{"id":242,"date":"2010-06-17T10:52:26","date_gmt":"2010-06-17T10:52:26","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/242"},"modified":"2018-05-05T17:29:20","modified_gmt":"2018-05-05T20:29:20","slug":"construir-um-novo-sindicalismo-para-os-desafios-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/06\/construir-um-novo-sindicalismo-para-os-desafios-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Construir um Novo Sindicalismo Para os Desafios do S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Os sindicatos trabalham bem como centro de resist\u00eancia contra as usurpa\u00e7\u00f5es do capital. Falham em alguns casos, por usar pouco inteligentemente a sua for\u00e7a. Mas, s\u00e3o deficientes, de modo geral, por se limitarem a uma luta de guerrilhas contra os efeitos do sistema existente, em lugar de ao mesmo tempo se esfor\u00e7arem para mud\u00e1-lo, em lugar de empregarem suas for\u00e7as organizadas como alavanca para a emancipa\u00e7\u00e3o final da classe oper\u00e1ria, isto \u00e9, para a aboli\u00e7\u00e3o definitiva do sistema de trabalho assalariado.&#8221; (MARX, Karl. Sal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro. 1865).<\/p>\n<p>Como vemos, j\u00e1 em 1865, quando o capitalismo estava ainda em ascend\u00eancia e podia conceder algumas melhorias no n\u00edvel de vida dos trabalhadores sem comprometer sua exist\u00eancia como sistema, Marx j\u00e1 alertava para a unilateralidade da atua\u00e7\u00e3o sindical imediatista, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de que os sindicatos se convertessem em instrumentos da luta dos trabalhadores, no sentido da &#8220;aboli\u00e7\u00e3o definitiva do sistema de trabalho assalariado&#8221;.<\/p>\n<p>Aqui, embora Marx n\u00e3o se refira ao papel dos partidos pol\u00edticos, este fica evidenciado a partir da necessidade de lutar para que os sindicatos cumpram justamente esse papel mais amplo, contra as correntes reformistas que lutam para que os sindicatos fiquem restritos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o mais ou menos vantajosa dentro do horizonte do capital.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o \u00e9 fundamental, pois mesmo alguns setores de esquerda que hoje buscam construir uma Nova Central a partir do CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) defendem e praticam um sindicalismo que, embora seja de luta, se mostra limitado aos aspectos imediatos, econ\u00f4micos e corporativos da luta de classes. A maioria da esquerda segue desempenhando o que Marx chamou de &#8220;uma luta de guerrilhas contra os efeitos do sistema existente&#8221;, deixando de lado por\u00e9m o combate ao pr\u00f3prio sistema, sua l\u00f3gica e sua ideologia, n\u00e3o contribuindo assim para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Mesmo quando em seus discursos afirmam o contr\u00e1rio, sua pr\u00e1tica os desmente.<\/p>\n<p>Quando analisamos a pr\u00e1tica das principais correntes nos sindicatos e demais entidades que dirigem &#8211; PSTU, que dirige a CONLUTAS; e PSOL, que dirige a INTERSINDICAL &#8211; salta aos olhos a defasagem do trabalho pol\u00edtico e ideol\u00f3gico junto aos trabalhadores. Constata-se o fato de que, mesmo na base dos sindicatos dirigidos por essas correntes, a disputa pol\u00edtica e ideol\u00f3gica da consci\u00eancia dos trabalhadores \u00e9 muito fr\u00e1gil e a organiza\u00e7\u00e3o de base, a forma\u00e7\u00e3o da vanguarda s\u00e3o tarefas geralmente desprezadas, em nome da agita\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea adaptada aos interesses imediatistas, economicistas, corporativistas.<\/p>\n<h2>Superar a r\u00edgida separa\u00e7\u00e3o entre lutas sindicais e lutas pol\u00edticas<\/h2>\n<p>De acordo com essa concep\u00e7\u00e3o de sindicalismo que consideramos limitada, aos sindicatos cabem as lutas imediatas, enquanto, no outro extremo, ao partido cabe a luta pelas quest\u00f5es que dizem respeito aos interesses hist\u00f3ricos dos trabalhadores e \u00e0 luta pelo poder. Essa concep\u00e7\u00e3o leva a uma redu\u00e7\u00e3o do papel e das tarefas que os sindicatos devem cumprir nos dias atuais, e que s\u00e3o ainda mais necess\u00e1rios que na \u00e9poca de Marx.<\/p>\n<p>Em sua crise estrutural, e para justificar sua ofensiva sobre os trabalhadores, o capital precisa aparecer como a \u00fanica alternativa de sociedade poss\u00edvel, apresentando os interesses de sua reprodu\u00e7\u00e3o baseada na lucratividade como os interesses maiores que devem ser preservados a fim de que se mantenha a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 um fato que h\u00e1 uma enorme crise da alternativa socialista, \u00e0 medida que a queda dos regimes do Leste Europeu foi erradamente apresentada, e infelizmente apreendida por amplos setores de massas e da vanguarda como a queda do projeto socialista e idealiza\u00e7\u00e3o do capitalismo como a \u00fanica sociedade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Para complicar as coisas, a maioria das correntes que no passado defendiam um projeto socialista como alternativa ao capital passaram, a partir dos anos 90, a defender o capital como horizonte insuper\u00e1vel &#8211; como \u00e9 o caso do PT da CUT.<\/p>\n<p>A crise estrutural do capital tem eclos\u00f5es cada vez mais graves de tempos em tempos, com destaque para o momento atual iniciado no final de 2007, e que traz dificuldades ainda maiores de que o capital possa fazer concess\u00f5es significativas aos trabalhadores, pois encontra-se diante justamente da necessidade de recuperar, ou ao menos impedir que sua taxa de lucro caia ainda mais. Dessa forma, \u00e9 vis\u00edvel em todos os pa\u00edses, mesmo nas economias centrais, o n\u00edvel de endurecimento e de ataques da patronal sobre os trabalhadores, que faz com que cada luta, por menor que seja, torne-se uma luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, pois o sistema logo mobiliza o conjunto de suas institui\u00e7\u00f5es e for\u00e7as &#8211; econ\u00f4micas, pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e militares &#8211; no sentido de derrotar qualquer luta e, dessa forma, conter a insubordina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, a vit\u00f3ria ou derrota at\u00e9 mesmo das lutas mais imediatas est\u00e1 na depend\u00eancia de que consigam transpor a barreira dos interesses imediatos, econ\u00f4micos e corporativos, sob pena de ca\u00edrem no isolamento e serem derrotadas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que as lutas espec\u00edficas superem essa condi\u00e7\u00e3o, apresentando-se para o conjunto dos trabalhadores como lutas maiores, reclamando solu\u00e7\u00f5es mais estruturais para os problemas colocados, solu\u00e7\u00f5es estas que apontem para a necess\u00e1ria ruptura com a l\u00f3gica do lucro e do mercado, ou seja, necessitamos que as lutas imediatas d\u00eaem um salto no sentido de sua supera\u00e7\u00e3o para uma condi\u00e7\u00e3o de lutas pol\u00edticas conscientes e conseq\u00fcentes.<\/p>\n<p>A partir dessa nova realidade e novos desafios, est\u00e1 totalmente questionado o modelo de atua\u00e7\u00e3o sindical limitado que predomina mesmo na esquerda. \u00c9 preciso que os sindicatos incorporem cada vez mais os pap\u00e9is pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos que muitas correntes dizem ser apenas dos partidos, sob pena de que as lutas dos trabalhadores fiquem desarmadas em termos de rumos a seguir e em termos de evitar as armadilhas que o capitalismo cria no sentido de impedi-las, desvi\u00e1-las, derrot\u00e1-las. Assim, a separa\u00e7\u00e3o estanque entre luta sindical e luta pol\u00edtica torna-se absolutamente ultrapassada e prejudicial aos combates dos trabalhadores. Todo o tempo que se leve para a supera\u00e7\u00e3o desse problema estrutural significar\u00e1 mais derrotas e atraso na consci\u00eancia dos trabalhadores.<\/p>\n<h2>Concep\u00e7\u00e3o Sindical Imediatista e Corporativista s\u00f3 conduz a derrotas<\/h2>\n<p>\u00c9 justamente nos momentos de agravamento da crise estrutural do capitalismo que os limites do sindicalismo imediatista, economicista e corporativista se fazem notar mais claramente. Isso porque s\u00e3o nesses momentos que a burguesia lan\u00e7a m\u00e3o de toda sua carga ideol\u00f3gica, pol\u00edtica, jur\u00eddica contra os trabalhadores, no sentido de os fazer aceitar os sacrif\u00edcios necess\u00e1rios para que o capital continue existindo.<\/p>\n<p>Um exemplo das consequ\u00eancias funestas dessa pr\u00e1tica limitada foi a atua\u00e7\u00e3o das correntes citadas acima quando a crise econ\u00f4mica bateu forte no Brasil, no in\u00edcio do ano passado. A patronal n\u00e3o hesitou em descarregar o peso da crise sobre os trabalhadores, demitindo milhares, cortando sal\u00e1rios e direitos. E nesse momento, os p\u00f3los de organiza\u00e7\u00e3o mais \u00e0 esquerda n\u00e3o conseguiram se apresentar com um projeto alternativo ao projeto pr\u00f3- patronal da CUT e da For\u00e7a Sindical, e o que vimos foi que cada categoria ficou lutando isolada, \u00e0 merc\u00ea de suas pr\u00f3prias for\u00e7as, sem uma campanha maior que unificasse as v\u00e1rias resist\u00eancias e que apresentasse um projeto alternativo ao da patronal e das burocracias sindicais.<\/p>\n<p>No caso dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9, o lema &#8220;demitiu, parou&#8221; mostrou- se totalmente insuficiente, ao ser meramente reativo, pois n\u00e3o se antecipava ao problema, deixando de disputar ideologicamente e politicamente a consci\u00eancia dos trabalhadores com a empresa e o governo, nem apontar uma sa\u00edda mais estrutural para a crise.<\/p>\n<p>No momento crucial da curta exist\u00eancia da CONLUTAS, que foi o enfrentamento aos ataques advindos a partir da crise em 2009, infelizmente temos que reconhecer que a resposta n\u00e3o esteve \u00e0 altura das possibilidades, mostrando a fal\u00eancia do sindicalismo imediatista e corporativista. Era preciso realizar uma campanha nacional, que tivesse o envolvimento do conjunto dos sindicatos dirigidos pela esquerda, no sentido de fazer frente \u00e0s demiss\u00f5es, pois elas tinham um car\u00e1ter muito mais amplo do que o que era visto. Ao isso n\u00e3o ser feito, e ao n\u00e3o ter havido uma atua\u00e7\u00e3o mais qualificada anteriormente &#8211; em todos os mais de 20 anos em que o sindicato foi dirigido com acompanhamento direto da dire\u00e7\u00e3o nacional do PSTU, e que tem prioridade da CONLUTAS -, o fato foi que os trabalhadores agiram da mesma forma que em outros locais cujas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de luta.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades provocadas pela falta desse trabalho mais ideol\u00f3gico e pol\u00edtico, a orienta\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da CONLUTAS (PSTU) foi de se juntar \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical, buscando uma &#8220;unidade&#8221;&#8230; e ent\u00e3o vimos as cenas deprimentes em que Z\u00e9 Maria saiu de bra\u00e7os dados com o Paulinho da For\u00e7a em uma unidade artificial&#8230;<\/p>\n<p>Portanto, a necessidade que se apresenta \u00e9 a de se criar uma nova concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o sindical, e n\u00e3o apenas uma Nova Central com a mesma concep\u00e7\u00e3o que rege a CONLUTAS e a INTERSINDICAL, embora saudemos o quanto progressivo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o dessa central para os trabalhadores. \u00c9 preciso um novo sindicalismo que ao mesmo tempo defenda as quest\u00f5es imediatas e, de forma combinada, aponte os caminhos e propostas no sentido da supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Assim, tudo aquilo que contribua para a constru\u00e7\u00e3o da subjetividade dos trabalhadores e de sua consci\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica deve ser impulsionado.<\/p>\n<p>Abrir m\u00e3o da disputa de consci\u00eancia dos trabalhadores significa deixar para a burguesia o dom\u00ednio que ela j\u00e1 possui no campo das id\u00e9ias.<\/p>\n<h2>Partidos e Organiza\u00e7\u00f5es para Impulsionar o movimento, n\u00e3o para substitu\u00ed-lo!<\/h2>\n<p>Isso significa, portanto, o fim dos partidos e das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas? De forma alguma! A tarefa de elaborar e propor programas, estrat\u00e9gias e pol\u00edticas para as lutas e para os sindicatos a partir de posi\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas e estrat\u00e9gicas mais definidas em base a uma compreens\u00e3o cient\u00edfica da realidade, bem como a preocupa\u00e7\u00e3o em apontar a necessidade de que os trabalhadores venham a assumir o controle geral da sociedade rumo ao socialismo, continua sendo papel insubstitu\u00edvel dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, at\u00e9 mesmo porque no interior dos sindicatos e no interior das categorias ocorrem disputas, seja contra as concep\u00e7\u00f5es de direita, como contra as de esquerda equivocadas.<\/p>\n<p>Assim, a supera\u00e7\u00e3o da atividade sindical estreita n\u00e3o significa nenhuma redu\u00e7\u00e3o do papel dos partidos\/organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Aos partidos cabe a elabora\u00e7\u00e3o mais estrutural, tanto no tempo como no alcance da totalidade da realidade da luta de classes. Seu papel pol\u00edtico \u00e9 fundamental, intervindo n\u00e3o apenas no interior dessas organiza\u00e7\u00f5es como na rela\u00e7\u00e3o direta com a classe trabalhadora. Portanto, n\u00e3o se trata da redu\u00e7\u00e3o do papel dos partidos e sim da amplia\u00e7\u00e3o do papel dos sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es dirigidos pela esquerda. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de borrar as fronteiras entre as prerrogativas dos partidos e dos organismos de luta da classe. Os partidos devem levar sua contribui\u00e7\u00e3o aos organismos de luta, o que \u00e9 radicalmente diferente da pr\u00e1tica de aparelhar as entidades e us\u00e1-las como correia de transmiss\u00e3o das propostas de uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o. Os organismos da classe precisam ter sua autonomia decis\u00f3ria preservada, tirando suas delibera\u00e7\u00f5es em suas pr\u00f3prias inst\u00e2ncias, que devem respeitar as propostas de todas as organiza\u00e7\u00f5es que colaboram na constru\u00e7\u00e3o do movimento e tamb\u00e9m de trabalhadores n\u00e3o vinculados a nenhum partido.<\/p>\n<p>Os trabalhadores devem exercitar em suas lutas e organiza\u00e7\u00f5es os elementos fundamentais de sua forma de poder coletiva futura, exercendo a democracia oper\u00e1ria nas condi\u00e7\u00f5es concretas das lutas existentes, a fim de que se preparem para exerc\u00ea-las em condi\u00e7\u00f5es muito mais duras em um processo revolucion\u00e1rio. Ao mesmo tempo, precisam testar seus dirigentes, mant\u00ea-los, revog\u00e1-los, bem como testar e problematizar as t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias mais bem sucedidas no calor das pr\u00f3prias lutas. Trata-se afinal de lutar pela reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade da classe.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora n\u00e3o ter conseguido manter coletivamente seu poder demonstrou-se o principal fator que possibilitou os processos de burocratiza\u00e7\u00e3o que destru\u00edram a possibilidade de que os estados do Leste Europeu &#8211; a R\u00fassia em primeiro lugar -, pudessem se manter como estados oper\u00e1rios e refer\u00eancia para os trabalhadores do mundo, burocratizando-se e tornando-se regimes avessos ao avan\u00e7o da luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>Outros elementos fundamentais da reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade dos<br \/>\ntrabalhadores, melhor desenvolvidos em nossa Tese para o CONCLAT e em Nosso<br \/>\nPerfil Program\u00e1tico (ambos presentes em nosso site<br \/>\n(www.espacosocialista.org) s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Independ\u00eancia frente ao poder de Estado;<\/li>\n<li>Luta &#8211; atrav\u00e9s de medidas concretas e n\u00e3o apenas discursos &#8211; contra a burocratiza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Luta contra a opress\u00e3o do capital como totalidade, o que envolve as m\u00faltiplas quest\u00f5es como ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade, ambiente, cultura, etc, sempre combinados \u00e0 perspectiva do trabalho;<\/li>\n<li>Forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e cultural dos trabalhadores e da vanguarda;<\/li>\n<li>Rela\u00e7\u00e3o de autonomia entre os partidos pol\u00edticos e as entidades de luta, sejam sindicais, de juventude, de opress\u00e3o, etc, no sentido de combater o aparelhamento das entidades pelos partidos pol\u00edticos, com o respeito e a preserva\u00e7\u00e3o dos f\u00f3runs coletivos de decis\u00f5es; o papel das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias \u00e9 de impulsionar o movimento e n\u00e3o se colocar acima dele, nem de aparelh\u00e1-lo.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os sindicatos trabalham bem como  centro  de  resist\u00eancia  contra  as usurpa\u00e7\u00f5es  do  capital.  Falham   em   alguns   casos,   por   usar   pouco inteligentemente a sua for\u00e7a. Mas, s\u00e3o deficientes, de modo  geral,  por  se limitarem a uma luta de guerrilhas contra os efeitos do  sistema  existente, em lugar de  ao  mesmo  tempo  se  esfor\u00e7arem  para  mud\u00e1-lo,  em  lugar  de empregarem suas for\u00e7as organizadas como alavanca para  a  emancipa\u00e7\u00e3o  final da classe oper\u00e1ria, isto  \u00e9,  para  a  aboli\u00e7\u00e3o  definitiva  do  sistema  de trabalho assalariado.&#8221; (MARX, Karl. Sal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro. 1865).<\/p>\n<p>Como  vemos,  j\u00e1  em  1865,  quando  o  capitalismo  estava  ainda  em ascend\u00eancia e  podia  conceder  algumas  melhorias  no  n\u00edvel  de  vida  dos trabalhadores sem comprometer sua exist\u00eancia como sistema, Marx j\u00e1  alertava para a unilateralidade da atua\u00e7\u00e3o sindical imediatista, chamando  a  aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de que os sindicatos se convertessem em  instrumentos  da luta dos trabalhadores, no sentido da &#8220;aboli\u00e7\u00e3o  definitiva  do  sistema  de trabalho assalariado&#8221;.<\/p>\n<p>Aqui, embora Marx n\u00e3o se refira ao papel dos partidos pol\u00edticos,  este fica evidenciado a partir da necessidade de lutar  para  que  os  sindicatos cumpram justamente esse papel mais amplo, contra  as  correntes  reformistas que lutam para que os sindicatos  fiquem  restritos  \u00e0  negocia\u00e7\u00e3o  mais  ou menos vantajosa dentro do horizonte do capital.<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o \u00e9 fundamental, pois mesmo alguns  setores  de  esquerda que hoje buscam construir uma Nova Central a partir  do  CONCLAT  (Congresso da Classe Trabalhadora) defendem e  praticam  um  sindicalismo  que,  embora seja de luta, se  mostra  limitado  aos  aspectos  imediatos,  econ\u00f4micos  e corporativos da luta de classes. A maioria da esquerda  segue  desempenhando o que Marx chamou de &#8220;uma luta de guerrilhas contra os  efeitos  do  sistema existente&#8221;, deixando de lado por\u00e9m o combate ao pr\u00f3prio sistema, sua  l\u00f3gica e sua ideologia,  n\u00e3o  contribuindo  assim  para  a  eleva\u00e7\u00e3o  do  n\u00edvel  de consci\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Mesmo quando em seus  discursos afirmam o contr\u00e1rio, sua pr\u00e1tica os desmente.<\/p>\n<p>Quando analisamos a pr\u00e1tica das principais correntes nos sindicatos  e demais entidades que dirigem &#8211; PSTU, que dirige  a  CONLUTAS;  e  PSOL,  que dirige a INTERSINDICAL &#8211; salta aos olhos a defasagem do trabalho pol\u00edtico  e ideol\u00f3gico junto aos trabalhadores. Constata-se o  fato  de  que,  mesmo  na base dos sindicatos dirigidos por essas  correntes,  a  disputa  pol\u00edtica  e ideol\u00f3gica da consci\u00eancia dos trabalhadores \u00e9 muito fr\u00e1gil e  a  organiza\u00e7\u00e3o de base, a forma\u00e7\u00e3o da vanguarda  s\u00e3o  tarefas  geralmente  desprezadas,  em nome  da  agita\u00e7\u00e3o  moment\u00e2nea   adaptada   aos   interesses   imediatistas, economicistas,  corporativistas.  <\/p>\n<h2>Superar a r\u00edgida separa\u00e7\u00e3o entre lutas sindicais e lutas pol\u00edticas<\/h2>\n<p>De  acordo  com  essa  concep\u00e7\u00e3o  de  sindicalismo  que  consideramos limitada, aos sindicatos  cabem  as  lutas  imediatas,  enquanto,  no  outro extremo, ao partido cabe a  luta  pelas  quest\u00f5es  que  dizem  respeito  aos interesses hist\u00f3ricos dos trabalhadores e \u00e0 luta pelo poder. Essa  concep\u00e7\u00e3o leva a uma redu\u00e7\u00e3o do papel e das tarefas que os  sindicatos  devem  cumprir nos dias atuais, e que s\u00e3o ainda mais necess\u00e1rios que na \u00e9poca de Marx.<\/p>\n<p>Em sua crise estrutural, e  para  justificar  sua  ofensiva  sobre  os trabalhadores, o capital  precisa  aparecer  como  a  \u00fanica  alternativa  de sociedade poss\u00edvel, apresentando os interesses de sua reprodu\u00e7\u00e3o baseada  na lucratividade como os interesses maiores que devem ser preservados a fim  de que se mantenha a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 um fato que  h\u00e1  uma  enorme  crise  da  alternativa socialista,  \u00e0  medida  que  a  queda  dos  regimes  do  Leste  Europeu  foi erradamente apresentada, e infelizmente apreendida  por  amplos  setores  de massas e da vanguarda como a queda do projeto socialista  e  idealiza\u00e7\u00e3o  do capitalismo como a \u00fanica sociedade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Para complicar as coisas, a  maioria  das  correntes  que  no  passado defendiam um projeto socialista como  alternativa  ao  capital  passaram,  a partir dos anos 90, a defender o capital como horizonte insuper\u00e1vel  &#8211;  como \u00e9 o caso do PT  da CUT.<\/p>\n<p>A crise estrutural do capital tem eclos\u00f5es cada  vez  mais  graves  de tempos em tempos, com destaque para o momento atual  iniciado  no  final  de 2007, e que traz dificuldades ainda maiores de que  o  capital  possa  fazer concess\u00f5es  significativas  aos  trabalhadores,  pois   encontra-se   diante justamente da necessidade de recuperar, ou ao menos impedir que sua taxa  de lucro caia ainda mais. Dessa forma, \u00e9 vis\u00edvel em todos os pa\u00edses, mesmo  nas economias centrais, o n\u00edvel de endurecimento e de ataques da patronal  sobre os trabalhadores, que faz com que cada luta, por menor  que  seja,  torne-se uma luta pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, pois o sistema logo mobiliza o  conjunto  de suas institui\u00e7\u00f5es e for\u00e7as &#8211; econ\u00f4micas, pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas e  militares &#8211;  no  sentido  de  derrotar  qualquer  luta  e,  dessa  forma,   conter   a insubordina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Assim, a vit\u00f3ria ou derrota at\u00e9 mesmo das lutas  mais  imediatas  est\u00e1 na  depend\u00eancia  de  que  consigam  transpor  a  barreira   dos   interesses imediatos, econ\u00f4micos e corporativos, sob pena de  ca\u00edrem  no  isolamento  e serem derrotadas.<\/p>\n<p>\u00c9  preciso  que  as  lutas   espec\u00edficas   superem   essa   condi\u00e7\u00e3o, apresentando-se para  o  conjunto  dos  trabalhadores  como  lutas  maiores, reclamando solu\u00e7\u00f5es mais estruturais para os problemas  colocados,  solu\u00e7\u00f5es estas que apontem para a necess\u00e1ria ruptura com  a  l\u00f3gica  do  lucro  e  do mercado, ou seja, necessitamos que as lutas  imediatas  d\u00eaem   um  salto  no sentido de sua supera\u00e7\u00e3o para uma condi\u00e7\u00e3o de lutas pol\u00edticas conscientes  e conseq\u00fcentes.<\/p>\n<p>A partir dessa  nova  realidade  e  novos  desafios,  est\u00e1  totalmente questionado o modelo de atua\u00e7\u00e3o sindical limitado  que  predomina  mesmo  na esquerda. \u00c9 preciso que os sindicatos incorporem cada  vez  mais  os  pap\u00e9is pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos que muitas correntes dizem ser apenas dos  partidos, sob pena de que as lutas dos trabalhadores fiquem desarmadas  em  termos  de rumos a seguir e em termos de evitar as armadilhas que  o  capitalismo  cria no sentido  de  impedi-las,  desvi\u00e1-las,  derrot\u00e1-las.  Assim,  a  separa\u00e7\u00e3o estanque  entre  luta  sindical  e  luta  pol\u00edtica  torna-se   absolutamente ultrapassada e prejudicial aos combates dos trabalhadores. Todo o tempo  que se  leve  para  a  supera\u00e7\u00e3o  desse  problema  estrutural  significar\u00e1  mais derrotas e atraso na consci\u00eancia dos trabalhadores.  <\/p>\n<h2>Concep\u00e7\u00e3o Sindical Imediatista e Corporativista s\u00f3 conduz a derrotas<\/h2>\n<p>\u00c9 justamente nos  momentos  de  agravamento  da  crise  estrutural  do capitalismo que os  limites  do  sindicalismo  imediatista,  economicista  e corporativista se fazem  notar  mais  claramente.  Isso  porque  s\u00e3o  nesses momentos que a burguesia lan\u00e7a m\u00e3o de toda sua carga  ideol\u00f3gica,  pol\u00edtica, jur\u00eddica contra  os  trabalhadores,  no  sentido  de  os  fazer  aceitar  os sacrif\u00edcios necess\u00e1rios para que o capital continue existindo.<\/p>\n<p>Um exemplo das consequ\u00eancias funestas dessa  pr\u00e1tica  limitada  foi  a atua\u00e7\u00e3o das correntes citadas acima quando a crise econ\u00f4mica bateu forte  no Brasil, no in\u00edcio do ano passado. A patronal n\u00e3o hesitou  em  descarregar  o peso da crise sobre os trabalhadores, demitindo milhares, cortando  sal\u00e1rios e direitos. E nesse momento, os p\u00f3los de organiza\u00e7\u00e3o  mais  \u00e0  esquerda  n\u00e3o conseguiram se  apresentar  com  um  projeto  alternativo  ao  projeto  pr\u00f3- patronal da CUT e da For\u00e7a Sindical, e o que vimos foi  que  cada  categoria ficou lutando isolada, \u00e0 merc\u00ea de suas pr\u00f3prias  for\u00e7as,  sem  uma  campanha maior que unificasse as v\u00e1rias resist\u00eancias e que  apresentasse  um  projeto alternativo ao da patronal e das burocracias sindicais.<\/p>\n<p>No caso dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9, o lema &#8220;demitiu, parou&#8221; mostrou- se  totalmente  insuficiente,  ao  ser  meramente  reativo,  pois   n\u00e3o   se antecipava   ao   problema,   deixando   de   disputar   ideologicamente   e politicamente a consci\u00eancia dos trabalhadores com a  empresa  e  o  governo, nem apontar uma sa\u00edda mais estrutural para a crise.<\/p>\n<p>No momento  crucial  da  curta  exist\u00eancia  da  CONLUTAS,  que  foi  o enfrentamento aos ataques advindos a partir da crise em  2009,  infelizmente temos que reconhecer que a resposta n\u00e3o esteve \u00e0 altura das  possibilidades, mostrando a fal\u00eancia  do  sindicalismo  imediatista  e  corporativista.  Era preciso realizar uma  campanha  nacional,  que  tivesse  o  envolvimento  do conjunto dos sindicatos dirigidos pela esquerda, no sentido de fazer  frente \u00e0s demiss\u00f5es, pois elas tinham um car\u00e1ter muito mais amplo do que o que  era visto. Ao isso n\u00e3o  ser  feito,  e  ao  n\u00e3o  ter  havido  uma  atua\u00e7\u00e3o  mais qualificada anteriormente &#8211; em todos os mais de 20 anos em que  o  sindicato foi dirigido com acompanhamento direto da dire\u00e7\u00e3o nacional do  PSTU,  e  que tem prioridade da CONLUTAS -, o fato foi  que  os  trabalhadores  agiram  da mesma forma que em outros locais cujas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de luta.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades provocadas  pela  falta  desse  trabalho  mais ideol\u00f3gico e pol\u00edtico, a orienta\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da CONLUTAS (PSTU) foi de  se juntar \u00e0 CUT e \u00e0 For\u00e7a Sindical, buscando uma &#8220;unidade&#8221;&#8230;   e  ent\u00e3o  vimos as cenas deprimentes em que Z\u00e9 Maria saiu de bra\u00e7os dados com o Paulinho  da For\u00e7a em uma unidade artificial&#8230;<\/p>\n<p>Portanto, a necessidade que se apresenta \u00e9 a  de  se  criar  uma  nova concep\u00e7\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o sindical, e n\u00e3o apenas uma Nova  Central  com  a  mesma concep\u00e7\u00e3o que rege a CONLUTAS e a INTERSINDICAL, embora  saudemos  o  quanto progressivo \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o dessa central para os trabalhadores.  \u00c9  preciso  um novo sindicalismo que ao mesmo tempo defenda as  quest\u00f5es  imediatas  e,  de forma combinada,  aponte os caminhos e propostas no sentido da supera\u00e7\u00e3o  do capitalismo.<\/p>\n<p>Assim, tudo aquilo que contribua para a  constru\u00e7\u00e3o  da  subjetividade dos trabalhadores e de sua consci\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o e  organiza\u00e7\u00e3o  pol\u00edtica  e ideol\u00f3gica deve ser impulsionado.<\/p>\n<p>Abrir m\u00e3o  da  disputa  de  consci\u00eancia  dos  trabalhadores  significa deixar para a burguesia o dom\u00ednio que ela j\u00e1 possui no campo das id\u00e9ias.<\/p>\n<h2>Partidos  e  Organiza\u00e7\u00f5es  para  Impulsionar  o  movimento,  n\u00e3o para substitu\u00ed-lo!<\/h2>\n<p>Isso significa, portanto,  o  fim  dos  partidos  e  das  organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas? De forma  alguma!  A  tarefa  de  elaborar  e  propor  programas, estrat\u00e9gias e pol\u00edticas para as lutas e  para  os  sindicatos  a  partir  de posi\u00e7\u00f5es  program\u00e1ticas  e  estrat\u00e9gicas  mais  definidas  em  base  a   uma compreens\u00e3o cient\u00edfica da realidade, bem como a  preocupa\u00e7\u00e3o  em  apontar  a necessidade de que os trabalhadores venham a assumir  o  controle  geral  da sociedade rumo  ao  socialismo,  continua  sendo  papel  insubstitu\u00edvel  dos partidos e organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, at\u00e9 mesmo porque  no  interior  dos sindicatos e no interior das categorias ocorrem  disputas,  seja  contra  as concep\u00e7\u00f5es de direita, como contra as de esquerda equivocadas.<\/p>\n<p>Assim, a  supera\u00e7\u00e3o  da  atividade  sindical  estreita  n\u00e3o  significa nenhuma redu\u00e7\u00e3o do papel dos partidos\/organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Aos partidos cabe a elabora\u00e7\u00e3o mais estrutural, tanto  no  tempo  como no alcance da  totalidade  da  realidade  da  luta  de  classes.  Seu  papel pol\u00edtico  \u00e9  fundamental,  intervindo  n\u00e3o   apenas   no   interior   dessas organiza\u00e7\u00f5es como na rela\u00e7\u00e3o direta com  a  classe  trabalhadora.  Portanto, n\u00e3o se trata da redu\u00e7\u00e3o do papel dos partidos e sim da  amplia\u00e7\u00e3o  do  papel dos sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es dirigidos pela esquerda. Tamb\u00e9m n\u00e3o  se  trata de  borrar  as  fronteiras  entre  as  prerrogativas  dos  partidos  e   dos organismos de luta da classe. Os partidos devem levar sua  contribui\u00e7\u00e3o  aos organismos de luta, o que \u00e9 radicalmente diferente da pr\u00e1tica  de  aparelhar as entidades e us\u00e1-las como correia de  transmiss\u00e3o  das  propostas  de  uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o. Os  organismos  da  classe  precisam  ter  sua  autonomia decis\u00f3ria  preservada,  tirando   suas   delibera\u00e7\u00f5es   em   suas   pr\u00f3prias inst\u00e2ncias, que devem respeitar as propostas de todas  as  organiza\u00e7\u00f5es  que colaboram  na  constru\u00e7\u00e3o  do  movimento  e  tamb\u00e9m  de  trabalhadores   n\u00e3o vinculados a nenhum partido.<\/p>\n<p>Os trabalhadores devem exercitar  em  suas  lutas  e  organiza\u00e7\u00f5es  os elementos fundamentais de sua forma de poder coletiva  futura,  exercendo  a democracia oper\u00e1ria nas condi\u00e7\u00f5es concretas das lutas existentes, a  fim  de que se preparem  para  exerc\u00ea-las  em  condi\u00e7\u00f5es  muito  mais  duras  em  um processo revolucion\u00e1rio. Ao mesmo tempo, precisam  testar  seus  dirigentes, mant\u00ea-los,  revog\u00e1-los,  bem  como  testar  e  problematizar  as  t\u00e1ticas  e estrat\u00e9gias mais bem sucedidas no calor das pr\u00f3prias lutas. Trata-se  afinal de lutar pela reconstru\u00e7\u00e3o da subjetividade da classe.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora n\u00e3o  ter  conseguido  manter  coletivamente  seu poder demonstrou-se o principal  fator  que  possibilitou  os  processos  de burocratiza\u00e7\u00e3o que destru\u00edram a possibilidade de que  os  estados  do  Leste Europeu &#8211; a R\u00fassia em primeiro lugar -,  pudessem  se  manter  como  estados oper\u00e1rios e refer\u00eancia para os trabalhadores do mundo,  burocratizando-se  e tornando-se regimes avessos ao avan\u00e7o da luta pelo socialismo.<\/p>\n<p>Outros elementos fundamentais da  reconstru\u00e7\u00e3o  da  subjetividade  dos<br \/>\ntrabalhadores, melhor desenvolvidos em nossa Tese para o CONCLAT e em  Nosso<br \/>\nPerfil     Program\u00e1tico     (ambos     presentes     em      nosso      site<br \/>\n(www.espacosocialista.org) s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Independ\u00eancia frente ao poder de Estado;<\/li>\n<li>Luta &#8211; atrav\u00e9s de medidas concretas e n\u00e3o apenas discursos &#8211;  contra a burocratiza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Luta contra a opress\u00e3o do capital como totalidade, o que envolve  as m\u00faltiplas quest\u00f5es como ra\u00e7a, g\u00eanero, sexualidade, ambiente,  cultura, etc, sempre combinados \u00e0 perspectiva do trabalho;<\/li>\n<li>Forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e  cultural  dos  trabalhadores  e  da vanguarda;<\/li>\n<li>Rela\u00e7\u00e3o de autonomia entre os partidos pol\u00edticos e as  entidades  de luta, sejam sindicais,  de  juventude,  de  opress\u00e3o,  etc,  no  sentido  de combater o aparelhamento das  entidades  pelos  partidos  pol\u00edticos,  com  o respeito e a preserva\u00e7\u00e3o dos f\u00f3runs  coletivos  de  decis\u00f5es;  o  papel  das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias \u00e9 de impulsionar o movimento e n\u00e3o  se  colocar acima dele, nem de aparelh\u00e1-lo.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[65,24],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6188,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions\/6188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}