicam que a burocracia caminha em dire\u00e7\u00e3o a restaura\u00e7\u00e3o capitalista na ilha, mas o faz controladamente de maneira que n\u00e3o perca o controle do processo. A d\u00favida \u00e9 se os privil\u00e9gios e os altos sal\u00e1rios da burocracia -principalmente a ala militar- conseguem acumular a ponto de que ela mesma se torne os &#8220;novos burgueses&#8221; ou se vai prevalecer a restaura\u00e7\u00e3o com a recondu\u00e7\u00e3o dos gusanos (burguesia cubana que vive em Miami) ao poder e controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o..<\/p>\n<p>Assim, pensamos que \u00e9 necess\u00e1rio um programa que responda tanto no aspecto econ\u00f4mico com reivindica\u00e7\u00f5es que acabem com a explora\u00e7\u00e3o que a burocracia imp\u00f5e aos trabalhadores e nos casos em que h\u00e1 qualquer tipo de administra\u00e7\u00e3o privada essas empresas devem ser expropriadas; como no pol\u00edtico com reivindica\u00e7\u00f5es que garantam o poder aos trabalhadores. Nesse sentido \u00e9 fundamental que prevale\u00e7a a independ\u00eancia de classe, trabalhando na perspectiva de que os trabalhadores se coloquem como sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o. Lutar contra a burocracia cubana, mas com uma posi\u00e7\u00e3o de classe.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do PSTU n\u00e3o apoiamos a atual dissid\u00eancia cubana porque ela defende a mesma pol\u00edtica do imperialismo tanto estadunidense como europeu. N\u00e3o acreditamos que seja poss\u00edvel qualquer tipo de alian\u00e7a com os gusanos assassinos porque seria a mesma coisa que fazer unidade de a\u00e7\u00e3o com o imperialismo, como \u00e9, na pr\u00e1tica a pol\u00edtica do PSTU. As &#8220;damas de branco&#8221; s\u00e3o na pr\u00e1tica uma organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3-imperialista. A nossa solidariedade \u00e9 aos trabalhadores cubanos que lutam por liberdades democr\u00e1ticas n\u00e3o para que se restaure o capitalismo, mas para recuperar as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o de 1959 que a burocracia est\u00e1 atacando.<\/p>\n<p>Por fim \u00e9 importante destacar que diante de qualquer ataque do imperialismo aos trabalhadores e povo cubano nos colocamos incondicionalmente ao lado dos trabalhadores cubanos contra o imperialismo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h1>Futebol e mais-valia<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"node-243\">\n<h2>O futebol como neg\u00f3cio e ideologia<\/h2>\n<p>Estamos em ano de Copa do Mundo e a m\u00eddia burguesa j\u00e1 retrata o maior acontecimento do futebol como um espa\u00e7o em que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as raciais (em se tratando de \u00c1frica do Sul chega a ser um desrespeito), sociais e de classes. \u00c9 o mesmo discurso de sempre. Mas, uma an\u00e1lise marxista n\u00e3o pode cair nesse discurso porque a Copa o Mundo, longe de ser um evento de esportividade, se insere na l\u00f3gica do capital, ou seja, do lucro. Futebol n\u00e3o \u00e9 mais paix\u00e3o, \u00e9 neg\u00f3cio, o que se expressa na id\u00e9ia de que um clube, para se vitorioso, tem que ser empresa.<\/p>\n<p>Em um evento de tamanha envergadura, o montante de dinheiro em circula\u00e7\u00e3o \u00e9 vultuoso. A FIFA ter\u00e1 um renda de U$$ 3,5 bilh\u00f5es no per\u00edodo de 2011-2014 s\u00f3 com a organiza\u00e7\u00e3o da Copa no Brasil. Para ajudar, a FIFA e a rede de TV que ter\u00e1 os direitos de transmiss\u00e3o ter\u00e3o isen\u00e7\u00e3o fiscal do Governo Federal. Mais dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Se os jogadores sequer se identificam com o pa\u00eds que juram amar, as empresas que &#8220;vivem de futebol&#8221; se identificam financeiramente muito bem com o futebol (e com outros esportes tamb\u00e9m). A regi\u00e3o de Sialkot (fronteira do Paquist\u00e3o com a India) \u00e9 o local onde se produzem 40 milh\u00f5es de bolas (costuradas manualmente) todos os anos (em ano de Copa do Mundo esse n\u00famero sobe 50%) abastecendo parte importante do mercado mundial. Para se ter uma id\u00e9ia do n\u00edvel de extra\u00e7\u00e3o de mais valia, cada trabalhador recebe entre U$$ 0,60 e U$$ 0,75 (Estad\u00e3o de 21\/04\/2010) por bola costurada, e em um dia de 8 horas de jornada de trabalho costura-se no m\u00e1ximo seis bolas, com um sal\u00e1rio mensal de aproximadamente R$ 205,00. Considerando que cada bola \u00e9 vendida no mercado europeu por R$ 260,00 podemos fazer rapidamente as contas do tamanho da explora\u00e7\u00e3o: uma \u00fanica bola vendida paga com sobras o sal\u00e1rio de um m\u00eas de um oper\u00e1rio paquistan\u00eas. Isso que \u00e9 mais valia!<\/p>\n<p>Como se v\u00ea por esse exemplo, tanto dinheiro na FIFA tem origem: a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, pois \u00e9 desse lucro exorbitante que empresas como a Adidas (que \u00e9 fabricante oficial de bolas para as Copas desde 1970) tiram dinheiro para o pagamento dos patroc\u00ednios, propaganda, etc. O capital j\u00e1 tomou conta de todos os eventos esportivos, descaracterizando-os completamente. Se as pessoas querem que seu pa\u00eds seja o campe\u00e3o, para o capital o que determina se esse evento teve sucesso ou n\u00e3o \u00e9 o tamanho da lucratividade. O esporte preferido do capital \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Copa 2010: torcer ou n\u00e3o torcer, eis a quest\u00e3o&#8230;<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"><i>&#8220;Enquanto houver burguesia, n\u00e3o vai haver poesia&#8221;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Cazuza <em>in<\/em> &#8220;Burguesia&#8221;<\/p>\n<p>O futebol moderno surgiu nas escolas p\u00fablicas brit\u00e2nicas em meados do s\u00e9culo XIX e se popularizou no fim do s\u00e9culo entre os oper\u00e1rios. Enquanto a burguesia cultivava passatempos car\u00edssimos como ca\u00e7a \u00e0 raposa, golfe, iatismo ou alpinismo, o povo jogava e torcia pelo futebol. Marinheiros e oper\u00e1rios brit\u00e2nicos levaram o futebol ao mundo inteiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XX e o tornaram o esporte mais popular em quase todo o planeta, com raras exce\u00e7\u00f5es, como os Estados Unidos. O futebol \u00e9 o esporte mais democr\u00e1tico do mundo por ser um jogo simples, din\u00e2mico, pl\u00e1stico, e tamb\u00e9m por n\u00e3o requerer equipamentos nem qualidades f\u00edsicas excepcionais e poder ser praticado em qualquer terreno.<\/p>\n<p>Como toda produ\u00e7\u00e3o humana na \u00e9poca capitalista, o futebol se converteu em mercadoria, quando os clubes se tornaram empresas que vendem o espet\u00e1culo aos seus torcedores nas arquibancadas e nas poltronas diante da TV. Empres\u00e1rios de jogadores, publicit\u00e1rios, emissoras de TV, fabricantes de materiais esportivos, cartolas de todos os calibres faturam uma fortuna que chega a 1% do PIB mundial (Estad\u00e3o, 30\/04\/2010). A FIFA, que administra esse neg\u00f3cio extremamente lucrativo, se gaba de ter mais pa\u00edses filiados do que a ONU (208). O evento m\u00e1ximo do futebol \u00e9 a Copa do Mundo da FIFA, disputada por sele\u00e7\u00f5es nacionais e n\u00e3o por clubes, o que aumenta as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da paix\u00e3o pelo jogo.<\/p>\n<p>Os governantes romanos inventaram a t\u00e9cnica de aliciar o povo com p\u00e3o e circo. Dando seq\u00fc\u00eancia a esse m\u00e9todo, os pol\u00edticos burgueses exploram a popularidade do futebol para fazer propaganda dos seus governos. Com a &#8220;squadra azzurra&#8221; bicampe\u00e3 em 1934-38, Mussolini conseguiu o que Hitler tentou com a Olimp\u00edada de Berlim em 1936, ou seja, usar o esporte para demonstrar o triunfo de seu governo. O mesmo fez a ditadura militar brasileira com a excepcional sele\u00e7\u00e3o campe\u00e3 em 1970, provavelmente o melhor time de futebol que j\u00e1 existiu. E tamb\u00e9m a ditadura argentina, que organizou a Copa de 1978 para ser vencida em casa por sua sele\u00e7\u00e3o (o tiro quase saiu pela culatra, pois as M\u00e3es da Pra\u00e7a de Maio se aproveitaram da presen\u00e7a da imprensa internacional no pa\u00eds para denunciar a desapari\u00e7\u00e3o dos seus filhos nas m\u00e3os da repress\u00e3o). Em 1990, a Alemanha reunificada fez da vit\u00f3ria na Copa o &#8220;cart\u00e3o de boas vindas&#8221; do capitalismo para a popula\u00e7\u00e3o da rec\u00e9m-anexada Alemanha Oriental.<\/p>\n<p><i>&#8220;&#8230;e quem, tendo visto a sele\u00e7\u00e3o brasileira em seus dias de gl\u00f3ria, negar\u00e1 sua pretens\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de arte?&#8221;<\/i><\/p>\n<p>Eric Hobsbawm<\/p>\n<p>&#8220;A era dos extremos&#8221;, p.197<\/p>\n<p>Quem tenta remar contra a mar\u00e9 do entusiasmo futebol\u00edstico corre o risco de sair seriamente chamuscado, como o l\u00edder da extrema-direita francesa Jean Marie Le Pen, que repudiou a sele\u00e7\u00e3o tricolor de 1998 porque n\u00e3o era francesa e sim composta por &#8220;estrangeiros&#8221; (como o argelino Zidane), e teve que engolir esse time com toda sua diversidade vencer a Copa. O exemplo de Le Pen n\u00e3o foi o \u00fanico, pois houve setores da esquerda brasileira que torceram contra a sele\u00e7\u00e3o de 1970 porque o time estava identificado com a ditadura, na sua interpreta\u00e7\u00e3o. Esse comportamento se prolonga ainda hoje em setores da esquerda, que consideram que a vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o numa Copa favorece o governante de plant\u00e3o, e portanto torcem contra.<\/p>\n<p>O argumento de que a vit\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o na Copa representa um atraso pol\u00edtico n\u00e3o se sustenta, uma vez que as derrotas da sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o fazem com que o povo avance em sua consci\u00eancia, seu grau de organiza\u00e7\u00e3o e seu desejo de derrubar o governo. Ganhar uma Copa torna o povo mais feliz, mas perder uma Copa n\u00e3o torna o povo mais revolucion\u00e1rio. Al\u00e9m disso, quando a sele\u00e7\u00e3o brasileira perde, perde para algum pa\u00eds cujo governante burgu\u00eas de plant\u00e3o tamb\u00e9m far\u00e1 propaganda da sua vit\u00f3ria, da mesma forma esp\u00faria e oportunista como qualquer pol\u00edtico brasileiro faz. Ao inv\u00e9s de torcer contra a sele\u00e7\u00e3o brasileira, a esquerda anti-futebol deveria n\u00e3o torcer para ningu\u00e9m e fazer melhor o seu trabalho.<\/p>\n<p>A dificuldade da esquerda para ganhar os trabalhadores para um programa revolucion\u00e1rio deve ser buscada em sua pr\u00f3pria incompet\u00eancia e n\u00e3o nas virtudes dos jogadores verde-amarelos. Neste ano de 2010, com um calend\u00e1rio preenchido por Copa e elei\u00e7\u00f5es, a esquerda revolucion\u00e1ria deixou de dar apoio \u00e0 principal luta da classe, que foi a greve dos professores de S\u00e3o Paulo, passou o 1\u00ba semestre inteiro preocupada com disputas de aparato e se omitiu da tarefa crucial de antecipar as campanhas salariais. Agora, com a proximidade da Copa e das elei\u00e7\u00f5es, cogita-se na possibilidade de torcer contra a sele\u00e7\u00e3o, o que acabaria de colocar a esquerda de vez contra o sentimento geral da classe.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que todo governante burgu\u00eas se aproveita dos triunfos esportivos, assim como se aproveita da descoberta do pr\u00e9-sal, ou dos resultados da economia, ou de qualquer outro acontecimento que na verdade prov\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o do trabalho, mas isso n\u00e3o quer dizer que esses feitos lhe perten\u00e7am. Pertencem aos trabalhadores, que s\u00e3o os criadores de toda a riqueza em suas m\u00faltiplas formas. Assim como qualquer realiza\u00e7\u00e3o social, o futebol n\u00e3o pertence \u00e0 burguesia e sim aos trabalhadores que o adotaram e o tornaram um esporte capaz de produzir momentos de verdadeira beleza. O futebol \u00e9 uma aut\u00eantica paix\u00e3o popular, e a esquerda n\u00e3o pode ignorar esse sentimento, ou pior, se colocar contra.<\/p>\n<p><i>&#8220;\u00c9 mais um gol brasileiro, meu povo! Encha o peito, solte o grito na garganta e confira comigo no replay!&#8221;<\/i><\/p>\n<p>S\u00edlvio Lu\u00eds<\/p>\n<p>narra\u00e7\u00e3o dos gols da sele\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O futebol \u00e9 o \u00f3pio do povo? Sim, mas assim como a religi\u00e3o na c\u00e9lebre frase de Marx, muito citada e tamb\u00e9m muito deslocada do seu contexto, o \u00f3pio n\u00e3o tem apenas um sentido negativo, j\u00e1 que tamb\u00e9m funciona como &#8220;o suspiro da criatura oprimida, o cora\u00e7\u00e3o de um mundo sem cora\u00e7\u00e3o&#8221;. O futebol, assim como a arte ou o sexo, podem ser momentos de ref\u00fagio e prazer num mundo alienado. A ruptura da aliena\u00e7\u00e3o requer uma mudan\u00e7a social global, mas enquanto se luta por essa mudan\u00e7a, a alegria n\u00e3o tem que ser banida do mundo. Lutar por uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria n\u00e3o significa cultivar permanentemente o mau humor dos militontos. Militar pela revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m significa militar pelo prazer, o que inclui a arte e tamb\u00e9m o futebol-arte.<\/p>\n<p>Decidir sobre torcer ou n\u00e3o para a sele\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do uso que os pol\u00edticos e a burguesia fazem do esporte \u00e9 menos leg\u00edtimo do que discutir se o time do t\u00e9cnico Dunga e da CBF representa ou n\u00e3o o verdadeiro futebol brasileiro. Esse futebol p\u00f4de ser encontrado no jogo Santos X Santo Andr\u00e9 pela final do campeonato paulista (e isso quem diz \u00e9 um corintiano), mas n\u00e3o ser\u00e1 praticado pelo batalh\u00e3o de trogloditas com o qual Dunga congestionou o meio de campo da sele\u00e7\u00e3o. Como todas as riquezas nacionais, o futebol tamb\u00e9m est\u00e1 sendo roubado do Brasil, uma vez que a administra\u00e7\u00e3o corrupta e reacion\u00e1ria dos clubes e da CBF tornam o futebol brasileiro incapaz de manter seus melhores jogadores no pa\u00eds. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 uma sele\u00e7\u00e3o &#8220;alien\u00edgena&#8221;, sem identidade com o pa\u00eds, sem v\u00ednculo com os torcedores\/trabalhadores, e adaptada a um tipo de jogo que privilegia o resultado em lugar do espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o convocada para a Copa de 2010 \u00e9 a consagra\u00e7\u00e3o da mediocridade em detrimento do talento, da habilidade, da imagina\u00e7\u00e3o, do improviso e da fantasia que fizeram do estilo brasileiro de jogar futebol uma manifesta\u00e7\u00e3o t\u00e3o genu\u00edna da cultura nacional quanto o samba ou a capoeira. Os negros, mulatos e pobres brasileiros em geral aprenderam a jogar futebol em campos de terra e com bolas improvisadas; essa \u00e9 a origem da t\u00e9cnica e dom\u00ednio de bola. Quando jogavam com os brancos nos clubes de elite, as faltas contra negros, mulatos e pobres n\u00e3o eram marcadas pelos \u00e1rbitros, o que os obrigava a se esquivar para n\u00e3o apanhar; essa \u00e9 a origem do drible.<\/p>\n<p>Foi com um futebol de drible e habilidade que o Brasil encantou o mundo e ganhou mais Copas do que qualquer outro pa\u00eds. E entre as sele\u00e7\u00f5es que apresentaram um futebol brilhante, mas n\u00e3o venceram Copas, como a Hungria de 1954 (os jogadores magiares abandonaram a sele\u00e7\u00e3o e o pa\u00eds depois que o stalinismo reprimiu a revolta popular anti-burocr\u00e1tica de 1956) e a Holanda de 1974 (a lend\u00e1ria &#8220;laranja mec\u00e2nica&#8221;, cujo comportamento libert\u00e1rio atraiu a simpatia mundial, jogando sem guardar posi\u00e7\u00e3o, levando as mulheres para a concentra\u00e7\u00e3o e bebendo cerveja), est\u00e1 o Brasil de 1982. Foi assistindo aquela sele\u00e7\u00e3o, aos 7 anos de idade, que este escriba se apaixonou pelo futebol e se tornou um torcedor canarinho para o resto da vida. Aquele futebol n\u00e3o existe mais, mas a paix\u00e3o permanece. Torcer pela sele\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa deixar de ser cr\u00edtico da estrutura do futebol. A esquerda muitas vezes concede apoio cr\u00edtico a determinada pol\u00edtica quando isso favorece o di\u00e1logo com a classe, e aqui declaro a minha torcida cr\u00edtica pela sele\u00e7\u00e3o brasileira. Em 2010, estarei tamb\u00e9m torcendo pela sele\u00e7\u00e3o, contra Dunga, contra a CBF e contra a burguesia, e ao lado dos trabalhadores.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=241#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\n\t<img decoding=\"async\" align=\"left\/\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/jornal_37.jpg\" style=\"width: 400px; height: 412px;\" \/> Neste jornal h&aacute; alguns artigos abordando a quest&atilde;o do CONCLAT, o Congresso da Classe Trabalhadora, ocorrido entre 5 e 6 de junho. Al&eacute;m dessa abordagem, inclu&iacute;mos neste n&uacute;mero um artigo sobre os limites da discuss&atilde;o LGBT na esquerda, sobre a Copa do Mundo, um artigo sobre educa&ccedil;&atilde;o e um artigo polemizando com as posi&ccedil;&otilde;es da esquerda sobre Cuba.<\/p>\n<p>\n\tPara ler as mat&eacute;rias, por favor, clique nos links abaixo ou baixe o jornal em PDF, clicando <a href=\"http:\/\/www.espacosocialista.org\/sites\/default\/files\/jornal_37.pdf\">aqui<\/a> (472.21 kB).<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=241"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6441,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241\/revisions\/6441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}