{"id":248,"date":"2010-06-17T11:25:51","date_gmt":"2010-06-17T14:25:51","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/248"},"modified":"2018-05-05T18:09:59","modified_gmt":"2018-05-05T21:09:59","slug":"politicas-neoliberais-na-educacao-e-a-intensificacao-do-trabalho-docente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2010\/06\/politicas-neoliberais-na-educacao-e-a-intensificacao-do-trabalho-docente\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas neoliberais na educa\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente"},"content":{"rendered":"<p>Neste artigo mostraremos, de modo inicial, a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente como resultado da reestrutura\u00e7\u00e3o curricular. Trabalharemos em nossa an\u00e1lise com a Proposta (imposta) Curricular do governo de S\u00e3o Paulo para as escolas p\u00fablicas e suas implica\u00e7\u00f5es no trabalho di\u00e1rio dos professores.<\/p>\n<p>A Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo reflete a inger\u00eancia das pol\u00edticas neoliberais para a Educa\u00e7\u00e3o ditadas pelos organismos internacionais (FMI, BIRD, UNESCO). Essa interven\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de seus discursos (qualidade, efici\u00eancia e produtividade), procura maquiar a precariza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico e responsabilizar o professor pelo fracasso escolar dos filhos de trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica. Esse quadro resulta da drenagem dos recursos p\u00fablicos, que deveriam ser investidos nos servi\u00e7os sociais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte coletivo), para salvar o capitalismo em crise e construir obras de interesses dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<h2> intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente<\/h2>\n<p>Entendemos por intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente o processo de proletariza\u00e7\u00e3o do professor com o excesso de trabalho, perda da liberdade de c\u00e1tedra e de identidade docente, condi\u00e7\u00f5es de trabalho desfavor\u00e1veis ao processo de ensino-aprendizagem, perda do poder aquisitivo para investimento em forma\u00e7\u00e3o intelectual e, em muitos casos, exposi\u00e7\u00e3o direta \u00e0 viol\u00eancia. Tudo isso gera desmotiva\u00e7\u00e3o e falta de realiza\u00e7\u00e3o no trabalho.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno decorre da implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais na Educa\u00e7\u00e3o, que reestruturaram o curr\u00edculo e intensificaram o trabalho docente. Em pouco mais de 10 anos (a partir de 1995) os professores perderam conquistas de um s\u00e9culo (enquanto corpo profissional, envolvimento na determina\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos conte\u00fados curriculares, das pr\u00e1ticas escolares e da pol\u00edtica educacional em geral).<\/p>\n<p>Press\u00e3o, ass\u00e9dio moral, controle sobre o trabalho do professor com coordenadores pedag\u00f3gicos assistindo \u00e0s aulas, preenchimento de infinitos relat\u00f3rios que n\u00e3o servem para sanar problemas e a centraliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo fazem parte da rotina do professor da rede p\u00fablica de ensino do estado de S\u00e3o Paulo nessa fase de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho do professor. Segundo Vieira Hypolito e Pizzi (2009, p.105) esse processo tem como principais caracter\u00edsticas:<\/p>\n<ol>\n<li>Conduzir \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do tempo para descanso na jornada de trabalho;\n<li>Implicar a falta de tempo para a atualiza\u00e7\u00e3o em alguns campos e requalifica\u00e7\u00e3o em certas habilidades necess\u00e1rias;\n<li>Implicar uma sensa\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e persistente de sobrecarga de trabalho que sempre parece estar aumentando, mais e mais tem para ser feito e menos tempo existe para fazer o que deve ser feito;\n<li>Conduzir \u00e0 redu\u00e7\u00e3o na qualidade do tempo, pois para se &#8216;ganhar&#8217; tempo somente o &#8216;essencial&#8217; \u00e9 realizado. Isso aumenta o isolamento, reduzindo as chances de intera\u00e7\u00e3o (j\u00e1 que a participa\u00e7\u00e3o motiva comportamento cr\u00edtico) e limitando as possibilidades de reflex\u00e3o conjunta;\n<li>Introduz solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas simplificadas para as mudan\u00e7as curriculares a fim de compensar o reduzido tempo de preparo;\n<li>Freq\u00fcentemente os processos de intensifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o mal interpretados como sendo uma forma de profissionaliza\u00e7\u00e3o e muitas vezes \u00e9 voluntariamente apoiada e confundida com profissionalismo.\n<\/ol>\n<p>Este \u00faltimo aspecto nos mostra o quanto a doutrina neoliberal na Educa\u00e7\u00e3o se apega no fato de o desenvolvimento profissional do professor ser colocado como um processo vital\u00edcio de integra\u00e7\u00e3o contextualizada entre o indiv\u00edduo docente e o contexto escolar. Incute assim auto-intensifica\u00e7\u00e3o. O professor tem que se capacitar, se preparar e se especializar constantemente. E a m\u00eddia repete sistematicamente &#8220;o problema est\u00e1 no professor, que \u00e9 acomodado&#8221;.<\/p>\n<p>Da\u00ed entendemos as campanhas de culpabiliza\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e de ataque a auto-estima dos professores realizadas pelos governos municipais, estaduais e federal. Sobretudo, aqui, no estado de S\u00e3o Paulo a reestrutura\u00e7\u00e3o educativa neoliberal se deu e se d\u00e1 de modo mais aprofundado. \u00c9 necess\u00e1rio expor e fragilizar o professor para implementar a pol\u00edtica educacional do capital em crise estrutural. Isto evidencia tamb\u00e9m os motivos de nossa greve, com mais de 30 dias, a maior dos \u00faltimos 10 anos, ter sido t\u00e3o atacada e combatida pelos governos e pela grande m\u00eddia.<\/p>\n<h2> t\u00e9dio e a frustra\u00e7\u00e3o tomam conta das escolas<\/h2>\n<p>Imposta de cima para baixo &#8211; sem qualquer discuss\u00e3o pr\u00e9via com professores, pais e alunos e trazendo em seu bojo t\u00f3picos e textos convencionais, m\u00e9todos de ensino e de avalia\u00e7\u00e3o &#8211; a Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo tornou-se fonte de problemas sistem\u00e1ticos. Isto \u00e9, n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a realidade das escolas, nos tornam meros executores de tarefas obrigados a trabalhar com m\u00e9todos que, sabemos, n\u00e3o v\u00e3o dar certo. Fracasso anunciado. O professor se sente frustrado, desmotivado, entediado e ref\u00e9m de uma situa\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o criou.<\/p>\n<p>Isto nos exp\u00f5e diante dos alunos, aumentando os problemas disciplinares, pois a imposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os atinge. S\u00e3o obrigados a seguir e a cumprir o que \u00e9 imposto no Caderno do Aluno. Ao mesmo tempo, divide-os entre uma minoria academicamente bem sucedida e uma maioria academicamente desmotivada e indignada. Tem sido freq\u00fcentes as rea\u00e7\u00f5es contra essa imposi\u00e7\u00e3o. Rasgam o caderno, jogam no lixo, p\u00f5e fogo, fazem avi\u00e3ozinho, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso faz o professor se isolar na escola e na sala de aula, o que reduz a rela\u00e7\u00e3o com os professores e com os pr\u00f3prios alunos. Estes muitas vezes s\u00e3o tratados como inimigos. Dessa forma, as sa\u00eddas para os problemas passam a ser buscadas individualmente ou no \u00e2mbito da pr\u00f3pria escola e deixam de ser tratadas coletivamente.<\/p>\n<p>M\u00e9todos ou curr\u00edculos alternativos s\u00e3o combatidos e desacreditados com o argumento de que abandonam o real conhecimento e qualidade da Educa\u00e7\u00e3o. Existe, dessa forma, pouco espa\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias alternativas, pois a Educa\u00e7\u00e3o sob o paradigma vigente \u00e9 vista como &#8220;uma forma de adestramento, disciplinariza\u00e7\u00e3o, treinamento e dociliza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, do que como um meio de transforma\u00e7\u00e3o e de revolu\u00e7\u00e3o social&#8221; (Santos, 2008, p. 51). Ou seja, formar m\u00e3o de obra que se ad\u00e9q\u00fce \u00e0s necessidades do mercado, que ora aceite trabalhar de forma precarizada em condi\u00e7\u00f5es de trabalho deplor\u00e1vel e ora aceite o desemprego.<\/p>\n<p>Sendo assim, &#8220;a maioria dos projetos de interven\u00e7\u00e3o produz pouca mudan\u00e7a quando s\u00e3o avaliados atrav\u00e9s de formas convencionais; e os que realmente parecem produzir mudan\u00e7as n\u00e3o seguem um padr\u00e3o definido&#8221;. (Connell, 1995, p.30)<\/p>\n<h2>A luta por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade deve ir al\u00e9m do corporativismo<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o pode mais ser tratada como uma luta dos professores. \u00c9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m dos muros da escola e dos limites da pr\u00f3pria rede de ensino. Os trabalhadores, de um modo geral (pois s\u00e3o eles que matriculam seus filhos na escola p\u00fablica), precisam participar das discuss\u00f5es sobre a qualidade de ensino e da luta dos professores. Os sindicatos, sobretudo os de esquerda, dever\u00e3o discutir no \u00e2mbito de suas categorias os problemas da educa\u00e7\u00e3o, tendo no horizonte a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por isso que hoje o sentido da mudan\u00e7a educacional radical n\u00e3o pode ser se n\u00e3o o rasgar da camisa-de-for\u00e7a da l\u00f3gica incorrig\u00edvel do sistema: perseguir de modo planejado e consistente um estrat\u00e9gia de rompimento do controle exercido pelo capital, com todos os meios dispon\u00edveis, bem como com todos os meios ainda a ser inventados, e que tenha o mesmo esp\u00edrito&#8221;. (M\u00e9sz\u00e1ros, 2005, p.35)<\/p>\n<p>Portanto, a nossa luta deve assumir um car\u00e1ter emancipat\u00f3rio, que vislumbre uma sociedade sem classes e fraternal em que a escola, em todos os n\u00edveis, n\u00e3o possa ser prec\u00e1ria. Uma sociedade Socialista, em que o ensino defender\u00e1 exclusivamente, os interesses dos trabalhadores!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste artigo mostraremos, de modo inicial, a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente como resultado da reestrutura\u00e7\u00e3o curricular. Trabalharemos em nossa an\u00e1lise com a Proposta (imposta) Curricular do governo de S\u00e3o Paulo para as escolas p\u00fablicas e suas implica\u00e7\u00f5es no trabalho di\u00e1rio dos professores.<\/p>\n<p>A Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo reflete a inger\u00eancia das pol\u00edticas neoliberais para a Educa\u00e7\u00e3o ditadas pelos organismos internacionais (FMI, BIRD, UNESCO). Essa interven\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de seus discursos (qualidade, efici\u00eancia e produtividade), procura maquiar a precariza\u00e7\u00e3o do ensino p\u00fablico e responsabilizar o professor pelo fracasso escolar dos filhos de trabalhadores que estudam na escola p\u00fablica. Esse quadro resulta da drenagem dos recursos p\u00fablicos, que deveriam ser investidos nos servi\u00e7os sociais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte coletivo), para salvar o capitalismo em crise e construir obras de interesses dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<h2> intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente<\/h2>\n<p>Entendemos por intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho docente o processo de proletariza\u00e7\u00e3o do professor com o excesso de trabalho, perda da liberdade de c\u00e1tedra e de identidade docente, condi\u00e7\u00f5es de trabalho desfavor\u00e1veis ao processo de ensino-aprendizagem, perda do poder aquisitivo para investimento em forma\u00e7\u00e3o intelectual e, em muitos casos, exposi\u00e7\u00e3o direta \u00e0 viol\u00eancia. Tudo isso gera desmotiva\u00e7\u00e3o e falta de realiza\u00e7\u00e3o no trabalho.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno decorre da implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais na Educa\u00e7\u00e3o, que reestruturaram o curr\u00edculo e intensificaram o trabalho docente. Em pouco mais de 10 anos (a partir de 1995) os professores perderam conquistas de um s\u00e9culo (enquanto corpo profissional, envolvimento na determina\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos conte\u00fados curriculares, das pr\u00e1ticas escolares e da pol\u00edtica educacional em geral).<\/p>\n<p>Press\u00e3o, ass\u00e9dio moral, controle sobre o trabalho do professor com coordenadores pedag\u00f3gicos assistindo \u00e0s aulas, preenchimento de infinitos relat\u00f3rios que n\u00e3o servem para sanar problemas e a centraliza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo fazem parte da rotina do professor da rede p\u00fablica de ensino do estado de S\u00e3o Paulo nessa fase de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho do professor. 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E a m\u00eddia repete sistematicamente &#8220;o problema est\u00e1 no professor, que \u00e9 acomodado&#8221;.<\/p>\n<p>Da\u00ed entendemos as campanhas de culpabiliza\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e de ataque a auto-estima dos professores realizadas pelos governos municipais, estaduais e federal. Sobretudo, aqui, no estado de S\u00e3o Paulo a reestrutura\u00e7\u00e3o educativa neoliberal se deu e se d\u00e1 de modo mais aprofundado. \u00c9 necess\u00e1rio expor e fragilizar o professor para implementar a pol\u00edtica educacional do capital em crise estrutural. Isto evidencia tamb\u00e9m os motivos de nossa greve, com mais de 30 dias, a maior dos \u00faltimos 10 anos, ter sido t\u00e3o atacada e combatida pelos governos e pela grande m\u00eddia.<\/p>\n<h2> t\u00e9dio e a frustra\u00e7\u00e3o tomam conta das escolas<\/h2>\n<p>Imposta de cima para baixo &#8211; sem qualquer discuss\u00e3o pr\u00e9via com professores, pais e alunos e trazendo em seu bojo t\u00f3picos e textos convencionais, m\u00e9todos de ensino e de avalia\u00e7\u00e3o &#8211; a Proposta Curricular do Estado de S\u00e3o Paulo tornou-se fonte de problemas sistem\u00e1ticos. Isto \u00e9, n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a realidade das escolas, nos tornam meros executores de tarefas obrigados a trabalhar com m\u00e9todos que, sabemos, n\u00e3o v\u00e3o dar certo. Fracasso anunciado. O professor se sente frustrado, desmotivado, entediado e ref\u00e9m de uma situa\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o criou.<\/p>\n<p>Isto nos exp\u00f5e diante dos alunos, aumentando os problemas disciplinares, pois a imposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m os atinge. S\u00e3o obrigados a seguir e a cumprir o que \u00e9 imposto no Caderno do Aluno. Ao mesmo tempo, divide-os entre uma minoria academicamente bem sucedida e uma maioria academicamente desmotivada e indignada. Tem sido freq\u00fcentes as rea\u00e7\u00f5es contra essa imposi\u00e7\u00e3o. Rasgam o caderno, jogam no lixo, p\u00f5e fogo, fazem avi\u00e3ozinho, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso faz o professor se isolar na escola e na sala de aula, o que reduz a rela\u00e7\u00e3o com os professores e com os pr\u00f3prios alunos. Estes muitas vezes s\u00e3o tratados como inimigos. Dessa forma, as sa\u00eddas para os problemas passam a ser buscadas individualmente ou no \u00e2mbito da pr\u00f3pria escola e deixam de ser tratadas coletivamente.<\/p>\n<p>M\u00e9todos ou curr\u00edculos alternativos s\u00e3o combatidos e desacreditados com o argumento de que abandonam o real conhecimento e qualidade da Educa\u00e7\u00e3o. Existe, dessa forma, pouco espa\u00e7o para a realiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias alternativas, pois a Educa\u00e7\u00e3o sob o paradigma vigente \u00e9 vista como &#8220;uma forma de adestramento, disciplinariza\u00e7\u00e3o, treinamento e dociliza\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, do que como um meio de transforma\u00e7\u00e3o e de revolu\u00e7\u00e3o social&#8221; (Santos, 2008, p. 51). Ou seja, formar m\u00e3o de obra que se ad\u00e9q\u00fce \u00e0s necessidades do mercado, que ora aceite trabalhar de forma precarizada em condi\u00e7\u00f5es de trabalho deplor\u00e1vel e ora aceite o desemprego.<\/p>\n<p>Sendo assim, &#8220;a maioria dos projetos de interven\u00e7\u00e3o produz pouca mudan\u00e7a quando s\u00e3o avaliados atrav\u00e9s de formas convencionais; e os que realmente parecem produzir mudan\u00e7as n\u00e3o seguem um padr\u00e3o definido&#8221;. (Connell, 1995, p.30)<\/p>\n<h2>A luta por uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade deve ir al\u00e9m do corporativismo<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o pode mais ser tratada como uma luta dos professores. \u00c9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m dos muros da escola e dos limites da pr\u00f3pria rede de ensino. Os trabalhadores, de um modo geral (pois s\u00e3o eles que matriculam seus filhos na escola p\u00fablica), precisam participar das discuss\u00f5es sobre a qualidade de ensino e da luta dos professores. Os sindicatos, sobretudo os de esquerda, dever\u00e3o discutir no \u00e2mbito de suas categorias os problemas da educa\u00e7\u00e3o, tendo no horizonte a transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por isso que hoje o sentido da mudan\u00e7a educacional radical n\u00e3o pode ser se n\u00e3o o rasgar da camisa-de-for\u00e7a da l\u00f3gica incorrig\u00edvel do sistema: perseguir de modo planejado e consistente um estrat\u00e9gia de rompimento do controle exercido pelo capital, com todos os meios dispon\u00edveis, bem como com todos os meios ainda a ser inventados, e que tenha o mesmo esp\u00edrito&#8221;. (M\u00e9sz\u00e1ros, 2005, p.35)<\/p>\n<p>Portanto, a nossa luta deve assumir um car\u00e1ter emancipat\u00f3rio, que vislumbre uma sociedade sem classes e fraternal em que a escola, em todos os n\u00edveis, n\u00e3o possa ser prec\u00e1ria. 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