{"id":247,"date":"2010-06-17T11:18:05","date_gmt":"2010-06-17T11:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/247"},"modified":"2018-05-01T00:54:32","modified_gmt":"2018-05-01T03:54:32","slug":"nacional-por-um-programa-socialista-nas-lutas-e-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/06\/nacional-por-um-programa-socialista-nas-lutas-e-nas-eleicoes\/","title":{"rendered":"Nacional: por um programa socialista nas lutas e nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h2>As elei\u00e7\u00f5es e o movimento pol\u00edtico dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior do jornal do Espa\u00e7o Socialista, fizemos uma primeira discuss\u00e3o sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2010, na qual debatemos a necessidade de se construir uma alternativa pol\u00edtica socialista dos trabalhadores, contra os dois campos burgueses representados por Serra e Dilma. Expusemos os motivos pelos quais um eventual governo Dilma-PT, tal como o atual governo Lula-PT, n\u00e3o serve como defesa contra os ataques da burguesia, pois o &#8220;Partido dos Trabalhadores&#8221; no governo tem funcionado como um instrumento da classe dominante, implantando o programa de interesse dos banqueiros, latifundi\u00e1rios e transnacionais. O PT tem implantado esse programa de forma mediada e apresenta essas media\u00e7\u00f5es como se fossem enfrentamento \u00e0 burguesia, mas na verdade s\u00e3o formas de garantir a implanta\u00e7\u00e3o do programa e preservar seus interesses enquanto burocracia. Al\u00e9m disso, o PT tem sido um obst\u00e1culo para a organiza\u00e7\u00e3o e a luta. Basta observar o papel que tem cumprido a CUT (e as demais centrais sindicais pelegas), bem como a dire\u00e7\u00e3o do MST e da UNE, impedindo o desenvolvimento de greves, ocupa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es diretas. Debatemos tamb\u00e9m o papel da democracia burguesa e suas institui\u00e7\u00f5es, que restringem as possibilidades de a\u00e7\u00e3o e de escolha ao ato de votar em um representante a cada quatro anos, deixando-nos de m\u00e3os atadas o restante do tempo.<\/p>\n<p>Por isso propomos a constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que sirva como alternativa tanto na organiza\u00e7\u00e3o das lutas como nas elei\u00e7\u00f5es, retomando a disputa ideol\u00f3gica pela consci\u00eancia da classe de modo a recolocar em pauta a necessidade do socialismo. As organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos trabalhadores que s\u00e3o hoje majorit\u00e1rias, PSOL, PSTU e PCB, por enquanto t\u00eam caminhado na dire\u00e7\u00e3o oposta a esse movimento, apresentando candidaturas pr\u00f3prias, com programas e nomes discutidos nas c\u00fapulas partid\u00e1rias (do PCO nem se fala, pois jamais atuou em unidade, nem eleitoral nem no movimento, tendo como prioridade atacar o restante da esquerda, a ponto de funcionar como bra\u00e7o auxiliar da burocracia petista para dividir o movimento). PSOL e PSTU tamb\u00e9m t\u00eam realizando um debate rebaixado no Conclat, em que se vislumbra claramente uma disputa pelo controle do pequeno aparato que est\u00e1 sendo criado na nova central, mais do que que uma busca real pela renova\u00e7\u00e3o das formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe (quanto ao PCB, nem sequer participa do Conclat). A cr\u00edtica que fazemos a essas organiza\u00e7\u00f5es vai no sentido de lembrar que a necessidade da classe de reconstruir as suas refer\u00eancias ideol\u00f3gicas, renovar seus m\u00e9todos e rearmar seus instrumentos de luta, \u00e9 algo que deve estar acima dos interesses desta ou daquela organiza\u00e7\u00e3o, por isso a constru\u00e7\u00e3o de um ponto de apoio unit\u00e1rio \u00e9 fundamental.<\/p>\n<h2>O movimento pol\u00edtico e o programa<\/h2>\n<p>Esse movimento pol\u00edtico unit\u00e1rio teria como tarefa romper o cerco da democracia burguesa e suas candidaturas, colocando em discuss\u00e3o um programa que represente as reais necessidades dos trabalhadores. A escala e a magnitude dos problemas colocados e a radicalidade das solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias imp\u00f5em a constru\u00e7\u00e3o de um movimento que ultrapasse a esfera sindical e tamb\u00e9m a eleitoral. A situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em que vivemos, com uma crise societal latente mal disfar\u00e7ada pelo desempenho artificial da economia, exige que a nossa classe esteja em condi\u00e7\u00f5es de retomar a iniciativa pol\u00edtica e apresentar propostas pr\u00f3prias para solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. Os pontos de programa que apresentamos a seguir buscam levantar brevemente alguns dos problemas com os quais estamos defrontados e as respectivas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; A economia brasileira est\u00e1 sendo sustentada pela inje\u00e7\u00e3o de dinheiro do Estado nas empresas e pela explos\u00e3o do cr\u00e9dito que permite que a classe m\u00e9dia e uma parte dos trabalhadores fa\u00e7a empr\u00e9stimos e assim tenha acesso ao consumo. Mas n\u00e3o est\u00e1 havendo crescimento dos sal\u00e1rios: a m\u00e3o de obra que foi demitida no auge da crise est\u00e1 sendo contratada para ganhar menos e trabalhar mais, com o aumento da explora\u00e7\u00e3o acontecendo em todas as empresas. Por isso defendemos: Reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e defesa dos direitos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias! Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios! Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea\u00e7arem fechar!<\/p>\n<p>&#8211; Em momentos de crise econ\u00f4mica os trabalhadores negros s\u00e3o sempre os primeiros a serem demitidos, e quando acontece um reaquecimento, s\u00e3o os \u00faltimos a serem contratados, sempre ganhando menos, mesmo quando executam a mesma fun\u00e7\u00e3o, sendo que em geral v\u00e3o para as fun\u00e7\u00f5es mais subalternas e mais exploradas, o que \u00e9 ainda pior no caso das mulheres negras. Por isso defendemos: Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/p>\n<p>&#8211; O governo federal, estados e munic\u00edpios gastaram cerca de R$ 360 bilh\u00f5es no pagamento de d\u00edvidas em 2009. Esse valor \u00e9 mais do que o dobro da folha do funcionalismo, que est\u00e1 em R$ 165 bilh\u00f5es. Enquanto isso, a maioria da popula\u00e7\u00e3o sofre com moradias prec\u00e1rias, falta de saneamento b\u00e1sico, aus\u00eancia de transporte p\u00fablico, um sistema de sa\u00fade extremamente deficiente, educa\u00e7\u00e3o sucateada, falta de funcion\u00e1rios, etc. Por isso defendemos: N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/p>\n<p>&#8211; A mineradora Vale do Rio Doce foi privatizada no governo FHC pelo valor de R$ 3 bilh\u00f5es, um verdadeiro crime de lesa-p\u00e1tria, pois o seu valor hoje \u00e9 estimado em mais de R$ 100 bilh\u00f5es. O governo Lula n\u00e3o reverteu essa privatiza\u00e7\u00e3o e nenhuma outra, e realizou novas privatiza\u00e7\u00f5es, como as das reservas de petr\u00f3leo, estradas, concess\u00f5es do uso de florestas, bancos estaduais, etc. Al\u00e9m disso, as empresas estatais remanescentes, como Petrobr\u00e1s e Banco do Brasil, s\u00e3o geridas como empresas privadas, repartindo seus lucros com acionistas privados, inclusive estrangeiros, superexplorando seus funcion\u00e1rios e n\u00e3o gerando retorno para a sociedade. Por isso defendemos: Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale, Embraer e demais empresas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores! Que a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal seja feita por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores! Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p>&#8211; O Brasil possui as mais importantes reservas de florestas, de biodiversidade e de \u00e1gua doce do mundo. Esse patrim\u00f4nio est\u00e1 sendo destru\u00eddo por madeireiras, plantadores de soja e criadores de gado, que derrubam florestas para praticar um tipo de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria que esgota o solo e produz sua desertifica\u00e7\u00e3o. Boa parte dessa devasta\u00e7\u00e3o acontece em terras p\u00fablicas ocupadas ilegalmente, por meio da grilagem, ou ainda, \u00e0s custas dos povos origin\u00e1rios. O chamado agro-neg\u00f3cio, vedete da m\u00eddia burguesa por conta dos saldos comerciais, pratica ainda as mais brutais formas de explora\u00e7\u00e3o, das quais s\u00e3o v\u00edtimas por exemplo os trabalhadores do corte de cana. A burguesia agr\u00e1ria destr\u00f3i a terra, rouba o patrim\u00f4nio p\u00fablico e mata trabalhadores. Os sem-terra s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da repress\u00e3o, mortos por jagun\u00e7os e ao mesmo tempo perseguidos como criminosos pela justi\u00e7a burguesa. Enquanto isso, a popula\u00e7\u00e3o urbana convive com altas dos pre\u00e7os dos alimentos e com a qualidade duvidosa dos produtos que lhe s\u00e3o oferecidos, j\u00e1 que a melhor parte da produ\u00e7\u00e3o vai para exporta\u00e7\u00e3o. Por isso defendemos: Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores! Expropria\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio sob controle dos trabalhadores! Rumo ao fim da propriedade privada! Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&#8211; No in\u00edcio de 2010 as fortes chuvas provocaram inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos que afetaram principalmente as popula\u00e7\u00f5es mais pobres e os bairros perif\u00e9ricos em grandes cidades como Rio e S\u00e3o Paulo. Houve dezenas de mortes, milhares de desabrigados, enormes preju\u00edzos e transtornos para milh\u00f5es de trabalhadores impedidos de se locomover nas metr\u00f3poles. Os desastres provocados pelas chuvas n\u00e3o s\u00e3o obra da natureza e sim de uma organiza\u00e7\u00e3o urbana ca\u00f3tica, que prioriza o conforto da burguesia, os lucros da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e da ind\u00fastria automobil\u00edstica. Por isso defendemos: Expropriar os im\u00f3veis usados para lucro da burguesia e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores! Um grande plano de moradias populares! Fim do financiamento p\u00fablico para condom\u00ednios de luxo e utiliza\u00e7\u00e3o dessa verba em moradias populares! Indeniza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, isen\u00e7\u00e3o de impostos e moradia para todas as v\u00edtimas de enchentes e deslizamentos! Por um plano de obras p\u00fablicas que priorize o saneamento e a despolui\u00e7\u00e3o de rios e lagos! Investimento em transporte p\u00fablico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo!<\/p>\n<p>Nenhuma dessas medidas, que s\u00e3o as \u00fanicas capazes de resolver de fato os problemas reais dos trabalhadores, podem ser obtidas pelos meios de participa\u00e7\u00e3o atualmente dispon\u00edveis no quadro da democracia burguesa, pois se chocam frontalmente com instrumentos criados para proteger os interesses da classe dominante. Toda a ordem estabelecida, o Estado e suas ramifica\u00e7\u00f5es, o judici\u00e1rio, os partidos pol\u00edticos, etc., o conjunto das institui\u00e7\u00f5es atualmente existentes foram criados para desviar e bloquear essas demandas. A luta pelo programa que expusemos e a constru\u00e7\u00e3o dos organismos prolet\u00e1rios adequados a essa tarefa necessariamente se chocam com a estrutura do Estado burgu\u00eas e exigem a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder pol\u00edtico e social da classe trabalhadora. A classe trabalhadora precisa criar seus pr\u00f3prios organismos de luta, que sejam os embri\u00f5es de novos mecanismos de administra\u00e7\u00e3o, capazes de reorganizar a produ\u00e7\u00e3o social em bases racionais, tendo em vista o atendimento das necessidades humanas e a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais emancipadas. Esses organismos devem ter como princ\u00edpios a independ\u00eancia de classe, a democracia oper\u00e1ria, a participa\u00e7\u00e3o da base, a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e a disputa ideol\u00f3gica, e ter como tarefa impulsionar um processo de ruptura revolucion\u00e1ria contra a sociedade capitalista, pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta! Por uma sociedade socialista!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h2>As elei\u00e7\u00f5es e o movimento pol\u00edtico dos trabalhadores<\/h2>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o anterior do jornal do Espa\u00e7o Socialista, fizemos uma primeira discuss\u00e3o sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2010, na qual debatemos a necessidade de se construir uma alternativa pol\u00edtica socialista dos trabalhadores, contra os dois campos burgueses representados por Serra e Dilma. Expusemos os motivos pelos quais um eventual governo Dilma-PT, tal como o atual governo Lula-PT, n\u00e3o serve como defesa contra os ataques da burguesia, pois o &#8220;Partido dos Trabalhadores&#8221; no governo tem funcionado como um instrumento da classe dominante, implantando o programa de interesse dos banqueiros, latifundi\u00e1rios e transnacionais. O PT tem implantado esse programa de forma mediada e apresenta essas media\u00e7\u00f5es como se fossem enfrentamento \u00e0 burguesia, mas na verdade s\u00e3o formas de garantir a implanta\u00e7\u00e3o do programa e preservar seus interesses enquanto burocracia. Al\u00e9m disso, o PT tem sido um obst\u00e1culo para a organiza\u00e7\u00e3o e a luta. Basta observar o papel que tem cumprido a CUT (e as demais centrais sindicais pelegas), bem como a dire\u00e7\u00e3o do MST e da UNE, impedindo o desenvolvimento de greves, ocupa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es diretas. Debatemos tamb\u00e9m o papel da democracia burguesa e suas institui\u00e7\u00f5es, que restringem as possibilidades de a\u00e7\u00e3o e de escolha ao ato de votar em um representante a cada quatro anos, deixando-nos de m\u00e3os atadas o restante do tempo.<\/p>\n<p>Por isso propomos a constru\u00e7\u00e3o de um movimento pol\u00edtico dos trabalhadores, que sirva como alternativa tanto na organiza\u00e7\u00e3o das lutas como nas elei\u00e7\u00f5es, retomando a disputa ideol\u00f3gica pela consci\u00eancia da classe de modo a recolocar em pauta a necessidade do socialismo. As organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dos trabalhadores que s\u00e3o hoje majorit\u00e1rias, PSOL, PSTU e PCB, por enquanto t\u00eam caminhado na dire\u00e7\u00e3o oposta a esse movimento, apresentando candidaturas pr\u00f3prias, com programas e nomes discutidos nas c\u00fapulas partid\u00e1rias (do PCO nem se fala, pois jamais atuou em unidade, nem eleitoral nem no movimento, tendo como prioridade atacar o restante da esquerda, a ponto de funcionar como bra\u00e7o auxiliar da burocracia petista para dividir o movimento). PSOL e PSTU tamb\u00e9m t\u00eam realizando um debate rebaixado no Conclat, em que se vislumbra claramente uma disputa pelo controle do pequeno aparato que est\u00e1 sendo criado na nova central, mais do que que uma busca real pela renova\u00e7\u00e3o das formas de organiza\u00e7\u00e3o da classe (quanto ao PCB, nem sequer participa do Conclat). A cr\u00edtica que fazemos a essas organiza\u00e7\u00f5es vai no sentido de lembrar que a necessidade da classe de reconstruir as suas refer\u00eancias ideol\u00f3gicas, renovar seus m\u00e9todos e rearmar seus instrumentos de luta, \u00e9 algo que deve estar acima dos interesses desta ou daquela organiza\u00e7\u00e3o, por isso a constru\u00e7\u00e3o de um ponto de apoio unit\u00e1rio \u00e9 fundamental.<\/p>\n<h2>O movimento pol\u00edtico e o programa<\/h2>\n<p>Esse movimento pol\u00edtico unit\u00e1rio teria como tarefa romper o cerco da democracia burguesa e suas candidaturas, colocando em discuss\u00e3o um programa que represente as reais necessidades dos trabalhadores.\tA escala e a magnitude dos problemas colocados e a radicalidade das solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias imp\u00f5em a constru\u00e7\u00e3o de um movimento que ultrapasse a esfera sindical e tamb\u00e9m a eleitoral. A situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em que vivemos, com uma crise societal latente mal disfar\u00e7ada pelo desempenho artificial da economia, exige que a nossa classe esteja em condi\u00e7\u00f5es de retomar a iniciativa pol\u00edtica e apresentar propostas pr\u00f3prias para solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. Os pontos de programa que apresentamos a seguir buscam levantar brevemente alguns dos problemas com os quais estamos defrontados e as respectivas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; A economia brasileira est\u00e1 sendo sustentada pela inje\u00e7\u00e3o de dinheiro do Estado nas empresas e pela explos\u00e3o do cr\u00e9dito que permite que a classe m\u00e9dia e uma parte dos trabalhadores fa\u00e7a empr\u00e9stimos e assim tenha acesso ao consumo. Mas n\u00e3o est\u00e1 havendo crescimento dos sal\u00e1rios: a m\u00e3o de obra que foi demitida no auge da crise est\u00e1 sendo contratada para ganhar menos e trabalhar mais, com o aumento da explora\u00e7\u00e3o acontecendo em todas as empresas. Por isso defendemos: Reposi\u00e7\u00e3o das perdas salariais e defesa dos direitos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho! Carteira assinada e direitos trabalhistas para todos, fim da terceiriza\u00e7\u00e3o, da informalidade e da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho! Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE como piso para todas as categorias! Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios! Estatiza\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores e sem indeniza\u00e7\u00e3o de todas as empresas que demitirem, se transferirem ou amea\u00e7arem fechar!<\/p>\n<p>&#8211; Em momentos de crise econ\u00f4mica os trabalhadores negros s\u00e3o sempre os primeiros a serem demitidos, e quando acontece um reaquecimento, s\u00e3o os \u00faltimos a serem contratados, sempre ganhando menos, mesmo quando executam a mesma fun\u00e7\u00e3o, sendo que em geral v\u00e3o para as fun\u00e7\u00f5es mais subalternas e mais exploradas, o que \u00e9 ainda pior no caso das mulheres negras. Por isso defendemos: Cotas proporcionais para negros e negras em todos os empregos gerados e em todos os setores da sociedade!<\/p>\n<p>&#8211; O governo federal, estados e munic\u00edpios gastaram cerca de R$ 360 bilh\u00f5es no pagamento de d\u00edvidas em 2009. Esse valor \u00e9 mais do que o dobro da folha do funcionalismo, que est\u00e1 em R$ 165 bilh\u00f5es. Enquanto isso, a maioria da popula\u00e7\u00e3o sofre com moradias prec\u00e1rias, falta de saneamento b\u00e1sico, aus\u00eancia de transporte p\u00fablico, um sistema de sa\u00fade extremamente deficiente, educa\u00e7\u00e3o sucateada, falta de funcion\u00e1rios, etc. Por isso defendemos: N\u00e3o pagamento das d\u00edvidas p\u00fablicas, interna e externa, e investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer!<\/p>\n<p>&#8211; A mineradora Vale do Rio Doce foi privatizada no governo FHC pelo valor de R$ 3 bilh\u00f5es, um verdadeiro crime de lesa-p\u00e1tria, pois o seu valor hoje \u00e9 estimado em mais de R$ 100 bilh\u00f5es. O governo Lula n\u00e3o reverteu essa privatiza\u00e7\u00e3o e nenhuma outra, e realizou novas privatiza\u00e7\u00f5es, como as das reservas de petr\u00f3leo, estradas, concess\u00f5es do uso de florestas, bancos estaduais, etc. Al\u00e9m disso, as empresas estatais remanescentes, como Petrobr\u00e1s e Banco do Brasil, s\u00e3o geridas como empresas privadas, repartindo seus lucros com acionistas privados, inclusive estrangeiros, superexplorando seus funcion\u00e1rios e n\u00e3o gerando retorno para a sociedade. Por isso defendemos: Reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale, Embraer e demais empresas privatizadas, sem indeniza\u00e7\u00e3o e sob controle dos trabalhadores! Que a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal seja feita por uma Petrobr\u00e1s 100% estatal e sob controle dos trabalhadores! Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores! Fim da remessa de lucros para o exterior!<\/p>\n<p>&#8211; O Brasil possui as mais importantes reservas de florestas, de biodiversidade e de \u00e1gua doce do mundo. Esse patrim\u00f4nio est\u00e1 sendo destru\u00eddo por madeireiras, plantadores de soja e criadores de gado, que derrubam florestas para praticar um tipo de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria que esgota o solo e produz sua desertifica\u00e7\u00e3o. Boa parte dessa devasta\u00e7\u00e3o acontece em terras p\u00fablicas ocupadas ilegalmente, por meio da grilagem, ou ainda, \u00e0s custas dos povos origin\u00e1rios. O chamado agro-neg\u00f3cio, vedete da m\u00eddia burguesa por conta dos saldos comerciais, pratica ainda as mais brutais formas de explora\u00e7\u00e3o, das quais s\u00e3o v\u00edtimas por exemplo os trabalhadores do corte de cana. A burguesia agr\u00e1ria destr\u00f3i a terra, rouba o patrim\u00f4nio p\u00fablico e mata trabalhadores. Os sem-terra s\u00e3o as maiores v\u00edtimas da repress\u00e3o, mortos por jagun\u00e7os e ao mesmo tempo perseguidos como criminosos pela justi\u00e7a burguesa. Enquanto isso, a popula\u00e7\u00e3o urbana convive com altas dos pre\u00e7os dos alimentos e com a qualidade duvidosa dos produtos que lhe s\u00e3o oferecidos, j\u00e1 que a melhor parte da produ\u00e7\u00e3o vai para exporta\u00e7\u00e3o. Por isso defendemos: Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores! Expropria\u00e7\u00e3o do latif\u00fandio e do agroneg\u00f3cio sob controle dos trabalhadores! Rumo ao fim da propriedade privada! Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora!<\/p>\n<p>&#8211; No in\u00edcio de 2010 as fortes chuvas provocaram inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos que afetaram principalmente as popula\u00e7\u00f5es mais pobres e os bairros perif\u00e9ricos em grandes cidades como Rio e S\u00e3o Paulo. Houve dezenas de mortes, milhares de desabrigados, enormes preju\u00edzos e transtornos para milh\u00f5es de trabalhadores impedidos de se locomover nas metr\u00f3poles. Os desastres provocados pelas chuvas n\u00e3o s\u00e3o obra da natureza e sim de uma organiza\u00e7\u00e3o urbana ca\u00f3tica, que prioriza o conforto da burguesia, os lucros da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e da ind\u00fastria automobil\u00edstica. Por isso defendemos: Expropriar os im\u00f3veis usados para lucro da burguesia e coloc\u00e1-los \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores! Um grande plano de moradias populares! Fim do financiamento p\u00fablico para condom\u00ednios de luxo e utiliza\u00e7\u00e3o dessa verba em moradias populares! Indeniza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, isen\u00e7\u00e3o de impostos e moradia para todas as v\u00edtimas de enchentes e deslizamentos! Por um plano de obras p\u00fablicas que priorize o saneamento e a despolui\u00e7\u00e3o de rios e lagos! Investimento em transporte p\u00fablico de qualidade que priorize o modelo de transporte coletivo!<\/p>\n<p>Nenhuma dessas medidas, que s\u00e3o as \u00fanicas capazes de resolver de fato os problemas reais dos trabalhadores, podem ser obtidas pelos meios de participa\u00e7\u00e3o atualmente dispon\u00edveis no quadro da democracia burguesa, pois se chocam frontalmente com instrumentos criados para proteger os interesses da classe dominante. Toda a ordem estabelecida, o Estado e suas ramifica\u00e7\u00f5es, o judici\u00e1rio, os partidos pol\u00edticos, etc., o conjunto das institui\u00e7\u00f5es atualmente existentes foram criados para desviar e bloquear essas demandas. A luta pelo programa que expusemos e a constru\u00e7\u00e3o dos organismos prolet\u00e1rios adequados a essa tarefa necessariamente se chocam com a estrutura do Estado burgu\u00eas e exigem a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder pol\u00edtico e social da classe trabalhadora. A classe trabalhadora precisa criar seus pr\u00f3prios organismos de luta, que sejam os embri\u00f5es de novos mecanismos de administra\u00e7\u00e3o, capazes de reorganizar a produ\u00e7\u00e3o social em bases racionais, tendo em vista o atendimento das necessidades humanas e a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais emancipadas. Esses organismos devem ter como princ\u00edpios a independ\u00eancia de classe, a democracia oper\u00e1ria, a participa\u00e7\u00e3o da base, a luta contra a burocratiza\u00e7\u00e3o e a disputa ideol\u00f3gica, e ter como tarefa impulsionar um processo de ruptura revolucion\u00e1ria contra a sociedade capitalista, pela constru\u00e7\u00e3o do socialismo. Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta! Por uma sociedade socialista!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73,63],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=247"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6044,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247\/revisions\/6044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}