{"id":2421,"date":"2013-09-28T19:10:47","date_gmt":"2013-09-28T22:10:47","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421"},"modified":"2018-06-01T16:05:21","modified_gmt":"2018-06-01T19:05:21","slug":"jornal-62-setembrooutubro-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2013\/09\/jornal-62-setembrooutubro-de-2013\/","title":{"rendered":"Jornal 62: Setembro\/Outubro de 2013"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2422\" aria-describedby=\"caption-attachment-2422\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?attachment_id=2423\" rel=\"attachment wp-att-2422\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2422\" title=\"Vers\u00e3o em PDF\" src=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/Sem-t\u00edtulo.jpg\" alt=\"Sem t\u00edtulo\" width=\"202\" height=\"298\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2422\" class=\"wp-caption-text\">Vers\u00e3o em PDF<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo1\"><span style=\"line-height: 12.986111640930176px;\">Em que momento estamos na nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira?<\/span><\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo2\">Repress\u00e3o: a m\u00e1scara de quem deve cair?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo3\">A corrup\u00e7\u00e3o bate \u00e0s portas do PSOL?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo4\">ENEM: a inclus\u00e3o que exclui<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo5\">Mulheres: por uma vida sem machismo e de luta pelo socialismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo6\">R\u00fassia: express\u00e3o m\u00e1xima da falta de liberdade sexual no capitalismo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=2421#titulo7\">Contra o ataque imperialista \u00e0 Siria: transformar a guerra civil em guerra\u00a0revolucion\u00e1ria<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><a name=\"titulo1\"><\/a>EM QUE MOMENTO ESTAMOS DA NOVA SITUA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto da crise aberta em 2008, a situa\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 marcada de um lado pelos ataques da burguesia e do imperialismo contra os trabalhadores e jovens, aprofundando a explora\u00e7\u00e3o para com isso obter sua lucratividade e retomar o controle pol\u00edtico de domina\u00e7\u00e3o. Mas do outro lado, crescem e se desenvolvem na mesma propor\u00e7\u00e3o lutas, greves e rebeli\u00f5es cada vez mais radicalizadas, aprofundando-se a nova situa\u00e7\u00e3o mundial aberta em 2011, com as rebeli\u00f5es no Norte da \u00c1frica e os movimentos na Europa e EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que com muitas contradi\u00e7\u00f5es e desigualdades, vai ocorrendo toda uma experi\u00eancia em que a classe trabalhadora e a juventude v\u00e3o percebendo que n\u00e3o se trata de uma crise moment\u00e2nea, e sim estrutural, onde pode haver momentos de recupera\u00e7\u00e3o, mas em que a tend\u00eancia geral \u00e9 desemprego, perdas de direitos, precariza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, problemas ambientais e sociais, viol\u00eancia e repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande desafio \u00e9 superar a profunda crise de alternativas socialistas, ajudando a que os trabalhadores avancem em suas experi\u00eancias e reconstruam outro projeto de sociedade alternativo ao capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, h\u00e1 todo um percurso a ser desenvolvido. Mas um rico laborat\u00f3rio de experi\u00eancias e reflex\u00f5es se desenvolve nos principais pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, os efeitos da crise internacional j\u00e1 n\u00e3o conseguem ser totalmente amortecidos. A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma dos anos anteriores. Os recursos usados pelo Estado para contornar a crise e jog\u00e1-la para frente j\u00e1 mostram que t\u00eam dura\u00e7\u00e3o e limites, agravando outros problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento do consumo interno \u00e9 nitidamente menor, influenciado por muitos fatores, como a desacelera\u00e7\u00e3o da massa salarial, desacelera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, aumento da infla\u00e7\u00e3o. Em v\u00e1rios trimestres foi o consumo das fam\u00edlias que puxou a alta do PIB. Esse tempo parece estar ficando para tr\u00e1s. O endividamento massivo, a alta de juros, a maior seletividade dos bancos na concess\u00e3o de empr\u00e9stimos, a infla\u00e7\u00e3o e as perspectivas mais nebulosas indicam que o projeto econ\u00f4mico do governo PT\/PMDB encontrou limites bem consistentes.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Como a burguesia se apossa do patrim\u00f4nio, do dinheiro p\u00fablico e das riquezas naturais<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o v\u00e1rias as formas de o Estado direcionar riqueza para o capital, como por exemplo o pagamento dos juros e amortiza\u00e7\u00f5es da D\u00edvida P\u00fablica, que at\u00e9 06\/09 deste ano consumiram R$ 602 bilh\u00f5es = 46% do gasto federal. Al\u00e9m disso, temos empr\u00e9stimos a juros bem abaixo do mercado; financiamento pelo Estado de obras de interesse do empresariado; privatiza\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os p\u00fablicos; e ainda isen\u00e7\u00f5es de impostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se n\u00e3o bastasse, o governo vem despejando d\u00f3lares das reservas internacionais (que estavam acumuladas em US 387 bi) no sentido de segurar a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. S\u00f3 at\u00e9 o final do ano, mais de 100 bilh\u00f5es(!) de d\u00f3lares ser\u00e3o injetados no mercado financeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, um novo ciclo de entrega direta do patrim\u00f4nio p\u00fablico, das riquezas naturais e produtivas do pa\u00eds est\u00e1 em andamento, seja sob a forma de concess\u00f5es de rodovias, portos, aeroportos, seja sob leil\u00f5es de energia el\u00e9trica e agora, com o leil\u00e3o do Campo Libra (reserva estimada em mais de 8 bilh\u00f5es de barris).<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Acirramento das tend\u00eancias de ataques e de polariza\u00e7\u00e3o social<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas no marco de uma economia mundial em crise, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais acirrada. Com a redu\u00e7\u00e3o do crescimento, aumenta a disputa pelo mercado. As preocupa\u00e7\u00f5es da burguesia se focam na competitividade e corte de custos, maneiras de garantir uma taxa de lucro que seja atrativa para o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel do Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho se coloca principalmente como fornecedor de mat\u00e9ria prima, alimentos, e em segundo lugar como plataforma de montagem de produtos elaborados e desenvolvidos nos pa\u00edses centrais, como autom\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos, eletroeletr\u00f4nicos, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez seja no setor automobil\u00edstico onde melhor notamos a mudan\u00e7a do modelo econ\u00f4mico que passa a se voltar mais para aumento das exporta\u00e7\u00f5es, em busca de retomar super\u00e1vits da balan\u00e7a comercial. O aumento da cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, o aumento da produtividade do trabalho (conseguida com aumento do ritmo de trabalho e com novas m\u00e1quinas), e a retirada de direitos (reduzindo o custo de produ\u00e7\u00e3o) favorecem o setor do capital que tem a produ\u00e7\u00e3o (ou boa parte dela) voltada para a exporta\u00e7\u00e3o. Para isso, ataca direta e indiretamente os trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O emprego j\u00e1 n\u00e3o cresce como antes e os sal\u00e1rios perdem seu poder de compra a olhos vistos. Assim, ter\u00edamos uma economia saneada do ponto de vista do capital, mas com piora para os trabalhadores, recrudescendo as tend\u00eancias da era FHC e in\u00edcio do governo Lula, em que a \u00eanfase se dava nas privatiza\u00e7\u00f5es, super\u00e1vits prim\u00e1rios, saldos positivos da balan\u00e7a comercial e juros altos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00fanica diferen\u00e7a, que \u00e9 ainda pior, \u00e9 que agora o capital precisa ainda mais da interven\u00e7\u00e3o estatal, tanto como reguladora, controladora, mas principalmente como financiadora direta da lucratividade do capital \u00e0s custas dos trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Uma tend\u00eancia de novas lutas e lutas mais duras<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aumento do d\u00f3lar tem consequ\u00eancias diretas nos pre\u00e7os de produtos e servi\u00e7os.<br \/>\n<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Al\u00e9m do aumento do custo de insumos, os componentes importados est\u00e3o embutidos numa incont\u00e1vel lista de produtos produzidos dentro das fronteiras. No celular \u2013 aparelho que est\u00e1 na m\u00e3o de praticamente todos os brasileiros \u2013, 70% dos componentes s\u00e3o comprados com moeda estrangeira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pontos fundamentais s\u00e3o: que o Estado banque os custos da constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura, sob concess\u00e3o para o capital privado; a chamada garantia de retorno\/lucro das empresas que explorem esses ramos; a seguran\u00e7a das normas e contratos; a maior redu\u00e7\u00e3o dos impostos sobre o capital; a manuten\u00e7\u00e3o de um c\u00e2mbio que n\u00e3o prejudique as exporta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m n\u00e3o onere as importa\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas e insumos; o corte geral dos gastos de estado \u2013 e a\u00ed particularmente nas \u00e1reas sociais, que s\u00e3o onde se podem realizar os maiores cortes, j\u00e1 que grande parte do or\u00e7amento j\u00e1 \u00e9 comprometido seja com o pagamento da D\u00edvida P\u00fablica, seja com despesas a servi\u00e7o do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o calcanhar de Aquiles da agenda burguesa \u00e9 como realizar o conjunto de reformas que reduzam diretamente o custo da for\u00e7a de trabalho. Auxiliada pela casta administradora do governo Dilma\/PT, a burguesia procura se antecipar para dosar os ritmos dos ajustes, tentando impedir que ocorra um ascenso, que seria perigos\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, os principais ataques planejados s\u00e3o as contrarreformas antitrabalhistas e antissociais como a Reforma da Legisla\u00e7\u00e3o Trabalhista, com o ACE que flexibiliza e acaba com direitos fundamentais como f\u00e9rias, 13\u00ba, multa dos 40%, pagamento de horas-extras; a Lei que permita a terceiriza\u00e7\u00e3o das atividades-fim; a Reforma da Previd\u00eancia; a flexibiliza\u00e7\u00e3o\/fim da estabilidade dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos em geral; enfim, ataques frontais ao proletariado. S\u00e3o passos estrat\u00e9gicos, que de certa forma v\u00eam sendo preparados ou implementados, ainda perifericamente, atrav\u00e9s de constantes manobras do capital e do estado sobre os trabalhadores. Agora trata-se da necessidade de avan\u00e7ar, legalizar e aprofundar o que j\u00e1 vem ocorrendo, transformando em leis os abusos ora existentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o capital, no pr\u00f3ximo per\u00edodo est\u00e1 em jogo a quest\u00e3o de vida ou morte, de avan\u00e7ar decisivamente sobre os direitos centrais do trabalho e sociais. Isso estar\u00e1 cada vez mais no centro da pauta e da luta de classes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, tudo isso aponta, por\u00e9m, para a maior radicaliza\u00e7\u00e3o das lutas, assim como tamb\u00e9m da repress\u00e3o e vice versa. O processo de recomposi\u00e7\u00e3o da classe, sua organiza\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia n\u00e3o podem ocorrer de outra forma sen\u00e3o atrav\u00e9s dessas experi\u00eancias concretas na rela\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, que por sua vez devem estar inseridas e ser parte desse processo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">QUAIS AS PERSPECTIVAS PARA O GOVERNO DO PT?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PT, h\u00e1 dez anos no poder, criou toda uma rede de coopta\u00e7\u00e3o nacional, que vai desde setores mais pauperizados do pa\u00eds, passando pela burocracia dos movimentos, sindicatos e demais entidades, estruturas pol\u00edticas como o pr\u00f3prio PT e seu leque de alian\u00e7as, e por fim setores do empresariado, que de alguma maneira dependem de que o PT esteja no governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa rede de coopta\u00e7\u00e3o, aliada ao fato de que o PT incorporou, embora a seu modo, o projeto do capital, faz com que seja problem\u00e1tico para a burguesia encontrar uma forma de sua substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se por um lado h\u00e1 j\u00e1 um grande desgaste, evidenciado nos movimentos de junho\/julho, que mostraram a possibilidade da pr\u00f3pria burguesia se aproveitar deles, por outro h\u00e1 o receio de que as coisas possam sair do controle, justamente em um momento delicado tanto em n\u00edvel internacional como nacional \u2013 com a realiza\u00e7\u00e3o dos grandes eventos que ir\u00e3o projetar o pa\u00eds no cen\u00e1rio mundial, com o pr\u00f3prio processo eleitoral de 2014, a Copa, as Olimp\u00edadas, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a burguesia tem a pol\u00edtica de desgastar o governo e pressionar no sentido de que o PT encaminhe as reformas estruturais antipopulares, ou pelo menos que em alguma medida avance nelas, e que realize ajustes mais duros na gest\u00e3o do estado, de modo a garantir os chamados fundamentos da pol\u00edtica econ\u00f4mica (super\u00e1vit prim\u00e1rio, controle da infla\u00e7\u00e3o e c\u00e2mbio equilibrado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, o PT mesmo vai realizando mudan\u00e7as mais \u00e0 direita em seu governo. Vimos isso na eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros, na proposta de terceiriza\u00e7\u00e3o das atividades-fim e tamb\u00e9m no caso do aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis para equiparar com o mercado internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o esfor\u00e7o do governo e do PT \u00e9 no sentido de se qualificar ainda mais para o capital e para a burguesia, demonstrando que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de aplicar o projeto geral e, ao mesmo tempo, conter o movimento de massas. Mais uma vez, se confirma que o PT n\u00e3o tem mais salva\u00e7\u00e3o para a defesa dos interesses dos trabalhadores. \u00c9 um governo burgu\u00eas e com liga\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas com os diversos setores do capital do pa\u00eds.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O que ficou no lugar dos movimentos de Junho\/Julho? Quais os desafios agora?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que os movimentos de junho e julho tenham reflu\u00eddo, deixaram em seu lugar uma disposi\u00e7\u00e3o maior de luta e de enfrentamento, particularmente entre o setores mais jovens, que sentem que n\u00e3o t\u00eam perspectivas de melhoria, ao contr\u00e1rio, veem tudo piorando. N\u00e3o por acaso, a juventude foi o setor predominante, setor que sofre bastante com os efeitos da crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As lutas tendem a seguir. Todos os dias, vemos manifesta\u00e7\u00f5es e greves no pa\u00eds, desde categorias em campanhas salariais, at\u00e9 ocupa\u00e7\u00f5es urbanas. Combinados a essas lutas maiores e nacionais, deveremos ter lutas localizadas mas tamb\u00e9m importantes como nas periferias, nas universidades, escolas, no campo, etc. Devemos acompanhar e apoiar esses processos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tra\u00e7o significativo deste processo foi em rela\u00e7\u00e3o aos partidos (incluindo aqui os partidos da esquerda) e sindicatos, quando houve profundas cr\u00edtica e nega\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o surgiram formas organizativas alternativas, o que deu novo f\u00f4lego a essas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas tend\u00eancias tendem, de alguma forma, a se expressar e tomar forma nos movimentos que vierem a acontecer. Tamb\u00e9m como tend\u00eancias fundamentais h\u00e1, entre outras quest\u00f5es, um maior ativismo de base, seja pela internet, tamb\u00e9m em menor medida em Plen\u00e1rias, manifesta\u00e7\u00f5es, etc. E como consequ\u00eancia, h\u00e1 maior disposi\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o para a discuss\u00e3o pol\u00edtica, em especial, um aumento da vanguarda disposta a agir e organizar movimentos. Ao reflu\u00edrem os movimentos mais massivos, o car\u00e1ter de esquerda volta a ser predominante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 uma vanguarda muito cr\u00edtica quanto aos partidos tradicionais, mesmo os de esquerda. Quanto a se organizar politicamente, o que domina ainda \u00e9 o ceticismo, uma sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio, e que traz problemas como a burocratiza\u00e7\u00e3o e a perda do poder da base. A decep\u00e7\u00e3o com o PT e sua pr\u00e1tica (de se apoderar dos movimentos e outras condutas), e os problemas das organiza\u00e7\u00f5es maiores (PSTU e PSOL) contribuem para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m h\u00e1 um setor importante, que \u00e9 receptivo \u00e0s ideias da esquerda e quer discutir a necessidade de se organizar politicamente, buscando um modelo diferente dos partidos tradicionais, mesmo os de esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, chamamos \u00e0 necessidade da luta e da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, estudantes e da esquerda pela base, contra os patr\u00f5es, o governo, a burocracia e a direita, com plen\u00e1rias de base e setoriais, a unifica\u00e7\u00e3o das campanhas com elementos unit\u00e1rios de pauta, a forma\u00e7\u00e3o de comandos de base para percorrer os setores e comandos de negocia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m eleitos pela base, a luta pelo direito a fala nas assembleias e a den\u00fancia do papel governista e pelego das centrais, buscando a solidariedade das demais categorias com essas lutas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A repress\u00e3o e a direita se mostram mais abertamente<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado, de forma geral, vem avan\u00e7ando abertamente em uma pol\u00edtica de endurecimento contra os trabalhadores e estudantes, seja nos locais de trabalho ou no movimento. Temos dito isso em v\u00e1rios documentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o se trata apenas de um projeto de um ou outro governo, mas de um projeto de estado. O governo do PT tamb\u00e9m assume para si essa necessidade e aplica nos lugares onde \u00e9 governo. Assim, a persegui\u00e7\u00e3o, tortura e morte aos trabalhadores rurais sem-terra, aos ativistas das categorias, aos estudantes e suas entidades de luta e agora tamb\u00e9m aos Black Blocks v\u00e3o evidenciando uma face de maior repress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos de junho\/julho, se por um lado o governo acenou com medidas de concess\u00f5es superficiais para cont\u00ea-los, por outro, tem refor\u00e7ado as medidas tanto de repress\u00e3o direta como de cercamentos, empecilhos para adentrar nos locais p\u00fablicos, c\u00e2meras, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, essa tem sido uma pol\u00edtica mais geral como provam os projetos de lei que pro\u00edbem uso de m\u00e1scaras nas manifesta\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00e3o de os manifestantes avisarem com anteced\u00eancia \u00e0s autoridades policiais sobre os atos p\u00fablicos previstos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso se combina com v\u00e1rias liminares que v\u00e3o contra os movimentos, declarando ilegais greves como a de motoristas, professores, etc. Precisamos alertar os trabalhadores sobre essas tend\u00eancias e nos preparar para lutar e resistir no novo tempo em que estamos.<br \/>\nResumindo, s\u00e3o pr\u00e1ticas parecidas com a ditadura militar e que caracterizam um salto da repress\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A direita tamb\u00e9m apresenta suas posi\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m a direita aproveitou para se apresentar de forma mais descarada. H\u00e1 uma polariza\u00e7\u00e3o que aumenta em termos de projetos para o pa\u00eds e que tem tanto na esquerda como na direita um potencial de audi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A direita tem trabalhado sobre a classe m\u00e9dia e setores da pr\u00f3pria classe trabalhadora, disseminando o \u00f3dio aos programas sociais, aos m\u00e9dicos cubanos, aos pobres em geral. Esses setores que sentem seu padr\u00e3o decaindo n\u00e3o culpam, por\u00e9m, o fato de que o PT esteja governando para o grande capital, mas culpam que esteja realizando pol\u00edticas para os pobres.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o sistema refor\u00e7a seus mecanismos ideol\u00f3gicos individualistas de competi\u00e7\u00e3o e de suposto merecimento, no sentido de culpabilizar os setores pauperizados por sua pr\u00f3pria pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso tudo aponta para uma maior polariza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 vis\u00edvel nas manifesta\u00e7\u00f5es, e que deve se fazer sentir nos ambientes de trabalho e nas universidades, assim como quando os movimentos voltem com a for\u00e7a de antes, possivelmente no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">PSTU E PSOL: muito aqu\u00e9m das necessidades da nova situa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do PSOL nem precisamos falar muito. Seu car\u00e1ter de partido reformista, que rapidamente vai no caminho do PT, ficou bem n\u00edtido nas elei\u00e7\u00f5es tanto em seu programa, como na sua pol\u00edtica de alian\u00e7as com partidos burgueses e com o recebimento de doa\u00e7\u00f5es de empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 do PSTU, partido que se reivindica revolucion\u00e1rio, poderia se esperar alguma reflex\u00e3o ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es de junho e julho, nas quais tiveram forte rejei\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas dos setores de direita mas da pr\u00f3pria esquerda, por sua pr\u00e1tica dirigista e de priorizar apenas os interesses do partido, em detrimento do movimento e da organiza\u00e7\u00e3o de base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na quest\u00e3o do programa Mais M\u00e9dicos e da vinda de m\u00e9dicos cubanos, sua posi\u00e7\u00e3o foi se colocar frontalmente contra, e ainda apoiar a manifesta\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria de um setor de m\u00e9dicos de direita e que pretendiam simplesmente manter seus privil\u00e9gios. Colocou-se contra a vinda dos m\u00e9dicos cubanos, ficando, na pr\u00e1tica, do mesmo lado da direita reacion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na quest\u00e3o do caso Janira (PSOL-RJ), que admite nas grava\u00e7\u00f5es o uso de dinheiro do SINSPREV para sua elei\u00e7\u00e3o como deputada, o PSTU faz uma defesa desavergonhada dessa pr\u00e1tica, utilizando-se do fato de que \u201cos empres\u00e1rios financiam seus candidatos&#8230;\u201d Ora, mas neste caso a burguesia decide quais candidatos ir\u00e1 apoiar em base aos seus interesses. J\u00e1 no caso da utiliza\u00e7\u00e3o do dinheiro do sindicato para sua campanha, em nenhum momento os trabalhadores (donos de fato do dinheiro do sindicato) foram chamados a decidir sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ocorreu foi o que todos sabemos que ocorre: desvio puro e simples do sindicato para o partido, sem a decis\u00e3o dos trabalhadores em nenhuma assembleia de base. O PSTU sai na defesa do PSOL, admitindo implicitamente que esse tipo de desvio n\u00e3o seria um problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro da CSP-Conlutas, todos esses debates tem sido feitos e se sintetizam na pol\u00edtica preferencial de constru\u00e7\u00e3o com a \u201cCUT Pode Mais\u201d, um setor que vive uma situa\u00e7\u00e3o c\u00f4moda, tanto no interior da CUT como em sua rela\u00e7\u00e3o com a CSP-Conlutas. O rebaixamento program\u00e1tico da pr\u00f3pria CSP-Conlutas, da Oposi\u00e7\u00e3o Alternativa e demais frentes sindicais e estudantis dirigidas pelo PSTU, colocam cada vez mais \u00e0s claras seu projeto e seus problemas, voltados para atrair esses setores e n\u00e3o para as necessidades da classe e do movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas posi\u00e7\u00f5es t\u00eam uma l\u00f3gica: a defesa dos interesses de aparato do partido acima e contra os interesses do movimento.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Pensar juntos, discutir, propor um programa e uma sa\u00edda socialista dos trabalhadores!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais precisamos buscar n\u00e3o atuar sozinhos, mas envolver mais ativistas e setores pr\u00f3ximos nas iniciativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 preciso irmos al\u00e9m e apresentarmos uma discuss\u00e3o no sentido de que o projeto do capital para o pa\u00eds s\u00f3 nos reserva aumento da carga de trabalho e piora das condi\u00e7\u00f5es de vida, que mesmo o per\u00edodo de maior consumo baseado no cr\u00e9dito e no endividamento dos trabalhadores, da classe m\u00e9dia e do Estado, j\u00e1 est\u00e1 ficando para tr\u00e1s, e agora temos que nos unir e nos preparar para duras lutas e para a necessidade de mudarmos o sistema. \u00c9 preciso uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresentamos uma proposta de pontos program\u00e1ticos que partam das lutas e busquem responder \u00e0 realidade brasileira com tarefas que solucionem os problemas gerais que afetam os trabalhadores como a quest\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos (Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Transporte), a quest\u00e3o do tr\u00e2nsito e do caos nas cidades, a destrui\u00e7\u00e3o do ambiente, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Diante da infla\u00e7\u00e3o, Reajuste Geral dos Sal\u00e1rios e melhoria das condi\u00e7\u00f5es de trabalho para todas as categorias! Unificar as campanhas salariais, com calend\u00e1rios unit\u00e1rios e manifesta\u00e7\u00f5es conjuntas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sal\u00e1rio M\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o \u00e0 Lei da Terceiriza\u00e7\u00e3o e ao ACE!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Redu\u00e7\u00e3o da jornada sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o Pagamento da D\u00edvida P\u00fablica e investimento desse dinheiro para garantir servi\u00e7os p\u00fablicos e de qualidade, sob controle dos trabalhadores. 10 % do PIB para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica J\u00e1, 10% do PIB para a sa\u00fade P\u00fablica J\u00e1! Estatiza\u00e7\u00e3o dos Transportes, com tarifa zero e sob controle dos usu\u00e1rios!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores para conter a fuga de divisas e a remessa de lucros!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o aos incentivos fiscais, obras e empr\u00e9stimos para o capital! O dinheiro p\u00fablico deve ser investido nas prioridades sociais e obras de interesse dos trabalhadores como casas, hospitais, escolas, etc;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Moradia para todos! Expropria\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis inativos e utilizados como especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Cotas proporcionais aos negros e ind\u00edgenas nas universidades, concursos p\u00fablicos e demais empregos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Reforma Agr\u00e1ria, sob controle dos trabalhadores e com o fim do agroneg\u00f3cio;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Por um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Por uma sociedade socialista!<\/p>\n<h2><a name=\"titulo2\"><\/a>Mais um cap\u00edtulo do autorismo brasileiro: a m\u00e1scara de quem deve cair?<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">Por Thiago Pierr\u00f4<\/h3>\n<p>Escreveu Chico Buarque em Noite dos Mascarados:<br \/>\n\u201c- Quem \u00e9 voc\u00ea, diga logo&#8230;<br \/>\n&#8211; Que eu quero saber o seu jogo&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o &#8230; n\u00e3o \u00e9 assim mais que a for\u00e7a policial do Rio de Janeiro agir\u00e1 diante de um mascarado. Ele n\u00e3o mais pergunta. Seu comportamento deve ser autom\u00e1tico. \u00c9 como se dissesse: \u201cna me importa saber o seu jogo, voc\u00ea \u00e9 criminoso!\u201d. Eis mais um cap\u00edtulo da autorit\u00e1ria democracia brasileira: a proibi\u00e7\u00e3o das m\u00e1scaras nas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e9rgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, aprovou a lei proposta pela Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio de Janeiro que pro\u00edbe usar m\u00e1scaras ou qualquer outro artif\u00edcio que \u201cdificulte a identifica\u00e7\u00e3o\u201d do manifestante, a lei estadual 6.528\/13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei vem justamente no sentido contr\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o da democracia no Brasil, constru\u00e7\u00e3o esta levada adiante pelas manifesta\u00e7\u00f5es que explodiram em junho por todo o pa\u00eds. Estas sim finalmente disseram em alto e bom som: \u201cpodemos protestar, devemos lutar; podemos nos indignar.. devemos tomar as ruas! \u00c9 com o povo na rua que a rua muda!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As manifesta\u00e7\u00f5es que explodiram em junho contribu\u00edram muito, mas muito mais do que qualquer outro ato de governantes e parlamentares, para dizerem o que deve ser poss\u00edvel numa democracia. Foi quando um lampejo de luz que n\u00e3o v\u00edamos h\u00e1 d\u00e9cadas surgiu na noite escura que \u00e9 a democracia brasileira. Em harmonia perfeita com o autoritarismo das institui\u00e7\u00f5es nacionais, a lei de Cabral vem proibir os mascarados nas manifesta\u00e7\u00f5es, sob o pretexto de que elas podem existir desde que n\u00e3o haja o anonimato. E assim vemos como sob diversos motivos o car\u00e1ter ditatorial da democracia brasileira mais e mais se demonstra, buscando jogar na escurid\u00e3o qualquer efetivo avan\u00e7o democr\u00e1tico. Vejamos ainda alguns aspectos desta vergonhosa lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz ela: \u201cO direito constitucional \u00e0 reuni\u00e3o p\u00fablica para manifesta\u00e7\u00e3o de pensamento ser\u00e1 exercido (&#8230;)sem o uso de m\u00e1scaras nem de quaisquer pe\u00e7as que cubram o rosto do cidad\u00e3o ou dificultem sua identifica\u00e7\u00e3o \u201d. Diz mais: esta proibi\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o se aplica \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es culturais estabelecidas no calend\u00e1rio oficial do Estado.\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, efetivamente a lei est\u00e1 dizendo: \u201ceu digo quando voc\u00ea pode ou n\u00e3o pode usar m\u00e1scaras\u201d, vez que ela permitir\u00e1 o uso de m\u00e1scaras quando a manifesta\u00e7\u00e3o estiver prevista no calend\u00e1rio do estado. Pensemos um pouco sobre a quest\u00e3o: estar\u00e3o proibidas as manifesta\u00e7\u00f5es teatrais que porventura brotem em qualquer esquina do Rio? E se num boteco da Lapa um grupo de sambistas cariocas decidisse se apresentar com m\u00e1scaras ou com as faces pintadas, tal como muito j\u00e1 fez Ney Matogrosso, a banda Kiss ou mesmo a banda de \u201crock\u201d Slipknot? Talvez diriam os agentes do Estado: \u201cn\u00e3o s\u00e3o essas as manifesta\u00e7\u00f5es de pensamento que vamos coibir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que efetivamente impede uma interpreta\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o cada vez mais alargada, a ponto de criminalizar tais manifesta\u00e7\u00f5es de pensamento? Nada, a n\u00e3o ser a efetiva disputa de for\u00e7a que \u00e9 a pr\u00f3pria pol\u00edtica; se h\u00e1 for\u00e7a pol\u00edtica, algo lhe \u00e9 permitido; se n\u00e3o h\u00e1 a sua for\u00e7a pol\u00edtica, algo lhe \u00e9 proibido&#8230;simples e claro assim. Portanto, n\u00e3o fosse o absurdo anti-democr\u00e1tico que por si esta lei j\u00e1 \u00e9, ela ainda traz consigo uma situa\u00e7\u00e3o extremamente perigosa que pode ir mais e mais se alargando. Ora, \u00e9 mesmo deste modo que realidades ditatoriais se afirmam: criam situa\u00e7\u00f5es em que o limite entre a legalidade e a ilegalidade \u00e9 decidido pela pr\u00f3pria autoridade. \u00c9 dessa maneira prec\u00e1ria e autorit\u00e1ria que nos dizem que se afirma uma tal democracia brasileira: liberdade para os neg\u00f3cios sim! Liberdade para a manifesta\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, completando o racioc\u00ednio desta ordem democr\u00e1tica, que \u00e9 ao mesmo tempo um extenso laborat\u00f3rio ditatorial, podemos dizer, parafraseando o poeta que abriu esse texto, que o comportamento do Estado do Rio de Janeiro \u00e9, agora oficialmente, assim:<br \/>\n\u201cN\u00e3o me diga mais quem \u00e9 voc\u00ea! Estou aqui para que amanh\u00e3 tudo volte ao normal&#8230;estou aqui para deixar o barco correr.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de as m\u00e1scaras esconderem a identidade dos manifestantes populares, as mascaras afirmam a identidade das manifesta\u00e7\u00f5es. Elas demonstram a verdade de vidas e de uma realidade popular j\u00e1 h\u00e1 muito tempo oprimida: somos mascarados sim &#8230; e com orgulho!<br \/>\nPor fim, perguntemos ainda: e os encapuzados da pol\u00edcia, quem fiscaliza? Todos sabem que \u00e9 inclusive costume dos pm\u00b4s atuarem sem a identifica\u00e7\u00e3o em sua farda&#8230; Enfim&#8230;para falar a verdade, o que deve mesmo cair s\u00e3o as m\u00e1scaras dos carrascos da democracia brasileira&#8230;o que s\u00f3 as manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas o far\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8212;<\/strong><br \/>\n<strong>Sobre o Estado autorit\u00e1rio brasileiro leia ainda: \u201cCAMPANHA: Por uma den\u00fancia anti-capitalista da Repress\u00e3o!\u201d. Dispon\u00edvel no site do Espa\u00e7o Socialista em http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=348<\/strong><\/p>\n<h2><a name=\"titulo3\"><\/a>A CORRUP\u00c7\u00c3O BATE \u00c0S PORTAS DO PSOL?<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imprensa burguesa divulgou not\u00edcias de que a deputada estadual Janira Rocha (antiga militante da esquerda carioca), do PSOL-RJ, utilizou dinheiro do sindicato dos previdenci\u00e1rios do RJ (Sinsprev) para a sua campanha e, antes, para a funda\u00e7\u00e3o do partido. A assembleia legislativa, cheia de corruptos, levou o caso para a corregedoria e o PSOL, sem defender publicamente a deputada, instalou uma comiss\u00e3o de \u00e9tica para apurar o caso. A atual diretoria do Sinsprev-RJ, procurando se distanciar do ato, tamb\u00e9m instalou uma comiss\u00e3o de \u00e9tica para apurar a conduta quando a deputada era da dire\u00e7\u00e3o do sindicato. Janira permanece, pelo menos at\u00e9 o momento, em sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos que a assembleia legislativa carioca n\u00e3o tem nenhuma moral e muito menos legitimidade, dados os seus compromissos com a burguesia e com o governo fascista de Cabral, para cassar a deputada. Cabe aos trabalhadores decidirem, inclusive, sobre a perda de mandato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, para al\u00e9m da discuss\u00e3o sobre perda de mandato, queremos contribuir com este debate porque ele coloca quest\u00f5es fundamentais para uma pr\u00e1tica e concep\u00e7\u00e3o militante de esquerda.<\/p>\n<h3>PSOL: CADA VEZ MAIS \u00c0 DIREITA E APARATISTA<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, falemos sobre o projeto eleitoreiro e o car\u00e1ter de classe do PSOL. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que militantes do partido se envolvem em pol\u00eamicas com dinheiro vindo da burguesia e tamb\u00e9m em suspeitas de envolvimento nos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o. O primeiro epis\u00f3dio foi o de Luciana Genro e sua corrente (MES), depois Pedro Ruas e outros candidatos do Rio Grande do Sul receberem dinheiro da Gerdau (siderurgia), da Zaffari (rede de supermercados), entre outros, para financiar a campanha eleitoral. Receber dinheiro da burguesia \u00e9 a mais evidente demonstra\u00e7\u00e3o de que o partido faz qualquer coisa para eleger parlamentares, inclusive receber dinheiro da burguesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois foi a vez do vereador Elias Vaz, de Goi\u00e2nia, ser acusado de participar do esquema de corrup\u00e7\u00e3o de Carlinhos Cachoeira, atuando para projetos de interesse de Cachoeira serem liberados. Pelas grava\u00e7\u00f5es at\u00e9 o agora empres\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o civil Martiniano Cavalcante estava envolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do ponto de vista pol\u00edtico, as coisas ficam ainda piores para esse partido, com alian\u00e7as eleitorais que incluem partidos da direita, como o PTB em Macap\u00e1 ou a frente eleitoral com o PC do B \u2013 que no segundo turno teve o apoio de Lula e Dilma- nas elei\u00e7\u00f5es municipais em Bel\u00e9m. No senado, Randolfe, \u00fanico senador do partido, j\u00e1 foi de mala e cuia para a base de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses fatos demonstram a fal\u00eancia pol\u00edtica desse partido enquanto projeto de esquerda socialista, consolidando-se como um partido reformista pequeno-burgu\u00eas. H\u00e1 cada vez mais um giro \u00e0 direita, onde o car\u00e1ter de classe trabalhadora fica cada vez mais distante. Seu programa \u00e9 cada vez mais rebaixado. A aceita\u00e7\u00e3o de dinheiro do empresariado e as coliga\u00e7\u00f5es com partidos burgueses tornam-se pr\u00e1ticas cada vez mais disseminadas.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">OS TRABALHADORES DEVEM DECIDIR SOBRE O DINHEIRO DE SUAS ENTIDADES<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra problem\u00e1tica que salta \u00e9 a gest\u00e3o financeira das entidades dos trabalhadores. Pouqu\u00edssimas entidades sindicais \u2013 mesmo as dirigidas pela esquerda- t\u00eam uma pr\u00e1tica realmente democr\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o aos gastos. O que normalmente ocorre \u00e9 a presta\u00e7\u00e3o de contas do que j\u00e1 foi gasto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imposs\u00edvel pensar em democracia oper\u00e1ria se os trabalhadores n\u00e3o controlam \u2013pol\u00edtica e financeiramente- de fato as suas entidades. Sobre a gest\u00e3o financeira s\u00e3o os trabalhadores que devem decidir, ou seja, devem decidir sobre tudo o que diz respeito aos gastos da entidade.<br \/>\nAchamos muito importante que haja o pleno direito de uma categoria decidir pelo apoio pol\u00edtico e financeiro a uma candidatura comprometida com as lutas dos trabalhadores. Na Inglaterra, era tradi\u00e7\u00e3o os sindicatos votarem apoio financeiro a candidaturas trabalhistas apoiadas politicamente. Com o papel nefasto que o partido trabalhista veio a cumprir, muitos sindicatos foram deixando de votar essas contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o, a partir do caso de Janira Rocha, n\u00e3o \u00e9, portanto, sobre os sindicatos contribu\u00edrem ou n\u00e3o, mas sim sobre a necessidade de que essas doa\u00e7\u00f5es financeiras sejam votadas nas inst\u00e2ncias deliberativas da entidade, a partir de uma ampla discuss\u00e3o na base sobre programa pol\u00edtico, controle do mandato (limita\u00e7\u00e3o de mandato e do sal\u00e1rio parlamentar, aplicar aquilo que a base decidir, etc), enfim que a contribui\u00e7\u00e3o seja consequ\u00eancia de um convencimento dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, se dinheiro da entidade foi utilizado sem que a discuss\u00e3o passasse pelos f\u00f3runs n\u00e3o caracteriza uma contribui\u00e7\u00e3o, mas sim um desvio. Essa \u00e9, ao nosso modo de ver, a discuss\u00e3o central, pois \u00e9 inadmiss\u00edvel que o dinheiro dos trabalhadores seja utilizado sem que os pr\u00f3prios decidam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que, infelizmente, os trabalhadores n\u00e3o fiscalizam a gest\u00e3o financeira das entidades e isso leva a que as dire\u00e7\u00f5es sindicais fa\u00e7am o que bem entender. Pouco se sabe sobre o quanto e com o que se gasta, pouco se controla para que n\u00e7ao haja privil\u00e9gios para os dirigentes sindicais, etc. O controle pela base \u00e9 fundamental n\u00e3o s\u00f3 para evitar desvio, mas tamb\u00e9m para garantir que o dinheiro seja direcionado para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Os Conselhos fiscais, al\u00e9m de, em regra, serem alinhados politicamente com a gest\u00e3o, se limitam \u00e0 confer\u00eancia cont\u00e1bil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo serve para as centrais sindicais, financiadas pela contribui\u00e7\u00e3o direta dos sindicatos, onde a gest\u00e3o financeira \u00e9 ainda mais obscura. Para se ter ideia, a corrente majorit\u00e1ria da CSP Conlutas chegou a impedir o acesso de um membro do Conselho Fiscal aos documentos fiscais. Por isso que dentro da pr\u00f3pria Central temos, como parte do bloco classista, anticapitalista e de base , dado uma batalha para que a maior parte dos recursos financeiros da entidade sejam direcionados para a luta (confec\u00e7\u00e3o de material, trabalho de base, etc) e n\u00e3o para o aparato e para as libera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, defendemos a necessidade de que as entidades adotem medidas de controle dos seus dirigentes e da pr\u00f3pria entidade. Limita\u00e7\u00e3o de mandato e de libera\u00e7\u00e3o sindical, rodizio e outras medidas s\u00e3o fundamentais para o combate \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo4\"><\/a>ENEM: a inclus\u00e3o que exclui<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">N\u00facleos Professores do Espa\u00e7o Socialista<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio foi criado em 1988 na gest\u00e3o tucana de FHC. \u00c9 parte do conjunto de avalia\u00e7\u00f5es externas da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica advindas dos organismos internacionais (FMI, Banco Mundial, etc).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prova, que na \u00e9poca teve pouqu\u00edssima ades\u00e3o &#8211; pouco mais de 157 mil inscritos &#8211; se tornou hoje um dos principais meios de o estudante brasileiro conseguir acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior, seja em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou nas privadas socorridas pelo PROUNI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando criado em 1998, n\u00e3o era essa a inten\u00e7\u00e3o do exame, que pretendia, segundo a vers\u00e3o do PSDB, diagnosticar os problemas da educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria no Brasil. Sempre sofreu cr\u00edticas por n\u00e3o ser atrativo para os alunos, n\u00e3o atentar para as diferen\u00e7as regionais e pela sua superficialidade e inefic\u00e1cia como instrumento avaliativo. Recebia um tratamento preconceituoso por parte do Ensino Privado. A mudan\u00e7a para o quadro atual foi resultado de uma pol\u00edtica para expandir a ades\u00e3o, aumentar a amplitude e aceita\u00e7\u00e3o social do ENEM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dando continuidade e aprofundando a l\u00f3gica de avalia\u00e7\u00e3o externa e padronizada do governo FHC, o governo Lula criou o PROUNI, passando a utilizar a nota do ENEM para o ingresso em Institutos de Ensino Superior Privados em crise.<br \/>\nUsando todo o seu poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico, o governo conseguiu enquadrar a maioria das universidades federais, e em 2011 quase todas as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior federais e v\u00e1rias estaduais j\u00e1 haviam aderido ao exame do MEC. O argumento do governo era o de otimizar as vagas ociosas nas universidades, permitindo aos alunos com notas mais baixas fazer nova op\u00e7\u00e3o de curso.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O ENEM otimiza vagas?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma das maiores mentiras utilizadas para falar das benesses do ENEM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiramente, \u201cotimizar\u201d j\u00e1 significa admitir e legitimar a absurda diferen\u00e7a entre a quantidade de pessoas que almejam um curso superior e aqueles que conseguem entrar na Universidade. Esse ano est\u00e3o inscritos no exame pouco mais de 8.800 milh\u00f5es de estudantes que disputam 230 mil vagas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, o quadro geral de d\u00e9ficit de vagas no ensino superior \u00e9 mantido, havendo uma revers\u00e3o m\u00ednima no acesso, mas que continua sendo absolutamente insuficiente. Al\u00e9m disso, essa sele\u00e7\u00e3o discrimina a grande maioria dos jovens \u2013 os filhos de trabalhadores \u2013 que conseguem o ingresso apenas no Ensino Superior Privado \u2013 geralmente de m\u00e1 qualidade \u2013 ou nos cursos menos requisitados e almejados das P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 estudos que demonstram que se o dinheiro do PROUNI fosse destinado \u00e0s Universidades P\u00fablicas, seria poss\u00edvel criar um n\u00famero significativo de vagas e com muito melhor qualidade. Portanto, a op\u00e7\u00e3o do governo pelo PROUNI tem um car\u00e1ter de atender a interesses particulares e aprofundar a l\u00f3gica de privatiza\u00e7\u00e3o no ensino, seguindo outra diretriz dos organismos internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o ENEM \u00e9 apenas mais um instrumento do mercado e estado\/governos para selecionar seu ex\u00e9rcito, seja o ex\u00e9rcito ativo e em melhores condi\u00e7\u00f5es \u2013 m\u00e9dicos, engenheiros qu\u00edmicos ou de petr\u00f3leo, e todas as \u00e1reas de tecnologia, ou que alguma maneira interessam ao capital \u2013 ou o ex\u00e9rcito barato, precarizado e desempregado. Portanto, \u00e9 uma \u201cotimiza\u00e7\u00e3o\u201d para o capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201cotimizar\u201d s\u00f3 seria palat\u00e1vel se isso significasse garantir aos estudantes o pleno desenvolvimento das suas potencialidades, que o jovem pudesse escolher seu curso de acordo com o seu desejo mais sincero, e n\u00e3o pensando se ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o de se manter na universidade ou se conseguir\u00e1 um bom emprego depois. N\u00e3o h\u00e1 otimiza\u00e7\u00e3o de vagas quando o que determina a futura carreira de um jovem \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a sua condi\u00e7\u00e3o financeira e as necessidades do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei da oferta e da procura do ENEM procurou \u201cconformar\u201d o jovem que n\u00e3o conseguiu entrar no curso que desejava e jog\u00e1-lo em outra \u00e1rea pela 2\u00aa op\u00e7\u00e3o.<br \/>\nV\u00e1rios cursos menos procurados precisaram abrir uma chamada atr\u00e1s da outra, realizando uma verdadeira corrida para conseguir iniciar as aulas em tempo. Um exemplo disso \u00e9 o curso de Letras da UFAL (Universidade Federal de Alagoas \u2013 campus Arapiraca) que em 2013 continua a fazer chamadas para turmas do ano passado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O ENEM \u00e9 uma prova justa?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Definitivamente n\u00e3o. E n\u00e3o se trata t\u00e3o somente dos erros grosseiros nas corre\u00e7\u00f5es de reda\u00e7\u00e3o ou no vazamento de quest\u00f5es ocorrido em 2011. Porque isso tudo poderia ser corrigido e aprimorado. A prova do ENEM \u00e9 injusta na sua origem, pois jamais ser\u00e1 justo qualquer sistema avaliativo cuja fun\u00e7\u00e3o seja excluir o estudante da forma\u00e7\u00e3o superior ou empurr\u00e1-lo para uma atividade com a qual ele n\u00e3o tem afinidade, apenas porque o mercado exige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ENEM adota como crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o a TRI (teoria da resposta ao \u00edndice). Essa f\u00f3rmula, al\u00e9m de n\u00e3o atribuir peso proporcional \u00e0 \u00e1rea para a qual o aluno pretende ingressar, n\u00e3o calcula a nota final do aluno pelo n\u00famero de quest\u00f5es certas, mas d\u00e1 mais pontos \u00e0s quest\u00f5es cuja maioria errou, privilegiando candidatos que tiveram uma prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a Prova, seja em Escola Privadas car\u00edssimas ou cursinhos pr\u00e9-vestibulares.<br \/>\nPor isso, n\u00e3o \u00e9 raro encontrar um estudante que, mesmo tendo acertado um grande n\u00famero quest\u00f5es, obteve uma nota baixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro absurdo \u00e9 a escolha por antecipar o exame para outubro. Isso expressa uma clara op\u00e7\u00e3o de privilegiar ainda mais candidatos abastados que estudam em escolas privadas de regi\u00f5es centrais, que tem cargas hor\u00e1rias alt\u00edssimas, e cujo conte\u00fado do ensino m\u00e9dio \u00e9 trabalhado nos dois primeiros anos, sendo o terceiro ano todo para revis\u00e3o e simulados. A realidade da escola p\u00fablica, gerida pelo estado, \u00e9 bem diferente, onde a falta de professores, o calend\u00e1rio apertado e\/ou atrasado s\u00f3 massacram o estudante da classe trabalhadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra injusti\u00e7a e arbitrariedade provocada pelo ENEM \u00e9 n\u00e3o atentar paras as regionalidades e peculiaridades de cada local. Como um jovem no Rio Branco (Acre) e em Porto Alegre (RS) podem ser avaliados da mesma maneira, respondendo a uma mesma prova? Ser\u00e1 que a dimens\u00e3o cultural e as diferen\u00e7as s\u00f3cio\/pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o tamb\u00e9m formadoras dos alunos e, portanto, deveriam ser contempladas e pesadas em uma avalia\u00e7\u00e3o? Em Alagoas, onde a UFAL adota o ENEM como crit\u00e9rio \u00fanico para o estudante que pleiteia uma vaga, as escolas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais hist\u00f3ria ou geografia de Alagoas no ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ado\u00e7\u00e3o de uma prova nacional \u00fanica como crit\u00e9rio para o acesso ao ensino superior n\u00e3o veio acompanhada de um equil\u00edbrio do ensino b\u00e1sico. Isso provoca algumas disparidades regionais. Os alunos cujos estados t\u00eam mais investimentos em educa\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o conseguem entrar em uma universidade no seu estado, acabam optando por outras em estados mais pobres e com ensino mais deficit\u00e1rio. Assim, aqueles que n\u00e3o tinham antes acesso ao conhecimento continuar\u00e3o a n\u00e3o ter. Um exemplo disso \u00e9 o curso de medicina da UFAL, onde apenas 14% dos alunos s\u00e3o alagoanos e 86% s\u00e3o de outros estados, com maior poder econ\u00f4mico como Pernambuco e Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os elementos acima est\u00e3o associados \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o e homogeneiza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira, que n\u00e3o considera as diversidades culturais do pa\u00eds, e que \u00e9 em boa parte elaborado nos grandes centros do Centro-Sul (SP, RJ, MG&#8230;). Essa homogeneiza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo e das atividades educacionais visa um maior controle do aprendizado dos alunos e tamb\u00e9m da atividade dos professores, inclusive avan\u00e7ando para a Reforma do Ensino M\u00e9dio, concentrando as disciplinas nas \u00e1reas de conhecimento e tratando de modo superficial o conhecimento acumulado de cada disciplina, sobretudo nas \u00e1reas de humanas, pois prioriza as compet\u00eancias e habilidades das \u00e1reas de exatas e linguagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda no que diz respeito aos professores, as avalia\u00e7\u00f5es externas padronizadas t\u00eam o objetivo de aprofundar a responsabiliza\u00e7\u00e3o e culpabiliza\u00e7\u00e3o dos professores pelo baixo aprendizado, ou pelo n\u00e3o \u00eaxito dos alunos nos exames, excluindo do raio de avalia\u00e7\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es sociais dos alunos como as condi\u00e7\u00f5es de ensino (precariza\u00e7\u00e3o\/falta de recursos das escolas, falta de perspectivas dos alunos e falta de valoriza\u00e7\u00e3o dos professores).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, vemos como o ENEM, a despeito de toda a apar\u00eancia e discurso oficial, \u00e9 um sistema de Provas totalmente funcional ao projeto do capital para a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para resolver de fato os problemas do acesso, perman\u00eancia e qualidade, na perspectiva dos trabalhadores e seus filhos, devemos lutar por:<\/p>\n<p>&#8211; 10% do PIB para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica J\u00e1! Para isso parar de pagar a D\u00edvida P\u00fablica, direcionando parte desse dinheiro para os servi\u00e7os de Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Transporte P\u00fablicos, Gratuitos e de Qualidade!<br \/>\n&#8211; Aumento das Universidades P\u00fablicas e Estatiza\u00e7\u00e3o do ensino pago, sob controle dos trabalhadores e estudantes, gerando vagas suficientes nas Universidades P\u00fablicas, sem perda de qualidade;<br \/>\n&#8211; Fim do vestibular! Que todos possam optar pelos cursos que ajudem no seu desenvolvimento humano e social!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"titulo5\"><\/a>Mulheres: Por uma vida sem catracas, sem machismo e de luta pelo socialismo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que acontece com a nossa vida em per\u00edodos de crise mundial em que a economia afeta diretamente a nossa forma de viver e de sentir o sugar de nossas energias? O alto custo de vida; o sal\u00e1rio baixo; os estudos sem tempo; a redu\u00e7\u00e3o do tempo livre para se divertir, amar, se dedicar ao prazer; a necessidade de se manifestar, se organizar e lutar. Tudo isso aliado \u00e0 opress\u00e3o, ao machismo e \u00e0 viol\u00eancia faz a luta ficar ainda mais pesada, necess\u00e1ria e urgente.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o e a unidade das mulheres para enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da luta anticapitalista \u00e9 o que faz algumas estarem \u00e0 frente de seu tempo. Mas, somente isso n\u00e3o basta. \u00c9 necess\u00e1rio construirmos hoje tamb\u00e9m o tempo que queremos para o amanh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 o tempo de onda reacion\u00e1ria em que a classe que est\u00e1 no poder tenta manter ou intensificar o dom\u00ednio sobre o corpo da mulher trabalhadora, em que cada vez mais a hipocrisia, a mis\u00e9ria e os h\u00e1bitos burgueses ocupam lugar em nossos meios, em que volta-se a exigir a submiss\u00e3o para se avan\u00e7ar na explora\u00e7\u00e3o, em que ser escrava do lar volta a ser atributo fundamental e em que os pr\u00f3prios espa\u00e7os de milit\u00e2ncia passam a reproduzir id\u00eantica onda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 em busca de novos tempos para viver em uma sociedade justa que mulheres est\u00e3o indo para as ruas nas Europa, na \u00c1frica, no Oriente M\u00e9dio e na Am\u00e9rica Latina. Por isso fomos para as ruas no Brasil, construamos!<\/p>\n<h3>O movimento feminista classista e a alternativa socialista!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos grupos feministas defendem a organiza\u00e7\u00e3o independente das mulheres, isto \u00e9, sem qualquer vincula\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria ou ideol\u00f3gica como forma de lutar contra a opress\u00e3o. Acreditam que, como todas as mulheres s\u00e3o oprimidas e devem se unir, independentemente de sua classe, para a luta democr\u00e1tica ou econ\u00f4mica. N\u00e3o acreditemos nisso! Enquanto trabalhadoras, estudantes e desempregadas tom\u00e1vamos as ruas contra o aumento das passagens, a mulher burguesa se recusava a garantir os direitos trabalhistas para a empregada dom\u00e9stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o de classe das mulheres, nos locais de trabalho, nos bairros, nas escolas, nas ruas, nas organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, nos sindicatos e nas entidades estudantis combativas para que lutem por demandas espec\u00edficas ou gerais \u00e9 uma das necessidades da mulher trabalhadora contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, as raz\u00f5es de nossa luta n\u00e3o est\u00e3o apenas no imediato (como pareceu com os 20 centavos), se assim fosse poder\u00edamos nos recolher ap\u00f3s alguma conquista. Queremos transformar a sociedade! No entanto, o movimento feminista em geral n\u00e3o luta por isso. Ao contr\u00e1rio do que prega o feminismo burgu\u00eas ou policlassista (Marcha Mundial de Mulheres, Marcha das Vadias, Femem, etc.) a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres n\u00e3o pode estar dissociada da luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, tamb\u00e9m os movimentos feministas de esquerda n\u00e3o cumprem essa importante tarefa. O Movimento de Mulheres em Luta, um dos maiores, tem se perdido na luta imediata por disputa de dire\u00e7\u00e3o em aparatos, especialmente sindicais, e n\u00e3o busca aproximar militantes e ativistas dessa alternativa vi\u00e1vel de sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passemos a construir hoje, o amanh\u00e3! Que sociedade buscaremos construir sen\u00e3o aquela em que mulheres e homens que trabalham decidam os rumos, o que ser\u00e1 produzido, como ser\u00e1 distribu\u00eddo e de acordo com as necessidades reais da coletividade?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Dilma n\u00e3o nos representa, sejamos antigovernistas!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tempos estamos dizendo que a situa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora \u2013 com o alto n\u00edvel de assassinatos e de mortalidade por aborto, com sal\u00e1rios inferiores, com jornada dupla, com Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Transporte prec\u00e1rios, etc. \u2013 est\u00e1 mais dif\u00edcil e que n\u00e3o mudou com o governo Dilma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Dilma tem destinado 46% do dinheiro p\u00fablico para pagar uma d\u00edvida que n\u00e3o foi a classe trabalhadora quem fez, que n\u00e3o sabemos onde o dinheiro foi usado e que, pelas altas taxas de juros, sabemos que j\u00e1 foi paga. Enquanto que para os hospitais, as escolas e os transportes p\u00fablicos o dinheiro n\u00e3o chega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que acompanhamos Dilma entregar as riquezas do pa\u00eds para as empresas nacionais, transnacionais e favorecer o capital estrangeiro como no caso do petr\u00f3leo, das rodovias, portos, aeroportos, energia el\u00e9trica, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que tentamos barrar as contrarreformas antitrabalhistas e antissociais como o ACE que flexibiliza e acaba com direitos como f\u00e9rias, 13\u00ba, multa dos 40%, horas-extras; a Lei da terceiriza\u00e7\u00e3o; a Reforma da Previd\u00eancia; o fim da estabilidade dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa situa\u00e7\u00e3o demonstra que Dilma n\u00e3o est\u00e1 ao lado da mulher trabalhadora. N\u00e3o \u00e9 um governo de frente popular, defende os interesses da burguesia e sustenta a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s. N\u00e3o poupemos Dilma!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A luta classista, antigovernista e contra o machismo fortalecida na milit\u00e2ncia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e1rdua e necess\u00e1ria luta contra a opress\u00e3o, por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, e os ataques do governo, os nossos anseios foram parar nas ruas com milhares de manifestantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, as nossas necessidades n\u00e3o foram atendidas como a luta contra o Estatuto do Nascituro e descriminaliza\u00e7\u00e3o e legaliza\u00e7\u00e3o do aborto. As nossas manifesta\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o foram suficientes. A bancada religiosa (cat\u00f3licos e evang\u00e9licos), por exemplo, continua tendo o apoio de Dilma e ainda o pastor e deputado Marcos Feliciano continua manifestando sua homofobia impunemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dificuldades do dia a dia e as lutas indicam que governos, empres\u00e1rios, judici\u00e1rio, igreja ganham muito com a degrada\u00e7\u00e3o da vida da mulher e que n\u00e3o v\u00e3o abrir m\u00e3o disso facilmente, pois, dessa forma mant\u00e9m-se tudo como est\u00e1 e, em momentos de crise, possibilita aumentar a opress\u00e3o, o machismo, a homofobia e o racismo, necess\u00e1rios para a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara fortalecer a luta necessitamos desmascarar Dilma e a real situa\u00e7\u00e3o da mulher trabalhadora com o desemprego, a falta de verbas para os servi\u00e7os p\u00fablicos (faltam creches, hospitais, escolas descentes, cria situa\u00e7\u00f5es humilhantes no transporte p\u00fablico, etc.), as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia, etc. Exigir n\u00e3o \u00e9 suficiente, temos que impor! E nas ruas!<br \/>\nAl\u00e9m disso, as organiza\u00e7\u00f5es e entidades de esquerda antes de perderem-se em acordos fechados precisam buscar inser\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas e na luta concreta cotidiana. A CSP-Conlutas, a maior delas, que surgiu no cen\u00e1rio nacional como alternativa poss\u00edvel, tem se aproximado insistentemente de setores aliados ao governo (CUT, For\u00e7a Sindical, etc.) ao inv\u00e9s de desmascar\u00e1-los e privilegiar a unidade com setores anticapitalistas e antigovernistas que constroem a luta. O Movimento de Mulheres em Luta, filiado \u00e0 CSP-Conlutas, dirigido majoritariamente pelo PSTU, segue a mesma trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a luta contra o machismo e o ass\u00e9dio moral, cada vez mais, deve ser cotidiana, inclusive, nos espa\u00e7os da milit\u00e2ncia de esquerda tradicional e outros movimentos. Diante de den\u00fancias ocorridas em manifesta\u00e7\u00f5es, movimentos, entidades estudantis e sindicais (videhttp:\/\/www.deverdeclasse.org\/news\/mulheres-denunciam-pstu-e-csp-conlutas-por-pratica-de-assedio-moral\/#.UZ197aIUvTB ehttp:\/\/www.deverdeclasse.org\/news\/professoras-denunciam-militante-da-csp-conlutas-e-pstu-de-praticar-assedio-moral) a defesa incondicional de apura\u00e7\u00e3o para ado\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es, que busquem extirpar a reprodu\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas que enfraquecem a luta, a mulher, a militante ou ativistas \u00e9 dever!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o secundarizar no dia a dia pr\u00e1ticas e bandeiras classistas, antigovernistas e contra o machismo, a homofobia e o racismo possibilita o avan\u00e7ar da luta e contribui para impedir que a onda reacion\u00e1ria avance para o espa\u00e7o militante de organiza\u00e7\u00f5es, movimentos ou entidades de esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retomar \u00e0s ruas contra os altos valores das passagens, contra os baixos sal\u00e1rios, pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, para que o dinheiro p\u00fablico seja utilizado nos servi\u00e7os p\u00fablicos e contra as privatiza\u00e7\u00f5es, contra as obras da Copa e das Olimp\u00edadas que desabrigam, prostituem e massacram as trabalhadoras e trabalhadores. Por um movimento de mulheres de esquerda que lute contra o capitalismo, o governismo, o machismo e que traga de volta a alternativa socialista para as lutas, mobiliza\u00e7\u00f5es e para a vida! \u00c9 disso que precisamos!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a>R\u00fassia: express\u00e3o m\u00e1xima da falta de liberdade sexual no capitalismo<\/h2>\n<h3 style=\"text-align: right;\">M\u00e1bia Oliveira<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo cen\u00e1rio de agravamento da crise estrutural do capitalismo presenciamos o aumento acentuado do sofrimento dos trabalhadores em geral, e em particular de negros, mulheres e LGBT\u2019s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na atual crise mundial a R\u00fassia \u00e9 a express\u00e3o dessa m\u00e1xima marxista ao tornar crime qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 homossexualidade, a partir da lei antigay e de sua repercuss\u00e3o dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds (com grupos, como o Occupy Pedophilia, que praticam uma verdadeira ca\u00e7a \u00e0s bruxas, com direito \u00e0 tortura em pleno espa\u00e7o p\u00fablico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A R\u00fassia tornou-se o centro da falta de liberdade sexual e da homofobia institucionalizada. A chamada lei antigay vem na esteira de uma s\u00e9rie de leis regionais similares, que foram promulgadas em S\u00e3o Petersburgo e em outras cidades desde 2006. Como exemplo, em 2012, foi promulgada a lei que bane eventos de orgulho gay em Moscou pelos pr\u00f3ximos 100 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos sexualidade como o tra\u00e7o mais \u00edntimo do ser humano, parte integrante da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana. Manifesta-se de maneira diferente em cada indiv\u00edduo. A liberdade sexual, por sua vez, compreende o direito do indiv\u00edduo de se posicionar sexualmente como bem entender, sem sofrer preconceito por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na R\u00fassia desde que o presidente Vladimir Putin assinou a lei que foi aprovada na Duma (c\u00e2mara baixa do Parlamento russo) em vota\u00e7\u00e3o, por 436 votos a 0, no dia 30 de junho, presenciamos a articula\u00e7\u00e3o de muitos grupos neonazistas contra homossexuais, que promovem uma verdadeira ca\u00e7ada e disseminam o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia entre a popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Artigo 6.21 do C\u00f3digo de Viola\u00e7\u00f5es Legais Administrativas da Federa\u00e7\u00e3o Russa permite ao governo multar e prender pessoas acusadas de espalhar \u201cpropaganda de rela\u00e7\u00f5es sexuais n\u00e3o tradicionais entre menores\u201d. Na pr\u00e1tica vai al\u00e9m, incentiva e institucionaliza a homofobia, tornando criminoso o indiv\u00edduo que ousar viver livremente sua sexualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Occupy Pedophilia, liderado pelo not\u00f3rio neonazista russo \u201cTesak\u201d (\u201cO Machadinha\u201d) Martsinkevich, \u00e9 um exemplo e tem usado as redes sociais, especialmente a VKontakte (um subproduto russo do Facebook), para postar falsos an\u00fancios de encontros para atrair homens gays.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses encontros, uma vez frente a frente com os homens, os membros do grupo os interrogam, e os torturam e um v\u00eddeo do encontro \u00e9 postado no Youtube. Alguns dos v\u00eddeos s\u00e3o tamb\u00e9m postados no site do grupo, onde os usu\u00e1rios podem classific\u00e1-los e as v\u00edtimas s\u00e3o categorizadas por orienta\u00e7\u00e3o sexual. At\u00e9 o momento a Occupy Pedophilia tem quase 450 cap\u00edtulos regionais listados na VKontakte. Em contrapartida o governo russo silencia e n\u00e3o pune nenhum agressor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse \u00e9 o cen\u00e1rio de horror e desespero que encontramos na R\u00fassia atualmente. Denunciamos a atitude do governo russo que fecha seus olhos diante da brutalidade sofrida pelos homossexuais, a persegui\u00e7\u00e3o e a censura contra ativistas pelos direitos dos homossexuais na R\u00fassia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo7\"><\/a>Contra o ataque imperialista \u00e0 S\u00edria! Transformar a guerra civil em guerra revolucion\u00e1ria!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento de finalizarmos esse texto, os Estados Unidos, aparentemente, suspende a amea\u00e7a de bombardeios sobre a S\u00edria em base a um acordo mediado pela R\u00fassia, no qual o ditador Bashar Al Assad entregaria todas as armas qu\u00edmicas para controle de \u00f3rg\u00e3os da ONU. A controv\u00e9rsia \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao uso de armas qu\u00edmicas contra a popula\u00e7\u00e3o (um ataque com g\u00e1s sarin teria deixado cerca de 1400 mortos num bairro controlado por rebeldes na pr\u00f3pria capital, Damasco, em 21 de agosto). \u00c9 poss\u00edvel que quando voc\u00ea estiver lendo esse artigo o acordo j\u00e1 tenha sido fechado e mesmo assim tenha havido bombardeios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A S\u00edria enfrenta uma guerra civil desde o in\u00edcio de 2011, quando a popula\u00e7\u00e3o, a exemplo de outros pa\u00edses da regi\u00e3o, saiu \u00e0s ruas para pedir a sa\u00edda da ditadura, iniciada em 1970 por Hafez Assad, pai do atual ditador. As manifesta\u00e7\u00f5es na S\u00edria e a guerra civil que se seguiu s\u00e3o parte do processo mais geral da Primavera \u00c1rabe. O iminente bombardeio estadunidense marca uma importante virada no cen\u00e1rio, com a tentativa do imperialismo de retomar o controle da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O contexto da Primavera \u00c1rabe<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primavera \u00c1rabe se iniciou com uma s\u00e9rie de rebeli\u00f5es populares contra as ditaduras que h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas oprimiam as popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o a servi\u00e7o do imperialismo. Os governos do Egito, Tun\u00edsia e L\u00edbia foram derrubados (com muitas diferen\u00e7as, contradi\u00e7\u00f5es ou retrocessos em cada caso) e v\u00e1rios outros balan\u00e7aram em diversos pa\u00edses. Essas rebeli\u00f5es no Norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio marcaram uma nova situa\u00e7\u00e3o mundial, em que a classe trabalhadora come\u00e7ou a se colocar em luta contra as consequ\u00eancias da crise econ\u00f4mica global iniciada em 2008, como o desemprego (em particular dos jovens), infla\u00e7\u00e3o, etc., parte da crise estrutural do capitalismo. Manifesta\u00e7\u00f5es semelhantes se espalharam pelo mundo e permanecem sendo uma das caracter\u00edsticas centrais dessa nova situa\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, apesar de um sentido geral progressista, essas massivas lutas populares carregam s\u00e9rios limites, em especial a aus\u00eancia de um projeto pol\u00edtico alternativo que ataque as causas dos problemas, que tenha como proposta superar o pr\u00f3prio capitalismo, e de organiza\u00e7\u00f5es de luta baseadas na classe trabalhadora capazes de impulsionar o conjunto das popula\u00e7\u00f5es para lutar por esse projeto. Os povos em luta ainda identificam os problemas que os levam \u00e0s ruas, como desemprego, carestia, corrup\u00e7\u00e3o, etc., com a figura pessoal de um ou outro governante, e imaginam que a sua remo\u00e7\u00e3o resolver\u00e1 os problemas, quando na verdade, al\u00e9m disso, o que se precisa \u00e9 de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o anticapitalista e socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao n\u00e3o conseguir avan\u00e7ar ideologicamente contra o sistema social, hoje a Primavera \u00c1rabe vive um momento bastante delicado, porque o imperialismo e as burguesias locais se reorganizaram e passam a atacar as conquistas democr\u00e1ticas e os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A contraofensiva do imperialismo<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na aus\u00eancia desse projeto, essas gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es acabam se encontrando diante de becos sem sa\u00edda, que resultam nos dram\u00e1ticos desenvolvimentos que temos visto nas \u00faltimas semanas. No Egito, o principal pa\u00eds de toda a regi\u00e3o, a insatisfa\u00e7\u00e3o com o governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana, surgido como alternativa eleitoral \u00e0 rebeli\u00e3o de 2011, levou a manifesta\u00e7\u00f5es ainda maiores do que aquelas que derrubaram o ditador Mubarak.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a falta de organiza\u00e7\u00f5es e programas capazes de unificar todas as for\u00e7as populares deu a oportunidade para que o ex\u00e9rcito (que mant\u00e9m fortes la\u00e7os com o imperialismo estadunidense por conta da ajuda financeira) organizasse um golpe reacion\u00e1rio colocando em risco todas as conquistas democr\u00e1ticas havidas desde ent\u00e3o. Sinal disso s\u00e3o as pris\u00f5es, a repress\u00e3o a todo movimento de massas e a ordem do novo governo militar de retirar da pris\u00e3o o ditador Mubarak, evid\u00eancias inequ\u00edvocas do retrocesso que obrigar\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o a retomar a luta para n\u00e3o sucumbir a uma nova ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A queda de v\u00e1rios governos que eram apoiados pelo imperialismo significou uma derrota importante para o imperialismo, sobretudo o estadunidense, tanto que foi obrigado a apoiar a sa\u00edda de muitos deles, como Mubarak no Egito. No entanto, logo se relocalizou no processo e come\u00e7ou a organizar uma contraofensiva pol\u00edtica, passando a empunhar a bandeira da democracia, renegociar pactos com as burguesias locais, o que permitiu, por exemplo, atacar militarmente a L\u00edbia e retirar do poder Kadafi, que n\u00e3o era totalmente de confian\u00e7a. Com isso, tenta passar a imagem de que \u00e9 contra as ditaduras, defensor da liberdade e da democracia.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O conflito S\u00edrio<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na S\u00edria, o ditador Assad reagiu \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es chamando a minoria alauita (ramo do islamismo xiita) e crist\u00e3 a lutar contra a maioria sunita, que estaria querendo \u201cextermin\u00e1-los\u201d. Na verdade, os alauitas s\u00e3o o setor que controla o pa\u00eds desde o in\u00edcio da ditadura, quando ocuparam os principais cargos no governo e nas for\u00e7as armadas. Com isso, a ditadura transferiu o problema pol\u00edtico e social da insatisfa\u00e7\u00e3o com a ditadura, a partir de onde as divis\u00f5es de classe poderiam unificar os explorados contra o governo, para o terreno da rivalidade religiosa. Cada seita habita determinadas regi\u00f5es e cidades do pa\u00eds, ou mesmo bairros espec\u00edficos das maiores cidades e da capital Damasco, de modo que a divis\u00e3o entre partid\u00e1rios do governo e opositores \u00e9 muito n\u00edtida e bem definida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse chamado do ditador para a luta armada, fac\u00e7\u00f5es baseadas em cada um dos grupos em que se divide a popula\u00e7\u00e3o iniciaram uma sangrenta guerra civil, que j\u00e1 provocou centenas de milhares de mortes, e um n\u00famero ainda maior de feridos, desabrigados e refugiados, obrigados a imigrar para os pa\u00edses vizinhos em condi\u00e7\u00f5es tremendamente prec\u00e1rias para fugir do conflito. A cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria se espalha pela Turquia e Jord\u00e2nia, nos campos de refugiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grupos armados que enfrentam a ditadura de Assad pareciam a princ\u00edpio representar os anseios da popula\u00e7\u00e3o que saiu \u00e0s ruas. Entretanto, os conflitos logo se degeneraram em rivalidades sect\u00e1rias, com os dois lados atacando indiscriminadamente a popula\u00e7\u00e3o civil, pelo simples fato de pertencer \u00e0 outra religi\u00e3o. At\u00e9 mesmo a ONU reconhece que tanto o ex\u00e9rcito do ditador quanto a oposi\u00e7\u00e3o militar praticam crimes de guerra contra a popula\u00e7\u00e3o civil. O ex\u00e9rcito s\u00edrio lan\u00e7ou m\u00e3o de bombardeios a\u00e9reos, m\u00edsseis, morteiros; os opositores usaram carros bombas, franco-atiradores. A espiral de viol\u00eancia chegou ao \u00e1pice com o uso de armas qu\u00edmicas pelo ex\u00e9rcito do ditador. Isso permitiu aos Estados Unidos mobilizar a indigna\u00e7\u00e3o mundial para conseguir a aprova\u00e7\u00e3o para o ataque (trata-se, \u00e9 claro, de um tremendo cinismo, j\u00e1 que as for\u00e7as armadas estadunidenses j\u00e1 perpetraram as maiores atrocidades da hist\u00f3ria, como bombardeios nucleares no fim da II Guerra, napalm na guerra do Vietn\u00e3, muni\u00e7\u00e3o radioativa na ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio dos conflitos em 2011 os diversos setores em luta contra a ditadura de Assad nunca conseguiram a unifica\u00e7\u00e3o. O chamado Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria \u00e9 uma colcha de retalhos, composto por setores burgueses que faziam oposi\u00e7\u00e3o a Assad, desertores do governo (portanto, c\u00famplices da ditadura), setores fundamentalistas e setores ligados \u00e0 Al Qaeda. Alguns desses grupos recebiam armas e muni\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita, testa de ferro dos Estados Unidos na regi\u00e3o. Ao tomar o controle de determinadas regi\u00f5es do pa\u00eds, os grupos fundamentalistas impunham a lei isl\u00e2mica (a chamada sharia), submetendo em especial as mulheres a uma opress\u00e3o e viol\u00eancia ainda mais brutal, tal como os talib\u00e3s no Afeganist\u00e3o.<br \/>\nDiante dessa composi\u00e7\u00e3o e principalmente quanto aos objetivos program\u00e1ticos da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria, n\u00e3o h\u00e1 como chamar a guerra civil s\u00edria de revolu\u00e7\u00e3o, que necessitaria que entre seus objetivos estivesse a luta contra o sistema social. N\u00e3o h\u00e1 como apoiar esse setor no confronto com o ditador. A oposi\u00e7\u00e3o armada n\u00e3o representa a continuidade do movimento popular que fazia oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Assad, mas a sua distor\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da Primavera \u00c1rabe, mas o inverno.<br \/>\nA maioria do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria n\u00e3o se subordina ao movimento dos trabalhadores s\u00edrios, mas sim ao imperialismo. Caso chegue ao poder, v\u00e3o dar sequ\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, tal como acontece hoje na ditadura, com o elemento adicional de que estar\u00e3o cumprindo ordens dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>OS DOIS LADOS EM GUERRA EST\u00c3O CONTRA OS TRABALHADORES<br \/>\nO governo S\u00edrio, por sua vez, recebia apoio material ou pol\u00edtico do Ir\u00e3, da R\u00fassia e da China. Esse apoio decresceu bastante depois do ataque com armas qu\u00edmicas (o governo, \u00e9 claro, culpou os rebeldes pelo ataque, mas ningu\u00e9m pareceu dar ouvido).<br \/>\nEntretanto, o fato de que Assad tenha se tornado um alvo do imperialismo n\u00e3o pode fazer com que, em nome da oposi\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos, se fa\u00e7a qualquer tipo de unidade com o ditador. A posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica dos socialistas revolucion\u00e1rios, diante de qualquer conflito armado entre setores burgueses, deve ser a defesa da independ\u00eancia de classe dos trabalhadores e a transforma\u00e7\u00e3o da guerra civil em uma guerra revolucion\u00e1ria, n\u00e3o lutaremos por interesses da burguesia! Nem a ditadura de Assad nem a oposi\u00e7\u00e3o apoiada pelo imperialismo representam os trabalhadores!<br \/>\nMuitas correntes da pr\u00f3pria esquerda declaram apoio seja aos rebeldes, seja ao ditador, por serem essas as op\u00e7\u00f5es \u201cconcretas\u201d que est\u00e3o opostas em conflito. Em ambos os casos, essas correntes raciocinam a partir de uma concep\u00e7\u00e3o substitu\u00edsta, em que as tarefas dos trabalhadores na revolu\u00e7\u00e3o podem ser cumpridas por outras for\u00e7as, que podem ser os rebeldes de um lado, ou o ditador s\u00edrio do outro (a origem da ditadura s\u00edria est\u00e1 no partido \u201cBaath\u201d, uma vers\u00e3o do nacionalismo \u00e1rabe, que chegou a ser chamada de \u201csocialista\u201d). Numa enorme confus\u00e3o te\u00f3rica, imaginam que a luta contra o ditador de um lado ou a resist\u00eancia ao ataque imperialista do outro possam se transformar automaticamente em passos na dire\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara transformar esses dois lados em alternativas vi\u00e1veis, s\u00e3o obrigados a fazer grotescas opera\u00e7\u00f5es de \u201cmaquiagem\u201d, ora ignorando os v\u00ednculos dos rebeldes com o imperialismo, ora ignorando d\u00e9cadas de crimes da ditadura. Em vez disso, defendemos a independ\u00eancia de classe e da constru\u00e7\u00e3o de organismos pr\u00f3prios dos trabalhadores. N\u00e3o existe atalho para a revolu\u00e7\u00e3o que dispense os socialistas de desenvolver a organiza\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia dos trabalhadores em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ruptura com o capitalismo, fonte de todas as guerras e mis\u00e9rias.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Contra o ataque imperialista!<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais desesperador que pare\u00e7a no caso s\u00edrio, nos posicionamos contra o bombardeio estadunidense, que \u00e9 a principal amea\u00e7a no momento. Ao mesmo tempo, n\u00e3o defendemos o governo Assad, uma ditadura assassina que mantinha algumas contradi\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos e Israel, mas nunca foi favor\u00e1vel aos trabalhadores, nem muito menos socialista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A derrubada do governo s\u00edrio por \u201crebeldes\u201d patrocinados pelo imperialismo n\u00e3o necessariamente significa uma vit\u00f3ria para todos os povos da regi\u00e3o, pois os principais grupos do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria s\u00e3o apoiados por ditaduras da regi\u00e3o (como da Ar\u00e1bia Saudita) que atacam direitos dos trabalhadores em especial as mulheres, proibidas at\u00e9 de mostrarem o rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos trabalhadores s\u00edrios, fazemos o chamado para que transformem essa guerra em sua guerra, a guerra revolucion\u00e1ria contra Assad, o imperialismo e os setores (que s\u00e3o a ampla maioria) reacion\u00e1rios do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria, expropriando as empresas e colocando todas as riquezas a servi\u00e7o das necessidades da popula\u00e7\u00e3o pobre da S\u00edria.<\/p>\n<p>Fora o imperialismo da S\u00edria! Contra os bombardeios!<br \/>\nFora o imperialismo do Oriente M\u00e9dio!<br \/>\nPela vit\u00f3ria da Primavera \u00c1rabe e pela queda das ditaduras da regi\u00e3o!<br \/>\nAbaixo a ditadura de Assad!<br \/>\nContra as ideologias fundamentalistas! Contra a opress\u00e3o das mulheres!<br \/>\nContra os m\u00e9todos terroristas e o massacre da popula\u00e7\u00e3o civil!<br \/>\nPor uma alternativa socialista dos trabalhadores!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Em que momento estamos na nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira? Repress\u00e3o: a m\u00e1scara de quem deve cair? 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